Últimas indefectivações

domingo, 16 de junho de 2024

Benfica, um entreposto comercial


"O relatório da EY sobre a gestão de Vieira revela práticas de gestão que, se não são crime, são moralmente condenáveis. E a pressão sobre Rui Costa aumenta.

Finalmente, é divulgada a auditoria forense realizada pela EY ao consulado de Luís Filipe Vieira no Benfica, já pronta desde maio, e agora enviada ao Ministério Público. E o que se lê não é bonito. O Benfica é um clube de futebol, mas foi também um entreposto comercial de jogadores de qualidade mais do que duvidosa e que serviu apenas para a circulação de enormes transferências financeiras para sociedades offshore sem identificação do último beneficiário e para pagar milhões em comissões.
A auditoria foi pedida por Rui Costa, uma inevitabilidade depois dos processos judiciais que atingiram o antigo presidente. Qualquer analista independente — ou mesmo os mais fervorosos adeptos anti-Vieira — têm de reconhecer que o clube estava no chão. Luís Filipe Vieira recuperou o orgulho benfiquista, e as contas também. Mas esse passado, como o de Pinto da Costa no FC Porto, não é nem pode ser uma via verde para gerir o clube sem prestar contas, sem cumprir regras, sem cumprir estatutos ou cuidado de garantir uma boa governação do clube e da Sociedade Anónima Desportiva e de os proteger de conflitos de interesse e de uma obrigatória e saudável separação entre negócios privados e do Benfica.
A EY analisa o período de 2008 a 2022, e começa pelo fim, pela conclusão: “Não identificamos nenhuma situação ou particularidade em que a SAD do Benfica tenha sido lesada por qualquer um dos seus representantes”. Mas as mais de 150 páginas que se seguem dizem-nos outra coisa. É claro que a expressão usada pela consultora tem uma dimensão forense, judicial, escrita com pinças, como os chamados ‘disclaimers’ iniciais sobre as condições em que a auditoria foi feita. Com acesso a documentos do Benfica, e até às caixas de email dos gestores sob análise, mas sem condições para verificar ou comprovar a fiabilidade daqueles documentos.
As conclusões, reveladas pelo ECO em primeira mão (aqui, aqui e aqui), mostram práticas dificilmente alinhadas com os interesses do Benfica, pelo contrário. Aqui ficam algumas das conclusões da auditoria a 51 transferências de jogadores de um total de mais de 175.

Jogadores que nunca chegaram a jogar pela equipa principal do Benfica, e não foi um nem dois, foram 15 do total de jogadores analisados. Comissões muito acima das guidelines da FIFA, contratos assinados por apenas um membro do conselho de administração, negócios com sociedades offshore sem que se conheçam os beneficiários últimos. É preciso mais?
A EY salienta, na auditoria, que os resultados contabilísticos de todas estas operações geraram mais-valias. O saldo é positivo a favor da Benfica SAD, em 97 milhões de euros – 108,883 milhões em transações com resultados positivos (lucro entre compra e venda dos passes dos jogadores) e 11,8 milhões em transações com resultados negativos. Mas estes números dizem pouco, ou não contam toda a história. Em 51 transferências, mal seria se o Benfica não tivesse registado mais-valias. O problema são aquelas que não fazem capa de jornal, que passam debaixo do radar, e que dão prejuízos, e também comissões.
Rui Costa está numa encruzilhada. Poderia ter feito um corte com o passado, mas arrisca-se a ser o Marcello Caetano do Benfica, que tentou fazer a ponte entre dois regimes, sem causar estragos, e acaba a ser cúmplice de uma degradação institucional que ganhou outra relevância com a demissão de Luís Mendes, o gestor que levou para a SAD quando assumiu a presidência. Se outros gestores executivos apresentarem a demissão nos próximos dias, coisa provável, o presidente do Benfica vai ter de avaliar a necessidade de ir a votos mais cedo para validar o seu projeto desportivo e de gestão, o chamado associativismo e a sua influência na dimensão empresarial, e o modelo de governação que definiu ou que está a deixar que definam por si."


Nem a tempestade branca abafou as gaitas de foles


"Talvez não fosse de esperar tanto de uma Alemanha que tem andado a tropeçar nos próprios pés em muitos dos jogos realizados nos últimos anos.

MUNIQUE – Fantástico Tartan Army! Formidáveis adeptos, os escoceses, que mesmo assistindo à tempestade branca alemã que esfarrapou por completo a sua equipa no Allianz Arena nunca pararam se soprar nas suas gaitas de foles nem deram descanso às gargantas que, na certa, pela noite fora, irão sorver litros e litros de cerveja. Talvez não fosse de esperar tanto de uma Alemanha que tem andado a tropeçar nos próprios pés em muitos dos jogos realizados nos últimos anos. Talvez também não fosse de esperar tão pouco de uma Escócia completamente atropelada pelo seu adversário, a tal ponto que, ao terceiro golo, o de Havertz (45+1m) de penalti, depois dos de Wiertz (10m) e de Musiala (19m) e da expulsão barroca de Porteous (44m), pairou no Allianz Arena de Munique a sensação de que vinha aí um cabaz à moda antiga. Não foi assim. A habitual insaciabilidade germânica por golos e mais golos, que trata os oponentes com uma crueldade ímpar na história do futebol, aquietou-se. A tempestade foi-se diluindo num jogo de passe e repasse que serviu para ir embalando os escoceses da direita para a esquerda e da esquerda para a direita. A certo ponto, todos pareciam felizes. Os da casa com o resultado dilatado, os que vieram lá do norte da Britânia alegres como sempre exibindo os seus saiotes e dando largas aos seus cânticos que fazem com que o Tartan Army seja um grupo de adeptos únicos no mundo. Ainda assim, sem forçar muito a pedalada, a Alemanha fez mais dois golos, por Füllkrug (68m) e Emre Can (90+2m), entremeados por uma trapalhice na área de Rüdiger (87m) que marcou na própria baliza aquele tento que os simpáticos moços das Terras Altas não pareceram nunca ser capazes de fazer. O Euro alemão começou em festa e a equipa de Julien Nagelsman pôde adquirir uma dose de confiança que a conduza ao estatuto de verdadeira favorita ao título quando as indicações apontavam o contrário. Pelas artérias de Munique, andarão agora à solta os valentes soldados do Tartan Army procurando afogar as mágoas naquela pinguinha de álcool que nunca dispensam. E se não for destilado, que venha fermentado que raramente um escocês se deixa bater no que à sede diz respeito. Uma questão de honra, se quiserem."

sábado, 15 de junho de 2024

Primeira Prata!


No primeiro dia de Finais, o Pimenta conquista a medalha de Prata no K1 500m, nestes Europeus de Canoagem, que este ano, servem de preparação para os Jogos!
Vamos esperar pelo Ouro no K1 1000, a prova-rainha!

A desgraçada da Comissão!!!

Não podendo estar na AG, deixo aqui o que seria o meu voto no Orçamento


"1. O futebol feminino, que contribuía com um deficit de cerca de 2,5 milhões de euros para as contas do clube, passou para a SAD. Mais do que aliviar o clube desse encargo, penso que a medida é especialmente positiva para o desenvolvimento de um projeto de sucesso que todos desejamos que continue a dar passos em frente.
2. Aponta-se para um crescimento nas receitas comerciais. É um ponto importante na medida em que é desejável que o clube possa vir a estar cada vez menos dependente dos royalties que as empresas do grupo lhe pagam - 4% das receitas -, já que estes mais não são do que transferências internas de dinheiro.
3. Estranho que a receita de quotização tenha um crescimento praticamente residual, já que a subida do numero de sócios tem sido amplamente referenciada. Gostava de ver esta questão mais desenvolvida: número de sócios ativos, quantos pagantes, etc.
4. Há uma previsão de redução de cerca de 5% nos fornecimentos e serviços externos das áreas não desportivas, isto é, uma intenção, que se espera venha a ser rigorosamente concretizada, de um maior controlo de custos.
5. O ecletismo é caríssimo: as modalidades, que custam 28,0 milhões e geram receitas de apenas 5,9 milhões, têm que ser repensadas a prazo. Acresce que a quota especial das modalidades apresenta valores irrisórios. O que querem os sócios das modalidades para além dos festejos quando se ganha? Para já, seria um bom começo descriminar os valores, caso a caso, no orçamento. Bem sei que se pretende esconder isso da concorrência, mas toda a informação e toda a transparência são desejadas - os outros que se lixem! Aliás, no futebol é tudo declarado nos relatórios e contas da SAD. E não é por isso que se ganha ou se perde.
6. Um orçamento é tanto mais credível quanto mais o orçamento anterior tenha batido certo. O Benfica deveria apresentar a comparação do orçamentado com o realizado relativamente, pelo menos, ao exercício anterior, no caso o de 2023-24.
7. É um orçamento conservador, logo sem grandes riscos de não ser cumprido. E aponta para um lucro no exercício de 2024-25.
8. Considero que se deve votar um orçamento em função do valor próprio do orçamento, não do momento bom ou mau por que passa uma direção. Assim sendo, abstraindo-me, como defendo, de tudo o resto, votaria "sim" o orçamento para 2024-25, acompanhado das principais notas que aqui deixei.
9. Sobre os outros assuntos da nossa atualidade, exprimir-me-ei, mas só depois da AG. Incluindo a questão dos estatutos, amanhã só se discutirá a forma como vão ser posteriormente discutidos.
VIVA O BENFICA!!!"

Entrevista Norberto Alves...

Visitas...

RND - 45 minutos...

5 minutos: Diário...

Zero: Mercado - Pavlidis, Hummels, Roger

Águia: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Euro 2024: Os grandes candidatos, jogos e jogadores

Na luta pela revalidação do título


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas da atualidade benfiquista.

1. Auditoria Forense
Está disponível para consulta, no Site Oficial do Sport Lisboa e Benfica, o Relatório de Conclusões Consolidadas da Auditoria Forense realizada pela EY.

2. Assembleias Gerais
Amanhã, dia 15, realizam-se duas Assembleias Gerais do Sport Lisboa e Benfica, ambas no Pavilhão n.º 2.
Às 10h30, a reunião magna tem como ponto 1 a apresentação, discussão e votação da proposta de metodologia para discussão e votação das propostas de alteração dos Estatutos do Sport Lisboa e Benfica, e, como ponto 2, a admissão das propostas de alteração.
Às 15h00, os temas são a aprovação das atas e deliberar sobre o orçamento ordinário de exploração, o orçamento de investimentos e o plano de atividades, elaborados pela Direção, para o exercício de 2024/2025.
Podem participar nas Assembleias Gerais referidas os sócios do Sport Lisboa e Benfica com a quota de abril regularizada.

3. Apuramento para a final
No quinto e derradeiro jogo das meias-finais do Campeonato Nacional de hóquei em patins, o Benfica ganhou, por 6-1, frente à Oliveirense, e tem agora a oportunidade de revalidar o título nacional na final a disputar com o FC Porto.
Nuno Resende elogia a equipa e os adeptos: "Beneficiámos do fator casa com um pavilhão extraordinário. Foi uma excelente prestação. Os rapazes têm trabalhado de forma excelente."
O primeiro jogo da final é no domingo, às 15h00, no Dragão Arena.

4. Manto Sagrado 2024/25
Já é conhecida a camisola principal para 2024/25. O modelo escolhido homenageia os primeiros Campeões em Liberdade em 1974/75.

5. Históricas
Veja a reportagem sobre o pleno e a presença inédita nos quartos de final da Liga dos Campeões da equipa feminina de futebol do Benfica.

6. Tricampeonato em análise
Em entrevista à BTV, Norberto Alves, treinador da equipa de basquetebol do Benfica que recentemente celebrou o tricampeonato, revela as bases do sucesso obtido.
Hoje, às 19h00, há sessão de autógrafos dos tricampeões na Benfica Official Store do Estádio da Luz.

7. Europeus de atletismo
Foram 20 os atletas do Benfica em ação. Destaque para Pedro Pichardo, que conseguiu a prata no triplo salto e estabeleceu o novo recorde nacional, e Agate Sousa, bronze no salto em comprimento.

8. Campeonato da Europa de velocidade
Acompanhe a prestação dos canoístas do Benfica. Fernando Pimenta e Pedro Casinha estão apurados para finais.

9. Sub-19: balanço
Luís Araújo, treinador dos Sub-19 de futebol do Benfica, analisa a temporada.

10. Quarta tripleta
António Machado e Ana Beatriz Jardim, respetivamente treinador e central das pentacampeãs nacionais de polo aquático, em entrevista à BTV.

11. Casa Benfica Golegã
A equipa de futsal desta embaixada do benfiquismo sagrou-se campeã distrital."

Benfica: depender de a bola entrar


"A saída de Luís Mendes mostrou que Rui Costa tem uma tarefa ainda maior, porque veio a público que não era apenas entre bancada e treinador que havia coisas a sarar.

RUI COSTA não ficou sozinho, mas ficou ainda mais agarrado a Roger Schmidt. Os recentes eventos na SAD do Benfica levaram à saída de um homem muito próximo do presidente dos encarnados, o que poderia não ter nada de anormal, não fossem as razões pelas quais se soube que saía. Os dedos apontados não atingiram apenas os visados, atingiram a liderança de Rui Costa que tem, agora, um desafio ainda maior do aquele a que se propunha para 2024/25.
O ambiente tenso entre adeptos e treinador no final da época era uma ferida que o presidente acreditava que podia sarar com o tempo e, assim, unir o universo Benfica com a equipa de futebol no epicentro das coisas.
A saída de Luís Mendes mostrou que Rui Costa tem uma tarefa ainda maior, porque veio a público que não era apenas entre bancada e treinador que havia coisas a sarar.
O líder encarnado foi apoiado por vários diretores, mas mais do que eventuais palmadinhas nas costas, o presidente precisaria das palmas de uma maioria de sócios nas duas AG de amanhã. Não se adivinha um ambiente fácil, mas esta é a primeira etapa que Rui Costa tem de ultrapassar. Depois, olhando para o futuro, não se prevê outra estratégia que não seja a de chegar até às próximas eleições e recandidatar-se com uma lista manifestamente diferente da que foi eleita — essa é uma das consequências a longo prazo da saída de Luís Mendes, que revelou uma estrutura que se encontra dividida por dentro, entre os que vieram da gestão de Luís Filipe Vieira e outros que (ainda) acreditam (?) em novos métodos e processos. Dois mundos contrários que pela visão de Luís Mendes não podem coabitar debaixo de uma mesma liderança e que, previa-se antes e percebe-se agora, é uma ideia difícil de funcionar.
O desafio de Rui Costa agiganta-se também porque perspetiva-se que surja uma oposição mais organizada e visível e não meramente em alguns grupos ou movimentos mais soltos, com o intuito de preparar terreno para as eleições de 2025. Uma oposição que lhe irá recordar que se propôs, no seu compromisso eleitoral, a que o Benfica entre 2021 e 2025 fosse um clube não só «focado na afirmação e liderança desportiva, com atitude, valorização da formação e sustentabilidade», como também um clube «do rigor, da clareza e de uma vivência democrática sem polémicas, unido na diversidade». A saída de Mendes mostrou que este último ponto está longe de ser cumprido e a gestão do maestro tem menos tempo para o atingir.
Assim, no momento em que estamos, parece claro que Rui Costa vai precisar de algo que nenhum presidente de clube devia estar dependente de: se a bola entra ou não.
Onde houver resultados poder-se-á sempre apelar ao que de mais vulnerável têm os adeptos: um coração movido a um sentimento de vitória."

Benfica: um dilema simples


"RUI COSTA ama o Benfica e não começou mal o mandato como presidente. Estou à-vontade para o dizer: antes da sua eleição escrevi que os benfiquistas estariam a desvalorizar o futuro do clube em nome do sonho de elevar a presidente o poster que, anos antes, tinham pendurado na porta do quarto. Mas Rui Costa sabe de futebol e foi campeão nacional.
Desde então, duas coisas importantes estão a acontecer.
A primeira, natural, é a dimensão do Sport Lisboa e Benfica. O clube fatura mais de 66 milhões de euros por ano sem vendas de jogadores. É uma empresa grande, intensa, que exige uma gestão profissional e capaz. Sabe-se que um dos principais problemas que explica os frágeis resultados das empresas portuguesas é a gestão: quando ganham dimensão, chegam desafios para os quais o conhecimento do meio, a intuição e o saber fazer já não são suficientes. A comparação com este Benfica é evidente: Rui Costa sabe de futebol, não de gestão.
O segundo problema decorre deste: os empresários que melhor contornam este difícil desafio são aqueles que chamam para o seu lado gestores profissionais. Rui Costa ainda chamou Luís Mendes, para as contas, e Lourenço Pereira Coelho, para o futebol, mas deixou na administração da SAD do Benfica muitos resquícios de bolor do Vieirismo. Neste último ano este bolor conquistou as paredes e os fóruns de decisão, aproveitando-se da incapacidade de decisão enquanto gestor que, já ninguém esconde, caracteriza o próprio Rui Costa.
Atrás dele, Nuno Costa, inefável chefe de gabinete que trabalhou com Isaltino na Câmara de Oeiras, controla o que o presidente sabe e não sabe. Rui Pedro Braz, responsável pelas contratações, diz a tudo que sim e vai gerindo a sua vida por aquilo que consegue publicar nos jornais, que fingem não saber que o treinador Roger Schmidt não lhe dirige sequer a palavra. Jaime Antunes, que gere com mestria a liturgia de conselhos de administração, sempre preparado para quaisquer cenários.
No meio disto, Rui Costa: o que não decide, não antecipa e não se convence que a dimensão do Benfica exige outro tipo de gestores. Isto é tanto mais evidente quanto os nossos rivais desportivos parecem não hesitar nesse caminho: o Sporting de Varandas é um músculo de gestão competente, Villas-Boas parece querer implantar no FC Porto o mesmo princípio.
Os Benfiquistas que estarão na Assembleia Geral de sábado, e todos os benfiquistas que amam este clube, precisam de se convencer que os desafios do futuro vão ser maiores, não menores.
Um clube da dimensão do Benfica só terá sucesso se liderar a transformação do futebol português num dos mais competitivos e sustentáveis da Europa. Essa liderança (como é óbvio para um bom gestor profissional) só será possível se o Benfica assumir a rédea de discussões chave, de que é bom exemplo a centralização dos direitos televisivos em Portugal. O Benfica tem de ser a chama do futebol português, não uma fagulha.
E isso, esse futuro, joga-se na qualidade dos seus corpos sociais. É um dilema, mas é um dilema simples que os sócios sabem como resolver."

História Agora...

Tornem a Itália bela novamente!


"Quatro estrategas entram num bar para debater ideias sobre o jogo e o ‘calcio’ volta de novo a ser interessante mais de três décadas depois

Lembro-me bem. O Pelusa era o Sol inesgotável – e ainda o é, anos depois de se tornar Supernova - e à sua sombra e talvez também da do Vesúvio, à beira de Nápoles, aparecia Careca. Völler, Berthold, Hässler, Aldair, Cafú e Falcão são romanos em Roma, revezando-se. Gladiadores esgotados e feridos, profundamente orgulhosos, a deixar o Coliseu.
O farto bigode de Cerezo tomara o lugar do de Souness, o tal que mais tarde defenderia as big balls de Michael Thomas (que não vêm ao caso), e também Trevor Francis deixara de morar na cidade-estado. República marítima de Génova, terra de marinheiros e mercadores, gravados no escudo da Samp. O velejador com o seu cachimbo, a olhar para o mar, numa calma eterna que não chegou para Mikhaijlichenko. O russo falha aí as suas maiores promessas.
Kaiser Passarella, doutor Sócrates e el Petete Bertoni vestiam-se de violeta, a cor da Fiorentina, que Rui Costa, Batigol e animal Edmundo também passearam com orgulho tão monumental quanto Santa Maria del Fiore, o Duomo de Florença.
De Duomo para Duomo. Hateley era inglês como Herbert Kliplin, que nos últimos suspiros do século XIX fundou o Milan Foot-Ball and Cricket Club, porém em campo os maiores pilares são trasladados da Holanda. Rijkaard, Van Basten e Gullit tornam-se alicerces de um Milan avassalador. Boban e Savicevic fundir-se-iam depois no primeiro 10 composto, decalcado anos depois, noutros terrenos, por Xavi e Iniesta.
Mais linear é o rival Inter. Karl-Heinz, o Rummenigge, abre caminho para os compatriotas Matthäus, Brehme e Cataklinsmann e para o argentino Ramón Díaz no lado azul listado da Lombardia. Corta aí a linha de meta, em 1997, Ronaldo Fenômeno, provavelmente ainda perseguido por defesas do Valência ou do Compostela.
Platini faz panelinha com Boniek e puxa os cordelinhos no Piemonte, onde também cresce uma predileção por alemães: Kohler, Reuter e Möller. Guardiães do tempo da Velha Senhora. Zico leva a folha-seca para Udine, antes de Balbo e Sensini começarem a fazer das suas. Um a dar, outro a tirar. Dirceu ainda grita um ou outro golo pelo Verona, porém é Pressen Elkjaer o espantoso comboio desgovernado, capaz de saltar e voltar aos carris - será que em Copenhaga ainda existe o célebre grafitti «O que faremos se Jesus voltar? Colocamos Pressen numa das alas!»? -, com Briegel a tentar acompanhar.
O mais velho dos Laudrup, Gazza e mais um Karl-Heinz, o Riedle, vestiram o azul laziale, tal como Nedved, Mihajlovic e Salas. Platt aparece no Bari. Cannigia e Strömberg incendeiam Bérgamo e a Atalanta. Thuram, Crespo, Verón, Asprilla, Brolin e Couto transpiram a camisola copinho de leite do Parma. Futre chega tarde e cheio de azar a Reggio Emilia. É fintado pelo próprio sonho num arranque pela direita, estilhaçando-se em fragmentos de vermelho-sangue no chão.
E os da casa? Vialli. Mancini. Carnevale. Maldini. Baresi. Baggio, Dino e il divino codino Roberto. Zola. Costacurta. Lombardo. Ferrara. Serena. Giannini. Ah, Giannini, que classe! Antognoni, outro. Conti. Donadoni. Scirea. Cabrini. Tardelli. Rossi. Colovatti. Vierchowod. Ancelotti. Ainda vi don Carletto recuperar muitas bolas no meio-campo de Parma, Roma e Milan. Graziani. Altobelli. Signori. Buffon. Nesta. Cannavaro. Totti. Fuser. Conte, já tremendamente calvo e parcialmente descabelado. Já não o é. E tantos outros.
Nos bancos, agigantavam-se generais como Capello, Lippi e Trapattoni, revolucionários como Sacchi ou Scala, cavalheiros como Eriksson ou Bearzot, excêntricos como Zeman. Itália, a bela Itália, foi o centro do mundo. Um mundo romântico.
No calcio, não há meios-termos. A emoção transborda das expressões, conversas, de todas as situações, é oito ou oitenta. Os oriundi entranham-se na história até que se decide fechar a porta aos estrangeiros e de novo escancará-la outra vez. Os escândalos nunca são menores, abanam as fundações de todo o país. Criam fissuras que demoram décadas a reparar. Algumas são mesmo irrecuperáveis. Primeiro, o Totonero, depois o Calciopoli, que na verdade foi mais um Calciocaos. Bosman virou lei e foi o último prego no caixão. A capital do jogo mudou-se para Espanha e a seguir para Inglaterra.
Quem viveu a adolescência e início da vida adulta entre os anos 80 e 90 tem saudades dessa liga barroca, superlativa, recheada de jogadores grandiosos, os melhores que havia. Um verdadeiro Olimpo terrestre para números 10, que no seu tempo não tinham rival, fora ou dentro das respetivas equipas. O calcio era arrebatador, um futebol de super-heróis para decalcar na vida real.
Nunca mais teremos algo parecido. Inglaterra é Inglaterra, é o resultado de uma cozinha de fusão que virou moda. É o futebol-gourmet, feito pelos melhores com os melhores ingredientes, todavia, por vezes falta-lhe tempero. A Itália de 80 e 90 é irrecuperável. O espaço que havia já não existe e com este desapareceram os 10, a elegância e a arte de criar. O fantasista já não respira. No entanto, persiste aquilo que nos pode devolver a curiosidade: a estratégia.
Paulo Fonseca vai levar o ataque posicional para um Milan que há anos só está bem a contra-atacar. Simone Inzaghi olha para os demais com o ar desafiador de quem atingiu o ponto certo de maturação da ideia. Thiago Motta promete revolução em Turim e Conte já dança para que o Vesúvio entre em erupção. Que riqueza, amigos!"

O puzzle português


"Será esta a melhor seleção de todos os tempos? A resposta tradicional seria: "Os resultados o dirão." Mas será mesmo assim? Nem sempre ter os melhores jogadores garante a vitória. Da mesma forma, a melhor tática, o melhor modelo de jogo, ou ser a equipa que mais corre etc, não são garantias de sucesso por si só. Certamente ajudam, mas o futebol é um jogo de decisões, tanto pequenas quanto grandes. O somatório de muitas pequenas más decisões pode ser catastrófico, assim como uma grande decisão mal tomada frequentemente resulta em derrota.
Para mim, no entanto, esta é a melhor seleção de todos os tempos. E explico porquê. Nunca houve uma oportunidade de reunir numa mesma seleção um NÚMERO tão grande de jogadores de qualidade tão alta. Outras gerações contaram com nomes como Figo, Rui Costa, Futre, Chalana, Eusébio, entre outros, mas nunca tiveram ao seu lado pelo menos mais 20 jogadores muitos deles de perfis DIFERENTES igualmente talentosos. E, claro, a enorme COMPLEMENTARIDADE e capacidade de se conectarem que existe entre eles. A riqueza desta equipa está precisamente aí: é praticamente um puzzle perfeito, onde todas as peças existem no número certo e se encaixam, mesmo mudando o quadro (formação), ou pintura de base (estilo de jogo adotado) mais ou menos complexo, com mais ou menos simetrias ou assimetrias e variabilidades.
Se observarmos e estudarmos uma equipa de futebol numa dimensão 3D ou até 4D, em análise teremos a Altura, Largura, Profundidade e a junção de vários espaços tridimensionais numa linha. Com estes jogadores podemos criar um puzzle que evidencie toda a profundidade da Ponte Vasco da Gama, com gente capaz de atacar e defender a profundidade. Que mantenha a distância entre linhas que cada momento do jogo nos exige. Mas ao mesmo tempo um puzzle que demonstre toda a largura do nosso Mosteiro dos Jerónimos, neste caso normalmente dada pela excelência dos nossos laterais. A altura vista sobre vários prismas que vão desde utilizarmos mais o passe longo ou curto, mais centros ou menos centros, em suma a bola rolar mais junto á relva ou não. Mas também estarmos à altura do acontecimento. Imaginem um puzzle com a força do Padrão dos Descobrimentos em Lisboa ou da Torre dos Clérigos no Porto. Quando temos a bola temos condições para 'jogar' no Campo Grande, o talento é tanto que podemos ocupar cada canto da Avenida dos Aliados no Porto, mas o mais impressionante é que quando não temos bola podemos criar um puzzle reduzindo os espaços com uma tela do Campo Pequeno, a famosa praça de touros em Lisboa.
Portugal pode jogar em qualquer sistema usando os mesmos princípios. A competição interna em cada posição será uma arma poderosa. Mas após lerem todas estas palavras, muitos de vocês devem estar a pensar: porque raio precisamos então de um treinador ? Pois bem, acreditem que mais que nunca precisamos de treinador. Eu gosto muito do que temos.
Manter tantos jogadores talentosos motivados ao longo de um campeonato como o Europeu será um desafio árduo, mas crucial. Manter tantos bons jogadores com 'sangue nos dentes' durante todo o Europeu será uma tarefa árdua, mas acreditem que será a sua segunda grande tarefa, porque a primeira será, independentemente dos nomes e forças de apoio que cada um dos jogadores venha a ter, encontrar as 'conexões nervosas' entre todas as peças do puzzle, quer na defesa quer no ataque. Quanto mais fortes forem essas conexões mais fortes seremos. Só assim seremos cognitivamente superiores. Será o cognitivo que fará a diferença nos pequenos e grandes detalhes, no somatório das pequenas e grandes decisões. A nossa competência cognitiva, que diferencia os seres humanos dos outros animais, vai permitir que sejamos o que considero ser mais marcante no futebol atual. A HARMONIA. As grandes equipas da atualidade são incrivelmente harmoniosas.
Frequentemente, lá fora, questionam-me como um pequeno país como Portugal consegue produzir tantos bons jogadores. Acreditem que não é pelo numero de duelos que ganhamos ou pela quantidade de remates à baliza. Também não é por causa da altura ou envergadura dos nossos jogadores, nem por causa do numero de quilómetros percorridos. Na minha opinião, o que diferencia o jogador português é o seu conhecimento de jogo. Muito ligado às competências cognitivas. Tudo começa com o controlo da bola (aspeto aparentemente básico mas decisivo para dar continuidade a cada ação). Sabemos quando acelerar e travar (pausar) o jogo, não somos quadrados, sabemos variar o jogo. Tanto vamos pela a esquerda, como vamos pela direita ou penetramos pelo centro, vamos por onde o jogo nos vai pedindo. Sabemos que se tratarmos bem a bola, a iremos perder menos vezes e por consequência os adversários terão menos oportunidades de poder fazer-nos mal. Sabemos ser malandros no uso do corpo. Sabemos que jogar em equipa nos torna mais fortes.
E claro, beneficiamos todos do grande legado que o Cristiano Ronaldo nos deixa e que não são só golos e que ele está a transmitir tão bem a estas gerações mais jovens. Se trabalhares muito e bem, podes ganhar. Trabalhar compensa."

Terceiro Anel: Euro24 - Prognósticos Gr. A, B e C

Terceiro Anel: Euro24 - Itália...

Terceiro Anel: Euro24 - Áustria...

O Futebol é Momento - Euro24 #1 - Era prendê-los a todos

OB: Euro24

Cromos - Gonçalo Ramos...

COP: Glória #41 - João Ribeiro...

Zero: PlayBook #105 - Um anel a 48 minutos de distância

sexta-feira, 14 de junho de 2024

Amasso...

Benfica 6 - 1 Oliveirense

Goleada 'natural', num dos melhores jogos da temporada, onde a vantagem no marcador logo no arranque, obrigou o adversário a 'arriscar' o que nos deu espaço para as transições que nós gostamos... Contra um adversário que pouco se preocupou em jogar, e quando finalmente os obrigámos a 'jogar' para entrar na eliminatória eles não sabiam o que fazer... só estavam preparados para o conflito, as provocações e as agressões!!!

A arbitragem foi melhorzinha, mas mesmo assim: como é que um Vermelho direto para o adversário é transformado num Azul para o Robby?!!!
E já agora, será que o Benfica terá um LD ou penalty favorável com o guarda-redes adversário a cumprir o regulamento?!!!

Agora na Final os roubos e a intimidação vão continuar, mas com o Benfica a este nível, com o Nicolía em grande, a querer uma 'despedida' em beleza, tudo é possível, mas temos que vencer no Dragay, algo muito complicado, tendo em conta a inclinação consistente daquele pavilhão!

Apresentação...

Históricas - Parte 2

BI: Equipamento 24/25

BI: Dia B#1 - Assembleia Geral

Terceiro Anel: Bola ao Centro - S02E54 - AGE's, Sacos Azuis e os suspeitos do costume!!

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Mercado - Diogo Costa, Di María e Paulo Fonseca

Zero: Tema do Dia - Paulo Fonseca passa ao mais alto patamar

As vitimas!

Milhões de razões para o 'disparate' de Ancelotti


"O treinador do Real Madrid não é tolo nem ingénuo. Terá sido tudo um aviso ou uma forma de pressionar a FIFA?

«A FIFA esquece-se que os jogadores e os clubes não vão participar nesse torneio [Mundial de clubes]. Um jogo só do Real Madrid vale 20 milhões [de euros] e a FIFA quer dar-nos esse dinheiro para todo o campeonato. Negativo. E como nós, outros clubes vão recusar o convite»
Carlo Ancelotti, treinador do Real Madrid, em declarações ao Il Giornale, que depois disse terem sido mal interpretadas

Carlo Ancelotti, treinador do Real Madrid, causou ondas de choque na segunda-feira, quando foi publicada entrevista ao Il Giornale em que garantia que o clube espanhol tinha recusado participar na edição inaugural (em 2025) do novo Mundial de Clubes – 32 equipas das seis confederações e os finalistas a terem de fazer sete jogos.
Que treinadores e jogadores estão contra a prova, que estenderá a competição até meio de julho, todos o sabíamos. Daí até anunciar a recusa do próprio clube vai um passo demasiado grande...
Sem surpresa, o Real Madrid desmentiu o treinador poucas horas depois, e o próprio Ancelotti fez a marcha-atrás habitual, a dizer que foi mal interpretado (o jornalista que o entrevistou garante que disse textualmente a frase que reproduzo acima). Mas o italiano não é ingénuo nem tolo. Ou no Real Madrid lhe garantiram que o clube não participaria na competição, mas aí a reação dele teria sido certamente outra, ou tudo não passa de aviso e/ou forma de pressão.
Porque uma parte da declaração de Ancelotti que passou despercebida foi de que cada jogo do Real valeria 20 milhões de euros. Não vale, nem de longe. Mas é verdade que, quando anunciou a prova, a FIFA fez saber (sem o assumir publicamente) que estariam em cima da mesa, como prémio de participação, 50 milhões para cada clube. Só que ainda nem vendeu os direitos de TV. Se esse prémio baixou para 20, não surpreende a contestação. Ou que Ancelotti tenha entrado no jogo. Teria milhões de razões."

Zero: Saudade - S02E41 - Gyokeres e mais dez: a nossa seleção da I Liga para o Euro2024

1 para 1 : Expectativas para o Euro 2024

ESPN UK: VAR no Euro...

As dúvidas de Martínez


"Garantido é que Portugal tem naipe de jogadores de luxo e opções para todos os gostos

Bom ensaio de Portugal para o Euro 2024. Já de malas aviadas para a Alemanha, a Seleção Nacional despachou a República da Irlanda. Uma vitória moralizadora, principalmente depois da derrota com a Croácia, que tantas dúvidas gerou. Nem de um nem de outro jogo devem tirar-se grande conclusões. Afinal, não passam de jogos de preparação. Como a própria denominação sugere, são partidas de avaliação, de testes, de experiências. E se no Estádio Nacional a Croácia expôs as deficiências defensivas da Seleção Nacional, Roberto Martínez aproveitou o encontro de Aveiro para mudar o sistema, recuperando o modelo com três centrais que lhe serviu de base enquanto selecionador da Bélgica e que também já tinha utilizado de Quinas ao peito.
Claro que a República da Irlanda não é a Croácia, mas a resposta foi muito positiva. Já com Pepe na defesa e Cristiano Ronaldo no ataque, o que, digam o que disserem, é sempre uma mais-valia, Portugal apresentou-se autoritário, coeso, forte e perigoso. Ganhou sem a mínima contestação e reforçou, se é que tal era necessário..., o estatuto de candidato ao título europeu.
Não acredito que o 3x4x1x2 seja o esquema preferencial de Roberto Martínez para a Alemanha, pois se o fosse o selecionador não esperaria pelo último teste para o voltar a pôr em prática. De qualquer forma, o treinador só pode ter ficado agradado com a resposta da equipa. Acredito mesmo que as dúvidas sobre qual o melhor modelo tenham aumentado...
Roberto Martínez tem sempre de encontrar lugar no onze para Rúben Dias e Bernardo Silva, que descansaram em Aveiro, e que na equação para formar a equipa titular estejam também os nomes de Nuno Mendes, João Palhinha, Vitinha e Diogo Jota. Pelo menos...
Garantido é que Portugal tem um naipe de luxo e opções para todos os gostos. E todos vão ser importantes, ninguém duvide. O Europeu vai ser tremendamente exigente, é um mês de grande desgaste, com sete jogos no calendário. Sim, Portugal vai ter de jogar de quatro em quatro dias até à... final de Berlim."

«Vão com Deus» mas venham com algo mais...


"Eu, juro, não sou supersticioso, mas o certo é que Marcoussis e Marienfeld começam com as letras «mar»... Só pode dar sorte... E, pelo sim, pelo não, empresto à Seleção que hoje parte para a Alemanha o manto protetor da minha mãe...

Há precisamente 40 anos, os Heróis do Mar lançavam o tema Supersticioso. Só me lembro dos dois primeiros versos do refrão: «Eu cá não sou supersticioso / mas o pai dela dá-me azar». E ainda hoje dou por mim a cantarolar esses versos. O equivalente ao « Yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay» dos nossos vizinhos espanhóis, mas com mais sentido de humor e irreverência.
Eu, por exemplo, juro que não sou supersticioso, mas se a minha mãe não se despede de mim, cada vez que saio de casa para ir trabalhar, com um «vai com Deus», até parece que o dia já não me vai correr tão bem… No fundo, não acredito em superstições que causam azar, mas acabo por não ser indiferente a rituais que, cumpridos, me dão o estado de espírito certo para que as coisas me corram bem, ou tenha sorte. E quando a discussão da superstição me leva a becos sem saída, lembro a posição do filósofo inglês Francis Bacon (1561-1606), para quem «fugir de todas as superstições é, em si mesmo, uma forma de superstição.»
Não sei se Roberto Martínez é supersticioso, mas foi o selecionador quem fez questão de lembrar que a Seleção que venceu o Europeu de 2016 fez três jogos de preparação antes de partir para França… Tal como esta, antes do Europeu da Alemanha… Dará sorte? Procurando ler os sinais, dei por mim a pensar que em 2016 a Seleção montou o quartel-general em Marcoussis; já em 2024, a sede escolhida é Marienfeld. E eu que, juro, não sou supersticioso, não deixei de reparar que Marcoussis e Marienfeld têm em comum as três primeiras letras: Mar. Haverá palavra mais identitária da alma portuguesa? Só pode ser bom prenúncio…
Sei que esta quinta-feira, à partida da Seleção para a Alemanha, haverá Velhos do Restelo a antecipar desgraças por ser dia 13… Mas lembro que é um 13 especial, sacralizado por Santo António, casamentei ro que abençoará a boda marcada para 14 de julho, em Berlim. Por isso, tragam de lá o manjerico, perdão, o troféu, tal como em 2016. Puxem as barbas ao Adamastor, que o monstro só ladra sem morder, nesse rebatizar do Cabo da Boa Esperança. Podem até cantar, como em 2016, «Não importa, não importa / Se jogamos bem ou mal / queremos é levar a Taça / Para o nosso Portugal», mas esta geração tem condições de mudar a letra para «Nós somos conquistadores / Hoje demos festival / E vamos levar a Taça / Para o nosso Portugal.»
Eu, juro, não sou supersticioso, mas o certo é que em 2016 estive em França como enviado especial de A BOLA ao Europeu…. Só para lembrar, não estou a insinuar nada… Vim tão cheio de experiências vividas que, quando aterrei em Lisboa no regresso a Portugal, senti que a minha carreira de jornalista poderia acabar ali para me dar por feliz e realizado. Foram 35 dias de trabalho intenso, apaixonante, recompensador.A experiência de uma grande competição como esta é única e abarca muito mais do que a questão desportiva, dos treinos, conferências e jogos. Como uma esponja, absorvemos tudo o que se passa à nossa volta, dos costumes dos locais à cor e festa dos forasteiros, na certeza de que o adepto de seleção é um adepto diferente. Enriquecemos em termos humanos, conhecemos mundo num só lugar e crescemos na dimensão da verdadeira natureza humana. Num contexto de, salvo as exceções, partilha, alegria e solidariedade entre pessoas que se juntam pela mesma paixão ao futebol. Logo, só posso desejar sorte à vasta equipa de A BOLA que vai estar na Alemanha. Que sejam tão felizes e enriqueçam tanto quanto me aconteceu em 2016.
Eu, juro, não sou supersticioso, mas, pelo sim pelo não, partilho com a Seleção, na hora da partida para a Alemanha, o manto protetor da minha mãe: «Vão com Deus»… Mas venham com algo mais…"

ESPN: Futebol no Mundo #347 - Um guia GRUPO a GRUPO do torneio!

Bravo: Análise e previsão do Grupo de Portugal no Euro 2024

Zero: Reactzz - #9 - Mixórdia de variedades

Terceiro Anel: Euro24 - Países Baixos...

Terceiro Anel: Euro24 - Dinamarca...

RED-S, uma síndrome que esgota Atletas


"A síndrome RED-S é uma condição caracterizada por uma deficiência energética relativa

Com a aproximação dos Jogos Olímpicos e do Europeu de Futebol as atenções estão totalmente focadas na performance dos atletas e nos seus resultados. Contudo, este também é o momento em que devemos focar na sua saúde. No meio da pressão, da procura incessante pela excelência surge com demasiada frequência a RED-S (Relative Energy Deficiency in Sport), uma condição que pode comprometer seriamente o desempenho, mas acima de tudo a saúde a longo prazo dos atletas.
A síndrome RED-S é uma condição caracterizada por uma deficiência energética relativa, resultante de um desequilíbrio entre a ingestão alimentar e o gasto energético. Este desequilíbrio pode ser causado por uma dieta inadequada, aumento da intensidade dos treinos, ou uma combinação de ambos. A prevalência da síndrome RED-S entre os atletas é alarmante. Alguns estudos indicam que cerca 60% dos atletas de elite podem sofrer deste síndrome ou estar em risco de o desenvolver. Este número é especialmente elevado em desportos que enfatizam o culto do corpo e o belo, ou exigem categorias de peso, como ginástica, atletismo, ciclismo e artes marciais, podendo mesmo atingir cerca de 80% destes atletas.
As causas da RED-S são multifacetadas. A pressão para alcançar e manter um baixo peso corporal, combinada com uma carga de treino intensa, muitas vezes leva os atletas a consumir menos calorias do que o necessário para suportar suas atividades físicas. Além disso e acima de tudo, fatores psicológicos, como transtornos alimentares e a busca por um corpo ideal, mas acima de tudo pelo desejo de se tornarem ainda melhores, contribuem significativamente para o desenvolvimento da síndrome.
As consequências deste défice calórico são inevitáveis, podem ser graves e irrecuperáveis, daí que possa levar ao esgotamento do atleta enquanto desportista de alto rendimento, mas também da saúde enquanto indivíduo. Estas consequências são multissistémicas e podem afetar quase todos os sistemas do corpo. Quando um atleta sofre de síndrome RED-S, é como se o próprio organismo entrasse em autodestruição. A falta de energia necessária para sustentar as funções vitais e o treino leva a uma cascata de efeitos negativos. A curto prazo, os atletas podem experimentar uma queda no desempenho desportivo, aumento do risco de lesões e doenças, fadiga constante e dificuldades de concentração.
A longo prazo, as complicações podem ser ainda mais graves, incluindo osteoporose, problemas cardiovasculares, condições autoimunes, distúrbios gastrointestinais e disfunções endócrinas."

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Bronze na estreia...


Bronze na estreia como portuguesa, da Ágate de Sousa, na Final do Salto em Comprimento nos Europeus de Roma, com 6,91m, e só não foi Prata, no último salto, com a Italiana a fazer mais 3cm!!!

Concurso muito consistente, com a perna esquerda cheia de ligaduras, o que nos deixa com esperanças que em Paris ainda possa saltar mais longe... mas a concorrência nos Olímpicos também será maior, mas a saltar assim, a Final deverá estar garantida!

Histórias - Parte 1

Manto 24/25

Bigodes: Assembleias Gerais...

Agressões...

Bem... o @brunoandrd hoje acordou e optou pela violência. 😬🔥👏

Como gente grande sem dinheiro 😂😂😂😂😂

5 minutos: Diário...

Zero: Mercado - Rodrigo Gomes, João Cancelo e Greenwood

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Ataque Rápido - S05E01 - Preocupações e favoritismo de Portugal no Euro

Entrevista: Rúben Dias...

Pouco importa, pouco importa


"Adeptos da Seleção precisam-se. Já que não há bandeiras na janela, arranje-se uma música

A poucos dias de começar o Euro 2024, o entusiasmo com uma das melhores gerações de sempre de jogadores portugueses não parece estar em alta. Não tem a ver com expectativas, que essas estão bem lá em cima, mas com um sentimento com o qual os adeptos se defrontam a cada competição como esta: quem, porquê e como se torce pela Seleção Nacional?
Lembrei-me disto a propósito de um anúncio - muito bem conseguido, já agora - dirigido a quem não sabe nada de futebol, mas que a cada dois anos vai buscar o cachecol ao armário e vai para uma praça com ecrã gigante gritar golo numa repetição. Será um mito ou já todos debatemos um pouco sobre isto? Quem torce por Portugal não liga a futebol?
Quando a Seleção venceu o Euro 2016, os portugueses - soubessem ou não muito sobre futebol - não precisaram de ser convencidos a sair à rua para celebrar. Foi o culminar de uma caminhada quase sempre desinteressante ao nível do que se jogava em campo, mas muito bem explorada pelo célebre «pouco importa, pouco importa, se jogamos bem ou mal, queremos é levar a taça, para o nosso Portugal!» Um simples cântico conseguiu com que todos se identificassem com estas palavras e - por arrasto - com a Seleção. Mas numa altura em que este Europeu ainda nem começou, como se captam estes mesmos adeptos para apoiar os comandados por Roberto Martínez?
Há quem ache que a culpa é da clubite em Portugal. Se quem liga a futebol está mais preocupado com as notícias de mercado de Benfica, FC Porto e Sporting, pouco tempo sobra para Portugal. Mas tendo a notar que os adeptos do River Plate ou Boca Juniors são ainda mais fanáticos pelos seus clubes, e no entanto é vê-los que nem loucos quando joga a seleção argentina.
E se for disso mesmo que a Seleção precisa? Fanatismo, portanto. De quem pense num Campeonato da Europa não só durante um mês, de quem analise parcialmente os jogadores, de quem defenda estas cores no café e em todo o lado com argumentos duvidosos e enviesados?
Enquanto não conseguimos decifrar o segredo, precisamos pelo menos de uma música. O «pouco importa» já não dá, que com estes jogadores todos exigem boas exibições. Lembro-me dos ingleses, em 2021, a entoarem a «Sweet Caroline» de Neil Diamond até à final e a não se cansarem de avisar que o futebol estava de volta a casa. E, durante os amigáveis, vejo os adeptos da Seleção Nacional com vergonha de cantar baixinho um «Portugal allez» como se nem o ritmo estivesse já decidido.
Fica, então, o desafio: há meia dúzia de dias para encontrar as palavras e o som que façam os portugueses entusiasmar-se com esta Seleção. Parece que pouco importa, eu sei, mas recordo que este é o último Euro de Cristiano Ronaldo e os adeptos que não percebem de futebol vão ficar sem saber sequer por quem gritar a cada toque na bola."

Euro, a surpresa sempre à espreita


"Ao contrário dos Mundiais, os vencedores dos Campeonatos da Europa são mais imprevisíveis. Portugal é favorito, mas isso de pouco vale

Ao contrário do Mundial, o Campeonato da Europa de futebol tende a ser uma prova em que é mais difícil identificar um favorito claro à vitória porque a História mostra-nos que são muito mais as surpresas que as certezas desde 1960, quando a UEFA_decidiu honrar o mentor da ideia, Henri Delaunay. 10 seleções vencedoras em 16 edições empresta um grau de imprevisibilidade muito maior que o Campeonato do Mundo, que só conheceu oito vencedores em 22 edições. Seja por que motivo for, há uma tradição vincada de os eternos candidatos a campeões planetários exercerem o seu poder e estatuto, impedindo a emergência do underdog de quem poucos davam crédito e muito menos hipóteses mínimas de vitória final. Pelo menos até ao momento nunca houve, na competição maior da FIFA, fenómenos como a Dinamarca em 1992, a Grécia em 2004 ou mesmo Portugal em 2016.
Neste século, de resto, apenas por duas vezes me recordo de o campeão europeu ser aquele que mais ou menos todos estavam à espera: França em 2000 (dois anos depois de se sagrar campeã mundial) e Espanha em 2012 (dois anos depois de vencer o título mundial e quatro anos após se sagrar campeão do Velho Continente). Porque em todas as outras edições a surpresa foi a marca de água: Grécia em 2004, a Espanha em 2008, Portugal em Paris e até mesmo a Itália em 2020.
Serve isto para pôr em perspetiva o próximo Europeu, que arranca na sexta-feira, em Munique, com o jogo de abertura Alemanha-Escócia. Claro que em qualquer competição há sempre favoritos e nessa caixa coloco França, Inglaterra e Portugal: o primeiro porque é vice-campeão mundial, o segundo porque é vice-campeão europeu e do meio-campo para a frente tem qualidade individual para vencer qualquer jogo e os portugueses porque, como diz José Mourinho, a Seleção Nacional tem capacidade para fazer duas equipas de topo e ambas poderem sorrir a 14 de julho em Berlim. Mas nos Europeus, mais do que em qualquer outra grande competição continental, o inesperado está sempre à espreita, para gáudio das casas de apostas que veem neste espírito Eurovisão da bola um campo fértil para a imaginação.
Mas se as dúvidas são muitas, há no entanto certezas e que só enobrecem os seus protagonistas: Cristiano Ronaldo vai tornar-se no único jogador a participar em seis Europeus (já era o único com cinco; Pepe ficará em segundo na lista com cinco), continuará a ser o futebolista com mais jogos na competição (tem 25, o segundo é Pepe, com 18, os mesmos que o alemão Schweinsteiger) e muito provavelmente sairá da Alemanha continuando a exibir o estatuto de melhor marcador de sempre (tem 14 golos, mais cinco que Platini).
Independentemente de quanto jogarem, Ronaldo com 39 anos e Pepe com 41 continuarão a fazer história e num contexto muito interessante: Portugal já não dependerá tanto deles como dependeu noutras ocasiões, podendo respirar quando no passado tal não lhes era possível. Com o central pode mesmo dar-se o caso de conhecer novo momento de glória quando já não estiver contratualmente ligado ao seu clube, o FC Porto. Não sendo uma situação inédita, é mais uma história paralela que faz do Euro uma caixinha de histórias surpreendentes. Que a bola comece a rolar."

Zero: Tema do Dia - Portugal a caminho do Euro: 5 ilações a tirar dos jogos de preparação

Vizak: Euro24 - Previsões 1.ª jornada

Terceiro Anel: Euro24 - Sérvia...

Terceiro Anel: Euro24 - Eslovénia...

Terceiro Anel: Euro24 - Inglaterra...

Zero: Negócio Mistério - S02E22 - Robbie Keane no Inter de Milão

Hurley evitou LeBron?


"Os Lakers têm tido dificuldade em atrair técnicos de renome apesar de LeBron James lá estar há seis temporadas.

Dan Hurley, treinador da Universidade de Connecticut, de 51 anos, terá declinado a irrecusável proposta de 70 milhões de dólares (65,1 milhões de euros) por seis temporadas dos Lakers para a vaga deixada pelo dispensado Darvin Ham. Contrato que o tornaria no quinto mais bem pago da NBA.
Hurley, que em 2023 renovou com UConn, onde está desde 2020/21, por 32,1 milhões (29,84 milhões) por seis épocas, preferiu permanecer na NCAA em vez de testar as revoltas águas da Liga onde raros técnicos vindos do campeonato universitário tiveram êxito nas últimas décadas. Após as conquistas em 2022/23 e 2023/24 mantém a ambição de levar os Huskies ao tri na NCAA e chegar perto dos registos de Mike Krzyzewski (Duke), cinco títulos, e John Wooden (UCLA) com 10(!) em 12 temporadas, sete deles consecutivos e único a vencer três torneios seguidos nos 85 anos do evento.
Curioso, Krzyzewski, que liderou os Blue Devils 41 épocas, tendo-os levado à Final Four em 12 ocasiões, também recusara os Lakers em 2004.
Para quem não esteja familiarizado com o desporto universitário americano, ser treinador de uma universidade, sobretudo de topo, está longe de ocupar uma posição menor, quer a nível salarial como profissional. A pressão existe, mas a volatilidade do cargo não é tão grande e os principais técnicos são deuses nos campus. Diz-se que um treinador de basquetebol ou futebol americano numa universidade é mais importante do que o reitor e que isso é comprovado quando morrem e se vê o funeral de um e outro. Os êxitos desportivos trazem centenas de milhões de dólares em apoios e contratos comerciais e televisivos à universidade.
E por mais que digam o contrário, é mais fácil comandar jovens do que homens, alguns milionários, e a maior parte a ganhar mais do que o treinador como acontece na NBA.
Isto leva a duas questões. A primeira, a ideia de que os Lakers desejam um técnico de topo, experiente e com provas dadas, ainda que a nível da NCAA, o que tem sido difícil garantir desde que Phil Jackson por lá passou a segunda vez entre 2005/06 e 2010/11, com a conquista de dois campeonatos (2008/09, 2008/10) em três Finals (2007/08).
Desde então, ninguém resistiu mais do que três épocas. Nem Frank Vogel que ganhou o 17.º e último titulo em 2019/20.
Mesmo com Jeanie Buss à frente do clube e o ambiente pacificado, os Lakers têm tido dificuldade em atrair técnicos de renome apesar de LeBron James lá estar há seis temporadas. E esta leva-me à duvida que tenho há anos: apesar de ter chegado a 10 Finals em 21 épocas, nas quais se sagrou campeão quatro vezes, LeBron raramente contou com treinadores de renome, provavelmente salvo Erik Spoelstra. Mas esse já estava (e está) nos Heat.
Durante anos nos Cavaliers o patrão Dan Gilbert nunca esteve com grande disposição de gastar com treinadores. Mas será que foi só isso ou os nomes mais sonantes evitaram King James — apesar do inequívoco valor — porque, às vezes, é ele quem quer decidir parte do plantel e o que se vai fazer em campo em momentos chave? Será que Hurley, apesar dos milhões e de LeBron estar em fim de carreira, também não desejou ser adjunto ou quis mesmo ficar nos Huskies?"

Zero: PlayBook #104 - A bela (equipa) e o monstro