Últimas indefectivações

sábado, 12 de agosto de 2017

É tudo uma questão de tamanho

"Três metros! Medem tudo os fautores da inovação. Vão acabar a medir ecrãs de televisão de régua em punho porque o golpe de vista já não chega. Nesta senda, "O Jogo" chamou para título de uma sua recente edição on-line o caso do "tamanho das bandeiras do Benfica" nos estádios de futebol. Depreende-se, pela melancolia da reportagem, que têm tamanho a mais. No entanto, maior força moralizadora teria esta luta se o alerta bandeiral do diário portuense apresentasse as medidas concretas dos panos. Até porque naquele célebre rendez-vous elegante no Hotel Altis entre os chefes-comunicadores do FC Porto e do Sporting ficou logo assente que, no que a bandeiras do Benfica dissesse respeito, pertencia ao pessoal do Porto medir os estandartes propriamente ditos enquanto ao pessoal de Alvalade caberia medir os respectivos paus.
Saúde-se, assim, quem leva a peito as incumbências. Neste caso preciso, saúde-se o diligente Saraiva que, ao contrário dos amigos negligentes que medem tamanhos a olho nu, deu-se ao trabalho – e, aliás, viu-se bem atrapalhado… – de desenrolar 300 centímetros de fita métrica até se poder apresentar em público denunciando a verdade sobre o tamanho dos paus das bandeiras do Benfica. Têm "hastes de três metros" disse conscientemente porque as mediu e, também, elegantemente porque as hastes sempre lhe soam melhor do que os paus como, aliás, soam melhor a toda a gente de bom senso.
Os dois primeiros jogos oficiais confirmaram as suspeitas: para Seferovic não há ângulos difíceis. Todos os ângulos são bons para o suíço atirar à baliza. Eis um facto que não se enquadra em nenhum ilícito penal.
Já para Ricardo Espírito Santo, o realizador da transmissão televisiva do jogo da Supertaça, houve um ângulo difícil. O Ricardo, o extraordinário profissional, o cavalheiro que docemente nos poupou ao abuso necrófilo na hora da morte de Féher, viu-se em fogueiras porque, inadvertidamente, deixou ir para o ar 3 segundos mais cedo do que estava previsto o plano de uma rapariga extraordinariamente bem equipada. E o que estaria destinado a ser o milionésimo plano geral de uma adepta vistosa num estádio de futebol apareceu em casa de toda a gente como um zoom ao peito da rapariga. Pediu desculpa o Ricardo, claro. Mas não chegou para pôr cobro à indignação, o que é de estranhar porque, por exemplo, os três jornais desportivos nacionais, que tanto se orgulham de ter mulheres nos seus quadros como prova absoluta da "igualdade" entre sexos, publicam a toda a hora nas suas edições on-line fotografias de raparigas quase 100% desequipadas e a que correspondem legendas como "É de ver e de chorar por mais" ou "Chame-lhe o que quiser mas depois não se queixe" ou "Esta tailandesa leva qualquer um para a cadeia". E, segundo parece, ninguém se ofende apesar de já estarmos na 2.ª década do século XXI.
Têm "hastes de três metros" disse conscientemente porque as mediu."

A mística no Benfica: amar perdidamente

"É difícil exprimir por palavras o que significa a mística benfiquista. Porque, como dizia Antoine de Saint-Exupéry, o essencial só se vê bem (e diz) com o coração. Mística é uma ligação quase uterina de coração e espírito. Tão inspiradora como gratificante. Tão anímica quanto vitamínica. Tão esplendorosa na vida como misteriosa na origem.
O Sport Lisboa e Benfica é uma trindade laica e ecuménica: Sport Lisboa e Benfica! E pluribus unum. O todo maior do que as partes e cada parte não se dissolvendo no todo. O seu espírito fundacional, a sua história e os seus sucessos conduziram a um Sport mantido em formatado britânico, mas tão português e eclético quanto saboroso, a uma Lisboa que rapidamente criou raízes em todo o Portugal e se espraia pelo mundo fora e a um Benfica que representa um símbolo sem igual na pátria lusa!
A mística do Benfica é a união perfeita entre um futuro contido num majestoso passado e um passado robustecido por um sempre exigente futuro. Um casamento entre esperança infinita e utopia acontecida.
Às vezes me pergunto porque sou do Benfica. Sou e chega. Sou seu amante até ao tutano da minha alma. E, como bom amante clubista, em regime de monogamia absoluta. Cega, mesmo. Porque nenhum outro me interessa para além do Benfica. Por isso, não admito que se diga que os outros clubes jogam com o Benfica. Nada de conúbios. Eles jogam é contra o meu Benfica.
Um desaire do meu Benfica perfura-me o ânimo, sem cuidar da anestesia. Uma vitória do meu Benfica alimenta-se mais do que o mais calórico dos alimentos e anima-me mais do que uma mão-cheia de antidesportivos. Na vitória, o amor ao clube é partilhado, mas na derrota a solidão dá-lhe uma expressão infinita e incondicional. Como acontece com a pessoa amada, o verdadeiro teste do afecto concretiza-se nos momentos difíceis.
O Benfica é, ao mesmo tempo, afecto e privilégio, coração e razão, vitamina e analgésico, fermento e adocicante, saudade e desafio, cumplicidade e aconhego.
O Benfica acontece em mim. E nesse acontecer funde-se a minha personalidade com o sentimento de pertença. De paixão. Onde tudo o resto do clube se apaga, excepto isso mesmo: a ideia de ser Benfica. Sem personagens, sem fronteiras, sem referências. Apenas a imanência de o Benfica estar dentro de mim e eu dentro do Benfica.
Tudo isto é para mim a mística do Benfica. Com a consciência de que não soube exprimir por palavras a sua totalidade. A outra face da Luz, quer dizer, do Benfica. Com papoilas saltitantes. Mas tudo isso me envaidece..."

Bagão Félix, in Mística

Juntos no sonho da realidade

"Não sei como é o paraíso, mas deve ser uma coisa parecida com isto: 36.º título de campeão nacional, tetracampeão, 26.ª Taça de Portugal, com triplete numa época.
Ganhámos 11 títulos desde que o segundo emblema mais titulado em Portugal ganhou o seu último troféu. Se não é esmagador, anda lá muito perto. Se não é o paraíso, anda lá muito perto. Podia ser melhor? Talvez, mas assim, de repente, não vejo como. Temo até que, na remota e improvável hipótese de um dia merecer chegar ao paraíso, o ache um lugar bem menos atractivo.
Este Benfica é um clube de sonho à dimensão dos nossos sonhos. Um clube onde o sonho e a realidade se confundem a uma velocidade impressionante. Um clube que, na força do seu ecletismo vencedor, na força de uma exigência permanente, na força de uma ambição ilimitada, já há muito deixou de ser apenas um clube. O Benfica vive-se e sente-se, já não se explica. Qualquer semântica perderia alcance e dimensão face à nossa imensa realidade.
Sim, estamos em festa, vamos festejar e merecemos festejar. Festejamos juntos, porque é juntos que tudo acontece no Benfica desde 1904. Obrigado a todos os heróis de um grupo comandado e coordenado por Rui Vitória, mas que tem milhões de heróis espalhados por todo o mundo. Adaptando a deliciosa expressão de um magnífico texto de António Bagão Félix - a não perder, nesta edição -, o futuro continuará a ser vivido nesta 'monogamia absoluta' com esta paixão chamada Benfica. E amanhã?
Amanhã só quero ser do Benfica."

Sílvio Cervan, in Mística

Centro de treino do vídeo-árbitro

"Os primeiros beneficiados do vídeo-árbitro são os árbitros de campo propriamente ditos

Realizou-se a 1ª jornada do campeonato de 2017/2018. Começou, assim, a era moderna do futebol português com a introdução de tecnologia no intuito, louvável, de reduzir ao mínimo os erros de avaliação dos juízes de campo. O vídeo-árbitro será a solução para o futuro mas, face aos eventos registados na primeira jornada da nossa Liga, pode considerar-se, com muita pena, que o vídeo-árbitro não é de todo a solução para o presente da indústria.
Apesar de haver "vídeo", uma maquinaria impessoal que debita imagens reais, continua a haver "árbitro" e esse factor humano – demasiadamente humano – parece que só lá está para atrapalhar. Sucedem-se, por exemplo, situações, inauditas, em que os jogadores têm de esperar até poderem festejar os golos que apontaram depois do visionamento e revisionamento do lance e da concomitante aprovação das autoridades sentadas.
Casos destes são péssimos para o natural fluir do espectáculo e só são óptimos para os espectadores e para os adeptos quando se dá o caso de a decisão final ser do seu agrado. E como o agrado de uns é o desagrado de outros, prevê-se igual número de dissabores da multidão entre esperas pouco naturais em função do historial do jogo.
O cidadão comum, que acha perfeitamente natural esperar dois ou três minutos pela chegada do metropolitano, já não achará aceitável esperar essa eternidade para poder festejar um golo dos seus ou para lançar as mãos à cabeça perante o desespero de um golo que teve de ser sancionado com "delay" pela equipa de vídeo-árbitros.
No entanto, mesmo com estes soluços práticos dos primeiros tempos, a chegada do vídeo-árbitro ao campeonato português encerra grandes, enormes vantagens para uns quantos agentes da indústria. Os primeiros beneficiados são os árbitros de campo propriamente ditos.
Se o vídeo-árbitro não é ainda a melhor coisa que aconteceu ao futebol, já é, certamente, a melhor coisa que aconteceu aos árbitros, que, de apito na boca, dirigem jogos na vida real. Pelos montantes de ódio que recaíram sobre os vídeo-árbitros na sequência de decisões tomadas nos jogos FC Porto-Estoril e Benfica-Sp. Braga não é difícil concluir que a tarefa e a vida dos árbitros-a-sério fica bem mais facilitada com a introdução desta era de modernidade.
Que ninguém se admire se lá mais para o Natal, quando a tabela ferver, uma qualquer claque – legalizada, obviamente – invadir furiosamente o centro de treinos dos vídeo-árbitros pedindo satisfações aos árbitros-sentados e deixando em paz o centro de treinos dos árbitros-em-pé. Mas que futuro extraordinário se adivinha para os nossos futebóis.

A receita: custo zero + custo zero + 22 milhões de euros
Faz hoje uma semana que o Benfica arrecadou o primeiro título oficial da temporada vencendo o Vitória de Guimarães por 3-1 na discussão da Supertaça com golos de Jonas, Seferovic e Jiménez.
A única novidade deste episódio, por comparação com os protagonistas dos êxitos nas últimas épocas, é o tal tento de Seferovic, um suíço recém-chegado a "custo zero" depois de esgotado o contrato que o prendia ao Eintracht de Frankfurt. Também Jonas chegou ao Benfica a "custo zero" em 2014 com amplos proveitos para todas as partes.
Com Seferovic à disposição parece ter-se reduzido o campo de Mitroglou, que, nas artes de se chegar às balizas, é dono de um reportório mais curto do que o do suíço. São estas as primeiras impressões deixadas em campo por Seferovic, que voltou a marcar ao Braga.
Mas quem resolveu mesmo a questão da Supertaça foi o mexicano Jiménez, o tradicional solucionador, que custou 22 milhões de euros e que, normalmente, se senta no banco. E qual é o problema?"

Benfiquismo (DLVIII)

Técnico - Benfica, 1960
Andebol

Uma Semana do Melhor... Militância!

Jogo Limpo... Aturar os atrasados mentais!!!

Menos prestigiado, mas mais um título

"Não pode, no entanto, a vitória clara e justa do Benfica esconder a necessidade de retocar lacunas ainda não preenchidas.

O Benfica venceu em Aveiro o primeiro título da temporada. Pode até ser o menos prestigiado de todos, mas é sempre mais um titulo, numa contabilidade que há poucos anos fazia capa de alguns jornais e agora quase desapareceu da calculadora desses mesmos quase jornalistas. Óptimo, o Benfica venceu, num estádio que foi palco repetido de conquistas, contra um Vitória que valorizou esta Supertaça.
Há a consciência nos responsáveis do Vitória de que quem disputa mais vezes os títulos também pode vencer mais vezes, e por isso em Guimarães estão a ser criadas boas raízes de êxito próximo. Não pode, no entanto, a vitória clara e justa do Benfica esconder a necessidade de retocar lacunas ainda não preenchidas. São poucas, mas visíveis aos olhos de todos quantos querem ver o Benfica a seguir este trilho de triunfos. De Fejsa para a frente temos um dos plantéis com mais talento e soluções de que me lembro. Seferovic foi excelente compra e há ainda lesões que não deixam ver toda a matéria prima. Rui Vitória e benfiquistas merecem.
No arranque da Liga, contra o SC Braga, vimos um Benfica ainda mais determinado, com inegável vontade e qualidade. Os quatro primeiros jogos são tremendos, o sorteio obriga-nos a não poder ter outra atitude que não a da última quarta-feira. Não podemos esperar que nada aconteça, teremos de fazer acontecer, para não se ficar à mercê dos alçapões que sabemos existirem.
Gostei do jogo frente ao Braga. Cervi e Salvio a defender com gigante generosidade, Jonas longe do fulgor físico espalhava magia sempre que tocava na bola, e Fejsa equivale a dois jogadores, com disponibilidade física é um dos melhores do mundo naquela posição. A necessidade de um lateral-direito não pode apagar o elogio ao jogador do Benfica que não deve merecer uma crítica. A André Almeida pode-se tudo, pede-se de tudo, e ele faz sempre tudo o que se lhe pede. Na direita ou na esquerda, a trinco ou extremo, a defender ou atacar, nunca se lhe pede a mesma coisa, mas ele faz-nos sempre a vontade. Um exemplo de um dos mais fantásticos profissionais do Benfica, um tetra campeão e um tetra profissional.
Ganhámos 1/34 avos do problema, temos segunda-feira nova porção de dificuldade. Chaves será mais difícil do que Vitória e Braga porque joga em casa e tem equipa mais entrosada e muito bem orientada."

Sílvio Cervan, in A Bola

Almeidinhos

Renovação merecida e extremamente útil para o Benfica, do André Almeida.
Grande atitude em campo, um dos 'dinamizadores' do balneário... Actualmente, já não é opção para o meio-campo, mas faz as duas Laterais com eficácia... E este ano, 'arrisca-se' a ser o nosso titular na Direita!!!
Falou-se em interesse de Clubes Alemães e Ingleses, não acredito que os valores que apareceram nos jornais fossem verdadeiros, mas provavelmente o André tinha propostas de ordenado superiores... mas optou por jogar num Clube que luta por títulos... em vez de lutar pela 'permanência'!!!

Benfica

"São comuns, entre nós, os panegíricos à língua portuguesa por ser a única que contém uma palavra que descreve um sentimento de perda ou ausência de algo ou alguém. Refiro-me à saudade, como qualquer lusófono saberá.
Até há uns anos, achei sempre que 'saudade' tornava o nosso idioma singular, porém a minha namorada, que é holandesa, apesar de apreciar a 'saudade', contrariava-me porque a sua língua materna contém também uma palavra materna sem tradução literal em qualquer outra ('gezellig', um determinado estado de conforto físico e psicológico). Por um acaso feliz, num qualquer aeroporto, encontrámos um livro dedicado a palavras que existem somente numa língua.
Pois bem, o cenário é aterrador para os laudatórios do português. Percorrer aquele livro dá a sensação de que todas as línguas têm palavras que só nelas existem - há uma que descreve o tempo que se demora a comer uma banana - e, por isso, dou por mim, de vez em quando, à procura de outras para além da saudade.
'Benfica' é uma boa candidata. É o nome do nosso clube e de uma freguesia, mas, se aplicada na adjectivação, consoante o sujeito, poderá adquirir significados múltiplos. Por exemplo, um benfiquista, ao afirmar que tem passado uma manhã Benfica, só poderá estar a referir-se a feitos a sensações extraordinárias. Pelo contrário, a mesma frase dita por um anti-benfiquista significará que está a ser acometido por desgraças que lhe provocam simultaneamente tristeza, frustração, autocomiseração e inveja.
E proponho também outra que defina antigos árbitros de futebol que, impedidos pela idade de destilarem ódio ao Benfica num relvado, o façam agora em páginas de jornais e na televisão: os videoparvos."

João Tomaz, in O Benfica

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A cópula deles, contra natura.

"Na perspectiva de qualquer Benfiquista consciente, nada ficou decidido com o resultado de anteontem. Apenas se tratou da primeira disputa do campeonato desta época.
Mesmo que tivéssemos perdido, era igual: a viagem é longa e continuam a faltar os mesmos trinta e três desafios programados. Previsível e inevitável, é que, de cada vez que os rapazes voltarem a subir ao terreno de jogo, terão pela frente, pelo menos, as mesmas dificuldades que tiveram de superar na quarta-feira, ou mesmo, inesperados obstáculos ainda bem mais expressivos.
Precisamos ter presente que, se em circunstâncias normais de competição, o que os nossos atletas têm de fazer sobre a relva, em nossa Casa e nos campos dos outros, depende sempre dos índices de concentração, de esforço e intensidade e de comunicação entre si com que se apresentarem em cada jogo, já é absolutamente claro que, está época, tudo vai ser ainda mais difícil e mais complicado dos que nos quatro últimos anos.
Diante da determinação, da competência e da eficácia com que o Benfica impôs a inequívoca liderança desportiva em Portugal, os nossos rivais montarem um esquema de guerrilha anti-Benfiquista nunca antes alcançado. Presumirão até, que, apenas se servindo dessa teia venenosa que teceram com a espessa baba da inveja e do ódio, muito dificilmente poderão vencer a sólida eficiência que a estrutura desportiva do Benfica tem mantido. Por isso não deixarão de recorrer, em todas as sedes, por todos os meios e nas mais constantes ocasiões, aos mais baixos níveis de ataques de toda a espécie, para tentar desgastar a principal razão da nossa força e do nosso sucesso. Mas, digo eu que, à força das circunstâncias do insucesso das suas derrotas e desespero, em podem eles continuar a acasalar-se furiosamente, nesta cópula contra natura...
Nós, pela nossa parte, permanecemos coesos e focados nos estritos termos em que gostarmos de competir e de ganhar: seja onde e quando for, bastarmo-nos a nós próprios, 'a honra aqueles que nos honrarem'. Jogaremos do nosso lugar na bancada, sempre juntos e à Benfica, com as nossas equipas."

José Nuno Martins, in O Benfica

Querido Pai Natal

"Eu sei que ainda falta algum tempo para as noites frias, para as canções natalícias nos centros comerciais e para a corrida às lojas, mas não quero perder tempo. Portei-me muito bem este ano. Não insultei nenhum adversário, não inventei mentiras para denegrir os meus opositores, não preparei uma série de jogos com equipas fáceis para poder dizer que sou o melhor da minha aldeia, não andei a vasculhar nas caixas de email de ninguém.
Também não fiquei nervoso quando a minha equipa jogou menos bem na pré-época, não pedi a cabeça de nenhum treinador, não insultei o presidente do meu clube e não exigi nenhum jogador de qualidade galáctica para substituir os dois defesas e o guarda-redes que foram transferidos de forma milionária para - imagine-se - Barcelona, Manchester City e Manchester United.
Já sei que estamos em tempo de crise e que não posso pedir excesso, por isso concentrei-me naquilo que me parece importante. Querido Pai Natal, quero que o SL Benfica continue a ganhar. Quero que os nossos adversários continuem a errar, a chorar, a lamentar-se e a afundar-se cada vez mais na sua arrogância e falta de educação. E, de preferência, de forma mais silenciosa e sem o compadrio de quem lhes dá tempo de antena.

PS - Já agora, se for possível, Pai Natal, achas que é possível dares uma ajudinha na Champions?"

Ricardo Santos, in O Benfica

Os 12 títulos

"A conquista da 7.ª Supertaça Cândido de Oliveira assentou na mesma receita de sempre - a força dos adeptos conjugada com uma equipa focada na vitória. Esta fórmula tem-se revelado verdadeiramente explosiva!
Digam o que disserem, conquistar 12 títulos em 16 possíveis só está ao alcance dos clubes que têm um projecto sólido, consolidado e estruturado. O que mais me impressionou foi o incessante apoio dos benfiquistas, que, do primeiro ao último minuto, empurraram Luisão e seus pares para mais um triunfo claro e justo. Também registei o espírito de grupo da nossa equipa a cada festejo dos golos, onde foi patente a união dos nossos heróis. No final do jogo, impressionou-me a forma como Bruno Varela foi saudado por Paulo Lopes e Júlio César.
Todos reconhecemos o valor de mais um produto 'made in Seixal'. Bruno Varela provou a razão de ser titularíssimo de um das melhores selecções europeias de Sub-21. A escolha de Rui Jorge, por si só, já seria um atestado de qualidade. Mas o desempenho do nosso jovem guarda-redes em Aveiro dá-nos todas as garantias de uma época que pode ficar na história do Clube. Para que isso aconteça, será imperiosa a união de toda a família benfiquista. No Sport Lisboa e Benfica, todos contam e todos fazem falta. Como frisou, e bem, Luisão na homenagem que lhe foi feita na BTV pela conquista dos 20 títulos de águia ao peito, os adeptos são essenciais.
Saibamos manter este espírito de união, saibamos estar focados no 'objectivo penta' e saibamos, sobretudo, resistir a todas as provocações e mentiras que são diariamente plantadas pelos mesmos de sempre."

Luís Fialho, in O Benfica

O VAR esse canalha

"O inimigo das multidões, o canalha, já não veste de preto, está sentado numa sala. E isso quase que basta para se exigir maior qualidade nas arbitragens.

E assim começou a Liga, já tínhamos saudades e ninguém quis perder o balanço. Um Sporting sem deslumbrar, profissional e cumpridor nas Aves; um Porto demolidor, de ataque (se Aboubakar acertasse em cheio em quantos ficaria?) e rápido a chegar à baliza adversária; e Benfica e Braga que proporcionaram um grande espectáculo.
Três jogos, e sabendo que ainda há muito a melhorar, três vitórias categóricas, para gáudio dos adeptos que assim rapidamente enterraram quaisquer dúvidas que subsistissem oriundas da pré-época. Eu, como aqui escrevi, não as tinha, não lhes dou importância; treinos de preparação não são a competição a doer.
A principal vedeta neste arranque de campeonato chama-se VAR (Video Assistant Referee). Bastava ver as redes sociais ou ouvir algumas conversas de amigos, para se perceber que esta nova realidade, que está a das os primeiros passos, será o tema de muitos debates e polémicas que alimentam a paixão e muitas horas de emissão nas nossas televisões e rádios.
Quando Rui Santos - saúde-se o colunista do Record por ter sido o primeiro paladino desta causa - lançou a ideia da introdução das novas tecnologias não morri de amores pela ideia. Tinha algumas hesitações na altura e tenho a certeza que muitos também as tiveram. Julgava que poderia tirar um dos condimentos essenciais do futebol, sobretudo das suas discussões: o erro do árbitro.
Com uma tomada de decisão quase asséptica, de quem está num gabinete a ver todos os lances ao pormenor, ao contrário do árbitro e assistentes que decidem em milésimas de segundo, muitos pensariam que o jogo perderia ritmo e com a certeza mostrada por todos os ângulos televisivos deixaria de haver espaço para acesas discussões.
Mas há algo mais importante a verdade desportiva. E, essa, vale muito mais do que gritarias, não tem preço e o desporto-rei ganha com ela. Tenho de dizer, curiosamente, que o que me tornou um crente nas virtuosidades do VAR foi o último Campeonato do Mundo de râguebi. Ali, para lá da qualidade dos espectáculos, observámos como não se perde centelha de paixão com as pausas para a eliminação de erros e 'A verdade vence sempre', como diria o filme de Henry Hathaway.
Claro que ainda nem tudo funciona bem, como vimos já em alguns jogos com más decisões evidentes. Porém, com o VAR, existem mais garantias de que as consciências vão dormir mais tranquilas. Há coisas que têm de haver mais transparência na comunicação das decisões.
Mas há algo que é evidente: reparem como o VAR já retirou pressão sobre árbitros e assistentes. Agora, o inimigo das multidões, o canalha, já não veste de preto, está sentado numa sala. E isso quase que basta para se exigir maior qualidade nas arbitragens. Os erros acontecerão inúmeros vezes, porque errar é humano; no entanto, estou convicto que as injustiças serão menores e todos temos a ganhar com isso."


PS: Esta crónica tem muito que se diga, a começar pelo absurdo elogio ao Caracolinhos!!!
Mas mais importante, como se viu esta noite em Alvalade, o VAR (que de facto é uma excelente ideia), está a ser 'manipulado' para servir os interesses de determinados Clubes...
Eu sei que a secção técnica do CA da FPF, vai dizer que a prova vídeo não é suficientemente clara, para reverter a decisão do árbitro principal, mas como é que se justifica não marcar o penalty sobre o Jardel, e depois 'oferecer' a vitória aos Lagartos desta forma?!!!
Se a minha memória não me falha, os Lagartos num dos últimos jogos contra o Barcelona na Europa, sofreram um peanlty idêntico! Recordo-me do 'choro' que foi nos pasquins e nas televisões... Obviamente, esta noite ninguém se lembrará de tal coisa... A minha 'preocupação' com penalty desta noite, é como será daqui para frente! Será que todos lances iguais vão ser penalty?!!!
Esta é uma daquelas perguntas retóricas, porque todos nós sabemos, que o Benfica (e a maioria das outras equipas) nunca irá beneficiar de um penalty deste tipo, muito menos a poucos minutos do fim da partida, com o resultado em aberto!!!!

O VAR precisa de paredes de vidro

"Tenho dito e escrito, desde que se começou a falar na possibilidade da introdução de meios tecnológicos na arbitragem dos jogos de futebol (no Mundial de 1998 já questionei o presidente da FIFA sobre essa matéria...), que estes não erradicariam o erro mais iriam diminuí-lo drasticamente. A primeira jornada da Liga portuguesa deu razão a esta tese, os árbitros apresentaram-se seremos com o respaldo do vídeo e as notas atribuídas assim o comprovam. Porém, neste fase em que a procissão está apenas a sair do adro, há um esforço pedagogico a fazer para além daquilo que foi ensaiado. Tomemos, como exemplo, o caso do lance invalidado ao SC Braga que podia ter dado o 3-2 aos minhotos. Ao longo do dia de ontem as redes sociais foram inundadas com gráficos e linhas, umas paralelas, outras oblíquas, outras manifestamente tortas, que só serviram para aumentar a confusão em nome de um sectarismo que importa desmascarar e chutar para canto.
É imperioso que o VAR de serviço ao jogo da Luz venha explicar, de viva voz, as suas razões. É nesta dimensão de um indesejado secretismo que mais tem pecado esta (positiva) experiência do VAR. No râguebi, por exemplo, é possível ouvir as conversas entre o árbitro principal e o VAR e cada lance é mostrado à exaustão, no estádio e a quem está em casa. A informação e a transparência são amigas dos árbitros e é essa prática que urge implementar em Portugal. Caso contrário, o terrorismo informativo, nestes tempos em que fake news campeiam nas redes sociais, encontrará terreno fértil para fazer medrar os seus propósitos fundamentalistas e sectários."

José Manuel Delgado, in A Bola

O próximo passo

"Os desenvolvimentos tecnológicos são de tal forma evidentes que tornam possível observar uma imagem, estando comodamente sentado, a distância considerável do local do evento. O atraso na recepção da imagem é mínimo. Isto permite uma observação uma observação de tudo o que se passa num jogo de futebol. Esta época deu-se um passo importante com a introdução do videoárbitro. A possibilidade de intervenção em quatro momentos - golos, grandes penalidades, vermelhos e identificação de jogadores - vem ajudar nas decisões do árbitro. Claro que os erros não vão deixar de existir, principalmente porque a interpretação pode ser subjectiva em muitos desses momentos. Como qualificar a intensidade do contacto entre dois jogadores? Este é um desses momentos, por exemplo. Outros, como perceber se houve falta ofensiva antes da falta defensiva, ou se existe ou não fora de jogo antes do golo, são mais factuais. Mesmo assim a interpretação não é unânime, como se tem percebido.
Contudo, esta funcionalidade provoca maior exposição, o que implica que os critérios de análise sejam o mais rigorosos possível por forma a não se criar descredibilização em relação ao processo de decisão. Este é o desafio dos próximos meses. Penso que vamos continuar a evoluir no processo, até na modificação de regras. Estamos perante mudanças importantes, que, estou certo, se tomarão mais profundas brevemente.
A introdução do tempo útil de jogo, o número de substituições, o jogador substituído pode voltar ao jogo, num primeiro momento, e as expulsões temporárias num segundo momento, serão temas que estão ou estarão em discussão. Ter, como exemplo, duas partes de 30 minutos úteis, ou até 3 de 20/25 minutos com o aumento do número de substituições, termina com muitas discussões sobre as perdas de tempo e retira ao árbitro essa decisão. A evolução faz-se, também, com o reconhecimento de erro, sem necessitarmos de unanimidades que retiram credibilidade ao processo."

José Couceiro, in A Bola

Candidatos por igual

"O Benfica tem sido considerado o principal favorito à conquista da Liga pela simples razão de que é o campeão em título. Há vários treinadores a defender esta ideia, mas não só: a maioria dos jogadores, ‘opinion makers’ e adeptos consultados também entendem que o vencedor anterior será sempre, em qualquer circunstância, o principal candidato ao título seguinte. Com todo o respeito, não faz sentido. É tão desajustado esse juízo como fazer ‘sentenças’ durante a pré-época e tirar muitas ilações ainda em Julho ou Agosto.
Benfica e FC Porto tiveram comportamentos muito diferentes nos jogos de preparação. Nota baixa para as águias, nota alta para os dragões. E depois? Que conclusões se podem tirar a partir daquilo que acontece em jogos com 20 substituições, disputados em ritmo baixo, contra equipas de divisões secundárias ou frente a colossos que muitas vezes aproveitam a pré-época para testar um plano B para ocasiões especiais?
O campeão não é mais nem menos favorito ao título do que FC Porto e Sporting. Hoje, dia em que se inicia a 2.ª jornada, o Benfica tem os mesmos pontos e as mesmas possibilidades que os seus rivais de vir a terminar na liderança. O FC Porto ficou em 2.º lugar na última época. Será, por isso, o principal candidato a acabar em 2º? E o Sporting? É o grande favorito a terminar em 3.º?"

O novo regime jurídico dos empresários desportivos

"1. O que mudou com o novo regime jurídico dos empresários desportivos?
Entrou em vigor no passado dia 19 de Julho a Lei n.º 54/2017, de 14 de Julho, que estabelece o regime jurídico do contrato de trabalho do praticante desportivo, do contrato de formação desportiva e do contrato de representação ou intermediação. Concretiza agora a lei que o contrato de representação ou intermediação é um contrato de prestação de serviço celebrado entre um empresário e um praticante ou uma entidade empregadora. Este tipo de contrato obedecerá a forma escrita, devendo ser definido com clareza o tipo de serviços a prestar pelo empresário desportivo, a remuneração que lhe será devida e as respectivas condições de pagamento. O contrato terá sempre uma duração determinada, que não poderá exceder dois anos. Fica expressamente vedada a representação de praticantes menores de idade por empresários, no seguimento do que já se estabelece no Regulamento de Intermediários da FPF, mas em sentido contrário ao previsto no Regulations on Working with Intermediaries da FIFA, que permite a representação de menores, mas não a remuneração dos seus intermediários.
2. Quais são os novos limites à remuneração dos empresários?
No âmbito de um contrato de representação ou intermediação celebrado entre um empresário desportivo e um praticante desportivo, a remuneração do primeiro não poderá exceder 10% do montante líquido da retribuição do praticante desportivo, mantendo-se o dever de pagamento apenas durante a vigência do respectivo contrato de representação. Contudo, não se estipulou qualquer limite máximo à remuneração a pagar pelos clubes aos empresários. Recorde-se que, na vigência do regime anterior, o montante máximo recebido pelo empresário era fixado em 5% do montante global do contrato, salvo acordo escrito em contrário no contrato inicial. Trata-se, assim, de uma grande alteração face à lei anterior."

Alvorada... com Rui Manuel Mendes

Falar pouco e jogar muito

"O Sport Lisboa e Benfica não alimenta polémicas, não tem dívidas a ex-jogadores e treinadores, não vive sob intervenção financeira da UEFA, não está traumatizado pelo passado, não se esconde por trás de treinadores, não vive obcecado pelos seus rivais, não cria factos falsos para desviar as atenções de falta de resultados, porque está totalmente focado em si próprio e na luta pelas vitórias. 
Conseguimos 12 dos últimos 16 títulos no futebol em Portugal. Com a mesma humildade e respeito por todos os clubes queremos prestigiar o futebol com esta nossa maneira de estar. Falar pouco e jogar muito e fazer de cada jogo uma festa."