"Se retirássemos das contas os 6
primeiros classificados do último Campeonato, a média de
espectadores nos estádios portugueses ficaria em cerca de
2500 por jogo. Número que
envergonha o futebol do país e
devia embaraçar a Liga e a FPF.
Os 16 jogos com maior assistência na temporada são do
Benfica, e, talvez por pudor, a
lista disponível no site da Liga
termina no 20.º lugar.
Ao olharmos para o mapa geográfico, percebemos que na 1.ª
Liga não existe nenhuma equipa
a sul do Tejo. Nem no distrito de
Setúbal, nem no Alentejo, nem
no Algarve. E mesmo na 2.ª, só
Farense e Portimonense representam quase metade do território nacional. Se quisermos
chegar à Liga 3, em mais 20
emblemas, poderíamos acrescentar apenas Lusitano de
Évora e Louletano.
Dos 56 clubes dos 3 escalões,
36 são de Lisboa, Porto ou
Braga, o que significa que dois
terços do futebol português disputam-se em 3 distritos.
Na 1.ª Liga apenas existe uma
equipa do interior: o Académico
de Viseu. Considerando todos os
escalões, só 10% dos clubes são
de distritos interiores.
Entretanto, mesmo nas áreas
mais populosas do litoral, em -
blemas históricos, com títulos,
adeptos e massa crítica, como
Boavista, Belenenses, Vitória de
Setúbal ou Beira-Mar debatem-
-se com crises mais ou menos
profundas, que os afastam dos
palcos principais, ou mesmo da
competição desportiva. E quando clubes representativos, com
palmarés e sócios, não cabem
num quadro onde SADs fantasma jogam em estádios vazios,
algo vai muito mal.
Nenhum destes desequilíbrios
preocupa as autoridades. Mas,
no que toca a distribuir dinheiro, está em curso um processo que visa retirá-lo dos bolsos dos verdadeiros adeptos
para engordar empresas com
capital estrangeiro, com jogadores estrangeiros, estádios
vazios e nenhum interesse
desportivo. Eis o futebol de
pernas para o ar."
Luís Fialho, in O Benfica

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