Últimas indefectivações

terça-feira, 12 de setembro de 2017

UEFA e o curioso caso português

"Benfica e Sporting abrem, hoje, a participação dos clubes portuguesas nas competições da UEFA, nesta era de 2017/18.
Na próxima época já não teremos este luxo de contarmos com três equipas na fase de grupos da prova europeia mais importante de futebol e julgo que dificilmente voltaremos a ter. Em parte, porque o futebol português tem-se deixado entreter com a sua estúpida guerra dos cem anos e esquece e essencial: o desenvolvimento mais rápido e equilibrado do seu futebol; por outro lado, porque cada vez mais a UEFA está refém dos grandes clubes europeus e tende a fechar cada vez mais a sua prova rainha, até para ir adiando a decisão desses mesmos grandes clubes virem a organizar uma superliga europeia, onde os sapatos grandes clubes, dos pequenos e médios países dificilmente terão assento.
Depois dos últimos anos de desperdício de uma posição privilegiada. Portugal jogo esta época, na Europa, com Benfica, Sporting e FC Porto na Champions e com V. Guimarães e o Braga na Liga Europa. Cinco dos seus clubes mais representativos e com maior experiência internacional.
Porém, há uma questão contraditória que vale a pena levantar. Para que Portugal consiga, no final desta sua época europeia, um número assinalável de pontos capazes de nos fazer reentrar na luta por um lugar na elite da Europa do futebol teria de contar com resultados acima das expectativas de Guimarães e Braga e com a indesejável (do ponto de vista desportivo) queda dos seus principais clubes para a Liga Europa, única competição onde Benfica, Sporting e FC Porto teriam algumas chances de ir até ao fim."

Vítor Serpa, in A Bola

Premiar o mérito

"Acredito na seriedade de quem apita jogos, na bondade que entreguem a cada lance

Tenho 44 anos. Durante mais de metade, fui árbitro de futebol. Hoje, como sabem, mantenho-me ligado à arbitragem por outra via. Pela via da análise e do comentário. E também pela via pessoal: a que tenho tentado construir, lenta mas gradualmente. Desse caminho mais solitário nasceu, recentemente, a publicação de um livro sobre as leis de jogo/videoárbitro e, em simultâneo, a criação de um site focado essencialmente em arbitragem. Um espaço onde diariamente procuro torná-la num lugar mais transparente. Sem preconceitos nem corporativismos. Limpo. Cristalino. Independente.
Sei que não deve ser fácil perceberem como é que alguém, na plenitude das suas faculdades (e eu penso que mantenho as minhas faculdades intactas), escolha continuar a estar ligado a uma carreira à qual dedicou tanto tempo e onde mora, em permanência, tanta coacção. Bem, estas coisas não se explicam. Sentem-se. Perceberão isso todos os que dediquem a sua vida a uma só causa ou a algo em que acreditam profundamente. Naturalmente que a arbitragem é para mim, como para qualquer um dos seus actuais agentes directos e indirectos, uma fonte de rendimento. Tal como o futebol, no seu todo, o é para muitas pessoas. E tal como qualquer actividade o é para os respectivos profissionais. Mas o aspecto financeiro, sendo importante, nunca poderia ser determinante, sobretudo para um ex-árbitro. Porquê? Porque esta escolha é efémera e volátil. E porque a verdadeira estabilidade pessoal e familiar nunca assentou, não assenta e jamais poderá assentar em premissa tão circunstancial como esta. Por isso, a verdadeira razão que me faz continuar a ficar deste lado é o facto de acreditar plenamente na melhoria da arbitragem e na sinceridade dos árbitros.
Acredito convictamente - e até prova em contrário - na seriedade de quem apita jogos. Na bondade que entreguem a cada lance, a cada jogada, a cada juízo. Acredito que dão sempre o melhor de si, o melhor que podem e o melhor que sabem. O que varia, neles, não é a integridade ou honestidade. É a sua maior ou menor competência, a sua maior ou menos experiência, a sua maior ou menor sensibilidade para a função. E é aí que mora a diferença entre os que acertam mais e menos. Entre os que erram mais e menos. Entre os melhores e os piores.
Sabendo disso, a estrutura deve canalizar todo o seu esforço no aspecto qualitativo. Na busca dos melhores, dos mais competentes. Isso é possível através de forte investimento no recrutamento, através da formação contínua e da melhoria constante das suas condições de trabalho. Para que, através de quantidade, seguramente desejada por todos, não é compatível com a manutenção de alguns imperativos regulamentares, que obrigam a que - na selecção para o topo -, se tenha em conta, pode exemplo, um critério tão injusto como a idade. Um árbitro não pode chegar ao escalão máximo por ser mais jovem que outros, sobretudo quando esses, por força do seu mérito desportivo, estão melhor posicionados para a subida. Não é possível afastarem-se quatro ou cinco árbitros do seu lugar só porque existe um número de vagas preestabelecidas para outros, eventualmente pior classificados mas bem mais novos. Este princípio - criado há muito, com equipa directiva diferente - teve base bem intencionada (permitir que os árbitros pudessem estar, a médio/longo prazo, nas grandes competições nacionais e internacionais), mas desvirtua aquilo que as competições, os clubes e os adeptos querem ver em campo: os melhores dos melhores.
A meritocracia tem que ser sempre, sempre, o único critério a ter em conta quando se trata de exigir excelência, competência e qualidade. E essa verdade deve valer para os árbitros... e para todos os outros."

Duarte Gomes, in A Bola

Contrariando teimosamente o antropólogo Lévi-Strauss!

"As viagens do Benfica pelo mundo ficaram na história mais profunda do futebol universal. Só o Santos de Pelé empreendeu digressões de tal envergadura. Agora que se fala que a Eusébio Cup pode ter lugar no Canadá, vamos viajar um pouco com os encarnados...

O Benfica não era clube que descansasse tranquilidade em casa de cada vez que o campeonato parava. E, às vezes, viajava mesmo com ele a decorrer, deixando para mais tarde os aborrecidos compromissozinhos nacionais. Havia uma vontade indómita de se medir continuamente com os melhores dos melhores.
No dia 20 de Junho de 1957, uma semana após ter perdido a final da Taça Latina, recebe em Lisboa o Vasco da Gama. O Vasco da Gama que viera à Europa derrotar o Athletic de Bilbau (4-2) na decisão do Troféu Ramon Carranza e o Real Madrid (4-3) na primeira edição do Torneio Internacional de Paris. O Vasco da Gama de Orlando, Valter e Vavá venceu por 5-2 e, na semana seguinte, já uma grande delegação encarnada sobrevoava Copacabana e o Leblon e a Baía da Guanabra, apreciando a vista lá do alto bem mais do que o antropólogo Claude Lévi-Strauss, que a terá detestado, parecendo-lhe uma boca benguela.
A digressão de 1955 deixava raízes. E o Benfica desembarca no Inverno do Rio com três encontros aprazados contra velhos conhecidos, dois frente ao Flamengo e um frente ao América. Otto Glória leva consigo 17 jogadores: Bastos e Costa Pereira; Calado, Serra, Ângelo, Artur Santos, Zezinho, Caiado, Alfredo e Pegado; Palmeiro, Coluna, Águas, Salvador, Cavém, Chipenda e Azevedo. Em Portugal chamaram-lhes 'Os bandeirantes da actividade desportiva', recordando o sucesso da digressão de 1955.

Belenenses também no Brasil
O Flamengo acabara de bater o Belenenses para o Torneio Internacional do Morumbi, torneio esse que se disputava no Rio e em São Paulo mas, curiosamente, com nenhum dos jogos a ser realizado no Morumbi, que ainda não estava completamente construído. 3-1 fora o resultado do Maracanã. Também no Maracanã jogou o Benfica. E durante longos, períodos de jogo domina o seu adversário, respondendo ao golo de Duca, logo aos 30 segundos, com um golo de Águas, aos 42 minutos. No dia seguinte, os jornais brasileiros tecem rasgados elogios ao Benfica, mas recordando a cada linha que é um brasileiro, Otto Glória, que treina os encarnados. No segundo jogo, os golos não aparecem. Serra foi expulso e Bastos, aos 48 minutos, defendeu um penálti apontado por Moacyr. Pela primeira vez o Benfica não sai derrotado de confrontos com o Flamengo. Se o Barcelona tem sido o seu 'fantasma vermelho e negro': nunca até hoje o Benfica bateu os brasileiros.
No dia 17 de Julho, de novo no Maracanã, o adversário é o América do Rio. Em disputa, a Taça Craveiro Lopes. As regras para a conquista do troféu são as seguintes: um jogo no Rio de Janeiro, outro em Lisboa e, finalmente, outra vez no Rio. Sairia vencedor quem atingisse primeiro os 5 pontos. Um empate (1-1) deu a cada clube um ponto no primeiro jogo. O segundo jogo disputa-se em Lisboa no dia 1 de Junho de 1959 e voltou a registar um empate (0-0). Benfica e América nunca voltaram a encontrar-se no Brasil. A digressão prossegue em São Paulo, ou melhor, em Santos, no Vila Belmiro, contra outra das 'bestas negras' do Benfica, o Santos, um dos adversários que nunca tinha vencido ao longo da sua história. Pela primeira vez os encarnados estavam cara a cara com aquele que se tornaria o mítico Santos de Pelé, único clube que pode pedir meças ao Benfica nas suas andanças pelo mundo. O Santos era bicampeão paulista mas ainda não era verdadeiramente o Santos, ou seja, o Santos que ficou escrito a letras mágicas na história do futebol. Mas tinha Manga, o guarda-redes que Eusébio e Simões destruíram em 1966. E tinha o grande Zito. E Dorval, e Jair, e Pagão, o herói de Chico Buarque, e Tita. E um menino de apenas 16 anos chamado Edson Arantes do Nascimento. Como dizia Nélson Rodrigues: Edson Arantes do Nascimento, por extenso Pelé. Muito mais vezes Pelé encontrará o Benfica, mas até 1958, ano em que o Brasil foi campeão do mundo pela primeira vez, não passará de um menino que trata a bola como mais ninguém. O jogo de Vila Belmiro, que se transformará num clássico do futebol internacional, é extraordinário. Os brasileiros vencem por 3-2, mas a hora e meia é cheia de peripécias e os jogadores do Benfica acertam três remates na trave de Manga Calado, Águas e Palmeiro. O Último Hora escreve: 'Sem dúvidas que o Benfica é o melhor team do Velho Mundo que até agora nos visitou'."

Afonso de Melo, in O Benfica

Uma obra, sangue e suor!

"A inauguração do Estádio da Tapadinha, a 23 de Setembro de 1945, foi um 'festivo acontecimento que pôs Alcântara e tôda a Lisboa em alegria'.

Em todo o bairro de Alcântara havia 'nos rostos um sorriso feliz - de confiança e alegria'. O Atlético Clube de Portugal inaugurava o seu novo parque de jogos, o Estádio da Tapadinha, uma 'obra grandiosa' e 'belo na simplicidade e brancura da sua traça'.
Este tinha capacidade para 25 mil pessoas, com lugares sentados para todos os espectadores, onde 'até o «peão» é sentado!'. E, mesmo assim, o espaço não bastou. 'Milhares de entusiastas acomodam-se ao longo das linhas do terreno de jôgo, a maioria deles deitados preguiçosamente na relva macia, que sem dúvida, até convidava...'
O Atlético convidou os 'mais importantes clubes de Lisboa' - Benfica, Sporting e Belenenses - para o interessante programa comemorativo. E, depois das cerimónias da inauguração, demoradamente aclamadas pelo público, coube precisamente ao Benfica e ao Belenenses estrear o novo campo desportivo da capital. Era a primeira vez, nesta época, que estes dois clubes jogavam em Lisboa. 'O público acomoda-se, regalado como quem se senta à mesa para saborear o prato predilecto'.
O Belenenses entrou melhor e fez o primeiro tento da partida. O momento seguinte foi de aflição. O guarda-redes dos 'azuis', Capela, 'desastradamente, talvez por culpa sua, lançando-se mal, a cabeça a descoberto' mergulha aos pés do jogador benfiquista Mário Rui, que 'com um pontapé na cabeça, que lhe abriu brecha funda e extensa'. Mário Rui, sem festejar o golo, 'acorreu presuroso para o erguer'. tendo o guarda-redes sido substituído.
Apesar deste momento emotivo, o Belenenses continuou a dominar a partida e a derrota do Benfica parecia certa. Mas os benfiquistas, numa 'surpreendente reviravolta, (...) recuperaram a diferença - então 1-3 - passando o marcador para 4-3 em pouco menos de três minutos'! São estas 'genialidades que fazem do Benfica uma das mais belas fôrças do futebol português'. A poucos minutos do fim, os 'azuis' empataram e o resultado final, com quatro bolas para cada um dos clubes lisboetas, ajustou-se perfeitamente ao desenrolar do jogo amigável.
Pode conhecer mais sobre os campos desportivos da capital na exposição Lisboa e Benfica - 20 Clubes, 20 Histórias, na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Lídia Jorge, in O Benfica

Época... Fejsa & Champions

Depois da coação sobre árbitros, agora o condicionamento da justiça

"Depois das contínuas declarações e atitudes de coação e intimidação das equipas de arbitragem por parte de responsáveis do Futebol Clube do Porto, hoje ficámos a conhecer nova frente de acção que visa interferir e condicionar as decisões dos tribunais nos processos em curso.
No âmbito das diferentes acções movidas pelo Sport Lisboa e Benfica, através da sua equipa de advogados, confirmamos ter sido interposta a justificada e necessária providência cautelar junto do Tribunal Cível da Comarca do Porto, visando impedir, primeiro, a prática continuada de uma conduta ilícita, depois a salvaguarda do bom-nome do Sport Lisboa e Benfica.
Nada mais natural num Estado de Direito com o qual alguns clubes e dirigentes manifestam evidentes dificuldades em lidar."

Benfiquismo DXCIV)

Brinco...?!!!

Voando sobre um ninho de cucos

"À direcção da Liga falta força e ao Governo falta coragem. Os pirómanos do futebol agem à vontade e vem aí um futuro de terra queimada.

Reconheço que não é fácil ser prior na freguesia do futebol português, mas quem aceitou o cargo constituiu-se na obrigação de exercer uma magistratura mais efectiva, que diga ao que vem e aquilo que quer. E também devo dizer que Pedro Proença não é, nem por sombras, o culpado pelo ninho de cucos em que estão transformadas as relações entre os clubes; porém, pelas funções que desempenha, a ele e à Liga deve exigir-se outro tipo de intervenção. Não é razoável que o presidente da Liga de Clubes, entidade que deve zelar pelo desenvolvimento da indústria, se mostre tão contido perante os atentados a que praticamente todos os dias temos assistido. Como é possível pensar em progressos se os principais patrões da indústria passam a vida a denegri-la? Nada do que tem acontecido é aceitável e não é na rivalidade que se encontra explicação para tanta falta de tino. Os rivais devem medir forças dentro das quatro linhas e depois, nas matérias de interesse comum, precisam de marchar em ordem unida pelos melhores resultados. O que tem sucedido é de profunda irracionalidade, numa vertigem autofágica que será, num futuro próximo, muito lamentada por quem tiver de colar os cacos. Mas há mais quem não tenha estado à altura da situação. Refugiando-se no argumento da independência do movimento associativo, o Governo foge dos problemas do futebol como o diabo da cruz, esquecendo-se das responsabilidade que são suas a partir do momento em que concede um estatuto de utilidade pública desportiva. Esta complacência do poder político face aos donos da bola, embora seja pública e notória no tempo presente e com este executivo, está longe de ser exclusivo da Geringonça, antes faz parte de uma tradição enraizada há muito e que tem permitido que se vislumbre, em muitas circunstâncias, um Estado dentro do Estado.
É neste caldo de submissão (da Liga porque não tem força para ir contra os principais clubes e do Governo porque lhe falta coragem) que a situação não dá mostras de acalmia. As posições estão radicalizadas e perante algumas certezas - só um será campeão e só o segundo irá à pré-eliminatória da Champions - será de esperar que o ambiente passe do irrespirável ao irresponsável, com um perigo de ruptura social iminente. Estão à espera de quê? De uma tragédia?
(...)

Ser ou não ser (chouriço), eis a falsa questão...
«Podíamos ter saído daqui com outro resultado, não fosse um grande chouriço que apareceu e foi esse chouriço que definiu o jogo»
Vítor Oliveira, treinador do Portimonense
A questão é, quanto muito, académica, mas não deixa de ser interessante. Vítor Oliveira referiu-se ao golo de André Almeida como um chouriço, mas o polivalente jogador do Benfica assumiu intenção no remate que deu o triunfo às águias. Sendo impossível contrariar André (só ele é que sabe o quis fazer!), é também impossível não perceber o ponto de vista de Vítor Oliveira.

Finalistas
Portugal, a disputar a terceira divisão europeia de râguebi, ocupa a 25.ª posição no ranking mundial; estes dados traduzem o actual estatuto dos Lobos. Por isso, tendo em conta este panorama, a proeza da selecção de sub-20 finalista com o Japão, ontem em Montevideu (debaixo de chuva diluviana e jogando num mar de lama, o que levou o jogo a ser suspenso quando os nipónicos, aos 63 minutos, iam vencendo por 14-3), no Mundial B, assume uma dimensão ainda maior. Os Lobitos colocaram Portugal no top ten do escalão, mostrando como é possível lutar com os melhores até uma determinada fase. Depois é que é pior, faltam condições, falta competição e a opção pelo amadorismo acaba por prevalecer. Para já, ficam os parabéns e o registo da belíssima página do râguebi nacional, escrita pela selecção de sub-20 no Uruguai, na mesma cidade de boa memória onde os Lobos carimbaram o passaporte para o Mundial de 2007.

Contador sabe como se diz adeus às armas...
A vitória na Vuelta sorriu ao vencedor do Tour mas a grande figura, pelas emoções que soltou, foi Alberto Contador, conquistador do Angliru, que disse adeus ao ciclismo saindo em ombros. Contador tem lugar entre os grandes de Espanha, junto a Bahamontes, Ocaña, Delgado, Pereiro e Indurain, vencedores da Grand Boucle."

José Manuel Delgado, in A Bola

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Lixívia 5

Tabela Anti-Lixívia
Corruptos...... 15 (0) = 15
Benfica.......... 13 (0) = 13
Sporting........ 15 (+2) = 13

O Benfica continua a 'inovar', aliás o Benfica é a maior alavanca de 'inovação' em Portugal: quando o Judas era treinador do Benfica era um escândalo o ordenado que auferia; agora que ganha mais do dobro nos Lagartos, ninguém se importa; quando o Benfica não tinha jogadores portugueses no onze titular, era um escândalo, quando os outros jogam praticamente sem portugueses, ninguém se importa; foi a 'jaula' de segurança; foram os 'emprestados' falharem os jogos com o Benfica... etc... etc... etc... Agora, temos mais uma 'inovação': quando o VAR decide bem, a favor do Benfica: é um lance polémico... com mais umas palavrinhas, lá conseguem chegar à conclusão, que afinal, ajuizar bem, a favor do Benfica, é um escândalo!!!!
Para ser sincero, esta é uma daquelas 'inovações' recicladas!!! Recordo-me do 'nascimento' do colinho: um golo bem anulado ao Rio Ave na Luz, por fora-de-jogo, mas com um Auxiliar mal colocado... Foi um escândalo, como é que foi possível, um Auxiliar mal colocado, ter tomado uma decisão correcta, que beneficiou o Benfica...!!!!

Mas aquilo que tem menos graça nisto tudo, é que a arbitragem no Benfica-Portimonense foi mesmo má! Tanto no árbitro de campo, como pelo VAR... e se o árbitro de campo, tem 'desculpa' o VAR não tem...!!! O mais 'estranho' é que a incompetência do VAR parece que é 'contagiosa', já que os principais erros do VAR na Luz, nem sequer a BTV soube 'aproveitar'!!! Ontem, num novo programa, 'Chama Imensa' a BTV mostrou e explicou algumas das decisões em redor do VAR, mas 'esqueceu-se' de mostrar dois penalty's que ficaram por marcar a favor do Benfica!!! Foram só dois 'atropelamentos' descarados:
- o primeiro foi logo aos 10 minutos, num albarroamento ao Pizzi... estilo NFL!!!
- o segundo logo no início da 2.ª parte noutro albarroamento ao Luisão!!!





Sendo que ainda tivemos a falta no início da jogada do golo do Portimonense, sobre o André Almeida: o Japonês aplicou o verdadeiro golpe de Judo ao André: pé direito à frente da perna esquerda do Almeida, e empurrão nas costas... só não foi Ippon, porque o André caiu de frente!!!
Eu compreendo e defendo o critério usado pelo VAR: só em lances indiscutíveis o VAR poderá actuar... e por isso é que os VAR's, têm-se na maioria das vezes, 'recusado' a actuar, deixando a responsabilidade para o árbitro de campo... Sendo que os foras-de-jogo são os mais 'fáceis' de decidir; e os lances de 'contacto' os mais difíceis... O problema é que noutros jogos, temos tido VAR's a decidir 'expulsões' subjectivas, que só por coincidência têm beneficiado os Lagartos (Josué, Guimarães, expulso no Estoril... falhando o jogo com o Sporting); e os Corruptos (Xico Geraldes, Rio Ave, expulso no Funchal... falhando o jogo com os Corruptos)!!!
Os lances dos penalty's são claros, os defesas não tocaram na bola, e derrubaram claramente os jogadores do Benfica... e falta sobre o Almeida é clara...
Se quiserem comparar, nos últimos minutos, um jogador do Portimonense, 'esticou o cu' para trás, supostamente protegendo a bola, como o jogador do Benfica, desviou-se, o adversário caiu... e o árbitro marcou falta!!! Não é uma jogada igual à do André, mas é mais ou menos parecida!!!

Aliás, as faltas a meio-campo neste jogo foram muito mal analisadas. Também houve faltas não assinaladas ao Benfica, mas os 'erros' a meio-campo que beneficiaram o Benfica nunca permitiram contra-ataques ao Benfica, enquanto os 'erros' que beneficiaram o Portimão, permitiram vários contra-ataques perigosos... Parece uma diferença pequena, mas não é...

Sobre o penalty assinalado sobre o Salvio, temos um toque no pé esquerdo do Toto e um empurrão, claro... Quando um lance deste tipo é 'duvidoso' para alguns, é difícil argumentar seja o que for!!!

Para terminar, recordo ainda os Amarelos: o guarda-redes dos Algarvios fez anti-jogo desde do primeiro minuto do jogo, devia ter levado Amarelo ainda na 1.ª parte... e assim, quando levou o Amarelo, devia ter sido o 2.º... E o Rúben Fernandes, quando cortou a bola com o braço, perto do final, devia ter levado o 2.º Amarelo...


Na Vila da Feira, mais um daqueles jogos que termina quando o Sporting marcar (como escreveu hoje o Rui Gomes da Silva)!!!
Não vi o jogo em directo, mas ninguém me conseguiu explicar os 6 minutos de desconto...!!!
O penalty também é claro... e o Soares Dias fez bem em marcá-lo! Só tenho um problema: o ano passado no Sporting-Benfica houve um lance parecido com o Rafa... e ele não marcou!!! Ainda bem que 'reconheceu' o erro!!! Mesmo que tenha sido vários meses depois!!!
Disciplinarmente, foi mais um festival de impunidade: Acuna e Jonathan 'safaram-se' de Amarelos de forma incrível... e o Alan Ruiz voltou a pisar violentamente um adversário, e mais uma vez, nem falta foi marcada...!!! O meu problema com estes pisões do Lagarto, é que estes são pisões onde ele 'ferra' os pitõns, e não 'tira' o pé... O Amarelo é o 'mínimo' mas já vi Vermelhos por muito menos: veja-se o Geraldes no Funchal!!!!

No antro Corrupto, a história não muda: a agressividade Corrupta é constantemente recompensada com impunidade, principalmente impunidade disciplinar: Oliver, Marcano, Felipe, Soares todos com cartões perdoados... Não deixa de ser curiosa a reacção do Oliver quando finalmente 'levou' Amarelo, numa entrada indiscutível, mas o que deixou 'incrédulo', estilo: 'tinham-me dito, que valia tudo'!!!!
O penalty a favor dos Corruptos também é claríssimo... tal como o do Alex Telles, não assinalado em Paços!!!
Na parte final da partida, ainda houve alguns cotovelos... Eu defendo que as cotoveladas só devem ser castigadas disciplinarmente quando existe intenção, portanto tanto no lance do Marcano como no lance do Soares, fico com dúvidas... O problema, é que em situações idênticas com jogadores do Benfica, ninguém tem dúvidas...

Uma nota ainda pelas declarações do treinador dos Corruptos: parece que não vai ser capaz de 'resistir' à propaganda anti-Benfica difundida pelos Corruptos! Só espero que o treinador dos Corruptos não se esqueça que tem um filho a jogar no Benfica...!!!
As declarações sobre os supostos 4 penalty's que ficaram por marcar a favor dos Corruptos, são simples delírios... Mas as declarações sobre as linhas de fora-de-jogo são graves, eu explico:
- quando um ignorante como o Otávio Ribeiro fala sobre as Realizações da BTV e do VAR, temos que dar o 'desconto', o homem não sabe mais...; mas quando um treinador da I Liga, que já foi informado pessoalmente, de como as decisões do VAR são tomadas, e quais os meios usados, vem lançar a dúvida sobre a integridade das transmissões da BTV e das decisões do VAR, só o pode estar a fazer premeditadamente por maldade... até porque o treinador dos Corruptos, às vezes pode parecer 'burro', mas não é!!!
O VAR não tem acesso às linhas virtuais de fora-de-jogo, porque o protocolo assim o exige, já que é muito complicado garantir tecnicamente a integridade do sistema... No lance do golo do Portimonense o VAR ajuizou seguindo as linhas da 'relva', tal como as imagens divulgadas pela FPF demonstram... e ao contrário do que a XIC tentou insinuar nos vários serviços de informação dos seus Canais!!!

Já agora uma nota sobre as exibições:
- O Benfica de facto jogou mal... Mas elogiar os Lagartos que venceram com um penalty ao minuto 95...; e elogiar os Corruptos, que beneficiaram de um inacreditável desperdício dos Flavienses, que poderiam ter feito o 1-1 em diversas ocasiões, é ridículo... O Chaves criou mesmo mais oportunidades no Dragay, do que no jogo do Benfica em Chaves!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
3.ª-Belenenses(c), V(5-0), Rui Costa (Vasco Santos), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Hugo Miguel (Veríssimo), Prejudicados, Impossível contabilizar
5.ª-Portimonense(c), V(2-1), Gonçalo Martins (Veríssimo), Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(f), V(0-5), Hugo Miguel (Sousa), Nada a assinalar
4.ª-Estoril(c), V(2-1), Godinho (Tiago Martins), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Feirense(f), V(2-3), Soares Dias (Tiago Martins), Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Braga(f), V(0-1), Xistra (Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Chaves(c), V(3-0), Rui Oliveira (Hugo Miguel), Nada a assinalar

Jornadas anteriores:
Épocas anteriores:
2016-2017
2015-2016

Questão de critério

"A abertura da Liga portuguesa tem sido feita com intrigas, rivalidades e maledicências. A voz dos dirigentes dos principais clubes, ou melhor, os seus acólitos fazem-se ouvir, trocam-se acusações e as palavras escolhidas para a agressão têm sido sempre as menos convenientes. Veja-se, por exemplo, a "troca de galhardetes" sobre as questões de arbitragem e logo aqui ficamos devidamente esclarecidos. Mas podíamos anotar outros.
A arbitragem, com VAR ou sem VAR,sempre foi tema controverso e sempre assim o será. O que incomoda é a sua falta de critério, mas a incompetência, muitas das vezes, impõe-se, e assim sendo não há nada a fazer. Não estou em crer que os árbitros errem de propósito, mas já me custa a aceitar que os que se enganam mais vezes tenham um tratamento quase igual aqueles que se têm revelado mais certeiros.
O VAR tem contribuído, na verdade, para que alguns erros sejam corrigidos e a perfeição, por muito que nos custe a aceitar, nunca acontecerá. Haja paciência em boa dose para com um sistema que está a dar os primeiros passos e deve privilegiar-se sobretudo quem é competente e quem segue os passos firmes da cartilha. Caso contrário, o futebol com o livro de reclamações continuará bem preenchido, em que cada um defende os seus interesses. Enfim, o futebol comentado pelo lado negativo, com palavras e actos, que, de tantas vezes repetidas, perdem significado. O que é recorrente, infelizmente, no futebol português, que ignora o essencial – o que os seus jogadores fazem em campo."

Fejsa 2021

É mesmo um caso especial: qualquer outro jogador, com todos os problemas físicos que tem, regularmente, tinha tudo para ser 'odiado' pelos adeptos, tinha tudo para os adeptos pedirem à Direcção, para o 'impingir' a um clube qualquer...!!!
Mas como nós sabemos, com o Fejsa é exactamente o inverso: todos os Benfiquistas, sem excepção, 'exigem' a manutenção (para sempre) do Fejsa no plantel... e não é só a questão 'folclórica' dos títulos consecutivos de Campeão, desde que é profissional, que nos faz gostar do Fejsa. Nós queremos o Fejsa, porque o Sérvio é mesmo um grande jogador, fundamental para qualquer equipa, e que só está no Benfica, porque fisicamente não é de 'confiança', porque se não fossem as lesões, e o Fejsa estaria seguramente num daqueles Clubes de grandes orçamentos que o Benfica não consegue competir!!!
Mesmo com toda aquela frustração que sentimos, sempre que ele não pode jogar, a notícia da renovação do Fejsa, é sempre bem-vinda... e tanta falta fará amanhã!!!

«Para tudo há um limite»

"Sejamos claros, os principais responsáveis por esta acção concertada de calúnias, insinuações e coação sobre os árbitros são Bruno de Carvalho e Pinto da Costa. A comunicação é resultado do processo de decisão definido e é um dos pilares dessa estratégia. Veja-se a forma doentia como analisam o vídeo-árbitro. Se as decisões dos lances são favoráveis a FC Porto e Sporting, certo; se são ao Benfica, mesmo sendo claro para todas as pessoas, é fraude. Isto é desonestidade intelectual pura e fomenta o ódio. Com coragem, as entidades responsáveis têm de acabar com esta campanha." 

"(...) responsáveis das principais instituições que superintendem o Futebol português (…) O presidente da Liga tem de assumir uma posição firme e a verdade é que tem estado ausente, fugindo de assumir as responsabilidades."

"Ainda na época passada quiseram manchar a Liga chamando-lhe ‘Liga Salazar’. É a reputação da Liga que está em causa. É a marca que fica comprometida. O principal responsável pela Liga não pode ficar calado perante isto. Tem de responder exactamente e de forma muito concreta a este tipo de insinuação. Não pode fingir que não ouve ou que é um mero assunto de comunicação. Não é. Parte de uma estratégia que vem do topo, tem de chamar os presidentes e acabar com este clima. É insuportável."

"O Benfica atravessa uma das fases mais fortes da história a nível desportivo, com o Tetra, e está em plena afirmação de um projeto consistente de futuro. O Benfica é uma marca global com dimensão extremamente forte. Não há outro igual em Portugal e há poucos no Mundo com esta capacidade."

"O Benfica tem pautado a conduta por uma grande moderação, mas está atento aos outros comportamentos. A crise desportiva e financeira que os nossos rivais atravessam levou-os a adoptar esta estratégia de tudo ou nada, de política de terra queimada (…) Para tudo há um limite e talvez tenha chegado o momento de dizer chega."

"(...) já estão entregues (...) São queixas diversas, mas a seu tempo a equipa de advogados do Benfica irá tornar públicas as especificações sobre eles. No momento adequado, e com a devida descrição, será feito."

A parábola de santo André (Almeida)

"De como o caminho mais curto para a baliza pode não ser a linha recta ainda que bola seja redonda 

Naquele tempo, andando Jesus com seus discípulos pela Galileia, chamou-os e disse-lhes:
- “Irmãos, em verdade vos digo, y=ax2+bx+c, sendo a menor que zero e b diferente de zero.”
- “Senhor, que é isto”, perguntou Pedro.
- “É uma parábola”, respondeu Cristo.
Foi exactamente esta edificante história bíblica que me veio à cabeça quando o grande André Almeida fez a bola descrever uma parábola com a concavidade voltada para baixo que terminou no fundo da baliza do Portimonense ao minuto 79. A Luz veio abaixo, com a mesma força com que gelou sete minutos depois, quando os algarvios fizeram o golo do empate, ainda que, conforme confirmaria o videoárbitro, em fora de jogo.
Raio de jogo o de sexta-feira à noite! Vai um cristão à bola à espera de uma vitória tranquila e dilatada, e sai-nos aquilo… Uma primeira parte soporífera e uma segunda parte imprópria para cardíacos. Dizem-me os meus amigos sentados junto à baliza norte que houve pelo menos um adepto já não muito novo que teve de ser levado de maca pelos bombeiros.
Já tinha visto desafios em que se perde por causa do guarda-redes. Outros que correm mal por a defesa ser um furo. Há ainda aqueles em que o meio-campo não constrói jogo ou os avançados acertam em todas as partes da linha de fundo menos na baliza. Desta vez não havia uma alminha vestida de vermelho que desse ideia de ter pelo menos uma ideia sumária do que estava a fazer dentro do campo.
Saí desesperado da Luz, só me lembrando da canção de Sérgio Godinho que fala em “afogar as dúvidas num mar de cerveja”. Mas sábado voltei a sentir-me invadido pelo optimismo. É impossível jogar pior do que aquilo, pelo que só há margem para melhorar, nomeadamente terça-feira com o CSKA na abertura da Liga dos Campeões.
Recomendo ao nosso estimado treinador algumas pequenas alterações. Se Grimaldo continuar preso por arames não será preferível adaptar Cervi a defesa esquerdo que, pelo menos, é rápido e móvel, qualidades que o estimável e esforçado Eliseu à evidência não tem? Não seria altura de começar a experimentar Krovinovic no meio-campo? É que se ele fizer o que fazia no Rio Ave o ano passado é capaz de dar jeito.
Convém arranjar alguém que faça dupla com Pizzi no meio campo e comece a construir jogo lá atrás, já que não se foi repescar Gaitán ao mercado. E, no que respeita à defesa, ou se aposta em alguém da Equipa B (de onde, afinal, vieram Ederson, Lindelof e Nelson Semedo) ou talvez valha a pena repensar se foi sensato não ter ido buscar novamente Ezequiel Garay, por muito caro que ele fosse. Duas ou três derrotas seguidas – que o diabo seja surdo além de cornudo – e as bancadas da Luz a esvaziarem é capaz de sair muito mais caro…
Mas haja calma. O vizinho da Segunda Circular que não tem lições a dar em matéria de interferência dos videoárbitros passou a jogar uma modalidade em que o jogo só termina quando eles marcam. Mais a norte Sérgio Conceição tem feito um trabalho irrepreensível mas a manta de que dispõe parece curta e, sobretudo, ainda não foi verdadeiramente posta à prova. Sê-lo-á esta semana com a recepção ao Besiktas e a deslocação a Vila do Conde.
Para o jogo de sábado no Bessa façamos nosso o lema do grande Fernando Cabrita: “Vamos a eles que nem Tarzões!” E já agora voltemos à essência do futebol: marcar golos! Não têm que ser precedidos da jogada mais bonita do mundo nem de quatro tabelinhas, uma simulação e um túnel. Biqueiros na bola na direcção da baliza que alguma há-de entrar. E daqui por dois meses estaremos a rir-nos das aflições actuais."

Viva o penálti!

"Muitos jogadores vinham de uma semana "mundialista", com todo o desgaste que inevitavelmente provocou e, logo a seguir, vem uma ronda europeia, que significa a entrada em acção de cinco equipas portuguesas.

As grandes penalidades foram as grandes vedetas de uma jornada que ficou marcada pelas dificuldades sentidas pelos três grandes, particularmente águias e leões, que se viram em palpos de aranha para conseguir levar a melhor sobre os adversários que lhes couberam em sorte. 
Os portistas também não tiveram tarefa fácil frente aos transmontanos muito determinados, e acontece até que o resultado alcançado no Dragão é mesmo muito melhor do que o futebol produzido. Tardando em chegar ao golo, os portistas estiveram por duas vezes na iminência de consentir o empate, que só não foi possível devido à ineficácia dos atacantes contrários.
A jornada havia principiado com prevista deslocação do Sporting a Santa Maria da Feira, onde os leões não costumam sentir-se bem. E, não obstante terem conquistado justamente os três pontos em disputa, só tornaram esse objectivo possível quando estavam prestes a correr os taipais.
A irregularidade até agora manifestada pelo Benfica deixava antever problemas de difícil resolução. E uma equipa bem orientada por Vitor Oliveira, raposa velha do futebol português, destapou de novo algumas deficiências do onze de Rui Vitória. O empate esteve mesmo por um fio, e só não se concretizou devido à intervenção oportuna do vídeo-árbitro, que salvou o tetra campeão quase ao soar do gong.
Há justificação para actuações tão descoloridas dos principais candidatos?
Há, seguramente, e com duas faces: muitos jogadores vinham de uma semana "mundialista", com todo o desgaste que inevitavelmente provocou e, logo a seguir, vem uma ronda europeia, que significa a entrada em acção de cinco equipas portuguesas.
Estamos assim a entrar num período de grande exigência, com muitos jogos em poucos dias, sobretudo para estas.
Veremos no que dá o pontapé de saída."

Um caso de ‘suicídio’

"«É urgente que o Sporting resolva [a situação de Adrien Silva e William Carvalho], que tende a constituir-se num abcesso infectado. Se o clube passar à fase de grupos da Champions, dará um importante passo para fazer uma grande época. Mas para isso acontecer é indispensável que Bruno de Carvalho se torne um factor de estabilidade e não de perturbação».

Era assim que terminava a minha crónica de há três semanas. Infelizmente para o Sporting, Bruno de Carvalho não tem emenda. E não só não conseguiu resolver em tempo útil os dossiês dos dois jogadores, como se envolveu em episódios mirabolantes que o desqualificaram por completo. E estou à vontade para o dizer, pois até o defendi na campanha para as eleições leoninas. Os fiascosMas agora estendeu-se ao comprido. Para quem dizia que a entrada na Champions era decisiva pois representava 15 milhões de euros, o que dizer dos mais de 50 milhões que o Sporting podia ter encaixado com as vendas de Adrien e William?
Os 35 milhões de William já voaram e os mais de 20 milhões de Adrien estão em risco, pois o Leicester quererá ser ressarcido por não poder contar já com o jogador.Esticando a corda ao máximo, como nos negócios de feira, Bruno deitou tudo a perder.O presidente Como já escrevi, «É urgente que o Sporting resolva [a situação de Adrien Silva e William Carvalho], que tende a constituir-se num abcesso infectado. Se o clube passar à fase de grupos da Champions, dará um importante passo para fazer uma grande época. Mas para isso acontecer é indispensável que Bruno de Carvalho se torne um factor de estabilidade e não de perturbação».
Era assim que terminava a minha crónica de há três semanas. Infelizmente para o Sporting, Bruno de Carvalho não tem emenda. E não só não conseguiu resolver em tempo útil os dossiês dos dois jogadores, como se envolveu em episódios mirabolantes que o desqualificaram por completo. E estou à vontade para o dizer, pois até o defendi na campanha para as eleições leoninas.
Os fiascos nas transferências de William e Adrien, seja qual for o desfecho deste último caso, representam um rombo terrível na abalada credibilidade de Bruno de Carvalho. Até aqui, ele dizia muitos disparates mas apresentava resultados: reestruturou a dívida do clube, relançou o prestígio da equipa de futebol e vendeu bem João Mário e Slimani.
Mas agora estendeu-se ao comprido. Para quem dizia que a entrada na Champions era decisiva pois representava 15 milhões de euros, o que dizer dos mais de 50 milhões que o Sporting podia ter encaixado com as vendas de Adrien e William? Os 35 milhões de William já voaram e os mais de 20 milhões de Adrien estão em risco, pois o Leicester quererá ser ressarcido por não poder contar já com o jogador.
Esticando a corda ao máximo, como nos negócios de feira, Bruno deitou tudo a perder.
O presidente do Sporting diz que os sócios já sabiam quem ele era quando lhe deram uma maioria esmagadora – e portanto têm de o gramar. Mas isso é argumento? Uma pessoa deve comportar-se de forma razoável apenas por causa dos outros ou, antes de tudo, por respeito por si própria? Ora, Bruno de Carvalho tem feito em público figuras caricatas. Aquela cena patética a que sujeitou um jornalista da Sporting TV, que não sabia o que fazer – se sujeitar-se aos caprichos do patrão ou fugir dali para fora – é digna de um filme cómico. Bruno de Carvalho está a transformar-se numa caricatura da sua personagem.
Como já escrevi, o Sporting reforçou-se esplendidamente e tinha legítimas esperanças de fazer uma boa época. É pena que Bruno de Carvalho deite fora tudo isso – que também ajudou a construir – por ser incapaz de controlar os seus impulsos primários e caprichos infantis. Nenhum clube resiste a uma liderança desequilibrada. Por muito que Jorge Jesus queira manter o balneário imune às diatribes do presidente, isso não valerá de nada se este passar os dias a incendiar as redes sociais, a disparar em todas as direcções e a fazer figuras em público que o descredibilizam perante o pais inteiro. Para desespero dos sportinguistas."

Muito mais pobres

"Há dois anos que não ganhava uma grande volta. Aliás, quase já nem as discutia, pese embora o currículo invejável com que ontem abandonou o ciclismo. Num passado recente, e mesmo vendo os rivais subirem constantemente ao pódio, Alberto Contador nunca optou pela reforma dourada. Continuou a ser ele o grande animador das etapas das principais provas, apesar de serem os adversários a tirarem o maior proveito.
Ainda no ano passado, foi num ataque do 'Pistolero' que a Vuelta ficou de pantanas, para gáudio de Quintana e para mal dos pecados de Froome. Agora, voltou a ser Contador, mesmo com muito tempo perdido logo no início, fruto de uma indisposição, a dar à competição espanhola toda a espectacularidade que ela merece.
Enquanto uns optam pela táctica, pela contenção ou se escudam nos companheiros de eleição que possuem, Contador nunca teve medo de falhar. E deu uma última prova disso mesmo no inferno do Angliru com um ataque ainda no sopé da montanha.
O ciclismo perdeu ontem não só um campeão como o seu intérprete mais espectacular."

Alvorada... Champions & Responsabilidades!!!

Benfiquismo (DXCIII)

Ao alto...!!!

Chama Imensa... Silêncio não chega!

domingo, 10 de setembro de 2017

Do VAR a André Almeida

"Mesmo à quinta jornada, o VAR é visto a cores. Em certas ocasiões é 'luz da verdade'. Em outras é já quase que uma 'sombra com pecado'.

1. Nesta quinta jornada o VAR - videoárbitro - trabalha com muita serenidade. O conjunto dos jogos da Liga decorrem todos a horas diferentes. Desde as dezanove horas de sexta até às vinte horas de amanhã - com o Aves-Belenenses - a serenidade no espaço da Cidade do Futebol que acolhe a tecnologia contratada para a experiência portuguesa do denominado videoárbitro não tem sobreposições de jogos. Cada um dos nove jogos decorre ou decorrerá num horário que permitirá decisões que contribuirão, em larga escala, para o reconhecimento da repetidamente proclamada verdade desportiva. Como se o futebol conseguisse despir as cores da análise mesmo olhando para o que a televisão mostra e o VAR (mas, também o assistente do VAR), vendo, interfere, por vezes corrigindo. É o que vai acontecendo ao longo destas cinco jornadas. Em alguns casos sem qualquer relevância mediática. Só para efeitos de correcção de erros gritantes, de jurisprudência interna ou de ponderação de erros cometidos. Em que a articulação entre arbitragem e disciplina é, neste ambiente, uma necessidade que se reconhece. Porém em outros casos, poucos, o recurso ao VAR determina longas e repetidas ponderações como se a generalidade dos telespectadores não tivesse discernimento - e capacidade - para fazer a sua avaliação. E, assim, de repetição em repetição temos a avaliação permanente dos três grandes - com a clara anuência deles! - e evidenciando-se, claramente, que o VAR tem dias e circunstâncias. É bom quando nos favorece. É fraquinho quando nos prejudica, acima de tudo no nosso combate. Ou não valida a nossa perspectiva, que é, acima de tudo, prospectiva! E, assim, já são mais conhecidos os videoárbitros que os árbitros dos jogos. Estes já são desculpados. Os outros crucificados ou até já pintados. Nem que sejam as paredes das suas casas. E desta forma percebemos bem que o VAR foi reconhecido como útil por muitos que só o aceitaram em razão de um tempo político de atenuação das altas tensões que dominam e condicionam o tempo actual do futebol português. O VAR foi o remédio - um misto de calmante e do antibiótico - que as nossas principais instituições utilizaram para não terem uma intervenção activa neste clima que corrói e que perturba a indústria do futebol profissional em Portugal. Somos os melhores da Europa no futebol jogado, temos seis treinadores portugueses envolvidos na edição deste ano da Liga dos Campeões, mas sabemos que no final da presente época desportiva só o vencedor da nossa Liga tem acesso garantido à atractiva fase de grupos da Liga que proporciona milhões. E sabemos que as verbas da Liga dos Campeões - directas e indirectas - podem representar entre vinte a trinta por cento de determinados orçamentos de clubes participantes nesta relevante competição. E sabendo tudo isto não há capacidade, nem interesse, na busca de um denominador comum para a indústria do nosso futebol. E como já se reconhece, mesmo à quinta jornada, o VAR é visto a e com cores. E varia a ponderação todos os fins de semana. Em certas ocasiões é uma luz de verdade. Em outras é já quase uma sombra de pecado. E como tudo depende ou da linha exibida ou da intensidade do contacto há que ter paciência. Na certeza, como nos legou Camilo Castelo Branco, também que «a paciência é a riqueza dos infelizes»!

2. O que está a acontecer com Adrien merece reflexão. Concretizou-se uma transferência mas não se efectivou a inscrição. A própria FIFA recusou a inscrição em razão da documentação necessária ter dado entrada no sistema informático (no denominado TMS) catorze segundos para lá da hora. Não nos podemos esquecer que houve milhões de segundos para concretizar, em pleno, a operação. Muitos e muitos milhões de segundos. Mas o que sabemos é que Adrien nem está a treinar no Leicester. Já não é do Sporting e ainda não é em plenitude jogador do Leicester, como resulta de uma declaração do treinador do clube inglês, Craig Shakespeare. E também sabemos que Adrien é um jogador profissional e tem direito a exercer a sua profissão. Esta é uma situação singular. Está no Leicester por transferência mas não está inscrito no Leicester. Aqui são quase que verdadeiras as palavras de Johann Goethe: «A claridade é uma justa repartição de sombras e de luz!» E sem responsabilidade do que quer exercer, em pleno, a sua profissão!

3. Acredito que vão começar as denominadas chicotadas psicológicas. Nas próximas duas semanas já vai haver notícias de treinadores despedidos e de treinadores já oferecidos! O interessante é que, na generalidade dos casos, só agora completaram os respectivos plantéis. A culpa vai casar-se com alguns treinadores São o elo mais fraco. Mas com a certeza que os treinadores da Premier League levaram a que o mercado de transferências encerre nas vésperas do arranque da competição. Sendo mais rigoroso as entradas até à quinta-feira anterior ao primeiro jogo da Liga  mas as saídas até ao último dia de Agosto. O que significa que Adrien não estaria na difícil e complexa situação me que se encontra. Quer trabalhar mas não pode. A não ser que o Tribunal Arbitral do Desporto valide uma interpretação que concretize o princípio da proporcionalidade.

4. Estava no Estádio da Luz na passada sexta-feira e fiquei com a convicção que o André Almeida quis rematar à baliza. Percebi claramente que olhou para a baliza e para o guarda-redes. Para mim foi um grande golo. Um golo extraordinário. Para Vítor Oliveira, com a sagacidade que lhe reconheço, um «chouriço». O que fica é a paixão do futebol. E as suas formas de interpretação. Foi, sim, um golo que determinou uma importante, mas sofrida, vitória do Benfica. E um golo de um profissional exemplar, dedicado, reconhecido e com uma característica que nos faz recordar Gilbert Cesbron: «A personalidade assemelha-se a um perfume de qualidade: quem o usa é o único que o não sente!»"

Fernando Seara, in A Bola