Últimas indefectivações

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Vieira “acabou” com Godinho

"Nunca acreditei que Godinho Lopes pudesse ser o presidente que o Sporting necessitava para, quanto antes, inverter o rumo cinzento que trilha há vários anos. Admito que não é justo duvidar das capacidades de alguém ainda antes de apresentar serviço, mas a verdade é que o dirigente não me transmitia qualquer confiança. Contudo, assumo, nunca me passou pela cabeça que, em tão pouco tempo, fosse capaz de protagonizar tantos erros e deslizes. E se as suas opções – a vários níveis – têm sido bastante questionáveis, por vezes falha exactamente porque se esquece de agir ou por considerar que nada justifica a sua intervenção. Pior: quem o vê falar fica com a nítida sensação que em Alvalade não se passa nada de anormal ou grave. Utilizando um velho ditado popular... “não há pior cego do que aquele que não quer ver”.
Já perdi a conta às vezes que escrevi que os grandes problemas do Sporting não começam, nem acabam, dentro do rectângulo de jogo. Aí, é verdade, as coisas também não funcionam minimamente. Porém, quando a liderança é fraca, quando a ausência de qualquer projecto é mais do que notória, quando ninguém consegue perceber o que vai na cabeça do presidente ou dos que lhe estão mais próximos... o resultado não pode ser muito diferente.
Nos últimos dias, Godinho voltou a confirmar que a sua passagem pelo Sporting vai – pelas razões erradas – ficar na história. Primeiro, porque deu cobertura a um comunicado surreal onde o clube de Alvalade afirmava, sem reticências, que nunca colocara em causa a presença no dérbi com o Benfica. Será que ele não viu/ouviu/leu as declarações do director de comunicação logo após o adiamento do jogo com o Videoton? Será que em Alvalade ninguém sabe os vários regulamentos em torno do futebol? Será que todos os responsáveis do clube conseguem ter as mesmas interpretações erradas do que está nos vários artigos? Será que o Sporting não percebeu que aquando da recepção ao Sp. Braga o tempo de descanso entre o jogo europeu e o confronto com os minhotos foi exactamente o mesmo que agora? Depois, bem mais grave, foi a incapacidade para rebater as palavras que Luís Filipe Vieira lhe dedicou no final do dérbi. O líder encarnado comparou-o a Vale e Azevedo, apelidou-o de aldrabão e Godinho reagiu... não reagindo. Sorriu, agarrou-se a dois-três chavões de ocasião e, de forma inacreditável, enfiou a carapuça sem sequer tentar defender-se.
Se Godinho ainda tinha alguma margem de apoio entre os sócios e adeptos leoninos, duvido que a maioria não tenha ficado decepcionada depois de observar este lamentável comportamento. Um líder forte e frontal, teria aproveitado o espaço que toda a imprensa lhe concedeu para dizer quantas vezes tentara ligar a Vieira, a que horas, de que número, para que número, quantos sms’s tinha escrito, etc, etc. Godinho não fez nada disto. Como diz o povo... "comeu e calou". E da fama de aldrabão não se livrou.
Perante o caos desportivo e financeiro - e estando cada vez mais desacreditado -, Godinho considera sem sentido falar-se em demissão. E ainda tem o desplante de dizer que estaria preocupado se “não estivessem por disputar 57 pontos”. Se Godinho Lopes fosse treinador, diretor desportivo ou chefe de departamento, tenho a certeza que o presidente Godinho Lopes já o tinha despedido. Assim, perante a surpresa geral e a crescente indignação da família leonina, vai agarrando-se com unhas e dentes ao lugar. Com que propósito? Com que objectivo? Convencido de que está no bom caminho? Não faço ideia. Ninguém parece saber a razão.

PS – Sobre o dérbi jogado pouco há a dizer. Ganhou a melhor equipa. Apesar do Sporting ter tido bons 20-25 minutos na primeira parte e de, com sorte, poder ter feito dois golos nas duas únicas chances que criou na etapa complementar... o Benfica mostrou pertencer a outro patamar. Os leões possuem jogadores de qualidade e lutaram imenso, mas decididamente não se pode dizer que tenham uma equipa. E pela enésima vez ficou claro que os futebolistas, logo à primeira contrariedade, ficam irreconhecíveis. Onde é que isto irá parar? Não faço ideia, mas parafraseando Godinho, não é caso para alarme. Parece que ainda há 57 pontos por disputar. Resta dizer que nos 33 que já se jogaram, o Sporting amealhou 11..."

À espera da evidência

"Jorge Jesus surpreendeu Alvalade com um futebol nos antípodas da efervescência que se esperaria de um candidato ao título num encontro que, para todos os efeitos, continua e continuará a ser um clássico do futebol português.
Contrariando as previsões dos benfiquistas mais pessimistas, o treinador não "inventou" soluções para um jogo em que estava obrigado a ganhar.
Limitou-se a colocar em campo os melhores disponíveis e ciente da sua superioridade sobre o adversário, nem sequer caiu na tentação de mudar fosse o que fosse quando se viu a perder.
Com André Gomes ao lado de Matic, tal como em Barcelona, o Benfica voltou a ter meio-campo e serenidade. Depois foi esperar."

Bipolarização cada vez mais evidente

"A diferença de classe entre os dois favoritos ao título e o terceiro candidato habitual confirmou-se ontem num dérbi que pode constituir um marco na história do futebol português: a bipolarização está consolidada e o Sporting já só pode reentrar nesta elite, em termos de competição futebolística, com uma profunda e total remodelação, não apenas directiva, mas também de mentalidade e espírito.
As diferenças de qualidade a todos os níveis de que falou Vercauteren no final da partida resumem esta situação e servirão de ponto de partida para os leões. O seu campeonato, doravante, é outro, há que enfrentar a realidade.
No que interessa ao campeonato, o dérbi nada trouxe de novo, para lá do pormenor de o Benfica ter recuperado a luzinha do comandante, graças ao terceiro golo de Cardozo, depois de o FC Porto ter resumido esta undécima jornada a um golo, três pontos e sofá.
A luta é corpo a corpo, o primeiro embate entre Benfica e Porto será daqui a, precisamente, um mês e haverá campeonato até ao fim. Nenhuma das equipas pode considerar--se superior, apesar dos melhores resultados dos nortenhos na Champions, mas talvez em muitos anos não se tenha observado uma proximidade tão evidente entre os principais candidatos.
Esta jornada consolidou o Sp. Braga no 3º lugar, aproveitando impiedosamente o desgaste da viagem da Académica a Israel. Os minhotos têm agora nove pontos de vantagem sobre o Sporting e ainda não levam muito a sério a oposição generosa de Rio Ave e P. Ferreira que empataram sem golos num excelente jogo sem honras de transmissão televisiva, tal como o dérbi madeirense."

O abuso do Twitter

"Os jogadores holandeses sempre toleraram contrafeitos as concentrações antes dos jogos. Nos seus tempos de Milan, Van Basten, Gullit e Rijkaard exigiam mesmo que as esposas ou namoradas os acompanhassem nos retiros em Milanello. Agora, que não podem exigie tanto, desafogam o tédio no Twitter. Wesley Sneijder é um dos mais obstinados no uso dessa via de comunicação e foi aí que começaram as suas desavenças com o Inter. Violando o regulamento interno, anunciou alegremente ao mundo que o tratamento à sua lesão muscular seria efectuado na soalheira Los Angeles, sem omitir os detalhes da terapia, o nome da clínica, do médico e até das praias e dos locais de diversão mais exclusivos que frequentaria com a mulher, Yolanthe Cabau. O clube chamou-o à ordem e multou-o, e a partir daí a relação azedou-se a ponto de estar em vias de romper. Até porque, entretanto, aproveitando a crise e o limitado contributo que o jogador tem dado, Moratti lhe propôs a redução do salário líquido anual de 6 milhões de euros para 4 milhões. Coisa em que o holandês nem quer ouvir falar.
O que o nosso Governo fez com a suspensão das grandes obras que estavam em andamento ou em projecto reproduziu-se em Itália no que toca à construção de novos estádios que substituíssem estruturas caducas. É mais uma machadada no esforço de renovação e reestruturação do calcio. Vejam só: o estádio Luigi Ferraris (Génova) foi edificado em 1909, o Elio Tardini (Parma) em 1923, o Giuseppe Meazza (Milão) em 1925, o Renato Dall'Ara (Bolonha) em 1927, o Atletti Azzuri (Bérgamo) em 1928, o Artemio Franchi (Florença) em 1930, o Renzo Barbera (Palermo) em 1932, o Olímpico (Roma) em 1937... E por aí fora. Todos Série A."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Cardozo, o exterminador de leões!




Nota: Se as imagens vos aparecerem demasiado pequenas, experimentem carregar nas mesmas para uma versão um pouco maior...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

PUM!, ou o silêncio

"Terá feito PUM!, suponho. Quero dizer: o tiro. Alguém deve ter ouvido. Um tiro num WC não soa no vácuo. Isto é: digo eu, porque informação não há. Diz-se que foi no WC; diz-se que foi um tiro. Os jornais não têm letras, as televisões não têm imagens, as rádios não têm voz. Um tiro provoca perguntas: quem foi?; por que foi? Ninguém responde às perguntas. Pior ainda: ninguém faz perguntas. Fazemos nós, cada um por si. Mas não fazem perguntas aqueles que tinham como obrigação profissional fazê-las. O silêncio é grosso: envolve um estádio, envolve uma torre de escritórios, envolve um clube. Misterioso clube esse, que vive envolto em silêncios apenas interrompidos pelas tiradas imbecis de um velho escroque.
Consta-se que a polícia abriu inquérito, desenvolveu investigações. Mas não se sabe ao certo. O silêncio também tomou conta da polícia. Há conclusões? Há relatórios? Vá lá saber-se. O poço é fundo, muito fundo. Certo dia, a certa hora, ouviu-se (parece...) um tiro. Houve um morto, pelo menos houve rumores de existir um morto. Quem o matou? Ele próprio ou mão alheia? Era um morto que incomodou enquanto vivo? Era apenas um cavalheiro solitário sem razões para viver? E a arma? Não há tiro sem arma. Isto é: não costuma haver tiro sem arma, mas talvez estejamos perante um universo diferente, difuso, no qual as razões e as consequências não coabitam no mesmo espaço. PUM!, ouviu-se no edifício, no estádio, suponho. Ninguém quis verdadeiramente saber. Ignorem, desvalorizem, não passa de um homem morto... Há lá coisa mais banal do que um homem que é morto? A quem convém o silêncio?, já perguntei aqui. E respondo de novo: o silêncio convém aos criminosos. Já ninguém ouve um tiro no silêncio...

P.S. - Depois de uma morte, outra morte. Parece que para certa gente as mortes são banais. Aconteçam num WC ou numa estrada. Não lhes pesam na consciência: é coisa que não têm."

Afonso de Melo, in O Benfica

Aquela tarde em Belém do Pará na qual Lagardére não largou Pelé

"Talvez a marcação que Vicente fez a Pélé tenha ficado na história do Futebol português e registada da lenda. Mas, se calhar, pouca gente sabe que também José Torres, o «Bom Gigante», teve um dia que marcar o «Rei» por ordem do treinador do Benfica, Fernando Riera

«Desejou bons dias e pôs-se a andar. Firmino ficou a vê-lo a afastar-se. Era baixinho, com um tronco grande de mais para umas pernas muito curtas. Curiosamente lembrou-se de um outro Torres. Mas a esse, nunca o conhecera, só o vira em imagens da época, na televisão. Era um Torres muito alto, que fora o ídolo do seu pai, o Torres que jogava como avançado-centro no Benfica dos anos-Sessenta. Não sabia jogar, dizia-lhe o pai, mas bastava-lhe esticar a cabeça e zás, a bola entrava na baliza sozinha»
António Tabucchi, «A Cabeça Perdida de Damasceno Monteiro»

lá vão uns anos, mais de dez anos, certamente. José Torres estava doente, mas ainda não tinha mergulhado naquele Mundo só seu e no qual viveu até à morte, distante de tudo, alheio às pessoas e às coisas, preso dentro da sua própria cabeça.
Abriu-nos a porta e ai ficou no ar a sensação de que a porta era pequena demais para ele. Talvez não fosse, mas nestas coisas das imagens a memória não perdoa. Regista-se a elas ficam para sempre, é assim que o recordo - também foi assim, pelos vistos, que António Tabucchi o recordou. Uma fotografia em movimento: Torres meio debruçado, meio curvo, claro que não era da porta, era dele mesmo, foi o tempo que o encurvou como costuma fazer, geralmente, encurva-nos, às vezes apenas por fora, outras até por dentro, a ele haveria de encurvar de uma maneira e de outra.
Lembro-me de mais coisas: o facto de as ter escrito ajudam-me a recuperar os momentos. Tinha um cãozinho nervoso sempre aos saltos em volta dos calcanhares, tratava-o com carinhos de bondade, havia nele sempre um toque afável nos gestos e na voz, deve ter sido por isso que lhe chamaram um dia o 'Bom Gigante'. Visitei-o para uma entrevista, para que me fornecesse lembranças, desafiou um rol inesgotável delas, falando sem azedumes de tanta gente que ainda era viva e de outra tanta que se fora.
Apontou as paredes da sala, descreveu as fotografias aí dependuradas, abriu as gavetas onde guardava as camisolas de embates homéricos, a do Inter na final de San Siro, a da selecção portuguesa do Mundial de 66, e a jóia da colecção, a do Rei Pélé, trocada no final do inesquecível Portugal-Brasil quando, como escreveu Carlos Pinhão, se deu a 'grande vingança da bola quadrada'. E lembrou-se e contou: 'Tinha combinado com o Pélé antes do jogo que, quando ele acabasse, trocaríamos as camisolas. E não foi nada fácil, como podem calcular. Ficámos apurados para os quartos-de-final, o Brasil estava eliminado, foi a maior confusão, todos queriam a camisola do Pélé, mas o trato tinha sido feito e foi cumprido'.
Exibiu o troféu. Nesse tempo as camisolas eram de pano e, por isso, mostrou-nos uma camisola pequena, quase uma miniatura, encolhida pelas lavagens e marcada pela voracidade das traças que não respeitam sequer as peças de museu. 'Vou-lhe contar um episódio que muito pouca gente conhece', disse subitamente, como se uma imagem lhe tivesse assomado sem avisar à janela do espírito. Descreveu: 'Um dia, em Belém do Pará, tive que marcar o Pélé. Era habitual que, nos treinos, eu actuasse muitas vezes de trás para a frente, vindo ao meio-campo ajudar os companheiros nas manobras defensivas, o treinador, que o Fernando Riera, conhecia bem essa minha característica, antes desse Benfica-Santos que se disputou em Belém chamou-me e disse-me que a minha função seria marcar o Pélé. E assim foi durante toda a primeira parte e, durante toda primeira parte, o Pélé não teve praticamente uma oportunidade de golo. Mas, com o decorrer do jogo, o Eusébio começou a gritar comigo, a mandar-me avançar no terreno, a dizer que precisavam de mim lá na frente para acorrer aos lances de cabeça, acabei por me adiantar e deixei a marcação que estava a fazer, e não querem lá ver que, poucos minutos depois, o Pélé fez um golo e por sinal um golo verdadeiramente fantástico!'
Ah! Pois... falta explicar o Lagardére. História simples. José Maria Pedroto, seu treinador no Vitória de Setúbal, pôs-lhe a alcunha. Lagardére: «Eu era o homem que saltava do banco para dar a 'estocada final'», contava José Torres. Corre hoje, naquela sua passada inconfundível, na planície da eterna saudade."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Difícil (como eu esperava), mas muito justo


Sporting 1 - 3 Benfica

Não entrei na onda do excesso de confiança nas vésperas deste jogo, todos nós sabemos que toda a carga negativa que o Sporting carrega neste momento, não iria importar no desenrolar do jogo, e até podia servir para picar os Lagartos, e adormecer os nossos jogadores...
As derrotas do Sporting com equipas 'fracas', onde o Sporting é obrigado a assumir as despesas dos jogos, são completamente diferentes deste jogos, onde o favorito era claramente o Benfica, e o Sporting mesmo jogando em casa, ia jogar no contra-ataque... Foi assim que o Sporting venceu o Braga (com a ajuda do Proença como é óbvio!!!)...
O Benfica até entrou melhor, o Sporting marcou num lance fortuito, o Benfica continuou a desaproveitar muitas oportunidades (demasiadas), até que o Cardozo encontrou o segredo para furar as redes... nesse momento (no golo do empate) fiquei seguro que o Benfica iria vencer!!!
Hoje não vou fazer grandes analises individuais, mas tenho que destacar mais um grande jogo do Jardel, e mais uma boa partida, sem comprometer do André Gomes, que mesmo não contando com o Witsel (que era para estar no plantel neste momento...), é a 4ª opção para a posição, depois do Pablo, do Carlos e do Enzo...!!! Finalmente o Nico entrou bem num jogo, mas sendo um pouquinho cínico (mauzinho!!!), tenho que dizer: '... mas, contra estes, também eu!!!'
Continuamos na frente, mas todos os jogos são finais... no próximo sábado com o Marítimo, temos mais um jogo muito difícil, com jogadores rápidos na frente, que vão jogar no nosso erro... Admito que a minha ansiedade pré-jogo foi ainda mais elevada do que o habitual, num País normal, uma equipa que ambicione ser Campeã, só tem que ser melhor que os adversários, mas em Portugal não é assim. O Benfica neste momento deveria estar com 8 pontos de vantagem em relação aos Corruptos, mas nas contas que contam, estamos empatados!!! Esta coisa que ser obrigado a ganhar todos os jogos (e mesmo assim não sei!!!), para ser Campeão, não é bom para o coração!!!


PS1: Os meus Parabéns à Benfica TV pelo aniversário, e que rica prenda tivemos...
PS2: A minha solidariedade com as Casas do Benfica da Charneca da Caparica, e de Almada que foram vandalizadas na noite de ontem...

O Fergunson da Luz

"Já fui tão crítico de Jesus que nem Jesus me levará a mal que o elogie, sublinhando, apenas, o que há algum tempo aqui deixei escrito sem qualquer ironia: se eu fosse o presidente do Benfica renovaria o contrato de Jesus por dez anos. E depressa, não vá o Benfica querê-lo, um dia destes, e não o querer Jesus.
Não me lembro, francamente, quem o disse mas alguém disse recentemente (e se calhar nem foi de todo original) que Jesus poderia muito bem vir a ser o Alex Ferguson do Benfica.
Arriscando ter acertado ligeiramente ao lado, porque sinceramente não sei em qual das freguesias da Amadora nasceu Jesus, também um dia lhe chamei o Mourinho da Brandoa, com respeito e sem ofensa, porque apesar dos diferentes planos, Jesus mostrou há muito coisas de Mourinho - na forma de liderar a equipa, nalguma agressividade para o exterior, no estilo a trabalhar jogadores...
A primeira comparação com Alex Ferguson veio da pastilha elástica que o treinador do Benfica, à semelhança de Ferguson, costuma mastigar em pleno jogo.
E agora, quando alguém diz que Jesus poderia vir a tornar-se o Ferguson da Luz, não estará propriamente a comparar carreiras, estará obviamente a referir-se ao que me refiro: bem vistas as coisas, talvez não fosse má ideia o Benfica renovar o contrato de Jesus por dez anos!
Jesus põe ou não põe o Benfica a jogar à bola? Põe!
Jesus melhora ou não melhora as qualidades dos jogadores? Melhora!
Jesus transforma ou não um bom médio num óptimo defesa? Transforma!
Jesus tem ou não tem aprendido a ser treinador de um grande clube como o Benfica? Tem!
Jesus é ou não um treinador ambicioso? É!
Jesus conhece ou não conhece bem o futebol português? Conhece!
Jesus está ou não está cada vez mais identificado com a cultura da Luz? Está!
Jesus revela ou não uma tremenda paixão pelo futebol? Revela!
Jesus vive ou não vive intensamente para o trabalho? Vive!
Jesus luta ou não luta pelo espectáculo? Luta!
Jesus está ou não está na galeria dos treinadores positivos? Está!
Jesus faz ou não faz bem ao futebol? Faz!
Reafirmo: já fui tão crítico dos comportamentos de Jesus - longe de mim ser crítico das capacidades e qualidades técnico-tácticas do treinador do Benfica - que talvez surpreenda o próprio Jesus com esta opinião.
Jesus parece ter moderado (e de que maneira) uma certa arrogância; parece ter melhorado (e muito) a comunicação; parece ter ficado um pouco mais humilde; parece ter compreendido melhor a dimensão das coisas num clube tão grande como o Benfica, e sobretudo parece ter percebido como a ciência do futebol não faz do futebol uma ciência.
Jesus está mais aberto; mais tolerante; mais participativo; partilha mais e já evita muito mais aquele ar de quem tem a mania que sabe tudo. Já sabe melhor que mesmo sabendo não precisa de dar o ar que sabe.
Se é que entendem.
Apesar de tudo isso, Jesus não perde a identidade. Nem deve, como é evidente. E muito menos deve alguma vez sentir-se refém dos erros que possa ter cometido nos dois anos que levou de Benfica e nos quais pouco ganhou.
Deve Jesus continuar no Benfica por não se saber se depois de Jesus será o caos?
Não, claro que não!
Talvez haja quem defenda Jesus por receio da sucessão.
Não é o caso.
Jesus mastiga pastilha elástica mas isso não é um problema.
Gosta, à sua maneira, de cuidar da imagem e isso só lhe fica bem.
Terá uma franqueza nem sempre bem compreendida mas isso também Mourinho.
Os erros? Parece vir aprendendo pelo menos com alguns, isso é claro.
Este ano, e de repente, Jesus perdeu Javi Garcia, Witsel e, não lhe faltava mais nada, o imprudente Luisão. 
O futebol já nos mostrou como em muitas situações semelhantes, treinador e equipa são incapazes de resistir. Pois Jesus fez muito mais do que resistir.
Reequilibrou a equipa e deu-lhe substância. E mesmo sem núcleo duro motivou-a, devolveu-lhe a confiança e refez-lhe a voz de comando.
Melgarejo cresce; Lima integra-se; Matic surpreende; Enzo Perez revela-se; Salvio confirma-se; Jardel reage; André Almeida e André Gomes surgem e Ola John já brilha.
Se o mérito não é do treinador é de quem?
Nestes últimos tempos, no Benfica, é verdade que se foram perdendo alguns anéis, mas sempre foram ficando os dedos.
E os dedos, como sempre, são o mais importante!"
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

Um dérbi como os outros

"Longe vão os tempos em que os Benficas-Sportingues e os Sportingues-Benficas se disputavam à luz do dia, alimentando (pelo menos) duas tardes de domingo por ano. Umas vezes com chuva, outra vezes com sol, alternância que também acontecia com os resultados (felizmente com mais sol do que chuva), e os correspondentes sorrisos ou esgares de tristeza com que enfrentávamos a manhã da segunda-feira seguinte.
Razões que escapavam à lógica do Desporto e do espectáculo, empurram hoje os grandes 'clássicos' do Campeonato português para dias de semana e horários absurdos. Não é assim em Inglaterra, Itália ou Alemanha (onde também há televisão, mas continua a jogar-se aos sábados e domingos à tarde). É assim por cá, o que se lamenta.
Porém, à excepção da calendarização obtusa, nada mudou na essência competitiva do grande dérbi lisboeta. De um lado o Sporting , do outro o Benfica. E, independentemente da conjuntura classificativa, sempre uma total incerteza quanto ao desfecho final.
Não ignoramos o momento por que passa o nosso eterno rival, mas não podemos deixar-nos enganar pelas aparências. Ninguém duvide que o Sporting, mesmo perdendo com Rio Aves, Videotons, Genks e Moreirenses, vai apresentar-se nesta segunda-feira com a alma fortalecida pela cor das camisolas que terá por diante. Afastado das provas europeias, da luta pelo título, e da Taça de Portugal, o objectivo dos 'leões' será (como sempre foi, mas desta vez em exclusividade) complicar a vida ao Benfica, retirando-o da liderança. Podemos, pois, estar certos, de antemão, que iremos assistir à melhor exibição da época sportinguista, e só um Benfica ao seu melhor nível será capaz de evitar um resultado menos positivo. Sabemos que somos mais fortes, mas teremos de o demonstrar em campo.
A história está cheia de resultados surpreendentes neste tipo de confrontos. Alguns bem dolorosos. Outros bastante saborosos. Com ambição, confiança, mas sobretudo, com concentração e garra, seremos capazes de evitar uma desagradável surpresa."

Luís Fialho, in O Benfica

"Transferências"...

"1. Não tivemos jogo no último fim-de-semana mas, claro, notícias sobre o Benfica não faltam. Aproximando-se o (incompreensível) período de transferências de Janeiro, não há dia em que não entrem ou saiam jogadores no Benfica e nos outros clubes. Já nem vale a pena ligar. Até já lemos que grandes clubes europeus estão 'interessados' em Wolfswinkel (fazendo lembrar o interesse, renovado ano a ano, do Real Madrid pelo antigo central Beto!...), como se alguém acreditasse. os empresários (não digo todos...) lá vão tentando valorizar os seus jogadores, inventando e divulgando esses interesses. Depois, há também aqueles que vêm para os jornais pressionar, como foi o caso, agora, do empresário do nosso Cardozo, cujo contracto termina dentro de ano e meio. Um excelente jogador, sem dúvida, mas que não é nenhum Messi ou Ronaldo. O seu empresário faria bem melhor se tentasse fazer um bom contracto para o seu jogador no gabinete, afinal o local onde esses assuntos se tratam, e não na praça pública...

2. Já o referi no último número. A nossa claque, No Name Boys, tem-se portado muito mal para com o Clube, obrigando-o a elevadas despesas com multas. Mas, repito, é justo referir-se que não tem estado em tristes episódios de violência. Ainda agora foram as claques do FC Porto e do SC Braga a envolver-se novamente em desordens, das quais até resultou (indirectamente) a morte de um adepto minhoto.

3. Muitos têm sido os comentários acerca do mau momento - desportivo e financeiro - do Sporting mas continuam a não ser referidos os nomes dos principais culpados. Segundo os jornais, o Sporting estará a gastar mais apenas em ordenados de jogadores do que tem de receitas. E terá agora que vender os seus jogadores mais caros. Mas quem foi que inflacionou o plantel? A (então) muito elogiada dupla, Luís Duque-Carlos Freitas, certamente com o beneplácio do presidente, Godinho Lopes. A mesma dupla que formou um plantel de luxo há uns anos (com João Pinto e outros pagos principescamente), foi campeã, mas lançou o Sporting numa crise financeira da qual não mais se livrou.

4. Realizou-se no passado sábado, na Catedral da Cerveja, mais um almoço anual de confraternização dos antigos atletas do Atletismo do Benfica. Foi já o 35.º, desde 1978 sem qualquer falha! Ano a ano, infelizmente, vão faltando alguns dos mais antigos. Mas, desta vez, falhou um atleta muito especial: Guilherme Espírito Santo."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Desbravar a Europa

"Esta coisa de escrever antes da ultimação de um cartaz com a importância do Barcelona-Benfica é uma maldade, é uma crueldade. A nossa equipa ganhou? Empatou ou perdeu? Na altura em que este registo está a ser lido, o resultado já é conhecido. Foi melhor? Foi pior? Pior é mesmo abalançar-me a uma prosa, horas antes do embate, com aquela sensação de fervência incontida, própria de quem vibra com os afazeres competitivos do seu emblema de afeição.
À história pertence, pertencerá sempre (e de pouco importa, nesse particular, o desenlace de anteontem) aquele Benfica-Barcelona, ainda sem o contributo do genial Eusébio e do desconcertante Simões, que conduziu o nosso Clube ao primeiro triunfo na antiga versão da Liga dos Campeões. A Europa da redonda ficou estupefacta. Como era possível a turma catalã, com relevante dimensão internacional e dispondo do concurso de jogadores da estirpe de Kubala, Kocsis, Czibor, Evaristo ou Suarez, ter baqueado perante um conjunto quase anónimo de um tal Portugal não menos desconhecido e até obscuro por razões extrafutebol?
Onze bravos, mais a brava da fortuna, guindaram o Benfica, nesse 31 de Maio de 1961, à condição de campeão da Europa. Os horizontes europeus haviam sido abertos no melhor consulado técnico anterior por Otto Glória, mas foi o eterno Bélla Guttmann quem lhes deu substância imprevista, já que poucos ousavam, que não no domínio do sonho, assistir ao triunfo benfiquista na então Taça de Clubes Campeões Europeus, logo no dealbar da década de 60.
Pelo Velho Continente, nomes como Coluna, Águas, Germano, José Augusto ou Cavém passaram a ser citados amiúde. Hoje, os artistas são outros. Como ficou o Barcelona-Benfica, há horas atrás? Todos sabem. Eu, nesta altura, não sei. Mas sei, qualquer que tenha sido o desfecho, que um dia houve quem fizesse galopar a taxa de felicidade vermelha."

João Malheiro, in O Benfica

domingo, 9 de dezembro de 2012

Fim-de-semana duplamente vitorioso...


Benfica 3 - 0 SC Caldas
25-19, 25-11, 25-19

Num fim-de-semana, onde nem tudo correu bem - ...pelo contrário!!! -, a secção de Volei cumpriu, sem sobressaltos...

Vitória sobre o Vitória !!!


Guimarães 74 - 87 Benfica
16-30, 15-14, 21-18, 22-25

A vitória parece ter sido obtida de forma indiscutível, mas as lesões começam a preocupar: se o Franklin recuperou, o Andrade continua de fora, e a ele juntaram-se o Betinho e o Minhava, além do problema na naturalização do Gentry... O próprio Fonseca não parece estar no máximo, já que depois de um início de época muito bom, tem jogado poucos minutos...

Vitória do Cosme !!!


Arouca 3 - 1 Benfica B

Recusei-me ver o jogo todo, rapidamente percebi o que se estava a passar... Este jogo não foi decidido pelos jogadores ou treinadores do Arouca ou do Benfica, a vitória foi decidida numa qualquer casa de alterne... e a conversa deve ter sido qualquer parecida com o seguinte: «... Pronto, não vale a pena vocês chorarem mais, para compensar os prejuízos que vocês tiveram no jogo com o Sporting B, quando o Benfica for lá jogar, a gente facilita...»!!! Devem ter usado mais vernáculo, mas não foi muito diferente...!!!
E nem nos podemos queixar muito, já que conseguimos acabar com 11 jogadores - algo que foi facilitado porque o resultado do jogo nunca este em causa...!!! -, e se o 1º golo do Arouca foi em fora-de-jogo, logo a seguir noutro escandaloso fora-de-jogo não assinalado, a bola foi ao poste!!! O penalty ao acabar a 1ª parte, foi um prémio à arte da impunidade do Cosme - o homem que já deixou passar 5 penalty's na Luz no mesmo jogo!!!

PS: Muito sinceramente não percebo o discurso do Norton no final do jogo, ignorando a roubalheira. O objectivo do Benfica não é a subida, mas já cansa... A única explicação lógica que encontro, poderá ser o nível elevadíssimo de profissionalização do nosso departamento de formação, que além das técnicas e tácticas de jogo, quer preparar os jovens jogadores para as roubalheiras que se avizinham quando eles foram mais velhos..!!!

Muito mau...


Braga 4 - 1 Benfica

Este já é o segundo jogo, com um péssimo resultado e uma má exibição, esta época - depois do jogo com os Leões de Porto Salvo -, algo se passa com esta equipa, perdas de bola infantis, que permitem contra-ataques fatais são muitas, as transições defensivas são más, os jogadores estão quase sempre mal posicionados, e depois no ataque continuasse a desperdiçar oportunidades atrás de oportunidades. Aliás a obsessão em jogar a bola para o César, é uma das razões para os desequilíbrios da equipa nas transições defensivas...
E nem vale a pena de nos queixar-mos das equipas que jogam fechadinhas lá atrás e no nosso erro, e que fazem do jogo contra o Benfica, o joga da vida deles, porque sempre foi assim, e sempre será...
O título só vai ser decidido no play-off, mas neste momento podemos afirmar que o Benfica dificilmente fará melhor que 2º na época regular, e portanto se tudo correr 'bem' vamos jogar a final sem o factor casa... Temos que melhorar muito, se quisermos festejar no final da época...

PS: Os meus Parabéns as meninas do Benfica que representaram a Selecção no Torneio - em jeito de Mundial!!! -, e que curiosamente na final com o Brasil se podem queixar, dos tradicionais erros Tugas: a finalização!!!

Impressão digital

"Na sua profusão de comunicados, declarações «sem direito a perguntas» e recados avulsos que os responsáveis do Sporting emitiram nas últimas 72 horas acabou por ressaltar uma pequena referência, inócua, mas provocadora.
Diz o Sporting, que em tempos esteve nas mãos de um dirigente oriundo da polícia de investigação, estar a ser alvo de ataques permanentes e com «impressão digital».
A menos que sejam as das mãos de Alex Sandro que, semana a semana, vai brincando aos guarda-redes na própria grande área para gáudio dos árbitros da paróquia, tudo aponta para que o sorumbático Sporting se estivesse a referir ao Benfica.
A recuar desde o começo da época, quando tinha colocado o contador a zeros, ficou encurralado na sua labiríntica caminhada, acabando por desembocar numa vontade indómita (e desesperada) de se regenerar através do sangue do mafarrico. Todas as horas da vida leonina nas últimas semanas e, em particular estas 72 horas da libertação, concentraram energias no «adversário» de forma obsessiva e esgotante. Tão cansativa que, se os jogadores percebessem a estratégia, entrariam já exaustos em campo.
Há quem, erradamente, argumente que, nos derbis, a equipa que está mais fraca se agiganta e acaba por vencer. Ora, isto só aconteceu em meia dúzia de ocasiões excepcionais em décadas e décadas de história e nunca deveria servir ao imaginário da esperança leonina. Para ganhar ao Benfica, o Sporting teria de ser, apenas, muito bom, incomparavelmente melhor do que tem sido.
Depois de ter passado ao lado de uma vitória em Barcelona que poderia ser a única em dois séculos de futebol, o Benfica enfrenta agora o derbi mais fácil de sempre e se não jogasse em ataque permanente ao Sporting e não conseguisse vencer, nem seria necessário chamar o CSI de Alvalade para apontar o culpado, Jorge Jesus e o seu dedo famoso."

Esta gente não aprende

"Os castigos a José Mouriunho e a Rui Gomes da Silva postos em questão.

O futebol é um fenómeno cheio de justiças. E nem me refiro à fundamental justiça dos resultados, amarga ou doce conforme os afectos envolvidos mas determinante porque o futebol é isso mesmo, resultados. Muito menos me refiro à justiça divina, tantas vezes invocada em vão por gente descarada quando se sabe muito bem que no céu não vive ninguém que se interesse por futebol. Há ainda mais justiças: a justiça histórica, por exemplo.
Detenhamo-nos nesta especialidade porque estamos perante um caso de interesse mundial que cabe perfeitamente na área da dita justiça histórica. Trata-se da inesperadamente rápida degradação das relações de José Mourinho com Florentino Pérez e do anúncio público, em grande manchete do diário desportivo madrileno “Marca”, do “divórcio” entre o treinador e o presidente do Real Madrid. Ao contrário dos grandes emblemas europeus que se confrontam com o Barcelona fora de portas, o Real Madrid, para azar seu, tem de levar com o Barcelona nas competições internas, uma coisa que não se deseja a ninguém. A obscena distância a que o Real Madrid de Mourinho se encontra do Barcelona na Liga espanhola significa uma humilhação tremenda para a alma merengue. Posto isto, como castigar o treinador? Fácil: tirando-lhe a possibilidade de vir a conquistar em Maio a sua terceira Liga dos Campeões. Um treinador que conduz o Real Madrid ao descalabro interno não tem o direito histórico de sair de Madrid, tal como já saiu do Porto e de Milão, com o mais importante troféu europeu nos braços. E, assim sendo, fica apenas por saber quanto tempo mais resistirá José Mourinho ao desamor do seu presidente.
Há a justiça histórica, como já vimos, e também há a justiça disciplinar, federativa, numa palavra, a oficial. Um vice-presidente do Benfica, Rui Gomes da Silva, foi suspenso por 11 meses pelo Conselho de Disciplina da FPF porque em Setembro, depois do jogo com a Académica em Coimbra, protestou veementemente contra o trabalho do árbitro, o velho Xistra. Compreende-se. Se Rui Gomes da Silva em vez de chamar nomes ao Xistra tivesse mandado depositar antes do jogo dois mil euros na conta bancária do fiscal-de-linha, nem um diazinho de suspensão teria a cumprir. Mas não aprendem?

ERRAR É HUMANO
Ai, ai, esta solidariedade entre alemães
Convenhamos que de uma forma exagerada, veio a recente jornada europeia no que ao Benfica diz respeito confirmar uma realidade. Seja nas provas internas, seja nas lá de fora, o Benfica exibe uma incapacidade de meter a bola nas balizas adversárias, o que se estranha porque o Benfica dispõe de uma série de avançados com inegáveis capacidades. Mas fazer golos é o cabo dos trabalhos.
Foi o que aconteceu esta semana em Nou Camp. Meia dúzia de oportunidades flagrantes desperdiçadas pela linha avançada do Benfica, onde se inclui, a martelo, Maxi Pereira a quem coube a honra do último disparo sem nexo diante da baliza do Barcelona, já em tempo de descontos. Tivesse o Benfica concretizado metade das oportunidades que soube criar e não estariam agora a dizer mal do árbitro os seus indefectíveis adeptos. Entenda-se que o árbitro em causa nem sequer é o que apitou em Nou Camp, um norueguês que fez um trabalho impecável. A “explicação” para o afastamento da equipa da Liga dos campeões, veio do apito de outro árbitro que a milhares de quilómetros de distância inventou uma grande penalidade que colocou o Celtic nos oitavos-de-final da prova. Um malandro de um árbitro alemão, compatriota do árbitro que Luisão derrubou em Agosto. Maldita solidariedade!

POSITIVO
Duda bisou
O Málaga foi a equipa-sensação da fase de grupos da Liga dos Campeões e deve muito dessa sensação aos portugueses Duda e Eliseu. No encontro com o Anderlecht, Duda foi o homem do jogo marcando dois golos. Artur brilhou Num jogo em que os avançados do Benfica falharam incrivelmente uma série de golos feitos, o destaque vai para o guarda-redes que soube brilhar a grande altura no seu único confronto directo com Messi.

NEGATIVO
Helton estragou
Parece sina do guarda-redes portista em jogos internacionais. De vez em quando lá dá o seu “franguito” quando joga na Europa. O último aconteceu no Parque dos Príncipes, em Paris, e cantou bem alto.

Pérola
“Acabou, acabou.”: HULK
O Incrível não gostou de ser substituído no jogo com o Milan e assim que chegou ao banco explicou por gestos e por palavras ao treinador Spaletti que tinha chegado ao limite da paciência. E agora? Quem será o primeiro a sair do Zénite de São Petersburgo, o jogador ou o treinador?"

Leonor Pinhão, in Correio da Manhã

O "tribunal", finalmente

"Todos nós nos recordamos da narrativa recorrente. Sempre que algum processo disciplinar desportivo teve mais impacto e implicou sanções mais graves, sempre veio a ladainha: falta o “tribunal do desporto”. Os narradores apelavam a uma jurisdição especializada do Estado, com “juízes” recrutados sem a eleição dos membros das federações (e dos clubes das ligas profissionais, depois), e uma jurisdição que substituísse os órgãos jurisdicionais das federações e ligas. Ou seja, a extinção da “justiça desportiva interna”, do “caso julgado desportivo” e, por artes mágicas, a suspeição que grassaria nas decisões (ou em certas decisões) dessa justiça.
Nunca compreendi bem esta argumentação casuística e conjuntural. Se a ideia era extinguir os órgãos jurisdicionais das federações e das ligas, tal era incompatível com a autonomia de organização e regulamentação das organizações desportivas. Se a ideia era banir os “juízes” escolhidos para os órgãos federativos e substituí-los por “magistrados do Estado”, não se percebia porque tanta suspeição recaía sobre os conselhos de disciplina e de justiça que, tradicionalmente, eram compostos por “juízes dos tribunais superiores”, que viravam “suspeitos” quando entravam no desporto… Em suma: quem chamava o “tribunal do desporto” parecia estar mais a denegrir certo “órgão de justiça desportiva”, em determinada decisão, do que a propor algo novo e estruturado.
É tempo de dar o salto: estão no Parlamento duas propostas de “tribunal arbitral do desporto” e urge obter o mais importante. 1) Apreender-se (finalmente) que o “tribunal do desporto” só pode ser a última instância de recurso das decisões da justiça desportiva federativa – justiça que não desaparece, portanto. 2) Essa “terceira instância” necessária será competente em exclusivo para os recursos das decisões da justiça desportiva e extingue (isso sim) o recurso aos tribunais administrativos do Estado (que tem sido funesto, na celeridade e no conteúdo). 4) Alargar-se a possibilidade de “arbitragem voluntária”, nomeadamente para os conflitos laborais. 5) Resolver-se a competência para dirimir a acção disciplinar em matéria de dopagem.
Seria bom que todas estas vantagens não se perdessem na polémica de saber se o TAD português fica ou não fica no Comité Olímpico e no interesse de determinar quem pode eleger quem para o TAD. Seria bom que, por uma vez, isso fosse secundário relativamente aos valores da uniformidade e especialização do contencioso desportivo e da confiança na seriedade e imparcialidade dos juízes. A confirmar em 2013!"

Tanto barulho para quê?

"A rábula do adiamento animou os últimos dias, mas voltou a colocar a nu as fragilidades do Sporting actual  que conduziu todo o processo de forma desastrosa. Mal se soube do adiamento do jogo com o Videoton, os leões fizeram peito e garantiram de forma clara que não aceitavam jogar com o Benfica na segunda-feira, sustentando a tese em "regulamentos internacionais" que, simplesmente, não existem. Foi escrito num comunicado oficial do clube que tornou logo aí impossível uma saída airosa.
Depois, o comunicado foi corrigido e os leões agarraram-se ao argumento de que o Regulamento de Competições da Liga é omisso em relação à disputa de jogos europeus à sexta-feira. Pois é, mas também em nenhum artigo dizem esses regulamentos que deve haver 72 horas a separar o final de um jogo europeu do início de um jogo nacional, como alegava o clube de Alvalade. Já agora, os próprios regulamentos da Liga Europa estabelecem que as partidas da competição "são jogadas à quinta-feira" (artigo 12, ponto 12.01, alínea a), o que, por si só, justifica a referência aos dias da semana no Regulamento de Competições da Liga. Casos excepcionais são isso mesmo, excepcionais  mandando o bom-senso que se aplique o sentido da lei, como explicou José Manuel Meirim nas páginas de O JOGO.
Bom senso teve Franky Vercauteren. Lamentou o que tinha a lamentar, mas não entrou na guerra do adiamento. Ainda ontem, o belga voltou a dizer que jogar na segunda-feira "não é um problema". Se o treinador, que deve ser a máxima autoridade dentro de um clube na preparação da equipa, o diz... para quê tanto barulho?"

Sérgio Krithinas, in O Jogo