Últimas indefectivações
quinta-feira, 30 de março de 2023
quarta-feira, 29 de março de 2023
Porque não acredito que a Kings League seja uma ameaça ao futebol (embora haja ali muita coisa boa)
"Há um prazer inebriante na novidade. Um entusiasmo juvenil, uma felicidade delicada.
A novidade empolga, estimula, emociona. Chega a ser encantador como gestos tão simples se tornam especiais. Carregar no play diante de um filme novo, por exemplo. Descobrir um bom vinho que não se conhece. Correr para dar o primeiro mergulho naquele mar.
O início é sempre assim, inteiro e limpo, como escrevia Sophia de Mello Breyner.
Raramente nas histórias de amor o coração acelera tão descompassado como naqueles instantes imediatamente antes de se dar o primeiro beijo.
Será falta de ferro? Excesso de cafeína? Um pedido de pacemaker?
A verdade, meus caros, é que a novidade é viciante. Deliciosamente viciante, aliás. Uma fonte inesgotável de prazer.
Piqué descobriu-o há coisa de três anos, quando aproveitou a pandemia para criar aquele campeonato do mundo de balões de ar. Quem apostava que um torneio em que o objetivo era não deixar cair um balão pudesse ser um sucesso? Mas foi. Um tremendo sucesso, aliás. Milhares de pessoas inscreveram-se numa plataforma e seguiram os jogos ao vivo.
No final Piqué tinha ficado com uma base de dados de potenciais clientes e criado uma comunidade.
Ora essa espécie de experiência foi o tubo de ensaio para algo muito maior. A Kings League. O segredo é o mesmo, basicamente: criar um produto que atraia o público que se apaixona arrebatadoramente por novidades e entregá-lo através de canais de streaming. Com um extra, desta vez: o futebol.
Mas sejamos claros, o futebol é só um pretexto. Não acredito que alguém siga a Kings League por causa dos jogadores ou dos resultados. O que conta ali é o entretenimento, todo o espetáculo que é criado à volta do jogo e que tem nas figuras públicas que vestem o papel de presidentes os verdadeiros protagonistas.
Interessa perceber o que os jogadores dizem aos árbitros, e ver como reagem os presidentes. Interessa ouvir o que os treinadores gritam, e como reagem os presidentes. Interessa olhar a cara de um jogador que se lesionou, e ver como reagem os presidentes.
Interessa no fundo olhar tudo, ouvir tudo, entrar dentro de campo e no balneário, perceber as conversas e ver a reação dos reais protagonistas, que na tribuna torcem e sofrem com uma câmara apontada a eles.
A Kings League é no fundo o casamento perfeito entre futebol e o big brother. Ou melhor, o casamento perfeito entre futebol, big brother e e-games, porque as cartas que viram os jogos completamente do avesso a qualquer instante são parte importante da equação.
O resto é promoção e é o que Piqué sabe trabalhar melhor.
Basta lembrar, a esse propósito, o que fez quando rebentou o escândalo da Supertaça Espanhola na Arábia Saudita. O país inteiro queria ouvi-lo explicar-se. Ele podia convocar uma conferência de imprensa para uma sala de hotel, mas inteligente e perspicaz preferiu fazê-la através da conta pessoal da Twitch. Toda a gente podia acompanhar a conferência ao vivo, embora só os jornalistas pudessem fazer perguntas. Conclusão: cem mil pessoas ligaram-se ao canal dele.
Isto, sim, é promoção. Genial ou não?
Ora por isso, e sabendo que o triunfo da Kings League dependeria do sucesso da promoção, Piqué chamou para o jogo dez dos mais famosos streamers espanhóis. Que trouxeram com eles a respetiva comunidade que os acompanha.
Podia ter convidado antigos jogadores, por exemplo, mas não era a mesma coisa. Por isso do mundo do futebol só chamou Kun Aguero e Casillas, curiosamente duas estrelas com uma presença muito forte nas redes sociais. De resto, dos doze presidentes convidados, dez vinham do mundo do streaming.
A partir daqui foi só alimentar o que tinha criado. Todas as semanas havia uma notícia viral. Podiam ser os elogios de Ricardinho, a presença de Ronaldinho ou a chegada de um jogador fantasma que não podia revelar a identidade. A Kings League era sempre tema de convesa, estava sempre nas trends do momento.
Conclusão: a primeira edição da Kings League foi um sucesso e não faltou quem visse neste jogo o futuro do desporto.
Mas será que é mesmo uma ameaça ao futebol?
Honestamente, não acredito. Não acredito nem mesmo um bocadinho.
Antes de mais, porque a Kings League viveu do fator novidade e como ela pode ser inebriante, lá está. Foi buscar um público jovem, que gosta de fugir do mainstream, mas que mais tarde ou mais cedo vai partir com a mesma rapidez com que chegou. Provavelmente à procura de outra novidade inebriante.
Não acredito que seja uma ameaça também porque não alimenta paixões. Não faz sonhar as crianças. Nenhum miúdo vai para a rua ou para a escola fazer um jogo com os amigos de Kings League. Aquilo tem muito pouco a ver com futebol, aliás.
Na melhor das hipóteses, será uma ameaça à Netflix, mais do que ao futebol.
Mas há na Kings League uma série de coisas boas e que deviam ser aproveitadas pelo futebol. Por exemplo, aquela capacidade de chegar a uma larga comunidade que vive nas plataformas de streaming. Ou a possibilidade de nos fazer mergulhar dentro do jogo e não ficar apenas de fora a ver. A forma como consumimos futebol tem de evoluir e tem de nos conquistar outra vez. As novas gerações já não aceitam ser apenas espectadoras. É preciso levá-las para dentro do jogo, mostrar-lhes os pormenores, abrir-lhes as portas das grandes estrelas.
O jogo tem de ser mais inclusivo, mais moderno.
Como já o começam a ser outras modalidades, alias, que nos permitem ouvir os treinadores ou as explicações dos árbitros em tempo real.
Infelizmente o futebol é um velho do Restelo. Continua a servir-nos o jogo da mesma forma há décadas, com raras e sempre muito lentas evoluções. Enquanto isso há uma e outra geração que vive nas redes sociais e nas plataformas de streaming, que se está a afastar do futebol e a contagiar outros como elas.
Precisam de novidades que os empolguem, que os estimulem, que os emocionem. Uma coisa verdadeiramente encantadora.
A Kings League já mostrou que é possível."
O homem que talvez tenha morrido de costas
"Começou a correr e a cerca de quatro metros da fasquia fez uma curva ligeira e voou de costas deixando bocas abertas de espanto
Não sei se se voa para a morte. Afinal ninguém regressa de lá para contar, não é? Claro que se eu agora for à varanda e me lançar no vazio tenho um percentagem de ir desta para melhor (será mesmo melhor?) mas não é no voo que morro é quando as minhas ossadas esbarrarem no chão lá em baixo, frente ao Sado, e umas poucas de vísceras se esmagarem obedecendo com rigor à velha Lei de Newton. Estou certo de que se alguém morreu voando esse alguém tinha alma de pássaro e sabia todos os segredos do verbo voar como Richard Douglas Fosbury que decidiu partir há pouco para essa planície onde o espaço é suficientemente infinito para que nele caibam todos os anjos. Ou então ultrapassou voando de costas sobre a fasquia da Senhora da Pensão da Vida aterrando do outro lado num daqueles colchões que, na Cidade do México estavam à sua espera como se fossem fiapos de algodão. Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, título que só por si já é um romance, Machado de Assis dizia que era preferível cair das nuvens do que de um terceiro andar. Mas pode dizer-se sem fugir grandemente à verdade que naquele dia 20 de outubro de 1968 Dick caiu das nuvens em cima da medalha e ouro olímpica do salto em altura. E de uma maneira que muito poucos tinham visto até então.
A técnica que Fosbury aplicou nessas Olimpíadas ganhou o seu nome: Fosbury Flop. Até então a prática estava na utilização do sistema de rolamento ventral que já viera tomar o lugar do salto-de-tesoura tão primitivo que já começava a parecer tirado de um filme de Buster Keaton. Nessa tarde de outubro todo o mundo assistiu um daqueles acontecimentos que ficam presos na memória como se tivessem sido condenados às caldeiras de Pêro Botelho. Dick começou a correr em direção à fasquia e aí a quatro metros de iniciar o salto fez uma ligeira curva antes de se erguer de costas ultrapassando os 2,24 metros, dois centímetros acima do seu compatriota Ed Caruthers e quatro acima do soviético Valentin Gavrilov. Foi definitivamente maravilhoso. E de tal forma encantador e fascinante que nos Jogos Olímpicos que se seguiram, em Munique-1972, 28 dos 40 atletas que participaram na prova de salto em altura imitaram Fosbury. Dick dera um passo para o futuro e já não havia volta atrás. Hoje não há mais quem se arrisque a regressar ao rolamento ventral. Afinal ficou comprovado que o Fosbury Flop era muito mais eficaz e que só através dele se poderiam superar marcas até então incríveis.
Bom, se pensam que Dick resolveu assim, de um momento para o outro, dar aquela voltinha sobre si mesmo e passar de costas sobre a fasquia em direção ao ouro olímpico estão muito enganados. Apesar de ter nascido em Portland, no Oregon, capital de um Estado com uma população de madeireiros mais do género de Paul Bunyan do que propriamente de um trinca-espinhas com 1,93 que parecia estar à beira de se desmanchar a cada movimento mais brusco, o jovem Fosbury não deixou que o seu Flop fosse obra do acaso. Com 16 anos, a estudar em Medford, fazendo parte da equipa desportiva da universidade, a ideia de alterar por completo a forma como abordava a fasquia na altura de se preparar para voar sobre ela bailou na sua cabeça com uma teimosia notável. Não teve pejo de avisar o seu treinador que considerava o Método Straddle (rolamento ventral) um embaraço completo para saltadores com uma planta física próxima da sua. E apesar de o treinador se ter estado completamente nas tintas para as amalucadas ideias de Dick, mal este se transferiu para a Universidade do Estado, em Corvalis, não tardou a impingi-las ao novo responsável pelas suas sessões de treino. Menos cabeça-de-mula do que o seu antecessor, Berny Wagner, o seu novo mestre, continuou a insistir para que Fosbury mantivesse o estilo clássico embora o deixasse praticar a sua criação com uma razoável dose de liberdade, algo que fez Dick tornar-se cada vez mais confiante no aperfeiçoamento do seu muito peculiar estilo.
Dick Fosbury morreu no último dia 12 de março com 76 anos. Talvez já não tivesse a elasticidade plástica para sobrevoar de costas um fasquia mesmo que esta estivesse apenas a um metro do chão. Em 2015, surgiu nos ecrãs um filme chamado Broken Arrows com banda sonora do DJ sueco Avicii fazendo trovejar a voz de Zac Brown. Logo no início o espetador é devidamente avisado ‘Inspired by a True Story’. A trama dá-nos um protagonista infeliz, um atleta que vive na cidade ficcional de Fairmont, na Florida, com a filha, numa autocaravana a cair aos pedaços. Mergulhado num ambiente de desespero e de alcoolismo, vai ser à custa da força de vontade da garotinha que conseguirá sacudir a desgraça dos ombros e chegar a campeão olímpico de 1968.
«I will meet you by the witness tree
Leave the whole world behind».
Dick sempre foi um solitário. Mesmo quando voava de costas."
Eliminação na Alemanha...
Flensburg 33 - 28 Benfica
(19-15)
Os números de hoje até foram 'normais' o problema foi a derrota pesada na 1.ª mão, na Luz!
Adeus à Europa, após o triunfo do ano passado, havia a consciência de que o plantel este ano, não está ao mesmo nível e que os nossos adversários iriam ter outro 'respeito' pelo Benfica... mesmo assim, acho que podiamos ter feito melhor! Na fase de grupos o 4.º lugar, acabou por empurrar o Benfica para um Sorteio, contra um dos favoritos nesta fase... e esse 4.º lugar, ficou muito aquém do nosso potencial!
Algo de errado não está certo!!!
Algo de errado não está certo.
— MasterPT (@MasteringPT) March 28, 2023
Será que o Boaventura nem corromper sabe ou os jogadores alegadamente aliciados pensavam que o Benfica vestia de azul e branco?pic.twitter.com/sSuiwjmt4U
Circo...
"Anos e anos de e-mails.
Anos e anos de conversas de Whatsapp.
Anos e anos de escutas telefónicas.
Anos e anos de pseudo-notícias de jornais.
E é isto que têm para apresentar?
Belo circo que montaram."
O resto é com a intensidade
"1. E ponto. Chegou-nos a primavera. É a primavera mais ansiada dos últimos tempos, não é? Que a nova estação nos traga tudo por que suspiramos. A redenção do mau tempo, do frio, do gelo, das intempéries, dos vendavais. Gloriosa primavera, precisamos de ti em todo o teu esplendor. Cá estamos para te receber e saudar-te passo a passo na tua caminhada, na nossa caminhada. Chegou, finalmente, o tempo das papoilas vermelhas pelos campos e à beira dos caminhos. Abril, maio, junho, estamos à vossa espera.
2. O FC Internazionale de Milão será o nosso adversário nos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Assim o ditou o sorteio de Nyon na semana passada. Saiu-nos o Inter, com quem jogaremos duas vezes já no próximo mês. A imprensa milanesa saudou o sorteio vendo no Benfica a equipa mais apetecível. logo vieram uns quantos ex-jogadores italianos alertar que a coisa não é bem assim.
3. Figuras como António Cassano não hesitaram em proferir o seu veredito: 'O Benfica mete medo e joga muito melhor do que o Inter'. Já Daniele Adani foi ainda mais taxativo: 'Inter ou Benfica? Vejo o Benfica na meia-final'.
4. As palavras são muito bonitas, mas não nos devemos deixar embalar por estes elogios que nos sabem bem e que elevam o nome do Benfica no panorama europeu. Pés na terra. O resto é com a intensidade.
5. O Benfica, que venceu o Vitória, viu alargada a vantagem sobre o 2.º classificado e sobre o 3.º classificado, que empatam entre si, concluída que foi a 25.ª jornada do campeonato nacional de futebol. Melhor assim, sem dúvida. O jogo com o Vitória teve uma primeira parte de grande categoria da equipa de Roger Schmidt e deixou extasiadas as bancadas da Luz. Foi bom de se ver. As obrigações da selecção nacional forçam agora uma pausa na Liga. Enfim, um aborrecimento. Que voltem bem.
6. Em Braga, o jogo entre os nossos perseguidores terminou com o resultado de 0-0. Sem golos, portanto. Que sorte a deles. Assim não terão de ouvir o treinador do Vitória, de pseudónimo Moreno, palestrar sobre a praga dos 'golos esquisitos' que só estragam o jogo.
7. Morreu Rui Nabeiro, aos 91 anos, um homem único no mundo empresarial do nosso país. Partiu com o reconhecimento que lhe era devido pelos seus pares, pelos seus trabalhadores, pela sua cidade, pela sua região e pelo seu país. E, obviamente, também pelo Benfica, que, muito justamente, evocou nas suas redes sociais Rui Nabeiro, o sócio n.º 4696, emblema de ouro de dedicação ao seu clube. E com que orgulho podemos dizer hoje e sempre que Rui Nabeiro era um dos nosso, um de nós."
Leonor Pinhão, in O Benfica
terça-feira, 28 de março de 2023
O III sarau de Ginástica do Benfica
"Quatro horas de ecletismo encarnado colocaram em evidência os valores educativos do Benfica no desporto nacional
Os saraus do Benfica foram iniciados em 1951, com o objetivo de promover as suas classes de ginástica, sendo um momento alto de celebração do ecletismo do Clube. O sucesso foi tal, que este evento passou a constar no calendário das festividades encarnadas, enchendo a cada ano com alegria e brilho o recinto do Pavilhão dos Desportos. Em 1954, o Glorioso celebrava os seus 50 anos, um marco único na sua história que a secção de ginástica, encabeçada por António Mendes de Carvalho, não quis deixar passar despercebido.
No dia 8 de Maio, perante um Pavilhão dos Desportos repleto de vibrante público ovacionado a cada momento todos os intervenientes, realizou-se em ambiente de verdadeira apoteose o III Sarau do Benfica. O programa arrancou com uma enorme parada de 500 atletas com as suas camisolas rubras, imprimindo uma imagem cromática ao recinto, encabeçada pela ginasta Maria de Lourdes Prata Dias segurando a bandeira do Benfica. Todas as secções do Clube estiveram representadas, envergando os seus guiões, enquanto grupos de crianças formavam as iniciais SLB.
Após o Hino do Benfica, o presidente Joaquim Ferreira Bogalho pronunciou breves palavras alusivas ao ato e recebeu por entre vibrantes aclamações dois pequenos ginastas que, em representação da secção, entregaram um donativo correspondente a 3 toneladas de cimento. Da parada, surgiram depois em destaque os maratonistas José Araújo, Claudino Martins e Armando Silva, efusivamente homenageados por um grupo de benfiquistas.
Seguiu-se uma demonstração das múltiplas classes de ginástica, na qual as mais diversas faixas etárias efectuaram exercícios de saltos de mesa alemã, pinos, rodas e mortais. Edite Cruz, a valorosa patinadora de mérito internacional, marcou presença abrilhantando a festa com dois números de fantasia, um swing e um pasodoble que arrancou da extasiada assistência muitos 'olés'.
Na segunda parte desta grandiosa festa, Carlos Figueira, Azevedo Gomes, David Cohen e Pedro Vasconcelos, consagrados campeões nacionais de ténis, fizeram uma demonstração a pares. Apesar de o recinto não oferecer as melhores condições para o efeito, a partida decorreu com bastante interesse, tendo a dupla Pedro Vasconcelos/Azevedo Gomes vencido por 6-2.
A festa terminou com a disputa da Taça Sarau de Ginástica em hóquei em patins, colocando frente a frente as reservas do Benfica e do Grupo Desportivo da Mundet. Num desafio muito disputado, o adversário não conseguiu impor-se como desejava face à superioridade técnica dos encarnados, acabando derrotado por 7-2. No final do encontro, Justino Pinheiro Machado entregou o troféu à equipa do Benfica, para gáudio do público ali presente.
Para saber mais sobre esta e outras histórias da modalidade, visite a área 3 - Orgulho Eclético do Museu Benfica - Cosme Damião."
Ricardo Ferreira, in O Benfica
Excelente momento
"“Jogar à Benfica” trata-se de um conceito vago, passível das mais variadas interpretações. Mas há características coincidentes entre elas, nomeadamente a procura do golo frenética e incessante desde o início do jogo e a agressividade permanente nas tentativas de recuperação da bola. Muitas acrescentam ainda a classe, a inteligência futebolística e a superior qualidade técnica em cada toque na bola. E, invariavelmente, que a aplicação destas resulte numa vitória.
Tudo isto fez o Benfica ante o Vitória de Guimarães. Estava 3-0 à meia hora de jogo, uma vantagem assente numa exibição de gala de uma equipa evidentemente insaciável. À Benfica, portanto. E com o bónus, no dia seguinte, de ver a vantagem já de si alargada na liderança do campeonato aumentar mais dois pontos. O mundo, às vezes, faz sentido.
Um aparte: não deixou de ser curioso observar a panóplia de manifestações de desejos travestidas de análises quanto ao embate do Benfica com o Vitória de Guimarães. Foi-nos lembrado até à exaustão que fôra precisamente com este adversário que o Benfica havia perdido pontos no campeonato pela primeira vez e que a sequência de oito vitórias consecutivas anterior à partida se dera com adversários de menor monta. E ainda a ausência de Aursnes, subsistindo, diziam eles, a dúvida quanto à capacidade da equipa de se adaptar a ela. Foram obrigados a enfiar a viola no saco e eu sorrio.
Tudo está muito bem encaminhado para que o Benfica regresse ao título nacional, estando bem interiorizado no seio do clube que nada está ainda conquistado. E, por isso, não surpreende a berraria em praça pública de responsáveis portistas.
Diz o treinador que não houve investimento. Contrapõe o presidente que houve. E até houve mesmo: de acordo com o relatório e contas da sad portista chegou a cerca de 45 milhões de euros.
Se é muito ou pouco, depende da perspectiva. Por exemplo, para clubes como Braga, Casa Pia, Estoril, Gil Vicente, Rio Ave ou Santa Clara, aqueles que, além do Benfica, impediram o FC Porto de vencer na presente edição do campeonato, é um montante impensável. E o maior problema é outro: com menos do que os tais 45 milhões de euros, o Benfica adquiriu os passes de Aursnes, Enzo e Neres, demonstrando cabalmente que, com competência, esse valor ainda dá para qualquer coisa.
Melhor mesmo será que cada um vá para seu lado. O treinador para um qualquer clube estrangeiro e os membros da administração da sad portista para a sala de reuniões, obviamente com o propósito de rever em alta os seus próprios ordenados e prémios, tarefa à qual se dedicam, normalmente, com zelo, proatividade e generosidade.
P.S.: O Benfica tem hipóteses reais de chegar à final da Liga dos Campeões e tentar vencer a prova, o que não significa que seja fácil de o conseguir. Pelo contrário, é tremendamente complicado. Mas a equipa do Benfica conquistou com inegável mérito o direito a sonhar e esse é o primeiro passo. Eu acredito!"
João Tomaz, in O Benfica
Venha daí essa pausa maravilhosa
"Já aqui registei várias vezes o meu aborrecimento durante as pausas para jogos das selecções. Porém, devo dizer que pausas para jogos das selecções com o Benfica na liderança do campeonato em cima de uma distância de 10 pontos para o 2.º classificado são extremamente bem-vindas. Se a isto somar a presença nos quartos de final da Liga dos Campeões, então posso afirmar que, com esta interrupção internacional, não estou a entrar num estado de aborrecimento, mas, sim, num estado de nirvana.
Assisti ao sorteio da Liga dos Campeões como se estivesse a assistir a um vídeo de casamento. Entusiasmado pelo que já se tinha passado, motivado pelo que se poderá passar dali para a frente, porém consciente de que há sempre margem para um triste final antecipado. Bem, com uma pequena diferença: ainda não participei em nenhum matrimónio onde desejasse mais um final feliz em comparação com o final que desejo para o Benfica nesta Liga dos Campeões. Gosto muito dos meus queridos amigos Pedro e da Catarina, mas já comi e bebi bem no dia da festa. Se daqui para a frente vão continuar felizes e unidos, é-me um pouco indiferente quando comparado com a vontade de ver o Otamendi em Istambul a levantar a orelhuda.
O resultado do sorteio foi, digamos, simpático. Não tenho problema em reconhecer que, quando fiz zoom in com os meus próprios olhos através da televisão e percebi que Alintop tinha acabado de colocar o Benfica emparelhado com o AC Milan e o Nápoles, soltei um grito de satisfação. Não se trata de desvalorizar os adversários Trata-se, isso, sim, de acreditar que este Benfica tem valor para discutir uma eliminatória a duas mãos com qualquer equipa italiana. Sonha, Glorioso!"
Pedro Soares, in O Benfica
Sim, nós podemos
"O sonho de voltar a ser campeão europeu faz parte da identidade de qualquer benfiquista. Foi isso que nos legaram as gerações antigas. Foi isso que nos deixou o grande Eusébio.
Infelizmente, o futebol moderno afastou-nos dessa possibilidade. A acumulação de dinheiro e de talento nos principais campeonatos do continente atirou clubes históricos como o Benfica para fora da engrenagem. Como noutros aspectos da vida, no futebol também se acentuou a clivagem entre centro e periferia: os ricos são cada vez mais ricos, os restantes vivem como podem. Discutir títulos com 'tubarões'? Só por milagre.
Ora, nos últimos trinta anos (e desconfio de que também nos próximos trinta), nunca como agora podemos olhar para o quadro da Champions League, olhar para a equipa do Benfica, e pensar que é possível chegar à final. Falta 'apenas' ganhar uma espécie de Coppa de Itália para estarmos em Istambul. Eis-nos perante uma oportunidade histórica que, não sendo fácil de concretizar, está longe de ser uma mera fantasia.
Quando um sorteio vai ao encontro daquilo que desejamos, a tendência natural é para algum triunfalismo. Espero que o parágrafo anterior não seja lido como tal.
Estamos nos quartos-de-final da Champions, onde figura a nata do futebol, onde não há adversários dóceis. Será redundante lembrar que o Inter dispõe de um orçamento muitíssimo mais elevado que o nosso, tem porventura o melhor plantel de Itália, e é um clube com pedigree europeu. De resto, nunca lhe ganhámos. E só depois de ultrapassar este adversário podemos pensar nos seguintes.
Precisamos de muito suor, e também de uma boa dose de sorte, para escrever história. O caminho é estreito, mas existe. A fé? Essa é do tamanho da Europa."
Luís Fialho, in O Benfica
Tanto Benfica...
"É talvez esta a melhor forma de exprimir o que significa para os benfiquistas a antiga sede do Sport Lisboa e Benfica. Foi ali que desde 1934 gerações consecutivas de benfiquistas se dirigiam para viver quotidianamente o Clube. Do pagamento de quotas à celebração de momentos únicos na caminhada secular do Benfica, aquelas paredes testemunharam muito do que fomos e somos hoje. Por isso não há um único benfiquista que fale da Rua Jardim do Regedor sem um sorriso de sentida nostalgia, mas não é apenas aos benfiquistas que pertence aquele espaço mítico, pois é certo que a chama benfiquista, o emblema de esquina e o colorido da vida clubística fizeram dela um lugar único, património e identidade da cidade de Lisboa.
Em 2010, o Sport Lisboa e Benfica deu àquele edifício simbólico o melhor dos destinos fazendo dele património fundacional com que criou o instituiu a Fundação Benfica e honrou da melhor forma a matriz humana que nos caracteriza a todos desde 1904. Existe por isso uma responsabilidade para com a história e a mística do Benfica que importa celebrar e cultivar, garantido a preservação dos seus principais valores patrimoniais e culturais para o futuro, como é o caso de projeto que agora se inicia para dar uma vida e devolver utilidade social ao edifício."
Jorge Miranda, in O Benfica
Núm3r0s d4 S3m4n4
"9
O Benfica chega à pausa do campeonato para as seleções com uma série de 9 vitórias consecutivas, a mais longa em 2022/23;
10
Pontos de vantagem sobre o 2º classificado a 9 jornadas do fim;
17
Gonçalo Ramos marcou e isolou-se na liderança isolada dos melhores marcadores do campeonato com 16 golos, mas logo depois João Mário bisou e regressou ao topo da lista dos goleadores, agora com 17 golos. Em todas as competições oficiais, Gonçalo Ramos é o máximo concretizador da equipa com 24, secundado por João Mário, com 23. Nas finalizações de golos, João Mário é o mais participativo, com 35 (23 golos + 12 assistências), seguido por Gonçalo Ramos, com 29 (24+5) e Neres, com 25 (12+13);
24
Gonçalo Ramos leva 24 golos, todos de bola corrida, quando faltam jogar, pelo menos, 11 jogos na temporada. Desde 1990/91, só os seguintes jogadores marcaram mais, excluindo através de grandes penalidades, numa só temporada: 29 (Jonas – 2014/15, 2015/16 e 2017/18); 28 (Cardozo – 2009/10; Darwin – 2021/22); 27 (Seferovic – 2018/19); 26 (Nuno Gomes – 1998/99; Lima – 2012/13); 25 (Cardozo – 2012/13; Seferovic – 2020/21, Mitroglou – 2016/17);
36
Com a estreia de Cher N’dour, subiu para 36 o número de jogadores utilizados por Roger Schmidt em competições oficiais, 11 dos quais da formação do Benfica;
42
Rafa passou a ser, a par de Jacinto Marques, Silvino e Valadas, o 42º com mais jogos em competições oficiais pelo Benfica (263 jogos);
68
Convertendo para três pontos as vitórias em todas as épocas, só em 1972/73 (73 pontos) o Benfica conseguiu, ao fim de 25 jogos, melhor pontuação no campeonato do que os atuais 68 (que só conseguira em 1962/63);
100
Gilberto chegou aos 100 “jogos oficiais” pelo Benfica."
João Tomaz, in O Benfica
Editorial
"1. Campeão do mundo, capitão, líder! Otamendi é capa e destaque principal desta edição do jornal O Benfica, rosto de uma ambição e responsabilidade que a equipa assumiu desde o primeiro minuto nesta temporada. Uma imensa ambição de devolver o título aos benfiquistas a par da responsabilidade de, envergando a braçadeira de capitão, ajudar a manter todo um grupo ligado na competitividade, na intensidade e no foco que tanta diferença têm feito esta época. É um privilégio podermos dar palco às palavras de Otamendi, numa mão-cheia de declarações para reter e relembrar, à Benfica!
2. Entre vários conteúdos de referência, nota para um raio-X ao próximo adversário do Benfica na Liga dos Campeões. O Inter de Milão deixou para trás o Barcelona na fase de grupos, relegando-o para a Liga Europa, e eliminou nos oitavos-de-final o ainda campeão português, Fica um levantamento quanto ao trajeto que tem feito nesta temporada, bem como um olhar mais aprofundado relativamente às várias opções de que Inzaghi dispõe no plantel. É o arranque para esses dois embates que se aproximam e prometem encher os benfiquistas de orgulho.
3. O tricampeonato feminino passa pela Luz. Mais um dérbi, onde o Benfica quer vincar a sua superioridade e a sua dimensão europeia, num trajeto de crescimento afirmação do futebol feminino sem paralelo com outra equipa em Portugal. Ao longo da semana acompanhámos a preparação das Inspiradoras num exclusivo que aqui trazemos aos nossos leitores. Todos à Luz, no domingo, para mais uma grande jornada à Benfica.
4. Morreu Rui Nabeiro, um dos maiores empresários que Portugal viu nascer. Construiu uma marca global, nunca perdendo de vista as suas raízes e Campo Maior, o que enriquece ainda mais um trajeto de extrema singularidade. Um exemplo de liderança, e inspiração para todos, relevado ainda mais pelo seu humanismo e permanente sentido de responsabilidade social.
Sócio 4696, emblema de ouro com mais de 50 anos de dedicação ao Clube, dele nos despedimos com saudade e com presença institucional do Sport Lisboa e Benfica numa última e bonita homenagem na Igreja da sua terra natal. Até sempre, Comendador."
Pedro Pinto, in O Benfica
Os pés pelas mãos...
"As notícias da última semana dão conta de que se realizaram buscas as contas dos árbitros e jogadores subornados pelo Benfica, de modo a perceber que transferências bancárias haviam sido realizadas.
Esta semana começa com a notícias que César Boaventura fazia subornos a jogadores - uns lesionados, outros que fizeram a exibição de uma vida - pagos em dinheiro vivo (falam até em 800 mil euros em notas de 500 euros), num processo cujo a não participação e envolvimento do SL Benfica, já foi provado e até arquivado.
Portanto, recebiam por transferência bancária algo que o Boaventura pagava em dinheiro vivo.
Hilariante!! É o desnorte completo. Já metem os pés pelas mãos.
Entretanto, a verdadeira notícia ficou por contar...
P.S: é curioso esta notícia sair dias antes do jogo do SL Benfica vs Rio Ave...🤔"
Foram só 19 vezes que os mesmos de sempre já falaram neste “novo caso” que saiu hoje. Já dá para rir esta merda!🤣
Subscrever:
Mensagens (Atom)


















