Últimas indefectivações

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

A melhorar...

Benfica 34 - 20 Avanca
(15-11)

Foi um dos melhores jogos que assisti esta temporada, da nossa equipa. Notou-se que houve 'conversa' e a equipa hoje, tinha um objectivo claro: sofrer poucos golos! Algo que não aconteceu em vários jogos!!!
Recordo que o Avanca está a fazer um excelente Campeonato.

O Terzic mostrou alguma coisa no 2.º tempo, espero que isto seja uma tendência para continuar...

No Sábado temos jogo Europeu, na Taça EHF, com o Kaerjeng do Luxemburgo, na Luz.



PS: A secção feminina de Rugby continua a somar títulos! Desta vez foi a Supertaça de Sevens, com uma vitória sobre o Sporting por 12-7.

Mário Wilson sempre

"O desporto, como tudo na vida, precisa da memória da excelência, como património geracional que se prolonga pelo tempo e não fenece. Quis o destino, que a morte de Mário Wilson tenha acontecido num tempo conturbado do futebol, cada vez mais apartado do ideal desportivo genuíno e sadio da competição.
Por isso, é importante, aqui e agora, evocar o Capitão ou o Velho Capitão como era tratado e conhecido, quando chamar ao treinador mister entre muitos misteres era ainda uma inexistência.
Ainda me recordo de Mário Wilson como jogador da Académica numa famosa dupla defensiva com Mário Torres. Mas, é na qualidade de condutor de homens e treinador profundamente humanista que agora escrevo estas breves palavras. Tive a oportunidade de com ele falar várias vezes. E, ao ouvi-lo, sentir a magnanimidade do carácter, a lhaneza do trato, a respiração da experiência, o personalismo afectuoso da relação, a convicção firme, mas sem arrogância, a lucidez apaixonada, o discernimento sábio, o optimismo temperado, mas contagiante.
Mário Wilson representou sempre, o lado bom do futebol. Bom no dever, na entrega, na simplicidade natural, até na utopia e no sonho. Mas também no exemplo, na autenticidade, no companheirismo. E no sentido da união e do trabalho gregariamente solidário.
Mário Wilson representa para mim uma certa expressão do desporto que deixou de ser a norma. Onde o que contava era tão-só o futebol jogado. De paixão pura, sem adiposidades ou adjacências. Sem mediatismos bacocos feitos de lugares-comuns e onde a iconografia era a do exemplo no trabalho e não a da imagem ficcionada."

Bagão Félix, in A Bola

Daqui não sai ninguém vivo

"O título deste editorial, tirado aos The Doors (é capa da biografia de Jim Morrison), é a verdade das verdades. Haja o que houver depois, a única certeza da vida é a morte.
É sempre com desgosto que nos despedimos de quem parte, mas quando o fim chega depois de uma caminhada terrena longa e preenchida, estamos apenas perante o rumo natural das coisas. Foi assim com Mário Wilson, cujas exéquias fúnebres se celebram hoje, um homem que deixou uma marca indelével em todos que com ele se cruzaram. Wilson, que juntou a extroversão do africano com a irreverência académica, foi um ser único, que conseguiu vencer num meio hostil sem nunca abdicar da natureza generosa e positiva que Deus lhe deu.
Mário Wilson, treinador campeão e vencedor da Taça de Portugal, seleccionador nacional e mestre em inúmeros clubes, foi um extraordinário homem de afectos, possuidor de uma intuição apurada e de uma inteligência emocional elevadíssima. Imagine, quem nunca privou com o 'capitão' alguém capaz de juntar esses atributos a uma espinha sempre direita e ainda a um conhecimento profundo do futebol!
De Mário Wilson fica, para os vindouros, o exemplo, é possível, embora não seja a regra, ter sucesso sem abdicar de princípios; é possível,embora não seja regra, ter sucesso sendo homem de palavra; é possível, embora não seja a regra, ter sucesso passando pela vida sem passar por cima de ninguém.
Um abraço ao filho Mário e aos seus discípulos Toni e Vítor Manuel, dois treinadores de quem o mestre sempre se orgulhou, pelo que fizeram dentro do campo e pelo que são fora dele."

José Manuel Delgado, in A Bola

“O Mário Wilson era um otimista por natureza. Sempre o foi, até ter perdido a mulher”. Por José Augusto

"Um homem “muito bom”, um filósofo e um senhor que tinha resposta para tudo. Até para uma equipa de cabisbaixo, acabada de perder com uma goleada de oito. José Augusto, um dos magriços, recordou-nos Mário Wilson, o adversário e o amigo

Coincidiram nos relvados, nos camarotes, à mesa e em encontros. Antes de serem amigos foram adversários, no campo, e José Augusto apenas guarda palavras boas de todos os momentos que teve com Mário Wilson, falecido esta segunda-feira, aos 86 anos.
Pedimos ao antigo jogador do Benfica e da selecção nacional que nos falasse do primeiro treinador português a ser campeão pelos encarnados (1975/76). O resultado da conversa está transcrito em baixo.
O Mário foi um amigo, uma amizade criada no futebol. Lembro-me perfeitamente, quando comecei a minha carreira, no Barreirense, de defrontar a Académica, no Barreiro. Eles tinham uma equipa extraordinária. A dupla de centrais entre o Torres e o Mário Wilson era qualquer coisa de intransponível. Depois, com os tempos, tive-o como adversário também no Benfica. Quando passou a treinador, tivemos mais convivência, porque ele participou como elemento de curso de treinadores. 
Tivemos presenças bastante significativas em vários momentos do futebol. Ultimamente, o Mário era um assistente digno no camarote presidencial do Benfica. Falávamos sobre tudo durante os jogos em que ele estava presente. Já não aparecia muito nos últimos tempos. Apercebemo-nos da gravidade pela qual ele estava a passar, na doença. Estávamos preparados para receber o que aconteceu.
Ele foi um amigo, um homem do futebol. Era um filósofo: da táctica, da técnica, da observação que fazia nos jogos, nas conclusões que tirava da finalização, ou não, das jogadas. Ao mesmo tempo que perscrutava uma forma diferente de desenvolver determinado lance. Tinha um conhecimento profundo de futebol, sempre.
Tinha, realmente, uma capacidade de aceitação enorme nos resultados que, enfim, poderiam levar a equipa e os jogadores a efeitos psicológicos de desmotivação. Ele contava que, um dia, levou uma goleada: ‘Vocês não sabem. Uma vez, levei uma goleada de oito, cheguei lá ao balneário e vi e tudo com cabeça em baixo. Disse-lhes: 'Vocês estão chateados com o quê? Eles vinham preparados para dar 10, só deram oito, portanto estão chateados porquê?’”. Quando estávamos a assistir aos jogos do Benfica, falámos um dia de como o Mário veio de Moçambique, de Lourenço Marques, como goleador. Era avançado centro. E eu perguntei: "Então Mário, qual é diferença entre a avançado ou a defesa central?". E ele respondeu-me: "Olha, a avançado estamos de costas, e a defender estamos de frente”.
Basicamente, tinha uma resposta para tudo. Era um otimista por natureza. Sempre o foi, até ter perdido a mulher. Nestas idades, estamos sempre à espera do que a morte nos concede. Temos de aceitar as coisas com naturalidade.
Ele tirou um grande conhecimento da prática que teve. Era um homem culto e essa cultura deu-lhe para tirar muitas conclusões e reparos durante a sua carreira. Tanto a jogador como em treinador. Foi uma continuação do que fez. Todos os jogadores que deixam de jogar e continuam, no futebol, como treinadores, ficam com exemplos para demonstrar. Ele tinha uma noção exata daquilo que se pretendia.
Dos tempos em que treinou o Benfica, dizia: ‘Bem, com esta equipa, qualquer treinador era campeão’. Era um homem que criava bom ambiente, um homem que deixa saudades. Era um homem bom, muito bom. Era incapaz de ofender quem quer que fosse, tinha sempre uma palavra de respeito, mesmo em momentos de desacordo. Era um homem passivo.
Mesmo quando explodia, explodia com uma filosofia que desarmava facilmente os argumentos dos outros. Gostei muito de conviver com ele. Não foi muito, mas foi o suficiente para o respeitar. Foi um amigo”. "

Descansa em paz, velho capitão

"A última noite começou com a triste notícia do desaparecimento de uma das figuras mais emblemáticas do futebol português, o velho capitão Mário Wilson.

Mesmo sabendo-se que o seu estado de saúde inspirava alguns cuidados há algum tempo, a morte do homem de referência como ele foi sempre, deixa mais pobre o futebol e, de um modo geral, todo o desporto nacional.
Mário Wilson completaria 87 anos no próximo dia 17 de Outubro.
Nasceu na antiga Lourenço Marques e veio cedo para Portugal, com vinte anos, com a difícil incumbência de substituir Fernando Peyroteo, outro ultramarino, no comando do ataque do Sporting. Manter-se-ia dois anos em Alvalade, o tempo suficiente para se sagrar por uma vez campeão nacional.
Depois rumou a Coimbra, onde se tornou figura incontornável da Académica, que representou durante doze anos e onde viria a terminar o seu tempo enquanto jogador.
Decidiu-se depois por enveredar pela carreira de treinador, tendo sido ao serviço do Benfica que conquistou os principais títulos: um campeonato e duas taças de Portugal.
No seu longo peregrinar por diversos clubes portugueses, passou ainda pela Académica, Belenenses, Vitória de Guimarães, Boavista, Estoril-Praia e Olhanense, entre vários outros, tendo em todos eles deixado um rasto de grande competência e enorme afabilidade.
Comandou equipas da divisão principal durante 548 jogos, marca que reflecte o desejo expresso por muitos dirigentes de o verem à frente das suas equipas.
Foi ainda seleccionador nacional na fase de apuramento para o Campeonato da Europa de 1980. 
Mário Wilson era um bom. Tão bom que deixa saudades em todos nós, mesmo aqueles que com ele privaram de forma menos intensa.
E o futebol português fica a dever-lhe grandes serviços e sobretudo muitos anos de dedicação.
Que descanse em paz!"

A rapidez de Pizzi entre extremos

"O jogo com o Feirense como ponto de partida para o debate sobre o papel do camisola 21 do Benfica

A ausência do lesionado André Horta levou Rui Vitória a recrutar Pizzi para a posição 8, uma vez mais, mas as dificuldades que o Benfica sentiu frente ao Feirense, sobretudo na primeira parte, reforçaram a sensação de que Pizzi é mais influente como falso ala.
Em causa não está propriamente o rendimento de Pizzi no corredor central, raras vezes insatisfatório, até porque um jogador com as suas características merece estar no centro das operações. Talvez a questão não esteja no lugar onde Pizzi rende mais, mas na posição em que a equipa mais precisa dele. Talvez. Ou então a resposta está a meio caminho.
É que Pizzi é o jogador do Benfica com melhor capacidade no passe, e por isso encaixa facilmente na posição 8. A pedir a bola junto aos centrais, a assumir o comando do jogo, a marcar o ritmo, a definir o caminho para a área contrária. Mas assim a jogar de frente para o bloco defensivo do adversário, e não lá dentro.
E este Benfica precisa de Pizzi «escondido» mais à frente. Sobretudo nesta altura em que não tem Jonas, o melhor jogador da equipa a explorar o espaço entre linhas, a decidir em pouco tempo e com pouco espaço. E com Guedes, o substituto, mais talhado para cair nas alas ou para procurar movimentos de rutura na linha defensiva contrária.
Com a largura assegurada por Semedo e Grimaldo, opções sólidas na construção de jogo, o Benfica está habituado a ter os extremos a criar linhas de passe em zonas interiores. Mas essa é uma missão em que Salvio não se sente confortável, como flanqueador puro que é, e que este Carrillo em “reanimação” não tem conseguido desempenhar. Cervi sabe fazê-lo, mas está ainda a adaptar-se a outros desafios do futebol europeu. Zivkovic está agora a voltar e Rafa, o mais sintonizado com este papel (que Paulo Fonseca lhe pedia em Braga) lesionou-se ao primeiro jogo. É provável que em breve Rui Vitória consiga ter alguns destes extremos a cumprir a tarefa, mas nunca será fácil deixar cair Pizzi. É que o camisola 21 pode não ter a velocidade destes colegas, ou mesmo a capacidade de drible, mas só Jonas (e agora Grimaldo) estão em patamar idêntico quando se fala de rapidez de raciocínio. Estar um passo à frente do adversário, por mais curta que seja a margem para execução.
E para a realidade do Benfica parece difícil prescindir de um jogador como Pizzi. E se não for como falso ala talvez seja mesmo como «8», mas com a possibilidade de aparecer onde é mais forte: dentro da muralha contrária."

Benfiquismo (CCXL)

Um Homem Bom...!
Até sempre Mister

(aliás, dois Homens Bons!)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Vitória também é nome de líder

"Na vaga de lesões, em vez de chorar os ausentes, incentivou os presentes e prometeu outras soluções, sobre os quais depositou total confiança.

Rui Vitória já deu provas da sua sensatez. É uma pessoa que se sabe quanto custa subir na vida e no caso particular do futebol nada do que alcançou até agora lhe foi oferecido por causa dos seus lindos olhos. Foi pela seriedade, pelo trabalho e pela competência. Por isso, aprendeu cedo a dar passos seguros. Basta reparar na sua carreira até chegar à Luz, talvez pouco festejada, tradutora da sua personalidade reservada, mas firme e saudável: Fátima, campeão da 2.ª Divisão, Paços de Ferreira e Vitória de Guimarães, vencedor da Taça de Portugal.
Portanto, já tinha títulos para emoldurar o currículo quando Luís Filipe Vieira lhe proporcionou o grande salto na carreira. Agradeceu a oportunidade com palavras de muita esperança, ditas com elevação, como deve ser sempre no desporto, principalmente em clube de dimensão mundial, em vez de alinhar em promessas vãs, frases cómicas, saltos e saltinhos. São estilos que divergem. Pessoalmente, prefiro o primeiro, mas aceito que haja quem se delicie com o segundo.

Vitória chegou à Luz, com 45 anos de idade, debaixo de compreensível desconfiança da família benfiquista, alimentada, como toda a gente sabe, por iniludíveis tiques ciumentos do antecessor, o qual passou uma época inteira dividido entre os problemas que tinha de resolver no seu novo empregador e o irreprimível impulso de continuar a olhar para a casa do vizinho para nela vislumbrar pecados que lhe aconchegassem o umbigo. Em determinada altura tornou-se moda 'bater' em Vitória. Era socialmente 'bem' dizer mal dele, a propósito de uma insignificância qualquer, tendo sido imensa e variada a argumentação utilizada, sem se dar conta que, um pouco como a fábula da cigarra e da formiga, enquanto uns proclamavam virtudes e qualidades únicas, anunciando conquistas virtuais, Rui Vitória trabalhava e, respaldado na organização profissional do Benfica, defendeu-se como pôde, guardando para si o que lhe ia na alma. Jamais se deixou descontrolar pela emoção, embora tivessem sido várias as situações em que existiu esse perigo. Resistiu, porém, e deu a melhor resposta que, como treinador, podia ter dado: ganhar. Foi campeão nacional. Venceu a Taça da Liga, Chegou aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, com o Bayern,  tendo sido eliminado com empate em Lisboa (2-2) e derrota em Munique (0-1).

Na temporada 2016/17, Vitória entrou como desejava: venceu a Supertaça e deixou a porta entreaberta para mais títulos e troféus enriquecerem o museu do Benfica. No entanto, inesperada surpresa estava reservada e através dela foi possível descortinar-lhe outra qualidade humana, imprescindível a quem no posto de comando de um navio de grande porte sabe estar obrigado a navegar em todos os oceanos sem recear ventos nem marés:confrontado com vaga de lesões que 'atacou' o plantel da águia, pondo fora de combate, em simultâneo, todos os seus avançados titulares, nem assim, num quadro de crise muito grave, o treinador do Benfica perdeu a compostura, revelou medo ou deu algum sinal que indicasse, no mínimo, inquietação.
Quando o costume é um treinador vir a público pôr a sua imagem a salvo perante ameaça iminente de catástrofe, Vitória assumiu uma posição inversa, de muita coragem. Em vez de chorar os ausentes, incentivou os presentes e prometeu outras soluções, sobre as quais depositou total confiança na prossecução do projecto vitorioso que tem como próximo objectivo a conquista do tetracampeonato.

Ser líder à sétima jornada nenhum deslumbramento provoca no treinador benfiquista. «Essas visões imediatistas de campeões precoces não são espelhadas no final», teve o cuidado de alertar para travar entusiasmos que se compreendem, mas que, na opinião dele, são inúteis nesta fase inicial da demorada corrida que só termina em Maio do próximo ano. De toda maneira, apesar da prudência que repetidamente coloca no seu discurso, e sabendo todos que não há títulos intermédios, chegar à segunda interrupção do Campeonato lá em cima, em companhia, a precisar de olhar para baixo para ver os outros é empreitada digna de ser aplaudida. Não tem a ver com a dor de camisola ou o desenho do emblema, é por justiça. É a assunção da força solidária do 'nós' sobre o conceito parolo do 'eu'.
Líder não é quem fala muito e alto, se vangloria do que faz e despreza os subordinados. Líder é quem fala necessário, no tom certo, ouve opiniões e granjeia o respeito e a confiança de quem com ele trabalha."

Fernando Guerra, in A Bola

O namorado de Marie-Claire

"Nos seus tempos de Moçambique, Mário Coluna foi recordista de salto em altura, aprendiz de mecânico de automóveis e chegou a fugir de casa dos pais para trabalhar e jogar futebol em João Belo, no Ferroviário.

De Mário Coluna pode escrever-se tudo mais um par de botas, sobretudo se forem botas iguais às que ele usava em exibições extraordinárias pelos campos de futebol, literalmente por todo o mundo.
Depois há coisas que se recordam do grande capitão do Benfica e que já mergulharam no olvido de qualquer um de nós. Jovem, espigadote, não se limitava a querer dar nas vistas como jogador da bola e pensava naquilo que o futuro poderia dar-lhe ou negar-lhe. Por isso, procurou trabalho, recusando-se a viver das prebendas paternas. Aos 16 anos tornava-se aprendiz de mecânico de automóveis no Almofarixado da Fazenda, em Lourenço Marques. O primeiro ordenado? 1500 escudos por mês. Nada mau para um rapazinho da sua idade. E desenvolveu para o resto dos dias uma paixão por carros que era quase um vício.
Sobre Coluna podem desenrolar-se histórias infinitas. Era preciso um livro para contá-las e talvez já ande por aí na forja. O futebol podia ser a coisa mais importante da sua vida, mas não o preenchia por completo. Dedicou-se ao atletismo. Era um excelente corredor de 400 e 800 metros, mas atingiu o topo no salto em altura, tornando-se recordista da província de Moçambique com 1,835 metros, algo que ao tempo merecia ohs! de admiração.
Uma viagem à Maurícia
Um dia, a selecção de Lourenço Marques foi jogar à ilha Maurícia, e Coluna estava lá, como não podia deixar se ser. Deixá-lo contar: «Eu, que na minha terra já tivera umas 'paixões', tive na Maurícia o meu primeiro namoro a sério. Nada dizia de francês a não ser 'merci'  ou bonjour', mas como arranhava de inglês, consegui fazer-me entender. Ela chamava-se Marie Claire e, no regresso a Lourenço Marques, trouxe a sua fotografia na minha carteira. Mais tarde tudo se malograria, e nunca mais soube o que era feito de Marie Claire».
Eram outros, os tempos de Mário Coluna em Moçambique. Fugiu da casa paterna para trabalhar e jogar no Ferroviário de João Belo. Uma necessidade de liberdade, de independência arrastava-o para longe. Mas não durou muito. O pai encontrou-lhe um emprego em Lourenço Marques, e Coluna voltou para jogar no Desportivo. Dividia os automóveis com a bola. Mas na bola pagavam-lhe um terço do que lhe pagavam na oficina: 500 escudos. Uma gratificação. Somava então 16 anos. Era um menino.
A pouco e pouco, no horizonte, surgiu-lhe a esperança da Metrópole. Lisboa e Tejo e tudo. O Benfica teria para ele um lugar único na história do futebol do mundo. Mário Coluna soube mais que merecê-lo. Tomou posse de um estatuto ímpar e tornou-se no grande «capitão» dos encarnados de todos os tempos. Muitos dos colegas tratavam-no por «Senhor Coluna». Não lhe faziam favor nenhum. Sempre foi isso mesmo: um senhor."

Afonso de Melo, in O Benfica

João Félix Correia, um benfiquista de alma e coração

"«Nasci benfiquista, fiz-me homem ao serviço do Benfica e desejo manter-me no seu seio até ao ponto a que as forças me chegaram»

Quem diria que o simpático motorista da velha Samua - o emblemático e sofisticado autocarro do Benfica nos anos 50 - tinha sido, também ele, um aguerrido futebolista do Clube?
Foi nos campos pelados dos anos 30 que João Correia ganhou a sua alcunha de 'Cabo-de-Faca'. Certo dia confidenciou o porquê dessa alcunha: 'É que quando jogava futebol eu era magríssimo, pois pesava apenas 58 quilos. O público por isso começou a chamar-me «Cabo-de-Faca» (...) Mas eu nunca me importei porque, enfim, antes chamarem-me isso do que outra coisa pior'.
Entre 1930 e 1939, jogou nove temporadas de águia ao peito, mas o seu grande amor pelo Clube vinha desde os seus 14 anos. Foi no Benfica que deu os primeiros pontapés a sério numa bola e durante os anos seguintes ascendeu gradualmente às diversas categorias até que, aos 19 anos, se estreou na equipa principal. Aos 28 anos, saiu para ir jogar no Sacavanense, mas o amor ao clube do seu coração falou mais forte e tornou-se jogador do Sport Lisboa e Saudade.
Quando o Benfica adquiriu o primeiro autocarro, surgiu então o convite para ser seu condutor, ao qual João Correira acedeu afirmativamente sem vacilar por um único momento. Assim, o nosso amigo trocou o seu equipamento desportivo por uma vistosa farda azul-cinzenta que envergava com todo o orgulho e devoção. Teria o 'Cabo-de-Faca' estranhado inicialmente esta sua nova fase da vida? Não cremos. Especialmente quando falamos de um homem cujo ideal era, mais do que tudo, ser prestável e servir o seu clube. O Benfica tem destas curiosidades, talvez porque mais do que um Clube é uma paixão que não se explica. João Correira que o diga!
Mais histórias sobre esta e outras figuras podem ser encontradas no Museu Benfica - Cosme Damião."

Ricardo Ferreira, in O Benfica

Benfiquismo (CCXXXIX)

À janela...!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Um dos grandes...

"Foi com o mais profundo pesar que tomei conhecimento do falecimento do nosso grande capitão Mário Wilson. Uma figura ímpar do Sport Lisboa e Benfica e do futebol português e uma enorme perda para toda a família benfiquista e para a lusofonia. Um ser humano com um coração tão grande nunca nos devia deixar. Razão pelo qual permanecerá sempre na nossa memória como um caso raro de entrega e paixão ao fenómeno desportivo. Pela sua humildade e disponibilidade para o próximo será sempre um exemplo. Neste momento de enorme dor e como presidente do Sport Lisboa e Benfica, quero expressar desde já esta primeira homenagem à sua memória e endereçar as mais sentidas condolências à sua família."



Lixívia 7

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.......... 19 (-2) = 21
Corruptos...... 16 (-2) = 18
Sporting........ 16 (+3) = 13

E pronto, voltou a intimidação manipuladora, mentirosa, provocatória, terrorista...!!! Bastou a vantagem do Benfica aumentar para 3 pontos e a estratégia dos últimos anos regressou...
Desta vez foi um comunicado oficial dos Lagartos, alegando pressões sobre os árbitros...!!!
Vamos imaginar que os árbitros andavam mesmo a ser pressionados pelas suas entidades patronais, para supostamente beneficiarem o Benfica (reparem bem na paronoia!!!), então em vez de recorrerem às autoridades competentes, à APAF, ao Conselho de Arbitragem da FPF, até ao MP... em vez disso, iam 'reclamar' junto do Sporting!!!!
Será que este 'problema' foi discutido numa reunião de pais na Academia Lagarta, onde o actual Presidente do CA da FPF e o actual presidente da APAF 'costumam-se' juntar?!!!!
O vale tudo voltou... Depois dos elogios 'à nova' arbitragem, depois dos sucessivos benefícios arbitrais, finalmente à 7.ª jornada, um árbitro tomou uma decisão 'contra' o Sporting (uma boa decisão diga-se, o penalty é claro...), numa altura onde o Sporting vencia por 3-0 e só faltava 20 minutos para acabar o jogo...!!!
O problema é que mesmo com toda a intimidação, mesmo com todos os arranjinhos no CA da FPF e na APAF... depois do Benfica ter sido prejudicado em praticamente todos os jogos, depois de todas as lesões... depois de tudo isto, o Benfica é líder... e o Babalu, já está com medo, muito medo...
Aliás, o seu discurso, naquela espécie de Assembleia Geral, foi bastante esclarecedor... já está a prevenir o pior cenário para eles... e como é óbvio a culpa não será dele!!!!!!!!


Em Guimarães, houve dois erros graves:
- O primeiro, foi um penalty que ficou por marcar contra o Sporting... talvez por isso, quando poucos minutos depois, existe outra falta dentro da áerea dos Lagartos, Soares Dias, não teve coragem de 'não marcar'!!!
- O segundo erro, é de uma ironia sublime!!!! Sim, o Soares empurra ligeiramente o defesa do Sporting... e na minha opinião é falta...
Tal como o Slimani empurrou um defesa do Nacional, num Sporting-Nacional, apitado pelo árbitro Manuel Mota, que anulou, bem, o golo ao Sporting; e também recordo o Boavista-Sporting do ano passado, onde Soares Dias, anulou, bem, um golo ao Slimani, num lance idêntico!!!
Nestas situações no passado, o Presidente Lagarto e respectivo rebanho, reclamaram com toda a força, a injustiça das decisões... Pois bem, agora acham que afinal, este tipo de empurrões, são mesmo falta...!!!
Mais vale tarde do que nunca...!!!

Na Choupana, num jogo muito fácil para os Corruptos, com um Nacional a jogar sem 'meio-campo' (opção do treinador)... Rui Costa acabou por ter um jogo descansado...
Mesmo assim, nos últimos minutos, perdoou o Vermelho directo ao Rúben Neves...

Na Luz, assistimos a um espectáculo triste...
Reconheço que o árbitro tentou fazer uma daquelas arbitragens 'à Inglesa', e também não marcou algumas faltas contra o Benfica, mas errou dezenas de vezes a favor do Feirense (contra o Benfica): foram Mãos na Bola, foram Foras-de-jogo, foram cacetadas por trás, foram entradas de pitõns... um espectáculo de agressividade, completamente impune... E só por sorte, nenhum jogador do Benfica, se lesionou gravemente!!!

O maior erro, terá sido o penalty sobre o Carrillo (claro, evidente). No lance sobre o Mitro, após rever o lance na televisão mudei de opinião. Ainda houve uma possível Mão na Bola, mas as imagens não são claras...
Agora, os cartões que ficaram no bolso; as faltas a favor do Benfica junto da aérea do Feirense, que foram sempre marcadas 3 metros atrás do sítio onde a falta foi efectuada...; as faltas por trás... etc... etc...
Resumindo, mau demais...
Repito, a intenção até pode ter sido boa, mas a competência do apitador é nula...


Anexos:

Benfica
1.ª-Tondela(f), V(0-2), Pinheiro, Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), E(1-1), Oliveira, Prejudicados, (1-0), (-2 pontos)
3.ª-Nacional(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
4.ª-Arouca(f), V(1-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
5.ª-Braga(c), V(3-1), Sousa, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), V(0-2), Martins, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
7.ª-Feirense(c), V(4-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Marítimo(c), V(2-0), Nuno Pereira, Nada a assinalar
2.ª-Paços de Ferreira(f), V(0-1), Hugo Miguel, Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Corruptos(c), V(2-1), Martins, Beneficiados, (0-1), (+3 pontos)
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Almeida, Beneficiados, (2-0), Impossível contabilizar
5.ª-Rio Ave(f), D(3-1), Pinheiro, Nada a assinalar
6.ª-Estoril(c), V(4-2), Capela, Beneficiados, (4-3), Sem influência no resultado
7.ª-Guimarães(f), E(3-3), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Estoril(c), V(1-0), Luís Ferreira, Prejudicados, Sem influência no resultado
3.ª-Sporting(f), D(2-1), Martins, Prejudicados, (0-1), (-3 pontos)
4.ª-Guimarães(c), V(3-0), Sousa, Nada a assinalar
5.ª-Tondela(f), E(0-0), Hugo Miguel, Beneficiados, (1-0), (+ 1 ponto)
6.ª-Boavista(c), V(3-1), Almeida, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
7.ª-Nacional(f), V(0-4), Rui Costa, Beneficiados, Sem influência no resultado

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada
6.ª jornada

Épocas anteriores:
2015-2016

Rui Bragança & outros Benfiquistas 'melhores do Mundo' !!!

- Rui Bragança (e Nuno Costa) passou a fazer parte do Projecto Olímpico do SL Benfica.
O praticante de Taekondo, tem tido nos últimos anos, excelentes resultados internacionais... falou as Medalhas no Rio por pouco, mesmo com uma preparação feita à custa da família!!!
Toda a sorte do Mundo...

- Noutras latitudes, Marlene Sousa (hoquista) e Fernando Wilhelm (futsalista) foram considerados os melhores atletas do Mundo, nos respectivos Campeonatos do Mundo que se realizaram no Chile e na Colômbia!!!
A Marlene não é surpresa, é de facto uma jogadora espectacular, tem uma habilidade única no Hóquei em Patins femenino...
Em relação ao Fernando é uma enorme surpresa. O facto da Argentina ter-se sagrado Campeã do Mundo, de uma forma pouco vistosa, mostrando essencialmente boas capacidades defensivas e grande espírito colectivo, acabou por ajudar!!! Não deixa de ser engraçado, já que estamos a falar de um dos 'mal-amados' na nossa secção!!!
Já agora, mais dois ex-Benfica em destaque: o Ricardinho foi o goleador máximo do Mundial, e o Brandi também se exibiu a grande nível na Selecção Argentina, marcando inclusive dois golos na Final!!!
Uma nota para o Bebé, um dos melhores da Selecção. Exibiu-se a grande nível...

PS: Espero que a nossa secção de Futsal esteja atenta, e não deixe escapar o André Coelho... jogador com características que encaixam perfeitamente nas nossas necessidades! Além do Tiago Brito...

Alguns desafios colocados a Rui Vitória

"O testemunho da titularidade está a passar de Júlio César para Ederson, que muito em breve estará na selecção brasileira...

A Liga portuguesa meteu férias durante três semanas e o Benfica despediu-se dos adeptos na liderança, com três pontos de avanço sobre os rivais. Sem deslumbrar - e ainda com a questão do número oito mal resolvida - os encarnados encerraram esta fase mostrando como principais atributos a organização e o espírito colectivo. Quando a Liga regressar, Rui Vitória já deverá dispor de jogadores decisivos como Jardel, Samaris, Jiménez, Jonas e Rafa, que darão maior consistência ao quadro encarnado. Por isso, ultrapassar a vaga de lesões com danos mínimos a nível nacional, deve valer, pelo menos, ao treinador do Benfica, um suspeito de alívio.
Rui Vitória precisou de gerir, nesta fase, duas situações particularmente delicadas: Luisão e Júlio César. Pode dizer-se que o defesa mostrou ontem que não é carta fora do baralho, assim continue a aceitar as opções do técnico com espírito de missão. Porque, jogue mais ou jogue menos, a influência de Luisão na cabina terá sempre uma tremenda importância no decorrer da temporada.
Já em relação a Júlio César, a questão é um pouco diferente. O internacional brasileiro continua a ser um óptimo guarda-redes e Rui Vitória andou bem ao mantê-lo vivo depois do jogo infeliz de Nápoles. A época é longa e o Benfica terá muitas situações em que deverá recorrer aos préstimos de Júlio César, um futebolista que merece respeito. Mas a verdade é que Ederson mostra, hoje em dia, mais e melhores recursos...
Avaliando com um pouco de mais de detalhe as qualidades de Ederson percebe-se que está particularmente à vontade no jogo áereo, revela-se muito rápido a sair da baliza (Eriksson dizia muitas vezes que, no futebol, mais importante do que a velocidade com que se corre é a decisão de começar a correr) e é um dos melhores da actualidade a jogar com os pés. Com Ederson na baliza, é mais fácil ao Benfica esticar o jogo nas bolas corridas; e nos pontapés de baliza (onde não há fora-de-jogo) essa circunstância pode ser ainda mais relevante, exportando a acção para 80 metros mais à frente.
Em resumo, o Benfica possui muitos e bons argumentos na baliza e aquilo a que assistimos é a uma passagem geracional de testemunho (que deverá estender-se à selecção brasileira, mais dia, menos dia). É a vida, não é?

ÁS
Éder
O Lille derrotou o Nancy por 1-0, golo de Éder. Pouco importa, pouco se foi de penalty. Pouco importa, pouco importa, se foi o primeiro golo do internacional português desde a final do Stade de France. O que importa é que Portugal deve vibrar com todo e qualquer golo de Éder. Grande Éder. Obrigado Éder...

ÁS
Grimaldo
É bom que aprimore a fase defensiva do seu jogo, que sendo boa não é excelente; porque na fase ofensiva oferece argumentos muito fortes, nos desequilíbrios que consegue, na capacidade para a meia-distância e, last but not least, na execução das bolas paradas, citúrgicas e letais.

DUQUE
Jorge Jesus
Alguma coisa não está bem no Sporting, Madrid e Guimarães assim o dizem (e já não falo de Vila do Conde, um desastre diferente). É Jorge Jesus que tem de dar resposta a este problema, mostrando-se inconformado pelo facto da sua equipa não manter, durante os 90 minutos, a consistência dos campeões.

Não, neste caso a culpa não é de Bruno!
«Existe quem queira saber de quem é a culpa, se da defesa da equipa, do treinador, do árbitro. A culpa é minha...»
Bruno de Carvalho, Presidente do Sporting
Provavelmente, no cartório de Bruno de Carvalho haverá culpas relativas a Guimarães. Mas, a existirem, não se reportam ao jogo de sábado passado mas sim à forma como reagiu à derrota leonina nos idos de Marco Silva. É louvável que o presidente do Sporting procure aliviar os verdadeiros protagonistas. Mas será que Jorge Jesus conviverá bem com essa desresponsabilização?

Fenómeno Marega
Indiscutivelmente, ao avançado que está em Guimarães emprestado pelo FC Porto, não falta golo. O que falta a Moussa Marega, que joga pelo Mali mas nascer há 25 anos, a dois passos de Marcoussis, nos arredores de Paris, onde Portugal foi tão feliz no Euro 2016, é quem acredite nele. Porque quem tem aquele arcaboiço físico, ostenta uma técnica individual muito acima da média e mete a bola no fundo das redes adversárias com tanta naturalidade, não merece andar emprestado, mesmo que ao Vitória de Guimarães, um clube de excelência.

Já ouviu falar dos 'Western Bulldogs'?
O futebol australiano, que nos deixa indiferentes, arrasta multidões down under. No sábado, os Bulldogs, que não conquistavam o título desde 1954, sagraram-se campeões e os media aussies fizeram dessa conquista o centro do mundo. Apesar da globalização ainda há muito para entender, não é?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Benfica é líder com mérito

"O Benfica reforçou a sua presença no primeiro lugar numa altura em que o Campeonato vai ter a segunda paragem por causa dos jogos da Selecção, paragem essa que irá ser aproveitada para assentar ideias, redefinir estratégias e, no caso concreto dos encarnados, para recuperar lesionados. Cumprida a sétima jornada, ainda muito distante da meta nesta longa e exigente corrida de 34 etapas, o campeão nacional soma mais três pontos que os outros dois candidatos ao título, o que, valendo pouco em termos de contabilidade final, convida a uma comparação curiosa em relação ao quadro de há um ano, precisamente à mesma jornada, em que o Porto e Sporting, também lado a lado, então com 17 pontos, coabitavam no topo da classificação, com o Benfica à distância de quatro pontos (13),
Enquanto leão e dragão insistem em continuar de braço dado, a águia manteve a sua identidade e rejeitou aproximações, embora com uma diferença significativa: se há um ano estava quatro pontos atrás, agora situa-se três pontos à frente. Trata-se apenas de uma curiosidade que em nada deverá interferir na maneira serena de Rui Vitória estar no futebol. Se há um ano lutava contra os adversários e contra os desconfiados sobre a sua competência, agora aparece sentado no cadeirão da liderança sem ferir o estilo nem abdicar de princípios. Um líder meritório, em resultado dos pontos e dos constrangimentos...
O Campeonato é interrompido com vitória esclarecedora e oportuna do FC Porto e empate ingrato e mal explicado do Sporting. Apesar de fortemente incomodado por criticas severas, a verdade é que, regulamentarmente, Nuno Espírito Santo está acima de Jorge Jesus."

Fernando Guerra, in A Bola

Encher estádios é encher o título

"Encher estádios é encher o título
Estiveram 58 mil adeptos no Estádio da Luz, ontem à tarde. A hora ajudou, mas o cartaz nem era fenomenal. As grandes casas costumam estar reservadas para os tubarões, ainda que essa tendência contrarie a lógica e aquele que devia ser o interesse dos benfiquistas. Se é verdade que, nos clássicos, as temperaturas são outras, as probabilidades de uma tarde feliz e empanturrada são infinitamente maiores quando a visita é uma equipa posta a jeito.
Cinquenta e oito mil adeptos equivalem a vinte estádios cheios na II Liga, que é de onde o Feirense vem. Ontem, foi como se jogasse toda a primeira volta do campeonato passado em noventa minutos. Acabamos por quase compreender os dois autogolos que abriram a goleada se imaginarmos a tensão criada por um ambiente assim sobre quem, de certeza, nunca o tinha experimentado na carreira. 
Definitivamente, não é pelos relatórios e contas (como os revelados anteontem pelo "Expresso", sem surpresas) que se percebe o renascimento do Benfica; e nas avaliações ao futebol também há sempre exageros clubistas: o número que mais deve preocupar os adversários FC Porto e Sporting é o das lotações. Cinquenta e oito mil adeptos (tinham sido 56 mil com o V. Setúbal) ajudam a ganhar, sobretudo porque são também oito ou dez mil em Braga, oito ou dez mil em Guimarães, talvez outros tantos no Bessa, e enchem Tondela, Arouca, Paços de Ferreira, etc., etc.
Há sempre a possibilidade de comprar melhores jogadores e encontrar melhores treinadores, mas pôr quase 60 mil pessoas num estádio em dia de jogo com o Feirense?
Boa sorte."

O coque masculino, a joie de vivre do Grimaldo e o gesto técnico do Luís Aurélio

"Ederson
Sem muito mais que o ocupasse no regresso à titularidade, passou a primeira parte entretido a tentar marcar um golo de baliza à baliza. Os seus pontapés deixariam um rasto de destruição, tendo atingido o drone de um jovem sportinguista que já estava a ter um dia mau, e uma marquise em Telheiras. Rui Vitória surpreendeu ao iniciar a segunda parte com o mesmo guarda-redes, e Ederson não desperdiçou a oportunidade. Aos 60 minutos, anulou um contra-ataque do Feirense a chegar primeiro não a uma, mas a duas bolas que se encontravam em campo. Como se isto não bastasse, ainda fez a defesa da tarde aos 85 minutos. Esperemos que Rui Vitória resista à tentação de o substituir.

Nélson Semedo
uns dias apareceu na internet um daqueles vídeos que nos fazem chorar com a felicidade dos outros. Rafa Nadal, prestes a servir, percebe que uma mãe presente nas bancadas perdeu a sua filha de vista. A mãe chora, grita, não percebe como pode ter perdido de vista a sua filha. Os segundos passam, parecem minutos, horas, semanas, até que a menina é avistada e abraçada pela mãe. O público aplaude, o espectador lá em casa chora, Rafa Nadal pede bolas novas. Foi um pouco isso que sentimos com o regresso de Nélson Semedo às grandes exibições. Nunca mais fujas dos pais, meu menino.

Lindelof
Ouviu com muita atenção tudo o que Luisão lhe disse ao longo de 90 minutos e acenou com a cabeça, mesmo quando não percebeu nada. De vez em quando arranca para o ataque com vontade de mudar o mundo, mas as leis da física e algum azar têm-no impedido de ser feliz. Um passe curto para Grimaldo aos 51 minutos devolveu a bola ao Feirense e a coisa quase terminava em golo deles, num lance em que foi muito mais Victor do que Lindelof.

Luisão
O capitão regressou à titularidade e os colegas foram uns bacanos, já que passaram grande parte do jogo a tentar oferecer-lhe um golo, o tipo de brincadeira que talvez fosse melhor guardar para a última jornada - ou para o Zé Gomes. Luisão fez uns excelentes 90 minutos e entendeu-se muito bem com Lindelöf, sinal de que afinal aquele curso de inglês que fez há uns meses não tinha nada a ver com o Wolverhampton.

Grimaldo
Um pai babado diz à BTV que valeu a pena trazer o filho à bola. No longo regresso a casa, partilhará com ele um conjunto de lições que nos deviam fazer, a todos, querer ser um pouco mais Grimaldo. Sim, à sétima jornada já é adjectivo. Ser Grimaldo é a joie de vivre no desempenho das mais elementares tarefas; é concentração em qualquer terço do terreno ou da vida; é a mais abnegada das éticas de trabalho. É ser-se capaz de ultrapassar as adversidades, mesmo quando jogam na nossa equipa (sim, Carrillo). É ser mais alto, é ser maior, ainda que metaforicamente. E acima de tudo dizê-lo, cantando, a toda a gente. REPITAM COMIGO.

Ljubomir Fejsa
1. Para fazer um man bun (ou coque masculino) deverá ter o cabelo limpo e um sentido posicional extremamente apurado. Isso evitará aquela imagem de cabelo seboso e fragilidade defensiva que associa a alguns coques já vistos anteriormente.
2. Aplique um produto para dar brilho e fixação. Aproveite para fazer a dobra aos laterais.
3. Penteie o cabelo para trás, faça um rabo de cavalo e enrole-o até estar sensivelmente ao nível da nuca. Ganhe a segunda bola e mantenha metade do cabelo solto, o que transmitirá uma aparência descontraída, mesmo em momentos de pressão alta.
4. Repetir as instruções ao longo de 90 minutos. No final, o seu coque masculino estará pronto a mostrar ao mundo. Continue a agir normalmente, como se não fosse o maior.

Luís Aurélio
Começou a partida muito ausente das manobras ofensivas, mas acabou por aparecer num momento-chave com um excelente gesto técnico que deu tranquilidade à equipa. Merece mais minutos em campo.

André Carrillo
As suas intervenções no jogo dividem-se em quatro categorias:
a) “eh pá, tenham calma, veio a custo zero e está sem ritmo, vão ver daqui a umas semanas!"
b) “é a terceira vez que ele tenta esta jogada, até um cego já sabe para onde a bola vai"
c) “#$&-se, até o Carcela jogava melhor"
d) “PELO AMOR DE DEUS, TIREM-ME ESTE GAJO DO CAMPO"

Toto Salvio
Esteve nos lances mais ridiculamente mal pensados, nos mais bem desenhados, e nos golos quase todos. E quando assim é, um gajo tem mais é que guardar as críticas para si, vulgo ficar caladinho. Salvio não foi muito feliz durante a primeira parte, mas isso agora pouco interessa. Aproveitou a segunda parte para se redimir, e de que maneira, protagonizando com Nelson Semedo uma ofensiva terrestre que destruiu o pouco que restava do autocarro estacionado pelo Feirense durante a primeira parte. Melhor em campo. É uma montanha russa fabricada na Argentina, país pouco reconhecido pela sua engenharia, mas antes isso que, por exemplo, um carrossel fabricado no Peru.

Pizzi
Os cães ladram e a caravana pissi. Mais uma boa exibição de alguém que lida confortavelmente com o pior dos seres humanos e nos tem habituado, jornada sim jornada não, a boas exibições. Esperem lá: será que isto é mais uma daquelas ideias malucas do Rui Vitória?

Kostas Mitroglou
É do conhecimento popular que os gregos não gostam de viver à mercê do acaso, e Mitroglou cedo percebeu que o destino do jogo seria ditado não pelo seu desempenho, mas pelo bater de asas de uma borboleta em Tóquio, que pouco depois faria um adversário fisicamente apto colocar a bola na própria baliza. Atordoado, o grego ainda tentou oferecer os seus préstimos, mas depois do golo de Salvio percebeu que, às vezes, mais vale deixar a realidade operar à sua maneira.

Gonçalo Guedes
Desisto. Gonçalo Guedes é cada vez mais o André Almeida do ataque benfiquista. Exibe níveis de mediania absolutamente essenciais à equipa, por vezes tem a intensidade de uma aula de crossfit em que jamais quisemos participar, e um dia destes vamos ter saudades dele.

Cervi
Depois de um autogolo e de um corte na direcção da baliza, nada melhor do que um cabeceamento de um anão para confirmar a vitória do Benfica. É inaceitável que o impeçam de usar o nome Chucky na camisola.

Zé Gomes
20 minutos em campo e algumas queimaduras de 1º grau causadas pelo contacto com a bola. Nada que um creme gordo e mais alguns treinos com a equipa sénior não resolvam. É um miúdo e hoje acusou a pressão causada pelos quase 60 mil adeptos presentes na Luz, ansiosos por ver um golo seu e o nascimento de um novo ídolo. Se é isso que querem, não o enervem. Porra, pá. Sempre a mesma coisa.

Zivkovic
Pouco tempo em campo, uma ou duas intervenções ao nível de um flop que é craque no Football Manager. Por enquanto continua a ser mais interessante acompanhá-lo no Instagram do que no relvado.

Stefan Schwarz
Nota final para um dos poucos indivíduos suecos por quem temos carinho: Os comentários de Stefan Schwarz são uma das melhores campanhas de marketing na história recente do futebol português. E os resultados estão à vista: milhares de adeptos fugiram do sofá, assim como dos comentários ininteligíveis de Schwarz, e esgotaram a Luz. É ISTO MESMO. JUNTOS!"

Benfiquismo (CCXXXVIII)

Posse...