Últimas indefectivações

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Há Díaz assim


"Díaz que nos provam a diferença entre sonho e realidade. Não que o colombiano do Liverpool tenha estado especialmente endiabrado nesta terça-feira, no Estádio da Luz, mas sendo dele a jogada que carimba esse fosso entre sonho e realidade, ou entre a (enorme) distância que há entre os nossos grandes e os grandes da Europa, puxar o sobrenome de Luchito ao título perceber-se-á. Não que o 23 do Liverpool estivesse estado em baixa (sabe jogar mal?) e não que tenha sido o pica-miolos que os adeptos do Benfica bem se lembram, mas quando, a poucos minutos do término, o Benfica conseguia um resultado que lhe permitia continuar a sonhar, o banho de realidade vindo de mais uma transição ofensiva do Liverpool encheu a Luz com um gigante balde de água bem gelada. Mas para aí chegarmos – a esta diferença abissal, mas que acaba por ser compreensível – falaremos de um Benfica que não foi desastroso e que até, em momentos, conseguiu lidar com competitividade ao dilema que enfrentar este Liverpool encerra.
Sim, não é por acaso que o Liverpool é considerado a melhor equipa do Mundo. Sendo-o ou não o sendo (escolha o leitor a posição neste assunto que bem entender) ter o Liverpool pela frente é ter vários dilemas. Sendo especialmente letais na transição ofensiva e na pressão à saída, ter a bola, por exemplo, causa problemas. Especialmente quando conseguem adiantar-se no marcador – algo que aconteceu na Luz bem cedo (17′). E assim sendo, os esforços do Benfica para fechar os espaços fazendo uso dos seus 442/451/541 (conforme a zona da bola) tiveram um revés que, por exemplo, não se viu em Amsterdão. E até lá – até esse fatídico golo de Konaté – as águias foram competentes a fechar esses espaços e a enguiçar a organização ofensiva do Liverpool. O problema é que mesmo fazendo essa análise, a da competitividade encarnada nesse momento defensivo do jogo, o Liverpool tem recursos que são um verdadeiro contra-argumento à qualidade das equipas adversárias. Assim, em termos de resultado, o 0-0 validava a estratégia de Veríssimo. Em termos de (algumas) chegadas à cara de Vlachodimos (por Salah), numa transição(8′), onde os reds são verdadeiramente aguçados, mas também em organização (9′), a ideia de Veríssimo e do Benfica ia só sobrevivendo.


O Liverpool encontrou nos primeiros minutos uma sólida muralha do Benfica. Ainda assim, a capacidade dos reds é por demais evidente. Em transição e em organização conseguiu, antes do golo de Konaté, colocar Salah na cara de Vlachodimos por duas vezes.

Mas entretanto haveria (ténues) sinais de esperança. O Benfica não seria só, afinal, defender. Apesar de não arriscar em saídas curtas, o pragmatismo com que foram encarados os primeiros minutos, trouxe também uma ou outra saída, e alguns erros forçados ao Liverpool. Isto até chegar, via pontapé-de-canto, um golo onde o Liverpool viu a solução para algum desconforto em encontrar caminhos. Everton não foi páreo para Konaté, e Vertonghen falhou tempo e espaço na abordagem que salvaria o Benfica. Estava feita a diferença, assim como estava dada a lembrança de que o Benfica, por mais competitivo que fosse, estava sempre à mercê do que o Liverpool pudesse fazer, e da eficácia nessas ações. Curiosamente, foi o central que estava a ter mais problemas, em duelos extremamente interessantes com Darwin, que ofereceu a vantagem aos de Klopp, assim como a tal lembrança habitual nestes confrontos de que erros, a este nível, pagam-se muito caro.


Depois do golo de Konaté, o Benfica expô-se mais. A organização defensiva ficou mais espaçada, como natural. E uma das dificuldades que teve foram as chegadas de Keita à área. Não resultaram em golo mas foram sempre um atributo importante na organização dos reds.

E com o golo veio o dilema. Agora só sentar atrás não servia. E se este era um jogo para o Benfica conseguir um bom resultado em casa algo mais teria que ser tentado. Mas entre o sim e o não (lá está a dúvida que este Liverpool consegue colocar nos adversários) uma saída longa para Everton, alguns momentos em organização ofensiva, uns fogachos de Rafa e algumas lutas entre Darwin e Konaté não chegavam. É que a realidade deste jogo, por mais fastidiosa que possa ser, é aquela que lembraremos do princípio ao fim. O Benfica estava dependente do que o Liverpool pudesse fazer e da eficácia dessas mesmas ações. E não foi com Díaz (aos 24′), acabou por ser com Mané (ele que estava com notórias dificuldades para se impor como referência para os colegas), aos 34′. Noutra transição letal (claro está) a capacidade de Trent Alexander-Arnold veio ao de cima, assim como a naturalidade com que Díaz ganha espaços e bolas que lhe são lançadas. Mané fez o resto e nem o canto perigoso conseguido pelo Benfica uns minutos antes dava agora esperança. Sim, a realidade deste jogo pode ser vista como cruel. Mas o Benfica haveria de dar (alguma) resposta.


Outra vez Keita a ser fundamental em zonas sombra, com Díaz a aparecer pela primeira vez na cara de Vlachodimos. Atributos do Liverpool em organização e, claro está, em transição – como na que deu o sengundo golo aos reds: passe absolutamente extraordinário de Trent, com Díaz e Mané a ganharem o espaço. É tremendamente difícil defrontar o Liverpool porque, ao contrário do Ajax por exemplo, são uma equipa de cinco tempos e não de de dois somente.

Absolutamente assombrosa a verticalidade do Liverpool na transição ofensiva. Novamente a conexão Díaz-Keita, com timings e intenção coordenadas de forma excelente (ainda que a linha defensiva do Benfica possa melhorar imenso a controlar a profundidade). Intenções que o Liverpool eleva para excelência na transição ofensiva mas que estão também presentes em organização. O facto de ser uma equipa com soluções para forçar aberturas como nenhuma outra neste momento torna-os extremamente difíceis de bater

É que as lições de que erros a este nível se pagam caro não estão cá só para os grandes portugueses. Entre a boa disposição que se via, ao intervalo, nos estúdios da BT Sport, entre o sorriso de Salah no começo da 2.ª parte, havia o ambiente de que as favas já estavam contadas. Mas em mais uma proximidade de Darwin a Konaté, o francês cedeu – oferecendo um golo que o Benfica necessitava para continuar o sonho. E vindo de uma transição (bola de Díaz sobra para Rafa, com espaço) a coisa até parecia castigo dos deuses para Klopp. O problema é que há certas coisas que são fogachos e a espaços, e há coisas que são regulares e sólidas. E o Liverpool, mesmo vendo o Benfica a tentar agigantar-se e a chegar mais vezes à área (com Darwin sempre em destaque) não via por parte do seu adversário aquela certeza necessária para se empatar e virar um jogo destes. Muita vontade, muita entrega. Também bastante coragem para enfrentar o dilema de ter bola contra este Liverpool, mas muita pouca clarividência. Isso e um Liverpool que conseguiu acalmar o jogo com bastante tempo e espaço para trocar a bola pela sua linha defensiva – provando outro dilema para os seus adversários: o de se destaparem para tentarem opor-se a esse controle que Van Dijk, Konaté, Robertson e Trent conseguem quando estão em vantagem no marcador. E numa altura em que o 1-2 não servia mas mantinha o sonho vivo, a estocada de Díaz (88′) desenha outro plano de viagem para Liverpool. Uma onde o sonho perde força e a realidade da desvantagem condiciona em demasia.


Um Benfica altamente impedioso a condicionar o pivot Sadio Mané foi uma das coisas boas ao longo do jogo por parte dos encarnados – que aproveitaram esses momentos para transitar rápido ou organizar. É um dos atributos do Liverpool, a procura vertical, directa, no seu 9 – algo que o Benfica conseguiu reverter várias vezes a seu favor. Como dito, o Benfica não foi desastroso e não foi incompetente. Errou, lutou contra o dilema, mas não teve clarividência nem a qualidade que o Liverpool dispõe para encontrar soluções. Liverpool é sólido e regular, Benfica tem coração e fogachos.


Um resumo dos melhores momentos do Benfica revela o forcing das águias pelo empate, numa demonstração de coragem em partir o jogo – sabendo que o Liverpool teria armas para aproveitar esse maior arrojo encarnado. O 2-2 acabaria por não aparecer (também por falta de clarividência e qualidade comparando com o Liverpool, como já dito) mas apareceu o 1-3 (também por maior clarividência e qualidade comparando com o Benfica).

Benfica-Liverpool, 1-3 (Darwin 49′; Konaté 17′, Mané 34′ e Díaz 88′)"


Insuficiência encarnada face ao gigante inglês



"Noite europeia na Luz, as águias receberam o temível Liverpool a contar para a 1ª mão dos Quartos de final da Liga dos Campeões. Os Reds na máxima força chegaram a Lisboa com apenas três derrotas durante toda a época e temia-se que a avalanche ofensiva dos ingleses fosse imparável face às fragilidades defensivas dos encarnados.
O jogo do Benfica passou pelas saídas rápidas, uma vez que a pressão e a reação à perda da bolo dos ingleses era a um ritmo exorbitante que as águias nada conseguiram fazer para o travar. À entrada dos quinze minutos, num canto à esquerda, uma das tantas armas que este conjunto de Klopp tem foi crucial para desbloquear o jogo, Konaté saltou mais alto que todos e fez abanar as redes da baliza benfiquista. No desenrolar da primeira parte, os encarnados foram incapazes de perturbar Alisson ou a linha defensiva do Liverpool, uma vez que esta, de tão subida que se estava, acabava por matar qualquer tentativa de saída rápida do adversário. Ao minuto 35 num dos vários passes falhados por Taarabt durante a primeira parte, Alexander-Arnold descobriu Luis Díaz de forma exímia e este assistiu Mané para o 0-2.
À saída dos túneis os dois conjuntos presentearam-nos com uma entrada eletrizante, o Benfica ganhava maior ímpeto nas manobras ofensivas, descobria melhor os espaços dados pelos ingleses e começava a assustar o Liverpool e numa jogada simples, Rafa arrancou pela direita e descobriu Darwin que, com uma pequena ajuda do central francês, reduziu a vantagem dos reds. Durante largos minutos da segunda parte, o Benfica ia-se revelando capaz de atordoar o Liverpool e com inúmeras saídas rápidas foi deixando a defesa adversário em sentido, mas a capacidade camaleónica da equipa de Klopp de se ajustar e explorar diferentes vertentes do jogo, como tabelas curtas, duelos individuais e a verticalidade na procura das costas da defesa adversária, fazem deste Liverpool uma das equipas mais temidas e letais da Europa. A fechar o jogo, Keita com um passe magistral encontrou Luis Díaz que driblou Vlachodimos e deu a machadada final na exibição."

Benfica Poscast #433 - Back to your regularly scheduled depression*

BR: Liverpool...

BnR: Liverpool...

Bello: Liverpool...

Bancada: Liverpool...

Vermelhão: Merecíamos mais...

Benfica 1 - 3 Liverpool


O futebol moderno Europeu é este! A diferença entre os grandes orçamentos, e os medianos, é gigante! Quando o pessoal se manifesta contra a SuperLiga, como se essa suposta futura competição, vai 'matar' a competitividade do futebol europeu, esquecem-se, que isso já aconteceu!

O Benfica hoje, fez o possível! Defendeu, contra-atacou, e acabou penalizado por erros individuais defensivos, e algum desperdício ofensivo, nas várias transições que conseguimos concretizar! E ainda por cima, depois de uma boa arbitragem em Amesterdão, hoje, levámos com outro Espanhol apitadeiro, mas este, decidiu 'ajudar' o mais forte!!!

Sim, o Odysseas fez um bom jogo, defendeu várias 'paredes', mas o Gilberto também fez um grande jogo; o Grimaldo defensivamente esteve muito bem (tal como o Everton, enquanto teve pernas...), o Weigl também fez um bom jogo... o Rafa merecia mais, tal como o Darwin, claramente 'marcado' pela puta do árbitro!!! Em relação ao Adel, curiosamente defensivamente até esteve bem, mas as perdas de bola nas transições, levaram os adeptos ao desespero!!! E mais uma vez, quando o treinador começou a mexer, a equipa ficou a pior... a excepção foi mesmo Amesterdão!

Em relação aos Centrais, hoje, a jogar com as linhas baixas, voltaram a destacar-se em vários momentos, mas sempre que o jogo 'esticou', foram sempre batidos em velocidade! Tenho afirmado com alguma polémica, o Benfica precisa de dois Centrais titulares para o ano!!! Não tenho nada de pessoal contra o Nico e o Jan! Acho que o Nico é um líder nato, e o Jan cada dia que passa, está mais identificado com o Benfica! Mas a idade não perdoa...

Se as probabilidades eram baixas, agora são quase inexistentes, mas ainda temos 90 minutos, para mostrar dignidade...


O penalty não assinalado, foi decisivo! Daria o empate, numa altura do jogo, onde o Benfica estava claramente por cima, com o ambiente a empurrar e com vários jogadores do Liverpool claramente 'fora dela'!!! Mas a 'tendência' apitadeira, foi visível em muitos outros lances; na falta sobre o Rafa...;  no facto da 1.ª falta favorável ao Benfica ter sido quase aos 30 minutos; ao facto do Konaté ter terminado sem um único Amarelo; o Fiscal do lado do banco do Benfica, na 1.ª parte quase nunca levantou o braço, mas na 2.ª parte, parecia que não conseguia meter o braço para baixo... etc... E aquela rábula ridícula nos descontos, com a reentrada dos jogadores, absurdo!!!

A chegada aos Quartos, é de facto, neste momento, o melhor que qualquer equipa que não seja dos Big 5, consegue fazer...
Agora, antes da 2.ª mão temos o jogo com a B Sad, com os jogadores super-desgastados... e a precisar de força anímica, contra uma equipa que vai querer 'vingar' o jogo da 1.ª volta!!!

Tarde épica !!!

Benfica 36 - 30 Toulouse
(17-15)

Se a noite europeia não correu bem, a tarde foi outra música!!!
Mais um grande jogo, mais uma grande reviravolta, e estamos nos Quartos-de-final da EHF European League, a 2.ª competição europeia mais importante do calendário!

Depois da derrota da 1.ª mão duvidei, se a equipa ainda tinha forças para fazer de novo história, ainda por cima com as ausências do Grigoras e do Arnau! Mas os jogadores, provaram-me que estava errado!!!

Djordjic de novo em grande, após um período menos exuberante, pós-Covid, Sergey decisivo na ponta final... e grande ambiente!

Agora, depois de derrotar o Nantes e o Toulouse, temos o Nimes, teoricamente ligeiramente mais forte que os anteriores, mas a jogar com esta atitude e competência, temos o direito de sonhar!!!

Golos...

Braga 1 - 5 Benfica


Goleada, na última jornada, confirmando o 2.º lugar na Liga Revelação.

Agora, vamos para a Taça Revelação, este ano com novo formato: dois grupos de quatro, seguido de Meias-Finais e Final. Calhámos no grupo com o Famalicão, Rio Ave e Braga, não será fácil.

terça-feira, 5 de abril de 2022

Noite Europeia


"Esta edição da News Benfica é dedicada ao enorme desafio que temos hoje pela frente, o primeiro jogo dos quartos de final da Liga dos Campeões ante o poderoso Liverpool (20h00). E também ao andebol, que hoje decide, na Luz (17h45), a eliminatória com o Toulouse na EHF European League.

1
Já se sabe que numa fase adiantada da Liga dos Campeões não existem adversários fáceis, e o Liverpool, considerado unanimemente um dos favoritos a ganhar a prova, é daqueles que sobressaem entre os melhores. Mas, como vincou Nélson Veríssimo, "acreditamos que podemos dividir a eliminatória".

2
O nosso treinador reconhece "qualidade, capacidade e mérito" da equipa do Liverpool e considera que só um Benfica "num nível muito bom nestes dois jogos" poderá dividir a eliminatória frente a um opositor "muito difícil". A chave deste confronto passa por "ter uma competência muito grande, à semelhança da que tivemos com o Ajax", resumiu Veríssimo.

3
Na opinião de Veríssimo: "É bom fazermos o primeiro jogo aqui, vamos ter o Estádio da Luz cheio, vamos contar com o 12.º jogador e isso vai fazer toda a diferença, pois, com esse contributo dos nossos adeptos, certamente a equipa vai catapultar-se para uma boa exibição e uma grande noite europeia." Uma ideia corroborada por Adel Taarabt: "Os adeptos vão ser muito importantes."

4
A "noite europeia" começa mais cedo e no nosso Pavilhão n.º 2. Hoje decide-se a passagem aos quartos de final da EHF European League de andebol, e a nossa equipa conta, como tem sido hábito, com o apoio inexcedível dos Benfiquistas.
Para passarmos a eliminatória teremos de vencer o Toulouse por 4 golos, desde que não soframos mais de 33, ou acima dessa diferença caso o nosso adversário chegue aos 35.
O treinador Chema Rodríguez apelou à presença em força dos Benfiquistas e lembrou: "Ter o pavilhão cheio é muito importante, acredito que os Benfiquistas nos vão ajudar a conseguir os quatro golos e muito mais."
Vamos, Benfica!"

O desembaraçado David e o querido Golias


"Na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal de 1986/87, o Benfica teve de fazer um inesperado jogo de desempate contra o SL Cartaxo

A semana que antecedeu aquele domingo, 18 de Janeiro de 1987, foi de pura festa na pacata vila ribatejana do Cartaxo. Não se falava doutra coisa: pela primeira vez, oficialmente, o Benfica viria jogar ao Cartaxo, frente à sua filial n.º11, a contar para a Taça de Portugal.
Sem perder há 27 jogos em casa, o Sport Lisboa e Cartaxo ia embalado na prova-rainha, depois de eliminar o SC Braga em Dezembro, apesar de actuar na 3.ª Divisão. Com um treinador aficionado e um capitão sócio do Benfica, a equipa desejou, pela primeira vez, a derrota do Benfica.
John Mortimore levava um plano: marcar cedo e cortar animicamente o jogo do adversário. O que o preocupou foi o estado do campo, a 'caixa de fósforos', de piso pelado. Se Mortimore afirmava que 'estes campos não ajudam o futebol', João Barroca, treinador do Cartaxo, dizia que sim, 'é pequeno, mas está dentro das leis'.
O Campo das Pratas estava à pinha. Com 4 mil espectadores e dezenas de pessoas empoleiradas nas árvores, teve de se pedir uma bancada amovível à Câmara Municipal de Vila Franca de Xira.
Apesar das diferenças de escalão, a partida foi equilibrada, e a causa apontada foi a dimensão do perímetro, que não permitiu ao Benfica o seu jogo natural. As consecutivas falhas de Rui Águas e de Dito também determinaram que o espírito de luta dos locais nunca se abatesse. O jogo prolongou-se até aos 120 minutos a zeros. Louro, o guarda-redes cartaxense que fizera a sua formação no Benfica no final dos anos 60, foi o homem do jogo.
Enquanto Fernando Martins, presidente do Benfica, lançava a primeira pedra para o novo campo de jogos do SL Cartaxo, à saída da vila as gentes acenavam um grato adeus aos visitantes. Num dos maiores momentos da sua história, a filial conquistou o direito ao desempate no Estádio da Luz, em 21 de Janeiro. Era um sonho! Mesmo sabendo-se sem hipóteses, Barroca brincava dizendo que o 'campo é muito grande', e os jogadores, 'sal e pimenta' da festa da Taça, afirmavam ir sem 'baraço ao pescoço'.
Perante 10 mil assistentes que aplaudiram as duas equipas, a resistência e o fôlego dos ribatejanos esmoreceu a partir do primeiro golo do Benfica, surgido de um contra-ataque, e piorou depois do intervalo. Naquela quarta-feira, o resultado ficou num 7-0 para o Benfica, com os 'bis' de Chiquinho e Shéu e com o hat-trick de César Brito. O Clube não deixaria de exaltar e glorificar o brio e a coragem do adversário.
Coube ao Benfica a conquista da Taça de Portugal de 1986/87, em 7 de Junho, frente ao Sporting. O troféu, o último sob a orientação de Mortimore, pode ser visto na área 5 - A 'Taça', do Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

Tolos!!!

O que não pode o Benfica esquecer


Lateral Esquerdo, in Lateral Esquerdo

«Disse que esperava por Pinto da Costa, mas no dia seguinte ligaram-me para ir para o SL Benfica»


"Com juras de amor eterno ao SL Benfica, Beto é a capa da Revista do Bola na Rede e abre o coração antes da eliminatória decisiva frente ao Liverpool FC. Titular nos últimos dois jogos dos encarnados frente aos reds, na Champions, Beto sabe a receita do sucesso. Entre conselhos e elogios, o antigo médio brasileiro não tem receios e assegura que os encarnados têm condições para ganharem a Liga dos Campeões. De patinho feio a bem-amado na Luz, Beto fala sobre a relação com os adeptos, o convite do FC Porto e até na experiência como trabalhador numa fábrica de sandálias.

«Nunca Vou Deixar De Ser Benfiquista».

Viva, Beto, tudo bem?
Olá, como estão? Todo o prazer de falar para Portugal.

Beto, vamos arrancar a falar um pouco de si. Ainda se mantém como recrutador de jovens talentos do nordeste brasileiro para o futebol da Europa?
Sim, continuo com o projeto. Até te digo que há um ano levei um jogador aí a Portugal para fazer uma avaliação no FC Paços Ferreira e no SL Benfica. Não correu como esperávamos, mas neste ano temos outro miúdo com grande capacidade e com qualidade que vamos tentar colocar no mercado português. Não posso é revelar, para já, o nome.

Impecável. O objetivo passa por trabalhar só com alguns clubes em Portugal ou também no estrangeiro?
Também no estrangeiro. Eu adquiri a nacionalidade portuguesa, joguei cinco anos na Grécia e três na Suíça, e é nesses três países que pretendo trabalhar mais. 

Continua a viajar muito para Portugal?
Sim, sim. Depois de parar de jogar, já fui três vezes a Portugal. É um país que me acolheu muito bem e eu gosto muito de estar aí. A minha terra é o Brasil, mas a minha segunda casa é mesmo Portugal.

E teve muito boas memórias em Portugal, nomeadamente pelo SL Benfica. Propunha que fizéssemos uma pequena viagem pela sua carreira, começando pelos encarnados, até porque jogam no início de abril na Liga dos Campeões, precisamente contra o Liverpool FC. E calha bem falarmos, porque os últimos dois jogos nesta prova foram ganhos pelo SL Benfica e o Beto foi titular em ambos…
Em primeiro lugar, deixe-me agradecer ao futebol português e ao SL Benfica, principalmente, por me abrir as portas para jogar a Liga dos Campeões e fazer grandes jogos. Acho que o sonho de qualquer jogador é jogar a Liga dos Campeões e o Campeonato do Mundo. É uma Liga onde estão os melhores jogadores e eu tenho de agradecer muito ao SL Benfica. Mas o facto de eu ter lá chegado lá e de ter agarrado com “unhas e dentes” o lugar, não era fácil. Havia muita competitividade e eu consegui. Sabia que ia ser difícil jogar no SL Benfica, mas cheguei lá, dediquei-me ao máximo e graças a Deus consegui. Fiz grandes jogos na Champions contra o Manchester United FC e Liverpool FC, principalmente. Para mim, a recordação é inesquecível e vai ficar, para sempre, marcado na minha carreira como jogador.

Vai continuando a acompanhar a realidade do SL Benfica?
Sim, vejo sempre. Sempre que o SL Benfica joga, eu acompanho e nunca vou deixar de ser benfiquista. Até porque estão lá grandes amigos. O Luisão, que foi uma pessoa que me acolheu muito bem e era um pai para mim. O Rui Costa, que agora é presidente, era um grande jogador, mas é também um grande homem. É sempre bom acompanhar o SL Benfica para onde ele for. Com certeza que esse jogo com o Liverpool FC vai ser difícil porque é um jogo de quartos-de-final. Mas o SL Benfica tem todas as condições e qualidade para chegar mais longe, às meias finais.

Acha que o SL Benfica vai conseguir passar o Liverpool FC, tal como fez quando jogava no clube, há uns anos?
(risos) É sempre uma incógnita. Sabemos que o futebol está em evolução e as coisas mudaram, mas chegar aos quartos de final já é um grande feito. O SL Benfica tem grandes jogadores e tem um grande presidente, porque foi jogador também, e isso ajuda para entender bem os jogadores. O SL Benfica tem todas as condições para passar e fazer história. O SL Benfica é um dos maiores clubes do mundo. Um clube com carisma e com adeptos apaixonados pelo futebol. E, se chegarem às meias finais, querem chegar à final e serem campeões. O objetivo tem de ser o de vencer a Liga dos Campeões, e eu estou a torcer por isso mesmo.

Acha que é possível que o SL Benfica vença a Liga dos Campeões?
Sim, sim, com certeza. O futebol são onze contra onze, e o SL Benfica entra sempre para ganhar. 

«Havia Adeptos Que Tinham Mais Carinho Pelo Manuel Fernandes e Assobiavam-me Porque Queriam Que Fosse Ele a Jogar»

Beto, ainda sobre a Liga dos Campeões: aquele golo frente ao Manchester United FC é o momento mais marcante da sua carreira?
Sim, sim. É o momento que marca a carreira do Beto no SL Benfica. Passámos graças a esse golo. Mas também tive influência no jogo com o Liverpool FC. Era o atual campeão da Liga dos Campeões, mas mostrámos qualidade e determinação, junto com o professor Ronald Koeman, que também fez história no SL Benfica. E eu fui fazendo a minha história devagarinho, conseguindo o meu espaço. O golo com o Manchester United FC e a minha participação no segundo golo com o Liverpool FC foram dois exemplos. Mas sabemos que o que prevalecia era o conjunto. Não só os onzes, mas todos os que compunham o plantel. Todos queríamos ser campeões. Caímos contra o campeão dessa edição, o FC Barcelona, mas lutámos e acho que o SL Benfica vai fazer a mesma coisa com o Liverpool FC. Vai lutar até ao fim e vai querer passar.

“Se houvesse 11 Betos, o Benfica não perdia tanto”. Esta frase diz-lhe alguma coisa?
Diz, sim. Como vocês sabem, a imprensa procurava sempre um culpado para quando o SL Benfica perdia ou empatava. E essas, palavras vindas de um grande treinador, como é Ronald Koeman, deixaram-me com um sentimento de homenagem e reconhecimento. Nunca me senti um craque, sempre joguei para a equipa. Digo-lhe: o Beto não virou referência, mas ganhou respeito no SL Benfica, porque todos viam que eu trabalhava muito, que dava o máximo e que nunca gostava de perder. Portanto, quando o Ronald Koeman disse isso, só ajudou a melhorar as minhas qualidades, que se aprimoraram com o tempo, e sempre com o meu motivo principal que era ajudar o SL Benfica.

Quando marcou ao Manchester United FC, encostou a mão à orelha e apontou para o público no Estádio da Luz. O que queria expressar com aquele gesto? Que estava a calar os críticos?
Fiz aquele gesto, porque também havia adeptos no terceiro anel que não tinham simpatia por mim e pelo meu futebol. Preferiam ver outros jogadores no meu lugar. Nesse ano, o meio campo era disputado por mim, pelo Petit, pelo Karagounis e pelo Manuel Fernandes, e havia adeptos que tinham mais carinho pelo Manuel Fernandes. E, às vezes, assobiavam porque jogava eu e não jogava ele. Portanto, quando fiz o golo, mostrei aos adeptos que me criticavam que o momento mais importante do futebol é o golo e eu fiz o golo. Mas é normal, é assim em todo o lado. Costumo dizer que, se nem Jesus agradou a toda a gente, por que haveria o Beto de agradar?

Sim, impossível agradar a gregos e troianos. Beto, fazendo uma comparação: vê semelhanças entre a “sua” equipa do SL Benfica que ganhou ao Liverpool FC e a atual?
É parecida. O intuito de quererem ganhar todos os jogos é igual, sempre com o apoio dos adeptos. Claro que as figuras mudam, até o presidente, mas o incentivo de querer sempre ganhar pelo SL Benfica é algo que deve estar inerente a todos os jogadores que vestem a camisola.

Como é subir ao palco de Anfield Road? Sentiu-se nervoso?
O jogador que disser que não tem um friozinho na barriga, está a mentir. Nem todos os jogadores são iguais, mas todos sentem algo. Nem é nervosismo, é mais até ansiedade. É ansiedade de querer ganhar e estar bem no jogo. Nós queremos ganhar todos os jogos e sabíamos que íamos defrontar uma grande equipa, como era o Liverpool FC. Entrámos tranquilos porque sabíamos que tínhamos a vantagem de 1-0. Sabíamos que ia ser difícil, mas tudo ficou mais facilitado com o primeiro golo do Simão. Depois tivemos o golo “à matador” do Miccoli, que destroçou o Liverpool FC. E olhe…

Sim?
O mais bonito, sabe o que foi? Quando terminou o jogo, todo o estádio aplaude o Liverpool FC e o SL Benfica. Isso é que é maravilhoso no futebol. Uma equipa que era, teoricamente, inferior à do Liverpool FC e, mesmo assim, houve aplauso para as duas equipas. Foi maravilhoso!

Sem dúvida, Beto. Dado o que vivenciou nestes dois jogos, tem algum conselho para deixar aos jogadores do SL Benfica para esta eliminatória com o Liverpool FC?
Só digo para continuarem. Estão a fazer tudo bem, com dedicação e amor pela camisola do SL Benfica. Em qualquer parte do mundo, toda a gente conhece o SL Benfica. Só posso dizer para continuarem a lutar e para darem o máximo. Nunca deixem de acreditar. O SL Benfica é enorme e, onde quer que seja, vai jogar sempre para ganhar.

«Fui Trabalhar Para Uma Fábrica De Sandálias»
Focando agora a atenção na sua carreira. O Beto começa a carreira no Brasil, passa pela Argentina e Uruguai, e por diversos clubes antes de rumar a Portugal. Como surgiu o convite para jogar em Portugal, no FC Paços Ferreira?
Tenho de agradecer muito ao José Mota, que me descobriu no Brasil, com a ajuda do meu empresário da altura. Contratou-me para o FC Paços Ferreira.

Foi seu treinador durante muito tempo…
Exato. Ele gostou de mim e do Gláuber, que também foi para o Paços e, depois, para o Boavista FC. E foi assim que aconteceu. Depois, fui crescendo e dando-me a conhecer ao futebol mundial. Do Paços para o SC Beira-Mar, e só depois para o SL Benfica. No SC Beira-Mar, aliás, fiz uma excelente época.

Só uma questão, Beto, antes que nos antecipemos: há uns anos, deu uma entrevista em que afirmou que chegou a pensar desistir do futebol para trabalhar numa fábrica de sandálias. Essa foi a fase em que esteve mais longe do mundo do futebol?
Sim, apesar de o meu pai me incentivar sempre a jogar. Só que era complicado. Ia para um clube, não dava certo. Ia para outro, não dava certo. E, a certa altura, o meu pai disse que eu tinha de trabalhar e sobreviver. E eu fui trabalhar para um fábrica de sandálias durante cinco dias. Até que chegou ao sexto dia – um domingo -, e o dono disse que eu tinha de ir trabalhar. Só que aos domingos fazemos as “peladinhas”. E eu disse: “Não, não vou trabalhar mais e vou voltar a jogar, de novo”. O futebol apareceu novamente e ficou mais iluminado. Depois, foi tudo rápido até chegar a Portugal.

E, depois, foram muitos anos em Portugal…
Muito bons anos aí!

José Mota marca a sua carreira, acredito.
Marca, claro, sem dúvida. Ainda hoje falo com ele, conversamos muito. Sempre que vou a Portugal, tenho de falar com ele e de o ver. É uma amizade que conquistámos. Nunca nos deixámos de falar e o “Mota”, para mim, é como um pai no mundo do futebol.

«Disse Que Esperava Por Pinto da Costa, Mas No Dia Seguinte o José Veiga Ligou-me Para Eu Me Apresentar No Estádio da Luz».

Antes do SL Benfica, teve ainda a passagem pelo SC Beira-Mar. Em termos coletivos, as coisas não correram bem, até porque desceram de divisão. Mas o Beto sai valorizado dessa época e sai para um grande.
Se não fosse o SC Beira-Mar, não tinha chegado ao SL Benfica. Fiz bons jogos, até contra o SL Benfica. Agradeço muito ao SC Beira-Mar e a todos os clubes. Mas há clubes mais marcantes do que outros, e posso dizer que o SL Benfica foi o auge da minha carreira. O melhor momento da minha carreira, onde ganhei títulos e reconhecimento. 

Beto, ainda sobre este processo de saída do SC Beira-Mar: falou-se, na altura, do interesse do FC Porto. Era verdade?
Era verdade, era verdade. Eu estava em Aveiro e um diretor do FC Porto ligou-me a dizer que o Pinto da Costa queria falar comigo e eu disse: “Está ok”. Só que ele só ia chegar a Portugal dentro de três ou quatro dias. Eu disse que estava ok e que esperava. Mas, no dia seguinte, o José Veiga ligou-me à noite a dizer que eu ia para o Estádio da Luz para assinar contrato, porque já estava tudo tratado e acertado com o presidente do SC Beira-Mar. Bom, para mim foi uma surpresa. Não esperava e estava a contar com FC Porto. Até liguei ao presidente e perguntei se era a sério. Ele era amigo do José Veiga e disse-me que sim, que estava tudo certo e que viajava logo às sete da manhã. Quando chego à bomba de gasolina, antes de chegar a Lisboa, já tinha jornalistas e televisões à minha espera, já todos sabiam que eu ia assinar pelo SL Benfica. Foi uma estratégia do SL Benfica muito boa e de que eu gostei. Não é que eu não gostasse do FC Porto, mas eu tinha interesse no SL Benfica porque era adepto do clube. Via que o SL Benfica era o maior de Portugal e tinha uma camisola muito pesada. E eu até gosto mais de vermelho! (risos)

Já explorámos a sua época com Koeman, mas queria também falar da época seguinte no SL Benfica, em 2006/07, com Fernando Santos. As coisas não correm tão bem para si. Fernando Santos traz consigo Katsouranis e perde espaço para jogar. Esperava ter mais minutos nessa temporada?
Sim, como tinha feito bons jogos na primeira época, esperava ter feito mais encontros. Mas o Fernando Santos já me tinha passado a informação de que iria trazer o Katsouranis, que era um jogador dele no AEK, e ele deixou-me as portas abertas. Disse-me: “Se quiser sair, eu não vou ser entrave. Se quiser ficar, eu conto contigo”. E eu disse que queria ficar e conquistar o meu espaço. Não foi como na primeira época, mas ajudei no que pude. Só que, no final dessa época, surge um convite do Sion. O Fernando Santos disse novamente que contava comigo, mas que, se eu quisesse melhorar a minha vida e jogar mais, que as portas estavam abertas. Sempre foi sincero e cordial comigo. Acabei por ir. Mas nunca baixei os braços enquanto estive no SL Benfica. Aliás, qualquer jogador que esteja ligado ao SL Benfica tem de ser assim: tem de estar sempre disponível para o SL Benfica, seja a titular ou no banco.

Que opinião tem sobre Fernando Santos? Guarda alguma mágoa?
O que posso dizer é que é um grande treinador. Não é porque joguei menos que vou falar mal. Sempre falei bem do mister. Por onde ele passou, fez história, e hoje está a fazer história no futebol português.

Passes Curtos
Antes de fecharmos, vamos a umas perguntas rápidas. Ser campeão em Portugal ou ir longe na Liga dos Campeões?
Epá… Os dois.

O melhor amigo que fez no futebol, em Portugal?
Fiz muitos, felizmente. Luisão… E depois David Luiz, Rui Costa, Nuno Gomes, Simão, Nuno Assis, Marco Ferreira, Moretto, Miccoli… Enfim, muitos.

Melhor treinador?
Com toda a certeza, Ronald Koeman.

Melhor momento?
O golo contra o Manchester United FC.

Pior momento?
No dia do jogo contra o Manchester United FC, depois do encontro. Disse algo como: “Quero que os treinadores de bancada se lixem”. E esse foi o pior momento da minha carreira, arrependo-me até hoje.

O jogador da atualidade que é mais parecido consigo? Encontra algum?
Olha… há um jogador que se entrega muito no SL Benfica, tal como eu: o Taarabt.

As mais difíceis para o fim: SL Benfica ou FC Paços Ferreira?
Eiii. Os dois, os dois. O Paços abriu-me as portas e o SL Benfica por ter feito lá a melhor época da minha carreira como jogador.

Beto, muito obrigado, foi um espetáculo.
Muito obrigado. O que precisarem, já sabem. Abraço a todos!"

Gonçalo...

Campeão do mergulho!


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