Últimas indefectivações

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Soltas e breves

"1 - Um bando de árbitros (Carlos Xistra, Artur Soares Dias, Olegário Benquerença, Pedro Proença, João Capela, Rui Silva e Hugo Miguel) apresentou queixa contra Rui Gomes da Silva, vice-presidente do Benfica. O motivo é o mesmo de sempre: lidam mal com a verdade. Lidam mal com a verdade desportiva e lidam ainda pior quando são confrontados com os atentados que perpetram à mesma. As consequências para o Benfica não são novas, aliás, será mais do mesmo. Veremos a habitual vingançazinha mesquinha e corporativa. Veremos o prejuízo aparentemente premeditado disfarçado de erro humano. Portanto, nada de novo, já sofremos atentados desde há três décadas. A nossa resposta só pode ser uma: continuar a denunciar esta gente, continuar a lutar e recusar sempre o jugo e a canga que nos querem impor.
2 - O Benfica assinou contrato com o meio-fundista Hélio Gomes, ex-atleta do Sporting. Em seguida, o Sporting queixou-se publicamente de que o Benfica terá quebrado um pacto de não agressão que impediria transferências directas entre os clubes. Como consequência, o Sporting assumiu-se pronto para "retirar todas as consequências" do sucedido. Segundo me dizem, há a esperança entre os atletas do Sporting de que entre essas consequências esteja a regularização dos seus ordenados. Eu, como adepto do Benfica, já ficaria satisfeito se as consequências se limitassem ao pagamento dos prejuízos provocados pelos adeptos sportinguistas, aquando da última visita ao Estádio da Luz.
3 - O campeonato está parado. Estamos em meados de Outubro, o campeonato começou em meados de Agosto e nisto deveriam já ter-se cumprido dois meses de competição. Puro engano, feitas as contas, entre paragens para tudo e mais alguma coisa, o campeonato já teve praticamente um mês de pousio. E assim se atropelam as competições em Portugal."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Objectivo: Jamor


Freamunde 0 - 4 Benfica

Espero que este jogo tenha sido o início da caminhada para o Jamor... Bom jogo-treino, com alguns jogadores menos utilizados a aproveitarem os minutos para se mostrarem...
Quando a ano passado vi o André Gomes jogar pela primeira vez nos Juniores do Benfica - vindo do Boavista -, fiquei com poucas dúvidas sobre a sua qualidade - pouco tempo depois já era Capitão!!! -, hoje como marcou um golo na sua estreia num jogo oficial, ganhou notoriedade entre os Benfiquistas... para mim não precisava de marcar o golo, mas estas coisas ajudam sempre... temos aqui o próximo 'box-to-box' do Benfica e da Selecção, espero que fique por muitos anos...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Ter ou não ter 'aquilo'

"Desde o 'Big Brother' que não assistíamos a despique Moniz-Rangel, ainda que o actual seja irmão do outro e Moniz passe a ser o homem a quem o Benfica entregará os direitos televisivos

A agenda da nossa Selecção obrigou a um período relativamente longo sem campeonato nacional, facto que não sendo de todo inédito aborrece francamente, e de uma maneira geral, os adeptos dos clubes para quem fim de semana sem bola a valer não é fim de semana não é nada.
A entrada em cena da Selecção por muito amada que seja, significa sempre um corte drástico nos níveis de adrenalina da malta toda. Julgo ter sido Ricardo Ornelas - ou terá sido Cândido de Oliveira? -, ambos foram com Vicente de Melo os fundadores de A BOLA, quem encontrou para a Selecção o feliz epíteto de «a equipa de todos nós», designação hoje caída em desuso mas que sintetiza adoravelmente e em bom português o espírito da coisa.
Ora se a equipa é «de todos nós» dificilmente nos poderemos zangar uns com os outros quando o tema vem à baila. E quando vem um maldito árbitro estrangeiro gamar a Selecção com uma ou mais decisões antinacionais, normalmente, estamos todos de acordo. É isto que dá cabo da adrenalina da nação. A falta de contraditório.
No Europeu de 2000, nas horas inflamadas de patriotismo que se seguiram àquele penalty convertido por Zinedine Zidane e que afastou a Selecção portuguesa da final da competição, o árbitro do jogo, um maldito árbitro estrangeiro, foi considerado unanimemente entre nós como um grande bandido que nos roubou o acesso à glória.
Foi preciso passar algum tempo, em alguns casos muito tempo, para que lentamente, vendo e revendo o lance, nos fossemos convencendo de que, em boa verdade, Abel Xavier cortou com a mão e dentro da nossa área, num gesto até um bocadinho disparatado, a trajectória da bola rematada pelo francês Sylvain Wiltord.
No momento do lance, a reacção de Abel Xavier foi perfeitamente aceite e entendida por unanimidade das nossas fronteiras para dentro. Estarão, certamente, recordados de que o bom do Abel Xavier foi-se ao árbitro e ao fiscal de linha como um valente portuguesinho de Aljubarrota e acabou suspenso meio ano pela UEFA por comportamento incorrecto, melhor dito, incorretíssimo.
Na altura, a quente, tudo nos terá parecido a todos - jogadores, técnicos, jornalistas, opinadores e povo em geral - que, uma vez mais, Portugal fora vítima de uma roubalheira internacional em benefício de uma grande potência e em desfavor dos pobrezinhos, nós.
- Se fosse ao contr´´ario, não tinha marcado - era a voz corrente, lembram-se?
É este, entre alguns outros, o mérito maior da Selecção Nacional, a tal «equipa de todos nós». Põe-nos a todos do mesmo lado e se é para embirrar com os árbitros, como às vezes acontece, é para embirrar com os de fora.
Por estas razões é que a adrenalina do País desce para níveis muito baixos quando a Selecção Nacional toma o lugar dos clubes no dia-a-dia dos adeptos.
Normalmente, seria assim - com grandes descontracção clubista - que se estaria por estes dias em que a Selecção de Paulo Bento andou a cumprir muito mal a sua agenda de trabalhos em função do Mundial do Brasil e relegou para segundo plano as nossas questiúnculas internas que são imensas como toda a gente facilmente reconhece.
Com o campeonato parado e à espera de vez, seria de crer que o tema fracturante da arbitragem portuguesa iria ter um período sabático para descanso de todos. Enganaram-nos. Enganámo-nos.
Com o campeonato parado e com considerável delay em relação aos acontecimentos a que se reportam, Benfica e Sporting voltaram a ser notícia na imprensa por causa das arbitragens nacionais na corrente edição da prova maior do futebol português.
Três semanas depois de um vice-presidente do Benfica, no caso Rui Gomes da Silva, ter anunciado ao País que o clube tinha sido «avisado» de que Carlos Xistra iria protagonizar uma arbitragem danosa para seus interesses no já remoto Académica-Benfica, vieram agora a público sete árbitros nossos compatriotas avançar com uma queixa formal ao Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol contra o referido dirigente.
É caso para se dizer que em Portugal, como é voz comum, a justiça é lenta, mais lenta é ainda às vezes a indignação dos injustiçados.
Aconteceu coisa parecida do outro lado da Segunda Circular.
Como é já tradicional - trata-se mesmo de uma antiquíssima tradição - o Sporting saiu derrotado da sua visita ao Porto e voltou a demorar uma semana - demora sempre uma semana - a reagir oficialmente contra os supostos erros da equipa de arbitragem presente no evento.
São estes pormenores que, mais do que a Segunda Circular, dividem politicamente os dois grandes rivais da capital.
O Benfica quando vai jogar ao Porto normalmente também perde e normalmente passa a semana que antecede o dito clássico a queixar-se do árbitro nomeado apresentando como argumentos o elenco de todas as malfeitorias apensas ao currículo do juiz da partida. Por esta razão e mais uma carrada de outras razões, há décadas que não se vê um presidente do Benfica sentado ao lado do presidente do FC Porto no camarote VIP das Antas e agora do Dragão quando as equipas de futebol dos dois clubes se encontram frente a frente.
O Sporting é diferente. E é sempre com extraordinário e compreensível gozo da realização, que nas transmissões televisivas dos jogos entre os de Alvalade e os do Dragão aparecem sempre ao longo da emissão aqueles planos fixos em Pinto da Costa tendo sentado a seu lado, muito contentinho, o presidente do Sporting da ocasião.
O presidente do Sporting desta última ocasião chama-se Godinho Lopes e, tal como os seus antecessores, demorou uma semana a protestar contra a arbitragem de que, segundo ele, foi vítima na sua ida ao Dragão.
Sete dias passados sobre o FC Porto-Sporting, que terminou com a vitórias dos campeões nacionais por 2-0, Godinho Lopes anunciou numa confraternização de sportinguistas no centro do País que o Sporting ia «reclamar» contra os danos causados pela arbitragem de Jorge Sousa.
Até aqui tudo normal.
O mais estranho, e francamente estranho, foi a construção da frase que serviu a Godinho Lopes para publicitar a «reclamação» em curso. Atendem bem nas palavras do presidente do Sporting, tal como surgiram transcritas nas páginas dos jornais:
- Os árbitros não souberam olhar para o Sporting e conseguir servir para aquilo que foram convocados e eleitos - disse Godinho Lopes.
Assim não se vai lá, presidente Godinho Lopes.
Em primeiro lugar, porque os árbitros, por definição e estatuto, não têm de saber «olhar» para o Sporting nem para qualquer outra cor. Têm apenas de saber olhar para as Leis do Jogo, o que nem sequer é coisa transcendente.
Em segundo lugar, a ideia de que os árbitros «não conseguem servir para aquilo», deixa-nos a todos curiosos sobre o que será «aquilo». Ou será a quilo, medida de peso?
Em terceiro lugar, e de forma arrevesada, o presidente do Sporting parece querer manifestar o seu desagrado, ou mesmo arrependimento, por ter convocado e fazer eleger com o seu voto a actual estrutura que manda no futebol português, quer na Liga quer na FPF.
E voltemos à Segunda Circular, ao outro lado da rua, onde da parte dos vizinhos da Luz, apesar de já estarem «avisados», ainda não se registou uma assunção pública de arrependimento ou de desagrado pelo seu sentido de voto nas eleições da Liga e da FPF também não estar a ser correspondido com «aquilo» que verdadeiramente importa.
Rivais seculares, Benfica e Sporting andam, às vezes, parecidos em algumas coisas.
Ao que o «aquilo» chegou.

A bem da tradição democrática do clube, o Benfica vai ter eleições com duas listas. É agora o momento de falar. Como benfiquista que sou, faço votos para que a discussão seja boa e elevada, que os remoques pessoais não sejam o prato forte destes dias e que a Benfica TV trate com igualdade as duas candidaturas porque assim é que é de valor.
Há muitos anos, desde os tempos do Big Brother, que a sociedade portuguesa não tinha oportunidade de assistir a um despique Moniz-Rangel, ainda que o actual Rangel seja irmão do outro e o actual Moniz, sendo o mesmo, passe agora a ser o homem a quem o Benfica vai entregar a bandeira dos direitos televisivos na anunciada guerra com Joaquim Oliveira.
O Benfica está provado, é muito mais do que um clube."

Leonor Pinhão, in A Bola

Novos impostos

"Perante a avalanche fiscal e a que, provavelmente, virá mais tarde, suspeito que o Governo já andará a esgravatar outras fontes tributárias.
Assim sendo, e em tom de caricatura, adianto novos tributos no desporto que, em particular no futebol, teima em querer passar ao lado das crises:
1. Sobretaxa sobre transacções de atletas do mercado sul-americano, muito aliciante para os clubes, por razões nem sempre claras;
2. Agravamento da TSU a cargo dos clubes sobre os salários de jogadores estrangeiros que tenham preferência não justificada sobre jovens portugueses da formação;
3. Pagamento de uma derrama por cada euro de passivo gerado e deixado para direcções seguintes;
4. Imposto de Menos Valias sobre o valor oficial de jogadores face ao seu valor real, assim se prevenindo muitos barretes (e comissões);
5. Imposto de selo sobre os supônhamos, sêjamos, fáçamos e outras expressões que abundam nas entrevistas depois dos jogos;
6. Imposto do melão para quem se refira ao râgubi pronunciando reiguebi;
7. IVA a pagar pelo árbitro sobre tempo de compensação não justificado;
8. No basquetebol, incidência ao IABA (Imposto sobre bebidas alcoólicas) por excesso de permanência no garrafão;
9. IMI: Imposto municipal sobre ilusões nas campanhas eleitorais dos clubes;
10. IUC, não o conhecido Imposto único de circulação, mas o imposto único de cartões mostrados aos jogadores;
11. IMT: Imposto municipal sobre tatuagens em função da área atingida;
12. Sobretaxa de solidariedade sobre as indemnizações a receber pelos treinadores despedidos e IVA sobre as chicotadas psicológicas."

Bagão Félix, in A Bola 

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Justiça (In)justa

"Uma justiça pouco ou nada justa é o pior que pode acontecer seja onde for, a quem for e por que motivo foi. Imaginemos que acontece no sensível mundo da bola, onde é preciso prestar contas a milhões de adeptos, por natureza facciosos ou mesmo fanáticos. O risco de gerar manifestações de protesto, com excessos à mistura, é enorme além de colocar em causa a credibilidade de todo o sistema. Foi o que sucedeu no designado escândalo Scommessse, uma rede global de criminalidade organizada que combinava previamente os resultados dos jogos em que depois ia apostar. Perante a avalanche de investigações pelas Procuradorias de Cremona e de Bari, quando chegou a hora de emitir sentenças e gerir centenas de casos de grau e natureza diversos, a justiça desportiva italiana naufragou sob o peso de regulamentos obsoletos. E no entanto - note-se - é reconhecidamente a mais eficaz e interventiva de todo o futebol.
Hoje estamos confrontados com dezenas de decisões contraditórias em que a fundamentação é tudo menos consensual. Por outro lado, enquanto as condenações de Antonio Conte, treinador da Juventus, do Lecce e de dezenas de jogadores foram rápidas, é incompreensível que Lazio, Nápoles, Génova e muitos outros futebolistas continuem à espera de conhecer as penas que terão de cumprir. Para agravar a confusão, começam agora a chegar da Finlândia, Hungria, Suíça e Bulgária as respostas às castas rogatórias enviadas na primeira fase do processo. Embora se saiba que a cabeça do polvo está no sudoeste asiático com o epicentro em Singapura. Em suma, é urgente reformar a justiça desportiva de modo a conciliar a brevidade com a equidade."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Eleições...

Estou sem paciência, para escrever sobre as eleições... se fosse para discutir alguma coisa de verdadeiramente fundamental para bem do Benfica, ou do Benfiquismo ainda me podia interessar, se houvesse um verdadeiro interesse em melhorar a forma como o Benfica está organizado... mas infelizmente a única coisa que parece mover os contestatários são os ódios e vinganças pessoais, uma autêntica feira de vaidades, e de demagogia pura...
Quando ontem li o resumo do 'programa' eleitoral do Rangel, fiquei estarrecido. Com aquilo que lá está escrito, e com as reacções de agrado, por parte dos do costume... Será difícil alguém escrever uma declaração de intenções, tão cheia de nada, como este dito 'programa'?!!! Dúvido...
Ainda pensei escrever de imediato um post, mas hesitei, porque seria de certeza mal educado... Mas hoje o Tiago Pinto no Benfica Dependente 'telepaticamente' adivinhou tudo aquilo que me passou pela cabeça!!! Demagogia pura, nem sequer uma ideia original, nem um objectivo claro, nenhum projecto especifico desportivo ou estrutural...!!! Os comentários deixados no mesmo post também são 'engraçados', e esclarecedores: quem não usa a difamação para atacar o Vieira e os seus apoiantes, é porque foi pago!!! Esta é a lógica da batata!!! Os profissionais anti-Vieira tão rápidos a encontrar os podres do Vieira e nos seus apoiantes (incluindo meros blogger's), que expõem nos seus blog's e fóruns, estão em completo silêncio sobre personagens como o Veiga ou o Ribeiro e Castro!!!
As coligações negativas têm destas coisas, obrigam a 'engolir' muitos 'sapos', e quando o ódio de estimação desaparece, deixam de existir razões para estarem ligados... E quando o principal argumento é o nível de Benfiquismo, está tudo dito, até nos blog's é mais ou menos assumido que não vale a pena entrar por esse 'caminho' nas discussões mais básicas, mas neste caso os possíveis argumentos são tão escassos, que obrigam a entrar pela demagogia...
O processo que levou à saída do Nuno Gomes, transformou o ex-capitão num dos ídolos máximos dos anti-Vieira!!! O apoio do Nuno ao Vieira deixou-os em silêncio!!! Na última AG os 'petardeiros' exigiam o Rui Costa como Presidente, o Rui mantém-se fiel ao Vieira, e eles? Em silêncio!!!
O próprio Rangel já teve várias oportunidades para se afastar da maneira como o Presidente e a Direcção foram tratados na última AG, mas não o fez, tornando-se assim por omissão cúmplice, senão mesmo participante...
Os mestres do FM, que semanalmente apresentam soluções, quase bíblicas, de gestão financeira, económica e desportiva nos seus blog's, alguns reclamando para si, uma vastíssima experiência no mundo dos negócios, agora estão dispostos a apoiar um Juiz, que nunca GERIU nada na sua vida, nem sequer uma mercearia!!! Como é que alguém sem qualquer experiência, ou formação de Gestão, pretende ser o Presidente de uma Associação que gera (com receitas extraordinárias) mais de €130 milhões de euros, por ano???

PS: Os ataques à Benfica TV ( e restante grupo de comunicação) também foram 'engraçados', pois demonstram a perigosa ignorância desta gente. Bastava recordar as últimas eleições para se saber que a linha editorial da Benfica TV, não permite a cobertura das eleições do Benfica. Exactamente para não permitir acusações de favorecimento a uma das listas...

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Chamaram-lhe a desforra de Berna...

"Seis meses depois de ter vencido o Barcelona na final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, o Benfica aceitou o repto de jogar em Camp Nou. A vingança não aconteceu.

Chamaram-lhes eles, os de Barcelona. Desforra de um jogo mal digerido, o de Berna, a 31 de Maio de 1961, final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, como na altura se dizia. Barcelona-Benfica: Estádio de Wankdorf. «La final de los palos cuadrados», escreveram os jornais da Catalunha. Quatro bolas nos postes da equipa portuguesa: Kocsis, Kubala (duas vezes no mesmo remate) e Czibor: Três húngaros, a mesma sorte. Ou falta dela.
Os espanhóis agarram-se aos postes. Parecia que, com eles, explicavam tudo: a derrota e a fuga da Taça dos Campeões que demoraria mais de trinta anos até arranjar lugar em Camp Nou.
Em 1961, faltava dinheiro ao Barcelona. O clube vivia momentos complicados. Um «deficit» de muitos e muitos milhões, asseguravam os correspondentes dos jornais portugueses em Espanha.
No dia 22 de Novembro de 1961, praticamente seis meses após a final de Berna, o Benfica está em Barcelona. O «cachet» é de 30.000 dólares. Os dirigentes do Barcelona esperam fazer muito mais. Pagar ao Benfica e ainda reforçar os cofres depauperados do clube que vive à sombra do Real Madrid cinco vezes Campeão Europeu.
Aposta-se na especulação: transforma-se um encontro particular numa vingança. Numa «révanche». Os meios de comunicação ajudam: espalham aos quatro ventos a repetição da grande final de Berna, agora sem «palos». Parece que a taça que o Benfica levou para Lisboa está de novo em disputa. Não está. Mas o prestígio está em jogo. E Béla Guttmann sabe-o bem.
Três dias antes do encontro, a crise do Barcelona agudizara-se. Na deslocação a Valência, a derrota fora bruta: 2-6.
O Benfica, por seu lado, baterá o Lusitano de Évora, por 3-1.
Luís Miró, treinador do Barça está com a cabeça a prémio: não tardaria a ser demitido. Ladislao Kubala assume o cargo de treinador interino.
Mas isso é mais daqui a pouco: primeiro o Benfica joga em Camp Nou.

Novembro terrível em Barcelona
É um Novembro terrível em Barcelona. E não, não tem nada que ver com Futebol. É um Novembro terrível de frio e chuva. Segunda e terça-feira o tempo agrava-se. A água cai do céu continuadamente. Bem podem os jornalistas catalães acenar com o jogo do século, com a definitiva reposição da verdade dos factos, com o confronto que ditará, desta vez é que sim!, qual a melhor equipa da Europa, como se a final de Berna não tivesse passado de m ensaio.
Em Lisboa discute-se: valerá a pena pôr em causa a vitória do Benfica? Há motivos que justifiquem o aceitar de um convite deste género, jogando em casa do adversário, dando-lhe de mão beijada todas as vantagens?
Há: 30 mil dólares!
O Futebol já é um universo de dinheiro; um Mundo de compra e venda.
A intempérie frustra o Barcelona: só 40 mil adeptos num estádio com capacidade para 100 mil.
O Benfica frustra o Barcelona: nem em sua casa, perante o seu público, os catalães conseguem a vitória.
A primeira parte do Benfica é brilhante de classe e de clareza no seu futebol ofensivo. O Barça vê-se dominado, controlado, incapaz.
Santana e Coluna enchem o campo: um é fino recortado, requintado até; o outro é forte, possante, avassalador.
As pérolas negras do Benfica.
Eusébio é outra: rapidamente vai conquistando o seu lugar.
Santana faz 1-0; por muito pouco está a beira do 2-1. A bola bate no poste. Malditos «palos»!
Na segunda parte, Guttmann, defende. Lança jogadores novos: Simões, Torres, Mário João.
O Benfica bate-se, é valente. Aguenta a precipitação adversária e sustém os seus intentos. Controla o jogo porque é imperioso que assim seja. Tem uma aura de Campeão da Europa a conservar e sai com ela intacta do terreno do seu maior rival.
A desforra de Berna não existiu.
Béla Guttmann sorri: «Para a próxima cobraremos 35 mil dólares».
É justo!"

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Como não fazer

"Atendendo à história recente do futebol português, e olhando para os nossos dois principais adversários, podemos encontrar exemplos, por um lado, daquilo que não se deve fazer para ganhar, e por outro, de quase tudo o que pode fazer para perder. Deixando por agora os meios subterrâneos utilizados pelo rival nortenho, que lhe sustentaram o crescimento até ao patamar competitivo onde agora se encontra, mas que não fazem parte da nossa cultura de desportivismo, centremo-nos no caminho seguido pelo vizinho da 2.ª Circular, que o levou a um buraco onde decerto nenhum benfiquista gostaria de estar.
É curioso desde logo verificar como, numa década, a correlação de forças entre Benfica e Sporting se inverteu. Em 2022 o Sporting vinha de dois títulos em três anos, e o Benfica não festejava desde 1994. O nosso rival lisboeta apresentava-se ao País como o pináculo da modernidade, com a sua gestão empresarializada, e com um novo estádio prestes a ser inaugurado. Do lado de cá tínhamos a maior crise da nossa história (não só de resultados, mas de identidade, e até de dignidade), e quase perdíamos a esperança.
O que foi feito na nossa casa merece o realce que a memória de muitos por vezes parece esquecer. Do outro lado foram cometidos erros que não nos interessa escalpelizar, tirar algumas ilações.
A primeira das quais é a de que um clube de grande dimensão social e mediática, jamais poderá ser gerido de fora para dentro (e no Sporting tal sucedeu com demasiada frequência). A segunda é a de que qualquer minoria organizada de sócios, por muito fervilhante que seja o seu amor clubista, não pode nunca representar mais do que a mera soma aritmética desses mesmos sócios.
No Benfica, felizmente, os dirigentes são para dirigir (sujeitando-se, no fim de cada mandato, ao escrutínio dos sócios), o treinador para treinar, os jogadores para jogar, e as claques para apoiar. Qualquer inversão destes termos traria aquilo que, com sentimentos de piedade, vemos de outro lado da rua."

Luís Fialho, in O Benfica

Saudade

"Foi no pretérito 5 de Outubro, por coincidência aniversário da República. O Sport Lisboa e Saudade comemorou 69 anos. A estrutura representativa dos antigos jogadores do Benfica caminha para as Bodas de Diamante num momento de grande vitalidade e insuspeito companheirismo, que nem o cruzamento de gerações distintas consegue atenuar.
Como diria o Chico Buarque, um apaixonado por Futebol, 'foi bonita a festa, pá'. Desde manhã, na Luz, começaram a afluir muitos jogadores que escreveram história, eles que vestiram a honraram o manto sagrado do Clube.
Estive com o Eusébio, o Artur Santos, o José Augusto, o Cruz, o Vítor Martins, o Humberto Coelho, o Carlos Manuel, o Pedro Mantorras. Tantos e tantos outros. Afinal, os filhos mais queridos de um família com milhões de membros.
O mítico Sport Lisboa e Benfica, a sua expressão universal, o seu carácter aglutinador deve-se, antes de mais, àqueles que o serviram. Esses que entusiasmaram, num longo percurso centenário, legiões de fãs, de adeptos, de simpatizantes.
Esses que deram mais substância às nossas vidas emocionais, que provocariam hemorragias colectivas de agrado.
Foi um privilégio participar na comemoração e ter feito uma alocução sobre o livro lançado pelo Tuna, um antigo júnior da casa, também jornalista e excelente contador de histórias com o singular picante da bola. Falou-se muito de saudade? Óbvio que sim. Mas qual é a melhor maneira, também (e sobretudo) no Benfica, de comemorar e dignificar o passado? Só pode ser construir o futuro. Com novas realizações, com novas proezas, com novas epopeias."

João Malheiro, in O Benfica

domingo, 14 de outubro de 2012

Mais um Troféu...


Benfica 71 - 44 Académica
14-17, 19-4, 16-14, 22-9

Início desconcentrado, mas no 2º período tudo voltou ao normal... Interessante verificar a evolução dos vários ex-jogadores da formação do Benfica, na Académica...!!!
Mais um troféu de pré-época para as modalidades do Benfica, no Basket todos estamos à espera de um domínio avassalador, mas haverá com certeza jogos parecidos com o 1º período - e com o 3º !!! - deste jogo. Vai ser muito importante o trabalho motivacional da equipa técnica...

Na 3ª ronda da Taça EHF


Loacker Südtirol Team 25 - 40 Benfica

Mais uma vitória sem 'espinhas', agora ficamos à espera do sorteio da 3ª ronda - 23 de Outubro -, onde já vão estar equipas dos Campeonatos mais complicados - Alemão, Espanhol e Francês -, recordo que em caso de sucesso na 3ª ronda, vamos disputar a novíssima fase de grupos da Taça EHF, estilo Liga Europa!!!

Para "camelo" ver...!!!


Baniyas 0 - 4 Benfica

Bom treino, para os menos utilizados... Estas digressões (com jogos particulares), normalmente são muito boas para o reforço do espírito de união do plantel...
Curiosa as criticas feitas, em relação a este jogo, e as comparações com um jogo em Angola, após uma derrota pesada no Dragay!!! Esquecendo-se que depois do jogo de Angola, o Benfica iniciou uma série vitoriosa, creio que foram à volta de 20 vitórias consecutivas, só interrompidas pelo Xistra (creio)!!!

Adeus Europa


Iberia 7 - 4 Benfica

Seria sempre difícil - em quaisquer circunstâncias -, apesar de todas as equipas presentes nesta fase da competição, estarem ao nosso alcance, mas além das dificuldades esperadas, ficámos sem o Diece - castigado -, e sem o Joel - lesionado!!! O César Paulo tem feito os últimos jogos claramente limitado, e o Davi regressou, após não ter jogado os dois primeiros jogos desta prova, por lesão!!!
Com a vitória do Gyor frente ao Luparense, o empate com 3 ou mais golos, era suficiente... o jogo não foi bonito, tivemos sempre em desvantagem, mas quando o Nené fez o empate a 4 golos, a cerca de 15 minutos do fim -  depois de termos ido para o intervalo a perder 2-4 -, comecei a acreditar... mas a 3,14m do final da partida o árbitro marcou penalty contra o Benfica, e expulsou o Marinho... e os Georgianos - com 8 Brasileiros na equipa!!! - passaram para a frente... o Benfica tentou em desespero o 5x4, mas a 38seg. e a 15seg. do fim, o Iberia marcou dois golos, fazendo o resultado final...
A equipa não tem jogado bem, as lesões não têm ajudado, neste momento vencer a UEFA Futsal Cup é se calhar pedir demais tendo em conta o nosso potencial e o dos nossos adversários... Se a nível interno já houve jogos com falta de entrega - ou demasiada sobranceria -, nestes jogos isso não se passou... Assim, fora da Europa temos que nos concentrar no Campeonato - onde já estamos atrasados...
Não gosto de fazer de treinador de bancada, mas... até aceito a titularidade do Bebé em detrimento do Marcão, apesar de não concordar;  mas tenho muita dificuldade em compreender os demasiados minutos do Teka, ainda por cima comparados com os poucos minutos do Vítor Hugo - e do Coelho -, se quisermos repetir os êxitos da época passada, temos que melhorar muito...
Agora, discordar de algumas decisões, não implica anuir às palermices do grupinho de iluminados do costume, que logo após o termino do jogo, no Fórum do costume, resolveu baixar o nível atacando tudo e todos... esta secção tem sido a mais vitoriosa do Benfica na última década, na época anterior venceu tudo... a falta de respeito constante, por parte dos frustrados do costume, sempre que um resultado não é o desejado, é uma das expressões de pseudo-benfiquismo mais asquerosas que sou obrigado a assistir...

Sem brilhar, mas com a vitória...


Benfica 3 - 0 Marítimo
25-19, 25-22, 25-18

No segundo jogo do fim-de-semana, o treinador resolveu rodar os jogadores, deixando de fora o Vinhedo, o Gaspar - que entraram mais tarde... - e o Coelho - o Reffatti não foi opção nesta jornada dupla, creio que está lesionado -, dando a titularidade ao Tavares, ao Ché e ao Magalhães... creio que é estratégia adequada, espero que seja para continuar. Até podemos perder alguns Set's em jogos onde se espera os 3-0, mas a rotação de todo o plantel e importante: evita a sobrecarga de jogos, nos jogadores mais utilizados; e dá ritmo de jogo aos menos utilizados. Algo que nas últimas épocas não tem acontecido.
Sendo assim, o jogo não foi espectacular, cometemos algumas falhas, mas a vitória nunca esteve em causa...

sábado, 13 de outubro de 2012

Cento e cinco !!!


Benfica 105 - 61 Barcelos
26-8, 23-16, 23-20, 33-17

Boa atitude, apesar da abismal diferença de valor dos plantéis, a equipa do Benfica nunca deu o jogo como ganho, e atacou sempre o cesto, com concentração e sentido colectivo, só assim foi possível vencer com uma diferença tão grande... Ás vezes, nestes casos, a sobranceria acaba por tornar o jogo 'irritante', não foi o caso...
Amanhã, na Final do Troféu António Pratas, vamos defrontar a Académica, o jogo será mais complicado, o descanso entre jogos é curto, o Elvis e o Gentry (além do Dunn) continuam lesionados, mas o jogo é claramente para ganhar...

Tornar o acessível, mais fácil !!!


Benfica 32 - 20 Loacker Südtirol Team

Já se esperava que estes Italianos fossem acessíveis, mas o Benfica não facilitou, e assim decidiu praticamente a eliminatória, apesar de ainda faltar o jogo de amanhã...

Uma nota: os jogos da Taça EHF, na Luz, não estão a ser transmitidos em directo na Benfica TV, porque não existiu acordo financeiro entre o Benfica e a EHF.

Como complicar, aquilo que devia ser fácil !!!


Benfica 9 - 6 Limianos

Vitória demasiado complicada... não se pode sofrer 6 golos do Limianos - mesmo reforçado -, tivemos a perder, e até pouco minutos do fim, o espectro do empate, não se ia embora!!! Se a atacar houve movimentações interessantes, a defesa foi uma desgraça...
O Benfica foi o principal culpado, do jogo emotivo que se assistiu no Pavilhão da Luz, mas os jogadores do Limianos também deveriam ter saído satisfeitos com a luta que proporcionaram, e com os aplausos da bancada... mas a atitude bem 'tuga' que tiveram contra a equipa de arbitragem, com queixas e queixinhas constantes, uma ou outra com razão, mas a grande maioria sem qualquer razão, transformaram o jogo, jogado com uma bola e um stick, num constante jogo de palavras, e assim lá se passou mais um jogo em constante picardias...!!! Se calhar foi o exemplo da 'prima-dona' - do Futebol - ontem em Moscovo!!! A arbitragem não teve bem, é verdade, mas pelo menos errou para os dois lados, e não teve influência no resultado. Prova disso mesmo, foi o facto de nenhuma das equipas ter chegado às 10 faltas, algo pouco comum no Hóquei...
No dia que recebemos as justíssimas Faixas de Campeão da época passada, os adeptos mereciam um fim de tarde mais descansado...!!!
Para a semana vamos a Valongo, deslocação sempre complicada, com a equipa da casa, a fazer sempre a melhor exibição da época, com graus de agressividade muito acima da média. A jogar assim, vamos ter muito problemas!!!

Vitória... amanhã, temos outro jogo...


Ac. Espinho 0 - 3 Benfica
22-25, 20-25, 21-25

Vitória confortável, contra um adversário limitado, mas que acaba por dar sempre algum trabalho, já que tem uma boa defesa baixa, nunca dando um ponto por perdido!!!
Amanhã recebemos o Marítimo...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Aguenta coração !!!


Luparense 2 - 3 Benfica

Se no dia anterior, permitimos o empate a 2 segundos do fim - a vencer por 3-0 a 3 minutos do final -, hoje aos 39 segundos de jogo, já estávamos a perder por um 0-1 !!! Como é tradicional 'obrigámos' o guardião contrário a ser o jogador em maior evidência, com 17 defesas - contra 9 do Bebé -, mesmo assim, a meio da 1ª parte empatámos... No início da 2ª parte, o Joel 'resolveu' falhar um penalty, e um pouco mais à frente, voltámos a ficar em desvantagem no marcador... A 7 minutos do fim empatámos, e como a vitória era o único resultado que nos interessava - ainda não sabíamos o resultado do outro jogo do grupo, que terminou com um surpreendente empate!!! -, arriscámos jogar com o guardião avançado - a tal estratégia que eu não gosto!!! -, e foi já com o Marcão na quadra, que 2,30min do fim, o Teka marcou o golo da vitória, após uma assistência do nosso guarda-redes 'avançado'... Foi assim em grande sofrimento, com o Bebé de regresso à baliza - com várias intervenções nos últimos segundos -, que terminou a partida...!!!
O Diece tem jogado, mas de certeza que ainda não está com ritmo de jogo, após uma longa paragem. O Davi não tem jogado, devido a lesão. O César Paulo tem jogado condicionado, hoje por exemplo não fez um único remate à baliza!!! A equipa nos últimos tempos, tem demonstrado algumas fragilidades, e com todas estas condicionantes extra, as dificuldades aumentam...

O empate do Gyor com o Iberia acabou por baralhar as contas, com o Luparense matematicamente de fora, é possível que os Húngaros do Gyor - ex-equipa do Feher!!! - vença os Campeões Italianos na última jornada, no Domingo. Se isso acontecer, um empate com 3 golos - ou mais -, será suficiente para o Benfica garantir o 1º lugar no Grupo e a respectiva qualificação para a Final Four, já que num empate a 5 pontos das três equipas, o critério aplicado válido será o do número de golos marcados nos jogos entre os três - Benfica, Gyor, Iberia!!! No início do Iberia-Benfica já se saberá o resultado do Gyor-Luparense, por isso a gestão será mais fácil, mas a este nível teremos sempre que jogar para vencer, e apesar de todas as dificuldades que vamos encontrar, temos que acreditar...

O gin deixa de saber bem

"Quando se está no Mamounia em Marraquexe, a beber um gin tónico, em fim de semana com bons amigos, parece que nada nos pode tirar a tranquilidade. Por momentos acreditamos que o paraíso existe. Mentira!
Receber um SMS que diz «golo do Beira Mar, 4 minutos... frango do Artur», altera tudo. O gin deixa de saber bem, a bonita menina do bar fica desinteressante, os amendoins já não passam na garganta.
Estar sem ver o jogo, que sabemos estar a correr mal, à distância, a receber SMS preocupados de vários amigos diferentes, é um suplício, é uma tortura do Marquês de Sade. Vejam bem: «Jogo lento», «estamos cansados», «Salvio ao poste», «hoje cheira a drama», «penalti... falhamos», «digam, agora, mal do Cardozo», aqui estão apenas alguns dos publicáveis. Não há cardiologista para isto.
Lá veio, enfim, um que disse «super Maxi goooooloooo» seguido de outro que disse «Rodrigo dois, dois, dois» e a coisa ficou menos dramática. Mas até ao fim houve tempo para os inevitáveis «se não marcamos o terceiro dá asneira» ou «contra o fraco Beira Mar não havia necessidade de sofrer tanto» e finalmente o salvífico «Ufffff acabou».
Lá se pôde escolher o foie gras e pedir o tinto para lentamente descomprimir. É dura a vida de um adepto à distância e manifestamente errado o provérbio «longe da vista longe do coração». Se é certo que estas vitórias podem fazer a diferença nas contas finais e definir campeões, também é verdade que não gostamos de passar por estes sustos em jogos destes.
Com a vitória da Supertaça de voleibol, o Benfica inicia a época com quatro conquistas em modalidades de pavilhão. As vitórias no hóquei, futsal, andebol e voleibol prometem uma época de luxo.
Na próxima quinta-feira há Taça em Freamunde primeiro degrau para o Jamor, já saudoso e demasiado longínquo na nossa memória."

Sílvio Cervan, in A Bola

Objectivamente (restaurantes vs. alternes)

"Ficou mais ou menos definido este fim-de-semana o curso dos acontecimentos na presente Liga de Futebol.
O Benfica tem de jogar sempre no máximo para conseguir os três pontos da ordem. O nosso rival directo só tem de jogar o suficiente porque os deuses abençoam sempre nos momentos de incerteza e nas falhas!
Eu sou dos que apontam sempre os benefícios do FCP mesmo que não joguem contra nós. Não espero pelas decisões de Proença e seus adjuntos ou das paixões de qualquer apitador para criticar o que se vai passando neste triste Futebol português. Este FC Porto-Sporting foi bem elucidativo do que nos espera quando tivermos de defrontar essas «feras»!
Estou muito em querer que, pela amostra, a velha lenda das 60 vitórias e 4 anos sem derrotas no Dragão para o Campeonato interno, se vai manter por mais tempo. Assim, ninguém ali ganha!
Bem se podem queixar os nossos rivais de Alvalade por muito que quiserem levantar a cabeça depois das desgraças que, por culpa própria, têm sofrido nas últimas semanas. Por falar em polémicas, é bom que não se calem Devesa Neto e Guilherme Aguiar, antigo árbitro auxiliar e antigo D.G. da Liga depois de na RDP terem contado histórias antigas - mas muito actuais - sobre favorecimento de clubes por árbitros e de árbitros por clubes. Aguiar, que gosta de dar umas piadinhas sobre «coisas que sabe» pelo ofício que prestou na Liga dele e do Major Valentim Loureiro, teve azar desta vez, pois o visado, Devesa Neto, antigo árbitro auxiliar, respondeu-lhe à letra quando foi acusado por Aguiar de ter recebido no seu restaurante Luís Filipe Vieira como se isso ocorresse nalgum crime! Disse-lhe Devesa Neto que mais vale comer à vista de todos num restaurante frequentado por gente séria que ir a casas de alterne acompanhado por gente duvidosa com objectivos obscuros! Resumindo, era disto que se acusavam. Uma novela que devemos acompanhar até ao desfecho! Promete."

João Diogo, in O Benfica

Trêspontonove

"Num máximo de cinco é excelente, não fossem as contingências. A primeira deixa-nos confusos: trêspontonove em quê? Convenhamos: se a bitola se destinava a premiar a incompetência, foi justo. Mr. X é um incompetente de marca maior. Um dos mais competentes incompetentes que temos visto. Podia ter tido uma nota mais alta, na verdade, mas também é capaz de mais.
A qualquer momento surpreende-nos com uma incompetência superlativa e, aí sim, verá o seu talento recompensado pelos senhores observadores. Mas o tal trêspontonove também pode ter sido na escala da subserviência. De novo nota justa. Mr. X obedece furiosamente aos ditames do seu chefe de cócoras. Gosta de estar bem visto por D. Palhaço e pela sua corte de imbecis. E assim, rasteja. Põe-se a jeito. É preciso agradar o patrão! É preciso deixar o Gaseificado feliz, de sorriso nos lábios. Mr. X faz a vontade. Inventa penáltis, faltas, foras-de-jogo, tudo  que possa fazer do clubezinho de Rio Tinto um comandante isolado.
Mas há mais hipóteses. A escala que notifica Mr. X é a escala da canalhice. De novo, pontuação a condizer. Ratonice levada a cabo com desplante. Esbulho realizado à cara-podre, perante milhares em redor do relvado, e milhões na televisão.
A ladroagem não perdoa. É feita às claras. Merece prémio? Claro que sim! Não é este um País de ladrões e de trafulhas? Palmas para Mr. X! Incompetente, submisso, tafula: que se pode exigir mais do seu labor? Nada. Leva trêspontonove!
Leva trêspontonove por ser aquilo que muitos de nós desprezamos e tantos outros têm como princípio de vida. Quanto ao observador que lhe atribuiu trêspontonove, não tenho dúvidas: leva quatropontonove. Em pouca-vergonha!"

Afonso de Melo, in O Benfica

O Xistema

"1. Se os erros dos árbitros ainda se podem levar à conta de erros humanos, próprios de decisões instantâneas e das dificuldades de visionamento dos lances (embora quando mais frequentes esses erro, piores os árbitros e quanto mais frequentes... para os mesmos lados, mais duvidosa a sua imparcialidade...), os erros dos observadores já são bem mais difíceis de 'engolir'.
Ora, a nota mais atribuída pelo observador à arbitragem de Carlos Xistra no último Académica-Benfica - bem acima da média das melhores -, para além de ser um escândalo, mostra a verdadeira face do Sistema (ou, neste caso, Xistema) e como ele se produzia (e reproduzia) nos anos oitenta e noventa do século passado, quando os árbitros medíocres como os Calheiros, Fortunato Azevedo, Francisco Silva, José Silvano, etc., atingiram posições de relevo graças às notas dos observadores e à protecção dos dirigentes de arbitragem, de forma a estarem depois nos jogos importantes e fazerem o 'trabalhinho'. Pelos vistos, o Sistema mantém-se...

2. O Conselho de Disciplina da Federação arquivou o processo relativo às condições da Caixa de Segurança do nosso Estádio, nascido de queixas do Sporting, cujos adeptos (liderados pelo célebre Paulo Pereira Cristóvão) inauguraram essa estrutura, cada vez mais comum nos estádios europeus e entretanto utilizada (sem protestos) por várias outras claques nacionais e estrangeiras. O desfecho não poderia ser outro. O que se estranha é a demora na decisão quanto aos factos graves que aconteceram no final do jogo nessa mesma bancada...
Curiosamente, no mesmo dia, o Sporting era castigado por sobrelotação de três sectores do seu estádio num jogo com o FC Porto da época passada. Pela boca morre o peixe!...

3. ...E vão quatro Supertaças! Embora só considere positivas as épocas quando ganhamos os Campeonatos Nacionais, não deixa de ser muito bom este início de época das modalidades, com quatro vitórias em outras tantas Supertaças. Só fica a faltar a de Basquetebol!...

4. Uma espécie de 'autocrítica': no nosso Jornal da semana passada, não gostei de ver a notícia da Assembleia Geral na qual o relatório e contas não foi aprovado reduzida a meia-dúzia de linhas. Uma coisa são as opiniões, que devem ser livres (e eu próprio me manifestei nesta coluna), outra são as notícias, que devem ser factuais e completas. Se o relatório tivesse sido aprovado, a notícia teria certamente outro destaque."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Mudando de assunto

"Segundo a comunicação social, Antonino Silva foi arguido no processo ‘Apito Dourado’, por alegada falsificação de classificações dos árbitros, durante a época de 2003-04. Falava-se em alegadas pressões sobre observadores de árbitros e falsificação dos relatórios, para beneficiar alguns árbitros e prejudicar outros nas classificações. Além disso, havia referências a um episódio em que Lucílio Baptista telefonara a Pinto de Sousa mostrando-se descontente com a nota de um exame escrito que contava para a sua classificação final. Alegadamente, pouco tempo depois, o mesmo Pinto de Sousa teria recebido um telefonema de Antonino Silva, membro da Comissão de Análise da Liga, garantindo-lhe que a nota havia “subido substancialmente”.
Mudando de assunto, há relatos recentes, na imprensa, de que Antero Henrique, membro da SAD do FCP, teria tido uma reunião secreta, no dia 14 de Setembro, para vetar os árbitros Duarte Gomes e Bruno Paixão. Essa reunião teria tido como interlocutores o presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, Vítor Pereira, o vogal Lucílio Baptista (ele mesmo!) e o vice-presidente… Antonino Silva.
Mudando de assunto, nos últimos 24 (vinte quatro) ‘clássicos’ que envolveram o FCP estiveram presentes nove árbitros. Curiosamente, sempre que o FCP perdeu um desses jogos, o árbitro envolvido nunca mais foi nomeado para clássicos que envolvessem o… FCP. Curiosamente, Jorge Sousa e Pedro Proença apitaram 50% dos ditos jogos.
Mudando de assunto, João Brites Lopes, observador de árbitros, classificou o desempenho de Xistra no jogo Académica - Benfica como Bom (3,9 em 5)… e já passaram quase dez anos desde a referida época de 2003-04."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

Afinal era outra a verdade

"(...)
Balanço do Benfica Clube
Sem medo nem rodeios, mas também sem asneiras de demagogos, vamos lá todos analisar a parte do Passivo do Benfica Clube - Sport Lisboa e Benfica, nas últimas contas. Damos de barato para próximas núpcias, o Activo...
Quem reparou com atenção nos números à frente das diversas rubricas que constavam do relatório e contas original, facilmente percebia que, para interpretar esses mesmos números tinha de se ir mais à frente, para os mais incautos, págs.60 e segs. e ler as explicações, numa coisa que se chama 'Notas de Anexo às Demonstrações Financeiras'.
Por isso, para o que nos interessa, tínhamos as notas números 19, 21, 9, 14, 22, 23, 12, 20, 24 e 14. Ora, nem o famigerado jornal matutino se deu a este trabalho, nem ninguém quis saber disto!
Da nota 19, resulta afinal que o montante de €43.880.425 é resultante do Método de Equivalência Patrimonial (questão técnica a ver com as participadas). Nada que um aumento de capital ou a reavaliação do Estádio em termos contabilísticos não resolva logo. Ou seja. É ZERO de relevância real financeira como Passivo.
Da nota 21, resulta que as responsabilidades por benefícios pós emprego são afinal complementos futuros de reforma, sabe-se lá a quantos anos. Por este andar, se as pessoas se reformarem aos 70 anos, serão responsabilidade daqui a 30 anos e se os sócios não querem que os seus funcionários recebam complementos de reforma no futuro, aceitam-se sugestões!
Da nota 9 resulta que a rubrica de impostos diferidos afinal não é nada de nada. É meramente um movimento contabilístico derivado do Benfica Clube estar isento e tal reconhecimento ser exigido pelas normas contabilísticas de relato financeiro. Influência financeira real - ZERO!
Da nota 14, resulta que estamos perante mais diferimentos, ou seja, perante a aplicação do método de que um custo se regista pela factura e não pelo recibo. Contabilizaram-se nessa conta, essencialmente custos de movimentos entre o grupo, mas que não tem em atenção os proveitos, que poderão gerar, pois são diferidos. Daí que influência financeira real - ZERO!
Da nota 22 resulta que afinal o montante de fornecedores corresponde a €12.057.088 de dívidas entre empresas do grupo, restando €2.543.294 de fornecedores gerais. Por isso, influência financeira real - ZERO!
Da nota 23, resulta que o adiantamento de clientes aí previsto resulta afinal de um adiantamento do Sport Lisboa e Benfica Multimédia S.A. Por isso, influência financeira real - ZERO!
Da nota 20, resulta que o valor de empréstimo do Benfica Estádio. Por isso influência financeira real - ZERO! (€5.800.000)
Da nota 24, resulta que o valor correspondente é maioritariamente respeitante ao posto de abastecimento e a empresas do Grupo. São ambos resultantes de obrigatoriedades de movimentações face às normais contabilísticas de relato financeiro. Por isso, influência financeira real - ZERO!
Por último, da nota 12, será a única de jeito. Mas, logo para azar dos críticos, o valor de €2.470.619 corresponde a uma fiscalização efectuada aos exercícios de 1998 e 1999, repito, 1998 e 1999 (lá vem o Vele e Azevedo novamente). A dívida está impugnada mas o Benfica relevou-a por uma questão de prudência. Mais um 'bife' do Mestre das Fotocópias. Curiosamente, é a única que poderá obrigar o Benfica a desembolsar dinheiro, ou seja, a única com influência real financeira. Uma dívida do Vale e Azevedo! Quem diria?
Agora, perante isto tudo, o que querem que vos seja mais dito? O segurança do Bruno de Carvalho que esteve na Assembleia e que por acaso se fez sócio nesse dia e pertence a uma claque dos rivais do Benfica? É isto?!

PASSIVO
PASSIVO NÃO CORRENTE
Provisões.............................................................45.510.814
Responsabilidades por Benefícios Pós-Emprego............3.510.723
Passivos por imposto diferidos.................................10.636.221
Diferimentos.........................................................12.532.756

PASSIVO CORRENTE
Fornecedores.......................................................14.600.382
Adiantamentos de Clientes.........................................850.837
Estado e outros Entes Públicos.................................3.373.280
Accionistas/Sócios......................................................70.113
Financiamentos Obtidos..........................................5.800.000
Outras Costas a Pagar..........................................13.719.438
Diferimentos........................................................41.526.242

TOTAL PASSIVO.............................................€113.403.756
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

Uns de calcanhar, outros de bicicleta, outros nem por isso

"Há uma malta do Sporting que pelo menos duas vezes por ano dá-lhe a vontade bacteriologicamente impura de unir esforços com o Benfica contra os malandros dos árbitros

DE calcanhar e de bicicleta. Foi assim que o FC Porto e o Benfica se desembaraçaram dos seus adversários do último fim-de-semana nos jogos respectivos a contar para a Liga portuguesa.
Na Luz, o Beira-Mar deu muito mais trabalho ao Benfica do que no Dragão o Sporting deu ao FC Porto.
Na Luz e no Dragão aconteceu um episódio idêntico e curioso. Os dois emblemas beneficiaram de duas grandes penalidades muito, muito duvidosas, e os chamdos a converter, Rodrigo e Lucho González, falharam cavalheirescamente os seus pontapés, desaproveitando as oferendas.
Um amigo que tenho, agnóstico, aproveitou logo o desaproveitamento de Rodrigo e de Lucho para proclamar que se Deus existisse era sempre assim que as coisas se passavam com as grandes penalidades muito duvidosas.
Outro bom amigo, cuja fé é o Sporting, querendo-me sensibilizar para a sua causa quase me gritou aos ouvidos que a segunda grande penalidade a favor do FC Porto, que foi convertida com sucesso por James, nem sequer nasceu da vontade do árbitro em prejudicar o Sporting.
Tentei dizer-lhe, com todo o respeito, que tal não seria preciso porque ninguém prejudica mais o Sporting do que o próprio Sporting.
Nem me ouviu. Pretendia convencer-me que o árbitro tinha inventado aquele penalti com o intuito de prejudicar o Benfica visto que se o resultado passasse para 2-0 passaria o FC Porto para a liderança do campeonato por ter melhor diferença de golos.
Nem lhe respondi. Há uma malta do Sporting que pelo menos duas vezes por ano dá-lhe a vontade bacteriologicamente impura de unir esforços com o Benfica contra os malandros dos árbitros.
É inevitável. Acontece-lhes sempre que jogam com o FC Porto e normalmente perdem e normalmente apresentam no fim de cada jogo uma lista interminável das malfeitorias de que foram vítimas.
Depois passa-lhes logo. Até ao próximo jogo com o FC Porto, evidentemente.
Francamente, não consigo afirmar sem hesitação que Boulahrouz está inocente no lance com Jackson Martínez que o árbitro entendeu ser merecedor de castigo máximo. É muito provável que esteja... mas... no entanto...
O que acontece com Boulahrouz é que o holandês é aquele tipo de defesa espadaúdo que, inocente ou culpado, tem sempre cara de penalti.
Na sequência da derrota no Dragão e de todo o processo em curso da substituição de Sá Pinto no comando técnico da equipa, veio a público o presidente do Comité Olímpico Português, Vicente de Moura, deixar no ar que gostaria de se candidatar à presidência do Sporting mas que sendo um cidadão comum não o pode fazer.
Explicou muito bem porquê:
-Qualquer pessoa que não tenha ao seu dispor quantias muito elevadas não o pode fazer. E eu não tenho capacidade financeira ou crédito junto dos bancos.
Disse uma grande verdade que se aplica ao Sporting e muitos outros clubes nacionais. A brutalidade dos passivos afasta liminarmente o cidadão comum do sonho da presidência dos seus clubes.
Olimpicamente, Vicente de Moura continuou a explanar os motivos que o impedem de avançar:
-Para poder beneficiar do trabalho de muitos sportinguistas, o Sporting, no mínimo, tem de ter as suas finanças equilibradas. Caso contrário, só indivíduos ricos, demagogos ou oportunistas estarão em condições para o fazer.
É precisamente por este conjunto de razões que do outro lado da rua, refiro-me à Segunda Circular, Luís Filipe Vieira pode partir para mais um acto eleitoral sem adversário à vista, o que não é bom para o Benfica nem para o próprio Luís Filipe Viera.
Sim, também eu li que Rui Rangel poderá anunciar a sua candidatura até ao final da semana. Mas até ao final da semana podem acontecer tantas coisas que o melhor será aguardar antes de concluírmos que o actual presidente vai ter concorrente à cadeira.
Por este caminho qualquer dia deixa de haver eleições nos clubes de futebol. Aquele velho pormenor democrático a cada três anos está a transformar-se numa coisa obsoleta, sem cabimento prático perante o avolumar dos passivos em montantes astronómicos e tilitantemente dissuasores.
Rogério Alves, que já foi presidente da assembleia geral do Sporting, ainda no princípio desta semana falou sobre o assunto, dissuadindo os seus consócios da exigência de eleições no clube para mudar o presidente.
-Temos o tique das eleições como se isso resolvesse alguma coisa - disse à Antena 1.
O «tique das eleições», expressão triste, tristíssima, que sintetiza a realidade: a inoperância da velha democracia dos clubes de futebol, tal como os conhecemos e vemos evoluir ao longo de décadas.
Enquanto isto do «tique das eleições» for só no futebol ainda há esperança.
Mas se passar para a política é que estamos mesmo tramados.

NA quarta-feira da semana passada, Cristiano Ronaldo marcou três golos ao Ajax, para a Liga dos Campeões e, no fim, o árbitro nem hesitou em oferecer-lhe a bola do jogo como mais do que merecida recordação pelo feito em Amesterdão.
No último domingo, o Real Madrid saiu de Barcelona como entrou, com 8 pontos de atraso para o líder do campeonato. Do mal, o menos. O Real esteve ganhar, esteve a perder, empatou já perto do fim graças, uma vez mais, à pontaria de Cristiano Ronaldo.
Safaram-se, portanto, os brancos à justa de regressar a casa 11 pontos atrás do rival da Catalunha e isso sim,seria penoso, quase um absurdo porque o duelo Ronaldo-Messi, que entusiasma meio planeta, não faria grande sentido prático e comercial com o Madrid fora da discussão pelo título espanhol quando ainda faltam dois meses e meio para o Natal.
José Mourinho não podia ficar aborrecido com o empate. E na verdade não ficou, como se depreende das suas palavras no fim do jogo. A 8 pontos do Barça e não a 11, como podia ter acontecido, o pragmatismo deu lugar aos mind games que fizeram do treinador português um dos mais discutidos, amados e odiados do mundo. Aliviado, Mourinho entendeu que era aquele o momento para dizer o que na realidade pensa sobre o tal duelo entre o astro português e o astro argentino.
-Devia ser proibido dizer quem é o melhor jogador do mundo - afirmou com uma distância que surpreendeu muita gente. Melhor dito, com uma distância que surpreendeu quase toda a gente.
A ocasião era a ideal para Mourinho descer à terra e confessar com humildade que nem ele, que é especial, consegue escolher, entre um e o outro, o que mais lhe agrada na qualidade de espectador equidistante dos dois fenómenos em causa.
Em termos da questão Messi-Ronaldo, ou vice-versa, o último clássico de Espanha foi nitidamente um exagero. Dois golos para cada um fizeram o resultado do jogo.
Pena foi, para os amantes das sensações fortes do futebol, que não tenham sido três golos para cada um. Com dois hat-tricks em Camp Nou, seria bonito de ver cada um levar para casa a sua metade da bola do jogo, cortada ao meio ainda no relvado pelo árbitro munido de canivete.
As palavras ajuizadas de José Mourinho sobre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi caíram muito mal em Madrid porque, no pé de guerra corrente, não é suposto vir o treinador da grande casa branca inverter o discurso da afición com uma tirada de notável bom senso sobre o assunto.
Iker Casillas foi o primeiro do balneário a vir defender o português. «Eu escolho Cristiano Ronaldo porque é um jogador que nos tem dado muito e que convite connosco todos os dias», disse o guarda-redes e capitão do Madrid, provando mais uma vez que há certas homenagens que são sempre contra alguém, neste caso, contra o seu treinador.
Sobre o diferendo Mourinho-Sérgio Ramos, Casillas também mostrou a sua opinião: «De que lado estou? Do lado do Sérgio porque apoio um companheiro que estava num mau momento e do lado do mister porque olha pela equipa», disse.
Com o devido respeito, mas o Casillas de tão judicioso ainda se arrisca a que um dia destes lhe passem a chamar o Marcelo Rebelo de Sousa do balneário. Isto se em Espanha conhecessem o professor...

JACKSON MARTÍNEZ, o avançado que o FC Porto foi buscar à Colômbia, leva cinco jogos consecutivos na Liga a marcar golos. É obra. Martínez tem, sem dúvida, muita qualidade.
Na verdade, tem tanta qualidade que até admira e causa impressão que não tenha sido primeiro descoberto, referenciado e negociado pelo Benfica, tal como aconteceu com os seus compatriotas Radamel Falcao e James Rodriguez, para acabar no FC Porto.
Onde é que falhámos desta vez?"

Leonor Pinhão, in A Bola

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Desesperante!!!


Benfica 3 - 3 Gyor

Estar a ganhar 3-0 a três minutos do fim, e acabar por permitir o empate a 3 !!! Não lembra a ninguém...!!!
Fui seguindo o jogo via net, somente com informações escritas no site da UEFA, sem imagens... mas parece que voltou a acontecer aquilo que eu temo em todos os jogos: o Benfica ataca mais, o adversário defende com tudo, e se nos últimos minutos o Benfica não tem uma vantagem grande, arrisca-se a não triunfar, porque devido às 'regras' do Futsal, sem fazer nada por isso, fica a jogar em 'inferioridade' numérica, quando o adversário em desespero, tenta o 5x4 !!! Muitas vezes as coisas até correm bem, e conseguimos marcar aqueles golos de baliza a baliza, mas existem excepções, e esta manhã foi uma!!!

Como escrevi na crónica do último jogo com o Cascais, estava com pouca esperança. Tivemos azar no sorteio, o grupo é provavelmente o mais difícil, a equipa ainda por cima não está a jogar o seu melhor Futsal, e hoje com o adversário teoricamente mais fraco, não conseguimos vencer... agora estamos obrigados a vencer os 2 jogos que faltam. Amanhã temos jogo com o Luparense (Campeão Italiano), que hoje levou 1-6 do Ibéria (a equipa da casa...), e em caso de vitória, vencer o Ibéria no último jogo, algo que não será nada fácil, tendo em conta as variáveis dentro da quadra, e fora da quadra!!!

Ética e esperança (II)

"É difícil expressar a ideia da esperança. Mesmo assim, arriscaria a definição de Jean Gultton: a esperança é a predisposição de espírito que leva a acreditar na realização do que se deseja. Na essência, um valor humano. E uma virtude, no sentido aristotélico.
A esperança não se dilui, porém, na ilusão ou na fantasia. E também não se confunde com o sonho. Ou seja, precisa de esperar. Esperar é um verbo que é muitas vezes desesperante. Ou desconcertante. Que o diga o mundo do desporto...
A esperança também não se dissolve no desejo, embora não o dispense. Podemos desejar, sem esperar. Desejar ser sempre campeão, ganhar o Euromilhões ou não pagar os cada vez mais brutais impostos, não significa que tenhamos essa esperança. O desejo é a matéria-prima da esperança, mas não o seu produto acabado.
A esperança é racional, mas, no limite, a emoção pode ultrapassar a razão. É assim no desporto, onde a emoção até pode ser protagonista. Aí chegaremos à patalogia da esperança que é - usando um plebeismo - a fezada. No futebol, o adepto é um clássico exemplo desta overdose de esperança. Que tanto o conduz, bipolarmente, à euforia de se achar dono da esperança, como à necrose do desespero.
Quantas vezes uma falseadora ideia da esperança é a via directa para o desastre, é o negacionismo da realidade pura e dura, é encobrir o medo com a fantasia e a ignorância com a imaginação.
A esperança é um empréstimo que se pede à felicidade, resumiu magistralmente Joseph Joubert. Uma prova fiduciária que precisa de ser honrada. Mesmo nas nossas paixões clubistas e nas compulsivas chicotadas psicológicas..."

Bagão Félix, in A Bola

Merecia mais eco

"Não sei a quem pertence a autoria do estudo sobre os direitos televisivos que o presidente da Liga, Mário Figueiredo, apresentou na Comissão de Educação da Assembleia da República. Ignoro igualmente em que pressupostos se fundamenta o estudo para concluir que as receitas televisivas, que hoje ascendem a 63 milhões de euros, podem duplicar ou triplicar se os direitos deixarem de ser negociados subjectivamente (clube a clube) a passarem a sê-lo colectivamente (pela Liga em representação dos clubes). Este é um combate que Mário Figueiredo sustenta desde a primeira hora e é pena que seja uma voz isolada e com pouco eco na comunicação social. Há muito que eu defendo a bondade desta solução e estou certo de que o acréscimo de proventos seria substancial para todos, mas não me atrevo a quantificá-los. Os exemplos da França e da Itália, onde os grandes se opunham à centralização, são elucidativos. Mas aí foi por via legislativa que os respectivos Governos impuseram a mudança e julgo que essa deve ser a via escolhida pela nossa Liga.
A UEFA que tão discricionariamente interfere na gestão dos clubes podia ao menos recomendar às federações a negociação colectiva (através da Liga), como ela própria faz nas competições europeias. Mas a UEFA tem outros problemas para resolver. Ao reconhecer a Federação de Gibraltar (que é um protectorado britânico mas que a Espanha afirma ser um território sob a sua soberania) meteu-se num enorme sarilho, porque nuestros hermanos - se a decisão for mantida - já ameaçaram retaliar com a bomba atómica a secessão da UEFA! Temem uma deriva que faça ressurgir os velhos anseios da Catalunha e País Basco de terem as suas próprias federações desportivas."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Invictos e isolados...


Sporting 22 - 28 Benfica

Vitória incontestável, com talvez a melhor exibição defensiva da temporada - colectiva -, e com mais uma enorme exibição do Álamo com 24 defesas, em 46 remates!!! No outro lado, o Hugo Figueira - indiscutivelmente o melhor guarda-redes Português dos últimos anos -, fez 8 defesas, em 36 remates!!!
Invictos e isolados na frente do Campeonato, sendo que nas 5 jornadas que faltam para terminar a 1ª volta, só 'assusta' a deslocação à Madeira... hoje, nem os 'brothers' Martins travaram o Benfica, apesar de uma quantidade absurda de 'violações' marcadas ao ataque do Benfica...!!!

Ética e esperança (I)

"A ética não é uma abstracção, nem um cardápio à escolha de cada um. A ética está na moda, mas não é uma moda. São valores e saberes universais e intemporais: decência, carácter, honradez, integridade, coerência, sensatez, prudência, autenticidade, perseverança, lealdade, exemplaridade, solidariedade, orgulho de pertença e muitos outros.
A ética fundamenta-se no dever de, que precede o direito a. «O Dever acima de tudo»: não o dever dos passivos do balanço, mas o dever moral da consciência.
Hoje, a linguagem favorece o indiferentismo ético. Os fins passaram a justificar qualquer meio. O mentiroso não mente. Diz inverdades. Certas fraudes já não o são. Foram promovidas a espertezas. A desonestidade é um mal menor. Há quem lhe chame flexibilidade. A palavra de honra foi trespassada com honras de primeira página. A ética do esforço e da exactidão vale menos do que a astúcia traiçoeira. A iconografia do sucesso, ainda que parente, substitui os valores, mesmo que imprescindíveis. Vivemos um tempo de ética da quantidade e de ética condicional, alimentadas por um qualquer mas, às vezes, talvez, salvo se, mais ou menos.
Na (falta de) ética desportiva, onde há adversários, vêem-se inimigos. Onde deveria haver competição dura mas leal, há batota e amoralidade. Onde se deveria saber ganhar e perder, há atitudes inconsequentes e perniciosas.
Por isso, aplaudo o bem estruturado Plano Nacional de Ética no Desporto. Na esperança de contribuir para uma prática desportiva como espaço de ética intensiva. Mas, com planos ou sem eles, a ética precisará sempre da autorização do exemplo. E da sua polinização."

Bagão Félix, in A Bola