Últimas indefectivações

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Aquecimento... Vamos a eles!!!

A lentidão do vídeo, no golo e no Bruno

"Sessenta anos depois do lançamento da vetusta RTP, o futebol chegou à era do vídeo. Temos o vídeo-árbitro, que ainda falha mais do que a RTP, nas suas primeiras décadas – tipo, pedimos desculpa pela interrupção, a emoção e a justiça seguem dentro de momentos –, e chegou agora, nove meses depois dos factos, o vídeo-lóbi. Graças ao vídeo-lóbi, Bruno de Carvalho tem seis meses de castigo para cumprir. A vítima do seu fumo, bacteriologicamente puro, Carlos Pinho, pode continuar a pagar a artificialidade do Arouca ter futebol profissional, mas fica suspenso de todas as outras funções desportivas, durante vinte meses.
Tanto o vídeo-árbitro, como o vídeo-lóbi funcionam mal. Ambos surgem atrasados face ao momento em que devem operar. No caso do vídeo-árbitro, já assistimos a golos que deviam ser validados e não o foram, e a golos que não tinham qualquer dúvida de legalidade, onde a emoção teve de ser contida, enquanto o personagem da arbitragem de campo fazia um rectângulo no ar e, com essa espera, ditava a chegada do sexo tântrico ao futebol.
A bancada quer explodir? O golo é um orgasmo, como dizia o grande Fernando Gomes? Esperem mais um bocado. Desde quando o árbitro não pode anular um golo, por factos de que teve conhecimento superveniente, depois de apitar convicto para o centro? Por que não integra o vídeo-árbitro, na decisão de validação do golo acabado de sair das gargantas, esse papel avalizador, antes desempenhado apenas por qualquer árbitro auxiliar? Os árbitros de campo estão a fazer uma resistência passiva ao vídeo-árbitro, e, de caminho, matam a emoção das bancadas, para não serem contrariados à frente de tanta gente. Volto ao apelo que já fiz nestas páginas: olhemos para os desportos colectivos que já têm este sistema há mais de uma década. Não se pode matar a essência do jogo. A explosão da emoção do golo não pode, como tem sido, regra geral, estrangulada. Se, depois, houver algo a corrigir, que o olho humano não tenha querido ou podido ver, a bola regressa ao local da falta. Simples, como sempre foi. Não podemos trazer para o futebol a angústia do ponta-de-lança depois de colar a bola às redes.
Voltemos ao lóbi-árbitro, mais de nove meses depois dos factos, a justiça desportiva chegou a uma conclusão: culpados. Os dois presidentes dos corredores de Alvalade podem agora recorrer, mas a pena começa já a correr. Era suposto toda a justiça ser célere. Esperar o tempo de gestação de um bebé, para exarar um despacho, mesmo não sendo um aborto jurídico, é tempo de mais. Vídeo-árbitro e lóbi-árbitro precisam de acertar passo com a modernidade e com os interesses do desporto que deveriam servir. Mantenhamos a esperança – hão-de servir.

Nota final: Ver Bruno de Carvalho fora do banco é muito menos grave para os interesses do Sporting do que manter Piccini como defesa-direito."

Árbitro no Sporting e Real Madrid

"Revelo aqui o meu registo de interesses futebolísticos. Quando era mais novo gostava do Benfica e do Eusébio, jogador único. Actualmente não tenho preferência de clube, sigo o campeonato nacional à distância. O meu clube é a selecção nacional. Vi o final do jogo Sporting- Setúbal, depois de ter visto um excepcional jogo da Premier League, Arsenal-Leicester terminou 4-3 a favor do Arsenal. Um jogo fabuloso de emoção e de bem jogado.
O penálti em que Bas Dost foi derrubado dentro da área, já perto do final do jogo, nunca pode ser considerado falta. É um lance em que o defesa mal toca no jogador. O árbitro Bruno Paixão errou clamorosamente. Porque não interveio o VAR? A tecnologia serve para ajudar nestas situações. É por isso, que não aprecio, o campeonato nacional, os grandes clubes são sempre beneficiados. O pior é quando jogam entre si!
Simpatizo com o Sporting e a sua maravilhosa massa associativa, mas não aceito invenções e roubos de bradar aos céus.

No domingo vi o jogo Barcelona - Real Madrid. Um jogo excepcional em que se observa que o Real Madrid é superior a todos os outros. Aliás na final da Supertaça europeia, a superioridade do Real Madrid sobre o Manchester United não foi tão evidente como contra o Barcelona, ainda por cima em Nou Camp.
A síndrome Neymar, ainda paira no ar e, o Barcelona continua deprimido e ferido no seu orgulho. A ideia que tenho é que o Real Madrid não precisa de contratar mais jogadores. O segredo é a gestão do plantel e dar minutos a todos. Zidane ex-jogador consegue interpretar muitíssimo bem o sentir dos jogadores.
A maior contratação do Real Madrid é a renovação de Zidane, sendo uma aposta na estabilidade e continuidade. Zidane chegou a 4 de Fevereiro de 2016, como provisório e remendo e tornou-se indispensável tendo em conta os êxitos conseguidos. Zidane renovou por três anos e de lenda como jogador vai a caminho de lenda como treinador.
O golo espectacular de Ronaldo é sublime e mostra que é capaz de tudo, até ser expulso. O de Asensio é fantástico, mas quem sentencia o jogo é Ronaldo. Desta vez o árbitro, Ricardo De Burgos Bengoetxea prejudicou o Real Madrid (muitas vezes é favorecido). Ronaldo foi mal expulso mas escusava de dar um pequeno toque no árbitro. Não entendo porque se mostra um amarelo por se festejar um golo. É sempre um momento esfuziante de alegria, desde que não se seja incorrecto os árbitros deveriam ser mais permissivos. A simulação de Luís Suárez que deu em penalty é que merecia um cartão amarelo.
O Real Madrid venceu 3-1 o Barcelona, e na volta, 2-0; indo a caminho de fazer história, de novo, esta época."

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Contas... Desfeitas... Dinheiros!

Jornal... 1.ª página!

EliDeus100

Alvorada... Malucos por todo o lado!!!

NetPress... Suspensões

Benfiquismo (DLXIII)

Bucareste

Tempo Corrido... com António Figueiredo

Lanças... Mentiras & afins...

Ouro, besouro e tesouro

"Acho que a defesa está a melhorar na sua eficácia e Seferovic é mesmo um caso de um jogador que parece estar no clube já há alguns anos.

Inês Henriques - Ouro
É gostosamente imperativo (passe o quase paradoxo) que comece esta crónica por Inês Henriques, medalha de ouro na novel prova de 50 Km marcha feminina nos Campeonatos do Mundo e nova recordista planetária. Uma saborosa vitória numa competição duríssima e que só pode ser alcançada com estoicismo, resistência física e psicológica, determinação e muito, muito trabalho e sacrifício na prova e nos treinos. Este feito é ainda mais assinalável (a Bola fê-lo ontem e anteontem como justamente se impunha, não só na capa, como em reportagens) num tempo em que somos submetidos diariamente no totalitário futebol.
Façanha inédita de uma portuguesa que, aos 37 anos de idade, atinge o patamar mais elevado, sem deslumbramentos e sem exibicionismos tontos («Seria impensável vir na capa dos jornais» disse a atleta na chegada a Lisboa).
Atafulhados pelo futebol jogado, mas sobretudo pelo que à sua volta se consome entre gritarias, desvarios e, não raro, pouca-vergonha, é refrescante para a mente e reconfortante para o espírito ver Inês Henriques levantar bem alto o orgulho de sermos portugueses.
Além de um desporto belíssimo, o atletismo é o que dá mais sucessos à lusa pátria. Nos Jogos Olímpicos, nos Mundiais ao ar livre ou pista coberta, nos Europeus, nas taças europeias de corta-mato, temos um extenso rol de atletas exemplares e vencedores. Não há outro desporto com tal produção de medalhados e medalhadas. Não há bandeiras nas janelas por causa destas atletas, nem programas de horas a fio a falar dos seus feitos. Prefere-se uma palermice de um qualquer craque ao enaltecimento do trabalho árduo e da persistência silenciosa de nobres atletas.
Estes acontecimentos despertam-nos para a ideia de que, afinal, sempre há desporto para além do futebol.
Já nesta coluna o disse, mas repito-o. Lamento a ausência de uma televisão portuguesa, em particular da pública, nos Mundiais de atletismo, aqui ao lado, em Londres. Creio que, de há tempos para cá, é a primeira vez que tal sucede. Desta vez, nem sequer foi em longínquas paragens. Mais um contraste com o futebol que tudo engole em orçamentos, custos e publicidade. É decepcionante. Fosse um treino da selecção de futebol e teríamos directos da Cochinchina e jogadores em conferências de imprensa a debitar banalidades.
Já agora, um pormenor: Portugal com 2 medalhas (ouro e bronze) derrotou a Espanha que saiu de Londres como entrou...
Por fim, assinalo a circunstância da escalabitana Inês Henriques ser atleta do Clube de Natação de Rio Maior. Não é do Benfica, não é do Sporting ou de ouro clube e nem sequer entrou na guerra passada para o atletismo de transferências que procuram replicar expressões doentias de aparente rivalidade.
Parabéns, Inês Henriques. E obrigado.

O besouro de uma liga videoformatada
Está concluída a 2.ª jornada do Campeonato. Primeiro facto a registar: para os 16 jogos efectuados foram precisos 10 (!) dias, em estilo gota-a-gota que retira sabor à competição (isso mesmo, competição). Bem sei que há jogos europeus e que a imposição televisiva tudo comanda, mas que diabo, esta salamização das jornadas não será excessiva?
Entretanto, parece que, no nosso futebol, vem ái um novo dialecto: o videoquês. Quer dizer, um linguajar tecnovirtual para todos os gostos e momentos, à escolha de cada um. Sobretudo para aqueles que querem erradicar (uso este verbo literalmente) a naturalidade do erro humano, ainda que o seja por milímetros ou não permitindo sequer margem para dúvidas. Devo começar por dizer que, para mim, o videoárbitro (VAR) tem sido positivo nestas primeiras provas. Desde logo, na parte menos visível, mas mais importante, qual seja a da prevenção inculcada na consciência dos jogadores de que agora há mais olhos (humanos e tecnológicos) a olhar para eles, e traduzida em menos faltas graves ou faltas (farsas) cavadas. Mas também na reposição da verdade indiscutível face a erros dos árbitros de campo (é o caso do golo mal anulado do Porto na 1.ª jornada).
Estas duas semanas também serviram para nos serem dadas mais informações sobre o VAR. Aliás, bom seria que fosse pública toda a regulamentação e funcionamento do VAR, até para que os comentadores de serviço (incluindo ex-árbitros) opinassem com cabal e completo conhecimento deste complementar meio de arbitragem.
Percebi agora que o VAR só deverá intervir em casos de erros grosseiros (ou claros) que não ofereçam quaisquer dúvidas e que violem nitidamente a verdade desportiva. Ou seja, aqueles casos situados na margem da incerteza ou na aceitável interpretação do árbitro principal não deverão ser intervencionados pelo VAR. Parece-me defensável este modo de agir, numa boa tentativa de encontrar a melhor síntese entre a interferência e a fluidez do jogo jogado.
Assim sendo, acho que foi compreensível por exemplo, no Benfica-Braga sancionar a invalidação de um remate do Braga (o fora-de-jogo ou não é uma questão milimétrica) e a não marcação de penálti sobre Jardel (ainda que a sua marcação fosse mais correcta). Já no Sporting-Vitória,a grande penalidade que ofereceu o triunfo aos leões, claramente forçada, está na fímbria da intervenção do VAR. Mas, neste caso, não se levantaram os clamores e as trombetas caso se tratasse de um alegado benefício ao Benfica. No penálti (indiscutível) de Tiba do Chaves sobre Jonas, para que servem tantas câmaras para o VAR) Estavam a dormir?
Creio que, mais do que nos fora-de-jogo que são fundamentalmente uma questão métrica, a principal dificuldade do VAR estará nas faltas merecedoras de grande penalidade, em função das sempre invocadas intensidade e intencionalidade.

A normalidade na luta pelo tesouro da Champions
Terminou a segunda jornada. Na frente, tudo normal, com a boa intromissão do tranquilo Rio Ave. Segundo A Bola de ontem, a circunstância de os 3 grandes fazerem o pleno nas duas debutantes jornadas já não acontecia há 23 anos! Todavia, sofreram para ganhar por um minguado 1-0. Mas, em qualquer dos casos, merecido. O Sporting parece não se ter libertado do fantasma de Alvalade apesar do apoio de um estádio quase repleto. O Porto, que verdadeiramente ainda não teve um teste difícil quer na Liga, quer na pré-época, venceu com um futebol algo baço. Por fim, o Benfica falhou mutos golos, mas jogou com a habitual coesão e ligação diante de um Chaves que será muito difícil de bater no seu reduto. Acho que a defesa está a melhorar na sua eficácia e Seferovic é mesmo um caso de um jogador que parece estar no clube já há alguns anos. Estão empatadas as 3 equipas, mas os jogos do Benfica, foram contra equipas, em teoria, bem mais difíceis.

Contraluz
- Palavra: Prélio.
Em desuso no futebol, significando luta, disputa ou competição (do latim proeliu). Uma alternativa semântica à palavra jogo, depois de esgotadas outros substantivos, tais como encontro, partida, embate ou disputa, umas mais bélicas, outras menos (de facto, um jogo pode ser uma batalha, sobretudo quando se alcandora o adversário à categoria de inimigo).
- Número: 24.
Golos nos jogos dos principais candidatos da Liga inglesa (Man. United, Man. City, Chelsea, Arsenal e Liverpool). Por cá, nos dos três grandes apenas 3 golos. Viva o futebol com golos!
- Lição: «O que eu fiz hoje foi muito duro, mas o que a minha mãe faz todos os dias é muito mais duro»
(depoimento tão belo quanto expressivo de Inês Henriques, em entrevista ao Público, após a medalha de ouro).
- Preferências: (minhas claras)
Arsenal na Inglaterra, Bayern na Alemanha, Barcelona em Espanha, Roma em Itália, Ajax na Holanda. Tudo vermelho ou perto disso..."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

AA34

"Ontem saí de casa mais cedo e fui à pastelaria em frente beber um café. Quem me atendeu foi o André Almeida. Como precisava de fazer tempo, fui dar uma volta ao parque mais próximo e cruzei-me com o jardineiro que estava a cortar a relva. Era o André Almeida. Fez-se hora de ir à loja de costura levantar as calças que tinha deixado há dois dias por causa das bainhas. Estavam impecáveis, agradeci ao André Almeida. No regresso a casa, e por ser a caminho, fui cortar o cabelo. Não tinha marcação, nem sabia se daria, mas o André Almeida atendeu-me.
Esta pequena brincadeira introdutória levanta um pouco o véu sobre o que pretendo defender. Eu sei que o futebol é cada vez mais um desporto de craques e milhões que ofuscam operários e tostões, mas sempre tive e continuarei a ter o máximo respeito e admiração por jogadores como André Almeida. Falo dele porque acho que é um bom exemplo, mas poderia falar de muitos outros que sabem que nunca foram nem nunca serão foras de série, mas nem por isso deixam de ser competentes naquilo que fazem. Não precisam de ser os melhores para serem bons, vencendo as críticas e a desconfiança com muito trabalho.
O leitor pode chamar-me louco, mas eu consigo ver Cristiano Ronaldo quando olho para André Almeida a jogar. Não é no talento, obviamente, tão-pouco na estampa ou pujança física. É na mentalidade. Naquela garra, determinação e ambição como corre a cada bola, do primeiro ao último minuto, mesmo que, instantes antes, tenha sido ultrapassado ou tenha feito um mau centro. Isso aconteceu em Chaves, mais uma vez, e no entanto, com o jogo a chegar ao fim e o Benfica a precisar de marcar, lá andava André Almeida, a encontrar forças no fundo da alma para ir lá acima mais uma vez. E outra, e mais outra...
Sempre com a mesma disponibilidade com que me serviu um café, com que cortou a relva do jardim, com que fez as bainhas das minhas calças e me cortou o cabelo. Há muitos Andrés Almeidas neste mundo. No futebol e na vida."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

Como alimentar o bicho

"Uma das coisas que Alex Ferguson sempre quis durante os quase 27 anos que orientou o Manchester United foi ter no plantel maus perdedores. Os tais 'bad losers', entre os quais se incluíam futebolistas como Gary Neville ou Roy Keane, eram garantia que a equipa nunca estava acomodada, que nunca se resignava perante as dificuldades e mantinha sempre intacta a sede de vencer.
Este é também um dos trunfos do Benfica. O clube soma quatro triunfos consecutivos no campeonato, mas conta com uma mão-cheia de jogadores com um alto espírito competitivo e habituados a lidar com a pressão. Rui Vitória falou, antes da estreia no campeonato, em "bicho competitivo". Algo que só se consegue quando se juntam na mesma equipa futebolistas como Luisão, Jardel, Fejsa, Salvio, Pizzi ou Jonas.
Por isso, e apesar de (ainda) não ter preenchido devidamente as lacunas no plantel, em especial com a saída de Ederson, o Benfica deve ser sempre olhado como o alvo a abater pelos rivais. A vitória em Chaves foi obtida nos descontos e de forma algo feliz, mas resultou de uma preserverança e sangue frio próprios de quem anda nestas lutas há muito tempo. Quantas equipas em Portugal conseguiriam marcar um golo daquela forma e naquele momento?
O próprio Jorge Jesus já falou várias vezes da necessidade de dar mentalidade de campeão ao Sporting. O técnico sabe bem qual foi um dos trunfos que teve - por mérito próprio - na Luz, em especial nos dois últimos campeonatos que venceu."

Época nova, vida nova: a relação treinador-atleta

"Enquanto arrancam os diferentes campeonatos, a azáfama que ocupa os clubes é, maioritariamente, a constituição dos plantéis para a época que se avizinha.
Terminada esta etapa, iniciar-se-á uma "longa travessia", que se prende com a estruturação dos pilares fundamentais da relação dos Treinadores com os seus Atletas.
A relação Treinador-Atleta é, desde há muito (ex: Serpa, 1999), um dos grandes focos da investigação em Psicologia do Desporto, dado o reconhecimento inequívoco da sua associação ao Sucesso Desportivo.
Sem entrarmos na discussão dos "estilos de liderança", terreno igualmente fértil na produção de estudos, a especificidade da relação entre treinadores e atletas aponta ser um factor inquestionavelmente associado ao sucesso (ex: estudo realizado com a equipa olímpica Canadiana, em 2008 - Wurther, P.).
De facto, apesar da relação se estabelecer pela existência de um propósito comum (desenvolvimento das capacidades técnicas, tácticas e físicas, com a missão de sucesso) e de uma "paixão" igualmente partilhada (o desporto), a relação estabelecida vai muito para além do ensino e treino destas competências.
E ainda bem.
Em boa verdade, um Treinador (tal como, por exemplo, um professor), assume-se igualmente como o principal propulsor das características de base do atleta e da sua capacidade em "pensar" (e lidar com) a competição.
Por outras palavras, o Treinador acaba por ser o principal actor no cenário da transformação das competências psico-emocionais dos seus atletas/equipa (consideremos o exemplo claríssimo de Scolari, nos primeiros anos em Portugal).
Do lado do Atleta, mesmo que a actuar de uma forma quase indelével e subliminar, a expectativa do mesmo é que o seu Treinador se transforme numa espécie de "cuidador primário", que deverá fornecer segurança e apoio emocional - de facto, enquanto seres humanos, estamos todos condicionados a expectar este tipo de comportamento de quem nos "dirige", em virtude das experiências que se foram acumulando durante a infância (onde a figura de "autoridade" - o adulto - deveria prover estas mesmas necessidades)
O problema surge - seja no desporto ou em outro contexto de realização - quanto tal não sucede. 
Demasiadas vezes, assistimos a este tipo de situação que nada tem a ver com as competências técnico-tácticas do treinador em causa.
Na realidade, não são os seus skills técnico-tácticos que são valorizados pelos Atletas (como elementos diferenciadores), mas a qualidade e nível de compreensão, respeito, confiança e previsibilidade, em termos de comportamento, que existe entre duas pessoas - e, por esta razão, segundo dados mais recentes, os atletas capazes de formar um vínculo próximo com seus treinadores são mais propensos a sentirem-se seguros, desafiando seus limites e assumindo riscos para melhorar sua performance.
A demonstração de cuidado, a comunicação efectiva, bem como um comportamento consistente e transparente tem surgido, assim, como pilares para a construção de relacionamento. A criação de oportunidades para os atletas, tem surgido igualmente, como uma pedra angular da liderança efectiva.
Os Atletas esperam igualdade de oportunidades, atenção direccionada e comprometimento com o seu sucesso pessoal e da equipa.
O lado "ingrato" de tudo isto é que, o Treinador, precisa estar muito centrado em si próprio e na sua missão para, em simultâneo, gerir todo o seu processo emocional... e o do seu plantel, com todas as especificidades únicas de cada sujeito que transporta.
Parece, de facto, uma "missão impossível"...
Quase que poderíamos considerar que sim, contudo (e felizmente), algum Treinadores "teimam" em mostrar-nos que é possível, pelas relações únicas que estabelecem com os seus atletas/equipas e pelos resultados que estas mesmas alavancam.
Por onde começar?
Boa pergunta.
O processo inicia-se, inevitavelmente, pela activação da curiosidade dos treinadores que, não obtendo informação suficiente nos cursos que frequentam (onde recebem pouquíssimas horas no que respeita a Ciências do Comportamento Humano - Psicologia), devem procurar outras fontes de formação/informação (como, por exemplo, um artigo redigido há largos meses neste mesmo espaço).
A literatura científica abunda nesta área e as obras biográficas também (por vezes, transportam conhecimento relevante). Existem já cursos de aprofundamento e, em alguns casos, acompanhamento individualizado (que deverá ser efectuado por um especialista - e não por um "curioso").
Acima de tudo, o "caminho faz-se caminhando", pelo que, o principal acelerador deste processo será, integrar no seu dia-a-dia que, também da sua responsabilidade, é a criação de relações de confiança e de igualdade de oportunidades, no que respeita ao desenvolvimento e optimização das capacidades dos atletas.
Garantidamente que, os níveis de satisfação e commitment irão elevar-se e, com isto, uma maior probabilidade de atingir o "potencial real" da sua equipa."

Alvorada... Guerra

Benfiquismo (DLXII)

Honra...

105x68... Rescaldo...

Lixívia 2

Tabela Anti-Lixívia
Benfica.......... 6 (0) = 6
Corruptos..... 6 (0) = 6
Sporting........ 6 (+2) = 4

Pois é, com ou sem VAR a estória é sempre a mesma!!!

Em Chaves tivemos mais um espectáculo de impunidade, com um critério disciplinar absurdo, sem amarelos para os adversários do Benfica... inclusive com um Vermelho directo perdoado, já depois do golo do Seferovic...
Mas mais inacreditável foi o penalty não assinalado pelo VAR, na rasteira do Tiba ao Jonas. Era quase impossível Jorge Sousa marcar penalty, porque a falta dá-se longe da 'bola'... só se fosse o 4.º árbitro, ou o auxiliar do 'outro lado'!!! Agora, o VAR (Tiago Martins) que tem acesso a todos os ângulos, que não está dependente da Realização da PorkosTV, não tem qualquer desculpa... A falta é evidente... E se inicialmente fiquei com dúvidas se era dentro ou fora da área, rapidamente fiquei sem dúvidas!
Mas não foi o único penalty que ficou por marcar!!!
A carga do Paulinho sobre o Jonas, é 'parecida' com o penalty marcado pelo Paixão no Alvalixo, mas não é 'igual'! Existem várias diferenças: o Paulinho nem sequer tenta jogar a bola de cabeça, ao contrário do Nuno Pinto; o contacto em Chaves dá-se quando o Jonas está no ar, ao contrário do lance no Alvalixo, onde o contacto dá-se com os dois jogadores com os pés no chão; e em Chaves é o defesa que claramente provoca o contacto, quando no jogo dos Lagartos, é um avançado das Osgas, que a correr para um lado e a olhar para o outro lado, que acaba por 'provocar' o contacto...
O lance do Jonas em Chaves, é exactamente igual ao lance do Lindelof e do Bruno César o ano passado, no Sporting-Benfica: jogador do Benfica no ar, a ser desequilibrado intencionalmente, por um defesa, que nem sequer tenta jogar 'a bola'!!! Falta clara... dentro da área: penalty!
Uma nota ainda para a forma como mais uma vez os Benfiquistas que pagaram bilhete foram impedidos de entrar no Estádio, só porque levavam camisolas os cachecóis do Benfica! Os Bilhetes são vendidos para os adeptos em geral... Não são vendas exclusivas a Sócios, portanto nestas circunstâncias, a 'censura' é absolutamente criminosa...

Talvez mais grave do que o penalty salvador marcado pelo Paixão em Alvalade, foi a reacção da descomunicação social desportiva, nas televisões e nos jornais, branqueando, um erro descarado... A estratégia de condicionamento passa pelo branqueamento semanal destes roubos... O 'silêncio' do VAR é escandaloso! Se Bruno Paixão não pediu a 'opinião' ao VAR, num penalty a poucos minutos do fim, é absolutamente indesculpável... Se Hugo Macron Miguel, assumiu que o lance deixa dúvidas, e portanto não poderia inverter a decisão do árbitro do campo, então é no mínimo incompetente porque não conhece as 'manhas' mais básicas do Futebol!!!
ADENDA: O lance entre o Coates e o Venâncio, na minha opinião, está na 'fronteira' daquilo que é 'permitido' fazer em lances de 'bola parada' dentro na área...

Em Tondela, não houve lance dentro da área (o mergulho do Marega foi fora da área...), mas mais uma vez foi notório a maneira como o Veríssimo se está a fazer à 'carreira'!!! Um árbitro conhecido por mostrar muitos Amarelos, resolveu perdoar muitos cartões, quase todos aos Corruptos, especialmente ao cliente do costume: Felipe... Continua, tal como o ano passado, com a 'sorte' de escapar às expulsões, jogo após jogo...

Uma nota ainda, para o Estoril-Guimarães, onde curiosamente o Guimarães, equipa que vai defrontar os Lagartos na próxima jornada, acabou com 9 jogadores! Num jogo apitado, pelo mesmo árbitro que na semana anterior apitou o Benfica-Braga, jogo que ficou marcado por um critério disciplinar muito largo...!!!
No lance da expulsão do Josué, através do VAR, tenho uma opinião diferente: as alterações às leis do jogo, incluíram uma 'tentativa' de acabar com a 'tripla penalização' (expulsão, penalty e castigo no jogo seguinte), basicamente se o Defesa tentar jogar a 'bola' deverá levar Amarelo... No lance específico, a falta existe, o penalty é bem marcado, mas não existe qualquer intenção do defesa em fazer falta (a intenção não interessa no 'campo' técnico, mas interessa no 'campo' disciplinar, após a alteração da interpretação das Leis), é o atacante do Estoril, que inteligentemente, 'muda' a posição do corpo em relação à bola, e acaba por 'provocar' a falta... Pessoalmente, acho que esta foi a primeira vez, onde uma decisão correcta pelo árbitro, acabou por ser erradamente 'invertida' pelo VAR (sendo que foi o próprio Xistra, que alterou a decisão, após visionamento no monitor na linha lateral)!

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar

Jornadas anteriores:

Épocas anteriores:
2016-2017
2015-2016

À maneira das toiradas, assim, à lisboeta...

"Recordemos Teixeira. O Gasogéneo. Um dia ficou para a história: marcou quatro golos num dérbi. Foi o primeiro a consegui-lo.

Quatro-golos-quatro! Assim como se costuma escrever nos anúncios das touradas. Quatro golos num dérbi são obra! É de estalo!, como diria o Ega, n'Os Maias.
Hoje é um dia tão bom como qualquer outro para falar sobre o assunto. E o assunto não se resume simplesmente aos golos. O assunto também é, como está bem de ver, o homem que os marcou.
Falemos então desse herói primeiro, inicial. Chamava-se Joaquim Teixeira. Chamavam-lhe o Gasogéneo.
Gasogéneo era uma forma de propulsão, poupadinha para esse tempo de guerra. A II Guerra Guerra.
Portugal, ao contrário do que aconteceu na Europa central, libertou-se das frentes e das trincheiras, e conseguiu manter vivo o campeonato. Uma geração inteira de jovens futebolistas desapareceu ao longo desses anos trágicos.
No dia 16 de Janeiro de 1944, o Benfica recebeu o Sporting, no Estádio do Campo Grande, para a 8.ª jornada do Campeonato Nacional. Nesse dia assistiu-se a um dos espectáculos mais apaixonantes da História do futebol em Portugal.
Vamos a isso!
Começar com um autogolo
Um autogolo do guarda-redes Martins dava vantagem ao Sporting aos 18 minutos. Responde o Benfica, e Teixeira faz 1-1 aos 24'.
O resultado curto que se registava ao intervalo não deixava adivinhar o vendaval que se levantava no segundo tempo.
É Peyroteo quem lhe dá início: 1-2 aos 50 minutos. Cinco minutos decorrem até que Teixeira volte a empatar. E aos 72 minutos é o mesmo Teixeira quem dá a primeira vantagem aos encarnados. Dois minutos depois, Júlio, o Julinho parece ter garantido a vitória do Benfica com um golo soberbo. Puro engano. Respondem Albano e Alfredo Mourão, aos 77 e aos 84 minutos.
Falta um minuto para o final. Teixeira não ganhara a alcunha de Gasogéneo por insignificâncias. Ainda tem fôlego para fugir à defesa contrária e bater inapelavelmente Azevedo: 5-4.
Quatro-golos-quatro.
Era a primeira vez, ficava para a história, poucos foram aqueles que souberam repetir a proeza.
A história dos Benficas-Sporting está cheia de histórias.
É bom recordá-las de tempos a tempos. Fazem, afinal, parte da própria história deste país tristinho mas banhado de sol."

Afonso de Melo, in A Bola