Últimas indefectivações

terça-feira, 4 de junho de 2013

Glória ao Futebol moderno

"No dia 15 de Junho de 1952, Benfica e Sporting foram intérpretes da que terá sido a mais emocionante Final da história da Taça de Portugal. 5-4 foi o resultado. Rogério «Pipi» resolveu o encontro no último minuto...

Regressemos ao Jamor. Não para resolver os confetis da festa recente do Vitória de Guimarães, que tanto doeu na alma benfiquista, mas para retomar a recordação daquele quádrupla vitória na Taça de Portugal, com o intervalo de uma época pelo meio, precisamente a de 1949/50, ano em que por se ter disputado em Lisboa a Taça Latina não houve lugar à habitual festa da Taça.
Vimos, na passada semana, como o Benfica destroçara a Académica do Dr. Bentes, o «Rato Atómico», por expressivos 5-1, com quatro golos de Rogério «Pipi». Foi a primeira vitória das três consecutivas após o tal interregno de 1950. Seguir-se-iam duas finais contra rivais de estadão, aqueles que mais marcam a história do Clube da Luz: Sporting e FC Porto. E assim mesmo, por esta ordem.
No dia 15 de Junho de 1952, o Estádio Nacional engalanou-se para uma Final a cheirar bem, a cheirar a Lisboa, entre Benfica e Sporting. Jogo de estalo! E não adivinhavam os adeptos de ambos os clubes que demandaram o Vale do Jamor naquela tarde o espectáculo emocionante a que iriam assistir. Chamaram-lhe «A Apoteose do Jamor». E ia assim, linha a linha: «Quando, ao faltar um minuto para acabar o maravilhoso conto do Jamor, uma história fantástica e emocionante do Futebol português, Rogério marcou a 5.ª bola em remate feliz, roçando o poste, e depois desmaiava na alegria do feito e da vitória, o Benfica conquistara a Taça de Portugal na Final mais rica de que há memória, mas o grande triunfador era verdadeiramente o Futebol, tanto na expressão benfica como sportingue, que nos dera a melhor Final de todos os tempos!»
Ah! Palavras ufanas, cheias de entusiasmo. E não era para menos. Esse mesmo Rogério, o Rogério Lantres de Carvalho, o Rogério «Pipi» como ficou popularmente conhecido, que ao minuto 43, desperdiçara um penálti, fechava um 5-4 as contas de um dérbi excepcional que manteve os olhos dos milhares e milhares de espectadores que enchiam as bancadas do Estádio Nacional presos a todo aquele teatro trágico que se desenrolava sobre o relvado.

Arte e harmonia
O marcador, foi, ao longo dos 90 minutos, saltando de um lado para o outro, provocando os nervos e os histerismos ora destes ora daqueles, sempre sem que ninguém fosse capaz de antever para que lado o resultado iria cair. Reparem: 0-1 por Albano, de penálti, aos 9 minutos; 1-1 por Rogério, de penálti, aos 23 minutos; 2-1 por Corona, aos 49 minutos; 2-2 por Rola, aos 51 minutos; 2-3 por Martins, aos 56 minutos; 3-3 por Rogério, aos 69 minutos; 3-4 por Rola, aos 71 minutos; 4-4 por José Águas, aos 73 minutos; 5-4 por Rogério, aos 89 minutos. UFA! Só escrever já cansa, quanto mais jogar...
Tavares da Silva, grande jornalista do seu tempo, que chegou a ser Seleccionador Nacional, desenrolou no «Diário de Lisboa» uma prosa brilhante sobre este encontro e que começava, precisamente, com as linhas que mais acima reproduzimos. E vale a pena dar-vos a conhecer mais alguns dos adjectivos com que o célebre colunista pintalgou a final do Jamor de 1952. Aproveitem.
«A todos os títulos, a Final da Taça de 1951/52 representou uma lata expressão de Futebol moderno, de uma velocidade outrora desconhecida e de movimentação sintonizada, com espaço suficiente para as manobras individuais, empenhando-se os jogadores exclusivamente nas boas normas do fair-play. O desafio teve interesse, graça, animação e ansiedade! Viram-se, na base da referida movimentação e velocidade, golpes estupendos de arte e harmonia, atitudes escultóricas, figuras acrobáticas, todo um mundo de riqueza no campo desportivo! (...) Os dois mais famosos grupos portugueses contaram-nos, no Jamor, uma bela história que, daqui a tempos, quando se falar ou relembrar as grandes manifestações do Futebol português, será sempre recordada: - Ali, no Vale do Jamor, uma vez, em fim de época de 1952, assistimos a uma Final da Taça como nunca tínhamos visto e não mais pelos tempos fora havíamos de ver...»
Para nós, os outro, os que não vimos, resta a memória indelével das palavras escritas."

Afonso de Melo, in O Benfica 

Para quando, a palhaçada?

"Já haverá data marcada? E ementa? Que irão os nossos tão bem pagos quanto mal empregues deputados oferecer no almoço de subserviência àquele senhor que acha, por exemplo, que o Ministério Público é a PIDE dos novos tempos?
Não seria de bom tom convidar para o almocinho da ordem um dois representantes do dito Ministério Público?
Excitado, o hemiciclo já se vai rindo, antecipadamente, das piadolas brejeiras, dos insultos baratos, das casquinadas e dos flatos...
Afinal, ele e os amigos mais próximos tratam-se distintamente por «filhos da puta» (sic), expressão que o povo, na sua tal infinita sabedoria (a meu ver ainda por comprovar), utiliza com frequência para brindar os políticos, sejam eles ou não deputados pela nação.
Para quando, portanto, a palhaçada do costume?
O dia 7 de Junho seria, certamente, um belo dia para que a Assembleia Constituinte abrisse as suas portas de par em par para receber afectuosamente aquele senhor que gostava de ver Lisboa e arder, e com ela, presume-se, a dita Assembleia.
Encheriam todos a pança alarvemente, diriam porcarias e piadas obscenas, soltariam gases enquanto distribuíam palmadas nas omoplatas (chamando-se, presume-se, nomes uns aos outros e às suas respectivas mães), e depois poderiam ver o jogo da Selecção Nacional contra a Rússia.
Em caso de derrota portuguesa, o tal senhor abriria uma garrafa de champanhe. Parece que a isso está habituado..."

Afonso de Melo, in O Benfica

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Filip Djuricic

"(...)
Amesterdão - Estava no ArenA de Amesterdão quando viu o seu companheiro Ivanovic marcar um golo pelo Chelsea e destruir o sonho do Benfica em vencer a Liga Europa. O que sentiu naquele momento?
- Um golo do meu colega de selecção... Senti uma enorme pena. Fiquei logo com medo porque foi um canto estúpido: o lateral-direito do Chelsea enviou a bola longe, pensou-se que a bola iria para fora, mas o Ramires chegou a tempo e chutou-a contra um jogador nosso. Logo ali disse a uma amigo: 'não, outra vez não! É impossível!'. É incrível em sete dias perder dois jogos no último minuto.
- O facto de ter visto aquele jogo na condição de futuro reforço do Benfica foi suficiente para sentir alguma dor?
- Nem sei o que senti porque foi um choque, nem acreditava. Tinha visto o jogo com o FC Porto, depois seguiu-se a final... Mas temos de encarar isto como parte do futebol e seguir em frente.
- Teve a oportunidade de ver os adeptos em acção pela primeira vez. O que achou?
- Eu estava na parte destinada aos adeptos do Benfica. Foi um momento triste porque vi muita gente a chorar. Mas fiquei a saber o que significava um troféu daqueles para os adeptos do Benfica. Quem sabe se não vencemos na próxima época...
- Eles reconheceram-no?
- Sim. De início foi desconfortável porque todos queriam tirar fotografias, mas não ficavam muito tempo.
- O que lhe disseram?
- Coisas do género: 'foste para o clube certo', 'é um clube grande'. Foi bom. Faz parte da profissão, é bom sentir os adeptos. Fiquei muito triste por eles. Mas gostei muito da reacção que eles tiveram após a derrota. Mesmo perdendo, aplaudiram a equipa, adorei ver, é um grande clube.
- Que consequências provocarão o final de época do Benfica?
- Há que ver um lado bom: não vencemos o campeonato há três anos e, para mim, será um prazer jogar num clube que terá ainda mais vontade de ser campeão. Esta é a prioridade, acho, do Benfica para a próxima época: ganhar o campeonato. Escolhi ir para o Benfica porque quero ganhar, pois até agora joguei num clube com menos ambições, o Heerenveen. A pressão será maior, tudo será em grande, isso já eu sei, mas jogo futebol justamente por causa disso. Estou ansioso por começar.
- Lida bem com a pressão?
- Sim. Eu tinha 17 anos quando fiz o meu primeiro jogo pelo Heerenveen e estreei-me pela selecção da Sérvia aos 16. Na altura a pressão era grande, não ao nível que vou encontrar no Benfica, é certo, mas era grande. Lembro-me que nos meus jogos de campeonato na Sérvia tinha cinco mil pessoas, no Heerenvenn tive logo 35 mil. Antes só via esses jogos pela televisão.
- Qual foi a primeira coisa que lhe veio à cabeça quando assinou pelo Benfica?
- Entusiasmo. Eu tive de escolher entre várias propostas que me surgiram.
- Foram muitas?
- Sim. Partia para o meu último ano de contracto e o preço de mercado desceu. Estudámos o que tínhamos em mãos e decidimos pelo Benfica.
- O que pesou na decisão?
- Decidi-me pela equipa que melhor joga futebol, de princípio ao fim. Se tivesse de escolher entre o Chelsea ou o Benfica escolhia sempre o Benfica pelo seu estilo de futebol que joga. Mesmo que o Chelsea seja um clube maior. Mas eu quero jogar esse futebol.
- Que futuros colegas lhe levam a pensar: 'com aqueles vou dar-me bem'?
- A equipa toda! Desde o guarda-redes até ao avançado, todos sabem o que fazer com a bola. Não posso apontar apenas um ou outro porque não tenho o conhecimento perfeito da equipa, mas pelos jogos que vi, percebo que todos os jogadores querem jogar futebol e isso é incrível. Quero fazer parte de uma equipa dessas.
- Está preparado para substituir Aimar?
- Estou preparado para grandes coisas, é o que sempre pensei quando comecei a carreira. Ser futebolista é tentar subir de nível, de forma constante. Vou para um clube maior e sei que terei outras responsabilidades. Sei que serei o substituto de Aimar. Por um lado é um grande pressão, por outro é um prazer. Mas o prazer de substituir uma lenda será maior que a pressão.
- Assume-se como um clássico número 10?
- Sim. É a posição onde melhor me sinto. Já joguei como segundo avançado ou descaído para uma das alas, mas sou um número 10. O facto de o Benfica ter a tradição de jogar com um número 10 foi outro dos factores que me levaram a escolher o Benfica. Aimar vai-se embora, mas há Gaitán. Antes houve outros...
- ... como Rui Costa.
- Espero vir a ser como ele. Sou um 10 como ele foi, tenho características parecidas às de Rui Costa. Sei que ele já me elogiou e quero retribuir. Fiquei muito feliz por ele ter dito boas coisas sobre mim.
- Matic é seu compatriota e amigo. O que lhe disse?
- Falei como ele antes de assinar pelo Benfica. Somos amigos, jogámos na mesma escola de futebol quando éramos miúdos, apesar de ele ser três anos mais velho que eu. Falei com ele algumas vezes, ele aconselhou-me e disse-me: 'És um jogador com condições para jogar aqui, tens de vir'. Depois foi mais fácil dizer sim ao Benfica.
- Diz que o tipo de futebol praticado foi fundamental para a sua escolha. Mas alguma vez pensou no Benfica como um trampolim, tendo em conta o histórico do clube em vender jogadores para clubes de maior poder financeiro?
- Não. Quando tomamos uma decisão pensamos em vários aspectos: futebolístico, o tipo de clube, o tipo de adeptos, a questão financeira, obviamente, e a vida do país e da cidade. Portugal é um óptimo país para viver e tudo isso contribuiu. Foi, por isso, fácil chegar a acordo.
- Como reagiram os seus colegas à notícia?
- Tendo em conta que foi oficial apenas há pouco tempo, não houve tempo para isso. Quando me perguntavam se era verdade eu dizia 'não sei, vamos ver' (risos). Quando se tornou oficial, deram-me os parabéns.
- Acha que vai demorar a adaptar.-se?
- Não quero esperar, pretendo adaptar-me o mais rapidamente possível e entrar de imediato na dinâmica da equipa.
- A final da Liga dos Campeões da próxima época é no Estádio da Luz. Imagina-se lá?
- Podemos sempre sonhar, os adeptos também. Mas o Benfica não vence campeonato há três anos e ganhar essa competição será o principal objectivo. Mas é claro que gostaria de jogar uma final pelo meu novo clube, especialmente na Luz.
- Já traçou algum objectivo pessoal? O que será, para si, um bom começo?
- Não gosto de falar sobre os meus objectivos pessoais, quero adaptar-me o mais rápido possível e depois veremos como corre. O que mais desejo é vencer títulos no final da época.
- Das várias análises feitas à sua forma de jogar, retive uma: que pelo facto de, fisicamente, ainda não ser muito forte, Djuricic tenta estar sempre um passo à frente nas jogadas. É mesmo assim?
- Eu apenas jogo. Claro que temos de pensar no que estamos a fazer, mas devemos acima de tudo relaxar. Não é bom quando, em campo, pensamos em demasia. A intuição é o mais importante, tal como a antecipação do que vai acontecer. Sei que, entretanto, terei de melhorar a parte física e outras situações. Sei que vou apreender isso no Benfica, daí que seja um grande passo para mim.
- Gosta mais de uma boa assistência ou de um golo feio?
- De uma boa assistência, mas um golo é um golo e isso é o mais importante no futebol.
- Marcou 23 golos nas duas últimas épocas pelo Heerenveen...
- Tenho feito 14/15 golos por temporada, contando com os jogos da selecção. Em média, marquei sete/oito por época no Heerenveen, mas trata-se de uma equipa do meio da tabela, que não tem o objectivo de vencer todos os jogos. No Benfica será diferente, terei mais oportunidades para marcar. E para fazer assistências.
- Para Cardozo?
- Sim. Ou para Lima ou Rodrigo. Todos eles são grandes avançados.
- Vai estar sozinho em Portugal?
- Os meus pais estarão comigo boa parte do tempo, tal como a minha namorada. A minha irmã também irá de vez em quando, mas nem sempre. Tem 18 anos e os meus pais têm de apoiá-la agora.
- Que objectivos tem na carreira?
- Jogar o meu futebol, ser um dos melhores. Quero chegar ao topo. Acho que sou um jogador que faz a diferença. Sempre tive essa ideia na cabeça desde cedo.
- Quem é o seu ídolo?
- Kaká. Aquele do Milan. Espero ainda vir a jogar na mesma equipa dele.

A HISTÓRIA DA ALCUNHA DE CRUYFF DOS BALCÃS
- Aproveitou a embalagem, no início; depois tentou afastar-se da imagem
Amesterdão - Quando chegou à Holanda, em 2009, já vinha catalogado como Cruyff dos Balcãs. Foi uma sensação boa?
- (pausa) Foi bom no início.
- Quem é que lhe pôs a alcunha?
- Foi a imprensa (o pai, Dusan, interrompe e diz: foi o olheiro do Ajax que jogou com Cruyff. Quando viu Filip jogar na Sérvia, disse que ele jogava como Cruyff. Há quatro anos fez tudo para ele ir para o Ajax, mas não foi possível. Só que ele disse isso aos jornais e a moda pegou). Foi uma grande pressão para mim. Porque é um nome muito respeitado na Holanda, não gostam de comparações. Não se pode ter esse nome se não se for bom jogador.
- Pressão grande...
- Sim. Mas de início até aproveitei. Deram-me a escolher entre os números 14 ou 18 e escolhei o 14 (eterno número do antigo astro), o que pôs todos os meus colegas a rir. Até diziam que eu era parecido com ele: deixei o cabelo maior e tudo (risos), festejava como ele. Mas isso durou pouco e passado um tempo passei a ter a minha marca. Deixei de ser o 14 e passei a ser o 9.

«SEI LIDAR COM TREINADORES COMO JESUS»
... Os gestos, a pose, a linguagem fazem do treinador português um «entusiasta», na.... «Já tive treinadores como ele no passado. Mas agora sou mais inteligente e maduro e sei lidar melhor com treinadores assim.»
Percebe-se, pois, que houve experiências difíceis anteriores. De acordo com o ex-jogador do Heerenveen, é tudo uma questão de «adaptação» sobre os métodos de Jorge Jesus, frisando o jogador de 21 anos que o técnico é «conhecido por potenciar jogadores». «Há muitos, e bons exemplos disso», salientou, adiantando: «As questões pessoais é o menos importante, o profissionalismo acima de tudo.»
Questionado se gostaria de ser mais uma dos talentos trabalhados para exportação, Djuricic encolheu os ombros: «Porque não? O Benfica já vendeu jogadores para grandes clubes.»

«SULEJMANI VAI AJUDAR MUITO»
Amesterdão - ... «Aos 18 anos era um dos melhores jogadores da Europa», recorda Djuricic. «O Ajax comprou-o por 16 milhões de euros ao Heereveen. Infelizmente ele não esteve tão bem nos últimos anos, mas continua a ser um grande jogador»,...
«Jogamos juntos na selecção sérvia. É muito tecnicista, bom passador, chuta muito bem com ambos os pés, pode jogar nas alas ou como avançado», é a análise personalizada ao compatriota, de 24 anos. «Sulejmani vai ajudar muito o Benfica», garantiu Djuricic, assumindo que ainda não falou muito com o compatriota sobre o novo clube. «Haverá tempo, mas vai ser muito bom jogar com ele»."

Entrevista a Filip Djuricic por Fernando Urbano, in A Bola

PS: Posso estar enganado - acho que não estou!!! -, mas temos aqui um grande jogador... de todos os que foram anunciados (apesar do Djuricic ser o único confirmado pelo Benfica), este é aquele que me dá maior confiança, que tenha um impacto imediato no Benfica... até a confiança com que fala - confundida com arrogância por alguns -, me fortalece a convicção.

domingo, 2 de junho de 2013

Campeões Europeus - Histórico (III) !!!


Corruptos 5 - 6 Benfica

Lindo, seria impossível imaginar um argumento mais épico. Depois de tantas tentativas, algumas ingloriamente perdidas (Igualada...), o Benfica, quando se calhar poucos acreditavam (onde eu me incluo), conquistou finalmente o titulo máximo das competições de Hóquei em Patins, a nível de Clubes... Glorioso título, conquistado arduamente, por verdadeiros Campeões. Um trajecto extraordinário, derrotando equipas como o Réus, Viareggio, Noia, Barcelona e Corruptos, sem derrotas, só cedemos 2 empates, de resto só vitórias!!!
O jogo foi equilibrado, o Benfica até entrou a perder (2-0), mas manteve a cabeça fria, não baixou os braços (ao contrário do jogo do Campeonato), como a impunidade Corrupta, com os árbitros Espanhóis, foi menor do que é costume, o Benfica até beneficiou de algumas situações de bola parada... e para ironia do destino, depois de uma época inteira a falhar estas oportunidades, hoje, não falhámos uma: 1 Livre Directo (Cacau) e 2 penalty's (Zorro, Matador: tal como os tapetes que nos patrocinam!!!). Mesmo assim, e apesar de uma arbitragem, melhor do que o expectável, não deixa de ser estranho que os Corruptos tenham terminado o jogo com 9 faltas!!! A uma do Livre Directo respectivo... isto num jogo, onde os mergulhos para a piscina dos Corruptos - principalmente pelo Jorge Silva - foram mais do que muitos!!!
Tal como na vitória da Taça Cers, em 2011, vencemos no campo do adversário, com um ambiente adverso, e com o Diogo Rafael em grande destaque, hoje marcou um golo, e fez a assistência para os últimos 2 !!! Mas mais uma vez, o Pedro Henriques voltou a ser fundamental, defendendo um LD e um penalty!!!
Se calhar este não é o momento indicado, mas eu não consigo esquecer as muitas ofensas que foram escritas nas redes sociais Benfiquistas, durante esta época, sempre que tivemos um resultado negativo. O Benfica é realmente um Clube peculiar, temos mesmo Benfiquistas profissionais nas ofensas e calúnias sobre os nossos jogadores, treinadores e dirigentes!!! Estes jogadores, nas últimas 4 épocas, têm feito um trabalho notável, sempre a crescer... a vitória de hoje, é prova disso... A perda do Campeonato desta época, foi sentida por todos, mas isso não justifica a ingratidão para com aqueles que ainda o ano passado, nos tinham oferecido um título, que muitos pensavam ser impossível de conquistar!!!
Nas últimas semanas, muitas coisas têm sido ditas, são vários os jogadores ligados ao Benfica pelos jornaleiros, creio que o Trabal e o Miguel Rocha vão de facto fazer parte do plantel da próxima época, mas não precisamos de revoluções... e como é óbvio o Sénica é para continuar...
Não posso deixar de falar dos Comunicados, só foram 4 (aqui)(aqui)(aqui)(aqui)!!! Eu defendi a não participação do Benfica neste jogo. Mesmo, sendo neste momento Campeão Europeu, continuo a achar que a não presença teria sido a melhor decisão. Disse ontem, que compreendia a frustração dos jogadores... Parece, que foram mesmo os jogadores a pressionar a Direcção do Benfica, a voltar atrás com a decisão. Felizmente tudo correu bem... Mas que ninguém tenha dúvidas, sem os Comunicados, sem a Ameaça de não jogar, o jogo teria sido completamente diferente: a arbitragem teria sido diferente, e principalmente o ambiente teria sido diferente. Sem os Comunicados, não teríamos recebido a Taça no ringue, sem os Comunicados não teríamos adeptos no Pavilhão, sem os Comunicados não teríamos festejado o título com os nossos adeptos...
Os ambientes terroristas, são premeditados, o Benfica não pode continuar a aceitar passivamente, comportamentos animalescos... aceito que seria injusto para os jogadores, perderem a hipóteses de lutar pelo título máximo Europeu, só para marcar uma posição, que envolve muitas outras modalidades, incluindo o Futebol... Para os mais distraídos, deixo aqui para memória futura, que hoje de manhã, a primeira pessoa a afirmar que iria haver jogo foi o Macaco!!! Sim, Fernando Madureira, marginal com biografia publicada e tudo... Logo pela matina, afirmou nas redes sociais, algo parecido: «...vai haver jogo, EU garanti a segurança...»!!! Isto antes, de qualquer anuncio oficial...!!!
Uma nota ainda para a RTP. Parece que sentiram o toque... Quando o jogo chegou aos momentos decisivos, voltaram a esquecer-se do local onde estavam... mas comparado com outras ocasiões!!! Só não percebi, a ausência das repetições, no 3.º golo dos Corruptos, onde o Carlos López partiu a cabeça!!!

Juvenis - 5.ª jornada - Fase Final - Campeões


Corruptos 1 - 1 Benfica

E pronto, já está... podíamos ter sofrido menos, podíamos ter marcado mais cedo - não era Romário?!!! -, mas assim, com o golo, no primeiro minuto das compensações, até soube melhor!!! Ainda por cima, com uma vergonhosa arbitragem do André Gralha e dos seus assistentes, onde tudo foi permitido aos Corruptos... com agressões claras a passar impunemente.

Com vários reforços dos Juvenis B (1.º ano), esta equipa acabou por se transfigurar nesta Fase Final, depois de um início de época algo irregular... sou daqueles que defende, a importância do Torneio realizado na Holanda, a equipa veio mais forte...

São vários jogadores nesta equipa, com talento para triunfarem, mas também são muitos os jogadores nesta equipa com uma cabezinha demasiado oca... O Guedes, é de facto, em termos de talento puro o jogador de maior destaque, mas eu pessoalmente gosto muito dos Centrais (Dias, Lima) e do Guga...

Este duplo triunfo - Juniores/Juvenis -, creio que já não acontecia à 17 anos no Benfica - e o de Iniciados só fugiu devido ao golo mal anulado em Alcochete -, é a prova que o trabalho na Formação está a ser bem feito. Agora só falta, o último passo, levar estes miúdos à equipa principal... creio que daqui a 2, no máximo 3 anos, vamos 3 ou 5 jogadores da Formação, bem estabelecidos na equipa principal.

Infelizmente, não posso de comentar o que se passou no final da partida. Mais uma vez, são sempre os mesmos. Recordo que sempre que o Benfica vence um jogo da Formação, no Olival ou no Seixal, são sempre os mesmos que iniciam o festival do pontapé no adversário... basta recordar o jogo de Juniores no Seixal deste ano. Hoje, ainda houve uma agravante: é visível nas imagens, gentalha adulta, treinadores, e seguranças dos Corruptos, a agredirem os nossos miúdos... tudo isto perante a passividade da equipa de arbitragem, que aparentemente no relatório nada vai escrever!!! O espectáculo da baixaria não podia ficar terminado, sem a colaboração dos jornaleiros da PorkoTV, que assistindo a tudo, afirmaram que o simples facto dos miúdos do Benfica, celebrarem um título nacional, é considerado por eles como Provocação; ainda mais cómico, quando um dos porcos, afirmou alto e bom som, que no meio daquela confusão toda - com agressões bem visíveis aos jogadores do Benfica -, viu um jogador do Benfica a agredir um adversário!!! Afinal o porco estava com o olho aberto!!!
Também já não é novidade, mas a incapacidade dos jornaleiros - os ditos imparciais - em distinguirem os agressores, dos agredidos é notável!!! Como sempre acabam por descrever a palhaçada como agressões mútuas... É um fartar de vilanagem...

Histórica (II) !!!

Foi anunciado na Benfica TV, que o Benfica não se irá apresentar amanhã, no Final da Liga Europeia.
Justificando esta atitude, pela resposta do Comité organizador da prova, ao comunicado anterior do SL Benfica, onde exigia serem reunidas as condições de segurança necessárias, para que os nossos adeptos pudessem assistir à partida.

A concretizar-se, esta decisão, é Histórica. Posso compreender que os jogadores, depois de todo o esforço de ontem, se sintam frustrados, mas a pouca vergonha tem que acabar algum dia, não podemos continuar a ser cúmplices por omissão, dos ambientes terroristas patrocinados pelas autoridades, na Faixa de Gaza...!!! Se o responsável do CERH diz nada poder fazer, então fica a pergunta: quais os argumentos que fizeram o CERH atribuir aos Corruptos esta Final 4?!!!

Aqui fica o comunicado na integra:
"Após o que se viveu na tarde deste sábado no Dragão Caixa, com condições de segurança ao nível de uma competição amadora a permitirem a ameaça a adeptos, sinal de desrespeito por todos os clubes presentes na final four da Liga Europeia de Hóquei em Patins, o Sport Lisboa e Benfica realizou contactos no sentido de serem garantidas para amanhã [domingo] as condições de segurança que a PSP não garantiu no dia de hoje [sábado] e, bilhetes para os seus adeptos, tendo em conta que o SL Benfica é um dos finalistas e pelo facto de se tratar da principal prova europeia de clubes.
A resposta do comité europeu (CERH) responsável pela organização não podia ser mais surpreendente: não pode garantir a cedência de ingressos para a Final. Mais surpreendente é o facto do presidente do Comité Europeu (CERH) dizer aos responsáveis do Benfica que as pretensões são totalmente legítimas, mas que nada pode fazer.
Perante tudo isto, o Sport Lisboa e Benfica não se vai apresentar em campo para a Final da competição. Será, para o clube vencedor, a vitória da intimidação, da violência, e da quebra das mais elementares regras de ética numa competição desta dimensão.
Da Policia de Segurança Pública ficou, uma vez mais, provado que há duas instituições diferentes. Uma a norte, apenas preocupada com os interesses de um clube, e outra PSP a sul, essa sim orientada apenas para a salvaguarda da ordem pública. Um caso, mais um, para o Ministério da Administração Interna analisar.
O Clube tudo tem feito para dignificar e desenvolver a modalidade, mas não pode pactuar mais com este tipo de situações.
Já que o CERH parece manietado e disposto a permitir que um dos competidores infrinja as regras mais básicas do desportivismo, o Clube vê-se forçado a agir, de acordo com a protecção dos interesses e segurança dos seus adeptos. Fica também a perder a modalidade."

Comunicado SL Benfica

sábado, 1 de junho de 2013

Histórica !!!


Barcelona 4 (1) - (2) 4 Benfica

Enormes. Finalmente um pouquinho de fortuna. Independentemente do que acontecer amanhã, esta vitória sobre o Barcelona é histórica. Estamos a falar basicamente da Selecção Espanhola, com alguns dos melhores Argentinos!!! Uma equipa que tem dominado por completo o Hóquei Espanhol e Europeu. Com jogadores, que na Selecção, e no Clube, são praticamente imbatíveis...
A estratégia do Benfica foi perfeita. O Benfica não se deixou entusiasmar num jogo de parada e resposta, com muitos contra-ataques, preferiu cortar o ritmo ao jogo. Fazer ataques planeados, longos. E não permitir que os jogadores do Barça ficassem isolados perante o Ricardo. Neste tipo de jogo o Diogo foi muito importante, com as suas habituais acelerações, e o López ao congelar a posse de bola quando foi preciso.
O plano até deveria ter resultado no tempo regulamentar, mas os apitadores Italianos, não gostaram muito da situação: na 1.ª parte só viram faltas contra o Benfica; o Tuco foi travado 2 vezes com muito perigo, na 1.ª fora da área, na 2.º dentro da área, e nada foi marcado, sendo que na 2.ª situação o Barça marcou golo na resposta; ainda na 1.ª parte ficou mais um penalty por marcar a favor do Benfica, após corte com um patim dentro da área do Barça, num dos poucos contra-ataques do Benfica; na 2.º parte lá começaram a marcar faltas para os dois lados, mas enquanto o Barça podia fazer bloqueios, os Benfiquistas não podiam; perto do final, mostraram um cartão azul, completamente absurdo, ao Viana: livre directo que o Pedro Henriques defendeu, mas o Barça acabou por marcar mesmo no final dos 2 minutos em superioridade numérica!!!
O Benfica fez um jogo bastante concentrado, o Ricardo esteve quase sempre bem (no 1.º golo foi bem enganado, e no 2.º golo do Barça a bola passa pelo meio das pernas do Tuco... algo que não ajuda nada), e não demos muitas abébias na defesa... no ataque, não tivemos muitos remates, ainda assim falhámos duas oportunidades escandalosas (Cacau, Diogo), mas mesmo assim, fomos mais pragmáticos do que o costume...
Voltámos a falhar os Livres Directo, não compreendo como o López continua a marcar os Livres, é que além de falhar, com o seu estilo descontraído, ainda passa a ideia que os falhanços são por desleixo!!! Felizmente, o Viana desta vez, esteve impecável nos penalty's (2), e já no último minuto do tempo regulamentar, após o López falhar mais um Livre Directo, poucos segundos depois (a 40 segundos do final!!!), o mesmo Carlos López, com um remate à meia-volta, fez o golo do empate, a 4 !!!
O prolongamento foi calmo, com as equipas a arriscar pouco... mas já perto do final, novo cartão azul para o Benfica, desta vez foi o Carlos López (muito forçado... pouco discernimento), no Livre Directo o Pedro Henriques voltou a ser gigante, e defendeu (já tinha defendido outro Livre, quando o Barça podia ter feito 5-3, e matado a partida)!!!
Com o Pedro Muro Henriques na baliza, fui para os penalty's estranhamente confiante... e só me enganei uma vez, quando a bola passou por baixo do corpo do Pedro... mesmo assim, o folclore dos árbitros continuou nos penalty's, quando o João Rodrigues foi 'impedido' de marcar o seu penalty!!! Mas não foi preciso, o Pedro resolveu !!!
Depois da desilusão no Campeonato, uma excelente vitória, que infelizmente, só por si, não representa um título. As criticas a esta equipa têm sido muitas. A forma como perdemos no antro Corrupto para o Campeonato não ajudou. Creio que muita gente, não compreende o feito notável, verdadeiramente excepcional, que foi o triunfo no Campeonato o ano passado. Esta é claramente a modalidade mais Corrupta, das muitas modalidades Corruptas, em Portugal. Os empates em Valongo e em Oliveira de Azeméis, são só dois bons exemplos. Acho que a equipa deve ser reforçada para a próxima época, mas não subscrevo à tese da revolução... estamos muitos melhores, e os resultados Europeus são prova disso. Depois da desilusão que foi a derrota o ano passado nos Quartos-de-final da Champions, com o Valdagno, este ano estamos na Final... o percurso Europeu tem sido sempre a subir... se esta Final fosse jogada em qualquer outro pavilhão, a vitória dificilmente nos escaparia, depois da confiança que a vitória de hoje transmitiu...
Reconheço, que para a Final, amanhã, tenho pouco confiança (ao contrário do João Coutinho). A outra Meia-final, Corruptos-Valdagno, teve uma arbitragem miserável, foi praticamente de penalty/LD em penalty/LD até à vitória final !!! A marcação desta Final 4, para este recinto é o cumulo da sem-vergonhice... O meu não acreditar, não está ligado à qualidade do nosso plantel, ao nosso treinador, ou a outra qualquer 'culpa' própria... são muitos anos a assistir à impunidade Corrupta, dentro e fora das quatros linhas...
Antes da partida do Benfica começar, vários adeptos do Benfica foram impedidos de assistir ao jogo, foram mesmo obrigados a fugir para o recinto, já nas bilheteiras, havia uma guarda-pretoriana à espera dos Benfiquistas mais incautos!!! Uma Final Europeia, em qualquer modalidade, ter um tratamento destes, é escandaloso... Tudo isto, com a cobertura das autoridades, e da descomunicação social... Já no final da 2.ª Meia-final tivemos mesmo direito a mais uma pérola, de funcionários pagos pela RTP !!! Toda a gente sabe quem foi, e quem é o Vìtor Bruno, agora na RTP não tem o direito de se comportar como o fez. E não foi só na declaração final, onde desejou a vitória Corrupta na Final de amanhã. Durante a transmissão do jogo do Benfica, ele o companheiro Baila tiveram várias afirmações surreais (o Baila disse mesmo que os Corruptos, este ano recuperaram o Título nacional, ROUBADO pelo Benfica no ano anterior!!!)... mas como é costume, a impunidade reina... e amanhã, deveremos ter outro festival, e se por acaso o Benfica discutir o resultado até ao final da partida, vamos ter Circo: dentro e fora do ringue!!!

Grande vitória


Rio Ave 2 - 5 Benfica

Um dos melhores jogos da época, ainda sem o Joel... Após a burrice do Gonçalo (expulsão perfeitamente evitável, com 2-4 a nosso favor, a 2 minutos do fim... apesar dos bloqueios em movimento não serem permitidos), valeu o Marcão, e o enorme espírito de sacrifício dos nossos jogadores  - ficámos a jogar com 3 (Diece, Coelho, Davi) para 5, em campo !!! Mas antes disso, o Benfica tinha jogado bem, controlado o jogo, acho mesmo que o empate do Rio Ave a 2, foi bastante injusto... ao contrário de outros jogos, a equipa não ficou nervosa ou ansiosa, e conseguiu chegar à vitória, contra um adversário repleto de Internacionais.
Ainda nada está decidido, temos que vencer um dos jogos na Luz, para chegarmos à Final.
Acredito que com todos os jogadores disponíveis. Concentrados e motivados, apesar da superioridade óbvia dos Lagartos durante a época, temos hipóteses de vencer o título. As noticias sobre as contratações para o ano (neste momento já são 4 novos jogadores!!!) podem ter um efeito negativo, mas também motivar... não deixa de ser irónico, que o Diego - o patinho-feio... -, neste momento seja dos jogadores em melhor forma!!!

Péssimo, fim de época...


Sporting 29 - 22 Benfica

Não vi o jogo de hoje, mas pelo resultado também não perdi nada... mais do que as minhas palavras deixo as declarações do nosso Capitão, no final da partida:

A época fica marcada por dois desaires com o Sporting (e o jogo da Maia), o que não deixa de ser irónico. Muito sinceramente, a equipa este ano, esteve melhor, mais regular, mas nos momentos decisivos, falhou novamente. E logo com os Lagartos!!! Não contem comigo para a ladainha do Donner. Já chateia. O Benfica já venceu competições depois disso... Não sei se o treinador vai continuar, não me parece que seja o problema... Temos que ter um plantel mais equilibrado, falta-nos força na 1.ª linha, temos que ter rematadores de longa distância... além disso temos que ter mais um Pivot... No Campeonato as arbitragens condicionam muito, no Andebol os contactos são muito subjectivos, o Benfica este ano foi o melhor ataque e a melhor defesa no Campeonato, mas sempre que levamos com os irmãos Metralha Martins, ou com o Nicolau/Caçador a probabilidade da derrota aumenta exponencialmente. Tal como em outras modalidades, temos que ser muito melhores que os adversários, e não nos podemos dar ao luxo de ter jogos com falta de atitude. As lesões do Dario e do Álamo neste final de época não ajudaram... os problemas físicos do Pedroso, já são naturais!!! Surpresa, foi a renovação do contracto do Pedroso no início da época!!!

PS: A controvérsia com o Carneiro, durante a semana, foi mais um episódio parvo da história do Benfiquismo Online!!! Se o Carneiro às vezes peca, é por excesso de entusiasmo, agarrando-se demais à bola, ou discutindo demasiado com os árbitros, não é por causa do nosso Capitão que esta equipa às vezes demonstra falta de atitude...

FC Porto, a primeira sucursal do Benfica

"O fenómeno já me irritou, mas agora acho piada à coisa: os portistas não comemoram a vitória do FC Porto, comemoram a derrota do Benfica. E há aqui uma diferença. O FC Porto é uma irrelevância na minha relação com o Benfica. Eu comemoro as vitórias do Benfica, eu sinto alegria pelo Benfica, ponto final. Os portistas, porém, não têm esta relação com o FC Porto. Para se sentirem portistas, eles têm de odiar uma coisa exterior ao clube, o Benfica, Lisboa, os magrebinos, os mouros, etc. Ou seja, a agremiação nortenha não é auto-suficiente, não é grande o suficiente, precisa do meu Benfica. Naturalmente, eu só podia achar piada a este fenómeno que deveria interessar aos departamentos de antropologia. Porquê? Porque confirma a superioridade do Benfica. Para existir como adepto, o portista precisa do Benfica. O benfiquista só precisa do Benfica.
No dia-a-dia, eu não acompanho os jogos do FC Porto. Nem sei quando joga. Ao invés, cada portista é um especialista do Benfica. Sabem sempre quem está lesionado, quem é o árbitro do jogo do Glorioso e vêem os jogos do Benfica com mais intensidade do que os jogos do FC Porto. Naqueles corações em perpétua vingança, a derrota do Benfica é mais saborosa do que a vitória do FC Porto. Até apetece dizer que cada portista é um benfiquista em potência. É como se cada portista tivesse à espera do momento certo para fazer o seu coming out futebolístico, é pá, afinal eu sou benfiquista, ó paizinho, importa-se de passar o sal a um mouro? O portista é uma dependência emotiva do Glorioso.
E esta dependência chega a ser cómica. Estamos a falar de um clube que domina há uma geração (25 anos) o futebol português. Apesar deste domínio do tamanho dos Clérigos, a agremiação em causa mantém a mentalidade de cerco, a mentalidade do Asterix que vai desafiar o centro romano. Isto é um pouco ridículo, repito, porque passados 25 anos o centro do futebol português está no Norte e no FC Porto, em particular. O centro já não é o Benfica, que ganhou 4 títulos nos últimos 23 anos. Ao longo deste tempo, o FC Porto devia ter desenvolvido uma cultura autónoma, uma cultura de clube grande, uma cultura de Império do Meio que não precisa do "outro" para saber quem é. Mas de forma um pouco estranha isso não aconteceu. Porquê? A visão pequenina de Pinto da Costa não o permite: depois de tantos êxitos internos, depois de 2 Ligas dos Campeões e 2 Ligas Europa, o líder da agremiação diz que a sua maior alegria foi "vencer um campeonato na Luz". Ora, esta incapacidade do FC Porto para criar uma cultura sem a variável Benfica dá-me um certo conforto. Só ficarei preocupado quando descobrir portistas a comemorar as vitórias do FC Porto e não as derrotas do Benfica."

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Desilusão

"Há três semanas, sem exagero, poderia falar-se de uma temporada de fantasia, viva-se na antecâmara de três conquistas, algo que poderia traduzir-se numa das épocas mais conseguidas do historial centenário do Clube, seguramente a melhor das últimas décadas. De repente, contornos atrozes e cruéis à mistura, tudo se desmoronou. Foi um desaire? Foram dois desaires? Foram mesmo três desaires, situação tão anómala quanto imprevista.
Até Maio houve um grande Benfica, a melhor equipa nacional, capaz de se exibir de forma incisiva, convincente, sedutora mesmo. Em Portugal? Em Portugal e na Europa. Ainda assim, os jogadores capricharam (a final perdida da Liga Europa é um exemplo concludente), o técnico manteve um discurso optimista e foi inexcedível na preparação dos embates, o presidente e seus pares não se pouparam a esforços, os adeptos revelaram-se magníficos.
Frente ao Vitória de Guimarães, no Jamor, o colectivo titubeou. Como é possível não ter feito um único remate na metade complementar? Claro que o subconsciente dos atletas, amarrotado pelos mais recentes insucessos, teve influência no défice de discernimento, de convicção, de apego.
Ainda assim, esperava-se mais, muito mais, de um Benfica capaz de fechar o ano com um triunfo que não serviria para mitigar algumas frustrações, mas poderia devolver uma dose razoável de auto-estima ao universo rubro.
No rescaldo da derrota, debaixo de um clima emocional impróprio, ouviram-se considerações que não dignificam a grande instituição que somos. Muitos dos partidários de aplausos recentes enveredaram pelos assobios e até exigências desvairadas. Dir-se-á que são contingências naturais. Mas importa também que se diga que este é um Benfica de liderança forte, insusceptível de ser governado ao sabor dos acontecimentos por mais dolorosos que possam ser."

João Malheiro, in O Benfica

Tristeza e vergonha

"Esta  é das crónicas mais difíceis de escrever em toda a minha colaboração com A BOLA. Diziam os romanos que dos mortos só se fala quando se pode dizer bem. Ora que querem que diga do meu Benfica na final da Taça? Mal, muito mal ou péssimo? Exibição confrangedora que retira qualquer direito moral de censurar uma arbitragem miserável.
O Benfica não tem desculpas para a derrota na Taça de Portugal. Culpas próprias e várias. Recuso-me a negar a evidência. Saí envergonhado do Jamor. (todos os parabéns ao Vitória de Guimarães) Triste pelo resultado e envergonhado pela exibição.
Numa altura de catarse colectiva, saibamos encontrar a força (eu estou com dificuldade) de chegar ainda mais fortes ao início da próxima época. Tenho a angústia, que a época não comece amanhã. Escrever a história apenas com base num desaire é como adivinhar os números do euromilhões no dia seguinte. Mas como os versos de Pablo Neruda, o amor é um espinho de incertezas, e eu fui consolado à saída do Jamor por um miúdo de cerca de 12 anos, que, sentindo a minha tristeza, me abraçou espontaneamente e me disse cantando: «Devemos ser loucos da cabeça / Amamos o Benfica com certeza.» Não sei como se chama, temos até não o reconhecer se o voltar a ver, mas percebi que ele é como eu era aos 12 anos, e eu sou como ele será quando passar os 40, e ambos seremos como o avô que o segurava pela mão se chegarmos aos 70. Por isso, eu como ele, sabemos que só assim vale a pena viver esta paixão saudavelmente doentia. Por isso desconsidero quem esta semana me perguntou se estava tudo bem, e não esqueço quem esta semana me tratou da alma. Na vida detesto o mais ou menos e o tanto faz.
Parabéns ao basquetebol encarnado, que repetiu em Coimbra este ano, o título de campeão nacional que já tinha conseguido no Dragão no último ano."

Sílvio Cervan, in A Bola

Independentemente do vento

"Escrevo estas linhas num momento em que muitos muito discutem se o Benfica deve ou não alterar a liderança do seu futebol.
No mês passado “exigia-se” ao presidente do Benfica que renovasse com o treinador que nos conduzia a uma final da Liga Europa, uma final da Taça e a uma expectável vitória no Campeonato. O Campeonato foi-se num minuto 92 feito de azar e desconcentração. A Liga Europa foi-se num minuto 93 feito de injustiça e revolta. A Taça foi-se em 90 segundos de total absurdo competitivo por parte de alguns dos atletas que mais batalharam ao longo do ano. Ou seja, ficámos, amargamente, no frustrante “quase”. E de “quase” se têm feito muitos discursos de ‘especialistas’ em futebol e em construções de teorias absolutas em torno do momento relativo em que uma bola vai ao poste e, por um mero acaso, sai ou entra. De “quase” se têm feito as convicções de muitos dos que exigem agora que lhes tragam na bandeja a mesma cabeça que há uns dias se preparavam para coroar. Muitos procuram agora mitigar a sede de vitórias com o sangue de uma injusta vingança. Eu acredito hoje, terça-feira, nos mesmos em quem confiava no Domingo, antes da final da Taça. As convicções não mudam ao sabor do vento e as decisões de quem lidera os destinos do Benfica não podem mudar ao sabor dos insultos de circunstância de quem acredita que pode, pela ameaça, impor a sua vontade, feita de emoção, às decisões que se exigem racionais, frias e alheias a chinfrineiras.
Não sei, no momento em que escrevo estas linhas, qual será a decisão tomada relativamente ao futuro do treinador do Benfica, mas sei que, desde a final da Taça, não me saem da memória as seguintes palavras de Torga: «Queima-se ou crucifica-se primeiro o herói ou o santo, joga-se aos dados a sua túnica, e, quando dele não resta nem a sombra das cinzas, aparece um centurião qualquer a dizer: “Verdadeiramente este homem era filho de Deus”»."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Calma, precisa-se

"1. Como se não fossem suficientes as desilusões deste final de época, junte-se-lhe, domingo passado, nova derrota na Final da Taça de Portugal. Não era jogo que salvasse a época, mas seria um triunfo saboroso, capaz de amenizar desgostos anteriores. A época estava a ser óptima, a exibição em Amesterdão foi excelente, a sorte não esteve (nada mas mesma nada) connosco e acabámos por não ganhar nada.
Nesta hora, há que manter a calma e confiar em quem dirige o Clube. Só quem está lá dentro, perto da equipa, tem os dados todos para analisar o que falhou e tomar as decisões adequadas. Eu só tenho uma certeza: o Benfica não inferior ao FC Porto esta época e, mantendo esta linha de rumo, haveremos de ganhar muito.

2. Nem tudo têm sido tristezas, felizmente. A seguir ao Voleibol, já somos Campeões de Basquetebol. No Andebol e no Hóquei em Patins fomos segundos, bem perto dos títulos. E a nossa equipa de Atletismo foi 4.ª na Taça dos Clubes Campeões Europeus, repetindo o feito de 1983... há 30 anos!

3. O Benfica seria Campeão sem os erros graves de arbitragem. Quem o escreve é o Record, através da sua Liga da Verdade. No último jogo, em Paços de Ferreira, o FC Porto foi beneficiado numa grande penalidade e não lhe viria a ser assinalada uma outro na sua área. E, assim, chegou ao fim do Campeonato com saldo nulo, entre benefícios e prejuízos. Ao invés, o Benfica, segundo o Record, foi prejudicado nos jogos com Académica e Nacional e beneficiado frente ao Sporting, tendo um saldo final de dois pontos de prejuízo, que lhe teriam dado o título nacional. Uma curiosidade: o Sporting foi a equipa mais beneficiada ao longo do Campeonato (seis pontos!) e seria 9-º e não 7.º sem essas falhas de arbitragem. Mas quem os ouve...

4. Pinto da Costa foi reeleito presidente do FC Porto por (apenas) 1258 sócios (pelo menos, desta vez, divulgaram quantos votaram, o que nem sequer aconteceu na anterior eleição...), os quais lhe deram 99,13 por cento dos votos. Uma votação ao nível daquelas que se verificam em algumas 'democracias' tipo Coreia do Norte...

5. O Sporting foi mais uma vez enganado pelo FC Porto, que vendeu James e Moutinho por 70 milhões de euros. Os responsáveis do Sporting protestam mas depois esquecem, até serem novamente enganados. Tem sido sempre assim..."

Arons de Carvalho, in O Benfica

Foi apenas isso que mudou, a disposição

"Se a hesitação de Vieira é temer que Jesus vá para o Porto, então deixá-lo ir. A base de sustenção do próximo contracto tornar-se-ia fraquíssima e quase infame

TODA a arte nasce do sofrimento, ensinaram-me os melhores professores. O Benfica é uma obra de arte. E como acontece a qualquer obra de arte, também no Benfica há uma injustiça que o percorre.
Foi isso o melhor que consegui, confesso, e só 25 horas passadas sobre o desfecho da final da Taça de Portugal. Não deu para mais.
Ainda tentei de outro modo, enfim, mais genérico:
O Benfica é como a vida. A vida, por vezes...
Mas logo desisti. Sò ia piorar enveredando por um caminho retórico minado de alçapões.

MUITO sozinho se deve ter sentido Luís Filipe Vieira na tribuna do Jamor quando tudo acabou. Gabo-lhe, no entanto, o fair-play. Deve ter sido o único elemento da comitiva oficial benfiquista que não debandou antes do adversário erguer a taça.
A solidão de um presidente no momento da desgraça nem sequer é uma originalidade. Mas esta não-originalidade era perfeitamente escusada. Vieira tinha 6 milhões de almas com quem desabafar. E que o queriam ouvir. Precisavam de o ouvir, na verdade.

QUARTA-FEIRA, 16h27. À hora em que escrevo, a decisão sobre a continuidade de Jorge Jesus no Benfica prossegue por todo o país e em todas as cátedras. Já lá vão três dias depois da final da Taça. Diz-nos a imprensa que Jesus quer ficar e que Vieira hesita.
Se a hesitação de Vieira é temer que Jesus vá para o Porto se não ficar no Benfica, então deixá-lo ir. Porquê? Porque, assim sendo, terna-se fraquíssima e quase infame a base de sustentação do próximo contracto. E nem Jesus nem Vieira merecem uma anormalidade destas. Nem nós.

A temporada do Benfica acabou como começou, mal.
Começou mal em Dusseldorf com Luisão à peitada num árbitro perante a boa disposição geral da comitiva e acabou no Jamor, com Cardozo a crescer de dedo apontado para Jorge Jesus perante a má disposição geral. No fundo, foi apenas isso que mudou, a disposição.
Porque de resto, quer no principio quer no fim da época, o mesmo básico esteve sempre lá. Ou, provavelmente, nunca lá esteve.
Porque o básico, sendo o patamar mais fácil de atingir por qualquer organização, não existiu em Dusseldorf por cobro à galhofa nem existiu no Jamor, por exemplo, conduzir a equipa ao comportamento devido no momento da sagração dos adversários vencedores.
Os mais piegas dizem-me que enfermo de masoquismo. E que a equipa, pelo que jogou o ano todo, não merecia ser sujeita a uma derradeira provação. Não concordo. Na minha opinião, é preciso acabar com a pieguice no Benfica.

MUITOS parabéns ao bravo Vitória Sport Clube, digníssimo vencedor da Taça de Portugal.

DEPREENDE-SE que a origem do confronto final Cardozo-Jesus foi Melgarejo. Cardozo não terá gostado de ver o seu companheiro de fora do onze titular no Jamor e, no fim do jogo, acusou o treinador de ser o culpado pela derrota.
Mais uma vez, o problema do defesa-esquerdo a assombrar uma temporada na Luz. Entre o defesa-esquerdo adaptado André Almeida e o defesa-esquerdo-igualmente-adaptado Melgarejo, o treinador do Benfica optou pelo português que, em abono da verdade, não esteve particularmente feliz. Se acontece aos de raiz quanto mais não haveria de acontecer aos adaptados...

COM a legítima euforia de um ressuscitado, o presidente do FC Porto foi à RTP meter nojo assim que se apanhou campeão. Nada de espantar, maio foi-lhe milagroso até ao tutano. No espaço de vinte dias, entre 6 e 26, o Benfica perdeu o campeonato, a Liga Europa e, finalmente, a Taça de Portugal.
E, note-se bem, quando Pinto da Costa foi à RTP, ainda o Benfica não tinha conseguido perder a final do Jamor para o Vitória de Guimarães, no dia 26 deste mês do cargo. Faltava esse berloque final.
Mas, afinal, ressuscitado, porquê? O termo, ainda que em sentido figurado, poderá parecer excessivo mas, em boa verdade, o presidente do FC Porto estava morto para o objecto principal da sua actividade - o campeonato - até Paulo Baptista ter apitado para o fim do Benfica-Estoril, no dia 6 do mês que amanhã termina. O presidente do FC Porto entrou em processo de reanimação nesse preciso momento.
No dia 11 à noite no Dragão sofreu pioras profundas, quase letais, à vista de toda a gente. Foi salvo por uma questão de segundos. Um comentador da estação colombiana de televisão que transmitiu o Porto-Benfica da penúltima jornada da Liga portuguesa descreveria o ambiente no estádio nos minutos finais do jogo como o de «um cemitério». Era, de facto, a ideia que dava e muito compreensivelmente. Até Kelvin entrar em acção.
O presidente do FC Porto esteve, portanto, por duas vezes KO, das duas vezes ressuscitou e, agora, exprime-se com alegria de um ressuscitado. Não é legítimo que se sinta extraordinariamente feliz?

TUDO indica que a próxima temporada internacional arranca com menu de luxo, um frente-a-frente José Mourinho-Pep Guardiola. Em Agosto, a final da Supertaça europeia vai convocar para uma grande jogatana no Mónaco os dois treinadores mais mediáticos do mundo e que, ainda há pouco tempo, eram rivais em Espanha ao serviço, respectivamente, do Real Madrid e do Barcelona.
E se Mourinho regressar mesmo a Londres, como garante a imprensa, são mais do que muitas as emoções já antecipáveis para o Chelsea-Bayern de Munique deste verão. Guardiola tem por missão quase impossível não estragar o Bayern que lhe foi deixado, em estado impecável, por Jupp Heynckes. Mourinho não tem uma missão substancialmente menor. É a de não estragar a reputação que soube conquistar na sua primeira e inesquecível passagem por Stamford Bridge.
A principesca discussão entre os dois treinadores de que o mundo fala começa em agosto no Mónaco. Depois, espera-se que a discussão, mais ou menos principesca, continue pelo ano fora tendo por objecto a Liga dos Campeões, o santo graal do futebol europeu. O que se pode querer mais do futebol show business?

A propósito das contas da venda de João Moutinho ao Mónaco, o mais recente dos emblemas obscenamente novos-ricos e ao serviço de quem o melhor médio português da sua geração vai agora, teme-se, desperdiçar o seu talento, registou-se um ligeiro desentendido público entre o FC Porto, clube vendedor, e o Sporting, clube directamente interessado no bom sucesso da transacção.
São negócios entre os dois rivais do Benfica e não cabe à nossa gente pôr-se com opiniões sobre isto ou sobre aquilo, valores, percentagens ou seja lá o que for.
Mas, pensando melhor, o desentendido não foi assim tão ligeiro. Não deixa de ser assinalável a resposta com que Bruno Carvalho, o jovem presidente do Sporting, calou a prosápia do ressuscitado presidente do FC Porto depois deste se ter vangloriado em público dos altos valores por que vendera uma «maça podre».
«Fruta não é connosco, mas não somos bananas», disse Bruno de Carvalho olimpicamente.
E nunca mais se falou no assunto. Julgo ser a primeira vez que um presidente do Sporting dispara com a «fruta« na direcção do suposto rival nortenho. E já passou quase uma década sobre o Apito Dourado e sobre a divulgação das escutas que desnudaram o fulgor de todo um sistema operativo.
Por questões políticas, presume-se, o Sporting colocou-se sempre deliberada e institucionalmente à margem do dito Apito Dourado, dando a ideia de que olhava para a coisa - e que coisa! - como uma ignóbil disputa a dois, Benfica e Porto, abdicando até de tecer juízos morais o imenso folclore inerente ao processo.
Não será a mais infame das especulações daqui concluir que a questão política que afastou o Sporting do desprezível Benfica-Porto do Apito Dourado dos tribuais acabou por ter o seu peso nas questões mais práticas e palpáveis. Como, por exemplo, na questão desportiva. Nos últimos anos passados sobre o último conquistado, tem-se visto o Sporting a olhar para a discussão do campeonato da mesma forma que olhou para a discussão do Apito Dourado. Ou seja, de longe. De muito longe.
E por esta razão causaram espanto as declarações de Bruno Carvalho quando, pela primeira vez no seu ainda curto mandato se viu obrigado a responder a uma ironia do presidente do FC Porto. É que um presidente do Sporting a falar de «fruta» como remoque ao destinatário é coisa que nunca se tinha ouvido na última década do futebol português."

Leonor Pinhão, in A Bola

«...O Benfica de hoje decide em função do interesse do Clube..»

"Em primeiro lugar queria agradecer a vossa presença aqui hoje, porque ela representa um sinal de amizade, de reconhecimento, mas também um estímulo para o futuro.
Mas o estarem aqui - e não na Assembleia da República - significa que sabem exactamente para que serve e para o que não deve servir a Assembleia da República, e isso é algo que deve ser destacado para memória futura.
Estarem aqui significa que o futebol é transversal a toda a sociedade, mas que há fronteiras que devem ser respeitadas, e que quem não percebe isso faz mal à democracia portuguesa.
Esta não foi uma época de sonho, mas foi uma época que nos fez sonhar como há mais de 20 anos não o fazíamos.
É verdade que a tristeza destas últimas semanas é tanto maior quanto o caminho percorrido e as expectativas criadas durante os últimos meses, fruto do trabalho, da dedicação, do esforço dos profissionais desta casa.
Este Clube está habituado a viver na pressão, fruto da sua grandeza, da sua história, daquilo que representa para os portugueses. E o nosso estado de tristeza tem precisamente a ver com o facto de termos estado muito perto de concretizar uma época fantástica.
O que vos digo é que só a morte não se consegue ultrapassar, o resto podemos superar tudo.
Para o ano temos de repetir o que fizemos este ano e escrever, apenas, um final diferente. Temos condições para isso!
Tenho a serenidade de ter dado o melhor de mim a este Clube, a amargura de ainda não ter chegado onde quero chegar, mas a certeza que aquilo que falta para lá chegar é muito pouco.
Somos hoje, no ranking da UEFA, a sexta melhor equipa europeia. Demos nos últimos anos um enorme salto qualitativo e competitivo. Mas é evidente que quando não se ganha temos a tendência suicida de colocar tudo em causa.
A verdade é que se tivéssemos ganho haveria coisas que teríamos de corrigir, mas também é verdade que o facto de não termos ganho não significa que tudo está mal.
Vamos mudar aquilo que tivermos de mudar mas com ponderação, para não estragar tudo o que de bom conseguimos nos últimos anos. Não devemos ter medo das nossas convicções.
O Benfica é vivido, dentro e fora do Clube, durante 24 horas, 7 dias por semana. Os jornais escrevem uma coisa hoje, outra coisa totalmente diferente amanhã.
Escrevem o que julgam saber, o que não sabem e muitas vezes aquilo que gostariam de ver acontecer.
Mas o Benfica de hoje não é um Benfica que se deixe condicionar pela imprensa.
O Benfica de hoje decide em função do interesse do Clube, e em função daquilo que a sua Direcção e o seu Conselho de Administração entendem ser o melhor para o Benfica.
A única garantia que vos posso aqui deixar é que vamos manter o rumo e continuar a trabalhar com a mesma seriedade, o mesmo rigor e a mesma paixão que nos trouxe até aqui.
E para aqueles que só aparecem nas horas más a criticar sem nunca ajudar a construir, os benfiquistas sabem o carácter e as razões que os movem."

O luto

"Vencedores hoje, derrotados amanhã; um dia, muito convencidos de nós mesmos, no dia seguinte: o luto é um sentimento que, tarde ou cedo, todos temos de saber carregar um dia. (Contando que, pelo menos, seja com a mesma dignidade com que celebramos a alegria.)
Recomenda a prudência que, sobretudo nos momentos mais felizes, nos quais a sobranceria quanto a capacidades próprias nos chega a transportar até à dimensão da divina omnipotência, bom seria que nunca deixássemos de manter devidamente arrumado numa das gavetas do cérebro, algum capital de sensatez - essa medida imensurável, embora precisa e determinante - que afinal, nos torna mais seguros, ante as imprevisibilidades do destino.
Dizem os cépticos que, mesmo na aparente circunstância de uma 'felicidade plena', a mera alegria das curtas vitórias - tantas vezes confundida pelos palermas, com a arrogância, a soberba vaidade, ou um falso sentido da sua própria proporção - é, certamente, um bem precário que não augura nada de bom...
Quando menos se espera, saem-nos pela frente outros difíceis e decisivos desafios.
Desses, em que todas as nossas verdadeiras capacidades e todos os nossos autênticos limites, têm então, de ser postos à prova. Para os ganharmos. E não para nos defendermos apenas a nós próprios.
Em todo o caso, um qualquer, pode optar por viver sem a consciência presente do que, um dia, o luto lhe possa inesperadamente bater à porta.
Num ambiente de competição, podemos até imaginar-nos mais fortes ou mesmo imunes, superiores a todo o sentimento de perda, de vergonha ou dor. Mas um dia, na enganadora arrogância de meras convicções não suficientemente sustentadas, sem que o esperemos, o luto abate-se sobre nós. Implacavelmente.
Hoje incrédulos, chorosos. Até de joelhos no chão e sem pudor. No dia seguinte, porventura ganhadores e campeões. Mas para isso é muito importante que se saiba curtir o luto. O nojo. A tristeza sincera. O que não são sentimentos vãos, apenas mais ou menos vivenciados.
É que o verdadeiro luto cavado é muito útil.
Mas só servirá alguma coisa, se resultar numa sincera reflexão interior sobre o que passámos, sobre o que vivemos. Como vivemos o tempo que passou, ou de que modo passámos o tempo. Umas vezes sozinhos e muitas vezes com os outros.
E nós nunca estamos sós nesta labuta. Quantas vezes não dependemos dos outros que nos cercam, dos outros que dependem de nós, dos outros que correm por nós, dos outros que nos garantem o pão (e as extravagâncias) do dia a dia?
Desse luto obrigatório que nos chama à humilde reflexão interior, até à glória desejada, só vai um passo. Mas que ninguém tenha ilusões: trata-se de um pequeno passo de gigante que só homens grandes, um dia, podem dar."

José Nuno Martins, in O Benfica

A frio

"Na ressaca de três semanas terríveis para o Futebol Benfiquista, confesso que me é difícil expressar uma opinião que fuja à ligeireza para a qual a emoção nos remete. É assim o Futebol, com a sua magia. E são assim os adeptos que, como eu, sofrem apaixonadamente pelo seu Clube.
Importa, neste caso, tentar estabelecer uma barreira clara entre a tristeza - comum a todos os benfiquistas, e perfeitamente natural face aos frustrantes resultados alcançados neste mês de Maio -, e o realismo com que devo ser analisado trabalho desenvolvido ao longo de toda a época.
O Benfica 2012/13 fez-nos sonhar. Fez-nos sonhar muito alto. Porém, devido a uma impressionante série de infelicidades, e devido, também, a alguns erros próprios e alheios, acabou sem os troféus que a qualidade do seu jogo justificava.
Se, na partida do Dragão, o pontapé de um tal Kelvin tem batido no poste, mais taça menos taça estaríamos agora em festa, e ninguém ousaria contestar os méritos daqueles que tudo fizeram para vencer. É preciso não esquecer, também, que não chegávamos a uma Final europeia havia 23 anos, e não íamos ao Jamor havia oito.
Somos cabeças-de-série na próxima Liga dos Campeões, e praticámos, amiúde, um futebol de altíssima qualidade, elogiado por todos, dentro e fora de fronteiras.
É muito ténue, pois, a fronteira que separa os vencedores dos vencidos. É essa fronteira que atribuiu a glória a uns, deixando outros mergulhados no desalento. Não pode, todavia, ser esse exíguo fio a definir méritos e capacidades daqueles que trabalham para o sucesso, naquilo que, sendo um espectáculo, sendo um Desporto, é também - e muitas vezes, principalmente - um simples jogo.
A crise que afecta muitos portugueses, e por consequência, muitos benfiquistas, deixa os ânimos mais quentes, e leva a atitudes nem sempre ponderadas. Infelizmente, também é normal que assim seja. Cabe a quem decide triar todas essas pressões, separar o trigo do joio, e pensar friamente no futuro, e em qual a melhor forma de o preparar."

Luís Fialho, in O Benfica