Últimas indefectivações

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Setenta e três anos

"Mal se tinha se fixado e desenvolvia ainda no século XVI, a primeira tecnologia da imprensa, a sociedade dos homens já generalizava esse novo conceito de escrever e publicar para outros lerem, tomarem conhecimento e conservarem as notícias, os dados e as opiniões. Como se dessa maneira pudessem prender a si a efemeridade dos dias... Hoje sabemos que esse esforço primacial de expansão e partilha do conhecimento e do pensamento individual, constituiu a génese e a matriz de tudo o resto com que, centenas de anos mais tarde, até os tempos viriam a captar os próprios homens.
Os jornais nunca mais deixariam de corresponder a esse generoso impulso da partilha da informação que cinco séculos depois assumiria tantas e tão surpreendentes declinações que hoje estão diante de nós, em cada um dos nossos mais comuns momentos de vida. Assim foi também com o nosso jornal O BENFICA que há setenta e três anos, começou por representar a primeira sede para a compilação dos factos, do registo das personagens e da síntese das circunstâncias que à medida dos tempos, foram acrescentando os marcos da história centenária do SPORT LISBOA E BENFICA.
A esse formato original criado pela mão de nobres Benfiquistas dirigidos por José Magalhães Godinho - um notável consócio e cidadão, a cuja memória e glorioso exemplo me orgulho de prestar esta simples homenagem - puderam outros muito ilustres companheiros dar constante sequência, ao longo das décadas, por forma a que nestas páginas sempre se honrassem os critérios da verdade e do rigor.
O jornalismo que dedicadamente cumprimos ao longo dos setenta e três anos da história d'O BENFICA produziu frutos porventura inimagináveis no início. Hoje, felizmente não estamos sós nesta notável galáxia de Comunicação vermelha em que, com os nossos irmãos mais novos - o site e as plataformas interactivas e a BTV - todos contribuímos nos nossos diversos campos de acção e com as mais adequadas ferramentas e linguagens próprias, para levar sempre e cada vez mais longe uma ideia eterna e única, tão agregadora e universal como nenhuma outra pode ser:
E PLURIBUS UNUM."

José Nuno Martins, in O Benfica

José de Sousa Esteves (1919-2015)

"Um dos Benfiquistas mais notáveis faleceu aos 96 anos, com 83 de associado, desde 1933. O professor liceal de educação física que se tornou uma referência pedagógica para gerações de alunos influenciando positivamente as suas vidas, teve grande destaque no Benfica entre meados dos anos 50 e a década de 70. Foi uma actividade consistente e inovadora, com muito valor e importância, mas acerca dela escreveremos numa das próximas edições deste semanário.
Falecido em 17 de Novembro, teve uma vida profissional profícua sempre em prol da educação física aplicada aos jovens de uma forma equilibrada e atractiva de modo a interessá-los e formar a sua personalidade. Este entendimento integral da educação, responsabilizando o Poder pela sua existência, nos anos 60, levou-o desde muito cedo a ter consciência cívica e ser um cidadão incómodo. Enquanto desenvolvia no Clube as suas ideias aproveitando a liberdade e grandeza do Benfica, estruturava o seu pensamento, publicando um livro inovador na sociologia desportiva, "O Desporto e as Estruturas Sociais" (editora Prelo; 1.ª edição em 1967) e participando no 3.º Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro, em Abril de 1973, com a tese: "Sobre a promoção desportiva nacional". Um congresso que foi reprimido com uma carga policial brutal. Cidadão de causas nunca procurou protagonismo, preferindo exercer a sua cidadania activa no dia-a-dia, passando despercebido. Mas este seu modo de ser não pode impedir que fique registada a sua importância e o seu exemplo como ser humano de excelência, em profissionalismo e urbanidade.
Obrigado, Zé Esteves!"

Alberto Miguéns, in O Benfica

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

No regresso do campeonato nós e os outros

"Passado este interregno de campeonato de muita má memória (não posso deixar de o assumir, frontalmente), e conseguido o apuramento para os oitavos de final da Champions em Astana, que conclusões tirar e o que esperar dos próximos tempos?

O Benfica
Alguns, como no ano passado, concluem que o plantel do Benfica tem desequilíbrios estruturais, particularmente ao nível da segunda linha.
Ainda assim, somos bicampeões! Por competência nossa, mas - reconheça-se - também por incompetência (e distracção) alheia.
Não tendo o plantel sofrido grandes alterações, quem defendeu essa ideia, no passado, manterá a sua posição, nesta época.
E se é verdade que as mudanças requerem tempo e que as várias lesões se reflectem na equipa, não custa admitir que estamos a jogar abaixo das expectativas de todos!
Isso não me impede de deixar de referir uma evidência: quando uma equipa está a jogar bem, até pode ser prejudicada, mas ganhará sempre... ultrapassando qualquer erro de arbitragem!
Ao invés, a influência dos árbitros será mais notória quando a equipa jogar menos. Tem sido o (nosso) caso! 
Sem querer desculpabilizar alguns resultados, a influência das arbitragens na nossa classificação tem sido uma evidência.
Rui Vitória sabe o que é ser do Benfica, com paixão de adepto, como o provou quando prometeu dar a vida pelo clube e colocá-lo à frente de qualquer ambição pessoal.
Mas, enquanto treinador deste clube, que é maior que Portugal e tendo em conta as actuais circunstâncias do futebol português, o seu discurso terá de ser à imagem e à medida do Benfica.
Porque, aqui, só as vitórias interessam!
Sem medo de chamar os bois pelos nomes, com uma agenda própria que compete a ele definir. Assumir uma postura à Benfica não pode significar não responder (ainda que com evidente elevação e educação). 
Temos de denunciar os escândalos, as perseguições, as campanhas, as mentiras, de quem connosco é exigente e imparcial e com os outros é parcial e conivente!!!
É obrigação de todos nós defender a honra do Benfica (olho por olho, dente por dente, lembram-se?). Cabe, por isso, aos responsáveis máximos pela comunicação - como, agora, passou a acontecer - saber transmitir a indignação por tanta barbaridade dita e feita contra nós, deixando bem claro que não podem dizer tudo.
Mesmo sabendo que, com isso, podemos vir a ser alvo de alguns ataques ferozes, dos eternos defensores de convicções alheias, dos independentes cujo único objectivo (porque meio de vida) é atacar o Benfica, contando com o palco que isso lhes dá e, claro, com a nossa indiferença para invocarem a sua razão. Será o resultado final (campeão ou não) que vai definir se - todos sem excepção - somos ou não competentes! 
Uma forte capacidade de resposta e de reacção imediata são as únicas compatíveis com uma época como a atual, de grande aposta na formação, onde o suplemento adicional de discurso motivador será (será, digo eu, ainda a tempo) o elemento distintivo.
Os jogos contra o Sporting, onde as tais influências foram evidentes, provam que esse é o caminho...
Na Supertaça, por exemplo, Gaitán foi ceifado.
Qual foi a consequência?
Na Luz, para o campeonato, antes do primeiro golo, Luisão foi agarrado e Gaitán novamente travado. 
Quais foram as consequências?
Com um discurso agressivo, vindo daquele lado, atemorizam-se os árbitros, legitima-se a violência, fazendo corresponder às nossas derrotas um esmagamento futebolístico total.
Nada mais errado!
Apesar de quererem que se acredite na tese do colinho... a favor do Benfica, são eles, os outros, que usufruem dessa impunidade, dos erros de arbitragem, para poderem parecer competentes.
Querem prova mais escandalosa do que o que se passou no último jogo, em Alvalade?
Gaitán e Luisão foram parar ao hospital por terem sofrido, respectivamente, um traumatismo craniano e uma fractura no antebraço.
Slimani teve uma entrada violenta sobre Júlio César, tendo-lhe rasgado o equipamento... jogo perigoso, portanto!
Para depois agredir barbaramente Samaris...
Quais foram as consequências?
Alguns jogadores do Benfica viram o cartão amarelo, ao contrário de jogadores do Sporting, que, por mais faltas que fizessem, não o viram, nunca.
Ederson foi expulso... no banco... ficando o Benfica sem guarda-redes suplente, escolhido, ele, de entre todos os que protestaram por uma jogada discutível (se a moda pega, o Sporting, aos dez minutos de cada jogo, fica sem ninguém no banco).
Samaris foi também expulso, tendo visto dois cartões amarelos, aos 111' e aos 113'!
E depois o Benfica é que é levado ao colo...

E o Sporting?
Os velhos rivais têm um treinador que quer vingar-se de Luís Filipe Vieira. Um treinador que não consegue deixar de pensar e de falar no Benfica (percebo a sua angústia e mágoa). Estou certo de que, por ele, ainda hoje estaria no Benfica... Não sou ingrato, mas, como é público, nunca o admirei particularmente... não tendo simpatia pela sua personalidade, nem empatia pelo seu caráter... Coisas da vida! Não me vou esquecer de uma Taça de Portugal, de (pelo menos) um campeonato e de uma final da Liga Europa que de forma (muito) incompetente perdeu... quando tinha tudo para ganhar! Além disso, se se mantiver fiel à sua matriz psicológica (decorrente da velha fórmula... «a nossa mente atrai tudo o que tememos») não duvido que irá continuar a falhar nos momentos decisivos (apenas superados quando a vontade se alia a uma grande ideia de vingança)...
Por mais que tente disfarçar os seus erros, as fraquezas e até alguns dos seus receios que sempre o acompanharam...
Cá estaremos para ver!
Não sem denunciar, aos quatro ventos, a estratégia de comunicação do Sporting.
Com tanto benefício, esquecem-se de continuar a defender a (tão desejada) introdução do sistema de video-árbitro, ...
Hoje, curiosamente, e porque (para já) lhes corre bem, a estratégia resume-se à conflitualidade pela conflitualidade, ...
Porque, vale tudo, para não discutir os sucessivos jogos em que, sem a ajuda dos árbitros, teriam, perdido, pelo menos, 6 pontos dos que têm...
Felizes os pobres de espírito...

Já o FC Porto...
Longe vão os tempos de hegemonia para aqueles lados, em que se ganhava muito que havia para ganhar, ... embora da forma que se sabe.
Depois da estratégia dos últimos anos, a maior vergonha do futebol português, a estrutura parece já não funcionar...
A máquina, que estava habituada a uma certa bipolaridade, controlada com as ajudas, encontra-se agora completamente desajustada e baralhada com a tripolaridade...
Julen Lopetegui tem sido um treinador que me tem dado muitas alegrias (como na terça passada) e que ainda não percebeu, a esta altura do campeonato, que, por esses lados, ... ganha a estrutura, empatam os jogadores, perde o treinador...
O treinador que com o melhor plantel de sempre não conseguiu ganhar nada...
Espero continuar a vê-lo de dragão ao peito por muitos anos, até porque, como se viu, pelos lenços brancos exibidos no fim do jogo com o Dínamo de Kiev, para citar um amigo meu que lá foi ver «aquela desgraça» que os levaria a jogar com o Sporting na Liga Europa, não fosse o treinador dos leões tão avesso a essas extravagâncias europeias, ... a sintonia entre os adeptos e o treinador está ao rubro!
Ou seja, já nem o Dragões Diário os animam!!!

E o SC Braga...
Segue-se a deslocação do Benfica a Braga, um campo tradicionalmente difícil. Onde jogaremos contra uma equipa onde o seu treinador - que provou não ter, na altura, andamento para um grande (acontece a muitos...) - tem desenvolvido um excelente trabalho, - tendo muito a dizer na luta pelo título... Não podemos, ainda assim, admitir outro resultado que não seja a vitória da equipa de... Rui Vitória. 
Exorcizando os medos dos tempos da outra senhora, como diz o povo. Porque, com todo o respeito que o Braga me merece, espero lá ganhar! Para ser TRICAMPEÃO.

PS 1: Oposição no Benfica Há personalidades que aparecem apenas e só quando o Benfica perde, dizendo mal de tudo e de todos, para serem notícia.
Outros, oscilam entre o apoio bajulador, interessado e interesseiro, com o objectivo de agradar, a ver se entram na próxima lista, e a crítica violenta quando o Benfica perde.
Mas - azar dos Távoras - a uns matam-nos os títulos dos jornais, ... a outros o seu próprio... nome! É que... já não me basta o Benfica não ganhar e ainda tenho de os aturar...

PS 2: Nomeações Eu quero ser TRICAMPEÃO mas... não me façam de parvo com determinadas nomeações!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Raúl González

"Raúl González, mais conhecido só pelo nome próprio, termina a sua carreira de futebolista, aos 38 anos. Destes, 19 foram passados no Real Madrid. Um jogador que enobreceu o ofício e que o honrou no plano profissional e deontológico.
Jogando tantos anos nos merengues teve muitos títulos espanhóis, europeus e mundiais. Apenas lhe faltou um grande troféu a nível da selecção espanhola.
Raúl foi um jogador exemplar. Tão correcto no campo ou fora dele e, futebolisticamente, de uma eficiência letal. Nunca precisou de formas abstrusas de promoção de imagem. Nunca se serviu de parvos adereços ou de penteados apalermados. Ao longo julgo, nunca teve, na sua extensa caminhada, um cartão vermelho, o que evidencia a sua lealdade e serenidade como atleta. Nunca se comparou a ninguém, nem deixou que o comparassem obsessivamente a outrem. Valia por si, ponto final.
Pessoalmente, sempre admirei a sua forma suave, mas demolidora como jogava. Sempre sem azedume, mas completamente envolvido no jogo colectivo de que fazia depender a sua eficácia. Em alguns aspectos, fazia-me lembrar o grande Nené do Benfica. Ambos estavam no tempo certo no sítio certo, sem correrias ofegantes só para tiffosi verem, mas com a oportunidade e velocidade que se justificavam em cada momento.
Raúl - pai de 6 filhos - geriu, com mestria, o momento para emigrar. Primeiro no Schalke 04, onde ainda conquistou títulos, depois aproveitando os petrodólores que lhe ofereceram na fase descendente.
Tal como Casillas, um símbolo do futebol espanhol e do Real. Sem necessitar, porém, de queixumes, défices de consideração ou esposas de grande mediatismo."

Bagão Félix, in A Bola

Marca...

Adidas Internacional

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Bilhete para os Oitavos...

Astana 2 - 2 Benfica


Este jogo foi jogado num contexto muito específico: após derrota dorida com os Lagartos; viagem de 10 horas, com fusos horários distintos; relvado sintético, num ambiente de pavilhão; adversário bem adaptado às condições e que com as outras equipas do grupo, também empatou em casa; além das muitas ausências importantes, por lesão ou castigo: Luisão, Gaitán, Semedo, Salvio, Fejsa, Lindelof...
Dito isto, e após estarmos a perder 2-0 ao minuto 31, acabar empatado, acaba por ser um 'mal menor'. Aliás, mais uma vez a equipa demonstrou boa atitude. Se não a tivesse tido, não tínhamos conseguido recuperar...
Agora, continuamos a cometer muitos erros. Hoje o mais evidente, foi na transição da 1.ª Fase de construção para a 2.ª Fase: os erros foram recorrentes:
Bola nos Centrais; passe lateral para os Laterais; Lateral a ser pressionado; sem linhas de passe; e passe de risco para o centro do campo; perda de bola; e nenhum jogador bem posicionado para travar o contra-ataque adversário!!!
Esta situação repetiu-se muitas vezes... por exemplo, no 1.º golo do Astana!!! Pior ainda, esta situação tem-se repetido vezes sem conta, desde do início do Campeonato...

Por acaso, até não começamos mal, mas rapidamente se percebeu que a estratégia do passe longo do Astana, era mais eficiente... Continuamos a demonstrar problemas na definição dos nossos lances perigosos, o 'penúltimo' passe, sai muitas vezes mal... e os Cazaques na 2.ª vez que chegaram à nossa área, marcaram... Foi o nosso pior período... até que numa bola parada, sofremos o 2.º (por acaso parece-me que existe fora-de-jogo), reagíamos bem, o jogo passou a ser jogado no meio-campo do Astana, antes do golo inaugural do Jimenéz já tínhamos tido alguns remates perigosos... mas foi importante reduzir, antes do intervalo.
O 2.º tempo voltou a começar, com os tais problemas de transição do Benfica, voltámos a perder muitas bolas, nas Fases iniciais de construção de jogo, mas mesmo assim o Júlio acabou por ter menos trabalho... A entrada do Talisca, foi arriscada, era necessário melhor capacidade de passe, para ultrapassar a rede Cazaque, o Baiano entrou mal, mas lá conseguimos começar a trocar a bola mais perto da área do Astana... e naturalmente apareceu o golo do empate!
A partir daqui, a analise é complicada: eu também queria o 3.º golo, vários jogadores do Astana estavam de rastos (o Guedes e o Jiménez também)... mas o empate podia ser suficiente (e foi), e muito sinceramente, os próprios jogadores perceberam, que se o Benfica arriscasse, podia ser surpreendido num contra-ataque!!!
O destaque individual apesar dos dois golos do Jimenéz (afinal sempre marcou 2 golos!!!), tem que ir todinho para a estreia do Renato Sanches. Fez uma boa exibição, não fez a diferença, cometeu alguns erros, principalmente de colocação defensiva, arriscou pouco nas aproximações da área contrária, começou algo tímido na pressão, mas acabou a 6, já sem a timidez!!! É claramente o nosso futuro 8, pode claramente jogar já, nos jogos da Luz, mas vamos esperar pela evolução...
Outro regresso foi o Lisandro, que mais uma vez mostrou qualidades e defeitos. Mais rápido que o Luisão, mas menos inteligente a jogar... a jogada do Amarelo é burrice, e no 1.º golo do Astana movimenta-se mal: quando o Jimenéz perde a bola, o Lisandro tem que fazer subir a linha defensiva, e meter o avançado em fora-de-jogo, mas em vez disso recuou...
O Pizzi terá feito a melhor exibição da época!!! Isto não quer dizer que tenha jogado muito bem, porque tem sido uma época muito má para o Pizzi, mas pelo mostrou que pode jogar na Ala. Já não tem a velocidade que tinha, mas pode ser útil naquela posição... pelo menos até ao regresso do Salvio.
O Guedes voltou a correr muito, mas nem sempre bem... teve dois golos nos pés, mas acabou por falhar... Ouviu das boas do Jonas, por demorar nas definições dos lances, com alguma razão...
O Jonas está a jogar claramente condicionado. Não existe confirmação oficial, mas a forma como se movimenta, parece mesmo estar com uma pubalgia... A ser verdade, a gestão da sua utilização será muito complicada...
Talisca voltou a fazer das suas: entrada em campo, com várias desconcentrações incríveis... depois lá estabilizou, mas...

No meio disto, e como eu temia, tivemos pelo menos mais uma lesão: Sílvio. Os sintéticos fazem mal aos músculos, e jogadores susceptíveis a este tipo de lesões normalmente não se safam... vamos ver se amanhã, não temos mais más notícias!!! Não gostei da forma como o Guedes se estava a queixar nos últimos minutos...!!!
Esta lesão do Sílvio, vem no pior momento: primeiro o Sílvio estava finalmente a jogar melhorzinho; depois com o Samaris castigado para a Braga, o André Almeida seria o seu substituo natural, assim o André deverá ir para Lateral direito, e vamos ver quem jogará no meio-campo... Cristante e Renato?! Talisca?! Pizzi?!

Quando o jogo acabou, a qualificação ainda não estava garantida, mas só uma grande surpresa podia impedir o Benfica de chegar aos Oitavos. O Atlético de Madrid não facilitou, ganhou ao Galatasaray, e o Benfica já está qualificado. Vamos decidir na Luz, o 1.º lugar com o Atlético, sendo que o empate chega ao Benfica.
Numa época, que está a correr mal, esta é realmente a única competição, que está a decorrer de acordo com as nossas expectativas... Vamos ver como será o sorteio dos Oitavos, talvez exista para lá um Basileia qualquer!!!

Na luta...

Benfica 91 - 62 Sopron
24-13, 17-15, 22-12, 28-12

Vitória esperada, por números largos, como se impunha, já que os pontos podem decidir a passagem à próxima fase, já que estamos na luta pelos melhores 3.º lugares. Na próxima semana, recebemos os Belgas (Americanos) do Antuérpia - a equipa mais forte do grupo -, e estamos obrigados a ganhar, e esperar pelos resultados dos outros grupos...

Grande jogo do Radic, muito bem apoiado pelos companheiros... infelizmente continuamos a cometer algumas infantilidades, os números dos turnovers, continuam altos...
Hoje tivemos o factor Wilson (4/11) nos Lances Livres, mas mesmo nos outros jogos, temos tido percentagens nos 50%, o que é demasiado baixo.

Os meus pêsames para o Wilson, e para a sua família, que perdeu o pai após doença prolongada.

Regresso às vitórias...

Benfica 4 - 0 Gualtar

Jogo de sentido único, onde o guarda-redes o Gualtar defendeu quase tudo... mas foi só quase!!! Hoje quem 'descansou' foi o Juanjo...
Modicus e Burinhosa, dois adversários complicados nos próximos dias.

Rui Águas e Cabo Verde

"Cabo Verde - um país com 10 ilhas e 500 mil habitantes, que atingiu uma fase de maturidade política e social que constitui um exemplo no continente africano - ficou apurada para a fase de grupos de qualificação para o Mundial-2018.
Rui Águas é o seu seleccionador. Fiquei satisfeito com este obstáculo já ultrapassado, não só por se tratar de Cabo Verde, como por ter sido alcançado pelo antigo atleta do Benfica. Recordo, aqui, a surpresa que constituiu a histórica vitória dos Tubarões Azuis sobre Portugal por 2-0, no Estoril, em Março deste ano. Águas tem feito um trabalho tão discreto, quanto eficiente. Um homem de futebol que sabe ser prudente e sagaz, atento e criterioso, sensato e sabedor. Também como jogador assim sempre o vi, não olvidando momentos gloriosos que viveu no Benfica, um dos quais foram os seus soberbos golos na meia-final da Taça dos Campeões Europeus contra o Steaua de Bucareste. Mas, falando em Rui Águas, não posso esquecer o privilégio que tive em ver jogar o seu pai, José Águas, um jogador fino, eficaz, elegante e correcto como pouco agora se vê. Ao escrever este texto sobre Rui Águas não esqueço os muitos treinadores e seleccionadores portugueses que, por esse mundo fora, honraram a escolha e prestigiaram Portugal. Nem os muitos jogadores cabo-verdianos que jogam ou jogaram em Portugal com qualidade.
Ao que li, há um clima tenso entre o novo presidente da federação cabo-verdiana e o seleccionador. Situações que se repetem amiúde por esse mundo fora, sobretudo quando entram em cena, egoísmos e invejas corrosivas. O certo é que Rui Águas já marcou o futebol do arquipélago."

Bagão Félix, in A Bola

Madrugar com 'manita'!!!

Astana 0 - 5 Benfica

Duarte; Buta, Azemovic, Ferro, Yuri; Pepe (Leonardo, 46'), Pereira, Guga; Zidane (Lourenço, 65'), Martin (Araújo, 46'); Zé Gomes

Nova goleada, desta vez sem jogadores da B...
Apesar dos 5 jogos, 5 vitórias, ainda não garantimos o primeiro lugar...

Vitória B

Benfica B 2 - 1 Oriental


Vitória justa, com os golos a surgirem só na 2.ª parte... mais uma vez a ineficácia podia ter saído caro.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Os tiros do professor de dança...

"Uma vez, em Wembley, Portugal fez entrar em campo uma equipa com um único jogador nascido no Continente. Eusébio foi enorme e a imprensa inglesa não perdeu a oportunidade de trazer à baila o problema das Colónias.

Não sou capaz de jurar que não falei deste episódio numa crónica das costumeiras que por aqui assino.
Pouco importa. Vale a pena repisá-lo pois é dos mais curiosos do Futebol português de todos os tempos.
Vamos a isso?
Estávamos no apuramento para a fase final do Campeonato do Mundo de 1962, no Chile.
Certa vez, o seleccionador nacional de então, Manuel da Luz Afonso, disse-me numa entrevista que essa fora a melhor selecção portuguesa de todos os tempos, tal a quantidade de jogadores de qualidade disponíveis.
Escandalosamente perdeu no Luxemburgo (2-4) na estreia de Eusébio.
Wembley e a Inglaterra levantaram-se agora no horizonte português com a dimensão da cadeia dos Himalaias prontas a desabar sobre esse Portugal de eternas promessas.
Os ingleses acorreram às bilheteiras com o entusiasmo próprio dos que se preparam para uma tarde de festa. Pela quarta vez na sua História, o mais mítico de todos os estádios, rebentava pelas costuras: apenas a Alemanha, a Rússia e a Hungria tinham, até então, esgotado Wembley. E tombava agora um recorde de receita que durava desde o Inglaterra-Alemanha de 1955: 52.000 Libras estrelinas - 4.200 contos, ao câmbio da época.
Portugal perdeu em apenas dez minutos: ao minuto 11 já Connelly e Pointer tinham feito o resultado (2-0).
Depois fez um exibição memorável, daquelas que ficaram no registo canónico das nossas «vitórias morais». No dia seguinte, todo o país pôde ver pela televisão o chamado «video-tape» do jogo de Wembley graças ao patrocínio da Mabor. A primeira parte começou a ser transmitida às 20h40; a segunda às 22h05.
E o que viram os portugueses, no confronto das suas poltronas? Aquilo que 100 mil espectadores assistiam num Estádio de Wembley fervilhante de alegria pela qualificação inglesa: uma reacção valente de um grupo de portugueses vindos das sete partidas do Mundo. Ainda com 1-0 no marcador, Cavém cabeceia ao poste do guarda-redes Springett. Mas só depois do segundo golo é que Portugal se lançou decididamente no ataque. Eusébio foi grande e levou os companheiros atrás de si. Para os ingleses que já lhe haviam colocado a alcunha de «Pantera Negra», a sua exibição valeu a multiplicação dos elogios até ao exagero. «Eusébio foi o tecto do edifício no seu primeiro jogo perante 100 mil pessoas. Ele terá no futebol europeu um nome tão grande como Puskas, e os seus golos mantê-lo-ão no pódio da glória durante longo tempo. Tem um trabalho de pés de um professor de dança e um 'tiro' com ambos os pés que tem a velocidade de um raio». O autor desta prosa chamava-se Frank McGhee e escrevia no «Daily Sketch».
Eusébio soube merecer cada um destas palavras: aos 15 minutos, tem um pontapé acrobático, em «moinho», que falha a baliza por um triz; aos 17, remata de longe e Springett defende à segunda; aos 24, faz uma finta de corpo sobre um adversário e remata de pronto, com tanta força que Springett volta a defender para a frente, para o lugar onde Águas chega um tudo nada atrasado; aos 42, recebe um passe de Águas e volta a rematar fortíssimo - ao lado; aos 47, o seu tremendo pontapé leva a bola aos poste direito de Springett; aos 84, repete o pontapé e o poste (dois minutos depois seria Águas a acertar, de cabeça, no mesmíssimo poste).
O público de Wembley está rendido. Portugal perdia a possibilidade de chegar ao Chile, mas ganhava o seu maior jogador de todos os tempos. Os jornais britânicos tratariam, nos dias que se seguiram ao jogo, de aumentar a lenda, contando histórias incríveis sobre a sua infância em Moçambique e sobre os golos que tinha e não tinha marcado em Lourenço Marques e em Lisboa. E a verdade de Manuel da Lua Afonso nunca passaria de uma promessa que ficou por cumprir.

Só um de Portugal continental
O jogo de Wembley faria também correr muita tinta nos jornais ingleses por outra razão, bem mais séria do que um simples jogo de Futebol. A presença maciça de jogadores naturais das colónias na selecção nacional voltava a trazer a público a intransigência do Governo português em relação a um problema para o qual não se vislumbrava solução. Seis meses antes, o golpe falhado de Botelho Moniz trazia também consigo a intenção de resolver os conflitos nascentes em Angola, Guiné- Bissau e Moçambique pela via regional. A denúncia internacional das repressões violentas impostas pelas tropas portuguesas às populações civis de Angola e a carta aberta de Amílcar Cabral, principal dirigente do PAIGC, a Salazar reclamando a independência da Guiné-Bissau e Cabo Verde faziam crescer uma campanha generalizada contra a política colonial do país. Mais uma vez, o Governo de Salazar mascara, engana e segue em frente: os «indígenas» e assimilados naturais das Províncias da Guiné, Angola e Moçambique passam a ser, por via do Decreto-Lei n.º 43893, considerados portadores de «plena cidadania portuguesa».
E como era composta por «indígenas» e assimilados esta selecção que protagonizara em Londres o «Jogo da Madeira» (Peyroteo queixar-se-ia que era os jogos assim que tinham inventado os postes redondos, mas que isso de nada servira a Portugal!) Dos onze que estiveram em campo, apenas Dominicano Cavém nascera em Portugal continental, mais precisamente em Vila Real de St.º António (mais na raia era difícil...). Lino era dos Açores; Lúcio do Brasil; Costa Pereira, Hilário, Pérides, Vicente, Coluna e Eusébio de Moçambique; Águas e Yaúca de Angola. Além disso, o seleccionador, Fernando Peyroteo nascera em Angola e o treinador, Otto Glória, no Brasil. Curiosamente, nesse mesmo dia, um angolano que muitos seleccionadores portugueses tentaram trazer para a selecção portuguesa, Jorge Mendonça, do Atlético de Madrid, era um dos convocados da Espanha para um jogo particular contra Marrocos.
Hoje, tal exibição de portugalidade encher-nos-ia de orgulho. Nesse mês de Outubro de 1961, caiu-nos em cima com o peso de uma indecente prepotência.
Também é disto que se fazem as histórias das nações."

Afonso de Melo, in O Benfica

Acreditar na 'amarela'

"A vontade de vencer cuidadosamente atada com cordel branco.

Depois de quatro anos de interregno, devido à II Guerra Mundial, a Volta de Portugal em Bicicleta voltou a realizar-se em 1946. No ano seguinte, coube ao Sport Lisboa e Benfica, através da Comissão Administrativa da Secretaria, organizar a prova.
Com partida e chegada em Lisboa, entre 24 de Agosto e 7 de Setembro de 1947, dezenas de ciclistas percorreram Portugal de norte a sul, perfazendo um total de 2264 quilómetros.
A equipa 'encarnada' era constituída pelos corredores José Martins, Júlio Mourão, Guilherme Jacinto e Manuel dos Santos Gonçalves. José Martins (1920-2011), pela primeira vez de 'águia ao peito', era um ciclista experiente e com grande aptidão física, que havia vencido a Volta no ano anterior, o que o colocava como favorito nesse ano. Palpite certo, como se viria a verificar. O próprio acreditava que poderia voltar a alcançar o pódio: na madrugada antes da etapa Setúbal-Loulé, a 25 de Agosto, José Martins 'entregou ao delegado do nosso Clube, Sr. José Tavares, um pequeno embrulho, cuidadosamente atado com cordel branco...'. O que continha? Não disse e fez, 'insistentemente, a recomendação de que ele só deveria ser aberto em Loulé', o que alimentou ainda mais a curiosidade em torno do embrulho. 'Dentro do pacote, encontrava-se, simplesmente, o boné amarelo que Martins usou na última volta, quando envergou a camisola da mesma cor...'. O ciclista acreditava que voltaria a envergar a camisola amarela no final da 3.ª etapa. Tinha razão! Foi o primeiro a chegar a Loulé. Na meta, aguardavam-no a camisola, o boné e a mãe: 'quando ganhei a etapa e a camisola, a minha mãe esperava-me... Não sei bem descrever-lhe o que sentiu.'
O pandã camisola-boné acompanhou-o até ao final da Volta, quando se consagrou vencedor. Para além da sua vitória individual, auxiliou o Benfica na sua quinta conquista colectiva na Volta a Portugal em Bicicleta. À equipa vencedora foram oferecidas várias taças, entre elas a Taça Jornal A Voz, em exposição na área 3. Orgulho ecléctico do Museu Benfica - Cosme Damião. José Martins, enquanto vencedor, levou para casa 'um leitão, oferta do restaurante Bairrada', 'um fato alfaiataria «Arcada da Moda»' e 'seis pares de sapatos de trazer por casa (...) oferta da Costa Gonçalves & Ferreira'.

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Cobardia

Não é novidade nenhuma, a opinião publicada desportiva em Portugal é totalmente resultadista. Merecer a vitória, depende exclusivamente da bola entrar ou não... A subjectividade do Futebol desaparece quando se faz as analises aos jogos no dia seguinte.
Começo por reafirmar que o Benfica está a jogar mal, e muito sinceramente, tenho pouca confiança que Rui Vitória consiga ter sucesso no Benfica.
Agora, a eliminação do Benfica no prolongamento no Alvalixo, está muito longe da ficção descrita pela esmagadora maioria da opinião profissional Tuga. A suposta estratosférica superioridade Lagarta, no final dos 90 minutos, dava empate (por acaso desconhecia a dificuldade do Benfica em vencer no Alvalixo para a Taça, como podem ler aqui)!!!
Isto num jogo com uma arbitragem absolutamente vergonhosa, com uma dualidade de critérios gritante, principalmente na forma como permitiu ao meio-campo Lagarto parar em falta, premeditadamente, persistentemente, violentamente, a grande maioria dos ataques do Benfica... Tudo isto com total impunidade. Enquanto vários jogadores do Benfica, na primeira falta que cometeram na partida foram imediatamente amarelados: Adrien, William, Jefferson e Slimani recorreram sistematicamente a faltas, algumas agressões puras, e os amarelos ficaram sempre no bolso... em alguns casos nem faltas foram marcadas. Este pormaior teve uma enorme influência na forma como decorreu a partida...
O cumulo é que as agressões mais graves, nem sequer foram faltas!!!! Mesmo a entrada sobre o Gaitán, que não sendo uma agressão, é claramente faltosa e perigosa (o Paulo Oliveira sabia que ia chegar atrasado... entrou claramente para atingir o Nico).
Mas mesmo assim, os Lagartos só chegaram aos golos, na sequência de dois erros do Júlio César. Sim, a opinião pode não ser popular, mas o Júlio no primeiro não devia ter saído da baliza, e no segundo, nunca poderia defender aquela bola para a frente...
Sendo que além dos golos, foram poucas as bolas de verdadeiro perigo, com remates à baliza, sendo que o Patrício deve ter tocado mais vezes na bola, do que o Júlio, apesar do domínio territorial dos Lagartos.
A incapacidade demonstrada por todos os opinadores em descrever aquilo que se passou no relvado é indicador da sua incompetência. Mas o problema é ainda mais grave!!!
Ao esconder-se que Slimani agrediu Júlio César (sim, agressão, a bola foi socada com os mãos pelo Júlio, a maneira como o porco esticou o pé, quando a bola não estava lá, foi claramente para agredir...), e devia ter visto o Vermelho directo; ao esconder que Slimani devia ter visto o Vermelho directo quando agrediu Samaris; ao tentar disfarçar a roubalheira com um suposto penalty do Luisão numa jogada onde o Ruiz está 2 metros fora-de-jogo; ao meter nos casos do jogo uma jogada do Gelson; ao terem dúvidas no penalty descaradíssimo sobre o Luisão... tudo isto somado, prova que esta gentalha, não é só incompetente, é no mínimo cobarde... e muitos deles são mesmo avençados corruptos, com um anti-Benfiquismo descarado na ponta da língua...
(A única jogada onde poderá ter existido um erro que favoreceu o Benfica, o Samaris de facto empurra o porco, mas depois este atira-se para o chão de forma totalmente artificial...)

O Benfica cometeu vários erros esta época: a formação do plantel, a planificação da pré-época (muito por culpa do ex-treinador!!!), e muito provavelmente a escolha do novo treinador... Mas nada disto justifica o que se tem passado dentro dos campos... Slimani por exemplo, é raro o jogo onde não agride cobardemente adversários: Arouca, e na Luz por exemplo... A 'gloriosa' época da Lagartada está a ser construída em cima das 3 vitórias sobre o Benfica (nos restantes jogos, tem sido uma miséria de exibições, salvas pelos apitadeiros...) curiosamente nestes 3 jogos - independentemente das nossas culpas -, beneficiaram sistematicamente de total impunidade... Se tiverem dúvidas, podem ver os vídeos do Hugo Gil. Nestes 3 jogos, os cartões amarelos para jogadores defensivos dos Lagartos, só a partir do minuto 60... antes do minuto 60, só avançados podem em casos extremos serem amarelos. No jogo do Campeonato, chegou-se ao absurdo, de numa entrada em tesoura, por trás, do Adrien sobre o Samaris, Xistra, mostrou por 'engano', amarelo ao Slimani!!!

As declarações de Rui Vitória no final do jogo sobre a arbitragem soaram a desespero, o silêncio do Benfica sobre o assunto, para mim, é desesperante. Tenho defendido à várias épocas (décadas!!!) uma política totalmente diferente em relação aos constantes roubos de arbitragem que sofremos... Nas últimas épocas, além da perda de qualidade dos adversários, beneficiámos de termos de facto uma equipa muito superior a todos os outros, e mesmo assim fomos ganhando Campeonatos quase sempre na última jornada... Agora, que a nossa qualidade baixou, voltámos a deixar na mão dos sabujos apitadores,  as decisões do Campeonato.
Se estivermos à espera que os cobardes avençados desmascarem a sujeira, então é melhor esperarmos sentados... A forma como a Lagartada montou a rede de descomunicação em volta do Benfica, exige uma resposta. Se estivermos à espera de decisões disciplinares ou judiciais, quando se chegar à última instância já ninguém se lembra dos processos!!! A forma como a Lagartada conseguiu criar o Mito que o Judas foi 'despedido' do Benfica (quando o Benfica teve sempre em cima da mesa, uma renovação com um contrato igual...), prova a forma como todos os outros temas irão ser tratados... sem contraditório, será impossível ganhar...
E sim, ao contrário do que alguns dizem, inclusive o nosso actual treinador, os jogos começam a ser ganhos, fora do relvado... Esta época está a ser um excelente exemplo disso.

Não se pode ganhar todos os anos, esta época até pode estar perdida, mas o problema nem é esse... Se o diagnóstico não for bem feito, corremos o risco de ficar afastados das decisões importantes durante um período longo. Com consequências desportivas, mas também com consequências financeiras...

domingo, 22 de novembro de 2015

Treino levezinho...

Benfica 3 - 0 Leixões
25-11, 25-21, 25-14

Mais um daqueles jogos, onde o difícil é manter a concentração, já que os treinos do Benfica são mais competitivos! Um Leixões demasiado juvenil... serviu para treinar Serviços, e dar rotinas aos Centrais em ataque (temos atacado pouco pelo meio...).

Ficção?! Não, aconteceu mesmo...


Aparentemente esta agressão não existiu, nem para o realizador da PorkosTV, nem para todos os outros porcos que comentam estas coisas!
Tenho que admitir a minha 'admiração' como o porco Argelino, vem fazendo estas 'caricias', praticamente em todos os jogos, impunemente... é preciso ser artista, para nunca ser apanhado, ou não...!!!

ADENDA:

sábado, 21 de novembro de 2015

Eliminação no prolongamento

Sporting 2 - 1 Benfica

Quando as coisas não estão bem, e nós ainda oferecemos golos, é impossível ganhar...
Acabámos por marcar cedo, isso ainda deixou a equipa mais na expectativa... mas mesmo assim, o jogo estava mais ou menos controlado, com o meio-campo mais povoado - sem o Jonas, por opção, ou por inferioridade física?!!! -, mas mesmo antes do intervalo, oferecemos o primeiro brinde...
O início do 2.º tempo, foi na nossa pior fase... mas nos últimos 20 minutos, até fomos a equipa mais perigosa, com excepção a uma jogada nos descontos...
O prolongamento, estava equilibrado, com o Benfica a rematar mais, mas com as duas equipas a pensar nos penalty's... até que apareceu a segunda oferta, e pronto... num jogo geralmente mal jogado, por ambas as equipas (naquele ervado não é fácil jogar bem), acabou por ganhar aquele que ofereceu menos brindes...

A quantidade de 'chouriços' e ofertas, que deram golo, nestes 3 jogos com os Lagartos assusta!!! Existindo muitos outros problemas na nossa forma de jogar, o Júlio César fez nestes últimos dois jogos com os Lagartos, as duas piores exibições ao serviço do Benfica...

Eu também não gosto de ver o Benfica a dar a iniciativa de jogo ao adversário, mas às vezes tem que ser... e por acaso com o Judas na última época neste tipo de jogos fizemos sempre isso, e com algum sucesso, portanto não é novidade desta época... O problema está nas transições ofensivas... Mas mesmo com o resultado negativo desta noite, creio que ficou provado que contra equipas do Judas temos que reforçar o meio-campo... nós temos a obrigação de saber que nas últimas 6 épocas, sempre tivemos muitas dificuldades, neste tipo de jogos, contra equipas que povoavam o meio-campo... E eu até defendo, que o Benfica continue a jogar em 442, mas neste jogos não dá...

E para piorar as coisas, o Samaris ainda foi expulso, ficando fora do jogo de Braga (e o Luisão possivelmente lesionado com alguma gravidade... e vamos ver se o Júlio também não tem algum problema...)! Não ter sido nenhum jogador expulso nos 90 minutos foi um milagre (jogador de campo, porque o Ederson foi expulso no banco!!!)... não ter feito qualquer tipo de gestão de amarelos, foi brincar com o fogo... Já agora, a saga dos penalty's por marcar a favor do Benfica continua alegremente (pelo menos um... o outro...), desta vez, parece que mesmo partindo o braço, a 'intensidade' não chegou para ser marcado o penalty...!!! Talvez, um tiro... mas provavelmente a culpa seria do jogador do Benfica, que se pôs à frente da bala!!!
Além de todos os potenciais lances polémicos, mais uma vez o critério disciplinar foi do mais inclinado possível... O primeiro amarelo para os Lagartos, para um jogador de características defensivas foi aos 70 minutos... Uma das primeira faltas marcadas a favor do Benfica, foi para impedir um contra-ataque do Benfica... A influência que estas decisões têm no decorrer da partida é enorme... o cartão ao André Almeida logo após entrar em campo, é o melhor exemplo... então se compararmos a entrada do Slimani sobre o Júlio César!!!
Eu recordo que o Benfica tem um aproveitamento de 50% em jogos apitados pelo Jorge Sousa!!! O Benfica que em média, faz cerca de 80% dos pontos nas competições internas, com o Jorge Sousa baixa para 50%. Deve ser obra do Espírito Santo...!!!

Agora, vamos para o Cazaquistão sem o Gaitán, e provavelmente sem o Luisão... sendo que espero ficar matematicamente qualificado para os Oitavos, nem que seja com a não-vitória do Gala em Madrid! E depois, aquilo que interessa mais, na Segunda, em Braga, sem o Samaris e o Ederson, e vamos ver quem mais...!!!

Aldeia conquistada...

Turquel 2 - 9 Benfica
Rodrigues(2), Rocha(2), Torra, Nicolia, Valter, Adroher(2)

Jogo teoricamente difícil, na aldeia do Hóquei, que soubemos tornar fácil... e a diferença só não foi maior, porque fartámos de acertar nos ferros!
Curiosamente, foi a '2.ª equipa' a cavar a diferença, quando ficou no ringue o Tiago, o Miguel, o Torra e o Adroher foi quando jogámos melhor. Tanto no 1.º tempo, como na parte final do jogo...

Com o empate da Oliveirense com os Lagartos, ficamos finalmente isolados na liderança.

Complicado...

ISMAI 29 - 31 Benfica
(17-16)

Vitória muito difícil, contra uma das equipas mais acessíveis, não sei se a culpa foi da paragem prolongada do Campeonato, mas as 'férias' parece que não fizeram bem à equipa, principalmente na defesa...!!! Só conseguimos passar para a frente com 'consistência' nos últimos 10 minutos, no resto da partida tivemos sempre a correr atrás do prejuízo, com demasiados golos sofridos...
Destaque para o regresso do Tiago Pereira e do Elledy Semedo, após lesões algo prolongadas.

Empate na ressaca !!!

Braga 2 - 2 Benfica

Depois do triunfo em Bratislava, teria sido melhor um jogo mais 'amigável'! As deslocações a Braga são sempre muito complicadas, e estas transições entre os compromissos Europeus e o Campeonato nem sempre são fáceis... Ainda por cima, sem o Chaguinha, que é o nosso principal desequilibrador ofensivo...
Mas pronto, num jogo muito agressivo, onde os árbitros se perderam a marcar faltas que não existiram e mostrar amarelos em catadupa, acabámos por ficar com 1 ponto, num jogo onde não jogámos bem...

Centena...

Benfica 102 - 56 Eléctrico
23-16, 25-16, 31-5, 23-19

Vitória normal, num jogo onde o Benfica não apresentou nenhum Norte-Americano: nas últimas décadas, deve ser facto único!!!
Uma abraço para o Tomás...

Rotação máxima...

Ac. Espinho 0 - 3 Benfica
14-25, 22-25, 18-25

Com jogo a meio da semana, e jornada dupla no fim-de-semana, tivemos um Benfica com várias novidades, dando descanso ao Duff ao Gaspar e ao Kolev... Mas como tem sido habitual nas últimas semanas, apesar das alterações, o rendimento é muito regular... e às vezes até melhora com as alterações.
Amanhã temos jogo na Luz, com o Leixões.

A fingir que é para a Champions

"Na actual Liga, o mais empolgante que já se viu a este Benfica terá sido aquelas trocas de bola entre Luisão e Renato Sanches nos descontos do jogo com o Boavista. O Benfica ganhava por 2-0 e, sem adversários por perto, o capitão da equipa ungiu o promissor neófito com uma série de passes à laia de baptismo místico.
Em termos essencialmente práticos, ao contrário do insuficiente Benfica de trazer por casa, o Benfica externo exibe uma apresentável folha de serviços onde avultam os nove pontos somados na fase de grupos da Champions. Por tudo isto, quero acreditar que o Benfica passou intelectualmente a semana a preparar-se para o dérbi como se de um jogo da Liga dos Campeões se tratasse.
Uma daquelas noites europeias disputadas em palcos sofisticados contra emblemas que convocam os focos da imprensa internacional será, porventura, o único quadro capaz de motivar a equipa que, nos últimos anos, ganhou quase tudo o que havia para ganhar em Portugal. Mas a verdade é que o nosso país, por ser pequenino e periférico, não empresta a esses magníficos cometimentos visibilidade para lá de Badajoz.
À falta dos espantosos holofotes internacionais, fingir que o jogo de hoje conta para a Champions foi a solução posta em prática no Seixal. Assim se espevitou o ânimo competitivo dos campeões portugueses. Foi preciso meter na cabeça dos nossos jogadores que Alvalade fica lá fora, apesar de ficar no fim da rua. Também que o árbitro é estrangeiro, de preferência italiano, porque são os que se equipam melhor. E, finalmente, que até o Octávio Machado é estrangeiro, de preferência inglês, porque são os que têm melhores maneiras.
E chegou o dia do grande acontecimento internacional! Que ninguém ouse falar da Taça de Portugal, aquela saloiice que termina sempre à base da sardinhada no vale do Jamor. Hoje o patamar é outro. Trata-se de um jogo a fingir que é da Champions, competição que interessa verdadeiramente ao mundo e, como se não bastasse, competição com quem o Sporting de Lisboa mantém um rol permanente de protestos e lamentações. Se o Benfica quiser, é esta a sua primeira vantagem para o jogo de hoje. A segunda vantagem é que na Champions corre-se mais. Com espírito aberto e, pelo menos, uma dúzia de transições rápidas, saúde-se desde já o alteroso poder da imaginação."

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

É importante estar no Jamor

"Um Sporting-Benfica, quer pela sua história quer pelas paixões que movimenta é sempre um jogo interessante mesmo que para o Troféu do Guadiana. Assim sendo, um jogo a eliminar para a Taça de Portugal, não é excepção. Sábado o jogo interessa porque é importante estar no Jamor e não porque se tenha que provar nada, para além da vontade de ganhar a Taça de Portugal.
Esta semana com o Sporting temos o menos importante dos três jogos que disputamos e no entanto é muito importante vencer. No Benfica não se deitam provas fora, para tentar ser menos mau nas outras. No Benfica é obrigatório ganhar, ou tentar ganhar, todas as competições que se disputam. É sempre assim, porque no Benfica a gestão é o êxito e as vitórias, qualquer coisa de diferente não satisfaz os adeptos.
Dito isto, resta esperar uma equipa muito motivada e com a ambição de vencer em Alvalade sem a preocupação de saber se passados três dias estamos nos oitavos de final da Liga dos Campeões ou se conseguimos ganhar em Braga. Este é o único objectivo neste momento, vencer o Sporting e estar no próximo sorteio da Taça de Portugal com os olhos no Jamor.
Nos últimos anos, mais de metade das nossas eliminações na Taça de Portugal ficaram marcadas por erros de Jorge Sousa em prejuízo do Benfica. Estatisticamente o melhor árbitro não pode enganar-se sempre, nem sempre para o mesmo lado, e por isso há uma confiança estatística na nomeação realizada. Porque quando não acreditamos em quase nada resta-nos a estatística para acreditar.
Por mim já fito satisfeito se vir um bom jogo do Benfica, aquele Benfica que esta época apareceu a espaços, e que promete dar alegrias aos adeptos.
Semana cheia de emoções e de competições, porque é assim que se quer, nos clubes grandes com muitos objectivos para alcançar na mesma época."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória em Liverpool

Liverpool B 0 - 2 Benfica B

Santos; Berto, Nunes (Alfaiate, 44'), Dias, Rebocho; Dawidowicz, Gilson, Pêpê (Sarkic, 77'); Dino, Gonçalves (Pipo, 82'); Carvalho

3 jogos, 3 vitórias, excelente primeira fase, na Premier League International Cup de Sub-21.

Hoje, sem o Renato, com um meio-campo reforçado defensivamente, não demos hipóteses. Nem os 0 graus nos afectaram!!!Temos que reconhecer, que este Liverpool foi um adversário fraco (a ingenuidade táctica destas equipas Inglesas, explica muito os fracos resultados das Selecções britânicas...), mas sem qualidade, não teriamos ganho os 3 jogos.

Destaco o Dawidowicz que fez uma excelente exibição... o Dino continua a variar entre o brilhante (1.º golo), e as 'brancas' na melhor oportunidade do Liverpool!!! O Diogo continua a confirmar que é um ponta de lança disfarçado de extremo... espero que a transição para a equipa principal seja feita de forma inteligente. A utilização do Joãozinho a ponta de lança é um desperdício... mas o talento individual está em cada toque na bola. O Gilson será um médio-defensivo à imagem do Danilo... O Pedro precisa de mais minutos (Pêpê?! Como é que isto de pronuncia?!)... O Rebocho é provavelmente o nosso jogador mais competitivo! O Rúben está a crescer bem... A adaptação do Berto não está a dar bom resultados... O Miguel Santos continua a ter 'brancas'!

Vá, Nessa!

"Há quase oito anos, em Pequim, Vanessa Fernandes conquistou a medalha de prata na prova do triatlo. Pela televisão, a muitos fusos horários de distância, os portugueses tiveram a oportunidade de ver uma grande prova da filha do carismático ciclista Venceslau Fernandes. Durante a transmissão, o pai incentivava-a e ficou-me na memória a expressão que ele utilizou - com o seu orgulhoso sotaque - quando viu a distância que a primeira classificada tinha de avanço para a sua filha: "Já num bai lá..." E não foi. Vanessa não conseguiu chegar ao primeiro lugar e aquele acabaria por ser o último grande resultado da sua carreira. Demasiado depressa foi-lhe diagnosticado o fim da vida desportiva. Muito se falou e pouco se soube - e sabe. Vanessa passou os últimos anos a atravessar o deserto, a treinar, a encontrar-se. E no passado fim de semana mostrou a quem pudesse ter dúvidas aquilo de que já se suspeitava: ela está de volta! Na primeira vez que participou numa maratona, Vanessa Fernandes alcançou os mínimos olímpicos para o Rio de Janeiro com 2h31m26s e uma sétima posição na corrida de Valência, em Espanha. Aqui não houve natação nem ciclismo, só corrida e Vanessa conseguiu aquilo que muitos atletas passam uma vida inteira a tentar. Não é líquido que possa representar Portugal no Brasil no próximo ano, já que só podem competir três atletas por país em cada prova (e Sara Moreira, Dulce Félix e Filomena Costa têm melhores marcas), mas alguém pensa que a Vanessa vai ficar "apenas" por aqui? Ela bai lá, ai vai, vai. E eu estou a torcer por ela, como Benfiquista, como português e como desportista. Um campeão nunca baixa os braços."

Ricardo Santos, in O Benfica

Independentemente dos resultados imediatos...

"Considerado o clube melhor sucedido na Formação, o Barcelona alia sucesso desportivo a uma presença elevada de jogadores da "cantera" na sua equipa principal. Goza, no entanto, de uma especificidade exclusiva de um grupo restrito de clubes, que passa pelo capacidade de investimento que lhe permite não só manter a maior parte das pérolas da sua Formação, como dispor de alguns dos melhores executantes a nível mundial.
A lógica é a seguinte: detectar talentos; formar jogadores com elevado potencial; ter espaço para, sem detrimento da competitividade da equipa, lançar os jovens mais promissores; adiar, tanto quanto possível, a alienação dos passes desses atletas.
O Benfica cumpre exemplarmente os primeiros dois passos deste modelo. Implementa agora o terceiro. O seu sucesso, que não implica ganhar sempre, mas regularmente, permitirá o quarto que, num mundo ideal, corresponderia ao patamar do Barcelona. Contudo, poderá resvalar para um Ajax, quase irrelevante no contexto europeu e dependente das fornadas de novos jogadores no desempenho a nível interno.
A saúde financeira é essencial, baixando o passivo e os custos financeiros, redirecionando estes para o pagamento de salários e a compra de passes de atletas para posições carenciadas, porventura aumentando significativamente o custo médio de aquisição, mas diminuindo o montante global do investimento. Por outras palavras, comprar menos, mas melhor.
É certo que, nesta política, os riscos desportivos são maiores. Por conseguinte, importa evitar atalhos e inflexões na implementação desta estratégia. Em suma, o rumo está definido e terá que sobreviver a uma eventual conjuntura adversa."

João Tomaz, in O Benfica

Queremos a Taça

"Amanhã há Taça, e talvez estejamos perante o primeiro dérbi lisboeta da última década em que o favoritismo pende para o lado de lá. Três ordens de razões concorrem para tal. Em primeiro lugar (com menor grau de importância) o factor "casa" sempre confere a quem dele beneficia uma certa vantagem relativa - basta consultar as estatísticas históricas. Em segundo lugar, há que dizer que teremos pela frente o líder do Campeonato, com toda a confiança que esse estatuto lhe confere, enquanto nós, com muita juventude na equipa, ainda andamos à procura de um ritmo cruzeiro que se enquadre na identidade competitiva que recentemente adoptámos. Por último, e com grande relevo num "tête-à-tête" desta natureza, teremos de admitir que vai estar do lado oposto um técnico que conhece as forças e fraquezas da nossa equipa como a palma das suas mãos, aspecto que, a meu ver, pesou decisivamente, quer no jogo da Supertaça, quer na partida da Luz para o Campeonato, com os resultados que conhecemos.
Partir com menos favoritismo pode influenciar as casas de apostas, mas não deve inibir o Benfica de jogar para ganhar. Um dérbi é um dérbi, e o Benfica é o Benfica. A quem já venceu no Vicente Calderón (onde o favoritismo do adversário era muito mais acentuado), tudo é possível. Recorde-se também a excelente primeira parte feita no Dragão, à qual só faltaram os golos. Jogando com a intensidade evidenciada nessas ocasiões, contando com a inspiração dos principais artistas (falo de Gaitán e Jonas), e tendo do nosso lado a pontinha de sorte que protege os campeões, creio que ultrapassaremos esta eliminatória."

Luís Fialho, in O Benfica

A treta da posse

"A obsessão pela posse de bola tomou conta do estilo de vários treinadores nos últimos anos, na tentativa vã de imitar o sucesso do Barcelona de Pep Guardiola, a equipa que conseguia aliar 75% de posse a goleadas de cinco, seis ou sete golos.
É, precisamente, na busca desse el dorado tático que todos os anos surgem equipas mais preocupadas com ter sempre a bola, mesmo que isso, muitas vezes, signifique andar longe da baliza. Conclusão? Jogos chatos, bola para o lado, para trás, da defesa para o meio-campo e novamente para o lado e para trás; muitas movimentações, pouca (ou nenhuma) eficácia.
Aconteceu, por exemplo, na época passada com o FC Porto de Lopetegui - num estilo (admita-se) melhorado este ano. E está a acontecer com o Chile de Jorge Sampaoli, cuja obsessão, mais notória em tempos recentes, pela posse de bola - não há conferência de imprensa na qual o seleccionador não se refira a ela - transformou a equipa sedutora, veloz e apaixonante que conquistou a Copa América numa sombra em câmara lenta de tudo isso na atual qualificação para o Mundial-2018. Os resultados estão à vista: derrota no Uruguai por 0-3, o pior resultado da era-Sampaoli, e uma ineficácia gritante apesar dos 71% de posse de bola (!)e dos 356 passes certos (contra 55 uruguaios), os avançados chilenos Sanchez e Vargas não remataram uma única vez à baliza!
No final, Sampaoli considerou a derrota «pesada» mas estava «feliz porque o objetivo da posse de bola foi cumprido». A resposta dos adeptos não se fez esperar e, nas redes sociais, logo se espalhou uma anedota com Sampaoli na primeira pessoa: «Uma noite, fui a um bar. Sentei-me ao balcão, ao lado de uma mulher lindíssima. Conversámos a noite toda, rimo-nos, trocámos olhares e piropos e paguei-lhe uns copos. Porém, por volta das cinco da manhã, chegou um tipo, piscou-lhe o olho e ambos saíram de braço dado. Mas não importa porque, nessa noite, quem possuiu a maior parte do seu tempo fui eu.» Pois..."

João Pimpim, in A Bola

Sensibilidade e bom senso

"O fundamentalismo clubista sempre foi o principal inimigo da Seleção Nacional de futebol. A ele se devem inúmeros fracassos internacionais de gerações talentosas que acabaram por não ter expressão para lá de Badajoz. É um mal, velho de décadas, que emerge cada vez que os clubes têm condições de fornecer mais elementos à turma das quinas. Aquilo a que se está a assistir hoje, embora lamentável, não é inédito, e devo assinalar que neste particular, puxando bem atrás o relógio do tempo, todos têm telhados de vidro.
Como é que se combate este vírus, que ameaça a coesão social em torno da equipa de todos nós? Com sensibilidade e bom senso. Felizmente, nenhum destes atributos falta a Fernando Santos, que enquanto ex-treinador de FC Porto, Sporting e Benfica, conheceu as motivações subjacentes neste processo. O selecionador nacional sabe bem o que deve pedir a cada jogador e quando deve fazê-lo. Nesta gestão, ditada essencialmente pelo bom senso, está o segredo do êxito, e neste particular, com sete vitórias em sete jogos oficiais, Fernando Santos é incontestável.
Ser sensível à proximidade de um Real Madrid-Barcelona ou de um Sporting-Benfica não é um ato de favorecimento, é um momento de grande lucidez e enorme inteligência.
Na vida, há alturas para tudo e só por desonestidade intelectual pode colocar-se em causa a dispensa de Cristiano Ronaldo dos particulares da Rússia e do Luxemburgo. CR7 tem sido exemplar na Seleção Nacional.
PS- Rápidas melhoras a Fernando Gomes. Para que possa continuar o excelente trabalho à frente da FPF."

José Manuel Delgado, in A Bola

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Formação tem de ser compatível com vitória

"No Seixal estão a nascer os melhores jogadores da Europa e, até mesmo, arriscaria dizer, os melhores do Mundo. A formação não é incompatível com a vitória...

Formação não como objectivo, mas como meio para um Benfica mais forte
Tenho a perfeita convicção, como sempre tive, que a formação de jogadores é um meio para - face às realidades portuguesas - ter um Benfica mais forte.
Não posso, por isso, subscrever nem calar a minha total discordância com algumas vozes que ouço (ou vejo) que ficam contentes com o facto de o Benfica, esta época, se limitar a incluir na equipa principal alguns jogadores oriundos do Seixal, como se isso bastasse para termos um bom ano desportivo. Já não falo de algumas vozes - responsáveis (sim, existem...) - que acham que este hipotético cenário pode durar alguns anos seguidos...
Ou seja, que seria possível limitar-nos a ganhar jovens jogadores da formação, o que tornaria cada época em que isso acontecesse como uma época muito positiva!!!
Nada mais errado!
FORMAR tem de ser compatível, este ano, como sempre, com GANHAR.
Admitir ou aceitar o contrário, é prestar um péssimo serviço ao Benfica.

'Made in Seixal'... a ganhar!
O Benfica tem apostado na formação de jogadores de alta competição. Situação natural, face à dimensão do clube e do projecto que foi idealizado.
Mas isso - repita-se - não é compatível com um discurso que criticamos e de que sorrimos, nos últimos anos, de outros, que não se importavam de perder só porque tinham mais um jogador da sua Academia na equipa principal, ou porque o conseguiam vender razoavelmente...
A formação não é incompatível com a vitória... e, por maioria de razão, com títulos...
A formação não pode ser vista como formação pela formação, que até admite perder... campeonatos. Na formação temos de preparar jovens jogadores para serem integrados com outros mais velhos e experientes. 
O Benfica, digo-o sempre, deve a sua grandeza à mística dos seus adeptos, mas sobretudo aos grandes resultados alcançados ao longo da sua história.
Ora, essa grandeza do Benfica não é compatível com a mentalidade de abdicação de títulos...

Luís Filipe Vieira, o homem do projecto da formação!
Subscrevo, por isso, na íntegra, o que pensa Luís Filipe Vieira (muito diferente do que dizem alguns, tentando, com isso, julgar agradar-lhe).
Estamos, efectivamente, a desenvolver um trabalho fantástico!
No Caixa Futebol Campus estão a nascer os melhores jogadores da Europa e, até mesmo, arriscaria dizer, os melhores do Mundo.
Estou certo disso!
E temos de defender essa ideia com a força que a convicção de estarmos certos nos dá. Mas para que isso se concretize e para que o projecto de formação seja rentável, em termos desportivos, teremos de fazer com que esses jogadores fiquem durante alguns anos no Benfica.
Para que o balneário tenha memória e experiência de espírito de conquista, para que saiba o que significa vencer, para que a tradição de comemorar títulos não se esgote em poucos jogadores. Sei que um modelo de grande competitividade em termos europeus tem de aceitar e incluir nas suas premissas a possibilidade (infelizmente real) de termos de vender alguns atletas da formação sem que tenham estado alguns anos na equipa principal.
Mas teremos de fazer todos os esforços - como sei que o Presidente fará - para que o que aconteceu nas últimas épocas seja a excepção, apenas e só, fruto das... circunstâncias!
Circunstâncias essas que toda a gente sabe e conhece (e que teve um nome...).
Essa mentalidade, felizmente, está a mudar.
O que não poderá significar pensar que só a formação conseguirá ser responsável por equipas muito competitivas na Europa e absolutamente vencedoras, em Portugal.
Teremos de comprar menos, mas não poderemos abdicar de reunir esforços e conjugar a excelente e exemplar política de formação com os meios necessários à conquista de títulos.
Temos de nos convencer que apostar só na formação não chega para ganhar.
Muito menos, no imediato...
Essa aposta é necessária mas não suficiente.
Por mais que um jovem da formação acredite e tenha a ambição de ser jogador do e à Benfica...
Uma equipa vencedora será feita de bastante experiência no balneário, mesclada com jovens da formação, e com compras cirúrgicas que sejam evidentes mais-valias para reforçar áreas onde o Seixal não tenha cumprido a sua função.

O Benfica do futuro
Esse será, com toda a certeza, o Benfica do futuro. Sem cedências a treinadores egocêntricos, a empresários ávidos de lucros imediatos, ou a dirigentes acomodados.
É por isso nossa obrigação dar ambição a cada um desses jovens... para que sejam os melhores.
Aqueles que me acompanham há muitos anos sabem o que defendo e as ideias pelas quais sempre me debati.
Relembro, por isso, um pequeno excerto de um texto que escrevi no já longínquo ano de 2000:
Quero um Benfica com os melhores jogadores portugueses, de forma a que a juventude se identifique com o clube e com as suas vitórias.
Quero um Benfica que não tenha necessidade imediata de vender jogadores - pressa que sempre se torna inimiga dos bons negócios - assumindo o princípio de que o futebol é, cada vez mais, neste mundo dominado pela televisão, o espelho do clube.
Quero um Benfica com um modelo de jogo (ataque planeado e continuado) verticalizado, desde as escolas de jogadores à equipa principal, recusando ser uma mera montra de passagem para o futebol europeu ou o último reduto de uma qualquer pré-reforma dourada.
Para o bem e para o mal, escrevo o que penso e nunca me arrependo do que digo, porque o pensei, sempre muito, antes de o dizer!
Tal como Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, «tenho em mim todos os sonhos do mundo»...
Por isso, tenho o sonho - que, acredito, ser possível de concretizar - de ser campeão europeu com uma equipa com alguns jogadores da formação.
Mas não se enganem!
Temos inevitavelmente de obter a capacidade de saber e conseguir conciliar a formação com a experiência inegável das aquisições, para que o percurso seja de vitória!
Porque quero ganhar!
E porque ganhar é o que faz evidenciar o resultado da nossa formação...
E, por isso, tempo de mudança - cujos sinais já são visíveis - sem comprometer, nunca, aqueles que são os grandes objectivos para um clube com a grandeza do Benfica.
Até porque, qualquer ideia que não coincida com essa política, que julgo ser a melhor para o caminho da vitória, é ir contra aquilo que é o Benfica...
Quero o Benfica campeão!
... E para que não restem dúvidas, mesmo não sendo para o campeonato... «acho que vou ganhar no sábado»...
Percebido????"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Batota no desporto e não só

"Há uma estranha constatação quando se fala de batota. Seja no plano desportivo ou noutro qualquer. Se a batota tem um alcance restrito, não direi que é aceite, mas acaba por ser enquadrar num plano de reduzida importância. Verdadeiramente, ela só é tornada importante e maléfica quando abrange uma magnitude com consequências severas. É agora o caso conhecido dos esquemas de sistemática dopagem no atletismo russo.
A mais pérfida batota nos desportos de alta competição é a dopagem associada a todas as técnicas para a encobrir ou dissimular, num enredo de crescente complexidade tecnológica e científica, e que envolve muita gente em teias organizadas.
No tempo da URSS e seus satélites havia a batota de Estado, ou seja usavam-se meios ilegítimos para se alcançarem resultados de pretensa superioridade de ideologia, ainda que usando até ao tutano jovens atletas.
Agora,  doping é transversal. Não depende de ideologias, regimes políticos, desportos. E sobretudo advém de uma obsessão competitiva que tudo leva à frente, em função de interesses de momento, de dinheiro e de vãs ilusões.
Mais conhecidos publicamente são os casos no ciclismo e no atletismo. Mas muitos outros desportos olímpicos traem esta sua qualificação. Rio de Janeiro 2016 pode ser mais uma oportunidade para repristinar o ideal olímpico de Coubertin.
Vive-se cada vez mais entre a verdade real e a mentira virtual. Basta ver o que se passa nas redes sociais. Hoje, lamento olhar para uma fotografia ou um vídeo, e ter passado a inverter o principio que me orientava: agora desconfio, antes acreditava."

Bagão Félix, in A Bola