Últimas indefectivações

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

A Ordem Natural das Coisas

"Se há coisa de que os treinadores não gostam é de jogos que ganham vida própria, que se emancipam dos planos longamente congeminados durante uma semana e começam a voar em círculos imprevisíveis de anarquia e caos a que o talento de certos jogadores vem devolver alguma ordem. Quando um jogo se torna anárquico impera quase sempre o talento individual. E os treinadores têm horror a confiar numa variável tão volátil. Sobretudo os pragmáticos, como é o caso notório de Fernando Santos.
Lembram-se daquele jogo contra a Hungria no Euro-2016, que acabou empatado a três e nos valeu uma passagem pouco gloriosa aos quartos de final? Quase no fim, o seleccionador reforçou o meio-campo com Danilo para segurar o empate, mesmo que um golo húngaro nos pusesse no voo de volta a Lisboa. Fernando Santos justificou-se: “Não sou maluco.” No final da partida, o capitão Ronaldo descreveu assim os noventa minutos: “foi um jogo de loucos.” Indiferente à pragmática sanidade do treinador, o futebol jogado seguiu o seu próprio caminho de loucura e, no final, loucura e racionalidade convergiram e Portugal lá avançou com o credo na boca.
Não há como negar o sucesso da abordagem santista. Os dois títulos conquistados falam por si. Além disso, Fernando Santos tem toda a razão quando diz que é muito difícil ganhar a esta equipa. Não se esperem revoluções tácticas da cabeça do engenheiro, não se espere um futebol de encantar, não se espere nada a não ser o desespero dos adversários por não conseguirem desmoronar por completo uma estrutura que, não raras vezes, abana que se farta. Vi o jogo da Holanda com a Alemanha que os holandeses venceram por 4-2. Ora, há pouco mais de dois meses esta renovada laranja foi incapaz de derrubar a nossa selecção. Não é apenas sorte, há ali método. E quando o método não chega, aparece o talento individual, um Bernardo, Um Ronaldo, um São Patrício. Ou a sorte.
Veja-se o jogo contra a Sérvia. A primeira parte decorreu numa toada amena e um tanto aborrecida, menos um jogo de futebol do que uma transposição quase exacta dos apontamentos do seleccionador para o relvado. A certa altura, a posse de bola estava nos 70/30 favoráveis a Portugal e as balizas eram elementos meramente decorativos. De vez em quando, os sérvios aproveitavam o original sentido de posicionamento de Nélson Semedo para causar algum perigo, mas toda a gente sabe que a exibição dessas vulnerabilidades funciona como uma espécie de engodo que atrai os adversários e acaba por os expor a ferroadas letais, mesmo que estas sejam aplicadas pelo menos letal dos jogadores, como é William Carvalho. No fim da primeira parte, o jogo estava tão parecido com Fernando Santos que só lhe faltava um crucifixo ao peito e um terço no bolso.
Já a segunda parte, para desespero do seleccionador, ganhou vida própria. Não enlouqueceu por completo, como aquele jogo contra a Hungria, mas teve os seus desvarios. A selecção, com menos bola e mais dentes, mostrava-se mais aventureira e também mais propensa ao erro. A diferença é que dois dos erros foram aproveitados pelos sérvios para marcar dois golos e o pragmatismo de Santos teve de confiar nos poderes sobrenaturais do talento individual. Quando a equipa tremeu, quando o jogo ficou meio louco, surgiu resplandecente e salvífico o pé esquerdo de Bernardo, um jogador tão bom que prospera em qualquer ambiente, seja o do rigor maníaco de Guardiola, o da ordem espartana de Santos ou o do alegre caos para onde certos jogos inevitavelmente resvalam. Quando o jogo fica partido, é o pé esquerdo de Bernardo que cola os cacos, com o auxílio de uma trupe de artistas de sapatinhos de veludo e meiazinhas de algodão.
Até Ronaldo parece ser apenas mais um, mesmo que um especial. Nem o problema que foi para alguns seleccionadores, nem a única solução que foi noutras ocasiões, o capitão joga mais leve. Mérito também de Fernando Santos que conseguiu resolver a dificílima equação que atormentava o país futebolístico: como aproveitar todo o talento e eficácia de Ronaldo sem comprometer o equilíbrio da equipa? Dizem as estatísticas que Ronaldo nunca marcou tanto na selecção como na era Fernando Santos e esses golos, 39 ao todo, não foram estéreis, ajudaram a conquistar os tais dois títulos. Nas conferências de imprensa, Santos não perde uma oportunidade de afagar o ego da sua estrela, sublinhando o seu estatuto de primus inter pares. Mais do que um estratega, revela-se um jardineiro cuidadoso sempre preocupado em verificar a temperatura emocional da estufa para que a sua flor mais preciosa não definhe por falta de mimos. Se não é a quadratura do círculo, anda lá perto.
Como bom pragmático, Fernando Santos tem sólidos princípios de que não abdica. Um deles, talvez o mais importante, é o princípio de que nenhum princípio é mais importante do que o resultado. Ele sabe que quando um jogo enlouquece o melhor é não o contrariar e deixar que seja o talento dos jogadores a repor a ordem natural das coisas que ele tanto aprecia."

MC Almeida !!!

Extraordinária recepção

"A forte implantação do Benfica na África Lusófona é impressionante e sobejamente conhecida, demonstrando inequivocamente que o benfiquismo é imune à distância. No caso particular do povo cabo-verdiano, a intensidade com que sente e vive a paixão pelo Benfica é inspiradora e imensamente gratificante.
A comitiva benfiquista, liderada pelo Presidente Luís Filipe Vieira, sabia ao que iria quando iniciou a visita a Cabo Verde na passada sexta-feira. No entanto, apesar da convicção generalizada de que seria alvo de uma calorosa e muito participada recepção, a forte presença e o enorme entusiasmo dos muitos benfiquistas nas imediações do aeroporto internacional da Praia superou as já elevadas expectativas.
O banho de benfiquismo comoveu todos os que o viveram e esse sentimento perdurou nas horas e dias seguintes. O cortejo, desde o aeroporto ao hotel, mais pareceu as ocasiões em que os cabo-verdianos celebram títulos do Clube, tal foi a presença e espírito festivo dos milhares de benfiquistas que acompanharam a nossa comitiva nesse trajecto. O mesmo se passou nos eventos programados e em ocasiões espontâneas. O Benfica é o maior e o mais amado clube na África Lusófona e a sua grandeza saiu reforçada de Cabo Verde.
A onda vermelha invadiu a Praia, em mais um exemplo indubitável de que, como cantam os nossos adeptos, “o Benfica é maior que Portugal”. Ulisses Correia e Silva, primeiro-ministro de Cabo Verde, resumiu brilhantemente a magnitude do benfiquismo: “O Benfica é o embaixador maior de Portugal no mundo.”
Neste périplo, o Benfica foi recebido pelo primeiro-ministro de Cabo Verde no Palácio do Governo, o qual agraciou o Clube com a Medalha de segundo grau de Mérito desportivo pela História e pela dimensão que emprega junto dos países que compõem a CPLP.
Foi também recebido na Sala do Munícipe nos Paços do Concelho da cidade da Praia pelo presidente da edilidade, Óscar Santos. Houve igualmente um encontro com a Embaixadora de Portugal no país, que se mostrou impressionada por ver ao vivo “esta paixão pelo Benfica”. Houve a visita à sede do Clube Desportivo Travadores, uma das nossas delegações espalhadas pelo mundo. Luisão teve oportunidade de dar uma palestra subordinada ao tema “Vontade de vencer” na Universidade de Cabo Verde. E, finalmente, foi inaugurada oficialmente a Casa do Benfica da Praia, situada no largo Eusébio da Silva Ferreira, no bairro da Achada de Santo António, o maior da capital de Cabo Verde. 
As instalações da nossa Casa foram insuficientes para acolher todos os benfiquistas interessados em participar no evento. Os cerca de dois milhares que se deslocaram à sede do benfiquismo na Praia tornaram o evento inesquecível e reforçaram a convicção de que o futuro será risonho para a primeira Casa do Benfica 2.0, um conceito de Casa mais amplo – social, desportivo, educacional e cultural – e que começa agora a dar os primeiros passos.
E Luís Filipe Vieira deixou uma promessa que muito entusiasmou e orgulhou os benfiquistas em Cabo Verde: nas comemorações do 38, “que tudo faremos para que seja já no final desta época”, a equipa deslocar-se-á ao país para celebrar o título. Estamos certos de que será uma réplica do Marquês no Atlântico!
Por fim, hoje cabe-nos igualmente destacar a conquista da Supertaça pela nossa equipa feminina de futebol, imensamente apoiada pelos muitos benfiquistas presentes no Estádio João Cardoso, em Tondela.
O golo extraordinário de Pauleta foi suficiente para garantir a vitória ante o Braga, o campeão nacional em título, numa partida em que a nossa equipa foi a melhor e mereceu o triunfo. Desde a estreia, na temporada passada, ganhámos todos os títulos e troféus disputados: Campeonato Nacional da 2.ª Divisão; Taça de Portugal; Supertaça.

P.S.: Saudamos também a excelente vitória obtida pela Selecção Nacional na Sérvia e fazemos votos para que amanhã, terça-feira, na Lituânia, continue na senda dos triunfos."

Benfiquismo (MCCLXXXVII)

Balde de água fria!!!

1.º Supertaça

Braga 0 - 1 Benfica
Pauleta


Grande vitória, com um golo monumental...
Não foi fácil, as ausências da Geyse e da Tayla foram importantes... juntando-se ainda a Ana Vitória que começou no banco, porque tem estado lesionado! São três jogadoras, das mais influentes da equipa, nos três sectores: defesa, meio-campo e ataque!!!

Mesmo assim fomos justos vencedores. No 1.º tempo, podíamos ter 'ganho' uma vantagem considerável, e ao intervalo estava 0-0: penalty falhado, penalty não assinalado.golo mal anulado, tudo no 1.º tempo!!!
O golão apareceu no arranque do 2.º tempo, pouco depois a Cloe 'arrancou' o 2.º amarelo a uma adversária, parecia que a jogar contra 10 poderia ficar mais 'fácil', mas faltou 'pernas' na parte final: o Braga já fez vários jogos oficiais esta época, na Europa, enquanto para o Benfica, este foi o primeiro jogo oficial da nova temporada!!!

Quem acabou por ser decisiva, foi a Dani Neuhaus, que fez um par de grandes defesas (muito criticada o ano passado, a Dani tem de facto dificuldades nos Cruzamentos, mas entre os postes, tem muita qualidade). Uma nota para a jovem Ana Seiça de 19 anos (em condições normais a nossa 4.ª Central), que com a lesão da Raquel Infante, entrou para segurar o resultado... As contratações Nycole e a canadiana Cloe jogaram muito bem... Foi pena a Lúcia Alves só ter entrado no final, porque tem muita qualidade...

Como não podia deixar de ser, palavras completamente aparvalhadas do treinador do Braga no final, num jogo onde foi claramente beneficiado, mas mesmo assim, o mau perder com o anti-Benfiquismo primário, deixa qualquer um, estúpido dos cornos!!!
Por falar em anti-Benfiquismo primário, o Canal 11 deixou mais uma prova, de como a FPF não tem vergonha nenhuma: tanto os comentários, como a Realização foi absolutamente vergonhosa!!!

PS: No Basket voltámos a vencer hoje, desta vez ao Gran Canária, outra equipa da principal divisão Espanhola, mesmo com algumas ausências!!!
83-77 (23-13, 17-19, 19-23, 24-22)
O Gran Canária mesmo assim, acabou de vencer o Torneio devido à diferença de pontos!!!
Micah(26), Barroso(18), Murry(14), McGhee(8), Lima(7), Delgado(4), Lisboa(4), Hallman(2), Betinho, Slutej
Como escrevi ontem, apesar do potencial do plantel anda tenho 'dúvidas'. Ofensivamente, temos muito para melhorar, com demasiadas acções individualizadas... O Betinho, por exemplo, tem que ter outra atitude!!!
O Benfica publicou hoje a informação médica sobre o Coleman: sofreu uma contusão no ombro.
Seria importante estar recuperado, para o jogo Europeu, na Terça, 17 de Setembro, na Luz, antes do confronto como Leipzig para a Champions!

domingo, 8 de setembro de 2019

Sonhar com a reconquista

"Cristiano Ronaldo, Gonçalo Guedes, Bernardo Silva e, também, João Félix mostraram a nossa qualidade no ataque

1. Ontem em Belgrado vencemos com justiça e demos um passo importante para a qualificação directa para o Europeu de 2020. Portugal e a Ucrânia serão os dois primeiros classificados do grupo. Somos bem melhores que a Sérvia e em Belgrado mostrámos que o somos. Cristiano Ronaldo, Gonçalo Guedes, Bernardo Silva e, também, João Félix mostraram a nossa qualidade no ataque. Foi, aliás, uma selecção que soube reagir aos golos sofridos e com Bernardo Silva a ser o maestro. Agora em Vilnius, a capital da Lituânia, espera-se uma nova vitória, alguns golos e o empurrão definitivo para o Europeu onde temos de defender o título conquistado em Paris. Europeu que pode mostrar à Europa, para além da excelência de Cristiano Ronaldo, um conjunto de talentos de excepção e que nos levam a sonhar com uma impressionante reconquista. Para já caminhamos para fazer dezassete pontos. E depois ir vencer à Ucrânia. Mas terça-feita vencer claramente a Lituânia. E eu lá estarei a puxar por Portugal e a cantar com toda a Selecção o nosso hino. É um regresso a Vilnius, 33 anos depois. E como a Europa mudou. E como Portugal e o nosso futebol de projectos se afirmou!

2. Este Europeu de 2020 realiza-se a partir de 11 de Junho - com o jogo de abertura no Olímpico de Roma - e vai ser disputado, como forma de comemorar os seus 60 anos, em doze cidades da Europa, diria que dá grande Europa. Londres, que vai acolher a final e as meias-finais, recebe outros quatro jogos. Os mesmos que receberão as outras onze cidades: Baku, Bucareste, Budapeste, Dublin, Glasgow, Copenhaga, Amesterdão, Munique, São Petersburgo, Bilbau e naturalmente Roma. E o futuro Grupo A terá duas cidades sedes, Baku e Roma. Como o grupo F se disputará em Munique e em Budapeste. Vai ser um Europeu que acompanha o conceito de grande Europa tal como ocorre com a UEFA. Acolhe a Turquia e Israel como acontecia com a imensa URSS que, aliás, foi a primeira vencedora do Europeu. E num tempo que a França liderava e em que a Inglaterra não queria ficar para trás! Basta recordarmos que na década de 50 do século passado o jornal Daily Mail afirmava que o campeão Wolverhampton seria o melhor clube do mundo já que havia vencido o Honved de Budapeste, o clube do imortal Puskás, bem como o Spartk Moscovo. O certo é que no momento já há selecções claramente apuradas para este Europeu singular: Itália, Bélgica e Espanha. E outras com o caminho bem aberto, como a Ucrânia, a Irlanda, a Rússia, a Polónia e a Finlândia. E com a Alemanha e a Holanda a disputarem com a Irlanda do Norte no grupo C uma posição nos lugares de directo acesso. E o sorteio é já a 30 de Novembro! Para as vinte selecções directamente apuradas. Depois, mais tarde, as últimas quatro vagas serão apuradas através dos play-offs da Liga das Nações. Competição que claramente superou, e muito, as expectativas! E que, com méritos e sabedoria, conquistámos! E guardamos na Cidade do Futebol o primeiro troféu. Tal como comemorámos o primeiro Europeu. De 1960 a 2020 a Europa mudou e muito. E, acredito, vai mudar nos próximos meses. Mas a grande Europa do futebol aí está. Ontem como hoje!

3. Hoje disputa-se em Tondela, no Estádio João Cardoso, a Supertaça de futebol feminino que oporá o campeão Sporting de Braga ao vencedor da Taça de Portugal, o Benfica. Arranca, assim, e em termos oficiais, a época 2019/2020 e o Benfica tem todas as condições para lutar pelo título de campeão! Esta opção do Benfica, na linha do que acontece com os grandes clubes da Europa, reflete os novos tempos do futebol. A atractividade do futebol feminino e a afirmação da igualdade de género. A aposta em novos públicos e nas suas disponibilidades para outros consumos. O Benfica, com uma aposta em jogadoras experientes e em jovens talentos, também aqui marca a diferença e antecipou, e bem, os novos tempos do futebol europeu e mundial. A sua estrutura merece um aplauso pela visão e pela aposta. Sem que se aplauda a resistência e a persistência, por exemplo, do Futebol Benfica. O Fofó, merece, tal como em outro momento o 1.º Dezembro ou ainda o Valadares, entre outros, um reconhecimento especial. Sabendo bem, desde Aristóteles, que «o reconhecimento envelhece depressa». O que importa é no final da tarde deste domingo ligar o canal 11 e ver a Supertaça de futebol feminino!

4. Permitam duas notas finais. Que para mim são, em parte, sentidas recordações. Num tempo da minha vida a Academia levou-me a Cabo Verde e a Moçambique. Percebi forte ligação a Portugal, ao nosso futebol e, no meu caso, ao Benfica. Na Praia comprava este jornal aos jovens que o apregoavam, regressando, num ápice, à minha infância em Viseu e à voz do Senhor Fontes! A alegria e a fé clubística que Luís Filipe Vieira está a sentir em Cabo Verde mostram que o futebol aproxima e que o Benfica é uma das grandes marcas da lusofonia. E um dia antes, no Maputo, o Papa Francisco, ao apontar o nosso saudoso Senhor Eusébio da Silva Ferreira como «exemplo de sonho e perseverança» mostrou-nos, uma vez mais, que o futebol é exemplo e encontro, partilha e conquista, diferença e humanidade. E levou-me a um fantástico livro de César Maurício Velásquez, Futebol com Alma, e que nos ajuda a perceber uma relação entre o futebol e a religião. E em que a fé e a transcendência se aproximam mas não se confundem. Mas o que ficou foi a recordação sentida do Papa Francisco - adepto assumido do San Lorenzo de Almagro - do nosso saudoso Eusébio! E com essa recordação motivou-nos para uma oração. E como escreveu Novalis «rezar é criar religião»!"

Fernando Seara, in A Bola

Ensinamentos chineses

"Não se deve forçar o crescimento, puxando para cima. Adaptável, pois, aos cereais e aos jovens atletas

Não tagarelas, ó tagarelas
1. Discurso de Chuang-Tse:
«Sempre a dispersar a tua força espiritual.
Sempre a desperdiçar a tua energia essencial.
Sempre a tagarelar apoiado contra uma árvore».
Tagarelar como um desperdício de forças. Tagarelar: falar sem objectivo, sem um sentido. Desperdiçar energia atirando palavras para o lado.
Falar é gastar respiração, é cansar-se. Cansar-se sem objectivo: tagarelar.
Os pulmões dos tagarelas não param de inspirar e expirar a rotações aparentemente aceleradas, mas afinal num quase ponto morto. Sem qualquer avanço.
Os pulmões dos tagarelas ao raio-x são mais assustadores que os pulmões dos fumadores.

Não sintas, ó 'sentidor'
2. Para preservar a «energia essencial», o Tao chinês via filosófica e espiritual, aconselha um «jejum do coração, não consumir o coração, não o colocar em movimentos demasiado sentimentais.
Suspender, portanto, os sentimentos. Hipóteses para jejum do coração.
Para poupar energia: não sintas.
De tempos a tempos, portanto, além do jejum alimentar e da abstinência sexual que muitos métodos de endurecimento físico aconselham, eis mais um jejum a acrescentar aos métodos de fazer forte um ser humano: o jejum do coração.

Não puxes, ó puxador
3. Deixar crescer quem está a crescer.
Mêncio, aquele que é considerado um filho espiritual de Confúcio. Em vez de falar de conceitos contra histórias.
Gosto desta história, que aparece em História do pensamento chinês de Anne Cheng:
«Um homem de Song, desolado por não ver os brotos (plantas jovens, ainda a formarem-se) da sua plantação crescerem com bastante rapidez, teve a ideia de os ajudar dando-lhes um puxão».
Mais tarde esse homem entrou em casa e disse que estava bem exausto porque «tinha ajudado a plantação de trigo a crescer», puxando os brotos para cima. O filho saiu a correr para ver a plantação «e percebeu que brotos arrancados já haviam secado». Não chegariam a adultos.
Há uma conclusão magnífica de Mêncio:
«No mundo são ratos os que não ajudam brotos a crescer». Ou seja, são muitos os precipitados.
E depois diz: é certo que não se deve abandonar o crescimento dos cereais à sua sorte, ou seja: deve proteger-se quem está a crescer, proteger o que é jovem das intempéries, das agressões de alguns animais, etc. No entanto, também não se deve forçar o crescimento, puxando. Crescer não é um efeito de acção humana.
Crescer é algo natural. Ninguém fica mais alto fisicamente por ser puxado pelos cabelos ou esticado à força. É preciso respeitar os dias e a sua passagem. A natureza como aquilo que, precisamente, resiste à ansiedade humana.
Adaptável, pois, aos cereais e aos jovens atletas.

Como se governar
4. Governar um país - ou uma autarquia ou uma equipa.
Os ensinamentos de Confúcio e as suas prioridades.
Diálogo entre aprendiz e mestre:
«Zigong: o que é governar»
O Mestre: É velar para que o povo tenha alimentos suficientes, armas suficientes e assegurar a sua confiança.
Zigong: E se fosse necessário renunciar a uma destas três coisas. Qual seria?
O Mestre: As armas.
Zigong: E se tivéssemos que abdicar de uma segunda coisa. Qual das duas seria?
O Mestre: Renunciaríamos aos alimentos. Desde sempre os homens estão sujeitos à morte: mas um povo sem confiança será incapaz de sustentar-se».
Com confiança, o homem procurará alimentos no caso de eles falharem.
Sem confiança, deixará apodrecer os alimentos que lhes restarem."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

Deixa jogar

"A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) tem por principal objecto promover, regulamentar e dirigir, a nível nacional, o ensino e a prática do futebol e, em especial, cabe-lhes, entre outras atribuições, desenvolver o futebol no território português, de acordo com o espírito desportivo, valores educacionais, materiais, culturais e humanitárias, através de programas de formação e desenvolvimento dos diferentes agentes desportivos, prevenir as práticas que possam prejudicar o futebol e observar e fazer cumprir os princípios da lealdade, da integridade e do desportivismo de acordo com as regras do Fair Play (artigo 2.º dos seus Estatutos). Estatutos da FPF (artigo 3.º) o princípio na neutralidade e não discriminação.
Dentro deste contexto estatutário, e com «o claro propósito de fomentar o fair play, quer dentro das quatro linhas, quer fora delas», a FPF lançou esta semana o movimento #DeixarJogar, de modo a incentivar os bons comportamentos e combater os fenómenos de violência verbal ou física no futebol, consciencializando «os encarregados de educação e público em geral para os efeitos nocivos dos mesmos».
Com efeito, os pais e responsáveis pelos menores que praticam desporto têm um papel fulcral na passagem de mensagens positivas, que são as únicas que devem estar associadas à prática de qualquer modalidade. Tal desiderato só é atingindo plenamente através do exemplo.
Não esqueçamos, nunca, que o direito ao desporto é um direito fundamental e que a prevenção da violência no desporto é uma incumbência do Estado, especialmente, prevista no artigo 79.º da Constituição."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

A importância de Gabriel a régua e esquadro

"Gabriel Appelt Pires dispensa os apelidos em contexto profissional. Como Cher, basta o primeiro nome para o reconhecimento geral, enquanto que tal como o homónimo, O Pensador, constrói os melhores versos do futebol benfiquista. Gabriel inspira-se na música para explanar todo o seu talento nos relvados e para construir uma marca própria de qualidade comprovada, a cada jogo na Luz.
Com 18 anos, e enquanto sambava pelos relvados do Cariocão com a camisola do Resende FC, a Juventus aparece na sua vida. Os italianos aparecem aos portões d’O Trabalhador com uma proposta choruda: dois milhões de reais para levar Gabriel e o irmão, Guilherme.
O dinheiro chega e apenas a burocracia impede o segundo de seguir viagem, deixando o jovem Gabriel à mercê do seu futuro: a adaptação não corre bem, a carreira vai-se pautando por uma enchurrada de empréstimos na Série B, sem perspectivas de evolução durante 4 anos. O histórico Pro Vercelli foi o primeiro a acolher o garotão, seguido por Spezia, Pescara e Livorno, até o Leganés se chegar à frente.
É nos arredores de Madrid que Gabriel explode definitivamente para o futebol de alto nível, fruto da aposta de Asier Garitano. Os métodos do actual treinador da Real Sociedad elevaram o jogo de Gabriel a outro nível, que motivou a mudança para Portugal a troco de quase 10 milhões de euros no Verão passado.
A presença de Gabriel no onze titular do Benfica é sinónimo de sucesso: na Liga NOS, dos 17 jogos em que foi utilizado, 15 contam-se por vitórias e os 2 restantes por empates. Com ele em campo, em território nacional, o Benfica perde apenas em Alvalade e em Braga, frente ao Porto, na meia-final da Taça da Liga. São 27 jogos, 23 vitórias. A disponibilidade física de Gabriel, aliada à sua elevada qualidade técnica e forte sentido tático, fazem dele a peça essencial na máquina de Bruno Lage, onde assenta arraiais no duplo-pivot, ora acompanhado pelos recuperadores de bolas Samaris e Florentino. 
O seu papel preponderante na transição defensiva e na reacção à perda da bola reflecte-se depois no bom funcionamento atacante, como comprovam os 69 golos marcados com ele campo nos 27 jogos nacionais, traduzindo-se numa média de 2,5 golos por jogo.
E se em contexto nacional é notório o peso do centrocampista na equipa, na Europa o caso muda de figura. Na caminhada nada famosa de 2018-19, Gabriel foi titular nos jogos decisivos ás aspirações encarnadas, não obtendo por isso um bom score.
Se Rui Vitória preferiu a titularidade de outros intervenientes nas vitórias contra o AEK, em Amesterdão e Munique sentiu a obrigação de utilizar o seu melhor médio: Gabriel é peça no tabuleiro encarnado na luta pela qualificação, não conseguindo evitar a derrota tardia na Holanda ou o descalabro alemão. Dessa forma, e com a rotatividade imposta por Bruno Lage na prova secundária, a estatística de Gabriel é francamente pobre em contexto internacional.
O seu principal handicap enquanto atleta de alta competição passa pela sua apetência para lesões, onde só no Benfica já perdeu 14 jogos, divididos em fases distintas. Os seus joelhos já se manifestaram por duas vezes, com a mais problemática sendo já em Portugal.
A lesão do final da época passada levou-o a ficar de fora por nove jogos, ficando assim excluindo da fase de todas as decisões, numa altura que se sentiu sobremaneira a sua ausência no miolo. Mas é no principio da aventura europeia que o seu corpo se ressente mais, com duas graves lesões em Itália. O perónio de Gabriel manifesta-se primeiro ao serviço do Pro Vercelli, onde fica de fora três meses, para um ano depois voltar ao mesmo martírio.
Com toque de bola diferenciado e fruto das aprendizagens tácticas em Itália, Gabriel tem em 2019-20 a oportunidade de se assumir fora de portas, a nível Champions, como médio de eleição. O sistema onde está inserido é o ideal para a sua forma de jogar. Lage não vê nele um box to box, como o via Rui Vitória, mas antes o arquitecto de todo o projecto que, nas palavras da direcção, se intitula de Benfica Europeu."

Ferro na Bola TV

Os momentos mais loucos da história do Benfica!

'Docte Ignorance' desportiva

"O desporto impregna profundamente a vida quotidiana dos homens e das mulheres do século XXI. Divertimento aristocrático na origem, a prática desportiva conheceu, desde o século XIX, um crescimento prodigioso e continua a ser um dos fenómenos sociais mais marcantes da nossa época. A sua prática democratizou-se amplamente e envolve quase todos os indivíduos.
A actividade desportiva não tem o mesmo significado para todos. Cada indivíduo carrega consigo o seu temperamento, as suas possibilidades, as suas exigências pessoais. Ele dá um conteúdo original ao desporto e isso traduz-se: nas intenções, pela vontade de ultrapassar os seus limites; e na intensidade, por uma preparação, uma participação nas lutas desportivas e um esforço que varia segundo cada um. Trata-se, bem entendido, de envolvimentos na disciplina escolhida e no desejo de progredir.
O bem-estar e os perigos não são idênticos para todos. O desporto de alto rendimento distingue-se do desporto de massas. Para a sua elite, e para aqueles que se esforçam por o ser, a actividade desportiva exige um compromisso de todo o ser, uma disciplina a cada momento. Ele ocupa os pensamentos e orienta a maior parte das acções. O desporto favoriza as qualidades naturais e permite a afirmação da personalidade, ele revela o seu próprio valor. Ele é factor de promoção, pelo que a sua essência é a procura da performance, do resultado, uma vontade de se ultrapassar levada ao extremo. Para a massa, esta vontade existe, mas ela não é atingida pela mesma permanência, porque o atleta “amador” é submetido a obrigações que preenchem o essencial da sua vida. Apenas consagra à sua prática desportiva de eleição uma parte, mais ou menos grande, do seu tempo de lazer.
Em Portugal, fala-se muito de desporto, mas pratica-se pouco. E quando se fala dele os equívocos proliferam. Existe uma certa “docte ignorance”, como dizia o teólogo Nicolas de Cues (2013[1440])."

João Marreiros e o desporto escolar

"No polifacetismo da vida nacional, não são muitos os livros, para o grande público, versando o tema “Desporto Escolar”. E escrito por figura de relevo, em Portugal e Espanha, sobre este mesmo tema. De facto, Doutor Europeu em Rendimento Desportivo, pela Universidade da Extremadura (Espanha), com distinção e louvor por unanimidade; professor associado no Instituto Superior Manuel Teixeira Gomes; arguente de mestrados e doutoramentos, em Espanha e Portugal; tendo já atribuído diversos pareceres para Doutoramentos Europeus; dedicando especial atenção ao estudo do olimpismo e do desporto escolar, colaborando, frequentemente, na Imprensa, com artigos que constituem um caminho racionalmente inteligente e digno – João Marreiros acaba de publicar, pelas Edições Cosmos (uma Editora que tem História, na História da Cultura, em Portugal) o livro Desporto Escolar – a influência motivacional no contexto da sua prática, a nível Histórico, Jurídico e Político. Como pessoa, é de uma bondade desarmante e de uma exemplar formação moral, sempre renascente, em todas as circunstâncias. Revejo o seu currículo e há, em todo ele, seja o que for que me atrai. Talvez porque se sinta conciliado consigo mesmo e transmita, por isso, a quem o procura uma inalterável pacificação interior. Foi atleta internacional, nas disciplinas de salto em comprimento e triplo-salto, treinador, juiz e árbitro de atletismo e é professor, escritor, colaborador da imprensa, mas nenhuma ambição o domina, nem nenhum constrangimento o submete, (parece e é, assim o penso) um homem inteiramente livre. Neste seu livro, sobre o desporto escolar, uma preocupação o tomou: “que não é possível haver separação da Educação Física como disciplina curricular do Desporto Escolar, como actividade extra-curricular, pois são dois momentos de um mesmo tempo e espaço. Nas aulas de Educação Física deve iniciar-se o processo de formação desportiva e no Desporto Escolar colocar a prática desportiva ao alcance da maioria dos alunos, de ambos os sexos, de cada turma, por anos de escolaridade, de acordo com as suas capacidades e interesses” (pp. 13/14).
Começa João Marreiros o seu livro, assinalando, com toda a justiça, o pioneirismo da Casa Pia de Lisboa, no nosso país, no desenvolvimento desportivo, em contexto escolar. “Criada a Casa Pia de Lisboa, no reinado de D. Maria I (1734-1816), no contexto dos problemas sociais, decorrentes do terramoto de 1755, que devastou a cidade de Lisboa, foi assim fundada a Casa Pia de Lisboa, por iniciativa do Intendente da Polícia da Corte e do Reino, Diogo Inácio de Pina Manique (1733-1805), com a sua inauguração, no dia 3 de Julho de 1780 e efectiva abertura, em 29 de Outubro desse mesmo ano, provisoriamente no Castelo de S. Jorge. A instituição, de ajuda social, recebia crianças órfãs e abandonadas, além de mendigos e prostitutas, em sectores diferenciados (…). A prática do Desporto, na Casa Pia, desempenhava, nos alunos, um papel altamente motivador. Era vivido sempre com muita alegria, era um alfobre de atletas e uma escola perfeita de iniciação para qualquer modalidade desportiva” (p. 17). O Desporto é uma árvore que vinga ou definha, mediante uma trama de factores que lhe apontam um destino e lhe anunciam um rosto. E, na Casa Pia de Lisboa, desde 1782, ano em que a Educação Física entrou de ser ministrada, nesta instituição, nunca ao Desporto faltou espaço para desenvolver-se e estudar-se. Será de referir que, em 1820, foi a Academia Real das Ciências que, após uma densa e labiríntica pesquisa, elaborou o programa escolar desta instituição e propôs que se ensaiasse, na Casa Pia, uma Escola Nacional de Educação Física, ideia que não se concretizaria. Só em 1833 se realizou a transferência da Casa Pia do Convento do Desterro, para o Mosteiro dos Jerónimos, onde o recreio dos alunos se situava, em amplos claustros, os quais permitiam também a prática de alguns jogos. Um ano depois, aproveitando os largos e longos espaços do Mosteiro dos Jerónimos, nele se criou o primeiro Ginásio de que há conhecimento, em Portugal. Em 1836, de acordo com o paradigma biomédico, edita-se o primeiro livro de Educação Física, em língua portuguesa. E, entre 1833 e 1855, a Casa Pia iniciou, no nosso país, o ensino da ginástica, como matéria escolar.
Saltando sobre datas, com acontecimentos de assinalável relevo e a soma de circunstâncias, experiências e motivações confluentes que os originaram, realcemos agora, o ano de 1905 – o ano em que o Governo decretou a obrigatoriedade da Educação Física, nos liceus. Pelo Decreto 21106, de 16 de Abril de 1932, o Estado Novo, reaccionário até ao tutano, proibiu o Desporto, nas Escolas Públicas. Em 1936, o Decreto-Lei nº. 26611 institui a Organização Nacional da Mocidade Portuguesa. Quatro anos depois, o Decreto-Lei 30279, de 23 de Janeiro cria o Instituto Nacional de Educação Física. O artº. 3º. deste diploma determina que “estabelecer-se-á um regime de efectiva colaboração entre o INEF e a Mocidade Portuguesa”. Em 10 de Junho de 1944, realizou-se a inauguração oficial do Estádio Nacional, com a presença do Presidente da República, general António Óscar de Fragoso Carmona e do Presidente do Conselho de Ministros, Doutor António de Oliveira Salazar. A influência da Revolução dos Cravos, desaparecidas as razões de constrangimentos vários, típicos de uma ditadura, descobre-se no Decreto-Lei 694/74, de 5 de Dezembro: “Pelo Decreto-Lei nº. 82/73 foi definido um novo estatuto da Direcção-Geral da Educação Física e Desportos, que passou a ter poderes orientadores sobre o ensino da educação física e sobre o desporto escolar. Este estatuto repetia uma experiência já tentada, através da Mocidade Portuguesa e cujos resultados se podem considerar catastróficos”. A História atravessa o Desporto (e o Desporto Escolar) com um impetuoso caudal de interferências e, nos anos lectivos de 2007/2008 e 2008/2009 “apareceu, pela primeira vez, um Programa Bianual para o Desporto Escolar. No ano de 2008/2009, o Ano Escolar foi tornado obrigatório, em todos os estabelecimentos de Ensino Básico e Secundário, com adesão voluntária dos alunos. Em 14 de Julho de 2009, o Secretário de Estado da Educação aprovou, pela primeira vez, um Programa do Desporto Escolar, para o quadriénio 2009-2013” (p.99). 
A vagueza do que fica escrito, nesta minha “crítica”, não reflecte a competência indesmentível do Doutor João Marreiros, nem a colmeia viva e bem orientada, que é o desporto escolar, no nosso país. Por outro lado, não sei colher, por ignorância minha, o que, sobre este assunto, os dias (e os homens) nos têm oferecido de mais significante. Aceito todas as críticas com disciplinada humildade e reconheço que o autor deste livro merecia uma análise de conteúdo mais aprimorado do que o meu subjectivismo e a minha pobre retórica. No entanto, porque conheço o João Marreiros, em números redondos, há 40 anos, posso escrever, sem receio que, neste livro, o autor forma, com o homem, uma peça inteira. E portanto esta é uma obra plasmada numa longa e séria experiência e numa ética (e incluo, aqui, a ética do conhecimento) que lhe conferem vitalidade, verdade, sólida fundamentação. Este é portanto um livro que merece entrar na biblioteca dos cursos superiores de Desporto, dos que se ocupam, profissionalmente do Desporto Escolar ou o querem estudar, por qualquer outro motivo. Um ponto me parece indiscutível: o Desporto Escolar, em Portugal, já tem, através de João Marreiros, a síntese necessária para nela poder encontrar-se as causas e as consequências da sua existência e do seu desenvolvimento. E tudo se realizou à luz da filosofia que estas palavras expressam e se encontram gravadas no portal do Desporto Escolar: “É missão do Desporto Escolar contribuir para a formação integral e a realização pessoal de cada aluno, cumprindo o compromisso com o que se consagra, no artigo 79 da Constituição da República Portuguesa: todos têm direito à cultura física e ao desporto”.
A partir da página 72, João Marreiros procura relatar-nos o que tem sido o desporto escolar, depois do “25 de Abril de 1974”. E centremo-nos no XXI Governo Constitucional, onde o Ministro da Educação e do Desporto é o Doutor Tiago Brandão Rodrigues. “O governo propôs uma nova agenda para o desporto nacional, capaz de dar um novo impulso ao desenvolvimento do desporto e aumentar significativamente a sua prática (…). Este modelo de desenvolvimento do desporto tem por objectivos promover mais e melhor desporto para mais cidadãos, começando a formação na escola, prosseguindo o desenvolvimento do desporto, através do movimento associativo com base nos clubes e federações e generalizando a prática desportiva, afirma que turismo e do desenvolvimento e ordenamento do território (…). Para o efeito, o governo irá articular a política desportiva com a Escola, reforçando a educação física e a actividade desportiva nas escolas e estabelecimentos de ensino superior, compatibilizando a actividade desportiva com o percurso escolar e académico e valorizando e apoiando o ressurgimento de um quadro de competições desportivas nas escolas”. Embora exposto muito sumariamente, é de realçar a Parte V do livro, intitulada “A Motivação no Contexto da Prática Desportiva”, enunciando as principais teorias que neste assunto procuram adentrar-se. E, passando da teoria à prática, não se limitando à percepção dominante em círculos restritos e fechados, apresenta as suas próprias ideias sobre a motivação e as de treinadores conhecidos, como o José Mourinho e o Tomaz Morais e ainda as doutros autores de relevantes méritos científicos. Apresenta ainda a legislação específica, em Portugal e as necessárias referências bibliográficas. Konstantin Simonov afirma que “a vida do escritor é sempre, no fim de contas, a primeira fonte da sua obra”. Poderíamos dizer o mesmo deste livro, de que é autor um licenciado, mestre e doutor de muita prática, na realidade palpitante do desporto, e de muito estudo no que de mais atual se encontra, na vasta área da motricidade humana. Enfim, um livro que apetece saudar, um autor que apetece aplaudir e, no meu caso, um amigo que apetece abraçar."

Benfiquismo (MCCLXXXVI)

A estreia...

O futuro da Champions

"Os campeonatos domésticos europeus, em especial os maiores, são os mais ameaçados pela globalização da Champions, cada vez mais a grande fonte de receitas para os principais clubes. A Associação das Ligas Europeias tem sido das maiores opositoras aos planos mais ou menos secretos para reformar a principal prova de clubes da UEFA, insistindo sempre numa melhor distribuição de receitas e na redução do peso dos coeficientes históricos, de forma a aumentar o equilíbrio interno. Esta é uma parte da história. A outra é que as próprias ligas – em especial as maiores – foram as grandes responsáveis pelo actual sistema de acesso à Champions e que garante quatro vagas automáticas a ingleses, espanhóis, alemães e italianos. O que faz com que, por exemplo, este ano, haja uma Atalanta na fase de grupos e não haja um FC Porto, equipa com um registo fabuloso na prova e com a ‘má sorte’ de nascer portuguesa, logo obrigada a duas pré-eliminatórias.
A Champions como principal campeonato europeu, um pouco à imagem da NBA no basquetebol norte-americano, é uma inevitabilidade, porque as fronteiras culturais estão cada vez mais ténues. E para os adeptos do futuro (e é preciso perceber que grande parte, se não já a maioria deles, vive fora da Europa), as rivalidades serão transnacionais."

Benfica bem representado nas selecções

"Chegámos novamente a um dos momentos do ano em que os campeonatos nacionais se interrompem e dão lugar às selecções. Como seria de esperar, os atletas benfiquistas fizeram-se representar em força nas suas respectivas equipas nacionais. São 42 os jogadores chamados a cumprir dever internacional, espalhados por selecções seniores e de formação.

Portugal
- Selecção A
Convocados: PizziRúben Dias, Rafa e Ferro
Ferro: Inicialmente fora dos convocados, foi chamado por Fernando Santos para substituir o lesionado Pepe. Indiscutivelmente o futuro do sector central defensivo, Francisco Ferreira devia já, na minha opinião, ter sido incluído na lista inicial. Ferro traz qualidades à selecção nacional que nenhum outro central trazs. É o melhor central com a bola no pé, e irá certamente contribuir para uma melhoria na primeira fase de construção da equipa das quinas.
Rúben Dias: Já um dos habitues da selecção e natural titular. Rúben conquistou rapidamente o lugar ao lado de Pepe, fruto das boas exibições e da sua constante e rápida evolução. Um central rápido com excelentes noções de posicionamento defensivo e muito forte no jogo aéreo. Será, depois da retirada de Pepe, a principal figura no centro da defesa da selecção. Convocatória indiscutível.
Rafa: Um jogador já com pedigree de selecção e campeão europeu em 2016. Rafa fez uma grande temporada na época transacta e começou esta da mesma maneira. Rapidíssimo e com melhoras significativas na finalização, Rafa oferece à selecção uma solução alternativa. A selecção joga muitas vezes sem extremos puros, que procuram muitas vezes espaço interior, Rafa pode trazer à equipa nacional verticalidade e profundidade. Mais um indiscutível da selecção das quinas.
Pizzi: Sempre um dos jogadores mais preponderantes na equipa encarnada, Pizzi é no entanto poucas vezes utilizado no 11 inicial da selecção portuguesa, face ao “luxuoso” meio campo do qual Fernando Santos dispõe. Sempre uma opção mais criativa para o meio campo, contudo o espaço de Pizzi deve ser no lado direito, com funções semelhantes àquelas que desempenha no Benfica.
Nota também para a elegibilidade de Gabriel (está lesionado neste momento). Com a recente convocatória de Dyego Sousa, a selecção parece não estar fechada a atletas naturalizados. Gabriel poderia ser uma boa opção para o centro do terreno. A selecção lusa defronta hoje a Sérvia e a Lituânia na terça-feira a contar para a qualificação para o Euro 2020.

Portugal
- Selecção Sub21
Convocados: Jota, Nuno Tavares, Nuno Santos e Florentino*
Jota: Jota tem sido opção ocasional na equipa principal das águias e irá progressivamente conquistar o seu espaço. Um jogador já com um excelente historial nas selecções nacionais (campeão europeu de sub17 e sub19 , creio que se evoluir da forma esperada e olhando para o que tem feito nesta temporada, o nome Jota poderá, a médio prazo, figurar nas escolhas de Fernando Santos.
Nuno Tavares: Começou a época a titular numa posição que lhe é estranha, o que não fez jus a todas as suas qualidades. Do lado esquerdo tem condições para brilhar. Deverá disputar o lugar no 11 titular na selecção de Rui Jorge, com o jogador do Wolves: Ruben Vinagre.
Nuno Santos: Talvez o talento encarnado menos conhecido desta selecção. Nuno Santos fez a pré-temporada na equipa A e tem evoluído bem na equipa B, uma boa opção para o meio campo de Rui Jorge.
Florentino*: Florentino foi inicialmente (e bem) convocado, mas o seu nome foi retirado da convocatória devido a problemas físicos. Na selecção de sub21, Florentino é um indiscutível e com a conquista da titularidade no Benfica, juntando às suas excelentes qualidades, sobretudo a sua maturidade táctica e posicionamento defensivo, Florentino pode aparecer na selecção A num curto-médio espaço de tempo.

Portugal
-Selecção Sub20
Convocados: Celton Biai, Pedro Álvaro, Gonçalo Loureiro, Pedro Ganchas, Diogo Capitão e Tiago Dantas
Uma selecção com muitos jogadores do Seixal, destaco Tiago Dantas e Pedro Álvaro que são titulares habituais na equipa B dos encarnados e estão na linha para a subida à equipa A. Deverão rapidamente também progredir para a selecção de sub21. Destaque ainda para Celton Biai, que realizou uma excelente época na equipa de sub23 e deve ser o guardião titular nesta selecção.

Portugal
- Selecção de Sub19
Convocados: Bernardo Silva, Francisco Saldanha, Henrique Jocu, Gonçalo Ramos, Jair Tavares, João Ferreira, Rafael Brito, Samuel Soares, Tiago Gouveia, Umaro Embaló e Tomás Tavares.
Mais uma selecção com muito talento encarnado, são onze os jogadores, nesta convocatória, que representam o Benfica. Destaque para Tomás Tavares, já incluído nos trabalhos da equipa principal. Deve ser a alternativa a André Almeida. Deve disputar a titularidade na selecção com o colega João Ferreira, que fez a pré-temporada com a equipa A. Umaro Embaló vai ganhando espaço na equipa B e tem sido uma das estrelas da equipa secundária das águias. Jair Tavares tem-se destacado na equipa de sub23 e Gonçalo Ramos fez um excelente europeu de sub19. Muito potencial nesta equipa, excelentes escolhas de Rui Bento.
Apesar de ainda ser algo prematuro, o jovem médio centro, Martim Neto pode vir a aparecer nesta selecção ou no escalão intermédio dos sub18. Ainda com apenas 16 anos , Martim joga na equipa de juniores da equipa encarnada. Com muita qualidade técnica e uma excelente capacidade de passe, Martim Neto pode vir a ser um excelente jogador para o Benfica e para a selecção nacional.

Marrocos
Convocados: Taarabt
Taarabt: Fruto da sua transformação física e psicológica e a sua boa forma futebolística, que o levou até a ganhar o prémio de Homem do Jogo, frente ao Braga, Taarabt voltou a ser incluído nas escolhas do seleccionador Vahid Halilhozic. Uma excelente opção para a selecção magrebina, será certamente uma das figuras da sua equipa nacional, ou pelo menos tem condições para que tal se suceda. Está a tornar-se um jogador fundamental para a equipa encarnada e poderá desempenhar o mesmo papel na selecção marroquina.
A selecção de Marrocos vai realizar dois jogos amigáveis frente ao Níger e ao Burkina Faso.

Grécia
Convocados: Vlachodimos e Samaris
Vlachodimos: Começou a temporada com a ameaça da chegada de um novo guarda redes para lhe fazer sombra. Vlachodimos tem reagido, no entanto, muito bem às críticas estando a realizar uma boa época, sendo possível até observar alguma evolução nos sectores mais fracos do guardião greco-germânico (sobretudo o jogo fora dos postes). Internacional jovem pela mannschaft, optou recentemente por representar a selecção Grega. É provavelmente o melhor guarda redes da seleção helénica e deverá ser titular.
Samaris: Samaris não começou a época da melhor maneira, aparentando estar longe da forma que o caracterizou na época passada. No entanto o médio Grego continua a ser um jogador muito relevante no plantel de Bruno Lage e naturalmente foi incluído nas escolhas do seleccionador John Van’t Schip. Estará na linha da frente para ser titular frente ao Liechtenstein e à Finlândia.
A Grécia defronta a Finlândia e o Liechtenstein, na qualificação para o Euro2020.

Suíça
Convocados: Seferovic
Seferovic: Depois de se ter sagrado o melhor marcador do campeonato português, Seferovic atravessa agora um momento mais difícil na sua carreira. A má forma e a falta de golos não impediram a sua convocatória para a selecção helvética. Seferovic é uma das figuras da equipa de Vladimir Petkovic e poderá ser preponderante nos jogos que se seguem. Seferovic irá, contudo, abandonar a selecção mais cedo devido ao nascimento do seu filho.
A Suíça defronta a República da Irlanda e Gibraltar, na qualificação para o Euro2020.

Bélgica
- Selecção Sub21
Convocados: Svilar
Svilar: Svilar ainda não conseguiu atingir o nível que era esperado quando assinou pelas águias. Agora titular na equipa B, o jovem guardião tem o seu futuro completamente em aberto. Svilar poderia representar a selecção servia, pátria da sua família, no entanto, acabou por optar por representar o país da sua naturalidade: a Bélgica. É uma opção para a selecção de Johan Walem. Deve disputar a titularidade com Ortwin De Wolf, guarda redes do KAS Eupen.

Destaque ainda para Grimaldo que já vai merecendo uma convocatória para a selecção espanhola, mas terá de superar a fortíssima concorrência de Gaya e Jordi Alba.

Outros convocados: Diogo Nascimento, Felipe Cruz, Gerson Sousa, Henrique Pereira, Henrique Araújo e Tomás Araújo (selecção de Sub18), Kalaica (Croácia Sub21), Armalas (Lituânia Sub21) Martin Chrien, (jogador que foi recentemente inscrito na primeira liga) (Eslováquia Sub21), Vukotic (Montenegro Sub21), Leo Kokubo (Japão Sub18) e Bajrami (Suiça Sub18)."

sábado, 7 de setembro de 2019

A contabilidade das assistências

"Tenho um problema com as assistências. Refiro-me à forma como são contabilizadas no futebol, somadas aos registos, tal como golos, faltas, desarmes, interceções ou remates, de forma que me parece imprecisa. Vejamos: um qualquer canto, por mais que seja direccionado ou respeite uma jogada treinada, não deixa de ser um passe para uma área de poucos metros quadrados na qual está uma dezena de jogadores, podendo ser facilmente diluída qualquer intenção inicial no passe; e isto excluindo da análise o mero pontapé ao calhas. Em todo o caso, se um avançado marcar, pronto, conta-se uma assistência para o autor do canto.
Por outro lado, um efectivo passe para golo, um jogador que isola um companheiro, um último passe à boca da baliza, só conta como assistência se resultar em golo. Ora, por que razão o assistente só deve ver o mérito contabilizado, reconhecido nos dados das provas, se o avançado marcar? Não fez o passe na mesma? Há, aqui, um desprezo pelo mérito que já não se usa.
Cada caso é um caso e cada desporto também inversa, somando-se assistências às vezes sem mérito. Uma abertura que deixe alguém debaixo do cesto, um alley-oop ou um passe para um companheiro livre e em zona de tiro são assistências, sim - lá está, só se a bola entrar, o que no basquetebol me parece plausível atendendo à multiplicidade de jogadas -, mas na verdade decaem depois ao nível de um qualquer passe banal que possa ser feito antes de um lançamento que pontue. Note-se: se um jogador estiver marcado e apenas quiser passar a bola a um companheiro, tirá-la dali, e se esse companheiro encestar, aquele mero alivio passa a assistência. Há, então, assistências a menos no futebol e a mais no basquetebol. Há árbitros que a frieza oficial da estatística ainda desconsidera."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Derrota...

Benfica 28 - 30 Sporting
(11-15)

Primeira parte abaixo do esperado... melhorámos no 2.º tempo, é verdade que arriscamos muito com o 7x6, mas deu resultado...
Chegados aos minutos finais, com o jogo a poder cair para os dois lados, não fomos inteligentes (apesar do empurrãozinho do costume ter aparecido!)
A decisão de 'meter' o Espinha, hoje, deu buraco!

A ausência do Belone e do Hebo fizeram se sentir, acabamos por ter menos profundidade. É verdade que nos Lagartos também faltou o Ruesga, mas eles estão mais rotinados nos 'titulares'.

O Djordjic está a provar que é de facto um grande reforço, o Nyokas tem que marcar mais golos... Uma nota ainda para o Xico, que está a crescer a olhos vistos!

Nas últimas épocas já ganhámos ao Sporting várias vezes, e também tivemos derrotas 'apertadas' que podíamos ter ganho, mas muito sinceramente, nunca senti o Benfica tão próximo da Lagartada nos últimos anos...

PS: No Basket, perdemos hoje contra o Estudiantes (69-79)(16-19, 19-17, 17-22, 17-21), num jogo onde as ausências do Coleman, do Lisboa e do Zé Silva se fizeram sentir na rotação. E talvez por isso, a exibição hoje não foi tão boa como ontem...
O potencial está cá, temos de facto muitas opções, mas vamos ver como será a organização ofensiva... Nota para a estreia do McGhee, ainda com poucos minutos!
Será muito importante a recuperação rápida do Coleman, para os primeiros compromissos da época. Ofensivamente creio que é um jogador decisivo, porque aquilo que marca, mas também como vai condicionar as defesas adversários, e os espaços que vai abrir para os restantes companheiros!
Dows(19), Hallman(11), Delgado(9), Barroso(8), Hollis(7), Betinho(5), Lima(5), Murry(4), McGhee(1), Slutej

Benfiquismo (MCCLXXXV)

Grandes...

Jogo Limpo... Seara, Coelho & Guerra

Uma Semana do Melhor... com a Chung!!!

Foram quatro, podiam ter sido oito

"Colocar adeptos que pagaram 93 euros por bilhete ao lado de quem pagou 31 é uma burla sujeita a procedimento criminal

O Benfica foi a Braga por uma 'Pedreira' na intriga futebolística sobre as suas capacidades. Foram quatro mas podiam ter sido oito. Embora seja obrigatório reconhecer um SC Braga cansado pela óptima prestação europeia, foi um Benfica de qualidade superior aquele que transformou uma das mais complicadas deslocações do campeonato numa agradável noite de futebol.
O regresso de André Almeida mostra quão banais são aqueles que o apelidam de jogador banal. A exibição de Adel Taarabt demonstra quantas soluções se podem encontrar no plantel.
As declarações de Bruno Lage reflectem a esperança que se pode ter no futuro, até porque o Famalicão ainda está à nossa frente.
Bilhetes a 93 euros para um jogo domingo à noite é um preço exagerado. Colocar os adeptos que os compraram junto dos que pagaram 31 é uma burla sujeita a procedimento criminal. Criminalizar o crime é uma questão de cidadania.
Neste campeonato o emblema que perder mais de 12/14 pontos não o vence. O resto da Liga está como habitual, o FC Porto como sempre, Xistra como nunca e o Sporting a caminho de deixar de estar. O Sporting tem que desesperar os seus adeptos. No fim da melhor época desportiva dos últimos 18 anos, depois de ultrapassar uma guerra civil criminosa, 48 oras após estar a liderar o campeonato, eis o Sporting em todo o seu esplendor. Por este caminho, na próxima época, o clube de Alvalade é pote 2 mas é na Taça da Liga. Não é bom esta degradação continua daquele que outrora foi nosso rival. Nesta fase, tirando a dividia e o ódio ao Benfica, já nada é grande naquele Sporting.
A exibição de Coates frente ao Rio Ave é bastante melhor que as prestações televisivas dos sportinguistas a falar do Sporting. Sinceramente não me alegra, preocupa-me até, o comportamento generalizado, por vezes básico, de uma massa adepta repleta de pessoas com valor e com valores mas incapazes de recuperar um dos maiores emblemas da história do nosso desporto.
Por vezes sinto-me o único benfiquista chateado com desgraça do adversário, mas estou numa fase em que ouço os sportinguistas falar do Sporting e parece-me que gosto mais que eles do seu clube.
João Félix e o seu Atlético de Madrid lideram isolados a liga espanhola, está a chegar a fase em que se dirá que foi vendido muito barato."

Sílvio Cervan, in A Bola

Mau início...

Eléctrico 3 - 3 Benfica

Começamos a dominar, mas marcámos pouco (falhámos golos de forma incrível!)... e depois no segundo tempo, faltou 'tempo' para ganhar!
A ausência do Fernandinho, explica muito coisa... com o Fits a jogar mal neste arranque, fica a faltar 'golos' à equipa!

O título vai-se decidir num play-off Final, portanto as perdas de pontos neste momento são relativas, mas depois das boas indicações em Portimão, as coisas não têm corrido bem! Ainda não temos toda a equipa, mas isso não é desculpa! Devíamos estar a jogar melhor nesta altura...



PS: Vitória no Basket, no primeiro jogo na Luz da nova temporada, contra o Bilbao, uma equipa da ACB. Bom jogo, mas faltaram 'pernas' no último período! Estivemos a ganhar por 16, e acabámos por vencer à rasca: 81-80 (25-20, 23-15, 21-18, 12-27)
A lesão do Coleman preocupa. Falta saber o grau da luxação no ombro, vamos defrontar uma equipa Holandesa na Europa, e precisamos de todos..
Boas indicações do Murray... o McGee ainda não jogou.

Vermelhão: treino...

Benfica 3 - 2 Estoril
Zivkovic, R.d.T., Caio


Treino à porta fechada, essencialmente para dar minutos aos menos utilizados...
Destaco a estreia do Morato (viga) e no resumo dá para apreciar os pormenores do Paulo Bernardo, que só não foi convocado para as Selecções jovens, porque passou o Verão lesionado e só agora está pronto... Na minha opinião, devia-se rotinar o Paulo a '8'!
E ainda deu para ver que os nossos avançados, fartaram-se de levar 'porrada'; o penalty contra o Benfica também teve piada!!! Nem a treinar!!!
O Vinícius não jogou, porque lesionou-se!

Futebolês

"No estrangeiro e sem tempo para a habitual crónica, avanço com algumas sugestões que, eventualmente, não carecem de revisão, para um dicionário informal e abrangente sobre o léxico futebolístico português.
Proençar - assumir posições de poder para apelar a melhorias genéricas e infrutíferas, enquanto nada se faz e se ostenta um garboso aspecto e o sorriso de missão cumprida;
Xistrar - confundir analistas desatentos e/ou crédulos na bondade alheia acerca da incompetência ou premeditação de decisões erradas;
Xistralhada - acto de xistrar em jogos em que actuem equipas trajadas a vermelho ou, em alternativa, mas em sentido contrário, às listas, verticais ou horizontais, de outros cores;
Coroado - aziado;
VAR - instrumento exemplificativo de que uso humano de boa tecnologia nem sempre produz os efeitos desejados;
Calendarização - exposição cruel da incompetência generalizada entre os diversos intervenientes no futebol português;
Claques organizadas - chapéu que encobre todo e qualquer acto de adeptos criminosos ou abafa cânticos insultuosos num estádio de futebol;nt
Apelar ao bom senso - evitar a todo o custo a intervenção do poder político na legislação do desporto;
Natal - época festiva em período variável que marca o término do autodeclarado estatuto de candidato do Sporting;
Calor da Noite - o equivalente a 'escola da vida' detectado em inúmeras descrições do Facebook, mas para elementos da estrutura portista;
Record - órgão de comunicação oficioso do SCP;
O Jogo - órgão de comunicação semi-oficial do FCP;
E-mail - palavra usada quando os argumentos são inexistentes e se pretende justificar o insucesso;
Benfica - glorioso;
(...)"

João Tomaz, in O Benfica

Olhos no futuro

"E de repente, na mesma fila, sentados lado a lado, estão Cristiano Ronaldo, Bernardo Silva e João Félix. Não foi um sonho, aconteceu na fala da passada segunda-feira organizada pela Federação Portuguesa de Futebol. Não vou pelo caminho fácil de fazer contas às clausulas de rescisão ou ao valor de mercado dos passes destes três craques. Tudo isso me parece pouco para quantificar o talento e o trabalho presentes naquelas três cadeiras. São três nomes indiscutíveis da selecção nacional e o sinal de que é possível conciliar passado, presente e futuro na mesma equipa sem perder qualidade. Por mim, CR7 joga por Portugal até à idade que bem lhe apetecer. Um profissional e atleta com as suas capacidades faz perfeitamente o Mundial do Catar e, com jeitinho, ainda estará pronto para bater uns recordes de longevidade no Campeonato do Mundo de 2026 (EUA, México e Canadá).
Bernardo dispensa mais elogios do que aqueles que lhe são constantemente feitos por Pep Guardiola. É, a seguir a Cristiano, a grande figura da selecção, e não vejo a hora em que ele realizará o seu sonho - e de todos os benfiquistas - de jogar na posição certa pelo clube do coração.
E, pelo caminho irá deslumbrando com as quinas ao peito. Félix é apenas o novo menino-bonito de Espanha, pressionado por uma transferência milionária e provando, jogo após jogo, que faz parte das fora de série. Creio (espero) que a sua carreira não vá parar em Madrid, porque tem capacidade para brilhar noutros campeonatos. E porque ainda guardo a esperança de um regresso à Catedral. Três portugueses, da Madeira, de Lisboa e de Viseu. Três exemplos do encontro de gerações que pode fazer com que o Catar se torne um país-talismã para Portugal. No século XVI, os habitantes locais optaram por pertencer ao império otomano em vez de ficar sob o domínio português. Em 2022, vamos lá ver se não querem reescrever a história."

Ricardo Santos, in O Benfica

Taarabt: das bolas de berlim às de futebol

"Devo informar o leitor de que a crónica desta semana está a ser escrita desde a praia da Falésia, em Albufeira. O sorteio do calendário da Liga ditou que o Benfica se deslocasse a Braga no mesmo fim de semana em que eu iniciava as minhas tão merecidas férias, mas há um lado positivo.
Estando longe de Braga, não tive de gastar dinheiro em bilhetes para assistir ao jogo na Pedreira, o que significa que já poupei o suficiente para as férias do próximo verão.
Bastou-me um dia de praia para ficar solidário com o Taarabt. De facto, estar deitado ao sol a enfardar bolas de berlim enquanto escutamos as ondas do mar é uma actividade que rapidamente se torna viciante.
Não me importava de passar 358 dias por ano e apenas uma semana a trabalhar, em vez do contrário. Só hoje já comi nove bolas de berlim e ainda estamos a meio da manhã. Mas apenas seis tinham creme, porque me preocupo em manter a linha. Imagino o Adel a dar uns quantos toques com as bolas até as apanhar com a boca e as devorar de uma assentada. Eu próprio já tentei e posso afirmar que sabem melhor sem areia. Por sorte, o Taarabt percebeu que ha mais bolas para além destas com as quais pode ser feliz: as de futebol.
Aqueles dois pés têm uma qualidade absurda. Encontram sempre uma linha de passe, curta ou em profundidade, só ao alcance dos grandes criativos. Escapa dos adversários com a mesma pujança com que escapou da vida de malandragem, e corre atrás deles com a mesma vontade com que correu no tapete para merecer esta oportunidade. O Adel Taarabt é um craque, e vê-lo jogar é uma delícia ainda maior do que estas bolas de berlim. Por falar nisso, acho que vou comer mais uma."

Pedro Soares, in O Benfica

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

À Benfica!

"A exibição da nossa equipa na pedreira de Braga representou, de algum modo, um regresso à normalidade. Depois de uma segunda volta de 2018-2019 imaculada, de um triunfo retumbante na Supertaça Cândido de Oliveira, e de duas vitórias claras a abrir o novo Campeonato (com um parcial de 7-0!), não seria um dia mau a comprometer todo um trajecto ganhador. O clássico da Luz foi a excepção. A regra do Benfica de Lage é ganhar, golear e deslumbrar.
Os verdadeiros campeões são aqueles que se erguem rapidamente após uma pequena queda. Nós somos os campeões, e não me parece fácil que deixemos de o ser.
Também na abordagem à janela de transferências o Benfica marcou diferenças. Vimos, em alguns clubes, uma verdadeira feira de entradas e saídas (algumas difíceis de compreender, mas o problema é deles). Na nossa casa trabalhou-se bem e atempadamente. Quanto a João Félix, não havia obviamente nada a fazer, senão recolher os volumosos 126 milhões. Mas todos os restantes talentos da formação se mantiveram no plantel, pese embora as repetidas notícias que iam apontando em sentido contrário - fossem elas a propósito de Rúben Dias, de Florentino, de Jota, ou de outros, sabendo-se que no Benfica nada de relevante iria acontecer; enquanto, comendo picocas, assistíamos aos desfiles da casa do vizinho. Recuperemos os lesionados Gedson, Gabriel, David Tavares e Chiquinho, e neles, sim, teremos os nossos reforços,
Segue-se uma pausa para selecções. A magia volta dentro de momentos."

Luís Fialho, in O Benfica