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sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Regulamento Eleitoral do Sport Lisboa e Benfica


"- Considerando a necessidade de dotar o Sport Lisboa e Benfica de um instrumento de regulamentação dos aspetos procedimentais que envolvem a eleição dos seus Órgãos Sociais e, bem assim, a máxima transparência de todo o processo eleitoral;
- Considerando que o presente Regulamento Eleitoral resultou de um processo de diálogo, que decorreu entre a Direção do Sport Lisboa e Benfica, a Mesa da Assembleia Geral do Clube e o movimento Servir o Benfica, ficou o entendimento de que visa regular as próximas eleições para os órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica, a realizar no dia 9 de outubro de 2021, competindo aos futuros órgãos sociais a decisão sobre a eventual necessidade de apresentar um novo Regulamento Eleitoral para aprovação da Assembleia Geral de Sócios;
- Considerando a necessidade de definição isenta e clara do ciclo eleitoral e dos procedimentos a ele associados, a Direção do Sport Lisboa e Benfica, em consenso com a Mesa da Assembleia Geral, aprovou por unanimidade, no exercício das suas competências estatutárias e regulamentares, o seguinte Regulamento Eleitoral:

Capítulo I
Disposições Gerais
Artigo 1.º
Objeto
O presente Regulamento regula o processo eleitoral para os Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica.

Artigo 2.º
Modo de eleição
Os membros dos órgãos sociais são eleitos por sufrágio de entre o universo dos sócios com capacidade eleitoral, direto, secreto e periódico e por listas plurinominais apresentadas nos termos dos Estatutos e do presente Regulamento em relação a cada órgão, dispondo o sócio-eleitor de um voto singular de lista.

Artigo 3.º
Organização das eleições
1 – A organização das eleições e a condução do processo eleitoral competem à Mesa da Assembleia Geral.
2 – Sem prejuízo do que se encontra previsto nos Estatutos e no presente Regulamento, compete à Mesa da Assembleia Geral:
1 Convocar a Assembleia Geral Eleitoral;
2. Organizar, acompanhar e supervisionar o processo eleitoral;
3. Determinar a instalação das secções de voto;
4. Apreciar e decidir as reclamações que forem apresentadas no âmbito do processo eleitoral;
5. Decidir sobre casos omissos e esclarecer dúvidas interpretativas relativas aos Estatutos e ao presente Regulamento.

Capítulo II
Eleição dos Corpos Sociais
Artigo 4.º
Direito de voto
1 - Têm direito de voto os sócios com capacidade eleitoral ativa, com mais de um ano de filiação efetiva associativa, que estejam no pleno gozo dos seus direitos, com as respetivas quotas em dia e as casas do Benfica, as delegações e as filiais, nos termos dos Estatutos
2 – Para efeitos do disposto na parte final do número anterior considera-se que tem as quotas em dia o sócio que tenha pago as quotas até às 18 horas do dia anterior à realização das eleições.

Artigo 5.º
Período Eleitoral
1 - Nos termos da alínea a), do n.º 2, do artigo 55.º dos Estatutos, a eleição dos Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica ocorre quadrienalmente, entre os dias 24 e 31 de outubro.
2 – Sem prejuízo do disposto no número anterior e nas situações previstas nos Estatutos, nomeadamente nos artigos 42.º, 43.º e 45.º, haverá lugar à marcação de eleições antecipadas.

Artigo 6.º
Capacidade Eleitoral Passiva
Qualquer sócio efectivo que se encontre no pleno gozo dos seus direitos associativos, tenha as quotas em dia nos termos do artigo 4.º do presente Regulamento, não tenha praticado infracção disciplinar prevista no artigo 29.º, n.º 1, alíneas c) e d), e n.º 4, dos Estatutos, e que reúna todos os requisitos específicos exigidos nos Estatutos pode ser candidato aos Órgãos Sociais.

Artigo 7.º
Sistema eleitoral
As eleições para os Órgãos Sociais far-se-ão por lista plurinominal, com indicação expressa dos cargos a que cada sócio se candidata, considerando-se eleita nos termos do artigo 58.º, n.º 2, dos Estatutos, a lista que obtiver mais votos do que qualquer uma das outras.

Artigo 8.º
Calendário eleitoral
A Mesa da Assembleia Geral elaborará e divulgará um calendário eleitoral que inclui obrigatoriamente:
1. Convocação e publicidade das eleições;
2. Data da realização das eleições; Prazo de entrega das candidaturas;
3. Locais onde são instaladas as Secções de Voto;
4. Identificação do link de acesso à votação destinado aos sócios residentes no estrangeiro e nas Ilhas dos Açores e da Madeira, tal como previsto no artigo 28.º do presente Regulamento;

Artigo 9.º
Publicidade das eleições
As eleições são divulgadas nos órgãos de comunicação do Sport Lisboa e Benfica, nas Casas, Delegações e filiais do Benfica, mediante mensagem a enviar pelos serviços administrativos via e-mail e por SMS. Nos termos dos Estatutos, terão igualmente de ser divulgadas em dois jornais diários nacionais.

Capítulo III
Candidaturas
Artigo 10.º
Candidaturas
1 – As propostas de candidatura são propostas por sócios com capacidade eleitoral ativa, representando na sua totalidade pelo menos dez mil votos e delas deve constar o nome, número de sócio e assinatura.
2 – As propostas de candidatura terão de incluir o nome completo dos candidatos, cargo a que se candidatam com a menção se é efectivo ou suplente e o número e categoria de sócio e de serem acompanhadas dos termos de aceitação dos candidatos devidamente assinados.
3 – Com exceção das situações previstas nos Estatutos, cada sócio não se pode candidatar por mais do que uma lista e para mais de um cargo electivo.

Artigo 11.º
Mandatários das candidaturas
1 – Com a apresentação das candidaturas são indicados os respetivos mandatários, os quais devem ser sócios com capacidade eleitoral ativa.
2 – Aos mandatários compete a representação das candidaturas e candidatos.
3 – Com a indicação do mandatário referido no n.º 1 deve ser junto o respetivo instrumento de mandato, cópia do cartão de sócio, documento de identificação civil, morada, endereço eletrónico e número de telemóvel.

Artigo 12.º
Delegados das Candidaturas
1 – No prazo estabelecido pelo Presidente da Assembleia Geral, o qual não poderá ser inferior a 3 dias tendo por referência o dia do ato eleitoral, cada candidatura indica um delegado efectivo e outro suplente, por cada mesa de voto. O delegado suplente só assumirá as funções previstas neste Regulamento na ausência ou impedimento do delegado efectivo.
2 – Os delegados a que se refere o número anterior devem ser sócios efectivos com capacidade eleitoral ativa, sendo que a respetiva indicação deve ser acompanhada de cópias do respetivo cartão de sócio e do documento de identificação civil.
3 – Compete à Mesa da Assembleia Geral a emissão das credenciais dos delegados, as quais devem ser obrigatoriamente usadas durante o ato eleitoral e devem conter o nome, número de sócio e da candidatura que representa.

Artigo 13.º
Funções dos delegados
1 – São funções dos delegados:
1. Acompanhar todas as operações de votação e contagem de votos;
2. Acompanhar o apuramento de resultados;
3. Assistir ao apuramento dos resultados;
4. Solicitar os esclarecimentos que se afigurem pertinentes durante o processo de votação e de apuramento de resultados.
2 – Para a execução das funções a que se refere o número anterior podem os delegados ocupar um lugar nas mesas de voto, durante a votação e apuramento de resultados;

Artigo 14.º
Requisitos formais das candidaturas
As candidaturas aos órgãos sociais fazem-se, nos termos do artigo 58.º, n.º 2, dos Estatutos, por listas plurinominais com indicação expressa dos cargos a que cada sócio se candidata, devendo respeitar os seguintes requisitos formais:
1. Cumprimento dos Estatutos e do presente Regulamento; Ser apresentadas em formato papel e formato eletrónico, devidamente datadas e assinadas pelos candidatos;
2. Ser acompanhadas dos termos de aceitação dos candidatos;
3. Conter o respetivo Programa para o período a que se refere a eleição, o qual fica disponível para divulgação e consulta dos sócios na página oficial do Sport Lisboa e Benfica e nos órgãos de divulgação do Sport Lisboa e Benfica;
4. Conter a lista de subscrição, constando o nome, o número de sócio e a assinatura de sócios que representem na sua totalidade pelo menos dez mil votos.

Artigo 15.º
Validação e suprimento de irregularidades das candidaturas
1 – Nos termos do artigo 58.º, n.º 1, dos Estatutos, compete à Mesa da Assembleia Geral admitir as candidaturas, e verificar a sua regularidade nas 48 horas seguintes ao termo do prazo para apresentação das listas de candidatura.
2 – Caso se venha a verificar o incumprimento de qualquer formalidade legal suscetível de ser sanada, deve a Mesa da Assembleia Geral notificar o respetivo Mandatário para proceder à sua correção no prazo de 48 horas.
3 – A preterição de qualquer formalidade legal, estatutária ou regulamentar das listas das candidaturas, não suprida nos termos do número 2 deste Artigo, determinará a sua exclusão.

Artigo 16.º
Publicação das listas de candidatura
1 – Após o termo do prazo de apresentação das candidaturas, deve a Mesa da Assembleia Geral proceder à publicação das listas aceites e rejeitadas e proceder à atribuição das letras identificativas de cada lista concorrente.
2 – As listas serão ordenadas por ordem cronológica de entrega na Secretaria Geral do Sport Lisboa e Benfica, para efeitos de atribuição da letra que as identifica. 3- As listas de candidaturas aceites e identificadas pela respetiva letra são objeto de publicitação na página oficial do Sport Lisboa e Benfica e nos órgãos de divulgação do Sport Lisboa e Benfica.

Capítulo IV
Processo eleitoral
Artigo 17.º
Cadernos eleitorais
1 – Incumbe aos serviços administrativos do Sport Lisboa e Benfica elaborar os cadernos eleitorais a pedido da Mesa da Assembleia Geral e sob a respetiva supervisão e validação.
2 – Dos cadernos eleitorais suscetíveis de consulta constarão somente o nome, o n.º de sócio e de votos de cada eleitor, no escrupuloso respeito pelo disposto no Regulamento Geral da Proteção de Dados.
3 – Podem votar os sócios que se encontrem inscritos nos cadernos eleitorais.
4 – As reclamações referentes a omissões ou inclusões indevidas de sócios nos cadernos eleitorais serão avaliadas e decididas pela Mesa da Assembleia Geral.
5 – Os cadernos eleitorais são compostos por um ficheiro informático com todos os nomes dos sócios e casas do Benfica com capacidade de voto e com o número de votos de cada e em nenhuma circunstância podem ser cedidos a terceiros, sob pena de violação do Regulamento de Proteção de Dados (RGPD).
6 – Os cadernos eleitorais devem identificar claramente os sócios que, pela sua residência, terão de exercer o voto através do sistema eletrónico de votação, previsto no Artigo 28.º.
7 – Em todas as secções de voto será possível aos delegados das listas solicitar aos Serviços do Sport Lisboa e Benfica presentes nas mesas a clarificação de eventuais dúvidas que surjam relativamente a quaisquer sócios durante o período em que decorrem as eleições, nomeadamente no que respeita ao exercício do direito de voto.
8 – A correção dos cadernos eleitorais pelos serviços administrativos do Sport Lisboa e Benfica em consequência do deferimento de reclamações previstas no número 4 deste Artigo deve ter lugar no prazo de 24 horas devendo tal fato ser comunicado aos mandatários das listas concorrentes.

Artigo 18.º
Boletim de Voto
1 – A votação será efetuada por meio de voto físico em papel e depositado na respetiva urna, em cada mesa de voto.
2 – Nos boletins de voto deve constar a identificação das listas submetidas a votação, e serem adequados ao número de votos de que dispõe o respetivo sócio eleitor.

Artigo 19.º
Mesas eleitorais e horários de votação
1 – Nos termos do n.º 1 do artigo 58.º dos Estatutos, compete à Mesa da Assembleia Geral determinar a instalação de tantas as mesas de voto quantas as necessárias à mais ampla participação dos sócios e a um normal desenvolvimento eleitoral.
2 – Pelo menos uma das mesas de voto referidas no número anterior funcionará na sede do Sport Lisboa e Benfica.
3 – As mesas de voto funcionam das 8h00 às 22h00, de Portugal Continental.

Artigo 20.º
Identificação dos eleitores
A identificação do sócio eleitor perante a mesa eleitoral faz-se mediante apresentação do cartão de Sócio e do bilhete de identidade ou cartão de cidadão ou de documento de identificação civil com fotografia aceite pelo Presidente da mesa de voto.

Capítulo V
Campanha Eleitoral
Artigo 21.º
Período da campanha eleitoral
A Campanha eleitoral tem início às zero horas do dia seguinte à afixação das listas admitidas a sufrágio e termina às vinte e quatro horas da véspera do dia de realização do ato eleitoral.

Artigo 22.º
1. As candidaturas têm à sua disposição os órgãos de comunicação social do Sport Lisboa e Benfica, em igualdade de circunstâncias para todas as candidaturas, os quais devem ser utilizados no estrito respeito pela ética e pela civilidade, em períodos reservados para o efeito e por tempos e condições precisamente idênticas, devendo merecer a seguinte cobertura:
2. Emissão de tempos de antena na BTV para as candidaturas que se apresentem a sufrágio;
3. Entrevista individual na BTV a cada um dos candidatos à Presidência da Direção do Sport Lisboa e Benfica;
4. Debate na BTV, com a presença de todos os candidatos à Presidência da Direção do Sport Lisboa e Benfica. Caso algum candidato recuse participar, o debate far-se-á com os restantes;
5. Espaço reservado a cada candidatura no jornal O Benfica nas edições dos dias 1 e 8 de outubro de 2021;
6. Criação no site do Clube de uma área específica para a publicação do programa eleitoral de cada uma das listas candidatas;
7. Será elaborada e publicada uma Newsletter Benfica especial, contendo os programas e as listas de todas as candidaturas;
8. Assim que se encontrem formalizadas as candidaturas às eleições devem os mandatários de cada uma das listas reunir com o Diretor de Comunicação do Sport Lisboa e Benfica para acertar as questões técnicas.

Capítulo VI
Votação
Artigo 23.º
Formas de votação
1 - A votação é direta e secreta.
2 – O exercício do direito de voto é presencial em Portugal Continental e à distância nos arquipélagos dos Açores e da Madeira e no estrangeiro.

Artigo 24.º
Assembleia Geral Eleitoral e funcionamento das Mesas de Voto
1 – Sem prejuízo do disposto no número seguinte e no artigo 19.º, n.º 1, do presente Regulamento, a Assembleia Geral Eleitoral decorre obrigatoriamente na Sede do Sport Lisboa e Benfica.
2 – O direito de voto presencial será exercido na Sede do Sport Lisboa e Benfica e noutros locais de Portugal Continental, nos termos a definir pela Mesa da Assembleia Geral, respeitando os Estatutos e o presente Regulamento.
3 – As mesas de voto para o exercício do voto presencial funcionam nos locais identificados nos termos do número anterior.
4 – As mesas de voto que se situarem fora das instalações da sede do Sport Lisboa e Benfica serão constituídas por um presidente e um secretário nomeados pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral, sendo acompanhados pelos delegados das listas concorrentes às eleições, em todo o processo eleitoral, desde a abertura das urnas até ao apuramento final dos votos.

Artigo 25.º
Votação
1 – A votação decorre nos vários locais designados para o efeito e pelo período referido no artigo 19.º, n.º 3 do presente Regulamento, com exceção das situações de voto à distância nos casos dos sócios residentes no estrangeiro, nos Açores e na Madeira. O voto eletrónico à distância terá igualmente de ser exercido entre as 8 e as 22 horas de Portugal Continental.
2 – Sem prejuízo das exceções previstas nos Estatutos e no presente Regulamento, a Assembleia Geral Eleitoral decorre de forma ininterrupta até estarem concluídas todas as operações de votação e apuramento de resultados.
3 – Os sócios votam pela ordem de chegada sem prejuízo da prioridade legalmente conferida aos sócios portadores de deficiência, grávidas e acompanhantes de crianças de colo.
4 – Aos sócios que se encontrem na fila para o exercício do direito de voto à hora do fecho das eleições, será permitido o exercício do seu direito de voto.

Artigo 26.º
Voto presencial
1 – O direito de voto é pessoal, não podendo ser exercido por terceiros, nomeadamente através de procuração.
2 – Cada sócio vota uma só vez para cada lista candidata aos Órgãos Sociais.
3 – No local de acesso às mesas de voto encontra-se instalada uma receção constituída por funcionários do Sport Lisboa e Benfica e pelos delegados das listas concorrentes, que procedem à identificação dos sócios, mediante a exibição do respetivo documento de identificação civil e cartão de sócio.
4 – Posteriormente aqueles funcionários e os delegados verificam a capacidade eleitoral ativa dos sócios e que os mesmos se encontram inscritos no Caderno Eleitoral, entregando-lhes seguidamente o boletim de voto correspondente ao número de votos a que cada votante tem direito.
5 – Cumpridas estas formalidades, os sócios encaminham-se para a mesa de voto, depositando o voto na urna, recuperando posteriormente os respetivos cartões de identificação.
6 – Concluído o processo de votação, o sócio deve abandonar o espaço onde decorre a Assembleia Geral Eleitoral.
7 – O processo de votação previsto nos números anteriores decorre sob a supervisão do Presidente e do Secretário de cada mesa de voto, com acompanhamento dos delegados de cada uma das listas concorrentes.

Artigo 27.º
Sistema eletrónico de voto
1 – O Sistema Eletrónico de Votação referido no artigo 28.º do presente Regulamento deve cumprir todos os requisitos legais em vigor, nomeadamente garantir o cumprimento do Regulamento de Proteção de Dados (RGPD).
2 – A MAG elaborará um documento técnico explicativo do sistema eletrónico de voto, de que dará conhecimento aos mandatários das listas.

Artigo 28.º
Voto dos sócios residentes no estrangeiro
1 – Os sócios residentes em território estrangeiro, nos Açores e na Madeira, podem solicitar, até 05 dias antes da data da realização das eleições, à Mesa da Assembleia Geral o envio de código específico para exercício do voto eletrónico.
2 – A Mesa da Assembleia Geral procede ao envio dos códigos de acesso à votação eletrónica antes da data da realização do ato eleitoral.
3 – O sócio residente no estrangeiro, nos Açores e na Madeira, deve aceder ao sistema de votação eletrónico através do link previamente divulgado pela Mesa da Assembleia Geral e constante da carta enviada ao sócio para o exercício do direito de voto até 24.º horas antes da data do encerramento do ato eleitoral.
4 – Após autenticação do sócio é apresentado um boletim de voto eletrónico para efeitos de preenchimento.
5 – É possível votar em branco tal como na votação presencial.
6 – O exercício do direito de voto eletrónico fica automaticamente registado e impedirá o sócio eleitor de votar presencialmente em qualquer mesa de voto.
7 – Após submissão do voto o sócio recebe uma mensagem de sucesso ou insucesso do mesmo.

Artigo 29.º
Sócios portadores de deficiência
1 - Os sócios portadores de doença incapacitante, ou deficiência física que impossibilite o exercício do voto presencial nos termos previstos no artigo 26.º do presente Regulamento, podem exercer o direito de voto podendo para o efeito ser acompanhados por uma única pessoa por si escolhida.
2 – Em caso de dúvida, podem os membros da mesa de voto solicitar ao sócio referido no número anterior atestado médico comprovativo da incapacidade para a execução dos atos inerentes à votação presencial.

Artigo 30.º
Segredo de voto
1 – Nenhum sócio pode voluntariamente ou a solicitação de outro divulgar o sentido de voto nas instalações onde decorre o ato eleitoral nem num raio de 200 metros.
2 – Num raio de 200 metros a contar das imediações do local onde decorre o ato eleitoral não pode haver propaganda ou publicidade das listas que concorrem ao ato eleitoral.
3 – Nenhum sócio pode ser coagido a divulgar o seu sentido de voto.

Artigo 31.º
Contagem de Votos
O apuramento dos resultados eleitorais para os órgãos sociais consiste na realização das seguintes operações:
1. Uma vez terminada a votação, em cada mesa de voto, proceder-se-á de imediato à contagem dos votos por parte do Presidente e do secretário, com o acompanhamento dos delegados das listas concorrentes.
2. Cada mesa deve apurar o número total de votos, os votos nulos e brancos e os votos em cada uma das listas concorrentes.
3. Uma vez terminado o apuramento dos votos como previsto no número anterior, será lavrada uma ata pelo presidente da mesa, contendo o número total de votos, os votos em cada lista, os quais devem ser ordenados por cada categoria de votante, os votos nulos e os votos em branco e terá de fazer referência ao facto de os votos físicos terem sido depositados nas urnas as quais foram devidamente seladas, nos termos do Artigo 37.º. A ata terá de ser assinada pelo Presidente, pelo secretário e pelos delegados das listas concorrentes, desde que presentes. Caso qualquer delegado se recuse a assinar a ata deve, no prazo de 24 horas, recorrer à Mesa da Assembleia Geral reportando o facto e fundamentando as razões que o levaram a não assinar a ata, para efeitos de eventual averiguação.
4. A não assinatura da ata por qualquer delegado não interrompe o apuramento dos resultados das eleições.
5. Uma vez concluída e assinada, a ata será enviada por mail para a mesa da Assembleia Geral, para a sede do Sport Lisboa e Benfica, para efeitos do apuramento geral dos votos.

Artigo 32.º
Recontagem dos votos
1 – Mediante requerimento, devidamente fundamentado, pode o mandatário de qualquer uma das listas de candidaturas solicitar a recontagem dos votos, numa ou mais urnas.
2 – A recontagem solicitada, nos termos do número anterior, não tem efeito suspensivo relativamente ao resultado anteriormente apurado, e é decidida e realizada pela Mesa da Assembleia Geral.
3 – Havendo lugar a qualquer recontagem, deverá sempre ser efetuada pela MAG, na presença dos mandatários das listas ou de quem estes indicarem, caso queiram participar em tal recontagem.

Artigo 33.º
Ata eleitoral
1 - Após a contagem e ou recontagem dos votos é elaborada a ata pela Mesa da Assembleia Geral Eleitoral, a qual deverá conter, para além do apuramento final dos resultados das eleições, os seguintes elementos: A indicação do número de mesas de voto; A hora de abertura e de encerramento da votação por cada local; Os resultados totais apurados e por cada mesa de voto; As deliberações tomadas pela mesa da Assembleia Geral Eleitoral; As assinaturas dos membros da mesa da Assembleia Geral Eleitoral; Os resultados da eventual recontagem dos votos; Quaisquer outros assuntos com relevância no âmbito do processo eleitoral.
2 – Os mandatários das listas a sufrágio têm acesso a uma cópia da ata a que se alude o número anterior. Artigo 34.º Afixação de resultados Os resultados da votação são divulgados mediante comunicação pela Mesa da Assembleia Geral e afixados na sede do Sport Lisboa e Benfica logo após a conclusão da ata eleitoral a que se refere o artigo anterior e na página oficial do Sport Lisboa e Benfica.

Capítulo VII
Investidura
Artigo 35.º
Investidura
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral, atento o disposto na alínea c) do n.º 1 do artigo 54.º dos Estatutos, deve proclamar os eleitos imediatamente após o apuramento dos resultados eleitorais, envolvendo a proclamação a investidura no exercício dos cargos para os quais os proclamados foram eleitos.

Artigo 36.º
Destino dos votos físicos
1 – Todos os votos físicos são devidamente embalados e lacrados e entregues à Mesa da Assembleia Geral para sua guarda durante todo o tempo em que seja legalmente possível a impugnação dos resultados eleitorais.
2 – Findo aquele prazo, e se outro mais longo não for legalmente aplicável, procede-se à destruição dos documentos identificados no número anterior.

Artigo 37.º
Guarda da documentação
1– No final do processo eleitoral todos os documentos elaborados no seu âmbito são entregues ao Presidente da Assembleia Geral.
2 – Finda a contagem dos votos em cada mesa, devem as urnas serem seladas pelo Presidente das respetivas mesas, na presença dos delegados das listas concorrentes e tal facto deve constar da ata de apuramento dos resultados.

Artigo 38.º
Reclamações e impugnações
1 – As reclamações apresentadas no decurso do ato eleitoral são decididas pela Mesa da Assembleia Geral Eleitoral no prazo de 48 horas.
2 – O ato eleitoral e as deliberações tomadas pela Mesa da Assembleia Geral Eleitoral são impugnáveis nos termos gerais de direito.

Artigo 39.º
Entrada em vigor
O presente Regulamento Eleitoral entra em vigor no dia seguinte à respetiva publicação, pelo Presidente da Mesa da Assembleia Geral, no site do Sport Lisboa e Benfica."

Benfica Podcast #419 – Déjà vu averted

O dormitório


"Para tudo na vida há peso e medida. - tanto para a virtude como para o defeito. E para o insulto também. Gradua-o não só o autor do ultraje, mas também o seu destinatário: acusar, por exemplo, alguém de estultícia, se esse alguém for poucochinho, se for parvo (parvus:pequeno), corre-se o risco de que o interprete como velado elogio. Mas é mesmo parvoíce.
Como acontece com grande parte dos jogadores de futebol que acreditam fervorosamente que a forma mais eficaz de ganhar um jogo é jogá-lo a partir da posição de deitado: grande estupidez (uma parvoíce mais crescida).
Desde logo, é preciso recorrer a um contexto de microfísica para lobrigar um toque que, sendo-o, tenha sido mecanicamente suficiente para provocar o alarmante derrube - a ponto de, em intermináveis e tautológicos programas de televisão, se consumirem horas à volta desta intrigante questão: tocou ou não tocou?
E, claro, acaba sempre da mesma maneira - exactamente como começara: para uns tocou, para outros obviamente que não tocou.
É falácia dramática pretender fomentar e expandir um jogo cuja substância parece esgotar-se na inconsequente discussão à volta daquilo que flagrantemente a nega: o futebol é essencialmente contacto, pelo que é pura estultícia interrompê-lo, paralisá-lo, ao mínimo arremedo de um hipotético toque. E se for na cara (ou nos arredores)? Ai, ai! Tragédia.
Com tanta gente no chão, na fofice de uma relva bem cuidada, aquilo, mais do que um campo, parece, antes, um dormitório (talvez de refugiados do Afeganistão): ao mínimo abanão, jogam-se acrobaticamente para o relvado, ao mesmo tempo que soltam gritos tonitruantes, visando comover o coração do árbitro que vai na fita dos palhaços, fazendo o triste papel de trouxa. E, depois de se contorcerem devidamente, para ali ficam espojados naquela posição fetal - a mais cómoda para se dormir.
Resumindo, sem pinga de ironia: metade do tempo de duração oficial do jogo passam-na deitados, perante o olhar complacente e condoído de árbitros, treinadores, terapeutas - e directores, claro.
Enquanto, lá em casa, já não há quem aguente tanta palhaçada e tão entediante pasmaceira. E bem sabemos como é contagioso o sono: às tantas, boceja-se e dormita-se nas bancadas e dorme-se a sono solto ( quiçá com pesadelos) no sofá da sala.
Sim, o futebol português (e não só) sofre da doença do sono.
Precisa-se urgentemente de um ajudante Burrrinhas: era o meu sargento-ajudante em Lanceiros2. De varapau em punho, corria a caserna de fio a pavio e, à paulada, fazia os mandriões saltar da cama para se aprontarem para as tarefas da ordem.
Primeiro: ele era Burrinhas (grande pessoa!), mas de burro é que não tinha nada. Segundo e por fim: os mandriões não são só os jogadores. O futebol está a precisar de um duche de água gelada."

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Um título sobre rodas


"Na estreia do novo autocarro, o futebol encarnado rumou a terras alentejanas, trazendo na bagagem mais um título

O mítico autocarro Samua, imagem de marca do Clube durante largos anos, foi substituído em Maio de 1963 por um elegante Scania Vabis. Ao novo meio de transporte não faltou a tradicional cerimónia da bênção, na qual esteve presente a Direcção do Benfica, sendo a madrinha uma das filhas do dr. Fezes Vital, presidente da Direcção.
O Benfica vivia momentos de grande fulgor desportivo, quer nas provas europeias, quer no Campeonato Nacional, sendo líder isolado nesta competição.
A derradeira jornada do Nacional de 1962/63, contra o Lusitano de Évora, ditou que os encarnados tivessem de se deslocar ao Alentejo. Foi uma bela oportunidade para o Benfica colocar à prova o seu novo autocarro. A comitiva encarnada era composta, para além dos jogadores, treinador e sua equipa técnica, por Manuel Afonso, Alberto da Maia, jornalista do Clube, e José Catela, antigo homem-forte do futebol benfiquista. Ao longo da viagem, o autocarro do Benfica foi ampla e vibrantemente ovacionado por todos aqueles que se cruzaram com ele na estrada.
Em Montemor, a comitiva foi de imediato cercada por fervorosos fãs que queriam ver os jogadores de perto ou arrancar um autógrafo ao seu ídolo. Durante o almoço, na presença de Francisco Moreira, antiga glória dos relvados, um grupo de adeptos homenageou o Clube com uma bonita salva de prata. Se seguida, o autocarro voltou a rolar estrada fora rumo a Évora. A meio caminho, a comitiva necessitou de esticar as pernas e combinar pormenores para o desafio. Porém, a calma e a descontração foram de curta duração, pois os adeptos resolveram, também eles, parar os seus veículos para estar junto dos ases do futebol.
À chegada a Évora, a comitiva do Benfica foi grandemente ovacionada, por entre estridentes foguetes e uivos de cornetas. O Campo Estrela abarrotava de público, e, antes do desafio, a equipa do Benfica homenageou os juniores do Sport Lisboa e Benfica e Évora, com medalhas de campeões distritais. No tão aguardado desafio, apesar de ter sido evidente  controlo e posse de bola do Lusitano, o Benfica demonstrou eficácia e poder de finalização, saldando-se o resultado numa vitória dos encarnados por 1-3.
Conquistado mais um título nacional, foi tempo de os benfiquistas rumarem a Lisboa, não sem antes fazerem nova paragem, desta vez em Vendas Novas, na herdade do sr. Varela Cid, que ofereceu um jantar de honra aos cerca de 60 membros da comitiva do Clube.
Para saber mais sobre esta e outras histórias, visite a área 6 - Campeões Sempre, do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ricardo Ferreira, in O Benfica

FIFA 22

Troféu para vencer


"Fim de semana à vista é sinónimo de emoções fortes. Serão muitas as equipas do Benfica em ação nos próximos dias e onde quer que haja uma em competição lá estarão benfiquistas a apoiá-las. É assim o nosso Benfica!
O foco está direcionado para Guimarães. Sábado, às 18h00, terá início o sempre apaixonante e disputado Vitória SC–Benfica.
Os vitorianos, assim como o Benfica, chegam à sétima jornada como integrantes do quarteto de clubes com melhor registo defensivo na prova, tendo concedido somente três golos cada aos adversários. Por seu turno, o Benfica lidera a prova com a pontuação máxima possível, fruto de seis triunfos consecutivos desde o início da prova, um registo que já não acontecia, para as nossas cores, há 39 anos. O bom desempenho defensivo encontra paralelo na baliza oposta, sendo já 16 os golos benfiquistas, o mais produtivo na presente edição da prova.
Estes são dados que lançam a partida, mas em nada influem o decurso da mesma. Cada jogo encerra-se em si mesmo e independentemente do contexto é para ganhar que as equipas do Benfica se apresentam sempre em campo.
Curiosamente, no mesmo dia, mas às 11h30 em Coimbra, ambos os clubes disputarão um troféu, a Supertaça de basquetebol (feminino). Recordamos que, na temporada passada, festejámos as conquistas inéditas do Campeonato e da Taça de Portugal, sabendo que a nossa equipa está apostada, neste ano, em dar continuidade à senda triunfal.
Serão muitos mais os jogos em competições oficiais do Benfica nas diferentes modalidades.
Destacamos o futebol feminino, com o aliciante dérbi entre Sporting e Benfica em Alcochete (domingo, 17h00) e o andebol e o hóquei em patins, em que enfrentaremos, respetivamente, Madeira SAD (Pavilhão Acácio Rosa, 6.ª feira, 16h30) e Juventude de Viana (Luz, sábado, 16h00), com ambos os jogos a contarem para o Campeonato Nacional.
Consulte a agenda em slbenfica.pt para mais jogos e horários. Vem apoiar o Benfica!"

SL Benfica | Os 5 melhores laterais direitos da história encarnada


"Numa época de caricato planeamento quanto às laterais – de seis elementos disponíveis para as faixas, quatro jogam preferencialmente no lado direito, enquanto que um dos dois na canhota não é sequer de origem – o SL Benfica vê-se apetrechado em qualidade e abundância, ainda que o desequilíbrio seja notório. Quanto mais Gil Dias der provas de que ‘’não serve” para Jorge Jesus, mais problemática será uma eventual ausência de Grimaldo.
Mas à destra, opções bastantes e muito válidas. Se André Almeida recuperou da tormentosa lesão que o apoquentou no último ano, vê-se agora no fundo da hierarquia. Diogo Gonçalves teria em 2021-22 a temporada de afirmação, não fosse a subida de forma de Gilberto ou a contratação sonante de Valentino Lázaro.
Ardente luta se travará pela titularidade, exigindo de cada um rendimento máximo – é de saudar a concorrência, ainda que seja contranatura a aglomeração de tanta solução para um posto só. Dores de cabeça para Jesus.
Numa tentativa de enquadrar historicamente e contextualizar as passadas apostas encarnadas para aquela ala, decidimos eleger os cinco mais destacados laterais-direitos do percurso benfiquista – cronologicamente e tendo em conta a sua importância a curto, médio e longo prazo, dentro e fora dos relvados.
Muitos nomes merecedores de referência ficam injustamente de fora por impossibilidade matemática. José Rosa Rodrigues, por exemplo, o primeiro ala direito de águia ao peito: entrou como titular no primeiro jogo oficial de sempre, como right-back – como se chamava à altura quem preenchia aquele lado no 2-3-5 ou WM coevo.
Ou Ralph Baião, outro bom exemplo, ainda que este se destaque por razões mais inóspitas – a sua excentricidade foi um marco no campo mediático do futebol português dos anos 20, fosse pela sua fama enquanto bom vivant, ou ela utilização de uma boina basca sempre que entrava em campo. Foi com uma txapela à cabeça que ajudou a vencer três Campeonatos de Portugal e um Campeonato de Lisboa, em oito anos (1925-33) como soldado do exército rubro.
De Jacinto, nos anos 40, a Cavém – que apesar de ser o melhor polivalente de sempre do nosso futebol, cumprindo com mestria todas as tarefas dentro do retângulo, iniciou duas finais das Taças dos Clubes Campeões Europeus (vs AC e Inter de Milão, 1963 e ‘65 respetivamente) como titular da posição, consolidando-se aí no final de carreira.
Na passagem à década de 70, há a reter Malta da Silva – titular nos invencíveis de 1972-73 – ou Artur Correia, o Ruço, velocista que terminou carreira na Luz de costas voltadas com o clube, mas que marcou uma era enquanto fomentador de um novo estilo de lateral.
Foi o primeiro ala moderno do futebol português ou, pelo menos, o primeiro disposto a desbravar todo o corredor num vaivém constante. Stefan Kovacs, o reputado treinador do FC Ajax tricampeão europeu (substituto de Michels, aquando da saída deste para FC Barcelona) disse sobre ele, em 1972: “Provavelmente, o melhor da Europa”…
Mais tarde, Miguel deixou marca num SL Benfica em reconstrução. Essencial na Taça de 2004 e no campeonato de 2005, só a sua saída apressada para Espanha impediu maiores feitos pelo clube. E, por fim, André Almeida e Nélson Semedo, um pela longevidade e outro pela qualidade.

1. Maxi Pereira (2007-2015) – O silêncio tornou-se hábito em relação ao uruguaio. De amor profundo a traição inusitada fora de tempo, já demasiado tardia, divórcio pateta e tiro no pé de um atleta que tudo tinha para ficar ainda mais engradecido na história do SL Benfica.
Fosse pelas características dentro e fora de campo, onde mostrava ser leal, comprometido com a equipa, chegando a parecer a personificação fiel dos ideias encarnados, Maxi foi uma figura importante no rejuvenescimento a partir de 2009, contribuiu até à chegada às consecutivas finais europeias.
Sem se perceber muito bem como nem porquê, rumaria a Norte – tomando o mau exemplo do compatriota Cebola Rodríguez – para finalizar a carreira atascado em derrotas e casos de indisciplina, numa fase de menor fulgor do FC Porto.
Antes de continuar o silêncio indicado como resposta a tão inglória decisão, a constatação: foram oito anos na Luz, 333 jogos, três campeonatos, uma Taça, seis da Liga, duas supertaças, duas finais europeias. Tentador mas impossível ignorar.

2. António Veloso (1980-1995) – Ficará para sempre marcado ao penalty de Estugarda, muito injustamente. Competentíssimo na arte de defender e abnegado como quase ninguém, bastará atentar-se de forma superficial à sua carreira para ver números, muitos números, tantos que nos metem a cabeça em água – como tantas vezes tentaram os extremos adversários fazer, ainda que em vão.
Aqui vamos, agarrem-se: 658 jogos de 1980/81 a 1994/95 (média de 43 por temporada), 322 deles ostentando a braçadeira (ficou a seis do recorde de Mário Coluna). Desses 658, 546 a titular, 309 do lado direito – tal como os senhores antes referidos, um polivalente astuto e desenrascado, estreando todas as posições à excepção da baliza e frente de ataque.
Foi até bem recentemente recordista de jogos europeus (77), sendo superado apenas por Luisão (127). Percebe-se, então, a eterna gratidão que lhe devem os adeptos do SL Benfica. Pena que o instante determinante do confronto com Van Breukelen, guarda-redes holandês, tenha ficado como dívida perpétua de um homem que tudo deu em prol da instituição.

3. Minervino Pietra (1976-86) – Lateral-esquerdo de origem, foi mais um polivalente de prestígio que se afirmou na Luz como um dos melhores laterais portugueses. Irreverente na chegada à frente, tinha técnica suficiente para se evidenciar no último terço.
Como ficou demonstrado na eliminatória frente ao Copenhaga, na Taça dos Campeões de 77-78: 1-0 cá, 0-1 lá, dois tentos de sua autoria e a consagração internacional, que viria a completar-se na importância que teve no conjunto de 1982-83 que surpreendeu o continente ao chegar à final da Taça UEFA.
Era Pietra o dono da direita, formando com Carlos Manuel grande dupla naquele corredor. O percurso na Seleção (28 jogos) fica marcado pelo afastamento da fase final do Euro84, quando tinha cumprido praticamente toda a qualificação a titular, “numa altura em que estava com as faculdades intactas”.
Jogou João Pinto (FC Porto) no seu lugar. Na Luz aguentaria mais dois anos, completando 314 jogos – seria expulso no último, contra o Belenenses, o seu antigo clube. Ironias de um destino que fez questão de nunca o afastar totalmente da causa encarnada.
Seria quase eterno colaborador do clube. Assumir-se-ia como adjunto de Rui Vitória. Com ele foi até ao fim, ajudando depois na introdução de Bruno Lage e continuando, até hoje, como ponto de ligação entre os valores benfiquistas e a equipa principal.

4. Mário João (1957-63) – Chegado ao SL Benfica vindo da CUF, em sentido inverso do veterano Arsénio, Mário João tinha-se evidenciado na margem Sul como interessante avançado.
Foi assim que se encaixou na equipa principal do SL Benfica até chegar Bela Gutmann, em 59, e discernir nele um preponderante e polivalente elemento da retaguarda: no meio ou á direita, como na segunda final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, onde secou Gento e ajudou a acalmar Puskas após o intervalo.
Campeoníssimo e feito Comendador por Américo Tomás, teve que optar no final da época entre a Luz e o regresso à CUF: no Barreiro tinha emprego garantido, ficando a ganhar mais na fábrica do que no clube campeão da Europa! Além, claro, da importante questão da reforma. Tempos que já lá vão.
Feitas as contas, cinco anos, dois campeonatos, duas Taças dos Campeões, duas Taças de Portugal.

5. Francisco Moreira, o Pai Natal (1944-54) – 270 jogos distribuídos por dez épocas. Nada mau, certo? Melhor fica se atentarmos que nasceu em 1915 – chega ao SL Benfica, então, já com uns maduros 29 anos, cumprindo carreira até aos 39, numa longevidade admirável e que mete em causa o compromisso de tantos outros.
Se Francisco tem chegado ao SL Benfica mais cedo, certamente figuraria ainda hoje no top dez dos mais assíduos da sua história. Ao peso da sua contribuição ímpar, a assinatura em momentos capitais do período pré-conquista europeias.
Ora bem, vejamos: foi titular nos 8-2 da inauguração do Estádio das Antas, na melhor vitória de sempre frente ao FC Porto; estava presente nos 13-1 à Sanjoanense, a maior goleada do SL Benfica no Campeonato Nacional.
Participou, ao ritmo de poucos, na maratona em pleno Jamor que resultou na Taça Latina. No périplo do tetra de Taças de Portugal (49-53), era já um dos líderes do conjunto que cumpriu com o Sporting CP uma das melhores finais de sempre (a de 1952, no 5-4 que Rogério Pipi decidiu em cima dos noventa) e do que, no ano seguinte, voltou a esmagar o FC Porto, desta vez por 5-0.
Tão incansável era, à lateral ou ao meio, na intermediária de onde regia toda a construção encarnada, que os colegas de seleção, sportinguistas, se metiam com ele alcunhando-o de “Pai Natal”. Colou na massa adepta. “Diziam que eu era velho, mas ninguém passava por mim”, explicou Francisco, algum tempo depois."

Fever Pitch: Rivais...

João Almeida é um prazer cheio de dor irracional


"Se há inevitabilidade que me incomoda é a poeira da memória e a sua indiferença, não a entendo, haverá neurocientistas com mente dedicada a estudar as manigâncias de outras mentes que o saibam explicar. Nunca serão os porquês extraídos de neurónios e massas cinzentas a soprarem todas as partículas de frustração que sinto por me lembrar das tardes de verão em que me sentava no chão da sala, mais perto da televisão, pernas cruzadas pelo espanto, sem me recordar do que o meu avô ia dizendo para seduzir os meus ouvidos, tanto quanto os olhos eram surripiados pela admiração do que estávamos a ver.
Quando a televisão ainda era uma caixa, a pessoa que genuinamente gostava de desporto e não apenas de me ver praticar desporto chegava lá a casa, sentava-se no cadeirão que lhe amparava os joelhos carcomidos por cirurgias e plantava-me a semente do ciclismo. Eram os verões da Volta a França, de Marco Pantani, Jan Ullrich, Alexander Vinokourov, Carlos Sastre e de Lance Armstrong, antes de o mundo cair com a fraqueza nos braços do americano que se encharcou em doping durante tantos anos, mas não aqueles, os das tardes a ver ciclismo com o meu avô.
Não lhe sei precisar as palavras, sei apenas que me explicava, com a voz grave e cheia de paciência, estarmos a presenciar homens em plena suportação do extraordinário. O meu avô vendia-o como das coisas mais admiráveis ao alcance de um humano — fazer mexer uma gerigonça de duas rodas apenas com a força das pernas e, com ela, escalar montanhas a pique. Há lugares onde a natureza não quis ter pessoas e esses sítios ficam nos picos do mundo, de outra forma não seriam assim, gargantuescos na ascensão e dilapidadores de corpos.
Há muitos anos que se foi a voz que era o meu desporto, felizmente ainda tivemos tempo para me dar, sobretudo para me ensinar, um gosto que é impossível de perder. Mas, sumido ele e aparecido o escândalo que foi saber que Armstrong era o imperador dos batoteiros, confesso ter virado um derrotado do ciclismo. Acabaram as tardes de Volta a França, a Itália ou a Espanha, o acompanhamento de genuíno interesse passou a interesseirice obrigatória devido à profissão, duas coisas que só voltaram a estar juntas quando um certo português apareceu.
Desconhecia João Almeida quando se adornou de rosa durante 15 dias, o ano passado. Foram duas semanas do Giro a ser liderado por um rapaz a pedalar no ano de estreia enquanto profissional e o inglês, idioma engenhoso, tem uma palavra para o que isto poderia ser: um fluke. Um acaso, as estrelas combinadas entre si para se alinharem. Mas não, o ciclista de A-dos-Francos voltou a Itália para acabar no 6.º lugar depois do 4.º de 2020, depois foi aos Jogos Olímpicos para uma 16.ª posição no contrarrelógio e no que restava deste verão ganhou duas voltas, primeiro à Polónia e, este sábado, ao Luxemburgo.
Portugal teve muitos ciclistas, o meu avô enchia-me o depósito do ideário da vida sobre dois pedais com histórias do que vira Joaquim Agostinho, o maior deles todos, fazer em França. O país continuará a ter ciclistas depois de João Almeida, mais almas cairão nesse caldeirão de dor suportada e sofrimento acumulado entre homem e máquina em que ele é o motor, o ano passado ouvi o ciclista que é dos arrabaldes das Caldas da Rainha dizer que "a dor física é tolerável, mas a mental é complicada", que quando termina a dos músculos e começa a do cérebro é que o corpo se ressente — "aí é que temos de ir além dos limites".
Agora que conquistou o Luxemburgo, o português disse não ser um super-herói, lamentando-se por não ser "possível responder a toda a gente" no alcatrão quando as pernas viram brasas de carvão e berram estridentemente para que lhes seja concedido algum descanso. João Almeida só tem 23 anos, na escala da vida é uma ninharia, mas estará opulento de saber o quão sofre um ciclista para pedalar até onde ele já foi, ainda por cima tendo os dotes de trepador já evidenciados e a queda pelas subidas íngremes que até fazem carros ficarem com os bofes de fora.
Não tive forma de perguntar a este já super-ciclista — que, no próximo domingo, voltará à estrada nos Mundiais de ciclismo — sobre o que leva alguém a abraçar tal sofrimento, a querer sofrê-lo e a prosperar com a dor, tão pouco tenho o meu avô por cá para me explicar as nuances de algo tão humano como só ele era capaz de me fazer entender, por isso questionei a única alma que conheço e sei que experimentou a sério o equilíbrio da vida em duas finas rodas. Sorte a minha e, arrisco, também a vossa, por ele ser também uma pessoa que tem um ralenti de clareza na escrita para que possamos, mesmo só com ligeiros arranhões, tentar perceber o que é pedalar sabendo que a estrada nos condena a uma provação dolorosa:
Há um prazer muito específico que é certamente irracional e disfuncional mas viciante e alucinante e que por isso mesmo é um prazer contraditório, porque é um prazer cheio de dor, dor que sabe bem quando a dor devia saber só a dor, achar que a dor tem sabor a mau ou sabor a bom é complexificá-la e romantizá-la em vão porque a dor é uma perda de tempo perante a possibilidade do prazer, o prazer esse sim deve ser aclamado nos seus sabores e escalas diferentes, por exemplo: podemos ter o prazer-medíocre e o prazer-satisfaz e o prazer-bom e o prazer-excelente e porque não o superprazer, eis uma escala possível de prazer, cada um de nós terá a sua escala e nunca é perda de tempo viver e sentir esses escalões do prazer.
Peço perdão por usar "escalões" que é linguagem de IRS mas isto do ciclismo, que é disto que aqui falo embora não o pareça, isto do ciclismo tem a sua contabilidade também, é feito de dois pedais e uma forqueta e ainda um guiador e também uma corrente, é feito ainda de manípulos de velocidades e de múltiplas combinações de andamentos, 52x11 ou 42x23, esta é matemática do ciclista, os ciclistas falam com estes números entre eles e não tente perceber isto porque ninguém entende mesmo os ciclistas, a boca deles sabe-lhes a sangue no final de um contra-relógio de 50 quilómetros sob temperaturas de 40.ºC ou enquanto sobem uma montanha com inclinações de 20% ou por centos maiores, ninguém os entende no sacrifício apocalíptico deles, nem eles porventura se entendem a eles mesmos quando se tentam superar continuamente nesse ato extravagante mas definitivamente poético que é serem os motores de si próprios, as pernas a fazer de gasolina e o coração a bombear óleo da melhor qualidade.
A BMW ou a Tesla têm excelentes veículos mas nenhum é tão corajoso nem sexy como os veículos de calção de licra e camisola justa que atingem 190 ou 195 pulsações por minuto — não porque querem, mas porque precisam, afinal é um prazer irracional e disfuncional mas viciante e alucinante: por mais absurda que seja a dor, e é porque dói tanto, o ciclismo é um exercício contínuo de autossuperação e por isso um exercício contínuo de amor à vida, é rejeitar que há limites ao que podemos fazer e conquistar, no fundo o ciclismo é a prática dessa belíssima ilusão humana que é a crença de que não há limites para o que podemos conquistar, portanto o ciclismo é uma metáfora do progresso e isso é superprazer."

O homem do almanaque


"John Wisden era tão pequenino que quem o via num campo de críquete desconfiava que andava a estudar para ser anão

Com apenas 1,62m, John Wisden, filho de um construtor civil que parecia, ele próprio, um edifício de betão armado, dava a sensação de que fazia os possíveis para aprender a ser anão. O pai tinha-lhe estima mas não o levava a sério. No meio de uma família abrutalhada, Wisden não parecia ter grande utilidade. Por isso, quando morreu, William, o pai, claro, não John, não houve tempo para lágrimas. Os tios viram-se livres do pequenote num abrir a fechar de olhos. De Brighton foi de cambulhada para Londres sob os auspiciosos generosos de um gentleman de posses, Thomax Box, que por acaso era, igualmente, além de um cavalheiro bondoso, um jogador excecional de críquete, considerado por muitos como o melhor wicketkeeper do seu tempo, que jogava o Marylebone Cricket Club, fazendo uma perninha, aqui e ali, nas seleções dos Condados de Surrey e Hampshire, e atuando com regularidade na seleção de Sussex, a sua terra natal.
Nesse jogo tão aborrecidamente britânico que é o críquete, de tal forma extenso que chega a meter uns intervalos para se escorropicharem uns chazinhos e um ou dois golos de brandy, old boy, um wicketkeeper tem a extrema responsabilidade de guardar, com risco da sua própria vida, if you know what I mean, aqueles três pauzinhos paralelos, reunidos por um travessão superior e qual podíamos chamar de balizas, se não soasse tão grotesco.
Pois bem, Box afeiçoou-se ao miúdo, apesar deste ter uns termos um bocado pacóvios. Tratou de fazer com ele o que Harry Higgins fez com Eliza Doolittle em Pigmalião, de George Bernard Shaw: tirou-lhe os tiques brejeiros de campónio e pô-lo a jogar críquete mal descobriu que o garoto possuía uma série de características físicas que o aconselhavam para o jogo. Era rápido como um laparoto e tinha uma mão esquerda de rara potência. Com somente dezasseis anos, estreou-se pelo condado de Sussex, um daqueles lugares onde estava destinado a ser feliz. O quase anão John Wisden pesava exatamente 44 quilos, quem o visse sentado ao lado de Tom Box, diria que não passava de um boneco de ventríloquo. O críquete tinha-se tornado de tal forma a sua vida que chegou a namorar a irmã de George Parr, conhecido como O Leão do Norte, um jogador de classe finíssima de Nottinghamshire, embora a boda não se tenha realizado por ausência da noiva que, de forma bastante incomodativa, resolveu, com uma total respeito pela própria saúde, morrer na véspera do acontecimento. Pode ter sido sem intenção, mas tornou-se particularmente rude, até porque Wisdon parece que estava sinceramente embeiçado por ela.
The Little Wonder, como lhe chamavam, ainda se manteve mais uns anos no topo do críquete, realizou com o amigo Parr umas incursões à América do Norte, a locais como Montreal, Hoboken, Philadelphia, Hamilton e Rochester, incluídos na equipa do Condado de Middlsex e obtendo vitórias memoráveis. Entretanto, o críquete mudava a sua face e começou a exigir outro tipo de atributos físicos que o pequeno Wisden decididamente não possuía.
John podia ser praticamente anão, mas era um fulano esperto, fino como um alho. Não esperou quieto que o críquete o pusesse fora dos campos. Antecipou-se. A meias com o seu amigo e empresário Fred Lillywhite, abriu, revolucionariamente, uma loja de material de críquete, em Leamington Spa, em 1850. três anos mais tarde, a loja ganhou o nome de Cricket and Cigar, um local muito ao gosto dos cavalheiros londrinos e abriu um pub de nome Cricketeers.
Em 1863, apenas com 37 anos, atacado por brutais espasmos de reumatismo, deixou definitivamente os tacos e lançou-se numa atividade que lhe garantiria fama para lá da morte ao publicar o Wisden Cricketers’ Almanack, uma publicação anual na qual todos podiam ficar a saber tudo sobre que jogador quisessem. Imagina-se facilmente o impacto desta revista pelos grandes adeptos do jogo. Tão grande, aliás, que a revista ainda existe e é um sucesso de vendas. O Wisden, como é conhecido, é tão pormenorizado que se estende por cerca de 1500 páginas (preço de 60 Libras), sempre com a capa amarela que John escolheu. E é a publicação mais antiga do mundo a ser a sair continuadamente.
A cabeça do pequenino John fervilhava de ideias até que um maldito cancro lhe invadiu o cérebro aos 57 anos. Muitos que nunca deixam de comprar o seu almanaque todos os anos, continuam sem saber quem ele foi. O tempo atraiçoa a memória dos homens. O que vale é que temos sempre à mão um almanaque qualquer que nos põe na pista dos desconhecidos. É só folheá-lo e estaremos na posse dos dados que nos faltam. Graças, por exemplo, a alguns homens pequeninos em centímetros mas que não perdem muito tempo a desafiar as leis da física. Como foi o caso de John Wisden. Fico curioso em saber que altura deu a si próprio no lugar onde está arrumada a sua ficha."

Karate-Do: Novos ventos federativos... novas velas?


"Eleições federativas aproximam-se. Nuno Dias é candidato a Presidente da Federação Nacional de Karate – Portugal. Licenciado em Ciências da Comunicação, Vice-Presidente da A. G. da Sport Evolution Alliance, Vice-Presidente da Associação Portuguesa de Karate Shukokai, treinador e possuidor de um currículo com mais de uma dezena e meia de títulos de campeão nacional e quase uma dezena de títulos de campeão mundial do seu estilo, não há quem o não conheça dentro da modalidade. Um encontro casual deu-nos a oportunidade de conhecer melhor as suas ideias assim como da equipa que lidera.
Assim, começou por nos dizer que o Karate só se pode afirmar no panorama nacional com “transparência e progresso”, o que passa pela criação de uma plataforma ‘online’ onde todas as associações, clubes, praticantes e pais de praticantes menores possam aceder a toda a informação, quer seja sobre actas de assembleias gerais, quotizações federativas, seguros, inscrição em provas ou em formações, calendários de eventos, convocatórias para a selecção nacional, formação de treinadores e árbitros e tudo o mais que diga respeito ao Karate. “Transparência e progresso” que passam no aspecto administrativo pela profissionalização de uma secretaria funcionando oito horas por dia e onde um e-mail tenha uma resposta em 24 horas… por uma justificação da quota que o praticante paga – um cartão de federado que possibilite a existência de benefícios para o mesmo baseados no estabelecimento de protocolos e parcerias com empresas, assim como a possibilidade de se organizarem eventos não só para competidores mas também para todos aqueles que não fazem competição quer seja por opção quer seja por terem já terminado a sua carreira desportiva (podendo por exemplo o seguro do não-competidor ter um custo diferente do custo do seguro do competidor). “Transparência e progresso” no campo desportivo com uma Federação que ofereça um Karate de todos para todos, onde a representação nacional tem um peso mas onde também haja oferta para quem não faz competição, quer seja no campo do aperfeiçoamento técnico com diferentes técnicos e actividades variadas quer seja no campo da formação com conteúdos diversificados, quer ainda no campo da realização de outros eventos adaptados à especificidade do público-alvo.
Numa lista em que estão presentes nomes com Paulo Vilela de Azevedo, Rui Inácio e Nuno Moreira, a mesma aposta no resgate do Karate-do tradicional tendo já mecanismos próprios que definirão uma estratégia que criará um dinamismo para quem não se dedica à competição, estando projectada a existência de um departamento que poderá vir a ser designado como Departamento de “Karate-do marcial” ou de “Karate-do tradicional” que, em conjunto com o Departamento de Formação, reunirá com os Directores Técnicos das diferentes associações a fim de se ter um ‘feedback’ a nível nacional das necessidades prementes de todos os praticantes. Este será o ponto de partida para a formação de uma equipa multidisciplinar reunindo treinadores e técnicos com competências dentro de cada domínio. Nuno Dias afirma que é necessário trazer para a Federação muitos daqueles que não se encontram federados, mas “a Federação tem de oferecer algo – no campo técnico, no campo social, no campo formativo. Para conseguirmos coisas, temos de oferecer coisas. Ao oferecermos coisas e ao conseguirmos coisas criamos uma interacção que validará o progresso da modalidade.”
O Departamento de Formação não se limitará só à organização de cursos de formação de treinadores e acções de formação (estão já montados cursos de treinadores de grau I, grau II e grau III, assim como acções de formação em todas as regiões do país). É necessário incluir o Karate no Desporto Escolar, é necessário estabelecer protocolos com as escolas e com a comunidade, é necessário transformar o Karate numa actividade formativa. A oferta de realizações para crianças, jovens, adultos e idosos é uma realidade no horizonte deste candidato à Presidência da FNK-P. Pode-se e deve-se aumentar o número de formadores, dando oportunidade a mais formadores e existindo uma maior diversidade de especialistas. O aumento da oferta de formação determinará o aumento da procura da mesma. A implementação de um programa estratégico subordinado a um novo modelo levará a um progresso na prática desportiva…
Em relação ao Departamento de Provas e Eventos, Nuno Dias afirmou-nos que se torna crucial realizar mais provas, mas mais curtas no tempo e mais espalhadas pelo território nacional. “Defendemos reduzir a dimensão de cada prova e aumentar a sua qualidade ao mesmo tempo que as fazemos alastrar geograficamente. É premente a criação de um circuito a nível nacional tal como a criação de um ‘ranking’ de atletas. O ‘ranking’ é um indicador e não um limitador. Só assim será possível que a tarefa deste departamento entronque na tarefa do Departamento de Selecções.” As selecções nacionais terão condições para de facto serem selecções nacionais (já existem parcerias programadas), sendo criadas condições para um planeamento antecipado de treinos e de convocatórias baseadas num ‘ranking’. “Este será um processo que implicará a chamada dos treinadores dos selecionados à equipa, dado serem estes que melhor que ninguém conhecem os competidores” declarou-nos Nuno Dias. “A existência de um seleccionador nacional e de seleccionadores regionais implica um diálogo constante e aberto com os treinadores a fim de se realizar um trabalho em conjunto. É primordial uma linha aberta que inclua os treinadores dos clubes e das associações. A individualidade biológica, psicológica e técnica de cada competidor são únicas, devendo-se aumentar os pontos fortes de cada um e diminuir os seus pontos fracos.” A presença e a colaboração dos árbitros nos treinos das selecções também é uma questão essencial para a lista liderada por Nuno Dias, tendo um ponto de apoio no Conselho de Arbitragem.
Nuno Dias revelou-nos ainda que atletas de elite só poderão evoluir treinando e rodando com atletas de elite e para isso já possui pré-acordos com países como a França, a Espanha e o Luxemburgo, ao mesmo tempo que se propõe contribuir para um maior desenvolvimento do Karate em países como Cabo Verde e Angola.
Um Departamento dedicado à comunicação e ao ‘marketing’ terá como missão transformar a imagem da modalidade perante a comunidade. Projectos de apresentação do Karate como uma actividade promotora de saúde e bem-estar, projectos de inclusão social e de desenvolvimento do Para-Karate também já se encontram identificados no seu programa, tal como a programação de iniciativas envolvendo a colaboração de Universidades e pólos de investigação. A relação com a comunicação social terá de ser mais estreita – inclusivamente aposta no convite a jornalistas para acompanharem os diversos eventos – e mais incisiva para se passar ao público em geral uma outra imagem da modalidade. Está já elaborado um plano de ‘marketing’ e de comunicação em que o principal objectivo é “criar uma imagem que englobe o Karate em geral” nas suas diferentes facetas.
E Nuno Dias deixou-nos algumas questões – para as quais a sua lista possui resposta – que considera fundamentais. Por que não conciliar, com sucesso, a actividade escolar com a prática desportiva de alunos/atletas rentabilizando as Unidades de Apoio ao Alto Rendimento? A carreira dual treino/ensino não pode e não deve ser optimizada? Se há Câmaras Municipais que pagam as inscrições nas federações a atletas de outras modalidades, por que não no Karate? Por que motivos é tão baixa a frequência de jovens praticantes femininas no Karate? (repare-se que nos J. O. de Tóquio 2020 a média de idade das competidoras em Kata era de 30 anos e a vencedora da medalha de ouro tinha 39 anos). Por que motivos não se realizam outros eventos para além dos competitivos direccionados às crianças?
Por último, Nuno Dias referiu a faceta política de uma federação: um estreito relacionamento com a tutela, principalmente o IPDJ, e com as Câmaras Municipais. Eventos com visibilidade a nível social e educativo – que sejam inclusivos, que sejam ecológicos – serão relevantes para beneficiarem a comunidade. Isto só se consegue com o estabelecimento de protocolos e parcerias com as entidades oficiais e com actores económicos do meio envolvente. Defendendo uma Federação auto-sustentável, Nuno Dias realçou que “não se pode contar só com o dinheiro proveniente do Estado, das associações ou dos praticantes, pois há inúmeras outras possibilidades de rentabilização económica e que até nem passam por receber dinheiro de ‘sponsors’, tais como a oferta de serviços, o apoio em equipamentos físicos ou em transportes e até em recursos humanos. Isso implica elaborar planos estratégicos, estabelecer acordos… Certo é que terá de ser um processo transparente…”
Para terminar, colocámos uma questão directa a Nuno Dias: “ – as quotizações das associações, que de provisórias inicialmente passaram a definitivas ao longo dos anos e que representam um valor avultado, irão manter-se?” A resposta também foi directa: “– A nossa intenção aponta para um «não». Iremos reunir com clubes e associações a fim de estudarmos o melhor modelo mas já temos uma proposta para uma redução de valores de modo a que o mesmo seja proporcional ao número de praticantes de cada associação. Temos clubes e associações com 20 ou 30 praticantes, como podem pagar o mesmo dos que possuem 500 ou 600 praticantes?”
O que nos ficou desta troca de impressões? A existência de um plano, de uma equipa, a constatação de muito trabalho já realizado e programado com objectivos traçados bem claros e específicos, a noção de transparência e de progresso, mas também a noção de liderança, de gestão e de comunicação.
Eleições federativas aproximam-se. Tal como diz o povo, “conforme sopra o vento assim se iça a vela”…"

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Treino...

15 anos de Benfica Campus


"Quando, há década e meia, o Benfica Campus foi inaugurado, suprindo assim a lacuna existente desde o início da construção do novo Estádio da Luz anos antes, a excelência e modernidade das novas instalações impressionaram.
No entanto, foi a filosofia anunciada, que para muitos não passava de palavras vãs, que mais expectativas gerou.
Sim, o Sport Lisboa e Benfica passaria a deter uma infraestrutura vanguardista que rivalizava com as melhores a nível mundial, mas a estratégia preconizada extravasava o mero centro de treinos.
Considerou-se então que as instalações, mesmo sendo topo de gama, seriam o mínimo exigível. A complementá-las era implementada uma visão que potenciaria a capacidade desportiva do clube e contribuiria decisivamente para a sua recuperação económica e financeira.
O investimento em recursos humanos, técnicos, tecnológicos e metodologias foi muito significativo e em consonância com o ambicioso plano assumido publicamente. Em todas as decisões imperou sempre o sentido de inovação, uma caraterística nunca abandonada, e a procura constante do cumprimento do desafio de estabelecer o Benfica como uma referência no domínio da formação.
Acresce a criação das escolinhas do Benfica e dos centros de formação e treino do clube espalhados pelo País, essenciais para o recrutamento de talento, além da recente expansão para outros pontos do globo, como é o caso de Kiev, onde Simão, Valdo e Rui Águas marcaram presença na semana passada.
Os resultados estão à vista e são refletidos nos mais diversos indicadores, sucedendo-se os prémios, distinções e peças jornalísticas na comunicação social internacional sobre o Benfica Campus.
Desde logo os muitos atletas formados no Benfica, cujo contributo se revelou fundamental para o sucesso desportivo benfiquista, nomeadamente o feito inédito do Tetracampeonato.
Mas também a extraordinária evolução da situação económica e financeira, em que os capitais próprios da SAD são, no presente, amplamente positivos, superando, inclusivamente, o capital social. O ativo atinge valores outrora inimagináveis (acima dos 500 milhões de euros pela primeira vez) e o passivo foi reduzido a montantes em linha com a fundamental sustentabilidade das contas, em particular o quase inexistente endividamento bancário.
Hoje são vários os jogadores “Made in Benfica” a brilharem na alta roda do futebol europeu, no Benfica e noutros dos grandes clubes europeus, a seleção nacional conta, habitualmente, com uma maioria de futebolistas formados no Benfica e já se tornou norma, nas seleções jovens, o Benfica ser o clube mais representado nas convocatórias, comprovando assim a preservação dos níveis de qualidade atingidos.
O Benfica Campus e o trabalho desenvolvido na última década e meia são motivo de enorme orgulho para os benfiquistas e merece, indubitavelmente, o reconhecimento de todos os que estão atentos ao fenómeno futebolístico.
Esta é uma marca indelével do Benfica dos tempos presentes, sabendo-se que certamente continuará a sê-lo no futuro.

P:S.: A BTV tem, ao longo do dia, dedicado a programação ao 15.º aniversário do Benfica Campus. São muitas as entrevistas aos mais diversos protagonistas relacionados com o Benfica Campus e o futebol de formação benfiquista. No período da tarde, destaque para a conversa com Luisão, antigo jogador e agora diretor técnico (14h00), com os futebolistas do plantel sénior Gonçalo Ramos, Ferro e Paulo Bernardo (15h00), com Simão Sabrosa, ex-jogador e no presente diretor das relações internacionais (18h00), José Henrique, glória benfiquista e team manager na formação (18h20) e, às 19h00, com Rui Costa, Presidente do Sport Lisboa e Benfica."

Yaremchuk – Darwin: Licença para matar


"Um é ultra veloz, o outro não o sendo tem a particularidade de sair sempre no timing certo, e com isso também ganha vantagem espacial.
As diagonais para fora de um enquanto o outro acelera na direção da baliza, chegando primeiro que linhas defensivas que vinham altas a recuperar espaço, prometem deixar mossa em Portugal.
Na Luz, uma série de lances que Yaremchuk ganha vantagem na profundidade, podendo servir Darwin que pela sua passada veloz chegou sempre primeiro que todos os defesas contrários para poder finalizar sem oposição – Tal como no golo que Rafa o assistiu.
O ataque do Benfica ainda à procura de entrosamento, vai prometendo espalhar o terror nas defesas contrárias."

Ora dá cá um que a seguir eu dou outro


"O FC Porto vendeu dois jovens jogadores ao V. Guimarães por um valor total de €15 milhões. Os valores constam do Relatório e Contas 2020/21 da SAD do Vitória de Guimarães, contudo, estes podem ser valores de supermercado e que apenas têm como objetivo camuflar as verdadeiras contas de ambos os clubes e lavar dinheiro.
Passamos a explicar o porquê:
Ora, até 30 de junho de 2021, o Vitória de Guimarães compra Francisco Ribeiro e Rafael Pereira ao FC Porto, por valores a rondar os 15 milhões milhões de euros. De seguida, o FC Porto compra Romain Correia, central de 22 anos, e João Mendes, lateral-esquerdo de 21 anos, ao Vitória de Guimarães, sendo que a compra terá sido feita depois de 1 de julho deste ano. Nem o FC Porto nem o Vitória de Guimarães anunciaram os valores destas transferências, no entanto, sabemos que alegadamente terão sido valores a rondar os mesmos 15 milhões de euros.

O Vitória de Guimarães "encaixa", assim, €15 milhões e reduz os prejuízos de €23 milhões negativos para €8 milhões negativos no R&C, e o FC Porto "recebe" outros €15 milhões, que ajudaram a pagar os salários do começo da nova temporada, contornando, desta forma, o fair play financeiro. Isto acontece precisamente após o Wolverhampton falhar a contratação de Vitinha por €20 milhões, que o FC Porto esperava vender.
De realçar que o ativo do V. Guimarães subiu dos 27,86 milhões de euros para os €57,85 milhões, enquanto o passivo cresceu de €23,45 milhões para €61,68 milhões. Significa isto que o capital próprio da SAD, positivo em 4,4 milhões de euros em 2019/20, é agora negativo em €3,8 milhões.
Para finalizar, antes da pandemia os vitorianos pagavam €1 milhão a €2 milhões no máximo por cada jogador para a equipa A e jamais tinham excedido esses valores. Agora "gastaram" - em dinheiro do jogo Monopólio - €11 milhões num e €4 milhões noutro para a equipa B.
Que bela lavandaria. Nós não acreditamos em bruxas, mas que elas existem, existem. E servem para contornar as exigências da UEFA relativas ao fair play financeiro."

Benfica FM #169 - Kiev & Boavista...

BnR: 🔴 O Futuro do SL Benfica 🦅

O Cantinho Benfiquista #63 - The Perfect Start Continues

Benfica After 90: Boavista...

Bello: Boavista...

Falar Benfica #29

Democratizar a prática desportiva


"Com a crise sanitária provocada pela Covid-19 a partir da primavera de 2020, vários entraves foram colocados na prática desportiva dos portugueses e das portuguesas. Com diversos impasses e fragilidades no plano económico e financeiro, a prática desportiva requer uma profunda mudança.
Esta constatação vale para o desporto profissional, dolorosamente fragilizado no seu conjunto pela falta de recursos de bilheteira e de patrocínios. E vale também para o desporto amador. As várias disciplinas viram a perda de aderentes. Muitas razões podem explicar este “afundamento”, inédito na frequência dos clubes, associações e recintos desportivos: em primeiro lugar, o medo e as contingências sanitárias; em segundo lugar, a emergência de novas práticas individuais e coletivas, e a evolução das perspetivas dos atores do movimento desportivo.
Face às ameaças de “afundamento”, os poderes públicos tomaram um conjunto de medidas ditadas pela urgência. Trata-se de preservar a existência do tecido económico e associativo que importa na vida quotidiana do país. Se a realidade nos mostra o perigo da sedentarização, as estatísticas internacionais desportivas escondem as desigualdades significativas entre os públicos e as zonas geográficas.
Os portugueses adotam cada vez mais práticas individualistas, mais livres e mais flexíveis, viradas para o lazer e para a saúde. A democratização da prática desportiva em Portugal pressupõe impulsionar a governância das federações, permitindo a cada uma a possibilidade de assumir as suas responsabilidades. É também pedra de toque a ética e o respeito de regras, garantindo a integridade moral e física dos praticantes."