"Já sabemos o estado das coisas no futebol português. Bastou ver o primeiro jogo da
época nacional, a final da
Supertaça masculina. Primeiros 90 minutos e os critérios –
malditos critérios – voltam a
dar que falar. Cartões amarelos
por mostrar, grandes penalidades por assinalar, um relvado
sem condições e quem decide a
assobiar para o lado.
Nada mudou. Só piorou. À
boleia da mentira e do sensacionalismo, eis que se passaram as semanas de defeso a
falar do “descalabro” do mercado de transferências do
SL Benfica. Um “desastre”, ouvi
e li. Tudo escalpelizado ao pormenor, mas a cada contratação
um revirar de olhos e um torcer
de orelha – não estavam à
espera nem os nomes faziam
parte da longa lista de “desejados” por Marco Silva. Para os
outros, que desfazem equipas
inteiras e que perdem peças
importantes, só notas de rodapé ou elogios desmesurados.
A “boa gestão” também se faz
assim, com o beneplácito dos
comentadores e de alguns,
infelizmente, jornalistas.
Nada de novo. É um sinal dos
tempos. A mentira saiu das
redes sociais e dos grupos de
discussão para as páginas dos
jornais e para os programas de
televisão. E tal como nessas
redes online, também o ódio
anda à solta.
Choca-me a facilidade – continua a chocar-me e já passaram
alguns anos – com que se destrói, insulta e põe em causa o
nome de jogadores, treinadores e dirigentes. Se isso é
expectável (infelizmente) por
parte daqueles que se dizem
nossos rivais, não consigo aceitar esse tipo de discurso por
parte de alegados benfiquistas.
Seja qual for o presidente, o
treinador ou os jogadores do
plantel, é vergonhosa a forma
como se escreve e se fala de
quem veste a nossa camisola.
Já deixei de ler as caixas de
comentários há bastante
tempo. O pior é que agora são
os posts, as reflexões e as críticas internas a inundar de lama
e sujidade aquele que deveria
estar acima de todos: o Sport
Lisboa e Benfica."
Ricardo Santos, in O Benfica

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