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terça-feira, 7 de maio de 2019

Não jogaram contra o dinheiro - jogaram contra a alma!

"O Tottenham voltou a uma meia-final da Liga dos Campeões. A última, e única até agora, disputou-se frente ao Benfica. A imprensa inglesa dava preços a todos os jogadores encarnados. Valiam fortunas. Mas...

'Quem diria que o destino faria isto connosco?', disse Mauricio Pochettino após o apuramento do Tottenham para a meia-final da Liga dos Campeões à conta do Manchester City.
Surpresa? Sim. E drama também, num jogo monstruoso que fica para a história.
E fica, também, para a história  do Benfica. Ah! Pois... Passaram-se, entretanto, 57 anos!
Na época de 1961-62, o Tottenham fez um caminho duro até às meias-finais da então chamada Taça dos Campeões Europeus: Gornik Zabrze (Polónia) - 2-4 e 8-1; Feyenoord (Holanda) - 3-1 e 1-1; Dukla de Praga (Checoslováquia) - 0-1 e 4-1.
Seguia-se o Benfica. Primeira mão na Luz.
As coisas piavam agora mais fino.
Grandes equipas, vejam só: Costa Pereira; Mário João, Germano, Cruz e Ângelo; Mário Coluna e Cavém; José Augusto, Eusébio, Águas e Simões, do lado dos encarnados; Billy Brown; Henry, Norman, Baker e White; Toni Marchi e Dave McKay; Blanchflower, Tommy Smith, Cliff Jones e Jimmy Greaves.
Logo aos 5 minutos, António Simões fazia o 1-0. Depois foi a vez de José Augusto, aos 19. Bobby Smith reduziu já na segunda parte: 54 minutos, dez minutos mais tarde José Augusto repunha a vantagem que o Benfica levou para uma noite fantástica em Londres.
O que sonhavam os ingleses com uma final dos campeões! Algo que lhes era vedado.
Já contei aqui esta história, uma vez qualquer, se calhar, mas eu conto aqui tantas histórias. Ou tento contá-las, com a vossa bendita paciência de leitores amáveis.
Quando o campeão da Europa aterrou na capital do Império Britânico naquele mês de Abril de 1962, a manchete do Daily Sketch dizia: 'Benfica! Oh! Meet the Lisbon Milionaires...' E depois a foto de cada um dos jogadores benfiquistas, todos com o seu preço. Faço logo o câmbio da época e dou exemplos:
Costa Pereira, 3600 contos; Cruz, 4000; Coluna, 6800; Ângelo, 2400; José Águas, 8000; José Augusto, 8000; Germano, 6400; Eusébio, 20000 contos!!!
Ufa!
Digo-vos mais: terá sido esse o grande erro dos engravatados ingleses - pensavam que iam jogar contra dinheiro, mas iam jogar contra a alma!
Uma libra esterlina valia 84$00, calculem.
Não haveria, certamente, equipa mais valiosa em todo o mundo. Era coisa para pagar todo o palácio de Buckingham mais o trono da rainha.
E Eusébio, embora valesse mais do dobro de qualquer um dos seus companheiros, era dado pela imprensa inglesa como certo no Real Madrid. E na Juventus. E no Inter! Os tablóides da Grande Ilha para lá da Mancha foram sempre de disparar em toda as direcções.



O Benfica era de outro mundo
Tottenham Hotspurs: fundado em 1882, é um dos grandes do futebol inglês, um dos grandes conquistadores da Taça de Inglaterra, apesar de contar apenas com dois títulos de campeão; primeira equipa britânica a ganhar uma competição europeia (a Taça das Taças, em 1963), viveu durante a década de 60 o seu período de maior fulgor.
Danny Blanchflower e Dave MacKay; Cliff Jones e John White. Acima de todos, Jimmy Greaves!
Houve quem se atrevesse a chamar-lhe o 'Pelé de Inglaterra'. Nasceu em 1940, jogou no Chelsea, passou fugazmente pelo Milan antes de se instalar no Tottenham ao qual custou a módica quantia de 99999 libras (o manager, Bill Nicholson, não quis criar-lhe a acrescida responsabilidade de ser o primeiro jogador inglês a custar 100 mil libras), terminaria a carreira no West Ham martirizado por problemas com o álcool.
Quando o Benfica entrou em White Hart Lane, o Tottenham Hotspurs exibia aquela montra aterradora de golos em casa de que vos falei no início - oito golos ao Gornik Zabrze, quatro aos grande Dukla de Praga. Um ano mais tarde venceria o Atlético de Madrid na final da Taças das Taças por... apenas 5-1!!!
Se, em Lisboa, o Benfica foi emocionante, em Londres encantou os exigentes adeptos britênicos: logo aos 15 minutos marcou um golo, por Águas, como quem entra preparado para tudo e mais alguma coisa. Em seguida gelou o inferno, um adversário revoltado e de um público à beira do fanatismo. A derrota por 1-2 garantia-lhe a sua segunda final consecutiva.
Bella Gutmann dissera antes do jogo de Lisboa: 'O difícil, para o Benfica, não será vencer o Real Madrid na final, mas sim eliminar o Tottenham. Na final, os espanhóis não terão a mínima chance de nos vencerem. Mesmo que o Real chegasse ao fim da primeira parte a ganhar por 2-0'.
Eusébio não marcou golos aos ingleses. Todavia, mais uma vez, Londres fora palco de uma das suas soberbas interpretações desse jogo que os britânicos tinham inventado mas já não dominavam. Marcado com dureza e até violência pelo escocês MacKay, foi a figura exaltante da valentia. Sairia ovacionado. Os ingleses, em pé, reconheciam os campeões como tal."

Afonso de Melo, in O Benfica

Um goleador elegante

"Rogério destacava-se pela sua elegância dentro e fora das quatro linhas

Rogério Lantres de Carvalho 'nasceu para jogar a bola, pois viu a luz nem meio futebolista e em casa de futebolistas'. Deu os seus primeiros passos no futebol no Chelas FC, clube que o seu pai ajudara a fundar e onde o seu irmão era considerado um dos melhores jogadores. Esteve perto de ingressar no Sporting, mas foi no Benfica que o avançado viria a fazer grande parte da sua carreira.
Em 1942/43, por 26 contos, deu-se a sua transferência do Chelas FC para o clube encarnado. Estreou-se com 19 anos, revelando logo a sua veia goleadora. Desde então, Rogério foi um elemento fundamental nas conquistas, assumindo-se como um dos melhores marcadores da equipa.
Entre os colegas ganharia a alcunha de 'Pipi', por se vestir de forma sempre elegante. Mas dentro de campo, Rogério também tinha um estilo inconfundível, era um jogador completo de grandes recursos técnicos.
Em 1949/50, o Benfica viveria uma das suas épocas de ouro com a vitória na Taça Latina, a sua primeira conquista internacional. Ficaria na memória de todos a imagem de Rogério a erguer bem alto e troféu. Quando chegou à cabina com a Taça Latina nas mãos, um jornalista perguntou-lhe: 'Porque foi recebê-la se não era o capitão? Não sei explicar... com o entusiasmo e a invasão do público, todos perdemos a cabeça. Senti-me empurrado e, quando deu por mim, estava na tribuna diante do Ministro. Foi o momento mais feliz da minha carreira!'. Foi uma honra inesperada, mas merecida, 'pois o genial jogador produziu nesse jogo um esforço enorme, em que pôs toda a magnífica subtileza do seu futebol maravilhoso'.
Mas os grandes feitos de Rogério estão sobretudo ligados à Taça de Portugal. Tornou-se no jogador com mais golos marcados em finais da prova rainha, um total de 15! A final de 1952, frente ao Sporting (v 5-4) foi memorável, rubricou um fantástico hat-trick, marcando o golo da vitória a 15 segundos do fim!
Em 1954, com a aposta na profissionalização do futebol, optou por não deixar o seu emprego de vendedor de automóveis e sair do Clube, após 12 épocas e 10 títulos conquistados.
Rogério foi, sem dúvida, 'um caso à parte pela exuberância técnica de que deu mostras ao longo da sua carreira, pelo seu estilo elegante, pela beleza das suas fintas, pela maneira ímpar como cobria o esférico, pelos seus «toque» de cabeça a colocar a bola no sítio devido, pela fulgurância do seu pontapé, pelos seus passes medidos com matemática precisão'. Uma verdadeira lenda do futebol benfiquista!
Saiba mais sobre este jogador fora de série na área 23 - Inesquecíveis do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

Benfiquismo (MXLXXIII)

Ao trabalho...!!!

Benfica FM - com o outro Pedro Ribeiro!

Lixívia 32

Tabela Anti-Lixívia
Benfica..... 81 (-7) = 88
Corruptos.. 79 (+27) = 52
Sporting... 73 (+21) = 52


Jornada estranhamente 'calma', mas longe de ter sido imaculada!!!

Vejamos: na Luz o Félix está 'quase' isolado e um defesa do Portimonense em carrinho corta a bola, e derruba o João. Parece que o primeiro toque é na bola, mas não é possível ter a certeza...; no Jamor, um defesa do Belenenses corta a bola, e na sequência derruba o avançado do Sporting: unanimemente, 'todos' dizem que o penalty foi bem marcado, pois mesmo quando o defesa toca primeiro na bola, isso não impede de cometer falta!!!!
Critérios...
Aliás existe outra jogada, no final da 1.ª parte, que não deu golo porque o Ody fez uma grande defesa: o Félix perde a bola e dá contra-ataque aos Algarvios! O jogador do Portimonense quando 'tira' a bola ao Félix, toca primeiro na bola, mas no 'segundo' movimento, derruba o Félix no pé de apoio (para mim falta, aliás 'mais' falta do que o penalty no Jamor, porque o 2.º movimento é claro!), se por acaso tem sido golo: alguém acredita que o VAR anularia o golo, por falta no início da jogada?!!!!
Mesmo assim, o maior erro, foi a não marcação de uma falta sobre o Rafa, quando este se isolava... e ainda não tinha a bola!!!

Veja-se a expulsão do guarda-redes do Belenenses: para mim é falta, e o Vermelho é bem mostrado... mas não existe contacto!!! Porque o Raphinha 'saltou' por cima do Muriel!!! Repito, para mim é falta... mas agora imagine-se uma jogada destas com um avançado do Benfica: tenho a certeza que seria considerado por todos como 'simulação' do nosso avançado!!!

Para mim o único grande erro da jornada, foi a não expulsão do Herrera, que acabou por levar Amarelo, quando devia ter levado Vermelho...
O penalty também é engraçado ter sido o Vasco Santos (VAR) a chamar a atenção ao lance!!! Pois, o que aconteceu foi um tentativa falhada do defesa do Aves, em jogar a bola de cabeça, e depois atabalhoadamente, quando tentou proteger-se do contacto com o avançado Corrupto, 'levantou' o braço imprudentemente...
Também não deixou de ser engraçado a forma como o Macron não marcou um falta na meia-lua dos Corruptos, feita pelo Manafá de forma mais do evidente!!! Tudo isto, porque segundos antes não tinha marcado uma falta sobre o Soares (fora da área), mas que parecia dentro!!!


Mas últimas jornadas, 'parece' que os apitadeitos estão com mais 'medo' de ficarem 'marcados' com a 'carga' de terem decidido o campeonato de forma 'ilegal'!!! Mais vale tarde do que nunca...
Mas para a semana, em Vila do Conde, com o mais que provável Jorge Sousa, é preciso ter muito cuidado, muito mesmo...

Anexo(I):
Benfica
1.ª-Guimarães(c), V(3-2), Pinheiro(Sousa), Nada a assinalar
2.ª-Boavista(f), V(0-2), Mota(Malheiro), Nada a assinalar
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Godinho(Sousa), Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
4.ª-Nacional(f), V(0-4), Veríssimo(Xistra), Prejudicados, Beneficiados, (0-7), Sem influência no resultado
5.ª-Aves(c), V(2-0), Rui Costa(Paixão), Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), E(2-2), Capela(Esteves), Prejudicados, (1-3), (-2 pontos)
7.ª-Corruptos(c), V(1-0), Veríssimo(Sousa), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
8.ª-Belenenses(f), D(2-0), Soares Dias (V. Ferreira), Prejudicados, (1-0), Impossível contabilizar
9.ª-Moreirense(c), D(1-3), Almeida(Esteves), Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
10.ª-Tondela(f), V(1-3), Pinheiro(Nobre), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
11.ª-Feirense(c), V(4-0), Rui Costa(Mota), Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
12.ª-Setúbal(f), V(0-1), Xistra(Sousa), Prejudicados, (0-2), Sem influência no resultado
13.ª-Marítimo(f), V(0-1), Pinheiro(Nobre), Prejudicados, Sem influência no resultado
14.ª-Braga(c), V(6-2), Soares Dias(Esteves), Prejudicados, (7-2), Sem influência no resultado
15.ª-Portimonense(f), D(2-0), Mota(Nobre), Prejudicados, Sem influência no resultado
16.ª-Rio Ave(c), V(4-2), Godinho(Sousa), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
17.ª-Santa Clara(f), V(0-2), Capela(Rui Costa), Prejudicados, Beneficiados, (0-3), Sem influência no resultado
18.ª-Guimarães(f), V(0-1), Martins(Vasco Santos), Prejudicados, Sem influência no resultado
19.ª-Boavista(c), V(5-1), Rui Costa(Esteves), Prejudicados, (6-1), Sem influência no resultado
20.ª-Sporting(f), V(2-4), Soares Dias(Pinheiro), Prejudicados, (1-6), Sem influência no resultado
21.ª-Nacional(c), V(10-0), Almeida(Pinto), Nada a assinalar
22.ª-Aves(f), V(0-3), Miguel(V. Ferreira), Nada a assinalar
23.ª-Chaves(c), V(4-0), Mota(Esteves), Prejudicados, (6-0), Sem influência no resultado
24.ª-Corruptos(f), V(1-2), Sousa(Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
25.ª-Belenenses(c), E(2-2), Capela(Malheiro), Prejudicados, (3-1), (-2 pontos)
26.ª-Moreirense(f), V(0-4), Almeida(Pinheiro), Prejudicados, Sem influência no resultado
27.ª-Tondela(c), V(1-0), Xistra(Malheiro), Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
28.ª-Feirense(f), V(1-4), Pinheiro(Paixão), Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
29.ª-Setúbal(c), V(4-2), Rui Costa(V. Santos), Prejudicados, (5-1), Sem influência no resultado
30.ª-Marítimo(c), V(6-0), Godinho(Esteves), Prejudicados, Sem influência no resultado
31.ª-Braga(f), V(1-4), Martins(Pinheiro), Nada a analisar
32.ª-Portimonense(c), V(5-1), Soares Dias(Godinho), Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Chaves(c), V(5-0), Almeida(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Belenenses(f), V(2-3), Xistra(Capela), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(c), D(2-3), Veríssimo(Paixão), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Malheiro(L. Ferreira), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Setúbal(f), V(0-2), Manuel Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho(Malheiro), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Benfica(f), D(1-0), Veríssimo(Sousa), Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
8.ª-Feirense(c), V(2-0), Rui Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
9.ª-Marítimo(f), V(0-2), Xistra(Sousa), Beneficiados, Sem influência no resultado
10.ª-Braga(c), V(1-0), Soares Dias(L. Ferreira), Beneficiados, (+2 pontos)
11.ª-Boavista(f), V(0-1), Hugo Miguel(Veríssimo), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
12.ª-Portimonense(c), V(4-1), Mota(Pinheiro), Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
13.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Godinho(Esteves), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
14.ª-Rio Ave(c), V(2-1), Martins(Malheiro), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
15.ª-Aves(f), V(0-1), Pinheiro(Soares), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
16.ª-Nacional(c), V(3-1), Rui Costa(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
17.ª-Sporting(f), E(0-0), Miguel(Martins), Prejudicados, Impossível contabilizar
18.ª-Chaves(f), V(1-4), Almeida(Godinho), Nada a assinalar
19.ª-Belenenses(c), V(3-0), Godinho(L. Ferreira), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
20.ª-Guimarães(f), E(0-0), Rui Costa(Rui Oliveira), Beneficiados, Impossível contabilizar
21.ª-Moreirense(f), E(1-1), Sousa(L. Ferreira), Beneficiados, (2-0), (+ 1 ponto)
22.ª-Setúbal(c), V(2-0), Almeida(Rui Oliveira), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
23.ª-Tondela(f), V(0-3), Godinho(Xistra), Nada a assinalar
24.ª-Benfica(c), D(1-2), Sousa(Martins), Beneficiados, (0-3), Sem influência no resultado
25.ª-Feirense(f), V(1-2), Soares Dias(Vasco Santos), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
26.ª-Marítimo(c), V(3-0), Capela(Esteves), Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
27.ª-Braga(f), V(2-3), Sousa(Nobre), Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
28.ª-Boavista(c), V(2-0), Rui Costa(Esteves), Beneficiados, (1-0), Impossível contabilizar
29.ª-Portimonense(f), V(0-3), Veríssimo(Godinho), Beneficiados, (0-2), Sem influência de contabilizar
30.ª-Santa Clara(c), V(1-0), M. Oliveira(L. Ferreira), Nada a assinalar
31.ª-Rio Ave(f), E(2-2), Soares Dias(Esteves), Prejudicados, Beneficiados, (3-3), Impossível contabilizar
32.ª-Aves(v), V(4-0), Miguel(V. Santos), Beneficiados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Moreirense(f), V(1-3), Martins(Miguel), Nada assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(2-1), Manuel Oliveira(L. Ferreira), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Godinho(Sousa), Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
4.ª-Feirense(c), V(1-0), Rui Oliveira(Esteves), Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
5.ª-Braga(f), D(1-0), Soares Dias(Veríssimo), Beneficiados, Sem influência no resultado
6.ª-Marítimo(c), V(2-0), Almeida(Sousa), Beneficiados, (1-0), Impossível contabilizar
7.ª-Portimonense(f), D(4-2), Miguel(L. Ferreira), Nada a assinalar
8.ª-Boavista(c), V(3-0), Xistra(L. Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
9.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Mota(V. Ferreira), Beneficiados, (1-0), (+3 pontos)
10.ª-Chaves(c), V(2-1), Martins(M. Oliveira), Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
11.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Xistra(Malheiro), Beneficiados, Prejudicados, (2-3), Impossível contabilizar
12.ª-Aves(c), V(4-1), V. Ferreira(L. Ferreira), Beneficiados, (4-3), Impossível contabilizar
13.ª-Nacional(c), V(5-2), Veríssimo(Miguel), Beneficiados, Prejudicados, (3-2), Impossível contabilizar
14.ª-Guimarães(f), D(1-0), Godinho(Sousa), Nada a assinalar
15.ª-Belenenses(c), V(2-1), Capela(Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar
16.ª-Tondela(f), D(2-1), Almeida(Malheiro), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
17.ª-Corruptos(c), E(0-0), Miguel(Martins), Beneficiados, Impossível de contabilizar
18.ª-Moreirense(c), V(2-1), Rui Costa(Capela), Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
19.ª-Setúbal(f), E(1-1), Malheiro(V. Santos), Nada a assinalar
20.ª-Benfica(c), D(2-4), Soares Dias(Pinheiro), Beneficiados, (1-6), Sem influência no resultado
21.ª-Feirense(f), V(1-3), Mota(Esteves), Prejudicados, Beneficiados, (2-3), Impossível contabilizar
22.ª-Braga(c), V(3-0), Sousa(Martins), Prejudicados, Sem influência no resultado
23.ª-Marítimo(f), E(0-0), Martins(Rui Oliveira), Beneficiados, Impossível contabilizar
24.ª-Portimonense(c), V(3-1), Capela(Esteves), Beneficiados, (3-2), Impossível contabilizar
25.ª-Boavista(f), V(1-2), Pinheiro(Rui Oliveira), Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
26.ª-Santa Clara(c), V(1-0), M. Oliveira(L. Ferreira), Nada a assinalar
27.ª-Chaves(f), V(1-3), Mota(V. Santos), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
28.ª-Rio Ave(c), V(3-0), Godinho(V. Santos), Nada a assinalar
29.ª-Aves(f), V(1-3), Soares Dias(Capela), Beneficiados, (2-3), Impossível contabilizar
30.ª-Nacional(f), V(0-1), Xistra(Rui Costa), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
31.ª-Guimarães(c), (2-0), Rui Costa(V. Santos), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
32.ª-Belenenses(f), V(1-8), Capela(L. Ferreira), Nada a assinalar

Anexo(II):
Benfica:
Pinheiro: 4 + 3 = 7
Sousa: 1 + 5 = 6
Esteves: 0 + 6 = 6
Rui Costa: 4 + 1 = 5
Soares Dias: 4 + 0 = 4
Godinho: 3 + 1 = 4
Mota: 3 + 1 = 4
Almeida: 3 + 0 = 3
Capela: 3 + 0 = 3
Xistra: 2 + 1 = 3
Martins: 2 + 1 = 3
Nobre: 0 + 3 = 3
Malheiro: 0 + 3 = 3
V. Ferreira: 0 + 2 = 2
Paixão: 0 + 2 = 2
V. Santos: 0 + 2 = 2
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Miguel: 1 + 0 = 1
Pinto: 0 + 1 = 1

Corruptos:
Godinho: 4 + 2 = 6
V. Santos: 0 + 6 = 6
Sousa: 3 + 2 = 5
L. Ferreira: 0 + 5 = 5
Esteves: 0 + 5 = 5
Veríssimo: 3 + 1 = 4
Soares Dias: 3 + 0 = 3
Almeida: 3 + 0 = 3
Rui Costa: 3 + 0 = 3
Miguel: 3 + 0 = 3
Capela: 2 + 1 = 3
Xistra: 2 + 1 = 3
Malheiro: 1 + 2 = 3
Rui Oliveira: 1 + 2 = 3
M. Oliveira: 2 + 0 = 2
Martins: 1 + 1 = 2
Mota: 1 + 0 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
Pinheiro: 0 + 1 = 1
Nobre: 0 + 1 = 1

Sporting:
L. Ferreira0 + 6 = 6
Martins: 3 + 2 = 5
Capela: 3 + 2 = 5
Sousa: 1 + 4 = 5
Miguel: 2 + 2 = 4
V. Santos: 0 + 4 = 4
Soares Dias: 3 + 0 = 3
Godinho: 3 + 0 = 3
Mota: 3 + 0 = 3
Xistra: 3 + 0 = 3
Pinheiro: 2 + 1 = 3
Malheiro: 1 + 2 = 3
Rui Oliveira: 1 + 2 = 3
Esteves: 0 + 3 = 3
M. Oliveira: 2 + 1 = 3
Rui Costa: 2 + 1 = 3
Almeida: 2 + 0 = 2
V. Ferreira: 1 + 1 = 2
Veríssimo: 1 + 1 = 2
Épocas anteriores:

Emoções ao vivo...

Novo recorde na história dos dérbis

"Pela décima época consecutiva, o Benfica vai acabar a Liga à frente do Sporting. Em 85 edições, o resultado do dérbi vai em 56-29...

A trigésima segunda jornada da edição 2018/2019 da Liga definiu que o Benfica vai acabar a prova à frente do Sporting, algo que acontece, pela primeira vez, em dez temporadas seguidas. O anterior recorde reportava-se ao período entre 1985/1986 e 1993/1994, nove campeonatos, que coincidiram, grosso modo, com o período, para os leões, entre o fim do Rochismo e o advento do Roquetismo.
É impossível olhar para os números desta secular rivalidade e não constatar a importância de Eusébio da Silva Ferreira na forma como o Benfica descolou dos eternos rivais. Até Eusébio chegar à Luz (1960/1961), a igualdade era total, o Benfica tinha ficado à frente do Sporting em 13 campeonatos e os leões tinham superado as águias também em 13 ocasiões. Durante as 15 épocas em que o pantera negra esteve no Benfica, 11 campeonatos foram para a Luz e quatro para Alvalade, o que dá 73,3% para o Benfica e 26,7% para o Sporting. A dinâmica dos anos-Eusébio manteve-se, no contexto Benfica - Sporting, até aos dias de hoje. Depois do king abandonar a Luz, o Benfica ficou à frente do Sporting 32 vezes, sendo superado em doze, o que dá 72,7% para as águias e 27,3% para os leões.
Mas se quisermos olhar os números da maior rivalidade do futebol português à luz do 25 de Abril, os resultados são elucidativos.
Com a revolução dos cravos, dois factos vieram a alterar a face do futebol em Portugal: a lógica do poder democratizou-se, acabando a rotatividade entre Benfica e Sporting e Belenenses para a presidência da FPF; e deu-se o fim da lei da opção, o que permitiu uma nova relação laboral entre clubes e jogadores. O FC Porto foi o mais ágil a reagir a estas novas circunstâncias, e o Sporting o que teve mais dificuldade. No duelo particular com o Benfica, até ao 25 de Abril a taxa de sucesso do Sporting era de 42,5% contra 57,5% do rival. De 1974 ao dia de hoje, os leões baixaram para 26,7% e as águias subiram para 73,3%. Resumindo, e especialmente para quem gosta de olhar os números pelo prisma da história, havia uma realidade até à chegada de Eusébio e outra a partir desse momento.
O que aconteceu ao Benfica com Eusébio da Silva Ferreira, não foi uma mera evolução competitiva, mas sim um salto quântico, que projectou o clube para o mundo, um fenómeno muito semelhante ao que sucedeu com Johan Cruyff no Ajax e com Pelé no Santos.

(...)
Ás
António Salvador
O SC Braga tornou-se ontem campeão nacional de futebol feminino, numa altura em que o beautiful game jogado por elas está em grande expansão na Europa. Trata-se de uma aposta ganha pelo presidente dos arsenalistas, que está de parabéns, assim como técnicos e jogadoras, que derrotaram concorrência fortíssima.

Duque
FC Porto
Depois de uma vitória clara sobre o Aves, fazer os jogadores do FC Porto andar de claque em claque, de baraço ao pescoço, qual Egas Moniz, deu uma imagem de terceiro-mundismo. Herrera, de megafone em punho, a pedir desculpa, foi redutor para o clube, humilhante para os jogadores e devastador para o treinador.

Casillas, provável adeus às redes; Iker, olá à vida!
«O Iker Casillas vai conseguir voltar a fazer a sua vida normal, mas não praticará desporto a nível profissional»
Juan Antonio Corbalán, Cardiologista
Juan Antonio Corbalán, cardiologista de 64 anos, é um homem  do desporto, 177 vezes internacional pelo basquetebol de Espanha e com uma carreira de 17 anos no Real Madrid. Por isso, quanto a Casillas, conhece como ninguém a circunstância do desportista e a condição da doença. O que disse deve preparar-nos para o adeus de Casillas às redes. E para o olá de Iker à vida...

Respeito pelo futebol
A Universidade de Wolverhampton concedeu a Nuno Espírito Santo o título de 'Doutor Honoris Causa', numa cerimónia que decorreu no centro do relvado do estádio Molineux, antes do jogo com o Fulham. O vice-reitor Geoff Layer disse, na circunstância, que era «um prazer prestar reconhecimento a um líder que trouxe o orgulho à cidade e inspiração aos nossos alunos». O homenageado afirmou: «O desporto pode mudar vidas e temos obrigação de ser um exemplo para a sociedade». Palavras de circunstância, apenas? Não, muito longe disso. O que aconteceu em Wolverhampton foi resultado do respeito que existe em Inglaterra pelo futebol e por quem o pratica. Porque, lá como cá, quem quer ser respeitada, tem de ser dar ao respeito. Por isso é que uns são e os outros não...

Barcelona C deu bónus ao Celta de Vigo...
O Barcelona, já campeão e a pensar em Liverpool onde discutirá a presença na final da Champions, foi a Vigo com uma equipa C e perdeu. Sorte do Celta, azar dos outros que lutam pela permanência. Valverde, técnico do Barça, fez o que devia. O resto? Como diria Manuel José, o futebol é isso mesmo..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Tanto que sofrem as águias a voar

"O Benfica tem, agora, uma maneira muito estranha e sofrida de lutar pela cada vez maior proximidade do título. Tão estranha e tão sofrida que foram vários os adeptos que sentiram o coração algo desgovernado, como a equipa. É difícil de explicar pelas habituais análises técnico-tácticas, mas parece que as onze águias que Bruno Lage põe voar no início, não sabem o caminho para casa, fazem, por isso, largos círculos sobre a cabeça estonteada dos adeptos e não vislumbram nem rotas, nem pontos de chegada.
É preciso que, lá em baixo, o mar se altere e, no ar, soprem ventos contra difíceis de ultrapassar, para que, de repente, as águias descubram a saída do seu próprio labirinto e, fortes e velozes, cheguem, enfim, ao destino.
Foi assim em Braga; foi assim, este último sábado, na Luz. A verdade é que, para os benfiquistas, o final feliz dessas histórias, não os liberta de uma enorme ansiedade, nem de uma legítima pergunta: e se nas duas etapas que faltam, as águias, de tão nervosas, ainda se perderem pelo caminho?
O FC Porto, para não ter mais desilusões do que aquelas que tem tido, nem quer acreditar que isso possa acontecer, mas, pelo sim pelo não, de forma bem mais sólida e coerente, lá percorre o seu caminho.
Contas concretas: em circunstâncias normais, o Benfica precisa de fazer quatro pontos nas duas últimas jornadas, sem ter de jogar nenhum dérbi ou clássico, pareceria uma mera formalidade. Mas já se percebeu que não será assim. Há uma instabilidade emocional latente e, embora a equipa tenha vindo a reagir a tempo de a resolver, deixa natural receio e inquietação entre os seus."

Vítor Serpa, in A Bola

Falando de coisas quase mitológicas

"96 golos no campeonato?! 19 golos no campeonato?! 91 golos nos campeonatos?

É quase recorde: 96 golos do Benfica na Liga. A última vez em que os portugueses puderam assistir a tal vendaval ofensivo fora em 1973/74, quando o Sporting treinado por Mário Lino e com jogadores como Yazalde, Damas, Fraguito e Dinis, entre outros, chegaram igualmente aos 96 golos. Mas em apenas 30 jornadas. A diferença, porém, é mínima: 3,20 golos por jogo dos leões, 3,00 para as águias. Claro que Bruno Lage está a marimbar-se em chegar aos 100 golos. Ele quer é ser campeão nacional. Até pode bastar marcar apenas mais um golo para Lage ser campeão: 1-0 ao Rio Ave e 0-0 ao Santa Clara. Ou o inverso. Mas chegar à centena de golos seria quase mitológico 10-0 ao Nacional. Só quatro equipas portuguesas chegaram aos 100 golos na Liga. O Sporting de 1946/47 (123) e de 1948/49 (100) e o Benfica de 1963/64 (103) e de 1972/73 (101). Os encarnados cavalgam numa avalancha de golos na Liga: 4-1 ao Feirense, 4-2 ao V. Setúbal, 6-0 ao Marítimo, 4-1 ao SC Braga e 5-1 ao Portimonense. Nada menos de 23 em meros cinco jogos. Impossível aproximar-se dos 123 golos dos cinco violinos, difícil atingir os 103 do Benfica dos anos 60, mas perfeitamente acessível chegar aos três dígitos. Quem tem Seferovic (21 golos na liga), Rafa (15), João Félix(13), Pizzi(12) e Jonas(11) pode sonhar com algo quase mitológico.
(...)
Não menos quase mitológica é a tarefade Fernando Santos na Liga das Nações. O povo pede um quarteto de luxo na frente: o melhor português de sempre (Cristiano Ronaldo), o segundo português da actualidade (Bernardo Silva), o melhor jogador da Liga portuguesa (Bruno Fernandes), a maior esperança portuguesa dos últimos anos (João Félix). Porém, entre aquilo que o povo pode e as ideias do seleccionador nacional poderá haver grande diferença. Este quarteto de luxo marcou nada menos de 91 golos está época pelos respectivos clubes: Bruno Fernandes (31), Ronaldo (29), João Félix (18) e Bernardo Silva (13). Mas quem defenderá se este quarteto jogar junto de início? O melhor mesmo é pensarmos que este quarteto se transformará num trio."

Rogério Azevedo, in A Bola

As claques, a formação e o futsal

"As claques forum um 'mostro' criado pelos clubes quando achavam que delas precisavam, vá lá saber-se porquê

«Quem é o Fernando Madureira para se comportar como o dono não oficial do FC Porto?» Talvez a pergunta colocada nas páginas de A Bola por Miguel Sousa Tavares poucos dias depois do destemperado comportamento do líder dos SuperDragões no final do encontro com o Rio Ave fosse, apenas, retórica. Mas o que se passou após o final da partida com o Aves, em pleno Estádio do Dragão - de onde a equipa de futebol saiu com uma goleada que mantém as esperanças no título e a claque oficial do FC Porto com uma vitória inequívoca no braço de ferro com técnicos e jogadores, forçados a voltar ao relvado 15 minutos depois de o terem abandonado sem lhes passarem cartão para acalmarem a contestação - deve, porventura, motivar uma reflexão mais profunda. Não sobre o caso de Fernando Madureira e dos SuperDragões em concreto - esse é um problema que a Direcção do FC Porto terá de resolver, se entender que há, de facto, alguma coisa para resolver -, mas sobre a importância que as claques de uma forma geral (em especial a dos princípios clubes) ganharam nos últimos anos em Portugal.
Discutir se as claques devem ser legalizadas ou não é, percebe-se, redutor. O problema é mais profundo e mostra como em Portugal teimamos em andar em contramão com o que de melhor se faz lá fora, onde os grupos organizados de adeptos (oficiais ou não) vão, por força de um futebol cada vez mais virado para o espectáculo, perdendo protagonismo. Por cá, pelo contrário, parece que vão ganhando força, amparados por apoios, legais ou encapotados, que lhes permitem crescer. Primeiro em número, depois, e por consequência, em poder. Sejamos claros: as claques foram um monstro criado pelo clubes por acharem que delas precisavam, vá lá saber-se porquê: por uma questão de apoio ou como simples factor de pressão, delas se servindo para defenderem os seus interesses, uns bem claros outros nem por isso.
O problema é que, à medida que vão crescendo à custa dos incríveis benefícios que lhes são concedidos pelos clubes, vão também ganhando influência, em especial junto dos adeptos mais jovens e mais susceptíveis, que se transformam em soldado de uma espécie de exército que, quando chega a hora de escolher, seguem cegamente os seus líderes sem questionar se estão, de facto, a servir os interesses do clube que defendem. É, portanto, fácil que as Direcções, cientes da influência que as claques podem ter, até, na hora das eleições, acabem por ficar nas suas mãos, cedendo à maioria dos seus caprichos e fazendo-os até pensar que são, mesmo, os donos dos clubes. E é aí que as coisas ficam, de facto, perigosas, como ficou evidente há um ano, no triste episódio do ataque à Academia de Alcochete.
Frederico Varandas, talvez por ter vivido esse momento negro bem de perto, foi o primeiro a perceber que as claques não podem, nunca, ter carta branca para fazerem o que bem lhes apetece. Esperemos que não seja necessário novo episódio semelhante para que se deixe de assobiar para o lado sobre um fenómeno que a todos devia preocupar e outros o perceberem também. Nos clubes e, até, acima deles.
(...)"

Ricardo Quaresma, in A Bola

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Em alta!

"Mais uma ‘final’ ganha, mais 3 pontos, mais um passo na caminhada para a Reconquista! A meta está cada vez mais próxima e, por isso, é fundamental mantermos Todos o espírito que nos trouxe até aqui: união, amizade, solidariedade, empenho, concentração e disponibilidade máxima para os combates que ainda teremos de travar.
Estamos em boa posição para chegar onde queremos, é verdade, mas também sabemos que qualquer passo em falso pode ser fatal. O melhor e único caminho para o sucesso é a conciliação da humildade com uma enorme ambição. Nunca daremos nada por vencido de forma antecipada e reconheceremos Sempre a qualidade e o mérito do adversário.
O Portimonense, que já nos tinha vencido na 1.ª volta, voltou a criar-nos enormes dificuldades. Só a extraordinária reacção do Benfica (com o fantástico apoio que veio das bancadas) permitiu a reviravolta e aquela meia hora final. Faltam 180 minutos para a maratona chegar ao fim. Serão 180 minutos jogados nos limites. Do empenho. Do talento. Da concentração. Do Benfiquismo. Serão 180 minutos em que todos teremos de ajudar e de participar. Porque, aqui, Todos Contam.

PS: O excelente fim-de-semana do Benfica foi muito para além do triunfo frente ao Portimonense. A equipa B empatou frente ao FC Porto, no Seixal, mas os juniores venceram em Barcelos (assumindo, à condição, a liderança do campeonato nacional) e a equipa feminina goleou o Sporting B, por 5-1. Grande prestação igualmente nas modalidades! Vitória em basquetebol no Dragão Caixa, vitória em andebol no dérbi da Luz com o Sporting, vitória em futsal frente ao Eléctrico nos quartos de final do playoff e ainda vitória em hóquei em patins, frente à Juventude de Viana, que garantiu a presença na final four da Taça de Portugal. Em grande!"

Banda Sonora...!!!

Explosão...

Mais um esquema...!!!

"O CD Nacional pode entrar já despromovido frente ao FC Porto!
A luta pela manutenção também está ao rubro. O Vitória FC recebe esta noite o Boavista FC e pode garantir praticamente a permanência na primeira liga. Caso isso aconteça, ficam GD Chaves (32pts), CD Tondela (31pts) e CD Nacional (28pts) para dois lugares de descida. Ora vejamos o calendário para a penúltima jornada da Liga: Domingo (12 de Maio):
Chaves – Vitória FC - 15H
CD Nacional – FC Porto - 17H30
Rio Ave FC – SL Benfica - 20H
O que isto significa? Em caso de vitória do GD Chaves na recepção ao Vitória FC (faz 35pts) e o CD Nacional entra já matematicamente despromovido frente ao FC Porto. Qual a motivação dos jogadores da equipa madeirense? Isto é o desvirtuar por completo da verdade desportiva!
Podíamos considerar apenas uma conjugação de factores ou mera coincidência, mas depois todos nos lembramos:
- Do regime de excepção no sorteio quando o Sporting CP disputou o play-off da Liga das Campeões, com diversos condicionamentos - por exemplo, não poderem defrontar nas duas primeiras jornadas os clubes que jogaram a supertaça e play-off da liga Europa – tratamento ignorado este ano para o SL Benfica; . Do `Engano´ do sorteio da Liga, em que curiosamente, após repetição, o SL Benfica mantém o jogo com o Sporting à 3ª Jornada e o cenário de uma 2ª volta diabólica – tudo isto em milhares de novas possibilidades;
- De uma calendarização da Liga, que numa luta acesa ao milímetro, colocou quase sempre o SL Benfica a jogar depois do FC Porto, estimulando a famosa `pressão´, que diga-se, para alguma imprensa só existe para o SL Benfica. E não, a grande maioria não está relacionado com as competições europeias. Nos últimos 12 jogos (excluindo clássico), por 11 vezes o FC Porto jogou primeiro que o SL Benfica. Isto pode ser desvalorizado por alguns, mas não por todos. Qual a razão do FC Porto jogar em vila do conde a uma sexta-feira sem qualquer compromisso europeu? Eram praticamente 48h de pressão extra sobre o jogo do SL Benfica em Braga. Correu-lhes mal!
Por tudo isto, falamos apenas de mais um episódio que não pode ser apenas coincidência!
Seja responsabilidade da Liga, da Sport TV, dos outros clubes da Liga…o padrão é só um e o mesmo de sempre. #Portoaocolo"

Benfica After 90 - Match Day 32

Deus e Família ou o sobrenatural no comando e o Benfica a reboque

"Em comparação com outros treinadores, Bruno Lage tinha, e continua a ter, a desvantagem da inexperiência. Por muito que um treinador saiba sobre táctica, uma coisa é treinar a equipa B no sossego do Seixal, outra coisa é pegar na equipa principal e enfrentar semanalmente o volátil tribunal da Luz, transformando-se, pelo caminho, numa figura pública. Mas Lage tinha um trunfo: a ausência de passado. Ninguém o conhecia. Não havia declarações infelizes que lhe pudessem ser arremessadas em períodos conturbados. Não havia ligações a outros clubes. Não havia um histórico de resultados. Lage, como uma espécie de tela vazia, foi emoldurado e pendurado na parede para que os adeptos aí projectassem o que bem entendessem.
A mensagem começou a passar porque se deu ao mensageiro o benefício da dúvida e os resultados apareceram. O modo de falar sobre táctica sem parecer professoral ou hermético convenceu a maioria dos adeptos de que também eles seriam capazes de falar assim se percebessem alguma coisa de futebol. Porém, após o jogo de sábado, ouvir o treinador do Benfica falar de táctica foi o mesmo que ouvir as declarações de um doutorado em física no final de um congresso espírita. É normal que um treinador tenha a tentação de manter a racionalidade e procure explicar cientificamente aquilo que aconteceu em campo, mas os acontecimentos naquela meia-hora final no Estádio da Luz são o mais próximo do sobrenatural que um jogo de futebol pode estar.
Nas bancadas, os adeptos tremiam perante a iminência de uma catástrofe. No banco, Minervino Pietra sucumbiu aos nervos. Em campo, a bola queimava os pés dos jogadores do Benfica. Durante uma hora, o Portimonense jogou como equipa grande, criou oportunidades, marcou um golo. Enquanto isso, o Benfica parecia um conjunto de amadores a actuar pela primeira vez num grande palco. Foi então que toda a gente fechou os olhos e o milagre aconteceu. Haverá explicações mais rebuscadas, mas nenhuma tão simples: o sobrenatural assumiu o comando. (Lembrei-me das clarividentes palavras de Silas, nome bíblico, dias antes: às vezes só se pode mesmo rezar). Rafa desceu à terra, afastou as nuvens, abriu o caminho aos adeptos que, no transe do desespero, viram, finalmente, a luz. Explosão! Epifania! Revelação! No final, de nervos esfrangalhados, alguns jogadores choravam. Outros levantavam as mãos para os céus, talvez agradecendo, talvez interrogando os deuses sobre a razão de tanto sofrimento.
Talvez o leitor já não se recorde, mas há quase cinco anos o Brasil treinado pela dupla Scolari-Senhora do Caravaggio inaugurou aquilo a que se pode chamar “futebol pentecostal”. Os jogadores choravam antes dos jogos, depois dos jogos e até durante os jogos, disfarçando as lágrimas com o suor. Ora corriam como possuídos, ora ficavam imóveis como estátuas de sal. Era tudo à base da emoção, das palestras esotéricas do Sargentão, do amor ao povo brasileiro, de uma difusa mística de balneário. Sabemos bem como acabou esse futebol pentecostal, atropelado por um panzer germânico numa noite amena no estado de Minas.
Para já, o Benfica escapou a um novo Maracanazo porque Rafa Silva, tantas vezes acusado de falta de frieza na hora de rematar à baliza, se comportou como o único homem sóbrio no meio de uma multidão embriagada pelo puro pavor de perder um campeonato. A forma como picou a bola no primeiro golo foi um shot de lucidez e beleza num oceano confuso de emoções descontroladas. Foi Jesus a acalmar as águas do mar da Galileia. Os adeptos sentem que nos dois jogos que faltam as coisas não vão ser diferentes e só esperam que os ventos sobrenaturais soprem a favor da barcaça que treme, de emoção e de terror, por todos os lados. Talvez seja o momento certo para Bruno Lage, pelo menos nas conferências de antevisão, ceder humildemente o lugar a um xamã ou a um pastor evangélico para umas rezas colectivas à moda de Silas e seja o que Deus quiser.
Enquanto na Luz a questão parece ser do foro religioso, no Dragão discute-se a família, como se o patriarca tivesse morrido. Veja-se como cada um dos quatro golos ao Aves foi comemorado com festejos sepulcrais. No final, Sérgio Conceição, como bom pater famílias, veio dizer que os problemas familiares se resolvem, passe a redundância, em família, no recato do lar. Eu sei que recato do lar não casa bem com a imagem de um jogador a empunhar um megafone e a dirigir-se, num dialeto bizarro, aos parentes mais exaltados, mas a constatação de que o sobrenatural está, até agora, do lado do Benfica, obriga a soluções de recurso. Espera-se que os problemas familiares e a tensão crescente não resultem em mais um triste episódio de violência doméstica. Segundo os jornais, as claques prometem tréguas até à final da Taça. Depois disso, só Deus sabe.
A equipa pode já não usar a cruz de Cristo (embora o treinador acredite no poder da oração), mas o empresarial Belenenses SAD fez questão de se pôr ao lado dos bispos portugueses e declarar o domingo como dia de descanso. Disso se aproveitou o irreligioso Sporting para construir a maior goleada dos últimos trinta e cinco anos, indiferente aos apelos eclesiásticos ao descanso no dia do Senhor e aproveitando para fixar o limite moral das cabazadas nuns equilibrados 8-1."

A errata (ou adenda) de (...) a propósito da violência no futebol

"Há poucos dias publiquei um texto sobre como a moral sportinguista cai por terra quando alguns dos seus adeptos cantam insultos em pavilhões, liderados por atletas e funcionários do clube. Referi a obsessão dos sportinguistas com o Benfica, ali expressa de um modo infeliz. Escrevi sobre a cultura clubística que eu considero ser distintiva de cada clube, e como isso nos eleva. A maioria dos benfiquistas compreendeu o que eu quis dizer e reagiu de forma positiva. Fê-lo porque se revê numa postura mais civilizada e jamais praticaria ou apoiaria certo tipo de comportamentos. Infelizmente, no que ao comportamento diz respeito, essa maioria não perfaz 100% e, assim, aos poucos, lá se vai a nossa moral.
Da mesma forma que critiquei o comportamento dos adeptos rivais, pergunto: que benfiquistas são estes que, sucessivamente, vandalizam automóveis e núcleos do Sporting com alusões a very lights e adeptos mortos? Isto é para lá de vergonhoso. Como é possível pegar numa coisa tão boa como o futebol e transformá-lo em algo tão repulsivo? Aliás, vergonhoso não é sequer um termo adequado para descrever estes actos. Isto é um nojo. Infelizmente, não é de hoje.
Muitos adeptos do Sporting e do FC Porto reagiram ao meu texto anterior, dizendo que omiti comportamentos de adeptos do meu clube. Não sinto que o tenha feito, mas também não acho que tenha sido suficientemente claro perante um tema que não deve ter zonas cinzentas. Por isso aproveito esta infeliz oportunidade para dizer da forma mais clara que posso: a direcção do Sport Lisboa e Benfica deveria reagir publicamente, repudiando e colaborando com as autoridades (se ainda não o fez) em tudo o que ajudar a identificar os autores destes crimes.
O acto de vandalismo ocorrido ontem pode parecer um episódio isolado, mas infelizmente não é. São coisas que acontecem de forma recorrente. Não consigo conceber que o very light ou a morte de um adepto junto ao estádio da Luz devam sequer ser discutidos, mas esta espécie de celebração recorrente também não pode ser relativizada. Este tipo de postura deve envergonhar a instituição. Não podendo substituir as autoridades, a direcção pode ainda assim pugnar pela cultura desportiva nos espaços que pertencem ao clube. Deveria identificar estes adeptos e impedi-los de voltar a entrar em recintos desportivos. É o mínimo. A maioria de benfiquistas que se revê numa postura civilizada assim merece. Se pensarmos de outra forma e estes episódios continuarem a acontecer, um dia não haverá moral clubística que sobreviva à forma de estar de alguns."

Ameaças ocas...!!!

"A mesma ladainha desesperada do hacker. Está à vista de toda a gente que o plano correu mal. A prova também, a fazer fé no conteúdo desta notícia. Os prevaricadores poderiam ter refutado a prevaricação, negado a sua existência, justificado legalmente o que fizeram. Parece que indicaram um estatuto de jornalista, prontamente contrariado pelo respectivo sindicato e uma estratégia inovadora implementada à revelia dos patrões! Ridículo!
Não sendo possível, recorrem a novas ameaças, prática endógena, desta vez com o impacto de uma hipotética decisão condenatória nas contas públicas! Notável!
O Tribunal Europeu dos Direitos do Homem existe para assegurar a intangibilidade de um núcleo de direitos que cada pessoa deve ter, independentemente do local em que se encontra. Entre esses direitos estão a reserva da privacidade e a dignidade de cada um que deve ficar imune à raiva alheia. Esse Tribunal não está lá para ser alvo de manipulações mediáticas. Nem é uma estação de tratamento de radicalismos.
Estivessem realmente preocupados em informar teriam mantido a divulgação dos emails, mesmo os truncados, que foi vedada por uma decisão cautelar. Depois enfrentariam as consequências escudados na fé inabalável no recurso para esse tribunal.
Não fizeram nada disso porque a informação nunca foi o motivo, apenas o pretexto. Espero que sejam exemplarmente condenados para que percam a mania que podem competir à margem da lei."

O VAR vai matar o futebol

"Fui sempre contra o uso das novas tecnologias no futebol. Uma coisa são os jogos a sério, com pessoas de carne e osso; outra, diferente, são os jogos de computador. Misturar as duas coisas só podia dar asneira.A realidade está à vista. Nunca houve tanta suspeição no futebol como há hoje. E, para agravar as coisas, o espectáculo perdeu espontaneidade.Comecemos pela suspeição. Antes, discutiam-se os erros dos árbitros, mas poucos se atreviam a dizer que eram intencionais. Hoje, quando há um erro, a suspeita é imediata: se o VAR pôde ver as imagens várias vezes e errou, é porque quis errar. Os erros deixaram de ter desculpa. E neste campeonato já houve erros que decidiram jogos – e podem decidir o título. Ora, quando assim acontece, a suspeição está colocada ao mais alto nível.
Levanto uma questão pouco abordada. Hoje, quando há um golo, a jogada tem de ser toda revista pelo VAR. Ora, se houver intenção de beneficiar (ou prejudicar) um clube, torna-se fácil: como ao longo de uma jogada há quase sempre lances duvidosos, basta assinalar uma falta qualquer à equipa que marcou o golo para este ser anulado.Antes, era muito mais difícil. Só estava em causa a parte final do lance: se havia fora de jogo ou falta do marcador do golo. Hoje as hipóteses de invalidar um golo são inúmeras.
Vamos agora à perda de espontaneidade.Os golos eram – e são – os momentos mágicos do futebol. Aqueles em que o estádio explode de entusiasmo ou mergulha na tristeza. Mas agora as emoções são mitigadas pela dúvida: o VAR vai validar ou não o golo? Os adeptos controlam-se. Não explodem de alegria nem mergulham logo no desespero: esperam pelo VAR. E este compasso de espera é fatal. Matou a magia do golo.Recentemente, numa eliminatória da Champions, a segundos do apito final e depois de um jogo avassalador, cheio de emoções, o Manchester City marcou um golo que lhe daria a passagem na eliminatória. Uns festejaram, outros desesperaram – até porque na jogada não se divisava nada de irregular. Mas o VAR foi descobrir um fora de jogo de 5 cm, sem qualquer influência na jogada, mas que levou à anulação do golo e à eliminação do City.Daqui em diante, nos jogos do Manchester City, nenhum adepto – lembrando-se daquele momento -- voltará a festejar um golo de modo espontâneo.
Tudo isto – a desconfiança em relação aos resultados dos jogos e até dos campeonatos, o fim da espontaneidade nos festejos dos golos – terá consequências devastadoras no futebol. Até porque o VAR tenderá sempre a ir mais longe, a querer intervir mais no jogo, a querer decidir em caso de cartões amarelos e faltas perigosas – com pausas cada vez maiores na partida. O futebol tinha a vantagem de ser um jogo muito simples. Ao complicarem-no, com a introdução de quartos árbitros, de árbitros de baliza, de VARs, de protocolos, vão acabar por matá-lo."

O melhor jogador do mundo são dois

"Os dois golos que Messi marcou ao Liverpool relançaram a discussão sobre o título de melhor jogador do mundo. Acontece sazonalmente. Em Março, por exemplo, os três golos com que Ronaldo eliminou o Atlético de Madrid depois de uma derrota da Juventus no jogo da primeira mão tiveram o mesmo efeito. Há mais de uma década que é assim, o que diz tudo sobre o privilégio que foi partilhar os últimos 15 anos com dois dos mais brilhantes jogadores de todos os tempos e o disparate que é cair na tentação de escolher entre um e o outro. Provavelmente, Ronaldo foi o melhor jogador do mundo em Março, Messi é o melhor jogador do mundo em Abril, e maio está agora a começar. Certo, pelo menos tão certo como qualquer prognóstico pode ser nesta altura, é que mais uma vez estarão os dois juntos a discutir a Bola de Ouro e o prémio The Best lá mais para o fim do ano, provavelmente acompanhados pelo outsider deste ano - todos os anos há uma variável onde eles são a constante.
Já adivinhar qual deles será o eleito desta vez é mais complicado. Messi ainda não eliminou o Liverpool e, se o conseguir, terá uma final da Champions para jogar. Seria interessante perceber, por exemplo, até que ponto este Barcelona é mais capaz de lidar com o vertiginoso futebol do Ajax do que foi a Juventus, mesmo considerando que a solidez da equipa de Valverde depende menos de Messi do que a Vecchia Signora dependia de Ronaldo.
Depois, o CR7 ainda tem a hipótese de ser o primeiro a vencer a Liga das Nações, que vai disputar em casa. Bem sabemos que os dois últimos "ensaios" da Selecção após o regresso do capitão não foram exactamente auspiciosos - dois empates com a Ucrânia e a Sérvia -, mas as provas a eliminar sempre foram o habitat natural de Ronaldo. Claro que para Portugal vencer a Liga das Nações, será preciso mudar algo na Selecção, desde logo na relação da equipa com o capitão.
Para cumprir todo o seu potencial, Portugal tem de aprender a jogar com Ronaldo e não exclusivamente para Ronaldo, tornando-se não apenas numa equipa mais imprevisível e por isso mais difícil de anular, mas numa que também impeça que os adversários se sintam à vontade para mobilizar todas as forças no sentido de bloquear apenas um jogador. Quem tem Bernardo Silva, João Félix, Rúben Neves ou Bruno Fernandes não se pode encolher até ficar do tamanho de um só jogador. Mesmo que seja o melhor do mundo, se não em maio, pelo menos em Junho."

Dos campos de futebol para o museu

"Quem costuma visitar o Museu de Serralves já reparou nele, seguramente. Figura afável, de sorriso disponível, dentro da discrição da função. Há quem lhe chame o Obama do museu, pelas parecenças fisionómicas com o ex-presidente norte-americano e, arrisco, pela empatia que gera a quem o procura em busca de informações Manuel Penteado é um assistente de sala prestável e conhecedor.
Para a maioria dos milhares de visitantes que passam pelo museu de arte contemporânea será apenas isso. O simpático «Obama» de Serralves. Estudou para isso depois de uma carreira feita noutra profissão na qual foi artista, idolatrado (e vilipendiado) semana a semana na mais popular das expressões culturais, que é o futebol.
Para quem cresceu na década de 1980, ele era um dos heróis dos sonhos de criança, avançado-centro com o golo por missão. Uma das minhas primeiras memórias futebolísticas de infância teve-o como protagonista, em 1984, num dérbi com o Boavista, crucial para a manutenção do Salgueiros na primeira divisão. Penteado saltou mais alto do que o guarda-redes e marcou de cabeça o golo que salvou a equipa. Naquele domingo, ele foi o herói.
Jogou também no FC Porto de Pedroto e tornou-se ídolo no Leixões, ao longo de uma carreira que terminou muitos anos depois, no anonimato das divisões inferiores. Tentou ainda a sorte como treinador, mas a instabilidade de uma vida de promessas por pagar levou-o a procurar outros ares. A reinventar-se. Fê-lo em Serralves, onde está há 15 anos (tem agora 60) capaz de distribuir conhecimento e simpatia por quem o procura."

Enfim, manutenção garantida!

"Derrota com o Tondela a fechar o ano de 2018. Derrota com o Sp. Braga a abrir 2019. “A caminho da 2ª liga” - diziam alguns madeirenses. “Têm tanta inveja nossa que também querem ser campeões da 2ª liga” – troçavam outros. A esses, recordo e enfatizo: na próxima época o maior das ilhas terá a sua 35º participação consecutiva no principal escalão do campeonato português. Trigésima quinta. Vitória com o Tondela a fechar o mês de Abril.
Vitória com o Sp. Braga a abrir maio. Manutenção garantida, sofrimento terminado! 2018/2019 será uma época para esquecer, mas também para recordar. Terá de ser feito um balanço sério de tudo o que se passou nesta temporada para que não se voltem a repetir os mesmos erros, nomeadamente na sua planificação. Infelizmente será cada vez mais complicado voltar a ter um Marítimo que lute pelo acesso às competições europeias: o dinheiro não abunda no clube insular, ao contrário de outros que têm pessoas prontas a investir no seu crescimento. Daí ser fundamental ter uma preparação criteriosa, cirúrgica e acertada do plantel (e do treinador...), e evitar experiências que possam comprometer uma época tranquila. Nos últimos anos, no mercado de inverno, chegaram jogadores como Correa, Joel, Rene, Getterson e Grolli – todos jogadores com um nível muito aceitável e que acrescentam qualidade. Porque é que em Julho chegam sempre jogadores com qualidade duvidosa?
Apesar de já muito ter sido referido em relação ao Marítimo deste ano, em jeito de balanço final, deixo algumas notas:
Responsáveis pela má época:
- Carlos Pereira: é inevitável associar o Presidente ao descalabro que foi esta temporada. Sendo o responsável máximo por todos os departamentos do clube, há que saber assumir os seus erros: escolha do treinador, escolha do plantel e, não menos importante, distanciamento do clube perante os seus adeptos.
- Cláudio Braga: treinador sem qualquer noção e conhecimento do futebol português, não teve capacidade para gerir o balneário, perdendo por completo a confiança dos jogadores e massa associativa. Saiu tarde.
- Jogadores: o Marítimo até tem jogadores de qualidade mas o ambiente entre jogadores não parece ter sido o melhor. Precisa-se de “limpeza” no balneário.
Responsáveis pela manutenção:
- Petit: apesar de não apresentar um futebol de qualidade, trouxe aquilo que a equipa necessitava: raça, querer e pontos. Soube dar um abanão no plantel ao fazer uma revolução no 11 no jogo contra o Belenenses SAD, fora de casa. Foi a mudança de chip que faltava e, a partir deste jogo, começou a (lenta) recuperação.
- Jogadores (a partir de determinada altura): souberam dar as mãos nas alturas de sufoco e pressão, remando para o mesmo lado. Honraram o emblema do clube e deram satisfações aos seus apoiantes.
- Adeptos: acredito que todos os maritimistas já foram questionados: “Porque é que és do Marítimo?” São épocas como esta que mostram o porquê de sermos diferentes e gostarmos de um clube “deste gabarito”: por mais que perca e por mais que jogue mal, aguardamos ansiosamente que chegue o dia de jogo para vibrarmos e sofrermos com a nossa equipa de coração. O apoio incansável em muito contribuiu para as últimas vitórias e para o regresso do Caldeirão."