Últimas indefectivações

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Onde é que os pontos ficam mais caros?

"Tem sido sugerido que, nesta segunda metade de temporada, os pontos serão mais caros para os três grandes. A questão é saber onde. Façamos, a este propósito, um exercício retrospectivo.
O Porto empatou com Benfica e Sporting, depois com Moreirense e Aves e está em desvantagem com o Estoril. Se deixarmos os clássicos de lado, que são sempre jogos de uma natureza especial, o líder perdeu pontos – ou está em risco de perder – com as equipas que ocupam os últimos lugares da classificação.
Façamos o mesmo exercício para Benfica e Sporting e os resultados, sendo menos nítidos, têm aspectos semelhantes.
O Sporting saiu derrotado da Amoreira, por um Estoril que luta para não descer e empatou com o Moreirense e Vitória (o Braga é aqui uma excepção). Ou seja, clássicos à parte, metade dos jogos em que os de Alvalade perderam pontos foram contra equipas que agonizam na classificação. Já o Benfica, se é verdade que perdeu pontos contra equipas que jogam um futebol mais positivo (Rio Ave; Marítimo e até o Boavista), desde 1 de Outubro, só empatou contra um Belenenses que também luta pela manutenção.
Talvez haja aqui um padrão: os grandes têm dificuldades contra equipas teoricamente mais fáceis, ao mesmo tempo que vencem sem grandes dificuldades clubes que ocupam a primeira metade da classificação. Este factor cria maior imprevisibilidade no campeonato, mas diz-nos, também, qualquer coisa sobre a natureza da Liga NOS.
Há uma explicação benévola: contra os grandes, os pequenos agigantam-se, enquanto os grandes têm algum desleixo na forma como encaram estes jogos.
Infelizmente, julgo que a questão não é apenas de atitude competitiva. Por paradoxal que possa parecer, a abordagem de alguns treinadores, que jogam um futebol mais ofensivo contra clubes mais poderosos, acaba por se revelar, no essencial, romântica. É mais fácil para Porto, Benfica e Sporting derrotarem em casa um Braga, Chaves ou Rio Ave que procuram atacar (mas individualmente estão aquém dos grandes) do que um Moreirense ou Feirense remetidos à defesa. É caso para dizer que, em certa medida, jogar mal compensa. E talvez seja essa um dos motivos pelos quais as arbitragens ocupam um espaço tão central no futebol português.
Mais do que erros pontuais – que se distribuem de forma normal por todas as partidas –, o problema das arbitragens continua a ser a tolerância com o antijogo, o número infindável de pequenas faltas e as quebras de ritmo nas partidas.
Eu pago bilhete para ver um espectáculo e estou disponível para aceitar que um árbitro ajuíze mal um penalty ou um fora-de-jogo – que têm graus de subjectividade significativos e que em jogo corrido são difíceis de julgar –, mas não estou disponível para aceitar uma partida cheia de interrupções e com pouco tempo de jogo efectivo. Proteger o futebol implica proteger as equipas que revelam uma abordagem mais positiva ao jogo. E esse é um problema do futebol português."

Benfica deseja sucesso dos rivais

"Se FC Porto ou Sporting chegassem à final da Taça e a uma final europeia teriam de fazer, em apenas três meses (entre meio de Fevereiro e meio de Maio), mais dez jogos que o Benfica e muito dificilmente, a acontecer esse evidente sucesso desportivo, teriam condições para conquistar o título de campeão. É, esse, no fundo, o grande e difícil desafio de treinadores como Sérgio Conceição.
Com o Benfica a lutar ombro a ombro pelo título, depois de ultrapassada uma aparente crise que não o afastou da discussão final, como gerir os efeitos de inevitável desgaste de três competições de elevada competitividade e responsabilidade - o Campeonato Nacional, a Taça de Portugal e as respectivas competições europeias?
A resposta começa a ser dada já esta semana. Amanhã, o FC Porto jogará os oitavos de final da Champions com o Liverpool e não tenho qualquer dúvida de que Sérgio Conceição vai fazer tudo para passar aos quartos de final e conseguir uma jornada europeia histórica; depois de amanhã, o Sporting jogará em Astana, depois de oito horas de avião e num país com condições meteorológicas extremas, mesmo que muito amenizadas por um estádio-pavilhão, com piso sintético.
Talvez o Benfica não tenha a melhor equipa para chegar ao sonhado pentacampeonato, mas é óbvio que tem as melhores condições, desde que os seus directos rivais continuem uma trajectória europeia de sucesso. O que torna a questão mais irónica é, pois, perceber que o Benfica muito deseja que FC Porto e Sporting tenham êxito e, se possível, cheguem à final da Champions e da Liga Europa, irónica, mas realista."

Vítor Serpa, in A Bola

Geniais

"Portugal venceu a derradeira batalha em Liubliana, somos campeões europeus. Uma selecção jovem, brindada com o talento personificado no melhor jogador do mundo de futsal, que desafortunadamente caiu na derradeira final para, imediatamente, ser levantado pelo esplendor de Portugal
Este título europeu dignificou o futsal português e todos os seus apoiantes. Não sendo o único objectivo de quem compete, é o mais evidente sinal de que o trabalho foi bem feito, dentro e fora dos pavilhões.
Parabéns aos jogadores e à equipa técnica nacional, grande atitude e dedicação ao longo do torneio, à Federação Portuguesa de Futebol, cuja visão e planeamento estratégico para a modalidade nos transportaram para outro patamar, aos clubes que sustentam e continuarão a sustentar a base sem a qual competir a este nível não seria possível.
Numa modalidade que não garante os apoios logísticos e financeiros do futebol, é de louvar a dedicação de todos os envolvidos. Não tenhamos rodeios, é absolutamente notável o que a selecção portuguesa de futsal conseguiu fazer neste torneio, considerando o estado de desenvolvimento da modalidade no nosso país, a capacidade de investimento dos clubes e as condições laborais e desportivas oferecidas aos praticantes, em comparação com a realidade dos demais competidores. 
Numa linha nem sempre fácil de traçar entre o amadorismos e o profissionalismo da competição e dos seus participantes, desejo que sobre esta conquista se aposte num modelo de desenvolvimento sustentável, que beneficie todos os que querem fazer da prática do futsal a carreira desportiva profissional, em Portugal.
O Sindicato dos Jogadores e a Associação Portuguesa de Jogadores Amadores congratulam os nossos jogadores por este feito histórico. Bem hajam!"

Crescer para render... Formar para vencer!...

"«Jogar bem não chega quando não se ganha!... Ganhar não chega se não se jogar bem!... Ganhar e jogar bem não chega se não tivermos jogadores de grande nível … e ao grande nível não se chega, jogando apenas bom Futebol!...»
(Jorge Valdano)

O ser humano ao longo da sua evolução é sujeito a diversas influências, que podem contribuir para o processo favorável de desenvolvimento.
Claramente, o ambiente familiar torna-se um excelente meio, para que a criança perceba um código de valores existenciais de segurança, alegria e bem-estar.
No que concerne à prática desportiva, verificamos que, enquanto alguns pais adoptam uma atitude modelar de intervenção, outros porém, exercem sentimentos de frustração, mágoa, ira e raiva perante o contexto participativo dos seus educandos.
Todos sabemos que a influência dos pais e a forma como se adaptam, ligam e acompanham a prática desportiva dos filhos, “acusa” uma extraordinária influência ou suporte para o alcance da persistência na obtenção do êxito, ou pelo contrário, pelo abandono devido ao fracasso obtido.
Esta influência torna-se mais evidente, tendo em conta a forma como avaliam o desporto, as suas experiências desportivas prévias e a importância que atribuem ao desporto enquanto factor promotor de desenvolvimento dos filhos, bem como as expectativas face a estes.
Por vezes gera-se uma controvérsia, pelo facto de alguns profissionais entenderem que os pais podem atrapalhar o desenvolvimento, atendendo a diversos factores, como as expectativas que tiveram ou não enquanto praticantes, obrigando a um desempenho que por vezes se torna irritantemente desadequado nos treinos e pior ainda nas competições realizadas, com lamentáveis comportamentos verbais e exacerbados contra tudo e contra todos.
Contudo, ainda aparecem relatos de manifestações saudáveis de certos pais na promoção do contacto com os seus filhos, assumindo uma postura de permanente apoio perante o rendimento exercido, relativizando as condições do sucesso ou insucesso obtido.
Ainda na área formativa, jamais deveremos esquecer que o treinador tem de assumir uma função positivamente pedagógica, em que o rendimento das competências exercidas está muito para além do resultado alcançado. Isto é, uma competição em que o rendimento foi superior a algumas das componentes do jogo, mas cujo resultado foi negativo … esse resultado negativo pode ser a mãe de muitas vitórias do futuro. Por outro lado, ao existir um rendimento negativo, mas porventura registando-se um resultado positivo (exemplo, golo na própria baliza por parte do adversário), é possível que esse resultado seja a base de futuras derrotas, caso o rendimento não evolua.
No entanto, é frequente os próprios treinadores, dirigentes e pais, preocuparem-se mais com os resultados em detrimento de todo um processo de ensino/aprendizagem, acelerando a preparação dos atletas, queimando etapas de progressão, tudo fazendo para que ainda em idade infantil se atinja uma especialização precoce, fazendo o que antes do tempo se deveria evitar, e …um dia esse jovem adulto naturalmente descompensado, irá ter todos os argumentos para antecipar a própria carreira desportiva, podendo advir de várias hipertrofias que por consequência podem conduzir a traumatismos articulares, ligamentares e músculo tendinosos, culminando frequentemente no esgotamento e até abandono. Também a desenfreada luta que a dinâmica empresarial, cedo, muito cedo, aprisiona de forma totalmente inquietante, para não dizer desonesta, este gradiente de pressão, no sentido de elaborar um requisito contratual de quem muito precocemente caminha nas lides da oferta e procura, vendo quantas vezes o clube, o treinador, o dirigente e os próprios pais comprometer esta fuga para a liberdade, dum crescer rápido para render depressa. Ultrapassam-se etapas, consumidas pelos ecos dum oportunismo económico e social prematuro, tratando as crianças como adultos em miniatura. Felizmente que são muitos clubes que ainda se disponibilizam em capitalizar de forma equilibrada os seus quadros, quer em termos técnicos como pedagógicos.
Treinadores capazes de respeitar o grau de desenvolvimento maturacional dos seus jovens atletas, tornando os treinos motivadores e criativos, evitando instruções de forma hostil ou primitiva, mas sempre encorajadora, corrigindo sem ofender e orientando sem humilhar. Os valores da honestidade e a firmeza das convicções constituem o eixo da sua verdadeira identidade.
Permitam-me confidenciar dois exemplos marcantes da minha vida profissional e social:
Em 1976, estava eu a fazer a transferência do curso de Direito da U. Coimbra para o 1º ano do 1º curso de Educação Física do ISEF da U.Porto, motivadíssimo por influência dos meus primeiros alunos, que me aplaudiam quando chegava à Escola Preparatória Teixeira de Vasconcelos de Paredes e depois à Secundária de Paços de Ferreira, e me questionavam com tristeza quando por algum motivo tinha faltado (como posso esquecer estes meus primeiros heróis e grandes responsáveis pela minha felicidade profissional) … dizia eu, em 1976, inserido num grupo de bons amigos do F.C.Paços de Ferreira, criamos o I Torneio de Futebol Infantil Primavera/76. Conseguimos reunir 24 equipas, distribuídas por 4 séries (Porto, Penafiel, Maia e Paços de Ferreira). Recordo que inscrevi 3 equipas da minha Escola, dando a oportunidade à máxima participação desportiva, tendo uma destas obtido o 4º lugar no Torneio. A alegria participativa colectiva imperou e a selecção dos melhores valores ficou para outras “núpcias”. Um Torneio em que os jogos eram arbitrados com auxílio de jovens das Escolas de Arbitragem. Recordo os primeiros apitos do saudoso Paulo Paraty, Paulo Costa e José Leirós. Também era distribuída fruta, leite, sumos e sandes no final de cada jogo. Havia ainda uma comissão técnica e disciplinar associada, enfim, com as melhores intenções de formar para render.
Dou a conhecer um facto que vale a pena refletir: na fase final do Torneio, havia um jogo entre o Cete e o Penafiel no campo do visitado e eu e um colega fomos nomeados para representar a organização, na qualidade de delegados. Claramente, o Penafiel era uma equipa dotada de mais valias técnicas e competitivas, e próximo do intervalo já ganhava por 4-0. Por cada golo sofrido o treinador da equipa derrotada, vociferava com atoardas de fazer corar qualquer espectador mais distraído e … eis que surge um jogador do Cete, muito pequenino, com a camisola a cair até aos joelhos, franzino, mas com uma habilidade a sobressair dos demais. Até que na posição do meio campo, a bola chega-lhe aos pés. Dá a correr com toda a velocidade para a baliza do adversário, finta, dribla e volta a fintar e após a entrada da área e, tendo um colega desmarcado e com a baliza escancarada, ouvia-se o treinador a gritar: passa a bola f.d.p. passa a bola f.d.p., mas o menino que tanto trabalho tinha tido até ali, resolveu ensaiar um remate à baliza, na tentativa de fazer golo. Contudo, dado a fadiga do esforço obtido, aquilo foi mais um passe ao g.redes do que um remate. Ó treinador dos diabos …corre para fora da zona técnica aos saltos, vocifera uma série de palavrões e ameaças, deixando a assistência verdadeiramente horrorizada. O menino, cabisbaixo, dirigiu-se para o seu posto e, não é que a bola volta ao seu encontro?! ... Então ele corre em direcção da sua baliza, finta um adversário, passa por 2 ou 3 colegas, deixando-os num espanto, entra na sua área e desfere um forte remate fazendo golo na sua própria baliza. Quando o treinador ensaiava o seu reportório de forma animalesca, o menino retira a camisola, deixa-a cair no campo, correu ao balneário para buscar a roupa e fugiu para casa. Que grande lição!... É claro que fui ao seu encontro … limpei-lhe as lágrimas e dei-lhe um forte e prolongado abraço. Jamais o perdi. Seu nome? Mário João… hoje Engº electrónico e um exemplar pai de família!...
O outro exemplo nasceu-me também do coração. Permitam-me que destaque como modelo um clube muito especial, criado há seis (6) anos e que muito me honrou com o convite para a função de seu padrinho de afectos – Clube de Futsal “Os Afonsinhos”, radicado em S. Martinho de Mouros – Resende. Ali, na tranquilidade duma terra serena e com as cores da vida, habita um clube exemplo, onde se encontram bem definidos os critérios, onde impera a vontade de crescer numa patilha de carinho, razão e amor de quem lidera o protejo. De seu nome … Marcos Antunes!...
São já seis (6) os escalões em competição. Os índices de assiduidade, os níveis de disciplina e ética desportiva e o rendimento escolar, formam as três matrizes para a permissão em participar no treino e a possibilidade de ser convocado para o jogo a realizar. Resultados? … fez há dois (2) dias (11 de Fevereiro),1 ano que se sagraram Campeões Distritais na categoria Juniores B. Parabéns vivamente vos saúdo."

Alvorada... do Vicente

Benfica FM - pós-Portimão

Se todos caminhassem sobre a água seria por não saberem nadar

"O mal das críticas é que nunca se fazem acompanhar por contexto. Logo, falta-lhes construção, falham ainda ao não serem construtivas.
Os 72 números que separam o 8 do 80 são escassos, muitas vezes, para quem acompanha de perto o futebol, e até o português. Além de sermos básicos a analisar, ainda temos contra nós querermos ir à festa sem ter dinheiro para alugar o smoking. Só intensifica a questão, precipita-a.
O futebol, e também aquele que por cá se joga, é então sempre interpretado de forma demasiado simplista. O que não quer dizer que não sejamos rápidos a decidir.
Há sempre um culpado. One and only. O treinador.
Depois, no lugar dos réus lá se senta um ou outro patinho-feio, entre um terço e metade da equipa quando chega a tal, se a crise é de caixão à cova.
Há ainda sempre um autoproclamado inocente. É sempre apenas um. O presidente. Sustentado pelos adeptos, e pelas promessas verbais ou subliminares que faz, mas sim, o presidente.
Uma ou outra vez, o técnico é mesmo o mau da fita, e aí temos
A Argentina foi campeão do mundo apesar do Bilardo, pá!
Se Maradona, capaz de ver Burru e Valdano do outro lado da área pelo canto do olho no Golo do Século, garante que sim, eu acredito.
O problema é que tudo parece demasiado definitivo. Ou serve ou não se serve de todo, nem hoje nem nunca, e malditos todos os que acharam que sim.
Der Terrier Berti Vogts, o baixote canino com coleira de espinhos que não largou as pernas de Cruijff na final de 74, treinou uma vez a Escócia, as coisas não corriam bem e lamentou-se
Se eu caminhasse sobre a água diriam que é porque não sei nadar
Perturbam-me, admito, as conclusões fáceis. Se tivesse um amigo como La Palice, este concordaria comigo, enquanto despejamos uma imperial e mastigamos freneticamente dois pires de tremoços.
O que é verdade hoje pode não sê-lo amanhã, ou até sê-lo noutro lugar, com outras pessoas, num outro tempo...
Hoje, chega-se facilmente à sentença: não é treinador. Não é jogador. Não vale nada! Um treinador não se consegue destacar pelo picotado da conjuntura que o envolve.
A sua equipa, e as oscilações de forma de cada um dos 30 jogadores. Aquele momento entre tantos outros, ao longo de uma época. Um mês em dez. Os adversários também com os seus próprios momentos. As necessidades, mediante cada uma das peças do puzzle. E as que não encaixam, das quais se recortam as pontas para encaixar.
Uma equipa é construída por muitos treinadores, ou partes do mesmo. Pelas relações intrínsecas entre os jogadores. Pelos rivais, por todas as escolhas feitas que poderiam derivar numa outra realidade alternativa qualquer. A fronteira entre ganhar ou perder não depende só do talento. Não pode.
Vejam Bilardo!
Um jogador faz-se de momentos também. De decisões, mal e bem tomadas. De problemas bem ou mal resolvidos. De noites passadas acordado. Por vezes, de uma luta cega e surda com a depressão. Da gestão do sucesso e do insucesso. Do azar da bola no poste, e na fé de acertar do meio-campo. E, claro, da recepção orientada, dos ziguezagues com a bola nos pés, do remate com ambos os pés. Do golo de letra, em encontro decisivo.
Falta-nos dar mais segundas oportunidades. Ter mais paciência. Acreditar em Manuel Fernandes aos 32 anos, ou lançar Éder para uma final de um Campeonato da Europa. Abraçar Renato Sanches para nova tentativa, entender um incompreendido André Gomes, continuar a esperar muito das pernas de Coentrão. Estar no sítio onde vão cair as triveladas de Quaresma.
Seríamos espertos se fôssemos um pouco mais como Terry Venables
Tive sentimentos estranhos, misturados, como se observasse a minha sogra a cair num precipício ao volante do meu carro.
Há sempre um lado positivo. É uma oportunidade que, antes de darmos aos outros, oferecemos a nós mesmos."

Carnaval na Luz!

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Benfiquismo (DCCXLVII)

O mais jovem Campeão Europeu de sempre...

Chama Imensa... Jornalismo de sarjeta!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Lixívia 22

Tabela Anti-Lixívia
Benfica .. 53 (-4) = 57
Corruptos. 55 (+6) = 49 (-1)
Sporting . 53 (+9) = 44

Mais uma jornada repleta de incompetência, coacção, falta de personalidade e outras coisas...!!!

Em Portimão, Xistra foi com a encomenda recheada... Porrada, muita porrada! Perdi a conta, aos Cartões perdoados aos jogadores da casa... e mesmo no final da partida, os 'emprestados' pelos Corruptos, saltaram do banco, para ainda aviar mais porrada!!! Sim, a lesão do Jonas foi 'acidental' mas é incrível como é que o Benfica não tem mais lesões traumáticas, depois de festivais de porrada com este!!! Comparar este tipo de jogos, com por exemplo a agressividade do Chaves esta semana com os Corruptos, é exemplar...!!!

Nas jogadas 'mais' decisiva, destaco:
- o Amarelo, alanjarado ao Tabata, na falta sobre o Grimaldo...
- no suposto penalty sobre o Fabrício, o avançado estava fora-de-jogo... Não houve 'passe' do Fejsa, no máximo houve um ressalto, portanto o fora-de-jogo devia ter sido assinalado!
- Penalty sobre o Rafa... o contacto é ligeiro, mas existe (na perna e na coxa)... idêntico ao lance sobre o Jonas na semana passada, com o Rio Ave. O facto do VAR não ter 'invertido' a decisão do árbitro até é compreensível, mas o Xistra só tinha que marcar penalty (e depois se fosse simulação, o VAR anulava...), pois este é um daqueles lances típicos de penalty...
- Inacreditável falta marcada ao Cervi, numa escorregadela do Fabricio, que daria contra-ataque perigoso ao Benfica! Este lance é um excelente exemplo para comprar os critérios nos jogos do Benfica e nos jogos dos Corruptos e Lagartos: basta recordar o 1.º golos dos Corruptos em Chaves; e o tal lance no polémico golo anulado ao Doumbia pelo VAR... Nos jogos do Benfica, este tipo de recuperações altas, são quase sempre assinaladas faltas... com os outros, é um deixa andar...!!!
- A falta que dá o golão do Cervi, também se transformou em 'caso': eu por acaso, acho que a 'Mão' na bola não é deliberada, portanto não deveria ser falta... Mas, como é que os 'expert's' que o ano passado, defenderam que o Pizzi fez penalty no Benfica - Sporting, defendem agora que o jogador do Portimonense não fez falta?!!! A diferença, é que esta foi fora da área... onde os árbitros 'marcam' mais facilmente, e o ano passado foi dentro da área!!! Mas o critério dos Anti's, depende se é a favor ou contra o Benfica!!!
- Karma!!! Foi o que aconteceu nos descontos prolongados do Xistra que deu 4 minutos, para ver se dava para o Portimonense empatar, e acabou por ser o Benfica a marcar, praticamente aos 95 !!!


Em Chaves, a 'confiança'  foi tanta que além do lesionado Danilo e Aboubakar os Corruptos ainda preteriram do Brahimi por opção!!! (além do Marcano e do Ricardo Pereira)!!!
Pessoalmente, acho que essa 'confiança' deveu-se à inacreditável nomeação do Soares Dias (e não a um potencial facilitismo do Chaves), que continua a ser nomeado para jogos dos Corruptos, apesar dos erros e omissões em catadupa!!!

Foram 3 os penalty's claros cometidos pelo Mini Pereira!!! Três... é óbvio se o árbitro tivesse 'coragem', e tivesse marcado os dois primeiros, com os respectivos Amarelos, o Mini já não faria o terceiro, porque já teria sido expulso... Mas como não foi, fez três...!!! Qual deles o mais evidente...
O 1.º com 0-0 no marcador, e os restantes ainda na 1.ª parte...!!!
Mais inacreditável ainda, foi o facto do Soares Dias nem sequer ter recorrido ao VAR... porquê?!!! Será que estava com medo, que o Mota assinalasse os penalty's evidentes?!!!
No 1.º golo dos Corruptos, a recuperação de bola do Otávio, parece 'legal', mas não é!!! Nas pernas é tudo correcto, não existe rasteira, mas existe empurrão com o braço...
Conclusão, os Corruptos deviam ter estado a perder por 2-0, e com 10 jogadores... Com a capacidade do Chaves de circular bola, nunca mais lá chegavam...
No 2.º tempo, o Domingos Duarte também podia ter levado o Vermelho directo numa falta sobre o Soares, mas nessa altura já deviam ter levado 3...
ADENDA: Esqueci-me de referir um lance duvidoso, entre o Reyes e o William: o contacto não me pareceu ser suficiente, para ser assinalado penalty.
Este é um daqueles jogos, onde um 0-4, podia perfeitamente ter sido 'ao contrário' caso as decisões do árbitro tivessem sido correctas! A perder e a jogar em inferioridade numérica, a marcha do marcador teria sido completamente diferente...


No Alvalixo, tivemos 'espectáculo'!!!
Vamos por partes: Sim, o VAR não devia ter anulado o golo, pois o protocolo assim não o permite. E poderia abrir um precedente perigoso...
Agora, a falta existiu... o golo do Sporting, nasce de uma falta não assinalada (uma de muitas) contra os Lagartos!!! Portanto, dizer que o Sporting foi prejudicado, é uma meia-verdade!!!
Nos restantes lances 'importantes' as decisões foram correctas:
- Tiago Silva tem o braço encostado ao corpo, não podia ser penalty...
- Flávio corta a bola com a cara (é a segunda vez que Luís Ferreira, 'pretende' marcar um penalty em Alvalade a favor do Sporting, após o defesa contrário cortar a bola com a cara, o ano passado foi no Sporting - Tondela, rectificado pelo fiscal-de-linha...)
- Gelson está em fora-de-jogo, golo bem anulado...
Agora, o resto da arbitragem foi má, muito má... Foram 8 os Amarelos para os visitantes, e 2 para os da casa... O melhor exemplo da vergonha, é uma jogada logo nos primeiros minutos:
- Canto para o Sporting, mal marcado, o Feirense tenta sair em contra-ataque, Bruno Fernandes sem pernas, faz obstrução para impedir o facto do Feirense ficar em superioridade numérica... E Luís Ferreira, 'inverte' a falta, e marca falta de Luís Machado, em posição frontal para a baliza do Feirense, criando um Livre Directo perigoso... que só não foi golo, porque o guarda-redes fez uma grande defesa!!!
Nos jogos do Benfica, para 'ganharmos' um Livre Frontal perigoso, é preciso quase 'matar' um jogador do Benfica, em Alvalade, até as faltas feitas pelos jogadores do Sporting, dão Livre perigoso a favor do Sporting!!!
ADENDA: No 2.º golo do Sporting, existe uma fala de Mathieu no início da jogada! Esta sim, devia ter sido 'assinalada' pelo VAR!


Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
3.ª-Belenenses(c), V(5-0), Rui Costa (Vasco Santos), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Hugo Miguel (Veríssimo), Prejudicados, Impossível contabilizar
5.ª-Portimonense(c), V(2-1), Gonçalo Martins (Veríssimo), Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
6.ª-Boavista(f), D(2-1), Soares Dias (Esteves), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
8.ª-Marítimo(f), E(1-1), Sousa (Godinho), Prejudicados, (1-2), (-2 pontos)
9.ª-Aves(f), V(1-3), Almeida (Vítor Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
10.ª-Feirense(c), V(1-0), Godinho (Xistra), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
11.ª-Guimarães(f), V(1-3), Soares Dias (Malheiro), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
12.ª-Setúbal(c), V(6-0), Godinho (Pinheiro), Prejudicados, Beneficiados, (8-0), Sem influência no resultado
13.ª-Corruptos(f), E(0-0), Sousa (Hugo Miguel), Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
14.ª-Estoril(c), V(3-1), Pinheiro (Manuel Oliveira), Beneficiados, Sem influência no resultado
15.ª-Tondela(f), V(1-5), Tiago Martins (Malheiro), Nada a assinalar
16.ª-Sporting(c) E(1-1), Hugo Miguel (Tiago Martins), Prejudicados, (5-0), (-2 pontos)
17.ª-Moreirense(f), V(0-2), Mota (Godinho), Nada a assinalar
18.ª-Braga(f), V(1-3), Soares Dias (Godinho), Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
19.ª-Chaves(c), V(3-0), Esteves (Vasco Santos), Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
20.ª-Belenenses(f), E(1-1), Paixão (Rui Oliveira), Nada a assinalar
21.ª-Rio Ave(c), V(5-1), Manuel Oliveira (Vítor Ferreira), Prejudicados, Sem influência no resultado
22.ª-Portimonense(f), V(1-3), Xistra (Rui Oliveira), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(f), V(0-5), Hugo Miguel (Sousa), Nada a assinalar
4.ª-Estoril(c), V(2-1), Godinho (Tiago Martins), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Feirense(f), V(2-3), Soares Dias (Tiago Martins), Nada a assinalar
6.ª-Tondela(c), V(2-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Nada a assinalar
7.ª-Moreirense(f), E(1-1), Godinho (Pinheiro), Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)
8.ª-Corruptos(c), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Chaves(c), V(5-1), Rui Costa (Esteves), Beneficiados, Prejudicados (5-2), Sem influência no resultado
10.ª-Rio Ave(f), V(0-1), Sousa (Capela), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
11.ª-Braga(c), E(2-2), Xistra (Rui Costa), Beneficiados, (1-4), (+1 ponto)
12.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-2), Tiago Martins (Xistra), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Belenenses(c), V(1-0), Almeida (Godinho), Nada a assinalar
14.ª-Boavista(f), V(1-3), Godinho (Vasco Santos), Nada a assinalar
15.ª-Portimonense(c), V(2-0), Capela (Xistra), Nada a assinalar
16.ª-Benfica(f), E(1-1), Hugo Miguel (Tiago Martins), Beneficiados, (5-0), (+ 1 ponto)
17ª-Marítimo(c), V(5-0), Xistra (Esteves), Nada a assinalar
18.ª-Aves(c), V(3-0), Pinheiro (Sousa), Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
19.ª-Setúbal(f), E(1-1), Veríssimo (António Nobre), Beneficiados, Sem influência no resultado
20.ª-Guimarães(c), V(1-0), Godinho (Hugo Miguel), Nada a assinalar
21.ª-Estoril(f), D(2-0), Mota (Luís Ferreira), Nada a assinalar
22.ª-Feirense(c) V(2-0), Luís Ferreira (Manuel Oliveira), (1-0), Beneficiados, Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Braga(f), V(0-1), Xistra (Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Chaves(c), V(3-0), Rui Oliveira (Hugo Miguel), Nada a assinalar
6.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Sousa (Godinho), Nada a assinalar
7.ª-Portimonense(c), V(5-2), Luís Ferreira (Sousa), Nada a assinalar
8.ª-Sporting(f), E(0-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar
9.ª-Paços de Ferreira(c), V(6-1), Manuel Oliveira (Veríssimo), Beneficiados, (5-1), Sem influencia no resultado
10.ª-Boavista(f), V(0-3), Hugo Miguel (Tiago Martins), Nada a assinalar
11.ª-Belenenses(c), V(2-0), Veríssimo (Luís Ferreira), Beneficiados, (0-2), (+3 pontos)
12.ª-Aves(f), E(1-1), Rui Costa (Esteves), Nada a assinalar
13.ª-Benfica(c), E(1-1), Sousa (Hugo Miguel), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
14.ª-Setúbal(f), V(0-5), Tiago Martins (Rui Oliveira), Beneficiados, (0-3), Impossível contabilizar
15.ª-Marítimo(c), V(3-1), Mota (António Nobre), Nada a assinalar
16.ª-Feirense(f), V(1-2), Veríssimo (Paixão), Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
17.ª-Guimarães(c), V(4-2), Soares Dias (António Nobre), Prejudicados, Beneficiados, (4-2), Impossível contabilizar
19.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho (Soares Dias), BeneficiadosPrejudicados, (2-0), Impossível contabilizar
20.ª-Moreirense(f), E(0-0), Luís Ferreira (Manuel Oliveira), Nada a assinalar
21.ª-Braga(c), V(3-1), Hugo Miguel (Almeida), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
22.ª-Chaves(f), V(0-4), Soares Dias (Mota), Beneficiados, Prejudicados, (3-0), (+3 pontos)

Jornadas anteriores:
Épocas anteriores:
2016-2017
2015-2016

Belenenses: a quadratura do círculo

"Por um lado, o Belenenses está muito perto da linha de água; por outro, não há clube que resista de costas voltadas aos adeptos.

A classificação da I Liga portuguesa traduz a realidade dos desequilíbrios orçamentais vigentes. Os três primeiros vão garantindo, entre eles, uma competitividade assinalável quanto ao título de campeão, o quarto é o SC Braga, que manifesta uma disponibilidade financeira superior à dos que lhe estão abaixo e se quisermos ir à procura de nivelamento competitivo temos de tentar encontrá-la mais na luta pela permanência, que envolve uma dúzia de clubes, do que até na corrida pela UEFA. É verdade que, felizmente, a ditadura do dinheiro, no futebol, não explica tudo e é possível dentro de determinados parâmetros, que a competência tenha um papel decisivo nos desfechos. Mas quando, como sucede em Portugal, as diferenças de meios entre os três primeiros e os dez últimos são tão grandes, torna-se impossível a competição olhos nos olhos e a única via é a do expediente. Numa linguagem bélica, a maior parte dos clubes quando defronta os grandes ou opta por uma estratégia de guerrilha ou acaba por não conseguir aguentar a exigência de jogar de igual para igual. Porque, de facto, como diria Orwell, todos são iguais (porque disputam a mesma competição), mas uns são muito mais iguais que os outros (porque têm meios incomensuravelmente maiores). Enquanto não forem criadas condições para tornar as coisas mais justas e equitativas (ponham-se os olhos na Premier League), vamos assistindo a verdadeiros milagres tácticos de treinadores imaginativos, que se habituaram a fazer a melhor limonada do mundo com os limões que lhes disponibilizam.
Merece destaque, na última jornada, a goleada do Desportivo das Aves no Restelo, presenciada por poucos adeptos. Apanhada no fogo cruzado de uma guerra sem quartel (nem armistício à vista) entre o clube e a SAD, a equipa azul vai-se afundado na tabela, estando agora a dois pontos da linha de água. Perante a irredutibilidade dos opositores, uns mandatados pela AG para denunciar o protocolo com a SAD, os outros nada interessados em qualquer conversa, e com uma penhora sobre o Restelo a adensar o drama, só há razões para preocupação quanto ao futuro próximo do Belenenses. Uma coisa é certa: não há clube que resista sem a força e o apoio dos seus associados e essa é a quadratura do círculo que urge resolver.

Ás
Ricardinho
Considerado por cinco vezes melhor jogador do mundo de futsal, Ricardinho já tinha lugar guardado na história da modalidade. Mas não há dúvida que o título europeu, com Portugal, trouxe outro brilho a uma carreira para a eternidade, feita de talento e génio. Ricardinho, Cristiano Ronaldo, Madjer, Portugal abençoado...

Ás
Jorge Braz
O seleccionador nacional de futsal está de parabéns. O título europeu é uma linha brilhante num currículo de respeito e cabe-lhe o mérito de ter sabido enquadrar o talento ímpar de Ricardinho num colectivo que aceitou a liderança do mágico. O futsal é cada vez mais a segunda modalidade preferida pelos portugueses.

Ás
Fernando Gomes
Poder-se-ia até falar em toque de Midas, tal o número incrível de sucessos das várias selecções de Portugal desde que assumiu a presidência da FPF. Mas não há nada de alquimista em Fernando Gomes. Os êxitos baseiam-se em planificação rigorosa, trabalho aturado e muita competência. Quando assim é...

Do céu só cai a chuva. E é quando cai...
«O mundo está cheio de génios que nunca chegaram a sítio nenhum por falta de trabalho»
Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República
Marcelo Rebelo de Sousa tem tido a possibilidade de homenagear desportistas portuguesas que escalaram picos nunca antes superados pelas cores nacionais. O presidente dos afectos, neste caso um verdadeiro talismã para Portugal, fez ontem, ao receber os campeões da Europa de futsal, a apologia do trabalho e da competência. Do céu, só cai a chuva. E é quando cai...

Portugal, Portugal, Portugal.
Reconfortante a sensação de déjà vu desta imagem. O melhor jogador do mundo, que não conseguiu terminar a final do campeonato da Europa por lesão, acabou por levantar o troféu de campeão, no meio de indescritível alegria. Um ano e meio depois de Paris, a história repetiu-se em Ljubljiana, numa onda ganhadora de Portugal. A pouco e pouco o fatalismo lusitano vai cedendo, dando lugar a uma geração que já não se satisfaz apenas pela presença nas finais e desafia a sorte, arriscando-se a ser feliz.

Inglaterra imparável. E a colher de pau?
A Inglaterra de Eddie Jones continua a mostrar que é a selecção de râguebi mais forte do hemisfério norte e no último sábado derrotou a fortíssima equipa de Gales (12-6), valendo esta «Fuga para a Vitória» na capa do 'Sunday Times'. Com a Inglaterra a apontar ao título, quem ficará com a colher de pau? França ou Itália?"

José Manuel Delgado, in A Bola

Partidas de Carnaval

"O FC Porto passou com limpeza em Chaves, o Sporting teve de sofrer mas ganhou pelo que na frente continua tudo na mesma. Na mesma, mas com mais uma jornada ‘arquivada’, como costuma dizer Rui Vitória, o que obviamente deixa o dragão mais animado e os rivais a suspirarem por um seu deslize. Até final, ainda há muitos pontos em discussão (36, para ser rigoroso) e todos os clássicos da 2.ª volta por disputar.
Em tempo de Carnaval, o VAR pregou algumas partidas. Em Chaves, penáltis passaram sem castigo (de acordo com a análise dos árbitros Record). Em Alvalade, o erro foi mais grave, uma vez que não teve a ver com a interpretação da jogada, mas sim com a violação do protocolo. O árbitro, Luís Ferreira, foi o menos culpado, uma vez que foi alertado para uma falta que já não devia produzir efeitos no lance. Se o Sporting não tivesse ganho, estava instalada a confusão.
No Bessa, um lance no limite da área do Boavista em que o VAR não validou a decisão de Nuno Almeida em marcar um penálti, leva-nos a outra questão em situações em que as imagens não dão certezas absolutas, como foi o caso (para nós, mas pelos vistos não para o VAR): não deverá o árbitro seguir a decisão que tomou inicialmente em função do que viu no terreno?"

Treino...

Trabalho...

Benfica, fora dos relvados...

Duarte Gomes lamenta jornada infeliz para a arbitragem (mas recorda que a tecnologia é útil e veio para ficar)

"Não foi uma jornada feliz, no que diz respeito a decisões das equipas de arbitragem. Apesar de muitas das incidências só ficarem esclarecidas após visualização das imagens – o que obviamente atenua e muito a primeira análise de quem está no terreno de jogo -, a verdade é que a existência da vídeo-tecnologia pressupõe maior acerto em situações que aos olhos de quem vê as imagens parecem claras e evidentes.
Os jogos dos chamados grandes, por serem os que seduzem o maior número de apoiantes e que arrastam maior mediatismo, estão sempre sob os holofotes de todos os que anseiam ver a vitória das suas equipas (ou eventual derrota justificada por erros dos árbitros).
Em Portimão, houve dois momentos de jogo que aqui queremos recordar. O primeiro, de análise bem interessante, à passagem dos 57` e logo com duas situações consecutivas: queda de Fabrício na área encarnada e a seguir queda de Rafa na área oposta. 
Em ambas, árbitro e VAR nada assinalaram.
Vamos à primeira: Fabrício estava em posição de fora de jogo, tocou na bola e só depois foi carregado por Jardel. Ou seja, tomou parte ativa no jogo antes da falta. É certo que o último toque na bola foi de Fejsa, mas foi apenas isso. Um toque. Não se tratou de uma bola passada para trás de forma deliberada e consciente. O médio meteu o pé na disputa a dois e o contacto no esférico foi de ressalto, fortuito/inevitável para a sua intromissão na jogada.
Agora um esclarecimento importante: suponhamos que Fejsa tinha, de facto, jogado a bola para trás de forma intencional. Nesse caso, não haveria fora de jogo e estaríamos agora a discutir qual a falta técnica que deveria ter sido assinalada.
A esse propósito, fica a explicação: a única infracção continuada que se pune no fim da acção é o agarrão persistente, em lances de fora para dentro da área.
Ou seja, se neste caso a infracção de Jardel tivesse sido “agarrar”, o lance teria que ser punido com pontapé de penálti para o Portimonense.
Mas como se pode constatar nas imagens, a infracção que central brasileiro cometeu foi empurrão ou carga nas costas e não agarrão. E o que a lei diz é que estas são punidas de acordo com o princípio geral: no início da acção (ali com pontapé livre directo, fora da área). 
Fim de esclarecimento.
Voltemos à realidade. Houve mesmo fora de jogo de Fabrício e o único erro foi do árbitro assistente, que não sinalizou a posição irregular do jogador algarvio.
Na sequência do lance, Rafa caiu na área do Portimonense sem que Filipe Macedo tivesse cometido qualquer infracção. A queda foi natural e a decisão de Carlos Xistra foi acertada.
O outro momento do jogo ocorreu mais tarde, aquando da marcação da falta que deu origem ao golo de Cervi. Este lance sim, deixou muitas dúvidas.
É inegável que a bola bateu na mão esquerda de Galeno, como também é inegável que o cabeceamento de André Almeida foi na queima, a bola totalmente inesperada e o defesa dos algarvios estava em plena movimentação defensiva. São as tais situações em que a dúvida fica no ar e isso justifica que se aceite a decisão do árbitro, mas – à distância – fica a sensação que a melhor opção teria sido a não marcação da falta.
Em Chaves, o jogo não correu da melhor forma para um dos mais competentes árbitros portugueses. Logo no arranque, Maxi Pereira cometeu penálti sobre Djavan - braço esquerdo do defesa uruguaio impediu a progressão do avançado flaviense - e um pouco mais tarde (aos 21`), o mesmo jogador disputou a bola com Davidson em lance cuja legalidade e local da infração (dentro ou fora da área) deixaram algumas dúvidas. É justo que tomemos como boa a decisão de Artur Soares Dias.
Ainda antes do fim da primeira parte, novo lance entre Maxi e Davidson: o lateral azul e branco disputou (e tocou) a bola mas arriscou e parece ter tocado também no calcanhar do avançado brasileiro. Nas imagens ficou a ideia que a ação causou o derrube do jogador do Chaves e que isso justificaria o pontapé de penálti. Árbitro e VAR (ambos sem certezas) tiveram leitura distinta.
Nota, por último, para carga não assinalada de Domingos Duarte sobre Soares. O defesa flaviense, na passada, tocou no pé do avançado do FC Porto, derrubando-o. O avançado ainda aguentou a queda (caíu pouco depois), o que de modo algum anula a infração. O lance, que ocorreu ainda fora da área do D. Chaves, cortou clara possibilidade de golo dos azuis e brancos (Soares, descaído na esquerda do seu ataque, estava isolado e ia em direcção à baliza adversária): devia ter sido punido com pontapé livre directo e cartão vermelho para D.Duarte. O lance era de leitura difícil em campo mas o VAR podia ter colaborado.
Quanto ao jogo de ontem entre Sporting e Feirense, pode dizer-se que Alvalade foi palco de uma partida recheada de incidências, cujo esclarecimento aqui se impõe.
Bruno Fernandes carregou Tiago Silva e isso foi evidente. O problema é que essa infracção, que não foi assinalada no momento adequado, ocorreu antes da posse de bola do Feirense.
E, na prática, o que significa isso? Significa que a revisão do golo de Doumbia devia ter ocorrido até ao momento em que o Sporting recuperou a bola em último lugar e não até ao anterior, da infracção do médio leonino. Esteve mal o VAR em sugerir a Luís Ferreira que revisse o lance (induziu-o em erro) e esteve também mal o próprio árbitro ao não se aperceber, face à imagem que viu, que a falta acontecera numa fase de jogo que já não pressuponha vídeo-revisão. Daí resultam duas leituras: que provavelmente não haveria golo (mal) anulado se a infracção inicial fosse assinalada; e que a jogada do golo em si foi, efectivamente, mal invalidada.
Depois, penálti por assinalar por mão de Tiago Silva na sua área. O jogador do Feirense até tinha o braço direito colado ao corpo, mas fez todo o movimento – ostensivo e deliberado - para cortar a trajectória da bola de forma ilegal. O lance era de análise complicadíssima em campo, mas face ao desenho da jogada, de leitura facilitada para o VAR.
Houve outros dois lances passíveis de análise: o do penálti que Luís Ferreira assinalou e que depois, por boa indicação de Manuel Oliveira, acabou por rectificar (a bola bateu apenas e só na cara de Flávio Ramos e não no braço) e o lance que deu origem ao segundo golo do Sporting, da autoria de Montero.
Sobre este a imagem que vimos não foi suficientemente clara para justificar a intervenção do VAR, mas ficou a ideia que, na fase inicial da jogada, Mathieu poderá ter ganho posse de bola praticando jogo perigoso activo (no caso, pé em riste) sobre Karamanos. Se foi esse o caso, o golo teria que ser invalidado e o jogo recomeçado com pontapé livre favorável ao Feirense. Sem certezas, é justo conceder ao árbitro o benefício da dúvida.
Em Braga, Jorge Sousa teve jogo com decisões difíceis, dando a sensação – pelas imagens que vimos – que poderá ter-se equivocado nos dois lances da área.
Jornada difícil… para mais tarde recordar.
Este é um caminho longo e difícil, mas que ninguém duvide: a tecnologia é útil e veio para ficar."

As Regras dos Jogos... Mateus & Lapsos !!!

O meu pé esquerdo

"Roubo, roubo no melhor sentido, como se rouba agora nas redes sociais, roubo o título do filme que me fez fã de Daniel Day-Lewis, fã para sempre, neste elogio do esquerdino, o jogador com pé dominante menos comum, espécie de transgressor natural, concretamente no ainda mais justo elogio o lateral esquerdo, parente pobre da genealogia dos canhotos, família alargada liderada por génios argentinos de palmo e meio, Maradona e Messi, Messi e Maradona, no futuro haveremos de citá-los sempre assim, aos dois a par, hoje contudo primazia aos deuses menores da casta, aos que andam abaixo e acima no campo, que sabem da prioridade que é anular o extremo contrário, por regra o mais rápido e criativo opositor, mas a quem se exige que não fique pelo cumprimento dessa missão, que também vá em frente, ataque e desequilibre, pois o metro quadrado está mais caro no jogo – a evolução no tempo mexeu com o espaço – e tem de ser quem vem de trás a desatar o nó, tantas vezes.
Coisas da modernidade, dirão, laterais modernos, mas são assim chamados há pelo menos quarenta anos, o Gordillo já era um lateral moderno, no Bétis e no Madrid, a percorrer vezes sem conta aquele eixo junto à cal da esquerda, peito em riste e meias em baixo, já não há laterais de meias em baixo, como o Briegel também, outro peitudo, mesmo se o Briegel não era bem um esquerdino, nem o Demianenko do melhor Dínamo de Kiev, como também não foram Camanho ou Lahm, e hoje o dia é para dedicar aos laterais mas esquerdinos, canhotos de verdade como Maldini e Roberto Carlos, os melhores que a minha geração viu: Maldini, belo como Cabrini antes dele (porque são sempre mais bonitos os italianos?), o melhor de todos a defender, e Roberto Carlos, explosivo como Marcelo depois dele (porque são sempre mais talentosos os brasileiros?), o melhor de todos a atacar, sempre as duas coisas, defender e atacar. E alinho de memória Stuart Pearce, dos penaltis de desempate, um falhado em lágrimas e outro convertido aos gritos, Lizarazu, sangue basco na melhor França de sempre, Henrik Andersen, sinal de ataque raro numa Dinamarca feita campeã da Europa a defender, mais Sergi Barjuán, quando a Espanha ainda era feita de fúria e não ganhava, e ainda Jarni, croata, que só não é o melhor nascido em décadas nos Balcãs porque houve Mihajlovic, lateral também mas mais que um lateral, o melhor pé esquerdo que o mundo já viu a bater livres diretos (não, nem Maradona).
Não é lugar de grande fartura de talentos, sequer no mundo, mas de repente três dos maiores craques da Liga cá do rectângulo andam por ali, acima e abaixo, a dar corda ao pé esquerdo, cada um ao seu estilo: Coentrão como um Tom Sawyer, rebeldia e coragem apuradas no mar das Caxinas, regressou para novas aventuras numa sequência de correrias que cansam quem vê e infernizam quem se lhe opõe, todo coração, mais que razão, sorrisos recorrentes, de novo homem feliz mesmo se com lágrimas na hora da vitória frustrada; Alex Telles é Errol Flynn, arco e flecha, arco perfeito saído das botas com alvo definido e curta margem de erro, poucos são tão fortes naquele drible curto que precede a largada da seta rumo a área, adivinha-se o que vai fazer mas não dá para prever quando nem travar-lhe a marcha; Grimaldo como um músico de jazz, um Glenn Miller, desses que sabem tudo sobre notas e harmonias mas que só se realizam quando fogem à partitura, no caso dele quando não avança sempre por fora em apoio ao extremo, que é o mais comum na função, e improvisa por dentro, altera os compassos previstos e carrega com ele a orquestra. É certo que por cá houve Branco e Schwarz, Nuno Valente e Rui Jorge, Álvaro Pereira ou Siqueira, mas arrisco dizer que nunca os três grandes terão tido, ao mesmo tempo, gente de tanta qualidade na função. O campeonato deste ano pode bem ser decidido à esquerda."

O grande paradigma

"A revista Sábado, de 8 de Fevereiro de 2018, apresenta aos leitores uma reportagem, num ginásio, na zona industrial de Ashton, nos arredores de Manchester. “À entrada, uma roulotte, velhos cavalos de ginástica e uma espada, espetada numa pedra, à espera do Rei Artur. Parece um acampamento nómada”, mas é ali, no Elite Lab, que Mick Clegg, “um treinador especializado em desenvolvimento de força e de velocidade” trabalha, visando o surgimento de novos CR7, ou seja, de novos Cristianos Ronaldos. O interior do ginásio de Mick Clegg “está apetrechado com algumas das máquinas que ajudaram o madeirense a conquistar cinco Bolas de Ouro. Numa dessas máquinas um atleta tenta tocar em todas as luzes vermelhas, que piscam furiosamente num quadro preto, enquanto outro procura memorizar visualmente quatro bolas que se movimentam, misturadas com outras seis, num painel virtual”. Mick Clegg explica o trabalho das máquinas: “O futebolista tem de estar atento à bola, ao movimento dos colegas, à investida dos defesas, aos sons do público. Isso exige muito do cérebro. Estas máquinas ajudam-no a desenvolver a rapidez cerebral”. Os quatro filhos de Mick Clegg, com os métodos do pai, surpreenderam toda a gente que os via, tanto nas aulas de educação física, como na prática desportiva. Chegaram mesmo a “internacionais”, em várias modalidades, o que levou o Manchester United a premiar o arrojo e a competência de Mick Clegg, convidando-o a ingressar, como professor, na sua academia. “O seu programa de desenvolvimento de força era inovador: incluía exercícios de boxe, um chamariz para o médio e capitão Roy Keane, famoso pelo estilo combativo, que apareceu para conhecer o treinador de quem se falava”. Mas não foi só o Roy Keane, outros jogadores dele se aproximaram, curiosos de conhecerem os seus métodos e “em 2000 fui chamado para a equipa principal” sublinhou o Clegg.
David Beckam, Rio Ferdinand, Ruud van Nistelrooy, Paul Scholes, Ryan Giggs ficaram gratos ao professor Clegg… até que o Cristiano Ronaldo o visitou. E, como quem detém um segredo ou recata uma confidência, disse, por fim, a MIick Clegg: “Quero ser mais rápido e mais resistente do que Ryan Giggs”. E, com a sageza aliciante de um especialista, Clegg relatou, em pormenor, o treino específico do CR7 e os resultados espantosos a que o português chegou, atingindo mesmo os níveis físicos do Ryan Giggs, E, a coroar um treino intenso e tecnicamente rigoroso, recorda o professor Clegg: “Tinha uma autoconfiança notável. Enquanto a maioria dos jovens deixava de fazer uma finta quando Roy Keane lhes lançava um berro, ou o público os evolução totalmente controlada. Aliás, ele chegou a confessar-me que o United era uma passagem”. Ronaldo foi para o Real Madrid, em 2009. Dois anos depois, o maestro do ginásio de Old Trafford também abandonou o clube, desiludido pela falta de abertura para com os seus novos métodos. Desde então vive obcecado com a ideia de encontrar um novo Cristiano Ronaldo”. E, ardente de um sonho, com olhos de iluminado, ainda confessa que recebe visitas secretas de jogadores do Manchester City e do Manchester United, “que sentem que os clubes não lhes disponibilizam o treino de que precisam”. E Mick Clegg declara: “Encontrar o novo Cristiano Ronaldo requer uma conjugação de factores – bênção genética, jogar num clube grande e muita dedicação ao treino”. E pacientemente antevê o Futuro: “Se eu comecei a trabalhar com o Cristiano, quando ele tinha 18 anos e ele se tornou um portento físico, imaginem como podem ficar os miúdos que aqui chegam com 6 anos”.
Na conjugação de factores, que o professor Mick Clegg refere, à tríade “benção genética, jogar num clube grande e muita dedicação ao treino”, permito-me acrescentar: “o conhecimento do paradigma onde o treino e o jogo se fundamentam”. Ora, este paradigma só pode ser o de uma ciência hermenêutico-humana. No jornal A Bola, de 10 de Fevereiro de 2018, o dia do Espanha-Portugal, jogo onde se disputou o primeiro lugar do Europeu de Futsal – neste número do jornal A Bola, solicitou-se a antigos jogadores internacionais desta modalidade o que encontravam de relevante, na seleção portuguesa, finalista e portanto possível vencedora do Europeu de Futsal. Para Majó, Zé Maria, Zezito, Gonçalo Alves, Pedro Costa, Cardinal, a resposta foi unânime: o espírito de grupo, a coesão a raça, o querer, uma alegria contagiante durante o jogo e o orgulho de poderem representar o seu País. Ricardinho, o melhor jogador do mundo de futsal, não escondeu o que lhe saía da alma e referiu, acima de tudo, o ”carácter”, isto é, a vontade imensa da vitória… pelos onze milhões de portugueses e porque, durante a fase final do Europeu, Portugal foi a melhor equipa. Pedro Cary, respeitando embora o futsal da nossa vizinha Espanha, que já venceu esta competição por sete vezes, afirmou, convicto, que a vontade da equipa nacional portuguesa iria transcender todos os obstáculos. O treinador Jorge Braz relembrou Orlando Duarte que, frequentemente, repete que “do Passado vivem os museus” e, embora o poderio da selecção espanhola, Portugal “queria” vencer, fosse qual fosse o adversário. Será de recordar, neste momento que, desde 1990, a UEFA começou a organizar o Europeu de Futsal. E apenas quatro países se sagraram campeões: a Espanha (por sete vezes), a Itália (duas vezes), a Rússia e Portugal (por uma vez).
Com todo o respeito pela competência de Mick Clegg, como especialista que é no “desenvolvimento da força e da velocidade”, é a complexidade humana que deve preparar-se, para que os campeões consigam desempenhos que permaneçam estampados em eternidade. E, na complexidade, a biologia é fundamental, o espírito é essencial. Quando chegaram a Lisboa, os novos campeões europeus de futsal foram recebidos, no Palácio de Belém, pelo Presidente da República, Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, acompanhado pelo Dr. Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, pelo Doutor Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação e do Desporto e pelo secretário de Estado da Juventude e do Desporto, Dr. João Paulo Rebelo. E, nos discursos proferidos, desde o Ricardinho, o capitão do time vencedor, e do Dr. Fernando Gomes, presidente da FPF (sempre calmo e aprumado e de uma impecável delicadeza), passando pelo Dr. Ferro Rodrigues, com a sua confessa admiração por tudo o que merece ser admirado e pelo Doutor Tiago Brandão Rodrigues (o desportista, o cientista, o pedagogo que questiona e se questiona) até ao Presidente da República (culto e generoso e, por isso, de pensamento animante e contagiante) – em todos, o paradigma, o grande paradigma dos mais espectaculares desempenhos, no desporto, é o “fenómeno humano”, no movimento intencional da transcendência. E portanto onde a inteligibilidade e a explicação de um jogo de futebol ou de futsal se encontra menos na natureza do que na cultura. Aceito, com naturalidade, que os fenómenos culturais apresentem mais fragilidades científicas, mas unicamente à sombra das ciências naturais, ditas exactas, jamais poderemos compreender um campeão, em toda a sua complexidade. A alta competição desportiva é mais um drama que outra coisa qualquer, o que lhe confere significação e sentido é a sua relação com determinados valores. Não há neutralidade axiológica, num jogo de futebol. A motricidade humana só pode entender-se como “conduta humana”. E onde o que se faz é mais determinado por valores do que por um fisiologismo que ainda não descobriu que o fisiológico é uma das partes (embora fundamental) de um todo…"

Pilhado... Nuno Gomes

Pilhado... Imperador

António Figueiredo responde e diz que estranho foi o Estoril-Sporting

"António Figueiredo respondeu a Carlos Xavier e voltou a justificar a mudança do Estoril-Benfica para o Algarve.

António Figueiredo, antigo presidente do Estoril Praia, voltou a reiterar a necessidade do clube ter jogado no Algarve devido aos problemas financeiros atravessados pelo clube na altura e contra-atacou: "estranho foi o jogo contra o Sporting" no qual o Estoril promoveu alterações na defesa que considerou "estranhas". António Figueiredo vincou ainda que o recinto algarvio não foi sequer a primeira escolha da administração do clube, relembrando também que não foi apenas contra o Benfica, dos primeiros classificados do campeonato dessa temporada, que o Estoril perdeu pontos. As declarações, feitas ao Bancada, surgem na sequência das acusações feitas ontem por Carlos Xavier relativas ao encontro entre o Estoril Praia e o Benfica disputado no Estádio do Algarve em 2005. 
“Parece que o anormal não sabia que os jogadores estavam com vários meses de salários em atraso. Parece que o anormal não sabe que eu falei com a equipa toda antes de irmos para lá. A decisão não foi minha, foi uma decisão do conselho de administração, não foi uma decisão individual. Parece que o anormal não sabe que isso permitiu pagar os salários. Parece que o anormal não sabe que se tentou jogar no Estádio Nacional e se estava a mudar a relva. Parece que o anormal não sabe que o Estádio do Restelo estava impedido pois estava cedido para os jogos da cidade e não pôde ser emprestado. Parece que o anormal não sabe que se tentou montar uma bancada provisória no sítio onde está agora aquela bancada, mas que razões de segurança não o permitiam”, contra-atacou o antigo presidente do Estoril Praia.
António Figueiredo explicou-nos ainda pormenores relativos à mudança do encontro para o Estádio do Algarve, reafirmando a decisão colectiva que foi tomada. “Foi pedida opinião ao treinador, aos jogadores… Sabe o que é os capitães de equipa me disseram? Disseram-me que para eles até jogavam no Estádio da Luz. Queriam era receber o dinheiro”. “O Estoril quando passou à primeira, tinha acabado o dinheiro. E assim que garantimos a subida, o Sr. Joaquim Oliveira adiantou metade do valor das transmissões televisivas do ano seguinte. Eu fico na primeira divisão e, entretanto, o Veiga vai para o Benfica. Vendeu acções a um grupo inglês que nunca entrou com dinheiro. O Damásio saiu. Fiquei eu, mais o Manuel Alves, mais o Laranjo, e ficámos agarrados com aquilo e com dinheiro para metade da época. Depois deu o que deu. Se não fosse aquele jogo tínhamos acabado a época recheados de dívidas. Se calhar no outro ano a seguir nem na segunda divisão competíamos”, acrescentou.
António Figueiredo reforçou ainda a ideia de que o jogo do Algarve foi uma bóia de salvação para o Estoril Praia: “Foi por milagre, já quando nos preparávamos para declarar falência, que eu lá convenci o João Lagos a entrar naquele negócio. Onde até perdeu um dinheirão, mas permitiu que o João Lagos tivesse negociado com a Traffic e o Estoril esteja agora onde está. Quando chegámos ao Estoril o clube estava na segunda divisão B e perto de descer. A prioridade era não descer da II B. Era só o que me faltava”.
O antigo líder do clube estorilista atacou ainda Carlos Xavier devido a decisões técnicas que apelidou de “muito estranhas” quando o Estoril recebeu o Sporting nessa temporada: “Eu nunca disse isto, mas digo-o agora. Tendo uma equipa técnica que ainda hoje eu estimo e de quem sou amigo, tendo o director desportivo do Sporting, o treinador do Sporting, adjuntos do Sporting, estranho muito que quando nós recebemos o Sporting tenhamos mudado a defesa toda e o Estoril tenha perdido em casa com o Sporting por 4-1. As maiores goleadas que o Estoril teve nesse ano foram contra o Sporting. Bastava ter empatado esse jogo. A defesa foi toda modificada, mudaram o capitão e o Sporting que estava a atravessar uma fase difícil conseguiu ir ali buscar três pontos o que endireitou as coisas por algum tempo”. “Não foram capazes de ganhar ao Sporting e no Algarve, onde o Estoril se bateu praticamente de igual para igual, onde o Benfica se viu aflito para ganhar o jogo com um golinho do Mantorras já a acabar, onde o Estoril vendeu a alma em campo e onde teve um jogador expulso por culpa do banco, que parecia uma gaiola de malucas, tudo a excitar os jogadores…”, acrescentou. 
António Figueiredo assegurou mesmo que em mais nenhum encontro da liga nessa temporada o Estoril teve as mesmas condições de trabalho: “O jogo do Estoril foi aquele, não por parte do Estoril, que o prémio de jogo era igual ao do Sporting e FC Porto, e soube isto por eles, onde houve mais um prémio suplementar de mil e tal contos dado por um fulano qualquer que dava para que o Estoril roubasse pontos ao Benfica”. “O Litos foi uma semana antes para o Algarve preparar o jogo. Tiveram uma semana no Algarve. Tudo isso foi possível porque conseguimos encher o estádio. Porque o tempo estava bom e porque o Benfica tem essa dinâmica de levar muita gente atrás e nós facturamos 600 mil euros. Se é a isso que ele se refere, então sim, o jogo foi vendido. Mas era imprevisível. Quando a administração tomou essa decisão não sabíamos se íamos fazer muito dinheiro. Claro que mais do que se jogássemos no Estoril faríamos sempre”, acrescentou.
Por fim, António Figueiredo assegurou que o caso irá ser entregue às autoridades e será decidido na justiça. “A minha reacção só pode ser através da justiça. Isto realmente ultrapassou tudo. Ao fim deste tempo todo, esse cavalheiro que foi trabalhar para o Estoril por esmola e a pedido do Mário Jorge, por esmola, ainda tem a desfaçatez de dizer aquilo que disse… devem estar a pagar-lhe com certeza…”. “É ridículo. Eu já entreguei isto à polícia. Já mandei isto para o meu advogado. Eu realmente tenho de calar este anormal. Este individuo tem sido de uma insensatez… Veja só se o Litos mais alguma vez foi buscar este cavalheiro para o ajudar. Isto demonstra que, mesmo sendo amigos, mostra o desempenho que este indivíduo teve por lá. A maior parte das vezes nem sequer aparecia. Ao fim destes anos todos, porque lhe arranjaram também uma esmola no Sporting, veio ressuscitar uma coisa com tanto tempo que eu já expliquei tanta vez. Dei-lhe emprego por esmola, por piedade e por pedido dos amigos dele”, disse ainda.
“Se fizéssemos antes como fez o Salgueiros e cobrássemos 40 contos por bilhete era outro escândalo na mesma. Seríamos presos por ter cão e por não ter”, concluiu António Figueiredo ao Bancada."