Últimas indefectivações

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Quando as águias atravessaram dois infernos


"Recorde-se uma das decisões mais vergonhosas da UEFA: em 1965, obrigou o Benfica a jogar a final da Taça dos Campeões Europeus em S. Siro, na casa do seu adversário, o Inter de Mrilão.

O Benfica teve, pela primeira vez na história das taças da Europa, de jogar uma final no campo do adversário.
'Il Comendattore': só de si, a expressão é sinistra.
'Il Comendatore': do latim, 'comendator', aquele que recomenda; eclesiástico ou cavaleiro de uma ordem militar a quem, antigamente, por serviços prestados, era concedido um benefício, como uma igreija, mosteiro, terras ou uma povoação.
Esclarecido, mas não descansado: continua a ser sinistro...
Em Itália, dizia-se à boca cheia: 'Moratti compra tudo... árbitros incluídos'.
Em Itália, afirmava-se na imprensa: 'Angelo Moratti não perde a possibilidade de mostrar quem manda no Inter. Foi ele que, dias antes da final contra o Benfica, explicou aos jornalistas como iria jogar a sua equipa: 'Bedin marcará Eusébio; Suarez e Corso vão controlar as movimentações de Coluna; Guarneri bloqueará Torres; Fachetti perseguirá Torres por toda a parte'.
Estas palavras foram publicadas na revista Supersport.
Um ponto por toda a parte, havia o incómodo, o desconforto: a UEFA, pela voz do presidente do Comite Organizador da Taça dos Campeões, José Crahay, anunciava, após as meias-finais, que a final se disputaria em S. Siro, a casa do Inter, campeão europeu em título. A decisão era inédita, inacreditável. Mas foi levada por diante. Em caso de empate, finalíssima em Bruxelas.
S. Siro encheu, claro! 180 milhões de liras de receita, recorde absoluto do grande estádio de Mião, qualquer coisa como 8.500 contos da época.
80000 pessoas estariam nas bancadas para assistir à segunda vitória da equipa de Moratti e Helenio Herrera na Taça dos Campeões da Europa.
'Lasciate ogni speranza, voi chi entrate', dizia Dante, no 'Inferno'.
S. Siro seria o inferno. Não havia esperança para o Benfica.
O Benfica contrariou o Inferno, no entanto.
Vítor Santos, em A Bola: 'Sobre a relva encharcada, há dez rapazes de camisola vermelha, empapada em suor, prontos para, de cabeça bem erguida, saudarem o vencedor da batalha desigual que tinham sido chamados a disputar. Falta um ao grupo. Esse, saíra meia hora antes, corpo varado pela dor. E aqueles dez homens, sujos, desgrenhados, encharcados até aos ossos, tinham alguma coisa de um pequeno exército que se cobrira de glória frente a um adversário poderoso, numericamente superior e armado até aos dentes, que, ainda por cima, fizera a guerra no seu próprio terreno e com a grata colaboração de dilectos e poderosos aliados. Alguns choram. Um tem mesmo qualquer coisa como uma convulsãro. As lágrimas rolam-lhe pela face e ele, meio cambaleante, tem de se amparar a braços amigos para não cair. Chama-se Torres e lutara como um bravo (...) Esse Benfica que a UEFA quis transformar num grupo de convictos cristãos da era moderna, a lançar Às feras famintas da grande arena de S. Siro, fora a grande sensação do jogo e dera uma 'lição de bola' ao estranho e 'irrealizado' Inter, edição H.H., com o seu futebol manhoso e sádico, marcado por aquilo que se chama em Itália de 'profundo realismo'.
Impressionante! Frente a um conjunto enrolado na sua casca, como o bicho-de-conta, o Benfica efectuara uma exibição estupenda de determinação e de autoconfiança, produzindo um futebol construtivo, profundamente atacante e sempre imbuído daquilo que se pode chamar o espírito imperecível do 'association'.

Dramático!
O Benfica foi, em S. Siro, personagem principal de um dos momentos mais dramáticos do futebol português. A três minutos do intervalo, um remate enrolado do brasileiro Jair, faz a bola fugir, em jeito de galinha assustada, por entre as mãos, por debaixo do corpo, pelo meio das pernas de Costa Pereira. Grande especialista do futebol de não perder, Herrera era o mestre dos mestres no futebol de guardar vantagens inesperadas. O Inter defendeu-se, recolheu-se, fechou-se. Todos os verbos que pudesse utilizar seriam reflexos: eram onze homens trancados sobre si próprios, auxiliados pelo lamaçal em que se transformou um relvado infame. E contra isso nada pôde a valentia lusitana.
Aos 12 minutos da segunda parte, Costa Pereira, herói de Berna, réu de Milão, não resiste a uma hérnia discal e a um traumatismo no pé direito. Não sendo ainda tempo de substituições, é Cavém quem se prepara para vestir a camisola de guarda-redes. Mas é Germano que toma, finalmente, o seu lugar, incapacitado, também ele, por um rotura muscular na coxa.
São dois infernos: o de S. Siro e das lesões.
Nenhum ser humano seria capaz de atravessar dois infernos assim.
Rodolfo Pagnini, jornalista do L'Unitá: 'Escrevemos estas linhas febris enquanto os jogadores do Inter correm em redor do rectângulo, transportando bem alto, sobre as cabeças, a Taça da Europa. No centro do terreno encharcado de chuva e de suor, distingue-se o vermelho das camisolas do Benfica. Eusébio, Germano, Coluna e os seus companheiros olham para a festa que os envolve, desconsolados, tristes. A alegria do Inter, é a sua tristeza. Uma tristeza, uma amargura, plenamente justificada. O público apercebe-se disso. E rompe num aplauso fragoroso e espontâneo. O Benfica perdeu, mas sai de campo com todas as honras. Pode levar consigo para Lisboa, as armas do nobre vencido. Como há dois anos, em Wembley, frente ao Milan, a sorte não foi sua aliada. Nesse encontro, perderam Coluna num momento em que o resultado se encontrava em 1-1. Ontem, como se não bastasse o golo de Jair, numa autêntica 'gaffe' de Costa Pereira, jogou os últimos trinta e três minutos sem o seu guarda-redes. Saído Costa Pereira, todos pensaram: o Inter tem a vitória na mão. E prepararam-se para saborear mais golos. Ao invés, a partida terminava, nesse momento, para a equipa de Milão. Porquê? Porque o Benfica, essa maravilhosa equipa, actualmente a mais forte da Europa, não quis render-se ao inelutável, o fez um apelo ao seu desmesurado orgulho, lançando-se para a frente, de cabeça erguida, indo buscar forças ao fundo do coração e da alma'.
Jaques Ferrari, um dos enviados-especiais do L'Équipe: 'Eram oitenta mil milaneses contra fez portugueses. E foi uma afronta ao futebol que o Benfica não saísse de S. Siro pelo menos com o empate, tão visível foi o medo dos italianos perante a equipa portuguesa. O Benfica fez ontem tudo quanto é humanamente possível fazer em futebol. Lutou contra a multidão, lutou contra o adversário, lutou contra a má-sorte. E foi sempre uma equipa de coragem, de decisão e lucidez, além de alardear uma superioridade técnica e um sentido de jogo que obrigou os próprios adeptos do Inter a ohs! de admiração'.!

Afonso de Melo, in O Benfica

Um jogo solidário e nostálgico


"Na homenagem a Álvaro Gaspar e Francisco Stromp reinou a boa disposição entre antigas glórias do futebol português

O público acorreu numeroso ao Campo das Amoreiras, a 1 de Maio de 1936. A causa era nobre, pois as receitas revertiam para a construção dos mausoléus de Álvaro Gaspar (Benfica) e de Francisco Stromp (Sporting). O ambiente era de camaradagem e de solidariedade desportiva, mas também de saudade.
A atracção principal do programa era um desafio entre a 'Selecção de Portugal (1921)' - composta pelos elementos do 'grupo representativo de Portugal, que em 17 de Dezembro de 1921 disputou em Madrid o I Portugal - Espanha, jogo que serviu para o nosso baptismo internacional' - e o 'Resto', formado por jogadores da mesma época. Cosme Damião seria o árbitro, António Couto e Dionísio Hipólito os juízes de linha.
No momento em que entraram no rectângulo de jogo, os ases de outros tempos foram ovacionados e alinharam-se de frente para as bancadas. Os antigos internacionais estavam equipados com as cores da selecção nacional de então, 'camisola preta e calção branco', enquanto os seus opositores envergaram as cores do Benfica.
Do camarote central, o presidente do Comité Olímpico Português, José Pontes, pronunciou, emocionado, um discurso de forma inusitada, mas notável. O 'seu discurso era para ser transmitido pelos auto-falants do «camion» da Companhia dos Telefones, mas a corrente eléctrica não servia. Pôs-se de parte a ideia. O infatigável orador encontrou a solução, - heróica: «Falarei ao público do camarote; com silêncio absoluto a minha voz dominará o campo»'. E assim fez, até a voz ficar rouca. A seguir, a assistência fez um 'respeitoso e comovente silêncio', em homenagem a Álvaro Gaspar e Francisco Stromp.
Guilherme Pinto Basto deu o pontapé de saída, deixando-se ficar estático por uns momentos, como quem desejava também participar na partida. Apesar da passagem do tempo ter deixado as suas marcas nos jogadores, pois o aspecto geral de 'barrigudos... Quási todos os componentes apresentam anfractuosidade no ventre... Por cima disto, uma calva luzida...', pôde-se verificar que 'muitos dos «velhos» ainda seriam capazes de botar figura em confronto com alguns novos se os não atraiçoasse o fôlego'.
A 'multidão dispensa-lhes palmas - hoje de simpatia e amizade - antigamente de grande fervor clubista. «Penalty» contra os «internacionais», por infracção de Pinho. Cobra-o Jaime Gonçalves, o «terror dos guarda-rêdes», e bate Carlos Guimarães. A pontaria ainda não falhou...'. Vítor Gonçalves empatou o desafio, ao converter, também, um penálti. A equipa do 'Resto' voltou a ficar em vantagem, com um golo de Simões, mas Crespo, com um golpe de cabeça, obteve pela segunda vez o empate, fechando o marcador. Cosme Damião 'dirigiu admiravelmente' este 'original «match»' que decorreu sempre num ambiente de confortante e sadia alegria'.
Pode ver a camisola da selecção nacional de 1921 na área 15 -No Caminho do Tempo do Museu Benfica - Cosme Damião'."

Lídia Jorge, in O Benfica

De todos, um. O Benfica


"Estamos em vésperas do arranque da próxima época e, apesar dos tempos de incerteza que ainda vivemos, quero deixar uma palavra de confiança a todos os Benfiquistas.
Uma confiança alicerçada numa redobrada ambição que nos levou à contratação de uma nova equipa técnica de reconhecida qualidade, liderada pelo treinador com mais títulos na história do Sport Lisboa e Benfica e pela capacidade de ir ao mercado contratar jogadores internacionais de enorme prestígio.
É nestes momentos de crise que as entidades mais robustas e consistentes conseguem por norma fazer os seus melhores investimentos.
E é mesmo isso que temos feito. Aproveitar este momento de crise para, com base num nivelamento por baixo dos valores de mercado, ter acesso a talentos que noutras circunstâncias estariam fora de hipóteses para nós.
Mas ainda mais decisivo é o factor credibilidade. Como tenho dito, a credibilidade é um dos nossos principais títulos conquistados. E só a forte e reputada credibilidade que temos no mercado possibilita fazer este reforço do plantel com uma gestão eficaz e racional do seu esforço, diluído ao longo de vários anos.
Como fundamental tem sido também o reconhecimento unânime à qualidade do projecto e das infraestruturas que criámos – bem testemunhado nos depoimentos de todos os técnicos e jogadores que têm passado nesta casa – e que nos permite atrair algum do melhor talento, apesar de estarmos fora das consideradas cinco principais ligas europeias.
Vimos de uma década com resultados desportivos no futebol só superada pela década de sessenta, voltámos a ver o nosso Clube em duas finais europeias nos seniores e três nos juniores, em sequência de uma estratégia e rumo de aposta no centro de formação do Seixal que é tida como exemplo internacionalmente.
Tivemos a melhor década de sempre de vitórias nas modalidades.
Hoje, temos os alicerces necessários para redefinir algumas prioridades e procurar chegar mais longe e de forma mais ambiciosa a alguns objectivos.
Como sempre e desde a primeira hora, só esse tem sido o meu foco, trabalhar em prol do Benfica. E neste momento, mais do que nunca face aos tempos de incerteza que vivemos, defender o Clube e reforçar os seus pilares com os olhos postos num futuro ainda mais ganhador.
Mesmo sem ainda sabermos quando poderemos voltar a expressar a paixão da presença no Estádio da Luz, nos estádios e nos pavilhões, transportamos em nós a ambição, a crença e o sentimento de que "De todos, um. O Benfica".
Em cada um, aquela força única de sentir e de gritar "Benfica!".
É essa a força do Benfica e o compromisso de todos e cada um de nós!

Luís Filipe Vieira
Presidente do Sport Lisboa e Benfica"

Morato | Um olhar sobre a primeira época no velho continente


"Felipe Rodrigues da Silva, conhecido dentro das quatro linhas por Morato, chegou ao SL Benfica no verão de 2019, proveniente do São Paulo FC, a troco de seis milhões de euros por 85% do passe, com a particularidade de nunca se ter chegado a estrear com a camisola do plantel principal tricolor.
O central destacou-se na Copa de São Paulo de Futebol Júnior, onde, através de exibições de grande qualidade, que ajudaram os paulistas a conquistar a taça, tendo até marcado uma grande penalidade na final frente ao Vasco da Gama, o jovem despertou interesse de vários clubes europeus. As “águias” anteciparam-se e garantiram os seus serviços até 2024.
O balanço da primeira época do jovem brasileiro no velho continente é positivo. Morato somou um golo e uma assistência em 2419 minutos, distribuídos por 15 jogos na Liga Pro, dois jogos na Liga Revelação, um jogo na Allianz Cup e dez jogos na UEFA Youth League, onde foi totalista.
Foi nesta última competição onde Morato se superiorizou aos seus colegas do sector defensivo, tendo demonstrado uma enorme maturidade face aos restantes. Morato, devido à sua frieza e à sua capacidade para sair a jogar, era muitas vezes solicitado na primeira fase de construção do jogo das “águias”, notabilizando-se pela sua amplitude de recursos no que ao passe diz respeito. Noutras palavras, Morato tanto tem capacidade em jogar curto como em alongar com critério e qualidade, tornando-se numa incógnita para os adversários.
No entanto, o jovem de 19 anos ainda precisa de correr muitos quilómetros se quiser chegar ao plantel principal do Sport Lisboa e Benfica. Ficou visível no jogo da Allianz Cup, frente ao Vitória FC, que o jovem ainda não tem “estaleca” para tais andanças, tendo comprometido no lance que resultou no golo da vitória aos sadinos. Não obstante, Morato tem tudo para ser uma aposta sólida nos próximos anos. 
Com 1,90m, ágil, rápido, agressivo e com uma leitura de jogo acima da média, que lhe permite antecipar-se aos adversários na disputa pela bola, Morato poderá até já ser o quarto central na hierarquia de Jorge Jesus para a próxima temporada. O facto de ser canhoto, algo que Jorge Jesus aprecia em centrais que jogam no lado esquerdo da defesa, também pode contribuir para a sua inclusão no plantel principal.
Rodeado por defesas experientes de topo como Vertonghen, Rúben Dias e Jardel, o jovem brasileiro tem tudo para seguir as pisadas de David Luiz e Luisão e tornar-se numa das referências defensivas brasileiras a passar pela Luz."

Fever Pitch - João & Markus... Alemanha!

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Liga dos Campeões | SL Benfica reencontra PAOK na 3.ª pré-eliminatória

"Possivelmente o pior adversário nas circunstâncias menos apetecíveis: ao SL Benfica de Jorge Jesus calhou em sorte o PAOK de Abel Ferreira na Liga dos Campeões, num embate único a ser jogado no Toumba, casa dos gregos, a 15 ou 16 de Setembro.
Numa fase da competição em que dificilmente os encarnados não teriam condição de favoritos, esta era a única hipótese de equilíbrio na balança da competitividade. Os gregos já despacharam de forma contudente o Besiktas JK na ronda anterior (3-1, com 3-0 aos 29’ e oportunidade de fazer o 4-1 aos 41’ através de uma grande penalidade falhada) e olham para a visita de Jorge Jesus como nova oportunidade de mostrar qualidades que lhes permitam alcançar o que nunca conseguiram – a entrada na fase de grupos da Champions.
As águias negras apresentam-se em 2020-21 com as ideias do seu treinador completamente consolidadas e espera-se muito de uma equipa que não conseguiu destronar o Olympiakos FC do topo do futebol grego (segundo lugar na liga) mas que promete outras ambições para esta época.
No primeiro ano de Abel Ferreira os resultados europeus não foram animadores, houve queda nas primeiras rondas europeias (5-4 agregado com o Ajax na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, 3-3f com o Slovan Bratislava no play-off da Liga Europa), mas nas provas nacionais só o conjunto de Pedro Martins foi mais forte (além do segundo lugar, Abel só caiu na taça precisamente contra ele, nas meias-finais).
Para este ano, as esperanças num final feliz foram redobradas dada a qualidade existente. A maioria das peças fulcrais do onze mantêm-se (por enquanto) no clube e houve adição de talento nacional vindo da cantera – Tziolis, homem de último terço, bisou frente ao Besiktas, e Michailidis, central moderno, são diamantes em bruto por lapidar – que ajudará a alavancar o nível de jogo da equipa para patamares de excelência no historial do clube.
Frente aos turcos, Abel deixou por terra o seu 4-4-2 e assumiu definitivamente o 3-4-3, como em algumas fases de SC Braga: Zivkovic continuou o titular da baliza, ele que foi o titular no campeonato em 19-20; à dupla titular, Varela (ex-Feirense) e Ingason, juntou-se precisamente Michailidis; nas alas, à direita Rodrigo (ex-Aves) e Giannoulis no lado contrário; no duplo-pivot de meio-campo, Schwab (ex-Rapid Viena e principal contratação desta época) acompanhou El Kaddouri (um dos líderes da equipa); na frente, o prodígio Tziolis jogou lado a lado com Akpom e Pelkas (ex-Vitória de Setúbal), relegando para o banco a figura do ano passado, Swiderski, que com 14 golos foi o principal artilheiro da equipa e a quem os rumores colocam na porta da saída… tendo como destino o FC Porto.
Limnios, extremo-direito titular do ano transacto e Anderson Esiti, nigeriano que já actuou em Portugal e contratado por três milhões de euros há um ano, saltaram do banco e fazem parte do lote dos mais utilizados.
Josip Misic, contratado ao Sporting em 2019, foi o MVP da época dos gregos (quatro prémios de Melhor do Mês), mas encontra-se lesionado, com perspectivas de retorno apenas em Outubro.
De relembrar que os últimos encontros entre Benfica e PAOK aconteceram há pouquíssimo tempo, em 2018-19, e que os encarnados eliminaram os gregos com um 1-4 no mesmo estádio do confronto que acontecerá daqui a duas semanas, depois de um empate a uma bola na Luz."

Breves notas (o Tour, o Vitória, Miguel Oliveira e Cavani)


"O Atleta Comum
“Eu sei que não sou o maior talento do desporto. Todos sonham ser o melhor do mundo, mas eu sempre fui realista. Prefiro ser um ajudante na minha equipa de sonho do que correr por mim próprio num nível inferior”, disse o ciclista Tim Declercq da equipa Quick-Step, a disputar o estranho Tour deste estranho 2020. Ao fim de uns anos, a não ser os fanáticos de uma modalidade, poucos conseguem identificar os actores secundários que, pela sua simples presença, ajudam a reforçar o brilho das grandes estrelas. Lembramos um Induráin, um Merckx ou mesmo os ídolos caídos em desgraça, como Pantani ou Armstrong, mas o tempo apaga os nomes dos seus ajudantes e, ainda mais, os “aguadeiros” de equipas menores. No entanto, sem eles não existiria o fascínio da serpente do pelotão a percorrer as estradas, não haveria estratégia colectiva, não teríamos as imagens marcantes dos acólitos a carregarem um chefe de fila montanha acima. Os corredores míticos são imortais, extra-terrestres de qualidades que superam o nosso entendimento. Os outros, os seus ajudantes quase anónimos, parecem-se connosco. Por isso, não os vemos. Por isso é que devíamos olhar para eles.

Vitória de Setúbal
Era uma questão de tempo. Tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia acaba no campeonato de Portugal. Durante muitos anos, o Vitória Futebol Clube conseguiu escapar ao destino de outros clubes históricos da Margem Sul como o Barreirense ou a CUF, mas andava sempre na corda bamba: salários em atraso, polémicas, desnorte directivo e dívidas, salvações in extremis. Apesar de algumas descidas e subidas, altos e baixos, o Vitória parecia insubmersível e, de vez em quando, lá alcançava um brilharete – a conquista da taça em 2005, a taça da liga em 2008 – como que a recordar a sua grandeza passada e a afirmar a sua pertença ao restrito grupo dos clubes triunfadores. Porém, os sinais de decrepitude eram inegáveis, bastando olhar para esse belíssimo Estádio do Bonfim e para a sua degradação e também para o laço cada vez menos apertado entre as gentes da cidade e o seu clube. Terá havido em muitas ocasiões má gestão, mas o declínio do Vitória é também o espelho de uma realidade que não se explica apenas por erros conjunturais. Num país em que se confunde desporto com futebol e em que se confunde futebol com os três grandes, é este o destino que aguarda os restantes clubes. Nenhum Schmeichel, nenhum Casillas, nenhum Cavani chega para disfarçar esta pobreza estrutural em que são todos náufragos embora alguns ainda não tenham consciência disso.

Vitória à portuguesa
Bem sei que nestes tempos de correcção histórica qualquer louvor à excepcionalidade portuguesa – a não ser que seja uma excepcionalidade negativa – é visto como uma manifestação de patrioteirismo arcaico e obsoleto, mas na vitória de Miguel Oliveira na Estíria – o que se aprende de geografia com o desporto – eu vi um triunfo à portuguesa, cheio de ratice, inteligência intuitiva e aproveitamento dos erros alheios. Enquanto os dois pilotos que iam na frente estavam entretidos na sua particular disputa, Oliveira esperou pelo momento certo, por uma, como agora se diz, “janela de oportunidade”, e, deixem-me cá pensar num termo adequado, papou-os, comeu-os de cebolada, comeu-lhes as papas na cabeça. O mérito é individual, sem dúvida, e não é por Miguel Oliveira ser muito bom que os portugueses são automaticamente “os melhores”. Mas é impossível ver aquela ultrapassagem, aquela “ratada”, e não sentir uma emoção epidérmica e, ao mesmo tempo, profunda, talvez atávica, mas nem por isso menos legítima, idêntica à que sentimos quando Fernanda Ribeiro triunfou em Atlanta ou quando Éder marcou o golo mais importante e mais improvável da história do futebol português em Paris. Foi uma coisa linda de se ver – quantas vezes podemos dizer isto de um desporto motorizado?

A novela Cavani
As reacções à novela Cavani, ao vem-não-vem, às narrativas paralelas de jactos para Paris e férias em Ibiza, qual filme de espionagem internacional, mostram que o talibanismo e a toxicidade vieram para ficar. Podem acabar com os programas de grunhos engravatados, com as exibições televisivas de testosterona e macho-alfismo sempre no limite da violência e muito para lá de qualquer contenção verbal e dever de urbanidade, que o mal já está entre nós. Gozar com os infalíveis papas da nossa fé? Achar ridícula, além de incoerente, para a realidade do nosso futebol a contratação milionária de um jogador? Logo descem das árvores e saltam das grutas os pitecantropos de todas as cores armados de fervor clubístico e iliteracia para carregar sobre os hereges. Cartilheiros? Os clubes não precisam de cartilheiros. Para quê pagar a alguém quando se tem ao dispor um exército de voluntários acéfalos?"

Academia do Sachal


"A Academia do Seixal tem sido um dos pilares onde passado, presente e futuro se cruzam para dar corpo a essa noção de sustentabilidade, de geração de talentos e de valorização dos activos.

Sachar - Cavar com o sacho; mondar com o sacho.

O Benfica tem uma centralidade na atenção e nos media sem comparação. O Benfica dá audiências, vende jornais e gera interesse. É por isso que se inventa tanto e que quase tudo é pretexto para engendrar uma razão para falar do clube. Os outros roem-se de inveja. Este potencial e posicionamento é o resultado de um trabalho de anos, de consolidação de um projecto de sustentabilidade do clube face à realidade nacional, às dinâmicas das modalidades e à sociedade portuguesa. cc. Alguns por conveniência das circunstâncias do momento pré-eleitoral no Sport Lisboa e Benfica têm insistido em estratégias de campanha entre o acantonar Luís Filipe Vieira no passado e abocanhar o trabalho realizado que permitiu a centralidade que agora gera tanto interesse e cobiça. Agora, depois de anos de concordância ou de ausência, está tudo mal, lançando-se num esforço desesperado de encontrar momentos de baú que certifiquem o amor ao Benfica nestes anos que passaram e até visionárias visões sobre o presente. “Cada cavadela, cada minhoca”, num impulso desesperado que transformaria a Academia do Seixal em Academia do Sachal, tal é a ambição em esgravatar, a bel-prazer dos adversários e dos media.
É dos livros que uma eleição tem em conta o desgastar de quem está no poder e a afirmação das propostas alternativas, mas o espectro que tem emergido é do bota-abaixo do “está tudo mal”, da boleia dos processos judiciais em aberto e do desespero em sustentar a agenda mediática com desafios, reptos e guinchos que visam a alteração das regras do jogo que existem e existiam. O tempo dedicado à afirmação das propostas alternativas é residual. A orientação é clara, “É preciso implodir o Vieira” para abrir caminho às alternativas, mesmo que isso signifique fustigar a instituição Sport Lisboa e Benfica, colocar tudo em causa e desqualificar o muito que foi conseguido ao longo dos anos, incluindo os do actual mandato.
As próximas eleições no Benfica são mesmo sobre o futuro. Sobre querer correr riscos com aventureiros que modelaram o seu posicionamento em função do seu lugar “na linha de sucessão” ou se ausentaram durante os anos de consolidação do projecto do clube, em qualquer dos casos com tiques de elitismo e de preconceito em relação às origens das pessoas. Sim, o Sport Lisboa e Benfica não é um alforge de criminalidade organizada de outras latitudes, mas também não tem de ser casa de acolhimento de turmas do croquete de outras longitudes. O Benfica tem de continuar a ser o que tem sido. Intemporalidade e diversidade, num caminho de consolidação do caminho percorrido, tão das Casas do Benfica como das elites ou das pseudoelites; tão do ecletismo das modalidades como do futebol; tão da memória como da preparação para os desafios do futuro.
O drama de alguns, é que o Benfica nunca esteve tão sólido e tão presente como agora.
Sólido nos pilares de gestão e de infraestruturas que permitem a geração de condições para os atletas poderem brilhar, envergando a camisola do clube.
Consolidado numa presença diversificada nas modalidades com crescentes preocupações com a participação do género feminino, apesar do actual contexto pandémico que limita e coloca entraves à formação e às modalidades ditas amadoras.
Presente no território nacional e no mundo através do papel fundamental das Casas do Benfica, da Fundação Benfica e das Escolas de Formação que dão expressão ao enorme potencial do projecto como instituição e como marca. No tempo actual querer questionar a afirmação de uma dimensão empresarial do clube, quase por contraste com a carolice de outros tempos, é ridículo. É tão ridículo que não tem em conta que foi Luis Filipe Vieira que resgatou para a órbita do património do clube, o Estádio e a BTV. 
Presente na afirmação de uma gestão que tem em conta o património histórico do clube, os desafios presentes e o futuro, procedendo aos ajustamentos necessários da estratégia como sempre aconteceu, com anuência e sem alarme. É assim em qualquer empresa, escritório de advogados ou instituição em que nem sempre tudo corre como previsto nos resultados, nos processos judiciais ou nas metas. É nesses momentos que os líderes, com a experiência e o conhecimento da realidade, avaliam a situação e ajustam a estratégia, os modelos de gestão e os impulsos de ação. É o que foi feito ao longo de anos e continua a ser feito. Lá porque há eleições e os deserdados desatam a dizer mal de tudo, mesmo daquilo em que participaram, os ausentes desesperam por afirmar uma presença que lhes confira notoriedade e proliferem interessados em relação a uma instituição que na suas palavras teve uma gestão insuficiente, não significa que se deixe de fazer o que sempre se fez. Avaliar, ajustar e concretizar para voltar a ter êxito.
O tempo não está para aventuras, nem para dar alento aos detratores do clube. O Benfica tem uma centralidade na sociedade portuguesa que deve ser continuada, com solidez, com diversidade e com sentido de futuro. Tudo que falta a quem quer fazer das eleições um bota-abaixo do trabalho realizado e, por essa via, da instituição Sport Lisboa e Benfica. As regras existem e são claras, é focarem-se na apresentação das alternativas em vez do bota-abaixo, dos lancinantes desafios e de truques. Fazer tudo diferente é abrir portas aos Vale e Azevedo desta vida. Fazer algumas coisas diferentes é melhor que seja feito por quem sabe. Outubro é sobre o futuro, sem regressos de outros passados que tanto custaram a ultrapassar.

Notas Finais
Pérolas a Porcos
A pequenez é uma reserva mental que impede e impedirá sempre quem ganha de ser grande. O actual contexto poderia suscitar algum ajustamento evolutivo, mas não. O Twitter do F.C.Porto após a final da Youth League em que participou o Sport Lisboa e Benfica é a prova de que podem dar pérolas a porcos, mas há quem nunca consiga sair do meio em que está confortável.
O Algodão Não Engana
A Liga Portugal, agora ainda mais em tons de azul, fez a sua gala e conferiu o Prémio Prestígio a Valentim Loureiro. É impressivo e está tudo dito sobre a cotação do prestígio na instituição.
Um Suponhamos
Suponhamos que o Benfica tinha uma mão cheia de jogadores que não renovavam, não comprava nem vendia, tinha um jogador que não treinava com a equipa há meses e não pagava as dívidas de transferências passadas. Caía o Carmo e a Trindade mediáticas, mas assim não passa quase nada."

Rescaldo...

Benfica After 90 - Rivals, Sporting...

A actividade física e desportiva... em nome da vida!... (1)


"Dada a necessidade imperiosa de nos dias hoje invocar esta temática, tendo em conta o quase desprezo com que os responsáveis pela gestão do desporto como elemento primordial para a saúde e bem estar da nossa população a isto nos condiciona, aproveitando o “defeso” das competições desportivas, irei defender em quatro ou cinco artigos o que importa, no sentido provocar um meia culpa pela atrevida iliteracia que se dissolve ao longo dos tempos, muito em especial quando não cheira a eleições, dessa tropa que se vai aconchegando nas cruzetas do poder.
Farei nestes primeiros artigos (1, 2 e 3) uma análise histórica e evolutiva da prática da actividade física e desportiva, obviamente de forma muito circunscrita ao resumo da mesma.
Fazendo uma viagem no tempo, as actividades físicas começaram por ser indispensáveis à vida do homem pré-histórico.
As largas caminhadas davam-lhe a resistência nas marchas; a necessidade de perseguir a caça ou de fugir ao inimigo, emprestavam-lhe velocidade nas corridas; a imposição de acertar no alvo, quase sempre móvel, dava-lhe destreza; as valas e precipícios exercitava-os nos saltos; o refúgio ou procura de frutos em altas árvores, ensinavam-lhes a trepar…
A vida simples mantida pelos recursos que a natureza lhe proporcionava, levava o homem primitivo a obedecer àquela lei da fisiologia. “o movimento continuado e repetido desenvolve os órgãos e aperfeiçoa as funções” – o carácter utilitário do exercício!...
A partir de 2000 anos a.C., pelas pinturas e desenhos encontrados, se podem reconstruir as actividades físicas que figuravam entre os costumes das várias povoações: exercícios gímnicos, arco e flecha, corrida, salto, os arremessos, a equitação, esgrima, a luta e boxe, a natação, o remo, corridas de carros, danças, traduzem a intensa exercitação na civilização egípcia.
Os Hebreus manejavam com destreza o arco e a flexa, arremessavam a lança, brandiam a espada usando gritos ensurdecedores antes de atacar, quer para elevar a moral, quer para atemorizar os adversários.
Entre os Persas e segundo Heródoto, ensinavam-se fundamentalmente três coisas às crianças: montar a cavalo, atirar o arco e dizer a verdade.
Na antiguidade clássica merece-nos importância especial a civilização Espartana, cujo objectivo era formar soldados corajosos, valentes que defendessem galhardamente a Pátria. Por isso, o exercício era exclusivamente destinado a fortalecer corpos robustos para a guerra, não esquecendo de seleccionar um conjunto de actividades tendentes a formar mães fortes, para gerar filhos fortes para o combate.
Por outro lado, a civilização Ateniense distinguia alguns princípios: o corpo deverá subordinar-se à alma racional (não devemos esquecer que a alma racional para Platão, é substância completa, espírito puro, anterior ao corpo, com o qual se une acidentalmente). A actividade física deverá proporcionar saúde, força e beleza, com nítidas preocupações higiénicas, estéticas e recreativas.
É importante referir (estamos agora em 460 a.C.), o método de Hipócrates, o médico mais notável da antiguidade. Contemporâneo de Platão e Aristóteles, criou um método e cura de doenças, que até podemos chamar de pré-científico, pois prescrevia a corrida como um meio curativo: “Esta far-se-ia sobre a ponta dos pés e com balanço alternado dos braços. Integrava ainda a dieta, banhos frios e a vapor como forma terapêutica e dietética”.
Na civilização Grega, com o uso de grandes jogos e festivais, as práticas físicas e desportivas foram um dos factores mais importantes para a unificação da Grécia. Dentro de todos os jogos, merece-nos referência os Olímpicos, realizados em Olímpia em honra de Zeus, dedicados à força e beleza física do homem. Realizavam-se de 4 em 4 anos, começando por durar 1 dia e mais tarde 5 dias, cujo vencedor recebia uma coroa de oliveira, sendo-lhe permitida a entrada pela porta secreta da cidade, erguendo-se-lhe uma estátua.
Conta-se o ano de 776 a.C. como sendo a data da primeira olimpíada e o ano 303 da era cristã a suspensão dos jogos pelo imperador romano Teodósio, como oposição ao exclusivo do corpo e dos deuses e como antítese do cristianismo.
Seguindo no tempo, entramos na civilização romana. Para as actividades físicas, efectua-se a construção de anfiteatros, onde as lutas de gladiadores e os combates com feras tinham lugar. O regresso dos legionários e a consagração pelos seus desempenhos, o abandono dos campos devastados, tomou Roma com uma elevada população esfomeada, que insistentemente pedia pão e circo.
Importa referir nesta época, Galeno, médico estudioso da obra de Hipócrates. Aplicou a educação do físico à medicina, criando a ginástica médica (129-199 d.C.). Dizia: “A cada indivíduo, segundo as suas características, deveria corresponder um conjunto de exercícios também específico”. Para ele era muito importante associar o termo saúde ao prazer do movimento!... Como vemos na distância do tempo o anunciar das causas de bem realizar o exercício que ainda hoje, infelizmente, tantos exemplos de flagrante ataque à saúde de quem ultrapassa a regra de ouro: em termos de exercício e actividade física fazer o que não deve ser feito ou fazê-lo de forma inapropriada são males do mesmo tamanho!...
(continua)"

Há mais Benfica na Luz


"Uma bem conseguida etapa inaugural, na primeira aparição pública do Benfica a fazer recordar marcas de Jorge Jesus de outros tempos:
a) Um Benfica ultra pressionante que não permitiu ao adversário jogar;
b) Coordenação da última linha já com trabalho de pormenor – Movimentos de encurtar, baixar – Posicionamentos em Largura e Profundidade;
c) Exploração do último terço em Ataque Posicional com muita presença ofensiva.
Alinhamento Defensivo Rigoroso
Notas soltas da partida:
- Taarabt a um nível bastante elevado ofensivamente, e muito disponível defensivamente – Está longe de ter a “rotação” que Jesus exige na posição, mas enquanto a fadiga não chega é claramente o homem mais capacitado do actual plantel para a posição;
- Pizzi embora nunca se venha a tornar um jogador competente defensivamente mostrou maior agressividade do que alguma vez o tenha feito nos últimos cinco anos – “Quando o futebol for como o Andebol joga sempre, quando for a atacar jogas, quando for para defender sais” Jorge Jesus. Já não é o jogador com bola de outrora, por demasiado ineficiente em zonas e gestos de criação, mas esteve bastante melhor na participação no carrossel encarnado no último terço;
- Tremenda a facilidade técnica de Cebolinha – Todas as suas acções técnicas parecem ser realizadas sem o mínimo esforço – Tudo natural, fluído, eficiente e eficaz – Vai ter um impacto gigante no último terço na Liga NOS;
- Luka e Chiquinho com pequenos pormenores na forma como executam – Recebem, Decidem – Entregam que permitiram perceber a fluência que podem dar ao jogo no último terço – Facilitam o jogo aos colegas, permitem que seja mais fácil instalar no meio campo ofensivo e com isso amarrar adversários atrás;
- Continua a faltar um ponta de lança com qualidade ao Benfica. Seferovic é esforçado e ajuda no plano defensivo, Vinícius finaliza bem. Em tudo o mais, não acrescentam e estão abaixo do nível da equipa; 
- Diogo Gonçalves a fazer recordar Toto Salvio – Forte fisicamente, potente, desequilibrador em condução e drible, e com chegada à zona de finalização – Tem condições para ser uma surpresa na temporada;
- Gilberto a denotar alguns problemas em perceber distâncias óptimas para adversário em situação de 1×1 defensivo – Deu demasiado espaço! Melhor na coordenação com a linha."

Vermelhão: Luz...

Benfica 2 - 1 Bournemouth


Estreia à 'porta aberta', somente com duas contratações no 11 inicial, mas com diferenças na forma como jogámos! A principal nota foi a pressão alta, muito alta, durante muitos minutos... Eu sei que esta pré-época é atípica, mas manter este ritmo durante tanto tempo surpreendeu-me... E como estamos perto do primeiro jogo oficial, que vale muito 'dinheiro', é importante demonstrar boa forma logo desde início!
Problemas nas transições defensivas, e no ataque organizado... Notou-se a intenção de jogar rápido e 'directo', quando ganhamos a bola, mas ainda faltam 'automatismos' principalmente com os novos jogadores... A opção do Pizzi no 'meio' como segundo avançado, só poderá ser útil em alguns (poucos) jogos! Boa entrada do Digui (Gonçalves)...
Dois grandes golos, o Adel a fazer aquilo que deve fazer mais vezes; o Everton a marcar um golo típico, que se tudo correr bem, irá ser 'normal'!!!

Destaque ainda para o senhor António Nobre: uma vergonha!

Faltam reforços: defesa central (o Jardel está sempre lesionado), defesa esquerdo, '8', 2 avançados... pelo menos estes!

domingo, 30 de agosto de 2020

Gonçalo Ramos | Que planos para o jovem goleador do SL Benfica?


"Gonçalo Ramos: nome em voga, nome de goleador cada vez mais prolífico, nome de jogador cada vez mais completo. O jovem formando do SL Benfica tem vindo a inserir, por direito próprio, o seu nome na discussão do plantel com que as águias vão atacar a próxima temporada.
Numa fase em que é cada vez mais patente que haverá pouco espaço nas opções de Jorge Jesus para jovens da formação (excepção feita a Rúben Dias e, eventualmente, Ferro e Florentino), o olhanense de 19 anos vê a sua inclusão no grupo de trabalho dificultada. Dificuldade acrescida pelo facto de ainda não estar integrado nos trabalhos de pré-época, no qual se podia mostrar ao novo técnico dos encarnados.
Contudo, Ramos tem demonstrado, além da sua enorme qualidade, vontade e paixão para representar o SL Benfica em qualquer escalão. Como tal, não teve problema algum em “descer” aos Juniores para ajudar na tentativa de conquistar a UEFA Youth League, mesmo após se ter estreada de forma brilhante pela equipa principal, bisando em sete minutos.
Na prova europeia de sub-19, Gonçalo Ramos apontou oito golos, os mesmos do italiano Piccoli, da Atalanta, e ainda somou três assistências. As estatísticas e as exibições superlativas levaram a UEFA a atribuir-lhe o prémio de Melhor Jogador da Competição. Com isto, o polivalente futebolista somou, por certo, muitos pontos junto de JJ e da estrutura encarnada, já familiarizada com a sua qualidade.
A sua polivalência pode ser o seu maior trunfo na cartada que o olhanense jogará por um lugar ao sol na quadra encarnada que, consta, ainda será bastante reforçada. Não será fácil, ainda assim, mas as inúmeras funções que Ramos desempenha com qualidade e maturidade dão-lhe alguma vantagem em relação a outros projectos do Seixal que poderão vir a ser aposta, como Tiago Dantas, Paulo Bernardo ou Tiago Araújo.
Gonçalo começou a ser moldado como médio-centro, com especial enfoque nas funções de um “8” relativamente moderno – mais chegada à área sem bola e menos transporte a mesma até lá, mais técnica e menos robustez física e capacidade de choque. A facilidade e eficiência que demonstrava nas aproximações à área e a eficácia com que finalizava foram certamente duas das premissas que levaram os técnicos dos escalões de formação, de forma concertada, a fazer avançar Ramos no terreno.
De “8” passou a “10”, de “10” passou a “9,5”, de “9,5” passou a “9”. Cumpre em qualquer das posições ainda, mas é cada vez mais indiscutível que Gonçalo Ramos pode ser o futuro avançado de classe mundial do Sport Lisboa e Benfica. Importa, assim, gerir bem as expectativas e a progressão do “matador” de 19 anos apenas. O primeiro passo é decidir o papel de Ramos na época 20/21.
A venda, naturalmente, está fora do leque de opções. A titularidade na equipa principal é de difícil alcance. Resta o empréstimo ou a inclusão no plantel como uma das opções secundárias para a frente de ataque – alinhando na equipa B regularmente. Tendo em conta a forma como o jovem tem agarrado as oportunidades e a polivalência que ninguém no plantel garante como ele, a segunda é a melhor hipótese.
Assim, Gonçalo Ramos deve – ou devia – ser já esta época integrado nos trabalhos da equipa principal, descendo à equipa B apenas para jogar, caso as oportunidades para ter minutos na principal equipa escasseiem. Será, acredito, a melhor forma de fazer progredir o atleta e de garantir um reforço a custo zero que pode dar à equipa o que poucos podem: finalização, mobilidade, alcance de terreno pisado, ligação entre os dois últimos terços do campo, trabalho incansável e vontade de honrar o nome Sport Lisboa e Benfica. Não é para todos."

De Paula na rota encarnada


"O Sport Lisboa e Benfica de Jorge Jesus continua forte no ataque ao mercado de transferências. Após as chegadas de Gilberto, Everton Cebolinha, Luka Waldschmidt, Pedrinho, Jan Vertonghen e Helton Leite, as transferências no clube da Luz não parecem terminar por aqui.
Até ao momento, em contratações, o Benfica já gastou cerca de 70 milhões de euros, sem contar com Vertonghen que assinou a custo zero. Bem, parece que o investimento de Luís Filipe Viera não ficará por aqui e que mais jogadores chegarão a Lisboa nos próximos tempos.
Um dos nomes mais falados recentemente é o de Patrick De Paula, médio defensivo brasileiro de apenas 20 anos. Os valores da transferência rondarão, supostamente, os 18 milhões de euros por 80 porcento do passe do jovem médio.
De Paula tem sido apontado como uma das melhores jovens promessas do Brasil, falando-se até que estará para breve uma chamada à convocatória de Tite para representar os canarinhos. No Palmeiras, Patrick de Paula é um dos destaques, levando até dois golos em 16 jogos nesta temporada.
No plantel do Sport Lisboa e Benfica encontraria a concorrência directa Julian Weigl e, em zonas mais avançadas, Taarabt, Gabriel e até Pizzi. Assim sendo, e a confirmar-se a transferência de De Paula para a Luz, deverão existir saídas no miolo do SL Benfica, e Jorge Jesus poderá até apostar em jogar com dois médios defensivos, fazendo uma parceria Weigl/De Paula.
A sua versatilidade na zona do meio-campo faz de Patrick De Paula um alvo apetecível para o Benfica de Jorge Jesus. Pode actuar como médio defensivo, mas também pode ser um médio “box-to-box”, capaz de jogar em espaços curtos e transportar a bola para zonas mais avançadas no terreno.
De Paula é capaz de se movimentar por todo o campo, tendo a capacidade não só de criar oportunidades de golo, bem como as finalizar. As bolas paradas são uma das especialidades do médio brasileiro que tem muito sentido de baliza e faro de golo. Na temporada transata apontou dez golos em 50 jogos pela equipa de São Paulo.
A sua tenra idade fazem dele um dos jovens jogadores mais apetecíveis do Brasileirão.
Em declarações à Antena 1, De Paula garantiu “estar tranquilo” e que é preciso esperar para ver o rumo que as negociações tomam. As negociações foram também confirmadas por Anderson Barros, director para o futebol do Palmeiras e terão, como intermediário, Giuliano Bertolucci que é o empresário do jogador e que tem boas relações com os encarnados, uma vez que é até o agente de Everton Cebolinha. 
Assim, Patrick De Paula seria uma boa adição ao plantel do Sport Lisboa e Benfica embora o sector do meio campo esteja bastante “povoado”. A verdade é que De Paula parece ter um futuro bastante promissor e Jorge Jesus poderá ser o treinador que o jovem necessita para desenvolver o seu jogo."

João, Miguel & Pedro... Trio!

O pai não é pescador e Miguel esteve naquela última curva


"Nas motos não há retrovisores, os espelhos são os instintos e o que está decalcado nas entranhas de cada piloto, escrevo eu, que nunca sentei o traseiro sobre duas rodas capazes de acelerar até aos 300 km/h e jamais sentarei. Essas tripas de inconsciência perante a velocidade terão talvez feito Jack Miller pensar que, bloqueando a ultrapassagem de Pol Espargaró por fora, travando também tarde para o empurrar além pista, estaria a defender-se com mestria do derradeiro ataque, dali faltando apenas um endireitar da moto e uma última contorção de pulso para garantir o primeiro lugar no Grande Prémio da Estíria, numa lógica tão lisa como o são os pneus e a pista que confluem no MotoGP.
Mas, como tantos maravilhosos 'mas' no desporto que nos fazem maravilhar e nos agarram, atrás vinha o português, esperto enquanto se aproximava da picardia que o precedia, paciente quando manteve a trajectória e glorioso ao acelerar assim que as consequências da luta alheia lhe abriram o caminho para, voltando a pegar na minha ignorância, poder desenfrear os gestos que todo o piloto dedicado a esta categoria de motociclismo deve sonhar: abanar o corpo agarrado ao guiador, soltar um braço em gancho, contorcido pela força da alegria, socando o ar e presumivelmente enchendo o capacete de berraria festiva.
Miguel Oliveira ganhou uma corrida de MotoGP, um português logrou o que nunca um português conseguira.
Ele nasceu num país pequeno em território, em número de gente e em dinheiros para apoiar outras modalidades que não o futebol todo-conquistador de afectos, como o é na maioria dos países no planeta redondo que se arredondou neste gosto, que afunila a atenção mediática, uma e outra vez, para a mais circular das bolas, mundialmente gerida pela FIFA, organização em que há mais membros (211) do que países reconhecidos pelas Nações Unidas (195). É um círculo vicioso ao qual, esta segunda-feira, os três jornais desportivos portugueses escaparam, engrandecendo nas primeiras páginas quem escapou, ainda imberbe, ao que teria sido um gosto natural por futebol.
Miguel Oliveira ganhou na última curva do Red Bull Ring, na Áustria, no circuito da marca que patrocina o português e a Tech3, equipa de segunda da KTM, ultrapassando o piloto sentado na moto da equipa principal da construtora - Espargaró, que substituirá na próxima época - porque, obviamente, é um grande piloto, foi o maior deles todos no domingo, mas, eis o 'mas', sobretudo porque era ele ainda canalha, como se diz na terra de onde vem a Lídia Paralta Gomes, que segue e percebe de motociclismo bem mais do que eu, e o pai deu-lhe um exemplar de corrida de duas rodas que o agarrou à paixão do progenitor, já ele um divergente no gosto desportivo generalizado de um país, que ensinou e deu condições ao filho para também ele apanhar o gosto e tornar-se no melhor português de sempre a aparecer no motociclismo.
E Miguel começou por ser o mais lento em todas as corridas nas quais participou, na primeira vez em que correu o circuito nacional de velocidade. Já se espetou várias vezes e cicatrizes tem que o provem. Diz que não tem medo da quase inevitabilidade de cair em pista, da única vez que com ele falei até tentou explicar que é quase como desligar um botão mental do medo e acelerar por aí fora, esquivando-se de outros motos e tentando ultrapassar um contexto que sempre estaria contra ele, por se ter dedicado, como o pai, a uma modalidade sem tradição na cultura desportiva portuguesa. "Se tivesse sido pescador, hoje estaria a pescar", confessou o piloto, num perfil que lhe filmaram há tempos, remetendo, sim, para o que é bem mais português do que andar montado em cima de uma moto a desafiar a sorte com velocidade.
Bem português, claro, é o futebol, e honra teve Portugal e Lisboa em acolherem a fase final improvisada da Liga dos Campeões. A final jogou-se no mesmo dia de Miguel Oliveira e o PSG inflacionado pelos milhões de injeção qatari perdeu com o Bayern de Munique milionária por tradição. E Neymar, o mais caro dos futebolistas por quem uma fortuna foi paga para inspirar o clube até a vitória que nunca estivera tão perto, chorou copiosamente, talvez porque o brasileiro é cobrado e escrutinado como ninguém e ele exigem costas larguíssimas para lhe caberem nas cavalitas todo um desejo que continua a canalizar investimento para Paris.
Não é uma nota de rodapé, nem poderia ser, mas, puxando dos 'mas', a Champions não teve um clube ou jogador português presente em estádios sem gente para os ver, apesar da pomposa magnitude com que a competição foi apresentada, a meio de junho, com Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Fernando Medina, Eduardo Ferro Rodrigues e Fernando Gomes a discursarem na cerimónia. A prova, vendida pelo primeiro-ministro como "uma vitória antecipada para todos os portugueses", um prémio inexistente que premeia ninguém, já foi jogada, e nenhuma das figuras então presentes veio, nos dois meses já passados, dizer, por exemplo, se haverá, ou não, futebol de formação na próxima época. 
Qualquer miúdo ou miúda que jogue futebol em qualquer clube prefirirá jogar futebol do que apenas vê-lo, ainda por cima só pela televisão. Mas o futebol de formação não é a Liga dos Campeões."

Mulher atleta e gravidez


"Nos últimos anos, a presença feminina no desporto registou um aumento notável. Tomemos como exemplo o caso dos Jogos Olímpicos de Londres, onde 44% dos atletas participantes eram atletas femininos.
Certamente que tal facto significa um grande avanço no que toca à igualdade de género na prática do desporto de alta competição. Foquemo-nos agora na percentagem dentro destes 44% de mulheres. Quantas eram mães? Embora não se consiga obter um número concreto, é com segurança que se pode afirmar que a percentagem é muito reduzida, por vários motivos. Comecemos por analisar as dificuldades que o desporto de alta competição pode originar na gravidez.
Citando a especialista em medicina reprodutiva e directora do Fertility Medical Group de Campo Grande, Suely Resende, “embora o sedentarismo seja um problema de grandes proporções, a prática de exercícios físicos intensos pode dificultar uma gravidez, exigindo, inclusive, ajuda médica especializada para ter um bebé. Sendo assim, é muito importante intercalar um tempo de recuperação para o corpo e a mente.” Como explica Suely Resende, o stress físico e emocional pode ter graves repercussões hormonais nas atletas Olímpicas, pois a mulher atleta ainda sofre bastante com a pressão imposta não só pelos treinadores e pelos patrocínios, como também pela vontade própria de alcançar resultados. Ainda segundo Suely, os problemas mais comuns entre atletas de alta performance são: a baixa produção de progesterona, menstruações escassas ou, em alguns casos, interrupção completa da menstruação. “É válido considerar, também, outros problemas que podem agravar o quadro da paciente, como baixo peso e teor de gordura corporal, além de estados hipoestrogénicos, que podem resultar em perda prematura de massa óssea”, diz a especialista.
Não só as dificuldades na gravidez se apresentam como entrave à maternidade no desporto de alta competição, também a carência de apoios financeiros e as dificuldades em termos psicológicos têm influência.
A dificuldade começa logo no planeamento do tempo certo para engravidar. A vida da maioria dos atletas é organizada em ciclos quatro anos, de acordo com a realização dos Jogos Olímpicos. Então importa planear muito bem qual a melhor altura para engravidar, de forma a ser ainda possível regressar a tempo de estar em forma e garantir o apuramento para os Jogos.
E quando menciono dificuldades psicológicas que uma mãe atleta enfrenta refiro-me ao seu calendário desportivo, tão rigoroso, que a obriga a passar grande parte da infância do seu ou dos seus filhos longe, e por vezes, inclusive, com problemas de natureza diversa, difíceis de resolver devido à distância. Estes fatores prejudicam o rendimento desportivo, pois afectam o lado psicológico. Como todos sabemos, quando se trata de um familiar que não está bem, ficamos afectados psicologicamente, mas quando é um filho nosso a necessitar de ajuda o caso afecta-nos a um nível acima do preocupante.
Para analisar a falta de suporte financeiro basta recuarmos dois anos para verificar um exemplo da falta de apoio financeiro às atletas mães, quando, em 2018, a Nike propôs à velocista olímpica Allyson Felix um corte de 70% do salário antes de engravidar. A atleta pediu garantias de que não seria penalizada se rendesse abaixo do seu nível nos meses que antecedem e sucedem o parto, tendo recebido uma resposta negativa.
“Nós, atletas, temos muito medo de dizer publicamente que se tivermos filhos corremos o risco de os nossos patrocinadores nos cortarem o salário durante e depois da gravidez. É um claro exemplo de uma indústria desportiva onde as regras são feitas maioritariamente por homens”, escreveu, visto que não se registam casos onde entre os homens que são pais tenha havido qualquer tipo de penalização. Também Alysia Montaño e mais de uma dúzia de atletas olímpicas deram o seu depoimento no que toca à discriminação feita às mães atletas. Três meses após o artigo de Alysia Montaño ser publicado no jornal The New York Times, a Nike, assim como outras empresas, mudou a sua política no que toca às mães atletas. No entanto, tal não significa que o problema esteja erradicado. Um atleta de alta competição recebe em função do seu desempenho desportivo, verifica-se portanto uma brecha no que toca ao apoio na maternidade, pois, com excepção de alguns casos, como a manutenção da bolsa do Projecto Olímpico para as atletas que estejam integradas, uma atleta mãe não recebe qualquer tipo de apoio financeiro durante a gravidez.
Ser mãe não é o final de uma carreira, pois muitos são os casos onde se verificam resultados desportivos semelhantes e até superiores após a gravidez, como é o exemplo da tenista americana Serena Williams, que depois de ter sido mãe venceu o torneio de Auckland, sendo a segunda maior campeã da história de torneios “major”, apenas a um título de igualar a australiana Margaret Smith Court; a velocista americana Alysson Felix foi campeã do Mundo; a velocista jamaicana Shelly-Ann Fraser-Pryce foi também campeã do mundo dos 100 metros. Passando agora para alguns exemplos nacionais, eu mesma conquistei um bronze europeu, classifiquei-me no 5.º lugar no Mundial e fui aos Jogos Olímpicos de Londres; a maratonista Sara Moreira foi 3.ª na maratona de Nova Iorque; Jéssica Augusto foi 3.ª na meia-maratona de Amesterdão; a mesatenista Fu Yu obteve uma medalha de ouro nos Jogos Europeus de Minsk 2019, entre muitas outras atletas que após serem mães obtiveram resultados excepcionais, inclusive superando os resultados anteriores à gravidez. Com todos estes exemplos podemos concluir que ser mãe não significa um impedimento à prática do desporto de alta competição.
Em suma, gostaria de apelar ao incremento de apoios e até mesmo à criação de alguns novos, pois é de facto preocupante que o desporto aos olhos da sociedade não tenha a devida consideração – inclusive, o Governo demonstrou não reconhecer o desporto o suficiente, tendo-o deixado de fora do Programa de Estabilização Económica e Social. Algumas das medidas que gostaria de sugerir de modo a melhorar a situação da maternidade no desporto de alta competição são, por exemplo: a criação de um subsídio de maternidade, sendo disponibilizada ajuda financeira durante os meses de gravidez, visto que nós, mães, temos de suspender a prática da actividade desportiva; estender o seguro de saúde fornecido aos atletas aos seus filhos, sem custos adicionais nos primeiros anos de vida; existir prioridade de vaga nos infantários, dado que tanto os infantários públicos como os privados estão na sua maioria lotados - é uma necessidade para uma mãe atleta inscrever o seu filho, pois está muito ausente em competições internacionais; ajuda nas despesas, nos campos de férias, pois as férias de verão dos seus filhos coincidem com provas importantes como o Campeonato do Mundo e os Jogos Olímpicos; a clarificação do contrato de preparação Olímpica, de modo a tornar mais perceptível o tópico da gravidez e os apoios disponibilizados, nomeadamente a extensão da bolsa garantida durante o período da gravidez e do período expectável de regresso à competição, pois, volto a referir, ser mãe não é um ponto final na carreira de uma atleta mas sim uma vírgula que separa uma fase de outra."

Vantagem curta...

Benfica 28 - 26 Fivers
(15-12)

Primeiro jogo da época, no regresso das modalidades de pavilhão, com muitas caras novas, mas mesmo descontando o período de adaptação dos reforços e do treinador... mesmo descontando a falta de ritmo e automatismos nesta fase da época, notou-se a falta de profundidade no banco! Deixando a eliminatória em aberto para a 2.ª mão, quando devia ter ficado 'fechada', contra um adversário bastante acessível...

Notas sobre a pré-época do Benfica




"Vinte e sete dias já passaram desde a final da Taça de Portugal, onde um Benfica em superioridade numérica desde os 38 minutos foi capaz de perder para um FC Porto com uma garra, intensidade e querer que não foi igualado e nem uma palavra fomos capaz de ouvir da "estrutura" sobre tamanho desastre. É que não se tratou de um acidente de percurso, mas sim da cereja no topo do bolo de um descalabro, de um Titanic a afundar-se. Recordo: nos últimos 20 jogos o Benfica venceu 7, empatou 7 e perdeu 6. Um registo digno de uma equipa de meio da tabela.
E no entanto não houve uma justificação, uma palavra, um mea culpa. No dia seguinte a newsletter do clube saiu-se com um "é tempo de virar a página", que é como quem diz "é tempo de fazer de conta que nada aconteceu". Mas por mais camiões de areias chamados Jesus e Cavanis que nos atirem para os olhos, continua por explicar como um Benfica a respirar aparente saúde financeira foi capaz de perder 2 campeonatos em 3 para um FC Porto intervencionado pela UEFA. Se não dizem eles, digo eu: incompetência. Complacência. Arrogância. E mais algo que se terá passado nas quatro paredes daquele balneário que algum dia venhamos a saber.
Mas viremos então a página. Jorge Jesus, de quem LFV dizia em 2016 que com ele "não era possível preparar o futuro" está agora de volta e jogadores como Vertonghen de 33 anos chegam à Luz. Isto apesar do mesmo LFV dizer há 4 anos que "vamos passar a comprar muito menos e o Benfica de agora não vai investir no Aimar e no Saviola como fez no passado" O que mudou então? Muitos dirão: o petróleo que o Benfica aparentemente agora encontrou está relacionado com as eleições em Outubro. Até porque em 2018 podia-se ter conquistado um inédito Penta, mas aí a ordem foi vender e nada gastar. Recordemos então mais uma vez palavras de LFV, desta vez em Setembro de 2019: "Se estivesse aqui um demagogo qualquer, queria era investir para apresentar uma super equipa, mas imaginem que aquilo não resultava? A queda era grande." Sorte então a do Benfica que não tem um demagogo...
Cavani foi uma paixão de verão que parece ter terminado em divórcio. Nisto não critico ninguém. Não foi possível, mas gosto de ver o Benfica atrás deste tipo de jogadores. Antes isto que contratações que ninguém entende como Cádiz ou Yony González. De qualquer maneira, Vertonghen, Everton e Waldschmidt parecem ser excelentes reforços e Jorge Jesus é a garantia de qualidade, intensidade e exigência. Tudo aquilo que o Benfica precisava. Sinto-me entusiasmado para a temporada 20/21. Independentemente das razões e do timing, o Benfica parece estar a mexer-se bem este ano. Mas precisa de se mexer mais.
O FC Porto escreveu um tweet muito infeliz a gozar com a derrota Benfiquista na UEFA Youth League. Nem os miúdos se safam desta rivalidade atroz que os dois clubes vivem. É uma rivalidade feia e o Benfica também não está isento de culpas. Ainda hoje não sei o que me envergonha mais, se o FC Porto ter sido campeão na Luz em 2011 ou o que se seguiu, com as luzes apagadas e o sistema de rega ligado. O clube nortenho vive desta gasolina do "contra tudo e contra todos" e faz do Benfica o seu sol, mas o maior clube Português tem que ter outra matriz e responder de maneira diferente. Como? Dou um exemplo do passado: Em 1988 Pinto da Costa "roubou" Rui Águas e Dito da Luz e gozou o prato dizendo que o próximo treinador do Benfica seria o Papa, porque os do Benfica eram uns anjinhos. João Santos respondeu contratando Ricardo Gomes, Valdo, Vítor Paneira e Vata e o Benfica acabou campeão com 7 pontos de avanço (com a pontuação de hoje seria algo como 13 pontos), para um FC Porto que nada venceu esse ano. É assim que o Benfica tem que voltar a responder: não nos tweets, não nas newsletters, não nas capas de jornais, mas no campo. Ao longo do campeonato e no confronto directo. Investindo tudo o que tem aí. Sendo superior porque tem melhores jogadores e porque, ao contrário de Coimbra, iguala ou superioriza no querer, na garra e na intensidade um rival que será sempre fortíssimo e duríssimo. Isso sim, é responder à Benfica."