Últimas indefectivações

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Comunicado 🔴⚪


"“O Sport Lisboa e Benfica esclarece que em nenhum momento o Presidente do Clube, Rui Costa, proferiu as palavras que estão a ser divulgadas em Itália pela DAZN.
O Sport Lisboa e Benfica reitera a intenção de contar com o jogador Enzo Fernández até ao final da temporada”.
É desta forma que, no site oficial do SL Benfica fica desmentido a informação de que Enzo Fernandez estaria de saída do clube. O comunicado do SL Benfica obrigou já a um desmentido por parte da DAZN Itália."

𝗔 𝗺𝗶𝘀𝘀𝗮̃𝗼 𝗱𝗼 𝗕𝗲𝗻𝗳𝗶𝗰𝗮 𝗲́ 𝘃𝗲𝗻𝗰𝗲𝗿.


"Quando, no verão, o Benfica pagou 10 milhões de euros ao River Plate por Enzo Fernández, mais oito em variáveis, correndo o risco de apenas poder contar com o jogador quando a sua equipa fosse eliminada da Taça Libertadores, houve quem questionasse a sua contratação.
A resposta do jogador foi imediata, assumindo uma preponderância gigantesca na dinâmica de jogo da equipa de Roger Schmidt. Volvidos apenas 5 meses, Enzo Fernández ganhou créditos pela Europa fora - e com o título de Campeão do Mundo pela Argentina e com o prémio Melhor Jogador Jovem do Campeonato do Mundo no bolso, já ninguém questiona a sua contratação nem duvida das mais-valias, desportiva e financeira, que o jogador irá proporcionar ao Benfica. Comprar por 18 milhões e, passados 6 ou 12 meses, ter a oportunidade de alienar o passe do jogador pelos valores astronómicos que têm vindo a ser veiculados na imprensa, que ascendem os 100 milhões de euros, só está ao alcance de um clube bem estruturado e com uma excelente gestão financeira, como é o Benfica.
Ainda assim, a intenção esbarrou na intransigência da direção liderada por Rui Costa, que só admite saídas em janeiro pelo valor da cláusula de rescisão. Uma decisão arrojada, apenas possível devido à forte solidez económica e financeira da Benfica SAD, que está empenhada numa gestão criteriosa dos seus ativos com o propósito de garantir títulos e vitórias desportivas.
A missão do Benfica é vencer. E Rui Costa mantém-se firme com a promessa feita aos sócios no início da época: «Este é o projeto desportivo, não financeiro». Se o Enzo Fernández sair do Benfica - e tudo indica que isso irá acontecer -, os responsáveis do Clube saberão colmatar convenientemente a sua saída. Confiança total e absoluta nesta Direção e equipa técnica.

𝗣𝗼𝘀𝘁 𝗦𝗰𝗿𝗶𝗽𝘁𝘂𝗺 - Relembramos que outros, a quem se elogia sobremaneira quaisquer atos de gestão, vendem os melhores ativos à pressa, por 45 milhões de euros, entre os quartos e as meias finais da Liga dos Campeões, porque o dinheiro faz falta para pagar o ordenado aos Taremis da vida. É assim. Cada um vive como pode."

Modalidades #110 - Semanada...

BI: Antevisão...

5 minutos: Antevisão...

Águia: Diário...

Futebolês - A*


"“Assistência” deixou de ser público

Sou do tempo em que “Assistência” era o número de pessoas que assistiam ao jogo. Em 1986, na 3.ª Edição do “Dicionário do Futebol” da Revista Placar, esta palavra ainda não constava com o sentido actual.
No final das crónicas de imprensa, que incorporavam o que a inovadora ‘Gazeta dos Desportos’ veio a destacar como “ficha”, havia um pequeno parágrafo que rezava assim:
- Assistência: Numerosa. Ou Assistência: Regular. Ou Assistência: Fraca.
Até aos anos 80, o rigor das informações da imprensa desportiva era muito baixo e absolutamente avesso a quantificações, medições ou comparações. Tudo era feito a olhómetro e dava-se muito mais importância à qualidade da escrita do que à exactidão dos factos.
Durante anos tentei refazer as estatísticas possíveis do futebol português “antes de mim” e esbarrei sempre nessa inexactidão das descrições. Ora falta um jogador no onze, ora os nomes surgem alterados, ora as incongruências são gritantes e deixam os investigadores na ignorância para sempre.
Portanto, até aos anos 90 do século passado, ninguém em seu perfeito juízo usaria o termo “assistência” para se referir a um passe para golo. Até Bobby Robson, que era inglês, o invocava como “pass precise”, porque o “assist” não existia no seu vocabulário de ex-jogador e treinador sexagenário.
Até que a linguagem do basquetebol norte-americano entrou nas nossas vidas com as transmissões da NBA e, em particular, nas dos estudantes de educação física e do treino que, literalmente, vieram a dar a volta ao texto futebolístico tradicional já no século XXI.
“Assist” no inglês americano é o último passe antes do cesto, embora com uma enorme carga subjectiva, sendo contabilizadas, nessas décadas do século passado, conforme a atenção e a vontade das mesas de juízes em diferentes pavilhões, porque ela era creditada ao jogador que tivesse tocado a bola antes do “shot”, independentemente de ter sido intencional ou não.
Quando entrou no futebol, nos anos da expansão televisiva nacional e europeia, houve quem lhe resistisse durante algum tempo, mas realmente a redução do complexo “passe para golo” para uma palavra única acabou passando de estranhado a entranhado. Porém, idêntica carga subjectiva também foi adiando durante anos a sua adopção pelos regulamentos dos “Fantasy Games”, antes de universalmente reconhecida e com chancela oficial.
No último Mundial, já ouvi falar em “pré-assistência”, o que nos leva para uma dimensão histriónica do linguajar futebolístico, completamente anacrónico para um jogo de erros, ressaltos, desvios e simulações sem bola, como é o futebol. A tal ponto, que nos primeiros vinte anos os números variavam consoante os meios de comunicação, obrigando as Ligas e Federações a chamarem a elas a responsabilidade final, por vezes em incompreensível choque com o que os nossos olhos viam.
Em todo o caso, o número de “assistências” veio valorizar estatisticamente uma classe de jogadores cuja actividade determinante em campo passava ao lado dos alfanuméricos da análise futebolística: deixou de haver os que se mediam apenas pelos comentários dos analistas, os construtores de jogo, e os que se valorizavam pelos números concretos dos golos marcados.

* Inicio aqui um A a Z sobre a linguagem e semântica do Futebol, palavras e expressões que caíram em desuso e novos vocábulos e significados do léxico futebolístico.

Amanhã: B de Basculação"

A Verdade do Tadeia #713 - FC Porto reabre a golear

29 de Dezembro


- Taça Limburgse Handbal Dagen...

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Regresso às vitórias...

CAB Madeira 78 - 107 Benfica
19-26, 16-24, 22-31, 21-26

Vitória esperada, com muitos minutos aos menos utilizados...

Os 5 melhores médios defensivos da história do SL Benfica


"Quando se fala em históricos, fala-se de jogadores que fizeram do SL Benfica o clube que ele é, independemente da época temporal que passaram pelo mesmo. Jogadores que conquistaram títulos, que honraram a camisola que vestiram e que foram não só capazes de dominar a posição em que melhor sabiam jogar, como também conquistar o coração dos adeptos que tanto os apoiaram.
O futebol sendo um desporto em constante mudança, faz com que ao longo do tempo certos aspetos, a nível tático principalmente, para além de mudar evoluam também. Um desses aspetos é o papel daquele que é chamado de médio defensivo. Salvo isto, olhando para diferentes características de jogo e diferentes épocas de atuação, vamos eleger os 5 melhores médios defensivos que representaram o Sport Lisboa e Benfica.

5- Javi García
Atual membro da equipa técnica dos encarnados, Javi García chegou a Lisboa em 2009 proveniente do Real Madrid CF para jogar pelas águias, na altura, comandadas por Jorge Jesus.
Um médio defensivo representativo da modernidade do futebol atual, exerceu um papel verdadeiramente fulcral nas três épocas que representou o Benfica. Muito forte a nível defensivo, garantia a segurança do meio-campo encarnado e as costas dos médios criativos como Aimar, Gaitán e até Enzo Pérez. Numa equipa tão forte ofensivamente, o médio espanhol dava o equilíbrio perfeito à equipa na tarefa defensiva, e ajudava na construção do jogo nas manobras de ataque. Nos três anos que vestiu as cores do Benfica, Javi realizou 122 jogos e somou 19 golos e assistências. Sagrou-se campeão nacional por uma vez e venceu por três vezes a Taça da Liga.
Um dos jogadores estrangeiros que provou sentir verdadeiramente o clube e que neste momento, com o seu papel, é capaz de transmitir isso a uma nova geração de jogadores benfiquistas.

4- Ljubomir Fejsa
Difícil de pronunciar, fácil de reconhecer.
Há quem diga que o seu nome é sinonimo de títulos, tendo em conta que foram 13 os títulos conquistados pelo Benfica enquanto o médio sérvio atuou pelas águias. O antigo número 5 dos encarnados chegou à Luz em 2013 como suplente de outro grande médio sérvio, mas após a sua saída conseguiu conquistar espaço e dominou por completo o meio-campo de águia ao peito. Viveu os mais recentes anos de glória do Benfica e teve sempre um papel preponderante na conquista dos triunfos nacionais. Por conta das lesões não teve o melhor desfecho possível enquanto jogador dos encarnados, mas saiu do clube com 171 jogos realizados e um sentimento de gratidão enorme dos adeptos para com ele.
Foram seis anos fascinantes vividos pelo Benfica e o sérvio será sempre lembrado como um dos jogadores mais preponderantes desse período histórico.

3- Nemanja Matic
Por falar em grandes médios sérvios, aquele que igualmente ninguém esquece.
Matic chegou à Luz pelas mãos de Jorge Jesus em 2011 como um médio de natureza mais ofensiva, mas foi mais recuado no meio-campo que fez e continua a fazer a sua grande carreira. Apesar de maioritariamente considerado um médio defensivo, o sérvio exercia um papel preponderante em qualquer posição do meio-campo devido à sua polivalência. A verdadeira definição daquilo que é um médio completo, capaz de se adaptar a vários tipos de jogo, mantendo sempre a mesma categórica classe que nos habituou. Inteligente, técnico e forte fisicamente. Representou as águias entre 2011 e 2014, onde se sagrou campeão por uma vez das três principais competições nacionais.
Para a história fica também o seu fantástico golo frente ao Futebol Clube do Porto que lhe valeu o segundo lugar no Prémio Puskas.

2 - Shéu Han
Sr. Shéu, chegou em 1971 de Moçambique e desde então tem dedicado quase por inteiro toda a sua vida ao Benfica. Simboliza todos aqueles jogadores e pessoas que fizeram de um clube a própria essência, sem nunca fazer mais nada que não defender as cores do mesmo. 18 anos como jogador e muitos mais como dirigente representam toda a história e a importância que pessoas como esta têm na identidade de uma instituição tão grande como é um clube de futebol.
Nove campeonatos nacionais, seis Taças de Portugal e duas Supertaças somados em 489 jogos fazem de Shéu um dos melhores médios de sempre a atuar pelo Benfica. Em alturas diferentes, as características de jogo diferiam de igual forma, mas a verdade é que consistência exercida durante tantos anos, em tantas glórias, confirmam com toda a certeza este lugar e a grande carreira do Sr. Shéu Han.

1 -Toni
António José Conceição Oliveira, mais conhecido por “Toni” somente, representa tal como Shéu a definição daquilo que é um jogador histórico.
A única pessoa que alcançou o feito de se tornar campeão enquanto jogador e posteriormente como treinador no Benfica, sente o clube como nenhum outro. O ex-médio dos encarnados envergou a camisola das águias por 393 vezes onde marcou 24 golos e conquistou oito campeonatos nacionais, cinco Taças de Portugal e uma Supertaça. Representava tudo aquilo que um clube devia representar: compromisso, paixão, honra e crença por um único símbolo. A braçadeira de capitão pertencia-lhe com todo o sentido pois, Toni, era verdadeiramente o comandante da equipa pela qual lutava e defendia com tanta compaixão.
Marcou jogos, equipas, gerações e um clube com todo o seu talento, e é por isso então, o melhor médio defensivo da história do Sport Lisboa e Benfica."

Visão: Sinal - O Regresso e logo com o tema Enzo Fernandez!

O Cantinho Benfiquista #123 - Acabar 2022 Em Grande!

A Verdade do Tadeia #712 - Recomeça a corrida

Enzo, Enzo e mais Enzo.


"O circo das transferências começou mais cedo neste mercado de inverno. Ponto prévio: ninguém está acima do Sport Lisboa e Benfica. Se o jogador quer ir embora, que vá. E se realmente existem propostas de 130 milhões de euros, uma hipotética venda vai diretamente para o top 5 de sempre a nível mundial.
Até há 15 dias, ninguém acreditava que alguém pudesse bater 120 milhões de euros pelo jogador. Alguns diziam, inclusive, que jogadores na posição dele valiam no máximo 80 milhões. Agora, os mesmos insultam Rui Costa e dizem que nem por 130 milhões deveria deixar sair o jogador. Já toda a gente conhece o deboche. Existe quem esteja sempre de mira apontada preparado para meter a cabeça de fora e criticar tudo o que puder nos momentos mais ou menos inoportunos, esquecendo tudo o que se disse para trás. Interessa é falar mal, depreciar, insultar e cuspir no clube. No alto do pedantismo que lhes é característico, acham-se mais benfiquistas que os restantes adeptos e sentem-se superiores aos demais.
Ninguém é superior a ninguém. Se existem realmente propostas excedentes ao valor da cláusula de rescisão, é fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para segurar o jogador, convencendo-o de todas as formas possíveis. Se o jogador for intransigente na sua vontade, é deixá-lo partir e ir buscar 4 ou 5 bons jogadores com o dinheiro da venda.
Os jogadores vão e vêm, mas o Benfica prevalece. Com ou sem Enzo, existe certamente um plano desportivo em marcha que contempla hipotéticas saídas ou lesões que possam surgir ao longo da época.
Nada do que foi construído até aqui ficou sem efeito. Todo o trajeto será certamente seguido à risca com o único propósito de conquistar o maior número de títulos possível.
E pluribus unum."

Falar Benfica #95

Bigodes: Benitez...

Futebol na América


"Terminado o Campeonato do Mundo, a edição de 2026 começa lentamente a entrar na agenda. Coorganizado por Canadá, EUA e México, poderá ser decisivo numa hipotética deslocalização ou dispersão do patamar cimeiro do futebol.
Polémico desde a atribuição, o Qatar 2022 teve enorme sucesso. O que não surpreende. O futebol tem a capacidade de se imunizar contra o que lhe pode ser prejudicial, sobejando exemplos da prevalência dos sentimentos de pertença e da emoção dos adeptos em detrimento de valores que, em abstrato, quase todos advogam.
Houve estádios cheios, bons jogos, a melhor final de sempre, desempenhos interessantes de seleções asiáticas e africanas, a coroação definitiva do melhor jogador da era, Messi, e a afirmação inequívoca do legítimo herdeiro, Mbappé. Em futebolês, foi um mundial histórico.
E teve uma notoriedade impressionante nos EUA. Biden felicitou a Argentina, os profissionais dos desportos americanos desmultiplicaram-se em tweets sobre a final e os media desportivos atribuíram uma relevância ao certame nunca vista. A meca do consumo e do investimento publicitário já não ignora por completo o futebol.
Destaco seis razões: é o desporto, nos EUA, com mais praticantes a nível organizado (sobretudo devido às raparigas); o impacto da seleção feminina; o número crescente de investidores americanos no futebol europeu; desenvolvimento sustentado da MLS (12 clubes e média acima de 20 mil espectadores); o peso dos hispânicos na população; e o nível elevadíssimo de investimento publicitário no mundial por marcas globais, que obriga a que chegue também ao consumidor americano.
O mundial de 1994 foi uma tentativa precoce de fomentar o futebol nos EUA, mas não será o caso em 2026. O soccer deixou de ser uma bizarria de europeus e sul-americanos. Ao contrário, são cada vez mais os americanos que abraçam o jogo bonito. E com um mundial à porta no seu país, a tendência é que o crescimento seja ainda mais significativo..."

28 de Dezembro


terça-feira, 27 de dezembro de 2022

Os Campeões do Mundo estão de volta 🔴⚪🦅


Um novo ano com mais Benfica

Águia: Diário...

27 de Decembro


Um título sobre vidros


"Numa partida disputada num clima de enorme tensão, o Benfica ficou próximo de se sagrar bicampeão nacional

Em 1967, o hóquei em patins português teve como novidade o formato do Campeonato Nacional, com a fase final a ser disputada pelo vencedor da metrópole, de Angola e de Moçambique, tendo lugar em Lourenço Marques.
O Benfica, a realizar uma temporada excepcional, em que conquistou o Campeonato Regional com 11 pontos de vantagem e o Metropolitano de forma invicta, apresentava-se como um dos principais candidatos ao título. No entanto, a tarefa não se apresentava fácil, por ter como oponentes clubes reputados como o Malhangalene, o Ferroviário, campeão moçambicano, e o Moçâmedes, campeão angolano.
A recepção aos encarnados surpreendeu, 'contrariamente ao que a princípio se poderia supor, a nossa equipa esteve bem apoiada pelo público (...) desde os gritos de incitamento, os seus cartazes e até uma águia viva, tudo isto influiu decisivamente no espírito dos nossos jogadores'. O apoio gerou mal-estar entre alguns jogadores locais, como Fernando Adrião, do Malhangalene, que 'tentou posteriormente um golpe psicológico, ao vir publicamente declarar que a sua equipa fora insultada, no ano transacto, pelo público do Benfica em Lisboa'.
Ao longo da prova, a rivalidade entre as duas equipas foi-se exacerbando. Na penúltima jornada, em igualdade pontual e a ocuparem as duas primeiras posições da tabela classificativa, o conjunto moçambicano assumiu uma postura agressiva desde início, o que desagradou o público. Fernando Adrião foi dos visados, sendo 'repetidas vezes apupado pelo seu público pela violência com que mancha a sua grande classe'. Mas o pior ainda estava por surgir. Arremessada uma garrafa para o rinque, 'José Adrião transformou-a em cacos (...) e fim de dificultar a limpeza do recinto', o que levou a que o jogo estivesse interrompido durante cerca de vinte minutos. Reatada a partida, os benfiquistas demonstraram estar à altura de qualquer acontecimento, 'foram uns verdadeiros gigantes, desbaratando por completo Adrião & Companhia'. Ganharam por 4-1, e ficaram a apenas um ponto do título.
Com a conquista tão próxima, na noite anterior à última jornada frente ao Ferroviário houve jogadores que não aguentaram a ansiedade. Livramento, apesar de habituado a jogar encontros decisivos, 'não pregou olho nem se alimentou, pois a derrota implicaria uma finalíssima contra a turma de Fernando Adrião'. Os encarnados controlaram o encontro e garantiram a renovação do título nacional.
Saiba mais sobre esta época de sucesso do hóquei em patins encarnada na área 3 - Orgulho Eclético do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Parece pressa, mas não é


"1. Desde domingo tem o Benfica entre os seus quadros mais dois atletas campeões do mundo. Chama-se Nicolas Otamendi e Enzo Fernández. Parabéns aos dois. E parabéns para outros dois. Pablo Aimar e Angel Di Maria, o treinador adjunto e o jogador da selecção argentina, que escreveram também a sua História no Benfica e que nos, deixaram as melhores e mais gratas memórias.

2. Otamendi e Enzo vão regressar ao Benfica coroados com o título impressionante de campeões do mundo. Os seus colegas saberão, certamente recebê-los de maneira condigna quando voltarem a entrar no balneário do Seixal.

3. E não faltará quem lhe explique - como se eles precisassem de explicações... - que têm agora pela frente muitas coisas impressionantes para conquistar de águia ao peito.

4. Partiu o Manuel Arons de Carvalho. Foi atleta do Benfica, foi colaborador deste jornal, foi também jornalista do 'Record' e um qualificadíssimo apaixonado pelo atletismo. Mas foi, sobretudo, um defensor dos mais altos valores desportivos e sociais que presidem ao Sport Lisboa e Benfica desde a hora da sua fundação o que lhe valeu, estranhamente, algumas incompreensões que nesta hora, a hora triste da sua partida, se dissipam por força da sua razão de sempre e do belo legado que nos deixou.

5. Começamos por falar dos novos campeões do mundo que temos na Luz. Os 'velhos' campeões do mundo que temos connosco são Pablo Pichardo, campeão do mundo do triplo salto, Nicolia, Alvarez e Ordoñez, campeões do mundo de hóquei em patins e, finalmente, o fenómeno Diogo Ribeiro, o nosso júnior campeão do mundo de natação nos 100 metros mariposa. Que ano de 2022 tivemos na nossa casa!

6. Feliz Natal, Benfica! Feliz Natal, benfiquistas! Na próxima semana, de acordo com o calendário, é a ocasião para desejarmos um bom Ano Novo uns aos outros. Perdoem-me toda esta antecipação que parece pressa, mas não é. É apenas vontade que 2023 nos traga tudo aquilo que ambicionamos para o nosso clube. Crescimento, alegria, união, estabilidade, vitórias, títulos e concentração em tudo aquilo que é verdadeiramente importante e que nos define, que sempre nos definiu. Uma identidade popular, combativa, solidária, ganhadora e empolgante. Não é isto o Benfica? Claro que é.

7. No entanto, voltando ao tema do calendário, agora o calendário desportivo, mesmo no finzinho de 2022 temos um compromisso na agenda. Uma deslocação ao campo do Sporting Clube de Braga. Um desafio que vale três pontos. Apenas isso, três pontos para um final de ano feliz e mais do que merecido."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Manuel Arons de Carvalho


"Todos temos referências que nos influenciam de alguma forma. O Sport Lisboa e Benfica, pela paixão que desperta em milhões de adeptos, é uma força aglutinadora notável, possibilitando-nos o conhecimento de inúmeras pessoas, as quais, pelo exemplo, moldam a nossa extraordinária experiência que é vivermos e sentirmos o clube. Para mim, o Manuel Arons de Carvalho foi um desses benfiquistas.
Desde muito novo que leio as publicações relacionadas com o Benfica e logo me apercebi da existência do Arons. Foi,  a determinada altura, o benfiquista de serviço nas grandes entrevistas do jornal O Benfica, além de estar indelevelmente associado à revista Benfica Ilustrado. Acrescia o facto do meu pai conhecê-lo desde os tempos do Liceu, o que me conferiu uma certa familiaridade, embora distante, com ele no início da minha adolescência. Terão sido raras as vezes em que interagimos nesses tempos, mas sabia quem era e tinha o selo de qualidade de ser alguém apreciado pelo meu pai.
Muitos anos mais tarde, em particular desde que fui autor de livros sobre o Benfica e iniciei a minha colaboração com o jornal enquanto cronista (esta é a minha 388.ª crónica), passei a ter algum contacto regular com o Manuel Arons de Carvalho. Auxiliou-me várias vezes ao partilhar a sua cultura e dele recebi vários emails elogiosos em relação às minhas crônicas, artigos e livros, sendo que a todos reagi agradecido, com muita satisfação e redobrado orgulho.
É que o Manuel Arons de Carvalho, além de ser um fervoroso benfiquista, foi também, no meu caso de tantos outros que se empenham em conhecer a história do Glorioso, uma inspiração e um exemplo.
A defesa acérrima do Benfica foi uma das suas caraterísticas mais conhecidas; a faceta de historiador rigoroso do atletismo reservada aos mais atentos. E foi um dos que me alertou para algumas trapalhadas de federações e comunicação social relacionadas com a história do desporto português, nomeadamente relativas ao Benfica, respeitando sempre a minha opinião, mesmo quando, em raras ocasiões, divergiu da sua, nesses casos insistindo pacientemente nos seus pontos de vista ou aceitando os meus argumentos quando bem sustentados.
O Manuel Arons de Carvalho foi um indefectível benfiquista com superior cultura desportiva, um dos que estimulou o meu gosto pela história do Benfica e com quem muito aprendi e tive a honra e o privilégio de trocar opiniões. Não o esquecerei!"

João Tomaz, in O Benfica

Tango e Fado


"Há uma nuvem de desgraça e melancolia que paira sobre os dois géneros musicais mais representativos da Argentina e de Portugal. É como um fascínio pela mágoa e pela saudade, uma ode feita de acordeão, contrabaixo ou guitarra portuguesa, com vozes que saem da alma e letras que falam de cada um de nós. Tango e Fado oscilam entra a euforia e a desgraça, marcados por heróis destes e de outros tempos, como se de futebol se tratasse. Carlos Gardel, Diego Maradona, Astor Piazzolla e Lionel Messi, de azul celeste. Amália Rodrigues, Eusébio, Carlos do Carmo e Cristiano Ronaldo vestindo de vermelho e verde.
Quando Kyliam Mbappé empatou a final do Campeonato do Mundo em apenas dois minutos, parecia assistir-se a um arrastar dos corpos argentinos em direção ao abismo. Como as quatro pernas que se entrelaçam no tango, quasse a contrariar as leis da gravidade No final, com prolongamento e grandes penalidades, tocou-se o último acorde de uma história que se fosse escrita pareceria irreal.
Já o fado do futebol português, foi mais vadio do que trágico. Engalanou-se a preceito, meteu o peito para fora, fechou os olhos e jogou a cabeça para trás, sacando aplausos aos silenciosos convidados de uma casa de fados mal afamada, num bairro alto em contradições que se chama Catar. Infelizmente, nos quartos-de-final, o nosso fado-futebol meteu as mãos nos bolsos e gingou, mas desta vez ao sim do alaúde árabe.
Vibrei muito com esta vitória da Argentina, por razões familiares e pela história se superação e de glória, mas à semelhança do que sinto pelo Sport Lisboa e Benfica, não o fiz contra ninguém. Aprecio tanto Messi como Cristiano, sou um felizardo por ter testemunhado este duelo épico entre jogadores. Não os consigo classificar um perante o outro, qual o melhor e o pior, tal como com o Tango e o Fado. Falam do mesmo, fazem sentir o mesmo, com sons, letras e vozes diferentes de superação e desgraça, mas no final, cada um faz arrepiar a pele da mesma forma.
Obrigado, Otamendi, Enzo, Di Maria e Pablito Aimar, que concerto inesquecível."

Ricardo Santos, in O Benfica

Bancadolândia - Vitamina M


"Se a estatística fosse justiceira no futebol, o Benfica teria vencido em Moreira de Cónegos, por números claros, na 3.ª e última jornada da fase de grupos da Taça da Liga e, com esse resultado favorável, entrado nos quartos de final da competição. Não foi assim que aconteceu... bola para a frente e foco, que a temporada prossegue em Braga, no dia 30 de Dezembro, com o regresso das contas da Liga Bwin.
Noutra latitude, com dois benfiquistas em campo, a definição de vencedor e de vencido foi desembrulhada no desempate por pontapés de penálti, e (aqui, sim) da marca dos 11 metros fez-se justiça, com a Argentina a celebrar a conquista do Campeonato do Mundo 2022. Do maior torneio de seleções do planeta, o Benfica pode extrair, aproveitar e potenciar a moralização e valorização do seu capitão Nicolás Otamendi e também de Enzo Fernández, que - sem espanto para quem, por estas bandas, tem o prazer de observar e de avaliar este diferenciado e fabuloso médio todas as semanas - recebeu o prémio de Melhor Jogador Jovem do Mundial.
Com a camisola alviceleste, Otamendi e Enzo levaram o Benfica para o Campeonato do Mundo e, ali, souberam dar a melhor e esperada sequência aos excelentes desempenhos acumulados de águia ao peito no primeiro (quase) semestre da época. Totalista na prova, o defesa-central foi um pilar tremendo, um patrão de mão-cheia numa seleção que teve o mérito de identificar lacunas e de se afinar e fortalecer em andamento. E Enzo, como se perspectivava, depressa se cristalizou no naipe dourado argentino, pela qualidade com que cunha qualquer tarefa, da mais simples à mais complexa.
Erguido o troféu, desfrutada a mil por cento uma conquista de elite, será tempo de Otamendi e de Enzo trazerem a Argentina para o Benfica, isto é, de se reincorporarem no plantel e de agregaram energia positiva, mentalidade de campeão, sangue e suor de sucesso. Recomeçando no ponto em que estavam antes do Mundial, há um Campeonato para ganhar!
(...)"

João Sanches, in O Benfica

Desilução, mas...


"Não contem comigo para desvalorizar a Taça da Liga. Não o fiz quando a vencemos, não o faço quando perdemos. Trata-se de uma competição jovem, que precisa de ser acarinhada por todo o país futebolístico - coisa que nem sempre aconteceu. Está hierarquicamente acima da Supertaça, e abaixo da Taça de Portugal. É, pois, a terceira prova do futebol nacional.
Jamais direi 'desta já nos safamos' como ouvi um dia a um presidente de um clube rival após ser eliminado pelo Benfica na Luz. Festejei todas as conquistas, a maioria delas nos estádios. E após o empate em Moreira de Cónegos, confesso que tive dificuldade em digerir o jantar.
Dito isto, é preciso entender também que esta foi uma Taça da Liga especial. Por motivos discutíveis, que ficarão para outra oportunidade, foi disputada em pleno Mundial. Foi um torneio usado pela liga para manter as equipas em actividade, em prejuízo claro de quem tinha mais atletas no Catar.
Não se pode falar de uma competição oficial quando se tem 'oficialmente' indisponível mais de metade dos titulares em jogos cujos resultados acabaram por afectar a classificação. Mesmo diante do Moreirense, para além dos campeões do mundo Enzo e Otamendi, ainda tivemos a infelicidade de não poder contar com os lesionados Neres e João Mário.
Com todas as condicionantes, o Benfica merecia, ainda assim, ter ganho aquele jogo. Dominou-o completamente, criou várias ocasiões de golo, teve pela frente um guarda-redes inspiradíssimo, e acabou eliminado com elevada dose de infelicidade.
A eliminação custa e engolir, mas, dado o contexto, não deixará qualquer mossa para futuro."

Luís Fialho, in O Benfica

Natal difícil


"Neste Natal não há como fugir aos temas de guerra, das tempestades destruidoras e da crise global. É certo que temporais, guerras e crise sempre existiram, mas por alguma razão vivíamos a ilusão coletiva de que a guerra era uma coisa arcaica e que o século 21 teria como principal tema a mudança climática e como principal agenda humanitária as suas consequências sociais, sobretudo nos países mais pobres.
Num tempo em que a transição energética entrou na linguagem diária, não esperávamos que os combustíveis fósseis tivessem tal impacto nas nossas vidas, o que mostra bem o quanto ainda estamos dependentes das energias que prejudicam o planeta e o nosso futuro.
Outro sonho que tínhamos consolidado na Europa e nos países desenvolvidos era o de que a democracia é irreversível e que a soberania e a integridade territorial não poderia já ser posta em causa, muito menos na europa.
Só que, infelizmente, tudo isto bateu à porta de repentinamente, como um banho de realidade e afetou a nossa vida de forma duradoura, mal acabados de sair da pandemia do século. Por isso, neste Natal temos que refletir ainda mais sobre o que queremos ser enquanto sociedade e os valores da fraternidade entre os povos, da fraternidade e da ação individual, de cada um de nós, assumem cada vez mais importância.
É por isso que nos enchemos de orgulho, e sabemos estar do lado certo, quando vemos toda a organização do Benfica, dos atletas aos departamentos, a mobilizar-se para multiplicar às centenas o gesto de dar de acarinhar os que de nós precisam, com as crianças acima de tudo, que no Natal ocupam lugar cimeiro.
Sejamos sempre assim e só pode melhorar!
Feliz Natal"

Jorge Miranda, in O Benfica

Núm3r0s d4 S3m4n4


"1
Enzo Fernández foi considerado o melhor jogador jovem do Campeonato do Mundo;

2
O Benfica tem 2 campeões do mundo no plantel, Enzo e Otamendi. Nunca houvera um campeão do mundo a jogar em Portugal;

7
Jogadores do Benfica campeões do mundo de futebol (como jogadores). Os primeiros foram Aldair (1994) e Edilson (2002), depois de terem jogado de águia ao peito, Capdevila (2010) e Draxler (2014) alinharam pelo Benfica já com um Campeonato do Mundo no currículo. Agora, temos Enzo e Otamendi no plantel e há ainda Di Maria (além de Aimar, como treinador-adjunto);

18
Com o golo marcador ao Moreirense, Gonçalo Ramos voltou à liderança do ranking de golos e assistências (15+3), a par de João Mário (10+8). Seguem-se Rafa (11+6) e Neres (8+9), com 17;

28
Apesar de empate que soube a derrota, por força da eliminação da Taça da Liga, a partida em Moreira de Cónegos reforçou, a série invencível de 'jogos oficiais' desde o início da temporada, igualando os dois melhores registos anteriores (1971/72 e 1977/78 - todas as provas). Excluindo as competições regionais, trata-se da segunda melhor série de sempre, ainda a 3 jogos do conseguido em 1959/60;

100%
Otamendi fez o pleno dos minutos de utilização pela Argentina no Mundial, 7 jogos, 2 dos quais com prolongamento. Só Martinez e Messi jogaram tanto tempo como o capitão do Benfica;

196
Odysseas chegou aos 196 'jogos oficiais' pelo Benfica, tantos quanto Bastos (e Samaris). O trio ocupa a 65.ª posição no ranking dos jogos. O grego é agora, a par de Bastos, o 7.ª guarda-redes com mais 'jogos oficiais' de águia ao peito pela equipa de honra, a 1 de igualar Preud'Homme (por ordem descrescente de jogos: Bento, Costa Pereira, José Henrique, Silvino, António Martins, Preud'Homme)."

João Tomaz, in O Benfica

Editorial


"1. O Benfica tem dois campeões do Mundo no seu plantel, depois de uma final emocionante, das melhores de sempre. Otamendi e Enzo Fernandez enchem os benfiquistas de orgulho e são um relevo importante para a dimensão externa da Liga Portuguesa. O Benfica é também o clube fora das 5 Ligas principais que mais jogadores colocou no Mundial. Um sinal de imensa qualidade e critério com que a época foi preparada e o resultado da forma como a equipa técnica potenciou o futebol da equipa. A ligação entre o Benfica e a Argentina tem uma longa tradição de boa química, vitórias e títulos que neste jornal recuperamos. Um trabalho que merece leitura atenta para desfrutar.

2. Manuel Arons de Carvalho deixou-nos. Um grande benfiquista, colaborador durante anos deste jornal e homem apaixonado pelo atletismo que muito deu ao desporto português e ao Benfica. o tributo que lhe prestamos nesta edição ficará sempre aquém do muito que nos ofertou em vida com o seu entusiasmo e paixão pelo nosso Clube. Que descanse em paz.

3. A época natalícia é um tempo de festividade mas, sobretudo, de proximidade junto de quem mais gostamos. A toda a família benfiquista votos de uma quadra natalícia próspera, com paz e união. E que 2023 nos traga os títulos que tanto desejamos."

Pedro Pinto, in O Benfica

A cláusula imbatível

A Verdade do Tadeia #711 - A cláusula do Enzo

Visão: Ases do Passado - Toni...

Proibido!


"Federação e Liga continuam a permitir que se fomente o ódio aos adeptos do maior clube de Portugal. Já começa a ser tradição que se proibida a utilização de adereços do SL Benfica, seja em que estádio for.
Continua a luta do 'Sistema' na tentativa de "apagar" o encarnado dos estádios de futebol.
Em resposta, o SL Benfica não deve voltar a ceder a receita destes encontros a quem promover este tipo de iniciativas.
#naometiramacamisola"

🔴 É mentira Cofina!!


"Não existe qualquer prêmio extra por vencer o SC Braga na "Pedreira". Mais uma invenção com a tentativa de criar desestabilização e mau ambiente."

Terceiro Anel: Mundial...

26 de Dezembro


25 de Dezembro


24 de Dezembro


segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Rui Costa e o sonho europeu | SL Benfica


" 'Presidente encarnado quer chegar o mais longe possível na Champions e para isso vai reforçar o plantel do SL Benfica.'

O sonho comanda a vida. Esta frase cliché tantas vezes ouvida para nos dar esperança em algo que queremos muito alcançar, serve também para termos consciência que nada cai do céu e que temos de lutar e dar o nosso melhor para que os nossos sonhos se tornem realidade. Em situações mais extremas, leva-nos a imaginar coisas inatingíveis, mas apetecíveis ao mesmo tempo. É o desejo por algo que muitas vezes só está ao alcance de outros. Esta temporada o SL Benfica está a apostar forte na Liga dos Campeões e Rui Costa já está a “cozinhar” a receita para fazer a melhor prestação de sempre na prova milionária e, quem sabe, chegar à final e vencê-la.
E melhor que ninguém do que o presidente encarnado, sabe o que é vencer a Champions. Conquistou-a como jogador ao serviço do AC Milan em 2003, e talvez seja essa a diferença de ambição em relação ao antigo presidente, Luís Filipe Vieira, que nunca deu um pontapé numa bola. Sim, Vieira prometeu que gostava de dar o título mais importante da Europa ao SL Benfica, mas na última metade do seu mandato a sua política foi vender os melhores jogadores, optando pelo sucesso financeiro em detrimento do desportivo.
Mesmo nas épocas em que teve plantéis com qualidade para chegar longe na Champions, muitas das vezes nunca entrava a melhor equipa nos jogos que disputava, e eram lançados jovens para ganharem visibilidade. Tudo isso não passou de uma tentativa de valorização de alguns jogadores, e o SL Benfica pagou caro por essa estratégia de marketing, como na temporada em que terminou a fase de grupos com zero pontos.
Com Rui Costa dificilmente isso vai voltar a acontecer. As águias estão a realizar uma grande perfomance na Liga dos Campeões e fizeram a melhor fase de grupos da história do clube. Não perderam qualquer encontro e ficaram em primeiro lugar num grupo onde estavam dois gigantes do futebol europeu, Juventus FC e Paris Saint-Germain FC. Motivos mais que suficientes para pôr o presidente do SL Benfica a pensar que poderá ser possível ir mais além dos quartos de final, o máximo que os encarnados conseguiram alcançar desde 1992, ano em que a competição foi reformulada.
Rui Costa já avisou que neste mercado de inverno não vai sair nenhuma peça fundamental da formação orientada por Roger Schmidt. A ideia é “despachar” os jogadores que não estão a render e fazer contratações cirúrgicas para dar mais qualidade ao plantel, e ter uma equipa ainda mais forte e competitiva capaz de lutar por todas as frentes em que o SL Benfica está envolvido, incluindo a Champions. A fase de grupos já lá vai e agora é tempo de apontar a mira aos oitavos de final, sendo o Club Brugge KV o próximo alvo a abater. O conjunto encarnado sabe que o emblema belga está perfeitamente ao alcance para poder passar à fase seguinte, e, em caso de triunfo na eliminatória, resta fazer figas para que no sorteio dos quartos, a sorte possa sorrir novamente ao clube lisboeta e com isso haja uma nesga de luz em que se vislumbre o caminho para as meias-finais. A partir daí, tudo é possível e o sonho em chegar ao jogo decisivo poderá ser bem real.
Se vai ser difícil lá chegar? Vai. Mas o SL Benfica já demonstrou esta época ser capaz de se bater de igual para igual com adversários mais poderosos. E se mantiver o nível exibicional que tem apresentado e conseguir contratar mais dois ou três jogadores com créditos firmados, Rui Costa e toda a sua estrutura podem pensar em algo grandioso fora de Portugal. Recorde-se que a última final desta competição em que o SL Benfica esteve presente foi já há 32 anos, ainda como Taça dos Clubes Campeões Europeus, ao ser derrotado pelo AC Milan por 1-0. A famosa maldição de Béla Guttmann continua a assombrar a Luz desde 1962, data da última conquista europeia, mas desde que existe este formato, esta será a temporada em que as águias podem voar ainda mais alto na prova e sonhar com a conquista da tão desejada “orelhuda”."

O que o Pai Natal pode trazer no sapatinho? | SL Benfica


"Caro Pai Natal,
Longe vão os tempos em que te escrevia nesta altura do ano, na esperança e na ilusão de que a minha carta chegasse às tuas mãos e que fosses capaz de satisfazer os meus pedidos. Hoje, passados tantos anos, nunca pensei que tivesse de te voltar a escrever, ainda para mais de uma forma mais peculiar; visto que não irei escrever apenas por mim, mas por milhões de adeptos do SL Benfica espalhados pelo mundo inteiro.
Antes de mais devo começar por dizer que, apesar de não sentir que me portei melhor ou pior que nos anos anteriores, neste ano, mais precisamente a partir do Verão, vi finalmente o Benfica a traçar um novo rumo no futebol. Um rumo diferente daquele que vinha a ser traçado nos últimos anos e que parece que está a colocar o Benfica no caminho certo para retornar ao caminho do sucesso.
Como tal, o primeiro e principal pedido que tenho a fazer, é que o trabalho feito nesta época não seja em vão, isto é, que venha a ser traduzido em troféus no final da temporada, mas que em caso de sucesso, não seja motivo para embandeirar em arco e se descansar à sombra do trabalho feito. Quero que o trabalho feito nesta época tenha continuidade e que seja feito com seriedade, competência e ambição, de modo a termos um Benfica mais competitivo e ganhador.
No entanto, também tenho noção que, depois de vários anos de trabalho mais feito, não se possa arrumar a casa do dia para a noite. Mas é preciso entender que há sempre margem para melhorar a equipa e é preciso saber aproveitar as oportunidades. De modo a cumprir os objectivos que restam na época, é preciso fazer tudo o que está ao alcance.
Como tal, o meu segundo pedido é que neste mês de Janeiro é que sejam feitos os ajustes necessários no plantel, de modo a dar-lhe a profundidade e a competitividade que este necessita, dando à equipa mais armas para cumprir com os objectivos. Nomeadamente, a contratação de um extremo desequilibrador e de um jogador para desempenhar a função número 10.
Mas o Sport Lisboa e Benfica não se resume apenas ao futebol jogado dentro das quatro linhas. Aquilo que os benfiquistas desejam, é que o clube demonstre competência, seriedade e transparência em todas as áreas. Por isso, deixo aqui uma pequena lista de pedidos que desejo ver concretizados:
- Um projecto no futsal masculino
- Divulgação dos resultados da auditoria
- Manter as boas prestações europeias nas modalidades
- Alteração dos estatutos
. Manter a aposta no desporto feminino
Deixo por aqui os meus pedidos para este Natal. E peço desde já desculpa se me estendi muito.
Os meus cumprimentos e um Feliz Natal"

5 Guardiões da Luz


"Numa fase em que o nome de Vlachodimos divide opiniões no seio do SL Benfica – apesar dos ratings portentosos que colecciona na Liga dos Campeões – é chegada a altura de fazermos exercício de apanhado geral em relação a um cargo de tamanha importância na equipa encarnada. Nomes como Oblak, Júlio César ou Éderson ficam excluídos automaticamente pela proximidade temporal e pela facilidade em nos lembrarmos dos seus feitos – o que queremos é relembrar os maiores que protegeram a baliza da nossa Luz e, na mesma proporção dos letais avançados, ajudaram o SL Benfica a ser o clube de dimensão mundial que é hoje.
Posição sempre dificil pelo peso mental, a responsabilidade de ser guarda-redes acarreta riscos que filtram grande parte dos candidatos logo à partida – e mesmo de elite, é fácil a um keeper sofrer escárnio de milhões de adeptos e simpatizantes: é ingrata a missão, que um erro monumental apaga milhões de defesas bem conseguidas. Não é mesmo para todos, e decidimos eleger cinco nomes que criaram rico legado nas balizas da Luz. Cinco nomes que souberam conjugar os altos e baixos mais inesquecíveis da História do clube e que por isso mesmo ainda hoje vivem no imaginário do Terceiro Anel.

José Bastos
12 épocas, 197 jogos
3 Campeonatos, 5 Taças de Portugal, 1 Taça Latina

Senhor José Bastos pode ser considerado, sem grande temor, o primeiro grande keeper benfiquista, o primeiro de nível internacional – apesar de nunca ter chegado à Selecção, meio que incompreensivelmente. Atentando à forma como se impõe nos séniores do Benfica e como marca toda a década, é realmente complicado encontrar explicação para não ter atingido essa valorização completa em solo nacional. Sobretudo se percebermos a meteórica ascensão até titular dos séniores: estreia-se na recta final de 1949/50, com 21 anos, quando tinha iniciado a época como titular das… reservas: e termina essa época como campeão latino, participando nos três jogos que o Benfica fez para se sagrar campeão – incluindo os abomináveis 143 minutos da final. Bastos marca uma geração e é um dos ‘padrinhos’ da seguinte, a dos campeões europeus, responsável foi sempre por uma postura correcta e paternal com os mais novos, primando por impecável índole na grande confronto que travou com Costa Pereira pela titularidade a partir da chegada deste, em 1954. Partilham essa temporada, dividindo minutos, Bastos fica para segundo plano – também por conta duma lesão – em 55/56, e volta à carga no biénio 56/58. Ingloriamente para ele, o ano em que chega Béla Guttmann e o decreta como “dispensável” – para permitir tranquilidade total ao jovem Costa Pereira. José não se ofende, até porque a história entre atleta e treinador não fica por aqui: conta-se que numa das vezes que volta à Luz com a nova camisola, Béla Guttmann se deixa enlouquecer pela exibição e pelo estilo sóbrio sob os postes – chegando, de forma caricata, a perguntar a um dos dirigentes como se chamava aquele keeper! 
Para se provar o amor de Bastos ao Benfica, atente-se que a sua transferência para o Atlético não o impediu de continuar a ajudar o clube: por exemplo, a sua saída possibilita a chegada de Germano de Figueiredo à Luz, o esteio que faltava aos futuros campeões europeus. E possibilitou estar ainda mais presente na História do clube, já que foi a Bastos que Eusébio da Silva Ferreira assinou os primeiros golos de águia ao peito – aquele hattrick num jogo de reservas frente, lá está, ao Atlético na Luz (4-2), na véspera da final de Berna.

Costa Pereira
14 épocas, 366 jogos
7 Campeonatos, 5 Taças de Portugal, 2 Taças dos Clubes Campeões Europeus

Tão constrangedor foi o seu derradeiro momento como completo titular benfiquista e tanto se escreveu sobre o assunto que aqui se tocarão noutras fases da vida de Alberto Costa Pereira, figura tão singular quanto polémica pelas qualidades invulgares na guarda das redes. Quando aterra em Lisboa vindo de Milão, aconchegado numa cadeira de rodas para lhe reconfortar a magoada autoestima, e de óculos escuros no semblante que tentavam a todo o custo afundar a vergonha perante milhares de benfiquistas, é todo um contrassenso em relação à imagem que sempre cultivou, fascinando e apaixonando adeptos por Portugal fora: a altura e postura de estrela de cinema sustentava-a com um atleticismo que lhe permitiu, na juventude, tentar a vela, o futebol, o atletismo e a … caça, na sua Nampula natal, a norte da Lourenço Marques – hoje Maputo. A esta condição acrescia o desejo de erudição, a tentação da cultura, o apreço pela curiosidade que o fizeram alguém diferenciado num balneário cheio de campeões europeus – para ele, então, não era frete nenhum se assumir como líder e negociar, por ele e pelos colegas, prémios e ordenados com os dirigentes. Foi uma das figuras mais mediáticas daquela famosíssima equipa, uma verdadeira imagem de culto, ídolo da meninagem e alvo dos olhares femininos.
Basquetebolista, depois definitivamente futebolista. A capacidade demonstrada no primeiro obrigou-o à baliza, ainda que o sonho fosse ser ponta-de-lança. Ninguém sabe que voltas daria o destino se assim tivesse continuado, mas como guarda-redes foi inimitável e muito se distanciou do estilo arcaico, mas seguríssimo de Bastos – e foi essa dualidade que marcou o triénio 1954-57 por entre a massa adepta, que se dividiam nas acérrimas opiniões entre um e outro. Não era necessário tanto desaguisado, a sucessão foi natural: e a Bastos campeão latino sucedia o keeper moderno campeão europeu, elegante como nenhum outro havia sido e com a propensão para as grandes noites – como Berna, naquela final dificil com o Barcelona, ou Amesterdão, onde Puskas só não fez mais estragos na primeira parte por culpa de Alberto, ou contra o Ujpest, ou no jogo de Londres contra o Tottenham – no frio inglês, o Benfica adiantou-se no marcador, mas levou remontada. Que só não se agudizou, lá está, pela estaleca de Costa Pereira.
Depois daquela noite de 1965, não mais foi o mesmo. Despede-se da Luz e do Benfica no princípio de 1967-68, numa festa onde o Real Madrid marcou presença e empatou (a duas bolas). Tentou ser treinador, na CUF, mas foi novamente infeliz.
Até ao final da vida, trabalhou no Instituto Nacional de Estatística.

José Henrique
13 épocas, 299 jogos
8 Campeonatos, 3 Taças de Portugal

Zé Gato, alcunha já ganha dos tempos de… Atlético (sim, onde terminou Bastos, daquelas coincidências) onde se evidenciou pelo estilo felino de evitar as finalizações certeiras, foi um dos históricos guarda-redes do Benfica e da Selecção e a sua fama só não alcança ímpeto nacional pela concorrência que teve de suportar durante a carreira com um monstro como Vítor Damas, a lenda leonina que granjeou mais fama mas talvez menos proveito – que José Henrique, aos títulos conquistados pelo clube, esteve presente como titular no único grande feito daquela excepcional geração de futebolistas portugueses que teimou em falhar todos os objectivos a que se propôs. Na única grande montra que conseguiram, a Minicopa brasileira de 1972 (chegou-se à final contra os anfitriões e só se perdeu porque Jairzinho desempatou perto do fim) , José Henrique foi principal opção e esteve seguríssimo na defesa do ‘gol’, saindo de racruz com estatuto reforçado enquanto ‘goleirão’. Isto numa fase em que o Benfica de Jimmy Hagan dominava em solo interno, o que possibilitou a José Henrique remeter Damas para o banco numa sequência de 14 jogos seguidos, ali entre 1971 e 73.
Aos oito campeonatos conseguidos em onze anos – a hegemonia benfiquista foi suportada pela eficácia defensiva para a qual contribuia largamente José Henrique – junta-se-lhe uma final da Liga dos Campeões, a de 68 perdida para o United de Charlton e Best. Já era Zé Gato que assumia titularidade, precocemente.
Definitivamente ultrapassado por Bento em ’76 – apesar de ficar mais duas temporadas na Luz – José Henrique teve a dignidade de passar o testemunho corajosamente, nunca revelando qualquer má intenção para com o colega. Pelo contrário, construíram relação de grande amizade, um dos factores que levou José Henrique a voltar ao Benfica depois de arrumar as luvas. Ao futebol de formação se dedicou, no treino de guarda-redes se focou: e o produto mais famoso saído das suas mãos foi Moreira, o que atesta bem a qualidade do treino.
Como ponto final, outro ponto de ligação a Bastos, provando a teoria duma linha sucessória quase propositadamente pensada: foi Zé Henrique que destronou o recorde de invencibilidade fixado pelo primeiro – seis jogos sem sofrer golos -, chegando aos oito em 1971-72.

Manuel Bento
18 Temporadas, 466 jogos
8 Campeonatos, 6 Taças de Portugal, 2 Supertaças

É tentador repetir a velha laracha de ter tão pouco corpo para tanta alma. Manuel Galrinho Bento, além dum enorme guarda-redes que estropiou muitas das velhas concepções em relação à baliza – tinha 174 centímetros de altura, saía da baliza sem qualquer complexo, gostava de se aventurar com a bola no pé – era um verdadeiro homem da luta: o bigode era a cereja no topo daquele bolo de coragem, justiça, e sangue revolucionário. Um exemplo: quando adolescente, o Sporting ouviu falar dele e foi buscá-lo à Golegã natal, oferecendo-lhe estadia de três meses no Lar do Jogador. Por lá se treinou, por lá convenceu, mas os dirigentes, num vaipe de preguiça ou desleixo, mandaram-no ir ele, sozinho, à sua própria cidade pedir a carta de desobrigação. Que ofensa aquela personalidade forte, senhores! Ouviu, arrumou as malinhas, apanhou a camioneta e voltou ao clube de origem, jurando nunca mais considerar qualquer possibilidade leonina.
Há muitos mais. Este foi a primeira grande demonstração da gigantesca alma de Bento. Da Golegã vai para o Barreirense, leva os da margem Sul a um histórico 4º lugar em 1969/70, que possibilitou inédita vaga na Taça Uefa. A meio dessa época (em Dezembro), há a despedida de Mário Coluna – em plena Luz, Benfica contra Resto do Mundo, que estava combinado alinharem com o lendário Yashin na baliza. A Aranha-Negra, porém, impossibilitado ficou de ir à última da hora. Solução? Digam ao Bento para passar a 25 de Abril. Sem complexos o fez, sem complexos se apresentou com a mesma indumentária de Yashin – todo de preto – só para apicaçar a coisa. Assinou aí, depois duma vistosa exibição, virtualmente, o seu contrato com o Benfica, consumado definitivamente em 1972.
Até 1976 deu honras da casa a José Henrique, numa competitividade sempre saudável: porque era justo Manuel Bento, e homem que sabia esperar pela sua oportunidade, espera paciente ao ritmo de muito treino e muito trabalho. A partir de 1976 é Benfica e Selecção por uma década, sempre líder dos dois conjuntos. A fibra que o fazia levantar-se às 4 da manhã para ajudar a familia no negócio de peixe e depois, às 8, começar a recolher a malta daquela zona – Diamantino, Carlos Manuel, Chalana, Frederico – na mesma Ford Transit, que fazia chegar intacta ao Estádio da Luz, era a fibra que o fazia opor-se aos regimes autoritários ainda instalados no sistema nacional – réstias do pré-74. «O sr. Resende ainda não percebeu que o tempo da ditadura acabou» foi assim que reagiu às acusações de Silva Resende, presidente da Federação, aos jogadores em Saltillo. Tornou-se o porta-voz de todo um conjunto de jogadores já de si fragmentado pelas animosidades entre Benfica e FC Porto. Quando Veloso é impedido de ser seleccionado para esse México 86, por estranhos resultados em testagem antidoping, foi Bento que veio a terreiro defender o colega. Como foi Bento a denunciar a falta de profissionalismo de Pal Csernai, treinador húngaro que não deixou saudades na Luz. «Não foi Csernai quem fez a linha para a final, por isso ganhámos. Carlos Manuel e Pietra é que lhe abriram os olhos» disse Bento sobre a final da Taça 84-85, na qual o Benfica venceu o FC Porto como salvação duma época tristonha.
E como todos os grandes heróis doutras mitologias, justificou bem a glória com boas doses de fracassos épicos, com muitas peripécias a saltear os falhanços inadmissiveis para alguém com o seu talento. Para chegar ao Euro84, Portugal teve que eliminar do Grupo 2 de qualificação uma estrondosa União Soviética. No jogo de Moscovo, Bento encaixou cinco golos: que o próprio disse serem poucos dada a fome que a equipa passou em solo russo. «Não havia líquidos, não havia leite, não havia fruta» supostamente, no hotel do estágio. Conta-se que os comunistas do Barreiro, ouvindo-lhe a má propaganda, lhe foram pôr fardos de palha à porta de casa – anedota que Bento disfarçou, argumentando que eram acessórios para as montras das suas lojas de roupa…
Fica mais uma, para exaltar o carácter do gigantesco Galrinho Bento, daquelas que valem por mil defesas e mil títulos, que a qualidade humana ultrapassa qualquer estatística ou avaliação técnica: em Março de 1984, Eriksson tentava levar o Benfica à final da Taça dos Campeões (conseguiria-o em 1990), depois de chegar à da UEFA no ano anterior – só que pelo caminho havia o Liverpool de Ian Rush e Dalglish, de maneiras que as hipóteses não eram as melhores. Mas até que não começou mal, com um sóbrio e maneiro 1-0 em Anfield, que augurava noite épica na Luz – que não aconteceu (porque ficou 1-4!) devido às trapalhadas de Manuel Bento, infeliz como só tivera sido em Moscovo. Dignamente, tentou-se explicar… «Assumo o fiasco, mas continuo a dizer, sem utilizar isso como desculpa, que no primeiro golo fui encadeado pelos holofotes. Depois, tudo desabou ali, os erros surgiram, a cabeça ficou quente de mais, acabei por sofrer um dos maiores frangos da minha vida, com a bola a passar-me, estupidamente, por baixo das pernas»… tal e qual Costa Pereira, 19 anos antes. Triste sina!
Para acabar surfando onda positiva, é autor dum dos recordes de imbatibilidade em Portugal – 1065 minutos sem sofrer golos, ou 11 jogos, batendo o tal (de 8 jogos) de Zé Gato. O recorde durou mais seis anos, até 1992, quando Baía conseguiu 1191.

Michel Preud’homme
5 épocas, 199 jogos
1 Taça de Portugal

O talento era tão monstruoso que o palmarés chega a parecer poucochinho. É campeão belga três vezes, ganha duas taças, duas supertaças, e com o Malines, por estes dias chamado Mechelen – já depois de ter representado o Standard Liége – é campeão europeu – da Taça das Taças – em 1988, trofeu conquistado depois duma vitória frente ao Ajax. Uns meses depois, é a vez do PSV – que tinha vencido o Benfica na final da Taça dos Campeões – levar de frente com PreudHomme e companhia na Supertaça Europeia. E Michel, mesmo assim, continua pela Bélgica, apesar de convites de toda a Europa: inclusive de Portugal, que Pinto da Costa bem tentou, entre o eclipse de Mlynzarckyk e o fenómeno Baía. Mas só aos 35 anos, em 1994, é que Preud’Homme se atreve a sair de casa. Só precisou, primeiro, de ser coroado melhor guarda-redes do Mundial norte-americano, onde participou com a selecção dos diabos vermelhos e levou para casa o prémio Yashin – o Benfica, já de Artur Jorge, chegou-se à frente e fechou aquela contratação bombástica, a única certeira daquele reinado.
Michel olhou para o Benfica como um grande clube, uma oportunidade única. Mal sabia ele que seria um dos primeiros passageiros do comboio do Vietname, que é como se normalmente se chama à hecatombe desportiva dos finais dos anos 90 para os lados da Luz. No meio dum pantanal de erros de casting e humilhações, foi PreudHomme um dos únicos a tentar fazer parar a locomotiva – ele, Nuno Gomes, Poborsky, João Vieira Pinto. Ganhou uma Taça de Portugal apenas, muito pouco para quem tanto defendeu e tanto sofreu com colegas de outro calibre. No vídeo exposto, dá para ter uma noção do reconhecimento que a massa adepta, quase sempre justa, teve (e continua a ter) em relação ao contributo de Michel nos cinco anos que por cá passou. Num dia em que Benfica defrontava o Bayern de Munique, a Luz ignorou o que se passava no relvado para prestar uma última homenagem a alguém sempre pronto a ajudar, sempre cavalheiro e sempre disponível."

Andreas Schjelderup