Últimas indefectivações

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Último segundo inspirado no básquete


"Hoje, finalmente, sinto já ter recuperado totalmente a voz depois do menu bidiário de água fervida com mel e limão antes de dormir e ao acordar desde domingo à noite. Já não me lembrava de explodir em euforia daquela maneira. O Benfica colocou o meu coração à prova, e o Waldschimidt permitiu que ele continuasse a bater com entusiasmo. Dizem que os alemães são um povo frio e bem estruturado. O Waldschmidt tem esse mesmo ADN germânico. Demonstrou uma frieza sublime e confirmou também que é um jovem com a cabeça no lugar.
Sofri como já não me lembrava de sofrer, mas depois de a adrenalina do golo no último suspiro passar - desapareceu há coisa de 10 minutos - consegui reflectir de forma serena. Não havia necessidade de entrar em estado de desespero. O jogo esteve sempre controlado. Jorge Jesus já afirmou variadas vezes que utiliza técnicas e estratégias de outros desportos para aplicar no seu estilo de jogo. Tal como os bloqueios nas bolas paradas, inspirados nos bloqueios do basquetebol, desta vez JJ inspirou-se mais uma vez no desporto de Michael Jordan. No básquete existe uma regra que determina que nenhuma equipa pode ter a bola em sua posse durante mais de 24 segundos sem a lançar ao cesto. Esta norma é particularmente interessante na etapa final de um jogo equilibrado, quando a última posse de bola permite que uma equipa faça o último lançamento em cima do soar da buzina. Foi isso mesmo que JJ transmitiu à equipa. Naqueles últimos dois minutos, a bola circulou por toda a gente, da direita à esquerda, e ninguém cruzava porque estavam à espera do derradeiro momento. Foi brilhante, mas por favor não se atrevam a repetir."

Pedro Soares, in O Benfica

Os nossos!


"A única virtude que encontro nos jogos à porta fechada é a impossibilidade de alguns espectadores poderem associar, e perturbar, alguns dos nossos jogadores nos seus momentos menos felizes.
É um triste hábito, que presumo ser extensível a outros estádios e a outros clubes. Mas com o mal dos outros podemos nós bem.
Na Luz, lembro-me de serem apupados, por exemplo, Nené, Paneira, Nuno Gomes, Luisão e Cardozo, para não falar na verdadeira perseguição a Betos ou Filipes Augustos (profissionais igualmente respeitáveis, mas sem sucesso no Benfica).
A questão que se coloca não é a do direito, ou não, de qualquer espectador pagante poder exprimir desagrado com jogadores ou técnicos. Esse direito é inalienável, e não me passaria pela cabeça questioná-lo. A pergunta que o adepto deve pôr a si próprio é se pretende, ou não, apoiar a sua equipa. E caso pretenda, então deverá eximir-se de atitudes que contribuam para a desestabilização dos seus atletas - sobretudo durante os jogos.
Não é ao adepto que cabe cobrar este ou aquele desempenho do jogador X ou Y. Está lá o treinador para o fazer. Treinador esse que será avaliado pela direcção no final de cada temporada. Direcção essa que será julgada pelos sócios no fim de cada mandato.
Contribuirmos para a fogueira de qualquer um dos nossos será facilitar a tarefa de todos aqueles que, por outras vias, já o tentam fazer com intuitos mal disfarçados.
Apoiemos incondicionalmente os nossos jogadores, venham eles de onde vierem, sejam eles de onde forem. De águia ao peito são nossos, estão a correr por nós, e o sucesso deles será a nossa felicidade."

Luís Fialho, in O Benfica

Reforços de peso


"Gabriel e Luca Waldschimdt protagonizaram o grande momento do Benfica - Paços de Ferreira. No último lance, o valoroso médio brasileiro assistiu com um passe teleguiado o eficaz internacional alemão, que de cabeça sentenciou um eletrizante jogo de futebol. As nove oportunidades de golo criadas pelo Benfica, com apenas duas delas a serem coradas do êxito, merecem uma profunda reflexão e uma certeza. A reflexão é clara - só com muita persistência e determinação conseguiremos atingir o nosso principal objectivo, ou seja, a conquista do 38.ª campeonato nacional. A certeza é óbvia - as contratações foram cirúrgicas e certeiras, Darwin Núñez, Luca Waldschimidt, Everton, Jan Vertonghen, Nicolás Otamendi, Gilberto, Pedrinho e Helton Leite já deram provas de que são verdadeiros reforços. Tal como o regresso de Diogo Gonçalves foi uma decisão na 'mouche'. Só falta entrar em acção Todibo. Para já, o balanço é bastante postivo. O 'grupo dos nove' que a prospeção do SL Benfica é não só a mais competente, como a mais ousada. Refiro-me à aposta no trio atacante. Todos internacionais pelos respectivos países, Everton, Luca e Darwin constituíram investimentos avultados, mas sustentados. A nossa dupla de defesa-centrais prima pela experiência. Vertonghen e Otamendi são titulares da Bélgica (1.ª do ranking da FIFA) e da Argentina (7.ª do ranking) e ambos evoluíram, nas últimas temporadas, em poderosas equipas da liga mais competitiva do mundo - a Premier League. Tottenham e Manchester City são sempre candidatas à conquista da Liga dos Campeões. Vertonghen sagrou-se, há duas épocas, vice-campeão europeu, derrotado apenas pelo Liverpool. Por tudo isto, as críticas de que têm sido alvo só podem ter uma justificação - inveja. Antes da abertura do mercado de janeiro, segue-se um ciclo de jogos muito difícil. A única certeza que tenho é que o grande reforço para 2021 seria o regresso dos nosso adeptos aos estádios. Com o 12.º jogador seremos bem mais fortes."

Pedro Guerra, in O Benfica

Um ano de Benfica solidário


"Perto dos dias em que se finda o ano, todos pensamos que 2020 foi tudo menos um ano bom. E é verdade! Mas não é menos verdade que por se revelar difícil trouxe ao cimo o melhor de nós, convocou e uniu os esforços de todos de forma a que, por entre os dias tristes e sombrios da tragédia brilhou sempre uma esperança indómita, multiplicada em milhões de Arco-Íris que nos foram dizendo, antes como hoje ainda, que vai ficar tudo bem!
Quando olhamos para trás e revisitamos o trabalho social do Benfica nesta página que o jornal do clube carinhosamente lhe dedica, ilumina-se bem rubra essa centelha, que a todos envaidece e eleva. É chama viva esta Alma Benfiquista que nos une a fazer tanto pelo bem comum. Tanto como os títulos, abaixo relembrados, desta rúbrica semanal de um ano difícil que caminha para o fim.
Obrigado Benfiquistas!
- Vitória da vida
- Jovens em acção
- Racismo e sangue
- Ética
- Coração vermelho
- Igualdade de género até 2030
- Um por todos, todos por um
- Consignação fiscal: o músculo que nos ergue
- Vai ficar tudo bem
- Quanto vale um par de luvas
- Normalidade possível
- Vou sair daqui a pé
- Juntos cuidamos de si
- Sejam bem-vindos
- Ninguém nos para
- Direito a brincar
- Mundo redondo
- Somos os nossos valores
- Cada vez melhores
- A janela
- Futuro
- Seniores ON
- Queremos ser melhores
- Sementes
- Campeões comunitários
- Prémios em família
- Mais que futebol
- O peixe ou a pesca
- More than football
- A esperança no lugar do desespero
- All livres matter
- Diversidade é riqueza
- Jovens que pensam
- Liberdades, Resultado e Responsabilidade
- Usem máscara
- 2+2=5
- Agir sempre
- Dia de dar"

Jorge Miranda, in O Benfica

Mais um objectivo


"Hoje é dia de mais um jogo, desta feita a contar para os quartos de final da Taça da Liga, ante o Vitória de Guimarães. O palco será o melhor possível, o Estádio da Luz, e o início está agendado para as 21 horas. 
Devido à necessidade de reformulação do calendário competitivo derivada do encurtamento forçado da temporada, a Taça da Liga disputa-se, na presente época, em moldes diferentes dos anteriores.
A prova, na sua 14.ª edição, foi reduzida a oito clubes (os seis primeiros classificados da Liga NOS à oitava jornada e os dois primeiros classificados da Liga Portugal SABSEG à 10.ª jornada). O emparelhamento dos clubes nos quartos de final respeitou a classificação de cada participante, sendo que o Benfica, então no terceiro lugar, disputará a passagem às meias-finais com o sexto classificado nessa jornada.
Não sendo o principal objetivo da temporada, é com a mesma ambição de conquista que a nossa equipa abordará a partida, conforme vincado por Jorge Jesus, ontem, em declarações exclusivas à BTV: "Entramos para ganhar em todas as competições."
Benfica e Vitória de Guimarães, atuais segundo e quinto classificados da Liga NOS, já se encontraram em seis ocasiões na Taça da Liga, com quatro vitórias para as nossas cores e dois empates. Apenas dois desses encontros foram realizados no Estádio da Luz, com uma vitória benfiquista e um empate.
Que hoje a nossa equipa some mais um triunfo, é o que desejamos.
De Todos Um, o Benfica!"

Vertonghen admite ter jogado nove meses com tonturas e dores depois de sofrer pancada na cabeça


"O defesa central belga, hoje no Benfica, confessou que a época passada foi muito afetada por uma pancada que sofreu na cabeça - o que pode revelar sintomas de concussão - e que continuou a jogar por ser o último ano de contrato com o Tottenham. Em outubro, Vertonghen fraturou um osso facial devido a um choque com um adversário no encontro contra o Moreirense

"É a primeira vez que falo sobre isto."
Esta vez é sobre aquela vez de há ano e meio, o Tottenham e o Ajax estão em Londres, no estádio está um maralhal de gente a vê-los, quem é visto são os jogadores e às tantas vê-se uma bola a voar para uma das áreas e três corpos projetarem-se para a encontrar no ar. Era uma calamidade iminente a gravitar, lá foram as mãos do guarda-redes André Onana à bola, lá se tentou elevar o cocuruto de Toby Alderweirald e lá estava a testa de Jan Vertonghen.
E lá se deu a colisão das três forças para o grande mal de uma delas, foi a cara deste último defesa belga a embater na cabeça do conterrâneo com quem se emparelhava na defensiva do Tottenham e nessa vez Vertonghen tombou, ficou caído no relvado, sangue a escorrer-lhe face abaixo e todo ele a cambalear quando o levantaram. Precisou de ser sustido em ombros para se encaminhar em direção ao banco de suplentes e lá foi limpo, tratado e em teoria avaliado para, pouco depois, regressar ao campo.
Essa vez levou Jan Vertonghen a esta primeira vez, porque ele ainda jogou uns minutos até ser substituído e na semana seguinte estava a jogar em Amesterdão, com uma proteção na cara, muitas mais vezes se contaram de o belga a jogar e a ir jogando e diz ele que foram nove meses a sentir coisas, que são mais sinais, de que deveria ter estado quieto: "sofri muitas tonturas e dores de cabeça por causa desse choque, por isso é que não consegui render o que queria em campo".
O belga confessou-o na terça-feira, à "Sporza TV" do seu país, admitiu que "não sabia o que fazer" pois acontecia "jogo após jogo, treino atrás de treino, havia sempre um novo impacto" e isto que contou não é algo distante, sucedeu durante a época passada. "Só tinha mais um ano de contrato, por isso tinha de jogar. Mas quando joguei, joguei mal. Poucas pessoas o sabiam, mas foi uma decisão minha", explicou nesta vez em que quis argumentar sobre algo aparentemente inexplicável por no cerne ter a sua saúde. Depois seria a vez da pandemia, o futebol nunca estaria imune e "chegou o confinamento" que possibilitou a Vertonghen "descansar durante dois meses".
Depois disso, "sentiu-se muito melhor", a vida continuou no Tottenham até aquela vez em que o telemóvel tocou, era o nome do empresário no ecrã e a sua voz lhe trouxe a novidade de o Benfica lhe oferecer um contrato de três anos para jogar em Lisboa. Cá está o belga agora.
E quantas mais vezes serão necessárias até que o futebol, no seu abstrato, e quem manda no futebol, no particular da FIFA e do IFAB (quem discute e decide sobre as regras), por fim haja em relação a choques e pancadas na cabeça e o real risco de concussão cerebral, um tipo de trauma crânio-encefálico que tem tonturas e dores de cabeça como alguns dos sintomas.
Porque já vai tarde para adotar o que outras modalidades há muito se dignaram a ter, como obrigar qualquer jogador a ficar 10 minutos fora de campo a ser avaliado por médicos, permitir substituições temporárias ou autorizar as equipas a ter uma substituição definitiva caso seja necessário retirar o atleta do jogo.
Não basta ter protocolos publicados nos sites da UEFA e da FIFA com o lema "in doubt, sit them out". Não chegar retira um jogador na dúvida de ter ou não sintomas. Já deveria existir a certeza de medidas que protegem a saúde de quem está lá dentro enquanto adeptos, televisões, audiências, marcas e marketing giram em torno do futebol que também só existem se houver quem o jogue. Porque, infelizmente, casos como o de Jan Vertonghen continuarão a repetir-se.
Ainda em outubro, já instalado no Benfica e sem as tonturas, o central belga chocou com a cabeça num adversário do Moreirense. Dessa vez continuou em campo, mesmo com a fratura facial no malar direito que sofreu, a mesma a que foi reavaliado nos dias seguintes, já na seleção da Bélgica, onde se optou por não o deixar jogar no par de encontros da Liga das Nações que se seguiriam."

As regras e as excepções


"As 5 substituições apareceram como uma excepção: em tempo de pandemia, com calendários acelerados, era preciso proteger a integridade dos atletas. Foi a hipótese alternativa à de eliminar ou suprimir por um ano ou dois algumas competições menores. Como tantas vezes acontece no futebol, e no afã com que se procuram alterações - ao jogo com mais sucesso na história, vale a pena lembrar -, a excepção fez-se regra, muito na linha do pensamento destes tempos em que a dimensão física do jogo é sobrevalorizada, reforçada por fotos de músculos em redes sociais, dados GPS discutíveis e mapas de temperatura quase sempre inúteis. Se o que conta – e se contabiliza mais facilmente - é quanto se corre, pois que se acrescente mais gente pronta para correr.
O problema são os efeitos no jogo, que, como a sua qualidade propriamente dita, nunca serão facilmente mensuráveis. Os treinadores sentem hoje a pressão para usarem todos os recursos disponíveis, porque os dirigentes querem ver utilizados, leia-se rentabilizados, mais “activos” sob contrato. Porque os adeptos também não se conformam com a ausência de alterações, sobretudo se o jogo está a correr menos bem (mesmo se as trocas são tantas vezes para pior) mas também para queimar tempo quando a coisa corre de feição. E os próprios atletas aumentam naturalmente a expectativa de utilização, e inversamente a de frustração por não saírem do banco, agora que dá para mudar quase meia equipa. Já nem falo de agentes ou representantes, os de menor tolerância a representados com permanência prolongada entre os suplentes, com desvalorização de mercado associada. Consequência: há substituições realizadas mesmo quando nada no jogo as recomenda. A melhor prova será esta: quantas vezes um treinador tem deixado de fazer todas as trocas possíveis? Tentem lembrar-se, porque são mesmo poucos casos. E foi porque taticamente a equipa necessitava de todas essas mudanças? Não, apenas para não serem acusados de não ter esgotado os recursos todos.
As minhas reservas quanto a esta mudança, de ganho apenas aparente, são, no entanto, mais profundas, porque ou se acredita num modelo de jogo e, sobre essa ideia maior, na preparação semanal de um plano para cada partida ou se faz fé nas vantagens de revolucionar todas as partidas em curso. Mudar 5 jogadores é mudar meia equipa e é quase impossível não alterar a dinâmica dos setores todos. Se há um modelo convictamente treinado e rotinado, como é que se mantém a ordem tática com tanta mudança sucessiva? Tantas vezes se vê um novo desenho durante uns dez minutos e logo após uma nova alteração de estrutura para os dez seguintes. O que resta da ideia inicial ou do plano de jogo treinado? Muito pouco. Acresce que a multiplicação das trocas, mesmo com limite dos momentos em que podem ocorrer, aumenta o número de pausas no jogo, com quebras de ritmo sucessivas, mais graves num futebol como o português em que a percentagem de tempo útil chega a ser ridícula, tantas vezes. Trata-se de jogar com as novas regras, mas não deviam ter deixado de ser excepção.

PS 1: Também o VAR surgiu para atuar como excepção, corrigindo ou situações de ilegalidade contrastada (exemplo dos foras de jogo) ou erros efetivamente grosseiros. Cada vez mais convencidos de que o jogo é tanto deles como de jogadores ou treinadores, os árbitros não resistem a meter-se em tudo o que é lance, sobretudo quando sentados em frente a monitores. O problema do lance (discutível, sob qualquer prisma) de Coates em Famalicão foi o VAR ter-se metido. Sem isso, seria bem menor a controvérsia, até porque Luís Godinho validou o golo.

PS 2: Que me perdoem as divindades dos últimos 15 anos que se reencontraram esta semana em Camp Nou, mas o melhor jogador do mundo, o mais encantador e decisivo, chama-se hoje Neymar. Se fosse eu a decidir, a Bola de Ouro era dele."

Benfica After 90 - Standard, Vilafranca...

O Cantinho Benfiquista #15, #16 - Standard, Vilafranca...

Visão Vermelha S2E12 - Standard, Vilafranca...

Modalidades: Semanada...

A pandemia que deixa o desporto de formação ligado às maquinas


"A pandemia que assola o mundo neste momento trouxe consequências que podem ser irreparáveis em vários setores da sociedade. As medidas impostas para travar o agravamento do número de infetados e para se evitar o colapso do Serviço Nacional de Saúde – ainda que com resultados positivos para o seu propósito – serão, certamente, nefastas a curto, médio e longo prazo para o desporto de formação. 
Desde março deste ano que milhares de crianças e jovens portugueses estão privados de competir no desporto que praticam e, aqueles que têm treinado, fazem-no com muitas limitações para evitar o contacto entre pessoas, no cumprimento das normas da Direção-Geral de Saúde (DGS). Esta paragem forçada está a ser duramente criticada por vários dirigentes de clubes, uma vez que representam uma interrupção no desenvolvimento enquanto atletas que pode ser irrecuperável, além dos enormes prejuízos financeiros.
No caso dos jovens futebolistas que são juniores, por exemplo, um ano sem competir pode implicar o fim do sonho de progredir para as equipas seniores do seu clube. Como não jogam e sem possibilidade de manterem o ritmo competitivo, não terão a possibilidade de demonstrar o “seu futebol” e de evoluir enquanto jogadores, o que poderá fazer com que percam a oportunidade de serem escolhidos para subir de escalão. O presidente da Confederação do Desporto de Portugal, Carlos Paulo Cardoso, deu conta destas consequências em declarações à Agência Lusa: “Do ponto de vista desportivo, estamos a perder uma geração porque, nestas idades jovens, de 14, 15 ou 16 anos, há um momento em que não fazendo aquilo naquela altura perde-se o desenvolvimento físico das pessoas.” Acrescentou ainda que “há um hiato, uma etapa de desenvolvimento que não se verifica naquele momento e que, não se verificando, não é recuperável mais tarde”.
A ansiedade que toda esta mudança gera na vida dos atletas de formação é outro dos grandes efeitos negativos do panorama atual. Muitos sentem-se desolados por não conseguirem competir no desporto em que tanto investiram fisicamente, psicologicamente e, claro, financeiramente, uma situação agravada por não terem uma data para que tudo regresse ao normal. “Isto tem sido uma ‘montanha russa’ em termos emocionais. Há uma grande situação de incerteza desde o início da pandemia. Esta incerteza leva à ansiedade, a alguma confusão, a algum desapontamento, à exaustão e, nalguns atletas, até à frustração e à revolta, por não poderem fazer aquilo de que gostam “, afirmou à Agência Lusa o psicólogo, Jorge Silvério.
Tudo isto deverá levar a um grande número de desistências no desporto de formação, com danos irreparáveis tanto no desenvolvimento destas crianças e jovens, como na sustentabilidade dos clubes. Muitas instituições sobrevivem com o dinheiro das mensalidades pago pelos atletas dos escalões de formação, pelo que, uma diminuição significativa do número de inscrições poderá colocar em causa a continuidade destes emblemas e assim, empurrar para o desemprego treinadores, dirigentes e demais funcionários.
Com esta paragem na competição dos escalões de formação apenas estamos a contribuir para o aumento de jovens sedentários e, provavelmente, para um crescimento ainda mais acentuado dos números de obesidade infantil no país, uma vez que está mais que provada a importância do desporto para contrariar estas tendências. É urgente uma reavaliação da situação por parte da DGS e de todos os agentes envolvidos para que possamos continuar a lutar para travar esta pandemia… sem matar o desporto de formação."

Fever Pitch - João, Miguel & Pedro... Trio!

Fever Pitch - João & João... Espanha!

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Eliminação...

Ankara 3 - 1 Benfica
21-25, 25-18, 25-16, 25-21


Num ano atípico, uma derrota na Europa, dita a eliminação!!! Numa final-8, com os Turcos a jogar em casa, acabámos por ser inferiores. Acredito que numa eliminatória a duas mãos, tínhamos hipóteses, mas hoje não deu... A ausência do Pinheiro acabou por ser importante, porque ficámos sem plano B!!!

Também é verdade, que as hipóteses de vencer a competição, mesmo se tivéssemos passado a eliminatória eram baixas, pois o Cannes na Meia-final e o mais que provável Milano na Final são equipas de nível demasiado alto para a nossa realidade!!!

Esta equipa internamente tem estado irrepreensível, mas na Europa começa-se a sentir a veterania do plantel... Se quisermos subir de nível nas próximas épocas, temos que iniciar uma renovação sustentada!

Entusiasmante


"Quis o sorteio que Benfica e Arsenal se reencontrem nas competições europeias passadas quase três décadas, naquela que é, indubitavelmente, uma das eliminatórias cabeça de cartaz dos dezasseis avos de final da presente edição da Liga Europa.
Apesar do começo de campeonato incaracterístico da equipa londrina, ocupando a 15.ª posição ao fim de 12 jornadas (a 12 pontos dos líderes Tottenham e Liverpool), o percurso incólume na Liga Europa, só com triunfos, é demonstrativo da sua qualidade, assim como os 20 golos marcados, o segundo melhor registo na fase de grupos nesta época.
Recheado de internacionais, entre os quais se destacam Aubameyang, Partey, Lacazette, Pépé, Saka, Willian e o “nosso” David Luiz, entre outros, o histórico inglês ocupa, actualmente, a 13.ª posição dos clubes, a nível mundial, com o plantel mais valioso de acordo com o site Transfermarkt, especializado neste domínio (o Benfica está na 31.ª posição e é o primeiro entre os que não pertencem aos cinco maiores campeonatos).
O Arsenal é um dos clubes ingleses mais populares e um dos mais titulados. Conquistou 13 Campeonatos (é o terceiro com mais títulos), 14 Taças de Inglaterra (recordista na prova), duas Taças da Liga e 16 Supertaças (segundo com mais triunfos). Nas competições europeias foi vencedor da Taça das Cidades com Feira em 1969/70 e da Taça dos Vencedores das Taças em 1993/94. Foi ainda finalista da Liga dos Campeões em 2005/06, da Liga Europa em 1999/00 e 2018/19 e da Taça dos Vencedores das Taças em 1979/80 e 1994/95.
Só por uma vez Benfica e Arsenal se encontraram nas competições europeias; foi na temporada 1991/92, na 2.ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus. Após o empate a uma bola verificado na Luz, o Benfica venceu, por 1-3, na segunda mão em Londres, selando o apuramento para a fase de grupos. Essa partida é ainda hoje recordada como uma das mais empolgantes do magnífico percurso europeu benfiquista.
Incluindo os jogos particulares, foram nove as vezes que os clubes mediram forças entre si, com quatro vitórias para cada lado e um empate. O primeiro embate foi realizado em 1948, no Estádio Nacional, englobado nas celebrações do 44.º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, com a vitória a sorrir aos ingleses.
Teremos pela frente um adversário que se prevê muito difícil, mas o objetivo de passagem à eliminatória seguinte mantém-se. Será com muita ambição que a nossa equipa encarará os confrontos com o Arsenal, sabendo que terá de estar ao seu melhor nível para alcançar o sucesso desejado.
De Todos Um, o Benfica!

P.S.: Boa sorte para a nossa equipa de voleibol que hoje, às 16h00, na Turquia, disputará os oitavos de final da Taça Challenge, num só jogo, com os turcos do Halkbank. Em caso de triunfo, os quartos de final serão realizados amanhã e o adversário será o vencedor do duelo entre os franceses do AS Cannes e os suecos do Sollentuna."

Benfica FM #138 - Standard, Vilafranca... !!!

Nicolás Otamendi | Um central adormecido?


"Uma das grandes transferências do último defeso foi a saída de Rúben Dias para o Manchester City FC e a consequente chegada de Nicolás Otamendi ao SL Benfica.
Ora, se Rúben Dias está ainda numa fase de ascensão na sua carreira, a verdade é que Otamendi, pela sua idade, já atingiu o seu pico de forma.
A chegada do internacional argentino gerou grande controvérsia no seio da massa adepta encarnada, ainda para mais quando a braçadeira de capitão foi envergada pelo central. Foi ao terceiro jogo de águia ao peito que Otamendi foi capitão pela primeira vez, após a saída de Pizzi ao intervalo, tornando-se, assim, um dos capitães do plantel, numa decisão que não agradou os apoiantes do SL Benfica.
O rendimento do ex-Manchester City tem sido bastante irregular, cometendo bastantes erros que têm comprometido os resultados da equipa. Não sendo ele o único responsável para a época de altos e baixos dos encarnados, é, com certeza, uma das razões.
A verdade é que quando se soube desta transferência foi tal o mediatismo que isso pode, em certas circunstâncias, prejudicar o rendimento do atleta, até porque já pertenceu aos quadros de outro grande do futebol português e um dos maiores rivais do seu atual clube.
Pois bem, não servindo isto como desculpa pelo pobre rendimento do jogador, a verdade é que a vinda para Portugal possa ter afetado a confiança de Otamendi, quer seja por jogar num rival de um clube que já representou, quer por ingressar numa liga bem menos conceituada que a Premier League.
Ainda assim, era expectável que um jogador do calibre de Otamendi demonstrasse mais confiança a jogar contra adversários que são de qualidade inferior aos que enfrentou ao longo da carreira em Inglaterra, e era sobretudo expectável que não cometesse tantos erros “infantis”, que custam vitórias. 
Jorge Jesus tem utilizado no eixo defensivo do Sport Lisboa e Benfica Otamendi e Vertonghen, sendo esta a dupla que mais vezes foi utilizada, no entanto dispõe ainda no plantel de Jardel, Ferro e Todibo, sendo que ainda tem Kalaica à espreita na equipa B encarnada.
Jardel tem sido a primeira opção para render qualquer um dos centrais em caso de, por alguma razão, algum destes estiver indisponível, contudo, seria interessante ver aquilo que Ferro poderia oferecer a esta equipa.
Claro que ninguém se esquece do mau momento de forma de Ferro na temporada passada, mas Francisco Ferreira já mostrou que tem qualidade para o Benfica e até para mais, daí ser necessário dar mais uma oportunidade ao central português.
Outra opção que ainda não se estreou com a camisola do SL Benfica é o defesa central francês Todibo. Emprestado pelo FC Barcelona, Todibo chegou à Luz com problemas físicos e sem qualquer ritmo competitivo, pelo que nunca foi opção para o técnico das águias.
Tendo em conta as opções disponíveis nos quadros do Sport Lisboa e Benfica, não me parece que o ideal seja reforçar o plantel com mais um defesa central no defeso que se aproxima, mas sim apostar naquilo que há disponível, tanto na Luz, como no Seixal.
Assim, Otamendi tem duas opções: ou começa a jogar aquilo que sabe, porque já provou noutras circunstâncias que é um jogador com qualidade, ou então fica com o seu lugar no 11 bastante tremido, tendo concorrência à espreita."

Esta coisa de ser treinador


"O meu filho, hoje aluno da casa que me formou e me realizou – FADEUP, entrevistou-me para um trabalho de Psicologia do Desporto. Como algumas ideias podem ser controversas e passíveis de crítica, resolvi apresentá-las neste observatório sobre as coisas do Desporto.
- O que é para si o atleta?
O conceito não é o que é, mas quem é. O atleta é aquele ser que procura, através do desporto, momentos de realização física que correspondem, normalmente, a momentos de elevação espiritual e emocional.
- Qual é o seu entendimento sobre a relação atleta-treinador?
Deve ser alicerçada na autenticidade. Aquilo que o treinador é como ser humano é aquilo que deve manifestar no contacto com os seus atletas. Pode, por vezes, cair em atitudes que não tenham o respaldo do “psicologicamente correto”, mas, mesmo correndo o risco de acentuar choques e dissensões, deverá expressar-se como é e não como os livros dizem que deve ser.
- Tem algum aforismo/máxima por que se orienta?
Só acredito em duas coisas – em Deus (que sou eu) e no treino. Todo o treinador tem algo de demiurgo. Pegar num jovem com 10 anos, frágil, repleto de sincinesias, titubeante, mas motivado e transformá-lo num campeão dez anos depois, faz com que um treinador, quase inconscientemente, ganhe uma dimensão divina.
- Qual é o seu objetivo enquanto treinador?
Pegar num atleta, levá-lo do ponto A ao ponto B, e que nesse ponto B, além da melhoria global no seu rendimento desportivo ele se encontre, mais feliz, realizado, satisfeito com o empenhamento, justificado no suor e sofrimento e com uma dimensão existencial mais livre e aberta. Senhor de uma segurança psicológica que lhe permita enfrentar as vicissitudes da vida com um sorriso nos lábios e o coração em festa. Marinheiros preparados para os mares revoltos e não para as águas calmas.
- Quais são, no seu entender, os valores que devem reger qualquer atleta?
Integridade e assunção do valor próprio e alheio. Esse é o ponto de partida para cada ser humano encontrar no desporto um campo de realização. Todos nascemos com um determinado potencial de realização. Até determinado momento não sabemos a dimensão das nossas potencialidades. Contudo, a competição repetida e sistemática permite-nos, dentro de uma razoável medida, definir os limites dessas potencialidades e transformá-las em capacidades. Temos de saber viver com elas e não arranjar desculpas para os nossos falhanços que não são mais que racionalizações com que tentamos justificar as nossas insuficiências. Daí a integridade de que falei no início. A nossa inteireza inquebrantável é feita de sucessos e insucessos. Aprendamos a conviver com ambos.
- O divertimento, quando trabalha com jovens, é algo que procura promover ao longo dos treinos?
Não. Treino é treino. É coisa séria e a sua preparação tem uma dimensão psicológica fundamental que radica na atenção e na focalização. Brincar no treino é reduzir o treino na sua importância formativa. Desde cedo, as crianças devem sentir que o treino é coisa séria. - O que é para si o desenvolvimento positivo do atleta? Consubstancia a transformação das suas potencialidades em capacidades. A matriz genética e epigenética que caracteriza cada ser humano deve ser realizada através do treino. Mais não se pode pedir, embora fatores “indefiníveis”, como aquilo que Nietzsche definia como “vontade de poder”, podem levar bem mais longe essa matriz inicial.
- Em que sentido o desporto contribui para o desenvolvimento pessoal, enquanto atleta, mas também como cidadão?
Pode contribuir ou não. O desporto não é uma atividade inócua. Está impregnado com os valores que norteiam uma dada sociedade. Tudo depende da consonância entre a axiologia e os fatores sociais que a permitem realizar. Por exemplo, a educação física e desportiva no III Reich permitia um optimum de desenvolvimento pessoal, permitindo a formação de cidadãos em consonância com os valores Pátrios. Só que a axiologia subjacente a essa sociedade tinha a segregação social e o repúdio dos não arianos como base estruturante. Cidadãos exemplares e plenamente desenvolvidos, mas subordinados a valores errados.
- De que forma vê o impacto do ambiente de competição/treino no atleta?
A competição é a cereja em cima do bolo da preparação desportiva. O atleta que tem no desporto uma fonte de prazer existencial e realização pessoal vê a competição como o momento “sagrado” em que tudo se justifica. É o momento da superior liberdade em que o atleta está sem enganos perante o que é. Como todos sabemos há quem se dê mal com a liberdade, pois esta pressupõe responsabilidade. Muitos desportistas negam, receiam e fogem da competição porque não têm coragem de se encontrar com o que são.
- Qual a sua interpretação sobre a transferência do desporto para o futuro do atleta? (como lida com o stress, situações fora do controlo, estratégias para lidar com a ansiedade, fracasso, motivação ou desistência) Há desporto e desporto. O desporto como mera fonte de prazer, exaltado na sua função higiénica e catártica, dá ao homem muito. Contudo, o desporto que dá ao homem tudo é um desporto que mexe com os mecanismos de sobrevivência, que transforma o homem em predador de tempo e espaço e que lhe permite planar sobre os constrangimentos da existência. A resiliência física que o desporto comporta consubstancia uma dimensão mental e emocional que permite ao homem enfrentar todos os obstáculos que a vida lhe apresenta.
- Tem como preocupação esta transferência?
Não, de forma alguma. Sei de fonte segura que as exigências de uma prática desportiva séria e absorvente trazem no seu ventre, sem qualquer preocupação de as isolar, todas as transferências positivas e/ou negativas que lhe tenham correspondido. A ética que o desporto comporta, que a prática desportiva comporta, é uma ética de ação e não de reflexão. Esta só acontece a posteriori. Ser desportista é construir uma ética em cada treino. Normalmente essa ética passa para a vida extradesportiva, mas pode não passar.
- Existe semelhança entre enfrentar desafios/mudanças no desporto como na vida pessoal?
Têm uma base comum – o desafio, mas podem ter géneses e soluções diferenciadas, ou não. Para um desportista profissional os desafios do desporto são os desafios da vida tout court. A partir do desporto tudo se constrói. Mesmo quando terminam a prática desportiva a “sombra” desportiva fica a pairar, como uma auréola, sobre a sua cabeça. A vida pessoal pode ser saudavelmente contaminada pelos desafios/mudanças do desporto, ou não. A vida tem outras dimensões que o desporto-lazer e o desporto-profissão. Há uma coisa terrível que se denomina vida emocional, amor, convivialidade afetuosa ou chamem-lhe o que quiserem. Para essa dimensão o desporto pode contribuir muito negativamente. Seria fastidioso estar a desenvolver esse tema que foge do escopo deste inquérito.
- Qual a importância das competências psicológicas ao longo do treino?
As competências psicológicas não são um a priori. São moldadas no treino através do treino. São a componente mais importante para definir um campeão. Muitos desenvolvem a fisicidade até ao nível da excelência performativa. O campeão é aquele que envolve essa excelência com a capa inefável do controlo psicológico. Muitos soçobram porque não conseguem manobrar as exigências psicológicas que a competição comporta. Esse é um dos traços que mais me fascina no treino. Porque razão o mesmo treino potencia fisicamente todos por igual e tão diferentemente a nível psicológico? Qual a dimensão do Eu que não é tocada pelo efeito formativo do treino? Porque passei de 10 a 100 e só realizo 50? Mistérios!
- Quais as características/competências que um atleta deve ter para atingir o sucesso?
Temos, antes de tudo, de definir o nível de sucesso que estamos a falar. Entre ser o melhor da minha rua e o melhor do mundo há um problema de escala. Podem ambos estar empenhados, treinar todos os dias, levar o treino a sério, mas um é o campeão da rua dele e o outro é o campeão absoluto. Com as mesmas características psicológicas e emocionais um atleta é campeão nacional e outro campeão do mundo. Qual a diferença? Principalmente a diferença inscrita nos genes. Embora seja difícil, na imensa sinfonia dos genes, saber quais as músicas que fazem um atleta ser campeão do seu país e outro campeão do mundo, há uma forte determinação genética que não pode ser negligenciada. Um exemplo, se um atleta se caracteriza muscularmente por uma elevada percentagem de fibras Tipo I, nunca poderá ter sucesso internacional em modalidades de força/potência. Pode dar um jeito ao nível da sua rua, mas não pode ter sucesso ao mais elevado nível. As competências, outras, sobrevêm destas genésicas. Ou se tem, ou se não tem.
- Como tenta desenvolver estas competências? Há um esforço ativo para tal?
Quando se é um campeão genético o treino só se limita a transformar as potencialidades em capacidades. Tem de se ter o cuidado, como treinador, de não estragar aquilo que o atleta traz da lotaria dos genes. O trabalho e a motivação podem acrescentar muito, mas se o atleta não tiver sido bafejado com um dado perfil genético de pouco lhe serve o treino estuante. Isto que é verdade em relação a certas modalidades desportivas, e. g. remo, canoagem, atletismo, halterofilismo, já não é totalmente verdade para modalidades em que outras dimensões emergem como fundamentais, e.g. futebol, voleibol, etc. Contudo há limites. Uma equipa de basquetebol com uma média de alturas de 180 cm, por muitos predicados não físicos que evidencie nunca será campeã do mundo. Uma certa fisicidade, isto é, uma certa genética é necessária mesmo para modalidades desportivas em que a fisicidade pode não ser fundamental. Há modalidades desportivas em que a fisicidade antropométrica não é tão importante, e.g. hóquei em patins, futebol, dança no gelo a solo, ciclismo, canoagem, etc., mas a fisicidade condicional, isto é, o pleno desenvolvimento de uma condição física específica é condição sine qua non para a consecução da mais elevada performance.
- Que indicadores são os mais relevantes/fáceis de identificar para indicar o sucesso futuro do atleta? 
Decorrente da resposta acima os indicadores podem variar. Para já vontade, focalização, resiliência mental. Dou um exemplo pessoal que melhor exemplifica a minha posição. Nos anos noventa do século passado fui treinador do Clube Náutico de Prado. Iniciei a minha função fazendo testes antropométricos e funcionais aos atletas. Perguntei a um atleta o nome e a idade pensando, em função da altura e desenvolvimento corporal, que teria no máximo 10 anos. Informou. Tenho 14 anos. De imediato me desinteressei dele e fiz-lhe os vários testes por obrigação. No final, propus ao presidente mandá-lo embora com as seguintes palavras: - Parece um anão e não vai dar canoísta. Responde-me o presidente: - Se quiseres mando-o embora pois és tu quem manda, mas ele está aí todos os dias e nunca falta a um treino. Acedi a deixá-lo ficar. Oito anos depois era vice-campeão do mundo de maratonas (o meu melhor resultado como treinador). Queria mandá-lo embora porque era pequeno, só que não tinha capacidade de medir a sua vontade. Logicamente que ele foi campeão nas maratonas, mas quando foi aos Jogos Olímpicos de Atlanta, onde só havia provas de velocidade, ficou logo de fora na primeira eliminatória com um tempo muito fraco. Ele era o melhor na velocidade em Portugal, mas pouco valia no areópago dos campeões de velocidade mundial. Portanto, o treino e a vontade foram suficientes para fazer dele vice-campeão na maratona, mas de nada lhe valeram o treino e a vontade nas provas de velocidade.
Em suma, há limites para a eficácia do treino e da vontade para algumas modalidades desportivas. Saber isso, já é uma grande qualidade de um treinador."

Fever Pitch - João & Markus... Alemanha!