Últimas indefectivações

domingo, 9 de julho de 2017

Um ribatejano na Forbes, a Segway de Eliseu, o mentalista Jonas e o luchador Jiménez

"Vem aí uma nova época. O Ferrari será obrigado a trocar de pneus, mas nada que impeça a máquina de carburar. O motor mantém a potência, o encarnado continua a reluzir e o sistema de navegação revela-se cada vez mais fiável. Rui Vitória, o nosso GPS, é um pouco como aquele motorista ucraniano da Uber que já todos apanhámos: pedimos-lhe que nos leve de São Bento ao Campo Grande e, ainda que às tantas demos por nós no Prior Velho sem razão aparente, sabemos que chegaremos sãos e salvos ao destino. Um abraço, Aleksandr. Se não fosses tu nunca teria visitado a Ameixoeira.
Após as vendas de Ederson e Lindelöf, a equipa tetracampeã conserva a maioria dos jogadores que garantiram o primeiro tetracampeonato na história do clube. Mais importante ainda, foi instalada uma nova firewall. Neste momento só falta mesmo fazer desaparecer Pedro Guerra e estarão reunidas as condições para o pinta. Por falar nisso, quando é que o Ultra Levur começa a patrocinar um programa televisivo de comentário desportivo? Se há contexto em que a diarreia se torna incontornável, é esse. 
Mas há mais: temos o primeiro ribatejano a aparecer na capa da Forbes. É certo que Rui Vitória foi capa da edição portuguesa, uma espécie de Super Interessante das edições internacionais da Forbes, mas que isso não nos impeça de dizer alto e bom som: inchem, amigos. Francisco Marques bem tenta, mas por este andar nem na capa da PC Guia vai aparecer.
No entanto, a inevitabilidade do penta não significa que não devamos acautelar a próxima época. É importante que a contenda fique arrumada o mais cedo possível, para que a visita a Alvalade na penúltima jornada seja um momento de festa e desportivismo. Espero que os adeptos de ambos os clubes se comportem, mas acima de tudo que o Sporting deixe Eliseu entrar no relvado com a sua Segway.
Quanto à necessária gestão do plantel, que era aliás o pedido original da redacção, comecemos pela defesa. Se a saída de Ederson enfraquece a equipa, o fim da carreira de Paulo Lopes enfraquece os festejos do título. Primeiro, precisamos de alguém que seja forte nos lances de bola parada, capaz de lançar ataques repentinos com os pés e com uma presença forte nas redes sociais. Felizmente já se identificou uma solução. Resta saber se Hugo Gil aceita a proposta. Em segundo lugar, precisamos de um tipo bem disposto que consiga subir à trave da baliza e erguer uma taça. Pode ser um daqueles jagunços que todos os anos trepam a estátua do Marquês de Pombal.
Na defesa, é muito importante manter Jardel, de preferência com a cabeça completamente ligada para intimidar os adversários. Em linha com esse princípio, Luisão deverá manter a titularidade, mas agora com a ajuda de um andarilho. Se as pernas falharem perante um arranque de Tiquinho ou Doumbia, o andarilho permitirá cobrir uma área maior e provavelmente derrubar o adversário. Não se preocupem com o árbitro, isso está a ser tratado. Lisandro parece gostar da vida em Lisboa, por isso pode ficar. Se todos estes se lesionarem, teremos um problema.
É que os suplentes Rúben Dias e Kalaica sairão no final da época cada um por 45 milhões. Nas laterais, antecipamos o sucesso estrondoso daquele tipo que veio da Sampdória, não, esse é outro, pá, não, é aquele tipo que já tinha jogado no Benfica, não, esse saiu por 15 milhões, este acho que foi dispensado. Eeeexatamente. Pedro Pereira. Estava difícil lembrarmo-nos do próximo prémio revelação da Liga NOS. Se tudo falhar, há sempre André Almeida, uma afirmação que aliás poderíamos fazer em relação a mais oito posições no terreno e dezasseis situações do quotidiano.
Na esquerda, continuaremos a alternar entre a elegância catalã de Grimaldo e a sapiência insular de Eliseu. Eles que venham. Na pior das hipóteses, temos Hermes, um lateral com nome de mala de senhora que não impressionou nas poucas vezes que foi avistado em campo. Lamento apenas que não possamos contratar o Rúben Semedo ao Villareal. O miúdo merecia sentir-se desejado novamente, de preferência pelos seus.
No meio-campo, parece que teremos Pizzi, portanto a análise podia terminar aqui. Importa no entanto destacar as contratações de Martim Chrien e Krovinovic, um eslovaco e um sérvio de quem se espera que tudo façam para não serem o próximo Mukhtar ou o Djuricic seguinte, até porque o entusiasmo dos adeptos já faz deles os próximos Kroos e Modric. Isto para não falar de Filipe Augusto, o próximo Casemiro, pelo menos segundo aquilo que Jorge Mendes tem dito a dirigentes de outros clubes.
Entretanto, estive a ver a lista de transferências e descobri que o Salvador Agra foi contratado pelo Benfica. Mais do que perguntar o óbvio - para quê? - celebre-se a eficácia desta decisão. É menos um adversário detestável na próxima liga e mais um suplente não utilizado. Teremos também Salvio, o único futebolista internacional argentino que não se importa de passar o resto dos seus dias em Telheiras.
Será titular independentemente do que acontecer, a menos que seja este o ano de afirmação de Carrillo como expoente máximo da consistência futebolística, um pouco como um porco a voar. André Horta merece uma oportunidade para demonstrar que é mais do que um benfiquista do caraças. Se eu mandasse era titular em todos os jogos e passaria a entrar em campo munido de um megafone. Samaris teve um fim de época conturbado e não me espantaria nem entristeceria se fosse despachado. Talvez seja o momento ideal para terminar o seu primeiro conjunto de poemas na Assírio e Alvim, "Verme Grego".
No ataque, manteremos a nossa espinha dorsal de natureza circense: um mentalista (Jonas), uma aberração da natureza (Mitroglou) , um malabarista (Rafa), um luchador (Jimenez), uma criança sobredotada (Zivkovic) e um anão (Cervi). A não ser que Seferovic saiba fazer truques de cartas, terá vida difícil na Luz. Talvez ajudasse contratar mais um tipo habituado a marcar golos no nosso campeonato, mas parece-me que será essa a missão do Lima.
Em suma, a SAD está a trabalhar e temos praticamente tudo o que precisamos para chegar ao penta. Se correr mal, ligamos ao Nhaga.

P.S. Não estranhem termos deixado Fejsa de fora desta análise. Quanto menos se falar dele, maior a probabilidade de o segurarmos no plantel."

Notas Críticas sobre os Bruxos do Futebol e outras coisas mais

"Segundo o filósofo Miguel Real, um intelectual de incessante interrogar que não exclui a resposta afirmativa, vivemos, actualmente, um “momento histórico de intervalo, recorrente em todas as sociedades e civilizações em fim de ciclo, entre um passado próximo culturalmente construído sobre regras rígidas, até dogmáticas, e um futuro não muito distante mas de que se desconhece a figuração” (Traços Fundamentais da Cultura Portuguesa, p- 126). Ora, os momentos de intervalo são propícios “ao devaneio, ao lirismo e ao sonho diurno por que muitos estrangeiros caracterizam a índole do português. No entanto, este devaneio romântico e poético permite-nos “uma espantosa adaptabilidade a novos meios e a novas situações, louvada por Gilberto Freire no livro O Mundo que o Português Criou, de 1940, por Jorge Dias em Os Elementos Fundamentais da Cultura Portuguesa, de 1950, e por Francisco da Cunha Leão em O Enigma Português, de 1961.
Esta capacidade de maleabilidade comportamental do português e de adaptação e integração em novos meios, como que recalcando os complexos comportamentais pátrios em que fora educado, tornou-se uma vantagem acrescida na emigração, aclimatando-o com desenvoltura a novos hábitos de vida, lidando tanto com as elites da comunidade que o acolhe quanto com as populações” (op. cit., p. 139). Compreende-se, assim, o que há de grave na omissão, principalmente de carácter antropológico, daqueles que, em linguagem corredia, defendem os êxitos dos nossos treinadores de futebol, no estrangeiro, unicamente pela sua cultura táctica, ou pelo seu conhecimento tecnocientífico.
O que sabemos nós, cientificamente, no futebol, que os outros não possam saber também? De facto, a nossa “forte personalidade espiritual”, traduzida em expressiva comunicação e em leal e simpático relacionamento, permite-nos uma liderança carismática, mesmo no meio de povos com itinerários históricos e culturais muito diferentes dos nossos.
Há necessidade de uma nova cultura do futebol. Com a cultura de massas, com o mediatismo e o hedonismo consumista, findou a “alta cultura” e, porque se tornou fácil saber de tudo; porque são muitos os que se julgam intérpretes de esperanças colectivas - despertam por aí os “falsos profetas”, os bruxos milagreiros, os anunciadores de um novo mítico D. Sebastião que, mais tarde ou mais cedo, vai regressar para resgatar um povo, uma cidade, até um clube. Não há dúvida: “o fútil tem valor de cultura. A época é de indiferenciação dos géneros e de confusão das hierarquias, que distinguiam, ainda há pouco tempo, a cultura nobre da cultura de massas” (Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, A Cultura-Mundo: resposta a uma sociedade desorientada, Edições 70, Lisboa, 2014, p. 126). Assistimos ao triunfo da mediocridade. Há cada vez mais informação, há cada vez menos reflexão e cultura. No romance Bosque Proibido, de Mircea Eliade, encontrei uma página que me ficou gravada, para sempre, na memória. Em Londres, durante a Segunda Grande Guerra, quando os bombardeamentos da aviação alemã se repetiam, dia após dia. Tocam as sirenes anunciadoras de mais aviões, de mais bombas e de um caos indescritível. As pessoas fugiram apavoradas, para os abrigos antiaéreos, diante dos perigos que se aproximavam. As mães cingiam a si os filhos recém-nascidos. O medo tinha a ondulação e a largura de um oceano revolto. No entanto, no meio de um formigueiro de gente que corria desesperada, em direcção à segurança dos abrigos; numa hora de pura irracionalidade onde nada pode refrear o instinto de conservação – um homem curvava-se diante de um livro, indiferente ao zumbido das bombas e ao abismo de desgraças, que se abria à sua frente. Perguntaram-lhe: “Por que não foge você? Não vê que corre perigo?”. E ele, sem tirar os olhos do livro, respondeu imperturbável: “Estou a ler Shakespeare!”…
Hoje, quantos são os que lêem a poesia, ou a prosa, dos escritores de maior realce? Bem poucos! A qualidade quase não conta. O que mais conta é a lógica da mediatização, do marketing, do star-system. “A época hipermoderna é aquela em que os media exercem um poder cada vez maior sobre a vida intelectual, tornando-se vectores primordiais de legitimidade e de consagração dos autores. O reconhecimento pelos pares já não é o único a ter relevância. Concorre com o reconhecimento mediático, que entroniza as novas vedetas dos conceitos e da filosofia best-seller. Agora são os media, mais do que os círculos científicos e intelectuais, que fabricam as celebridades” (Gilles Lipovetsky e Jean Serroy, op. cit., p. 128). Não, não digo que a eficácia vale menos do que a especulação; que a teoria, ou uma posição contemplativa, é o que mais importa, no ato de transformar (incluindo a sociedade injusta); que o incessante interrogar, por si só, pode afeiçoar e potenciar a sociedade (e a pessoa humana) aos desígnios dos que procuram a Verdade e o Bem. O que eu pretendo dizer é que a práxis é uma actividade teórico-prática, em que a teoria se vai modificando com a experiência prática e esta, por sua vez, não deve excluir, no seu itinerário, a investigação constante, a denúncia do erro, o juízo de valor… para transformar-se também! A vida tanto deve animar e fundamentar a reflexão como deve ser alimentada e provocada pele reflexão. Em poucas palavras: a filosofia é vida, como a vida é filosofia. A vida portanto não se resume a pura espontaneidade, nem a definitiva imobilidade, porque se trata de um contínuo “fazer-se”… no ato da transcendência! A bruxaria e a feitiçaria usam metodologias distintas das que são típicas da prática desportiva e (pior ainda) sem pontes de diálogo com a ética desportiva, pois que, se são sujeitas aos ditames da razão crítica, não passam de modalidades particulares de trapacice, de burla, de fraude ou dolo.
A sociedade do hiperconsumo precisa constantemente de novos objectos, de acontecimentos espalhafatosos, de notícias mirabolantes. Invadem as livrarias livros de culinária, com pitéus deliciosos e outros livros que nos dizem como viver, com saúde e potência sexual invejáveis, até aos cem anos de idade. Tudo parece fácil, até conhecer Homero ou Petrarca, depois de uma curta viagem à Acrópole ou a Florença. Ora, a ciência da história não se resume a uma viagem apressada a um mundo definitivamente sepulto mas, como “mestra da vida” que é, à reconstituição do que permanece vivo, exemplar, pedagógico, no meio das ruínas que, inevitavelmente, o tempo faz - o que exige paciência e tempo e estudo. Não quero que as minhas palavras revelem qualquer ponta de crítica ou desconfiança, em relação aos extraordinários avanços da tecnociência actual, que a medicina, a farmácia, a astronáutica, o próprio treino desportivo, etc., etc. concretizam e merecem o espanto não só dos especialistas, como até doutros intelectuais de inquieta curiosidade. Nada do que se edificar sobre sólidos alicerces culturais; nada do que for ditado por um trabalho inteligente e diligente; nada do que está inscrito, com imperecíveis letras, na história das ciências – nada destas páginas gloriosas da história da humanidade deixará de receber o meu humilde aplauso. Mas que não se confunda a cultura dos cientistas, dos filósofos, dos escritores, dos artistas, fruto de muito estudo e de muita “prática teórica”, com as experiências apressadas e mercantilizadas do turismo cultural. Como se um corte epistemológico, ou um romance de enredo fascinante, ou uma descoberta científica, fossem as coisas mais triviais deste mundo. Não se condena o turismo cultural, mas antes dele há a concentração exclusiva e apaixonada nas grandes aquisições da tecnociência e da arte e da cultura e do direito, que não se entendem e trabalham, em meia-hora, ou três-quartos-de-hora. Como as vitórias dos grandes treinadores de futebol não se limitam à morte de uma galinha e a meia-dúzia de rezas a Santa Filomena (que aliás nunca existiu). Sinceramente, o futebol, como actividade humana que é, merece mais, muito mais… para ser Ciência e Arte e Consciência!"

Mais dois...

B's pela raia...

Benfiquismo (DXXIV)

Alongamentos...

«... não interessa nem à vaca de um presépio»!!!

"A Liga Fantoche reagiu. Foi preciso sacar de um esqueleto do armário de uma directora-executiva para a Liga, finalmente, dar sinal de vida e de que se preocupa com a reputação das pessoas e das competições. Enquanto um pirómano andou meses a atirar pazadas de lama para cima de tudo e de todos, a Liga engoliu em seco. Enquanto um presidente de clube e o seu director de comunicação atacaram irresponsavelmente um elemento que a Liga nomeou para a Comissão Arbitral, ninguém se lembrou de fazer um comunicado a reparar o bom nome da pessoa que foi atacada. Percebe-se agora que o problema dessa pessoa era ser do Benfica.
Creio que as coisas estão cada vez mais claras nesta Liga, cujo presidente foi escolhido por telefone. E isso sim, talvez merecesse uma investigação. Isso e toda a estratégia desta Liga Fantoche em discriminar consecutiva e negativamente o Benfica, por sinal, o clube Tetracampeão e verdadeiro motor de toda economia que paradoxalmente sustenta quem o acusa ou discrimina. É uma Liga sem vergonha, sem rumo e sem condições para fazer um trabalho isento e que defenda todos os clubes. Mas tudo isto tem um lado bom. O de permitir aos benfiquistas, ao contrário do que desejam os seus rivais, andar de cabeça levantada, porque o seu clube não dá nem patrocina este peditório de falsa independência e imoralidade desportiva.
Porque a Liga tornou-se no verdadeiro Baluarte da Coligação. Uma Liga que devia fazer parte da solução e permite que a transformem num dos principais problemas. Uma Liga que é a imagem do seu presidente. Tibia, amedrontada e refém de interesses clubisticos. Uma Liga, como diria o Maestro Vitorino de Almeida, que não interessa nem à vaca de um presépio."

sábado, 8 de julho de 2017

Ou é bola ou é pirâmide, decidam-se, por favor

"O futebol português tem destas singularidades que não acontecem por acaso, antes são os efeitos das singularidades dos homens que o dirigem desde sempre.

Por Gilberto Madaíl, o presidente da FPF que trouxe para o nosso país a fase final de um Campeonato da Europa e que também foi presidente da direcção do Sport Clube Beira-Mar e da Associação de Futebol de Aveiro ainda governador civil do distrito de Aveiro, por Gilberto Madaíl, dizíamos, terão os aveirenses a gratidão de uma eterna dívida pela construção daquele curioso estádio de futebol estreado no ano de 2004 e que, objectivamente, não serve para nada. Não foi, certamente, construído com o fim exclusivo de albergar a cada Agosto o jogo decisivo da Supertaça Cândido de Oliveira porque, se assim fosse, que demência seria erguer um mastodonte para uma noite de ocupação anual.
O futebol português tem destas singularidades que não acontecem por acaso, antes são os efeitos práticos das singularidades dos homens que o dirigem desde sempre. Gilberto Madaíl, uma figura bem simpática como tantas outras, entretanto já retirado das altas lides que abrilhantam o seu currículo de homem público, foi chamado recentemente a dar a sua opinião sobre o alegado caso dos alegados e-mails alegadamente surripiados e, mais uma vez, surpreendeu a opinião pública com uma construção - neste caso, a de uma ideia através da construção de uma frase - que é quase uma singularidade tão espampanante como a da existência física do já mencionado recinto aveirense fincado ao chão desde 2004.
Entende Madaíl que o teor das comunicações informáticas do Porto Canal 'é uma bola de neve e se se deixar enrolar vai-se transformar num icebergue'. Tal como, em 2004, ninguém foi suficientemente curioso ou astuto para perguntar à entidade organizadora do Campeonato da Europa de futebol qual era a necessidade de construir um estádio em Aveiro, também em 2017 ninguém se mostrou suficientemente intrigado para perguntar ao antigo presidente da Federação como é que uma bola de neve a rolar, a rolar e a rolar, de tão redonda que fica depois de tanto 'enrolar' porque que rara Lei da Física se pode alguma vez transformar-se na figura triangular de um icebergue. São estes os mistérios insondáveis do nosso futebol e, infelizmente, não há explicação que lhes assente tão bem como assenta um velho e fiável tijolo redondo numa base vagamente piramidal de argamassa.
Entretanto,o actual presidente da FPF proibiu os elementos dos órgãos sociais do organismo a que preside de solicitar borlas para a bola. Fica-lhes ainda regulamentarmente interdito aceitar convites ou 'qualquer tipo de ofertas' que lhes cheguem por via dos clubes. Trata-se de uma boa medida profilática. É evidente que Fernando Gomes, que já viu tantas coisas, não quer ver mais nada. Não quer ver mais uma bola de neve do futebol português 'a enrolar, a enrolar' ao ponto de se transformar sabe-se lá em quê."

Best of... dos primeiros dias!!!

9.ª dia...

Mais um 'título', para uma causa justa...

Benfiquismo (DXXIII)

Mãos ao ar...!!!

Uma Semana do Melhor... com música!!!

Conversas à Benfica 14 (obrigatório!)

Uma questão de reputação

"Resta saber se veremos a frase de boas-vindas da gala Impressa e à venda em cachecóis verdes oficiais.

Como se tem vindo a provar, e com provas abundantes, não deverá valer grande coisa o departamento de informática do Benfica. Já o departamento de marketing continua a dar cartas com um descaramento que deixa atónitos os seus adversários. Depois do êxito que foram os cachecóis "Colinho" e "A culpa é do Benfica", o marketing da Luz vende agora lugares no estádio lançando uma campanha inspirada nas emissões do Porto Canal que tiveram por tema a questão dos e-mails. É este o sumptuoso descaramento que desespera a operosa fábrica de insultos que entrou em funções de dois turnos quando o Benfica se viu bicampeão, de três turnos no momento em que o Benfica se viu tricampeão e de quatro turnos em maio. Se o Benfica for pentacampeão ninguém sabe o que poderá acontecer porque não há turnos que cheguem para tanta função.
A estratégia do marketing do Benfica é claríssima. Trata-se de desvalorizar os ataques externos ridicularizando-os em termos funcionais de modo a que a sua utilização pelo "inimigo" provoque sorrisos no lugar de suscitar acabrunhamento ou fúria. Nesta última campanha é, no entanto, mais flagrante a ridicularização do sotaque "à Porto" do comunicador oficial do Dragão do que, propriamente, a ridicularização da capitosa questão em si que trata de hipotéticos ou não hipotéticos e-mails suficientemente embaraçantes para o bom-nome do Benfica ainda que tenham sido, como tudo indica, gamados.
Seguindo, obrigatoriamente, com atenção redobrada a estratégia do marketing da Luz terão pensado os responsáveis pela recente Gala do Sporting que a melhor maneira de acabar de uma vez por todas com o epíteto negativo que se "colou" à definição da sua própria festa por iniciativa do seu próprio presidente – "a p… da gala" – seria abrir a sessão com um exorcizante "bem-vindos à p… da gala" tal como veio a suceder. Mas terão exorcizado alguma coisa? Duvida-se. A grande e fulcral diferença entre as estratégias dos marketings da Segunda Circular é que o Benfica, com a sua colecção de cachecóis e de vídeos, achincalha os ataques (externos) enquanto o Sporting entendeu que achincalhar o ataque (interno) movido pelo presidente do clube numa conversa alegre com jornalistas teria, exactamente, os mesmos efeitos práticos. Mas não, não teve. Antes pelo contrário, só piorou a reputação pública da dita Gala. Resta saber se ainda veremos a curiosa frase de boas-vindas da soirée impressa e à venda em cachecóis verdes oficiais. Ou em cachecóis vermelhos do outro lado da rua porque seria, aí sim, mais um estrondoso êxito comercial.

Vídeo-árbitro é a melhor invenção desde a invenção das balizas
A selecção saiu da Rússia com o 3º lugar do pódio da Taça das Confederações – bem bom para quem não vive habitualmente nestes patamares competitivos - e com a alegria de poder voltar a casa clamando bem alto: o vídeo-árbitro foi a melhor coisa que se inventou para o futebol desde a invenção das balizas! E porquê? Porque só nesta competição-relâmpago os portugueses viram os meios tecnológicos que vão impor à força a verdade desportiva perdoar-lhes duas grandes penalidades tão descaradas que até meteram dó.
Aconteceu nos jogos com o Chile e com o México terem José Fonte e Pepe cometido infracções na nossa área que passaram incólumes pelo crivo do vídeo-árbitro internacional. Também no jogo da final escaparam os chilenos a uma grande penalidade tão óbvia que foi assunto de conversa à escala planetária. O que o vídeo-árbitro acrescenta ao futebol são mais uns quantos nomes de árbitros-sentados que serão tão ou mais insultados do que os árbitros-em-pé. Uma animação."

NetPress... mercado

Muito mais do que um sorteio da Liga

"Hoje há uma espécie de notificação judicial com 34 marcações que transforma qualquer agenda num aprazível roteiro.

Hoje há sorteio da Liga 2017/18. Logo mais, no Terminal de Leixões, são as nossas vidas e as nossas agendas a serem mais preenchidas, é o nosso destino que é sorteado. Onde vamos estar, a que dia vamos estar, com quem vamos estar, e muitas outras razões e porquês.
Os danos colaterais do sorteio de mais logo são terríveis para as famílias dos adeptos mais apaixonados e mais delicados. Logo vamos ter dicas sobre o melhor fim de semana para visitar a Madeira, aquele em que vale a pena ir ao Algarve, entre tantas outras sortes e sortilégios.
Poucos sabem, mas mais logo, muitas papilas gustativas vão decidir com meses de antecipação quando têm indomitável vontade de ir ao S. Gião, em Moreira de Cónegos, comer aquelas Tripas deliciosas, ou a Chaves relembrar o inesquecível Arroz de Fumeiro ou o Cabrito Assado do Carvalho. Logo mais, vou saber com uma antecipação e rigor digno de David Copperfield, quando me vai apetecer aqueles Carabineiros das Furnas do Guincho.
Uma deslocação a Paços de Ferreira de Janeiro a Março será obviamente um inesquecível bónus, porque fica a 20 minutos da melhor Lampreia à Bordalesa na Pensão Aliança, ali mesmo nas Termas de São Vicente. Hoje, entre as 18.30 e as 20.00 horas, há muito mais que um sorteio de uma Liga de futebol, há toda uma distribuição de encantos, há uma espécie de notificação judicial com 34 marcações que transforma qualquer agenda num aprazível roteiro.
O futebol é apaixonante e como todas as paixões deve ser integralmente aproveitado. Mais logo, para quem gosta verdadeiramente do jogo, o sorteio pode e deve ter aroma, ter história, ter paladar, ter amigos e amizades. Há outras formas e maneiras de ver a prova, há outras perspectivas do jogo, mas são mais pobres, mais redutoras, mais mesquinhas, mais pequeninas e muito menos gratificantes.
A pré-época está aí, a esperança dos adeptos, a vontade de ver as suas equipas, os novos jogadores e os antigos ídolos é natural e alimenta programas a fio nas principais televisões.
Vemos bons profissionais, jornalistas com méritos, falarem duas horas sobre nada, sem darem uma notícia, e ainda assim conseguirem ter share, é a paixão do futebol.
Para nós, no Benfica, a bola já corre dia 13 na Suíça. Ainda bem, rumo ao 37 e outras conquistas."

Sílvio Cervan, in A Bola

Calendário... 'condicionado'!!!!

Benfica - Braga
Chaves - Benfica
Benfica - Beleneneses
Rio Ave - Benfica
Benfica - Portimonense
Boavista - Benfica
Benfica - Paços de Ferreira
Marítimo - Benfica
Aves - Benfica
Benfica - Feirense
Guimarães - Benfica
Benfica - Setúbal
Corruptos - Benfica
Benfica - Estoril
Tondela - Benfica
Benfica - Sporting
Moreirense - Benfica

Eu não sou muito de bruxarias, mas este 'sorteio' pareceu-me mesmo embruxado... ou se calhar: encomendado!!!
- Temos uma 1.ª volta inacreditável: além da visita aos Barreiros, todos os outros jogos fora, são acima do Mondego!!!!
- Os Lagartos beneficiaram de uma protecção inacreditável, tudo devido ao play-off da Champions...
- Curiosamente, o Braga (e o Marítimo), que vai jogar o play-off da Liga Europa, não teve a mesma sorte, e assim na 4.ª jornada recebe os Corruptos, após os 2 jogos decisivos Europeus!!!!

Mas para fazer uma analise completa, vamos ter que esperar pelos jogos Europeus, a paragens para as Selecções e as Taças...


Na cerimónia da Liga, ainda foram distribuídos mais alguns prémios:

Bruxarias

"Como o espaço desta coluna é exíguo, segue-se apenas uma lista de alguns exemplos que suspeito terem sido resultado de bruxaria. Faltam-me provas, mas reconheço que não percebo nada do assunto. Se por vezes não o entendo o que é natural, não me peçam que explique o sobrenatural.
- No FC Porto parece sempre ganhar a estrutura e perderem os treinadores;
- Pedro Proença acumulou erros a favor do FC Porto e em desfavor do Benfica, ainda assim foi aclamado no mundo da arbitragem. Depois foi eleito presidente da Liga, apoiado por, entre outros, o FC Porto;
- As notícias que deram conta de uma factura de uma viagem do então árbitro Carlos Calheiros registada na contabilidade do FC Porto;
- O antigo jogador brasileiro Casagrande nunca ter sido entrevistado por um órgão de comunicação social português acerca do tema 'doping';
- O acidente doméstico que acabou com a carreira de Cadorin;
- Bancos intervencionados pelo Estado salvarem a SAD do Sporting da falência;
- O Sporting pagar uns 8 milhões de euros por ano a um treinador que só ganhou num clube ao qual nunca é reconhecido mérito desportivo pelos dirigentes leoninos;
- O presidente do Sporting 'trabalhar 24 horas por dia';
- Os sportinguistas vangloriarem-se desde há uns vinte anos que têm 'cerca de 20.000 títulos';
- A 'maior potência desportiva nacional' não ter tido sequer um pavilhão durante 13 ou 14 anos. E estar sem competir ao mais alto nível há quase duas décadas em basquetebol e voleibol, assim como esteve mais de uma década sem o fazer em hóquei em patins;
- A anulação do golo que daria o título de campeão nacional de hóquei em patins ao Benfica;
(...)"

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Cantem enquanto é tempo

"Já contava Esopo no século VII antes de Cristo que era uma vez uma cigarra que vivia a saltitar pelo bosque, despreocupada da vida. E que um dia terá encontrado uma formiga a carregar uma folha pesada às costas. Jean de La Fontaine, popularizou esta fábula no século XVII, quase 2500 anos depois. E chegou aos nossos dias como a imagem de que há que trabalhar bem, nas ocasiões certas, para se ter um futuro risonho. É assim o SL Benfica de que gosto. Um clube que sabe corrigir erros cometidos, agindo no momento exacto. Uma instituição que apresenta resultados trabalhando por antecipação.
No futsal masculino, depois de duas épocas que poderiam ter sido melhores, operam-se mudanças estratégicas no plantel. No basquetebol masculino, depois de uma temporada brilhante, prepara-se a sucessão técnica. No futebol masculino, após um ano histórico - mais um - apetrecha-se a equipa, fazem-se regressar bons valores, efectuam-se vendas expectáveis. Trabalha-se.
Enquanto isso algumas cigarras divertem-se com fogo-artíficio, com folhas impressas sabe-se lá onde, com bruxedos e macumbas onde são peritos há décadas.
Já outra cigarras - daquelas obcecadas com o vermelho - fazem festas de aniversários com espectáculo de comédia, diga-se. E enquanto isso abrem os cordões a uma bolsa há muito vazia para comprar pó que se atira aos olhos dos seus adeptos.
Adoro estas pré-épocas. Uns estão já no ginásio e no relvado a trabalhar, a pensar na única coisa que se pode pensar neste clube: vencer. Outros, saltitam pelo bosque. Cantando."

Ricardo Santos, in O Benfica

O defeso

"As saudades da bancada e da sua agitação, a tristeza de ver sair alguns de quem muito gostávamos, a angústia perante a eventualidade de outros lhe seguirem o caminho, e todo o logo informativo promovido pela comunicação social, com mentiras, semi-verdades e encomendas misturadas num mesmo saco, fazem do defeso um período particularmente enfadonho para qualquer adepto do futebol.
Cada um defende-se como pode. Eu, por exemplo, refugio-me no ciclismo, e nas peripécias da Volta a França. O futebol fica na gaveta, à espera do mês de Agosto, e das emoções a sério. Ou à espera do fecho do mercado, que parece nunca mais chegar. No passado, o temor era maior.
A partir do momento em que no Verão de 2014, vi o Benfica vender oito titulares, depois revalidar o título, confesso que passei a olhar para esta altura do ano com maior descontracção. Hoje, encaro com naturalidade a saída de Ederson, Lindelof, ou de quem quer que seja. Hoje tenho a certeza de que por cada jogador que parte, outro surgirá no seu lugar, com idêntico, ou ainda melhor desempenho. Há todo um trabalho de antecipação que o permite, e que o garante. Na verdade, a gestão encarnada já demonstrou amplamente a sua competência na matéria. Centenas de milhares de euros em vendas, e vários troféus conquistados sucessivamente, são a prova viva dessa competência, a qual possibilita ao adepto um sono tranquilo durante toda esta fase, mesmo perante reiteradas notícias envolvendo os nossos principais atletas.
No dia 5 de Agosto estaremos fortes, para atacar todas as competições da nova temporada. Por agora, essa certeza basta-me."

Luís Fialho, in O Benfica

Esperanças reforçadas

"O desempenho das nossas duas equipas de Esperanças no Campeonato Nacional de Atletismo, no passado fim de semana, em Pombal, foi a confirmação de algo que é uma evidência - o Sport Lisboa e Benfica é a organização desportiva de maior sucesso em Portugal, tanto no Futebol como nas Modalidades, e tanto na perspectiva competitiva como na vertente financeira.
Nos masculinos, em 16 anos de competição, o Glorioso venceu 13 vezes. Em femininos, vencemos o sexto título em sete anos. A supremacia dos nossos jovens talentos merece ser realçada sobretudo pelo facto de termos muitos atletas ainda juniores a competir no escalão acima. Nos femininos, apesar das ausências de peso de Teresa Carvalho e Carina Vanessa, a  nossa equipa superou os 37 clubes adversários.
Foram mais de 40 os nossos atletas a pontuarem, com especial destaque para os vencedores das provas - Adriana Alves, Juliana Pereira, Patrícia Silva, Diogo Mestre, Miguel Rodrigues, Pedro Pinheiro, Rafael Jorge, Ricardo Barbosa e Ricardo Pereira.
Na convocatória para o Campeonato da Europa, na Polónia, nos próximos dias 13 a 16 de Julho, o Benfica forneceu 12 atletas à Selecção. O nosso eterno rival meter apenas metade. E se analisarmos os Campeonatos Regionais de Lisboa, o SL Benfica venceu em todos os escalões (Iniciados, Juvenis, Juniores e sub-23), quer em masculinos, quer em femininos.
Nos últimos 12 anos, o nosso Clube fez volumosos investimentos na área das modalidades com resultados desportivos notáveis. Com a futura Academia das Modalidades garantiremos um espaço reservado para a excelência desportiva, organizativa e financeira."

Pedro Guerra, in O Benfica

Bruxas à portuguesa!

"Não é preciso ser «bruxo» para prever o que aí vem: um campeonato verdadeiramente infernal!!!

Oxalá me engane, mas creio que a nova época de futebol da Primeira Liga será uma das mais infernais de que haverá memória em Portugal. Na primeira época, de há muitos anos, em que só o campeão terá acesso directo à fase de grupos da Liga dos Campeões e só o 2.º ganha direito a competir num play-off, imaginem o nível de combate verbal e a intensidade do clima de conflito que tem marcado a comunicação e a relação dos principais clubes e dos principais agentes...
Acrescente-se a estreia do videoárbitro e a guerra que FC Porto e Sporting continuarão a desafiar o poder ganhador do Benfica e teremos certamente o mais explosivo cocktail dos últimos largos anos, talvez só comparável aos terríveis anos do fim da década de 80 e princípio da década de 90, quando se acentuou o domínio do FC Porto.
Oxalá me engane (e nem sequer me estou a armar em bruxo!...), mas, sublinho, creio que não vem aí nada de bom em matéria de futebol profissional em Portugal. E se alguém espera que o videoárbitro ajude a acalmar as coisas, deve infelizmente tirar o cavalinho da chuva. Volto a reafirmar que não estou, e obviamente nunca estive, contra o videoárbitro. Seria absurdo. Mas alerto para a necessidade de percebemos que o clima de profunda conflitualidade no futebol português não criará propriamente bom cenário para a estreia de um processo que exige tolerância, sensatez e compreensão. Tudo o que o nosso futebol não tem.
Oxalá me engane, mas isto vai ser uma guerra ensurdecedora! Já de si espera-se uma competição mais feroz do que nunca pelo lugar de campeão, tendo em conta, sobretudo, a tal necessidade que os grandes clubes portugueses têm de receber a ajuda da Liga dos Campeões, e tendo em conta, volto a lembrar, que só mesmo o campeão garante essa preciosa ajuda. O videoárbitro, por outro lado, que merecia um clima profissional sensato e sem suspeições, surge nesta guerra com o risco de amplificar ainda mais a contestação, o processo de intenções, a desfaçatez, a polémica, a indignidade e a falta de respeito.
Imagine o leitor se um dos principais jogos da Liga vierem, por exemplo, a suceder erros como os que se verificaram na recente Taça das Confederações, como o do penalty não assinalado contra Portugal no jogo com o Chile, ou como o amarelo mostrado a um chileno mesmo depois de vistas na tv as imagens de clara agressão a um jogador alemão?
Oxalá me engane, mas todos sabemos como o clima já não está nada favorável a uma competição mais saudável e desportivamente mais justa, e tender, como também todos sabemos, a ficar bem pior, quer por força da proliferação do debate televisivo, quer por força das estratégias de comunicação dos principais clubes, quer por força da liderança e do estilo de liderança, de alguns dos principais dirigentes.
Oxalá me engane, mas não vem aí coisa boa. O novo campeonato pode realmente transformar-se numa competição irrespirável, intratável e insuportável se ninguém tiver o bom sendo de lhe ir pondo algum travão. Por mim, não tenho grande esperança, confesso.
Quanto à competição propriamente dita, o perfil habitual: três candidatos no arranque, talvez apenas dois na parte mais final, e mais dúvidas do que certezas relativamente a tudo o resto. Mas vlto a sublinhar: vem aí o campeonato da pressão. Preparem-se.
Começamos como sempre mas poderemos acabar como nunca!

Creio que não haverá universo mais místico ou supersticioso do que o universo do desporto, muito em particular o do futebol. Bruxarias, mezinhas, acções paranormais e actividades correlativas, sapos enterrados, cabeças de galo cortadas, cobras esticadas, dentes de alho na algibeira, garrafas partidas em cascos de embarcações, passos milimetricamente contados ao luar ou sacos abastecidos de compras para caridade, mais fumos negros ou alfinetes espetados, como tão bem lembrava ontem neste Jornal o meu querido camarada Santos Neves, é tudo coisa corriqueira no fantástico mundo do desporto.
Com todo o respeito pela fé e crença de cada um e superstição de cada qual, tenha ela a ver com a entrada em campo sempre com o mesmo pé, a barba feita ou desfeita sempre da mesma maneira ou com a cor da gravata que se veste sempre no dia do jogo, quando se fala de temas como este é preciso ter sobretudo a noção da carga emocional que sempre envolve qualquer competição desportiva (cada vez maior à medida que cresce a importância e o impacto dessa competição...), e a noção das diferentes sensibilidades culturais e religiosas que se misturam num meio tão especial como o do futebol, com destaque, compreende-se, para a fidelidade mais natural a raízes espirituais africanas ou sul-americanas. Tudo isso, evidentemente, coisa muito respeitável. Nem é assunto, a meu ver, para ter qualquer graça.
Mas faço minhas ainda as palavras da sempre notável prosa escrita por Santos Neves, na edição de ontem de A Bola: a única coisa que no meio de toda esta história de bruxarias ainda tem alguma graça é mesmo a de ter sido agora o FC Porto a desenterrá-la. É preciso ter lata!"

João Bonzinho, in A Bola

A conversa das vizinhas

"Quando era criança, lá na bairro, as vizinhas juntavam-se à esquina de mercearia para trocarem dois dedos de conversa sobre os últimos dias. Por vezes, havia um acontecimento inusitado que alterava a rotina do quotidiano e estavam tempos imensos na discussão. Todas davam a sua opinião - umas mais empertigadas, da génese daquelas senhoras que quando falam até fazem questão de se colocar muito direitas e dar sempre um jeitinho nos óculos para que eles fiquem bem juntinhos ao nariz; outras mais descontraídas mas invariavelmente e meterem na conversa uma boa dose de veneno. No entanto, nunca chegavam a conclusão, porque nunca estavam na posse de todos os dados e a decisão não dependia delas.
Noutras ocasiões, tudo corria mais ou menos dentro da normalidade, mas quando alguém perguntava se estava tudo bem e a resposta era o tão português «vai-se andando» havia logo motivo para meia horinha de conversa, com o desfiar das desgraças dos últimos tempos a marcar o diálogo. Quando se estava a chegar a hora de por a sopa ao lume, cada uma ia à sua vida. Antes, uma recomendação: «Olha mulher, tens mas é de ir à bruxa...» Como reposta, um encolher de ombros com ar de enfado.
Por norma, nas raras ocasiões em que a resposta à saudação era «tudo bem» e a impulsionadora do parlapié estava ali a ouvir os feitos da senhora e da família, dos muitos amigos que faziam questão de ajudar e de outros muito bem posicionados que também estavam sempre dispostos a dar o seu auxílio de forma desinteressada.
Ou estou com os pensamentos muito alterados, ou o futebol português está cada vez mais parecido com a conversa das minhas vizinhas."

Hugo Forte, in A Bola

Onde se fala em verão quente, e-mails, pirataria informática e efeito contaminação

"Advinha-se um verão quente. Aliás, o verão começou anormalmente quente, com temperaturas acima dos 40 graus, provocando catástrofes nunca vistas.
No que ao desporto diz respeito, parece que há um 'efeito contaminação' e o verão está a ser quentinho, quentinho, quentinho. Eu chamar-lhe-ia de... explosivo.
Antes de falar do caso em concreto, lembro-me de um caso, onde vejo algumas particularidades que por semelhantes, vos chamo a atenção, como na altura o fiz - «O Caso Sá Fernandes - Bragaparques».
Para quem não está recordado, Sá Fernandes, advogado gravou ilicitamente uma tentativa de corrupção de que foi alvo. Ora, enquanto que o processo do crime de corrupção decorria, o empresário Domingos Névoa fez uma participação criminal ao Ministério Público contra o advogado, acusando-o de ter gravado, sem autorização e pelos seus meios a sua primeira conversa, em que fez a proposta de corrupção (teriam depois mais duas conversas, mas já gravadas pela polícia judiciária), o advogado veio a ser julgado no 4.º juízo criminal de Lisboa - que, em 15 de Novembro de 2011, decidiu absolvê-lo.
Reconhecendo que a gravação de conversas particulares sem autorização judicial é proibida por lei, o juiz considerou que há casos, como este, em que outros valores têm de ser ponderados e concluiu que Sá Fernandes «agiu com justa causa», pois tinha de «precaver-se contra a atitude do empresário quando fosse confrontado com a acusação de corrupção» e a eventualidade de este vir dizer que a iniciativa da proposta de pagamento de 200 mil euros tinha partido dele.
O Dr. Sá Fernandes acabou condenado numa pena de multa de 1.200 euros, por crime de gravação ilícita da primeira conversa que teve com o sócio da Bragaparques, em 2006, que desencadeou contra este a investigação do processo de corrupção.
Ora, paralelamente àquilo que for apurado pelas autoridades jurisdicionais no que concerne ao eventual (ou eventuais) crimes de corrupção (ou outros) praticados pelos responsáveis pelo Benfica, num primeiro momento pelo Ministério Público, que suportará a sua de decisão de acusar, ou de arquivar, na prova obtida nos O.P.C. e, posteriormente nos Juízes (caso haja acusação, ou requerimento de instrução), a verdade é que duas outras questões se colocam: a ilicitude dos meios de obtenção da prova, que pode ter um efeito de invalidação da mesma e inclusive, mesmo que outra prova 'boa' seja obtida através dessa, sofra do chamado 'efeito contaminação' e, por outro lado, levará necessariamente à abertura de um (ou vários) processos-crime contra quem divulgou os e-mails (e quem os obteve).
Face às notícias que têm vindo à praça pública, consigo identificar vários possíveis crimes, com vários possíveis crimes, com vários interessados em desencadeá-los, a saber, Crime da 'devassa da vida privada', previsto e punido no art.º 192.º do Código Penal, o Crime de 'Devassa por meio de informática' - art.º 193.º do CP, o Crime de Violação de correspondência ou de telecomunicações', art.º 194.º CP, o Crime de 'Violação de segredo', art.º 195.º, o Crime de 'Aproveitamento indevido de segredo', art.º 196.º, todos eles com a agravação prevista no art.º 197.º, sobretudo na alínea b) se for praticado através de meio de comunicação social.
A estes crimes podia eventualmente usar o crime de difamação, para concorrer come estes que isolada ou cumulativamente poderão ser praticados, para além de um Pedido de Indemnização Cível de valores absurdamente elevados para o nosso quadro jurídico, tendo em conta a dimensão dos danos.
Faltam-me elementos para ser mais concreto na análise, mas de uma coisa tenho a certeza, nesta fase está a instituição Futebol Clube do Porto, os seus responsáveis e quem divulgou estes e-maisl (aparentemente obtidos ilicitamente, pois não estou a ver ter sido um responsável do Benfica a enviá-los amigavelmente ao FCP), mais depressa a serem julgados e condenados pelos crimes que praticaram do que os do Benfica, pois à incerteza da legalidade dos meios de prova, teria de se provar o crime em si, o que é exactamente difícil de se fazer em tribunal.
Aguardemos as 'cenas do próximo capítulo'. "

Paulo Edson, 

PS: Juntando o facto do conteúdo ser completamente pífio, é só fazer as contas aos cumulos!!!!

Horta...

8.ª dia...

Alvorada... talismã!

NetPress... Campeão eterno!

Benfiquismo (DXXII)

Bernabéu, 1980

Aquecimento... com Zé Marinho

O Campeão está de volta...!!!

Sorteio da Liga...

"Ainda sobre as novas condicionantes do sorteio...O meu amigo Hugo Leal, como habitualmente, usou o cérebro para pensar e chegou a este estado de reflexão.
'Querem saber do estado a que isto chegou? Vejam as datas e as regras. A Supertaça joga-se a 5/6 de Agosto (diz a FPF). A 1.ª mão do playoff da Champions joga-se a 15 de Agosto de 2017 (diz a UEFA). 9/10 dias de distância. O que pode ter a ver a Supertaça com o playoff da Champions, se o Sporting nem sequer joga a Supertaça? Aparentemente nada, até porque, pelo regulamento, o Sporting já não poderia jogar com o Benfica nessas duas primeiras jornadas da Liga (marcadas para 11/14 e 18/21 de Agosto).
A questão, então, só pode ser o Vitória. Mesmo que o Sporting antecipasse a primeira jornada para sexta-feira cumprir-se-ia a regra das 72 horas de descanso, pelo que, se saísse o Vitória, este teria mesmo de jogar.
O que temos aqui, então? Das duas, uma: ou quem fez as regras anda demasiado ocupado em bodas e copos-de-água para saber as datas dos jogos e inventou uma regra à pressa no pressuposto de o Sporting precisar de alterar datas à sua vontade e à última da hora; ou a regra foi metida para o Sporting não ter de jogar com o Guimarães (já com um jogo oficial disputado) antes ou no intervalo do playoff da Champions. O Guimarães. Essa equipa que aterroriza adversários que estejam a ganhar 3-0 a 15 minutos do fim.
Até pode haver algum elefante na sala que eu não esteja a ver (se alguém perceber onde ele está é só dizer), mas o que me parece mesmo é estarmos a assistir a mais um edificante episódio da série «Querido, Mudei a Liga».' "

Augusto...

quinta-feira, 6 de julho de 2017

7.º dia...

Alvorada... do Zé Nuno!

Observadores...!!!

Portugalex de 06 Jul 2017 - RTP Play - RTP

NetPress... golos!

Lisboa e Benfica

Loja...

Benfiquismo (DXXI)

White Hart Lane, 1962

Lanças... o regresso!

Now... Forbes!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

No princípio é o verbo (e o contador)

"Não tenho cartilhas, a não ser a 'cartilha' da minha cabeça e das minhas convicções.

Nesta época, também tive direito ao meu defeso. Ou seja, a uma transferência. Sem intermediários. A Direcção de A Bola resolveu dar um generoso e virtual pontapé na rubrica Pontapé de Saída, pelo que, em tese, duas hipóteses haveria a considerar: despedimento por extinção de posto de escrita ou transferência para outro posto. Aconteceu a segunda opção: fui convidado para este novo espaço, que ocuparei às quartas-feiras. Evidentemente, com prémio de assinatura: o de continuar a escrever neste jornal que, desde a minha infância, leio com avidez e me ajudou a amar a língua pátria.
Como não sou ingrato, gostaria, aqui e agora, de agradecer ao Director de A Bola, Vítor Serpa, o convite que, no Verão de 2010, me fez para escrever o Pontapé de Saída duas vezes por semana. Lembro-me, na altura, lhe ter dito que receava não ter assunto e imaginação para manter tal ritmo semanal. Enganei-me, não tanto na limitação da minha imaginação, mas na abundância de temas que jamais faltaram, por boas ou por más razões. Confesso que aqueles 1600 caracteres, duas vezes por semana, se tornaram um bom exercício e até aprendi a disciplinar a extensão dos textos nesta nossa língua em que sempre se pode dizer mais com menos palavras.
Agora terei de exercitar a demasia de caracteres, depois de me ter dado bem com a escassez dos mesmos. Estou preocupado com a abundância. O tempo dirá se conseguirei passar bem da austeridade para a abastança nesta nova sopa de letras.
Fico com saudades do Pontapé de Saída. Coleccionei nada mais nada menos do que 689 artigos e até já fazia contas para a crónica milenar dentro de três anos. Comecei em 13 de Setembro de 2010 e acabei em 28 de Junho de 2017. Praticamente sete anos. O primeiro e o último falam sobre temas relacionados com o Benfica. Por mero acaso, acreditem. Iniciei-me com Ainda e sempre Torres coincidindo com o desaparecimento do Bom Gigante. Terminei com simplesmente Benfica.
O título destas minhas crónicas será O contador da Luz. Não se trata, porém, daquele medidor de consumo de electricidade electromecânico, estático, híbrido ou digital e (agora) sem caução. O contador (de palavras) sou eu e a Luz (com L maiúsculo) é a minha segunda casa. Assim me chegue a energia, em qualquer regime, mesmo que monofásico. Hoje, não tratarei de nenhum assunto de actualidade. Este texto corresponde ao primeiro dia da nova época nos clubes desportivos: o dos exames médicos. Assim sendo, aproveito para delinear alguns aspectos de um auto-estatuto editorial, ao qual aqui em obrigo e que espero poder sempre cumprir rigorosamente.

1. Este espaço será o de um benfiquista sempre apaixonado pelo seu clube, mas não será um espaço oficial ou oficioso do Sport Lisboa e Benfica. Não tenho cartilhas, a não ser a cartilha da minha cabeça e das minhas convicções.

2. Como gosto de dizer, sou independente por convicção e sou dependente por liberdade. Quer dizer, não abdico da minha responsabilidade enquanto estádio superior da liberdade. E esta defino-a, para mim, como a dependência do que gosto. E eu gosto muito do Benfica que faz parte inalienável da minha vida e dos meus sonhos desde menino.

3. Não abdicarei da minha opinião, mas saberei mudá-la se e quando disso ficar ou for convencido.

4. Sem prejuízo da veemência e intensidade da defesa das posições em que acredito, terei o dever de ser urbano e elegante em qualquer circunstância e procurarei não ser precipitado na análise de acontecimentos sem a sua devida e tão completa quando possível contextualização.

5. Neste espaço, o futebol terá a preeminência de ser o desporto mais popular e importante sob diferentes prismas, mas jamais será totalizante nas minhas rubricas. Sem fui muito ecléctico no gosto e acompanhamento de outros desportos e aprecio poder contribuir, ainda que microscopicamente, para a sua maior mediatização e consideração institucional.

6. Não me sinto limitado aos assuntos de natureza desportiva e, sempre que para mim se justificar, tratarei de outros temas que se possam enquadrar no corpo, espírito e acervo de A Bola.

7. Nunca deixarei de expressar o cuidado com o tratamento de algum assunto no qual, directa ou indirectamente, esteja interessado ou envolvido, através do prévio aviso de declaração de interesses.

8. Sempre respeitarei o direito a privacidade de outros e o meu dever de confidencialidade em todas as circunstâncias.

9. Continuarei a escrever, convictamente, com a ortografia antes do chamado novo Acordo Ortográfico, que empobrece a língua portuguesa sobretudo pela estúpida prevalência do critério fonético em detrimento da raiz etimológica e, modestamente, procurarei não alimentar a indigência gramatical que se vai tornando a norma no nosso país.

Uma nota final neste primeiro O contador da Luz: sempre que achar oportuno, delinearei um quadro sinóptico de pontos que mais me suscitaram a atenção ou a curiosidade na semana, e a que chamarei Contraluz. Uma palavra, um número, uma frase, uma efeméride, um acontecimento, um pensamento, etc.
Para esta primeira semana, fica assim:
Contraluz
- Palavra. Culpa. Enterrados os mortos, ressuscitados as labirínticas culpas.
- Número. 5555. Os caracteres (com espaços) desta primeira crónica... sempre com o 5, meu algarismo preferido.
- Frase. «Renasce o sonho». Vê-se bem que estamos no defeso.
- Árvore. Dillenia indica L. Mais conhecida como árvore das patacas (que escasseiam).
- Pensamento. «No deserto, à procura de água, encontrou petróleo e morreu à sede» (provérbio árabe). Cuidado com o equilíbrio das contratações neste tempo de transferências."

Bagão Félix, in A Bola

Que falta fez lá na Rússia a traça de Paris

"Alguma coisa terá faltado à nossa selecção em Kazan. Não foi vontade nem sorte que faltou. É injusto acusar os jogadores portugueses de pouca disposição para o cometimento e é surreal apontar o dedo aos deuses da fortuna que bem se esforçaram para impedir a saída baixa dos campeões da Europa. Por duas vezes, no mesmo lance, vimos os postes da baliza de Rui Patrício desempenhar garbosamente o papel que competia a Rui Patrício e por uma vez se viu o vídeo-árbitro dormir num lance capital em nosso desfavor. O que faltou a Portugal foi o que faltou a Cristiano Ronaldo: faltou-nos a traça.
Aquela traça que em Paris, vai fazer agora um ano, pousou magnificamente no sobrolho do estendido capitão português e fez a selecção disparar para o momento mais insólito da sua História resolveu não comparecer em Kazan e o resultado viu-se. Sem a traça a eliminação não deixou dúvidas. Ficou apenas uma coisinha por esclarecer: o castigo máximo que o jovem André Silva pretendeu, sem êxito, cavar nas barbas do árbitro iraniano no decorrer da primeira parte do prolongamento conta como o 23.º penálti roubado ao FC Porto na temporada de 2016/2017 ou contará como o 1.º penálti roubado ao AC Milan em 2018/2018? Cientistas da bola, estudem o assunto.
Prossegue, entretanto, o defeso do futebol português entregue por inteiro às barulhentas altercações entre comentadores-residentes das nossas estações de televisão. É esta uma grossa novidade mas não lhe chamaria, propriamente, um progresso civilizacional. Antes pelo contrário. Em termos, por exemplo, da secular rivalidade entre os dois emblemas da Segunda Circular, pertenço a uma antiga geração que aprendeu a gostar de futebol e dos seus clubes graças a magníficos protagonistas de duelos encantadores como Eusébio e Damas, Artur e Diniz, Bento e Manuel Fernandes, Luís Figo e Rui Costa, Chalana e o resto do mundo… Pobres gerações mais jovens que até em tempo de férias têm agora de se dividir entre um Guerra e um Pina. Ou vice-versa.
O Tour vai começar envolto numa polémica de costumes. O ciclista belga Jan Bakelants afirmou no decorrer de uma entrevista que para "ocupar os tempos livres" conta levar "uma embalagem de preservativos" porque "nunca se sabe onde se encontram as meninas do pódio". A organização do Tour exigiu-lhe imediatamente um pedido de desculpas e a equipa do Jan Bakelants, a AG2R-La Mondiale, pediu desculpa aos organizadores e ao público pela alarvidade do seu corredor. Esta historieta vinda do estrangeiro e de estrangeiros é exemplar. Por cá o patamar é outro e muito, muito abaixo. Numa recentíssima reportagem televisiva em Kazan, entrevistando adeptos portugueses, um jornalista em missão patriótica perguntava-lhes, felicíssimo consigo próprio: "E as russas? E as russas?" Que tristeza. Ninguém tem mão nisto?"

Carta aberta ao bruxo da Guiné

"Caro general Armando Nhaga, há coisas no futebol português que parecem bruxaria. Eu sei que você já esclareceu que não tem nada a ver com essas coisas, é só um desabafo. Como se já não bastasse o estado do nosso futebol, no defeso falou-se mais de e-mails do que de reforços, o que aumenta o nível de alerta e preocupação quando se aproxima o arranque da competição. Estamos, cada vez mais, à beira do abismo. Estou preocupado, como adepto, e temo que agora só as forças do oculto possam livrar-nos do mau olhado. Da minha parte, se eu fosse presidente da Liga e você bruxo, acordava consigo um contrato de prestação de serviços segundo o qual você receberia um valor chorudo por cada jornada da Liga 2017/18 sem polémica, mas calculo que não teria interesse em aceitar um trabalho em que muito dificilmente poderia ter sucesso. É como pedir à gelatina que pare de tremer, eu sei. Para mais, além do elevado risco de insucesso, a tarefa iria exigir-lhe muita dedicação, sem direito a folgas e distracções, para não acontecer o mesmo descalabro do Dortmund-Benfica (4-0).
É evidente que, como o caso é grave, se eu fosse presidente da Liga e você bruxo, não teria reservas em contratar alguém com provas dadas para o ajudar. O mestre Alves ou o bruxo de Fafe, por exemplo. Mesmo o nível internacional há especialistas de renome como o espanhol Pepe (o tal que um dia lesionou Ronaldo). Se mesmo assim não chegasse, meteríamos voluntários em cada estádio a fazer buracos na relva, a espalhar aguardente, sal e alhos, a soltar galinhas, sapos e pombos. Se tudo isto falhasse, então sim tentaríamos pedir bom senso e fair play aos nossos dirigentes. Porque no fundo, eles, você e eu queremos todos o mesmo: um futebol português firme e hirto como uma barra de ferro. Lá dizia o bruxo Alexandrino."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Alvorada... com o Lemos

3.ª dia dos B's

Haris...

Aulas...

NetPress... Powered by Benfica!

5.º dia...

2.º dia dos B's

Benfiquismo (DXX)

Grande...

105x68... recomeço...!!!

Videoárbitro? Um projeto bebé que fazia falta ao futebol moderno e à arbitragem. Ponto

"Vamos então fazer um balanço sobre a actuação do Sistema do Videoárbitro na Taça das Confederações.
Por partes. A tecnologia em si é boa. Muito boa.
Está bem construída, bem pensada e funciona (quase sempre) sem falhas. É útil e fazia falta ao futebol moderno e à arbitragem. Ponto.
A partir daí, a questão central passa a ser outra: a da eficácia da sua utilização.
E sobre este aspecto, convém recordar algumas coisas:
Este é um projecto bebé. Um projecto que está a dar os primeiros passos e que ainda se encontra em fase de testes.
A introdução do Sistema de Videoárbitro no futebol foi um passo corajoso e arrojado, que terá impacto fortíssimo no jogo, nos jogadores, no sistema táctico das equipas e sobretudo na rotina em campo dos árbitros. Terá também impacto nas expectativas dos adeptos e de todo o universo do futebol.
Algo assim leva tempo. Leva tempo a interiorizar. A afinar.
A FIFA, à semelhança de outros países (como Portugal), quis participar nesta fase piloto. Porquê? Porque tenciona aplica-lo no Mundial de 2018, na Rússia. Legitimamente.
Qual é que foi o grande risco dessa decisão?
É que, ao contrário das federações nacionais (que têm jogos de menor dimensão mediática para realizar os seus testes), só o poderiam fazer nas suas competições: Mundial de Sub 20, Mundial de Clubes, Taça das Confederações...
Tudo montras de grande dimensão, vistas e escrutinadas por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo.
Foi uma decisão compreensível mas arriscada, que comportava riscos.
E o certo é que, tendo corrido bem na maioria das vezes (existiram sete situações claras onde a colaboração do VAR foi crucial para decisão final), naturalmente que teve menos bem em momentos importantes.
Num deles, terá falhado o próprio VAR: o penálti do José Fonte (pisão a um jogador chileno) foi claríssimo nas imagens mas o videoárbitro teve leitura diferente e absteve-se de intervir.
Noutros dois, falhou apenas e só o árbitro: no México/Nova Zelândia (tudo correu mal) e, de forma mais clara, na Final entre Alemanha e Chile, onde um vermelho (evidente e inquestionável em todas as imagens) ficou por exibir.
Reparem: em nenhum desses erros falhou a tecnologia em si.
O que correu mal foi a sua aplicação pelos árbitros. A intervenção humana.
E o que é isto nos diz a todos?
Diz-nos que esta é mesmo uma mudança de paradigma e que a sua afinação requer tempo, treino e formação contínuas.
Um bom VAR tem que ter um conjunto de competências, técnicas e humanas, distintas. Muito distintas. E isso não se aprende de um dia para outro. Tem que conhecer bem as leis de jogo. Tem que estar familiarizado com o protocolo aprovado.
Tem que saber analisar imagens e identificar potenciais erros. Tem que saber como pedir informação ao técnico de imagem de forma a que ele entenda qual o incidente a rever e qual a melhor imagem/ângulo a facultar. Tem que perceber quais os timings da sua intervenção junto do árbitro e, sobretudo, tem que saber qual a melhor forma de passar essa informação ao árbitro - que está pressionado em campo - com serenidade, segurança e credibilidade.
Tem ainda que saber juntar tudo isso a uma enorme eficácia, ou seja, fazer muito e bem, o mais rapidamente possível.
Isso implica, de facto, muita coisa.
E implica sobretudo que o VAR tenha uma forte personalidade. Que seja imune a pressões ou ruídos exteriores e que tenha a clareza de saber obedecer apenas e só à sua consciência.
Em suma, deve ser alguém tecnicamente muito competente e pessoalmente capaz, independente e corajoso.
Grande parte dessas competências, sobretudo as técnicas, requerem muito treino.
Treino em sala, com visionamento exaustivo de imagens e com a realização de sucessivas simulações (role play) ao nível da comunicação.
Mas também "treino" em competição. Porque só o ambiente real, a pressão dos tempos de espera, o ruído infernal do público e o enorme stress competitivo, colocarão verdadeiramente à prova a capacidade de alguém tomar excelentes decisões, de elevada responsabilidade, no menor espaço de tempo possível.
Um excelente árbitro não será, necessariamente, um excelente VAR. E é importante que todos entendamos isso com urgência.
Não esperem milagres. Seria pedir demasiado nesta fase e penso que já todos percebemos porquê. 
Mas não duvidem: erros grosseiros, de lances objectivos e transparentes, que escapem ao olho do árbitro em campo, deixarão de existir.
E com o tempo, muitos outros também. Haja tolerância e tempo para deixar crescer, sustentadamente, uma iniciativa que tem tudo para dar certo."


PS: Dois erros evitáveis que aconteceram no protocolo na Taça das Confederações:
- A obrigatoriedade de ser o árbitro de campo a 'pedir' a actuação do VAR! No lance do José Fonte, o VAR devia ter avisado o árbitro de campo... simples.
Na Final da Taça de Portugal, no video que a FPF divulgou, com a entrevista do Hugo Miguel, foi notório que o Soares Dias 'aconselhou' mesmo quando não foi solicitado... E isso deve acontecer sempre, agora o nível e confiança entre o VAR e o árbitro de campo tem que ser grande, ter árbitros de nacionalidades diferentes, que nem falam a mesma língua, não é fácil...
- A possibilidade do árbitro ir à linha lateral rever o lance, não faz sentido. Perde-se tempo, e vai criar um potencial foco de muita contestação com os 'bancos' a protestarem...
A opinião do VAR deve ser valorada, ponto final... Além disso, é muito mais complicado um árbitro de campo, alterar uma decisão sua, vendo o lance, na linha lateral... existe sempre uma relutância maior em admitir o próprio erro... como foi visível na Final com a cotovelada do Jara ao Alemão!