Últimas indefectivações

sábado, 1 de setembro de 2018

Uma Semana do Melhor... Diário de Salonica...

Jogo Limpo... Seara, Guerra & Rabo de Peixe !!!

Notícia intencionalmente falsa

"A propósito da notícia hoje publicada pelo jornal "Expresso" sob o título "MP quis ouvir Vieira e Moniz mas não conseguiu", a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD esclarece:
1. Ao contrário do que a notícia indicia em nenhum momento o Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, ou um dos vice-presidentes do Clube e vogal da SAD, José Eduardo Moniz, procurou criar qualquer expediente para evitar estar presente no ato processual de constituição da SAD do SLB como arguida no âmbito do conhecido processo "E-Toupeira".
2. Mais, como foi explicado pelo Dr. João Correia ao jornal "Expresso" quando contactado telefonicamente sobre este assunto, e que o jornal intencionalmente omitiu, foi em requerimento, face ao problema de saúde do Presidente, dada a possibilidade de adiar este procedimento para momento que garantisse a presença do Presidente do SLB enquanto Presidente do Conselho de Administração da SAD, e que tal foi considerado desnecessário pelos responsáveis do processo.
3. Inclusive também o próprio vogal do Conselho de Administração da SAD do SLB, José Eduardo Moniz, teve a preocupação de atempadamente e previamente informar e enviar documentação com comprovativos da viagem e estadias da sua deslocação profissional ao Brasil, para o Procurador do Ministério Público responsável do processo.
4. A notícia hoje publicada é também intencionalmente falsa e induz em erro quanto à representação estatutária, quando descreve que José Eduardo Moniz seria o natural representante da SAD após o seu Presidente, descrevendo-o como vice-presidente da SAD, quando na realidade é um dos quatro vogais do Conselho da Administração da respectiva SAD, tal como os dois representantes da SAD que estiveram presentes no ato do Ministério Público. E é sim um dos 6 vice-presidentes do Sport Lisboa e Benfica a exemplo de um dos elementos que estiveram presentes no ato no Ministério Público, função que neste caso não estava em causa, porque a entidade focada neste processo é a SAD.
5. Outra informação inventada desta falsa notícia é quando refere que, e passamos a citar, "os procuradores do Ministério Público que lideram a investigação do caso 'E-Toupeira' foram apanhados de surpresa com a presença dos administradores Domingos Soares Oliveira e Nuno Gaioso Ribeiro nas instalações do DIAP de Lisboa". Acontece que o procurador responsável pelo processo teve prévio conhecimento dos representantes legais da SAD do SLB nesse ato e inclusive emitiu competente despacho nesse sentido. Prova-se assim estarmos perante mais uma informação falsa bem demonstrativa de toda a falta de rigor com que esta notícia foi intencionalmente feita.
6. Por fim e de enorme gravidade registamos que a referida notícia, ao invocar "fonte conhecedora do processo" para descrever factos relacionados e do conhecimento dos procuradores do Ministério Público que lideram a investigação do caso "E-Toupeira", a serem verdadeiras essas imputações, prova por si estarmos mais uma vez perante a prática reiterada do crime de violação do segredo de justiça, o que seria demasiado grave, repita-se, porque indiciaria ter origem precisamente em quem tem a responsabilidade judicial de investigar um processo por esse preciso tipo de crime, e que, pior, estaria eventualmente a transmitir informação falsa sobre situações concretas, conforme já foi exposto.
7. Nesse sentido, a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD deu indicações para se avançar de imediato com a competente queixa e exposição legal junto da Procuradoria-Geral da República considerando ser inadmissível qualquer tipo de omissão e ausência de investigação perante esta situação."

Benfiquismo (CMXXXVII)

Rogério Pipi... no Botafogo!!!

Jogar com a história do futebol

"A Choupana é tradicionalmente complicada, mas com um suplemento de vontade e qualidade estaremos à altura

A deslocação a Salónica confirmou o que havia escrito na semana passada, o Benfica é melhor que o PAOK, e na Grécia mostrou ser melhor e merecer passar à fase de grupos da Champions.
Quando no fim do jogo vários sectores de adeptos do PAOK aplaudiram os adeptos do Benfica, houve o reconhecimento dessa justiça e desse merecimento, que não deixa mais pálida a excelente prova europeia dos gregos este ano. Uma entrada menos conseguida acordou o Benfica para uma exibição muito positiva. Vencemos bem e cumprimos um assumido objectivo financeiro, desportivo e de prestígio. Os 43 milhões alegram o departamento financeiro, mas a presença na fase de grupos da Liga dos Campeões alegra todos os benfiquistas espalhados pelo mundo.
Ficar nos melhores da Europa é estar em linha com a nossa história e com o nosso rumo. O sorteio de ontem, não sendo desportivamente favorável (o Porto teve muito mais sorte) coloca novamente o Benfica a jogar com a história do futebol. O Bayern, sempre candidato a vencer a Liga dos Campeões, e o Ajax este ano muito mais forte que o habitual são do melhor pergaminho que a Europa de futebol conhece, motivo pelo qual haverá também história quando se decidir o nosso futuro na Europa. O AEK fecha o grupo e cumpre a sina de nos termos de ver gregos com quem calha em sorte este ano. Saímos da Grécia com mais dinheiro, mais prestígio e ambição.
Agora é na Madeira, frente ao Nacional, que o nosso percurso segue o seu rumo. Será difícil, até porque a Choupana é tradicionalmente complicada e o cansaço e mazelas naturais da empreitada europeia estarão mais visíveis, mas com um suplemento de vontade e qualidade, com os nossos adeptos revigorados, estaremos à altura.
Do derby da Luz fica um resultado menos positivo para o Benfica do que para o Sporting, mas fica sobretudo lição para o futebol. É possível ser rival com civismo, sem ódio, é possível competir sem ofender. Nesse aspecto ganharam todos os que querem o futebol como um espaço de decência.
A época de andebol começou como acabou a do último ano, com o Benfica a vencer títulos, foi contra o Sporting, na Supertaça. Belo aperitivo nos prometem os comandados de Carlos Resende este ano."

Sílvio Cervan, in A Bola

Pichardo, vencedor da Liga Diamante 2018

O nosso Pedro Pablo Pichardo, não ganhou somente mais um Metting da Liga Diamante. O nosso triplista ganhou a Final da Liga Diamante... Vencendo o seu grande rival o Cristian Taylor, que vinha de uma série de 6 títulos consecutivos!!!
Infelizmente, parece que a azia xenófoba continua na descomunicação social desportiva... posso estar enganado, mas não me recordo de um atleta português ter ganho esta competição!!!


Recordo que a Liga Diamante, é a principal competição Mundial de Atletismo de Pista, realizada todos os anos, com os melhores atletas do Mundo, sem restrições de nacionalidades... e ainda por cima, nos anos sem campeonatos Mundiais (como este ano...), é declaradamente o campeonato do Mundo 'oficioso'!!!
Recordo também que o Pichardo além desta vitória, detém até este momento a melhor marca do ano no Triplo Salto...!!!

Gedson 2023

Renovação, actualização salarial, e Benfica protegido de uma potencial proposta vinda do estrangeiro...
Acredito que o Félix, nos próximos tempos, fará algo parecido...

O próximo passo do Benfica, tem que ser a manutenção dos nossos jovens talentos, mais temporadas no Benfica, antes da 'venda'!!! Algo que por exemplo, o Ajax tem conseguido fazer com alguns dos seus jogadores nas últimas épocas...

Tudo isto, no dia em que o Gedson, foi convocado pela primeira vez para a Selecção principal...!!!
O Gedson até está a precisar de algum descanso, tem sido um dos jogadores mais sobrecarregados com minutos, neste arranque 'louco' de época...

PS: Nesta convocatória 'renovada' da Selecção, já se começa a 'cheirar' a influência do Benfica...
Só espero que desta vez, todos os jogadores que forem às Selecções, regressem em condições para jogar...!!!

Recurso sobre a decisão do IPDJ

"Tendo tomado conhecimento de uma decisão proferida pelo IPDJ, pela qual lhe é aplicada uma coima de 56.250,00€ e uma sanção acessória de um jogo à porta fechada, a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa que irá impugnar e recorrer da referida decisão, dentro do prazo legal previsto de 20 dias úteis."


PS: Mais um episódio vergonhoso da narrativa anti-Benfica...
Como o Benfica Eagle, explicou bem no Geração Benfica, o 'grande' objectivo é jogar o próximo Benfica-Corruptos à porta fechada...
Tudo isto executado por uma Direcção demitida... que está em gestão neste momento, presidida por um Lagarto encartado... sem saber quem serão os novos 'boys'!!!
Tudo isto, usando como alibi uma Lei declaradamente inconstitucional, que nada faz para para prevenir a violência no Futebol... Como provam os crimes recorrentemente repetidos (muitíssimos mais graves daqueles são imputados ao Benfica), por grupos registados... sem qualquer punição desportiva!

Godinho

"Escrevo na terça-feira, antes do jogo decisivo em Salonica. Por isso, resta-me agradecer encarecidamente a Luís Godinho, árbitro do Benfica-Sporting, por colaborar diligentemente na preparação para a contenda na Grécia. A perspectiva de ver a nossa equipa disputar uma partida apitada por Felix Brych, um homem que, há quatro anos em Turim, não sendo banqueiro ou político, conseguiu roubar descaradamente 14 milhões de pessoas, é aterradora. Godinho, no fundo, um bom samaritano, tentou mimetizar Brych, possibilitando à nossa equipa a indispensável preparação táctica, técnica e mental.
Mas Godinho, e é bom que se investigue, não é, pelos vistos, um mero colaborador ocasional do Benfica (alerto, desde já, que esta é daquelas situações que não serão detectadas em emails roubados, pois esses, por mais vasculhados que sejam, nada contêm para além da actividade normal, legal e por vezes até enfadonha de funcionários e dirigentes de clubes que tratam de assuntos normais, legais e por vezes até enfadonhos de clubes). Godinho será antes um competente agente benfiquista infiltrado na arbitragem de futebol, servindo os propósitos encarnados. Ou não é a aposta na formação assumidamente estratégica para o Benfica?
Uma semana antes do dérbi – e, caros dirigentes benfiquistas, já que neste caso se trata de uma estratégia a médio prazo, deveriam tê-lo instruído para disfarçar um bocadinho – o prestável Godinho, em Arouca, formou os nossos jovens atletas na difícil arte de lidar com um adversário que, inadvertidamente, se apresentou em campo com um clássico 4-3-3-apito. Se não estamos perante um claro domínio dos meandros do futebol português, já não percebo nada disto."

João Tomaz, in O Benfica

Ridículo

"O guarda-redes recebe a bola, mete a jogar no defesa-central, que abre para o lateral. Este lança o ala, que combina com o criativo do meio-campo e desmarca o avançado. Está isolado frente ao guarda-redes adversário e atira para fora. Ou chuta para uma defesa espectacular que impede o SL Benfica de chegar ao golo. De quem é a culpa? Rui Vitória.
Jogo das competições europeias em casa. O Glorioso domina uma equipa grega incapaz de criar problemas. Na primeira parte poderia estar a ganhar por cinco, mas fica apenas por um. Na segunda, o adversário chega duas vezes à baliza encarnada e empata a partida. O caudal de jogo do Benfica é impressionante, mas a bola não entra mais. De quem é a culpa? Rui Vitória.
Dérbi frente a um dos rivais pelo título. O vencedor de 36 campeonatos nacionais está sempre por cima. Cria as melhores oportunidades, jogadas de combinação, passes longos e curtos, saídas rápidas para o contra-ataque que são cortadas por faltas grosseiras, agressões sem bola, cotoveladas e pisões. Há grande penalidade por marcar. O VAR está a dormir a sesta, o árbitro permite tudo, menos a verdade desportiva. De quem é a culpa? Rui Vitória.
O dia de trabalho correu mal. A chefe resolveu descarregar nos funcionários porque o cliente não aprovou a proposta. O funcionário de limpeza deixou um caixote do lixo por vazar. A segurança do edifício estava a fazer a ronda e fiquei meia hora à espera que abrissem a porta. Chego a casa e tenho um dos cães doente, parece que andou metido nas urtigas e está cheio de comichões. O calor em excesso deu-me cabo das uvas nos cachos. De quem é a culpa? Rui Vitória."

Ricardo Santos, in O Benfica

João Mágico Félix Sequeira

" 'Então, pá o que fizeste hoje?', perguntou-me já vezes sem conta o meu pai. 'Olha, durante o dia não fiz nada de especial, à noite também não fiz nada de especial e agora vou dormir', respondi tantas vezes. 'Então pá, o que fizeste hoje!', perguntou Carlos Sequeira a seu filho no passado sábado. 'Olha durante o dia não fiz nada de especial, à noite fui ali ao Estádio da Luz marcar um golo no dérbi e agora vou jogar Fortnite', respondeu tranquilamente João Félix.
Aos 18 anos, o meu feito mais notável talvez tenha sido, seu lá, chegar ao fim no Pokémon Silver. Aos 18 anos, o feito mais notável do João Félix foi um golo ao Sporting diante de 65 mil pessoas na Catedral.
Faço ideia da emoção dos pais. Babados de orgulho, certamente. Pudera, até o meu próprio pai tem mais orgulho no João Félix do quem em mim, quanto mais os progenitores do rapaz. Evoluir o Pikachu, o Snorlax e o Lickitung até ao nível 100 é fabuloso, mas arrepiar milhões de pessoas com um oportuno golpe de cabeça está um ou dois patamares acima. Consigo lidar bem com a situação. Aliás, não só não levo a mal que o meu pai tenha mais orgulho no João Félix do que em mim, como eu mesmo tenho mais orgulho no João Félix do que em mim.
O único problema do invulgar talento do João Félix é o seguinte: será difícil segurá-lo no Benfica muito tempo. Mais dia, menos dia, estará lado a lado com as maiores estrelas - Morgan Freeman, por exemplo. Sim, Morgan Freeman. Se a K/O Paper Products, produtora do Mestres da Ilusão e Mestres da Ilusão 2 andar atenta, o protagonista do Mestres Ilusão 3 está encontrado - entreguem-lhe uma bola, e a magia está garantida. Resta-me desejar boa sorte ao João."

Pedro Soares, in O Benfica

Pimenta

"Com apenas sete letras se escreve o apelido da actual, maior figura do Desporto Nacional - Pimenta. Fernando Pimenta nasceu em Ponte de Lima e como verdadeiro limiano que é, no passado fim-de-semana, deu-nos uma lição de vida. Quem trabalha, quem se sacrifica, quem acredita nas suas capacidades e quem nunca desiste de lutar pelo seu ideal, triunfa. Todos nos lembramos do passado 5 de Março, quando o melhor canoísta português de todos os tempos foi apresentado como atleta do Sport Lisboa e Benfica. Jamais esquecerei as suas palavras - 'Agora é continuar a trabalhar com o acrescento de responsabilidade de representar uma estrutura que é a maior estrutura do desporto português'. O palmarés de Fernando Pimenta é impressionante - 117 medalhas conquistadas, 54 delas em provas internacionais e 63 nacionais. Só em Campeonatos do Mundo, conquistou 10 medalhas, 3 delas de ouro. Em Campeonatos da Europa, limpou 22, 7 delas de ouro. E em Taças do Mundo, amealhou mais 22, e também 7 delas de ouro.
Ou seja, em provas internacionais, o nosso canoísta conquistou 17 medalhas de ouro. Em Campeonatos Nacionais foram 42 as medalhas de ouro. As constas são fáceis de fazer - Pimenta já subiu ao primeiro lugar no pódio por 59 vezes.
É difícil encontrar um atleta com um palmarés semelhante e com apenas 29 anos de idade. Os seus feitos devem-se muito ao Clube Náutico de Ponte de Lima, agremiação que leva 27 anos a formar campeões e com quem temos uma sólida parceria, e ao seu competentíssimo treinador, Hélio Lucas.
Para os Jogos Olímpicos de Tóquio, Pimenta será um dos principais trunfos da delegação portuguesa. Em 2020 fará dupla com o nosso campeão, João Ribeiro, nos 1000 metros, e a medalha será uma realidade.
Uma referência ainda às nossas fantásticas Teresa Portela e Joana Vasconcelos, que este ano se sagraram campeãs da Europa em K2 200 metros e que são uma grande aposta para o K2 500 metros na Olimpíada de Tóquio."

Pedro Guerra, in O Benfica

Ganhou o futebol!

"Apesar de ter construído oito (!) ocasiões flagrantes de golo (sete delas defendidas pelo guarda-redes adversário, e apenas uma concretizada), o Benfica não ganhou o “dérbi”. Apesar da enorme satisfação manifestada após o jogo por staff e adeptos do Sporting, também eles não o venceram. Rejubilaram com um empate, obtido através de um penálti fortuito e da inspiração de Salin. Porém, neste “dérbi”, houve um claro ganhador: o futebol português.
A presença dos dirigentes sportinguistas na tribuna da Luz foi um sinal claro de um tempo novo na relação entre os dois maiores clubes portugueses. E já se nota algum desconforto daqueles que, a norte, sempre contribuíram para a guerra, e tinham em Bruno de Carvalho um precioso aliado estratégico. Felizmente o Sporting mudou. Mesmo sabendo que um clube respeitável, dirigido por gente a sério, se tornará inevitavelmente, com o tempo, um adversário mais forte e mais difícil de bater, quem antes de qualquer clubismo goste de futebol e de desporto não pode deixar de se congratular com este regresso àquilo que deveria ser a normalidade: relações cordatas entre duas grandes instituições centenárias, que dentro do campo lutam bravamente pelas vitórias, mas fora dele não têm de ser inimigas, nem incendiar constantemente o ambiente em redor de um fenómeno com tanto relevo social.
Haverá em breve eleições em Alvalade. Espera-se que os novos dirigentes possam dar sequência a este clima de pacificação, que beneficia ambos os clubes, beneficia o futebol, e apenas prejudicará aqueles que só na guerra, na sujidade e no crime se conseguem superiorizar."

Luís Fialho, in O Benfica

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Cartão Branco

"Cresci a ouvir pela rádio relatos vividos dos campos onde o Benfica renovava vitórias com vozes corridas a suster a respiração voando de jogador em jogador como se fossem eles próprios a bola em movimento. Aquele falar contínuo que se propagava à distância transportava os ouvintes para um registo de visualização imaginada e de expectativa permanente que provocava explosões de alegria ou desagrado espalhando o ambiente do estádio pelos bairros e aldeias e transformando o país num imenso estádio. Habituei-me, habituámo-nos todos, a palavras como 'offside', 'penálti', 'livre' e 'goolo', muito 'goolo' que ainda perdura na melhor tradição radialista. Mas também à palavra 'falta', 'cartão', amarelo ou vermelho, sem mais cores e muito menos branco.
Só muito mais tarde se generalizou entre o povo um outro estrangeirismo, cada vez mais falado: 'fair play'. É sinal dos tempos e da sua evolução, mas o fair play esteve sempre lá porque está na base da competição desportiva, seguindo um ideal generalizado entre os desportistas de que o importante é que 'eu vença' e não tanto que 'o outro perca'. Claro que no jogo haverá sempre vencedores e vencidos, empates excluídos, mas a arte e a alegria com que vemos os jogadores entregarem-se em campo resultam de uma vivência lúdica e sadia que tem o condão de produzir bem-estar a partir de níveis inimagináveis de esforço. Por isso, de cada vez que um atleta celebra a vitória, pensa no troféu e em todas as adversidades que ultrapassou, mas pensa também que foi capaz de o fazer, superando as suas debilidades nos momentos mais difíceis. E isso, em conjunto, é o prémio e o sabor doce da vitória. Os atletas regem-se por valores! Isso é intrínseco ao desporto, a melhoria contínua e a superação individual são o seu foco porque sabem que é dai que vem o poder do confronto e a capacidade de vencer. Essa capacidade de vencer que caracteriza os campeões e que os leva a ir além de si próprios, entregando resultado para lá dos limites. Apenas a mediana pode viver no desporto sem valores e poderá até vencer algumas vezes, mas nunca repetirá por mais de um século os festejos da vitória, galvanizando multidões e tornando-se sinónimo de vencer.
É por estas razões que valorizamos tanto a ética no desporto e que participamos em projectos como a Bandeira da Ética desportiva ou o Cartão Branco. Este último, a par com o Prémio Atitude, é já uma instituição nos projectos da Fundação Benfica, e sabemos bem como são valorizados pelo público e pelos atletas.
Da formação à prática desportiva, dos relvados para a bancada, os valores do desporto serão sempre a cada vez mais celebrados a par com as vitórias. Já é assim, e chegará certamente o tempo em que, no campo, o cartão branco será mostrado aos atletas que se destaquem pela atitude, pelo fair play e até pelo altruísmo como por vezes acontece, acompanhando as palmas do público nas bancadas e trazendo a atitude para a primeira linha do reconhecimento, a par com o sucesso e sublinhado a insubstituível vitória!"

Jorge Miranda, in O Benfica

A alta recriação e o senso comum

"Nesta edição do jornal refere-se a surpreendente decisão tomada no início da semana por um magistrado a quem fora atribuída a titularidade um inquérito que decorre na justiça, em torno de intervenções alegadamente ilícitas de alguns indivíduos, os quais parece terem violado segredos dela, embora, ainda pela aparência, sem que estejam muito precisamente definidas, sejam elas as que forem, quaisquer significativas vantagens para os próprios e, ou, para terceiros, sejam eles quem forem.
Se o tiverem feito, terão de ser castigados. Mas, mesmo que eu não disponha de conhecimentos exactos sobre tal matéria, é do senso comum e do saber universal que - como a comunicação social amplamente demonstra todos os dias - eles não foram os primeiros a fazê-lo. Assim como é do conhecimento geral que a justiça à portuguesa e os seus actores costumam ser muito expeditos nas suas decisões, relativamente a umas coisas, e bastante mais contidos, lentos e reservados, no que diz respeito a outras: ali tudo decorre sempre conforme as 'oportunas' escolhas que decidem fazer.
Em todo o caso, também não é menos do senso universal, designadamente para aqueles de nós, comuns mortais, que conseguimos perscrutar na densa floresta da linguagem dos legisladores e dos judiciais que, no âmbito de um inquérito, para classificar como arguido um indivíduo ou uma pessoa colectiva, existem regras precisas e inflexíveis que, não por acaso, estão muito bem estabelecidas na lei.
Por exemplo, não basta que um inquiridor, por sua alta recriação ou porque lhe dá jeito na elaboração do cenário que imaginou para apresentar a um seu superior hierárquico, considere que um cidadão, ou uma empresa, terão feito isto ou aquilo e, a seguir, suponha que tal tenha produzido estes ou aqueloutros efeitos. Não. Redondamente, não é isso que, segundo julgo, está prescrito na lei publicada.
O inquiridor tem de se dar ao trabalho de reunir dados objectivos de acontecimentos inequívocos, circunstâncias manifestas e, acima de tudo, que tudo, mas mesmo tudo, que conste na sua exposição final, seja inequivocamente provado e comprovado, por documentos escritos ou ligações comprovadamente efectuadas pelos putativos infractores e, também, que os efeitos produzidos por tais avocadas ilicitudes sejam claros e efectivos e de tal modo, que tenham gerado benefício axiomático, taxativo, categórico, declarado e tão indubitável, como inegável, iniludível e irrefutável, para os arrolados terceiros.
É verdade é que a mera lógica construída por um magistrado, as suas suposições só por si, não chegam para produzir arguidos, dizem-me. E, no fundo, é isto que consta do duro comunicado que o Benfica publicou no final da tarde da passada segunda-feira. Mas, já agora, muito menos, também é inequivocamente do senso comum que um arguido alguma vez, antes de julgamento, possa antecipadamente ser tido como condenado, como logo se apressou a berrar o incontido coro dos inimigos do Benfica."

José Nuno Martins, in O Benfica

Sabe quem é? Bêbados não o fuzilaram - Tamagnini Barbosa

"Escapou à barbárie da Noite da Camioneta Fantasma, lutou contra Salazar; Não viu o que sonhou: a Taça Latina

1. Vivia-se, então, a hecatombe da tuberculose - e Álvaro Gaspar (estrela maior do Benfica) morreu com ela. A pneumónica ceifou mais de 70 mil vidas - e uma delas foi José Alvalade. No Porto jogou-se futebol contra o tifo - e Sidónio Pais, que assumira o poder em golpe contra a Guerra, andara, por lá, a consolar vítimas. E ele, futuro presidente do Benfica, era um dos seus mais importantes ministros.

2. A 11 de Novembro de 1918 deu-se o Armistício. Se a Guerra apanhara o país doente, deixara-o ainda mais em carestia e balbúrdia. Faltava tudo: carne, peixe, arroz, feijão, leite, carvão, fósforos. Sidónio impediu greves, prendeu sindicalistas - e, por isso, merceeiro que era filho de um antigo vereador do PRP, tentou abatê-lo a tiro, a arma encravou-se. E ele, o futuro presidente do Benfica, num afã continuou tratar das Finanças do país.

3. No Porto acendeu-se contestação ao seu governo. «Vou lá apagar-lhe o fogo» - exclamou Sidónio. Ele, o futuro presidente do Benfica, procurou demovê-lo, mas Sidónio retorquiu-lhe: «Não se preocupe, as balas disparadas contra mim, bem sabe que se encravam». Nessa noite de 14 de Dezembro de 1918, não: o tiro de José Júlio da Costa não falhou (e apanhado pela Guarda, justificou-se: que o matara por não suportar vê-lo rasgar os ideias de 5 de Outubro e «alinhar ao lado dos monárquicos e do clero»).

4. O Congresso elegeu PR Canto e Castro. Convidou Nunes da Ponte (que jogara ténis com Nicolau de Almeida, fundador do FC Porto) para Primeiro-ministro, não o aceitou - aceitou-o ele, o futuro presidente do Benfica. Evitou a restauração da monarquia na Revolta de Monsanto (de que saiu preso Francisco Stromp) mas 35 dias após a posse, manobras de bastidores tiram-lhe a Presidência do Conselho.

5. Chegou-se a 1921 - e a 19 de Outubro, a coberto da «revolução radical», disparou em barbárie do Arsenal a Camioneta Fantasma - com «lista de gente para apanhar e matar»: sidonistas e granjistas (e ele, o futuro presidente do Benfica, era um deles).

6. Dois marinheiros e o guarda 1975 tomaram o comboio no Cais do Sodré. Estavam bêbados, saíram em Oeiras - arrombaram a Casa da Torre, onde ele, o futuro presidente do Benfica, vivia. De carabinas em riste, insensíveis ao choro e à súplica da mulher e dos filhos, levaram-no «para a matança».

7. Súbita vontade de mais vinho, fez com que na paragem de Santo Amaro saltassem da carruagem, com ele, o futuro presidente do Benfica, a rojo - e de arma apontada ordenaram-lhe que os seguisse até à Taberna da Maria Clara. À porta, o guarda 1875 deu com um conhecido que tinha papelaria na Rua da Prata e contou-lhe que após «um copinho» iam «tirar tripas ao traidor, fuzilá.lo». O papeleiro garantiu-lhe que era «bom republicano o homem que tinham» - e, sagaz, pôs ao guarda 1875 duas notas na mão. De olhos no dinheiro e guia no sentido, sentaram-se os três à mesa do canto, iscas e vinho mandaram vir, da missão se desinteressaram - não fora isso e ele nunca teria sido presidente do Benfica.

8. Devido ao envolvimento na revolta contra a Ditadura em Fevereiro de 1927 deportaram-no para São Tomé. Além de coronel, era engenheiro e advogado. Nascera em Macau, onde o pai fora governador - e, em 1911, ala do Partido Republicano pensara nele para candidato a Presidente da República. Amnistia de Salazar (em 1932) repô-lo no exército - e, estando na Terceira como comandante militar, coube-lhe ceder a base das Lajes para o ataque final aos nazis (Por lá se estreitara a sua relação com Vicente de Melo).

9. Era administrador da Carris, quando, em Janeiro de 1947, por demissão de Manuel da Conceição Afonso, passou da presidência da AG para a presidência do Benfica - e levou Vicente de Melo para seu tesoureiro. (Meteu-se com Norton de Matos e Mendes Cabeçadas em acção para destituir Salazar num punch militar - mas a Abrilada de 47 acabou gorada).

10. Foi buscar Ted Smith - e, com ele a treinador, o Benfica evitou o penta do Sporting e arrancou par a conquista da Taça Latina. Não, já não viu esse seu sonho a tornar-se realidade, o destino, cruel, não deixou: a 15 de Dezembro de 1948 morreu de súbito, morreu no cargo (é o único presidente do Benfica a quem tal aconteceu)."

António Simões, in A Bola

Rei na barriga

"Exige Rui Vitória respeito e tem todo o direito de o fazer; mas já não pode pedir que se ache extraordinário o que era apenas exigível

Tem Rui Vitória num ponto razão absolutamente indiscutível: o seu Benfica cumpriu com todo o mérito o (essencial) objectivo de se qualificar para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Quanto ao resto, as razões de Rui Vitória já serão muito mais discutíveis. A começar pelo que disse o treinador do Benfica após o jogo da Grécia, ainda por cima irritado, como se não fosse exigível ao Benfica ultrapassar este (muito inferior) adversário grego.
Como ganhou, Rui Vitória falou como se já estivesse tudo previsto e planeado há muito tempo apra ser assim. Falou com o rei na barriga, como se o Benfica tivesse feito duas grandes exibições nete play-off. Pode Rui Vitória afirmar-se totalmente convencido com o trabalho que vem realizando no Benfica e ninguém lhe pode levar a mal por isso.
Pode Rui Vitória (e tem obviamente todo o direito de o fazer) exigir respeito por esse trabalho, exigir que não se ponha em causa esse trabalho, e tem ainda o direito de considerar que esse trabalho está, na opinião dele, a ser muito bem feito, e de afirmar que já há muito tempo que estava a ser planeado e desenvolvido para chegar aqui.
Pode Rui Vitória falar como se ninguém o pudesse criticar, a ele e à equipa. Pode até escorregar na incoerência de, num dia, não querer saber ou falar de finanças, por, como ele disse, não ser essa a sua área, e, no outro, apresar-se lembrar aos críticos que se preparavam, no entender de Rui Vitória, para «subtrair» os 43 milhões de prémio de chegada à Liga dos Campeões, que devem agora somá-los, alegadamente ao mérito do treinador e dos jogadores na conquista deste objectivo, como se tivesse sido um feito extraordinário. Mas não foi.
Extraordinário teria sido o sucesso do PAOK. Isso sim, teria sido extraordinário. Tão extraordinário como escandaloso para o Benfica.
Tem Rui Vitória o direito de reclamar para si todos os méritos e mais algum na chegada do Benfica à fase de grupos da Champions. O que já não tem é o direito de nos obrigar a gostar do futebol que o Benfica joga, e muito menos de nos obrigar a reconhecer que o Benfica joga sempre como grande equipa e faz tudo o que deve fazer de acordo com a capacidade que têm os seus jogadores.
Como ganhou, Rui Vitória lá se lembrou de falar nos 43 milhões que desvalorizou na véspera e foi até mais longe, ao sublinhar a valorização da equipa e dos jogadores em mais de 200 milhões. Não se duvidando dessa avaliação do treinador do Benfica, é no mínimo estranho que Rui Vitória não tenha tido a humildade de passar aos adeptos a mensagem de confiança em não verem repetida desta vez a miserável participação da equipa na fase de grupos da Liga dos Campeões da última época.

Volto ainda ao derby do último fim de semana para lembrar os contínuos sinais de talento dados pelo jovem João Félix, uma espécie de mistura entre João Vieira Pinto e Rui Costa, realmente um jogador que parece sair um bocadinho fora da caixa do que vai mostrando ser o futebol do treinador Rui Vitória, mais mecanizado do que pensado, mais estruturado do que imprevisível, mais seguro do que ousado, mais linear do que inteligente, precisamente ao contrário do que vai revelando como jogador o jovem João Félix, alguém que dá a ideia de gostar de olhar para o jogo e questioná-lo, que procura permanentemente a melhor ideia, alguém que prefere correr riscos a resignar-se apenas à organização que o treinador impõe à equipa.
Em Portugal (e quase só em Portugal, na verdade...) parece haver sempre muito receio de apostar num jogador tão jovem como é João Félix, mas honra seja feita a Rui Vitória que, motivado ou não por algumas circunstâncias, parece realmente ter menos receio de o fazer, e talvez venha mesmo, com o andar da carruagem, a dar a João Félix ainda mais espaço na equipa do que tem dado até agora.
A propósito de João Félix, vale ainda a pena lembrar que no espaço de menos de uma semana, foi a segunda vez que conseguiu fazer tanto em tão pouco tempo em campo. Aconteceu frente aos gregos do PAOK, na Luz, quando, em apenas 11 minutos, isolou Ferreyra para um golo desperdiçado, e quase conseguiu, num remate com o pé esquerdo, fazer o 2-1, no último suspiro da águia, levando a bola a passar bem juntinho ao poste esquerdo do guarda-redes grego, e voltou a acontecer sábado, com o Sporting, quando, desta vez em 19 minutos, fez o magnífico golo do empate e ainda se viu derrubado por Jefferson, em falta para penalty não assinalado, num lance que passou em claro não apenas ao árbitro e videoárbitro como à maioria dos analistas.
João Félix entrou na área, saltou para tocar na bola de cabeça e quando ainda estava no ar sofreu claro empurrão de Jefferson, que não quis jogar a bola, nem olhar sequer para ela, apenas se preocupou em tocar no jovem jogador do Benfica, conseguindo desequilibrá-lo.
O tipo de lance sobre o qual, pelos vistos, poucos se comprometem quando se trata de um jogo desta natureza, envolvendo dois grandes, nem mesmo antigos árbitros hoje comentadores, o que me faz, confesso, muita confusão, quando passamos a vida a ouvir discussões, absolutamente inúteis sobre alegadas grandes penalidades supostamente provocadas porque a bola tocou ligeiramente no braço de um jogador ou raspou ao de leve noutro... e depois vejo desvalorizar-se uma clara falta para penalty como a que foi cometida pelo lateral-esquerdo dos leões no jogo da Luz.
A jogada que envolveu Jefferson e João Félix não oferece qualquer dúvida. Seria falta em qualquer zona do campo, porque Jefferson não quis jogar a bola e empurrou claramente um adversário que estava, ainda por cima, em suspensão, e portanto, tendo sido na grande área do Sporting, deveria ter levado o árbitro João Godinho a assinalar a respectiva grande penalidade.
Na avaliação desse lance, João Godinho não fez afinal mais do que confirmar o fraco trabalho de arbitragem realizado na luz, mostrando estar ainda muito longe do nível que se exige ao árbitro de um jogo com a dimensão e o impacto de um Benfica - Sporting, já agora, um jogo que o Benfica podia ter ganho mas que o Sporting mereceu não perder.

PS: Luka Modric ganhou ontem o prémio de Jogador do Ano da UEFA, numa festa toda ela descaradamente dedicada... ao Real Madrid! Se o prémio é da UEFA e premeia a época europeia dos jogadores, então Cristiano Ronaldo deveria ter sido, claramente, o vencedor; se incluiu também a carreira no Mundial, então é realmente muito estranho que não tenha tido no pódio qualquer campeão do mundo. Modric é um grandíssimo jogador e não tem culpa nenhuma disto!"

João Bonzinho, in A Bola

PS: O Bonzinho também podia ter escrito, que Rui Vitória tem todo o direito de se mostrar agastado, pela forma como o Benfica (jogadores, treinador, direcção e adeptos) são tratados pela maior parte da comunicação social desportiva portuguesa, como se fosse uma equipa estrangeira...!!! Mesmo quando estão a defender as 'cores' de Portugal...
Talvez se tivesse 'chegado' a esta 'conclusão', percebesse que existe uma diferença entre ter a 'barriga cheia' e ter a satisfação da vitória, contra um adversário digno, que por estes dias ganhou muitos adeptos portugueses... que se viram ontem de repente com muita azia...!!! E não estou a falar de simples adeptos, dos rivais internos, estou a falar de gente que deontologicamente deveria ser imparcial...

É só puxar o filme um pouco atrás...

"Quando, a 28 de Abril deste ano, o Benfica perdeu em casa com o Tondela (2-3) na 32.ª jornada da I Liga, parecia escrito nas estrelas que, ao fim de oito presenças consecutivas na fase de grupos da Champions, os encarnados teriam de resignar-se com a Liga Europa. O empate, em Alvalade, na ronda 33 acentuou essa ideia, já me bastaria ao Sporting, a seguir, passar no Funchal para poder lutar pelos milhões da Liga milionária. Entretanto, a casa verde e branca implodiu, a equipa de Jesus caiu com estrondo nos Barreiros, e o Benfica viu abrir-se o caminho que poderia levá-lo à terra prometida, num ano especial, com os prémios da UEFA a passarem para o dobro e a terem impacto extraordinário no orçamento de qualquer equipa portuguesa.
Ultrapassados Fenerbahçe e PAOK, o Benfica garantiu, além de uma montra de luxo, uma vantagem, grosso modo, de 100 milhões de euros sobre o Sporting - o que as águias arrecadam e o que os leões deixam de contabilizar - que pode alterar a correlação de forças no futebol português. Não tivesse Bruno de Carvalho crashado e fosse o Sporting a ficar com o pote de ouro, e provavelmente estaríamos perante uma conjuntura interna completamente diferente. Assim, Benfica e FC Porto têm meios para acentuar a diferença para o resto do pelotão, colocando-se em melhor posição para enfrentar qualquer futura evolução, mais elitista, da principal prova de clubes da UEFA.

PS - Como é cada um que, a cada desafio, constrói o seu destino, o Benfica soube sofrer, reinventar-se e cumprir o desígnio europeu que faz parte da sua matriz genética."

José Manuel Delgado, in A Bola

Gerir equipas

"Cada vez mais se fala de gestão desportiva, dos melhores modelos para potenciar as instituições desportivas, do crescimento das equipas, da rentabilização dos seus elementos. Contudo, por muitas vias alternativas que se possam desenhar, o mais importante será sempre o atleta/jogador. O centro da actividade é humano. A gestão financeira tem importância, o modelo económico merece toda a atenção, mas a gestão dos recursos humanos é o factor decisivo para o sucesso. As pessoas têm sentimentos, a actividade não pode ser gerida sem ter em consideração isso mesmo. A comunicação é diferente para cada um dos membros da equipa. Estamos, no desporto de alto rendimento, digamos que também no campo do trabalho intensivo, no sentido da componente física necessária ao sucesso. Não desvalorizando o componente económica-financeira, a gestão dos recursos é influenciável pelo comportamento individual.
Tudo isto ganha maior destaque, em virtude do desporto ter vindo a conquistar cada vez mais espaço na sociedade. O impacto, e mediatismo, da actividade desportiva encaminha muitos recursos para o seu meio. Sejam recursos financeiros ou humanos. Não há como limitar a importância que o desporto tem nas sociedades actuais, quer se trate de recreação ou de alto rendimento.
As especificidades na gestão desportiva não obrigam a que os gestores sejam ou tenham sido, atletas. Melhor que o tenham sido, mas não é decisivo. Agora, impõem que se tenha sensibilidade no relacionamento com todos os elementos da estrutura, e que a constituição da equipa de gestão tenha isso em consideração. Estamos no campo do humano. E este é o maior segredo da actividade. Quem se esquecer deste grande e fundamental aspecto está mais longe do sucesso. pode atingi-lo, de forma pontual, mas não se manterá no topo!"

José Couceiro, in A Bola

Deuses

"1. Os deuses do futebol estiveram ao lado do FC Porto no sorteio da fase de grupos da Liga dos Campeões e não estiveram muito afastados do Benfica. Mas como o futebol é praticado por homens e nem uma nem outra equipa têm deuses, tem de ser dentro do campo a comprovação do estatuto.
2. Cristiano Ronaldo é um dos deuses do futebol moderno mas ontem foi batido no prémio de melhor da UEFA pelo melhor jogador terráqueo do momento: Luka Modric. Às vezes os deuses caem do Olimpo sem que se perceba muito bem como nem porquê.
3. Os três deuses do futebol português - Benfica, FC Porto e Sporting -, até ao momento, ainda não encantaram, em termos nacionais, os seus fiéis. O SC Braga bate à porta dos céus e se calhar tem uma oportunidade de ouro para entrar.
4. O Sporting está em período eleitoral depois de um autodenominado deus do dirigismo se ter barricado na presidência e ter sido empurrado do altar pelos seguidores da religião leonina. Os leões, agora, não precisam de deuses. Precisam de homens conscientes da tarefa que têm pela frente. Que é tudo menos fácil.
5. No futebol, os leões têm a pretensão de contratar um avançado que faça companhia ao deus do golo, Bas Dost. Mas no fundo só com muita fé muita qualidade com pouco dinheiro.
6. Na terra dos deuses, a Grécia, o Benfica precisou apenas de soldados conhecedores da sua missão para alcançar a fortuna.
7. Fernando Pimenta é um deus do desporto nacional e em Montemor-o-Velho escreveu mais um capítulo de uma carreira que vai acabar coberta a ouro. Pena é o povo ser pouco dado a outra coisa que não seja o futebol e tenha pouco reconhecimento para quem não finta o destino com a bola nos pés."

Hugo Forte, in A Bola