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quarta-feira, 28 de março de 2018

É o individuo a medida de todas as coisas?

"É de Protágoras (século V, a.C.), o mais célebre de todos os sofistas, a frase que os séculos subsequentes têm repetido: “o homem é a medida de todas as coisas”. Aliás, o relativismo céptico dos sofistas introduziu a liberdade e a tolerância, no exercício do espírito crítico. E, por isso, a História os saúda, como factor de progresso, como activos promotores de criatividade e excelência. Recordo, neste momento, o diálogo O Sofista. Platão exagera quando os aponta, unicamente, como mercenários da ilusão e do discurso mistificador.
No entanto, ao pôr a discussão, o discernimento intelectual à procura imparável da verdade e do bem e não ao serviço do ter e do poder, Sócrates é um nosso contemporâneo, principalmente para nós os que, diante da triunfante invasão do niilismo axiológico neoliberal, defendemos a existência de valores que, para nós, se apresentam como irrecusáveis. Há muito tempo já, Marx adiantou que a função da filosofia era transformar o mundo e não pensá-lo tão-só. Mas não esqueço o que Heidegger escreveu, a este propósito: o pensamento age, quando pensa. De facto, o pensar, na sua radicalidade, está sempre próximo da acção, dado que provém do real e a ele regressa. É na “experiência vivida” (sirvo-me de palavras de Merleau-Ponty) que o real verdadeiramente se conhece. Porque tentei criar uma tese que se afirma contra todos os dualismos (corpo-alma, razão-emoção, homem-mulher, senhor-servo, natureza-cultura, etc.) - sou em crer também que há uma “solidariedade primordial” entre o pensamento e a acção.
Do que venho de escrever se infere que, no campo político, a mais lógica posição de um pensamento actual é a defesa da igualdade de oportunidades, para todos os cidadãos, e a concomitante luta contra a desigualdade económico-social. Aumentou exponencialmente a riqueza de muitos e a pauperização da esmagadora maioria das populações. A tanto conduziram as políticas de Margareth Tatcher (1979-1990) e de Ronald Reagan (1981-1989) e… doutros mais! Hoje, não restam dúvidas que os modelos neoliberais falharam (e falham) rotundamente, no que à solidariedade diz respeito, sem políticas estatais de redistribuição. Faço minhas as palavras de Vladimir Safatle, professor do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo: “O problema da desigualdade só pode ser realmente minorado por meio da institucionalização de políticas que encontram no Estado o seu agente” (A esquerda que não teme dizer seu nome, Três Estrelas, S. Paulo, 2012, p. 23). Os nossos últimos governos aceitaram, com maior ou menor aparato, a ideologia neoliberal, onde tudo se torna mercadoria, e a própria institucionalização de políticas contra a desigualdade cheirava ao mofo da “caridadezinha” capitalista. Também as filosofias da solidariedade, de Apel, Rawls, Ricoeur, Lévinas, Dussel, Derrida, Rorty e Van Paris, enveredando embora pelo trilho de um pensamento paciente, ainda não encontraram a política que lhes permita concretizar as suas normas morais. Entretanto a desigualdade cresce, a violência alastra e há gente que ainda não viu...
A ponto chegaram as coisas que várias questões se levantam: será que não vivemos num Estado ilegal? Se as desigualdades sociais e económicas se acentuam; se há mais guerra do que no tempo da “guerra fria”; se as máquinas partidárias de muitos partidos europeus funcionam, unicamente, no interesse do grande capital e no aumento do património da minoria possidente; se a economia institucionalizada só obtém bons desempenhos à custa do desemprego, da precariedade, da exclusão; se a Lei não parece igual para todos – não estão as políticas dominantes, feridas de ilegalidade? Jacques Derrida, no livro Força de lei (Martins Fontes, S. Paulo, 2007, p. 62) assinala que o Direito reproduz e reflete os interesses económicos e políticos das forças dominantes da sociedade. E não se referia ele a Portugal. Logo nos primeiros cem dias depois de eleito, como escreve o José Manuel Pureza, no DN, de 24 de Agosto último, “Hollande só desiludiu quem sobre ele criou ilusões (…). A suposta solidez do sonho hollandista dissolveu-se rapidamente no ar com as expulsões das comunidades ciganas e a resposta sem substância à ameaça de 8000 despedimentos pela Peugeot-Citroen e de 5000 pela Air France e pela Alcatel”. Enfim, como zelador da social-democracia em voga na Europa, Hollande não foi tão radical como o Dr. Passos Coelho, mas nunca o ouviremos, em inflamado discurso, contra as injustiças do capital...
Eu sei que há pessoas que, lidos os primeiros parágrafos deste artigo, logo dirão que estou a ser exagerado ou catastrofista. Demais, acrescentarão, convictos, que as anomalias que nos cercam não passam do anúncio da Quarta Revolução Industrial. Mas quem é que nos diz, reponto eu, que não estamos mais próximos da barbárie do que de uma civilização fundada sobre a liberdade, a igualdade e a fraternidade? “Sem me meter, aqui, por uma longa digressão pelo pensamento de Tocqueville, gostaria de recordar que este grande pensador do princípio da democracia insiste nos venenos que a democracia desenvolve nela mesma e contra ela mesma. Penso nomeadamente na análise de uma grande lucidez em que Tocqueville nos mostra o homem democrático a absorver-se na fruição da sua liberdade individual, deixando crescer um poder político, que se ocupa de todos os problemas comuns, longe da atenção dos cidadãos” (Maria Helena da Rocha Pereira, in José Eduardo Franco e Hermínio Rico, coord., Padre Manuel Antunes: Interfaces da Cultura Europeia, Campo das Letras, Porto, 2012, p. 41). O mais despudorado individualismo, no mais arrogante integrismo economicista; a indiferença perante a necessidade incontornável da salvação/emancipação da humanidade; a descrença na Ressurreição, ou seja, a descrença no que há de divino em cada um de nós, que nos permite a transcendência e portanto a certeza de que não há, para o ser humano, determinismo na História – são visíveis nas democracias liberais que nos governam.
Por seu turno, o desporto, na Escola e fora dela, tem os seus ídolos: atletas de grandes qualidades físicas e técnicas, alguns deles pagos com milhões, muitos milhões, de euros, mas que se mostram incapazes de trilhar uma senda de inquieta demanda da inteligibilidade do que fazem. Há um detestável grupo de dirigentes (não são todos, eu sei), nos “três grandes” do futebol nacional, incapazes de ter a peito o respeito devido aos clubes adversários, principalmente os que podem tirar-lhes o título de “campeão”. E ainda têm a seu favor a taramela laudatória de certos plumitivos que, por um vencimento chorudo no fim do mês, passam o tempo todo, ora a proclamar as excelências de quem lhes paga, ora a sujar de lama a cara uns dos ouros e a um tal ponto que é difícil imaginar que isto possa acontecer. A história do desporto sugere que as diversas modalidades se criaram como representações de batalhas simuladas, nas quais se erguem sempre opositores, adversários, reais ou simbólicos, que importa superar, vencer. A espectacularidade desportiva fomenta, portanto, um espírito belicista e, sob o império de alguns dirigentes e de certa Comunicação Social, de carácter mesmo fascizante. Não conheço nada de mais alienante, no tempo que nos foi dado viver, do que um certo desporto de altíssima competição que, por aí, se consome, onde são múltiplos e repetidos os escândalos financeiros, onde o “doping” e a violência parecem inevitáveis, onde o desporto tem uma função, sobre as mais: legitimar as taras do neoliberalismo triunfante.
É verdade – o desporto de altíssima competição contribui inevitavelmente à legitimação e estabilização do que há de injusto, na nossa sociedade, pelo seu individualismo sem freios; porque não se cansa de turibular os “Cristianos” e os “Messis”, enquanto um número significativo de futebolistas aufere vencimentos que mal chegam para os gastos habituais de uma família; porque canaliza o pensamento e a energia populares, em direcção a problemas que nada têm de essenciais (relembro, em Portugal, nalguns casos, a estúpida, porque exagerada, rivalidade Sporting-Benfica, ou Porto-Benfica). Já o escrevi inúmeras vezes: se hoje fosse vivo, Karl Marx diria, sem receio que...“o futebol é o ópio do povo”. Não devemos, no entanto, esconder que o aumento e a proliferação de formas desportivas competitivas não violentas representam, indiscutivelmente, um importante processo civilizador. Mas, porque pertenço a uma geração que hasteou a bandeira de um aguerrido inconformismo, em defesa de certos valores, não vejo esses valores respeitados por muita gente de relevo, no futebol português. E gente que merece o aplauso pasmado da esmagadora maioria dos sócios, designadamente os mais jovens e nómadas e rebeldes, rendidos a todos os demónios do mais inflamado caprichismo, o que pode significar que um futebol, de fortes características pedagógicas, continuará a ter, no futuro, rijos opositores.
O individualismo não é a medida de todas as coisas! Mas ele é um dos mitos da sociedade capitalista, ao lado de uma competitividade que não olha aos meios para conquistar os fins e de uma hierarquia que ajuda a que se mantenha a estrutura jerarquizada da sociedade, com os dualismos habituais corpo-alma e senhor-servo. As desigualdades parecem também eternas, no futebol que reproduz e multiplica um determinado tipo de sociedade. Enfim, a presença de determinadas pessoas num certo futebol não acontece, por acaso. Não há jogos, há pessoas que jogam. E portanto o futebol será o que as pessoas forem…"

Fejsa... o dono da bola!!!

Germano...

Benfiquismo (DCCXC)

E assim foi...!!!

105x68... Futebol... e o resto!

B ou não B, eis a questão

"Uma das especialidades nacionais mais populares é a destruição de valor. Pega-se no que está a funcionar e trata-se de mudar tudo. A proposta de criação de um campeonato de sub-23, e, acima de tudo, o desinvestimento nas equipas B que daí decorre, é disto exemplo.
Verdade que não vem mal ao mundo se for criada mais uma competição de formação. Só que também não se vislumbra nenhuma vantagem e o exemplo inglês que é bastas vezes referido não só não tem paralelismos em Portugal, como está longe de estar demonstrado que o campeonato sub-23 seja a explicação para o sucesso recente das selecções jovens inglesas.
Pior mesmo é a criação desta competição pressupor, de facto, o definhamento das equipas B. Ou seja, em nome da criação de uma competição de mérito incerto promove-se o fim de uma história de sucesso com alcance estratégico para o futebol português, do ponto de visto financeiro e desportivo. 
Vale a pena recordar os números: o presidente da Liga valorou em 375 milhões de euros a receita das vendas de jogadores que desde 2012 actuaram em equipas B e o rol de atletas que vingaram por força das suas passagens por estas formações é notável. Uns afirmaram-se nas equipas A e noutras equipas da 1.ª Liga, outros passaram das B para uma carreira internacional de sucesso (infelizmente, o Benfica lidera neste item, com os tristes casos de Cancelo, Hélder Costa e, acima de tudo, Bernardo Silva). Mais, de acordo com dados do analista de futebol português, Jan Hagen, nove dos 23 campeões europeus jogaram em equipas B; o mesmo sendo verdade para 20 dos seleccionados do último Mundial de sub-20. Sintomaticamente, a Selecção sub-21, depois de ter falhado três vezes consecutivas a qualificação para o Euro, esteve invencível de Outubro de 2011 a Junho de 2017.
A explicação parece simples: a 2.ª Liga expõe os jovens talentos a desafios exigentes, bem distintos daqueles que teriam se continuassem o percurso competitivo apenas com jogadores da mesma idade. É, aliás, isso que tem permitido a muitos jogadores saltarem etapas na formação, ganhando maturidade e ficando mais preparados para vingar nas equipas principais.
O caso do Benfica – que é o que mais interessa – é exemplar. A combinação da exposição mediática a que foram sujeitos os jogadores da formação (com os jogos da B a serem transmitidos pela BTV) com os desafios competitivos da 2.ª Liga tornaram possível a afirmação de Nélson Semedo, Guedes, Lindelöf e Rúben Dias, para ficarmos só pelo último ano. De tal forma que esta aposta se tornou o eixo central do modelo de negócio do clube (centenas de milhões de euros de receitas), com óptimos resultados desportivos.
Que outros clubes ponderem pôr fim às suas equipas B, num contexto de restrição aos empréstimos, é um erro colossal; que a Federação aposte nos sub-23 em lugar de promover a entrada de várias equipas B nos escalões competitivos adequados à realidade de cada clube é um equívoco estratégico; que o Benfica pondere sequer pôr fim ao projecto da equipa B é inexplicável."

Factos e números

"Os números permitem continuar um trabalho firme para preparar os melhores para a função.

Numa altura em que a esmagadora maioria dos campeonatos caminha para as grandes decisões, outras foram já tornadas a pensar no futuro do futebol profissional. Em breve, a videotecnologia deixará de ser um projecto meramente laboratorial para tornar-se numa realidade inequívoca do desporto-rei. O Mundial da Rússia do próximo verão será o primeiro palco a sério do ensaio agora tornado realidade.
Depois de dois anos de testes exaustivos, que ocorreram nos quatro cantos do mundo, as conclusões a que chegou o IFAB (International Board) foram avassaladoras: os erros graves diminuíram drasticamente, as intervenções foram mais rápidas do que se temia e o protocolo actual é mais do que suficiente. Por enquanto. Discuta-se ou não a justiça pontual da afirmação - sempre mais política que genuína -, não deixa de ser claro para qualquer pessoa razoável que o VAR, se bem oleado e trabalhado, é um ferramenta de excelência, capaz de apoiar os árbitros e de trazer mais verdade ao jogo. Fiquem com algumas das conclusões da Universidade de Leuven, na Bélgica, responsável por supervisionar ao detalhe e com rigor, todo o projecto (nos seus testes on-line, em pura competição):
1. Ao todo, o VAR foi testado em mais de vinte competições e/ou federações nacionais;
2. Nesse universo, foram escrutinados 972 jogos de futebol;
3. Quase 60% dos lances apreciados foram relativos a pontapés de penálti ou golos (ou seja, dois dos quatro previstos no protocolo);
4. Média inferior a cinco lances verificados por partida (atenção: verificados não significa corrigidos);
5. Tempo médio de cada revisão: cerca de vinte segundos;
6. Eficácia inicial da decisão do árbitro (em campo), confirmada depois pela revisão: 93%;
7. Quase 70% dos 972 jogos sob avaliação não tiveram qualquer decisão revista/alterada;
8. Verificou-se a existência de apenas um erro grosseiro, claro e evidente em cada três jogos escrutinados;
9. Eficácia de decisões acertadas, em cada partida (com recurso ao videoárbitro) foi de... 98.8%;
10. Em 9% dos jogos o VAR teve impacto directo no restabelecimento da verdade desportiva. Ou seja, cerca de 90 partidas viram reposta justiça em situações que passaram despercebidas ou foram mal avaliadas a olho nu;
11. As decisões revistas em campo (pelo árbitro, junto aos écrans) fazem com que o jogo esteja interrompido o dobro do tempo (face às revistas apenas pelo VAR). A tomada de decisão em consultar as imagens e a posterior deslocação ao local são responsáveis por essa perda adicional de tempo;
12. O tempo real (seguido) perdido através do recurso ao VAR é de cerca de 55 segundos. Muito inferior ao que se perde, em média, com substituições, exame de lesões, transporte de lesionados para fora do terreno de jogo, perdas de tempo nas reposições, etc.
Estes são factos. Não são opiniões. São factos concretos. Estamos de acordo que este é apenas o início de uma longa caminhada. Estamos de acordo que o maior obstáculo ao bom uso da tecnologia será sempre a capacidade do homem (árbitro/var) a utilizar adequadamente. Mas os números são animadores e permitem continuar um trabalho firme e sério no sentido de seleccionar e preparar os melhores para a função. é desafiante mas o futebol merece... e os árbitros também."

Duarte Gomes, in A Bola

Na Rússia com VAR

"Os ensaios que algumas selecções nacionais realizaram nos últimos dias foram também aproveitados pela FIFA para preparar os árbitros que potencialmente poderão desempenhar as funções de VAR no próximo Mundial da Rússia.
Foi assim nos dois jogos particulares que Portugal realizou - primeiro contra o Egipto e depois com a Holanda - e em muitos outros disputados nos quatro cantos do planeta.
A aprovação definitiva da vídeo-tecnologia ocorreu no passado dia 3 de Março, após reunião anual do International Board.
Passados dois anos de testes realizados em mais de vinte competições e associações nacionais, o IFAB chegou à conclusão que o apoio daquela ferramenta tornou o futebol num jogo mais justo e verdadeiro.
Para isso contribuiu (e muito) o relatório final entregue pela Universidade KU Leuven (da Bélgica), responsável pelo rigoroso acompanhamento dos quase mil jogos testados ao longo daquele período. 
Com base nos dados divulgados, a FIFA - ilustre representante do Board e defensora acérrima do sistema - decidiu, por unanimidade, utilizar o Videoárbitro no próximo Campeonato do Mundo. A reunião, que decorreu poucos dias depois em Bogotá, apenas validou o que todos já sabíamos: que o próximo Mundial teria VAR.
De entre os muitos "Árbitros VAR" pré-designados para essa competição, estão dois nomes portugueses: Artur Soares Dias (Porto) e Tiago Martins (Lisboa).
A expectativa é grande e espera-se que ambos ou pelo menos um dos dois possa representar a nossa arbitragem naquela que é a maior competição mundial disputada por selecções nacionais.
No jogo que Portugal disputou com a selecção africana, pode dizer-se que o VAR obteve nota (quase) máxima.
Aí e em duas situações distintas, a vídeo-intervenção corrigiu dois erros claros e evidentes, que foram mal analisados em campo pela equipa de arbitragem: primeiro um golo de Rolando, validado como legal e depois corrigido por fora de jogo (que efectivamente existiu) e depois o tento de Ronaldo (inicialmente anulado por fora de jogo que o videoárbitro detectou - e bem - não ter ocorrido).
Em ambos os casos foram ratificados dois lapsos graves, dando justiça ao jogo e à verdade desportiva.
Essa correcção confirma uma das grandes conclusões que a universidade belga já tinha chegado: a de que quase 60% dos lances revistos referem-se a situações de golo ou lances de penálti. As restantes situações previstas do protocolo - cartões vermelhos directos ou troca de identidade disciplinar - ocorrem em menor número.
Já agora e a título de curiosidade, acrescente-se que quase 70% dos 972 jogos escrutinados não tiveram decisões iniciais revertidas. Houve "verificações automáticas" (obrigatórias, por exemplo, após cada golo, expulsão ou pontapé de penálti assinalado) mas sem que destas resultasse alteração da decisão inicial.
Outro dado curioso é o de se ter concluído que apenas 9% dos jogos (menos de 90 partidas) terminaram com influência directa do VAR. Em todos os outros, prevaleceu a decisão que os árbitros tomaram em campo.
A vídeo-tecnologia veio para ficar e isso é indesmentível. Aquilo que hoje é uma série compreensível de pontos de interrogação, será, daqui a uns anos, algo comum, normal e assimilado por todos.
A UEFA ainda mantém naturais resistências à sua utilização e percebe-se porquê: não está em causa a fiabilidade do sistema ou a sua importância para a prossecução da verdade desportiva, mas a gestão prática dessa ferramenta. O organismo que tutela o futebol europeu organiza muitos milhares de jogos por época, de várias competições e em vários países, o que tornaria a sua aplicabilidade no terreno um verdadeiro pesadelo logístico, operacional... e financeiro."

terça-feira, 27 de março de 2018

Uma relação íntima com o golo...

"Arsénio não era alto mas foi enorme. Tinha nele uma potência reservada que explodia em trovões chutados com violência e precisão. Um dia fez seis no Estoril. E fez quatro nas Antas, no dia da inauguração.

Uma vez, em Fevereiro de 1951, o Benfica foi ao Estoril, ao Campo da Amoreira, ganhar por 7-0. Convenhamos que, nesse tempo, o Benfica ganhava com mais frequência por 7-0 do que hoje. Mas não deixava de ser aquilo que podemos classificar de uma cabazada das valentes.
Mas esse jogo teve algo de especial. Uma espécie de outro jogo dentro do jogo. O jogo de um homem contra as balizas e contra o tempo. Aliado da bola e da sua ânsia absoluta pelo golo.
Falo de Arsénio.
Fala-se pouco de Arsénio e é um injustiça.
Arsénio foi grande. Ou melhor: foi enorme.
Nessa tarde de Fevereiro ventou com força. O vento furioso de Arsénio! Cinco-golos-cinco! Como nos cartazes das touradas: e só começou depois da meia hora - 32 minutos. Depois 48, 49, 59 e 84.
Só que, mais tarde, os cinco-golos-cinco passaram a seis-golos-seis!
O inicialmente atribuído a José Águas (40 minutos) foi emendado: tinha sido Arsénio o seu autor.
A façanha agigantou-se.
Agora acrescente-se um pormaior, como diria o Carlos Pinhão: era o que faltava reduzir Arsénio ao dia em que se tornou uma tempestade na Amoreira, em Fevereiro de 1951.
Em 1951, já Arsénio Trindade Duarte tinha oito épocas de Benfica: chegou em 1943. Ainda ficaria até 1955, saindo para a CUF, do seu Barreiro natal (tinha jogado no Barreirense antes de trocar o encarnado às riscas brancas pelo encarnado por inteiro), para ir depois fazer umas perninhas ao Montijo e ao Cova da Piedade.
Foi aprendiz de serralheiro e vinha de cacilheiro para Lisboa.
Era um daqueles homens de ir sempre: ir pela vida mesmo que tivesse de caminhar contra a vida.
O golo!
falei acima da injustiça de atirar Arsénio para uma espécie de terceiro plano da história das grandes figuras do Benfica.
Vamos e venhamos: Arsénio é de primeiríssimo plano!
Assim mesmo, com ponto de exclamação.
Morreu cedo como morrem aqueles que os deuses preferem. Tinha 60 anos.
A morte não pode atirá-lo para o olvido.
Não era alto, Arsénio. Mas forte, de uma daquelas potências reservadas, quietas, à espera do momento de desferir o seu golpe.
Marcava golos atrás de golos: mais de 230 com a camisola do Benfica.
É muito golo...
Arsénio tinha o dom do golo, a empresa do remate fácil e certeiro.
Um dia foi às Antas: 28 de Maio de 1952.
28 de Maio é um dia sinistro na História de Portugal desde 1926!
Ainda assim, dia escolhido para a inauguração do estádio do FC Porto.
O Benfica foi convidado: os clubes tinham relações de amizade, laços de respeito, bem diferente do que acontece neste futebol de hoje, futebol da idade da pedra.
E o Benfica ganhou. Ou melhor, trovejou: oito-a-dois.
O Benfica a trovejar nas Antas, bancadas e relvado novinhos em folha, e Arsénio a relampejar por entre os trovões.
Golos de quem tem fome deles: quatro.
Dois anos antes fizera um decisivo, na final da Taça Latina, contra o Bordéus, o do empate (1-1) que obrigaria a dois prolongamentos até Julinho decidir que o troféu ficava em Portugal pela primeira e única vez.
Só por pura estultícia se pode menorizar a Taça Latina na História do Futebol. Ou por aquele desdém que nasce na falta de pudor.
Só por estultícia se pode menorizar Arsénio na História do Benfica.
Ele foi enorme, apesar do seu metro e setenta e um de altura.
Havia nele uma noção prática da baliza. E uma relação íntima com a bola que se afeiçoava aos seus pés como um cachorrinho abandonado à espera daquele momento em que, num golpe de magia simples, a transformava em golo..."

Afonso de Melo, in A Bola

'O Melhor do Mundo'

"Um nome sugestivo para um extraordinário concurso, um valioso troféu e um grande clube.

Para assinalar o seu sétimo aniversário, o Diário Popular organizou um concurso-inquérito sugestivamente designada 'O Melhor do Mundo'. E, como a 'Voz do Povo é voz de Deus'... e melhor do mundo é o Benfica!
Foi em Março de 1949 que, com a premissa de consagrar 'o esforço dedicado e perseverante das agremiações desportivas do País em prol da educação física', o vespertino Diário Popular começou a anunciar 'o maior concurso de todos os tempos!'.
Para participar, era necessário recortar do jornal emblemas e quadras referentes a 'algumas das mais importantes associações desportivas do país', colá-los numa caderneta, fazendo-os corresponder, a indicar o nome do clube a que pertenciam. As cadernetas incluíam ainda as questões 'Qual o clube da sua simpatia?' e 'Qual o desportista que mais admira?', de reposta facultativa, para auferir quais os clubes e os atletas preferidos dos portugueses.
A possibilidade de concorrentes, atletas e clubes 'ganharem prémios valiosíssimo' fez de 'O Melhor do Mundo' um 'extraordinário êxito'. 'Mais de 50.000 pessoas, espalhadas do Norte ao Sul, e até mesmo nos territórios ultramarinos' participaram. E foi 'fraquíssima a densidade de boletins deixados em branco', apenas menos de 2% dos concorrentes optou por não responder ao questionário.
A entrega dos prémios ocorreu a 22 de Setembro, no Teatro Politeama, 'num ambiente verdadeiramente apoteótico'. Depois do sorteio dos prémios dos concorrentes e de 'uma brilhante parada de artistas de prestígio', 'Beatriz Costa fez a entrega dos prémios dos atletas e aos clubes premiados'. Francisco Ferreira, com 16741 votos, foi considerado o atleta preferido dos portugueses e 'a majestosa taça «O Melhor do Mundo» reservada ao clube mais popular', foi entregue ao Sport Lisboa e Benfica. Com 19876 votos, o Clube foi eleito o vencedor absoluto do inquérito. 'E viu-se bem pela ovação que coroou a entrega do valioso troféu, que o melhor do mundo é o Benfica'.
Criada pela Topázio, marca de renome da prataria nacional, a Taça «O Melhor do Mundo» é um dos muitos objectos do acervo do Sport Lisboa e Benfica que, não integrando a exposição permanente do Museu Benfica - Cosme Damião, se encontra em reserva no Departamento de Reserva, Conservação e Restauro."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

A ética é diferente em tempos de guerra?

"Bem pode Marcelo referir com ‘punhos de renda’ que no futebol há que moderar diálogos em defesa do espectáculo ou apelar aos políticos para comportamentos exemplares.

uns tempos, a propósito de discussões futebolísticas, um bom amigo comentava o facto de eu achar que ‘não vale tudo’ – no futebol como na política. Para ele, a «ética em tempos de guerra é diferente da ética em tempos de paz». Fiquei atónito. Percebi que nesta era em que os populismos se sobrepõem com facilidade a pensamentos racionalistas e estruturados, ainda há quem defenda as teorias de que «no amor e na guerra tudo é permitido», mesmo sabendo que violência gera violência. 
Na certeza de que muitos me consideram um tipo ‘ultrapassado’, por invocar valores e princípios éticos, dei por mim a pesquisar na net o que poderão ser os valores éticos em tempos de guerra. Li sobre tratamentos humanitários, sobre suspensão de valores, sei lá... Senti-me confuso! Até que deparei com algo que me fez sentido: a guerra é algo tão primitivo, que os únicos valores éticos a observar nos tempos atuais consistiriam em terminar com as próprias guerras! João Paulo II assim o defendeu, referindo que «toda a guerra, de si, já contraria a ética».
Fiquei reconfortado. Não estou sozinho na defesa de padrões idealistas, quantas vezes inatingíveis. Mas revejo-me em valores assim, conforto-me no meio de autênticos pirómanos que tudo ateiam à nossa volta. Quer no futebol, quer na política, os fins justificam os meios, os combates ganham-se sem perdão, como nos circos romanos. Os princípios e valores passaram a ser «se formos perseguidos por comportamentos menos éticos ou mesmo legalmente puníveis, nada como nos tornarmos perseguidores e aniquilarmos quem nos critica»!
Os exemplos são diários, as fugas para a frente são ‘o pão nosso de cada dia’, com uma comunicação social ávida de ‘sangue’, dando mais protagonismo a certos figurões da nossa praça – todos eles vítimas de sistemas ‘persecutórios’, seguramente resultantes de leis aberrantes. Uma característica todos têm em comum: além de narcisistas, são populistas! Bem falantes, clamam inocências contra evidências, dormem mais descansados que todos aqueles que os ouvem. Intuito? Poder! Continuar, prorrogar ou regressar, num país em que esperam que o tempo apague da memória colectiva os actos imputados.
Bem pode Marcelo referir com ‘punhos de renda’ que no futebol há que moderar diálogos em defesa do espectáculo (afinal, hoje uma indústria) ou apelar aos políticos para comportamentos em que os portugueses se revejam. Bem como estabelecer pontes e compromissos estruturais em defesa do povo português. Em ambientes belicistas, como os actuais, a única linguagem de ética, talvez audível, seria: 
1. No futebol, aquela que a UEFA usa: dureza nas punições, que transforma dirigentes e treinadores portugueses em autênticos ‘cordeiros’;
2. Na política, o aparecimento de novas forças políticas com ideologias renovadas, e com novas gerações que cerceiem os populismos desenfreados."

Faz de conta

"Tem-se escrito tanto e tanto sobre o BES e o Novo Banco, navegando entre um extremo e outro do enaltecimento ou da reprovação, consoante os interesses pessoais de quem emite esses juízos de valor.
Num período em que o que podemos designar por Grupo Benfica deixa praticamente de ter qualquer dívida perante entidades bancárias, eis que surge uma notícia aterradora - O Novo Banco poderá ser o accionista 'trust' da Sporting SAD.
Que já o era já nós sabíamos pela singela razão dos célebres VMOC, ou, o que é a mesma coisa, dos Valores Mobiliários Obrigatoriamente Convertíveis. Como já estamos fartos de ver, esta convertibilidade obrigatória é daquelas obrigações muito à portuguesa - estás obrigado a fazer isto, mas nunca o vais fazer!
Por esta razão, eu preferia chamar a isto VMPB, ou, o que é a mesma coisa, Valores Mobiliários Para o Bochecho. Ainda acrescentaríamos infinitamente inconvertíveis. É bom que os legisladores criem um novo instituto jurídico com estas características.
A entrada de novos investidores na Sporting SAD estava prevista desde final de 2014, mas, até ao momento, mantém-se inalterada.
O Novo Banco terá emprestado 18 milhões de euros à Sporting SAD. O valor terá sido, disponibilizado à SAD até à entrada de um novo accionista com a garantia de que o banco pudesse reaver o dinheiro acrescido de juros de 1%. O novo accionista ficaria com 21,2% da sociedade.
A primeira pergunta que se coloca é a seguinte:
Como é possível que o Novo Banco, que resultou de uma resolução do Banco de Portugal, possa meter-se nisto e ainda por cima empresta dinheiro a 1% de juros?
Será que todos e cada um de nós não quereríamos empréstimos com taxas de 1%? Será isto legal?
O Novo Banco comunicou à Comissão de Mercado e Valores Mobiliários a venda da sua surcursal na Venezuela.
Na verdade, informou que o valor de venda dos activos e passivos da Sucursal na Venezuela do Novo Banco ao BANCA-MIGA, Banco Universal, C.A., da Venezuela, ascendeu a 11.707.500 mil bolívares venezuelanos (aproximadamente 272 mil euros ao câmbio DICOM-BCV de 28 de Fevereiro de 2018). Uma fortuna!
Curiosamente, ou não, o BES Miami foi vendido à Venezuela, por 10 milhões de dólares, cerca de 9,1 milhões de euros, ao grupo venezuelano Benacerraf.
Mas ainda existe a célebre história dos fundos venezuelanos ligados ao petróleo.
Em 2014, dois fundos estatais da Venezuela, o Bandes e o Fonden, investiram um total de 800 milhões de dólares em dívida ao Grupo Espírito Santo. Depois, quando começaram a tornar-se públicos os problemas com o risco de pagamento de dívidas de papel comercial, dois administradores do BES assinaram cartas conforto supostamente garantindo o pagamento de metade daquele investimento, 400 milhões de dólares. Logo que os auditores tornaram conhecimento dessas cartas de conforto, obrigaram o então BES a constituir uma provisão no mesmo valor, o que agravou os resultados do primeiro semestre de 2014, que conduziram ao reconhecimento de uma perda nas contas do BES no valor de 267 milhões de euros, com referência a 30 de Junho de 2014. Os 267 milhões de euros eram então o equivalente aos 400 milhões de dólares, sendo que mais 400 milhões de dólares estavam por garantir.
Só que, depois da cisão entre 'banco bom' e 'banco mau' (respectivamente, Novo Banco e BES), o Banco de Portugal considerou que as cartas de conforto não tinham validade jurídica enquanto garantia. E passou o crédito para o 'banco mau'.
O Grupo Novo Banco apresentou um resultado negativo antes de impostos de 355,6 milhões de euros em 30/9/2017.
Não nos podemos esquecer de toda a movimentação financeira do BES para o BES de Angola, que era gerido pelo detentor actual de uma participação substancial na Sporting SAD, a Holdimo, no valor de 20 milhões, correspondente a 30% do capital da Sporting SAD, conforme explicamos (...).
Quem andou, anda e vai andar a pagar isto tudo são os contribuintes, ou seja, todos nós.
Este tipo de situações são as mais corriqueiras num país que vive num estado de permanente guerra, ódio, inveja e faz de conta.
Faz de conta que nada se passa!
Faz de conta que somos todos amigos!
Faz de conta que somos ricos!
Faz de conta que arguido é condenado!
Faz de conta que a coisa se passou como a testemunha diz!
Faz de conta que não existem processos kafkianos!
Faz de conta que os condenados são culpados, e os absolvidos, inocentes!
Faz de conta que nós somos os mais, e aqueles, os bons!
Faz de conta que a economia é inteligente!
Faz de conta que somos todos donos do saber e da verdade!
Faz de conta que e tudo dr.!
Faz de conta que aquele tipo é porreiro!
Faz de conta que não desejamos mal uns aos outros!
Faz de conta que a Casa de Papel não é mais do que aquilo que todos somos!
Faz de conta que só os outros é que cometeram crimes e fomos sempre todos uns santinhos!
Faz de conta que se mente mais na rua que no tribunal!
Faz de conta que o dinheiro do Novo Banco não foi posto na Sporting SAD!
Faz de conta... faz de conta... faz de conta!

Até para semana."

Pragal Colaço, in O Benfica

Bruno de Carvalho nunca soube...

"Não será bom para o futebol português nem para a sua competitividade ver o Sporting a lutar pela permanência daqui a uns anos.

Bruno de Carvalho nunca soube o que foi ser campeão. Felizmente, ao contrário, a imensa maioria do povo português sabe o que é ser campeão nacional de futebol, pelo menos nos últimos 15 anos. Tanto assim é que o próprio treinador do Sporting Clube de Portugal já foi no Sport Lisboa e Benfica campeão por três vezes.
Como é óbvio, a título de registo de interesses, sou do Benfica, pelo que nada me move contra Bruno de Carvalho; antes pelo contrário, a ele agradeço a constante motivação que fornece aos adversários, por um lado, e por outro a instabilidade que cria ao seu Sporting.
Sou dos que entendem que Jorge Jesus é um dos melhores treinadores de futebol do mundo, pelo seu saber e pela sua ambição, pelo que a questão que se coloca é: até quando Jorge Jesus aguentará perder títulos e campeonatos por causa do seu presidente?
Bruno de Carvalho nunca soube o que é ser campeão nem nunca saberá pela simples razão de “que aqueles que se dedicam demasiado às pequenas coisas tornam-se, normalmente, incapazes das grandes”.
O seu drama é poder ficar para a história como John May ou o dr. Reinhardt Schwimmer, ambos vítimas de Al Capone no famoso massacre de São Valentim. Contudo, Bruno de Carvalho tem ainda uma grande luta pela frente que é conseguir que o seu Sporting fique à frente do Sporting de Braga.
O Sporting não é um clube pequeno de todo, antes pelo contrário, há que reconhecer o seu mérito e a sua história que, não se comparando com Benfica ou Porto, também é grande. O real problema da instituição Sporting Clube de Portugal é a sua direcção e o caminho que ela toma, porque quando uma grande instituição é gerida por pessoas menos capazes, e menos bem formadas, tende a diminuir-se.
Não será bom para o futebol português nem para a sua competitividade ver o Sporting a lutar pela permanência daqui a uns anos. O futebol é uma festa e um grande desporto, o respeito pelo próximo nunca fez mal a ninguém e há que praticar os bons costumes mesmo em competição."

Claques: inacção e caos ou competência?

"Ao longo de décadas, foram várias as vezes que ministros europeus se reuniram para analisar questões de violência associada ao desporto, particularmente ao futebol. A visibilidade e mediatização do futebol facilitaram as escolhas de quem pretende protagonismo de qualquer forma. 
Desde o século passado que surtos de vandalismo irromperam por diversos estádios, deixando marcas dramáticas (incluindo mortes) sem que um programa comum fosse aplicado a nível global.
O risco, o medo, o silêncio e a necessidade de protecção, foram afastando adeptos e simpatizantes. É certo que outros vieram…
Repentinamente, embora preparadas ao longo de anos, surgem ondas de violência, de intolerância, de guerrilha permanente, muito pela incapacidade de governantes e dos dirigentes que tutelam o futebol que não conseguem definir rumos eficazes (mesmo que vantajosos unicamente para si próprios). Há uma encenação generalizada, há focos decididos em alimentar polémicas, há promessas nunca cumpridas após eleições, há muita incompetência e nenhuma coragem. A necessidade de integração, a divulgação sistemática de imagens violentas, o faz-de-conta de quem tem obrigação de pensar, prever e agir, a facilidade e velocidade com que qualquer notícia se mundializa sem sequer ser escrutinada, alimentam impulsos, fomentam reacções, “institucionalizam” comportamentos violentos.
Líderes de ocasião fomentam ódios, constroem muros ferozes, surgem confrontos (sem razão fundamentada, mas só porque sim), destroem-se em segundos valores essenciais da humanidade, num paradoxo incompreensível: numa época de globalização, prometida como sucesso para todos, cada vez mais se potenciam conflitos locais e injustiças. Claro que a corrupção, os investimentos que ninguém controla (nem parece querer controlar) e que viajam para paraísos fiscais, as enormes diferenças de regimes tributários e mesmo de legislação diversa, funciona como desresponsabilização política.
De grandes frases, de gestos magnânimos e emocionantes, de selfies, está a ilusão fortificada para construir nova realidade… que continua, algumas vezes, triste, dramática, em mentiras sucessivas. Criticar não é dizer mal, como se quer fazer crer para impor a unanimidade.
Criticar não é somente ver os defeitos e qualidades dos outros, mas também os próprios e acima de tudo descobrir pistas e caminhos para evoluir. A necessidade de tolerância é fácil de entender e de praticar: basta aceitarmos que todos têm direito à liberdade de expressão.
O tempo de ócio que muitos preenchem com desporto (como prática ou como observador/assistente) passou a tempo de “negócio”, de confronto e não de apoio ou prazer. A emoção de assistir a um jogo é extremada com tempo desperdiçado em protestos contra adversários, contra arbitragem (e VAR), contra “golpes” orquestrados pelos que são identificados como ilegítimos senhores do poder. A violência é também uma questão de educação que se propaga sem controlo.
Boicotes políticos, nacionalismos exacerbados, desemprego e injustiças sociais são, entre muitos outros, os principais adversários comuns.
São eles que perpetuam as cegueiras explosivas de fundamentalismos clubísticos ou outros.
A criminalidade tem aí um amplo espaço de crescimento. Ainda há dias, as televisões transmitiram imagens, junto ao campus judicial de Lisboa, de uma situação de risco social e de falta de segurança pública.
Aí reside também um dos grandes focos de instabilidade: a justiça carece de uma imagem de competência, de rigor, de excelência e imparcialidade. Actualmente, a sua imagem pública (por diversos casos lamentáveis) está bastante desvalorizada, sendo um grave problema para o país. A frustração, a falta de melhores condições de vida, a ausência de trabalho com estabilidade para ambicionar um projecto de vida, representa um foco infeccioso para situações de violência. A inacção (ou desempenhos contraditórios) de ministros, de secretários de Estado, do IPDJ, da FPF e da LIGA, são sempre rastilhos para grandes explosões.
Em qualquer pirâmide, a segurança do topo depende da estabilidade da base.
Não fazer diagnósticos precisos e não definir planos competentes e eficazes, com visão alargada, é não cumprir integralmente a missão que lhes foi confiada.
Melhorar condições sociais, erradicar injustiças e abandonos humanos intoleráveis, não criar situações que favoreçam conflitos desnecessários entre gerações, penalizar actos violentos, atacar a corrupção, revelar, com atitudes e obras, vontade em desenvolver o país, não facilitar enriquecimentos ilícitos, nem abandonos dos mais idosos e do interior, cada vez mais desertificado, são algumas das medidas urgentes que ajudarão também a pacificar o futebol.
Quem dirige instituições tem de ser merecedor de admiração pela sua capacidade de inovar, competência e seriedade. No futebol, ao contrário do que se passa na política, não pode haver famílias que se protegem e que são donas do destino da nossa “jangada de pedra”.
Curiosamente, passado o período revolucionário, constata-se o regresso dos lóbis e famílias que sempre controlaram o país. As provas estão à vista: a desigualdade é enorme; há um elevado índice de pobreza mesmo em cidadãos com emprego (salários muito baixos e precariedade).
O país, os portugueses, merecem lideranças mais coerentes, cumprindo a palavra dada e sem mistificações, por mais sustentadas em relatórios que tratam do virtual.
As claques são também uma consequência de um país que se deixou andar ao sabor da corrente e dos ventos, dos favores e benesses, das borlas substanciais e das decisões diversificadas, sem critério uniforme nem rumo definido.
Num apontamento jornalístico de 1935, enviado por um amigo, com o título “A acção das claques” conseguimos ler: “Não é desconhecida a utilidade e o valor de uma claque que sabe transmitir aos homens do seu club preferido, por aplausos e incitamentos vibrantes, em ocasiões de desânimo, o seu entusiasmo e a sua fé por uma vitória ou por um resultado honroso; sabe-se quanto pode influir numa equipa ou no só homem, em luta, o amparo da multidão, incutindo-lhe valor para prosseguir ou para levantar o seu moral em momentos de desfalecimento. É, por isso, meritória e necessária até, a acção dos suporters dos clubes. Mas essa acção nunca poderá ou não deverá ser feita com o menosprezo para o adversário nem utilizar-se de um vocabulário agressivo (…) Seja a claque forte, altiva, transbordante de entusiasmo, mas, e sobretudo, digna cada uma das cores que defende.” (lamento desconhecer o autor pois merece reconhecimento)
Contudo, quando entidades oficiais tratam claques de forma diferenciada, nada mais fazem do que atirar achas para uma fogueira já enorme e que urge ser controlada.
Responsabilizar, criar regras precisas, valorizar imagens e coreografias criativas e atitudes positivas de apoio, manter a dignidade na defesa do clube sem perder tempo útil no jogo de apoiar positivamente até ao fim, distinguir-se por acções de solidariedade e contributos para o desenvolvimento do futebol, são hoje alguns dos desafios que merecem ponderação.
Insultar adversários é perder tempo precioso de apoio à própria equipa.
Saber que em vez de multas constantes, de atitudes infelizes, existirão claques legalizadas, distinguidas e reconhecidas, não é só um benefício para o futebol, mas também uma das mudanças que temos de ensinar e exigir aos políticos que juraram pela sua honra cumprir as funções que lhes foram confiadas. Aos que não o souberem fazer, substituição imediata e decisiva."

As saudades que tenho de ver Portugal jogar bem à bola!

"Tenho saudades de Rui Costa. Muitas!
De Luís Figo e João Vieira Pinto. De Pedro Barbosa, Capucho e Sérgio Conceição.
De Paulo Sousa, o geómetra.
Da gola amarela, a caminhar para o dourado, a debruar o vermelho escuro. Classe. Classe sobre classe.
O verde, também com amarelo, antes das meias vermelhas. Números bem vivos, à frente perto das quinas, e atrás, a não deixar ninguém ao engano.
É natural que hoje tenha mais saudades do que nos outros dias. Hoje batem com mais força, como costuma dizer-se.
Tenho sobretudo saudades do futebol que Portugal jogava, que para os outros fazia da equipa de todos nós o Brasil-da-Europa.
De um 10 capaz de desenhar meias-parábolas de ruptura, de extremos habilitados para perfurar duas linhas defensivas rivais. De avançados inteligentes, preocupados em baixar para haver homem-extra na construção. De médios-defensivos com classe, sempre no sítio certo, capazes ainda de participar no ataque, se lhes pediam.
Sinto especialmente hoje falta desse futebol, que não deu ao país título algum após a maioridade, mas quem o viu alinhavar-se por esses relvados fora com pontos únicos de brilhantismo não irá conseguir esquecer.
Lá por ter resultado uma vez, no meio de traças de inspiração bíblica, não vão convencer-me certamente que esta é a formula certa para campeões, ou, pior, a receita mais portuguesa jamais criada.
Cruijff dizia, com todos os dentes que tinha, enquanto diluía lentamente um pirolito ao canto da boca, que a Holanda tinha saído mais vencedora de 74 do que a campeã Alemanha. Tão ganhadora que criou raízes em Barcelona e foi transplantada depois para a selecção espanhola e para a Alemanha. Tinha obviamente razão.
Também compreendo Pep Guardiola quando assume que jogar bem só por jogar bem nada significa, é necessário vencer. Vencer e jogar bem é sempre a medida perfeita. Vencer com um estilo e uma cultura próprios. Vencer, mas não só vencer. Jogar bem, mas não só jogar bem. Jogar bem sem vencer era como o tiki-taka sem objectivo.
Odeio o tiki-taka, é uma porcaria e completamente desprovido de sentido.
Escrevo esta crónica depois de um 0-3 profundo antes do Campeonato do Mundo, perante a Holanda mais afastada da prima de 74 que houve. Depois de quatro médios centro num meio-campo de quatro, com um único Quaresma a cair nos flancos para dar largura e tentar reatar a ligação com Cristiano. Escrevo-o depois de um particular sim, com meses de avanço, se alguém quiser provar que estou errado. Pouco me importa o resultado. Importa-me sim o que não conseguimos fazer.
Preocupa-me que nos tenhamos esquecido de como é jogar bem.
Que achemos que só se ganha assim.
Que reneguemos o futebol que é o nosso ADN.
Ou que sejamos estúpidos o suficiente para pensar que ainda não esgotámos toda sorte do mundo, naquela prova de fé de Éder em Paris.
A defender mal, com uma defesa para lá da data de validade, com um meio-campo sem rasgo e criatividade, e a depender de Cristiano como nunca, os deuses teriam de estar a compensar-nos por todas as nossas vidas passadas para que o raio caísse duas vezes no mesmo sítio.
Tenho saudades de quando jogávamos bem à bola.
Agora, se ganharmos outra vez a jogar com nota medíocre até posso ficar feliz e festejar por uns dias. Só que, passada a euforia e ressaca, voltarão as saudades.
E o Portugal de 2018 não será mais, para todos os outros, do que um agonizante regresso ao passado, que ninguém, mais uma vez, tentará imitar."

Benfiquismo (DCCLXXXIX)

Dar música...

Guedes...

Marcelo gastou latim e perdeu tempo...

"A clubite está a dar uma contribuição negativa à sociedade, tornando-a intolerante e radical. Não é esse, de todo, o papel do desporto...

O futebol dos clubes regressa no próximo fim de semana e até 20 de Maio, dia da Final da Taça de Portugal, não haverá interrupções. Ou seja, sem pausas para recarregar baterias, vêm aí, até à festa do Jamor, as últimas sete jornadas da Liga, as segundas mãos das meias finais da Taça e os desafios da Liga Europa. Por aquilo que foi possível constatar nos últimos dias, estes jogos decisivos vão ser disputados tendo como pano de fundo um ambiente tóxico, de cortar à faca, onde a calúnia e a provocação têm lugar marcado.
Está à vista de todos que, quando o Presidente da República, na Gala das Quinas de Ouro, fez um apelo à elevação e à compostura, gastou latim e perdeu tempo. O futebol português, por mais que a Federação Portuguesa de Futebol se multiplique em iniciativas de primeiro mundo, por mais que a Selecção Nacional seja campeã europeia e esteja no pódio do ranking da FIFA, ou que tenhamos uma formação que revela competência, visão e modernidade, vai sempre empanar na mais velha de todas as questões, a clubite, desta feita elevada à potência da insanidade, numa senda feita de desespero que só desqualifica quem a pratica. Portugal vive dias complicados por causa do futebol, há demandas em tribunal, as autoridades investigam vários casos e a própria integridade do sistema judicial foi colocado em causa. Tudo isto configura uma situação de tal forma séria que a única coisa responsável a fazer é deixar que as polícias, o ministério público e os juízes façam o seu trabalho, sem ruído adicional.
Infelizmente, é o contrário que se verifica e nada nos faz crer que até ao fim da época haja alguma redução neste clima de afronta e ódio, nesta linguagem entre o impróprio e o bélico, absolutamente fora da tradição do desporto.
No fim da época, como sempre, só um clube será campeão, e apenas um outro será dada uma hipótese de nadar na piscina dos grandes e os restantes vão contar os trocos para a Liga Europa.
Até meados de Maio tudo estará resolvido. Depois desse momento, será preciso viver numa sociedade onde a terra foi toda queimada, as pontes destruídas e qualquer política de diálogo será vista como uma concessão e uma fraqueza. É este o contributo que queremos que o futebol dê a Portugal e aos portugueses?

Ás
Cristiano Ronaldo
A exibição de Portugal frente ao Egipto estava a ser cinzenta e parecia que os campeões da Europa teriam de conformar-se com uma derrota desprestigiante. Porém, Cristiano Clark Kent Ronaldo trocou de roupa na cabina telefónica e já na pele de Super Homem marcou dois golos e deu a vitória a Portugal. Um fenómeno, uma alegria, uma bênção.

Ás
João Sousa
Depois de um apagão que o fez descer até a 80.ª posição do ranking ATP, o tenista português renasceu e apurou-se ontem para a quarta ronda do torneio de Miami após derrotar o norte-americano Donaldson. Este sucesso, após vitórias recentes sobre Zverev o Goffin, prenuncia o regresso do melhor João Sousa.

Ás
Rodrigo Freudenthal
Os Lobos estiveram longe de apresentar na Polónia a sua melhor versão, mas acabaram por vencer na bola de jogo, graças a um ensaio do belenense Rodrigo Freudenthal, conquistando assim o Europe Trophy (III Divisão). Para ganhar à Alemanha e regressar ao Championship, vai ser preciso jogar muito mais e melhor.

O bom exemplo que vem de uma rivalidade acesa
«Disse que estava a brincar (Hamilton afirmou que ia tirar-lhe o sorriso do rosto) e eu acredito nele»
Sebastian Vettel, piloto da Ferrari
Vettel e Hamilton, os dois melhores pilotos de F1 da actualidade, já tiveram alguns desentendimentos que podiam ter acabado mal. Pelos vistos aprenderam com os erros e depois de ter ganho o GP da Austrália, primeira prova da época, o alemão tratou de matar uma nova polémica entre ambos que estava a crescer. E até disse que já tem idade para ter juízo. Um bom exemplo...

Vitória de Guimarães
Júlio Mendes venceu (por escassa margem) as eleições para a presidência do Vitória Sport Club de Guimarães e parte para um terceiro mandato que o colocará como segundo líder (atrás de António Pimenta Machado, 24 anos no poder) com mais tempo no comando do emblema que tem D. Afonso Henriques como símbolo. Não será fácil, por certo, o trabalho que espera Júlio Mendes, mas a tarefa é deveras aliciante, à medida da exigência de uma massa associativa que vive o dia a dia do clube com uma paixão sem limites.

Austrália apanhada em batota no críquete
Os australianos estão em estado de choque e a manchete do 'Daily Telegraph', 'Shame' (Vergonha) revela bem a comoção que vai pelos antípodas. O capitão da selecção de críquete, que está 'on tour' na África do Sul, foi apanhado a modificar a bola de jogo, já foi demitido, mas o embaraço vai permanecer..."

José Manuel Delgado, in A Bola

segunda-feira, 26 de março de 2018

Chama Imensa... Avençados!

As Regras dos Jogos... Critérios!!!

Olimpicamente..., lá vamos cantando e rindo...

"Acabou de ser publicado neste mês de Março o relatório “Special Eurobarometer - Sport and Physical Activity - 2018”. Do relatório a primeira coisa que resulta é que, entre 28 países, Portugal, em matéria de actividade física e desporto, deixou de ser uma vergonha nacional para passar a ser uma vergonha internacional. E porquê? Porque, a par da Grécia e da Bulgária, ocupa o último lugar do ranking europeu relativo à actividade física e desporto.
Mas o que é que isto interessa se Governo, na sua competência, no mesmo mês de Março de 2018, resolveu organizar uma cerimónia com pompa e circunstância no Centro de Alto Rendimento do Jamor (12-03-2018) presidida pelo próprio Primeiro-ministro acompanhado do Ministro da Educação e do Secretário de Estado da Juventude e Desporto onde anunciou ter determinado que o Comité Olímpico de Portugal deverá ganhar duas medalhas olímpicas nos próximos Jogos que se realizarão no ano de 2020 em Tóquio. E, com mais de dois anos de atraso, na presença do infeliz presidente Comité Olímpico de Portugal (COP), anunciou a afectação de 18 milhões de euros ao programa do Ciclo Olímpico de Tóquio que, em boa verdade, começou há cerca de dois anos no dia 22 de Agosto de 2016.
Ora bem, com o Governo a debitar em matéria da exclusiva responsabilidade do COP (confira-se a Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto bem como a Carta Olímpica), o que se pode depreender é que, através de um admirável “toque de magia política”, mostrou o seu descontentamento relativamente ao actual modelo de desenvolvimento do desporto pelo que, perante o “país desportivo”, transformou o COP num Comité de Alta Competição, quer dizer, numa simples repartição da tutela político-administrativa, encarregue de gerir a logística do estuporado programa de preparação olímpica para os JO de Tóquio (2020).
O problema é que a situação em que o desenvolvimento do desporto se encontra já não se resolve com medidas mais ou menos avulsas no sentido de corrigir o modelo falhado instituído em 2004-2005 à revelia do Sistema Desportivo, ao tempo dos Governos de Durão Barroso (XV) e do de Santana Lopes (XVI).
E porquê?
Porque o actual modelo de desenvolvimento:
(1º) No que diz respeito ao vértice da pirâmide de desenvolvimento do desporto, considerando os resultados das Missões Olímpicas, tem vindo a produzir resultados cada vez mais medíocres;
(2ª) No que diz respeito à base do vértice da pirâmide de desenvolvimento do desporto, desde 2004, tanto o crescimento do número de praticantes como o número de clubes, têm vindo, a diminuir. 
Relativamente aos JO, apesar dos extraordinários recursos financeiros aplicados na preparação olímpica, os resultados têm sido cada vez piores: Três medalhas nos JO de Atenas (2004); Duas medalhas nos JO de Pequim (2008); Uma medalha de prata nos JO de Londres (2012); Uma medalha de bronze nos JO do Rio de Janeiro (2016). Nestes termos, tudo leva a crer que a Missão portuguesa aos JO de Tóquio 2020 virá de lá com zero medalhas. Quantos mais desastres olímpicos vão ser necessários cumprir até que o poder político compreenda que tem de mudar de rumo é a pergunta que fica por responder.
Relativamente aos praticantes desportivos de base, aos clubes e aos financiamentos, ao cabo de três Ciclos Olímpicos, considerando as estatísticas oficiais dos últimos 20 anos, a Situação Desportiva revela-se preocupante para não dizer alarmante.
Até 2004-2005, considerando os três Ciclos Olímpicos (1996; 2000; 2004), o crescimento total de praticantes foi de 59%. A partir de 2004-2005, considerando os resultados dos três Ciclos Olímpicos (2004; 2008; 2012) o crescimento de praticantes foi de 30 %. Se considerarmos o último Ciclo Olímpico (2012-2016) o crescimento de praticantes abrandou para 13%. Mas, se corrigirmos os números apresentados pela FP de Natação que, no período que decorreu entre 2012 e 2016, apresentou um inacreditável e inaceitável aumento de 40704 (quarenta mil setecentos e quatro praticantes) a situação revela-se bem pior. Se subtrairmos os 40707 praticantes ao número de praticantes apresentado em 2016 nas estatísticas oficiais chegamos à conclusão que o Ciclo Olímpico do Rio de Janeiro teve uma quebra de 3% de praticantes o que nunca aconteceu desde 1974. 
Suspeitamos que resultados do “Erobarometer-2018” acabem por não traduzir por defeito a verdadeira mediocridade da Situação Desportiva nacional.
E porquê?
Porque a situação do número de praticantes ainda se agrava mais se considerarmos o que está a acontecer até aos juniores. O crescimento de 1996 a 2004 foi de 75% e o de 2004 a 2012 foi de 47%, quer dizer, a partir de 2004, deu-se decréscimo de 28% no crescimento de praticantes. Se, por Ciclo Olímpico, observarmos os números de 2004 a 2016 verificamos que tem vindo a acontecer uma diminuição progressiva do aumento do número de praticantes: 2004 (41%); 2008 (27%); 2012 (16%); 2016 (13%). Quer dizer, a formação desportiva no Sistema Desportivo português caminha para a estagnação.
Relativamente à situação das mulheres, como referiu Maria José Carvalho “a taxa de mulheres no desporto está na idade da pedra” (O Jogo, 2018-03-18). De facto assim é. Se cruzarmos os dados do INE/PORDATA com os do IPDJ verificamos que a referida taxa não chega aos 5%. Entretanto, o actual modelo de desenvolvimento desencadeado em 2004-2005 está a destruir a pouca prática desportiva de base que, entre as mulheres, ainda vai acontecendo. De 1996 a 2004 o crescimento da prática desportiva das mulheres foi de 134%; de 2004 a 2012 foi de 66%; e de 2012 a 2016 foi de 24%. Se considerarmos as mulheres até juniores de 1996 a 2004 verifica-se um crescimento de 134%; de 2004 a 2012 um crescimento de 72%; e de 2012 a 2016 um crescimento de 22%. Isto significa que, também nas mulheres o crescimento de novas praticantes tem vindo a desacelerar com as estuporadas políticas públicas que privilegiam um programa de preparação olímpica que, para além dos resultados absolutamente miseráveis nos JO, está a destruir o desporto nacional que ainda existe.
Quanto aos clubes, de 1996 a 2004, o seu crescimento foi de 7%. De 2004 a 2012 o crescimento foi de -4% e, de 2012 a 2016, o número de clubes cresceu 1%.
Entretanto, o olímpico centralismo burocrático que, em 2004-2005, tomou conta do desporto nacional, para além de estar a destruir vários desportos e respectivas Federações como o boxe, o halterofilismo, as lutas amadoras ou, entre outras, a esgrima, também está a destruir clubes. Actualmente, o número de praticantes desportivos que alimentam as Federações Desportivas não ultrapassa os 10% da população ente os 15 e os 64 anos de idade e, de 2008 e 2016, aconteceu uma quebra de 8% de clubes.
Quanto ao financiamento, enquanto de 1996 a 2004 cresceu 23%, de 2004 a 2012 cresceu 8% e de 2012 a 2016 cresceu 2%. O corte mais drástico no apoio financeiro às Federações Desportivas aconteceu em 2013 com um corte de 22% que resultou nos piores resultados de sempre nos JO do Rio de Janeiro (2016). Mas, enquanto os recursos para as Federações Desportivas têm vindo a decrescer, em contra partida, como se fosse possível “fazer omeletas sem ovos” os recursos atribuídos ao COP têm vindo a aumentar com resultados cada vez mais miseráveis. Em conformidade, começa a perceber-se que a tendência vai ser a de construir Missões Olímpicas com “portugueses de plástico” em prejuízo de outros, genuinamente feitos praticantes e campeões em Portugal que, como, recentemente, referia Nelson Évora (Sapo-desporto, 2018-03-06), são “enterrando vivos”.
Se existe conclusão a tirar do actual modelo de desenvolvimento do desporto em que numa perspectiva de “galinha dos ovos de ouro” são colocados competências e recursos no COP sem que exista um pensamento estratégico devidamente sistematizado a fim de alimentar a base do Sistema Desportivo é o de que os resultados, tanto a nível da elite como a nível da base, estão em profunda degradação. Tudo leva a crer que, a continuarem as actuais políticas, o desporto nacional atingirá um estado caótico de estagnação ou até regressão imediatamente após os JO de Tóquio (2020). Seria bom que os dirigentes políticos e desportivos compreendessem que a conquista de medalhas Olímpicas para um país, tal como Saladino disse após o cerco e conquista de Jerusalém (1187), podem significar tudo e podem significar nada. Pergunto: O que é que significam para a qualidade de vida da população medalhas olímpicas se elas não se traduzirem na melhoria quantitativa e qualitativa da prática desportiva a nível da qualidade de vida dos cidadãos? O valor das medalhas olímpicas, para além daquilo que, em termos pessoais, significa para os atletas e suas famílias, em termos sistémicos o seu valor depende das Políticas Públicas que, a partir delas, possam ser desenvolvidas a fim de provocar desenvolvimento a montante do Sistema Desportivo. Ora, o que está a acontecer desde 2004-2005 é um desinvestimento a montante do Sistema Desportivo Federado a fim de reforçar a jusante um projecto de desenvolvimento completamente falhado que tem produzido resultados desastrosos. E tanto assim é que, quanto mais a análise entrar dentro das Federações Desportivas, mais se concluirá que, algumas delas, já estão em estado de regressão ou, até, “morte lenta”. Apesar disso, as Federações Desportivas, salvo as devidas excepções, não se manifestam desde logo porque, muitas delas, não funcionam em função das necessidades dos praticantes desportivos mas dos interesses sociopolíticos dos próprios dirigentes.
Qualquer decisão quanto ao número de medalhas olímpicas só pode ter significado ser for equacionada no âmbito do conceito de Nível Desportivo. Por exemplo, consideremos os JO do Rio de Janeiro (2016) e dois países diametralmente opostos, a Coreia do Norte e a Finlândia. Ora bem, a Coreia do Norte ganhou sete medalhas olímpicas e a Finlândia só ganhou uma. Todavia, enquanto a Coreia do Norte não tem qualquer tipo de prática desportiva de base que se note e o desporto de alto rendimento sempre foi utilizado pelo país como um instrumento de diplomacia ao serviço do regime, na Finlândia, o desporto é das actividades mais importantes das crianças e os jovens. De uma maneira geral, 90% da população pratica actividade física ou desporto, pelo menos, duas vezes por semana e 50% da população mais de quatro vezes. Para além de tudo o mais não passa cabeça de nenhum finlandês que o Governo do país possa utilizar o desporto enquanto instrumento de marketing da sua ação político nem que o seu Comité Olímpico Nacional esteja obcecado por medalhas olímpicas em vez de estar preocupado em desenvolver o desporto e os valores propugnados pelo Olimpismo. Independentemente de, no quadro teórico do conceito de Nível Desportivo, se poder arguir que se a Coreia do Norte tem medalhas a mais e praticantes de base a menos e que a Finlândia tem praticantes a mais e medalhas a menos (não considerando as dos JO de Inverno), o que é facto é que, qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso, prefere o modelo de desenvolvimento do desporto finlandês ao norte-coreano. De resto, existem países como a Dinamarca que apresentam elevado nível desportivo precisamente pela relação eurítmica que estabelece entre praticantes de base e praticantes de elite.
Em 2004-2005, alguns dos nossos dirigentes desportivos e políticos, à margem das Federações Desportivas e da generalidade das organizações que interagem no mundo do desporto, através de um contrato programa entre a Administração Pública (representada por José Manuel Constantino) e o COP (representado por Vicente Moura) com a cobertura política de Hermínio Loureiro (Secretário de Estado do Desporto), através de uma “transvaza financeira” das Federações Desportivas para o COP, resolveram optar por um modelo de desenvolvimento que ao focalizar-se no alto rendimento, sem equacionar a prática desportiva de base está mais próximo do modelo Norte-coreano ou chinês do que do modelo de desenvolvimento nos países do Norte da Europa onde se procura atingir um equilíbrio eurítmico entre a base e o topo da pirâmide de desenvolvimento. Em conformidade, os números impressos nas estatísticas oficiais do IPDJ traduzem uma Situação Desportiva desde há catorze anos em profunda degradação.
Seria bom que o Governo começasse a perceber no “buraco” em que o desporto se encontra. Portugal até pode ganhar três ou quatro medalhas em Tóquio (2020), por exemplo à custa de atletas “portugueses de plástico”, ou de atletas que nem sequer vivem em Portugal. Todavia, não é por isso que, em matéria de desenvolvimento do desporto, vai deixar de ser um país com um desporto na mais profunda regressão. E aos olhos dos demais países um país subdesenvolvido onde, salvo as devidas excepções, dirigentes há que estão mais interessados no “dress code” das festarolas paralelas aos eventos desportivos do que nas condições de vida e de treino dos atletas. Acresce que alguns dirigentes desportivos, por “falta de mundo”, fazem-se transportar em “topos de gama” com motorista. Trata-se do atavismo de uma miséria ancestral, que não se compadece com o facto de, tanto na base como no vértice da pirâmide de desenvolvimento, as carências serem gritantes de injustiças, muitas vezes, mais por uma congénita má administração dos recursos existentes do que por escassez de recursos públicos postos à disposição. Por exemplo, na Holanda, um país que tem uma taxa de actividade físico desportiva de 59% e ganhou 19 medalhas olímpicas (8,7,4) no Rio de Janeiro (2016), dizia Rentes de Carvalho (Observador, 2016-03-16), “… não há carros de luxo. Quem tem carros de luxo são os traficantes de droga e as prostitutas e os parolos. As pessoas normais têm um utilitário”.
Se a cerimónia presidida por António Costa no Centro de Estágio da Cruz Quebrada significou o desencadear de uma mudança de paradigma acabando com a irresponsabilidade que foi a institucionalização do modelo de desenvolvimento do desporto desencadeado em 2004-2005, quer dizer, se significou da parte do Governo a assunção de que quem tem autoridade democrática para gerir o alto rendimento desportivo no quadro das Políticas Públicas de onde deve decorrer a Missão Olímpica é o Governo, só nos podemos regozijar uma vez que se começa a salvar o Ciclo Olímpico de Paris (2024) uma vez que o de Tóquio (2020) já está perdido. Se, pelo contrário, tal cerimónia só significou mais um malabarismo de marketing político que, de uma maneira geral, os Governos do PS bem como do PSD-CDS têm demonstrado a máxima competência, infelizmente confirmam-se as palavras de Vítor Serpa (A Bola, 2018-03-24) quando diz que a classe política portuguesa entende que a problemática do desporto “deve ser entregue a gente que não suspeita, sequer, da sua própria ignorância”. Então, a cerimónia do Centro de Estágio da Cruz Quebrada foi um hino à irresponsabilidade e ignorância e ao subdesenvolvimento para onde o desporto nacional, de há catorze anos a esta parte, está a caminhar."

As lesões e as selecções

"Como é natural, as maiores equipas portuguesas têm vários jogadores nas selecções nacionais de diferentes países. A equipa do Sporting foi a que teve mais seleccionados para os jogos da selecção portuguesa com o Egito e a Holanda: Rui Patrício, Fábio Coentrão, William Carvalho, Bruno Fernandes e Gelson Martins. O Benfica teve um: Rúben Dias. E o FC Porto não teve nenhum.
Mas os problemas começaram logo a seguir à convocatória. Fábio Coentrão alegou dores musculares – e, embora os médicos não lhe descobrissem qualquer lesão, foi dispensado. William Carvalho apresentou-se, mas nos exames clínicos chumbou – sendo igualmente dispensado. E Gelson esteve em dúvida até à véspera do jogo.
Quanto a Rúben Dias, nem se apresentou: o Benfica informou a federação de futebol da indisponibilidade física do jogador para actuar na selecção.
E o FC Porto, não fazendo parte deste filme, viu dois jogadores seus, que haviam sido convocados para duas outras selecções – o argelino Brahimi e o mexicano Herrera –, regressarem à base pelo mesmo motivo: lesões impeditivas de irem a jogo.
Esta quantidade de lesões impressiona. E não quero crer que sejam simuladas: os jogadores, regra geral, têm orgulho em actuar pelas selecções dos seus países. Coentrão, por exemplo, depois de vários anos afastado em consequência de épocas fracassadas em Madrid, veria neste regresso à selecção nacional o corolário de uma recuperação notável ao serviço do Sporting. Se alegou problemas físicos, foi mesmo porque não se sentia em condições.
E o mesmo vale para Rúben Dias, para quem a estreia na equipa nacional selaria uma época excepcional em que, vindo da equipa B do Benfica, rapidamente se impôs na equipa principal, a ponto de ser convocado por Fernando Santos. Se pudesse jogar, mesmo com algum sacrifício, não hesitaria um segundo.
Ora, excluídas as simulações, estamos perante um problema que faz pensar: a que se deverão tantas lesões, tanto desgaste físico? É sabido que os jogadores jogam hoje muito mais jogos do que antigamente. Mas isso não explica tudo.
Um dos problemas consiste, a meu ver, na intensidade dos treinos. Os treinos dos clubes grandes são muito duros – e os jogadores que não se esforcem ao máximo são preteridos. Assim, os treinos tornam-se “jogos a sério”, pois ninguém quer ficar para trás. E isso leva a um desgaste acrescido e até a lesões (um jogador do Sporting, Daniel Podence, estragou a época com uma fractura contraída num treino).
Mas, aqui, ocorre uma pergunta: tendo em conta essa intensidade nos treinos, os jogadores dos clubes grandes deveriam correr o dobro dos outros – e não é assim. Nos jogos entre grandes e pequenos não se vê um abismo do ponto de vista físico: o desnível não é, pelo menos, perceptível à vista desarmada.
Assim, os jogadores desgastam-se em nome de quê? Alguma coisa nesta matéria não está bem explicada…"

Foi você que pediu um Abel Ferreira?!

"1 - Não se fala muito nele. Diria que faz a carreira em pezinhos de lã... Mas começa a ser impossível não reparar em Abel Ferreira, por muito que o treinador do Braga prefira adoptar um estilo low profile. Não se trata apenas de constatar os resultados (que são muito bons). O que mais impressiona é a qualidade de jogo da equipa do Braga. Pode argumentar-se: "Ah!... mas o Braga tem um excelente plantel." OK, é verdade. Mas isso não significa, por si só, que os resultados sejam bons. É obrigatório que o trabalho diário seja muito bem feito. E, seguramente, o trabalho de Abel Ferreira terá muita qualidade. A sete jornadas do fim do campeonato, o Braga está no quarto lugar, com 21 pontos de vantagem sobre o quinto (Rio Ave) e apenas quatro pontos de desvantagem para o terceiro (Sporting)... E no próximo fim-de-semana há um Braga-Sporting! Um duelo que pode ser decisivo na luta pelo terceiro lugar. Se o Braga vencer, vai lutar com o Sporting até ao fim. Se a vitória sorrir à equipa de Alvalade, os leões vão continuar a perseguir o segundo lugar (continuo a pensar que o título é uma miragem para a equipa de Jorge Jesus). Curiosamente, o empate é um resultado que não interessa nem ao Braga nem ao Sporting. Prevejo por isso um grande jogo na próxima jornada do campeonato. Não vai ser fácil para a equipa de Jorge Jesus defrontar este Braga, que tem uma das melhores ideias de jogo do campeonato. E o mérito é de Abel Ferreira, que, curiosamente, já orientou a equipa B do Sporting!... E não saiu lá muito bem de Alvalade...
2 - A minha música da semana vai mais uma vez para Jonas. Continuo a pensar que é possível que o avançado do Benfica chegue aos 40 golos no campeonato! A sete jornadas do fim, Jonas já leva 31!... É dos melhores avançados que vi actuar em Portugal... e é o melhor que vi jogar com a camisola do Benfica. (Infelizmente, nunca vi jogar Eusébio.) A música para Jonas é uma adaptação do tema dos Bee Gees "How Deep Is Your Love." Fica assim para o Jonas: "Ele já marcou mais um grande golo... Seu nome é Jonas, marca a toda a gente... Matador, brasileiro, de águia ao peito... Tem que ir para o escrete... Não vejo outro jeito!..."
3 - Estamos na recta final do campeonato. Há apenas 21 pontos em jogo. O FC Porto ainda pode chegar aos 91 pontos! (Seria um novo recorde...) O Benfica ainda pode atingir os 89 pontos... e o Sporting pode chegar, no máximo, aos 86. Isto, obviamente, partindo do princípio de que ganham os pontos todos que ainda estão em jogo. Seja como for, uma coisa é clara: o novo campeão nacional terá uma pontuação muito elevada. Acredito que iremos ter um campeão nacional com mais de 85 pontos. Ou seja, o nosso campeonato continua a ser muito desequilibrado. Basta ver a diferença entre o quarto e o quinto!... 21 pontos é demasiado! É como se existissem dois campeonatos! Um onde só cabem quatro clubes... e o outro, comandado pelo Rio Ave, onde estão as restantes 14 equipas. Há o campeonato dos ricos e o campeonato dos pobres!... Quase não há classe média.
4 - Dois jogadores têm-me impressionado na II Liga: Kalindi e Gustavo. Curiosamente ou talvez não, ambos jogam no Penafiel, a equipa que lidera o campeonato e aquela que eu mais gosto de ver jogar. Parabéns ao Armando Evangelista pelo excelente trabalho que está a fazer em Penafiel. Mas voltando aos dois craques, Kalindi é um lateral-direito de muita qualidade, que defende e ataca muito bem. Não é alto, mas é uma verdadeira moto a acelerar no flanco direito. Teria lugar na maior parte das equipas da I Liga. Quanto a Gustavo, é um médio de muita classe. Uma espécie de 8,5! Pode jogar a 8 mas tem qualidade suficiente para jogar a 10. Joga sempre de cabeça levantada e impressiona pela qualidade técnica. É genro de Rivaldo, o que, sendo apenas uma curiosidade, não deixa de ser engraçado, porque Gustavo joga mesmo muito à bola. O craque está emprestado pelo Portimonense ao Penafiel... e é impossível que os algarvios não tenham já percebido o tesouro que têm ali. E, depois, Gustavo não é aquele típico jogador muito habilidoso que se agarra à bola... Este brasileiro joga simples, mas com grande categoria. Ah!... e é perigosíssimo nas bolas paradas. Cresceu imenso sob o comando de Armando Evangelista. Fixem os nomes destes dois brasileiros: Kalindi & Gustavo. São craques."

Benfiquismo (DCCLXXXVIII)

Nada tosco!!!!