Últimas indefectivações

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Pelo Benfica

"A News Benfica está de regresso num dia muito especial. Às 19h30 terá início a apresentação dos elementos do plantel da equipa A de futebol para a temporada 2019/20, seguindo-se a merecida homenagem a Jonas. A partida, frente ao Anderlecht, está marcada para as 20h30.
Os 137 golos em competições oficiais (13.º melhor de sempre do Benfica), as muitas assistências, a inteligência colocada ao serviço da equipa, o brilhantismo de muitas das suas acções, o empenho inexcedível e o contributo indelével para o forte espírito de grupo dos vários plantéis dos quais fez parte são alguns dos atributos de Jonas, que não só justificam, mas também exigem, a devida homenagem que lhe será prestada esta noite.
Ao longo de cinco temporadas, o avançado brasileiro foi preponderante na conquista de quatro Campeonatos Nacionais, uma Taça de Portugal, duas Taças da Liga e duas Supertaças. Obteve, nas competições oficiais, a quarta melhor média de golos por temporada (27,4), só superado por Eusébio, Francisco Rodrigues e José Águas. No Campeonato Nacional, com 22 golos por época (110 no total), alcançou a segunda melhor média, a escassas 23 centésimas do líder deste ranking, o mítico José Águas. É ainda o segundo melhor marcador no actual estádio.
Mas celebrar o passado não impede a projecção do futuro. Será com o plantel definido para a nova temporada que o Benfica, com ambição renovada, empenhar-se-á em cumprir os objectivos a que se propõe: conquistar todas as provas nacionais e superar o desempenho da época transacta nas competições europeias.
Os adeptos já começaram a demonstrar que estão com a nossa equipa. A recepção calorosa e entusiástica oferecida aos jogadores e equipa técnica no passado sábado, no Caixa Futebol Campus, foi um bom exemplo do que se espera para hoje à noite e para o resto da temporada: apoio inexcedível e inalienável dos benfiquistas à sua equipa de futebol.
Hoje é o início de todas as emoções de uma época com marca registada Pelo Benfica!"

Sport Lisboa e Taiúva

"Até Tunja, uma cidade perdida no meio dos Andes, é maior do que Taiúva. Tudo é maior do que Taiúva e, contudo, naquela longa viagem de regresso, ele só queria que o destino fosse Taiúva. A noite já ia alta, todos os outros dormiam à sua volta mas ele não conseguia. Talvez tudo fosse um erro. Talvez estivesse na hora de deixar de jogar. Tinha sido um sonho bonito que acabara numa noite de pesadelo. Só isso. Ligou aos pais. Não atenderam. O pai iria compreendê-lo. O pai nunca quis que ele jogasse. O pai nunca o deixaria falhar aquela primeira bola isolado. O pai nunca deixaria que ele atirasse aquela segunda bola ao poste. O pai nunca deixaria que ele falhasse a última emenda. O pai nunca deixaria que ele se tornasse no «pior atacante do mundo». O pai devia estar de braços abertos para recebê-lo quando foi substituído ao minuto 83. O pai devia ter um casaco na mão, abraçá-lo, e dizer: deixa estar, miúdo. Vamos voltar para casa, Taiúva é já aqui ao lado. E no carro velho do pai iriam cruzar toda a América do Sul, e ele seria novamente um moleque que brinca com a bola e falha. Todos falham por vezes. Mas não é grave, é só um jogo de bola. Taiúva é uma pequena terra, tão pequena que nem tem um restaurante aberto todas as noites da semana. Taiúva não tem cinema, nem tem internet em condições para ver os filmes de que falam na televisão. Taiúva é um porto de abrigo, é uma baliza sem guarda-redes onde o golo é sempre fácil. Obrigado por teres descoberto uma segunda Taiúva no Benfica. Obrigado, Jonas."

Compte à rebours pour le 38

"Les festivités du 37è titre à peine terminées, il aura fallu attendre quelques semaines de disette avant que la silly season reprenne ses droits.
La reprise des entraînements et des pseudos marchés des transferts font la une des journaux et alimentent ainsi notre quotidien influençant ou pas les discussions de comptoir.
Force est de constater qu’année après année, la santé financière du club fait son chemin et assure à notre organisation une optimisation des ressources aussi bien financières que sportives.
La stabilité et le maintien des cadres du staff sont pour moi la meilleure garantie d’une saison réussie. Cette pré-saison sera forcément marquée par la vente du prodige João Félix et les 120 millions record de son transfert. Tout le monde est d’accord avec Lage, il aurait pû et nous aurions voulu qu’il reste une saison de plus avant de faire le grand saut. Cette vente stratégique est pour moi des plus cohérentes si elle permet de maintenir dans nos rangs le reste d’une équipe prometteuse et en progression constante.
Analysons cela secteur par secteur :
Les cages : Vlachodymos et Zlobin me rassurent, Svilar doit être prêté. Il nous manque un bon gardien pour assurer la compétitivité entre titulaires (Perin de la juve serait une bonne option). Navas est pour moi hors scope.
Les latéraux : almeida ok - ebuehi totalement oublié des supporters mérite sa chance et a son potentiel. Salvio reste une option valable pour cette position et une référence indéniable du vestiaire. À gauche grimaldo fera je l’espère une dernière saison de qualité avant d’être vendu. Nuno Tavares est son remplaçant naturel. Mon rêve ? Atal qui joue à Nice. Trop cher je pense à l’heure actuelle.
Les centraux : Ruben et Ferro sont intouchables mais Champions oblige ... Jardel rendra service et il nous manque un 4e ... car je doute de Conti.
Milieux déf et récupérateurs : Gabriel Samaris et Florentino, que demander de mieux ?
Milieux offensifs et ailiers : Pizzi, Rafa,Jota,Taarbat, chiquinho et Gedson seront tous des confirmations. Caio Lucas doit s’approprier le système de jeu mais a l’air de promettre. Cervi est out pour moi et serait bien vendu pour 10 Millions, quel rôle pour Fejsa ? David Tavares et Tiago Dantas seront l’un ou l’autre la pépite, l’effet surprise !
Attaquants : RDT reste un investissement important qui confirme le niveau de qualité attendu. Cadix démontre une motivation extra et mérite peut-être sa place. Seferovic sera un pilier. Manque l’attaquant unique pouvant faire oublier Jonas voir Félix en même temps !
En conclusion il nous manque un gardien et un attaquant de très haut niveau. En comptant 2 gardiens en équipe A, je respecte les 23/24 joueurs attendus par mister Lage.
Actualités :
Une réunion a eu lieu avec certains sócios investis dans les projets liés au club. La rumeur de l’évolution du logo suscite interrogations et engouements en simultané ... attention à ne pas bafouer un élément crucial de l’histoire du club.
Demain c’est le match de présentation aux sócios ... dommage de ne pas avoir jumelé ce match avec l’Eusebio Cup.
Marketing du club : un peu en deçà de ce qui est attendu pour un grand club. Je me pose des questions et trouve que le partenariat avec adidas a peut-être été trop long et du coup moins productif années après années !"

L'auberge espagnole🎬

"S/S Benfica 2011/12 Home
Esta é camisola que marca os 50 anos do bicampeonato europeu conquistado ao Real Madrid. No interior há uma foto comemorativa e o símbolo do Benfica foi tingido de dourado, com duas estrelas e com rebordo em forma de palheta de guitarra.
Regresso ao decote em bico e pela primeira vez temos o patrocínio enquadrado com o design da camisola: caiu a cor da marca do patrocinador e MEO passa a estar escrito a branco sob o fundo vermelho da camisola (algo muito reinvindicado em vários fóruns Benfiquistas e que passou a ser a nossa realidade a partir desta época.
A nível desportivo, foi o ano do arranque bruto do Nolito, Aimar, Cardozo, Witsel, Garay e Rodrigo (que ficou em S. Petersburgo) mas também da casmurrice de Emerson, Capdevila sem calçar e do reforço de inverno Yannick Djaló.
Daquele golo de Javi Garcia para a Taça e dos 5 pontos de desvantagem mandados para o espaço com uma derrota em Guimarães, empate em Coimbra e derrota em casa com o Porto de Maicon após ter estado a ganhar por 2-1, fazendo do Porto bicampeão.
Mas a história que tenho associada a esta camisola é melhor do que tudo o que foi escrito até aqui: é a história em como conheci o Carlos e ele se tornou sócio do Benfica.
A história começa simples: recebi uma mensagem via twitter de um jovem galego a fazer erasmus em Lisboa a perguntar como seria a melhor maneira de ver jogos do Benfica. Encontramo-nos algumas vezes, bebemos umas sagres e fomos partilhando algumas histórias de futebol e interesses comuns. Dei-lhe alguns bilhetes de oferta, arranjei-lhe a camisola deste ano a preço reduzido e, vendo o seu interesse crescente pelo Benfica, ofereci-lhe um kit sócio para que ele imortalizasse a sua paixão recente pelo Benfica. O ano terminou, não da forma como queríamos e ele abandonou Lisboa sem antes prometer que, caso o Deportivo da Coruña subisse, havíamos de arranjar maneira de vermos esse jogo no Riazor.
E assim foi: o Deportivo sobe, sai o sorteio da Liga e o jogo na Coruña calha num fim de semana de Taça de Portugal, que por ser a 1ª eliminatória, seria fora da Luz. Logo em Agosto eu começo a planear uma viagem, desta vez não para ver o Benfica mas sim para assistir a um Deportivo x Barcelona.
Concretizou-se.
No fim de semana de 20/21 de Outubro de 2012, a minha filha mais velha fez a primeira viagem de avião e juntamente com a minha senhora, fomos os três passar o fim de semana à Coruña. Um sábado maravilhoso com sol, passeio, museu grátis de ciência e muito boa comezaina. E no final do dia, lá fui ter com o Carlos e família, que me ofereceram a entrada para o melhor jogo de futebol que vi na minha vida.
Acabou 4-5 com hattrick do Messi e bis do Pizzi (!).
Incrível! https://www.youtube.com/watch?v=07aO8JL6oQs
Despedimo-nos com um até breve e promessa de bebermos umas sagres. No outro dia falámos, ele vive actualmente na Escócia. Não sendo fácil arranjar sagres por lá, tenho uma camisola do Partick Thistle à minha espera. Depois de Lisboa e La Coruña, teremos um português e um galego, na Escócia, a falar e a beber Benfica. 
Um verdadeiro erasmus futebolístico graças ao maior de Portugal.
Que é maior que Portugal.
A título de curiosidade:
- Esta foi a minha camisola número 32 do Benfica;
- O logo Benfica das camisolas de senhora e criança era ligeiramente mais pequeno que as de homem;
- Houve uma casa de apostas que mediante o depósito de €20 oferecia uma camisola. Julgo que foi um sucesso superior ao previsto uma vez que não houve mais promoções dessas.

L'auberge espagnole - https://www.imdb.com/title/tt0283900/?ref_=nv_sr_1?ref_=nv_sr_1"

Basquetebol 2018/2019 - Análise

"Termino as análises individuais às épocas das modalidades de pavilhão com a análise da temporada da equipa de basquetebol.
A equipa de basquetebol encarnada tinha vindo da sua pior temporada dos últimos 10 anos, na qual tinha falhado o acesso à final do play-off ao ser eliminada nas meias-finais pelo FC Porto. Após esta época que foi uma grande desilusão, seguiu-se um Verão conturbado.
Tudo começou com a polémica e misteriosa saída de José Ricardo. Apesar do vice-presidente das modalidades Domingos Almeida Lima ter chegado a garantir a sua continuidade numa conferência de imprensa (tinha mais um ano de contrato), algumas semanas mais tarde, o antigo treinador da UD Oliveirense e do BC Barcelos acabaria por ser despedido. Um despedimento que assumiu contornos polémicos e que não foram devidamente esclarecidos, sendo que a sua saída nem foi oficializada pelo clube.
Para o seu lugar viria o espanhol Arturo Álvarez. Um treinador de 41 anos com mais de 20 anos de carreira e que já tinha corrido meio mundo, mas que apenas na última temporada ao serviço do CB Prat tinha feito um trabalho relevante. Ainda durante a pré-temporada, o reforço Kris Joseph lesionou-se com gravidade e acabaria por ser dispensado. Para o seu lugar, seria contratado Micah Downs aos russos do Avtodor Saratov.
Apesar do período conturbado, as coisas a seu tempo entraram nos eixos. Depois de concluída a pré-temporada, o clube iria iniciar a época oficial com a disputa da pré-eliminatória de acesso à Fase de Grupos da FIBA Europe Cup. Aqui a sorte foi madrasta para o Benfica, tendo-nos calhado a poderosa equipa italiana do Dínamo Sassari. Na eliminatória a duas mãos, a equipa italiana não deu hipóteses, vencendo os dois jogos sem dificuldades (34 pontos de diferença em Itália e 19 no pavilhão da Luz). Para o Benfica, a Europa acabava ali, enquanto o Dínamo Sassari acabaria por vencer a competição e sagrar-se-ia vice-campeão italiano.
Já no campeonato, a equipa teve um início notável com 14 vitórias consecutivas, sendo o melhor registo dos últimos nove anos. Mais do que as vitórias, em boa parte destes jogos, a equipa rubricou exibições dominantes de princípio ao fim do jogo, mostrando que era capaz de alcançar grandes coisas apesar da pré-época atribulada e das constantes lesões que assolavam o plantel.
Pelo meio desta sequência positiva de resultados, houve mais uma alteração no plantel. O norte-americano Quentin Snider, base recrutado directamente ao college, não se adaptou à realidade do Benfica e acabara por ser recambiado para o Imortal de Albufeira. Para o seu lugar, chegara Juan Pablo Cantero, base internacional argentino de 36 anos.
O primeiro tombo chegaria no dia 26 de Janeiro de 2019, quando a equipa deslocou-se ao Dragão Caixa e sofreu uma derrota copiosa dos azuis por 96-78. Na altura, acreditei que era apenas um dia mau, mas a verdade é que isto seria o início da derrocada. Duas semanas após este desaire, realizou-se a Taça Hugo dos Santos em Sines. Depois de eliminar a Ovarense nas meias-finais, o Benfica acabaria por sucumbir na final frente à UD Oliveirense, perdendo por 77-70, muito graças a uma primeira parte horrível na qual a equipa campeã nacional tinha uma vantagem de 21 pontos.
A seguir à perda do troféu, deu-se uma sequência de vitórias sofridas, com a equipa a não ter a consistência que mostrou no primeiro terço da temporada. Pelo meio, houve mais uma alteração no plantel. O poste espanhol Xavi Rey voltou a lesionar-se com gravidade na final da Taça da Liga, sendo substituído por Mickel Gladness, poste de 32 anos com experiência na NBA.
As exibições sofridas fizeram com que aumentasse a contestação à equipa e ao treinador Arturo Álvarez, mas a gota de água chegaria com a eliminação nos quartos-de-final da Taça de Portugal em Portimão, após derrota com a Ovarense. Sem grande surpresa, diga-se, Carlos Lisboa regressaria ao comendo técnico dos encarnados, para orientar a equipa na Fase Intermédia do campeonato e no play-off.
O começo do regressado Carlos Lisboa também não foi positivo, com a equipa a perder três dos primeiros cinco jogos, inclusive em casa contra UD Oliveirense e FC Porto. Apesar do começo atribulado, a equipa assentou o seu jogo e iniciou uma nova sequência de vitórias, ao vencer os cinco últimos jogos da Fase Intermédia, dois deles em casa dos adversários directos, alcançando assim o segundo lugar, que só seria suficiente para garantir o factor casa até às meias-finais.
Depois de eliminar o CAB Madeira sem dificuldades por 3-0, chegaria uma nova semi-final contra o FC Porto, onde chegaria a oportunidade da equipa se desforrar da época anterior. Nesta semi-final, a equipa mostrou clara superioridade face ao rival azul e branco, conseguindo vencer a eliminatória por 3-0, partindo para a final contra a UD Oliveirense com a moral em alta após 11 vitórias consecutivas. 
Chegada a final, a equipa partiria em desvantagem no primeiro jogo, após derrota por 85-75, fruto de um primeiro quarto de grande inspiração para a equipa da casa. Apesar de terem entrado na final com o pé esquerdo, a equipa deu uma resposta no segundo jogo, conseguindo empatar a final e dando esperanças aos adeptos de que esta equipa tinha hipóteses de conquistar o título nos dois jogos na Luz.
No terceiro jogo, o primeiro no pavilhão da Luz, a equipa tinha o jogo na mão a três minutos do fim, mas uma série de más decisões técnico-tácticas permitiram a recuperação à equipa da Oliveirense, que acabou que conquistar a vitória já no prolongamento. No quarto jogo, disputado três dias depois, a equipa orientada por Norberto Alves foi superior durante grande parte do jogo. A equipa do Benfica ainda conseguiu esboçar uma boa reacção no terceiro quarto, mas a equipa visitante voltaria a assumir as rédeas do jogo, num último período, onde a equipa encarnada já estava emocionalmente esgotada e sem lucidez e clarividência nas suas acções.
No final, a diferença de 25 pontos que deu o bicampeonato à UD Oliveirense, mostrou a superioridade do conjunto de Oliveira de Azeméis em todos os aspectos, colectivos e estruturais. Segue-se agora uma análise individual a alguns jogadores e alguns outros aspectos do basquetebol do Benfica:
Micah Downs - é claramente, o melhor jogador que vi jogar no basquetebol do Benfica no meu tempo de vida. Micah Downs é um jogador que faz de tudo: pontua, assiste, ressalta, ataca, defende... Como se não bastasse, o extremo ainda é dotado de uma capacidade atlética fora do comum no basquetebol nacional, que confere momentos de espectáculo nos pavilhões espalhados pelo país. Veremos como será o seu futuro...
Aléx Suárez - Aléx Suárez chegou ao Benfica rotulado de eterna promessa no basquetebol espanhol. Sendo uma aposta pessoal de Arturo Álvarez, o extremo-poste de 25 anos chegou ao Benfica com o objectivo de relançar a carreira. Apesar de chegar sob expectativas elevadas, a verdade é que o internacional pelas camadas jovens de Espanha raramente fez a diferença, mostrando ser daqueles jogadores que, ou contribui directamente para o resultado com uns triplos, ou que não acrescenta nada ao jogo. A mim pessoalmente, faz-me confusão como é que um jogador que mede 2,06m pode ser tão inútil na luta nas tabelas. É daqueles jogadores que só faz a diferença quando as bolas caiem no cesto e um jogador estrangeiro tem de ser mais do que isso.
Quentin Snider - foi recrutado à Universidade de Louisville, onde foi colega de Donovan Mitchell, estrela dos Utah Jazz. A contratação do base de 23 anos ditou um novo paradigma na contratação de jogadores norte-americanos, com a aposta em jovens recrutados directamente às academias americanas. Nos três meses em que cá esteve, Snider mostrou muito pouco. Porém, eu sempre disse que ele era um jovem que se estava a adaptar a uma nova realidade num país novo e que precisava de tempo para mostrar o seu valor, tempo esse que acabou por não ter. Apesar de não se ter afirmado, nunca deixei de o considerar um prospect interessante e acho que a estrutura do basquetebol deveria criar um contexto que permitisse apostar em mais jogadores deste perfil.
Juan Pablo Cantero - o base de 36 anos foi mais uma aposta pessoal de Arturo Álvarez e foi mais uma aposta falhada do clube. Com excepção dos jogos das meias-finais do play-off, o internacional argentino nunca deu quaisquer garantias, mostrando ser um jogador que, para além de não ser um grande pontuador, era também lento de movimentos e tinha visíveis limitações físicas, que não lhe permitiam jogar muitos minutos. Ficou claro e evidente que um base estrangeiro tem de mostrar muito mais.
Xavi Rey e Mickell Gladness - Xavi Rey foi o reforço que me deixou com mais expectativas. Internacional espanhol com carreira feita na Liga ACB, o poste era o "monstro do garrafão" que faltava à equipa já há algum tempo. No entanto, uma lesão contraída na pré-época fez com que só se estreasse em Dezembro. Na final da Taça Hugo dos Santos voltaria a lesionar-se com gravidade, levando a estrutura a ir ao mercado à procura de outro poste. É pena, porque nos poucos jogos que fez mostrou que era um jogador de outro nível. Um Xavi Rey saudável seria facilmente um candidato a MVP da liga. Mas também não podemos contratar jogadores que passam mais tempo lesionados do que aptos para ir a jogo. Foi então substituído por Mickell Gladness, um poste mais móvel e com maior poder de impulsão, o que conferia maior apetência nos afundanços e nos bloqueios. Mas por outro lado, era também um poste mais magro e mais esguio, o que fazia com que tivesse mais dificuldades a defender contra postes mais dominantes e fisicamente robustos. E foi essa fraqueza que veio ao de cima nas finais contra a Oliveirense, onde se viu ele a levar um baile do Eric Coleman. Com certeza que o Gladness vai passar o Verão a ter pesadelos com o novo reforço do Benfica. 
Arturo Álvarez e Carlos Lisboa - o começo do técnico espanhol foi promissor, com 14 vitórias consecutivas na Fase Regular e a prática de um basquetebol que privilegiava a partilha de bola no ataque, sendo um basquetebol diferente daquele que estávamos habituados a ver nos últimos anos, cuja manobra ofensiva estava muito assente no jogo exterior. Porém, quando o rendimento da equipa começou a cair, este não mostrou capacidade de a recuperar. Tendo em conta a recuperação que a equipa ainda teve com Carlos Lisboa, não iremos ficar realmente a saber se o Arturo Álvarez não tinha mesmo capacidade para mais, ou se foi apenas utilizado como bode expiatório na pior fase da época, mas a verdade é que o espanhol saiu do Benfica pela porta pequena. Aquando da sua saída, defendia o regresso de Carlos Lisboa porque naquele momento, acreditava que ele era o único homem capaz de recuperar mentalmente a equipa. Por outro lado, também sempre disse desde o dia em que ele regressou, que acontecesse o que acontecesse, teria de sair no final da época. No aspecto mental, a chicotada psicológica fez jus ao nome e surtiu efeito, sendo que Arnette Hallmann chegou a referir numa entrevista ao Record que a mudança no comando técnico foi importante para recuperar mentalmente a equipa. Porém, contra uma equipa como a UD Oliveirense, isso já não seria suficiente, e todas as deficiências técnico-tácticas de Carlos Lisboa acabaram por vir ao de cima, desde a forma como apostava teimosamente nalguns jogadores, como utilizava outros até à exaustão. Carlos Lisboa não é nem nunca será o homem indicado para liderar um projecto na modalidade.
Estrangeiros - desde a época 17/18, já passaram os seguintes jogadores estrangeiros pelo basquetebol do Benfica: Carlos Morais, Raven Barber, Jesse Sanders, Antywane Robinson, Miroslav Todic, Damier Pitts, Quentn Snider, Xavi Rey, Aléx Suárez, Kris Joseph, Micah Downs, Juan Pablo Cantero e Mickell Gladness. Ao todo, são 13 jogadores estrangeiros, a maioria dos quais com experiência na NBA e/ou em campeonatos de topo na Europa, sendo que mais de metade deles não foram mais-valias no Benfica. Já a UD Oliverense, vai buscar jogadores estrangeiros à segunda e à terceira divisão francesa, que no entanto, conseguem ter prestações mais consistentes que os nossos. Quando isto acontece, é porque alguma coisa não está a bater certo.
Rui Lança já avançou que Carlos Lisboa continuará a ser o treinador do basquetebol do Benfica, uma decisão que não faz sentido na minha opinião. No entanto, também há que por os pratos todos na mesa. Quando apenas um dos quatro estrangeiros do plantel faz a diferença, a culpa não pode ser só do treinador.
Quanto a mexidas no plantel, já foram anunciadas as saídas de Mickell Gladness, Juan Cantero, Álex Suárez, bem como as de Cláudio Fonseca (que será jogador do Sporting CP) e do internacional angolano Jaques da Conceição. Micah Downs ainda tem o futuro indefinido, sendo público que tem uma proposta para renovar.
A nível de entradas, já foi anunciada a contratação de Eric Coleman, um dos jogadores bicampeões nacionais pela UD Oliveirense. O poste de 34 anos deverá ser o poste suplente da equipa, visto que na próxima época cada plantel na Liga Placard poderá ter cinco estrangeiros (pelo menos um comunitário). Fala-se também no regresso de João "Betinho" Gomes, após 5 anos no estrangeiro.
Se não houver mais mexidas para além dos estrangeiros, mantemos grande parte dos jogadores portugueses de nível de selecção nacional, o que mostra que fazemos um bom trabalho neste aspecto. O problema é que a nível de estrangeiros deixamos muito a desejar. E o que mais me aborrece neste aspecto, é que se tivéssemos um planeamento, um treinador a sério e um scouting de qualidade, conseguiríamos dominar a nível nacional e fazer melhor figura nas competições europeias com um orçamento bem mais baixo.
Vamos ver o que o Verão nos reserva..."

Benfiquismo (MCCXXVII)

Obrigado

Jonas

"“....Jonas hoje sem marcar ainda, a bola vem para Renato Sanches, vai meter a bola para o lado esquerdo, a bola para Eliseu, carrega o Benfica, vai mandando subir o treinador Rui Vitória, levanta Eliseu, a bola bombeada para a área... É para Carcela Gonzalez, é para Jonas... Atirou.... Goloooooooooooo!!!! Grita-se Golooooo! Goooooooooooooo! Jonaaaas! Jonas Pistolas! Gooooooooooooooooooooooooo! É do Benfica! Todo o Estádio! Todo o Estádio a Festejar Este Golo de Jonas! À Ponta de Lança!” 
Foste a minha alegria. Desde um dia em 2014, enquanto via um Benfica-Arouca no iPhone num hostel em Los Angeles, na espera para o aeroporto e em que me brilharam os olhos ao perceber que tínhamos encontrado ouro.
Foste a nossa extensão no campo, foste o meu porto de abrigo durante os jogos do Benfica, a minha fé, a cabeça, os pés e a inteligência em que eu depositava todas as minhas esperanças e sonhos. Mas antes que eu desate a chorar já enquanto escrevo isto, voltemos atrás.
Eu cresci com um Benfica que não ganhava e tinha uma relação difícil com o golo. Nunca éramos suficientemente bons ou organizados para marcá-los com facilidade. (E quando começávamos a marcar muitos, anulavam-nos. Mas não consta que o Martins dos Santos tivesse e-mail, portanto avancemos). Tudo custava. Quando o Pringle marcava um golo, aquilo era uma coisa tão difícil que eu nem sequer sonhava com outro. No fim de se escalar uma montanha, a pessoa não pensa em escalar outra, e era assim que eu me sentia. E do outro lado havia Jardel, que escalava montanhas a descer, portanto a coisa era negra.
Alguns anos depois, surgiu um paraguaio alto e magro, desengonçado, mas com golo. Cardozo não saltava muito, parecia capaz de perder todas as bolas, mas tinha uma caçadeira no pé esquerdo. Até fazia aquele barulho que a gente ouve nos filmes quando se carrega a arma: tchk-tchk – golo - tchk-tchk – golo tchk-tchk – golo.
Foi quando eu percebi que o Benfica já não tinha dificuldades em marcar golos. Que o golo não era uma quimera impossível, não era tão difícil como ter borbulhas, falta de jeito para falar com raparigas e jogar com esquemas de três centrais com o Ronaldo, Paulo Madeira e Sérgio Nunes. O Benfica não era hegemónico, mas já era uma ameaça. E tinha golo. Quando Cardozo se despediu em 2013/14 (em que faz um início de época verdadeiramente fundamental: jogo em Coimbra, hattrick no derby da Taça que talvez tenha salvo JJ), pensei que dificilmente veríamos alguém igual. Acabar uma relação goleador/adeptos é um desgosto de amor muito difícil de suportar (há uma geração de benfiquistas mais velhos que ainda fala de Eusébio como se falasse da tal e vive ali preso, ainda a sonhar com esse baile de finalistas), e eu achei que ia demorar anos a apaixonar-me outra vez. Estamos ainda em 2014 (Cardozo saiu há meses), a jogar com o Arouca, estou em Los Angeles com a mochila aos pés e o meu coração já tem dono, mas eu não faço ideia do quão feliz me farás. Se soubesse, era possível que eu não aguentasse e que o meu coração tivesse explodido ali mesmo.
O golo, de repente, era uma inevitabilidade. Já não tinha que encomendar a alma ao diabo ou esperar que Poborsky, João Pinto e Nuno Gomes se livrassem dos empecilhos que eram o resto da equipa: o golo ia chegar porque tu estavas lá. Trinta e um na primeira época. Como cartão de apresentação e com golo roubado no final que te tirou o título de melhor marcador do campeonato. Os golos surgiam – e isto é extraordinário – como um bónus de tudo o resto. A equipa girava por tua causa, impunhas sempre o ritmo que nos convinha, baixavas quando era preciso e mesmo que tivesses marcado zero golos eras o nosso melhor jogador. Mas saber que em qualquer cruzamento ou que em qualquer bola perdida na área tu estarias lá foi um bálsamo na minha vida. Porque o golo é o golo. Podemos falar da tomada de decisão, do tabelar, do jogar para a equipa, mas o ter golo não tem preço. Podemos meter as tabelas todas pelas nossas ideias tacticistas acima se ao fim do dia não estiver lá alguém para a meter lá dentro. E tu estavas. Sempre. De pé direito ou esquerdo. De cabeça. Golos feios, lindos ou mais ou menos. Tu estavas sempre. Com a alegria dos amantes e a regularidade dos funcionários. Como se fosses Aimar e Cardozo num só. Hoje, amanhã, para a semana, contra este, contra aquele (só um contra os verdes e contra os azuis e ambos de pénalti, mas perdoamos-te tudo). Tiveste direito a alcunha: Jonas Pistolas (criada pelo Cota do Bigode, lenda da internet). Eras o nosso Pistolas.
Veio depois 2015/2016 e, se um dia alguma coisa te faltar na vida (comida, casa, sexo, amor, o que for), fala com um benfiquista – qualquer um – e ele terá esta época no coração e tudo se arranjará. Não fosse uma tarde suicida do Depor contra o Barça (que acabou com vários golos de Suarez) e tinhas sido Bota de Ouro. Foram golos, golos e golos. Mas mais que isso, foi o amor. O amor em todo o seu esplendor. Eu penso que foi o Diego Armés a primeira pessoa a quem ouvi ou li a frase “Jonas é o amor” e acho que nada podia ser mais justo. Tu foste o amor. A plenitude, a felicidade, a raiva gritada contra a almofada como um adolescente, o primeiro cigarro depois do sexo e a noite de copos em Berlim com os amigos. Foste o amor. Começaste na Supertaça, ao rejeitar o cumprimento de Jorge Jesus como que a prometer guerra, brilhaste de alegria e sorrisos numa segunda-feira na Choupana como se soubesses que tudo ia acabar bem, paraste no ar para cabecear uma bola contra o União da Madeira, atiraste de pé esquerdo no último minuto no Bessa e fizeste-me atirar para a televisão e levar com mais três benfiquistas em cima de mim enquanto uma criança de dois anos olhava para nós estupefacta, e mais depressa me esqueço do aniversários dos meus irmãos do que daqueles primeiros vinte minutos infernais que tu e o Mitroglou jogaram em Alvalade, numa noite de Março de 2016. Tu eras o amor. O nosso chão, o nosso tecto, a nossa casa. Tu eras o nosso lar, até nas associações: com Lima, com Gaitan, a eterna sociedade com Pizzi e até com André Almeida. Além disso, os rivais odiavam-te e eu amava-te ainda mais por isso.
Um dos lances que mais me marcou no Vietname do Benfica foi num Leiria-Benfica, penso que em 2000/2001. Há uma jogada a meio-campo, é assinalada uma falta quando Sabry cai e, com o jogo parado e com Sabry no chão com a bola no meio das suas pernas, Bilro e Tiago aproveitam o facto da bola lá estar e pontapeiam-no várias vezes. Nas barbas do árbitro (Lucílio Baptista?). Nem um amarelo. Nada. Éramos achincalhados e gozados. Ninguém nos respeitava. Odiavam-nos e faziam de nós o que queriam. Chorei de raiva a ver esse lance. Lembro-me de berrar para a televisão sozinho em casa. Quando insultaste, sem vergonha e para as câmaras, o guarda-redes do Marítimo que passou o tempo a chatear-nos e a fazer anti-jogo, quando cavavas penáltis e a redacção d`O Jogo espumava tanto de raiva que te dedicava capas, eu sorria. Eu amava-te mais. Continuávamos a ser odiados, mas já ninguém nos dava pontapés no chão. Porque contigo voávamos. E tu eras cabrão o suficiente para vingares aquilo que tínhamos passado. Representavas-nos.
São só dezoito golos em 2016/2017 porque estiveste muito tempo lesionado. No ano seguinte foram trinta e sete e a jogar sozinho na frente, mas as lesões tiram-te do jogo do título. A retirada aproximava-se (nós sabíamos e já tínhamos vivido isto com Cardozo) e tornas-te um líder espiritual. No banco e de barba, a dar indicações. A manter-nos vivos no Inverno de 2018 (vitórias em Setúbal e na Madeira) e a ser absolutamente decisivo a entrar contra o Portimonense e a dar electricidade à equipa. É tua a pressão que dá o primeiro golo do Rafa e põe o estádio no jogo. No teu pior ano, quinze golos. No total, são 137 golos, 42 assistências e 4 campeonatos em 5. O Benfica é hegemónico por tua causa. Aos trinta e tal anos tive direito ao meu Jardel. Foi como se me limpasses a adolescência e me alegrasses a vida adulta. Não há 126 milhões que paguem isso.



Foste a minha alegria. Foste o golo que vinha sempre. És o amor, Jonas Pistolas. Obrigado por tudo."

Adeus, a um Imortal...

Que Benfica se pode esperar na pré-época?

"Falar em pré-época é sinónimo de falar em reforços. Seguramente que, no seio da família encarnada, os jogos amigáveis servirão para começar a dissipar as primeiras dúvidas sobre os tão esperados reforços. Os adeptos procuram ver os primeiros toques das novas caras, de forma a conseguirem imaginar um futuro risonho para as suas cores.
Esta pré-época tem a particularidade de ser a primeira de águia ao peito não só para alguns jogadores, como para o tão acarinhado Bruno Lage. Na época passada, durante o reinado de Rui Vitória, o objectivo inicial da época era preparar a equipa para os desafios de apuramento da Liga dos Campeões. Este ano, com esse apuramento garantido e com a noticia de que Bruno Lage pretende jogar um futebol divertido, é seguramente esperado um SL Benfica bem diferente do que foi o do ano anterior.
Para a época 2019/2020, o plantel encarnado não sofreu grandes alterações, até ao momento. Do último onze apresentado no campeonato, apenas sai João Félix na tão badalada transferência para o Atlético de Madrid. Como novas aquisições temos Raúl de Tomás, como substituto directo do jovem natural de Viseu, Chiquinho, Cádiz e Caio Lucas.
Com o actual treinador a ser conhecedor das características do plantel à sua disposição e privilegiando em vários momentos a rotação de jogadores, espera-se um SL Benfica com um onze diferente de jogo para jogo numa fase inicial, sem grande intensidade mas praticando um bom futebol.
Quando assumiu a equipa principal do SL Benfica, não é novidade que Bruno Lage pretendia numa primeira fase voltar a trazer adeptos ao estádio e consequentemente fazer as pazes com o terceiro anel. Pois bem, esse objectivo rapidamente foi atingido e, por isso, acredito que se o mister afirma que quer divertir o público, o mesmo irá acontecer garantidamente.
Não tenho dúvidas que iremos ver uma equipa mais solta, com menos pressão sobre a camisola que veste, jogadores de ataque com menos responsabilidades no sector defensivo, com o único objectivo de presentear os adeptos com um bom futebol.
Mas nem todos os jogos serão seguramente desta forma, pois além de uma fase inicial, a pré-época tem também a sua fase final.
É nesta fase que começa a existir os cortes no plantel, ficando de dia para dia mais pequeno até ter o desejado número ideal de jogadores. É ainda nesta fase que a pressão aumenta, pois a Supertaça aproxima-se a passos largos.
Não sou defensor de que os maus resultados numa pré-época não são motivos de alarme, pois ao longo dos anos tem sido visível que o desempenho de uma equipa nos jogos amigáveis é o reflexo da mesma nos primeiros jogos do campeonato.
Recordo-me de um jogo amigável, que culminou com uma vitória por 2-0, numa fase muito prematura da pré-época, na época 2009/2010, contra o então vencedor da Liga Europa, Shakhtar Donetsk. Lembro-me desse jogo como se de um oficial se tratasse. Foi um SL Benfica fortíssimo, cheio de intensidade e com um futebol super atractivo. Tratou-se de uma pré-época com um futebol entusiasmante, o que acabou por se prolongar por toda a época.
Embora não seja regra de que uma equipa que tenha uma má pré-época vá ter necessariamente um mau arranque, ou vice-versa, é necessário manter sempre os níveis de concentração nestes tão importantes jogos amigáveis.
Assim sendo, espero que Bruno Lage cumpra com o pretendido, mas sem esquecer que o jogo contra o Sporting, que define o primeiro titulo da época, está já ao virar da esquina."

Mais um treino...

terça-feira, 9 de julho de 2019

A grande tranquibérnia das Salésias...

"Antes e depois dessa jornada eléctrica que acabou com o golo de Martins ao Belenenses, a quatro minutos do fim, oferecendo o título de campeão ao Benfica, muito se escreveu nos jornais e muito se papagueou nos cafés da capital.

João Baptista Martins nasceu em Sines e jogou no Benfica. No Sport Lisboa e Sines, melhor dizendo. Jogador formidável! Figura da história do Sporting.
E do futebol português: foi o primeiro marcador de um golo na Taça dos Campeões, frente ao Partizan de Belgrado, no Estádio Nacional.
Em Alvalade, chamaram-lhe o Sexto Violino. Era tido como o herdeiro de Peyroteo.
Ora bem, João Martins teve um grande importância, em 1955, no título de campeão ganho pelo Benfica.
Reparem: nas Salésias, o Belenenses recebia o Sporting. Ganhando era campeão.
Com Matateu, ninguém duvidava de que vinha aí o segundo título para os azuis. Não veio.
Por causa de Martins. A quatro minutos do fim, fez 2-2. O Benfica venceu em casa o Atlético.
Costa Pereira. 'Não me lembro de nada. Disseram-me: 'somos campeões'. Fiquei inerte no relvado. De joelhos. Só voltei a mim quando me carregaram em ombros'.
Joaquim Bogalho, o presidente: 'Não me peçam para falar. Sinto-me incapaz. Andei meses e meses perdido num desconsolo, já convencido de que nada haveria a fazer para ganhar este campeonato. Senti-me de tal forma triste, desiludido, que ponderei não tomar posse do cargo para o qual fui eleito. Senti que não o merecia. Dei por mim a dizer com os meus botões: 'és a ruína do futebol do Benfica!' E, agora, esta festa. O futebol é um desporto inacreditável!'.
No Restelo, os adeptos não ficaram de braços cruzados. Lançaram uma petição: que todos os sócios contribuíssem com dinheiro para pôr nas vitrinas do museu do clube uma taça de campeão. Considerava-se merecedores dela.

Confusões
O jogo das Salésias chegava ao fim entre lágrimas. Lágrimas de profunda tristeza. A direcção não teve dúvidas: apesar do empate e da perda do título, haveria um prémio de 500 escudos para cada jogador. Matateu, o grandíssimo Matateu, chorava como um menino: 'Só sei que chutei, vi o Carlos Gomes defender a bola em cima do risco de baliza e o fiscal fazer o gesto de correr para o centro do campo. Era golo! Era o 3-1. Ficaríamos descansados, ganharíamos tranquilos. Mas o árbitro decidiu que não, que a bola não passara toda para além da linha. Que pena, que pena...'
Martins abraçou-se a Carlos Silva. O enorme Carlos Silva, meu tão querido amigo já desaparecido. Como se lhe pedisse desculpa por aquela espécie de traição. Carlos Silva era duro, vigoroso, mas sempre um senhor.
Domingos Miranda era o árbitro.
No momento em que apitou para o final do encontro, um espectador entrou em campo, possesso raivoso, e quis ir-lhe aos fagotes. A polícia foi obrigada a intervir.
Alguns perderam as estribeiras. Muitas vezes a tristeza transforma-se em raiva, como foi o caso.
Gritos de revolta. Homens inconsoláveis. Scopelli, o treinador do Sporting, refugiado em Portugal por via da II Grande Guerra, que treinara o Belenenses por duas vezes, tinha sido acusado antes do jogo que iria facilitar para que o seu Belém ganhasse. Ora, Alejandro Scopelli Casanava, nascido em La Plata, na Argentina, no dia 12 de Maio de 1908, que vestira a camisola da Cruz de Cristo também como jogador, era de uma seriedade inatacável: 'Não brinquem com o meu profissionalismo, com o meu brio. Uma coisa é a enorme simpatia que sinto pelo Belenenses, que sempre me tratou como um principie, outra é a minha responsabilidade com o meu patrão, com os sócios do Sporting, com a verdade desportiva. Não, meus senhores, não me envolvam em porcarias sórdidas que estão para lá do meu entendimento'.
Travassos também era tema de conversa nos cafés da capital. Estava lesionado, e muita da má língua punha em causa essa lesão, garantindo que era mais uma das manigâncias montadas para garantir o título ao Belenenses. Travassos coitado, desesperado com essas acusações: 'Passei as últimas três noites em sofrimento intenso por causa da lesão que sofri frente ao Covilhã. Poupem-me! Nem consigo dormir! Acham que esses insultos mexem comigo? Comigo, que fui sempre exemplar na minha profissão?'
Com dores ou sem elas, foi o jogo, contribuiu para o primeiro golo do Sporting.
Otto Glória, no seu estilo pachola, desfazia todas as tranquibérnias: 'Mas alguma vez, alguma equipa vai deixar o adversário ganhar, seja lá pelo que for? Que disparate! Deixem-se disso. O Sporting fez o seu papel, e nós, o nosso. Fomos campeões. Percebo a tristeza dos belenenses, mas o futebol é mesmo assim'.
Prémio de consolação para os azuis das Salésias: convidado para uma grande digressão pelo Brasil, o Benfica deixou-lhe o seu lugar na Taça Latina, na qual participaram pela primeira e única vez."

Afonso de Melo, in O Benfica

Campistas invadem o Estádio da Luz

"No 'verão quente' de 1975, Portugal tornou-se, com a ajuda do Benfica, a meca do campismo e caravanismo internacionais.

Por feliz coincidência do destino, no ano em que o Benfica celebrava as bodas de prata da sua secção de campismo, Portugal foi o país eleito para receber o 36.º Rali da Federação Internacional de Campismo e Caravanismo. O evento, realizado entre os dias 12 e 11 de Agosto, tinha como palco principal a Lagoa de Santo André, em Sines.
A Federação Portuguesa de Campismo e Caravanismo pediu ajuda à secção de campismo do Benfica, comprometendo-se esta a dar todo o apoio necessário aos campistas estrangeiros e nacionais que se inscrevessem no Rali. A ideia não poderia ser melhor, e a secção de campismo do Clube podia celebrar com toda a pompa e circunstância os seus 25 anos de existência. Em pouco tempo, começou a surgir nos terrenos contíguos ao Estádio da Luz um enorme parque campista.
A iniciativa foi arrojada, montando-se estruturas capazes de servir mais de mil pessoas! Nada faltava nesta aldeia campista: restaurante, supermercado, bares, secção de lembranças, correio e câmbios abastecimento de gás, posto de primeiros socorros, instalações higiénicas e sanitárias, instalações sonoras, salas de convívio. O acampamento abriu portas no dia 26 de Julho, contando desde o início com diversos eventos, como a exposição de material de campismo, exposição fotográfica, visitas à cidade de Lisboa, actuação do Orfeão do Benfica, provas desportivas e o Fogo de Campo.
Até ao dia 16 de Agosto, data do seu encerramento, estiveram no parque 839 campistas, de 18 países. A maior representação foi a de França, com 123 participantes, seguindo-se Portugal com 112 e Checoslováquia com 88.
Foi um verdadeiro sucesso, tendo em conta o momento delicado pelo qual o país atravessava. O sr. Van Rosmalen, que por lá passou, expressou em poucas palavras a satisfação e o entusiasmo geral face ao evento: 'magnífica ideia dos campistas do Benfica. Excelente local e instalações muito boas sob todos os aspectos'. Se no início muitos estrangeiros estavam receosos quanto ao clima que iriam encontrar em Portugal, na hora da partida tinham ficado rendidos com o nosso país e com a magnífica aldeia campista do Benfica criada para servir de apoio ao Rali Internacional.
Poderá conhecer mais sobre as várias modalidades ao longo da história benfiquista na área 3 - Orgulho Ecléctico do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ricardo Ferreira, in O Benfica

Benfica Podcast - ep. 327 - The Boys are Back

Benfiquismo (MCCXXVI)

Líder...

João Félix e a azia dos da anedota da Avenida da Liberdade

"Ninguém como o Sport Lisboa e Benfica investiu em infraestruturas e na formação como pilares de uma estratégia de afirmação desportiva num país com sociedade e estrutura económica como o nosso.

A frustração é um estado de alma que ensombra demasiada gente. Talvez não tanta como a inveja, própria de quem, insatisfeito com a sua condição individual ou comunitária, prefere a nivelação por baixo ao esforço de sustentação da ambição no trabalho. É conhecida a anedota do português e do norte-americano que, na Avenida da Liberdade, vislumbram a passagem de uma potente viatura automóvel, enquanto caminham, divergindo nos comentários. O português sentencia “aqueles ainda vão andar a pé como nós”. O norte-americano proclama, em sentido inverso, “não, ainda vou ter um carro como aquele”.
Nenhum acontecimento como a transferência de João Félix do Sport Lisboa e Benfica para o Atlético de Madrid colocou tantos espécimes do comentário e das tribos clubistas da azia na rota da anedota. Sim, autênticas anedotas.
“A cláusula de 120 milhões é uma loucura, nunca será paga por ninguém”. “O Atlético não vai concretizar o negócio”. “João Félix não vale os 120 milhões.” “A época e a opção de João Félix vão correr mal.” “Só aconteceu porque o agente era Jorge Mendes”. “Investigue-se”. E outras projecções de uma incontornável azia e inveja.
Tal como o da Avenida já devia saber trabalhar com sentido de futuro, a intriga do jornal da manhã, a espuma de um dia qualquer e uma espiral de corridas atrás do prejuízo só dão maus resultados. É assim na vida quando se afundam órgãos de comunicação social ou quando o único activo de vida é analisar o que os outros fazem e esboçar bitaites de como deveriam fazer. Podem até receber prémios da tertúlia, mais cartilheiros de que qualquer senso comunicativo, mas, por obra e graça, mesmo para os crentes, o mais certo é a coisa não ir lá.
Ninguém como o Sport Lisboa e Benfica investiu em infraestruturas e na formação como pilares de uma estratégia de afirmação desportiva num país com sociedade e estrutura económica como o nosso.
Ninguém como o Sport Lisboa e Benfica incorporou a ambição de investir em inovação, na valorização da marca e qualificação do contexto proporcionado aos atletas, aos treinadores e aos restantes profissionais.
Ninguém como o Sport Lisboa e Benfica foi vítima de um criminoso digital e dos seus conluios, armados em cavaleiros de um alegado apocalipse justiceiro assente na prática de crime organizado, negado em qualquer Estado de direito. Dez anos de correspondência privada, institucional e desportiva de uma entidade cotada na bolsa que acabaram nas mãos de clubes concorrentes, também cotados na bolsa. E, pasme-se, nenhuma dessas almas penadas que sustentam que os fins justificam todos os meios disponibilizou já, numa plataforma qualquer ou ao sistema judicial, o conteúdo integral das suas comunicações digitais dos últimos dez anos.
O que não nos mata deixa-nos mais fortes. E o foco deve continuar a ser o de fazer o trabalho de casa, da formação onde despontam crescentes talentos, do posicionamento do clube em Portugal e no mundo com os seus adeptos, com uma permanente ambição de consolidação de um caminho de solidez, sustentabilidade e construção do único futuro para um clube português, ainda que com impulsos globais.
Os rapazes da Avenida da Liberdade à nossa volta, entre condicionamentos da UEFA, insuficiências de uma gestão anquilosada e tumultuosas vivências internas, apesar das derrotas desportivas e judiciais, já demonstraram que vão prosseguir o caminho de sempre, a pé, a puxar para baixo e a desejar que a continuação da carreira de João Félix seja mais próxima da receita obtida pela ida de Herrera (zero) para Madrid do que dos milhões que o Sport Lisboa e Benfica encaixou.
Há gente que não aprende nunca. Seguirão a pé e cada vez mais a falar quase sozinhos, afinal como aconteceu quase sempre por onde passaram.
É tempo de recomeçar a conquista, do 38 e de tantos outros nos escalões e nas modalidades. Carrega, Benfica!
(...)"

Quem é David Tavares?

"Da geração de 99, tal como vários colegas com bastante maior notoriedade (João Felix, Gedson Fernandes, Florentino e Jota), David Tavares foi na temporada passada chamado à pré-temporada da equipa principal, mas uma lesão gravíssima afastou-o dos relvados durante quase um ano.
Um revés duríssimo para quem em idade tão prematura pretende afirmar-se ao mais alto nível. 
Depois de uma temporada inteira praticamente sem jogar (voltou no último mês e realizou algumas partidas nos sub23 e na equipa B dos encarnados), David volta a ter a oportunidade de fazer o período preparatório com a equipa principal.
Onde poderá encaixar?
No actual modelo de Bruno Lage, seria concorrência para a posição de médio centro. É muito reactivo na perda, e agressivo defensivamente. Também sem bola vence sucessivamente duelos, acrescentando qualidades em ambos os momentos defensivos.


Com bola, tem semelhanças evidentes com Renato Sanches. A capacidade de progressão, o arriscar sair em condução, são marcas do seu jogo, que prima também pela qualidade do seu passe. No actual Benfica seria portanto uma alternativa a Gabriel, e não tanto a Florentino.
Fisicamente e nas suas capacidades condicionais continua a ser um elemento poderoso, pese embora o ano que esteve parado e não se desenvolveu, mas é também na habilidade motora e agilidade que demonstra ter argumentos para um jogo veloz e vertical, pela forma como contorna opositores que não lhe adivinham os movimentos.
A grave lesão que teve, é provavelmente a grande razão pela qual ainda deverá voltar à equipa B dos encarnados, mas o seu destino mesmo o que de médio prazo será sempre a chegada ao escalão maior."

segunda-feira, 8 de julho de 2019

A reunião que mudou o destino do Benfica

"Nas últimas horas, o mundo benfiquista foi abalado por uma notícia ainda mais chocante do que as contratações de Nelo e Tavares no verão de 1994. Algo pior do que um aumento dos redpasses, uma terrível campanha da Champions, ou alguém ver uma luz e voltar atrás numa decisão, o que está a chocar os benfiquistas da internet é um encontro entre elementos do Sport Lisboa e Benfica e alguns sócios.
A 7 de Junho teve lugar a última Assembleia Geral Ordinária. Indo ao site do clube verificamos que «O ponto único da reunião magna benfiquista foi apreciado e votado por 634 Sócios (correspondente a 15 009 votos), tendo o mesmo merecido 13 131 votos a favor (87,49%) e 946 contra (6,30%). A abstenção cifrou-se em 932 votos (6,21%).» Destaco seguinte: 634 sócios. Estiveram presentes 634 sócios naquela sexta-feira à noite. Não estava frio, não estava calor, não chovia, mas era fim de semana prologando e isso complica sempre alguma coisa. #prioridades (como se diz na internet) 
Nessa noite, há um mês, ouvi a apresentação do orçamento, votei e depois decidi que iria falar. A ideia estava na minha cabeça há umas horas e só faltava saber se teria coragem e força para discursar. Devia ser quase meia-noite quando falei. O tempo foi pouco, é sempre pouco, e, sobretudo, parece ainda menos. São pouco mais de dois minutos mas acho que tudo o que tinha para dizer passou, que chegou aos consócios. Aos 634 sócios que estavam ali. E depois a mais uns quantos que leram isto: De muitos, um A ideia sempre foi muito clara: vivemos um tempo de ditadores de sofá agarrados a um telemóvel, computador ou tablet, e dirigir um clube como o nosso é extraordinariamente complexo. Liderar a parte empresarial de uma marca como o Benfica é um verdadeiro quebra-cabeças e, neste mundo, nada é o que parece. Talvez seja por isso, que não quero um Benfica-empresa, que não gosto deste futebol moderno, mas que ao mesmo tempo não consigo deixar de sofrer por aquelas camisolas berrantes.
No final da Assembleia, todos os que falaram nessa noite foram convidados a ir ao Seixal expor com mais tempo e pormenor o que havia sido dito. Parecia um convite inesperado e pouco realista mas teve mesmo um resultado prático, houve mesmo reunião. Ou seja, a SAD e alguns elementos do clube acharam que seria importante mostrar uma abertura para com os sócios. Alguns dirão que há um interesse maquiavélico por detrás, que pretendem calar os contestatários, que pretendem passar a cartilha, que pretendem fazer uma operação de charme. Honestamente, acho que é um pouco de tudo. E não vejo mal algum nisso porque sinto que uma atitude de abertura aos sócios será sempre positiva. Também porque me sinto confiante em mim mesmo e sei que nada mudou na minha forma de analisar o clube e quais as minhas ideias para o futuro do mesmo. A principal mudança é que agora tive acesso a mais alguma informação e que posso passá-la de forma responsável a alguns amigos e colegas que vivem o clube da mesma forma.
Não sou o Cavaco Silva, não tive acesso a nenhuma informação privilegiada que me fará enriquecer com compra e venda de ações nos próximos tempos. Apenas ouvi pessoas do clube, de diferentes áreas empresariais e desportivas, a explicarem o que está «na parte escondida do iceberg». E ouvir o que os outros dizem é o mais importante. Ouvir mais, falar menos. Tentar compreender o que nos dizem, observar atitudes e gestos repetidos para compreender a razão e a lógica das pessoas ou das empresas. Na noite de 7 de junho disse que «O Benfica é feito por nós aqui, na Assembleia. E é feito no estádio da Luz, nos outros estádios, nas roulottes, nas viagens, na casa dos avós, dos primos e dos tios, ou no jogo de bola na nossa rua (…) O Benfica é uno e é múltiplo, é singular e é diversidade, é liberdade de expressão e de que questionar. Nunca se esqueçam, o Benfica é nosso e faz-se de todos. Da opinião de todos.» E tudo isso se mantém, mais do que isso, tudo o que disse na altura faz ainda mais sentido atendendo ao que se passou nas últimas horas.
Nas últimas horas, discutiu-se em fóruns e no Twitter qual a razão para termos ido, quem somos nós, foi dito que nos tornámos «elementos da Mossad», foi adulterada informação sobre a reunião, foi posta em causa a integridade de desconhecidos. A internet é um local bizarro, é mesmo, todos opinam e quase sempre todos opinam sobre os motivos errados. Vivemos numa era de velocidade e de opiniões, o resultado é quase sempre lastimável. Não me interessa se eu fui usado, ou se ganhei street credit com a reunião, o que ganhei foi conhecimento sobre o clube e isso aconteceu apenas e só por um motivo: o clube decidiu premiar quem falou na última Assembleia Geral. É fundamental compreender isto: o clube tem mais de 230 mil sócios, desses só 634 saíram de casa naquela noite, destes nem 20 foram falar. É isto que nos torna diferentes, não uso especiais, uso apenas diferentes. Fomos dar uma opinião, lamentar-nos, apresentar propostas ou, simplesmente, dar valor a um direito que temos num clube democrático como o Benfica: falar. Dar uma opinião no local mais importante do clube. A Assembleia Geral é o órgão social mais importante de um clube, vide Sporting, e é importante que todos percebam isso. É na AG que se faz Benfica, é lá que se evita que se alterem estatutos ou se comprometa o futuro, não é na internet. Nas últimas horas houve tanta gente a medir pilas alheias que se esqueceram de ver se ainda têm algo no meio das pernas. Mostrem-se valentes e participem (democraticamente) na vida benfiquista.
E pluribus unum."


PS: O mais engraçado que li sobre esta reunião, foram as reacções de alguns dos sócios convidados: afinal mandar uns bitaites no teclado ou sentados no sofá, não é a mesma coisa, do que tomar decisões com conhecimento próprio sobre os diversos assuntos!!!!
Também foi engraçado a critica: «Então agora o Presidente passa informação confidencial a qualquer um?!!!» Não, neste caso, foram a sócios que tomaram da palavra na última Assembleia Geral...
Informar os sócios em privado, sobre alguns assuntos do Clube, pelo que sei, ainda não é crime!!!

SL Benfica reforça as alas com Caio Lucas

"O Sport Lisboa e Benfica reforçou o seu plantel com a contratação do jovem extremo de 25 anos, Caio Lucas.
O brasileiro tem no SL Benfica, a primeira oportunidade de jogar na Europa, após passagens pela Ásia onde jogou nos japoneses do Chiba Kokusai, no Kashima Antlers e nos Emirados Árabes Unidos, ao serviço do Al Ain FC.
Caio Lucas tem uma capacidade técnica acima da média e desequilibra a equipa adversária com muita facilidade, atributos que são apreciados pelo clube da Luz. O seu estilo de jogo rápido e algo inesperado, tornam o jogador verdadeiramente imprevisível para os defesas adversários. Na sua última equipa, o Al Ain, o extremo brasileiro realizou 120 jogos e apontou 48 golos.
No plantel das águias, Caio tem a concorrência directa de Cervi, Rafa Silva, Zivkovic e Toto Salvio, estando este último na porta de saída e, sendo assim, Caio Lucas apresenta-se como um substituto de uma possível vaga nos corredores ofensivos dos encarnados.
Com contrato até 2023, espera-se do jogador um activo importante já na próxima temporada para a conquista de títulos de águia ao peito."

O futebol feminino poderá melhorar o masculino?

"O Mundial feminino mostrou que o futebol, sem truques, burocracias e envenenamentos, é sedutor sempre que jogado com qualidade e paixão, o que também inclui respeito pela equipa adversária e pelo público. Este Mundial, jogado em França, pelo espectáculo e pelo interesse que suscitou, mostra que há algo de novo na competição desportiva. Também traz alertas reforçados para o sistema que se serve do futebol português.

O caso português. Primeiro, apareceram as noites de futebol falado que foram proliferando nos principais canais de televisão por cabo. A conquista de audiências puxou o culto da máxima intriga, até insulto. Agora, este futebol falado também ocupa parte das tardes de televisão, com especulações sobre eventuais transferências. Na maior parte dos casos, nada há de novo, mas há audiência fácil conquistada a custo baixo, sem necessidade de investimentos em reportagem. Os programas da tarde ainda estão livres dos envenenadores que atacam à noite em alguns dos canais.
Abundam lugares vazios em bancadas de vários estádios de futebol portugueses em jogos do principal campeonato masculino. Porquê? O que é que leva ao afastamento do público? Será a baixa qualidade do futebol jogado? Será a falta de ligação entre a equipa e a comunidade, efeito de escassa participação de jogadores criados no clube que prefere importar futebolistas, muitos só de passagem? Será o discurso grosseiro de alguns dirigentes? Será o tal envenenamento produzido pelo futebol falado? A realidade mostra-nos jogos da liga principal portuguesa com apenas escassas centenas de espectadores nas bancadas. É um caso português, sem paralelo por exemplo em Espanha onde jogos do segundo escalão chegam a ter dezenas de milhar de espectadores.
Junta-se uma outra pergunta: o que se passa com o trabalho de formação em alguns clubes? Será que preferem importar jogadores com qualidade incerta a formá-los nas suas escolas? O caso do Sporting é flagrante: criou, com o empenho de Aurélio Pereira e outros, uma academia que formou sucessivas gerações de grandes futebolistas, de Paulo Futre a Cristiano Ronaldo, passando por Luís Figo e tantos mais. Quantos futebolistas da academia do clube integram a tão financeiramente asfixiada actual equipa principal do Sporting? É, neste aspecto, devido elogiar os bons resultados da actual formação, tanto no Benfica como no Porto.
A Federação Portuguesa de Futebol tem gente competente no ofício, a começar pelo topo. A Liga dos Clubes anuncia boas intenções. As selecções masculinas funcionam e ganham, ainda que sem jogo de encantar. Mas o sistema de muitos dos clubes parece nefasto para que o futebol seja um espectáculo sedutor.
Poderemos esperar a reforma do modelo de dirigentes nos clubes de futebol e passar a ouvir prazer em vez de ódios nos serões do futebol falado? Parece pouco provável.

O mundial feminino. O jogo das meias-finais, entre as selecções dos Estados Unidos e Inglaterra foi visto por 11,7 milhões de pessoas no Reino Unido e tornou-se, de longe, o programa de televisão mais visto este ano nas ilhas britânicas. Não se pense que o entusiasmo é apenas produto do orgulho britânico. A selecção francesa já estava fora do Mundial e, mesmo assim, mais de seis milhões de pessoas viram este mesmo jogo em França – significa 31,1% do público diante dos ecrãs franceses nessa noite.
O interesse dos franceses nas transmissões dos jogos deste Mundial feminino fica atestado pelos números de espectadores em dois jogos da selecção francesa: 12 milhões no jogo com as brasileiras, 11,8 milhões no jogo com a selecção dos Estados Unidos. É escassa a diferença em relação aos 12,5 milhões que viram o França-Uruguai, nos quartos-de-final do Mundial masculino, no ano passado, jogado na Rússia (os uruguaios tinham afastado os portugueses nos oitavos-de-final).
Também neste Mundial feminino, a meia-final jogada entre a Holanda e a Suécia fez o quase pleno (79,8%) entre os telespectadores suecos e a televisão holandesa anuncia que esta transmissão é o programa mais visto desde a meia-final Holanda-Argentina, na meia-final do Mundial masculino de 2014, no Brasil.
Há relatos de mais de enormes audiências nos Estados Unidos. O triunfo das americanas é tratado com excepcional destaque a cinco das seis colunas no topo da primeira página do The New York Times, também no The Washington Post, ou em jornais financeiros como The Wall Street Journal e o Financial Times. Para o The Dallas Morning Post elas são “simply the greatest”.

O poderio das futebolistas dos Estados Unidos. Esta selecção feminina tem um palmarés de domínio absoluto: já ganhou quatro (1991, 1999, 2015, 2019) dos oito campeonatos do mundo e quatro ouros olímpicos (1996, 2004, 2008, 2012).

De onde vem este poderio? Em 1970 havia 700 mulheres futebolistas nas escolas dos EUA; agora, há mais de 390.000. Uma lei, conhecida como Título 9, aprovada em 1972 pelo Congresso dos Estados Unidos, proibiu toda a discriminação nos programas de educação financiados pelo Estado. Esta lei levou à generalização das competições desportivas femininas nas escolas e universidades nos Estados Unidos. O futebol foi uma das modalidades que dispararam nas universidades. No final dos anos 90 já estavam lançados campeonatos profissionais femininos e as universidades competiam entre si para terem como alunas as melhores desportistas, no caso, futebolistas. A quantidade gerou modelos inspiradores e a excelência. Assim apareceram Megan Rapinoe, Carli Lloyd ou Alex Morgan. As americanas começaram há muito e assim vão muito na frente. A qualidade da formação contribui para a boa prática e o espectáculo sedutor.

O futebol feminino é uma esperança. O diário Le Monde conta como em Tijuana, no norte do México, epicentro de criminalidade brutal ligada ao tráfico de droga, o investimento na ocupação de terrenos vadios por campos de futebol e a criação de campeonatos femininos está a permitir às mulheres romperem o cerco. Também em Molenbeek, periferia com má fama da cidade de Bruxelas, o futebol feminino é visto como antídoto à estigmatização.
As contas da FIFA sobre este Mundial feminino dizem-nos que a média de 20 faltas no conjunto dos 54 jogos mostra melhor comportamento em campo do que no último Mundial masculino, com 27 faltas na média de todos os jogos. Neste Mundial feminino apenas houve um cartão amarelo por simulação.
O balanço FIFA sobre o futebol feminino conta 33 milhões de mulheres que, para se divertirem, para se emanciparem ou pelo prazer de jogarem e ganharem, integram equipas de futebol por todo o mundo. Num subúrbio de uma cidade da África do Sul, numa favela do Rio de Janeiro, numa megacidade da Índia, numa vila da cordilheira dos Andes ou num estádio de Amesterdão, Lyon, Estocolmo ou Londres.
Talvez o modelo do futebol feminino possa ajudar a melhorar o masculino."

Como os Estados Unidos tratam as campeãs a pontapé

"A selecção feminina dos EUA ganhou o Mundial pela quarta vez, bateu recordes de vendas e audiências, mas até comida recebe menos que os homens

Este artigo não versa sobre o futebol feminino, mas sobre algo completamente diferente: o futebol da selecção feminina dos Estados Unidos, que ontem juntou o quarto título mundial às suas quatro medalhas de ouro olímpicas . A eliminatória dos quartos-de-final, com a França, foi o jogo de futebol mais visto em canais norte-americanos de língua inglesa desde o Mundial masculino de 2018. Uma hora depois da final, a Nike tornava público que a camisola desta selecção se tornou a mais vendida de sempre no seu site, feminina ou masculina. E já existem números destes há vários anos.
Apesar disso e sem necessidade aparente, a federação trata de forma muito diferente homens e mulheres. Eles viajam com mais conforto, gozam de bastante melhores condições de trabalho e até lhes dão mais comida ["The National Team: The Inside Story of The Women Who Changed Soccer"*], para além de terem remunerações não só muito maiores como, sobretudo, desproporcionais relativamente às receitas que cada selecção gera.
Quando Megan Rapinoe, ontem eleita melhor jogadora do Mundial, ajoelha durante o hino e diz que não porá os pés "na merda da Casa Branca", é capaz de ter uma ou duas razões para estar irritada com Trump e com o Congresso dos EUA. A própria FIFA, como lembra o site "Politico.com", acha a relva artificial desaconselhável para os homens, mas obrigou as mulheres a jogar o Mundial de 2015 em relvados de plástico, a troco de patrocínios, conseguem adivinhar?, da indústria de relva artificial. 
Aquele lilás do cabelo de Rapinoe é a cor de uma indignação mais do que justificada."

Sporting é de todos e não é de ninguém

"Na ascensão e queda de Bruno de Carvalho há matéria imperdível para doutoramentos em ciências sociais e políticas

No dia 17 de Fevereiro de 2018, no pavilhão João Rocha, Bruno de Carvalho obteve uma vitória esmagadora na AG que lhe alargou poderes e na qual exortou sócios e adeptos a apenas verem a Sporting TV e a lerem o jornal do Sporting. Depois dessa reunião magna, disse o então presidente da mesa da AG, Marta Soares: «O Sporting ganhou a consolidação de uma liderança, que hoje ficou demonstrado ser inquestionável. Poderá não se gostar do estilo, mas o que conta é a dedicação que Bruno de Carvalho devota ao Sporting, com inteligência, competência e vontade de levar o Sporting àqueles momentos altos que desejamos».
Quatro meses e uma semana depois, a 23 de Junho, os sócios do Sporting, em AG destituiva, decidiram, por 71 por cento contra 29, afastar Bruno de Carvalho da presidência do clube. Nesse curto espaço de tempo, houve o jogo no Wanda Metropolitano e, a seguir, o post suicidário de BdC, a rábula do Paços de Ferreira, o adeus à Champions e o ataque a Alcochete. Centro e vinte dias alucinantes bastaram para que o líder supremo passasse a persona non grata.
Entre a AG destituiva do Pavilhão Atlântico e as eleições mais participadas de sempre no Sporting distaram apenas dois meses e meio. Frederico Varandas, eleito com 42,3 por cento dos votos, iniciou um novo ciclo e BdC deu sempre a ideia de que não estava a perceber o que tinha acontecido, habitando numa realidade alternativa. Veio a seguir e decisão do Conselho Fiscal e Disciplinar de expulsá-lo, por actos que foram contra os estatutos do clube, e BdC continuou a falar de injustiça, depois de tudo o que tinha feito pelo Sporting. De AG, em AG, até à reunião magna do último sábado, o ex-presidente foi sucessivamente derrotado, até dizer realmente o que lhe ia na alma: «Sinto vergonha da massa associativa». Entre a AG norte-coreana de Fevereiro de 2018 e esta declaração passou menos de ano e meio. Em síntese, honra ao Sporting que, dentro da mais estrita legalidade, resolveu de forma superior um problema que colocou em causa a natureza do clube. Só uma entidade com uma matriz tão vincada seria capaz de acordar do pesadelo e retornar ao espírito de 1906.
E daqui para a frente? O brunismo, sabedor da volatilidade das maiores nos clubes, continuará o seu caminho, procurando alimentar-se dos insucessos desportivos do Sporting. Esta é a nova circunstância, nascida da queda de BdC.

A profecia que se realizou um ano depois
«Hoje, deixei de ser, para sempre, sócio e adepto deste clube»
Bruno de Carvalho, no Facebook, a 24 de Junho de 2018
cerca de um ano, após a AG que o destituiu da presidência do Sporting, Bruno de Carvalho fez uma declaração, por escrito, em que dava conta de que deixava de ser sócio e adepto do clube de Alvalade. Parecia que estava a adivinhar o que lhe havia de acontecer. Aliás, confesso que nem sabia que era possível deixar de ser adepto de um clube, como quem desliga o interruptor e apaga a luz...

Ás
André Gomes
Depois do Everton ter pago 25 milhões ao Barcelona pelo seu passe, foi-lhe perguntado porque não vingou em Camp Nou. O campeão europeu por Portugal, pura e simplesmente, explicou tudo com o facto de não ter aguentado a pressão e agradeceu aos blaugrana pela oportunidade de jogar com alguns dos melhores. Um senhor!

Ás
Megan Rapinoe
Prevaleceu a lei dos mais forte e os Estados Unidos venceram, pela quarta vez, o Mundial de futebol feminino, que teve na capitã norte-americana, Megan Rapinoe, a principal figura mediática. Os próximos anos vão aprofundar a popularidade do futebol jogado por elas, que está a crescer de forma exponencial...

Rei
José Mourinho
O Special One tem estatuto e condição financeira que lhe permitem dizer não, até a uma oferta de cem milhões de euros para treinar na China. Para Mourinho, o mais importante é encontrar um projecto na Europa que lhe agrade, e é essa parte que, com as equipas de topo a entrar na pré-época, se mostra mais difícil de concretizar.

Que pena não termos outro Agostinho
Está na estrada a 106.ª edição do 'Tour de France', um dos eventos desportivos mais importantes, à escala mundial. É deveras notável a vitalidade que a 'Grand Boucle' demonstra, depois de todas as tormentas relacionadas com o 'doping' que teve de ultrapassar. É a força de uma marca e a força de uma modalidade.

Vitória histórica
São os grandes palcos que moldam a história dos desportivos de elite. A João Sousa, melhor tenista português de sempre, faltava o que lhe está a acontecer em Wimbledon, ou seja, mostrar-se à altura ao mais alto nível, na catedral do ténis. Vi o jogo do vimaranense com o inglês Daniel Evans num restaurante das Avenidas Novas, que está muito longe de ser uma clientela de 'sports café'. E a verdade é que, quando Sousa consumou a vitória, um aplauso espontâneo percorreu as mesas, entre um misto de orgulho nacional e admiração pela forma como o tenista português se entregou à maratona de cinco sets de intensidade elevadíssima. Quando João Sousa entrar no 'court' principal de Wimbledon para defrontar Nadal, sabe que, aconteça o que acontecer, já ganhou..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Bruno de Carvalho, ponto final

"Mais de dois terços dos sócios do Sporting deram a Frederico Varandas uma oportunidade de os fazer felizes

A história de Bruno de Carvalho ainda não acabou: só vai acabar quando a Justiça considerar que chegou ao fim.
Mas a história de Bruno de Carvalho com o Sporting, acredito, acabou mesmo.
Os associados foram chamados a pronunciar-se e mais de dois terços disseram que não queriam mais a sombra do antigo presidente a pairar sobre o clube. Foi um número sintomático, portanto.
Bruno de Carvalho fez muita coisa bem durante muito tempo. Acima de tudo, recuperou a capacidade de colocar os sportinguistas a sonhar: bons jogadores, um bom treinador, uma equipa a lutar por títulos. Perante o que tinha acontecido antes dele, não é coisa pouca.
Mas cometeu um erro capital: achou que o clube lhe pertencia.
Não soube ter a humildade de dar um passo atrás para dar dois em frente: demitir-se para se recandidatar e, muito provavelmente, ganhar as eleições.
Entrou numa guerra que desgastou a imagem dele e, acima de tudo, desgastou o Sporting.
Os adeptos não lhe perdoaram esse braço de ferro que só fez mal ao clube. Por isso, de Assembleia-Geral em Assembleia-Geral, afastaram-no tanto que hoje nem é digno de pagar quotas.
O que os sócios disseram no sábado é que não o querem mais por perto: querem enterrar o passado para olhar para o futuro com esperança.
Sem andar aqui a dar voltas, e voltas, e voltas, em torno de uma coisa que não faz bem a ninguém. 
Sobretudo quiseram livrar-se do fantasma de Bruno de Carvalho e dar a Frederico Varandas a oportunidade de os fazer felizes. É importante que todos pudessem perceber isso.
Mais do que importante, aliás: é fundamental."