Últimas indefectivações

domingo, 2 de maio de 2021

Nós, as mulheres


"Dia após dia, fim de semana após fim de semana, as mulheres do Sport Lisboa e Benfica dão-nos momentos difíceis de esquecer. E não são apenas as conquistas de vitórias e de troféus, é a forma como são exemplares nas comemorações e nas reações aos triunfos. São lições de benfiquismo a cada taça vem para o museu, a cada hino e cântico entoado nos campos, pavilhões, pistas, piscinas e outras instalações desportivas do país.
A aposta que o Clube tem vindo a fazer nas equipas femininas das mais diversas modalidades, mais do que um caminho óbvio de futuro, é o reconhecimento da grande força motriz do país e do mundo. Dos 7,1 mil milhões de habitantes deste planeta, 50,4% são mulheres. Em Portugal, segundo dados de 2019, há 5,4 milhões de mulheres e 4,8 milhões de homens. E não há dúvidas quanto à sua importância para o desenvolvimento do país e da humanidade.
Uma história escrita maioritariamente por homens não faz jus às conquistas do sexo feminino. E muito menos tem enaltecido as suas lutas e causas ou denunciando de forma veemente os obstáculos, as perseguições e os abusos sofridos. O desporto é uma das muitas formas de tentar inverter a tendência, mas não é fácil recuperar de milénios desigualdade. Este é o objectivo do qual todos temos de fazer parte: a igualdade. De género, de oportunidades, de salários, de tratamento e de respeito.
Futebol, hóquei em patins, futsal, basquetebol, andebol, voleibol, atletismo, judo, pólo aquático, natação, canoagem, triatlo, râguebi, ginástica ou patinagem artística são algumas das modalidades onde o SLB dá cartas no que diz respeito ao desporto feminino. E que servem de montra para o profissionalismo, entrega, qualidade e excelência das mulheres.
Vibremos com elas, com as suas conquistas, os seus conhecimentos e aptidões. São atletas - na imensa maioria, profissionais de outras e importantes áreas - que tentam uma difícil conciliação de horários e interesses. Sacrificam-se para fazerem o que gostam, para vestir a nossa camisola e para vencer, dentro e fora de campo. Sempre! Como o têm feito todas as mulheres antes delas."

Ricardo Santos, in O Benfica

Produto tóxico


"Acontece tantas vezes, que já achamos banal: quando o FC Porto tem um mau resultado, o jogo terminou com insultos, ameaças e agressões.
Percebe-se que a pressão competitiva possa, ocasionalmente, fazer alguém perder a cabeça. Mas no caso do FC Porto trata-se de um padrão de comportamento. De uma cultura de clube vigente há muitos décadas, e alimentada, à cabeça, pelo seu presidente. O FC Porto não sabe ganhar, nem sabe perder. Não vive o desporto, mas sim o ódio, o rancor e a intimidação. No banco, passa os jogos a pressionar freneticamente as equipas de arbitragem. No fim, quando não ganha, proporciona ao país espectáculos grotescos, indignos de uma competição desportiva que serve, ou devia servir, de referência a milhares de jovens. Nem os jornalistas escapam, algo que também não é novo e continua a passar impune.
Sérgio Conceição já fi expulso dezenas de vezes. Numa liga a sério, não se sentava em mais nenhum banco. Como os castigos por cá são uma brincadeira, continuará a ser expulso jornada sim, jornada não, e a dar exemplos lamentáveis daquilo que não deveria ser um treinador de uma equipa grande. Só nesta época, que me lembre, já se envolveu com Jorge Jesus, Paulo Sérgio, quase todos os árbitros, e até com Cristiano Ronaldo. Parece óbvio que um homem assim não tem perfil para o cargo que ocupa. Mas a verdade é que está em linha com os padrões do seu clube.
Até quando isto vai durar? Até que lhes permitam. A permissividade dos regulamentos é um convite a este tipo de atitude. E ninguém estranhe se uma criança de 6 anos olhar para aquilo e nunca mais quiser ver futebol."

Luís Fialho, in O Benfica

sábado, 1 de maio de 2021

Grandes benfiquistas


"No intervalo do Benfica - Santa Clara, fiquei destroçado - recebi a informação de que o Príncipe falecera. Pelo que a 2.ª parte do jogo foi um misto de angústia e de enorme saudade. Torci ainda mais pela vitória, porque sabia que o meu amigo Príncipe merecia um triunfo neste dia fatídico. Ele, que era um benfiquista de todas as horas, o maior benfiquista de Cabo Verde, torcia pelo Glorioso como poucos. Apesar de ser muito exigente com o clube do seu coração, o António Macedo fazia tudo pelo SL Benfica. Consegui concretizar um dos seus maiores sonhos quando, em Setembro de 2019, Luís Filipe Vieira, de quem era particular amigo, visitou oficialmente Cabo Verde e inaugurou a Casa do Benfica na Cidade da Praia. Outro dos seus sonhos era ver o Benfica campeão europeu. Um objectivo muito difícil de alcançar nos dias que correm, mas não impossível. E era essa uma das facetas que mais apreciava nele. Nunca deixou de acreditar nos seus sonhos. Esta foi uma semana terrível, pois no passado fim de semana, enquanto eu vibrava com a conquista do bicampeonato de pólo aquático feminino e com os feitos dos nossos canoístas, na Taça de Velocidade, partiu Valdemar Antunes, outro grande benfiquista, pai de Sónia Antunes, dedicada e competente jornalista do Sport Lisboa e Benfica. Valdemar era também um homem com H grande, um trabalhador incansável, um pai exemplar e um marido esmerado. Era dos adeptos mais exigentes que conheci. Para ele, uma vitória tinha de ser sempre acompanhada de uma boa exibição. Aos familiares e amigos do Príncipe e do Valdemar, apresento as minhas sentidas condolências."

Pedro Guerra, in O Benfica

O País de Abril


"Por alguma razão rasgamos sorrisos quando ouvimos pronunciar estas 5 letras primaveris. E não é por choverem 'águas mil', como dita a sabedoria popular, nem por nenhuma outra razão que a todos nos toque. É, sim, porque associamos para sempre à primavera a nossa liberdade, mas também porque alguém tomou nas mãos uma flor primaveril e a enfiou sem pejo dentro de um cano de aço frio, transformando, num ápice, uma G3 de instrumento de morte e repressão num símbolo de Liberdade, Paz e Fraternidade. Valores caros ao Benfica, vectores da nobreza que nos une, que tomamos já, quase, por adquiridos e que para as novas gerações passaram dos palcos da vida para os compêndios da nossa História colectiva.
Mas não é ainda assim por esse mundo fora, onde o que para nós é tão límpido como o ar, para tantos milhões é apenas uma miragem ou um conto de fadas impossível de realizar junto de si e dos seus. Metralhadoras caladas com flores, ditaduras derrotadas sem sangue, democracias nascentes e direitos humanos. Tudo isso encanta e deslumbra aqueles que, vindos das geografias da violência e da morte, se refugiam na acolhedora Europa e no país de sonho que é Portugal. Bem-vindos: sejam bem-vindos ao País de Abril!"

Jorge Miranda, in O Benfica

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"2
Bicampeões nacionais de pólo aquático feminino. A nossa equipa promete dominar a modalidade nos próximos anos;

7
Kika Nazareth, aos 18 anos apenas, vai confirmando o enorme potencial que muitos lhe auguram. Conquistou a titularidade em Março e soma 7 golos em somente 9 jogos disputados (7 como titular) na fase de apuramento de campeão, 3 dos quais nos últimos 2 jogos, frente a SC Braga e Famalicão, dois dos candidatos ao título. Aos golos marcados acrescenta inúmeras jogadas de fino recorte técnico e classe invulgar;

35
Grimaldo, com 2 assistências para golo na partida com o Portimonense, elevou para 37 a contagem pessoal, pelo Benfica em jogos oficiais, neste item estatístico. Desde 2013/14, inclusive, é o 4.º com mais assistências.

50
Golos de Seferovic no campeonato, é o 30.º mais goleador do Benfica na prova. Em competições oficiais leva 65 e é o 35.º no ranking (com os mesmo de Vítor Baptista, mas em mais 11 partidas). Frente ao Portimonense, bisou pela 7.ª vez na presente temporada, superando os 6 bis conseguidos em 2018/19. Curiosamente, ambos os golos aos algarvios foram concretizados com o pé direito, com o qual assinou apenas 20% (13) dos 65 golos (pé esquerdo - 44; Cabeça - 8);

90
Pizzi regressou aos golos em Portimão e chegou aos 90 pelo Benfica em competições oficiais. Igualou o registo de João Pinto, precisando de mais 22 jogos. Ocupa a 24.ª posição na lista dos melhores marcadores benfiquistas. No campeonato nacional é o 23.º melhor de sempre, com 61 tentos, os mesmos que o 22.º Joaquim Teixeira;

324
Na 7.ª temporada de águia ao peito, Pizzi já é o 22.º com mais jogos em competições oficiais pelo Clube. Chegou aos 324 ante o Santa Clara, tantos quanto Carlos Manuel (9 épocas) e Chalana (12)."

João Tomaz, in O Benfica

BTV: Rescaldo...

Agenda...

O Bandarra do Seixal


"Andava eu às voltas com uma magra meia dúzia de ideias que, de tão magras e anémicas, mais pareciam fugidios assomos de coisa nenhuma, quando Jesus, não o de Nazareth, mas o da Aroeira/Seixal acorreu em meu auxílio: pregando do alto do seu púlpito e instalado na certeza da sua admirável infalibilidade, me oferecia, no pós-jogo com o Santa Clara, um gordo motivo para uma magra mas séria reflexão.
Sabemos das incidências desse jogo em pleno estádio da Luz: o Benfica beneficiou de um auto-golo de um jogador da equipa adversária e foi, já quando o tempo útil se esfumava, que o Chiquinho ( Chico, não - coisa engraçada essa a dos diminutivos no mundo do futebol: será um ínvio resquício da sua matriz lúdica?) marca o golo de mais uma vitória tangencial.
Mas o povo pode estar tranquilo - porque, afinal, tudo aquilo estava programado, mais, estava já concretizado na luzidia cabeça do treinador, bem adornada de cabelo e tiques. Se não, vejam:
“Jogo complicado, mas que correu como tínhamos previsto, encontrámos as dificuldades que sabíamos que íamos encontrar “. E, com tão sonora e contundente sentença, eis como se decreta a esotérica ciência de um treinador perspicaz e competente. 
Mas há mais: no dia em que dedilho estas letras, o Benfica vai jogar a Tondela - e eu já sei o que vai acontecer: vai ser muito difícil.
Não me peçam que acerte no resultado do jogo - que não sou adivinho nem arúspice (não vou extrair as entranhas da Águia para ler o futuro, nem vou consultar a Pitonisa de Delfos), mas há uma coisa que tenho por certa: o Benfica vai passar por apuros, mesmo que acabe por ganhar. Até pode sair das terras do Dão com o saco cheio, mas será sempre com muito suor e, quem sabe, algumas lágrimas.
Donde esta minha certeza? Do auto-decreto proclamado, com pompa e circunstância, pelo experiente treinador do clube da Luz: “vamos ter muitas dificuldades neste jogo, porque o Tondela está a fazer um campeonato muito melhor que em anos anteriores “, ou seja, em vez de centrar a positividade da sua crença nas reais capacidades da sua equipa, dedica o melhor de seu tempo, num exercício de verbalização antecipatória, a alimentar e a robustecer, vejam o paradoxo, precisamente as possibilidades de êxito da equipa adversária.
A este tiro no pé, tão arraigado na mente magnânima dos treinadores dão os psicólogos o nome de “profecia auto-realizável”. Porquê?
Qualquer afirmação, suportada pelo acelerador da verbalização, põe em marcha uma intencionalidade operante, demiúrgica, que cria literalmente a realidade verbalizada: a nossa vida é uma auto-narração que incessantemente executamos através de nossos pensamentos expressos.
A palavra não é um mero “flatus vocis = sopro da voz), a palavra, digamo-lo assim, não se esgota numa fonética meramente nominativa, mas, insondavelmente mais que isso, ela constitui uma ponderosa unidade energética, portadora de uma capacidade denotativa, o que quer dizer que dá significado e vida àquele sopro que, assim, supera, até à vertigem, a sua dimensão fonética e protocolar.
Sejamos claros: cada um de nós cria, com seu pensamento verbalizado, a sua própria experiência. Mas há mais: beneficiando do seu poder posicional no interior do sociodrama, que é a equipa/grupo, as declarações do chefe hierárquico (hieros +arche: poder sagrado, que vem de Deus) produzem inevitavelmente um eco em todos os subordinados, afectando e condicionando a postura mental de todo o grupo.
E já se sabe que se colhe aquilo que se semeia."

Desafio superado


"A nossa equipa voltou ontem a rubricar uma boa exibição em mais uma difícil deslocação a contar para a Liga NOS. Tratou-se da quinta vitória consecutiva fora de portas, com 17 golos marcados e apenas um sofrido no conjunto destes cinco jogos.
O triunfo obtido em Tondela, por 0-2, pecou por escasso, face ao avolumar de oportunidades de golo criadas. A entrada de rompante na partida, com bom aproveitamento das situações construídas pelo coletivo, facilitou uma tarefa que se adivinhava complicada tendo em conta o percurso da equipa tondelense nas últimas seis jornadas, em que ganhara três vezes e empatara duas.
Os golos foram marcados por Pizzi e Everton, os quais haviam também feito o gosto ao pé em Portimão, há duas jornadas. As assistências para golo foram igualmente da autoria de ambos, o que é demonstrativo da inspiração deste duo no jogo realizado ontem. Assinale-se, relativamente a Pizzi, o facto de ter passado a ser o 23.º mais goleador do Benfica em competições oficiais, com 91 golos, e de ter chegado aos 62 de águia ao peito no Campeonato Nacional, igualando a marca do 21.º melhor de sempre pelo Benfica, Rui Jordão.
Jorge Jesus, no rescaldo do jogo, começou por frisar que, "mais uma vez, cumprimos o que era mais importante, o nosso objetivo, que era somar três pontos", acrescentando que "fizemos por isso".
A chave do triunfo esteve, de acordo com o nosso treinador, na "muita intensidade em relação à velocidade da bola e desmarcação" e na entrada "muito forte". Jorge Jesus destacou ainda o centésimo golo marcado na corrente época, o que "é prova da qualidade ofensiva desta equipa", e o registo defensivo incólume, que "também era importante".
Faltam agora quatro jornadas e a final da Taça de Portugal para terminar a temporada. Jorge Jesus foi perentório quanto à ambição da equipa, embalada pelas dez vitórias conseguidas nos últimos onze jogos: "Queremos vencer os cinco."
Na próxima ronda, o adversário será o FC Porto, atual segundo classificado, na Luz. Conforme constatado pelo nosso treinador, o clássico "pode determinar a nossa esperança de conquistarmos a segunda posição", acrescentando que "estamos preparados para isso" e que acredita que será "um grande jogo".
Também a nação benfiquista deve estar convicta de que a nossa equipa, tendo em conta a qualidade que inegavelmente tem e o percurso feito desde o início de março, pode vencer qualquer adversário. É com esse único objetivo em mente que a preparação para o jogo com o FC Porto será feita.
De Todos Um, o Benfica!"

Cadomblé do Vata


"1. Belíssimos 30 minutos iniciais, com intensidade, velocidade, entendimento e golos... tive até de confirmar que não estava a ver um jogo de 2014 na RTP Memória.
2. Honestamente, já tinha saudades de ver o SLB controlar tão bem um jogo como naquela meia hora inicial... foi tão positivo que até o J. Marques postou no Twitter "a madrassa da Sporttv não para (sic) e um simples jogo do Tondela serve para fazer propaganda ao benfiquistão".
3. Apesar do resultado final, ainda tenho medo de perder o jogo... este Everton foi inscrito antes de 01 de Fevereiro de 2021?
4. Pelo segundo jogo consecutivo, Seferovic desperdiçou de forma escandalosa uma soberana oportunidade de golo... cruzamento, bola chega-lhe redondinha a 2 metros da baliza 3 só com o guarda redes na frente, remata para o haris (badum tss).
5. É desconcertante a facilidade com que o SL Benfica se desenvencilha nos jogos fora, em contraponto com a agonia das partidas na Catedral... nunca como agora, o termo "Inferno da Luz" fez tanto sentido."

Cebolinha e uma tira de apenas 20 minutos


"Em Tondela, o Benfica entrou bem, marcou dois golos nos primeiros 20 minutos e depois, melhor ou pior, foi gerindo o encontro que antecede a receção ao FC Porto da próxima quinta-feira. Uma assistência e um golo (fantástico) de Everton arrumaram cedo a questão

Olho para a imagem da banda desenhada brasileira e para o jogador que esta época chegou ao Benfica vindo do Grémio e não posso deixar de sentir a chegar um daqueles sorrisos trocistas que aparecem exclusivamente ao canto da boca quando, na nossa cabeça, uma peça inesperada encaixa em outra mais inesperada ainda.
São parecidos, de facto, não sei se é de Everton, o rapaz de carne e osso, ser também baixinho, na verdade acho que é mais o cabelo, Everton tem mais do que aqueles cinco finos fios de cabelo no topo da cabeça do boneco tornado personagem por Maurício de Sousa, mas eles no futebolista eles também andam ali algures no ar, com uma derivação de poupa para a direita.
Uma direita bem metida, em arco, com uma derivação flutuante para o canto esquerdo da baliza de Trigueira foi também o que colocou Everton, Cebolinha de sua alcunha, no centro da vitória do Benfica em Tondela, 2-0 com dois golos nos primeiros 20 minutos, um da autoria do brasileiro, outro com assistência vinda do seu pé, num jogo que os encarnados quiseram fechar cedo para cedo se começarem a preocupar com outro jogo, o de quinta-feira, frente ao FC Porto.
A entrada foi forte, mais dos 10 minutos para a frente do que para trás, porque no arranque o Tondela ainda tentou pressionar o Benfica e impedir saídas limpas para o ataque dos encarnados. Mas mal Jorge Jesus exigiu velocidade, as oportunidades apareceram. Primeiro aos 9’, com Seferovic a falhar na área uma bola que lhe foi oferecida por Grimaldo depois de um bom trabalho de Waldschmidt pela esquerda.
Aos 12’, de novo pela esquerda, Everton arrancou, foi à linha e cruzou para a área. A bola passou por Grimaldo e Seferovic antes de encontrar Pizzi ao segundo poste, que com um remate cruzado bateu Trigueira pela primeira vez.
Os minutos que se seguiram foram de recriação encarnada, com vários momentos coletivos de qualidade e a certeza que o Benfica ia à procura de mais. Everton esteve perto aos 15’, após uma boa jogada de entendimento, e conseguiria aos 19’, na sequência de um lance rápido da equipa de Jorge Jesus. Seferovic lançou Pizzi ainda antes do meio campo, Pizzi encontrou Everton e o brasileiro sócia de personagem de tirinhas, que hoje andou tão danado para arranjar problemas ao Tondela como Cebolinha a Mónica, fletiu ligeiramente e marcou um bonito golo.
A partir dos 20 minutos a banda desenhada acabou, metaforicamente, claro, porque o jogo ainda teve muitas páginas, mas para o Benfica acabou ali o esforço. Muito provavelmente com a cabeça já em quinta-feira, os encarnados procuraram controlar com bola, com ritmo q.b., o que poderia ter sido um problema caso Mário Gonzalez estivesse em dia sim.
O avançado do Tondela foi o protagonista do único lance de perigo da equipa da casa na 1.ª parte, aos 22’, e na 2.ª parte acabou por não acompanhar com eficácia a subida de rendimento da sua equipa, nomeadamente de Salvador Agra. Com pelo menos três lances em que surgiu na cara de Helton Leite, o espanhol perdeu sempre o duelo com o guarda-redes brasileiro, muito atento e decisivo para manter a tranquilidade da sua equipa, que de tempos a tempos na 2.ª parte pareceu demasiado adormecida para quem queria segurar um resultado.
Mas segurou, com menor ou maior imposição, e a falta de eficácia do Tondela até deu para Jorge Jesus fazer estrear o jovem central Morato, num jogo em que não pode contar com Otamendi e voltou a apostar numa linha de quatro defesas."

CD Tondela 0-2 SL Benfica: “Pré-Clássico” vitorioso ao ritmo de Everton


"A Crónica: Primeira Parte De Bom Nível Bastou
O fim de tarde frio e ventoso no Estádio João Cardoso não impediu o SL Benfica de levar de vencida o CD Tondela, num jogo que teve duas partes distintas. Com Everton em grande, sobretudo nos primeiros minutos, os comandados de Jorge Jesus foram “perdendo gás” com o passar do tempo, mas cumpriram com o exigido: a vitória.
Como seria de esperar, o Benfica começou a querer mandar o jogo e impor o seu “rendilhado” para chegar à área adversário. Do lado do Tondela, imperava um bloco baixo, mas sempre pronto a lançar os rápidos extremos, Rafael Barbosa e Salvador Agra.
Ainda antes de batermos o minuto dez, Seferovic desperdiçou uma oportunidade clamorosa de golo. Todavia, no ataque seguinte, interveio uma voz de comando para mostrar como se faz. O capitão Pizzi, depois de uma boa incursão de Everton pela esquerda, apareceu ao segundo poste para finalizar com classe, adiantando o Benfica no marcador.
Os “encarnados” continuaram a sufocar os beirões, criando oportunidade atrás de oportunidade. Aos 19 minutos, um nome começou a ganhar forma como destaque do jogo: Everton. Depois de assistir, o extremo brasileiro marcou um golo de grande categoria, colocando a bola fora do alcance de Trigueira. Será que “Show Cebolinha” chegou finalmente à Primeira Liga Portuguesa?
Até ao intervalo, o denominador comum manteve-se o mesmo: uma bela exibição das “Águias”. Os homens do Tondela foram tentando explorar o contra-ataque, sobretudo através de Rafael Barbosa, mas nunca incomodaram verdadeiramente o setor recuado adversário.
A segunda parte trouxe Mario González com vontade de ser figura de destaque, mas para azar do avançado espanhol, Helton Leite decidiu roubar-lhe o protagonismo. Duas defesas de alto nível mantiveram o Benfica com a dupla vantagem com que saiu para o intervalo, depois de uma entrada em falso na etapa complementar.
O Benfica melhorou o nível exibicional (ainda que sem nunca alcançar o apresentado na primeira parte), mas só aos 78 minutos os “encarnados” voltaram a dispor de uma boa oportunidade. Todavia, o remate de Pizzi passou ligeiramente acima da barra e não fez jus à bela jogada construída por Chiquinho, pela direita.
Até final, Cervi teve um cara-a-cara com Trigueira, mas foi o guardião dos tondelenses quem levou a melhor. O Benfica venceu em Tondela com base numa primeira parte inspirada e, assim, mantém-se nas lutas do cimo da tabela.

A Figura
Everton Um golo e uma assistência coroaram a bela exibição do extremo em Tondela. Muito mais interventivo na primeira parte do que na segunda (como, de resto, a equipa do Benfica), mostrou-se pela primeira vez a alto nível desde que chegou a Portugal.

O Fora de Jogo
Mario González O goleador do Tondela dispôs de várias boas chances para finalizar com sucesso, mas nunca o conseguiu. Ora por mérito de Helton Leite, ora por demérito do espanhol, o certo é que não foi capaz de cumprir com a sua maior obrigação: marcar golos.

Análise Tática – CD Tondela
Pako Ayestarán apostou no 4-3-3 habitual, alterando apenas um dos extremos em relação à equipa-tipo dos tondelenses: Murillo, por lesão, deu lugar a Salvador Agra, que havia perdido o estatuto de titular há algumas jornadas, para Rafael Barbosa. Destaque ainda para o muito espaço concedido entre a linha média e a linha mais recuada, sobretudo na primeira parte, o que permitiu ao Benfica jogar com maior à vontade perto da área de Trigueira.

11 Inicial e Pontuações
Pedro Trigueira (5)
Bebeto (5)
Yohan Tavares (5)
Ricardo Alves (5)
Filipe Ferreira (5)
Jaume Grau (6)
João Pedro (6)
Roberto Olabe (5)
Salvador Agra (6)
Rafael Barbosa (6)
Mario González (5)
Subs Utilizados
Telmo Arcanjo (5)
Enzo Martínez (5)
Tomislav Strkalj (5)

Analise Tática – SL Benfica
Jorge Jesus voltou a apostar no 4-4-2, face à ausência de Otamendi e à impossibilidade de formar o habitual trio de centrais. Everton assumiu-se desde cedo como a grande figura da tarde/noite em Tondela, ao passo que Rafa e Waldschmidt estiveram algo desaparecidos. Mais atrás, mérito para a boa partida de Gabriel, que teve oportunidade dada a ausência de Weigl e marcou mais pontos na luta pela titularidade.

11 Inicial e Pontuações
Helton Leite (7)
Gilberto (6)
Lucas Veríssimo (5)
Jan Vertonghen (6)
Alex Grimaldo (6)
Gabriel (6)
Pizzi (6)
Everton (7)
Rafa Silva (5)
Luca Waldschmidt (5)
Haris Seferovic (5)
Subs Utilizados
Chiquinho (6)
Pedrinho (6)
Franco Cervi (5)
Diogo Gonçalves (5)
Morato (-)

BnR na Conferência de Imprensa
CD Tondela
BnR: O que falou com os jogadores ao intervalo que motivou a boa entrada da equipa na segunda parte?
Pako Ayestarán: É difícil falar durante o jogo, mas tentei dizer ao Ricardo Alves o que pretendia. A nossa linha média e a linha recuada estavam muito distantes, por isso ao intervalo tentámos corrigir alguns posicionamentos. Os nossos homens de trás estavam apenas a controlar o Seferovic, o que deixou muito espaço para outros homens do Benfica.
SL Benfica
BnR: Vimos o Gabriel a juntar-se, por vezes, aos dois centrais, no momento da saída a jogar. Foi uma tentativa de fazer com que a equipa estivesse mais confortável na saída, uma vez que tem jogado recentemente com três centrais?
Jorge Jesus: A pergunta é interessante, mas sempre fizemos isso. Seja qual for o sistema, normalmente fazemos isso: uma saída a três. São rotinas que os jogadores têm normalmente, treinam para isso, mas o Gabriel fez isso mais vezes na primeira parte. Na segunda saímos mais vezes com dois jogadores."

Foi (um pouco) à Benfica


"Tondela viu o regresso do Benfica inteligente, controlador e ao mesmo tempo capaz de acelerar no momento oportuno. Com Gabriel entre centrais a arriscar menos a perda da posse – Terminou a primeira parte com apenas sete passes errados em quarenta e nove – e com Lucas e Vertonghen a determinarem ritmo do ataque posicional, os encarnados baixaram Rafa e Pizzi como interiores na saída, e o primeiro foi por diversas vezes solicitado nas costas da linha média adversária para daí iniciar momento de acelerar o jogo.
No corredor esquerdo um confiante Grimaldo contou com Everton a definir os lances com qualidade – Saiu para o drible somente com a certeza de ter sucesso, recebeu sempre para ligar o jogo de forma mais ofensiva, e pelo meio assistiu e somou um golo ao seu nível – e foi precisamente pelas incursões pela meia esquerda que o Benfica somou consecutivas aproximações ao golo. Na meia direita Rafa foi desaproveitando no último passe o que tantas vezes o próprio criou pela forma como rodopiou entre linhas e saiu em progressão, e Gilberto foi naturalmente inexistente.
Mas não apenas de Ataque Organizado viveu o Benfica. Pressionante e capaz de voltar a ganhar bolas no primeiro terço adversário – a posição confortável do Tondela permitiu à equipa da casa uma abordagem ofensiva que possibilitou recuperações altas ao Benfica – vários foram os lances em contra ataque que trouxeram aproximação e finalização à baliza de Trigueira.
Uma primeira parte competente sem bola e com bola, numa exibição convincente como poucas outras ao longo da temporada, o segundo período ficou marcado por constantes sobressaltos sobre a baliza de Helton Leite – Mario González voltou a provar ser um dos homens da Liga e foi uma tormenta para o último reduto encarnado. Ainda assim, a vitória não esteve colocada em causa – E as entradas de Chiquinho e Pedrinho trouxeram de novo um Benfica criativo e inteligente no jogo ofensivo.

Destaque:
Everton: Praticamente tudo o que fez, fez bem. Pensou, executou, ligou o jogo no corredor esquerdo, e definiu com qualidade no último terço. “Apanhou” em Tondela Grimaldo como o maior assistente da Liga – 8 passes para golo."

Rescaldo...

Golaço...

«Eu não acredito em bruxas, mas....»


"Diogo Queirós, jogador formado no FC Porto - clube onde passou 7 dos seus últimos 8 anos - foi hoje a campo em detrimento de Patrick, titular habitual do Famalicão. Como consequência, cometeu um penálti escandaloso e concedeu um golo ao seu clube de formação. Recordamos que, então na primeira volta, Vaná, outro jogador cedido pelo FC Porto, havia feito penálti à sua casa-mãe.
Não colocamos em causa a idoneidade de Ivo Vieira, até porque foi o próprio que lançou a descoberto a suspeita sobre a atitude dos jogadores do Estoril Praia aquando do EstorilGate. Contudo, no que diz respeito ao comportamento de determinados jogadores, já dizia o velho ditado «Eu não acredito em bruxas, mas....»."

Finalmente, Lagartos ajuizados ... ou será só temporariamente, porque estão em 1.º lugar?!!!


"Finalmente as pessoas estão a perder o medo à máfia que subsiste no futebol português há 40 anos e começam a expor as verdades sobre o FC Porto e os seus velhos métodos, sem medo de represálias. 
Parabéns a este comentador por dizer o que todos sabem mas têm receio de dizer.

Nota: Já se sabe o que, na realidade, Pedro Pinho mandou irem buscar ao seu carro, nas costas da GNR, antes de ser identificado, ou vamos todos continuar a brincar ao faz de conta?"

Uma Semana do Melhor...

Quinta da Bola...

Vermelhão: Resolver rapidamente!

Tondela 0 - 2 Benfica


Entrada muito boa, com o jogo decidido nos primeiros 30 minutos... a partir daí, começamos a gerir a vantagem, que até podia ter corrido mal, pois permitimos algumas oportunidades ao adversário! Mas o Helton esteve bem... e na melhor oportunidade do Tondela, a bola foi ao lado, numa jogada que começou com um fora-de-jogo não assinalado e que assim anularia o putativo golo!!! Mas se o Tondela tem reduzido, a 'gestão' não teria sido tão 'fácil!!!

Várias novidades na equipa, algumas anunciadas, outras nem por isso. O regresso dos 2 Centrais, compreendo já que a 'necessidade' dos 3 Centrais, deve-se muito às actuais 'limitações' do Otamendi: o argentino continua muito bom nos desarmes e na marcação, mas quando a bola é colocada no espaço, nota-se claramente falta de 'pique'... e isso, na minha opinião, obriga o Benfica a jogar com os 3 Centrais! Sem o Otamendi, com dois Centrais mais rápidos, a linha de '4' encaixa melhor no estilo de jogo do Benfica!

Mas a grande surpresa foi a titularidade do Gilberto: se o treinador acha que o Gilberto está mais rotinado numa defesa de 4, melhor nas rotinas de 'ajuda' aos Centrais, compreendo a opção... Agora se a opção, foi a pensar no jogo da próxima jornada com os Corruptos, discordo... Acabou por correr bem, mas preparar um jogo, a pensar no outro, costuma dar mau resultado!!!
Ainda por cima numa partida, onde já tínhamos 3 ausências forçadas...

Destaco os golos, os dois bonitos, com a equipa a demonstrar facilidade no contra-ataque, algo que esta época tem faltado...

Com a derrota do Braga, temos 8 pontos de vantagem, e assim a 4 jornadas do fim, garantimos praticamente o 3.º lugar (esta coisa do play-off da Champions é muito ingrato... e provavelmente ainda irá 'complicar' mais o mercado de Agosto)! Agora, o 2.º lugar está ao nosso alcance: em caso de vitória na Quinta, ficamos a um ponto dos Corruptos, e acredito que eles não vão ganhar os últimos 3 jogos, até porque na última jornada vão defrontar a equipa do Petit, que normalmente não 'perdoa' aos Corruptos!!!

sexta-feira, 30 de abril de 2021

Focados no triunfo


""O que nós queremos é ganhar", sintetizou Jorge Jesus, referindo-se à abordagem da equipa ao importante desafio de hoje, com início agendado para as 19h00, em Tondela.
Faltam cinco jornadas para o término da Liga NOS e em cada uma delas a nossa equipa lutará por vencer, só importando, em cada momento antes do apito inicial, o jogo que se avizinha. Conforme afirmou Jorge Jesus, "acreditamos na possibilidade de chegar ao segundo lugar e isso passa pelo jogo com o Tondela, onde só os três pontos nos interessam".
O nosso adversário de hoje ocupa atualmente a nona posição na tabela classificativa a apenas três pontos do sexto classificado. Tem sido elogiado pelos analistas ao longo da temporada e encontra-se num ciclo positivo de três vitórias e dois empates nas últimas seis partidas.
Jorge Jesus destacou o tridente ofensivo dos tondelenses: "Os três jogadores da frente têm muita velocidade de execução e também para ganhar o espaço para o contragolpe", uma arma para a qual, segundo o nosso treinador, a equipa se preparou ao longo dos últimos dias.
Para este jogo não poderemos contar com Otamendi e Weigl, castigados, e vários lesionados. Jorge Jesus não levantou o véu se tal implicará mudança no sistema tático, mas reconheceu que tem opções disponíveis para qualquer dos sistemas.
Independentemente do esquema apresentado ou das peças utilizadas, somar três pontos é o objetivo e, assim, acrescentar mais um triunfo aos nove obtidos nos últimos dez jogos em competições oficiais. 
Estamos convictos de que a nossa equipa saberá ultrapassar as esperadas dificuldades impostas pela equipa do Tondela e que sairá, mais uma vez, vencedora desta jornada.
De Todos Um, o Benfica!"

"Desta vez, a fruta é vermelha"


"Factos. Framboesas são encarnadas. Mas na última vez que o FC Porto foi apanhado a oferecer fruta, esta tinha pernas, braços e não vinha em caixas, mas sim em transportes privados com logística no Calor da Noite.
A explicação:
Ao CM, Pinho explicou o que se passou: "O presidente do Moreirense entregou-me umas caixas de framboesas para eu dar ao presidente Pinto da Costa. Guardei-as na mala do meu carro. Quando passei pelo Sandro dei-lhe as chaves para ele ir ao meu carro buscar as caixas para as entregar a Pinto da Costa".
Há velhos hábitos que nunca se perdem."

Análise à eliminação da Uefa Champions League de Futsal

Tóquio #10: Pedro Fraga...

Humberto Coelho


"Na minha longa experiência no futebol deparei com diversos excessos entre os quais se salientam as atitudes de alguns treinadores perante as adversidades decorrentes do treino e competição. Sei bem que cada ser humano está determinado quer pelos fatores genéticos da sua ascendência quer pelo imprinting desenvolvido nos primeiros anos de vida. Como alguém disse, nós somos o que fomos.
Contudo, se em relação a algumas situações da vida podemos e devemos expressar a autenticidade do que somos noutras, aquelas que põem em jogo as relações intra e intergrupais, devemos ser controlados por um especial bom senso e controlo emocional. Um líder, qualquer líder, para ser eficaz deve conter as suas emoções dentro de limites que permitam a operacionalidade do seu comando. A emocionalidade descontrolada pode redundar na perda de eficácia na direção do grupo.
Isto vem a propósito dos excessos comportamentais de alguns treinadores de futebol veiculados pelos mass media e que dão uma imagem redutora de si e dos grupos que comandam. Nunca por nunca agitação foi sinónimo de eficácia. O berro destemperado, a palavra acintosa e o gesto agressivo são indicadores de descontrolo e podem concorrer para acentuar o carácter patológico da pugna desportiva.
Vou ao meu álbum de memórias e procuro alguém que como líder esteja nos antípodas dos incendiários do futebol. Ele ali está no cantinho mais gratificante das minhas memórias – Humberto Coelho. Trabalhei com ele no Salgueiros, na seleção Portuguesa e na seleção da Coreia do Sul.
Nunca lhe reconheci um gesto ou uma atitude que não fosse comandada por uma extreme educação e um admirável controlo emocional. Nunca o ouvi, publicamente, onerar qualquer jogador com o ónus dos inêxitos. Nas nossas reuniões de trabalho escalpelizávamos até ao tutano tudo o que de bom ou mau era feito em termos individuais e coletivos, mas nunca, digo nunca, qualquer crítica interna transpirou para o exterior onde alguns jornalistas pedem a todos os deuses do Olimpo que “o homem morda o cão”.
O que mais admirei no Humberto Coelho era a parcimónia das suas atitudes. Nunca embandeirava em arco, lançando os foguetes e apanhando as canas nas vitórias como, com uma calma muito trabalhada, nunca permitia que a derrota se transformasse num fator bloqueador do futuro êxito. Humberto Coelho foi do que melhor Portugal produziu em termos de jogador da bola. Viveu, como capitão do Benfica e da seleção nacional alguns dos desafios mais marcantes da sua riquíssima carreira desportiva. Pois bem, ao sentir no seu corpo e na sua alma as alegrias e vicissitudes arrastadas por uma longa carreira na alta competição utilizou-as como modeladoras do seu carácter que o transformaram no ser humano calmo, sabedor e jovial.
Humberto Coelho berrava no campo, no treino, nunca como elemento de crítica, mas como estímulo potenciador. Ele demonstrava, na procura pelo aperfeiçoamento operacional, que tinha sangue bem vivo e pulsante dentro das veias. Contudo, quando se sentava no banco conseguia controlar as emoções de forma admirável. Quantas vezes eu e os outros no banco saltávamos de alegria ou raiva e ele impávido e sereno aproveitava cada momento para resolver algum problema tático chamando o capitão ou o jogador implicado. Nunca admoestou, sempre corrigiu. Nunca berrou para dentro do campo pois sabia que os jogadores quando estão concentrados no jogo não ouvem nem a mãezinha. Durante a semana e como conhecia o futebol como ninguém tentava antecipar os eventuais problemas que podiam surgir com cada equipa e trabalhava-os. O aleatório do jogo ele assumia-o com naturalidade e dentro da estrutura tática e da estratégia específica para cada jogo permitia a criatividade individual que muitas vezes era a solução para os bloqueios táticos e operacionais entre equipas. Nunca o vi admoestar um jogador quando falhava nas suas expressões de individualismo. Ele, estimulava a responsabilização individual dos jogadores, melhor dito, daqueles jogadores cuja individualização trazia normalmente benefícios para a equipa. Aos outros, aconselhava-os a não inventar muito. Humberto Coelho tinha uma consciência muito apurada de todos os fatores que concorrem para a eficácia de uma equipa de futebol.
Conheci Humberto Coelho no trabalho, conheci-o também na convivialidade. A sua cultura e o seu sentido de humor fazem dele um ser humano excecional. Só posso dizer Meu Amigo Humberto, bem haja."

Os primórdios do Jujutsu em Portugal


"Em artigo recente, demos conta das primeiras imagens sobre as artes marciais orientais (jujutsu e kendo) em Portugal, que foram reveladas pela revista Illustração Portugueza (n.º 79), de 26 de agosto de 1907, quando da passagem de um navio por Lisboa, e da presença de Sada Raku Uyenishi, de 27 anos, mestre japonês, que esteve em atuação no Coliseu. A sua figura magra (59 kg) desiludiu os espetadores presentes, dado que se aguardava uma figura forte e musculada. Mas com as suas demonstrações, os risos foram-se desvanecendo e os olhos passaram a dar uma outra atenção ao nipónico. Houve até quem o quisesse desafiar, mas as forças e as técnicas de Raku foram invencíveis. Raku afirmaria que quando chegou ao Reino Unido venceu “o campeão dos médios e dos pesados da Inglaterra – Gruhn, e desde então todos os campeões de lucta que comigo se têm encontrado têm sido derrotados por mim” (Tiro e Sport, n.º 370, 1908, p. 9).
Importado do Japão, o jujutsu tornou-se uma moda e generalizou-se na Europa. Esta modalidade oriental foi apresentada inicialmente em atuações de circo e em alguns clubes desportivos. Os mestres nipónicos de jujutsu encontraram na Europa um mercado de trabalho. O jujutsu foi reconhecido como um meio de defesa pessoal, tendo elementos favoráveis para a educação física.
Portugal não ficou indiferente a esta prática oriental.
A partir de 1908 o Centro Nacional de Esgrima promoveu um curso de jujutsu. A responsabilidade dessa formação coube a Imagiro Hayashi, diplomado das Escolas Bujitsudensukai e Nóngákukó de Osaka. Cursava também uma formação de massagista.

Depois de ter deambulado por várias cidades europeias, Hayashi encontrou Raku em Inglaterra, que o convidou a atuar com ele no Coliseu de Lisboa, quando o seu compatriota ali se apresentou pela segunda vez. Um repórter da Illustração Portugueza foi assistir, tendo elaborado uma notícia e tirado algumas fotografias. A lição estava a ser dada a dois jovens, de 12 e 14 anos: Augusto de Almeida Vasconcellos e Jeronymo d’Almeida Vasconcellos.

O jujutsu não requer grandes esforços musculares. O “segredo” está em saber manter o equilíbrio do próprio corpo e de fazer perder o equilíbrio do corpo alheio. É uma “ciência”! Deriva dos conhecimentos empíricos adquiridos ao longo de séculos, aperfeiçoados ou rejeitados.
Fala-se muito dos homens do jujutsu, mas pouco sobre as mulheres. A Illustração Portugueza (n.º 204), de 17 de janeiro de 1910, dá-nos conta da primeira mulher lutadora de jujutsu em Portugal. Chama-se Roberts, de origem de uma família londrina, irmã de mais onze irmãos. É franzina, loura, com uma longa trança caída pelas costas.


Começou esta prática com 15 anos de idade. Exibiu as suas técnicas aos reis de Inglaterra, de Espanha e de Portugal. É considerada a primeira mulher que trouxe esta prática oriental para Portugal. Casou com um japonês, Hirano, lutador de jujutsu. Relativamente a Hirano, sabe-se que deu lições de jujutsu nas cidades de Lisboa e Porto, tendo vindo a morrer afogado na praia de Sta. Cruz, concelho de Torres Vedras, em 1915. O seu corpo nunca apareceu."

Vitória em Oliveira de Azeméis ...

Oliveirense 79 - 82 Benfica
20-23, 19-19, 19-21, 21-19

Reposição da normalidade, mas mais uma vez, deixámos as decisões para os últimos segundos, num jogo onde não tivemos 'brancas', mas nunca conseguimos cavar uma vantagem confortável... notando-se mais uma vez, os nossos grandes problemas nos ressaltos!
O apito não inclinou tanto como no 2.º jogo, mas perto do fim, uma agressão a um jogador do Benfica, foi transformado numa anti-desportiva contra o Benfica!
Falta mais uma vitória para confirmar as Meias-finais...

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Lanças...

SL Benfica | O epílogo sem final feliz


"A temporada desportiva encaminha-se para o seu fim e, no reino da águia, há pouco por jogar e ainda menos por conquistar. Sobejam cinco partidas de Primeira Liga e a final da Taça de Portugal no calendário do SL Benfica.
O cada vez mais difícil de alcançar segundo lugar e a prova rainha são os únicos objetivos passíveis de serem “conquistados” (se o segundo lugar for uma conquista para alguém) pelo mais – e pior – apetrechado SL Benfica da história.
Não obstante, a reta final da época 20/21 ainda pode acrescentar um troféu ao espólio do Museu Cosme Damião e pode – e deve – servir de base e preparação para a temporada vindoura. As duas “conquistas” suprarreferidas seriam vitais para tal, uma vez que possibilitariam a entrada direta na Liga dos Campeões e a presença na Supertaça 2021, o que teria um forte impacto nas movimentações de mercado e permitira começar a época a gladiar por um título.
Contudo, há cinco partidas e quatro pontos que separam os encarnados do primeiro objetivo e um embate frente ao SC Braga de Carvalhal que os separam da segunda ambição. No que respeita à corrida pelo segundo posto da Primeira Liga, o caminho que resta trilhar está longe de estar desimpedido.
O primeiro obstáculo é a visita a Tondela, já esta sexta-feira (30 de abril). Os tondelenses estão em ótima forma e, num claro desafio às expetativas, encontram-se no nono posto da tabela, a meros três pontos do Vitória SC, que ocupa o sexto – lugar de acesso à 2ª pré-eliminatória da Conference League. 
Os homens de Pako Ayestarán defrontam mesmo as “águias” na melhor fase da época beirã – três jogos sem perder (vitórias em Moreira de Cónegos e na receção ao CD Nacional e empate em Vila Nova de Famalicão). Além da força coletiva demonstrada, os beirões contam com a qualidade individual de Mario González. O jovem avançado espanhol, emprestado pelo Villareal FC, é o terceiro melhor marcador da Liga, com 13 golos.
Os obstáculos seguintes são as receções a FC Porto e Sporting CP, entremeadas pela tradicionalmente difícil visita à Choupana. As dificuldades que o clássico e o grande dérbi encerram são já sobejamente conhecidas e são exacerbadas esta temporada pelas posições dos três clubes na tabela classificativa e pelos confrontos diretos entre eles.
O SL Benfica defronta, assim, nas duas últimas partidas em casa em 20/21, dois clubes que o superam na tabela e que ainda não venceu esta temporada. As “águias” foram derrotadas em Alvalade (1-0), empataram no Dragão (1-1) e ainda perderam a Supertaça para os azuis e brancos (2-0). Como tal, bater dragões e leões, ainda que em casa, não será tarefa fácil.
Pelo meio, há uma deslocação transatlântica para defrontar o (para já) lanterna vermelha, CD Nacional. Não obstante a delicada posição dos madeirenses (no momento da escrita), a turma de Manuel Machado conseguiu já a primeira vitória sob orientação do vimaranense (1-0, precisamente na receção aos vimaranenses). Além do mais, as visitas à Choupana nunca foram, nem serão fáceis, independentemente do contexto.
Todavia, importa referir que as visitas a CD Tondela e CD Nacional representam deslocações aos terrenos das defesas mais batidas da Primeira Liga, ex aequo (47 golos concedidos). Teoricamente mais difícil é a visita a Guimarães. O Vitória SC tem realizado uma época de altos e baixos, conhecendo em Bino o seu terceiro timoneiro da temporada.
Ainda assim, a solidez e consolidação do clube têm-lhe permitido manter-se num lugar europeu, ainda que, calculo, não estivesse nas previsões dos vitorianos verem-se abaixo do Paços de Ferreira FC na tabela. Contudo, é de realçar a parca qualidade demonstrada pelos vimaranenses no corrente ano civil, espelhada pelos resultados: em 2021 – e, de novo, no momento da escrita -, o Vitória SC tem 50% de derrotas (nove derrotas em 18 jogos, todos para a Primeira Liga).
Às nove derrotas acrescem quatro empates; ou seja, os de Guimarães apenas venceram cinco das 18 partidas disputadas este ano civil. No entanto, convém que as águias não se agarrem a este tipo de estatística e percebam que os embates no D. Afonso Henriques são, inevitável e invariavelmente, de enorme grau de dificuldade.
Os pupilos de Jorge Jesus encerram a época (pelo clube) com a final da prova rainha, em Coimbra. O adversário, para não fugir à regra, encerra perigos conhecidos e reconhecidos. Os Guerreiros do Minho têm apresentado vislumbres de grande futebol e estão, à entrada para as últimas cinco jornadas da Liga, a cinco pontos das “águias” e com a Liga Europa quase assegurada.
No confronto direto, vantagem para os bracarenses. Os minhotos venceram por 3-2 na Luz, para a Primeira Liga, e venceram 2-1 em Leiria, na meia-final da Taça da Liga. Mais recentemente, foram derrotados por 2-0 em casa, pelos comandados de JJ. No somatório, duas vitórias e uma derrota para o SC Braga, com cinco golos marcados e cinco concedidos.
Tudo somado, a reta final da época encarnada contém seis jogos, sendo quatro deles frente a equipas do top 6 da Primeira Liga. Não será fácil, mas o SL Benfica tem obrigação de se impor em cada jogo e levar de vencido cada adversário, minimizando os danos de uma época atroz. O mais difícil é mesmo acreditar que o vai fazer."

Antevisão...

Cadomblé do Vata


"1. Em Moreira de Cónegos Sérgio Conceição foi expulso pela quarta vez esta época... cobram-lhe milhares de euros por não usar braçadeira no banco, mas nem 1 cêntimo paga por sair de casa sem açaime. 
2. Catorze penaltis depois, os Super Dragões vão fazer um cordão humano em protesto contra a arbitragem... se o Sócrates sabe disto, organiza um contra o juiz Ivo Rosa.
3. Ainda no final do Moreirense - FC Porto, um empresário ligado aos portistas agrediu um operador de câmara da TVI... eu sou contra a violência e ele deve pagar pelo que fez, mas quer dizer... o da CMTV estava logo ali à mão de semear, catano...
4. Acabei agora de ver o Man. City com Ederson, Ruben, Cancelo e Bernardo bater o PSG de Di Maria nas meias finais da Champions... chorei... chorei muito...
5. Otamendi está suspenso e não joga na próxima jornada, portanto malta, apontem aí na agenda... sexta feira, dia 30 de Abril de 2021, 19h00: Despedida da Titularidade do Capitão Jardel, o Guerreiro da Luz."

Foguetes!!!


"Soltem os fogos! Sérgio Coação suspenso por 21 dias. Como diz o ditado, à 284355643 vez é de vez!"

React: Maldição de Guttmann!!!

Benfica After 90 - Santa Clara...

Aprender sobre a Profissão – Rúben Dias

"Desde cedo que o jogo de Rúben demonstrou ser uma autêntica lição de como actuar enquanto defesa central. Hoje, com menos erros – Natural, já tem 23 anos e mais de 150 jogos a alto nível – Ainda errará menos com mais jogo em cima – é o esteio do City que caminha para o título nacional e porventura Europeu.
Ver Rúben jogar é aprender sobre a posição. As suas decisões em momento defensivo são para lá de assombrosas – Em Organização ou Transição, onde tantas vezes resolve problemas com campo aberto – E em Paris contra Mbappé e Neymar! – a forma como se posiciona, como se move, como orienta o corpo é sempre uma lição ao nível de pouquíssimos no futebol mundial. Vale a pena descodificá-lo e aprender com Dias."

A formatura


"A questão tem a idade do homem: saber se é suficiente ser-se como os outros ou sê-lo como ninguém, sendo certo que sê-lo como ninguém é não só ser morfologicamente único, mas ser melhor que qualquer outro. Dito de um outro modo: envolve-se, nessa empresa avaliativa, o critério sociologista da comparação com os demais, mas também o de um horizonte assintótico de uma perfeição referida a um furtivo absoluto a que inelutavelmente se aspira.
Trata-se de esclarecer o que é isso de formar alguém - se é, qual escultor, cinzelá-lo, lasca após lasca, até alcançar o feitio da obra que se tem em mente ou se dar formação a alguém é, antes, permitir que esse alguém seja hábil e apto a realizar a sua forma, única e inconfundível. Está bem de ver que, em tal empreendimento, se implica uma incontornável dicotomia motivacional - ou ela se alimenta do fluxo acontecimental das circunstâncias (exógena), ou, pelo contrário, ela nasce e nutre-se a partir de dentro (endógena), a partir das suas inegociáveis razões de ser.
Sejamos afoitos e resolutos: formar é fornecer e disponibilizar ao formando as condições adequadas à expressão, livre e criativa, da sua própria natureza, enquanto formatar é submeter alguém a um formato previamente estabelecido: a sua realização deve-se à metódica execução de um padrão rígido e impositivo - como, por exemplo, o modelo de jogo adoptado na Academia, uma tessitura, mais ou menos voluntarista, de elementos técnicos, tácticos e outros.
A postura facilitadora do formador deve incluir, no seu cardápio instrumental, o jogo como elemento prioritário e privilegiado da sua acção educadora junto da criança e do adolescente, porque, bem vistas as coisas,, só através da ludicidade se cria realmente: “o curso do Mundo é uma criança que brinca e coloca as peças aqui e ali. É o reino da criança.” (Heráclito).
As crianças não podem ser as vítimas de um desporto ancorado no primado de uma “razão imperial”, numa lógica excludente de poder e em que o ter se converte em absoluto axiológico. A tal ponto que há país que, perante a evidência do talento que desponta no filho, tendem a olhá-lo sobretudo como um meio expedito de fazer fortuna - o filho-mealheiro!
Entretanto, predadores furtivos rondam os viveiros para abocanharem a truta mais apetitosa e luzidia. Eis como se comportam os chamados olheiros: são-no não tanto por serem bons na arte de detectar talentos, mas por terem olho para o negócio, melhor, para a negociata.
E quando vejo os rapazes da Liga Revelação a entrarem, em formatura, nos campos esquecidos de Portugal, é como se, regressado aos tempos gloriosos de Lanceiros 2, visse um pelotão de recrutas em exercícios de ordem unida na parada do profissionalismo. Ou, para os gostos mais requintados, um desfile de modelos, sob o olhar voraz dos agentes da moda.
Eis o segredo do sucesso: dar de mamar a muitos - e, assim, o sistema se alimenta a si próprio. E quando um facto se torna sistémico, obtém, exactamente por via disso, a aura indiscutível de auto-justificação e a consequente aquiescência social.
E assim se opera a mercantilização do desporto, mormente o futebol, através da reificação do agente desportivo, jogadores e treinadores. O termo resulta da junção de duas palavras latinas (res=coisa+facere =fazer/tornar). Coisa: o nominativo raso e neutro de tudo e de nada: é o lado incolor do mundo - a palidez ôntica do objecto.
O futebol descaracterizou-se e tornou-se numa medonha indústria de mercadoria anónima e transacionada não em função do que é mas do que faz.
O futebol, numa deriva teratológica, está cada vez mais convertido numa bisonha caricatura de si mesmo.
Perante o mais recente assalto de que foi alvo, urge que se congreguem as boas vontades no sentido da sua refundação."

A actividade física desportiva... em nome da vida!... (1)


"Dada a necessidade de compensar com alguma matéria certa implosão de acontecimentos desportivos nesta fase crítica de final de época e sendo imperioso de nos dias hoje invocar esta temática, tendo em conta por um lado o quase desprezo como alguns responsáveis pela gestão da prática desportiva se evadem e por outro lado a verificação de muita gente quer ao longo das estradas, quer em parques de lazer, quer junto à orla marítima, etc , fazem da prática desportiva uma ocupação permanente, irei defender em quatro ou cinco artigos o que importa, no sentido provocar um meia culpa pela atrevida iliteracia que se dissolve ao longo dos tempos.
Começarei por fazer uma análise histórica e evolutiva da prática da atividade física e desportiva, obviamente de forma muito circunscrita ao resumo da mesma.
Fazendo uma viagem no tempo, as atividades físicas começaram por ser indispensáveis à vida do homem pré-histórico.
As largas caminhadas davam-lhe a resistência nas marchas; a necessidade de perseguir a caça ou de fugir ao inimigo, emprestavam-lhe velocidade nas corridas; a imposição de acertar no alvo, quase sempre móvel, dava-lhe destreza; as valas e precipícios exercitava-os nos saltos; o refúgio ou procura de frutos em altas árvores, ensinavam-lhes a trepar…
A vida simples mantida pelos recursos que a natureza lhe proporcionava, levava o homem primitivo a obedecer àquela lei da fisiologia. “o movimento continuado e repetido desenvolve os órgãos e aperfeiçoa as funções” – o caráter utilitário do exercício!...
A partir de 2000 anos a.C., pelas pinturas e desenhos encontrados, se podem reconstruir as atividades físicas que figuravam entre os costumes das várias povoações: exercícios gímnicos, arco e flecha, corrida, salto, os arremessos, a equitação, esgrima, a luta e boxe, a natação, o remo, corridas de carros, danças, traduzem a intensa exercitação na civilização egípcia.
Os Hebreus manejavam com destreza o arco e a flexa, arremessavam a lança, brandiam a espada usando gritos ensurdecedores antes de atacar, quer para elevar a moral, quer para atemorizar os adversários.
Entre os Persas e segundo Heródoto, ensinavam-se fundamentalmente três coisas às crianças: montar a cavalo, atirar o arco e dizer a verdade.
Na antiguidade clássica merece-nos importância especial a civilização Espartana, cujo objetivo era formar soldados corajosos, valentes que defendessem galhardamente a Pátria. Por isso, o exercício era exclusivamente destinado a fortalecer corpos robustos para a guerra, não esquecendo de selecionar um conjunto de atividades tendentes a formar mães fortes, para gerar filhos fortes para o combate.
Por outro lado, a civilização Ateniense distinguia alguns princípios: o corpo deverá subordinar-se à alma racional (não devemos esquecer que a alma racional para Platão, é substância completa, espírito puro, anterior ao corpo, com o qual se une acidentalmente). A atividade física deverá proporcionar saúde, força e beleza, com nítidas preocupações higiénicas, estéticas e recreativas.
É importante referir (estamos agora em 460 a.C.), o método de Hipócrates, o médico mais notável da antiguidade. Contemporâneo de Platão e Aristóteles, criou um método e cura de doenças, que até podemos chamar de pré-científico, pois prescrevia a corrida como um meio curativo: “Esta far-se-ia sobre a ponta dos pés e com balanço alternado dos braços. Integrava ainda a dieta, banhos frios e a vapor como forma terapêutica e dietética”.
Na civilização grega, com o uso de grandes jogos e festivais, as práticas físicas e desportivas foram um dos fatores mais importantes para a unificação da Grécia. Dentro de todos os jogos, merece-nos referência os Olímpicos, realizados em Olímpia em honra de Zeus, dedicados à força e beleza física do homem. Realizavam-se de 4 em 4 anos, começando por durar 1 dia e mais tarde 5 dias, cujo vencedor recebia uma coroa de oliveira, sendo-lhe permitida a entrada pela porta secreta da cidade, erguendo-se-lhe uma estátua.
Conta-se o ano de 776 a.C. como sendo a data da primeira olimpíada e o ano 303 da era cristã a suspensão dos jogos pelo imperador romano Teodósio, como oposição ao exclusivo do corpo e dos deuses e como antítese do cristianismo.
Seguindo no tempo, entramos na civilização romana. Para as atividades físicas, efetua-se a construção de anfiteatros, onde as lutas de gladiadores e os combates com feras tinham lugar. O regresso dos legionários e a consagração pelos seus desempenhos, o abandono dos campos devastados, tomou Roma com uma elevada população esfomeada, que insistentemente pedia pão e circo.
Importa referir nesta época, Galeno, médico estudioso da obra de Hipócrates. Aplicou a educação do físico à medicina, criando a ginástica médica (129-199 d.C.). Dizia: “A cada indivíduo, segundo as suas caraterísticas, deveria corresponder um conjunto de exercícios também específico”. Para ele era muito importante associar o termo saúde ao prazer do movimento!...
Como vemos na distância do tempo o anunciar das causas de bem realizar o exercício que ainda hoje, infelizmente, tantos exemplos de flagrante ataque à saúde de quem ultrapassa a regra de ouro: em termos de exercício e atividade física fazer o que não deve ser feito ou fazê-lo de forma inapropriada são males do mesmo tamanho!...
(Continua)"

Fever Pitch - João & Juanjo... Itália!