Últimas indefectivações

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Prata Europeia!


Em Poznan na Polónia, o João Ribeiro, conquistou a medalha de Prata, nos Europeus de Canoagem, na prova de K1 500m. Estamos num ano atípico, com Jogos Olímpicos, os momentos de forma ideal, acabam por variar de atleta para atleta, mas independentemente de tudo isso, esta medalha de prata é um grande resultado para o João...

Darwin Núñez | Histórico faz soar alarmes na Luz


"Darwin Núñez chegou ao SL Benfica em setembro de 2020. O avançado de apenas 21 anos custou à equipa encarnada 24 milhões de euros, tornando-se assim na contratação mais cara da história do clube e do futebol português. O uruguaio assinou até 2025 e, apesar de ainda só ter cumprido um ano desse contrato, já faz soar os alarmes na Luz. O longo histórico de lesões do jovem avançado parece não ter fim à vista.
Tudo começou quando Darwin tinha apenas 16 anos e representava o CA Penãrol. Num jogo do campeonato do seu escalão, depois de um salto o uruguaio calculou mal a queda, dobrou o joelho e rompeu os ligamentos cruzados. O jogador teve de ser submetido a uma cirurgia e ficou um ano e meio sem jogar. Recuperado da lesão, voltou a trabalhar com a equipa principal, mas quando ia ser lançado na I Divisão, percebeu que não estava totalmente apto – ainda sentia dores.
Em novembro de 2017, foi lançado no jogo frente ao CA River Plate, mas a sua prestação ficou muito aquém do esperado. Deixou o relvado em lágrimas, devido às dores, e foi novamente operado, desta vez à rótula. Em 2018 o ciclo das lesões parecia ter chegado ao fim, tendo, inclusive, sido convocado para a seleção uruguaia de sub-20, pois a Copa Sul- Americana estava à vista. No entanto, as exibições continuavam sem brilho e surgiu outro problema: o psicológico. Darwin não conseguia lidar com as críticas nas redes sociais e começou a receber acompanhamento do psicólogo da seleção.
Em 2019/20, quando representava o UD Almería voltou a ter problemas físicos e teve de parar durante quase uma semana (perdeu dois jogos). No meio deste panorama nada positivo, chegou a boa-nova. A contratação do SL Benfica era a oportunidade perfeita para mostrar o seu valor e, sem dúvida que, foi uma grande motivação que contribuiu para o psicológico.
Tinha um voto de confiança da equipa encarnada, e é certo que a época ao serviço das águias não podia ter começado melhor. Nos primeiros cinco jogos marcou um golo e fez cinco assistências. Para além disso, foi a peça-chave no jogo frente ao Rangers FC: aos 77 minutos assistiu Rafa e, aos 91′, marcou o golo do empate, permitindo, assim, que a equipa continuasse na UEFA Europa League.
Quando parecia que a tempestade das lesões tinha chegado ao fim, o avançado foi forçado a outra paragem, desta vez devido ao surto de Covid-19 que afetou a equipa. A partir desse momento começaram a soar os alertas na Luz. O rendimento do jogador uruguaio já não era o mesmo: os golos, as assistências, a velocidade e a magia estavam cada vez mais escassos. Nos 12 jogos posteriores à infeção, marcou três golos e fez apenas duas assistências.
Se este cenário já era mau, acabou por piorar ainda mais. As lesões voltaram a atormentar o psicológico de Darwin. As paragens para recuperar e a gestão de esforço levaram a que o avançado somasse cada vez menos minutos ao serviço das águias.
A hipótese de ser operado começou a ganhar cada vez mais força e, depois de ser adiada até ao final da temporada, acabou mesmo por acontecer a 24 de maio deste ano. O SL Benfica emitiu um comunicado, onde informou que o atleta tinha sido submetido a uma artroscopia ao joelho direito e que a intervenção cirúrgica tinha decorrido sem intercorrências.
Atualmente, o uruguaio está em processo de recuperação, mas sem tempo de paragem previsto. Esta situação é algo que inquieta e preocupa os benfiquistas. Com apenas 21 anos, tem um historial de lesões maior do que muitos outros.
Para além disso, os adeptos esperavam mais de um jogador que custou tanto ao clube. A fasquia estava elevada, mas o desempenho ficou aquém do esperado, uma vez que, em 44 jogos, marcou apenas 14 golos e fez 11 assistências. A qualidade está lá, resta agora saber se esta recorrente onda de lesões tem um fim à vista."

Manifesto pela união dos benfiquistas


"A uma direção do Benfica, exige-se que ganhe, pelo menos, dois campeonatos em cada quatro e leve sempre o clube à Liga dos Campeões. É a bitola mínima.

Uma parte fundamental da nossa história como adeptos é dor. Em qualquer equipa, em qualquer desporto. Claro que todos recordamos melhor as vitórias, os golos, os títulos, a festa – mas a seriedade, a tristeza com que vivemos as derrotas, as finais perdidas, a lesão do grande jogador, a goleada humilhante, dizem, pelo menos, tanto ou mais de como verdadeiramente somos do clube que somos.
Os gauleses de Astérix fingiam que não sabiam de nenhuma Alésia – e eu, às vezes, também juro a pés juntos que nunca ouvi falar de Vigo – mas é impossível negar uma época inteira de fracassos. Simplesmente fingir que ela não existiu, ou que é aceitável acabar em terceiro, ser eliminado sem apelo nem agravo da Champions, eliminado sem apelo nem agravo da Liga Europa, eliminado sem apelo nem agravo da Taça da Liga, derrotado sem espinhas na Supertaça e na final da Taça, derrotado sem espinhas pelo Gil Vicente, goleado pelo Boavista, sofrer para ganhar ao Paredes – e tudo depois de fazer o maior investimento de sempre. Isto não é aceitável para um adepto; muito menos para um treinador. Muito menos para um Presidente. Não é aceitável – e não é esquecível.
Se o Benfica pretende ganhar alguma coisa em 2021/2022, convém que comece a reconhecer o mais depressa possível o desastre que foi 2020/2021. Porque, ou aceita o que esteve mal e procura corrigi-lo, ou vai acontecer tudo outra vez. Pior: não terá dois jogos de tolerância, duas conferências de imprensa estapafúrdias de paciência.
O primeiro a assumir as suas responsabilidades tem de ser quem mais responsabilidades tem: o Presidente. Um Presidente do Benfica tem de estar no Benfica – e só no Benfica. O Benfica não é um part-time, nem um passatempo, nem uma medalha que se põe ao peito, nem muito menos um escudo e ainda menos um fardo. Luís Filipe Vieira foi eleito há menos de um ano. Como é público, fui um dos muitos milhares que contribuíram para a vitória. Mas apoiar não significa falta de autocrítica ou exigência; pelo contrário.
Em segundo lugar, o número dois Rui Costa é uma figura maior do universo benfiquista, um ídolo, uma referência. O seu primeiro ano como vice-presidente soube a muito pouco. Rui quer mesmo ser vice-presidente ou continua apenas diretor desportivo? Quer suceder a Vieira ou apenas seguir Vieira? Pelo seu passado, pelo seu carisma, pelo seu exemplo, Rui Costa habituou-nos a esperar e a exigir muito mais dele e se pretende unir os benfiquistas, como talvez só uma figura como ele possa fazer nos próximos anos, tem de liderar.
Em terceiro lugar, Jorge Jesus – e o terceiro lugar foi mesmo tudo o que Jesus conseguiu. Um 11 do Benfica tem que ter sempre três tipos de jogador: o jogador português consagrado, que gostamos de ver enquanto orgulho e símbolo do país; o jogador formado na casa, que carrega o ADN e a mística do clube, a reputação da formação do Seixal e que serve de modelo às gerações posteriores; e o jogador maduro, que acrescenta classe, experiência e nos faz sonhar.
Num ano, Jorge Jesus destruiu tudo. Interrompeu anos de aposta bem-sucedida no Seixal, devolveu-nos aos piores tempos de um onze sem portugueses, sem identidade, sem referências, desprestigiou a braçadeira de capitão e andou de desculpa em desculpa e desastre em desastre, como se não tivesse qualquer responsabilidade. Mas Jesus só não tem todas as responsabilidades pelo que se passou nesta época porque tem de dividir pelo menos algumas com a direção que o deixou sempre à vontade para ser a pior versão dele mesmo. Pela primeira vez em 10 anos, não fomos à Champions e estamos longe de a ter garantido para o ano, mas não vimos Jesus assumir uma só pequena parte de responsabilidade por isto. A sua arrogância é insuportável, as suas desculpas ridículas. Nunca será a pessoa certa. O Benfica precisa, agora mais do que nunca, de um treinador de futuro, de um líder que queira ganhar e não de um que se compraz em já ter ganho.
Só as vitórias unem. O Benfica está dividido e qualquer temporada que não passe por conquistas só o vai fraturar ainda mais. Os descontentes têm de ser pacientes e não abrir ainda mais feridas que só prejudicarão mais o clube, mas a maior responsabilidade cabe a quem está do lado de dentro. Presidente, vice-presidente, treinador – quem quer que ele seja – têm de fazer mais, muito mais, pelo Benfica. A Covid não explica todos os problemas do Benfica 2020/21.
A uma direção do Benfica, exige-se que ganhe, pelo menos, dois campeonatos em cada quatro e leve sempre o clube à Liga dos Campeões. É a bitola mínima! Estamos a entrar num círculo vicioso: a falhar o acesso à Champions, a perder as suas receitas e a oportunidade de ali mostrar os jogadores. E menos receita significa menos capacidade de investimento, menos capacidade de construir uma equipa capaz de sucessos desportivos.
Por outro lado, urge democratizar a vida interna do clube. O contínuo adiamento da revisão dos estatutos só vai conseguir uma coisa: cada vez mais crispação, cada vez mais fraturas, cada vez mais um ambiente de guerra que não aproveita a ninguém, muito menos a quem mais importa: o Benfica.
Enquanto adepto, e um que tem voz pública e apoiou e apoia assumidamente esta direção, não perdi o meu grau de exigência por isso. O mínimo que a direção tem de fazer é assumir o que de errado aconteceu nesta época e apresentar um plano claro do que será diferente para a próxima.
O Sport Lisboa e Benfica é a maior instituição portuguesa. Adeptos ou dirigentes, ou estamos cá para a unir ou dividimo-la. Ou estamos cá para a servir ou não servimos.
* Sócio nº. 25768"

Estranha-se mas entranha-se


"Isto não é bem um Europeu, festa num país só, seleções em quarteis generais previamente adaptados, repórteres em correria em redor dos relvados de treino, adeptos aos magotes que pintam de cachecóis nacionais os aviões fretados, toda essa gente apinhada depois, copos de cerveja numa fan zone sem máscaras, dá saudade sim, discutia-se o país anfitrião, se era o certo, a tecnologia acrescentada em estádios, as regras de segurança mas só as da polícia, não contavam as das autoridades de saúde, que agora são as que mais contam neste torneio estranho de um tempo estranho, em 2021 mas ainda Euro 2020, como roupas que mantêm a etiqueta da Primavera/Verão anterior, tanta coisa adiada na vida de todos, já nos vamos habituando, mas agora também jogos de longitude incerta numa fase final, ao mesmo tempo em Sevilha e Baku, outros em Copenhaga, São Petersburgo, a Itália joga com a Turquia em Roma e não se pode dizer que a recebe, como Portugal vai ao Puskas de Budapeste defrontar a Hungria mas não joga fora, é outro Europeu, o mais estranho de que temos memória, mesmo se já pouco se estranha. E sabemos que depois se entranha, mal a bola role.
São muitas seleções, 24, lembro-me de quando eram só 8, em 1984 ou 88, só lá chegavam mesmo as melhores, uma elite, vale sempre a pena lembrar isso para reforçar o feito que era a qualificação, e o porquê de tantos craques que nunca lá foram, conseguiram-no por uma vez os nossos Chalana e Jordão, nunca o Futre, como é possível? o Futre nunca foi a um Europeu, ele e outros génios dessas dezenas de anos, Litmanen aguentou-se a jogar até aos 40 mas só agora vai ver a Finlândia num momento assim, a partir do sofá, provavelmente vacinado que já tem idade para isso, mas merecia lá estar, mesmo reformado, talvez pudesse haver sempre um jogador histórico, mais velho, um número suplementar nos plantéis, a quem fosse autorizado reviver o melhor da vida, mesmo a baixa rotação, nunca lá chegou Litmanen como nunca chegou Giggs, quantos houve ao nível de Giggs nas últimas décadas? e que jeito daria a Gales tê-lo no campo, ao menos Bale já vai para o segundo Europeu, e bem merece, os craques maiores devem estar sempre, há cinco anos chegou à porta do jogo decisivo, lembrámo-nos todos, Ronaldo e Nani travaram-no, a história era outra e outro seria o vencedor em estreia, também ninguém esquece, ficou-nos entranhado o pontapé do Eder.
Como sempre faço desde a infância, olho as escolhas, jogador a jogador, espécie de scouting caseiro que a internet elevou de nível, celebro o regresso de Benzema, o melhor jogador francês da geração que perdeu duas finais nos seis anos de ausência, como assumo o desconsolo pela lesão do miúdo húngaro Szoboslai, talento maior da geração de 2000 na Europa, mesmo que isso facilite a vida a Portugal no jogo de arranque, vou querer ver Soyuncu, o central que poderia ter saído da Guerra dos Tronos para liderar o regresso da Turquia, e perceber se Shaqiri ainda se transcende em torneios assim, Shaqiri e Xhaka, segue ao mesmo ritmo dos últimos anos a Suiça, e volta a República Checa guiada por Soucek após um ano de estouro em Inglaterra, não se nota é o talento hereditário dos Berger, Poborsky e Nedved, e a Escócia, caramba, finalmente a Escócia outra vez, aqui já com os “netos” de Souness, Strachan e Archibald, algo me diz que vou torcer por eles inconscientemente, carregado de cromos de camisola escura de 82 e 86, também Leighton, Gough, McStay, Graeme Sharp, só não torcerei mais porque não vai Gauld, bastavam uns highlits a Steve Clarke, para perceber quanto vale Gauld, ouro do pouco que ainda dá para garimpar em equipas menores do campeonato português. Nesta hora repetem-se as perguntas que nos motivam para horas seguidas em frente a televisores com fundo verde: como será a Áustria, guiada por Alaba em trânsito para Madrid? Pukki, o finlandês goleador, fará do Euro um Championship? Irão a Rússia e a Ucrânia revelar já os talentos que nascem entre postes, Trubin e Safonov, agora que Pyatov se despede e Akinfeev já nem está? E que esperar da Macedónia do Norte, nome acrescentado e equipamento mudado, que há sempre mais uma história política dentro do jogo?
A Macedónia traz Elmas e Bardhi, mas sei que o meu olhar vai sempre procurar Pandev, a marcar golos no calcio desde 2004, campeão da Europa pelo caminho com o Inter mas empurrado para uma seleção menor na desagregação da Jugoslávia, combateu o tempo e ganhou, vinga-se agora, que não há melhor palco que o de uma fase final para quem projeta um adeus glorioso. Eidur Gudjohnsen fê-lo, em 2016, na saga empática da Islândia e quando já tratava da papelada para a aposentação, destes torneios guardarei sempre os que deixaram marca nos últimos dias no escritório: Morten Olsen, Peter Shilton e Pat Jennings, El Hadary no último mundial, acima de todos Roger Milla, como se eterna juventude existisse mesmo. E talvez exista, o que não existe é justiça definitiva. Ibrahimovic ainda joga como poucos, aos 40 anos. Decidiu voltar à nacional sueca para fazer deste o Europeu do adeus. A lesão que lhe roubou o momento prova como o futebol é metáfora da vida, como ela injusto tantas vezes. A menos que haja Suécia no Mundial para o ano. E começa tudo outra vez.

PS: A selecção de sub-21 portuguesa está na final do Europeu, com uma geração incrível de talento multiplicado e sob a liderança competente e tranquila de Rui Jorge. Fez o jogo menos inspirado e ousado, foi feliz frente à Espanha, não há como negar, mas ganhou, em boa parte porque beneficiou das substituições bizarras do técnico espanhol. Escrevi aqui há umas semanas sobre o que chamei a síndrome do criativo cansado, ou a facilidade absurda com que os treinadores retiram dos jogos os futebolistas mais talentosos, como se os burocratas não se cansassem. Luis De La Fuente retirou os melhores, e os que estavam mesmo a jogar melhor, a desequilibrar a cada jogada, Bryan Gil e Brahim Díaz, com a intenção, disse depois, de “refrescar os corredores”, e no fim queixou-se de… não haver VAR. Muito do disparate do futebol está condensado nestas ações e explicações."

Risco e acaso


"O desporto comporta o factor risco. Tal como comporta o factor acaso. Sendo uma actividade humana, estes dois factores estão e estarão sempre presentes no mesmo. O necessário é que nos compenetremos disso porque só compreenderemos o desporto se reconhecermos a existência do risco e do acaso no mesmo – e sabermos onde e quando nele interferem.
O desporto foi atingido por mais uma morte: factor risco – neste caso, risco máximo. Jason Dupasquier, piloto luso-suíço de apenas 19 anos, foi a vítima em MotoGP – a 26ª vítima nesta modalidade (considerando-se MotoGP uma modalidade desportiva). Morte por acidente, tal como tem acontecido em inúmeras outras modalidades (e separamos já aqui estas mortes dos casos de morte súbita).
Se há modalidades em que o factor risco tem um maior peso – o boxe, onde entre 1945 e 1995 morreram cerca de 500 pugilistas, e as Mixed Martial Arts, em que de 1993 até 2016 morreram 14 competidores, ou a Fórmula Um (em 40 anos, de 1954 a 1994, ano da morte de Ayrton Senna, morreram pelo menos 41 pilotos) – outras há onde nem se equaciona tal… mas no entanto acontecem nas mesmas mortes por acidente: ciclismo, esgrima, desportos na neve, hipismo, futebol, alpinismo, basquetebol e surf entre outras.
Mas não se pense que quando falamos de risco estamos somente a focar esse bem supremo que é a vida, ou que só abordamos a questão em termos de se colocar em perigo a saúde. Risco é fazer uma opção sem se ter a certeza do resultado e depois ter de se viver com ela. Falamos de risco quando conseguimos traduzir uma incerteza que se pode expressar por um número recorrendo a dados empíricos. E sendo o desporto um palco de incertezas, inúmeras vezes estas são controladas pelo acaso.
Na Taça das Confederações de 2017, competição intercontinental realizada na Rússia, no jogo das meias-finais entre Portugal e o Chile chega-se ao final deste sem golos. Parte-se para o prolongamento e aos 119 minutos Arturo Vidal remata a bola ao poste e na recarga Martín Rodríguez acerta na trave. “Sorte” para Rui Patrício, “azar” para os chilenos… mas se fosse na baliza contrária seria “azar“ para a selecção portuguesa... Conveniente não esquecermos que os ferros também fazem parte do jogo.
Nas grandes penalidades (0-3 a favor do Chile) “azar” para Quaresma, Moutinho e Nani na marcação das mesmas e “sorte” para o guarda-redes chileno Claudio Bravo… No final do jogo Cédric declara que nos penalties existe sempre “alguma sorte”. Errado!!! O que existe é falta – ou não – de técnica do marcador (ou de concentração… ou de outra coisa qualquer) e mérito – ou não, ou outra coisa qualquer – do guarda-redes. O que existe é acaso! Bernardo Silva, sintonizado pelo mesmo diapasão, afirma também erradamente que “os penalties estão relacionados com a sorte”. A “sorte” ou o “azar”, termos banalizados e introduzidos de modo frequente no nosso vocabulário, são termos inventados pelo homem para justificar os sucessos ou os fracassos em que o acaso é determinante. O que prova a necessidade humana de constante atribuição causal…
No futebol americano cerca de 1,5 milhões de jovens praticam esta modalidade e todos os anos ocorrem, em média, 30 acidentes que resultam em morte, invalidez parcial ou total e danos cerebrais irreversíveis. Segundo uma estimativa de 1993, a duração média da carreira destes jogadores está estimada em 3,2 anos (1). Quanto de risco e quanto de acaso nestas situações?
O desportista, o competidor, é então apresentado à sociedade como um mártir e não como herói. Foi inculcado nele o fazer sacrifícios pelo “jogo”, o esforçar-se ao máximo para alcançar pódios tal como atingir prémios e distinções, o aceitar riscos e jogar ou competir através da dor e o aceitar não haver limites na perseguição dos objectivos mesmo que utópicos, porque, para além da vitória ou do ganho pecuniário, é lapidado na crença de que ser um “verdadeiro atleta” significa assumir riscos, fazer sacrifícios e jogar o preço de ser tudo o que se poderá ser.
A mercantilização do desporto transformou a sua matriz inicial e tornou-o numa actividade em que os fins parecem justificar os meios. Como nos dizem Miguel Nery e Carlos Neto (2), “o aumento de competitividade, associado à determinação económica dos objectivos, contribuiu para tornar a acção desportiva incompatível com a ética e fair play nos níveis mais elevados de competição”, o que fez aumentar ainda mais o risco e o acaso no desporto."

Os Jogos da paciência


"A contagem decrescente para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020 continua - ao meio-dia desta sexta-feira faltarão 49 dias para o início da Cerimónia de Abertura, agendada para as 20 horas do dia 23 de julho segundo o “Japan Standard Time”. Tem muito que se lhe diga, este JST. Não propriamente o “Time”, mas o “Standard”…
Apesar das questões que se multiplicam e das respostas que chegam, lentas e difusas, todos se preparam para uns Jogos Olímpicos únicos, também na receção que os autóctones farão aos forasteiros e na ausência de liberdade que estes terão.
A caminho de Tóquio vão a esta hora muitos contentores preparados meticulosamente por cada Comité Olímpico Nacional, carregados de muito material, desportivo, médico, logístico. Outros já chegaram. Vão de todas as partes do Mundo. Nada deve faltar para que tudo corra bem e responda às necessidades dos participantes. Mas dentro desses caixotes metálicos gigantes que atravessam oceanos vai também um ponto de interrogação enorme: como será? Nunca é demais lembrar que os Jogos Olímpicos são grandiosos, únicos, apetecíveis, gloriosos, mas estes serão muito diferentes. Quanto?
Não haverá quarentena, mas nos primeiros 14 dias o “standard” obriga a rotinas muito especiais para as quais é necessária paciência, tolerância, saber estar; haverá muitos testes, todos os dias; janelas abertas a cada 30 minutos; refeições que só podem ser tomadas no sítio Y, nunca no X; viagens assim e assado; sem devaneios libertinários acelerados pela curiosidade de quem vai ao Oriente, mas o Oriente ficará a (des)conhecer à medida das regras impostas por ela, a Covid… ou o Covid, tanto faz.
Abrigada neste ponto de interrogação, uma classe especial já é vencedora neste “time”, segundo este “standard”: os atletas. São tantas horas de trabalho, de esforço, de dificuldades, que lhes saiu ao caminho uma variável com que não contavam para tornar o desafio ainda mais exigente. Muitas vezes até parece impossível como são capazes. Mas eles são-no. Sempre e à medida de cada um.
Há umas semanas, a Joana foi à Sibéria e arrancou a qualificação na Canoagem. Como ela ficou feliz! O José Paulo nadou tanto e com tanto afinco, em Budapeste, que tirou mais de dez segundos ao recorde nacional dos 800m livres e qualificou-se para Tóquio. Foi bonita, a festa. Antes deles tinham sido o Jorge, o José, o Marco, o Tiago, o João, a Fu, a Maria, o Frederico, a Patrícia, a Evelise, o Pedro, a Ana, o João, tantos. Eles já são muitos e serão ainda mais, e estarão prontos para uma competição dura, limpa, frente ao William, à Tamara, ao Shawn, à Mary, Lucy… e muitos outros, de todo o Mundo, que se prepararam em condições tão únicas, tão difíceis.
Os relatos que chegam de Tóquio são valiosíssimos e devem fazer parte do treino de cada um: as esperas de muitas horas nos aeroportos, para controlos, testes; as deslocações para treinos controlados, vigiados; a permanência nos hotéis, mais uma vez controlada e outra vez vigiada.
É, estes serão uns Jogos Olímpicos únicos, especiais. Diria que vão ser os Jogos da Paciência, e quem melhor estiver treinado, desta vez para competir segundo um novo “Standard”, mais uma vez ganhará vantagem. Faltam 49 dias. Há tempo."

Fim de semana de decisões


"A época corre a enorme vapor para o seu epílogo, mas há ainda competições por decidir, nas quais podemos conquistar títulos.
Ontem teve início a final do Campeonato Nacional de futsal. Ante o Sporting, em Alvalade, perdemos por 3-1 numa partida decidida nos detalhes, valendo ao nosso adversário a maior eficácia no aproveitamento das situações de golo criadas. Domingo, às 14h00 na Luz, terá lugar a segunda partida. Hoje os comandados de Joel Rocha já preparam a próxima contenda com o intuito de vencer e, assim, empatar a final.
No andebol, a época fechará com a realização da final four da Taça de Portugal em Pinhel. No sábado, às 15h00, defrontaremos o Sporting. Cada jogo tem a sua história, mas que sirva de inspiração à nossa equipa o triunfo obtido no dérbi do passado dia 29, por 34-32, na penúltima jornada do Campeonato. Se chegarmos à final da prova (domingo, 17h00), a qual vencemos duas das últimas quatro edições, mediremos forças com o vencedor do FC Porto – Águas Santas.
Ainda no andebol, mas na vertente feminina, a nossa equipa tem duas jornadas pela frente para tentar chegar ao título nacional, nesta que é apenas a segunda época no regresso ao escalão maior. As probabilidades não jogam a nosso favor, porém esta tem sido uma temporada de superação, com um desempenho acima das expetativas. No domingo, às 18h00, visitaremos o Colégio de Gaia, atual quinto classificado.
Por fim, nota para o fecho da temporada para a nossa equipa masculina de hóquei em patins, após a eliminação, na negra realizada no rinque do FC Porto, nas meias-finais do Campeonato. O treinador Alejandro Domínguez lamentou os dois golos sofridos no final da primeira parte do jogo, numa partida caracterizada pelo equilíbrio entre as equipas. "No segundo tempo, tentámos reagir de todas as maneiras e ir atrás do resultado, mas não o conseguimos fazer", reconheceu Alejandro Domínguez. Para a história fica a eliminação do Benfica, mas não deverá ser esquecida a péssima arbitragem no jogo 4 (e as do primeiro e segundo) que acabou por se revelar determinante para o desfecho da prova. Exigem-se boas arbitragens no "melhor Campeonato do mundo"."

Nuno Tavares | Um pedido expresso de Mourinho


"Há futuro otimista para o jovem encarnado, apesar da época menos conseguida em termos individuais, proporcional ao abjeto rendimento coletivo. Nuno Tavares não melhorou os números em comparação com o ano transato e um rol de más exibições atirou-o para as catacumbas da opinião pública – situação que se deteriorou com o esfaqueamento reputacional resultante da partilha de vídeos inapropriados nas redes sociais – , azares que representam contexto adverso para o bem-estar do internacional sub-21 português.
No meio deste caos, surge a figura de José Mourinho, segundo se noticia por Itália, interessando-se pelo seu talento, tendo-o em conta para o novo projeto romano no qual Tiago Pinto tem responsabilidades: e é por estas duas figuras que passará a definição duma nova etapa na carreira do Nuno Tavares.
No entanto, até agora, certezas apenas uma: o desgaste que apresenta no SL Benfica torna-se, em certos momentos, obstáculo intransponível para o desenvolvimento do seu futebol, sendo uma mudança de ares fundamental para a sua evolução. Apesar da confiança de Jorge Jesus, as oportunidades escasseiam na sombra de Grimaldo, impedindo sequência consistente de minutos jogados.
Na Série A, o contexto tático transalpino seria lugar ideal para almejar a afirmação plena enquanto futebolista, ambiente propício para a correção das principais lacunas do seu jogo – a parte mental e as capacidades defensivas – e dar o passo em frente na caminhada prevista pelo atual técnico das águias, quando afirmou que Nuno seria o “futuro lateral da Seleção Nacional”.
Depois de uma época de estreia onde completou 24 jogos sob orientação de Bruno Lage e Nélson Veríssimo (acumulando dois golos e seis assistências), Nuno partiu para 2020-21 com estatuto reforçado, principalmente depois de ser um dos únicos elementos nascidos e criados no Seixal a merecer a confiança de Jorge Jesus.
Além de Nuno Tavares, apenas Ferro e Gonçalo Ramos resistiram à transição entre gerências no banco. O lateral acumulou quase a mesma dose de minutos (1302′ contra os 1376′ de 19/20), dispersos por 25 jogos – 14 dos quais a titular, o que lhe permitiu assistir para golo três vezes.
Se a lógica fazia prever uma melhoria significativa das estatísticas, que não aconteceu, muito mais preconizava o desenvolvimento das capacidades técnico-táticas do atleta: as potencialidades físicas do seu jogo foram úteis em determinados momentos da época (o jogo no Dragão, por exemplo), mas em causa estiveram quase sempre as suas debilidades ao nível da concentração nos momentos defensivos, com erros caricatos a marcarem muitas das suas exibições, nunca sendo possível discernir uma melhoria significativa nessa vertente ou mesmo em questões técnicas, nos capítulos do controlo de bola ou do passe, aspetos onde há muito a melhorar.
O potencial, porém, continua intacto. Há muito por explorar no talento de Nuno Tavares e Tiago Pinto, melhor do que a grande maioria, sabe-lo. No comando da AS Roma desde janeiro, como diretor desportivo, olha agora para a antiga equipa como fornecedora de talentos para o projeto que promete revitalizar o clube de Rómulo e Remo.
A escolha de José Mourinho não é alheia a essa vontade de revolucionar toda a equipa de futebol profissional, e a dupla portuguesa olha para o lateral esquerdo encarnado como opção muito viável enquanto concorrência para Spinazzola, o italiano titular do flanco esquerdo giallorossi.
Numa época marcada por lesões em catadupa, a posição foi um dos principais problemas do conjunto treinado por Paulo Fonseca, que teve que imaginar todo um leque de substitutos: desde as adaptações de Karsdorp ou Bruno Peres, passando pelo recurso a talento de origem caseira, de nome Calafiori, canhoto de 19 anos, que ascendeu à equipa principal em alturas de maior necessidade.
O contexto não foi o mais indicado e o peso da responsabilidade mostrou-o ainda frágil para aquele patamar competitivo, sendo essa a opinião generalizada dos superiores romanos segundo o La Gazetta dello Sport, decididos a ceder o jovem por empréstimo para facilitar a adaptação à competitividade sénior. O jornal aponta outros nomes além de Nuno Tavares, como Biraghi (ACF Fiorentina) ou Dimarco (Hellas Verona FC), enquanto hipóteses para o próximo plantel.
Porém, há concorrência a sul da ‘bota’ peninsular, onde o interesse é replicado: em Nápoles, o valor de mercado de Nuno é aliciante (7 milhões) para De Laurentiis, presidente do clube, que procura desesperadamente um reforço à esquerda para suprimir a ausência de Ghoulam, por lesão – Mário Rui é, neste momento, a única alternativa disponível.
A outra opção de mercado, muito mais complicada, é Alfonso Pedraza, uma das figuras do campeão da Liga Europa, o Villarreal CF. O “Submarino Amarelo” pedirá, segundo o mesmo periódico, um valor a rondar os 12 milhões de euros – também acessível aos cofres napolitanos, mas que exige confronto muito mais demorado à mesa de negociações.
Acontece que, perdendo Pedraza, os espanhóis comandados por Unai Emery olham para Tavares como forte hipótese para reforço da lateral, informações desvendadas por Nicólo Schira, reputado jornalista italiano que colabora com o jornal supracitado.
Efeito dominó que se espera como último recurso do destino em relação à carreira do lateral português. A dupla portuguesa que prepara a AS Roma 2021-22 seria fator determinante na vontade e desenvolvimento de Nuno Tavares.
Além disso, a aquisição do jogador encarnado representaria operação de baixo vulto para Dan Friedkin, CEO do clube, e encarada como de fácil e rápida resolução. Resta esperar pelas ideias dos encarnados e de Jorge Jesus no planeamento da sua época.
Grimaldo é sempre peça aliciante para o mercado internacional e poderia representar encaixe significativo, tão necessário para as contas defraudadas do clube. Nesse caso, Nuno seria obrigado a manter-se por Lisboa, ascendendo na hierarquia e tendo oportunidade de se consolidar finalmente no onze das águias."

Lanças...

Derrota no 1.º jogo...

Sporting 3 - 1 Benfica

Esta época nos diversos confrontos directos com o Sporting, só fomos inferiores na Taça da Liga (muitas ausências...), em todos os jogos repartimos o jogo e até fomos superiores em alguns, mas em todos, fomos bastante ineficazes... E nem dou para o peditório do Guita, porque os guarda-redes adversários do Benfica, são quase sempre os melhores em campo, portanto contra os Lagartos, acontece o mesmo...!!!
A marcação do Chishkala ao Zicky acabou por 'resultar', mas 'perdemos' uma das nossas melhores armas ofensivas... Mas construir um plantel sem um Fixo forte, dá nisto... ainda por cima com o Cecílio de fora...!!!

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Fraude...

Corruptos 4 - 0 Benfica

Hoje (jogo 5), e o jogo 3, foram os nossos piores jogos, mas mesmo assim, não se pode branquear o que se passou nesta meia-final: criminoso! Hoje, depois do 4-0 ainda pensei que nos últimos minutos, para tentar 'enganar os tolos' começassem a apitar bem, mas nem assim!!!

No Hóquei, tenho defendido muitas vezes, 'passar' a disputar o campeonato espanhol! Eu sei que os árbitros espanhóis também não são 'santos', mas seria impossível 'igualarem' a roubalheira do Tugão! Tenho consciência que as Federações nunca iriam aceitar algo parecido... Talvez uma Liga Ibérica, com 'todos', mas nessa situação, ficaria tudo na mesma...
A outra hipótese é o fim da modalidade no Clube! Sendo o Benfica o Clube mais antigo a disputar a modalidade sem interrupções, seria terrível assistir a tal decisão... Mas muito sinceramente, não tenho qualquer esperança na 'renovação' da modalidade, o lodo é tanto, que muito sinceramente não vale a pena competir... E desenganem-se quem acha que mudando de treinador ou jogadores, os mesmo de Direcção que as coisas mudariam...!!!

SL Benfica | Os 3 talentos da Segunda Liga com lugar na Luz


"Os campeonatos profissionais em Portugal chegaram ao fim, e é hora do SL Benfica começar a preparar o plantel para a próxima época. Relativamente à Segunda Liga, vários são os nomes que se destacaram ao serviço de algumas das 18 equipas que atuaram nesse escalão. 
No caso das águias, muitas são as opções no plantel principal e, por isso, apenas os jogadores de grande qualidade poderão ter a hipótese de encaixar nas ideias de Jorge Jesus, de modo a atingir os objetivos propostos para a época 2021/2022.
Os encarnados têm lacunas na defesa – ala direita e setor central – assim como na posição de ‘6’ e ‘8’. Depois de um mercado muito atarefado e com mais de 100 milhões de euros gastos em contratações, as águias vão reduzir a despesa no verão que se avizinha e, como tal, os responsáveis da Luz podem olhar para o mercado interno para procurar alterações mais baratas e com qualidade.
Assim, o Bola na Rede decidiu nomear os três grandes destaques desta edição que, porventura, teriam lugar no SL Benfica.

1. Miguel Crespo (GD Estoril Praia) – A principal referência do GD Estoril Praia é também a nossa escolha de eleição para reforçar o plantel das águias na próxima época. Um ‘8’ puro que encaixaria nas necessidades de Jorge Jesus e que traria bastante qualidade ao plantel encarnado.
Miguel Crespo tem 1,83m, apenas 24 anos e joga com naturalidade com ambos os pés, ainda que o seu preferido seja o direito. O médio português formado no CD Feirense apresenta uma visão de jogo e uma qualidade de passe notável, além de ser polivalente – atuando também como médio interior no lado esquerdo e mais à frente, na posição ‘10’.
A comandar o meio-campo do GD Estoril Praia numa temporada de título da Segunda Liga, Miguel Crespo fez seis golos e quatros assistências em 38 jogos com a camisola do clube “canarinho”.
Mas seria esta, de facto, uma escolha interessante para as águias? A resposta é curta e direta: sim.
Numa posição com grandes lacunas e onde Adel Taarabt sempre foi insuficiente para as ideias de jogo de Jorge Jesus, Crespo lutaria arduamente pela posição seja com quem fosse, até porque Gabriel começa a ser falado para uma possível saída da Luz.
O jogador está avaliado em 600 mil euros, mas o GD Estoril Praia deve fixar o seu preço por volta de um milhão de euros.

2. Kiko Bondoso (FC Vizela) – Uma das principais figuras do Campeonato de Portugal na época de 2019/2020 – onde criou mais de 30 oportunidades claras de golo -, voltou a sê-lo na presente temporada, desta vez na Segunda Liga.
O extremo do FC Vizela tem 1,71m, 25 anos e atua preferencialmente no lado direito do ataque, ainda que mude para o corredor oposto conforme as opções táticas ao longo do jogo.
As funções que o jogador desempenha ao longo dos 90 minutos estão em constante mutação: no lado direito do ataque, o português atua como um extremo “natural”, ou seja, percorre o corredor – algumas das vezes até à linha final – e opta pelo cruzamento quando lhe convém fazendo uso do seu pé preferido, o direito. Já no lado esquerdo, a sua função é a de criar o jogo mais por dentro, driblando sobre adversários e servindo os colegas de equipa na frente de ataque.
Exemplo deste companheirismo são os números de Kiko Bondoso na época que finalizou na última semana. Em 31 jogos, o jogador do FC Vizela fez apenas três golos, mas serviu por 10 vezes os seus colegas, terminando num dos primeiros lugares da tabela de assistentes da competição.
Numa altura em que se fala da possível saída de Rafa Silva dos encarnados e da quase certa venda de Franco Cervi, Kiko Bondoso poderia ser uma opção segura e relativamente barata para o plantel de Jorge Jesus na próxima época.

3. Cassiano (FC Vizela) – O melhor marcador da Segunda Liga dá pelo nome de Cassiano, atua no FC Vizela e foi uma das principais figuras da época 2020/2021.
O brasileiro ex-Boavista FC transferiu-se no passado verão para o emblema de Braga e a escolha não podia ter sido melhor. Numa parceria com Kiko Bondoso, o avançado brasileiro fez 17 golos, duas assistências e jogou em todas as partidas da Segunda Liga. Ainda somou 104 minutos em dois jogos na Taça de Portugal.
Um avançado possante de 1,84m que deixou toda a gente com “água na boca” e vários emblemas do principal escalão do futebol português “de olho aberto”.
Contudo, ainda que tenha sido o melhor marcador da competição em análise, dificilmente o avançado seria uma primeira escolha para Jorge Jesus dadas as opções disponíveis: Haris Seferovic, Luka Waldschmidt, Darwin Núñez e, ainda, Gonçalo Ramos. No entanto, a sua experiência, porte físico e instinto goleador poderia muito bem preencher uma lacuna que tarda em aparecer num avançado do plantel encarnado.
Com um valor de mercado a rondar os 250 mil euros, seria uma aposta bem interessante para os emblemas ditos “grandes” em Portugal, nem que seja para uma segunda ou terceira linha do plantel."

O vulcão das bancadas


"Na sequência da final da Champions League, aliás uma comovente gentileza das nossas reverenciais autoridades para com a UEFA, eis que desabou toda uma torrente de críticas: que é inaceitável a implícita “capitis diminutio “ objectivamente atribuída aos adeptos portugueses, quando comparados com os adeptos ingleses, flagrante e infeliz exemplo de desordeiros da bola; que os desacatos nas ruas da Invicta podiam e deviam ter sido prevenidos e evitados, confinando os excitados súbditos de Sua Majestade a uma bolha sanitária; que Portugal é, lá fora, motivo de galhofa por conta da mão firme com os submissos portugueses e mãos largas em relação aos fregueses britânicos de que espera sempre a revitalização do sector turístico...e muitas críticas mais - a ponto de haver inclusive um responsável máximo de um clube e com históricas culpas no cartório da violência no futebol que exige a imediata assunção das consequências políticas, com a expressa sugestão de demissão do próprio Primeiro-Ministro.
Sem deixar de concordar, até à última vírgula, com o coro de vozes indignadas com o comportamento farisaico dos nossos políticos - solícito e servil em relação aos ingleses e desdenhoso e prepotente em relação aos cidadãos portugueses - , um ponto há que me faz conceder uma pitada de tolerância e até de compreensão às autoridades sanitárias portuguesas quando persistem no notório medo de autorizar o público nas bancadas dos estádios.
É que se, por um lado, não há qualquer dúvida de que a matriz genética do futebol é essencialmente multitudinária e, nesse sentido, persistir na ausência de público é lavrar irremediavelmente a sentença de morte deste electrizante espectáculo, por outro lado, ninguém, à luz do critério mínimo e elementar da sensatez, pode deixar de reconhecer a singularidade da tipologia psico-emocional do adepto do futebol: na bancada, que é o território favorável à “unidade mental “ (Gustave Le Bon), ele passa por sucessivos e paradoxais picos de frenética emotividade, como se de um processo de transfiguração se tratasse - com um pormenor decisivo: não é algo que aconteça a um ou outro e mui excepcionalmente. Não: acontece a todos e sempre.
Um cavalheiro que, à tarde vai ao futebol e à noite ao cinema, sendo, no plano protocolar, a mesma pessoa, a verdade é que exibe um comportamento completamente diferente numa e noutra situação.
Na bancada, ele vai-se transfigurando ao ritmo da colectiva ventania, enquanto na sala de cinema se contenta com o formalismo contido de uma mundana frivolidade de circunstância.
E eis-nos chegados ao que poderíamos designar como a aporia moderna do futebol:
Se é verdade que a reiterada ausência de público nega a natureza mesma deste jogo e que é, como vimos, de índole multitudinária, não é menos verdade que considerando o clima passional em que o espectáculo decorre, as reticências das autoridades sanitárias parecem encontrar aí o limiar mínimo de aceitabilidade.
O problema está em que não logramos superar e muito menos ignorar o grito de socorro que o mundo do futebol não se cansa de lançar aos responsáveis políticos.
Só uma miraculosa convergência de sensatez (de todos) e de coragem (sobretudo dos decisores políticos) poderá adiar o”requiem “ que, silenciosamente, se entoa nos nossos estádios.
Porque o espectáculo faz-se para o público, mas é com o público que ele sobretudo se faz."

Karaté: ainda ontem...


"Um praticante e instrutor avançado de karaté (5.º dan) sentiu a necessidade de escrever uma longa carta (21 folhas) em 09 de fevereiro de 1987, remetendo-a para diversas entidades, pedindo a interferência de quem de direito. Na opinião desse praticante “o funcionamento do Karate, da forma como se vai processando na presente situação, nem sempre estará correcto”. Lamenta-se que “(…) dei o meu contributo para que as coisas estivessem assim (…)”. “Penso que o Karate, tendo como forma institucional as inúmeras associações (de âmbito nacional e não regional) existentes, com as respectivas divergências de ideais, servindo os seus interesses através de democráticas votações, (…), em nada ajuda o Karate Português, pois são mais as divergências do que as coincidências”.
O que estava em causa? Eram as atitudes de alguns dos dirigentes da Federação Portuguesa de Karaté e Disciplinas Associadas (FPKDA) (1986-1992). Vejamos algumas: 1) a sede da FPKDA estava domiciliada na sede da Associação Shotokan Karaté de Portugal (ASKP); 2) o presidente de direção da FPKDA era presidente de direção da ASKP; 3) o presidente do Conselho Técnico da FPKDA tinha funções semelhantes na AKP; 4) outros cargos desempenhados na FPKDA eram desempenhados por elementos da ASKP. Se não bastasse, as reuniões eram marcadas sem a devida antecedência, impossibilitando a comparência dos instrutores e praticantes. A história é velha e repete-se!
Nesta carta foram alvitradas sete propostas, por forma a alterar um conjunto de situações, que este instrutor considerava importante. De facto, “(…) entre nós, associações, clubes e praticantes de Karate, acossando-se e tentando cada um ser o melhor da paróquia, sem tantas vezes olhar a meios”, salienta o instrutor autor da carta. Acusava ainda a Comissão Diretiva de Artes Marciais (CDAM), criada em 1972 (Decreto-Lei n.º 105/72 de 30 de março) e extinta em 1987 (DR I Série n.º 33, de 9 de fevereiro de 1987, com o n.º 69/87), de querer sobreviver, servindo de “pêndulo nestas ‘guerras’, aplicando e modificando as leis conforme as necessidades e possibilidades”. As receitas financeiras da FPKDA eram escassas. Eram os praticantes de karaté que pagavam a sua formação, deslocações e estadias. De lá para casa, esta questão não se alterou muito. O autor da carta interrogava-se para onde teriam ido as receitas do 1.º Curso Nacional de Arbitragem? “As receitas desapareceram… As despesas não foram pagas”, arrematava.
Em 1987, a FPKDA realizou o primeiro torneio interassociações, em Miraflores. Contou com a participação da arbitragem do 1.º curso nacional de árbitros (que teve lugar em 14, 15, 21 e 22 de junho de 1986, onde foram qualificados 6 juízes 3 árbitros associativos). Incluiu provas de kumité (combate entre dois praticantes) e katas individuais e por equipas, femininas e masculinas. O segundo torneio teve lugar no Porto, contando com a participação de 99 praticantes. Esta prova serviu para o exame final de 23 novos árbitros que terminavam o 2.º curso nacional de arbitragem.
A história da FPKDA é cheia de peripécias, que mereciam um estudo aprofundado. Num estado de alma, o autor da missiva refere “quando um dia formos velhos, e soar a hora de nos juntarmos a tantos outros que já estão no outro mundo, não sei para que terá servido tanta luta pelo PODER e por uma RAZÃO que tantas vezes não é nossa”.
As lutas entre a Federação Portuguesa de Karaté (1985-1992) e FPKDA (1986-1992) viram depois a fundir-se na Federação Nacional de Karaté – Portugal (FNK-P). Passou a haver uma unificação federativa a partir de 1992."

Leonor...

quarta-feira, 2 de junho de 2021

105x68...

Derrota...

Belenenses 33 - 29 Benfica
(16-16)

Depois da vitória na jornada anterior com o Sporting, nova derrota, com uma equipa mais 'fácil'... Desta vez, sabendo da Final Four da Taça de Portugal, disputada no próximo fim-de-semana, este resultado acaba por não surpreender...!!!
Sábado, novamente contra o Sporting, é para ganhar!

Parceria estratégica


"Foi ontem anunciada a ligação entre o Sport Lisboa e Benfica e o WiZink, líder de mercado no segmento dos cartões de crédito, que terá uma duração de cinco anos.
Este acordo, além de prever um encaixe financeiro significativo para o Clube, insere-se na política de valorização da condição associativa dos benfiquistas, implementada através do programa Mais Vantagens, o qual se traduz numa vasta oferta de descontos proporcionada aos sócios do Sport Lisboa e Benfica em produtos e serviços de um conjunto alargado de empresas parceiras.
Acresce que esta área de negócio não estava presentemente coberta no âmbito do programa Mais Vantagens pelos mais de 650 parceiros. Assim, a escolha do WiZink, pelo seu conhecimento na área de meios de pagamento, particularmente em parcerias na área de cartões de crédito, acrescentará valor à oferta disponibilizada aos sócios do Clube.
A breve trecho será anunciado um novo cartão de fidelização, que unirá a experiência e o know-how do WiZink em parcerias de co-branding com a ambição do Clube em oferecer o melhor programa de fidelização, com vantagens e benefícios exclusivos para os associados e adeptos benfiquistas.
Para Domingos Soares Oliveira, CEO do Sport Lisboa e Benfica, "este acordo insere-se na política de parcerias dos últimos anos, no sentido de trabalhar com as empresas líderes de mercado, mas também empresas que se destacam pela componente inovadora e na aposta cada vez mais real em tudo o que é digital". "Respeita o plano estratégico do Benfica de apostar cada vez mais nos melhores e nos mais inovadores. O facto de podermos proporcionar cada vez mais vantagens, mais valor acrescentado e mais benefícios aos nossos adeptos e Sócios é muito significativo", disse, revelando ainda que está prevista, ao longo deste mês, a celebração de 12 parcerias, entre novas e renovadas.
Por seu turno, Miguel Ángel Rodríguez Sola, CEO do WiZink, destacou a partilha de "valores comuns como o compromisso, a paixão pela inovação e o desejo de atingir novas metas" na base deste acordo, complementando com a ideia de que, para o banco que lidera, se trata de "um símbolo do compromisso com o mercado português onde quer continuar a crescer".
À margem deste anúncio, Domingos Soares Oliveira informou que está prevista a emissão de um empréstimo obrigacionista pela Benfica, SAD na primeira quinzena de julho."

Duas vitórias, uma causa humanitária


"Uma onda de solidariedade a favor das vítimas do terramoto de Messina, a que o Benfica não foi alheio

A 28 de Dezembro de 1908, Itália sofreu um dos mais mortíferos terramotos de sempre. Portugal não ficou indiferente, tendo-se realizado, um pouco por todo o país, várias actividades de angariação de fundos e donativos a favor dos sobreviventes da catástrofe. Entre as que despertaram maior entusiasmo do público estavam os eventos desportivos, demonstrando o seu papel relevante na participação da comunidade. O Benfica, com o traço solidário que o caracteriza, participou em diferentes provas, alcançando dois títulos históricos.
O desafio de futebol entre os grupos mistos de jogadores ingleses e portugueses, compostos pelos 'melhores «players», actualmente em Lisboa', era considerado o 'maior acontecimento desportivo dos últimos tempos'. Adiado várias vezes devido ao mau tempo, era 'esperado com verdadeira anciedade' pelos adeptos, cujos bilhetes foram muito disputados. Finalmente, a 2 de Fevereiro de 1909, no Campo do Lumiar, os dois conjuntos entraram sob calorosas salvas de palmas da numerosa assistência. O grupo português era composto maioritariamente por jogadores do Benfica, nomeadamente Persónio, Mocho, Cosme Damião, Artur José Pereira, António Costa, Luís Vieira, António Meireles e Carlos França.
O jogo 'foi brilhante, notando-se logo de princípio no grupo portuguez uma união e energia que inutilizaram os melhores esforços do grupo inglez', tendo terminado com a vitória dos portugueses, por 4-1, em que um dos tentos foi marcado por António da Costa. Foi uma vitória importante do grupo português, 'tanto mais lisonjeiro por ser raro', mas principalmente para a causa humanitária, calculando-se que a receita tenha excedido a soma de 200 mil réis.
Cindo dias depois, no Velódrome da Palhavã, realizou-se um concurso de jogos atléticos mas, infelizmente, a assistência 'não passou de regular', devido a dois adiamentos e a um 'dia um pouco desagradável'. Todavia, a 'festa, sportivamente, foi um triumpho'. Numa prova duramente disputada o benfiquista Alfredo Camecelha venceu na especialidade de lançamento do peso, lançando a 'bala de ferro de 7.25 kilos a 9m30, o que é muito bom', destacando-se 'a maneira elegante como lança o peso'. Um marco incontornável, pois esta vitória individual foi a primeira em atletismo da história do Clube.
Saiba mais sobre acontecimentos da história do Clube e da capital portuguesa no área 14 - Lisboa e Benfica do Museu Benfica - Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

Mão pesada!!!!!!


"Ali, fortissíma a manápula pesadonga da lei. Quase andam à trolhada num espetáculo desportivo, transmitido em directo para todo o país, pumbas, 10 dias de férias sem sair do quarto para um e 3 dias a lavar a loiça para outro. Com o CD (e o Record) ninguém brinca catano.
PS - por mais 2 ou 3 dias, tinham deixado voar uns sopapos para a malta rir um bocadinho."

Modalidades #49 - Semanada...

Bola na mão? No braço? Golo? Há novas regras para 2021/22 (e um novo fora de jogo em estudo)


"Já aqui vos falei sobre algumas das alterações às regras aprovadas para a próxima temporada (a partir de 1 de julho).
Porque o saber não ocupa espaço, recorde aqui as mais relevantes:
I - Golo Marcado Após Toque Com a Mão/Braço do Atacante
A partir da próxima época, o golo só será anulado se:
1 - For marcado diretamente com a mão/braço do atacante (ainda que involuntariamente);
2 - Se for marcado após a bola tocar acidentalmente na mão/braço do atacante e este obtiver golo logo de seguida (com o pé ou cabeça, por exemplo).
Quer isto dizer que, ao contrário do que acontecia até aqui, passará a ser legal o golo marcado por outro jogador, ainda que imediatamente antes a bola tenha ressaltado na mão/braço de um colega.
Além disso, será igualmente legal a bola inesperada/casual que toque na mão/braço do atacante antes deste sofrer falta passível de pontapé-livre ou pontapé de penálti.
Só para que não restem dúvidas:
- A partir da 2021/22, mãos e braços involuntários dos avançados só serão punidos se o próprio jogador marcar diretamente ou imediatamente a seguir.
II - Bola Na Mão/Braço Dos Jogadores (Em Todos os Outros Casos)
De forma a tentar dar mais justiça e coerência às decisões (de punir ou não punir determinados lances), os árbitros devem passar a avaliar:
1 - Se há ou não gesto deliberado de um jogador em levar as mãos/braços na direção da bola. Se houver, em princípio é para punir. Se a bola for ao encontro das mãos/braços do atleta, em princípio não é;
2 - Se determinado toque na bola resulta do facto do jogador fazer crescer o seu corpo de forma "não natural", ou seja, sem justificação aparente. Se isso acontecer, é para sancionar.
Se a posição pouco natural das mãos/braços de um jogador for interpretada como normal/expetável para a sua ação, para o seu movimentos naquele contexto, não deve haver punição.
A análise continuará a ser muito subjetiva (o movimento justificado para uns poderá não ser para outros), mas define um critério mais justo, que seguramente levará à existência de menos infrações.
III - A Proposta de Arséne Wenger Para os Foras de Jogo
Está muito bem lançada para aprovação futura (baseada em testes de campo a realizar) a proposta do ex-técnico francês para a avaliação dos foras de jogo.
O agora diretor para o Desenvolvimento do Futebol Mundial (FIFA) defende que um jogador não deve ser punido por fora de jogo se qualquer parte do seu corpo (com a qual um golo pode ser marcado) estiver alinhada com o penúltimo defensor.
Ou seja, se apenas a ponta do pé do atacante que está adiantado coincidir com qualquer parte do corpo do defesa, não deve haver sanção.
Na prática um atacante só seria punido se, no momento do passe, o enquadramento de todo o seu corpo estivesse totalmente à frente do corpo do penúltimo adversário.
A alteração teria forte impacto tático nas equipas e levaria a uma redução substancial das punições. O futebol de ataque seria beneficiado, o que corresponde na íntegra ao que sempre esteve consagrado no espírito da lei 11.
Vamos esperar para ver."

Um copo em honra de Giuseppe Meazza


"No intervalo das críticas que escrevia sobre vinhos, Luigi Veronelli contava jogadas de Meazza que nem o próprio vira

Peguemos num italiano médio, sem grandes peneiras, se isso for possível, mas também sem pena de si próprio como uma personagem de Ettore Scola. Se lhe estabelecermos uma lista de prioridades no que a gostos respeita, começará muito provavelmente pela mãezinha. Não há italiano médio ou de outra classe qualquer que não ponha a mãezinha no topo das preferências. Na sua maioria confundem a mãezinha gorda com as mãos enfarinhadas de fazer gnochi com a Madonna e isso já obriga o mamífero a dar voltas ao bestunto para perceber ao certo o que se pretende com o suposto inquérito.
Tenho diversos amigos italianos, uns mais típicos do que outros – no Porto diriam mais castiços – e no geral as suas listas de preferências começam com a mãezinha e com a Madonna, tanto faz, e prosseguem com carros, mulheres, spaghetti al dente, limoncello, mais carros e mais mulheres, nem sempre por esta ordem e geralmente carros vermelhos e mulheres ruivas – ou de olhos como piscinas de águas negras como os da Claudia Cardinalle –, sem faltar o calcio, ou uma visão muito especial que têm do futebol, nem sempre simples de entender.
Não são de falsas modéstias, Deus lhes perdoe. O futebol italiano é, sem dúvida, o melhor, mais belo e mais bem jogado do mundo, além de exibir uma superioridade tática sobre todos os outros como consequência de longos estudos sobre a matéria. Houve tempos em que, por pilhéria, consideravam o futebol francês como o futebol mais bem escrito do universo: tinham as prosas mágicas de Jacques Ferran, Gérard Ernaud, Gabriel Hannot, ou do meu querido amigo Jean-Philippe Retacker, puseram em marcha a Taça dos Campeões e a Taça das Nações, que se transformou em Campeonato da Europa de Futebol, mas as suas equipas a sua seleção ganhavam zero.
Vai daí, os franceses, sempre preocupados historiadores de tudo o que rodeia os fenómenos desportivos, responderam com uma dureza excessiva. Isto é, nada o que se publicava no Tuttosport, na Gazzetta dello Sport ou no Corriere dello Sport era para levar a sério, pelo menos de imediato. Até certo ponto tinham razão. Além de grandes especialistas em mãezinhas, os italianos são os príncipes florentinos dos exageros floreados.
Uma das boas tranquibérnias abertas pelo exagero de um autor italiano, teve como protagonista vários pesos pesados. Primeiro o próprio autor da prosa, Luigi Veronelli, intelectual, crítico de gastronomia e de vinhos, ensaísta político, um daqueles homens para os quais nada havia no mundo que se comparasse a um produto italiano. Nesse caso, o produto foi Giuseppe Meazza, o grande jogador do Inter que deu nome ao Estádio de San Siro e ainda passou duas épocas pelo Milan.
Da pena de Veronelli saiu esta pérola digna dos pescadores em apneia do Ceilão: «Eu vi jogar Pelé. Estava muito longe do elegante estilo de Meazza. Certa vez, mesmo à minha frente, vi Pepe Meazza fazer algo que nenhum outro jogador do mundo seria capaz de repetir. Parou a bola no ar com um pontapé de bicicleta no qual, em vez de a chutar, se limitou dominá-la. Ergueu-se a cerca de dois metros de altura.
Depois regressou à terra com a bola colada ao pé direito, fintou um defesa completamente estupefacto, e marcou um golo ao seu jeito, num daqueles remates perfeitos e sardónicos». Sabendo-se da atração que Veronelli tinha por uns bons copos de Valpollicela Amarone, de Barollo e de Nobile de Momtepulciano, pode muito bem desconfiar-se, assim à primeira, deste relato de um gesto único que mais ninguém parece ter testemunhado.
Luigi tinha um feitio complicado e era melhor não correr o risco de o contrariar, sobretudo após as libações. Vendo bem, sob a latada fresca da sua casa em Isola, nos arredores de Milão, estava no direito de dizer o que lhe desse na real gana enquanto os seus convidados despejavam garrafas de tinto acompanhadas de prosciuto crudo e borratina, sem que faltasse o pão e, de tempos a tempos, um grito claro. «Ma, per la Madonna, que Santa Lucia mi rube la luce degli occhi si questo qui raconto non è la pura realtá!». E, em seguida, mentiam até à protérvia.
Luigi Veronelli passou a vida a escrever sobre comida, vinho, política e Giuseppe Meazza. Conseguia contar proezas de Il Balila, o Garotito, como lhe chamavam os colegas por ser tão frágil fisicamente, que nem a sua própria mãezinha, como toda a boa vontade de concordar com o que dissesse il figlio não engoliria de maneira nenhuma. Diz-se que foi Luigi que inventou o golo à Meazza, basicamente um lance em que Giuseppe ia passando por todos os adversários que lhe iam surgindo pela frente até deixar a bola dentro da baliza.
Também terá sido ele e a sua florescente imaginação que lançou a imagem do penálti à Meazza: Pepe corria devagarinho para a bola, dava a sensação que chutaria para um lado, tombava o guarda-redes e dava-lhe um toque ligeiro para o lado contrário. Depois, e copo de vinho na mão, assombrava os amigos: «Esta disse-me o próprio Meazza – não há nada mais frustrante do que ver um penálti ser defendido por um guarda-redes tão burro que nem percebia o meu truque»."

terça-feira, 1 de junho de 2021

Ação redobrada: Crianças sempre!


"Sabemos que são difíceis os tempos que correm. Isso não é novidade, mas a nossa resiliência também não! Para mais, o pior poderá já ter passado no que à saúde diz respeito, todos o queremos e todos acreditamos nisso, mas as ondas de choque da terrível pandemia começam a fazer-se sentir na vida das famílias e assim continuarão a desafiar-nos, impacto após impacto, por algum tempo.
Aprender-se-á nos manuais de História que uma vez mais o jogo cruel da seleção natural pôs à prova a resistência e o engenho humanos. O Benfica soube pensar além de si próprio e superar-se na sua ação humanista, atuando de forma pronta e musculada.
O Benfica agiu, como sempre. Porque o Benfica tem uma coisa dentro de si, a que os benfiquistas gostam de chamar Mística, e que o obriga a superar-se a cada obstáculo do caminho e a acreditar nas pessoas e dar-lhes tudo de si para que se realizem plenamente e protagonizem na vida de cada um a divisa de excelência que a todos nos impele: "De Muitos Um!", cada um de nós!
Por isso, para isso, o Sport Lisboa e Benfica instituiu a Fundação Benfica há 12 anos, tendo já envolvido em projetos de apoio e desenvolvimento social mais de 210 000 beneficiários em 10 países desde então, com um crescimento de atividade e escala, impactando diretamente mais de 34 000 pessoas em 2020, a maioria das quais em Portugal.
O foco dos projetos da Fundação são as crianças e jovens, combatendo todas as formas de exclusão e a pobreza infantil e promovendo a sua inclusão educativa como passaporte para o futuro. Em Portugal, a Fundação atua junto de diferentes públicos, do 1.º, 2.º, 3.º ciclos e ensino profissional, sendo já bem conhecidos dos benfiquistas projetos como:
- "Para ti Se não faltares!"
- "Community Champions League"
- "Hat-Trick: Treinar, Jogar e Vencer"
- "Benfica Faz Bem"
- "KidFun – Educação para Valores"
- "Show Racism the Red Card"
Mas o Benfica é enorme e olha para o país como um todo, por isso, não descurando a aposta central na educação, leva ainda a Fundação a acompanhar as dores do país, levando-lhes como bálsamo a solidariedade infinita dos benfiquistas e a vontade indómita de vencer, sem nunca desistir, que nos caracteriza. Por isso mantemos e intensificamos ainda a nossa ação em projetos de Desporto Inclusivo como:
- "Walking Football" – Seniores (+50)
- "Futebol Adaptado" – pessoas portadoras de deficiência
- "Futebol de Rua" – jovens apoiados por projetos sociais
- "Welcome through Football" – refugiados
Mas também e crescentemente no futuro, nas áreas da sustentabilidade e educação ambiental com projetos nascidos da nossa reação aos terríveis incêndios de 2017, que mantemos ainda hoje como prevenção porque a memória benfiquista não é curta, como não é fugaz ou apenas de circunstância a nossa ação. O projeto "Faz da tua Escola um viveiro!" é disso um exemplo vivo, como o é a ação contínua da Fundação Benfica ao longo de todo o ano ao nível da assistência humanitária e do projeto Benfica Contigo.
São estes os projetos que mantemos durante esta dura provação, depois de uma reação à pandemia que levou o Benfica a duplicar o investimento social e a superar-se num apoio efetivo de mais de 1 200 000 euros ao SNS em material indispensável ao salvamento de tantas e tantas vidas por entre a trágica pandemia que ceifou a vida a tantos dos nossos entes queridos.
Redobraremos a nossa ação porque da solidariedade ativa e da tenacidade das organizações e dos cidadãos depende o futuro de todos nós e porque já todos sabem, benfiquistas ou não, que o nosso Benfica é fiável, sabe fazer e faz. Mais, está sempre lá quando é preciso!"

Benfica FM #161 - Temporada...

Benfica

SL Benfica | O regresso de Tiago Dantas

"A temporada a nível de clubes está oficialmente terminada e recomeçam os rumores de mercado, bem como o regresso “a casa” dos jogadores emprestados. E ao que tudo indica, o FC Bayern Munique não exercerá a cláusula de compra por Tiago Dantas, pelo que o jogador português deverá regressar aos encarnados, podendo ser opção para Jorge Jesus.
Os bávaros teriam de desembolsar 7,5 milhões de euros para poder ficar com o passe de Tiago Dantas, o que não acontecerá. Segundo a imprensa alemã, o médio era uma aposta de Hansi Flick, que está de partida do comando técnico do clube bávaro e para o seu lugar chegará Julian Nagelsmann, treinador que orientou o RB Leipzig durante duas temporadas.
Pois bem, com a saída de Flick, Tiago Dantas perde o pouco espaço que tinha no plantel dos campeões alemães e, por essa razão, regressará a Lisboa para saber o seu destino. Ainda assim, Dantas sai da Alemanha como campeão nacional e campeão mundial de clubes. Contudo, pouco ou nada acrescentou ao FC Bayern Munique, equipa que representou por apenas duas vezes.
De resto, jogou pela equipa secundária do clube por sete vezes não tendo registado nenhum golo ou assistência. De volta a Lisboa, Tiago Dantas terá de conquistar um lugar no plantel principal dos encarnados, onde terá imensa concorrência. Ainda assim, o português tem a qualidade necessária para ser opção para Jorge Jesus. Não sendo um titular indiscutível, julgo que poderia ser uma opção “barata” para mexer com o jogo quando assim necessário.
Com apenas 20 anos, o médio português procura iniciar-se e afirmar-se ao nível do seu talento e no Sport Lisboa e Benfica não vejo isso a acontecer, pelo menos não imediatamente e não regularmente. Neste idade os jogadores precisam de minutos, precisam de se desenvolver e, infelizmente, o clube da Luz não parece ser o lugar ideal para Tiago Dantas.
A equipa secundária dos encarnados, caso o jogador fique contratualmente ligado ao clube, parece ser a opção mais válida com chamadas pontuais à equipa principal, bem como realizar os treinos com a equipa A.
Também não está descartada a hipótese de uma transferência, quer seja a título definitivo ou de empréstimo, se bem que o empréstimo será a opção que agradará mais às águias. Dantas parece ter ganho novos admiradores na Alemanha e fala-se no interesse de clubes não só da Bundesliga, como do resto da Europa.
Tiago Dantas é um jogador elegante que destila qualidade cada vez que toca na bola. O seu físico franzino é o seu maior defeito, até porque num futebol que depende cada vez mais do físico, jogadores que são menos portentosos acabam por ser colocados de parte. No entanto, Dantas sempre conseguiu contornar essa sua debilidade com a sua técnica aprimorada.
Faz do seu passe e visão de jogo os seus pontos mais fortes e é capaz de pautar o jogo a seu belo prazer. Transborda qualidade pelos pés e é um dos jovens jogadores portugueses a acompanhar nos próximos tempos.
Após ter percorrido todos os escalões de formação do SL Benfica, clube onde está desde os seus quatro anos de idade, Dantas procura chegar ao plantel principal e jogar de forma regular."

É de família (literalmente) – Há outro Félix por aí à solta na formação


"“Com a idade dele, eu nem tinha o caparro que ele tem, nem fazia coisas que ele faz. Ele bate melhores livres do que eu e eu bato melhor penáltis, mas jogamos mais ou menos nas mesmas posições. No futebol, é preciso jogar simples, mas gostamos de fazer algo diferente, que anime o público e nisso temos algumas parecenças. Desde pequenos vimos um e outro a jogar e tentamos fazer igual.”
João Félix, sobre o irmão.

Devido a questões pandémicas e quase mais de um ano depois, regressaram as competições oficiais nos escalões de formação com a realização dos Torneios Nacionais (sub-15, sub-17 e sub-19), provas organizadas pela Federação Portuguesa de Futebol. Uma oportunidade para estes jovens voltarem a ter o estímulo competitivo em jogo (que por si só constitui também uma componente formativa) tendo em vista o seu desenvolvimento e também para voltarmos a ter um pequeno vislumbre daquilo que serão as gerações de futuro do futebol nacional. E é no Seixal que tem andado à solta um dos maiores talentos da geração de 2004: Hugo Félix. O irmão do jogador do Atlético de Madrid (quem não se lembra do terno abraço entre ambos na Luz) tem estado recentemente em destaque no escalão de Juvenis, mas já atuou pelos Juniores e inclusive já fez a sua estreia pelos sub-23 (com apenas 16 anos!) em Fevereiro, frente ao Cova da Piedade. Atuando normalmente como médio-interior de características mais ofensivas na estrutura de 1-4-3-3 padrão dos escalões de formação do SL Benfica, o jovem criativo apresenta já algumas características que o distinguem dos demais: a relação com bola, expoente máximo de uma coordenação motora que lhe confere um jogar muito elegante; a relação com o golo, seja pela espontaneidade de remate exterior ou pela capacidade de chegada à área partindo da posição de interior; a execução nos esquemas táticos, seja em ações de remate em distância ou cruzamento.
Convocado para o estágio de preparação tendo em vista o Europeu de Sub-17, é de esperar que Hugo Félix continue tranquilamente a sua evolução (de preferência como atualmente, em contextos de escalão acima que lhe causem mais e diversos tipos de problemas) e que possa ser mais um produto do Benfica Campus a bater à porta da equipa principal a médio prazo. Deixamos então alguns momentos do jovem médio nos Torneios Nacionais da presente época."