Últimas indefectivações

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

As maçãs podres

"Se o braço-de-ferro de Bruno de Carvalho com os clubes interessados em William e Adrien inviabilizar as transferências, o Sporting vai ter um grave problema a resolver

No sábado de manhã, Jorge Jesus estava sob uma pressão brutal. A imprensa dizia que o seu lugar estava em risco se não ganhasse nesse dia em Guimarães e depois em Bucareste. E não eram tarefas fáceis.
Ora, o primeiro jogo já foi ganho – e brilhantemente –, esperando-se agora pelo segundo.
A equipa do Sporting emite sinais contraditórios. Tanto se vê em tremendas dificuldades para marcar um golo ao Vitória de Setúbal em Alvalade como marca cinco com a maior facilidade em Guimarães. Tanto parece jogar em esforço, atabalhoadamente, como pratica um futebol com “nota artística”.
Para este “carrossel” também concorrerão responsabilidades próprias. O principal inimigo do Sporting mora em… Alvalade. O presidente Bruno de Carvalho dá mostras de uma gritante imaturidade e a sua conduta errática transmite-se à equipa. O Sporting tem um bom treinador, tem bons jogadores, faltando-lhe apenas a estabilidade emocional que só o presidente pode dar. E não tem dado.
Isso revela-se em todas as áreas. Neste momento, o clube já devia ter resolvido os casos de William Carvalho e Adrien Silva. O primeiro já não joga (e parece que nem treina) e a sua presença em Alvalade só prejudica o ambiente. E o segundo, que gostaria de ter saído há um ano, ainda treina e ainda joga, mas vê-se que tem metade da cabeça no estrangeiro.
Se o braço-de-ferro de Bruno de Carvalho com os clubes interessados em William e Adrien inviabilizar as transferências, o Sporting vai ter um grave problema a resolver. Não encaixará os 55 milhões que eles poderão valer em conjunto e terá no balneário duas maçãs podres.
Não está em causa o valor dos jogadores nem o seu profissionalismo. Mas já se viu que eles querem experimentar outros voos – e, se ficarem, ficam contrariados. Ora, um jogador contrariado, por mais que se empenhe, não rende.
Julgo, aliás, que ambos deviam ter sido vendidos no rescaldo do Europeu – altura em que estavam mais valorizados. A sua continuidade em Alvalade não adiantou nada, como se viu pelo 3.o lugar do Sporting no campeonato. Contrariamente à maioria dos comentadores, penso mesmo que a presença de William e Adrien na equipa da época passada até a prejudicou. Em minha opinião, o grande problema do Sporting não esteve na defesa nem no ataque – esteve no meio-campo. E o meio-campo era formado por William Carvalho e Adrien Silva…
É urgente que o Sporting resolva esta questão, que tende a constituir--se num abcesso infectado. Quanto ao resto, se o clube passar à fase de grupos da Champions, dará um importante passo para fazer uma grande época. Mas para isso acontecer é indispensável que Bruno de Carvalho se torne um factor de estabilidade e não de perturbação. Talvez o castigo de que foi alvo – e que o afastará da equipa – acabe por ser benéfico."


PS: A importância desta crónica, está no facto do autor ser um Jesuíta convicto, amigo intimo... e normalmente ser uma das vias que o treinador Lagarto usa, para falar, sem abrir a boca!!!

'Grandes' que são gigantes em Lilliput

"Lembrar o 'enorme' José Neves de Sousa através de uma imagem que costumava usar e nos remetia para Swift, Gulliver e Lilliput.

As vitórias fáceis de Benfica, Sporting e FC Porto na terceira jornada da Liga tiveram o condão de acentuar bastante a ideia de que o fosso, em Portugal, entre os grandes e os outros, está cada vez mais fundo e mais largo.
Há alguns anos ainda pairou a hipótese de uma aproximação de clubes como o SC Braga e o V. Guimarães aos tradicionais candidatos ao título, mas essa possibilidade tem vindo a esfumar-se. Houve uma janela de oportunidade, em 2014, quando, a páginas tantas, houve uma (nesga) aberta, mas logo se fechou a sete chaves. Falo da possibilidade gorada de um entendimento que visasse encontrar uma fórmula de centralização dos direitos televisivos, a única chance real de serem colocados meios aceitáveis à disposição dos mais modestos, criando assim condições para um maior equilíbrio. Porém essa revolução nunca passou das intenções e cedo se percebeu que continuaria a ser cada um por si, mantendo-se o regime de castas que permite que uns disponham de orçamentos vinte e cinco vezes maiores que os outros. E é pena. Os espectáculos seriam melhores, a intensidade das competições aumentaria e os treinadores teriam de preocupar-se, quando defrontam os grandes, não só com os trinta metros mais perto da sua baliza, mas também com o caminho até ao guarda-redes contrário.
É fácil criticar treinadores que, na prática, quando vão à Luz, a Alvalade ou ao Dragão, apostam no autocarro. Mas que alternativa lhes resta? Chegam lá e em nome do interesse do espectáculo jogam olhos nos olhos? Disparate! Olhem o que seria de Portugal se o Mestre de Avis tivesse jogado de igual para igual com os castelhanos em Aljubarrota! A táctica do quadrado - o autocarro do século XIV- salvou-nos a independência nacional. Bom, dito tudo isto vamos esperar por um campeonato jogado, sem surpresa, a três velocidades: no Moto 3 dez ou onze equipas, que não visa nada mais que a manutenção; no Mot 2, quatro ou cinco, que entram a cheirar a Europa; e no Moto GP os inevitáveis três grandes, confortáveis neste microcosmos lusitano em que são senhores, emprestando jogadores a eito aos restantes, que assumem papéis de vassalos. Mas, infelizmente, não vêem que não passam, na expressão do saudoso Neves de Sousa, de gigantes em Lilliput.


ÁS
Jonas

Três golos ao Belenenses (e o outro, de meio-campo, que não quis entrar...) e uma exibição muito consistente, revelam um Jonas ao melhor nível, longe dos solavancos e das lesões da época passada. Não será exagero, por certo, dizer que Jonas está a somar créditos para ter lugar no olímpo dos avançados da história do Benfica
(...)

O disco mais ouvido no mercado de verão
«Estou a reflectir se devo sair ou não. O clube e os adeptos são incríveis, mas se quero crescer tenho que sair...»
Pierre-Emerick Aubameyang, jogador do Borussia Dortmund
Este mercado de verão fica marcado por um número significativo de jogadores que, apesar de terem vínculos contratuais activos, forçam a barra para poderem mudar de ares. Além de Aubameyang nomes como Diego Costa, Dembelé, Coutinho ou Alexis Sanches têm andado nas bocas do mundo. Não resolverá tudo, mas oxalá o mercado em 2018 encerre a 31 de Julho...

Barcelona
Ontem, em Camp Nou, no jogo com o Bétis, as camisolas dos 'culés' não ostentaram os nomes dos jogadores. Apenas uma palavra, Barcelona, servia de mensagem contra a barbárie, uma fórmula simples mas eficaz que o futebol encontrou para marcar posição. E mais uma vez se viu como, perante causas civilizacionais, as pequenas querelas da rivalidade ficaram para trás, juntando-se todos os emblemas no propósito comum de combater o terrorismo. Momento de dor, mas também de união, propício a uma reflexão sem fronteiras sobre prioridades.

All Blacks de luto, morreu um gigante
Sir Colin Meads jogou pelos All Blacks entre 1954 e 1971 e foi eleito melhor jogador neozelandês de râguebi do século XX. Faleceu no último sábado, aos 81 anos, e foi manchete em todos os jornais. No site dos All Blacks escreveram assim: «Colin Meads está para nós como Babe Ruth para os americanos»."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Esta sucessão de colunas de opinião, sobre este tema das assimetrias orçamentais no Tugão, tem uma única razão: o Benfica ser Tetracampeão!!!
As diferenças orçamentais no Tugão sempre existiram, sempre... Hoje, todos são profissionais, as condições de treino são boas em praticamente todas as equipas...! Cabazadas sempre existiram e vão continuar a existir... em Portugal, e em todas as outras Ligas europeias... Inclusive na Premier League, onde apesar da centralização dos Direitos Televisivos, os 'grandes' são sempre os mesmos...!!! Já para não falar de outras Ligas com 'fossos' ainda maiores, como em Espanha, em França, na Alemanha ou em Itália... Todas, repito todas, com grandes assimetrias orçamentais...

O facto de na 3.ª jornada do Tugão, os 3 grandes não terem perdido pontos, deve-se essencialmente ao sorteio 'cozinhado' que beneficiou Lagartos e Corruptos: que nestas primeiras quatro jornadas, tiveram 3 brindes descarados... sendo que os Lagartos com os Vitós beneficiaram de uma razia de castigos, lesões e indefinições de plantel; e os Corruptos, no próximo fim-de-semana em Braga vão defrontar um adversário que 72 horas antes terá jogo decisivo de qualificação para a Liga Europa!

Se o Machadês e outros estão preocupados com a competitividade do Tugão, se calhar o principal problema é a competência de alguns treinadores e alguns dirigentes: será que o Tondela que vendeu cara a derrota com os Corruptos tem um orçamento grande?!! Será que o Setúbal, que só perdeu no Alvalixo com muita 'paixão', tem um orçamento parecido com os Lagartos?!! Será que o Chaves, que esteve a segundos de empatar com o Benfica, tem um orçamento igual ao do Benfica?!!!

A centralização dos Direitos Televisivos em Portugal, é uma falsa questão. Portugal não tem dimensão para ter uma Liga competitiva, ponto final. O Benfica, através do seu Presidente já demonstrou abertura para discutir o assunto... Mas alguém acredita que os nossos 'inimigos' (são mesmo inimigos) vão aceitar o facto, provado, que o Benfica vale mais de metade do mercado do Futebol em Portugal?!!!
Isto quando, os Benfiquistas, são impedidos de entrar nos Estádios, com adereços do Benfica, depois de terem comprado bilhetes de forma legítima, que estavam disponíveis para o público em geral?!!!

A solução, a verdadeira solução, em Portugal e nas restantes Ligas, é a 'falada' Liga Europeia, ao estilo americano!!! Mas isso não interessa a alguns...
Já o disse várias vezes, o Benfica, tal como o Ajax, o Olympiakos, os grandes Turcos, entre outros, deveriam estar a fazer lobby activo para a criação desta Super-Liga... só assim, seria possível 'equilibrar' algumas coisas, criando regras claras para a competição (salários e transferências)... e onde os Clubes em competição, teriam todos uma 'base' de adeptos grande (similares entre si), com um potencial de receitas elevadíssimo...

Danos colaterais

"A pressão sobre os grandes está a fazer vítimas. Em 84 anos, é a quarta vez que Benfica, FC Porto e Sporting estão imaculados à terceira jornada

Os grandes entraram na época a fazer jus ao estatuto que os suporta e foi com toda a naturalidade que o FC Porto conseguiu ontem uma vitória robusta e tranquila, dando a resposta esperada às goleadas de Benfica e Sporting, conseguidas na véspera. A superioridade exibida por este trio deixou Manuel Machado a clamar contra as assimetrias do futebol português, esta época ainda mais evidentes no arranque da temporada.
O problema do desequilíbrio de forças havia sido aflorado por Abel Ferreira logo à primeira jornada, após a derrota do Braga na Luz (3-1). Defendeu-se com a diferença de orçamentos, referindo a desproporção de 15 milhões contra 150. A situação deste ano não é diferente das anteriores, existe é sobre os grandes uma pressão incomum.
O Benfica procura um penta inédito, o FC Porto nunca antes esteve quatro épocas seguidas sem ganhar na era Pinto da Costa, o Sporting está em jejum há uma década e meia e o investimento feito por Bruno de Carvalho num projecto comandado por Jorge Jesus, após dois anos a passar ao lado, está no limite da validade. A pressão sobre os grandes é perceptível, audível, quase palpável. E as primeiras respostas estão a ser positivas como poucas vezes o foram. Apesar das assimetrias de sempre, atente-se na estatística: em 84 anos de I Divisão/I Liga esta é apenas a quarta (!) ocasião em que o percurso dos três grandes é imaculado à terceira jornada. É inevitável uma luta tão aguerrida provocar danos colaterais, mas os dos outros campeonatos não têm de se sentir dispensáveis. Bater o pé, fintar o destino é um caminho percorrido há mais de oito décadas."

A falência do negócio-futebol, e o círculo vicioso português

"Clubes portugueses continuam sem olhar, em conjunto, para o produto.

Abel Ferreira atirou para a mesa a diferença de orçamentos quando perdeu na Luz; Manuel Machado previu, depois da derrota no Dragão que, a continuar assim, «o negócio-futebol vai acabar». Há diferenças evidentes (e não começaram agora) nos valores que envolvem os grandes e os outros, que aumentam de forma exponencial quando num dos pratos da balança estão equipas que lutam apenas para não descer, como é o caso da de Moreira de Cónegos.
Os treinadores sentiram-se impotentes perante os dois candidatos ao título, e apontaram para a falta de competitividade que atravessa a Liga. Prefiro ir pela discussão da falta de qualidade na grande maioria das equipas, e da falta de respeito pelo produto.
O discurso é, no entanto, válido e tem antecedentes: a falha de uma negociação colectiva dos direitos televisivos em Portugal, o termo de comparação de uma rica Premier League, capaz de entregar muitos milhões a equipas do fundo da tabela, e a constatação de que os grandes, mesmo com FC Porto e Benfica em fase de contenção, parecem ainda mais longe.
O modelo inglês assenta em cinco parcelas, três comuns a todos os clubes do primeiro escalão: 50% por cento dos direitos TV, transmissões internacionais e base comercial de patrocínios da competição, todas divididas em partes iguais. As outras duas, as de pagamentos de mérito e as de transmissões nacionais (facilities fees), são divididas respectivamente de acordo com a classificação e o número de jogos transmitidos em território britânico. Ou seja, se a base é comum, há factores de diferenciação importantes, que continuam a privilegiar os mais fortes: os resultados e o interesse que os respectivos emblemas suscitam entre a população. Por exemplo, na última época o campeão Chelsea recebeu 164,7 milhões de euros, enquanto o Watford, o último dos que conseguiram a manutenção garantiu 112,2, menos 52,5 milhões.
O sucesso contínuo de uns e menor sucesso de outros levará a que essa diferença eventualmente se mantenha, pouco servindo para a competitividade interna. Claro que poderá sempre aparecer um Leicester de peito-feito, mas não me parece que seja este o modelo que mais potencie campeões-surpresa, ou que os «Foxes» tenham nascido candidatos a partir desta distribuição mais equitativa de receitas.
Os valores dos direitos televisivos dão sim uma força extraordinária aos clubes ingleses mas em comparação com os dos outros países. A competitividade aumenta, mas sobretudo externamente. Entre portas, há sim mais qualidade, e com mais qualidade de intervenientes há um melhor produto. 
A preocupação dos ingleses com o seu produto é evidente. A Premier League nasceu porque os clubes se uniram para criar um melhor modelo que os beneficiasse a todos, e é o que realmente tem acontecido. Não se trata unicamente de um ponto de vista comercial, mas sim cultural. Discute-se o jogo em si, castiga-se quem não o respeita e no imediato, sem grandes demoras. Agora, já se pensa até em limitar o mercado até ao inicio da liga. Sempre o produto em primeiro, porque é este que depois alimenta os clubes.
Por cá, a qualidade parece cada vez menor, a classe média corre o risco de desaparecer a curto prazo. Em três jornadas, as boas notícias trazidas pelo Rio Ave e pelo Estoril e Marítimo a espaços contrastam com a instabilidade vivida em Guimarães e até em Braga, cuja retoma ainda necessita de confirmação.
Os clubes pequenos esperam que Agosto se aproxime do fim para fechar plantéis com os emprestados dos grandes, e deles parecem cada vez mais dependentes. A culpa também é parte deles próprios. No passado, quantos maus negócios fizeram com Benfica, FC Porto e Sporting, a troco de quase nada? Também está nessa subserviência alguma quota-parte do problema. Sem dinheiro agora, não é fácil construir grupos para fazer gracinhas, lutar mais do que a permanência, arriscar um ou outro ponto com os mais fortes. O estrangeiro de escasso talento, a precisar de tempo de adaptação, abunda. Falta, mais uma vez, e primeiro que tudo, qualidade.
O círculo é, como sempre, vicioso. Baixa qualidade gera menos competitividade sim, mas sobretudo um mau produto e menos dinheiro, que não chega para comprar qualidade. Por aí fora.
Enquanto por cá se continua a achar que é o vídeo-árbitro o grande sinal de modernidade e se debate o conceito mais oco que existe, o de verdade desportiva – que nunca será real por muitos penáltis se marquem ou golos se anulem –, outros países deram há muitos anos passos seguros nesse sentido, assumindo a liderança planetária. Alguém duvida de que hoje em dia a Premier seja o campeonato dos campeonatos?
Claro que dificilmente teremos, mesmo quando haja uma verdadeira cultura desportiva e nunca antes, um melhor produto ou um tão rentável quanto o inglês, mas parece evidente que os clubes portugueses precisam de unir-se e trabalhar em conjunto para um bem-maior, um bem comum, que depois os beneficie a todos.
Em Portugal já houve tempo mais que suficiente para se aprender a não pensar tão pequeno.
Porque nos faz pequenos. A todos."

A lição de Inês Henriques que devia chegar a Cristiano Ronaldo

"Nos festejos, [CR7] não resistiu à pulsão narcísica de tirar a camisola e oferecer às câmaras a pose de Action-Man

Faz hoje uma semana que recebemos a notícia duma medalha de ouro nos campeonatos do mundo de atletismo (há dez anos, desde Nelson Évora, que não víamos uma), na marcha, aquela modalidade com qualquer coisa de antinatural pelo modo desarticulado com que os atletas se locomovem. Foi uma prova mista, que abriu a marcha às mulheres na distância de cinquenta quilómetros - até aí só permitida a homens - e exigiu um tempo mínimo comum para participação. Sete mulheres conseguiram-no e marcharam, mas só quatro chegaram ao fim. Inês Henriques cortou a meta à frente dessas quatro e, além da medalha, arrebatou o primeiro recorde mundial. No fim, mostrou a felicidade de quem comete um feito histórico. Mas a sua felicidade primava pela contenção (que não deve ser confundida com modéstia ou humildade) e passava aos jornalistas um discurso grato, onde destacava o seu treinador, um homem que, aos 69 anos, aparecia associado a um grande momento, depois de a ter ajudado a educar o corpo e o espírito para a resistência e para o estoicismo. Por isso, aos 37 anos de idade, Inês Henriques encarava a medalha como uma recompensa do esforço de 25 anos de trabalho, e relativizava o seu feito nas entrevistas: quatro horas a marchar não era nada que se comparasse ao que a mãe fazia todos os dias ao lado do pai, trabalhando mano a mano na venda de carvão e lenha, em Rio Maior.
Horas depois, em Camp Nou, durante o Barcelona-Real Madrid para a supertaça de Espanha, o mais famoso desportista português de todos os tempos marcava um dos muitos fabulosos golos que ornam a sua longa e emérita carreira. Nos festejos, não resistiu à pulsão narcísica de tirar a camisola e oferecer às câmaras a pose de Action-Man. Viu o cartão amarelo, como reza a lei. Dois minutos depois, caiu na área e reclamou um penálti que o arbitro não validou. Em vez disso, mostrou-lhe o segundo amarelo e expulsou-o. Por instantes, o astro perdeu a cabeça e ensaiou um infesto ao juiz de campo, que lhe valeu cinco jogos de suspensão. Ronaldo foi vítima da esparrela mais idiota do futebol: queimar um amarelo a festejar um golo seguido do segundo por pedir um penálti. Num jogador inexperiente, seria só uma burrice. Numa estrela, o estatuto agrava a burrice, até porque, logo a seguir, o sub-21 Asensio marcou também um golo fantástico sem mostrar os abdominais. Ronaldo sente-se permanentemente julgado, injustiçado, como se não consiga ultrapassar o facto de ter ascendido à custa de muito trabalho e abnegação. Para ele, cada golo é uma bofetada em quem o assobia e quem o inveja. Messi, pelo contrário, parece ter nascido no caldeirão dos predestinados. A sua movimentação encarna a realeza genial que dispensa o exibicionismo. Vai ser curioso assistir ao fim da carreira de Ronaldo. A nossa veia provinciana não o tem ajudado. Não é fácil ter o nome num aeroporto. Torço para que a sua saída de cena ainda demore e não lhe ensombre a grandeza. Talvez uma passagem de olhos pelas palavras de Inês Henriques forneça algumas pistas."

Alvorada... com o Manteigas

Benfiquismo (DLXVII)

Zé's Snow !!!

Benfica foi avassalador

"Raúl Jiménez entrou muito bem e com dois passes fantásticos esteve nos dois últimos golos.

Entrada muito forte
1. Que entrada forte a do Benfica! Jonas marcou logo aos dois minutos e com isso a equipa da casa serenou e embalou para uma exibição magnífica. Mas não avencemos tão rápido: o Belenenses até conseguiu reagir bem ao primeiro golo de Jonas e teve 15/20 minutos em que deu a sensação de que poderia equilibrar a partida. Mas há momentos que tudo mudam e num lance em que a equipa do Restelo não conseguiu afastar a bola da sua área apareceu Salvio no jogo, tendo marcado o segundo golo, que acabou por ser a chave. Já que acabou aí o equilíbrio que Domingos procurou com o meio-campo tão povoado.

Fragilidades sem perdão
2. Após esse segundo golo do Benfica acentuou-se ainda mais o domínio dos encarnados, que conseguiram sempre colocar a bola nos seus atacantes, que foram tão fortes que se mostraram imparáveis. De um lado viam-se bons movimentos individuais e colectivos, um futebol de vertigem ofensiva, como a equipa de Rui Vitória tanto gosta. E não conseguia responder o Belenenses, que teve muitas falhas e foi na Luz equipa muito frágil em termos defensivos e principalmente sem força para reagir a um Benfica demolidor, que ainda antes do intervalo conseguiu chegar ao terceiro golo.

Mais desnivelado
3. Em vez de melhorar, o cenário ficou ainda mais negro para o Belenenses no segundo tempo, já que não conseguiu chegar à área do Benfica e não só sofreu ainda mais dois ou três golos porque as bolas ficaram nos postes. Se na primeira parte, com Chaby solto na frente, os visitantes não conseguiram chegar à área, esperava-se que isso acontecesse no segundo tempo com Maurides em campo, homem de área, com mais poder de choque. Mas não foi o que se viu... a bola nunca chegou lá à frente e em vez disso viu-se um Benfica ainda mais avassalador.

Jiménez entrou muito bem
4. O que estava desequilibrado, mais desequilibrado ficou com a entrada em campo de Raúl Jiménez, que esteve nos dois últimos tentos com passes fantásticos. E com tudo isto, houve goleada na Luz e uma superioridade que foi evidente dos encarnados, que poderiam até ter construído resultado ainda mais desnivelado. Aquela entrada forte e o segundo golo foram golpes demasiado profundos no Belenenses, que a partir daí ficou perdido, desconcentrado, desorganizado. Enfim, foi tudo demasiado fácil..."

Bruno Ribeiro, in A Bola

Da segurança de Varela à arte de Jonas

"A veia goleadora de Jonas explica a goleada?
Seria uma visão muito redutora da exibição do Benfica, mas é verdade é que foi Jonas quem deu corpo à goleada. O brasileiro leva 10 golos marcados ao Belenenses desde que chegou à Luz e jogando e fazendo jogar ainda teve tempo para o hat trick. Genial. O entendimento que mostra com Seferovic é de equipa grande.

Fez sentido o Belenenses jogar com três centrais?
No papel talvez o esquema tivesse nexo, mas ao levar o golo tão cedo a estratégia caiu por terra. Para além disso o entendimento nunca foi o melhor, continuando a haver muito espaço para o ataque encarnado. O equívoco teve custos graves e o sistema precisa de muito trabalho por parte de Domingos Paciência.

Foi desta que Filipe Augusto agarrou o lugar?
Fez um jogo muito positivo mas é cedo para confirmar essa tendência. O adversário pouco incomodou o médio encarnado, tal a complacência demonstrada pelo miolo belenense. Há muitos momentos o brasileiro parece ainda meio peixe fora de água. Mas aproveitou a oportunidade de ontem.

Varela não provou que pode ser titular do Benfica?
O jovem guarda-redes tenta prová-lo semana a semana. Mas continua a falar-se de mercado. Rui Patrício está hoje onde está porque Paulo Bento teve coragem. Varela precisa de sorte, talento, confiança... e de Rui Vitória. Ontem fez mais um bom jogo."

Não temos medo

"Vamos todos a Barcelona. Iremos às Ramblas. Com o meu neto Alexandre Maria com a camisola do Benfica.

1. (...)

2. (...)

3. Para a semana é a semana de muitas decisões no futebol europeu. E o arranque das derradeiras contratações com números que impressionam a cada dia que passa. Números do outro mundo. Ficam decididos, em definitivo, os clubes - em rigor as marcas! - que marcarão presença na fase de grupos da Liga dos Campeões e da Liga Europa. A primeira bem determinante financeiramente e bem motivante sob o ponto de vista da exposição desportiva. A segunda conquistando em razão dos relevantes emblemas que lá chegam uma bem interessante atractividade. Mas só a primeira dá milhões. A segunda proporciona receitas tão só que estimulantes. Como Sporting, Braga e Marítimo bem sabem. A Liga dos Campeões é a ambicionada e desejada. A Liga Europa é procurada pelos médios clubes da Europa e considerada como mal menor por referências europeias. O meio termo é, em certas situações, a conformação desportiva ou, em outro prisma, o estímulo interno. Com a consciência que nesta época desportiva ser primeiro em Portugal é bem importante em razão da futura participação nas competições europeias. Já que, de verdade, se inicia um novo ciclo na nossa participação europeia! Ou seja o refúgio interno pode ser, nesta época, uma justificação que gera uma acrescida e diferente motivação. É que no final desta época só o nosso primeiro tem acesso directo à Liga dos Campeões! Com o VAR bem explicado a alguns...

4. Vi o Benfica ontem na companhia do Rodrigo. Um jovem benfiquista que vive, com paixão, o seu clube do coração. Joga nas escolas do Benfica. Admira o Pizzi. Envergava, aliás, uma camisola deste maestro deste Benfica. Acredito que o nosso Pizzi lhe irá assinar uma camisola. Bem merece. É também este compromisso entre um jogador de referência - e de excelência - e um jovem adepto que ajuda a fortificar o ADN deste Benfica. O colinho dos adeptos de todas as idades e de todas as origens. E ele, o Rodrigo, dirá com o sorriso maroto que evidenciou quando o Jonas fez aquele extraordinário chapéu, que já está! E, assim, assim mesmo, recordo, com um prazer imenso, aqueles momentos deliciosos do relato da Antena 1 na final de Paris. Já está mesmo! Com a vitoria de ontem na Luz são três jogos e três vitórias. Tal como Sporting e Rio Ave. E, agora, é a deslocação a Vila do Conde. Com a certeza que, à hora desse jogo, o nosso Rodrigo envergará uma vez mais a camisola do seu ídolo. Espero eu com uma já assinada e com uma dedicatória bem especial.

5. Não temos medo! Não temos mesmo medo!"

Fernando Seara, in A Bola

domingo, 20 de agosto de 2017

Coincidências que dão jeito

"Pode ter sido problema técnico, mas o facto de só uma câmara ter gravado o som no 'Caso do Túnel' fez enorme favor a Bruno de Carvalho.

Não se pode considerar uma surpresa aquilo que o acórdão do Conselho de Disciplina considerou ter ficado provado no chamado Caso do Túnel. Quem viu, logo no dia seguinte, as imagens captadas pelas câmaras de vigilância instaladas em Alvalade percebeu de imediato que nada de edificante por ali se tinha passado. Pelo contrário. O que se soube agora foi, apenas, a confirmação de que a grande maioria dos que dirigem os clubes portugueses - e repara-se, não estamos a falar de emblemas dos distritais, trata-se de presidentes de clubes de Liga, onde os padrões têm (ou deviam ter) de ser muito mais altos - não estão sequer perto de se saberem comportar da forma que o cargo que exercem exige. Podem ser homens de sucesso nos negócios, podem ter muito dinheiro. Mas há coisas que o dinheiro não compra: educação e urbanidade são só duas dessas coisas.
Do acórdão anteontem revelado por A Bola destaca-se também o facto de apenas uma das muitas câmaras instaladas no local ter captado o som daquilo que foi dito durante aqueles minutos. Curiosamente - em especial se tivermos em conta que foi o Sporting que as cedeu, 12 dias depois dos acontecimentos e quatro depois de ter sido notificado para o efeito - aquela que estava virada para o lado do balneário do Arouca. Ou seja, tudo (ou vamos acreditar que quase tudo) aquilo que Carlos Pinho disse consta do processo, mas nada do que disse Bruno de Carvalho pôde ser provado, pelo que ficou de fora. Vamos acreditar que se tratou de uma avaria técnica, que custou à SAD do Sporting uma pesada multa de 460 euros por não ter todas as câmaras a funcionar como deviam. Mas não posso, neste momento, deixar de referir que foi de enorme beneficio para o presidente do Sporting, apenas castigado pelo fumo/vapor de água que soprou para a cara do presidente do Arouca, que por seu lado apanhou pela medida grande (e justamente) porque tudo o que fez foi visível e tudo o que disse foi audível para os juízes. Há, de facto, coincidências que dão algum jeito.

Claro que a decisão do Conselho de Disciplina em castigar Bruno de Carvalho com seis meses de suspensão foi recebida em Alvalade com indignação. O presidente do Sporting voltou a recorrer ao Facebook (alguém acreditou que iria conseguir manter-se mesmo longe?) para atacar José Manuel Meirim, queixando-se de perseguição - teoria que, já se percebeu, pegou junto de todos aqueles que o apoiam. Bruno de Carvalho tem, é evidente, o direito de reclamar. Tem até o direito de recorrer para o Tribunal Arbitral do Desporto para fazer valer o seu ponto de vista. Nada a dizer quanto a isso - só chocam mesmo os termos utilizados, mas com isso Bruno de Carvalho parece conviver bem...
Outra coisa - e só para terminar - que não parece bater certo no discurso do presidente do Sporting é esta imagem de eternamente e injustamente perseguido por quem tem a função de aplicar as leis. Desde a sua chegada ao futebol português Bruno de Carvalho assumiu de forma aberta uma posição de rebeldia. Citando Jorge Palma, na música Jeremias o fora da lei, 'não estando disposto a esperar' que o futebol 'venha alguma vez a ser melhor', Bruno 'escolheu o seu lugar do lado de fora'. Será até, na ausência de títulos dignos de registo no futebol, essa atitude que mais consenso gera entre os sportinguistas - desde miúdos que somos moldados a nutrir especial simpatia pelos fora da lei - orgulhosos (pelo menos cerca de 86 por cento deles) por terem como presidente um homem sem medo de combater aquilo que consideram ser o poder instalado. Mas esta imagem que Bruno tão bem soube criar não cabe a forma como se apresenta sempre que o castigam por ir contra as regras. Não. Os verdadeiros foras da lei assumem sê-lo mesmo sabendo das consequências que daí podem advir. E nunca, mas nunca, se fazem de coitadinhos."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Passava lá um rio...

"Baptista Pereira, dono dos mouchões do Tejo, vencedor da Mancha e do terrível Crocodilo do Nilo...

O rio pode ser uma iniciação.Seja onde for, qualquer rio.
Em Alhandra ou em Águeda.
«Por quem um rio troca mil cidades», escrevia Adolfo Portela, o poeta de Águeda-a-Linda.
Ou Manuel Alegre:
«Rio Águeda que vais
Banhando a verde fragância
Das margens do Nunca Mais
Onde fica a minha infância».
Um rio pode ser uma iniciação. E uma iniciação precisa sempre de quem a escreva.
E precisa de heróis como capitães de areia.
Sentei-me para escrever sobre Baptista Pereira, o homem que dominava o Tejo e que, um dia, resolveu enfrentar o nevoeiro da Mancha que deixa o Continente isolado.
O Quim soberano dos mouchões.
A sua braçada larga, o peito enfunado, vela de galeão de uma vontade de água e liberdade.
Gineto de Soeiro Pereira Gomes, também ele Joaquim, nas letras resolutas de Esteiros.
Em Águeda, o rio era o lugar onde morava a cumplicidade. E havia também esse homem do rio: o velho Bério que andava para cá e para lá sobre o degrau de cimento que ficava mesmo por cima da Pista 1 a gritar com a sua voz de tenor de cana-rachada, meia-dúzia de rapazolas que se esforçava ingloriamente num «crawl» sem Olimpíadas, as braçadas corrigidas de minuto a minuto.
No tempo da água…
E da insuportável excomunhão da água.
Eu gostava mesmo era de escrever um rio.
Contaria o tempo em que a Lola vigiava furiosamente os atrevimentos adolescentes daqueles que não resistiam ao instinto de espreitar para os balneários das raparigas: a esperança secreta de vislumbrar algo mais do que braços e pernas e cabeças, que era exactamente aquilo que se podia vislumbrar da Pista 3 em diante, o lugar onde toda a gente tinha pé.
Sentei-me para escrever sobre Baptista Pereira, o Homem-Que-Nunca-Foi-Menino.
O Baptista Pereira de Gibraltar: cinco hora e quatro minutos no dia vinte e cinco de Outubro de mil novecentos e cinquenta e três.
O Baptista Pereira do punho cerrado no Portugal-Espanha ditatorial de mil novecentos e quarenta e seis.
O Baptista Pereira vencedor do egípcio Hammad, o Crocodilo-do-Nilo.
Sentei-me para escrever sobre Carlos Miranda, que fez o favor de tanto me ensinar. «Há dez horas de prova. Parece que a vitória, não vai fugir ao alhandrense. Mas entretanto o campeão do Nilo, começa a aproximar-se a aproximar-se...Num ápice, estala o alarme. O egípcio, com uma extraordinária ponta final, está já só a 400 metros...O nevoeiro está implantado sobre a costa inglesa. O barco português não está provido dos meios de orientação. Por erro, em vez de encaminhar Baptista Pereira para Dover, para as rochas brancas de Dover, desvia-o em direcção a Santa Margarida. É mesmo Baptista Pereira que se apercebe do erro, quando vê o barco do egípcio dois quilómetros para lá, a tomar outro rumo...dentro de água, preocupado, nervoso com a corrida...Baptista Pereira, dá instruções para que o rumo seja corrigido...As dificuldades ainda não estão acabadas...surge outra forte corrente, e Baptista é obrigado a um esforço enorme, durante mais uma hora... Hammad não é capaz de vencer o obstáculo, e atrasa-se; novamente mais de duas milhas separam os dois nadadores...Ainda faltam cerca de oito quilómetros...Os últimos momentos são verdadeiramente emocionantes. Alguns amigos de Baptista Pereira, que se tinham deslocado propositadamente de Alhandra, fretam um «gasolina», e vão ao encontro do grande nadador...e caem de espanto quando vêem dois nadadores bem juntos. Seria possível que Hammad...Num desespero rompem todos a incitar o conterrâneo - Força, Baptista! Força, Baptista!...»
Que maravilha! Não concordam?
Queria escrever assim, mas não sou capaz na minha prosa medíocre.
Queria escrever assim sobre o rio; sobre o sol que escaldava nas costas e nos braços; sobre nós deitados debaixo das latadas de uva morangueira.
Um cheiro penetrante impossível descrever; o zumbido das abelhas e das vespas em redor da fruta esbeiçada no chão; um silêncio profundo de sono e de cansaço. 
Um aroma grosso a água do rio.
Badaladas, pesadas do sol a pino.
A hora do regresso a casa.
A indolência entornando-se pelo início da tarde.
O pio estridente do melro numa excitação de insectos. Queria escrever como quem ecoa na quietude melancólica do rio para lá do Fojo e do Sardão e do lugar onde os ciganos se juntavam à sombra dos choupos largos dedilhando sons melancólicos a todo o comprimento das cordas das guitarras. 
Escrever sobre os domingos compridos como nunca mais voltaram a ser."

Das sanções disciplinares

"Esta semana debruçamo-nos sobre uma decisão de um tribunal de segunda instância francês que confirmou sentença que anulou uma sanção disciplinar aplicada por uma federação, por entender que a mesma era desproporcional face ao ilícito cometido pelo agente.
Esta decisão foi recentemente anotada por um conselheiro francês que, analisando o acórdão e de forma muito clara, vem dizer que as sanções disciplinares aplicadas por uma federação desportiva, apesar de serem sanções administrativas, têm uma enorme especialidade: é que enquanto as sanções administrativas gerais, como as fiscais ou as rodoviárias, são aplicáveis a todos, as sanções disciplinares apenas se aplicam a um determinado grupo de pessoas que escolheram aderir a um grupo social organizado (ou mesmo de alguns que não tiveram hipótese de escolher entrar ou não em tal grupo) e que, em consequência, têm a obrigação de se conformar com as regras deontológicas de tal organização ou grupo. Assim, a sanção disciplinar tem por finalidade reprimir as violações de tais regras bem como a de assegurar o regular funcionamento da instituição.
Como sabemos, em Portugal, o poder disciplinar das federações decorre não só da Lei de Bases da Actividade Física e do Desporto, bem como do Regime Jurídico das Federações Desportivas e, em concreto, do Estatuto de Utilidade Pública Desportiva atribuído a cada federação e tem natureza pública.
No entanto, é preciso notar que tal poder disciplinar apenas abrange aqueles que a ele se sujeitam, isto é, aos que aceitam - mesmo que tacitamente - jogar pelas regras do jogo da federação em que se inserem."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Cadomblé do Vata

"1. Da próxima vez que um adepto rival te disser que o SLB controla o futebol português, sussurra-lhe ao ouvido... controlamos tanto isto, que tivemos que esperar até à última jornada para ganharmos um campeonato a uma equipa treinada pelo Domingos.
2. Se aquela bomba do Jonas do meio campo tem entrado, ganhava o Prémio Puskas... como foi ao poste vai-lhe ser atribuído o Prémio Puskas que o Pariu.
3. Domingos tem razão, existem lances que sozinhos desmontam toda uma estratégia táctica... um exemplo é o Raúl Jimenez fazer uma assistência para golo.
4. Neste momento temos 9 golos marcados e 9 jogadores lesionados... é melhor não arriscar nisto das coincidências e passarmos a ganhar todos os jogos por 1-0, senão antes da 10.ª jornada andamos a jogar só com jogadores da equipa B.
5. Parece que finalmente está de volta o velho e bom Sálvio que todos nós conhecemos... o prego a fundo, as fintas estonteantes, os golos maravilhosos e a lesão sempre na pior altura."

A Mão de Vata, in Facebook

Vá, tudo a dar as mãos para Filipe Augusto se tornar senhor do Universo centro-campista

"Bruno Varela
Os adeptos entusiasmam-se e gabam-lhe a confiança, mas os primeiros jogos não permitiram tirar grandes conclusões, e talvez seja melhor assim. Nunca ninguém elogiou o novo contabilista da empresa por, no seu primeiro dia, ter reparado a impressora ou substituído o garrafão de água. A não ser que seja um daqueles estágios não remunerados para explorar um gajo até ao tutano enquanto não há dinheiro para contratar alguém a sério. Nesse caso, é um excelente começo.

André Almeida
O tempo passa e André Almeida vai conquistando o seu espaço. É uma disputa feroz que tem mantido com a sua sombra, Aurélio Buta e, muito em breve, o empresário de Pedro Pereira. O seu nível exibicional ainda não permite dizer coisas como "este não sabe jogar mal", nem é provável que venha a acontecer. Depois de André Horta como jogador-adepto, precisávamos de alguém como André Almeida, que nos faça crer, durante aqueles breves 90 minutos, que qualquer um de nós poderia ter sido futebolista profissional.

Luisão
Exibição segura. Joga de olhos fechados com os seus colegas. Afinal de contas, são oito anos a trabalhar com os mesmos.

Jardel
Nada como bater em mortos para regressar à vida. Veremos se as qualidades observadas hoje se mantêm frente a jogadores com melhor coordenação motora.

Eliseu
Mais uma exibição útil à equipa, mas especialmente útil ao futebol português. Testou os limites do vídeo-arbitro num lance que podia ter valido a sua expulsão. A Liga agradece os seus préstimos. É fundamental que continue a trazer ao de cima as lacunas do vídeo-árbitro e não as virtudes.

Filipe Augusto
Vamos todos acreditar que Filipe Augusto iniciou hoje uma espécie de metamorfose semelhante à que ocorreu com Casemiro. Se bem se lembram, era um sarrafeiro com dois tijolos nos pés e a visão de jogo de um míope que jogou no Porto e regressou ao Real Madrid para se tornar campeão espanhol, europeu e senhor do Universo centro-campista. Vá, tudo a dar as mãos.

Pizzi
É como se Isco, Modric e Kroos tivessem unido esforços num só corpo, mas melhor.

Salvio
Um grande golo a coroar mais uma exibição confiante e a plenos pulmões. Não há piada nenhuma para fazer. O homem já sofreu que chegue.

Franco Cervi
Deixem-nos recuperar o fôlego e já dizemos qualquer coisa. JONAS Segundo o seu presidente, o Manchester City prepara-se para anunciar a maior transferência da história do futebol. Espero sinceramente que não nos levem Jonas. Não há dinheiro que pague um jogador destes. O brasileiro ultrapassou hoje Magnusson e é agora o segundo melhor marcador estrangeiro da história do Benfica. Esse Magnusson que, como se sabe, foi visto pela última vez no relvado da Luz a rebolar na direcção de uma das balizas. Esse lance só não deu em golo porque ainda não estava lá Jonas para receber com o peito, ajeitar com um pé e rematar com o outro.

Haris Seferovic
Pela primeira vez na sua carreira Seferovic marcou 4 golos nos primeiros 4 jogos oficiais. É certo que provoca algumas lesões, mas o Benfica faz bem às pessoas. Não, não é o sol nem o peixe nem a praia. O Doumbia também já comeu sardinhas e deu um mergulho em Paço de Arcos, mas a verdade é que ainda não cheirou. Permitam-me que lance um repto aos dirigentes benfiquistas: exijo saber quem é o responsável pela melhor contratação do Benfica nos últimos anos. Pela minha saúde que lhe ofereço um jantar no Solar dos Presuntos.

Martin Crhien
Tornou-se hoje o primeiro eslovaco a vestir a camisola do Benfica em jogos oficiais. Por enquanto tem tudo para se tornar o primeiro eslovaco a vestir a camisola do Benfica em dois jogos oficiais, neste caso ao serviço da equipa B.

Raúl Jiménez
não joga mais porque Jonas e Seferovic. O seu estatuto de suplente é muito provavelmente a maior injustiça neste plantel do Benfica, mas teremos todos de aprender a viver com isso. Um dia de cada vez, Raúl.

Lisandro López
Entrou a 10 minutos do fim para ser testado a lateral-direito. Soube manter-se no perímetro do relvado."

Benfiquismo (DLXVI)

Benfica - Olympiakos

Vermelhão: Confiança...

Benfica 5 - 0 Belenenses


Este parece que foi a pedido!!! Explico: com as baixas no meio-campo (Fejsa, Samaris), 'pedi' antes da partida, uma entrada a 'matar' no jogo, com o resultado decidido cedo! E foi exactamente isso que aconteceu... Pois, com um jogo 'apertado', sem opções de 'contenção' no banco, o jogo podia-se ter tornado complicado...
Com esta goleada, tenho a certeza que durante a semana, a maioria das crónicas nos jornais, vão chegar à conclusão, que o Campeonato português está cada vez mais desnivelado... e até podem ter alguma razão, mas isso não pode retirar o mérito que o Benfica teve esta noite... Jogámos bem, jogámos bonito em vários momentos do jogo, e com um bocadinho mais de eficácia o resultado podia ter 'dobrado'!!!
Dito isto, também cometemos alguns erros lá 'atrás', que contra uma equipa com melhores individualidades poderiam ser fatais... E talvez por isso mesmo, a opção do treinador foi mesmo tentar ter sempre a bola, porque actualmente o Benfica não está muito confortável, em dar a 'bola' ao adversário, e fechar com um 'bloco' mais recuado, gerindo o resultado, como nas épocas anteriores, fizemos várias vezes...
Mas a nota mais negativa da noite, foram as substituições do Salvio e do Almeida, aparentemente 'tocados'!!! Esta sucessão de lesões, que já vem do ano passado, deixa-nos a todos desesperados...!!! Apesar do 'regresso' do Samaris na próxima semana em Vila do Conde, espero por um Fejsa totalmente recuperado como hoje foi notícia... O Rio Ave, mudou de treinador, tem um modelo de jogo completamente diferente, ontem por exemplo venceu em casa ao Portimonense, jogando em contra-ataque...!!! Não vai ser nada fácil...
Individualmente, além dos golos do Jonas (os golos e o resto... mas hoje chegou aos 90 golos, ultrapassou o Magnusson e só está atrás do Cardozo no que a estrangeiros diz respeito), destaco a boa exibição do Salvio desta vez coroada com um grande golo (o Toto tem sido muito criticado, mas recordo que na recta final da época passada foi um dos melhores... e está a começar muito bem esta época...), o Pizzi novamente a 'comandar' e ainda o Filipe Augusto que terá feito uma das melhores exibições ao serviço do Benfica!!! Não é o Fejsa como é óbvio, não tem a mesma capacidade de ganhar os duelos físicos, mas hoje esteve bem na pressão, e aquele pé esquerdo, nestes jogos, acaba por fazer a diferença pela positiva, pois o Benfica acaba sempre por ser obrigado a fazer muitas mudanças de flanco... Recomendo, mais 'calma' nos confrontos porque assim acaba por fazer muitas faltas desnecessárias...
O Jardel tem melhorado a olhos vistos... e o Varela fez mais uma exibição segura, sem sofrer golos...
Parece óbvio que os candidatos ao título vão perder poucos pontos esta época, até porque como se viu a semana passada, o VAR até vai dar ajudinha quando for necessário...!!! Com a 1.ª paragem para os compromissos das Selecções no horizonte, a próxima jornada, é a próxima Finalíssima... Nesta sucessão de jogos muitos complicados, principalmente fora da Luz, que vamos fazer na 1.ª volta, este será um dos mais difíceis... Espero que depois da paragem das Selecções, a maior parte dos lesionados regresse às opções, mas em Vila do Conde terão que ser os disponíveis... e para algumas posições, as opções são poucas...
Apesar desta entrada vitoriosa na Liga, as lacunas no plantel mantém-se.. é preciso não esquecer.


Nulo...

Famalicão 0 - 0 Benfica B


Mais 1 ponto, mais uma história complicada! O árbitro até esteve bem na expulsão do jogador do Famalicão (patada no peito...) aos 36 minutos, mas depois 'acobardou-se' e foi um festival até ao fim do jogo... Logo no livre lateral da expulsão, existiu um penalty descarado sobre o Rúben... e na 2.ª parte, foi uma 'vale tudo', com vários empurrões dentro da área do Famalicão e vários 2.ºs Amarelos perdoados aos da casa...
Mesmo assim, com um bocadinho mais de eficácia, e tínhamos ganho o jogo... o facto do guarda-redes adversário ter sido o melhor em campo explica alguma coisa, mas não tudo...

sábado, 19 de agosto de 2017

Previsão de uma vida de sucessos

"O Benfica recebe esta noite o Belenenses no Estádio da Luz e o desejo da multidão benfiquista será ver Filipe Augusto entrar em campo o mais cedo possível porque sempre que Rui Vitória lança Filipe Augusto é sinal de que a coisa se resolveu a bem. Na segunda-feira, em Chaves, o nosso Filipe Augusto só entrou aos 90+4 minutos porque o Benfica só conseguiu marcar aos 90+2 minutos e como o árbitro – que, no fim do jogo, até recebeu uma camisola oficial das águias por deferência com a grande penalidade sonegada – concedeu 6 minutos de tempo extra só conseguiram descansar os adeptos do Benfica entre os 90’+4 e os 90’+6. Foi, assim, curto o descanso que nos foi dado no jogo de Trás-os-Montes que nem sequer foi um ‘clássico’. Já o desta noite, sim, é um ‘clássico’ com tudo o que isso implica de imprevisibilidade. Corram, corram. Parece que o Fejsa se lesionou. Mas que grande novidade. Corre, corre, Filipe Augusto.
André Silva estreou-se na quinta-feira em San Siro e marcou dois belos golos deixando os adeptos AC Milan felizes com a categórica apresentação do avançado. Mais contente do que os adeptos do AC Milan – e trata-se de uma plateia exigente – ficou, no entanto, o próprio André Silva. Festejou as proezas com um sorriso largo que não engana. Ficou, assim, aprovada pelos ‘tiffosi’ locais a contratação do jogador português e, melhor ainda, ficou também explicado o sentido da misteriosa frase do director de comunicação do FC Porto – "o melhor ainda está para vir!" – que se referia, como agora se percebe, ao brilhante futuro profissional que inevitavelmente aguarda André Silva depois de ter trocado de patrão. Tomara sobre tantos outros funcionários do futebol português poder vaticinar-se uma vida de êxitos deste quilate a cada mudança de entidade patronal.
Menos de 24 horas depois do encosto ao árbitro de Camp Nou ficou Cristiano Ronaldo a saber que o seu gesto lhe valerá 5 jogos de suspensão. Apreciem como a justiça desportiva espanhola é tão mais célere do que a nossa em matéria de decisões. Esta semana, por cá, houve a decisão do caso do túnel de Alvalade 283 dias depois da rixa tabernal entre os presidentes do Sporting e do Arouca. E até já se pensava que os prazos para a condenação destas inclemências estariam a evoluir para uma aproximação aos ritmos dos patamares disciplinares europeus.
Foi, porém, enganosa a esperança. Enganosa e induzida pelo facto de o castigo a Slimani pela cotovelada em Samaris ter demorado 203 dias a ser conhecido e pelo facto seguinte, tão promissor: o castigo ao mesmo Samaris pelo ‘uppercut’ a Diego Ivo demorou ‘apenas’ 44 dias a ser pronunciado. Deu-se, assim, a entender aos optimistas que estava em curso o progresso. É que de 203 para 44 dias, enfim, é outra aceleração. Agora, com estes 283 dias, voltou tudo a andar para trás. Ou para a frente, como preferirem. Estas conclusões dependem sempre da perspectiva."

Há uma geração rasca no nosso futebol

"Há quem defenda a ideia drástica de erradicar esta gente que tanto usa e abusa de uma espécie de violência doméstica contra o futebol.

Excelente trabalho da redacção de A Bola, contando tudo, ou quase tudo, porque infelizmente, as câmaras que podiam captar o som do que disse o presidente do Sporting ao presidente do Arouca ficaram súbita e surpreendentemente sem som, daquele triste incidente no túnel de Alvalade.
O trabalho, apresentado com rigor ao longo de quatro páginas de abertura do jornal, constituem, por si só, uma das mais importantes e significativas constatações de facto sobre o que bem poderia ser dado como exemplo do lado mais negro de um certo tipo de geração rasca que afunda a credibilidade de dirigentes do futebol português.
O que se ouve nas gravações e que são imputadas ao presidente do Arouca é sintomático de uma atitude de desrespeito e de total desconsideração pelo adversário. O que se apura de actos no acórdão do Conselho de Disciplina, relativos ao presidente do Sporting, vão no mesmo sentido e acrescentam as maiores razões de inquietação. O que depois se pode ler na reacção de Bruno de Carvalho, através do seu famoso facebook, onde se revela uma grosseira e pouco corajosa insinuação que parece ter por alvo o presidente do Conselho de Disciplina é tão lamentável quando significativa da conta que o presidente de um dos três maiores clubes portugueses tem pelos órgãos disciplinares do futebol.
Toda a matéria em que o acórdão disciplinar navega é um charco pestilento, onde impera a ordinarice, a vulgaridade, a afronta.
Não importa avaliar a justiça da pena aplicada a cada um dos principais e tristes protagonistas, porque mais importante é a exposição pública do atraso cultural e civilizacional de quem tem obrigações e deveres públicos pelos cargos que desempenha na liderança de instituições que são seguidas por milhões de cidadãos, muitos deles jovens, em idade de formação e que entendem como exemplo para a vida a ideia de que as diferenças se resolvem pela violência, pela força, pela afronta, pela intolerância, ou pela primária manifestação de uma força animal.
Portanto, a questão essencial não de se saber se as penas aplicadas deveriam ser mais ou menos gravosas. A questão decisiva é a de saber como erradicar este tipo de acções do futebol e que, de facto, são socialmente perigosas. Isto, para evitar falar, pelo melindre que envolve, na visão drástica de quem entende que se devia começar por erradicar todo o tipo de gente que de forma persistente e continuada usa e abusa de uma espécie de violência doméstica contra o futebol português.
Haverá certamente quem defensa que a linguagem do desporto de competição, especialmente nos seus bastidores, é uma linguagem crua, desprovida de preocupações éticas e sociais. Mas não é a mesma coisa a linguagem de cabina, na reserva de uma sala entre um grupo fechado que tem os seus códigos particulares, e a linguagem em zona pública, em especial, preferida por dirigentes máximos de instituições às quais se consagra uma importância e responsabilidade sociais que levam a justificação de benefícios públicos e até certas honrarias de Estado.
Ser presidente, alto dirigente, ou protagonista com grande visibilidade pública num clube de futebol, em Portugal, é uma posição de privilégio. Nem toda a gente está mentalmente preparada para isso. Nem toda a gente percebe que a suposta importância nacional da função não é, de todo, correspondida na realidade. É por isso que dirigentes, jogadores, treinadores, depois de terem conhecido momentos de alta emoção e de verdadeira idolatria popular se deixam cair na mais profunda depressão quando passa o seu tempo e percebem como era efémera e vã essa suposta glória. É que o futebol é, apenas, uma representação da vida.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Vídeo-árbitro só quando dá jeito

"FC Porto joga com o novo sistema a seu bel-prazer.

Talvez por estar embrenhado na leitura dos emails controversos que todas as semanas dá a conhecer no canal televisivo do FC Porto, o director de comunicação azul-e-branco nem se terá apercebido de que no mesmo dia em que o clube punha em causa a verdade da classificação da Liga da temporada passada por ainda não estar oficializado o vídeo-árbitro, ele próprio colocava em questão o referido sistema para atacar a decisão de um golo anulado ao Sp. Braga no jogo contra o Benfica. Seria mais útil e eficaz para a credibilidade do clube um discurso uniforme. Os portistas agradecem, os adversários não teriam motivos, entregues de mão beijada, para escarnecerem.
Também é verdade que outra coisa não seria de esperar quando o ódio se sobrepõe à razão e à falta de senso. E se nas quatro épocas de vitória benfiquista o valor encarnado nunca foi reconhecido e tudo se deveu a "erros de arbitragem" e a "falcatruas", esta época não se poderia esperar outra posição, mesmo com o vídeo-árbitro a funcionar em pleno. E, agora, o debate é saber qual o peso da decisão, se o árbitro nas quatro linhas deve ter preponderância, ou se a palavra final deve caber àqueles que decidem com base nas imagens. E já se preparam mais câmaras e novos ângulos. Tudo bem, mas nem será isso a calar quem pretende arrecadar títulos virtuais."

O saudoso disco rígido

"Jesus nem precisa do disco rígido para saber o que aí vem se a coisa der para o torto.

Talvez por se ter festejado um tanto ou quanto a mais do que teria sido aceitável, à luz do bom senso, o facto de o Sporting ter partido para o sorteio da pré-eliminatória da Liga dos Campeões na condição de cabeça de série – o que, por um conjunto milagroso de circunstâncias, afastou conjuntos como o Liverpool ou o CSKA do caminho dos leões – acabou por ser recebido como decepcionante o empate sem golos com que veio a terminar o jogo de terça-feira, em Alvalade, com o Steaua Bucareste referente à 1.ª mão da tal pré-eliminatória que dará, ou não dará, acesso à ambicionada fase de grupos da prova maior da UEFA. Ambicionada, porém não "obrigatória" como tão bem explicou Jorge Jesus à imprensa. "Obrigatória entre as aspas", disse o treinador, que, mesmo tendo deixado o "disco rígido" do seu computador no Seixal, consegue, ainda assim, ser sempre o mais lúcido dos elementos do staff do futebol sportinguista.
Nesta premente questão europeia – premente porque a questão é dinheiro –, o discurso de Jesus é notoriamente oposto ao discurso do presidente. Bruno de Carvalho diz que é tempo de "o leão mostrar que é o rei da selva" e o treinador diz que só é "entre aspas" que o Sporting tem de se qualificar obrigatoriamente para a selvajaria da Liga dos Campeões, o presidente diz que "o nome" do Sporting não o desobriga de lutar por afastar os romenos e Jesus responde afirmando que os dois emblemas "são do mesmo nível"… Todas estas salutares divergências de opinião serão, normalmente, reduzidas a nada se o Sporting, como se espera, afastar o Steaua e entrar direitinho na Liga milionária.
E, dando razão a Jesus e ao seu optimismo racional, não há motivo para considerar que o 0-0 da 1.ª mão seja, de facto, um mau resultado. Não é, obviamente, um "score" que tenha resolvido a discussão a favor do Sporting – como muita gente inocente tinha como garantido – mas é um resultado mais do que aceitável e até promissor. O Sporting não marcou, é verdade, mas não sofreu nenhum golo, o que lhe dá enorme vantagem se marcar em Bucareste, o que a acontecer não será de todo uma proeza do outro mundo. A bipolaridade dos adeptos – de todos os adeptos de todos os emblemas – é bem mais difícil de contornar do que este nulo de terça-feira. Do triunfalismo perante os acasos que terão ditado um sorteio doce na Europa ao pessimismo destrutivo que passou a imperar consumada que foi a não-goleada prevista, vai um passo, enfim, um passinho de Podence que é, entre todos, o que terá o passo mais curto. Ora isto não é ciência exacta. É um jogo de bola. E Jesus nem precisa do saudoso disco rígido do velho computador do velho emprego para saber o que vem aí se a coisa der para o torto.

O tal Luís Miguel Afonso Fernandes
Eis como o Benfica se tornou num caso de Pizzi-dependência
Foi eleito o melhor jogador da última Liga e ninguém se atreveu a protestar essa eleição porque, de facto, Pizzi foi o melhor jogador da última Liga. Não tem, no entanto, lugar no "onze" de Fernando Santos porque abundarão na selecção nacional centrocampistas capazes de meter a bola à distância e de inventar soluções maravilhosas quando o jogo da equipa emperra. É também notícia pelo seu futebol avesso a picardias e, de tal forma avesso, que não há maneira de ver um cartão amarelo para desgosto e escândalo do comité de decência do nosso futebol onde se abrigam os mais decentes entre os moralizadores do reino. Tem um tique muito próprio que é o de franzir os olhos antes de meter a bola onde quer e uma esquisitice destas devia, no mínimo, ser investigada. No início da semana, em Trás-os-Montes, inventou o lance de que resultaria o golo do triunfo da sua equipa e festejou-o como se não houvesse amanhã. Tudo isto somado e eis como o Benfica se tornou Pizzidependente."

Benfiquismo (DLXV)

Vítor Silva...

Uma Semana do Melhor... Paraíso!

Jogo Limpo... Seara & Guerra

A RTP humilhou os atletas nacionais

"Como só equilibra as audiências com o futebol, a RTP ignorou os Mundiais de Atletismo, enquanto entrega séries e programas aos amigos.

"Foi humilhante" a "ausência da RTP nestes Mundiais", disse ao ‘Record’ o presidente da Federação Portuguesa de Atletismo. A RTP gasta os nossos milhões em transmissões de bola, mas justificou dizendo que o Mundial era muito caro. Têm uma lata.
Enquanto isso, faz séries fracas ou miseráveis para dar trabalho aos amigos do administrador e do director, insiste em programas sem um pingo de interesse público para pagar a preço de ouro apresentadores inapresentáveis. Funciona em circuito fechado.
O ‘Telejornal’ da RTP1 tem perdido sistematicamente audiência este ano, mais do que os concorrentes no período estival. Já chegou a ter menos de 400 mil espectadores. Não admira que António Costa pressione a Altice para manter a TVI na órbita do governo.
"Love" em baixo: o programa de quadrilhice da TVI, ‘Love on Top’, com concorrentes em biquíni ou de tronco nu, não tem nem um pouco da audiência que os antecessores atraíam desde o ‘Big Brother’. A última edição não chegou aos 250 mil espectadores.
Al Jazeera: a perseguição ao canal de informação baseado no Qatar alargou-se a Israel, que mandou encerrar a delegação no país. Israel untou-se assim às ditaduras do Médio Oriente, como a Arábia Saudita. Mais um ataque à liberdade de expressão.
As séries policiais são um grande êxito das TVs. Agora giram mais em volta da vida pessoal dos protagonistas. ‘Candice Renoir’ (RTP2, AXN) leva vantagem sobre as americanas porque as actrizes não são todas iguais depois do botox e operações à cara.

Tendências
Golpe:
Escutas reveladas pelo ‘Sol’ confirmam o plano global de Sócrates para controlar os media: através dos bancos que controlava (CGD, BCP), do governo, da PT e de empresários pelintras (Vasconcellos), queria dominar, além da RTP, a TVI, a SIC e o ‘Público’, fechar o ‘Sol’ e até despedir o director socratinista do ‘DN’. Era um crime de atentado contra o Estado de direito. Quase um golpe de Estado.

Dentaduras:
Em ritmo acelerado, grandes conglomerados da Internet como a Amazon, o Facebook e o Google lançam-se na compra de direitos de emissão de grandes provas desportivas e na produção de conteúdos televisivos. Este desvio dos conteúdos coloca várias questões, como esta: que conteúdos originais sobram para os generalistas? Concursinhos? Reality chanchadas? Oferta de dentaduras?"