Últimas indefectivações

quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Luisão e Paulo Lopes | Reforços de peso para o balneário

"O ano de 2018 foi duro para as “águias”. Além de não terem conseguido conquistar o pentacampeonato, os encarnados viram algumas figuras de peso abandonar o balneário.
Paulo Lopes, o “eterno terceiro guarda redes” encarnado, anunciou que iria pendurar as luvas, aos 40 anos, sendo que iria prosseguir a sua carreira na Luz como treinador de guarda-redes da equipa sub-23 do Benfica.
Também Shéu Han, após cerca de 20 anos a desempenhar a função de secretário técnico, anunciou, por motivos pessoais, que iria assumir outros cargos na Luz.
E como não há duas sem três, também Luisão anunciou que, ao fim de 15 anos ao serviço das “águias”, iria colocar um ponto final na sua carreira de jogador profissional, passando a desempenhar um cargo nas relações internacionais do clube.
Em suma, num ano, perderam-se três referências no balneário encarnado. Três “monstros sagrados” cuja capacidade para passar a mística e o poder do Benfica quer aos jogadores estrangeiros, como aos mais novos, valeram dezenas de títulos para o palmarés vermelho e branco.
No entanto, a situação parece que vai mudar na época 2020/21. Com o regresso de Jorge Jesus ao comando técnico dos encarnados, voltam dois nomes de peso ao balneário. Luisão e Paulo Lopes vão ingressar na equipa técnica do treinador português, ocupando os cargos de secretário técnico e treinador de guarda redes, respectivamente.
Numa altura em que se perspectivam várias mudanças no plantel, com o próprio Jorge Jesus a admitir, em entrevista à Benfica TV, que “muitos ainda não chegaram e muitos não vão ficar”, ter dois pesos pesados da história das “águias” no balneário será muito importante para receber e integrar os novos jogadores à realidade encarnada.
A presença do antigo guarda redes e do antigo capitão também serve para controlar melhor o balneário encarnado, numa altura em que se suspeita, especialmente devido a toda a situação que levou ao despedimento de Bruno Lage, que poderá haver algumas maçãs podres que desestabilizam o plantel."

Cadomblé do Vata (teutões!)

"Argentina pelo Maradona e Brasil pelas afinidades históricas. Quando os jogadores portugueses se recusavam a cancelar as férias no Algarve para participarem em Mundiais, eram estas as equipas preferidas de 4 milhões de adeptos nacionais. Os outros 6 milhões eram todos suecos, porque "quer-se dizer"... aquilo era tudo tão nosso que ainda hoje ninguém entende porque não equipavam de vermelho e branco. Mas eu não só era alto, tosco e loiro, como também, no espaço entre o Cabo de São Vicente e a fronteira franco-germânica, era o único admirador da Alemanha.
Desde cedo que me deleito a ver jogar aqueles feios, porcos e maus teutões. Apreciava a forma como durante 90 minutos, estraçalhavam a relva, o adversário desse jogo e os futuros oponentes. Bastavam os nomes dos jogadores para fazerem tremer qualquer rival.. Klaus Auguenthaler, Jurguen Kohler, Guido Buchwald, Bernd Schuster, Lothar Matthaus (certamente estão todos mal escritos). Era o futebol quase perfeito: inteligente, físico e técnico. Mas o que realmente me deleitava, eram os pontas de lança deles. 
O poderio alemão via-se na frente: Rud Voller, Jurguen Klinsmann ou Karl "Air" Riedle eram apelidos que se davam à palavra Golo. Mais tade Carsten Jancker ou Oliver Bierhof eram sinonimo de Pinheiro Nórdico com Pernas. E eu, como puto imberbe que era, sonhava em ver um daqueles pontas de lança alemães com a camisola do SLB. Tanto sonhei, que quase aconteceu, quando em 1996, Toni ia convencendo o Bayer Leverkusen a ceder-nos Ulf Kirsten em troca de um saco de rebuçados. A transferência só foi realidade durante 24 horas... foi um dia inteiro a escrevinhar possíveis 11 titulares do Glorioso, que girassem à volta do ex. farmacêutico, nas ultimas páginas dos cadernos na escola. 
Imaginem pois a moral com que acordei hoje. Waldschmidt não é bem ponta de lança e eu nunca o vi jogar, mas porra... anda lá pela frente, é alemão e tem o cognome de Bomber. Para mim chega. Nem percebo porque discutimos preços com o Friburgo. Comigo era logo "cláusula de 23 milhões? Tomem lá 25 biscas e fiquem com o troco". Reparem que o mas próximo que há da Mannschaft em termos de eficácia no futebol mundial, é a Squadra Azurra. E o novo 10 chama-se Gian Luca Waldschmidt... este miúdo só não singra no SLB se ficar muito ofendido com a forma como JJ vai pronunciar o nome dele."

terça-feira, 11 de agosto de 2020

O rapaz que até sabia voar...

"Ainda não tinha 20 anos e bateu-se no Estádio do Lima no quinteto avançado do Benfica com a franqueza de quem tinha um nome inesquecível: Guilherme Santana Graça do Espírito Santo. Era o mês de Abril de 1938. Três meses mais tarde, bateu o recorde nacional do salto em comprimento. Nunca o esqueçam!

Sempre gostei do nome: Guilherme Espírito Santana Graça do Espírito Santo. Convenhamos: um nome assim não pode deixar de estar abençoado.
Era grande, Espírito Santo. Um daqueles enormes que ficará para todo o sempre na história do Benfica e no coração dos seus adeptos. No dia 10 de Abril de 1938, Guilherme Espírito Santo estava no Porto, no Estádio do Lima. Fazia parte do quinteto ofensivo dos encarnados que defrontava o FC Porto num jogo decisivo para a luta pelo título de campeão. Os outros era Domingos Lopes, Valadas, Rogério e Xavier.
Dia de festa, claro. 'Não há como o foot-ball para alegrar as cidades. O Porto teve, hoje, um movimento intensíssimo. É certo que veio muita gente de Lisboa, cerca de 3000 pessoas. Mas de Braga, de todo o Norte, da região do Vouga e do Douro, chegam a todo o momento camionetas e automóveis carregados de desportistas. Alguns carros vêm engalanados com as cores dos clubes. Às 16 horas já não se cabia no magnífico Estádio do Lima, milhares de pessoas aglomeram-se, comprimidas entre as bancadas e o peão. Notam-se milhares de senhores. Dizem-nos que a enchente é maior do que contra o Sporting, que, como se sabe, rendeu 100 contos!'.
Para o Benfica, não perder significativa a mais que certa conquista do campeonato. Mas, com um quinteto de diabos na frente, não há modos de se jogar para o empate.
O primeiro golpe foi deles. O segundo também.
As águias bicam ferozmente a defesa contrária na procura do golo que as empurre para vitória. Os portistas defende,-se rijamente.
Vamos, a esta distância toda, de 82 anos, vejam bem, pôr os olhos em Guilherme Espírito Santo. É verdade que não marcou nenhum dos golos do Benfica, eles couberam a Rogério de Sousa e a Valadas, mas como não fixar a sua figura esbelta, negra retinta, de um negro divino? Ele é de uma elegância que nenhum outro dos 22 em campo é capaz de copiar. Um belo terrível para os opositores que o julgam uma sombra, surgindo e desaparecendo de grande área como um fantasma, desfazendo marcações, insubmisso sempre, ele, um ser livre e incontrolável que nasceu em Lisboa, descendente de são-tomenses, e passou a infância em Luanda jogando no Sport Luanda e Benfica.
Guilherme Espírito Santo. Nunca se esqueçam desse nome!

Depois voou...
Nesse dia do Porto, Guilherme Espírito Santo era um menino. Isso mesmo: um menino. Veio não completara 20 anos. E, no entanto, todos esperavam dele qualquer coisa de diferente, de mágico. Os seus movimentos nunca eram previsíveis. Não se pode ignorar que era, igualmente, um excelente atleta de salto em altura, salto em comprimento e triplo salto. Usava a sua matreirice para fazer do seu futebol uma mistura selvagem de tudo o que aprendera, no campo e nas pistas. Tinha a velocidade incontrolável de uma gazela e era capaz de colar a bola aos pés e partir em disparada com os adversários atrás dele, procurando atingir-lhe os calcanhares e os joelhos tal como quem vai à caça de uma ratazana. Mas Guilherme era abençoado, recordam-se? Era Graça e Santana. E Espírito Santo. O céu, lá do alto do seu azul, tornava conta dele.
O intervalo pode ter chegado com vantagem portista por 1-0, mas o Benfica virou a segunda parte para 1-2. Dois a dois nas contas decisivas. As bandeirinhas vermelhas tornavam conta do Estádio do Lima nesse mês de Abril ensolarado. Os benfiquistas, felizes, regressavam a casa. Guilherme já pensava mais longe, já pensava mais alto, já pensava mais forte. Era assim mesmo. Um batalhador incansável, um campeão com letra maiúscula e com um ponto de exclamação no fim.
O mês de Julho ferveu em Portugal. O campeonato acabara, mas a ambição de Espírito Santo era infinita. No dia 10 participou nos campeonatos de atletismo. Na prova de salto em comprimento, correu como um Mercúrio negro de asas nos pés pela pista e, ao chegar à caixa de areia, decidiu voar. Ah, como voava o Espírito Santo! Parece uma frase quase sacrílega, própria de deuses menores, mas não é mais do que a verdade, do que mais lhana e simples das verdades. Quando pousou os calcanhares no chão, tinha voado 6 metros e 89 centímetros. Era de embasbacar os espectadores. Nunca se vira em Portugal nada assim, o recorde nacional duraria anos. Claro que duraria anos! Guilherme Santana Graça do Espírito Santo não era um rapaz vulgar. Sabia voar. Digam-me quantos de vocês sabem voar? Vêem? Não se esqueçam! Não se esqueçam nunca. O esquecimento seria um crime contra o homem que levava o nome do Espírito Santo!"

Afonso de Melo, in O Benfica

Todos em jogo

"No Festival do Atlético, o Benfica defrontou o Belenenses num jogo que serviu para algumas experiências

As partidas amigáveis são a oportunidade ideal para os treinadores ensaiarem novas tácticas, processos ou jogadores, encontros de eleição para inovar sem correr o risco de perder pontos ou ser eliminado de uma competição, num contexto em que a intensidade é superior à dos treinos.
Assim, a 17 de Fevereiro de 1957, Benfica, Belenenses e Torriense associaram-se num evento de solidariedade a favor do Atlético, que atravessava graves problemas financeiros. Seriam disputados dois encontros no Estádio da Tapadinha, o primeiro entre a equipa da casa e o Torriense, e o segundo que opunha o Benfica ao Belenenses.
Para captar o interesse da imprensa e dos adeptos, o presidente dos 'encarnados', Joaquim Bogalho, propôs que a segunda partida fosse disputada sob novas regras. Inspirado por experiências feitas na Jugoslávia e em França, sugeriu que se abolissem os foras-de-jogo e que as reposições laterais fossem feitas com o pé ao invés das mãos. Na sua opinião, com a aplicação destas medidas, o 'espectáculo seria enriquecido, e muito'.
O debate prolongou-se nos dias seguintes, A Bola foi um dos jornais que mais destaque deu ao tema, mostrando-se contra, por considerar '«a lei do off-side» a principal lei do futebol e ela, sem o menor esforço, deve ser considerada a pedra-mestra do jogo! E é tão influente que, a nosso ver, o futebol, sem «off-side», transformar-se-á num jogo totalmente diferente e, porventura, menos atraente!'.
Apesar da chuva ter afastado algum público, as bancadas estavam em compostas de adeptos curiosos para assistir ao efeito das novas regras. Os jogadores ainda demoraram algum tempo a assimilar a abolição da regra, como foi o caso de Chipenda, preocupado 'em determinado momento da primeira parte, em não incorrer no «fora-de-jogo»'. Mas progressivamente foram-se adaptando. A equipa de Belém foi a que mais explorou essa ideia, como ficou evidente na jogada do segundo golo, em que Angeja, bastante adiantado em relação ao último defesa do Benfica, fixou o resultado em 2-0.
A experiência 'divertiu imenso o público (...) pelo ódio que tem ao famigerado «off-side». Se os avançados ao Benfica e do Belenenses tivessem dado ouvidos aos «conselhos» dos que estavam a jogar por fora, a lei do «off-side» não só teria sido desrespeitada, como foi, mas também espezinhada, esfrangalhada e ridicularizada, porque o público foi à Tapadinha para se vingar!'. Todavia, a imprensa não era da mesma opinião, sendo unânime em considerar que 'a abolição não deu indicação útil quanto à beleza do espectáculo tirando-lhe, por isso, grande brilho e dificultando ainda e já difícil tarefa do guarda-redes'.
Saiba mais sobre outras provas amigáveis na área 8 - Outras Conquistas do Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Estatísticas do desporto, quem as conhece?

"Em termos de emprego, o desporto tem uma dimensão semelhante à da indústria da madeira, papel e cartão (1,4%), superando ramos como a consultoria e programação informática (0,9%), as actividades imobiliárias (0,7%) e as telecomunicações (0,3%).

Qual é o valor da despesa pública com o desporto, nela incluindo o Estado, as autarquias e outros entes públicos?
Qual é o peso económico do benevolato no sector? Quanto vale a indústria do vestuário e do calçado desportivo? Qual é o valor do patrocínio desportivo? Qual o peso, na economia nacional, do espectáculo desportivo e de tudo que o mesmo estimula (publicidade, media, segurança, bilheteira, viagens, hotelaria, restauração, etc.)?
Em Portugal, responder a estas perguntas, que poderiam ser multiplicadas por dezenas de outras, é um exercício difícil.
A produção de estudos estatísticos sobre o desporto é profundamente deficitária, o que torna o conhecimento do sector muito frágil. Há pesquisas que nunca foram feitas e, noutras, os dados publicados não estão actualizados e muitas das fontes que estão na origem de informações relevantes baseiam-se em estimativas. Não obstante, é de elementar justiça reconhecer o que de positivo foi feito. 
Em 2006, a União Europeia (UE) constituiu um Grupo de Trabalho sobre Desporto e Economia, tendo em vista desenvolver uma abordagem metodológica comum para medir a relevância económica do desporto.
Posteriormente, e no contexto das conclusões do Conselho da UE de Novembro de 2012, recomendaram aos Estados-membros que seguissem os progressos realizados no desenvolvimento de contas-satélite do desporto com base nos instrumentos metodológicos disponíveis, recorrendo às estruturas de cooperação existentes a nível da UE e procurando associar as estruturas governamentais competentes, incluindo os institutos nacionais de estatística.
Neste contexto, em 2014, o Instituto Nacional de Estatística assinou um protocolo com o Instituto Português do Desporto e da Juventude em que se previa a elaboração de uma Conta Satélite do Desporto (CSD), a qual contribuiria para ampliar o Sistema de Contas Nacionais Portuguesas.
O objectivo essencial da CSD era o de providenciar um sistema de informação económica relacionado com o desporto, em linha com as contas nacionais e fornecendo uma representação completa, fiável, sistematizada e passível de ser comparada internacionalmente. Complementarmente seria uma base de evidência relevante e um instrumento fundamental de diagnóstico de apoio à construção da decisão politica em matéria de políticas públicas e associativas.
Em 2016, foram publicados os primeiros trabalhos da CSD referentes ao período de 2010/2012 e o resultado final foi altamente motivador atendendo a que foi possível coligir importantes dados estatísticos sobre o sector.
Por exemplo, que a dimensão relativa do desporto no valor acrescentado bruto da economia portuguesa é semelhante à do ramo de fabricação de produtos metálicos (1,2%), ultrapassando outros como a consultoria e programação informática (1,0%), a indústria do vestuário (0,9%) ou as actividades de arquitectura, de engenharia e técnicas afins (0,8%).
Em termos de emprego, o desporto tem uma dimensão semelhante à da indústria da madeira, papel e cartão (1,4%), superando ramos como a consultoria e programação informática (0,9%), as actividades imobiliárias (0,7%) e as telecomunicações (0,3%).
Os voluntários da área do desporto foram responsáveis por 14.617,8 mil horas de trabalho voluntário formal, em 2012, o que correspondia a 7,6% do total de horas de voluntariado formal, a nível nacional. 
No domínio do voluntariado, o número de voluntários que desempenharam funções em instituições ligadas ao desporto (39.124) supera o de áreas como a arte e cultura (34.505), o ambiente (17.490), a educação e investigação (14.961), a saúde (9.009) e as associações patronais, profissionais e sindicais (5.326), entre outras.
A importância relativa do trabalho voluntário formal em organizações da área do desporto, em termos do número de voluntários, apenas foi superada pelas organizações que se dedicam ao apoio social, por instituições religiosas e por clubes de outras actividades de recreação e lazer.
A Pordata, com estatísticas oficiais e certificadas sobre o país e a Europa, tem igualmente produção estatística relevante sobre o desporto.
Os últimos trabalhos publicados sobre o sector (maio de 2020) respeitam a um horizonte temporal de 2013/2018, mas no qual é possível recolher elementos significativos sobre a despesa corrente dos municípios com o desporto (+68%) ou sobre o número de praticantes desportivos federados (+13%) para além de outros dados relevantes.
Tudo a confirmar a indispensabilidade de continuar a apostar neste trabalho reforçando os meios consagrados à produção de estatísticas sobre o desporto de modo a ser possível actualizar o conhecimento sobre o sector, avaliar medidas e tomar decisões baseadas em dados tangíveis e, consequentemente, alimentar uma planificação estratégica com base em evidências, mais do que em percepções."

João & Markus... Alemanha!

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Treino: 1.ª dia, da nova época...

Helton Leite, concorrência para Odysseas


"Chega do Boavista a concorrência para o grego Odysseas.
Depois de duas temporadas extraordinárias, o gigante Helton Leite chega com fortes possibilidades de assumir desde logo o lugar na baliza do Benfica.
Ágil e veloz entre os postes, a muralha brasileira parece tapar toda a baliza."

SL Benfica | Os 5 emprestados que poderão voltar do exílio

"Como diria a gíria popular portuguesa, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Ora bem, com a chegada de Jorge Jesus para o comando técnico das águias, o técnico português terá uma palavra a dizer sobre a situação dos jogadores do SL Benfica que se encontram emprestados na temporada 2019/20.
Muitos são os jogadores que estão contratualmente ligados aos encarnados, mas que representam e actuam noutras equipas. Estes jogadores estão prontos para regressar ao SL Benfica para provarem a Jorge Jesus que merecem um lugar no plantel encarnado, no entanto, existe a grande probabilidade de nenhum se conseguir afirmar na turma de “JJ”.
Uns serão novamente emprestados, outros serão vendidos a título definitivo, enquanto outros até poderão ser relegados para a equipa secundária do Sport Lisboa e Benfica. Vejamos, assim, quais são aqueles que serão dignos de voltar a envergar o manto sagrado.
1. Diogo GonçalvesGonçalves é um extremo que também pode alinhar a defesa direito e demonstrou, ao serviço do FC Famalicão que pode ter um lugar no plantel que Jorge Jesus está a construir para o Sport Lisboa e Benfica. O jovem de 23 anos esteve em destaque no Famalicão ao apontar sete golos em 34 jogos e vê assim uma oportunidade de regressar ao SL Benfica, este que é o “seu” clube desde os 11 anos de idade. A sua polivalência é um dos seus pontos fortes (capaz de alinhar em todo o corredor direito) e é um jogador com excelente margem de progressão. Assim, ainda que não seja para ser um titular indiscutível, pode ser um jogador que pode vir a ajudar as águias a atacar a reconquista do campeonato na próxima temporada. Nota: Diogo Gonçalves renovou contrato este domingo até 2025.
2. Cristián Lema Lema chegou a Lisboa para representar o Benfica na temporada de 2018/19, mas nunca teve a sua oportunidade, tendo representado o Benfica apenas por duas ocasiões. Transferiu-se do Belgrano com o rótulo de central goleador, mas em Portugal nunca conseguiu provar o seu talento tendo sido emprestado ao Peñarol e ao Newell’s Old Boys. Nestes últimos disputou 22 jogos e marcou cinco golos. Numa altura em que o eixo defensivo das águias está bastante desfalcado (Ferro não tem correspondido e Jardel vai tendo cada vez mais problemas físicos), esta poderá ser a oportunidade que o central de 30 anos tem estado à espera. Resta saber de que forma Jorge Jesus vai abordar a questão dos centrais e se haverá uma vaga à espreita para Cristián Lema.
3. Ljubomir Fejsa Fejsa chegou ao SL Benfica na temporada de 2013/14 pela mão do técnico Jorge Jesus, técnico esse que está de regresso ao clube da Luz e que poderá voltar a contar com o internacional sérvio. Actualmente com 31 anos e com grande concorrência para a sua posição no relvado, Fejsa não será das prioridades nem um dos indiscutíveis, mas poderá voltar a ter um papel no plantel encarnado, onde já revelou ser um líder no balneário. Esteve emprestado ao Alavés, da liga espanhola, onde realizou 13 jogos e ajudou a equipa do país vizinho a garantir a manutenção para a próxima época.
4. Filip Krovinovic – Aqui está um jogador cheio de classe! Krovinovic tem um talento absurdo e não fosse a lesão grave sofrida (rotura de ligamentos cruzados) na temporada 2017/18, creio que seria um jogador que tivesse lugar de caras no plantel encarnado. Nesta temporada o croata mostrou que a qualidade continua lá e que merece uma oportunidade para ser opção válida para Jorge Jesus. Krovinovic esteve emprestado ao West Bromwich Albion e apontou três golos e quatro assistências em 43 jogos disputados pela equipa recém-promovida ao principal escalão do futebol inglês. Krovinovic não é um jogador de estatísticas, mas sim um daqueles que joga e faz jogar, que declama poesia com as chuteiras e poderá ter a oportunidade de voltar e escrever novos poemas sobre o relvado da Luz.
5. Facundo FerreyraFacundo Ferreyra chegou ao SL Benfica proveniente do Shakhtar Donetsk e vinha rotulado de avançado com veia goleadora. Todavia, Ferreyra não correspondeu, de todo, às expectativas que lhe eram depositadas e acabou por ser emprestado ao Espanyol de Barcelona. Em Espanha também não foi tão feliz como havia sido na Ucrânia, tendo marcado nove golos em 36 jogos distribuídos por duas temporadas ao serviço do clube catalão. Ainda assim, Facundo Ferreyra pode ser uma opção válida para o ataque encarnado, principalmente se Haris Seferovic acabar por sair do clube. Ferreyra é um daqueles jogadores em que todos sabem que a qualidade está lá, mas que não tem conseguido exibir o seu melhor futebol."

Cadomblé do Vata (últimas...)

"1. O SLB dá hoje o pontapé de saída na temporada de 2020/21... para a maioria dos jogadores, o SLB dá hoje o pontapé de saída de 2020.
2. A boa notícia do fim de semana é a confirmação da contratação de um vencedor da Copa América pelo Brasil que jogava no Grémio onde conquistou a Copa Libertadores da América ... a má noticia do fim de semana é que o último vencedor da Copa América pelo Brasil que fomos buscar ao Grémio onde conquistou a Copa Libertadores da América, chamava-se Paulo Nunes.
3. Gilberto foi apresentado sábado e JJ disse que ele vai discutir a titularidade com André Almeida... o Tomás Tavares hoje nem deve ter programado o despertador para ir treinar.
4. Na sexta feira a UEFA anunciou que o FCP continuava com restrições na inscrição de jogadores; no sábado o O Jogo informou que os portistas se tinham livrado de castigo do organismo europeu... andam há tanto tempo na lista de incumpridores do Fair Play Financeiro que para eles "restrições na inscrição de jogadores" já não são defeito, são feitio.
5. Poucos dias antes de começar a treinar no Benfica Campus, o Atlético de Madrid teve 2 casos de coronavirus no plantel... a menos que seja proibida a entrada dos espanhóis nas nossas instalações, o SL Benfica está mais perto de garantir o Covid-19 do que o Cavani-9."

Rui Pinto e o Estado de delito

"O sistema judicial comprovou o seu efectivo colapso. Quarenta e seis anos depois do fim do Estado Novo, recuperou o bufo como parte do processo.

Numa sociedade devem existir regras de funcionamento individual e comunitário aplicáveis a todos por igual, num quadro de direitos, liberdades e garantias. Para a observância das regras, além de um impulso cívico individual da participação na vida em sociedade, conta a existência de instituições que supostamente asseguram o cumprimento da aplicação e cominam a aplicação de sanções a quem não as cumpre, nos termos da lei.
Supõe-se que Portugal seja um Estado de direito democrático, em que todos são iguais perante a lei e o sistema judicial zela pela aplicação das regras pelos cidadãos e pela comunidade em geral. O sistema funciona mal, desde logo porque há um desfasamento entre o ritmo da justiça nas suas diversas dimensões e as dinâmicas dos indivíduos e das comunidades, por regra dentro da legalidade, mas não sempre – aliás, tal como o próprio funcionamento dos diversos órgãos e titulares da função judicial. Tal como na sociedade, há de tudo, e até os que se julgam acima da lei ou se permitem interpretações lesivas do Estado de direito.
O caso Rui Pinto é o paradigma de uma justiça incompetente, preguiçosa e em desvio para a consagração da máxima de que “os fins justificam todos os meios”, até mesmo condescender com o “criminoso” para superar as incapacidades de investigação. É público haver escutas telefónicas que são realizadas à margem da lei, sem a cobertura de um juiz, é notório haver processos judiciais em que a produção da prova ou o cumprimento das regras processuais são tão inconsistentes que deviam fazer corar de vergonha os intervenientes ou, diariamente, violações do segredo de justiça com fugas para a imprensa para a obtenção de determinados propósitos. O sistema está de tal forma deslaçado que a sociedade assiste, impávida e serena, a uma guerra mediática e judicial entre dois juízes, com trincheiras mediáticas de apoio a duas perspectivas diferentes de ver a justiça: uma, em que os fins justificam os meios, que agrada a determinada imprensa sensacionalista; a outra, em que as garantias previstas na lei são observadas. Neste bailado judicial e no branqueamento das acções criminosas de Rui Pinto à luz do Estado de direito democrático, há uma capitulação do Estado. O Estado declara-se incapaz de avaliar o cumprimento das normas que criou e valida o recurso a todos os meios, legais e ilegais, para obter determinados fins. É o Estado português, como os outros Estados-membros da União Europeia ou da comunidade internacional, que permite a existência de alçapões de fuga às obrigações fiscais e financeiras nacionais – apesar de em muitos casos, como é o da Holanda, depois se arvorarem em moralistas. Em vez de alterarem a legislação, para os habilitar a uma fiscalização mais consequente da realidade, recorrem a criminosos para obter o resultado do vasculho ilegal.
O curioso é que o mesmo Estado que resiste a que existam listas públicas de devedores às Finanças e à Segurança Social é o que condescende com um pirata informático na obtenção de informações obtidas de forma ilegal sobre fluxos financeiros. O mesmo Estado que não consegue cruzar dados entre diversas dimensões da vida individual e comunitária, por exemplo nas obrigações fiscais, com a Segurança Social e com outras entidades do Estado, permite que um indivíduo arvorado em justiceiro possa, de forma ilegal, proceder aos vasculhos e cruzamentos informáticos que lhe aprazem, de acordo com os seus critérios e opções próprias – vasculho o Benfica e o Sporting, preservo o FC Porto.
O sistema judicial comprovou o seu efectivo colapso. Quarenta e seis anos depois do fim do Estado Novo, recuperou o bufo como parte do processo. Não foi preciso o Chega ou André Ventura; o sistema judicial consagrou o “bufo informático”, resgatou um dos pilares do funcionamento do Estado de Salazar, agora com laivos de modernidade do vale-tudo. Agora como antes, dizem ser em nome da verdade. Agora como antes, isto é filho do arbítrio, do desmando e dos fins que fundam todos os meios. Não será de estranhar que se assista à comoção eufórica da libertação do criminoso por parte do universo do FC Porto ou de advogados internacionais que, noutros planos, são defensores de Platini na acusação de corrupção na atribuição do Mundial 2022 ao Catar e do Euro de França de 2016. Afinal, isto sempre esteve e está tudo ligado.
A questão central é se devemos permitir que se consagre uma sociedade de vale-tudo, sem regras do conhecimento de todos, em que os fins justificam todos os meios. Se queremos ser condescendentes com o ciberterrorismo, que é assumido na acção por diversos Estados ou que é assumido em diversos impulsos de boicote ao funcionamento da sociedade, como aconteceu há pouco tempo com ataques ao Serviço Nacional de Saúde e tantas outras entidades. É que a diferença entre isso e o voyeurismo das vizinhas ou dos invejosos é inexistente. Com que legitimidade, depois de branquear Rui Pinto, se poderá impedir que o funcionário bancário deite um olho na conta daquela figura pública ou do vizinho do 2.o esquerdo, sobre o qual recai alguma suspeita pessoal que importa investigar? Que o funcionário do fisco aceda à situação fiscal do primo que teima em impedir as partilhas ou que a funcionária da Segurança Social aceda à base de dados para tirar a limpo se cumpre as obrigações face aos sinais exteriores de qualidade de vida da cabeleireira do bairro?
Rui Pinto transforma o Estado de direito democrático num Estado de delito, em que os fins justificam todos os meios. Se é para ser assim, consagre-se a devassa, a ausência de direitos, liberdades e garantias. Já que se levam aos poucos os pilares do Estado de direito, muitos por incompetência, preguiça ou desfasamento do sistema judicial, levem o resto.
Por mim, não ao vale-tudo. Se as regras não servem, alterem-se as regras, não se idolatrizem os criminosos só porque são mais eficazes a verificar as eventuais falhas do Estado de direito.

Notas finais:
- E os jornalistas avençados do BES? O ridículo não mata em Portugal, mas tria em muitos pontos do mundo. Pedro Santos Guerreiro, jornalista ex-director do Expresso, exultou com a libertação de Rui Pinto. Não exultou nos últimos quatro anos com a libertação dos nomes dos jornalistas avençados pelo saco azul do GES; pode ser que seja para a semana. Isso sim, era sanitário para o jornalismo.
- O lamentável exercício do PCP na Festa do Avante! A Festa do Avante! tem protecção constitucional, tem cobertura dos poderes do Estado e está acima da lei em matéria fiscal. A menos que enunciar uma lotação de mais de 100 mil pessoas e sustentar a provocação perante as restantes limitações seja mais uma forma de gerar descontentamento social perante a injustiça e o arbítrio."

Jorge Jesus: uma águia diferente

"“Não sou treinador de nenhum clube – sou treinador de futebol!”, proclamou o “Mister” Jorge Jesus, no passado dia 4, segunda-feira, na conferência de imprensa, após a sua tomada de posse como treinador de futebol do S.L.Benfica. Não poderia ter começado melhor Jorge Jesus, no seu retorno à “nação benfiquista”. Na pós-modernidade, que vivemos, um treinador de futebol tem de ser, de facto, um “trabalhador do conhecimento”, ou seja, tem de conhecer o que vai e deve ensinar; e ainda um “pedagogo” e um líder, quero eu dizer: que sabe como ensinar, que sabe instaurar e promover valores, que mostra amor pelo que faz e que procura, numa síntese prática-teoria, a informação que fundamenta o seu conhecimento. No que ao líder diz respeito, ele deve tornar-se numa expressão prática e constante das motivações de um grupo que persegue, com denodo (e ética) a vitória No Brasil, que eu julgo conhecer, o Jorge Jesus encontrou um modo original de sentir as coisas e a vida, num país onde o sentimento e a ternura tudo resolvem com cordialidade e com esperança. No Brasil, há uma paixão inédita nas relações entre as pessoas, que vem dessa combustão íntima das lenhas dos mais diversos continentes (principalmente a África e a Europa) e onde, portanto, o amor e o ódio se expressam, ora numa alegria medular, incomparável, ora numa explosão de palavras e gestos arcaicos, carrancudos, dramáticos. No entanto, a índole do brasileiro não é pessimista e até na maior desgraça encontra espaço para uma simples anedota ou uma sementeira de esperança. A desconforme grandeza do Brasil (o maior país da América do Sul) não se mede só nos quilómetros andados, mas pela força obstinada e confiante das qualidades do seu povo. No entanto, posso fazer afoitamente esta afirmação: o Jorge Jesus, no futebol do Flamengo, parecia mais brasileiro do que os brasileiros, dando alegria a quem a perdera, pelos triunfos inolvidáveis, há muito arredios do universo “flamenguista”. O “Mister” Jorge Jesus levou ao Brasil um futebol novo, sem a ideologia da impotência – e venceu! O mesmo futebol que vai oferecer ao Benfica (que é, todo ele, a saudade de um paraíso perdido) – para vencer também!
Mas… onde está a novidade do futebol do Jorge Jesus? Trabalhei, sob as suas ordens, por generosidade sua e do Sr. Luís Filipe Vieira, no departamento de futebol do Benfica; sou um amigo que com ele dialoga, frequentemente; estudo, com o rigor possível, o impacto da epistemologia e da filosofia, no “fenómeno desportivo” – julgo, portanto, poder tentar um desenho (simples tenteio, nada mais) da sua personalidade. Não se mostra sujeito a tropismos partidários, nem a messianismos políticos. Acredita nos valores da solidariedade, da liberdade e da justiça, que intensamente vive e que frontalmente defende, em romântica e generosa oratória. Com religioso respeito, evoca os seus Pais e convive com os idosos. Minha Mulher e eu, que já visionamos os 88 anos de vida, podemos testemunhar o culto, em que ele se compraz, de ternura e devoção pelas pessoas de mais idade . Pelas frinchas dos excessos de expressão, se entrevê a alma do Jorge Jesus: um homem bom, naturalmente fraterno e justo. O retrato psicológico e moral é magro em pormenores, mas vou centrar-me no Jorge Jesus, treinador de futebol. Michael Massing observa: “Em todo o mundo universitário, as velhas (e novas) áreas das Humanidades estão a diminuir os cursos, reduzir o investimento e a assistir à crescente perda de alunos – e de influência. As novas coqueluches são o mundo digital, as tecnologias e os seus cruzamentos com a economia e a engenharia”. Para Michael Massing, no entanto, as Humanidades estão longe de ser inúteis, em termos materiais – pelo contrário, são verdadeiros “dínamos da economia”. Por exemplo, a indústria das artes e do entretenimento é em grande parte uma criação de pessoas que estudaram Literatura, História, Filosofia e Línguas” (in revista LER, Lisboa, Outono de 2019, p. 71). Ora, para mim, o Desporto integra uma ciência hermenêutico-humana e em muito contribui ao PIB (Produto Interno Bruto) dos vários países. Atingem os 456 milhões de euros o contributo do nosso futebol profissional ao PIB dos portugueses, segundo o Anuário do Futebol Profissional Português. E bem mais seria, aqui, de enumerar…
“A redescoberta do tempo nas ciências do mundo físico-químico testemunha, por si só, que a história da ciência não é uma calma acumulação de dados que se incorporam num avanço simples e unânime. A história das ciências é uma história de conflitos, de escolhas, de apostas, de redefinições inesperadas. Talvez o exemplo mais dramático desta história marcada pelas surpresas e pelas transformações de sentido seja a história da concepção do universo temporal, que vivemos hoje” (Ilya Prigogine e Isabelle Stengers, A Nova Aliança, Gradiva, Lisboa, 1986, pp. 6/7). Já no fim deste livro incontornável pode ler-se: “A descoberta da complexidade é, acima de tudo, um desafio (…). Mas esta complexidade que descobrimos é igualmente portadora de esperança, esperança de uma nova identidade da ciência, esperança que evoca o título deste livro, A Nova Aliança. Com este título afirmámos que, para além das falsas classificações, dos interditos, das condições culturais, políticas e económicas, as ciências não têm por direito, como limite, senão a criatividade” (p. 440). Ora, nas ciências humanas, agimos segundo motivos e motivos que dêem sentido à vida. O homem é um ser permanentemente em busca de sentido – e o sentido, no Desporto, é a competição cingida à transcendência, rumo à vitória… sobre os adversários e sobre nós mesmos! Na alta competição, tudo é um apelo à transcendência (ou superação), na competição, no treino, na vida íntima e na vida social – em todo o lado, em todas as situações, o “homem do futebol” está em jogo. No futebol, há cada vez mais meios técnicos que parecem assegurar o caminho da vitória. E morais? É que, sem humildade, sem esperança, sem força de vontade, sem espírito de sacrifício, sem disciplina, sem solidariedade, sem o q.b. de inteligência, sem respeito pelos outros (colegas e adversários) e por si mesmo – nada de grande, edificante acontece na prática desportiva. Tudo isto o J.J. exige aos seus jogadores. Porque não há jogos, há pessoas que jogam, preparar um profissional de futebol é, acima do mais, preparar um homem que joga futebol!
E uma preparação física científica? O Dr. Mário Monteiro, licenciado em Desporto e muitos anos de trabalho com Jorge Jesus, é o seu adjunto habitual (e eu digo mesmo: ideal) neste sector. Hugo Assman (Reencantar a Educação, Vozes, Petrópolis, 1998, p. 150) classifica de “falaciosa” toda a teoria da mente, da inteligência ou do ser humano global, que não se integre numa filosofia do corpo. Na pessoa do Dr. Mário Monteiro, saúdo todos os treinadores-adjuntos que acompanham Jorge Jesus, profissionais que não deixam de prestar tributo, sempre que podem, à capacidade ilimitada de trabalho e à acção inteligente e perseverante do seu chefe. Alma incapaz de sofrer inveja, coração inábil para sentir rancor, vou distinguir, nele, algumas qualidades que explicam o treinador invulgar que o Jorge Jesus é: diferente porque, num mundo incerto, descontínuo, competitivo e crítico, chega a Lisboa, depois de uma estada apoteótica no Brasil, perfeitamente calmo, seguro dos seus princípios e dos seus métodos e afirmando, sem receio: “Vamos reunir um leque de jogadores, para fazermos uma grande equipa. E não vamos jogar o dobro, vamos jogar o triplo”. E insistiu ainda, na cerimónia da tomada de posse, como treinador do S.L.Benfica: “Vim para ganhar (…). Vamos arrasar”.
De facto, o que mais me impressiona, em Jorge Jesus, é a sua imunidade á insegurança, à incerteza, típicas do homem do nosso tempo. De facto, na racionalidade hodierna, sem excluir os “agentes do desporto”, as crenças, as acções, as decisões, as teorias, as regras, os métodos, os valores procuram, com mais volúpia, o ensejo de acerbamente criticar do que as oportunidades de realizar, de corajosamente decidir. Jorge Jesus é o contrário de tudo isto. A teoria platónica do saber parece ser o paradigma mais apreciado. Ele, ao invés, é um prático, que sabe muito de futebol e sabe esta regra fundamental: no futebol não precisamos de muitas coisas, precisamos uns dos outros, quero eu dizer: precisamos de quem saiba jogar futebol e de liderança técnica e moral. Recordo, a propósito, o Zinedine Zidane, após um jogo Sevilha-Real Madrid, na época de 2016/2017: “Gestionar personas es más importante que la táctica”. Tenho a certeza que o treinador Jorge Jesus saberá encarnar as aspirações e os anseios do Benfica de hoje, dando-lhes expressão e realização plena. Não tenho dúvidas, a este respeito, No reino das águias, ele será uma águia diferente… "

domingo, 9 de agosto de 2020

Cadomblé do Vata (caro?)

""9 milhões por ano para Edinson Cavani com 33 anos era caríssimo, um absurdo"
Caríssimo e absurdo é isto: Jhonder Cádiz, Ebuehi, Caio Lucas, Candeias, João Amaral, Patrick Vieira, Lema, Conti, Alfa Semedo, Ferreyra, Castillo, Matos Milos, Fariña, Hermes, Rakip, Filipe Augusto, Pedro Pereira, Diego Lopes, Arango, Alan Benitez, Francisco Vera, Cellis, Oscar Benitez, Jonathan Rodriguez, Cesar, Luis Felipe, Muhktar, Bebé, Derley, Benito, Steven Vitória, Mitrovic, Cortez, Funes Mori, Michel, Luisinho, Emerson, Capdevilla, Djaló, Carole, José Luis Fernandez, Filipe Menezes, Shaffer, Patric, Eder Luís em 10 anos... entre outros que nem recordo.."

Semanada...

"1. Entrevista de Jorge Jesus. Plantel com 25 jogadores mais três guarda-redes. Plantel só ficará fechado a partir da segunda/terceira semana da pré-época. Seis/sete novos reforços além de Pedrinho e Helton Leite. Dois deles serão Everton e Gilberto. Ficam a falta quatro/cinco. Imagino que sejam dois centrais, um segundo avançado e um ponta de lança. Estou curioso para imaginar que posição pode ser o quinto. Provavelmente alguém para a posição de um jogador que vai ser vendido. Além daqueles que parece já estar de saída como Cervi, Seferovic, Jardel e Tomás Tavares ou André Almeida. Pizzi deverá voltar a jogar no meio. Diogo Gonçalves vai ser um dos jogadores que vai fazer a pré-época - acho quase impossível ter um lugar nos 25. Nada de muito inesperado aqui. Espero, mais uma vez, que no lote de 25 jogadores de campo haja espaço para Jota, Gonçalo Ramos e Tiago Dantas, no mínimo.
2. As Novas Camisolas. Os equipamentos da próxima temporada já estão aí. Não foram nada consensuais e é facilmente perceptível porquê. Eu já tinha avisado que vinham aí grandes mudanças. Sinceramente até achei que ficassem piores do que estão. Até gosto daquele vermelho mais vivo, apesar de não ser um grande fã da camisola em si. Continuo a achar que o Benfica não deveria renovar com a Adidas no final da próxima temporada, mas consigo perceber o porquê dos equipamentos serem assim. O negócio da Adidas é vender camisolas e como tal, convém que elas não sejam sempre iguais. Há dois anos a grande mudança foi as três riscas na parte lateral do equipamento em vez de nos ombros. Este ano é um equipamento vermelho, preto e dourado, sem o tradicional branco. Os mais conservadores ficam desiludidos. O que importa para a Adidas é se vendem equipamentos ou não. Pessoalmente, continuo a achar que a Puma está um passo à frente da Adidas neste campo. Os designs da Puma exploram uma história. Este ano, o equipamento do AC Milan, por exemplo, tem um padrão que é igual ao chão do Duomo da cidade. O equipamento procura explorar a relação do clube com a cidade e o produto final é brutal. Nós somos um clube de um país e cidade com uma história riquíssima, mas nunca temos equipamentos a tentar explorá-la-
3. Financiar este Mercado. O entusiasmo com os possíveis reforços do Benfica é evidente e pelos nomes que vão saindo, é mais do que justificado. Everton Soares, Edinson Cavani, Luca Waldschmidt ou Malang Sarr são tudo nomes de craques. No entanto, acho importante recordar, que este ainda é o mesmo clube que pagou quase 80 milhões de empréstimos obrigacionistas e que não tinha muito mais em caixa. A situação do Benfica financeira não é má, mas também não é óptima para contratar tanto craque. Como tal, eu pelo menos vou começando a habituar-me à ideia de que alguém estará de saída para financiar este mercado. Se calhar mais do que uma pessoa. Nomes como Carlos Vinícius, Rúben Dias e Florentino Luís têm mercado.
4. Emirates. A Emirates renovou contrato com o AC Milan em plena crise de covid-19 na semana passada. O que pode indicar que a empresa do Dubai deverá continuar a investir no mercado de Futebol e que poderá estar interessada em renovar contrato com o Benfica algures no próximo verão. O contrato com a Emirates acaba no final da próxima época.
5. Sergi Aragonès. O Avançado espanhol depois de tantas reviravoltas foi esta semana apresentado. Temos mais um jogador para elevar a qualidade do grupo. Tem uma boa meia distância, é um jogador muito competitivo e ideal para o sistema de 1-3 que Alejandro tem vindo a pôr em prática no Benfica. Resta saber se o plantel vai ter 12 jogadores (só podem ser convocados 10 por jogo) ou se Jordi Adroher estará de saída. Ao que consta, tem uma proposta do Liceo da Corunha.
6. Demond Carter. Na mesma semana que o clube oficializou a saída de Micah Downs, para mim o melhor jogador da última década do Basquetebol do Benfica, oficializamos a contratação do base Demond Carter. Tem 33 anos. Na última época jogou no segundo classificado da Liga Polaca, que é melhor do que a nossa, com médias de jogo de 14.8 pontos e 6.2 assistências. Tem passagens por boas Ligas Europeias como a ABA e a LNB Pro A. Parece ser um bom reforço. Além Carter, o Benfica já oficializou a contratação do extremo Scottie Lindsey e a renovação do poste Eric Coleman. Tem sido noticiado a contratação do base Caleb Walker, ficando a faltar a contratação de mais um poste para o plantel ficar fechado."

“Uma vez fomos almoçar ao Barbas e bebemos demais. No treino da tarde alguns começaram a cambalear e o Toni mandou todos para o balneário”

"Aos 55 anos, César Brito ainda recorda com orgulho os dois golos que marcou ao FC Porto e que deram o título ao Benfica e lhe valeram a fama. O percurso de vida e de jogador começou na Covilhã, para onde regressou assim que pendurou as chuteiras. Nesta entrevista fala também dos filhos que morreram e da amizade que ganhou a um açoriano goleador

É beirão, nasceu em Barco, Covilhã. Fale-nos um pouco das suas origens.
Sou de uma família de oito irmãos. Tenho cinco irmãos mais velhos e duas irmãs mais novas. Uma família numerosa, como deve compreender, com muitas dificuldades no início, o meu pai teve de emigrar, esteve em França. Não foi fácil, mas nunca passámos fome. Sabe que na província temos hortas, animais, temos muita coisa para poder sobreviver.

Ficou sempre cá com os seus irmãos e a sua mãe, enquanto o seu pai esteve emigrado?
Sim, o meu pai vinha no verão, nas férias. Os meus irmãos mais velhos trabalhavam nas obras e eu depois quando tive idade também tive que ir trabalhar. Deixámos a escola mais cedo precisamente por isso, porque tínhamos de trabalhar, tínhamos de ajudar em casa.

Quando deixou a escola?
A escola era até à sexta classe, eu fiz a quarta e a quinta. A sexta já não a acabei.

Começou a trabalhar com quantos anos?
Com 12, 13 anos. Tinha de ajudar em casa também, assim como os meus irmãos. Comecei nas obras a acartar baldes de massa e a dar serventia aos artistas.

O que sonhava ser nessa altura?
Futebolista. Como deve calcular, era o que eu mais gostava. Eu fugia à escola e não ligava muito à escola por causa do futebol. Queria era jogar futebol.

Já torcia pelo Benfica?
Sim. Lá em casa só tenho um irmão que é sportinguista e o meu pai também era sportinguista. Todos os outros, até as minhas irmãs, era tudo benfiquista.

Quem eram os seus ídolos?
Para mim quem marcava mais golos era melhor. Na altura era o Nené, que não sujava os calções, nem a roupa, era um jogador muito elegante e fazia muitos golos. Nunca vi jogar o Eusébio. Era o Chalana e outros craques que tinha o Benfica.

Com quantos anos começou a jogar num clube?
Tinha 12 anos e comecei nos iniciados no Fundão. ADF do Fundão. Estive lá um ano e depois fiz juvenil no Sport Clube de Barco, na minha terra, e não estive nos juniores. Comecei a jogar seniores com 16, perto de 17 anos, foi preciso uma autorização dos meus pais para poder representar o Barco no distrital e foi assim que tudo começou.

Quando joga no campeonato distrital pelo Sport Clube de Barco já ganha dinheiro com o futebol?
Não, aquilo era a nossa terra, era por amor à camisola, não havia dinheiros, éramos amadores, não havia nada.

No ano seguinte passa para o SC Covilhã?
Não, fiz um ano no distrital e depois subimos à III divisão, fiz um ano na III divisão, comecei a fazer uns golos, a fazer umas coisas engraçadas e depois da III divisão é que fui para o Sporting da Covilhã. Com 18 anos.

Lembra-se quando começou a ganhar dinheiro com o futebol?
Lembro, foi no Sporting da Covilhã e fui ganhar 35 contos [175€]. Eu mais o meu irmão Inácio e o Quim Brito. O Inácio Brito e o Quim Brito, eram os meus irmãos.

O que fez ao primeiro dinheiro que ganhou com o futebol?
Já não me recordo. Naquela altura todo o dinheiro era importante para a casa e para as nossas coisinhas. 

Como é que vai parar ao Benfica? Não havia empresário na altura pois não?
Não, não havia empresários. Eu tive dois anos muito bons no Covilhã. No primeiro não subimos, mas no segundo subimos à I Divisão. Tínhamos uma equipa muita boa, com o Rui Barros, emprestado do FC Porto, e conseguimos subir. Eu fui o melhor marcador nesse ano, fiz uns golinhos, umas coisas boas, e pronto, depois surgiu o Benfica.

Quem é que lhe vai bater à porta?
Lembro-me que o presidente do Sporting Clube da Covilhã, o senhor Álvaro Ramos, me disse: "Ó César, queres ir para o Benfica?"; "Para o Benfica?! Ó presidente, está a brincar...?" [risos] "Não, a sério, isto é sério". Bem, aquilo parecia...

Um sonho?
Quando se está numa II Divisão, a gente nunca pensa num grande, a gente sonha sempre em jogar na I Divisão, mas num clube modesto, mais pequeno. Mas a verdade é que surge o Benfica.

Disse logo que sim? Quem é que dizia que não?
[risos]. Claro que sim.

Como é que foi ir a Lisboa? Foi sozinho?
Não, fui com o presidente do Sporting Clube da Covilhã, fomos ao hotel Altis conversar com o senhor Fernando Martins, na altura o presidente do Benfica, e com o Júlio Borges, que era o braço direito dele. Conversámos, acertámos e foi assim.

Mas quando vai viver para a capital, vai sozinho?
Eu casei com 20 anos, no ano em que fui para o Benfica. Quer dizer, casei ainda estava no Sporting da Covilhã.

Como, quando e onde conheceu a sua mulher?
A Paula também é do Barco, conhecemo-nos muito novos, com 13, 14 anos, e casámos. Eu tinha 20 e ela 18 anos.

Como é que foi a adaptação à grande cidade e a um clube como o Benfica?
Não foi fácil, eu não tinha carta de condução, tentei arranjar uma casa mais próxima do estádio da Luz. Nos primeiros tempos tinha uma casa alugada na Pontinha e fazia aquilo em 15, 20 minutos a pé. Fiz esse caminho muitas vezes, a pé, mas depois conheci lá no plantel os irmãos Bastos Lopes, que viviam em Odivelas, e eles davam-me boleia.

Ainda se recorda quando entrou pela primeira vez no balneário do Benfica? As pernas tremeram-lhe? 
Claro que sim. Você já viu, eu aqui de uma aldeia pequenina, uma aldeia pacata, depois num meio tão grande como é Lisboa e um grande clube como é o Benfica... A gente vê aqueles jogadores pela televisão e de repente está na presença deles... Não é fácil. As pernas tremiam-me quando entrei naquele balneário, com aqueles craques. Mas aquilo é dois, três dias, depois aquela gente, como grandes que são a todos os níveis, como jogadores e seres humanos, põem logo a gente à vontade e a adaptação é fácil quando encontramos com essa gente tão fabulosa.

Quando chega o treinador era o John Mortimore. Entendia o que ele queria? Notou muita diferença do Sporting da Covilhã para o Benfica?
É claro que sim. É tudo completamente diferente, os métodos de trabalho, tudo, visões que não têm nada a ver.

Recorda-se de ter pensado se iria aguentar, se era demais para si?
Recordo. Mas aquilo passa tão depressa e quando encontramos gente como encontrei naquela altura, craques com uma simpatia, uma humildade... Posso falar de tanta gente, o Eusébio por exemplo, o Chalana, o Nené, o Diamantino, Carlos Manuel, gente que nos põe tão à vontade que é uma coisa brutal.

Gostou do John Mortimore?
O John Mortimore era o típico treinador inglês. Foi sem dúvida um grande treinador. Eu acho que nesse ano ganhámos a Taça de Portugal. Aliás, sou campeão no primeiro ano, mas quer dizer, jogo uns minutinhos. Lembro-me que entrei uns minutinhos só para ser campeão.

Entretanto fica dois anos no Benfica e depois é emprestado ao Portimonense.
Faço um ano no Benfica, sou campeão e depois sou emprestado ao Portimonense.

Quem é que lhe disse que ia ser emprestado? Foi o César que pediu?
Você já viu quem é que jogava no Benfica na minha posição? O Maniche, o Nené, o Rui Águas... E depois tinha um jogador que jogava em todo o lado, o Diamantino, jogava na direita, na esquerda, era ponta de lança, jogava nos lugares todos. Quando algum dos melhores se lesionava o Diamantino é que aparecia. E na altura falaram comigo: "Ó César, tens de rodar, vais adquirir um bocadinho de experiência". A verdade é que foi bom, o Portimonense também era uma equipa de que sempre me falaram bem.

Vai viver para o Algarve com a sua mulher?
Sim, fomos para o Algarve, estive lá um ano e era para regressar no ano seguinte, só que no verão tive um acidente de viação… Foi muito complicado, vinha de férias, tive o acidente, perdi uma filha.

Era bebé ainda.
A minha filha nasceu quando estava no Benfica, depois fui para o Portimonense e no final da época, nas férias, eu vinha passar férias à nossa terra e tivemos um acidente muito grave em Pombal. Isto para lhe dizer que no ano seguinte, eu era para regressar ao Benfica só que, como tive o acidente em Julho, estive parado meia época, depois quando cheguei ao Benfica o Toni falou comigo e disse que para fazer a melhor recuperação era no Portimonense e acabei por ir fazer mais meia época ao Portimonense.

Quem apanhou no Portimonense como treinador, foi só o Cajuda?
O Manuel Cajuda, mas primeiro foi um brasileiro, o Paulo Roberto, que um dia bateu num jogador, deu-lhe com uma cadeira na cachola. Depois esse treinador saiu e apareceu o Manuel Cajuda, um grande treinador. O Manuel é fantástico, é uma pessoa simples, humilde, é um ser humano fantástico mesmo. E depois o José Torres na parte final. Também um ser humano fantástico. A gente convivia muito com ele, íamos muitas vezes ao hotel da Torralta, almoçar juntos.

E selecção?
Depois de ter tido o acidente fiquei meia época parado, a outra voltei ao Portimonense porque o Toni disse-me para ir fazer a recuperação. É engraçado que essa meia época corre-me tão bem no Portimonense que vou à selebção nacional, a jogar pelo Portimonense.

É a primeira vez que é chamado?
Sou e recordo-me tão bem. Porque o Rui Águas lesionou-se, era Juca o seleccionador e chamou-me. Foi também uma coisa brutal, ir à selecção pela primeira vez. É uma sensação única mesmo.
Sente-se uma responsabilidade maior do que num clube?
Inicialmente sim, há uma responsabilidade ainda maior. A responsabilidade é idêntica, mas com o país é diferente. É um peso maior. Na seleção fiz dois golos, um à Holanda num jogo amigável e outro na Antas, à Finlândia, em 1991, na qualificação para o Europeu.

Depois dessa meia época no Portimonense regressa ao Benfica, já com Eriksson como treinador. 
Exactamente. O Eriksson revolucionou o futebol português, os métodos de trabalho... Não tinha nada a ver. A nível de aquecimentos, de treino, fazíamos tudo com bola. Com os outros treinadores era correr, correr com outros jogadores às costas, subir bancadas, com pesos. Com o Eriksson não, com ele era sempre com bola. O aquecimento, os meiinhos eram todos com bola e era assim que os jogadores gostavam de fazer. E as ideias do Eriksson na altura eram sempre novidade, o que agradava mais a todos os jogadores.

É campeão em 1990/91, com o Eriksson, e marca dois golos decisivos nas Antas. Naquele mítico jogo em que tiveram de se vestir no corredor. Recorde-nos lá esse dia.
Quando entrámos no balneário era um cheiro insuportável. Há quem diga que era bagaço, outros que era sulfato. Era um ardor nos olhos. Aquilo foi uma coisa horrível, abrimos uns chuveiros, mas era impossível estar ali. E então tivemos de nos ir equipar nos corredores que davam acesso aos balneários. E a revolta foi tanta que nos deu uma força extra e o Benfica fez um jogo espectacular. Recordo o Rui Águas, que fez um jogão, eu de vez em quando ainda vejo esse resumo. Toda a equipa com um vontade enorme, provocado pelo que aconteceu e não só, porque queríamos ser campeões. Recordo que comecei a aquecer muito cedo, ainda no início da segunda parte, estive a aquecer muito tempo, levei com muitas moedas de 50 escudos, aquelas moedas grandes. Da bancada mandavam-me com as moedas para a zona onde estava a fazer o aquecimento e ainda apanhei algumas, punha no bolso do fato de treino. Ainda juntei umas quantas moedas [risos]. Depois entrei aqueles 10 minutos e fui feliz.

Disse uma vez que era utilizado como uma espécie de arma secreta.
Sim, sim. Porque realmente as coisas funcionavam assim e criou-se ali um hábito. Era mesmo isso, eles tiravam proveito de mim a entrar. Porque em muitos jogos, quando eu entrava, aconteciam coisa boas. 

Não o chateava não ser titular?
Claro que chateava, toda a gente gostava de jogar e não é fácil lidar com estas situações, mas eu nunca queria grandes problemas.

Não questionou o Eriksson?
Não, porque eu não era muito de falar. Achava que às vezes teria de jogar mais mas não vinha manifestar-me porque, olhe, porque eu achava que assim já era bom e pronto.

Três anos de Eriksson e depois há uma época que já é com o Toni e com o Ivic, mas joga pouco. O que é que aconteceu?
Tive uma lesão grave, fui operado à perna e estive quase praticamente uma época sem jogar. Foi uma ruptura na coxa. Foi o tendão que partiu e tiveram que abrir a perna, foi complicado e acho que foi nesse ano.

Toni e Ivic eram muito diferentes um do outro?
Cada um tinha a sua maneira de trabalhar. O Toni é de facto um grande treinador e era muito amigo dos jogadores. Ele treinou jogadores que foram colegas dele e se calhar, não sei... Eu não queria muito entrar por aí, porque eu sempre me dei muito bem com o Toni, ele sempre foi amigo, mas se calhar eu às vezes podia ter jogado mais.

Entretanto chegam o Futre e o João Vieira Pinto. Nessa altura pensou que o seu lugar podia estar mais em risco?
Claro que sim. No Benfica apareciam sempre grandes jogadores naquelas posições e não era fácil jogar naquele Benfica. Eu apanhei e joguei com os melhores dos melhores jogadores portugueses. Joguei com Futre, com João Pinto, com Rui Águas, com Rui Costa, portanto não era muito fácil jogar naquele Benfica.

Mas na época seguinte faz mais jogos, com o Toni, e é campeão, em 1993/94. Lembra-se desse ano? 
Lembro, é naquele ano em que o João Pinto faz os três golos em Alvalade, do 6-3. Recordo-me bem desse jogo, eu estava no banco e levei um amarelo a festejar um golo [risos]. Saltei do banco para dentro do campo. E também sou do ano em que levámos 7-1 em Alvalade, também entrei na segunda parte. Estive nos bons e nos maus momentos.

Depois no ano a seguir vem o Artur Jorge, uma figura completamente diferente…
Eu nem gostava muito de falar sobre o Artur Jorge porque de facto.. .Olhe, se calhar passávamos à frente.

Fez parte do grupo que queria sair?
Eu saio no ano a seguir.

Para o Belenenses.
Exactamente. O Artur Jorge não tinha nada a ver com aquele Benfica, nadinha. Não quer dizer que ele não seja bom treinador, mas naquele ano foi a pior aposta dos responsáveis do Benfica.

Como é que se dá a ida para o Belenenses?
Eu acabava o contrato que tinha com o Benfica, já tinha 30 anos e havia a possibilidade de ir para alguns clubes. Na altura estava o João Alves no Belenenses. Ele falou comigo, estava interessado e eu pensei: porque não tentar um aninho ali no Belenenses? E foi muito bom. Joguei muitas vezes e fui o melhor marcador do clube naquele ano, as coisas correram muito bem.

Depois dessa época no Belenenses, vai para fora pela primeira vez.
O João Alves vai para o Salamanca e voltou a falar comigo, para saber se eu queria. E porque não jogar no estrangeiro? Também era uma experiência nova e aceitei. Foi das melhores coisas que me aconteceram.

Porquê?
Pela idade que tinha, não tinha ilusões. Jogava muita vez, criámos um grupo de trabalho espectacular, com alguns portugueses que foram daqui, juntou-se o Pauleta, joguei muitas vezes com ele, fazíamos uma dupla espectacular, fazíamos golos. Tive dois anos em Salamanca brutais, lindos.

Foram bem recebidos pelos espanhóis?
Sempre. No início as coisas não foram fáceis porque éramos muitos portugueses, éramos uns sete ou oito. Na altura aquilo corre mal e quem paga é o treinador. Despediram o João Alves. Depois veio outro e acaba por correr bem.

Quem, o Goikoetxea?
Exactamente. Depois da saída do João Alves a gente não perdeu jogo nenhum, em casa e fora, estivemos a 16 pontos de diferença e conseguimos subir à I Divisão, foi uma coisa brutal. Mas também com o jogador que nós tínhamos, o Pauleta, que fazia golos de qualquer maneira, aquilo foi um espectáculo.

Criou uma amizade forte com o Pauleta?
Muito forte. Somos muito amigos, falamos de vez em quando. O Pauleta é outro ser humano daqueles... é do melhor. É uma pessoa muito simples, muito humilde, é das pessoas boas, um ser humano que me honra muito ter como amigo.

E na época seguinte vai para o Mérida.
Aí é que tudo acaba. Apareceu um argentino em Salamanca, o Russo, e... Olhe, eu já regressei a Salamanca, já falei com alguns directores e foi o pior erro que eles cometeram. Porque apareceu esse treinador que quis fazer a equipa toda dele, dispensou alguns jogadores, inclusive eu, que também já tinha alguma idade. Fui contratado pelo Mérida, mas aí já as coisas não correram bem porque eu fui desmotivado. Eu estava feliz a jogar bem no Salamanca, onde era acarinhado, e depois foi um balde de água que não esperava. Tentei, mas já não deu. Também fui sozinho, era o único português que estava ali. Na metade da época a seguir ainda apareceu o Nuno Espírito Santo, que vinha emprestado do FC Porto, aquilo compôs-se um bocadinho, mas já era tarde. 

A sua mulher estava consigo?
Sempre.

Voltaram a ter filhos?
Não. Nunca mais tivemos filhos. A minha mulher perdeu dois filhos. Um nasceu morto. Depois tivemos uma miúda que acabámos por perder naquele acidente de que já falámos. Houve ali uns problemas e já não conseguimos. Estamos sem filhos.
Entretanto, deixa Mérida e regressa a Portugal.
Sim, ainda tentei jogar no SC Covilhã, fiz um jogo pelo SC Covilhã ali na Naval, apanhámos uma cabazada 4-1, entrei a meio da 2ª parte, lesionei-me, tive logo uma ruptura muscular e falei com o presidente: "Ó presidente, eu não quero, não quero andar a arrastar-me mais, eu não posso". Compreenderam e acabei já com 33 ou 34 anos.

Já tinha pensado no seu futuro?
Sabe que nessa altura não pensava, mas hoje já estou arrependido de não ter tirado o curso de treinador. Agora com esta idade já não quero, mas na altura podia ter tirado um cursozinho de treinador e também treinava como muitos andam aí a treinar. Hoje tenho pena, mas agora já não vai. Tenho uma vida mais ou menos.

Nessa altura o que resolveu fazer?
Voltei para a minha terra. Tenho algumas coisinhas. Já tive alguns negócios. Tive uma loja de desporto, já tive um restaurante, "O Brito", no Barco, isto é uma aldeia pequenina e não funcionou muito bem. Depois abri uma marisqueira também lá no próprio restaurante, as coisas também não correram bem. E agora tenho uma discoteca, "A Cave", que estava a trabalhar mais ou menos, abríamos aquilo ao fim de semana, mas com isto da pandemia ficou tudo parado. Tenho uma quinta aqui ao pé do Fundão, onde tenho os animais, tenho cães, sou caçador.

O que costuma caçar?
Coelhos, lebres, perdizes, pombos, tordos… De Agosto a Fevereiro é caçar. Mas é tudo para consumo próprio, não vendo uma peça de caça. É bom caçador? Já fui melhor, agora também já me está a faltar a vista. A idade não perdoa [risos].

Onde ganhou mais dinheiro?
No Benfica.

Tinha ou tem superstições?
Nunca fui muito disso. Quando entrava em campo benzia-me, mas mais nada.

É então um homem de fé.
Acredito em Deus, sim. Os meus pais obrigavam-nos a ir à missa e à catequese. Sou católico mas não praticante.

Se não tivesse sido jogador de futebol teria sido o quê?
Se calhar tinha emigrado. Nas obras não acredito muito que trabalhasse, mas tinha emigrado, porque aqui as coisas não estão fáceis e sem estudos não se pode fazer muitas coisas.

Qual foi a maior extravagância que fez na vida?
Comprei um Mercedes 320 SL quando saí do Benfica, que custava, fazendo a transformação para euros, cento e tal mil euros. E ainda o tenho, já vai fazer 25 anos. Não o vendo, há de ser um clássico, é lindo. É um carro de garagem.

Há algum outro desporto que goste de praticar ou de seguir?
Sim, adoro ver snooker na televisão. Adoro jogar snooker. Quando estava no Benfica, depois de começar a época, em que treinávamos de manhã, tínhamos as tardes livres, eu ia quase sempre jogar snooker a uma casa na Pontinha. Tinha um taco especial e tudo. Adoro snooker, ainda hoje gosto de jogar mas não há muitas casas com snooker agora. Gostava tanto de snooker que comprei uma mesa para levar para casa. Aliás, estou aqui na quinta a falar consigo e estou com o braço em cima do tampo que mandei fazer para pôr em cima da mesa de snooker. Mas agora não tenho praticado muito.

Qual a maior alegria e a maior frustração que viveu no futebol?
A maior alegria foi sem dúvida o campeonato que ganhámos no Porto em 1991. Dois golos seguidos. A frustração, se puder incluir o acidente de automóvel que tive...

Mais do que frustração acabou por ser um drama pessoal.
Sim, claro. Mas obrigou-me a estar parado meia época numa altura crucial da minha caminhada. Também posso falar dos 7-1 de Alvalade e da final da Taça da Liga dos Campeões em Viena, em que entrei um bocadinho na 2ª parte, mas que perdemos.

E a maior amizade que fez no futebol?
O Pauleta, sem dúvida, o José Carlos, que estava no Benfica também, que é meu compadre, sou padrinho de uma filha dele. O Tó Real, mas há mais, se fosse enumerar todos...

Se pudesse escolher um clube em que gostava de ter jogado, qual escolhia?
Real Madrid ou Barcelona.

Quando olha para o futebol de hoje, acha que o César Brito de há 30 anos conseguia encaixar-se?
Acho que sim. Eu falei no Real Madrid ou Barcelona mas as minhas características como jogador estariam mais de acordo com o futebol inglês, que é mais direto e de ataque.

Qual foi o seu maior adversário?
O Sporting.

Mais o Sporting do que o FC Porto?
Sim, os dérbis eram mais bonitos do que os clássicos, o dérbi era mais paixão, lá em cima era mais assustador.

Havia algum defesa que o irritasse particularmente?
Assim, de repente, jogadores dos quais tínhamos um bocadinho de receio e que eram maus, talvez o Jorge Costa e o Fernando Couto. Mas ambos grandes homens. Eram os mais duros.

E histórias para contar. Não tem pelo menos uma?
No Benfica, depois dos treinos, saíamos juntos muitas vezes, não era só partilhar o balneário, éramos amigos, uma família, e um dia fomos comer ao Barbas umas caldeiradas e uns peixes. E bebemos demais. Só que tínhamos treino à tarde. Era o Toni o treinador. Bebemos demais e à tarde fomos para o treino e no aquecimento ainda disfarçámos porque era correr à volta do campo. Mas depois quando foram exercícios com bola começaram alguns a falhar os passes, a não acertar na bola, a cambalear, e o Toni, como esperto que era, apitou e mandou todos para o balneário [risos]. Foi caso único, nunca mais aconteceu e ele compreendeu.

Gostava de sair à noite?
Não podíamos. Nos dias de folga, quando não éramos convocados ou assim saíamos um bocadinho mais, mas não era muito.

Onde gostava de ir?
Eu não fui muita vez, mas havia ali umas discotecas na 24 julho, junto a umas escadinhas. Era o Plateau e o outro não me lembro do nome, mas era ao lado [Kremlin]. Mas era quando podíamos, muito raramente.

Tem tatuagens?
Eu não. Lembro-me que quando tinha uns oito ou nove anos havia um maluco na aldeia que achava que sabia fazer tatuagens e ainda me picou com uma agulha e tinta. Detesto e não gosto de ver a ninguém, às mulheres muito menos."

Benfica After 90 - Wrap & Onward...

A competição é 'natural'

"A Sociologia tem tido grandes avanços nas últimas décadas, nomeadamente pela ênfase crescente da análise histórica. Isso não significa uma mera aplicação da perspectiva sociológica ao passado, mas, sobretudo, uma forma de contribuir para uma melhor compreensão das instituições sociais do presente. Recuemos então à década de 1990. Numa entrevista dada um pouco antes da sua morte, numa espécie de balanço científico, o conhecido biologista francês Henri Laborit (1914-1995), que dirigiu a revista “Agressologie”, de 1958 a 1983, declarou: “para mim, a competição é obscena. Ela é a origem da infelicidade do homem” (Sport et Vie, Novembro de 1994).
Omnipresente em todos os domínios de actividade (económica, política, religiosa, educativa, desportiva, artística, etc.), a competição é considerada como o comportamento normal das relações humanas. Tornou-se uma espécie de inconsciente social. Como se julga “natural”, e que se aceita como o motor necessário e inelutável da ação, promove a não colocação de questões sobre a sociedade e encerra a possibilidade de se imaginar o que pode significar um mundo sem competição.
Como alertava o sociólogo Émile Durkheim (1958-1917), os seres humanos veem-se a si próprios como indivíduos livres nas opções, mas, na realidade, os seus comportamentos são determinados pelo mundo social. A perspectiva competitiva é inerente ao desporto, mas o imperialismo da competição não é evidente e não é universal. O espírito de competição é determinado por um sistema social. Conscientemente ou não, ao pretender-se que a competição é inata, os desportistas, praticantes e espectadores, culturalizam a natureza. Eles arrogam a competição social para justificar um dado estado cultural.
A competição desportiva é uma injunção social, culturalmente interiorizada pelos seres humanos. No nossa sociedade, homens e mulheres devem se entregar aos “jogos” concorrenciais e sujeitarem-se a uma classificação para beneficiar da gratidão geral. Com a mania do número e do valor associado, a competição impõe-se como modelo dominante de legitimação do sucesso e até como ética de vida. Apesar da sua cruel selecção, e as suas implacáveis consequências, a competição é julgada por muitos como sã e formadora. Nada deve impedir a “corrida” dos melhores e os incessantes confrontos. A máxima “o essencial é participar”, atribuída a Pierre de Coubertin, é uma ilusão. No livro “La Concurrence et la mort” (La Découverte, 1995), o jornalista Philippe Thureau-Dangin”, ex-diretor do “Courrier International” e ex-presidente da “Télérama”, refere que “quando o principal artesão do olimpismo moderno afirma que ‘o essencial é participar’, não se pode ver neste slogan uma consolação para os vencidos. Trata-se de empurrar cada um de nós para entrar no jogo da concorrência (ou da competição desportiva)”. Será, então, que uma sociedade sem competição é irrealista? Para que serve ser mais forte do que o outro? O que nos traz de mais valia bater o recorde do mundo? Uma sociedade que propõe apenas a competição como a única moral de vida é uma sociedade doente."

Jesus...

Gilberto

Não era dos nomes que mais agradaram à nação Benfiquista, quando os rumores começaram a circular, mas é um jogador que encaixa no perfil de Jesus para as Laterais! É verdade que já falhou algumas vezes, mas também já acertou!!! Jesus julga que consegue 'ensinar' jogadores de características ofensivas a defender... Creio que o sucesso desta contratação vai passar por aí...
O Flamengo jogou muitas vezes contra o Fluminense na passagem do actual do treinador do Benfica, pelo Rio, sendo assim acredito que o conhecimento do técnico pelas qualidades do jogador, seja profundo!
Passou por Itália, sem grande sucesso, mas estando a 100% tem velocidade e força para fazer as 'piscinas' que o esquema do Jesus obriga os Laterais...