Últimas indefectivações

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Tradicional entrevista de Ano Novo do Presidente:

"«Benfica liderou processo dos direitos televisivos»
(...)
- Quanto tempo demorou a negociação com a NOS?
- O tempo necessário a alcançarmos um bom acordo para todas as partes.

- 400 milhões foi um excelente negócio, principalmente para quem recebia 7,5 milhões há 3 anos. Depois segui-se o FC Porto com 457 milhões e o Sporting com 515. Quem fez afinal o melhor acordo?
- Tenho ouvido e lido muitas coisas nestes dias e o único que posso dizer-lhe é não se pode comparar o incomparável, o que é preciso é analisar a diferença dos contratos e activos que cada um deles abrange. É evidente que são três excelentes acordos, mas os contratos do FC Porto e do Sporting só foram possíveis porque o Benfica voltou a liderar o processo e demonstrou que os valores que eram pagos em Portugal pelos direitos televisivos eram inacreditavelmente baixos. Portanto, o Benfica só pode ter orgulho em ter criado a oportunidade para que outros clubes possam beneficiar da revolução que foi iniciada por nós. Tinha dito no dia da apresentação do nosso acordo com a NOS que todos os clubes iriam beneficiar. O tempo - e não foi preciso esperar muito - deu-me razão.

- Mas qual é o melhor acordo?
- O que lhe posso dizer é que o nosso é o que compromete o clube durante menos tempo e com menos activos. O nosso contrato é por 10 anos e os demais por 12 ou 13, em média. E o nosso contrato não incluiu patrocínios nem nas camisolas nem no estádio. A partir daqui, as contas são fáceis de fazer e cada um que tire as suas conclusões.

- E o Benfica tem uma cláusula de salvaguarda como também já foi noticiado?
- O Benfica tenta sempre minimizar as suas receitas, em qualquer contrato, com qualquer parceiro. Na eventualidade de um parceiro nosso poder estabelecer acordos similares aos nossos com alguns dos nosso concorrentes, é natural que a dimensão ímpar do Benfica tem de estar salvaguardada. Curiosamente, isso é feito por nós, mas também pelos nossos concorrentes que reconhecem a nossa grandeza, sem paralelo em Portugal.

- Mas o acordo com a NOS contempla essa salvaguarda?
- Obviamente. E por isso, em Janeiro estaremos de novo sentados à mesa com a NOS, algo que já está contemplado no nosso acordo.

- O presidente do Sporting diz que o acordo do Benfica é pior que o acordo do Porto e, por consequente, pior que o acordo do Sporting. Quer comentar?
- Continuo a ver o presidente do Sporting muito interessado em comentar assuntos dos outros clubes. Felizmente, o conhecimento que possui sobre esta matéria é igual ao que tem sobre a necessidade de se cumprirem contratos.

- Mas falar de 515 milhões é um valor que impressiona...
- E até poderiam estar a falar de 1000 milhões, bastava terem vendido tudo por mais 20 ou 30 anos.
O que é relevante e perceber, em cada ano, quanto é que os clubes vão receber nessas 3 componentes, direitos televisivos, canal do clube e publicidade nas camisolas e no estádio. Como já disse, as conclusões são fáceis.

- Considera então que contratos a 13 anos são demasiados longos e que isso não justifica que se olhe só para o valor absoluto?
- Não sou eu que digo. No dia 28 de Dezembro, alguém comentava no seu famoso Facebook que Porto e Benfica faziam mal em comprometer-se por um período tão alargado (10 ou 12 anos) e no dia seguinte assina um contrato por 13 anos? Ora aqui está um enorme exemplo de coerência, igual ao que dá quando defende a centralização e passado 3 semanas assina um contrato com compromissos até 2028.

- Se os jogos da equipa principal do Benfica em casa forem transmitidos na SportTV não é um recuo em relação ao que já disse sobre a Olivedesportos e Joaquim Oliveira?
- O Benfica vendeu os seus direitos televisivos à NOS e não a um intermediário. Portanto, a Olivedesportos não tem qualquer relação com o Benfica. Será a NOS a decidir onde irão passar os jogos. Qualquer que seja a decisão da NOS, temos a garantia de que os nossos jogos serão tratados com a máxima isenção e respeito, aliás como nos orgulhamos de fazer nas transmissões da BTV. Se voltarem à SportTV, não consideramos isso um problema. Ninguém melhor que a NOS para assumir um maior protagonismo na gestão da SportTV. O rigor e o profissionalismo da NOS são para nós uma garantia de isenção e qualidade.

- Porquê a NOS, não foram alvo de propostas de outros 'players'?
- Foi a NOS que nos apresentou a proposta mais estruturada e que nos dava mais garantias. Não apenas financeiras, mas também de qualidade de serviço. Recebemos demonstrações de interesse que não podem ser assumidas como propostas de outras empresas, nomeadamente de um operador de telecomunicações, de dois canais internacionais e de um fundo.

- Este acordo vai esvaziar muito da propostas de valor da BTV. Qual o futuro do canal do clube?
- A BTV vai continuar a ser propriedade do Benfica e continuará a ser um elemento de comunicação fundamental do clube com os seus sócios e adeptos. Vamos continuar a transmitir os jogos da formação, quer nas modalidades quer no futebol, vamos continuar a transmitir os jogos das modalidades e da equipa B. Vamos continuar a ter bons conteúdos. E vamos beneficiar do acesso aos jogos da equipa A em diferido. Resta afirmar que o arquivo dos jogos da equipa A é nosso e esperamos em breve poder também ter acesso ao arquivo dos jogos fora.

- Ao desinvestir na BTV, espera-se uma reestruturação da mesma? Um redimensionamento que poderá passar pela redução de pessoal?
- Isso não está em cima da mesa nesta altura, vamos encontrar soluções. Tenho 12 anos como presidente do Benfica e nunca houve despedimentos dentro da organização.

- Ao assinar um acordo com um horizonte temporal de 10 anos, não 'amarra' o futuro do Benfica?
- Entendemos que o momento actual é aquele em que os conteúdos, nomeadamente os desportivos, estão mais valorizados. E por isso, exigimos um compromisso de longa duração. Acho que a perspectiva tem de ser completamente diferente, este contrato, com esta duração, garante a sustentabilidade e o futuro do Benfica.

«No Benfica trabalhamos em equipa mas o responsável sou sempre eu»
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- Consumada a saída de Jorge Jesus, depois de seis anos, o que o fez optar por Rui Vitória para assumir uma tarefa que se sabia ser de grande exigência?
- Fi-lo pela razão mais simples, ficámos sem treinador. E, portanto, fomos à procura de um treinador com um perfil que nos garantisse empenho e qualidade no seu trabalho e que se identificou com o projecto. O Rui encaixa nesta casa, saiu, provou ter capacidade para assumir este desafio.

- Como avalia o trabalho de Rui Vitória no Benfica?
- Creio que independentemente dos reparos e das críticas de que tem sido alvo por parte de alguma imprensa, a avaliação tem de ser positiva. Apostou e ganhou jovens que hoje já não são promessas, mas certezas do Benfica, estamos nos oitavos de final da Champions, tem uma ligação a todos os escalões de formação que nenhum outro treinador anterior teve. Temos tido quatro a cinco jogadores portugueses em campo, algo que já não acontecia há muitos anos. É evidente que a nível exibicional temos sido irregulares, mas como tenho dito houve uma mudança muito grande de paradigma do futebol do Benfica e isso obriga-nos a ter de ser pacientes. Há sempre espaço para melhorias e o Rui é o primeiro a saber disso.

- Alguns resultados e exibições têm sido negativos. Como explica isso?
- E outros resultados e exibições são positivos, é o futebol. Há quem se agarre apenas ao que de negativo acontece. Nestes 15 anos sempre me agarrei ao que de positivo fomos fazendo dentro do clube e foi por isso que chegámos aqui. Há uma coisa de que tenho a certeza, temos de apoiar a equipa, principalmente nos momentos em que as coisas não estão a correr bem. Apoiar quando tudo sai bem é muito fácil, mas se assobiarmos quando as coisas estão a correr como os jogadores querem só estamos a contribuir para piorar a situação.

- Esperava estar a tenta distância de Sporting e FC Porto no final do ano?
- Acho que é uma distância recuperável, aliás lembro-me que ainda há pouco tempo perdemos dois campeonatos tendo chegado a ter oito e cinco pontos de avanço para o segundo classificado, portanto... Preferia estar mais perto e creio que poderíamos estar, mas além de culpas próprias também temos tido, em alguns momentos, a falta da estrelinha que tem acompanhado os nossos rivais. Mas é uma diferença recuperável.

- O discurso de Rui Vitória é quase sempre pouco incisivo. Têm essa noção?
- É um discurso de uma pessoa equilibrada. Os jornalistas querem sempre intervenções de combate que deem bons títulos e depois garantam a réplica do treinador B ou C. Acho que temos de defender o Benfica, mas isso não significa estar sempre em 'guerra' com tudo e todos.

- Todos os treinadores estão dependentes de resultados? Qual é a margem de manobra de Rui Vitória?
- Qual foi a margem de manobra do nosso último treinador? Como bem se lembra, foi muito grande. As pessoas é que às vezes tem tendência para esquecer. Creio que já tem a resposta.

- A confiança no trabalho dele é neste momento inabalável?
- Os resultados são sempre parte mais importante e mais visível do trabalho de qualquer treinador. Mas há uma parte que é invisível do público e dos jornalistas que é o trabalho diário no Seixal. Esse trabalho está a ser bem feito e é um trabalho que vai muito para lá da nossa equipa profissional. Ser paciente é uma virtude e se formos pacientes os resultados vão aparecer.

- Há mais de 60 anos que o Benfica não perdia três vezes com o Sporting na mesma época. O que tem a dizer sobre isso?
- As derrotas são sempre más, seja com quem for. Também tivemos durante alguns anos várias derrotas consecutivas com o FC Porto e isso não nos desviou das nossas ideias, nem nos fez retirar a confiança no nosso treinador. Gostava que não tivesse acontecido, mas se ganharmos o campeonato o que é que é mais relevante? As três derrotas ou o tri?

- Quando diz que esta é uma época de transição está a fazer um apelo à tolerância dos benfiquistas?
- Estou apenas a constatar uma realidade e o que disse há duas semanas continuar a valer. Temos de ser exigentes, mas ao mesmo tempo pacientes. Houve mudanças, há mais jovens na nossa equipa profissional, houve várias lesões... Portanto, temos de equilibrar a nossa exigência que tem de existir sempre, com alguma tolerância.

- Como avalia os últimos protestos de adeptos contra a equipa e o treinador?
- Temos de os encarar com normalidade. Quando os resultados não são aqueles que desejamos há sempre manifestações deste tipo, no Benfica ou em qualquer clube. Não podemos desvalorizar essas manifestações, mas quando estamos convictos do que estamos a fazer temos de dizer a todos os benfiquistas que os resultados vão aparecer. Também o disse há dois anos atrás quando houve mais manifestações e de uma escala bem maior contra o nosso antigo treinador...

- É inegável que o Seixal está a produzir futebolistas de muito boa qualidade. Mas não estão a faltar ao Benfica alguns jogadores mais experientes que enquadrem devidamente esse talento?
- Quando temos jogadores como Luisão, Jonas, Júlio César, Fejsa, Samaris, Jardel e outros, não podemos dizer que faltam jogadores experientes. Eles estão cá e vão continuar a ajudar os mais novos a crescer. Não creio que haja qualquer problema desse ponto de vista.

- Reconheceu em entrevista a A BOLA que gostaria de ter dado mais um ou dois jogadores a Vitória. Vai fazê-lo em Janeiro?
- E também disse que preferia uma equipa comprometida do que uma equipa sem compromisso. Vamos ter jogadores importantes de regresso à equipa, casos de Gaitán, Nélson Semedo, Luisão e Salvio e esses serão os nossos melhores reforços. É verdade que a estes regressos podemos juntar mais um ou dois jogadores, mantendo a mesma filosofia: jogadores jovens que nos tragam soluções que não temos no Seixal.

- O espanhol Grimaldo já foi apresentado e é reforço, entretanto fala-se do argentino Leonardo Jara. É uma hipótese?
- O Jara nunca foi hipótese. Como sabem há sempre muitos nomes plantados na comunicação social quando as janelas de transferência estão para abrir. Muitos não fazem sentido e o Jara nunca foi hipótese.

- Confirma que Cervi vem já?
- Estamos a trabalhar nesse sentido. Gostaríamos de poder contar com ele já em Janeiro, mas não depende apenas de nós.

- Já recebeu alguma oferta ou já lhe perguntaram sobre a possibilidade de vender o Nélson Semedo, o Renato Sanches ou o Gonçalo Guedes?
- Não vou relevar nada em relação a isso, apenas que são três jogadores em quem nós acreditamos muito e que fazendo o trabalho que têm de fazer não vão faltar clubes interessados. Para já, o que nós queremos é que cresçam dentro do Benfica e nos ajudem a atingir os nossos objectivos.

- Algumas aquisições de Verão e outras anteriores - Taarabt, Carcela, Jiménez, Djuricic, Cristante - não se afirmaram. O que correu mal nesse processo?
- São casos diferentes e em relação a alguns deles não estou de acordo com a afirmação feita. Há jogadores que estão a ajudar a equipa, há outros em que há duas ou três opções para o mesmo lugar e aí nada a fazer e, finalmente, sim há um caso que claramente ficou abaixo do esperado. Infelizmente o futebol é isto, e os casos de jogadores que ficam abaixo das expectativas não é um exclusivo nosso, em todos os clubes do mundo há situações iguais.

- Quem é o responsável?
- O responsável sou sempre eu. Dentro do Benfica funcionamos em equipa, de forma colegial, mas o responsável sou sempre eu.

- Não é demasiado investir €9 milhões por 50 por cento do passe de Raúl Jiménez?
- Depende do seu desempenho desportivo e do valor pelo qual for vendido no futuro. Já houve vários casos em que me fizeram a mesma pergunta e quando o jogador foi vendido rendeu o triplo ou mais ao clube. Há, evidentemente, casos em que isso não acontece. Portanto, a resposta à sua pergunta só será conhecida quando o jogador sair do Benfica. Em todo o caso, tenho muitas esperanças no rendimento desportivo do Jiménez, que para o caso é o que neste momento interessa.

- A opção de compra de Mitroglou é obrigatória ou o Benfica só a acciona se quiser?
- É opcional. Não sei se a vamos exercer ou não, mas é justo reconhecer que o jogador está comprometido com o Benfica e que honra a camisola que veste.

- Eliseu acaba contrato no final da época. Vai renovar?
- É mais um tema que não se trata na praça pública. Falaremos com o jogador e com o seu representante.

- Quais são as dispensas no horizonte?
- A seu tempo saberão. É um tema que não se trata pelos jornais.

«Fomos à procura de treinador depois de sabermos da opção de Jorge Jesus»
(...)
- Está arrependido da saída de Jorge Jesus? Por outras palavras, por sua vontade Jorge Jesus ainda seria treinador do Benfica?
- A pergunta não faz sentido, a decisão foi dele. Mas é um tema que não vou voltar a alimentar. Jorge Jesus seguiu o seu caminho e fez a opção que entendeu fazer. Ponto final.

- De uma vez por todas, foi decisão sua ou foi decisão de Jorge Jesus?
- Acho que é um capítulo que devemos fechar. O tempo vai ser o melhor juiz do que se passou. Fomos à procura de um treinador depois de sabermos pela comunicação social da opção de Jorge Jesus. Só tive a confirmação já de madrugada e por sms. Nada mais a dizer sobre isso.

- Esperava tanta turbulência com a saída dele?
- É normal que assim seja. Seis anos não são seis dias.

- Ou a turbulência resulta de ele ter ido para o Sporting? Se tivesse ido para o estrangeiro não teria tanto impacto... É verdade, como tem sido dito, que sugeriu a Jorge Jesus continuar a carreira no estrangeiro?
- Não vou alimentar mais essa mentira. Já se disseram muitas coisas, a maioria delas distorcidas e desfocadas de forma intencional. Chegará o momento em que a história será contada na sua versão correcta.

- Quando se encontra socialmente com Jorge Jesus falam-se?
- Independentemente das opções que ele assumiu e da decisão do Benfica em avançar para tribunal na defesa dos direitos do clube, há um relacionamento de muitos anos e sempre que me cruzo com ele falamos. A defesa do Benfica enquanto clube não significa que tenha de me afastar das pessoas com quem sempre falei ao longo da vida.

- Até que ponto é possível separar o lado afectivo do 'business' puro e duro?
- É possível separar e no Benfica sabemos separar bem o negócio do lado afectivo. Já foi assim há três anos com o Joaquim Oliveira e podia dar muitos outros exemplos. E no caso do Jorge Jesus é exactamente a mesma situação.

- As acções judiciais contra Jesus era inevitáveis ou houve um sentimento de frustração que acabou por torná-las efectivas?
- Os tribunais têm uma função, existem para decidir quando há dois lados com posições diferentes. O departamento jurídico do Benfica entendeu que havia razões para avançar para tribunal. Quando são os interesses do clube a estar em causa, sou o primeiro a assumir a sua defesa. O clube está acima de tudo.

- Marco Silva também foi considerado depois do divórcio com Jesus?
- Como já lhe disse anteriormente, e sem falar deste ou daquele treinador, este capítulo está fechado. Depois da saída de Jorge Jesus, houve várias opções que foram consideradas, Rui Vitória reuniu consenso.

- Com José Mourinho livre há muitos benfiquistas a sonhar. Passou-lhe pela cabeça tentar contratá-lo?
- Não, conheço bem o José e sei que não vai voltar a Portugal tão cedo. É o melhor treinador português e um dos melhores do Mundo, e não vai ser pelo que sucedeu no Chelsea que o vai deixar de ser.

- Acredita que um dia ele voltará ao Benfica?
- O José já ganhou um estatuto que lhe permite fazer o que ele entender no seu futuro. Vai ser ele a decidir o que quer fazer daqui a seis ou oito anos.

GRAVES ACUSAÇÕES DE BRUNO CARVALHO
- O Sporting acusou o Benfica de factos graves, a propósito dos kits oferecidos a vários agentes do futebol. Enquanto Bruno de Carvalho for presidente, o Benfica não vai querer relações entre os clubes?
- O Sporting enquanto clube, enquanto instituição centenária merece-me todo o respeito, gostava que não ficasse nenhuma dúvida em relação a isso. Mas é evidente que o Sporting vai ter de responder pelos actos do seu actual presidente, pelas acusações repetidas que puseram em causa o bom e a reputação do Benfica. Creio que o Sporting vai ter de pagar pela irresponsabilidade de muitas das afirmações do seu presidente. O futebol beneficia com um clima de serenidade, a opção do presidente do Sporting foi a de afirmar-se pelo confronto, pela difamação. O Benfica não vai dar a outra face. Foi longe de mais, vamos ver os custos que vai ter para a instituição a que ele preside.

- O que espera das acções que o Benfica intentou contra o Sporting?
- Ainda não deram entrada, estão a ser finalizadas. Mas aquilo que espero é apenas a justa compensação pelos danos reputacionais que foram causados.

A POSIÇÃO FRÁGIL DE PEDRO PROENÇA
- Como viu o ataque do Sporting, através de Bruno Carvalho, à Liga e a Pedro Proença?
- Não me vou pronunciar, é algo que não me diz respeito. Apenas registo que o Sporting foi dos grandes apoiantes da candidatura do actual presidente da Liga. Não me parece, contudo, que seja apenas uma birra de amigos.

- Se Luís Duque, a quem foi tirado o tapete, continuasse a ser presidente da Liga haveria mais probabilidades de um acordo pró-centralização?
- Luís Duque teve, num mandato extremamente curto, um grande mérito, conseguiu pacificar a Liga e a partir daí, num clima de grande unidade entre os clubes, tomou-se a decisão de estudar de forma objectiva a centralização. Depois seguiu-se o que todos conhecemos, com uma candidatura que fracturou a Liga e a partir daí deixou de haver condições (foi a actual Direcção da Liga a reconhecê-lo) para a centralização.

- E entretanto Porto e o Sporting anunciaram já acordos até 2028...
- Isso revela que nem o Porto nem o Sporting acreditavam seriamente na promessa de centralização anunciada pelo actual presidente da Liga durante a sua campanha eleitoral. Como é evidente, as negociações com os clubes começaram muito antes do nosso anúncio e isso é revelador do descrédito que mereceram as propostas de centralização por parte do então candidato Pedro Proença.

O 'FANTASMA' DE LUÍS DUQUE
- Pedro Proença foi um erro de 'casting'?
- Não serei eu a dizer tal coisa. Mas creio que com Luís Duque a Liga viveria hoje uma outra situação. Seguramente melhor. Creio que muitos dos compromissos que serviram de base à eleição de Pedro Proença já não são atingíveis, e quando isso acontece é natural que o presidente da Liga equacione a sua continuidade.

- Defende a saída de Pedro Proença?
- Defendo que essa é uma hipótese que Pedro Proença devia considerar em função do que tem sido a sua liderança na Liga, dos resultados que não conseguiu alcançar e das diversas manifestações dos clubes que ele tão bem conhece, nomeadamente, mas não só, os clubes da Liga de Honra.

- Mas o Benfica era a favor da centralização...
- O Benfica era a favor de uma negociação, mas para que esse processo pudesse avançar era necessário que os clubes se entendessem sobre essa matéria, era necessário que a Liga (esta Liga) tivesse assumido o dossier como prioritário. Não aconteceu nem uma coisa nem outra. Por outro lado, numa negociação centralizada, é necessário que os clubes disponham dos seus direitos. Só o Benfica tinha liberdade para avançar antes de 2018.

COMO DEFENDER OS 'OUTROS' CLUBES
- Concorda com um imposto 'revolucionário', de que se tem falado, sobre os direitos do Benfica e dois outros contratos dos 'grandes' para ajudar os mais pequenos?
- Os clubes da Segunda Liga precisam que quem lhes prometeu 500 mil euros de apoio (por clube= mostre os patrocínios que captou ou pensa captar para os ajudar. O Benfica está, como sempre esteve, disponível para ajudar o futebol português, nomeadamente os clubes de menor dimensão. Esperamos que os outros clubes, nomeadamente os chamados grandes também o façam. É que se falamos em compromissos com o futebol português, convém recordar que o Benfica foi o único clube a perder receitas para ajudar a Liga, foi o único clube a ajudar financeiramente a Liga para que o futebol não parasse em Portugal, e, em conjunto com o Rio Ave, é o único clube que é credor da Liga...

- Os clubes conseguem ver para além do benefício imediato e do pequeno favor?
- Os clubes devem ver em função dos projectos que lhes são apresentados. Gostava de voltar a ver todos os clubes a pensar e a agir em benefício do futebol português, isso perdeu-se nos últimos tempos e todos nós fomos prejudicados com isso, principalmente os clubes mais pequenos. Devemos focar-nos no essencial e infelizmente há muitos que só pensam em função de colocar pessoas no sítio A ou B. Isso tem de acabar. Nas últimas eleições isso foi notório.

- As equipas B são um sucesso mas a II Liga é um elefante branco económico. Por este caminho podemos concluir que tem os dias contados, neste formato?
- Só tem os dias contados se o presidente da Liga não encontrar a solução prometida.

«Há dois anos que o Benfica não vai buscar um tostão à banca»
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- Muito se tem falado e versões divergentes todos os dias na opinião pública. Afinal qual é o activo e o passivo consolidado do Benfica, SAD?
- De acordo com as últimas contas apresentadas na CMVM referentes ao 1.º trimestre, o valor do activo é de 445,6 milhões de euros. O capital próprio ascende a 13,4 milhões de euros, continuando a sua tendência de recuperação sustentada iniciada nos últimos exercícios.

- Como se decompõe o passivo consolidado da Benfica, SAD?
- A dívida bancária ascende a 309,6 milhões de euros, sendo o passivo exigível de 80,3 milhões de euros e o passivo não exigível de 42,3 milhões de euros.

- Quais são os encargos bancários do passivo consolidado da Benfica, SAD?
- Considerando a estrutura e maturidade da nossa dívida bancária, os encargos financeiros líquidos ascendem a aproximadamente 17 milhões de euros, mas perspectivamos uma redução significativa deste valor nos próximos exercícios.

- Quanto vai ser gasto, da verba da NOS, na redução do passivo?
- Vou responder-lhe de outra forma: à medida que se forem vencendo as responsabilidades que o Benfica tem com o sistema financeiro, vamos liquidá-las.

- Essa é um decisão realmente irrevogável?
- Já o disse em diversas ocasiões, o grosso deste contrato será para libertar o Benfica do seu passivo. Há muitos anos que ouço muita gente a falar do passivo do Benfica, que era insustentável, que era ingerivel. Há dois anos que o Benfica não vai à banca buscar um tostão, há dois anos que vivemos das nossas receitas e ainda assim conseguimos amortizar passivo. Nunca atiramos responsabilidades para cinco ou dez anos à frente, nunca beneficiámos de uma taxa de juro de zero por cento, nunca incumprimos com nenhumas das nossas obrigações.

- Mas ao fazer essa referência, está a visar o Sporting?
- As notícias que foram publicadas recentemente e que dão conta de um novo acordo entre o Sporting e a banca deixam-nos apreensivos. Mas é um assunto que não deve ser tratado na comunicação social.

- Acha que o Sporting está a beneficiar de condições que o Benfica não tem?
- Percebo a pergunta, mas repito são assuntos que não devem ser tratados na comunicação social.

- Sugeriu que a expansão da marca Benfica. Pode esclarecer os benfiquistas o que está a ser feito nesse sentido?
- Noventa por cento das nossas propostas comerciais, quer seja a nível de marca quer a nível de patrocínios ou de abertura de academias são feitas para o estrangeiro. Mas não gosto de dizer que vai acontecer isso ou aquilo, gosto de anunciar quando há algo concreto para anunciar. Há uma garantia que tenho, estamos a trabalhar em várias frentes no sentido de manter o crescimento do Benfica enquanto bandeira de referência no estrangeiro e o melhor que podemos fazer para expandir a marca é fazer bem o nosso trabalho. Receber, no Dubai, o prémio de melhor academia do mundo é expandir a marca, ser referenciado a nível internacional por ter o simulador mais avançado do mundo é expandir a marca. É por aí que temos de ir.

- Falou do prémio dos Globe Soccer Awards que distinguiu o Caixa Futebol Campus como a melhor academia do mundo. É um prémio que reconhece a aposta no Seixal?
- Sem duvida, mas acima de tudo é um prémio que distingue tudo aquilo que tenho ouvido fora de Portugal em relação à formação do Benfica, não apenas em relação ao talento dos nossos jovens, mas em relação às condições de trabalho, à qualidade dos nossos treinadores, aos métodos inovadores que temos implementado. O prémio é evidente que é algo que me enche de orgulho, mas os testemunhos de responsáveis internacionais, com peso no futebol mundial, que tenho ouvido durante o último ano, representam igualmente um prémio em relação à aposta que temos feito.

- Merece-lhe algum comentário a ironia do presidente do Sporting que disse em relação a este prémio, que os benfiquistas eram bons a teclar e a telefonar?
- Nenhum comentário. Quando entramos em estado de negação é algo preocupante, mas não é um problema nosso. O que eu posso dizer é que o Benfica é bom a cumprir rigorosamente os seus compromissos. Há quem não possa dizer o mesmo!

- Qual será o próximo grande negócio?
- Não gosto de por as coisas dessa forma. Para nós, todas as parcerias são 'grandes' se elas resultarem em proveito para todas as partes. Não apenas o volume de negócio que interessa, interessa sim é que todos os parceiros que trabalham connosco tirem dividendos dessa parceira, porque só dessa forma vamos poder atrair novos parceiros. O último contrato assinado, como foi público, foi com a Repsol.

- 'Naming' do estádio?
- Ao contrário do que se chegou a noticiar não há nada fechado. Talvez seja o projecto ou o patrocínio mais difícil do ponto de vista da venda, porque é um valor elevado e não tem a facilidade de retorno que tem por exemplo quem investe nas camisolas. Continuamos com propostas que a médio prazo podemos fechar este processo.

- Quando vale o nome do Estádio da Luz por ano?
- Pode valer o mesmo que o patrocínio das nossas camisolas.

UM JANTAR QUE JUNTOU DIRIGENTES DE SEMPRE
- Juntou dirigentes que serviram o Benfica ao longo dos últimos 30 anos. Que mensagem pretendeu fazer passar?
- Uma mensagem de unidade. Acho que todos os dirigentes que por aqui passaram deram o seu melhor, independentemente das decisões que assumiram e das consequências que algumas delas tiveram para o clube. A história do Benfica não se faz na censura ou na denúncia daqueles que serviram o Benfica fez-se de união e essa foi a mensagem que quis deixar. Todos fomos importantes, todos somos necessários. O resultado está hoje à vista, um clube forte, reconhecido internacionalmente, inovador e unido em torno dos seus principais objectivos.

- No Sporting, a actual direcção pôs processos judiciais contra ex-presidentes. Esse jantar foi um recado para a Alvalade?
- Nada disso, cada um assume as suas responsabilidades e a forma como entende que deve liderar. Aqui agimos em função das nossas convicções, não para mandar recados à direita ou à esquerda, e foi isso que fiz. Todos erramos, porque como já tive oportunidade de dizer só não erra quem não decide.

«Só quero que os árbitros façam bem o seu trabalho»
(...)
- Foi muito crítico em relação a arbitragem depois do jogo com o Rio Ave...
- Era difícil não ser depois de ficarem três penalties por marcar. Distancei-me de muitas afirmações que foram feitas durante estes meses, evitei sempre via a público falar de arbitragem, mas é evidente que depois de assistir ao que assisti nesse jogo era difícil manter a serenidade. Não digo que os erros sejam propositados, não digo que haja intenção, mas há limites. E é evidente que os erros tem uma relação directa com a campanha de coação a que os árbitros têm sido sujeitos. Espero que esse clima desapareça e que os árbitros possam ter a tranquilidade que lhes tem faltado.

- O Benfica tem sido o mais prejudicado?
- Não tenho dúvidas e vocês podem fazer essa contabilidade com alguma facilidade. entre golos mal anulados e penalties por assinalar, erros com influência directa nos resultados, temos sido os mais prejudicados. Mas, repito, não quero entrar por aí, temos de preocupar-nos em melhorar o que é da nossa responsabilidade. Quanto aos árbitros apenas queremos que façam bem o seu trabalho.

«Continuo a ter condições e projectos para manter o crescimento do Benfica»
(...)
- Já decidiu se vai recandidatar-se às eleições de Outubro de 2016?
- A seu tempo tomarei a decisão. Há, nesta altura, muitas outras preocupações. Falta praticamente uma no, chegará o momento de falarmos sobre isso, para já é muito cedo.

- Partindo do principio que o passivo fica saneado com dinheiro da NOS, o que fica por fazer?
- Há sempre novas coisas para fazer. No Benfica o trabalho nunca se completa. Se fizerem uma viagem no tempo e conseguirem visualizar o que era o clube em 2000 e tudo o que foi feito durante estes 15 anos, vão perceber não apenas a mudança gigantesca que o Benfica sofreu, mas vão perceber que por cada objectivo alcançado, lançávamos imediatamente novos objectivos para o futuro. Isso vai continuar a acontecer. Mas há uma coisa que posso garantir: o trabalho que já fizemos é uma certeza e uma evidência de consolidação a todos os níveis.

- O Benfica precisa de se focar num futuro próximo, essencialmente na política desportiva?
- E vai fazê-lo, mas vai fazê-lo dentro da lógica proposta este ano, apostar no Seixal como centro gerador de valor para o Benfica. E apostar no Seixal não significa ser menos ambicioso, significa apenas que podemos chegar aos mesmos objectivos por meios diferentes.

- Em 15 anos de Benfica o que mudou na sua vida?
- Mudou muita coisa, isso é uma evidência, mas não me queixo. Foi isto que decidi fazer e faço-o com gosto e com paixão. Nos primeiros anos havia muita ansiedade, muita incerteza e poucos ou nenhuns recursos. Felizmente, o cenário mudou, mas mudou porque fizemos o nosso trabalho e fizemo-lo bem!

- Ao fim destes anos todos, vê-se fora da pele de presidente do Benfica ou esse cenário parece-lhe estranho?
- Vejo esse cenário com naturalidade. Vejo-me a brincar com os meus netos. Sinto que continuo a ter condições e projectos para fazer continuar a crescer o clube, quando isso não acontecer serei o primeiro a dizer que é tempo de parar.

- Que balanço faz do ano de 2015 para o Benfica?
- Só posso fazer um balanço muito positivo, não apenas pelo bicampeonato, mas por todas as outras conquistas no futebol, nas modalidades, na formação, pelo reconhecimento internacional de que cada vez mais o Benfica é alvo, pelo crescimento visível dos jovens do Caixa Futebol Campus, sem esquecer a valorização recorde dos nossos direitos televisivos.

- Quem mensagem deixaria aos benfiquistas para 2016?
- Uma mensagem de optimismo. Basta pensar qual foi o nosso ponto de partida e onde nos encontramos hoje. Ninguém constrói nada sozinho, muito menos num clube com a dimensão do Benfica. Se conseguirmos chegar aqui foi porque houve união entre os benfiquistas, foi porque todos nos ajudaram a chegar aqui. Continuem a ser como são. Exigentes, evidentemente, mas também pacientes e sempre presentes quando em algum momento as coisas não estiveram a sair bem. Todos têm de perceber que os primeiros que desejam que as coisas corram bem são os jogadores em campo. É essa mensagem que quero deixar, uma mensagem de optimismo, exigência e de união entre todos."

Entrevista de Luís Filipe Vieira, por José Manuel Delgado, in A Bola

NOS fizemos o melhor negócio

"Mal foi anunciado o acordo FCP/Altice, perguntei a uns amigos se estariam na disposição de apostarem comigo em como logo haveria quem criticasse o negócio Benfica/NOS. Nenhum deles aceitou o desafio que lhes lancei. Todos sabemos que há quem sempre tente encontrar fantasmas e pretenda, mesmo que inadvertidamente, mas por vezes com recurso à deturpação de factos, ser arauto da desgraça para, mesmo enganando-se recorrentemente, poder dizer que bem avisou nas raras ocasiões em que os seus prognósticos se revelaram acertados. Contudo, contrariamente ao que é norma, desta vez a generalidade da comunicação social foi um pouco mais além da transcrição do conteúdo dos comunicados dos clubes. É por demasiado evidente que o "maior negócio da história do futebol português" (FCP/Altice) está longe de ser o melhor (SLB/NOS). Esta novidade (infelizmente trata-se, realmente, de uma novidade), apaziguou os ânimos dos Benfiquistas menos informados e, por isso, menos imunes a "soundbytes", deixando os tais arautos da desgraça (e detractores militantes) abandonados à sua insignificância, no que à evangelização das suas angústias e motivações diz respeito.
Tal não significa que nos devamos tornar acríticos, meros seguidores do que nos é apresentado e apoiantes incondicionais de todas as medidas. Pelo contrário, é dever dos Benfiquistas informarem-se, questionarem e apresentarem soluções alternativas aos problemas e desafios com que o Benfica se depara diariamente. Seremos, estou convicto, um clube mais forte, quantos mais e melhores forem os contributos para o desenvolvimento do nosso Benfica. Nestes não constarão certamente os que não passam de ruído."

João Tomaz, in O Benfica

Um ano vermelho

"Gosto de me considerar um optimista e, a cada novo ano que começa, faço questão de renovar essa faceta. Quando chega o momento de pedir desejos ou criar resoluções para os novos 365 dias (366 neste caso), há sempre uma fatia considerável do pedido que vai para o SL Benfica.
Basta-me pedir que se mantenha igual à sua história: campeão, digno, melhor em campo e fora dele, maior do que os críticos, superior aos adversários, vasto, universal, honesto e único. É assim que desejo ver o meu clube a cada passagem de ano, recordando sempre as idas ao Marquês e as festas que se fazem em todos os continentes, em cada terra onde haja um homem ou uma mulher com o coração vermelho. É desta forma que estou a entrar em 2016 - com garra.
Olho à minha volta e espanto-me com a utopia recreativa no Lumiar ou com a caducidade que cada vez mais se sente na torre de marfim do Norte. E depois olho para o meu umbigo e percebo que estamos tantos degraus acima que até faz confusão. Nem vale a pena falar de estádio, pavilhões, centro de formação, estação de televisão, marketing, parcerias ou patrocínios, é tudo demasiado óbvio - somos melhores. E se isso ainda não se traduz na liderança da tabela classificativa, é só uma questão de tempo. Aquilo que temos alcançado, enquanto clube, no Basquetebol, Voleibol, Hóquei em Patins, Atletismo ou Futsal vai acontecer no Futebol. Temos tudo para que tal suceda. É certo que não temos tido os favores, os fechares de olhos ou todos os castigos máximos que devíamos, mas é isso que me dá ainda mais força para acreditar. 2016 vai ser novamente o nosso ano. E vai saber ainda melhor."

Ricardo Santos, in O Benfica

2015, um ano de glórias

"O ano que termina ficou repleto de sucessos para o nosso Glorioso Clube.
Em 2015, fomos Bicampeões Nacionais de Futebol, algo que não sucedia desde 1984. Vencemos também, e uma vez mais, a Taça da Liga (a sexta, nas últimas oito edições). Já nesta nova temporada, conseguimos um brilhante apuramento para os oitavos-de-final da Champions League, e mantemo-nos vivos na corrida ao Tricampeonato. Assistimos ainda ao nascimento de novos futebolistas ao mais alto nível, provenientes da escola do Seixal.
Na componente extradesportiva, há que salientar os negócios de milhões celebrados, quer com a Fly Emirates, quer com a NOS, que tanta inveja causaram junto dos nossos principais rivais, e que tão grande importância têm no reforço dos alicerces económico-financeiros do Clube, a curto, médio e longo prazo. Nas modalidades, o ano Benfiquista foi espantoso. Porventura, o melhor de sempre.
Estou em crer que nunca, em 111 anos de história, o Benfica se havia sagrado Campeão Nacional de tantas modalidades, nem erguido tão elevado número de troféus, numa mesma temporada. Se evidências faltassem, ficou cabalmente demonstrado quem é, de facto, e de longe, a maior potência desportiva do país. Para além do Futebol, fomos Campeões de Hóquei em Patins, Basquetebol, Voleibol, Futsal e Atletismo, títulos aos quais há que juntar diversas Taças de Portugal, Supertaças e outras competições oficiais. Como se tal não bastasse, o sector feminino, através do Hóquei, deu-nos ainda, entre outros, um inédito título europeu. Em suma, ganhámos praticamente tudo.
Que venha 2016. E possa ser, pelo menos parecido."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Que seja, pelo menos, parecido com o ano anterior... em tons vermelhos!!!


Luís Tadeu: o presidente que nunca foi... presidente do Benfica

"Pese embora tudo o que leio, tudo o que vejo e tudo o que ouço, acredito que o TRI tem todas as possibilidades para estar mesmo a caminho.

Nesta época natalícia, em que as consoadas amenizam e nos distraem das emoções fortes do futebol, fazendo parecer que os jogos a doer ainda estão muito distantes (quando faltam, apenas, 2 dias para isto continuar a levar uma grande volta), é tempo de fazer justiça a alguém que, num momento menos feliz, os sócios do BENFICA preteriram... a favor de outro candidato.
Embora tenha a honra de ser seu amigo, desde então, revi Luís Tadeu, no jantar de Natal dos órgãos sociais do Sport Lisboa e Benfica, para o qual Luís Filipe Vieira convidou muitos dos que serviram o Clube, como foi o caso do Professor, como ex-Vice Presidente-Adjunto para a área da gestão.

A conversa
CORRIA a época de 1996/97 e cruzava-me com Luís Tadeu, no camarote presidencial do antigo Estádio da Luz, para onde éramos convidados, os dois, para assistir aos jogos do BENFICA.
Tínhamos, como ainda hoje temos, os nossos lugares cativos, mas a simpatia da Direcção levava-nos onde nos iríamos conhecer.
Num desses dias, fui surpreendido pelo desafio de passar uma tarde lá pelo seu escritório, para me explicar qual o projecto que achava que devia ser concretizado no BENFICA.
Foi assim que, a 30 Abril de 1997, passei algumas das horas mais interessantes da minha vida a falar do BENFICA, enquanto ouvia e me fascinava com o projecto que Luís Tadeu tinha para o Clube.
Estava lá tudo o que tinha pensado.
Mas estava lá muito mais, que havia sido pensado por ele.
Depois de mais de duas horas a ouvir falar sobre um BENFICA com um grande futuro - lembro-me como se fosse hoje - lancei-lhe o desafio: «Mas tem consciência que só você poderá concretizar este conjunto de ideias? E, sabendo disso, será candidato nas próximas eleições, ocorram elas quando ocorrerem?»
À primeira das perguntas respondeu que sim, tinha consciência que seria um dos... E à segunda disse-me que teria sempre que avaliar o que estaria em causa...
Cedo percebi, como todos, que o momento de Luís Tadeu se aproximava a um ritmo vertiginoso.
Saímos dali para o Estádio da Luz para vermos as meias-finais da Taça de Portugal, frente ao Porto, em que o BENFICA venceu por 2-0.

A decisão
NO início da época seguinte, 1997/98, quando o campeonato parecia fácil, pelo calendário que teríamos, o que receávamos - depois do desfecho menos favorável da temporada anterior - aconteceu...
Com resultados cada vez menos vantajosos e com as consequências no Clube que também deles advieram, Manuel Damásio recusou continuar e convocou eleições para os órgãos sociais do BENFICA. Seriam a 31 de Outubro e durante alguns dias esperei com impaciência a decisão que Luís Tadeu iria tomar. Não porque pensasse em poder, sequer, ser convidado para alguma coisa, mas porque, do que ouvira, do que lera, do que analisara, a eleição de Luís Tadeu seria uma grande mais-valia para o BENFICA.

O convite
LUÍS TADEU, decidiu, naturalmente, ser candidato. Recebi a notícia, através de um telefonema de Susete Abreu. Que me disse, ainda, numa nota de fim de conversa, que o Professor quereria falar comigo.
O que aconteceu, passados, dois dias, para me dizer que, face ao meu desafio, queria contar comigo, na lista. Mas o convite não era para um lugar qualquer. Seria para Vice-Presidente para o Futebol. Ou seja, para o ajudar a ele, no que soubesse e pudesse, em conjunto com todos os que depois fizemos parte dessa Lista, a concretizar todo o projecto, capaz de fazer o Benfica crescer para o nível dos melhores da Europa. 

O programa
O programa de Luís Tadeu era esse mesmo. Academia, formação, modelo de jogo, integração e responsabilização vertical de toda a estrutura profissional do BENFICA... muito do que é hoje, no Seixal, o filosofiado Caixa Futebol Campus... com 15 anos de avanço.
Foi isso que Luís Tadeu prometeu. Como foi com esse projecto, com essa liderança, com essas ideias, com essa pessoa, que todos, sem excepção, nos comprometemos. Com o orgulho de quem pensava estar um bom par de anos à frente, em relação ao que se fazia em Portugal, e a acompanhar o que se fazia em alguns clubes da Europa (v.g., Ajax e Barcelona).

A campanha
A campanha correu como nunca esperei. Com a conivência de tantos em relação ao que sabia poder acontecer. Ou melhor, com o que era inevitável vir a acontecer. De tudo e para tudo fomos alertando. Mas a onda mediática queria que alguém que desse mais primeiras páginas fosse eleito. A tudo fui assistindo, boquiaberto perante tanta pressão de quem deveria ser imparcial, levando os sócios do BENFICA a votar como votaram. Para além da conivência de outros, com grandes responsabilidades na eleição de quem nunca deveria ter sido Presidente do BENFICA. Mas isso... são contas de outro rosário... para contar noutra altura, onde tais revelações ou recordações sejam mais aconselháveis (e úteis).
Ou seja, entre um projecto e uma aventura, os sócios do BENFICA, livres como sempre, não escolheram o melhor caminho. Eu sei que hoje não se encontra quase ninguém que assuma ter votado por essa solução, tanta é a vergonha de a terem viabilizado. Mas lá que votaram... votaram!

A (não) eleição
NO dia da eleição, aconteceu de tudo. Até o que não devia acontecer, com quem não devia acontecer. Outras contas de outro rosário... também para contar noutra altura, onde tais revelações ou recordações sejam mais aconselháveis (e úteis).
E Luís Tadeu - que deveria, por todas as razões, ter sido eleito Presidente do Sport Lisboa e Benfica - acabou por perder, perdendo, com ele, o Benfica, muitos anos. Que não demoraram apenas três anos a recuperar desse mandato de... muito infeliz e de menor lucidez - para sermos simpáticos com os que lá estiveram e com os que neles votaram.

O benfiquismo
NUNCA, em toda a minha vida eleitoral - e muitos são os actos a que concorri, muitos mesmo - me custou tanto perder uma eleição; Pelo que sabia que isso iria significar. Pelos danos que iria causar no clube. Porque, se ninguém foge da sua sombra, não seria possível ao Presidente eleito ser diferente do que tinha sido até ali, em tudo o que o conhecia.
E estava tão à vontade que também ele me tinha convidado para ser Vice-Presidente, na lista dele (na presença de um amigo comum, Manuel Menezes Morais, em conversa que transmiti a Luís Tadeu), convite que, obviamente, recusei, por prever (quase saber) o que iria acontecer.
Mas nunca ouvi de Luís Tadeu um reparo a quem, sendo soberano - os sócios - votaram por tudo aquilo que ninguém queria, incluindo, se soubessem, os que tinham votado na solução vencedora. Convivendo com a injustiça democrática com a maior disponibilidade para ajudar... o BENFICA.
Como há alguns Filhos de Reis e Pais de Reis que nunca reinaram, também aqui diria que a história, no BENFICA, cometeu um dos seus maiores erros eleitorais dentro de um clube.
Respeitamos a democracia e a maioria em cada momento, mas isso não nos impedirá de dizer que o facto de Luís Tadeu não ter sido eleito Presidente do Sport Lisboa e Benfica foi dos maiores prejuízos que nos infligimos a nós próprios.
Para que haja memória e para que fique feito o desagravo (por mim, em público, que o devia a mim mesmo, em privado).

2016
VOLTANDO ao futebol, vou-vos confessar que - pese embora tudo o que vejo, tudo o que leio, tudo o que ouço - acredito que o TRI tem todas as possibilidades para estar mesmo a caminho!
Apenas... acreditar no BENFICA.
Vamos a isto?
Um 2016 fantástico para todos (com o TRI para quem é GLORIOSO)!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

A festarola dos milhões

"2015 acaba com contratos fabulosos sobre direitos de transmissão e outros que quase atingem € 1.500 milhões.
Como sempre, dois pontos emergiram: um, o Benfica ser o pioneiro (foi assim, com o seu canal, o museu e outras inovações); o outro, a obsessão de os seus oponentes terem sempre como bitola o que é alcançado pelo SLB. O SCP até juntou alhos com bugalhos para dizer que é o melhor, como se fossemos todos uns indigentes mentais.
Com serenidade e quando soubermos todos os pormenores, ver-se-á, tudo somado e discernido, que o SLB é mesmo o primeiro. Aliás se o mercado reflectisse fielmente as audiências dos 3 (como deveria) a distância seria maior.
Com estes contratos, quem sofre é a competitividade da nossa débil Liga. Tanta discursata de solidariedade e, no fim, o fosso aumentará.
Como benfiquista, fico satisfeito. Como português, fico preocupado. O país onde há centenas de milhares de desempregados, onde o salário médio é dos mais baixos da Europa, onde 20% da população é pobre, vai olhar para este eldorado com espanto. Um pouco abaixo da rica Alemanha e da França (per capita, nem vale a pena falar...). Bem sei que este aumento o é, também, por boas razões: acabou o privilégio monopolista de uma entidade intermediária (para o que muito contribuiu a Benfica TV) e passámos a ter um cheirinho de mercado, ainda que imperfeito, através de um duopsónio das operadoras de telecomunicações. 
Falta saber a factura final: a do consumidor. Porque não há contratos fabulosos grátis. O que há é um terceiro pagador que não é ouvido nem achado."

Bagão Félix, in A Bola

Futebol português não tem liderança

"Há um problema muito grave de liderança no futebol profissional em Portugal. Não é só um problema pessoal de Pedro Proença, mas um problema estrutural.
A verdade é que depois do 25 de Abril, o FC Porto conquistou o poder desportivo e o poder político do futebol profissional em Portugal. Vieira teve, depois, o enorme mérito de trazer o Benfica de um tempo de degradação desportiva e de personalidade, tornando o futebol nacional bicéfalo. Agora, Bruno de Carvalho trava uma luta sem misericórdia a quem se lhe opõe para trazer o Sporting para o patamar daqueles que mandam e influenciam o futebol profissional de Portugal.
Neste quadro, e perante uma plateia pouco activa e nada esclarecida de presidentes que, acomodados, se acobertam sob o chapéu de chuva dos grandes clubes e dos seus líderes, a Liga tem apenas uma existência funcional e administrativa.
Daí que nenhum dos médios ou dos pequenos clubes do desequilibrado futebol português estivesse, de facto, preparado para a grande explosão dos valores dos novos contratos dos direitos televisivos. É verdade que o Benfica foi a referência, que o FC Porto e o Sporting souberam apanhar a boleia, mas a inexistência de um sindicato de pequenos e médios clubes proporciona o verdadeiro negócio das operadoras, que poderão ter os jogos dos grandes, fora de casa, a preços de saldo. Será esse o seu negócio, para desespero e impotência da maioria dos clubes e da sua ineficaz Liga.
Já agora, como será possível, no meio deste salve-se quem puder, garantir a subsistência dos pobres clubes da nossa Segunda Liga?"

Vítor Serpa, in A Bola

TV loucas

"A sucessão de negócios é a sucessão do pasmo. MEO e NOS comprometeram-se em pagar valores para os próximos anos aos clubes de futebol como nunca tinha sido pago. Já aqui escrevi como as operadoras se tornaram nos bancos destes clubes. Mas só agora vemos o filme todo. E é um filme que começa bem. Esperemos que não acabe mal.
Começa bem porque é muito dinheiro. Mais do que comparar qual dos clubes fez o melhor negócio, ressalta o volume face ao que se pagava antes. Houve uma revalorização total dos conteúdos televisivos de futebol. Os clubes maiores beneficiaram disso. Mesmo que isso venha a resultar, no futuro, em preços mais caros da MEO e da NOS (é difícil compreender tamanho investimento de outra forma), os clubes recebem agora muito mais. Os clubes, não: para já, os maiores clubes. Manuel Machado tem razão: o fosso entre os grandes e os demais vai crescer. E isso retirará competitividade à Liga. Provavelmente, também retirará espectadores aos estádios: ficam a ver pela TV.
A MEO e sobretudo a NOS provavelmente perderam a cabeça quando começaram a passar cheques desta maneira, mas isso é lá com os seus accionistas. A Liga de Clubes foi completamente ultrapassada no processo de centralização de direitos. E o poder da Liga passa a estar em empresas patrocinadoras. Na prática, estes operadores de comunicações estão a pagar para terem mais clientes e mais audiências. Para isso, a Liga tem de ganhar qualidade. Que o dinheiro sirva para isso, e não para criar duas divisões dentro da primeira."

Ver para lá dos milhões

"Nos últimos dias uma grande parte da discussão do futebol em Portugal centrou-se nos acordos entre as operadoras de telecomunicações e os grandes clubes. Depois do Benfica, também FC Porto e Sporting fecharam contratos 'milionários' e, tratando-se de futebol, mesmo fora de campo, grande parte dos argumentos foram esgrimidos sem grande lógica e debaixo da clubite com que normalmente se discutem os penáltis marcados ou por marcar. É o que temos. Houve, é justo dizê-lo, boas análises e bons artigos sobre o que está em causa. O leitor quando tiver este texto à frente já possui muita informação. O que pretendo é ver, em alguns dos itens, um pouco mais longe.
1) Até 2018, altura em que os jogos do FC Porto estarão garantidamente na SportTV, tudo ficará na mesma. E depois dessa data? Avançará o MEO com um canal de desporto próprio, tentando captar ligas estrangeiras entretanto no mercado? E pode avançar antes, de forma mitigada, se comprar direitos de clubes mais pequenos e emitir os jogos (imaginemos um Boavista-Benfica) na Bola TV ou noutro canal próprio? Isso, sim, seria disruptivo na oferta. Em qualquer dos casos no fim a conta será paga pelo subscritor.
2) Pedro Proença leva à risca como presidente da Liga a máxima que costumamos aplicar aos árbitros: "O melhor é não dar por ele." Falhado o objectivo da centralização (global), Proença tinha todos os outros jogos de todos os outros clubes em casa face aos grandes. Fez zero. Não tem competência para o lugar.
3) Os acordos em geral são bons, muito bons até. Melhor o do Benfica porque não tem dentro nem a publicidade estática nem o patrocínio nas camisolas, mas todos os clubes negociaram bem. Dito isto, não vão entrar 400 ou 500 milhões na tesouraria de ninguém amanhã. Os números foram óptimos para a comunicação mas, por alguma coisa, os acordos são de longo termo.
4) A duração, aliás, é uma das questões centrais deste processo. Há 10 anos o acesso aos conteúdos era feito de forma radicalmente diferente, não havia redes sociais, quase não havia smartphones, não havia tablets. O conteúdo e a sua distribuição é e será a chave no futuro. Bom, há dez anos o futebol já arrastava multidões e previsivelmente assim será daqui a uma década. No entanto, contratos tão longos constituem actos de gestão com risco. De ambos os lados. Mesmo que saibamos que as partes se podem sentar a qualquer momento e renegociar condições.
5) A noticiada 'morte' de Joaquim Oliveira, agora desdenhosamente tratado como 'o intermediário', é exagerada. Oliveira fez o que os outros não fizeram durante décadas, é accionista da Sport TV, tem um papel importante e vai continuar a ter. Diferente, mas importante. Certo e sabido."

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Um lugar na história do Benfica

"Chegou envolto em desconfiança para um clube que vivia ainda sob os efeitos do período mais negro da sua existência. Luisão começou por ser a quimera de um novo ciclo na Luz mas não capitulou à dúvida; mastigou a impertinência das considerações precipitadas, venceu a hostilidade, sobreviveu às areias movediças em que teve de caminhar e afirmou-se como um dos melhores centrais da história do Benfica. Sabemos hoje que esteve sempre um passo à frente das recriminações de que era alvo: talvez não tivesse qualidade para jogar no Benfica e já era internacional pelo Brasil; quando todos desacreditavam na conquista do título em 2004/05, ele prometeu-o depois de uma derrota em casa com o Beira-Mar; ninguém lhe atribuía particular influência no grupo e já era um dos líderes do balneário; dias depois de alguns terem anunciado a derrota por velhice, superou as brumas de desencanto, reergueu-se e reassumiu o papel na equipa como se tivesse 25 anos.
Há um brilho especial e ainda uma perspetiva de futuro no crepúsculo de Luisão como jogador. A caminho dos 35 anos, é tempo de render tributo a um defesa que, não satisfazendo todas as exigências de clássicos, puristas e académicos, se impôs pela eficácia dos grandes. Mesmo fugindo à estética pomposa dos antepassados mais distintos, como herdeiro de uma dinastia composta por Félix, Germano, Humberto Coelho, Mozer e Ricardo Gomes, já ninguém ousa negar-lhe um lugar entre os maiores de sempre. Em pleno século XXI, é o alicerce máximo do conhecimento do clube e da identificação com os adeptos. Mais do que um soldado de elite, é o fiel depositário de um passado glorioso, o estrangeiro com mais temporadas de águia ao peito e quem mais vezes a capitaneou, razão pela qual, por assiduidade e liderança, já se instalou no patamar sagrado da história benfiquista.
Como qualquer defesa que se preze, sobrepõe o rigor do ofício à tentação de divagações líricas que só servem para dispersar a concentração e desvirtuar os fundamentos da tarefa; orienta-se pela necessidade de ser o polo aglutinador do seu exército e não por alimentar o recreio inconsciente de quem vive sob regras apertadas de segurança e responsabilidade. O futebol é um desporto democrático, porque nele é possível ser grande abdicando de qualidades consideradas relevantes, algumas até indispensáveis. Há grandes craques rápidos e lentos; corajosos e medrosos; gordos e magros; altos e baixos; artistas e lutadores; fortes e frágeis; velhos e novos... Mas ninguém pode prescindir da inteligência. Luisão tornou-se menos contundente, mais sóbrio e um foco de estabilidade para toda a equipa. A caminho do fim da carreira, aproveitou o tempo para consolidar maturidade e prudência; depurar o entendimento estratégico do jogo, moderar os ímpetos mais temperamentais e curar os males do exagero.
O capitão venceu todos os títulos conquistados pelo Benfica no novo século - e nesse período nenhum outro jogador encarnado se aproximou das 12 temporadas que leva de águia ao peito. Em mais de uma década, revelou a exuberância de uma autoridade plena: táctica dentro das quatro linhas e moral como símbolo do clube que se impõe a todos os agentes do jogo. Cúmplice principal de Jorge Jesus nos seis anos que mudaram o futebol português, ninguém como ele assimilou e transmitiu princípios e ideias; sustentou cumplicidades e propagou demais segredos de forma e conteúdo. Muito do funcionamento da equipa, incluindo agora com Rui Vitória, depende da sua acção, da sua voz, da sua liderança. Luisão pertence à estirpe de futebolistas que não ganham jogos sozinho. Mas ao fim de 12 anos em Portugal, é consensual a ideia de que muitas vitórias e títulos do Benfica só foram possíveis porque ele estava em campo."

'Boxing' e 2016

"Por cá, não há boxing day. O boxing é outro, ora protagonizado nas redes sociais e não só. Este ano, o boxing day inglês brindou-nos com grandes jogos. Derrotas do surpreendente líder Leicester, desastres do Arsenal e do Man. United, empate do Chelsea com novo técnico e a 2 pontos da linha de água. Dois dias depois, nova jornada. Só mesmo na Inglaterra, onde escasseia o lugar para fitas, espertezas e saloices. Assim sim: viva o futebol!
Por cá, o ano acaba com a excitante Taça da Liga. A tal que é aparentemente desprezada por FCP e SCP, enquanto não a ganharem. A corrida ao ouro televisivo aí está em todo o seu esplendor, o ano termina com uma invejável distinção internacional para as estruturas de formação do SLB.
E, para começar o novo ano, com matéria para informar, especular e discutir, lá vem mais um mês de bons retornos para os intermediários do futebol. Compra-se e vende-se a retalho e por atacado, a pronto pagamento e por fatias, spot e no mercado de futuros, por generoso empréstimo e por cedência parcial do passe, que não do atleta.
2016, ano de Europeu, agora tão democratizado que quase só lá faltam as Ilhas Féroe e o renegado Platini (finalmente...). Pena ser em França, onde não costumamos ser felizes, ainda que levando Eliseu. Por falar em Eliseu, falta a Holanda apesar de Hollande lá estar. E também não haverá árbitros portugueses. Alguém se admira por isso?
Em 2016, prevejo que se escrevam tratados sobre a bola na mão e a mão na bola, assim como a arte de cotovelar e de se fingir cotovelado ou com dor de cotovelo. Talvez assunto para uma próxima crónica."

Bagão Félix, in A Bola

Falou-se mais de futebol

"Bruno de Carvalho não é propriamente um dirigente que consiga estar muito tempo em silêncio. Mas daí fazer uma viagem até ao Algarve para falar mais do mesmo, da rivalidade com Benfica e FC Porto, que todos os dias faz questão de vincar, é demais. O Clube de Ciclismo de Tavira merecia mais respeito, a modalidade que vai voltar a receber os leões, também. Falou-se mais de futebol do que propriamente da parceria entre Alvalade e a mais antiga equipa do Mundo. É certo que foi confrontado com as perguntas dos jornalistas, mas o presidente do Sporting é suficientemente inteligente para, educadamente, recusar responder a questões que não dissessem respeito, afinal, ao que verdadeiramente o levou ao Sul do país. Por outro lado, Bruno de Carvalho sabe como ninguém usar as redes sociais para mandar farpas aos rivais. Não precisava de ter feito tantos quilómetros."

Ana Paula Marques, in Record

Até ao fim...

Benfica 1 - 0 Nacional

Ederson; Sílvio, Lindelof, Lisandro, Eliseu; Cristante (Sanches, 46'), Samaris, Pizzi, Carcela; Talisca (Jonas, 56'), Mitroglou (Jiménez, 75') 

Mais um jogo com muito sofrimento, decidido nos últimos minutos.
Cometemos muitos erros infantis, com passes errados, desconcentrações, que acabaram quase sempre por oferecer ao adversário oportunidades de marcar... Ofensivamente, continuámos a demonstrar dificuldades no último terço... a entrada do Jonas, acabou por alterar muita coisa...

Além dos lesionados, por opção muitos titulares ficaram de fora. Dos actuais titulares jogaram o Lisandro (o nosso jogador em melhor forma...), o Eliseu, e o Pizzi... neste momento o Samaris e o Mitro para mim, não são titulares!

Até não começamos mal, mas com o minutos fomos perdendo o controlo do jogo a meio-campo, mesmo assim falhámos alguns golos feitos - Carcela por exemplo... -, o início da 2.ª parte foi muito mau, a equipa fiquou inquieta, e só com as substituições melhorámos...
Estes jogos após mini-férias são 'perigosos', existe sempre alguma descompressão com as 'festas' e viagens... este jogo acabou por ser um bom 'aviso' para o jogo de Sábado em Guimarães, onde vamos ter mais uma vez um obstáculo gigante chamado: Xistra!!! 

Demos um passo importante para a qualificação para as Meias-finais da Taça CTT, mas o jogo em Moreira de Cónegos vai ser uma autêntica final...

PS: Nos últimos dias, têm sido feitos anúncios mirabolantes sobre a venda dos direitos televisivos e afins!!! Comparando o 'pacote' do Benfica, com os outros, é evidente que o Benfica fez de longe o melhor negócio... mesmo assim, tendo em conta a dimensão e o real valor de marcado dos Lagartos e dos Corruptos, acho que eles fizeram contratos muito inflacionados, mas isso não quer dizer que vão ganhar mais dinheiro que o Benfica.
Basta fazer as contas: se fizermos a comparação directa, daquilo que foi cedido pelos três Clubes, a conclusão é clara. Se o Benfica tivesse vendido em 'pacote' juntamente com os Direitos Televisivos e os direitos de transmissão da BTV: as Camisolas, a Pub do Estádio e o Naming, por 12,5 anos, com os actuais valores contratualizados (ou no caso do Naming, os valores prováveis), então teríamos anunciado um contrato próximo dos 800 milhões de euros!!!!! Sim, próximo dos 800 milhões de euros!!!!
Mesmo assim o histerismo parece que chegou à Gloriosasfera...!!! Aconselho, a fazerem as contas, em vez de 'comerem' toda a palha que a descomunicação social anda a dar...!!! Mas como a cassete do anti-Vieirismo básico, agradece a desinformação, é melhor deixar andar...!!!
Aliás o pior contrato é claramente o Lagarto, que manhosamente anunciou o valor supostamente mais alto!!! Pois os Corruptos só venderam as Camisolas por 7 anos e meio...!!! Mesmo assim o Badocha já veio na sua habitual prosápia mentirosa enganar quem quer...

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

O primeiro a vermelho e verde...

"Vamos hoje muito atrás. Até 1908, mês de Outubro. O Benfica já é Sport Lisboa e Benfica e o Sporting já joga de verde e branco. Duplamente inédita, portanto, a compita. E com um toque de vingança 'encarnada'.

Regressemos aos Benfica-Sporting! Vale sempre a pena. E este é especial por causa das cores. Isso mesmo: por causa das cores. E dos nomes!
Vamos então até ao dia 25 de Outubro de 1908.
Aí já não era Sport Lisboa e sim Sport Lisboa e Benfica.
Ou seja, estávamos perante o primeiro autêntico Benfica-Sporting. E assim mesmo: Benfica-Sporting, porque jogado no Campo da Feiteira, ali junto à igreja de Benfica. Onde isso já vai...
Disputava-se a segunda jornada do Campeonato de Lisboa, e ambos vinham de vitórias na primeira: a do Benfica mais folgada (6-0 ao Ajudense); a do Sporting mais pragmática (1-0 ao União Belenense). Também onde já vão tais adversários.
Sonhavam os de Belém/Benfica (não esquecer as origens!) com a primeira vitória sobre os irmãos fugidos, encantados pelas ofertas de mãos largas dos seus adversários. E eles continuavam por lá, do outro lado do campo, agora com as vistosas camisolas bipartidas, metade verdes, metade brancas, imaginadas por Eduardo Quintela de Mendonça, conhecido por Farrobo, e importadas especialmente de Inglaterra para todos os atletas de todas as modalidades do clube.
Foi, por isso, também o primeiro Benfica-Sporting a vermelho e verde, já que nos anteriores, ao garrido encarnado do Sport Lisboa, opusera o Sporting um sóbrio equipamento intocavelmente branco, com excepção do oval emblema verde de leão ao centro. Os calções sportinguistas continuavam, para já, brancos. Os pretos surgiram apenas em 1915, por sugestão do jogador Raúl Barroso.
Era assim um jogo duas vezes inédito! Só por isso merece aqui a croniqueta semanal deste que se assina. Com ajudas, claro! Quando vamos em busca do tempo perdido precisamos de ajuda. E a que aqui utilizo é da boa, de luxo!

O Sporting reclamou: quem diria?
Por muita pesquisa que fizesse, não encontrei muitos dados sobre este Benfica-Sporting, mas também mais de cem anos se passaram entretanto.
Socorro-me da «História do Sport Lisboa e Benfica», de Mário Fernando de Oliveira e Carlos Rebelo da Silva, encontrada em estado impecável num alfarrabista da Rua do Alecrim e que faz agora parte da minha bem fornida colecção de livros velhos e saborosos.
Bom apetite!
«O encontro começou ao meio.dia. Lançada a moeda ao ar, coube ao Benfica o direito de escolha do campo, tendo Cosme optado pelo lado norte do terreno do jogo. Dado pelo Sporting o pontapé de saída, o jogo caiu logo para o campo ocupado pela equipa 'leonina', que se manteve numa defesa denodada, na qual se salientou José Belo, jogador de muito mérito. Não se tornou por isso viável a marcação de qualquer ponto. Ao intervalo o resultado era de 0-0.
No segundo tempo, o Benfica abriu a série de golos e fixou-a em dois tentos, marcado um por Cosme Damião e apontado o outro por David da Fonseca. O resultado final foi, pois de 2-0.
As duas turmas tiveram a seguinte constituição:
SPORT LISBOA E BENFICA - João Persónico; Henrique Cosa e Leopoldo Mocho; Artur José Pereira, Cosme Damião e Luís Vieira; António Costa, David da Fonseca, Carlos França, Eduardo Corga e António Meireles.
SPORTING - Augusto Freitas; José Belo e António Neves Vital; Francisco Stromp, António Couto e Albano dos Santos; António Rosa Rodrigues, F. Amorim, Carlos Shirley, Cândido Rosa Rodrigues e Nóbrega e Lima.
Arbitrou Gastão Pinto Basto.
O Sporting reclamou o resultado do jogo, mas a reclamação não foi considerada procedente.»
A vingança consumava-se. E tinha requintes de malvadez. O ciclo de êxitos encarnados iria estender-se até 1915."

Afonso de Melo, in O Benfica

Benfica em modo sub-21

"A forma como o Benfica está a tentar retocar o seu plantel já para Janeiro, confirma e até acentua esta tendência sub-21 que está em acelerada implementação na Luz. O primeiro de todos os factores passou a ser a produção própria, made in Seixal, mas a ideia de rejuvenescimento vai-se alargando aos outros campos de recrutamento. Todas as compras previstas para este mercado de Janeiro, por exemplo, encaixam em absoluto na nova política.
Grimaldo, que Record fotografou ontem em Lisboa, é um jogador sobre quem recaem altíssimas expectativas. Tem apenas 20 anos e chega para discutir com Eliseu um lugar no lado de esquerdo da defesa. Um reforço claramente de futuro, mas que até pode ter oportunidades no imediato. O argentino Cervi, de 21 anos, é um caso semelhante. Com contrato assinado desde Setembro, o 'novo Gaitán' está a ser pressionado para embarcar de imediato para Portugal - embora o seu clube, Rosario, não esteja disposto a facilitar os planos do Benfica. Tem condições, tal como Grimaldo, para conquistar rapidamente o seu espaço.
E há ainda o surpreendente caso de Diogo Jota, de 19 anos. Está a ser uma das boas revelações deste campeonato, no Paços de Ferreira, e os responsáveis encarnados querem 'agarrá-lo' rapidamente. Ou seja, a fenómenos emergentes como Nélson Semedo, Renato Sanches ou Gonçalo Guedes, o Benfica quer juntar mais estes três 'dentes de leite', sem esquecer que na lista de compras das águias continuam Andrija Zivkovic (19 anos) e Branimir Kalaica (17), duas das maiores promessas do futebol sérvio e croata. 
Decididamente, Vieira é um presidente de ideias fixas. O tempo dirá se este era, ou não, o melhor caminho."

Assim se fez

"Experimentem escolher os 50 jogos mais marcantes da história do vosso clube e enfrentarão uma tarefa hercúlea. Primeiro há que definir critérios, logo depois serão atraiçoados pela memória - o que vos condenará a seleccionar os jogos que vivenciaram ou aqueles de que existe registo vídeo. O melhor mesmo é abandonar a tarefa.
Pois o João Tomaz e o Fernando Arrobas arriscaram escrever sobre os 50 jogos mais marcantes da história do Benfica e publicaram, por estes dias, 'Assim se fez Glorioso'. Uma visão criteriosa, naturalmente subjectiva, das 50 partidas mais marcantes do Benfica. O difícil, como bem sublinham, numa história tão longa não foi escolher, mas excluir. Os critérios foram ambiciosos: num clube com a grandeza do Benfica, só podiam constar jogos que fizessem parte de caminhadas vitoriosas. Ou seja, vitórias em competições nacionais que não se traduziram em conquistas de títulos no final do percurso ficaram de fora.
Resta-nos escolher os jogos mais marcantes da nossa história como adeptos. Pois eu que assisti a muitos dos encontros referidos e emociono-me com os relatos de outros que não vivenciei, percorridas as 50 partidas mais marcantes, inclino-me para uma distante, disputada em Fevereiro de 1907, na qual uma equipa só de portugueses, de extracção popular, colocava fim à invencibilidade dos ingleses do Carcavellos, que durava havia nove anos. A razão é simples: a médio-direito jogou o meu tio-avô, que infelizmente não conheci. Tendo crescido numa família em que o futebol é tema estranho e desinteressante, talvez tenha sido essa inscrição genética que me fez benfiquista fervoroso."

Grimaldo

É oficial, Grimaldo é reforço do Benfica. Jovem formado no Barcelona, com passado nas Selecções jovens Espanholas. Uma lesão grave acabou por atrasar a sua evolução... Aquilo que se vê nos vídeos, é promissor, mas o nível competitivo das divisões secundárias Espanholas deixa algumas dúvidas, principalmente nas tarefas defensivas, já que ofensivamente parece-me claramente um bom jogador. Eu não faço parte do coro histérico anti-Eliseu! Tem jogos maus, mas também tido alguns jogos bastante razoáveis, principalmente nos jogos 'grandes'... e por acaso o Eliseu até tem sido mais consistente a defender do que atacar...!!!

O dia em que a pitoresca vila de Sintra foi toda do Benfica

"Vestiram as janelas dos comboios de 'encarnado' e esgotaram as queijadas em Sintra. Os benfiquistas estavam em festa!

A época 1942/43 correu bem ao Benfica. Em Maio conquistou o Campeonato Nacional e um mês depois arrecadava a Taça de Portugal, após uma vitória por 5-1 frente ao Vitória de Setúbal. Tamanho empenho merecia ser rematado com pompa e circunstância, por isso, num quente Domingo de Julho, foi organizada uma excursão a Sintra para homenagear os jogadores do Benfica. O plano de festas era variado e incluía um almoço no parque municipal, jogos de hóquei em patins e um desfile de um dezena de ciclistas da secção de cicloturismo do Clube. A festa prometia!
Na manhã de 19 de Julho, cerca de quatro mil pessoas saíram do Rossio em direcção à pitoresca vila. No interior dos comboios iam adeptos e simpatizantes dos 'encarnados' de sorriso no rosto e farnel no colo, e nas janelas as bandeiras que se agitavam ao sabor de vento não deixavam lugar para dúvidas: ali dentro ia o Benfica. Mas não era apenas no interior das locomotivas que se fazia a festa! Lá fora também se manifestava benfiquismo, como aquela senhora que, da janela de sua casa, agitava freneticamente um xaile vermelho, como que em resposta às bandeiras que vestiam o comboio.
Chegada a Sintra, a multidão inundou a vila, que se encheu de invulgar entusiasmo. Uns aproveitaram para esticar as pernas e passear, outros fizeram fila à porta das pastelarias locais para fincar o dente nas famosas queijadas que, num piscar de olhos, esgotaram. Mas eis que chegam os jogadores! As bandeiras agitam-se no ar, a banda dos bombeiros locais inicia o seu reportório e os aplausos parecem não por fim. Os campeões chegaram. Podia começar a festa!
A sessão solene foi feita no salão nobre dos Paços do Concelho e transmitida por altifalante instalados nas janelas do edifício, para que todos a pudessem acompanhar. Terminadas as boas-vindas, começou a procura do melhor lugar no parque municipal para o almoço que terminou em grande farra com brindes e discursos de agradecimento. Entre as vozes que se fizeram ouvir estava a de Cosme Damião, que incitou os jovens desportivas e fazerem 'sempre mais e melhor pelo prestígio do Benfica'.
os troféus destas conquistas estão expostos nas áreas 5. A 'Taça' e 6. Campeões, sempre do Museu do Benfica - Cosme Damião."

Marisa Furtado, in O Benfica

Reconhecimento

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Outros contornos (ou voos) da águia

"O meu benfiquismo tem-me oferecido muito mais que a fantástica emoção de ver a bola a correr e os nossos, as 'papoilas saltitantes' que Piçarra imortalizou, marcarem com arte e génio os golos da nossa felicidade.
Há um outro Benfica. Ou melhor: o SLB também é isto, e por isso grande. Uma realidade sociológica que se entrelaça com a nação. Deixo-vos algumas histórias que até hoje guardei.
Raramente me provocam por um dia ter revelado a minha paixão, quando tantos artistas, que receiam não agradar a todos, o evitam. Não vejo o futebol como uma trincheira, mas apenas como uma escolha que nos acompanha pela vida fora. Os meus diálogos são cordatos, mas sei defender a minha dama. Há uns tempos, na Facebook, alguém pretendia enlamear a história do 'glorioso' invocando que o nosso clube fora levado ao colo pelo Estado Novo. 'Se não fosse o Salazar, outro galo cantaria!', li.
A ignorância revela mais prosápia que justeza. Expliquei ao incauto que foi o inverso que amenizou o isolamento que nos tolhia nesses tempos sombrios. Porque uma 'pantera negra'. Eusébio, nos levou ao cume do futebol mundial. Invoquei a verdade histórica, que o regime se encostara ao Benfica e não o inverso: noutra disciplina, Amália vivenciou o mesmo aproveitamento. Duas Taças dos Clubes Campeões Europeus valeram muito para essas gerações aprisionadas: a águia voava e Portugal revia-se na glória do SLB.
Na década de 90, os UHF estiveram uma semana em Luanda para dois concertos. Quando passeávamos por um jardim, vi um magote debruçado sobre um jovem segurava um jornal desportivo português.
Mais perto, foquei com admiração o cacho de rapazes e homens que pendia sobre as páginas de A Bola, a leitura da crónica do último jogo do Benfica: um par de mãos segurava o lençol da malta. Perante a minha estupefacção, um dos elementos que acompanhava a comitiva UHF disse com naturalidade: 'É sempre assim com A Bola, por causa do Benfica'.
Anos mais tarde sorri com o desabafo assertivo do escritor António Lobo Antunes sobre os tempos da guerra em África. Claro que éramos todos do Benfica, dizia numa entrevista. Dava muito jeito às tropas os jogos ao domingo. Nessa hora e meia, acrescentava, nós e eles, os dois lados da guerra, ficávamos a ouvir a correria do Artur Agostinho a relatar o jogo e os tiros calavam-se para ouvir o que ele dizia, à espera do golo e da gritaria nos dois lados da trincheira. O Benfica além de todas as fronteiras.
Quando, na temporada de 2004/2005, nos sagrámos campeões, fui até à cidade de Baar, na Suíça, sem os UHF, para celebrar mais uma conquista. Nessa noite perdi a conta às vezes que cantei o Sou Benfica, mas recordo que acabei a actuação com metade da sala no palco a berrar 'Sou, soou Benfiiicaaa', trajados a rigor, camisolas, bandeiras e cachecóis, como a se a Luz coubesse ali. Os copos cheios subiam ao alto e as lágrimas corriam sem disfarce, lágrimas de alegria naquela ponte que o Benfica mantém com este país de saudade e saudades. A nossa alma cheia. No dia seguinte aterrei na Portela e corri para outro check in rumo à Madeira, onde estava programada mais uma festa encarnada: os UHF aguardavam-me já na sala de embarque. Era domingo.
A meio do voo, somos informados pelo comandante de que o Benfica perdera a Taça de Portugal para o Vitória de Setúbal. Encafuado no assento, meditei sobre o clima que nos iria esperar no Caniçal, onde um grupo de benfiquistas queria celebrar a conquista de mais um título. Fomos recebidos em ambiente morno, mas a organização mantinha o programa. Passámos pelo palco e testámos a aparelhagem sonora: esperavam-se umas 300 pessoas, apesar do desaire da tarde. A noite descia sobre o oceano, o clima estava ameno, confortável; deslocámo-nos a pé até ao restaurante, no centro do Machico. Ao longo do jantar reparei que a mesa ia crescendo com a chegada de notáveis, adeptos locais. As conversas subiam de tom, trocavam-se explicações para a perda da taça.
Antes do café, um dos organizadores chegou à mesa e disse-me, olhos nos olhos: 'Vamos ter de vos levar de carrinha, isto está tudo bloqueado, não sei de onde veio tanta gente. A pé, nunca mais lá chegamos'. 'E a potência da aparelhagem vai chegar?'. 'Tem de chegar, António, tem de chegar, não estávamos à espera de tanta gente: está tudo louco. Isto era uma festa para a malta do Caniçal, Machico e pouco mais'
(Nas cercanias da serra do Santo, ali perto, o grupo GNR, do meu querido Rui Reninho (portista que muito respeito), ficara quase sem público por causa da debandada que descera até à praia do Caniçal, disseram-nos no final da noite. O poder do SLB)
Nessa noite, além da vaga humana de vários milhares de adeptos, vi as sereias que sulcam o Atlântico dançarem ao sou do Sou Benfica."

António Manuel Ribeiro, in Mística

O "Ruço"

"Artur Correia marcou uma era ao serviço dos clubes que representou e da Selecção.

No Portugal dos anos 70, a única criatura de cabelos louros que ombreava com ele era a Tonicha. Apesar do pelo e dos olhos azuis muito pouco lusíadas, o 'Ruço' era um exemplo de raça. Vê-lo actuar, ora no Benfica, ora na Selecção, fazia-nos sentir mais benfiquistas, mais portugueses. Porque o 'Ruço' era o herói que morria em campo. Solidário. Tenaz. Quer a subir, iniciando jogadas que acabavam da melhor maneira nos pés de Eusébio, Artur Jorge, Jordão ou Nené, quer a descer e a ferrar os dentes no adversário.
Em 1977/1978, após seis épocas de encarnado e uma mão-cheia de títulos, foi para o Sporting. Custou vê-lo ir, de tão nosso que ele era. Mas interessa lembrar a seguinte verdade: ao intervalo dos jogos da sua nova equipa, a única coisa que lhe interessava era saber o resultado do 'Glorioso', de que se tornara sócio com apenas dois anos.
Internacional 35 vezes - 25 delas como jogador do Benfica -, deixou para a história do futebol português um golo épico à Noruega, em jogo de apuramento para o Europeu realizado no Jamor a 1 de Novembro de 1979.
No dia seguinte, correu a notícia do avistamento de um OVNI em forma de charuto na Madeira. Mas de nada se falou com tanto interesse como do golo do 'Ruço', arrancado quase do meio campo. Ele, sim, um verdadeiro charuto do outro mundo.
A 24 de Setembro de 1980 voltar-se-ia emotivamente a falar dele. Mas, desta feita, com tristeza. O herói do Jamor acabava de ser dado como perdido para o futebol.
Quando a TV noticiou o drama, antes de mais um episódio da telenovela brasileira Dona Xepa, lembro-me de, na verdura dos meus 12 anos, ter desejado que fosse 1 de Abril. Não era. E assim aprendi que só à traição se pode abater um lutador que avança e resiste quando todos os outros já caíram por terra. Como um tesouro, guardei para sempre a imagem do 'Ruço' a carcomer o relvado da Luz e a alcatifa do meu quarto, nos campeonatos de caricas.

- A primeira vez
Vindo do vizinho CF Benfica - o popular Fofó -, Artur vestiu pela primeira vez a camisola do SLB a 10/12/1967, num jogo do Distrital de Juniores realizado na Amadora frente ao Estrela. Sagra-se-ia, seis meses mais tarde campeão nacional da categoria.

- Aventura em Coimbra
As qualidades evidenciadas e a vontade de ser médico levá-lo-iam na temporada de 1968/69 até Coimbra. Reconhecidos os méritos, regressou ao Benfica durante o verão de 1971 e agarrou de pronto a titularidade.
- Começo em grande
Fez a 31/7/1971 o seu primeiro jogo, frente aos ingleses do Arsenal num encontro caseiro de carácter particular. No mês seguinte, conquistou em Cádis, diante do Peñarol, o prestigiado Ramón de Carranza."

Luís Lapão, in Mística

PS: Numa conversa em Marselha, na véspera da famosa meia-final da Taça dos Campeões Europeus, perguntava-se ao Ruço a razão da ida para o Sporting... os companheiros indagavam: 'eles pagavam mais?!!!', respondia o Ruço: 'pois, o problema era eles pagarem... acabei por perder dinheiro com a brincadeira...!!!'.
Uma das histórias mais engraçadas do Ruço (e são muitas...), é o dia em que assinou pelo Benfica, ainda Júnior. Estava a treinar no Fofó, quando alguém lhe disse para ir à Sede do SL Benfica, na Rua Jardim do Regedor assinar o contrato... saiu a correr do treino, e nem se lembrou de apanhar boleia ou um Táxi, foi de Benfica até aos Restauradores a correr... tanta era a felicidade!!!!

Milhões a mais

"Aos 400 milhões do Benfica, o FC Porto respondeu com 457 milhões. São, no essencial, contratos de direitos televisivos por 10 anos, aos quais se juntam alguns acessórios - exclusividade dos canais de clube, publicidade estática e, no caso dos dragões, o 'naming' da camisola - que só podem ser vistos como tal, acessórios. Porque o que está em causa são, de facto, os direitos de transmissão de jogos em directo. 
Quando olhamos para os números dos clubes espanhóis ou ingleses, coramos de vergonha. O último classificado da Premier League recebe actualmente por ano mais do dobro que Benfica e FC Porto irão receber nos milionários contratos que agora assinaram. Em Espanha, os valores pagos a águias e dragões são equivalentes aos recebidos pelas equipas do fundo da tabela. Mas será essa a comparação que devemos fazer?
O mercado televisivo português é minúsculo quando comparado com o inglês ou o espanhol. E, pior, a Liga NOS é anónima para os amantes de futebol para lá de Badajoz, pelo que os jogos do campeonato português interessam a pouco mais pessoas do que aos portugueses. Por isso, a comparação que deve ser feita é com os países com uma dimensão semelhante à de Portugal e com ligas de um nível idêntico.
Na Holanda, que tem quase 17 milhões de habitantes e muito mais dinheiro do que Portugal, os 18 clubes da Eredivisie recebem cerca de 83 milhões de euros por ano - Benfica e FC Porto sozinhos terão mais do que isso; na Bélgica, que tem 11 milhões de habitantes, o valor global é de 53 milhões; na Grécia, que tem sensivelmente a mesma população, o número é de 44 milhões.
Estes dados indiciam, no mínimo, que NOS e PT estão a valorizar o futebol português muito acima do que é a sua realidade, até porque será difícil convencer os adeptos a pagarem mais do que já pagam para ver a bola. Estamos a falar de apenas 17 jogos por temporada, a maioria dos quais sem grande história ou emoção, e que até podem ser menos se a Liga voltar a reduzir o número de equipas no primeiro escalão. Por isso, Benfica e FC Porto fizeram bem em aproveitar esta 'loucura' do mercado. Será que o Sporting vai a tempo de o conseguir?"


PS: Concordo na generalidade com esta crónica, também acho que o mercado português não vale tanto, a minha principal 'divergência' está na forma como se quer dividir à força o mercado a 3, quando só o Benfica vale no mínimo 55% do mercado!!!
Recordo o que se passou na Escócia, com a empresa que 'geria' os contratos televisivos a ir à falência...

domingo, 27 de dezembro de 2015

Facebook Arena, ponto!

"Jorge Jesus concedeu uma entrevista bem interessante a um jornal macaense chamado 'Ponto Final'. O título do jornal tem a sua graça tendo em conta que o presidente do Sporting termina por norma as suas frases orais com a palavra 'ponto!', proferida exclamativamente em modo de patrão. Como quem diz que a conversa acabou ali e que não se admite sequer discussão perante a evidência dos factos.
Já quanto aos seus pensamentos, transcritos quase diariamente na página pessoal da rede social que frequenta, o presidente do Sporting apenas utiliza o sinal gráfico do ponto propriamente dito porque, na realidade, seria uma redundância escrever 'ponto' e depois meter o sinal de ponto logo a seguir, embora ainda possa vir a acontecer, se é que não aconteceu já.
A verdade é que o presidente do Sporting dá-se bem com os pontos finais. Já com as vírgulas não se mostra tão à-vontade e também está no seu direito porque, neste mundo da comunicação, trata-se de uma arte mais exigente. E nestas coisas da bola até a pontuação tem o seu preço.
Dizem agora os especialistas na matéria financeira que fará falta ao Sporting o dinheiro que vai ter de pagar à famigerada Doyen em função da decisão do TAS sobre os meandros da transferência de Rojo. Na realidade, nem é preciso ser-se um grande especialista para concluir que aos clubes portugueses, nomeadamente aos grandes, fará falta sempre qualquer receita com que se contava em caixa e que tenha de ser devolvida por razões absurdas.
Veja-se o caso do Porto. Só abdicou de patrocinador para as suas camisolas porque a venda das camisolas de Iker Casillas tem gerado fortunas que lhe permitem dispensar os trocos. A venda do nome dos estádios parece ser agora a próxima fonte de receita dos clubes grandes. Romantismos postos de lado nesta era de crueza financeira, os adeptos conformam-se com a ideia - esta sim, uma ideia moderna - e fazem votos para que os líderes das suas respectivas SAD encontrem, no mercado internacional parceiros com nomes sonantes para o 'naming' dos seus estádios. Do lado do Porto e do Benfica, ainda nada transpira sobre este assunto.
Do lado do Sporting. tudo leva a crer que será Mark Zuckerberg o parceiro na calha para que, finalmente e fazendo-se justiça, Alvalade se passe a chamar rapidamente 'Facebook Arena'. Ou mesmo, 'Facebook Arena. ponto!'"

Arbitragem voltou ao passado

"Benfica, FC Porto e Sporting acabaram o ano a festejar as derrotas e insucessos dos rivais, mais do que eufóricos com as suas prestações. O União da Madeira deu mais alegrias aos portistas em oito dias do que Lopetegui em quase dois anos. O Benfica venceu o Rio Ave com mais uma inacreditável arbitragem. Três penalties num jogo só, depois de se ver o que vem acontecendo nos jogos do FC Porto, faz pensar que o campeonato foi negociado antes do seu início. Mesmo sem deslumbrar havia sido um jogo tranquilo, sem incidências arbitrais. Fez bem o Benfica em falar porque ganhou. Jonas levava mais de dez golos de vantagem na Bola de Prata, se as regras fossem cumpridas, e os penalties marcados quando são. Mesmo assim leva cinco.
Em época de balanço, 2015 foi muito bom para o Benfica. Esperemos um 2016 em linha com o anterior, no futebol e nas modalidades. A cinco pontos do líder, que teremos receber na Luz, só resta acreditar, porque Jorge Sousa não vai arbitrar os jogos todos. (se houver vergonha, não arbitra mais nenhum dos três primeiros). A arbitragem voltou ao tempo dos Guímaros e dos Calheiros. Queria era perceber o porquê? Última referência para o jogo mágico do nosso hóquei em patins. A perder a três minutos do fim, com um jogador a menos, com um livre directo e um penalty defendidos, e oito segundos finais com dois golos. A vitória foi inesquecível e projectou o Benfica para um título que ainda não está ganho, mas está muito bem lançado."

Sílvio Cervan, in A Bola

Toda a grandeza

"Atribuímos hoje o 11.° Prémio Artur Agostinho. Porque a história deste troféu já vai longa, permitam-me aqui recordar duas pessoas. Uma, aquela que dá nome a este prémio, o seu patrono e grande mestre Artur Agostinho. Em boa hora regressou a esta casa emprestando carisma e prestígio e, sobretudo, oferecendo o carinho a um título que ficou ligado à sua enorme carreira de jornalista e comunicador. É por isso também que é para mim para nós, um grande privilégio ter hoje aqui connosco a sua filha Teresa que nos irá ajudar nesta cerimónia.
Outro nome que não posso deixar de referir é o de Alexandre Pais. Se Artur Agostinho voltou a esta casa, foi por iniciativa e vontade do antigo director do Record que continua a ser um dos nossos. Foi ele o grande impulsionador deste prémio.
Vamos então ao premiado.
Doze anos não são doze dias, disse Luisão há semanas numa frase que continha uma grande dose de frustração pelas críticas que na altura recebera. Mas nessa expressão cabe muito mais. São 12 anos de títulos conquistados, 12 anos de trabalho dedicado e profissional, 12 anos a construir uma liderança que hoje não sofre a mínima contestação, 12 anos de muitas alegrias e algumas tristezas, 12 anos que criaram a imagem de um jogador que é admirado pelos seus e respeitado pelos rivais.
Luisão recebe hoje o Prémio Artur Agostinho não apenas por ter ganho no último ano o bi-campeonato pelo Benfica nem por ter batido recordes atrás de recordes no clube que onde joga há mais de uma década. 
Recebe-o por tudo aquilo que tem representado no futebol especialmente desde que se encontra entre nós. 
Luisão é um grande jogador e é um grande homem, algo que não se aprecia apenas pela medição da sua estatura mas sim pela avaliação do seu profissionalismo e do seu carácter. Por tudo isto, obrigado e parabéns LUISÃO."

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Exigência... a nós e aos outros

"Já o escrevi várias vezes: O Benfica tem sido severamente prejudicado pelas arbitragens, contrastando com os frequentes benefícios concedidos a Sporting e FC Porto. Constatar esta evidência não desculpabiliza o nosso percurso aquém das expectativas, embora saibamos que as dinâmicas de vitória, tão relevantes para as equipas quanto os aspectos técnicos e tácticos, obtêm-se, com vitórias. Com arbitragens normais, isto é, em que houvesse boas e más decisões equitativas quanto aos clubes afectados, a classificação seria mais favorável aos nossos interesses, mesmo que os problemas sentidos pela nossa equipa subsistissem.
Neste contexto, o Benfica não só terá que ser superior aos seus adversários, como necessita de um esforço adicional para ultrapassar as dificuldades criadas por quem tem o dever de imparcialidade mas não o tem demonstrado.
O Benfica é Bicampeão Nacional, tem que ser exigente consigo próprio e com os outros. Deverá identificar as suas lacunas e colmatá-las. Terá que perceber os seus erros e não repeti-los. E não poderá permitir que sejam os árbitros a acentuar as suas fases menos boas e a disfarçar idênticos constrangimentos dos nossos adversários.
A fruta, o café com leite e as viagens apresentaram bons resultados no passado. A constante auto-vitimização e atordoadas em todas as direcções estão a produzir efeitos no presente. Contudo, nunca serão esses os caminhos trilhados pelo Benfica. Preferimos trabalhar e preparar o futuro, sem desvios motivados pelas circunstâncias e imunes à tentação de utilização de estratégias que só uma comunicação social subserviente ou demissionária das suas funções não desmascara.
Denunciemos então!"

João Tomaz, in O Benfica

Miopia

"Perguntava há poucos dias o presidente do SL Benfica onde anda a Liga da Verdade, depois de mais um ataque súbito de miopia por parte de uma equipa de arbitragem na Catedral. Nenhum dos elementos que devem zelar pela verdade desportiva em campo conseguiu assinalar uma grande penalidade no jogo com o Rio Ave. E tiveram três lances para o fazer. Não é caso estranho esta época.
Em Arouca (2.ª jornada), no Dragão (5.ª), com o Sporting (8.ª) e nos últimos cinco jogos para o Campeonato, houve outras miopias do género contra o Bicampeão; já o FC Porto, olhando para os casos nos 14 jogos já disputados para a Liga, tem mais sete pontos do que deveria (dois pontos a mais com o Glorioso, mais dois com o Paços de Ferreira e mais três no nevoeiro da Madeira com o Nacional); e quanto ao Sporting, são pelo menos mais oito - dois pontos a mais na Luz, três pontos em Arouca, dois na Madeira com o Marítimo e mais dois em Alvalade com o Moreirense.
Se a tal Liga da Verdade existisse, onde andariam agora os críticos de Rui Vitória? Provavelmente a festejar a chegada do SL Benfica ao Natal no primeiro lugar. E entusiasmados com a ideia cada vez mais palpável da conquista do Tricampeonato. Mas não, andam a suspirar por Mourinho em vez de acreditar no ribatejano que ainda vai calar muita gente. Até maio, muitas vão ser as falhas: de árbitros, de dirigentes, de jogadores, de comentadores, de jornalistas. Muitos pontos vão ser perdidos com falhanços à boca da baliza, com foras-de-jogo mal assinalados e com tácticas que não resultam em determinado dia. Faz parte desta modalidade de paixões e milhões. Mas aquilo que não pode acontecer é baixar os braços e aceitar com resignação o favorecimento dos rivais directos.
Estamos na luta! Dá-me o 35."

Ricardo Santos, in O Benfica

Gigantes!

"Nem um empatezinho para amostra! 33 jogos, 33 vitórias! 22 jornadas de 2014/15, e mais 11 (o pleno) de 2015/16. É este o inacreditável pecúlio da equipa de Hóquei em Patins no Campeonato Nacional da 1.ª divisão, desde o já distante dia 25 de Outubro de 2014. 7-0 fora e 9-0 em casa com o Sporting, 10-0 ao Valongo, 7-3 no Dragão e 5-1 ao FC Porto na Luz, eram alguns dos resultados averbados neste percurso. Faltava uma vitória sofrida, com contornos de filme de suspense, e sabor a mel, para compor o quadro. Ela aconteceu no último sábado, após um espectáculo inolvidável.
Aquele último minuto vai ficar marcado na história do Hóquei português, e na memória de todos os que enchiam o Pavilhão da Luz. Virar um resultado de 3-4 para 6-4 em apenas 68 segundos, frente a um, também ele, candidato a todos os títulos nacionais e internacionais, não é proeza que possa passar em claro. E apenas está ao alcance daquela que é hoje, sem dúvida, uma das melhores equipas do mundo, e, porventura, a melhor de sempre do Hóquei "encarnado".
Não será preciso lembrar que, apesar destas exuberantes manifestações de qualidade, ainda nada está ganho esta época. Tenho a certeza que os festejos estão bem guardados lá mais para o fim. Mas, a manter-se o espírito, todas as ambições são legítimas.
Enquanto Benfiquista, e apaixonado do Hóquei em Patins, tenho um sonho: ver o capitão Valter Neves erguer mais um troféu de Campeão Europeu, desta vez na nossa casa, perante uma multidão idêntica à de sábado passado. Até o adversário poderia ser o mesmo. Fica já reservada uma das doze passas da passagem do ano."

Luís Fialho, in O Benfica