Últimas indefectivações

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

A propósito do Benfica Play


"A reinvenção do jornalismo é o maior desafio do século XXI e seria bom que começasse a ser, também, o maior desafio destes anos vinte

O Benfica apresentou uma nova plataforma digital de vídeo pensada exclusivamente para os seus fãs, onde promete, segundo Domingos Soares Oliveira, oferecer conteúdos exclusivos do clube, aos quais nenhum órgão de comunicação social terá acesso. Dou exemplos: vídeos do interior do balneário, ou de treinos à porta fechada e, por isso, interditos ao mundo exterior. Deixa, entretanto, um sinal de sentida comiseração para com o jornalismo: tudo o que até agora tem sido prática de mostrar à comunicação social, assim continuará, sem quaisquer limitações.
O Benfica junta, assim, uma plataforma digital vídeo a uma plataforma televisiva. Cuida de trabalhar uma comunicação institucional para um público específico, oferecendo-lhe conteúdos novos, aos quais mais ninguém terá acesso. Claro que pode (e deve) sempre existir a legítima suspeita da independência editorial de um projecto de comunicação de uma empresa privada e que terá sempre por objectivo acrescentar valor e informar o que é conveniente. Mas não creio que isso aflija, especialmente, uma maioria de adeptos.
Entretanto, a Federação Portuguesa de Futebol, que viverá uma saúde financeira ainda mais sólida daquela que é anunciada pelo Benfica, arrancou em força e poder de investimento, com o canal 11, um canal televisivo claramente concorrencial de todos os outros canais por cabo, também com óbvio interesse comerciais, a par de uma jura de amor eterno pela evolução e crescimento do futebol português, o qual, aliás, paga o generoso serviço de comunicação e de entretenimento oficial.
Em teoria, outros clubes e federações poderiam seguir estes exemplos e, depois, só faltaria o governo e os partidos de oposição criarem novas plataformas digitais próprias, com conteúdos exclusivos do conselho de ministros e das discussões internas das reuniões de cada partido, algumas das quais, de tão vivas e intensas, garantiriam, certamente, uma audiência interessada e que deixaria às moscas o tédio das burocráticas análises televisivas.
A ideia, dirão muitos, é moderna e irrecusável, do ponto de vista do futuro. Não é verdade. A ideia é velha e apenas a forma de a concretizar é nova, em função das novas tecnologias. Porém, é, agora, mais perigosa do que nunca.
Durante muitos anos, todos os grandes clubes tiveram os seus jornais próprios, onde faziam o que, na verdade, podem fazer em matéria de comunicação e informação: Propaganda. Não é um mal em si, aliás, é e sempre foi legítima a oferta de uma informação institucional que acompanhasse o interesse provado e particular de clubes, de empresas ou de partidos.
Mas há, hoje, um perigo social que antes não existia. Com o crescimento das redes de comunicação privada e o advento das fake news, o cidadão com menos sentido crítico e menos preparado ficou totalmente indefeso, tornando-se, assim, um alvo fácil de uma comunicação manipulada e que dispensa valores éticos e deontológicos essenciais.
E o perigo torna-se trágico, quando num país, pequeno e de cidadãos pouco preparados, como Portugal, os media formais tentam descobrir o milagre da sobrevivência aproximando-se, eles próprios, de tentação do ruído, do vouyeurismo editorial, da informação por confirmar e, last but not least, de um critério caótico pela procura de audiência.
Havemos de voltar ao tema. Não pela perspectiva de condenação das novas tendências da comunicação privada de clubes ou federações desportivas, mas pela necessidade urgente do jornalismo se reinventar. É o maior desafio do século XXI e seria bom que começasse a ser o maior desafio dos anos vinte que, agora, começam.

Dentro da Área
Encontros com Pimenta
Futebol, nunca mais! - proclamou, determinado, António Pimenta Machado, num breve encontro que com ele tivemos no Palácio de Belém, por altura da condecoração do Estado português a Jorge Jesus. Talvez por ter tanta certeza do que disse, Pimenta Machado, que foi durante treze anos um forte e carismático líder do Vitória Sport Club, apareceu com tão boa imagem. Explicou-nos que se cuida em corridas habituais à beira-Tejo e em ficar longe das velhas guerras de um futebol de muitas tentações e poucas virtudes.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Vinte e Um - Weekly Recap...

Bem-vindos (ou talvez não) aos novos Anos 20

"Há um século a Humanidade ainda recuperava de um conflito mundial traumatizante. Também por isto - ou talvez por isto - foi meio caminho andado para que os conceitos vigentes fossem atirados para o caixote das más recordações. Mudou tudo e, pelos vistos, mudaram quase todos nos "loucos" anos 20. É verdade que acabaram numa Grande Depressão, mas terá valido a pena enquanto durou.
O futebol, como todo o resto da sociedade, não fugiu à alucinante mutação operada. A FIFA, que jogou uma cartada forte nos Jogos Olímpicos de 1924 e 1928, sentiu que era chegado o momento de apontar à criação do primeiro Campeonato do Mundo. Foi já em 1930 mas o facto é que, com muito mais avanços do que recuos, o futebol é, cem anos depois, hegemónico em grande parte do planeta. 
Claro que os "Roaring Twenties" trouxeram contribuições bem mais importantes do que este salto imparável do futebol, ao introduzirem o voto para as mulheres, a Art Déco, o acesso da classe média às tecnologias, a afirmação definitiva do cinema, a rádio como meio de comunicação de massas, o jazz como novo farol na música, o salto qualitativo da produção automóvel e por aí fora. A lista é longa e, como se viu, o futebol também lá está.
Abreviando. Vêm aí os novos anos 20. Os de um século XXI provavelmente ainda mais imprevisível do que o anterior. E, uma vez mais como em tudo o resto, o futebol não escapa. As grandes discussões já não se prendem com a forma sobre como chegar às pessoas, mas sim como potenciar o mercado quase infinito que esta indústria gerou. A ver vamos até onde irá a intenção de fazer ainda mais dinheiro em cima do muito que já faz.
E Portugal no meio disto tudo? Nada de especial irá acontecer no que respeita ao quadro de domínio de três grandes clubes, pela simples razão de que Benfica, FC Porto e Sporting são, do ponto de vista da base social de apoio, imbatíveis. São os únicos que podem reclamar milhões de adeptos, ao contrário de todos os restantes. É assim desde sempre, pelo óbvio motivo de que os países não mudam só porque sim.
Precisamente pela realidade sociológica em que vivemos, a responsabilidade dos três grandes é ainda maior. Aliás, será cada vez maior. E chegará o dia em que as circunstâncias vão obrigá-los a rever a estratégia que tem passado pela defesa exclusiva dos seus interesses individuais que, pelos vistos, são tão do agrado dos atores envolvidos, adeptos incluídos.
Talvez um dia percebam que têm de ser eles, em convergência com o ​​​​​​​poder político (ou poderes políticos, se quiserem), a assumir um papel activo na erradicação das "forças" que querem transformar os estádios de futebol em palcos de violência estúpida.
Nesta jornada do campeonato, logo na primeira do ano, regressaram as tochas e as cadeiras pelo ar, chegando-se ao ponto de interromper um jogo por quatro vezes, como se isto fosse admissível. Noutro estádio, embora sem este tipo de consequências, as tochas também por lá passaram. E nem é preciso recuperar o inventário completo de cenas semelhantes, em vários recintos, com vários protagonistas, ao longo do tempo.
Não vale a pena fazer a pergunta do costume pela enésima vez (sim, é essa, como é que este material continua a entrar nos estádios?), nem adianta insistir no porquê da inércia de quem tem instrumentos legais para agir em conformidade. A única coisa que legitimamente nos resta é continuar a exigir que aquela gente não entre nos estádios portugueses.
Embora com a certeza de que tal só será possível com a combinação de dois factores: se as autoridades forem realmente activas - até há uma Autoridade para Prevenção e o Combate à Violência no Desporto, certo? - e se os clubes aceitarem colaborar na exclusão de quem usa o futebol para fins que vão acabar por destruí-lo. É um combate imprescindível, mas até hoje não se vislumbra nem uma coisa nem outra.
Estes novos anos 20 trazem-nos desafios muito diferentes dos do século passado. Só se espera é que ninguém tenha a péssima ideia de ir ao caixote das más recordações buscar o que para lá se atirou há cem anos."

Boas entradas

"Sem dúvida que se tratou de um fim-de-semana muito auspicioso no que respeita às nossas pretensões desportivas para o novo ano.
Vencemos quase todos os jogos disputados e somos líderes das classificações dos campeonatos de futebol, basquetebol, futsal, hóquei em patins e voleibol, nos masculinos, e de futebol, futsal e hóquei em patins nos femininos. Lideramos ainda nos Sub-23 e também nas séries em que estamos inseridos nos juniores e nos juvenis de futebol.
Para já, as várias lideranças não passam de um indicador positivo e entusiasmante em cada uma destas modalidades e escalões, mas é inegável que reflectem a competência demonstrada até ao presente de muitas das nossas equipas e a legitimidade de cada uma delas em assumir a sua candidatura a títulos, materializando a ideia, transversal no Clube, de que entramos em todas as competições para ganhar.
Relativamente à nossa equipa de futebol, que somou mais uma vitória num dos campos mais difíceis e frente a um dos adversários mais temidos na Liga NOS, há números impressionantes acerca do percurso realizado no Campeonato Nacional até ao momento.
A vitória em Guimarães tratou-se da 16.ª consecutiva em deslocações a contar para o Campeonato, repetindo a melhor série de sempre (o mesmo será dizer que Bruno Lage é 100% vitorioso em jogos fora no Campeonato – outro dado interessante passa pela conquista de 97 pontos, em 102 possíveis, nas 34 jornadas que Lage liderou a equipa).
Tratou-se do 12.º triunfo consecutivo no Campeonato. Nas 85 edições anteriores, só por duas vezes conseguimos uma sequência de vitórias mais alargada (23 em 1972/73 e 13 em 2015/16). São já 14 vitórias obtidas em 15 jornadas, um desempenho que só encontra paralelo em 1960/61 e 1983/84 e é apenas superado pelo pleno de triunfos conseguido em 1972/73.
Para tal muito tem contribuído a consistência defensiva da nossa equipa, sofrendo apenas cinco golos nas primeiras 15 jornadas, igualando o melhor registo de sempre, à semelhança dos 11 jogos sem qualquer golo concedido, também o melhor desempenho de sempre com 15 jogos disputados, a par de outras quatro temporadas. Sendo que, no capítulo ofensivo, melhor que os 38 golos marcados nesta fase da prova só ocorreu em duas das últimas 29 temporadas.
Foram diversos os capítulos que contribuíram para os números referidos acima e o de Guimarães ficou marcado pela humildade com que a nossa equipa preparou o jogo, pelo espírito de equipa demonstrado em campo e pelo rigor táctico que assegurou a conquista de mais três pontos.
Ao longo desta semana apenas o capítulo Aves interessará. É para conseguir mais uma vitória na próxima sexta-feira, pelas 19h00, que a nossa equipa trabalhará afincadamente nos próximos dias. 
#PeloBenfica"

Cadomblé do Vata (Massacre...!!!)

"O Benfica foi massacrado, atropelado e humilhado em Guimarães. Calma, não sou eu que o digo, apenas plagio o que li ontem. Obviamente, que tendo visto o jogo com estes 2 olhos que a retinite pigmentar há-de cegar, sou levado a concordar com as análises, estando até a preparar uma petição online, que irei pedir ao Frederico Varandas para apresentar ao governo quando lá for ser recebido, para que o Glorioso seja obrigado a devolver os 3 pontos vergonhosamente conquistados na Cidade Berço.
Mais do que a minha análise ou a dos comentadores nacionais, o que corrobora esta visão são os números. Basta ver que as 4 oportunidades de golo vitorianas foram bem mais assombrosas do que as 4 oportunidades de golo caídas do céu aos pés dos atletas encarnados. Os 52% de posse de bola Benfiquista, foram de uma absoluta inutilidade pírrica, quando comparados com os fogosos 48% de avalanche atacante vimaranense. Mesmo os 7 cantos conquistados pelo Sport Lisboa e Benfica em nada se compararam em qualidade, às 6 claríssimas oportunidades do quarto de círculo com que os homens da casa nos esculacharam. Efectivamente, o que nos valeu foi São Vlacho, até porque se não fosse aquele pequeno momento morettiano na segunda parte, tínhamos levado com 3 oportunidades contra as nossas 4, que nem sabíamos de que terra éramos.
Fomos de facto vulgarizados no Estádio D. Afonso Henriques. Porque para o Benfica, vencer já é vulgar. Este ano vamos com 14 vitórias em 15 jogos e nas últimas 34 partidas (equivalente a 1 campeonato inteiro) são 32 jogos ganhos. Levantamos a fasquia tão alta, que 1-0 é massacre adversário. Já ninguém brilha por nos ganhar. As equipas crescem de nível quando incomodam 4 vezes o Vlachodimos e saem prejudicadas pela arbitragem com uma tentativa de pontapé de bicicleta esconso e atrapalhado. Saímos com o rabinho entre as pernas quando não goleamos e do gozo rival não nos livramos.
Valha-nos ao menos que este ano devemos ter colocado a tarefa de formar o plantel, na mesa do homem que na temporada passada olhava para um jogo de 40-0 da nossa equipa feminina e pensava "isto faz aqui falta mais uma jogadora da selecção do Brasil". Quando o campeonato parou para férias, ele olhou para o nosso cadastro e ditou "31 vitórias em 33 jogos? Deixa-me lá ir buscar um internacional alemão ao Borússia de Dortmund senão ainda somos desfeitos no Minho"... para nossa tristeza, Weigl não foi inscrito a tempo."

Sérgio Jesus


via GIPHY

"Sérgio Jesus, gravem e divulguem este nome o mais que puderem. A suposta cartilha do Benfica de que falam de minuto em minuto todos os representantes do Calor da Noite nos programas de TV pura e simplesmente não existe. Caso contrário, já andavam com o nome de Sérgio Jesus na boca, sem misericórdia, e o denunciariam da forma que nós temos feito.
Este Andrade de Amarante faz parte da equipa de Jorge Super Dragão Sousa e não se coíbe de beneficiar o seu clube sem qualquer tipo de pudor. Aqui está ele aos 30 minutos do jogo de ontem a poupar o segundo amarelo ao defesa esquerdo do Calor da Noite. 
Isto depois do que fez na Luz também esta época com cantos transformados em pontapés de baliza, foras não assinalados, faltas por marcar, um festival! E queixávamo-nos nós de Inácio Pereira, outro fiscal de linha Andrade fanático...
Em conjunto com Jorge Sousa, fazem uma dupla imbatível, o que levou o Calor da Noite a um feito histórico de ganhar no mesmo ano em Alvalade e na Luz. Ah ok, o que interessa é dizer que o Nuno Almeida apitou o Benfica em Braga e em Guimarães (irrepreensivelmente, já agora, o que faz dele o melhor e mais honesto árbitro nacional neste momento, de longe!).
Acabem com esta vergonha de uma vez por todas!"

Julian Weigl: uma mudança de estratégia?

"Se há dois anos alguém me dissesse que Julien Weigl chegaria ao SL Benfica, pela “irrisória quantia” (irrisória comparada com o valor do jogador, à data) de 20 milhões de euros, diria que a pessoa estava a ter um surto extremo de positivismo. Quais foram as circunstâncias que proporcionaram a chegada do jogador, nestes termos, a Portugal? O que pode Weigl trazer à equipa? Esta transferência é sinal de uma mudança na política de transferências do clube?
Weigl chegou ao BV Borrussia Dortmund, na época de 2015/2016, proveniente do TSV 1860 Munique. Rapidamente o jovem alemão foi conquistando Thomas Tuchel, à data treinador da equipa amarela e preta. É de notar a forte concorrência que se sentia no meio campo do Dortmund naquela altura: Kevin Kampl, Gonzalo Castro, Kagawa, Sahin, Gundogan ou Mkhitaryan, todos eram opções para Tuchel.
Com a saída de alguns destes atletas, o protagonismo de Weigl foi aumentando, tendo o novo camisola 28 das águias se afirmado como uma das maiores jovens promessas no meio campo, no contexto europeu, atraindo a atenção de tubarões como o PSG ou o Manchester City FC. As suas exibições levaram mesmo o jovem a representar a mannschaft (seleção alemã).
Quando atravessava uma excelente fase da sua ainda curta carreira, Weigl sofreu uma fractura no tornozelo, que o afastou dos relvados durante alguns meses. O alemão recuperou bem da lesão e continuou a ser uma das principais opções agora de Peter Bosz.
No entanto, fruto de uma baixa exibicional, foi perdendo algum do protagonismo que tinha adquirido, tendo mesmo pedido transferência no final da época 2017/18 – transferência essa que não se viria a suceder. Com a chegada de Lucien Favre, em 2018, Weigl foi perdendo progressivamente espaço na equipa alemã. Favre deu mais minutos aos recém-chegados Witsel e Delaney e ao médio alemão Dahoud, no seu duplo-pivot de meio campo.
Weigl não desapareceu totalmente do 11 inicial do treinador suíço, contudo era muitas vezes utilizado a defesa central, uma posição onde o jogador dificilmente pode mostrar toda a sua qualidade. Mesmo quando utilizado no meio campo, Weigl tinha instruções para fechar junto dos defesas centrais, de forma a dar mais consistência defensiva à equipa, como foi possível observar no jogo frente ao FC Barcelona ou ao SC Paderborn, já esta temporada.
A perda de protagonismo e o descontentamento face à posição na qual era utilizado foram, na minha opinião, fatores preponderantes que levaram o jovem alemão a abandonar a Bundesliga.
Julian chega ao Benfica já com nome europeu. A contratação do alemão traz aos encarnados enormes benefícios do ponto de vista desportivo, mas também mediático.
Aquando da sua excelente forma no BVB Dortmund, Weigl foi comparado a Busquets pelo próprio Pep Guardiola. Na Alemanha, era apelidado de passing machine (máquina de passes). A alcunha é inteiramente merecida, pois é no momento de construção que o jogador nascido em Aibling mais brilha.
Com a bola nos pés, Weigl é um jogador diferenciado. Coloca o esférico nos colegas como poucos. Estatisticamente falando, Weigl completa 91% dos passes que tenta por jogo. No parâmetro de passes para o meio campo adversário, a eficácia mantém-se nuns impressionantes 87%. Já no que diz respeito aos passes longos – uma das grandes especialidades do jogador -, a eficácia é de 77%.
Uma eficácia de passe a este níveil só é possível se o jogador tiver um excelente entendimento do jogo e um grande QI futebolístico. Weigl dispõe de ambos. O jogador parece tomar quase sempre a decisão certa, demonstrando ter uma experiência e maturidade anormais para a sua idade. Além da decisão, o médio alemão é exímio na execução. Apesar de não ser um jogador muito dado a desequilíbrios individuais, tem uma excelente capacidade técnica e de definição, sobretudo em espaços curtos. 
Com muita qualidade na construção, é sobretudo no momento defensivo que o ex-camisola 33 do BVB Dortmund mais prospera. Mais uma vez, o bom conhecimento que aparenta ter do jogo facilita o seu posicionamento a fechar espaços. A nível posicional, Weigl é exímio tanto nas transições defensivas como no momento de defesa posicional. Dispõe de uma característica defensiva que muitos médios ou mesmo centrais não têm: a facilidade com que decide se deve optar pelo desarme ou realizar a contenção defensiva. O timing do alemão é quase sempre acertado.
Weigl tem sido, ao longo da sua carreira, um jogador de cariz mais defensivo, um trinco com uma excelente capacidade de construção, na linha de Busquets ou Jorginho. Contudo, já há algum tempo que o sistema de Bruno Lage tem passado pela utilização de dois médios mais equilibrados tanto ofensiva como defensivamente, Gabriel e Taarabt. Será interessante perceber se o treinador português irá alterar as dinâmicas da equipa em função de Weigl ou se será o alemão a adaptar o seu jogo às ideias da equipa.
A opção pode passar pela entrada de Weigl para o lugar de Gabriel, deixando Taarabt como um elo de ligação ao ataque. Na minha opinião, esta seria a melhor opção.
Colocar Weigl ao lado de Gabriel daria uma grande consistência ao meio campo encarnado, o que poderá ser útil em jogos frente a adversários que causem mais dificuldades à equipa das águias. No entanto, frente à maioria das equipas do campeonato, este pode ser um miolo demasiado defensivo. 
Outra opção seria a saída de Chiquinho e a subida de Taarabt no terreno. Esta também não me parece a melhor solução, devido novamente ao elevado cariz defensivo do sector intermédio e à saída do marroquino de uma posição onde tem sido fulcral.
A transferência de Weigl foi um ato de gestão de fantástico por parte da estrutura encarnada. Esta contratação parece finalmente ir ao encontro da ambição europeia da qual tanto o presidente fala. A chegada do alemão mostra também que é possível ao Benfica trazer jogadores de gabarito para Portugal.
Por muito que existam jogadores de qualidade no Seixal, e que a direcção tenha o desejo de apostar na prata da casa, existirá sempre a necessidade de trazer jogadores desta qualidade para o plantel, tanto para servirem de modelo para os mais novos, como para acrescentar qualidade à equipa.
As eleições para a presidência do Benfica em 2020 terão tido também muita importância nesta decisão. Weigl pode funcionar como uma bandeira de Luís Filipe Vieira, naquela que será (hipoteticamente) uma séria aposta na Europa, agradando assim aos adeptos indignados com os desaires europeus.
O que é certo é que Weigl é uma das melhores contratações dos últimos anos em Portugal e irá contribuir muito para o sucesso pretendido pela equipa encarnada. A chegada de jogadores deste calibre (Weigl, Edwards ou Casillas por exemplo) permitirá um aumento tanto na qualidade de jogo como na visibilidade da liga. A nossa liga necessita tanto destes incrementos…"

Normalidade...


Um problema chamado Zé António

"O problema do Sporting tem um nome: chama-se Zé António. Não vale a pena correrem para o Google à procura da personagem. Não é o nome de baptismo do treinador dos leões nem de qualquer outro membro da equipa técnica. Não é alcunha do presidente Varandas. Nas claques haverá mais do que um Zé António, mas nenhum deles é o Zé António a que me refiro. O Zé António de que vos falo é meu amigo de infância e, até ontem, eu pensava que ele era um sósia do abnegado Yannick Bolasie. Agora não tenho dúvidas: Bolasie não existe. O homem a quem todos chamam Bolasie é mesmo o Zé António do meu bairro, rapaz simpático mas sem o mínimo talento para o futebol.
Ontem, no jogo contra o FC Porto, Zé António correu que se fartou mas quase sempre mal. Ninguém o poderá acusar de falta de empenho e generosidade. Nem os ciclotímicos adeptos das claques serão capazes de lhe regatear aplausos na hora da saída porque ele é dos poucos que nunca vira a cara à luta. Quem conhece o Zé António como eu conheço sabe que ele é assim. Dá tudo o que tem. Portanto, o problema é menos o Zé António do que quem o foi desencantar. Na última vez que o encontrei, ele trabalhava numa empresa de pequenas reparações. Estava numa bomba de gasolina, de jerricã na mão e pediu-me boleia até ao carro, encostado na berma de uma estrada secundária por falta de combustível. Falámos um pouco sobre a vida dele. Quando dissemos adeus, mal poderia eu imaginar que, meses depois, Zé António seria titular nesta equipa do Sporting, disfarçado sob a identidade do tal Bolasie. Explica muita coisa.
Não explica tudo, é verdade. A derrota de ontem, a primeira contra o FC Porto em casa nos últimos onze anos, não se deveu ao meu amigo Zé António, embora os jornais sejam unânimes em considerarem que ele podia ter feito mais. O problema foi a bola. No final do jogo, Silas afirmou que a sua equipa não podia sofrer um golo como o primeiro, ainda por cima aos cinco minutos. Estará certamente a pensar na movimentação de Marega e no passe que o isolou e não no gesto técnico da finalização. Já revi o golo umas dez vezes e estou convencido que o mesmo se deve em partes iguais à inteligência e às deficiências técnicas do avançado maliano. A movimentação é perfeita, mas o gesto técnico, meus amigos, é de Zé António. Acontece que há momentos em que a bola é mais inteligente que o jogador. Marega tentou dominá-la e ela, cansada de maus tratos, seguiu o seu próprio caminho, enganando os defesas, o guarda-redes e o próprio avançado portista. Foi um auto-golo, na plena acepção do termo, um golo marcado pela bola.
Já o Sporting foi traído pela inteligência e pela técnica de Luciano Vietto. Primeiro acertou no poste e, depois, tentou desviar tanto a bola do guarda-redes que esta seguiu para fora, escassos centímetros ao lado da baliza. A bola, confiada na qualidade de Vietto, entregou-se à vontade do avançado, naquele abandono feliz, quase sorridente, próprio da bola quando é bem tratada. Resumindo: Vietto foi Vietto, Marega foi Zé António e o verdadeiro Zé António não chegou a ter oportunidade de ser Zé António. Eis o problema do Sporting que, com mais sorte e menos inteligência, até podia ter empatado o jogo.
No sábado descobri que, graças às novas tecnologias, é possível ver um jogo pela televisão ouvindo apenas o som ambiente do estádio e silenciando de uma só vez narradores e comentadores especializados. Eu há muito que sonhava com essa possibilidade, mas não acreditava que os operadores televisivos concedessem ao espectador o poder de emudecer os seus assalariados. Num segundo, a higiene sonora tornou aquilo que acontecia em campo mais claro, mais fluido. De repente, o jogo pareceu mais jogo e menos transmissão televisiva. Sem o incómodo zumbido de anotações periféricas sobre a naturalidade de um jogador, o número de assistências que já fez e curiosidades sobre a sua história familiar, o jogo ganhou um esplendor visual inédito.
Não estou a dizer que comentadores e jornalistas são incompetentes, mas que a própria natureza da sua arte funciona como uma espécie de nevoeiro verbal contínuo, numa litania cerrada de dados, apreciações redundantes e tentativas de humor, onde se destaca o repórter no relvado, que fala como se estivesse numa frente de guerra e os seus colegas num longínquo e protegido estúdio a milhares de quilómetros de distância. Da bancada de imprensa solicitam-lhe intervenções que permitam esclarecer se a bola bateu no defesa antes de sair pela linha de fundo ou confirmar qual o jogador que se lançou em furiosos exercícios de aquecimento. Inebriado pelo odor da relva húmida e pela proximidade fraternal com os bancos de suplentes, o repórter de colete aventura-se pela linha lateral e, após uma rápida e minuciosa investigação, declara triunfante: “Adérito, peço desculpa, mas o jogador em exercícios de aquecimento não é Yannick Bolasie. É, sem margem para dúvidas, o Zé António.”"

(...) já pediu ajuda à Polícia Judiciária para localizar os melhores adjectivos que permitam caracterizar a exibição de Taarabt

"Vlachodimos
Muito bem. Fez tudo para segurar a nossa vantagem. Até cadeiras em pleno voo teria agarrado se estas dessem pontos ao adversário. Se eu fosse mais optimista diria para mudarem aquele letreiro. Talvez daqui a uns meses se diga que aqui nasceu um bicampeão.

Tomás Tavares
Quem diria que a evolução de um jovem lateral-direito catapultado para a condição de titular poderia ser o grande thriller psicológico do futebol nacional? Ninguém, mas sentimo-nos todos um pouco mais vivos por causa dele.

Rúben Dias
Fez o que tinha de ser feito, levando um terço do país ao desespero quando decidiu disputar um lance com Davidson. Enquanto milhares de pessoas choravam perante uma alegada falta de Rúben Dias, milhões exultavam com o movimento tosco do avançado brasileiro. Foi bonita a festa.

Ferro
O jovem Edwards ainda tentou ludibriar o nosso central, mas começou transferido por 20 milhões para o Arsenal e acabou emprestado ao Rotherham com opção de compra. É a vida.

Grimaldo
O nosso melhor atacante. Parem de dizer que precisamos de extremos e não sei quê. Os reforços estão no Seixal.

Gabriel
O gordo lá vai cumprindo o seu papel com aquele misto de abnegação e descontentamento. Ora faz um desarme bem conseguido, ora faz um passe mais arriscado como quem diz que esta posição não é a dele. Aguenta Gabi, que a posição seguinte pode muito bem ser no banco.

Taarabt
pedi ajuda à Polícia Judiciária para localizar os adjectivos que permitam caracterizar devidamente a exibição do Taarabt. Enquanto escrevia, o Julian Weigl fez gosto a 20 posts do Adel no Instagram. 

Pizzi
O senhor da Sport TV disse que Pizzi não tinha marcado no sábado, como se o tivesse apanhado em falso. Seria toda uma crise para escalpelizar nos programas de comentário desportivo, não tivesse o nosso menino feito mais uma assistência para inflamação de muitos.

Cervi
Se eu disser “cabrão do anão que cada vez gosto mais dele” ofendo alguém? Pois que seja. 

Chiquinho
Alguns líricos dirão que apareceu menos do que é habitual, mas por vezes o mundo é dos pragmáticos que vão lá uma vez e trazem os três pontos.

Vinícius
Sem stress. Compensas contra o Aves e em Alvalade. 

Seferovic
Até as tochas tiveram mais bola.

Samaris
Entrou mesmo a tempo de levar o clássico amarelo, uma admoestação que indica ao adepto que o Benfica está prestes a vencer mais um jogo.

Gedson
Felicidades, miúdo. Provavelmente vamos arrepender-nos de ter permitido a tua saída tão cedo, mas a coisa não está fácil.  "

Benfiquismo (MCDIV)

Grandes...

Liderança isolada...

Benfica 6 - 3 Sporting

Vitória clara, da melhor equipa... Num jogo sem apitos 'estranhos', e com o Benfica a 'acertar' as bolas paradas (3/4): vitória e liderança...
A equipa está mais 'organizada', o colectivo está mais forte, mas só a presença do Lamas dá uma consistência defensiva enorme... com o Pedrão a 'aproveitar' para brilhar!!!

Só não ganhámos 2 jogos, ambos, roubos gigantescos... Ainda é cedo, mas creio que este ano, vamos na pior da hipóteses lutar até ao fim, vai ser complicado afastar o Benfica do título prematuramente!!!

PS: Mais um espectáculo dos porcos da TVI... desta vez saíram com azia!!!

Vitória em Braga...

Braga 2 - 5 Benfica

Entrada forte, com um 0-2... mas depois não tiramos o pé do acelerador. Antes do intervalo podiamos ter marcado mais alguns, mas o Braga também criou perigo...
O fundamental, foi não ter entrada no jogo dos apitadeiros, que voltaram a querer equilibrar aquilo que era desequilibrado!!!
No 2.º tempo, sofremos o 1-2, mas rapidamente reagimos e colocámos o jogo a uma distância confortável...
O regresso do Roncaglio e do Fernandinho 'ajudou', provavelmente, à melhor exibição no pós-desilusão Europeia!

Vitória no Oeste...!!!

A-dos-Francos 0 - 14 Benfica


Muita juventude, algumas ausências, mas mesmo assim mais um cabaz!!!

PS: Durante a semana o Benfica anunciou a saída da Geyse! Não sei o que se passou, a Geyse era a nossa principal desequilibradora, nos jogos mais difíceis foi sempre decisiva... fisicamente é claramente superior a quase todas as adversárias, e mesmo decidindo mal muitas vezes, vai fazer falta!!! Repito, não sei o que se passou, mas depois da Tayla, agora temos a saída da Geyse, duas Internacionais Brasileiras, que estiveram no Mundial...

Vitória sobre o líder...

Farense 0 - 3 Benfica B


Excelente vitória... o Renato afirmou que a equipa estava a melhorar, e de facto nas jornadas anteriores, foram visíveis as melhorias, infelizmente com resultados semi-negativos, mas desta vez, não desperdiçamos em demasia... e somamos os necessários três pontos!
Uma nota para o Daniel dos Anjos que depois de muito tempo de fora por lesão, regressou, ainda melhor!!! Muitas vezes os jogadores jovens quando ficam de fora muito tempo, nunca voltam a atingir os níveis esperados, mas o Daniel está de facto a jogar bem...

Receita antiga...

"Jogo grande e a mesma receita: Jorge Super Dragão Sousa e Sérgio Andrade Até ao Tutano Jesus. E já perderam a vergonha toda. É todo um controlo de jogo inaceitável para um árbitro e um auxiliar. São faltas por marcar, amarelos por dar, foras não assinalados. Enfim, já vimos o mesmo no Estádio da Luz desta dupla. O fanático de Amarante (Sérgio Jesus) então...conseguiu não marcar uma gravata de Alex Teles que lhe daria o segundo amarelo poucos minutos depois de ter visto o primeiro. Alex Teles que viria a bater o canto do 1-2. Já nem falamos do penalti óbvio do mesmo Alex Teles que se alheia completamente da bola para se atirar contra Bolasie. Pelo meio, o mesmo Alex Teles pontapeia Bolasie numa saída para o ataque. Neste momento, Alex Teles deve estar ainda a fazer faltas no relvado de Alvalade e Jorge Super Dragão Sousa a deixar passar.
Mas felizmente há Bordel Unânime do jornal o Jogo amanhã que não se vai esquecer disso.
Destes é que eles querem e gostam: os Jorge Super Dragão Sousas e os Artur Super Dragão. É vitória garantida.
A vergonha disto tudo vai ser terem o desplante de nomear o Artur Super Dragão para o Calor da Noite - Benfica.
Temos de ser muito fortes para ultrapassar tudo isto."

O património popular do futebol

"A honestidade intelectual exige-nos que reafirmemos que Cristiano Ronaldo é, hoje em dia, a referência de Portugal

1. O Benfica entrou, no novo ano, com o pé direito. Em Guimarães, numa ambiente fantástico (e, muitas vezes, escaldante), Bruno Lage montou uma equipa capaz de vencer um excelente conjunto liderado por Ivo Vieira. Num dos jogos mais bem disputados até ao momento na presente época desportiva, o Vitória vez com que o Benfica tivesse que jogar com o coração e com a cabeça para trazer da cidade-berço os três pontos que lhe permitem manter a liderança isolada (com mais sete pontos do que o Futebol Clube do Porto até, pelo menos, logo à noite) da Liga. Foi, pois, o início de ano que todos os benfiquistas ansiavam.

2. Ontem recomeçou, assim, a nossa Liga depois de uma pausa longa. Agora, nestes dois meses, muito se vai decidir. Confrontos entre os grandes, a disputa final da Taça da Liga, os quartos de final da Taça de Portugal e os jogos, em Fevereiro, da Liga Europa. Aqui, para alegria da SIC, nesta disputa de audiências que tão acesa está nas antevésperas de alterações significantes na titularidade da TVI. E a BTV aumenta a sua oferta com um produto de proximidade que decerto vai atrair muitos e muitas benfiquistas. Há o play nos relvados e há o play nos ecrãs. Ou seja, o pleno do futebol de hoje. A que se juntam as linhas ao dispor do VAR que já chegam aos calcanhares e aos doze milímetros! Coisas destes tempos!

3. O ano de 2020 arranca com um Sporting - Porto. Diria que é um jogo determinante para a equipa de Jorge Silas e muito importante para a equipa de Sérgio Conceição. O Sporting de Bruno Fernandes sabe que não pode perder mais pontos. O Futebol Clube do Porto de Danilo sabe que se tem de aproximar do Benfica. Um e outro quererão os três pontos. Um e outro sabem que os próximos tempos, internos e externos, são decisivos para o futuro próximo de ambas as sociedades desportivas. E cada ponto conquistado vale muito. Na classificação e nas contas. Onde entram a tesouraria e também os projectos desportivos a curto e médio prazo. Tendo em conta os desafios internos e as apostas externas. Onde os novos modelos competitivos europeus e mundiais não pode ser ignorados. E, aqui, FPF e Benfica, através de Tiago Craveiro e Domingos Soares de Oliveira, estão na dianteira. Como se diria em linguagem comum, conseguem ver largo! E com o Tiago Craveiro a assumir, uma vez mais, um papel determinante na UEFA e na nova estrutura empresarial que vai acompanhar o novo modelo competitivo.

4. E tendo em conta este desafio externo e, também, as apostas internas, que o Benfica, com o entusiasmo dos seus apaixonados e fiéis adeptos, concretizou a aposta no alemão Julian Weigl. O Benfica sabe que a Europa é o seu espaço vital. Não ignorando que a nossa Liga é essencial para aquela afirmação. O Benfica sabe que tem de estar aliado às mudanças que vão ocorrer no mundo do futebol. E será fora da competição interna que tal irá acontecer. Mas a nossa Liga, e a sua conquista, tem de ser um desígnio permanente. Sistemático e repetido. Até para condicionar em definitivo adversários que se tornaram, por razões umas conhecidas e outras a conhecer, inimigos! E a disputa entre amigo e inimigo é uma das essências da afirmação de poder. Como a história, sempre necessária, nos ensina!

5. O futebol inglês domina o Mundo. Prende as atenções dos países mais populosos, como a China, a Índia, a Indonésia, a Nigéria, o Paquistão ou a Malásia. Os seus jogos são vistos por centenas de milhões de homens e de mulheres. As camisolas dos jogadores vendem-se nos mercados principais de cidades que agregam mais de cinco milhões de pessoas. Ontem, neste jornal, Jorge Valdano proporcionou-nos um naco delicioso de futebol escrito com mestria e em que nos deu conta da Liga inglesa e o seu papel determinante na defesa e na promoção do património popular do futebol. E em outra reflexão, em outro jornal desportivo - não português -, outro sociólogo do futebol contemporâneo, Santiago Segurola, alimentava-nos a alma com a análise do Liverpool de hoje - arrasador! - e do papel de Jurgen Klopp nesse domínio. Mas, e para além do futebol, e se registamos aplaudimos o papel de Jorge Jesus na descoberta pelo Brasil da competência e da excelência do Portugal de hoje, a honestidade intelectual exige-nos, por a vivermos e sentirmos, que reafirmemos que Cristiano Ronaldo é, hoje e dia, para centenas de milhões de homens e mulheres, a referência de Portugal. E sei bem que, há vinte anos, nos mesmos locais de hoje, pouca gente ouvira falar de Portugal. Porventura, ao lado de Espanha! E hoje mencionamos o nome de Portugal e logo escutamos Cristiano Ronaldo. E até um taxista numa impressionante metrópole acrescentou: «Sou católico e ele é um Deus!» E, assim, e com a anunciada e desejada recandidatura de Fernando Gomes, arrancou 2020. Agora, teremos futebol a valer quase todos os dias. Com a sua paixão e, por vezes, com certa razão. Mas com a consciência que importa, também entre nós, criar uma mentalidade positiva que preserve o património popular do futebol. Que é a sua essência e a razão da sua existência!"

Fernando Seara, in A Bola

Resoluções para o novo ano: ordem, desordem vice-versa

"«Sou como certos políticos, certos dirigentes, certos treinadores. Destruo por etapas. Não é só de uma vez»

Um, dois: ordem, desordem
1. - Gosto de ordem.
- Parece-me muito bem.
- Não exageremos, excelência.
- Não exageremos?
- Ordem basta, uma vez. Ordem.
- Vossa excelência sabe que a única altura em que os comboios chegavam a tempo em Itália foi no tempo de Mussolini?
- É verdade?
- Parece que sim. Vários o disseram.
- Democracia e Itália: comboios atrasados. Ditadura: pontualidade.
- As coisas não são tão simples, excelência.
- Mas sim, excelência, desconfiemos da ordem absoluta. Só com muita força é possível ordem absoluta.
- Pois.
- Mas eu tenho uma metodologia.
- Sim?
- Sou desordenado, mas tenho uma metodologia.
- Diga, excelência.
- Sempre que desarrumo tenho um plano prévio, um mapa.
. Um mapa para desarrumar? Curioso.
- É assim. Gosto de inovar.
- Parece-me bem.
- Tenho um mapa de um programa. Um programa de desorganização.
- Um programa?
- No fundo, sou muito organizado. Não gosto de improvisar nem quando desorganizo as coisas.
- Explique lá isso melhor, excelência.
- Explico, numa frase.
- Isso.
- Gosto de piorar a situação, mas não de qualquer maneira;destruo, mas com uma certa racionalidade, por etapas.
- Por etapas.
- Sou como certos políticos, certos dirigentes, certos treinadores. Destruo por etapas. Não é só de uma vez.
- Vossa excelência destrói, mas com boas maneiras, digamos.
- Claro. É preciso manter sempre a gravata apertada. Foi o único conselho que o meu avó me deixou.
- Sim?
- Faças o que fizeres, mantém sempre o nó de gravata nem feito e os sapatos impecáveis. Palavras do meu avô.
- Com fato e gravata impecáveis, e um sorriso, vossa excelência pode destruir o que quiser que ninguém vai notar, é isso?
- Exactamente.
- Entendo. É uma teoria.
- Mas deixe-me explicar em pormenor a minha metodologia que trago de velho ano para o novo ano.
- Explique.
- Sempre que coloco algo fora do sítio, registo o sítio onde coloquei essa coisa fora do sítio. Assim essa coisa que foi colocada fora do sítio fica de novo no sítio. Um segundo sítio.
- Entendo. Mas por que não deixar as coisas como estão, no seu primeiro sítio, organizadas?
- E o que faria durante o dia?
- Entendo. Esse é um argumento. Desarruma as coisas porque está aborrecido.
- Acima de tudo, gosto da ordem. Mas também gosto de fazer algo. Não sou preguiçoso. E o novo ano estimula-me.
- Parece-me muito bem.
- E por isso, quando estou muito tempo pasmado diante de uma certa ordem das coisas, começo a ficar irritado, com vontade de começar a trabalhar.
- E?
- E começo então a mudar o sítio das coisas que estão em ordem e a construir uma desordem meticulosa. Uma desordem pormenorizada.
- Uma desordem que dá conta dos detalhes, dos pormenores.
- Exactamente.
- Não se trata, portanto, propriamente de desarrumar, nem de destruir.
- Nada disso! Sou por completo contra as destruições. Trata-se de começar o ano como deve ser: mudando as coisas ligeiramente de sítio. Tudo na mesma, mas um centímetro ao lado.
- Isso mesmo.
- Um centímetro decisivo.

Ser 'pão duro', mole, ou simples alimento
2. Nesta época especial, de dádiva e gratidão, e, acima de tudo, de recomeço, lembrar uma expressão bem popular: ser pão duro, definido imediatamente como «ser avarento, sovina».
O pão duro, bem duro, fica pedra. Fica, não em estado sólido, mas em estado, digamos, mais-do-que-sólido, estado não comestível; estado parte-dentes.
Há estado sólido comestível estado sólido não comestível.
Pão duro é isso: é pedra. Não comestível. E daí a sua sovinice.
É alimento e ali está diante de todos, mas não se pode comer. O pão duro, o pão-pedra, o pão-quebra-dentes.
Pão duro: é alimento, mas não é alimento; parece dar, mas não dá.
O oposto disso: é um pão mole: alguém que se dá excessivamente, dá sem os outros pedirem.
Ser pão-duro, ser pão mole, ou ser simplesmente alimento. Três opções para o novo ano."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

O 2019 do TAD

"Como já sabemos, o Tribunal Arbitral do Desporto é a entidade jurisdicional com competência (quase) absoluta para conhecer de todos os litígios de âmbito desportivo, em primeira instância, deste Outubro de 2015.
A actividade deste Tribunal tem sido marcada por um aumento exponencial e progressivo, ano após ano, do número de processos em sede de arbitragem necessária em matérias essencialmente ligadas à modalidade do futebol. Com efeito, a esmagadora maioria continua a dizer respeito a litígios relacionados com recursos de sanções disciplinares aplicadas nesta modalidade.
Deve ser, contudo, notado, que em 2019 o número de processos que deram entrada no TAD foi inferior ao número total de 2018: enquanto que o ano passado foram intentadas 73 novas acções arbitrais, em 2018 foram 94. O número do ano passado fica, aliás, muito próximo de 2017 em que deram entrada 76 acções.
Das 73 acções arbitrais que deram entrada no TAD em 2019, 54 dizem respeito a modalidades sob a égide da Federação Portuguesa de Futebol. A predominância do futebol face a todas as outras modalidades e a predominância da arbitragem necessária face a outros meios de resolução de litígios mantém, portanto, a tendência que se verifica desde 2015.
Outro dado interessante que constatamos, através da lista de processos do site do TAD na Internet, é que em 2019 o número de processos cautelares no TAD aumentou significativamente face aos períodos antecedentes. Com efeito, deram entrada 31 pedidos de decretamento de providências cautelares, enquanto que em 2018 tal número tinha ficado pelos 20 processos cautelares, sendo que o número total de processos, como vimos, foi muito superior."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

SL Benfica tem a melhor academia do Mundo: boa. E agora?

"Pela segunda vez (2015 e 2019), a academia do SL Benfica foi considerada a melhor do Mundo, desta feita a par da cantera do AFC Ajax, nos Globe Soccer Awards. Num ano futebolisticamente marcado pela venda estratosférica de João Félix, a academia parcialmente responsável pela formação do “7” colchonero voltou a ser distinguida. Quatro anos volvidos, o mundo do futebol continua a admirar, valorar e premiar o Benfica Futebol Campus.
Além da importância de que se reveste o galardão em si, o que este significa – ou pode significar – é ainda mais relevante. A qualidade e a consolidação da formação do Seixal são cada vez mais evidentes. Infelizmente, muito por necessidade, têm-no sido, acima de tudo, pelas vendas de activos que poderiam ser rentabilizados, também, desportivamente. Poderiam e poderão.
É isso que é esperado de hoje em diante, perante a (cada vez mais) notória capacidade financeira do clube. Prémios como o recebido no final de 2019, no Dubai, provam que os formandos do Benfica Futebol Campus têm aptidões para se tornarem jogadores de topo, de classe mundial. Bernardo Silva, Cancelo, Nélson Semedo e diversos outros hão-no deixado claro… fora da Luz. No entanto, as suas vendas foram necessárias para a estabilidade financeira de que o clube hoje usufrui.
Interessa agora mudar o paradigma. Se as premiações da formação não encontrarem respaldo nas conquistas da equipa principal – a nível interno e não só -, então não fará sentido continuar a sustentar o Benfica Futebol Campus. Importa, daqui em diante, retirar o máximo proveito desportivo, no maior período de tempo possível, dos jogadores que o clube vem moldando há anos.
Caso a formação benfiquista continue a dar os frutos que tem dado e caso o clube os saiba colher, o céu é o limite para o Sport Lisboa e Benfica, uma vez que, como os Globe Soccer Awards vieram reiterar, o campeão nacional já está no topo do mundo… no que à formação diz respeito."

Como desacreditar o VAR num piscar de olhos

"Quando se esperava que o VAR trouxesse mais acerto e calma ao futebol nacional – e mundial – o oposto aconteceu e poucos o podiam prever. Logo o ser humano tratou de vilanizar e destratar uma ferramenta que visava auxiliar o árbitro na condução do jogo.
O que começou por ser um auxiliar de vídeo em situações específicas e concretas, vertidas em regulamentos uniformizados, passou a um bicho de sete cabeças utilizado a cada falta, a cada remate, a cada lance de maior ou menor perigo.
O regulamento passou para segundo plano e o próprio árbitro passou a resguardar-se e a consultar a repetição em vídeo apenas com a indicação do VAR. De forma a correr menos riscos, o árbitro nunca chegou a consultar, por iniciativa própria, o monitor no relvado.
Além disso, a opinião pública dividiu-se sensivelmente ao meio em relação a esta inovação e jogo após jogo as críticas multiplicaram-se. Como se esperassem que a ferramenta eliminasse por completo os erros, os adeptos que contestam foras de jogo de 10 centímetros quando sofrem golo, são os mesmos que classificam de ridículo quando vêem anulado um golo à sua equipa pela mesma margem.
Como se não bastasse a relutância à inovação, o futebol internacional está recheado de casos a roçar o ridículo no que à utilização do VAR diz respeito. Desde as dezenas de minutos perdidos a consultar o VAR na Liga Brasileira, aos foras de jogo por um calcanhar ou um braço na Liga Inglesa ou grandes penalidades claras e ignoradas na Liga Espanhola.
Desta forma, e recordando os exemplos de todo o mundo, a imagem do VAR está desgastada e num estado irreversível. As gerações que ainda viram os guarda-redes agarrar a bola depois de um passe de um colega de equipa nunca mais vão mudar a ideia sobre esta ferramenta.
A “esperança” da ferramenta e de um futebol mais justo reside na informação e educação das novas gerações e das que lhes sucederão. Não há emoção que suplante uma decisão acertada, pelo bem do futebol.
Aos que reclamam que as emoções de um golo ficam em suspenso, recomendo ver uma mão cheia de jogos de basquetebol, de preferência NBA. A cada jogo, há uma colação de lances analisados em vídeo; lançamentos em cima da buzina, faltas, agressões… É só a liga desportiva mais bem sucedida a nível mundial.
Reitero que não há golo que possa sobrepor-se à verdade desportiva. Não se pode querer justiça para o clube que apoiamos e um talvez-qualquer-coisa para os demais."

domingo, 5 de janeiro de 2020

Intenso e vivo

"Apesar da interrupção do campeonato, observou-se um jogo muito disputado

Paragem
1. A descontinuidade do processo competitivo no futebol acarreta um conjunto de dúvidas sobre o rendimento das equipas no primeiro jogo a realizar após tal paragem. Apesar de muitos treinadores estarem de acordo com essa interrupção, todos eles sabem que, por muito que modelem, durante esse período temporal, o processo de treino à imagem da competição, jamais o alcançam. Logo, após a paragem competitiva para o Natal e Ano Novo, as equipas necessitam de tempo para retomar o rendimento das rotinas ofensivas e defensivas antes atingidas. Provavelmente foi possível ter algum descanso regenerativo, apurar dinâmicas e calibrar sincronismos colectivos, bem como alterar algumas sub-rotinas, tais como as situações de bola parada, de modo a surpreender o adversário. Contudo, haverá mais desvantagens do que vantagens (exceptua-se as equipas que recuperaram jogadores importantes, tendo, assim, mais opções na sua organização dinâmica).

Campeonato
2. Duas das equipas que melhor futebol desenvolverem em Portugal, em virtude do calendário e da classificação, encontraram-se nesta encruzilhada temporal. É evidente que a distância pontual entre ambas (18 pontos), em virtude das 13 vitórias e 1 derrota do S.L. Benfica (37 golos marcados e 5 sofridos) contra 5 vitórias, 6 empates e 3 derrotas do Vitória S.C. (24 golos marcados e 17 sofridos) provavelmente não corresponde à qualidade de futebol apresentado, mas sim, porventura, às individualidades, às vicissitudes, à sorte, entre outros. Mas como se sabe, as equipas alimentam-se de pontos, sendo a melhor plataforma para consolidar a confiança e a coesão de qualquer colectivo.

Intensidade
3. Apesar da interrupção do campeonato, observou-se um jogo muito disputado, intenso, vivo, quase sem interrupções. Contudo, este facto não é sinónimo de um grande espectáculo desportivo. O Vitória S. C. interpretou o que gosta de fazer, ou seja, ter a iniciativa de jogo, obrigando em grande parte do tempo o S.L. Benfica a lutar muito, impossibilitando-o de exteriorizar a sua própria forma de jogar.

Estratégias
4. Ambas as equipas utilizaram dinâmicas estratégico-tácticas similares. Assim, assumiram na fase defensiva do jogo a necessidade imperiosa de manter equilíbrios defensivos e, regressar rapidamente, após a perda da bola, para um bloco defensivo intermediário, compacto e com todos os jogadores atrás da linha da bola, num sistema 4x1x4x1. Deste modo, evitar-se-ia o jogo interior, obrigando as equipas a utilizar o espaço exterior. Na fase ofensiva as saídas na 1.ª e a passagem para a 2.ª etapa de construção caracterizam-se por serem controladas e tecnicamente evoluídas (acções de Gabriel e Pepe). Nas etapas de criação e de finalização do ataque o Vitória SC foi a equipa mais perigosa, acumulando ao longo da partida mais aproximações à grande área adversária e mais acções de remate.

Números

5. O Vitória S.C., teve mais posse de bola, mais remates, mais ataques perigosos, logo, os n´meros de carácter quantitativo retirados dos jogos não justificam o resultado final do jogo. Não vale a pena referir que o jogo de futebol não tem lógica, na verdade, nem todos os dados contam, bem como nem todos os dados devem ser contados."


Jorge Castelo, in A Bola

Sofrer sofrer e poder esperar

"Hoje é dia de Sporting - FC Porto, clássico sempre apaixonante que ganhou, ontem, contornos ainda mais especiais depois da sofridíssima vitória do Benfica no difícilimo D. Afonso Henriques, onde mora, está época, uma belíssima equipa orientada por um belíssimo treinador. Fez, a águia,, aquilo que se lhe pedia antes do clássico deste final de tarde: ganhou. Não fez grande exibição, é verdade - sobretudo se a compararmos com aquilo que vinha fazendo o conjunto de Bruno Lage antes do break natalício -, mas não quer isto dizer que não fez a águia um grande jogo. Porque aproveitou a primeira oportunidade de que dispôs, como se pode a um candidato ao título nestas partidas de grau de dificuldade alto, e soube depois lutar, até à exaustão, para segurar um triunfo importantíssimo. Os campeões, todos o sabemos, também se fazem de jogos assim. Podem, pois, os benfiquistas, depois do sofrimento de ontem à noite, assistir de cadeirinha às emoções de hoje em Alvalade. Nenhum esconderá - pelo menos os mais racionais... - que a vitória do eterno rival da Segunda Circular é o resultado que mais interessa ao Benfica, por razões óbvias. Claro que, como fez Bruno Lage ontem, oficialmente todos dirão que ainda há muito por jogar e lembrarão o que aconteceu na última época para lembrar que sete pontos de avanço não garantem, em Janeiro, o título. É verdade. Mas o que Bruno Lage fez com o Benfica em 2018/2019 foi extraordinário porque, lá está, é incomum. E todos o sabem. Incluindo Sérgio Conceição e todos no FC Porto, que entram bem mais pressionados no clássico do que Silas e o seu Sporting em aparente recuperação mas, hoje, a 16 pontos das águias. Ninguém quer perder, mas há uns que têm, mesmo, de ganhar..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Unidos...

Vitória SC 0-1 SL Benfica: Encarnados sobrevivem e consolidam liderança

"Crónica: Vitória com sabor amargo
Em fim-de-semana de clássico a deslocação do SL Benfica ao terreno do Vitória SC era vista como uma complicada mas importante oportunidade para a equipa de Bruno Lage cimentar a liderança no campeonato. Dito e feito. Jogo dificílimo, três pontos garantidos e agora é com 7pts de vantagem que os benfiquistas irão assistir ao Sporting CP – FC Porto.
Uma vitória encarnada de sabor amargo pela cinzenta exibição da equipa. Uma vitória encarnada amarga e injusta para o Vitória SC que desde o primeiro minuto procurou dominar o jogo e chegar à baliza de Vlachodimos.
Do lado do SL Benfica vimos uma equipa desligada da bola e simplesmente preocupada em defender os lances que o Vitória SC ia tentando construir. A primeira parte valeu por um momento de inteligência de Pizzi a assistir para o golo do Cervi. A segunda parte valeu pelo apito final e confirmação dos 3pts.
Do lado do Vitória SC vimos uma equipa totalmente ligada à bola. Assumiram a iniciativa do jogo e procuraram o golo constantemente. As oportunidades não foram em abundância – não esquecer que do outro lado estava o líder do campeonato em modo defensivo – mas foram as suficientes para fazer a equipa acreditar. Faltou eficácia para quebrar o inspirado Vlachodimos.
Francamente (mais) uma exibição muito pobre do Sport Lisboa e Benfica num jogo em que o Vitória SC fez por merecer outro resultado.

A Figura
Adel Taarabt O marroquino fez um jogo muito condicionado pelas amarras tácticas que o treinador lhe colocou mas mesmo amarrado foi sempre estando presente. Até aos 80 minutos o criativo encarnado foi dos principais recuperadores de bola da equipa e o único com a frieza o suficiente para sobre pressão no terço defensivo encontrar linhas de passe para sair a jogar. Nos últimos 15 minutos, com a substituição do Chiquinho pelo Samaris, já se pôde libertar e aparecer em zonas mais avançadas com a bola controlada e é aí que faz toda a diferença. Mais ou menos condicionado, foi durante os 90 minutos o jogador encarnado para esclarecido no relvado.

O Fora de Jogo
Carlos Vinícius O ponta de lança encarnado passou totalmente ao lado do jogo. Tal como o Taarabt, passou o jogo condicionado pelas opções mais defensivas de Bruno Lage o que o obrigou a um jogo isolado na frente de ataque. Mas ao contrário do marroquino o avançado brasileiro não conseguiu contornar as dificuldades impostas. Nos poucos lances de ataque colectivo não soube procurar os melhores espaços para se desmarcar e dar linha de passe. Nas raras situações em que recebeu a bola no ataque, e ao contrário do usual, não teve capacidade para a segurar e criar lances de perigo para si ou para algum colega que surgisse a apoiar. Foi constantemente batido pelo Tapsoba e esta foi a sua pior exibição de águia ao peito.

Análise Táctica - Vitória SC
Ivo Veira foi fiel ao seu 4-3-3 mas optou por uma equipa com maior qualidade na posse de bola. Assim deu mais bola ao seu tridente do meio-campo com a titularidade de Pêpê e J.C.Teixeira em vez dos usuais M. Agu e Poha. Foi um 4-3-3 que constantemente se desdobrou num 3-5-2 de pressão alta. Davidson partia da esquerda para se juntar ao avançado Bonatini, os laterais estavam em constantes incursões ofensivas e tanto o médio J.C. Teixeira como o médio L. Evangelistas apareceram sistematicamente em zonas de finalização. O Vitória SC optou por um jogo positivo, um jogo de procura da bola e de carinho à redonda. Pressionaram em bloco a linha defensiva encarnada e com bola procuraram encontrar os espaços com criatividade e em futebol apoiado.

11 Inicial e Pontuações
Douglas Jesus (5)
Victor Garcia (6)
Tapsoba (7)
Pedro Henrique (6)
Florent Hanin (6)
Pedro Rodrigues (7)
João Carlos Teixeira (6)
Lucas Evangelista (6)
Marcus Edwards (6)
Davidson (6)
Léo Bonatini (5)
Subs. Utilizados
Poha (5)
Bruno Duarte (3)
Rochinha (1)

Análise Táctica - SL Benfica
Bruno Lage lançou aquele que tem sido o seu 11 no último mês. Assim o SL Benfica entrou em campo com o seu 4-2-3-1 onde a dupla de médios apela à maior qualidade na posse de bola, o extremo esquerdo actua com maior cautela permitindo mais ingressões ofensivas ao lateral e Pizzi e Chiquinho alternam no espaço procurando mais o jogo interior e entre linhas. Este 4-2-3-1 de Bruno Lage tem variado entre aquele que defrontou o Marítimo e aquele que defrontou o Boavista. Neste jogo surgiu o do Marítimo. Um 4-2-3-1 em 4-5-1 condicionado defensivamente e com um futebol de expectativa. Os laterais amarrados, os dois médios amarrados ao terço defensivo, o extremo amarrado ao lateral, Pizzi e Chiquinho amarrados a compensações defensivas e Vinicius isolado no ataque.

11 Inicial e Pontuações
Odysseas Vlachodimos (6)
Tomás Tavares (4)
Rúben Dias (5)
Ferro (5)
Grimaldo (5)
Gabriel (4)
Taarabt (7)
Pizzi (5)
Chiquinho (4)
Franco Cervi (5)
Vinícius (3)
Subs. Utilizados
Seferovic (3)
Samaris (3)
Gedson Fernandes (-)"

Chegar, Ver, Marcar e Defender

"O registo interno de Bruno Lage é para lá de assombroso. Completa duas voltas – O correspondente a uma Liga – com apenas cinco pontos perdidos – Se fosse na mesma época seria um registo “seguramente” impossível de bater.
Ao modelo muito bem pensado e treinado, a modernidade surge em forma de abordagem estratégica a cada jogo.
Em Guimarães, o Benfica foi a equipa humilde que teria de ser para vencer o jogo perante um conjunto que lhe é inferior individualmente, mas que tem um sem número de jogadores de nível muito bom, e que garantidamente não farão carreira eterna no Castelo – Tapsoba, Edwards, João Carlos, Pêpê, Rochinha, Lucas Evangelista…
Uma das maiores críticas à abordagem dos jogos no período pré Bruno Lage que este espaço fez passou sempre pela pressão constante que os encarnados exerciam em cada jogo, em cada situação, e que tantas vezes levaram o Benfica a defender aberto, a ter de defender muito espaço e com poucos homens.
Benfica nunca partiu a equipa na pressão sobre a construção adversária – Esperou, fechou espaços vitais e nunca abriu “Avenidas” para as entradas Vimaranenses

É impossível prever que abordagem teria tido o Benfica se o tempo se arrastasse e não estivesse em vantagem no marcador – Teria de ser diferente! Mas, tal não sucedeu, e a equipa de Lage foi desde o primeiro minuto uma equipa junta, concentrada e humilde no sentido de perceber que do outro lado havia muita qualidade e que era preciso, antes de tudo o mais, saber fechar o campo.
O Vitória podia e talvez merecesse (não ignorar, contudo, que o merecer por se ter instalado no meio campo do Benfica, tem sempre a condicionante de tal ter sido fruto de uma (boa) decisão de Bruno Lage ao optar pelo tal não pressing, mas antes pelo fechar do espaço) ter tido mais “sorte”. Não criou em número suficiente para que se possa falar de um jogo muito conseguido, mas Marc Edwards com os seus recortes individuais criou lances perigosos – Mais do que os que o Benfica teve no jogo. 
Vitória deu sempre espaço para o Benfica construir com o intuito de roubar e acelerar – Os seus mais prometedores lances tiveram origem em perdas de Tavares e Gabriel

Na leitura de um jogo nunca se pode ignorar o resultado com que este vai decorrendo. A vencer, importou muito mais não dividir o jogo para que não houvesse muitas situações com espaço para Lucas Evangelista, Pêpê e Marcus Edwards definissem chegada e definição no último terço.
Onze jogos sem sofrer golos na Liga em quinze é uma marca incrível que reflecte alguns jogos de Vlachodimos, mas sobretudo o trabalho de modelo e de estratégia do treinador do Benfica com uma equipa que está a muitos anos luz de qualitativamente poder ombrear com a de um passado não muito distante e que reuniu uma série de jogadores que se viram transferidos para as melhores Ligas e Equipas do futebol mundial.


Lição de ataque posicional:
– A profundidade do lateral (Grimaldo) que obrigou o lateral do Vitória a dividir pressão e com isso Cervi teve espaço para receber e virar;
– O passe interior de Ferro;
– Depois de conquistado espaço nas costas dos interiores – Conquista do espaço nas costas de Pedro Rodrigues;
– Temporização e Definição de Chiquinho para conquistar último espaço – Nas costas da defesa;
– Procura do lado cego em zona de finalização.
Um regalo."