"Talento vs idade. Idade vs talento. Dois termos frequentemente utilizados em futebol, mas que nem sempre caminham de mãos dadas.
Apesar de ser comum ouvirmos um treinador dizer que o talento não tem idade, são raros os exemplos de coragem, coerência e congruência por parte dos líderes das equipas técnicas no que toca à aposta segura em jovens talentosos.
Felizmente ainda há quem olhe e veja para lá da data de nascimento dos jogadores. Ainda há quem reconheça que o jovem talento precisa de tempo, espaço e, acima de tudo, palco para poder se afirmar. Como Mohamed Ouahbi e Emerse Faé, seleccionadores de Marrocos e da Costa do Marfim, respectivamente.
Quem assistiu ao Brasil vs Marrocos da jornada inaugural do Grupo C do Mundial 2026 certamente ficou encantado com a exibição de Ayyoub Bouaddi.
O médio-centro marroquino de apenas 18 anos de idade, encheu o campo com e sem bola. Revelou classe e maturidade ímpares em todos os momentos e em todas as fases do jogo. Nunca se escondeu – muito pelo contrário – e procurou ser solução constante ao colega portador da bola, fosse qual fosse o centro de jogo (sobre os corredores laterais ou sobre o corredor central).
À invejável condição física demonstrada ao longo de todo o encontro juntou ainda uma clarividência e um critério na tomada de decisão muito acima da média. Com elevada qualidade técnica. De pé direito ou de pé esquerdo. Sempre de cabeça levantada. A primeira grande exibição individual do Mundial 2026.
No domingo foi a vez de Yan Diomande responder a Bouaddi e dizer que também quer ser o melhor jogador jovem deste Campeonato do Mundo de selecções.
Frente ao Equador, o jovem extremo costa-marfinense de apenas 19 anos foi um autêntico terror para a defensiva equatoriana. Hincapié que o diga. O lateral esquerdo sul-americano foi ultrapassado de todas as maneiras e feitios pelo seu adversário directo e só 'descansou' quando Diomande passou para o flanco oposto.
Ambidestro, forte no 1 vs 1 (tanto em campo aberto, como em zonas mais congestionadas), o extremo da Costa do Marfim protagonizou uma exibição plena de recursos ofensivos: boa relação com a bola, velocidade, mudanças de direcção em ambos os sentidos (para fora ou para dentro), técnica individual apurada, acutilância ofensiva.
Em ambos os casos, Bouaddi e Diomande beneficiaram do ditado que tantos conhecem, mas tão poucos colocam em prática – o talento não tem idade.
Quando assim é, por norma, o campo não mente. E não mentiu…"

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