Últimas indefectivações

sexta-feira, 17 de julho de 2020

O martelo de Nietzsche XI

"1. O Instituto Português do Desporto e Juventude apresentou um interessante estudo intitulado “Plano de Actividades 2020 - Impacto da COVID-19 - Inquérito às Federações Desportivas Junho 2020” cujo objectivo foi o de apurar a situação das Federações Desportivas devido aos constrangimentos provocados pelo Covid-19. A primeira constatação que se retira da leitura do estudo é a serenidade demonstrada pelas generalidade das Federações Desportivas que contrasta com o histerismo do tipo baratas tontas de alguns dirigentes da cúpula do associativismo desportivo. Mas as Federações Desportivas estão calmas porquê? Muito provavelmente porque sabem que o desporto internacional só vai abrir quando estiver garantida a segurança absoluta, na generalidade dos países do Mundo, relativamente ao Covid-19. E porque, para além de um ou outro dirigente mais histriónico que se põe a inventar à custa da saúde dos atletas e do dinheiro dos contribuintes, já perceberam que é perfeitamente idiota tentar gerir o que quer que seja no quadro de uma situação que não controlam minimamente. Por isso, quando o presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP) vai ao Presidente da República lamentar-se que “faltam respostas” ele não faz, certamente, a mínima ideia de quanto tem razão, mas está enganado. E porquê? Porque, no quadro do no Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo n.º CP/1/DDF/2018 (DR, 2.ª série - N.º 18 - 25 de Janeiro de 2018), Ele é a Resposta. E a prová-lo aí está a serenidade da generalidade das Federações Desportivas. E o Governo agradece.
2. José Manuel Araújo é uma figura de alta estatura do nacional olimpismo. Ele é Secretário-geral do Comité Olímpico de Portugal. Embora a tradição já não seja o que costumava ser, a figura de secretário geral dos Comités Olímpicos Nacionais (CONs) é aquela que, geralmente, ocupa o segundo lugar na ordem da estrutura hierárquica das instituições. E porquê? Porque, ao contrário daquilo que alguns possam pensar Pierre de Coubertin não foi o primeiro presidente do Comité Olímpico Internacional (COI). Ao tempo, em 1894, os fundadores do COI estabeleceram que o presidente da instituição deveria ser da nacionalidade do país em cuja cidade se realizaria a próxima edição dos Jogos Olímpicos. Em conformidade, como foi decidido que a primeira edição dos Jogos Olímpicos da idade moderna seria realizada em Atenas, era necessário eleger um presidente grego. E o escolhido foi o grego Demetrius Vikelas. E Coubertin, que era a única pessoa com conhecimento, motivação e capacidade para pôr a máquina olímpica a funcionar, passou a exercer as funções de Secretário Geral da instituição pelo que, devido à incompetência Vikelas, acabou por ser ele a liderar o COI. Na realidade, se não fosse Coubertin nunca a primeira edição dos Jogos Olímpicos da era moderna teria sido realizada em Atenas em 1896. A partir de então, o lugar de secretário geral dos CONs passou a ter uma importância fundamental como tradição o que, de alguma maneira, ainda acontece no caso português. Assim sendo, não se percebe nem se aceita que José Manuel Araújo tenha anunciado a sua candidatura à presidência da Federação Portuguesa de Ginástica (FPG) cujas eleições decorrerão no próximo mês de Dezembro (Record, 2020-06-02). Diz Araújo que se candidata para “renovar a ginástica em Portugal”. Que “é o momento certo para dar início a uma nova fase”. E diz que quer ser “uma lufada de ar fresco”! E, para além de anunciar umas medidas avulso sem qualquer frescura, diz que vai criar um “Conselho de Ética”. Recomendo-lhe que comece por perguntar ao futuro Conselho de Ética sobre a eticidade da candidatura à presidência de uma Federação Desportiva anunciada por um secretário geral em exercício de um Comité Olímpico Nacional (CON). Não acredito que não existam antigos ginastas em muito melhores condições para presidir aos destinos da ginástica nacional.
3. JM Constantino, presidente do COP, no prefácio ao livro “E-Sports: O Desporto em Mudança?”, diz que é necessário “indagar se é possível ao desporto continuar a invocar o seu valor educativo, a sua dimensão cultural e a sua importância na saúde pública e ‘simultaneamente’ acolher práticas cuja dimensão salutogénica começa a ser questionada pelas mais importantes instâncias científicas internacionais…”. Ele tem razão. Mas não chega ter razão é necessário agir em concordância sobretudo quando se tem responsabilidades institucionais como são as de um presidente de um CON. Assim, considerando que: (1º) No preâmbulo do Regulamento do Conselho de Ética do COP pode ler-se: “Tomando em consideração que, de acordo com a Regra 27, n.ºs 1 e 2.2., da CO (Carta Olímpica), é missão do COP “desenvolver, promover e proteger o Movimento Olímpico, bem como assegurar a observância da CO em Portugal, na salvaguarda dos seus princípios e valores essenciais”; (2º) A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que é membro ordinário do COP, vai desenvolver um programa “FPF na Escola” (A Bola, 2020-07-04) a fim de “promover o futebol entre as crianças dos 6 aos 10 anos, desenvolvendo um dia aberto em cada escola básica do 1º Ciclo….”, sugere-se ao presidente do COP que solicite ao Conselho de Ética do COP presidido por Marçal Grilo que esclareça o Governo em particular e o País em geral se, do ponto de vista ético e das melhores práticas pedagógicas, é aceitável promover programas de futebol para crianças a partir dos 6 anos de idade com o concurso de antigos jogadores internacionais de futebol. E, claro, sobre este assunto tomasse uma posição pública.
4. Em declarações à agência Lusa / O Jogo (on line) (2020-07-14), João Rodrigues um dos mais prestigiados atletas olímpicos e actual presidente da Comissão de Atletas Olímpicos (CAO) estrutura incluída nos estatutos do Comité Olímpico de Portugal, afirmou que a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto "não tem peso político no Governo" e que o Ministério da Educação "não tem o desporto como prioritário" entre as diversas áreas que tutela. João Rodrigues está certo, mas não tem razão. Está certo na medida em que nem a Secretaria de Estado nem o Ministério têm qualquer peso no governo e ainda bem na medida em que não se lhes reconhece a mínima competência técnica ou ideológica na matéria. Mas João Rodrigues não tem razão na medida em que se os governos há mais de quarenta anos, salvo uma ou outra excepção, não têm consideração nenhuma pelo desporto é porque os dirigentes desportivos; salvo algumas excepções, não se dão ao respeito. E, quando se dão, são ostracizados e perseguidos. Um desporto que aceita que o presidente do Comité Olímpico acumule com a presidência do Conselho Superior de Desporto não se dá ao respeito. Um desporto que aceita que os dirigentes se perpetuem agarrados ao poder é um desporto que não se dá ao respeito. Um desporto cujos processos eleitorais, do ponto de vista democrático, deixam muito a desejar… etc.
5. Recordo a João Rodrigues que, há mais de quinze anos, foi assinado entre o Instituto do Desporto de Portugal e o Comité Olímpico de Portugal o Contrato-programa de desenvolvimento desportivo nº 48/2005 (DR - II Série Nº 70 - 11 de Abril de 2005). Entretanto, o contrato foi por diversas vezes reafirmado. Em consequência, hoje, o COP, para além da Carta Olímpica e da própria Lei de Bases da Atividade Física e Desporto (Lei n.º 5/2007, de 16 de Janeiro) funciona sob as normas estabelecidas no Contrato-Programa de Desenvolvimento Desportivo n.º CP/1/DDF/2018 (DR, 2.ª série - N.º 18 - 25 de janeiro de 2018) e, em consequência, está transformado numa espécie de repartição da administração pública que sob o controlo do Instituto Português da Juventude e do Desporto ao qual, por obrigação do contrato tem de prestar contas em várias matérias, põe em execução as políticas públicas de desporto determinadas pelo Governo. Por isso, quando João Rodrigues diz que a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto "não tem peso político no Governo" e que o Ministério da Educação "não tem o desporto como prioritário" ele tem toda a razão, o problema é que o COP ao colocar-se na dependência da Administração Pública através de contratos programas abdica da que poderia ter. E este, pela mais confrangedora falta de visão estratégica é um dos principais problemas do desporto nacional. Por isso, quando o presidente do COP vai ao Presidente da República dizer que “faltam respostas” está completamente enganado. Ele, na qualidade de presidente do COP, é a resposta que o poder político, desde 2005, encontrou para, sem grandes preocupações e nenhumas responsabilidades, administrar e controlar o desporto português. Quando um CON assina um contrato programa que o coloca debaixo da supervisão da tutela político-administrativa deixa de ser uma entidade parceira e passa a ser uma entidade tutelada e, em conformidade, tratada como tal.
6. João Rodrigues ainda apelou para uma reflexão sobre a importância do desporto na sociedade portuguesa. Tem toda a razão, mas não é ao Estado que compete promover essa reflexão. A última vez que o Estado se meteu nisso, ao tempo do XVII Governo foi um desastre. Quem a tem de promover são as organizações de cúpula do livre associativismo. O problema é que, actualmente, estas organizações não passam de extensões civis da estrutura estatal. O sistema, desde 2005, perdeu liberdade, capacidade crítica e embruteceu porque foi instituído um silêncio gerador de subdesenvolvimento.
7. Valha-nos Nossa Senhora de Fátima. O Brasil registou na passada quarta-feira (2020-07-15), 75.366 mortes devido ao Covid-19 e 1,96 milhões de infetados. Portugal relativamente à mesma data registou 1.676 mortes e 47.426 infetados com um aumento de 375 casos relativamente ao dia anterior. Entretanto, a Secretária de Estado do Turismo em Portugal afirmou (2020-07-15) que o Reino Unido que é o maior consumidor do turismo português deverá manter no final do mês Portugal fora dos corredores aéreos. Perante este cenário, a partir de Julho, Portugal vai receber pelo menos 200 atletas olímpicos brasileiros para além de técnicos e dirigentes que vão estagiar em Lisboa, Cascais e Rio Maior. Jorge Bichara director do Comité Olímpico Brasileiro (COB), explicou que Portugal foi escolhido entre outras razões, porque é um dos países que superou a pandemia mais rapidamente (!!!). As autoridades portuguesas, para além de terem deixado passar a imagem de que, por acção e graça de Nossa Senhora de Fátima, o problema estava ultrapassado, puseram-se a inventar sobre o desconhecido e hoje o custo de tal atitude cifra-se em centenas de milhões de euros de prejuízos com Portugal fora dos corredores aéreos que alimentam o turismo por motivos de não terem sido capazes de controlar a pandemia. Entretanto aguardam-se 200 atletas brasileiros. Valha-nos Nossa Senhora de Fátima.
8. JM Constantino, o presidente do COP, relativamente aos atletas brasileiros informou o Kombat Press (Consultado em 2020-07-16) que a passagem da delegação olímpica brasileira pelo nosso país representa um impacto de 2,5 milhões de euros para Portugal !!! E acrescentou que estes treinos em território nacional “tem uma vantagem naturalmente desportiva, mas tem, sobretudo, uma enorme importância no plano diplomático e no plano económico.”!!! É assim que o desporto vai em Portugal! Temos a mais baixa taxa de participação desportiva da EU, resultados nos Jogos Olímpicos tristemente fracos, uma situação pandémica que está a prejudicar tragicamente a prática desportiva nacional e o Sr. Presidente do COP está preocupado com as eventuais questões diplomáticas e económicas do desporto relativas à vinda a Portugal de uns atletas brasileiros com enormes riscos para os portugueses. Quanto é que tudo isto custa a Portugal e aos Portugueses? Como dizia o outro, uma pipa de massa. Para já… salve-se quem puder.
9. Uma pesquisa realizada em Junho pela Kyodo News e pelo canal de televisão Tokyo MX, concluiu que mais de metade dos residentes de Tóquio não desejava os Jogos Olímpicos na sua cidade em 2021. Entretanto, a opinião pública tem-se vindo a agravar uma vez que, numa nova pesquisa realizada desta feita pela Japan News Network, 77% dos habitantes de Tóquio não está de acordo com a realização em 2021 dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos na sua cidade. Só 17% acredita que os Jogos podem ocorrer em 2021. Entretanto, o que se sabe é que os Jogos a ocorrerem será através de um programa simplificado muito embora o espectro do cancelamento devido à pandemia, mas, também aos custos é uma possibilidade que está no espírito de muitos responsáveis. Uma coisa parece ser certa. Sem vacina nunca haverá Jogos. Mas não é tudo. Thomas Bach continua com um discurso enigmático e vai dizendo que o mais fácil teria sido cancelar os Jogos. E porquê? Porque se os problemas desportivos com mais ou menos desacordos são possíveis de resolver já os problemas logísticos são tremendamente difíceis. É a Aldeia Olímpica, os hotéis, os transportes, a bilheteria e, entre outros, os voluntários. Ora, organizar tudo isto em regime de urgência, para além dos problemas burocráticos, vai fazer crescer os custos para valores exorbitantes que os habitantes de Tóquio já começaram a perceber que, no final da festa, a Família Olímpica faz a mala e vai-se embora, mas as facturas ficam em Tóquio para os seus habitantes pagarem.
10. Na Grécia antiga, na ética de autenticidade que caracterizava a lógica comunitária da sociedade, como referia Nietzsche, era impossível separar a palavra agôn da tríade jogo, festa e sagrado. Porque, na defesa da nobreza de espírito, o sentimento que devia resultar da disputa era a possibilidade sempre presente de se renovarem as forças vitais em busca da superação e da excelência da competição como motor da sociedade grega. Foi este o espírito que Coubertin, enquanto helenista que era, tinha na sua mente ao lançar, em 1892, a ideia do renascimento na era moderna dos Jogos Olímpicos da antiguidade. O problema é que, a partir de Antonio Samaranch um ilustre franquista que exerceu a liderança do Comité Olímpico Internacional de 1980 a 2001, o sagrado foi substituído pela diplomacia dos negócios quando cunhou a famosa metáfora: “Yes to commercialization”. Ao fazê-lo, corrompeu o triângulo vital que, na sua ancestralidade, comandava o Espírito Olímpico. Quer dizer, Samaranch abriu o Movimento Olímpico aos negócios e, sobretudo, a uma certa diplomacia pacóvia e ignorante que o está a conduzir para uma nova autenticidade caracterizada pela ausência de quaisquer valores de ordem ética, centrada no egoísmo, no individualismo, no narcisismo e na mais descarada falta de vergonha. E não creio que seja com a Agenda 2020 de Thomas Bach que, algum dia, o Movimento Olímpico poderá renascer sobre as cinzas do Covid-19 que, com grande oportunidade, está a trazer à luz do dia as misérias do Movimento Olímpico moderno nos mais diversos países do Mundo."

Manter estabilidade em tempos de instabilidade

"Estamos a viver tempos únicos em que o Desporto foi apenas um dos muitos afectados, e ser ano olímpico complicou ainda mais a situação. É um ano em que a prioridade dos atletas é estar 100% focados na sua prova olímpica, um ano em que se procura a excelência, em que se dedicam horas e horas de treino ao grande objectivo. De repente, a prioridade passou a ser a nossa saúde, a saúde e a segurança da nossa família e dos que nos são mais próximos, tivemos de nos adaptar e reinventar nos treinos, tais eram as limitações e as incertezas. Na verdade, a incerteza passou a ser a única certeza.
A mudança foi tão drástica que mesmo os Jogos Olímpicos foram adiados, ainda que sem a garantia de que se vão realizar, para 2021. Será que é possível manter a motivação, continuarmos focados com todas estas limitações e incertezas? Será que conseguimos manter-nos estáveis no meio desta instabilidade? Será que esta alteração de planos vai ter consequências no desempenho futuro dos nossos atletas? São muitas as questões, mas estamos na era da dúvida e estas perguntas só se juntam a tantas outras para as quais não há, ainda, resposta.
Ser atleta implica uma grande capacidade de adaptação, implica reinventarmo-nos e saber lidar com a dúvida em inúmeros momentos. Quem nunca duvidou em treinos menos bons, em competições menos boas, em momentos menos bons. A dúvida existe, e é nestes momentos que precisamos de enfrentá-la: "pensar na razão que nos leva a treinar, a gostar, a desfrutar do que fazemos, pensar no nosso grande objectivo". Deixar tudo mais claro na nossa cabeça. Parece realmente simples, mas este processo é muito mais complexo do que parece, e só está ao alcance de alguns, de poucos, diria eu. E, neste momento, para que esteja ao alcance de todos, tem de haver uma maior sensibilidade daqueles que estão envolvidos no desporto, um trabalho de uma equipa multidisciplinar, muitas vezes adormecida também na alta competição, e que será a chave para garantirmos que todos os atletas consigam manter-se equilibrados e tranquilos, desfrutando dos seus treinos, para estarem, em 2021, na sua máxima forma.
No meu caso, estive em casa durante quase quatro meses, sempre com o apoio da minha família, e foi sem dúvida o que me deu tranquilidade, estar em casa com saúde e ter os meus comigo também em segurança. E ao longo destes meses tentei não pensar tanto no lado negativo de não haver Jogos Olímpicos, aliás, poucas foram as vezes em que pensei nisso, procurei sempre mais desfrutar do dia-a-dia, treino a treino, manter-me activa e igualmente competitiva. Valorizar mais o prazer de treinar, mesmo quando não há a competição em troca. E ter tido a oportunidade de treinar em casa, sem treinador, sem pensar em tempos, em velocidades, mas apenas em mim e em sensações, foi único.
Vai haver sempre um antes e um depois desta pandemia, e seguramente há um lado positivo, só temos de deixar que esse lado domine, mas só trabalhando em conjunto vamos conseguir realmente desfrutar e partilhar os bons momentos."

Calendário da próxima época

"Faltam disputar duas jornadas da Liga NOS (visita ao Aves, terça-feira, dia 21, e Sporting, domingo, dia 26) e a final da Taça de Portugal, agendada para 1 de Agosto, em Coimbra. O objectivo da nossa equipa passa por vencer cada uma destas partidas, terminando assim a Liga NOS da melhor forma possível e conquistando mais um título para o nosso palmarés.
Seguir-se-á um curto período de férias, durante o qual será disputada a fase final da Liga dos Campeões em Lisboa. Será usado um modelo de final 8 a uma mão e o Estádio da Luz será o palco de quatro jogos, incluindo a final, agendada para 23 de Agosto, prestigiando e oferecendo visibilidade mundial ao nosso magnífico estádio.
A temporada 2020/21 terá um calendário bastante sobrecarregado, pois além do começo tardio relativamente ao que é habitual, será ainda disputado o Campeonato da Europa no final da época, impossibilitando assim o prolongamento do calendário competitivo de clubes.
Está previsto que a Liga arranque em meados de Setembro (dia 20 tem sido a data avançada), com o sorteio a realizar-se, em princípio, no dia 9 de Agosto.
Com o segundo lugar na Liga NOS obtido esta época, teremos de disputar, se não houver alterações por parte da UEFA, a terceira pré-eliminatória de acesso à Liga dos Campeões. Esta será jogada numa só partida nos dias 15 e 16 de Setembro. O play-off já acontecerá a duas mãos, dias 22 e 30 do mesmo mês, e a fase de grupos desta competição terá início a 20 de Outubro.
Face a esta sobrecarga de jogos, com uma calendarização complexa, não se entende a insistência na realização da Taça da Liga. Em sentido contrário, a FPF anunciou que a Supertaça não será disputada no início da temporada, alegando, precisamente, a sobrecarga de jogos no mês de Setembro, decisão que mereceu a concordância de Benfica e Porto.
Continua, no entanto, mas compreensivelmente, ainda por definir em que moldes serão disputados os jogos, nomeadamente se será permitida, ou não, a presença de adeptos nas bancadas."

Uma espreitadela ao circo

"Eu queria e quero muita liberdade de informação e muito escrutínio, mas não queria nem quero palhaçadas. Não aprecio.

coisas que eu não consigo perceber ou até percebo bem mas não me entram na cabeça. Algumas dessas coisas são certos aspectos da mediatização da justiça, que não são bons nem para a liberdade de informação, nem para a justiça, nem para nada (para nada de bom e útil à coisa pública, entenda-se, pois outras utilidades terão certamente). Não está em causa – antes pelo contrário – a importância crucial que a liberdade de informação tem numa sociedade livre e madura, e também não está em causa – também muito pelo contrário – a necessidade de escrutínio da justiça (que, aliás, entre nós é muito pouco, ao contrário do que a barulheira circense quotidiana faz parecer; falo de escrutínio verdadeiro e próprio, análise, leitura, crítica ponderada e com conhecimento de causa e trabalho, não do espectáculo ao minuto do “homem que mordeu o cão”). É que uma coisa é informar e escrutinar, outra é entretenimento puro e simples, palpites, barulheira, precipitação, manipulação pelas fontes, fretes, coisas apressadas, frenesim desesperado pela caixa e por ser o primeiro, bem como a necessidade de encher espaço pretensamente noticioso (e muito espaço há para encher) com qualquer coisa, o que for, o que houver, o que vier, nem que seja a primeira coisa que salte à cabeça, ou o que disseram, o que assopram, ou o que parece, ou qualquer coisa, tudo serve, nem que seja a repetição do mesmo e do mesmo, e assim por diante. Há muitos exemplos mas, nesta semana em que escrevo, há dois muito ilustrativos. Sou advogado nos dois processos, que fique claro, mas não vou falar deles, nem está em causa o seu mérito ou demérito nem a sua relevância noticiosa.
O que está em causa é o espectáculo em volta deles, e em ambos os casos quase sempre sem se saber bem do que se está a falar, porque num caso não sabem o que está em causa e, noutro, ainda não tiveram tempo de saber. Num caso, alguém soltou uma dica, daquelas dicas (aliás, com impressão digital identificável) cuja intenção é encher a trincheira de água e estrume para tentar pôr lá alguém a patinar na lama malcheirosa. E a partir daí, cá vai disto, um caleidoscópio de números com acrobatas, trapezistas, cães amestrados, ilusionistas e engraçadinhos, tudo a palpitar e a lucubrar sobre o que não sabe e não conhece. No outro caso saiu uma acusação (aliás, numa saída com uma mise en scène de alto lá) com milhares de páginas e, umas horas depois, já estava toda a gente ciente do que lá estava, a dizer, a escrever, a opinar, a perorar, a comunicar, tudo numa beleza de rigor, esclarecimento e ponderação. Admirável, a capacidade e a velocidade de leitura. Senti-me muito burro porque eu, para ler milhares de páginas, levo algum tempo. Mas isso sou eu, que além de lento devo estar fora de moda. Eu queria e quero muita liberdade de informação e muito escrutínio. Mas não queria nem quero palhaçadas. Desculpem, mas não aprecio. É uma questão de gosto. Há quem diga que às vezes escrevo coisas pouco claras. Creio que desta vez estou a ser clarinho como água – isto é um espectáculo que pode servir para muita coisa, desde logo para entreter, mas para mim não é nem informar nem escrutinar. E de circo, de que nunca gostei muito (embora respeite), deixei de gostar definitivamente por volta dos dez anos de idade. Porém, não devo ter razão nenhuma, até porque sobreleva o sagrado princípio que manda que o show tenha de continuar. Façam favor – quem sou eu para protestar sequer? –, mas não me entra na cabeça que tenha algo de bom. Entretanto vou continuar a ler, com a minha lentidão de burro (quase a mesma que emprego a escrever, excepto em copy and paste, e mesmo aí demoro a formatar e a procurar concordâncias e coerências), e desculpem qualquer coisinha."

SL Benfica | Os 5 mestres em livres no século XXI

"Costuma-se dizer que o futebol é uma arte e dentro da modalidade há várias formas de expressar a arte de cada um. Desde as defesas “impossíveis” aos remates de outro mundo, o futebol é, generalizando, uma arte em movimento, em que cada um é capaz de coisas muitas vezes inexplicáveis. O pousar da bola, o ajeitar, os passos contados, o olhar para aquele cantinho onde a coruja dorme, o remate, o golo! Uma obra de arte em que nós, como adeptos, podemos visualizar ao pormenor a sua criação. Muitos foram os especialistas deste tipo de arte que passaram no SL Benfica no século XXI e neste artigo destacarei cinco artistas cujo pincel era o próprio pé.

1. Simão Sabrosa Um verdadeiro génio na hora da cobrança da falta, e não só. Simão foi, para mim, um dos melhores a vestir o manto sagrado neste século.
Desde as fintas, aos remates, aos cruzamentos, aos livres, tudo era uma oportunidade para o ex-internacional português mostrar a genialidade do seu pé direito (se bem que o esquerdo também funcionava com excelência).
Nascido em Vila Real, Simão teve uma carreira incrível, contando com passagens por clubes como o FC Barcelona, SL Benfica e Atlético de Madrid.
Pois bem, na hora da cobrança dos livres, Sabrosa não tremia e era exímio em aproveitar as bolas paradas. Um talento como poucos se viu na história do SL Benfica.

2. Óscar Cardozo Um temível pé esquerdo, aliás, um verdadeiro canhão no lugar da perna, era assim Óscar “Tacuara” Cardozo no Sport Lisboa e Benfica.
Estreou-se a marcar de livre directo num jogo frente ao Vitória SC decorria a temporada 2007/2008. Uma “bomba” saiu disparada do pé do paraguaio para o fundo das redes de Nílson, que não teve a mínima hipótese de defesa.
Cardozo foi um dos melhores pontas de lança que vi a actuar no glorioso. Portentoso, com 1,93 metros de altura, seria de esperar que o Tacuara fosse “apenas” um matador dentro de área, mas não. Fora dos limites da área (e dentro também), Cardozo era um dos melhores batedores de livres no plantel encarnado.
O que dizer mais daquele que é o melhor marcador estrangeiro da história do Sport Lisboa e Benfica? Foram 172 (!) golos do Tacuara em 288 jogos, números simplesmente impressionantes.

3. Anderson TaliscaChegou até a correr o ditado “quem não arrisca, não Talisca” dada a facilidade com que Talisca apontava golos fora da área, sendo a cobrança de livres uma das suas especialidades.
Pois bem, Talisca chegou a Portugal em 2014 proveniente do Bahia e encantou logo à partida com o seu pé esquerdo. Marcou onze golos em 44 jogos na sua época de estreia pelo SL Benfica, sendo que dois foram fruto de bola parada.
Pois bem, Talisca seguiu por empréstimo ao Besiktas e o “feitiço virou-se contra o feiticeiro”. Num jogo a contar para a Liga dos Campeões, o SL Benfica vencia por uma bola a zero até que Talisca, já nos descontos, empata a partida, dando o empate ao Besiktas na primeira jornada da fase de grupos daquela competição.
Em 2016, Talisca era mesmo o terceiro melhor batedor de livres das sete principais ligas com quatro golos em apenas 21 tentativas. Números impressionantes por parte do brasileiro.

4. Nico GaitánQuem é que não se lembra daquele livre-panenka frente ao PAOK num jogo a contar para a Liga Europa na temporada 2013/2014? Pois bem, se provas fossem precisas para justificar a entrada de Nico Gaitán nesta lista, basta ver o vídeo. Simplesmente magnífico, uma obra de arte ao alcance de muito poucos.
Gaitán actuou nos encarnados entre 2010 e 2016 e, enquanto esteve por terras lusas, foi sempre um dos melhores jogadores do campeonato português.
Não só de bolas paradas brilhava o argentino. Extremamente rápido, com ou sem bola, muito forte tecnicamente e capaz de mudar um jogo com o seu génio. Era Gaitán, o “menino de valor indiscutível”.

5. Petit Era, a par de Simão Sabrosa, o batedor de livres do Sport Lisboa e Benfica no início do século. Imaginem só ter dois jogadores desta qualidade a cobrar livres…
Nascido em França e formado no Boavista, Petit mudou-se para a Luz em 2002/2003 e por lá ficou durante seis temporadas. O médio luso-descendente era um dos responsáveis pelo miolo encarnado sendo um dos indiscutíveis do plantel.
Fosse de canto ou mesmo de livre à entrada da área, Petit era sempre um dos escolhidos para cobrar estas situações de jogo e muitas vezes com sucesso, quer resultasse em golo ou assistência.
Petit era um jogador extremamente perigoso quando lhe davam um pouco de espaço, até porque o seu pontapé “canhão” disparava sem medo e hesitação. Era uma das suas melhores qualidades, a sua facilidade de remate, e se já tinha à vontade para rematar rodeado de adversários imaginem quando podia rematar “apenas” com uma barreira pela frente!"

Quem tramou Roger Rabb… Bruno Lage?

"2020 está do avesso. O que tomávamos por certo viu-se substituído pelo seu completo oposto. O futebol, que muitos tomam como um problema, mas que, na verdade, não passa de um sintoma dos grandes problemas do Mundo, não tem sido excepção. Um dos casos mais recentes e mais polémicos prende-se com a possibilidade de alguns dos mais consagrados jogadores do SL Benfica terem “feito a cama” a Bruno Lage.
Incrível, não é? Alguma vez eu pensei que em 2020 as pessoas seriam criticadas por fazerem a cama? Nunca! Andei eu a “levar nas orelhas” tantos anos por não fazer a cama e, neste ano que nunca mais acaba, é o preciso oposto que se revela um problema… Enfim, “só” faltam 168 dias para 2021…
Mas terá sido? Terão futebolistas dos encarnados “feito a cama” ao treinador setubalense? Não me parece, por um simples motivo: neste momento, não existem no SL Benfica quaisquer futebolistas. Coloquemos, então, a questão de outra forma, por exemplo, a negrito: terão membros do plantel das águias “feito a cama” ao seu próprio líder?
Estando de fora, posso apenas especular e extrair conclusões das minhas especulações. A minha resposta revestir-se-á, assim, inevitável e invariavelmente, de uma muito relativa e relativizada correcção.
No entanto, como já percebi que no lamaçal desportivo e comunicacional que é o futebol português não há espaço para “correcções”, vou arriscar e dizer que me pareceu notória a falta de empenho, compromisso e entrega – para não falar da gritante e repentina falta de qualidade.
É certo que são várias as possíveis explicações para que tudo tenha mudado em Fevereiro deste maníaco ano, sobretudo após a partida frente ao FC Porto. Mas é também certo que uma dessas possíveis explicações é que a inusitada falta de compromisso tenha sido consciente e concertada, com o intuito único de originar uma mudança no comando técnico.
Visto de fora, afigurou-se-me sempre ser isto o sucedido. Não obstante, podemos formular outras teorias. Por exemplo, é possível que Bruno Lage não tenha sabido lidar com a importante vertente psicológica do plantel, nas suas individualidades e na sua colectividade. Nesse cenário, não seria de estranhar que o técnico tenha “perdido” o plantel após a derrota no Estádio do Dragão.
Claramente algo mudou após essa partida. O sequente empate em Vila Nova de Famalicão (ainda que tenha dado acesso à final da prova-rainha) e a sequente derrota em casa frente ao SC Braga não ajudaram, mas à entrada para essas partidas já era relativamente claro que o chip de alguns jogadores tinha sofrido um curto-circuito.
Consciente ou inconscientemente, de forma isolada ou concertada, a verdade é que de então para cá a postura de vários jogadores foi imprópria de um profissional digno dessa designação, com especial incidência naqueles que deveriam ser um exemplo, em particular Pizzi, Rafa, André Almeida ou mesmo Rúben Dias, que se esperava poder ter sido uma voz de comando.
A camisola que envergam e o símbolo que carregam obrigam a que haja capacidade para dar a volta às situações mais difíceis e dolorosas. Posso até estar a ser injusto – pelo que, a confirmar-se, me penitencio -, mas não vi, em momento algum, sinais claros de haver vontade para dar a volta à série negra que o clube viveu durante meses (e que ainda não conheceu um fim cabal…).
Poderá ter sido incompetência e/ou incapacidade de Bruno Lage? Poderá. Apenas? Não creio. Algo mais esteve na base da referida falta de vontade demonstrada por vários jogadores e que se reflectiu no colectivo. E acredito, como acreditei em todos os momentos durante esta negra fase dos encarnados, que na base da mudança (para pior) de atitude do plantel esteve uma vontade enorme de, precisamente, mudança.
E, quiçá, essa vontade encontrava justificação. Quiçá, Bruno Lage havia, de facto, perdido a lealdade do plantel que liderava. Todavia, há algo que, a confirmar-se este cenário (se é que alguma vez vamos saber ao certo o que se passou no seio da equipa durante estes meses), é injustificável e inadmissível: os jogadores deveriam ter a consciência de que acima de Bruno Lage, acima deles mesmos, está o SL Benfica e é seu dever, se não de outra índole, no mínimo profissional, respeitar a instituição que representam.
Por último, refiro algo que creio ser importante. Apesar de o holofote da culpa incidir em três ou quatro elementos em particular (como foi o caso no presente artigo), todo o grupo tem culpas no cartório, incluindo elementos que encontraram, mesmo nesta fase negra, uma sistemática e acérrima defesa dos adeptos.
Para cimentar o exposto acima – e para terminar -, segue uma citação de David Simão, retirada da entrevista dada ao Bola na Rede pelo médio formado no SL Benfica, em referência abstracta a vários jogadores e em referência concreta, calculo, a Samaris (ainda que David Simão se tenha recusado a apontar nomes):
O Bruno Lage, quando estava a perder, metia três avançados e eu dizia “Não faz sentido”, sou livre; não posso é dizer que o Bruno Lage não percebe nada e tem de ser despedido. Nós não estamos lá, não sabemos como foi a semana de trabalho. Toda a gente fala de um jogador em específico no Benfica: por que é que não joga, desapareceu e não sei quê; nós não sabemos se é bom elemento de grupo, se destrói um balneário… há jogadores, os denominados puxa-saco, que sabem exactamente como viver dentro do futebol. Isto num grupo (…) nós percebemos, mas para fora, quem vê umas imagens de meia hora, pensa assim “Aquele, que fica chateado quando a equipa perde, não joga” e aquilo é uma máscara, porque quando não há câmaras, aquele jogador não é nada disso: entra a rir quando a equipa perde e de cara fechada quando a equipa ganha."

É como não tivesse acontecido!!!



"Penalty contra o #PortoaoColo?
Siga! Será que o VAR, Artur Soares Dias, não viu o lance por já se encontrar a caminho dos Aliados?"

Os períodos de transferências em 2020/2021

"O Regulamento do Estatuto e Transferência do Jogador da FIFA, no seu artigo 6.º, estabelece que devem existir dois períodos de inscrições, o primeiro dos quais, a chamada 'Janela de Verão' deve iniciar-se após o final da época desportiva e terminar antes do início da época desportiva seguinte. Ainda que esta regra possa sofrer excepções, não pode exceder as doze semanas de duração. 
Acrescentando que o segundo período, denominado 'Janela de Inverno', deverá ter lugar no meio da época e não pode durar mais de quatro semanas, normalmente coincidentes com o mês de Janeiro. Assim a FIFA estabelece os limites máximos para cada um dos períodos de inscrição, sendo da competência de cada federação nacional fixar, dentro dos períodos estipulados pela FIFA, qual o seu período de inscrições.
Normalmente o primeiro período de inscrições teria lugar entre os dias 1 de Julho e 15 de Setembro, mas este ano, pelos motivos que todos conhecemos, em princípio só se iniciará no próximo dia 3 de Agosto e estará aberto até 15 de Outubro.
Para as inscrições para as competições profissionais de futebol e organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional só estará aberta até ao dia 30 de Setembro, mas prolongar-se-á até 16 de Outubro para as transferências internacionais de jogadores nas competições não profissionais, ficando os restantes dias da 'janela' (até 23 de Outubro) para verificação de cada um dos processos.
Neste âmbito podemos elencar outras federações nacionais, que têm optado por encerrar os seus períodos de inscrição no mesmo dia em que se encerram as suas 'janelas' e isso fica a dever-se aos seus processos serem menos complexos no que toca à verificação da documentação exigida por lei ou regulamento, ao invés do que acontece em Portugal, mas, também, para evitar casos como os que infelizmente sucederam aos jogadores portugueses Yannick Djaló ou Adrien Silva.
Por fim, esta época conta com a proibição das denominadas transferências-ponte, ao abrigo da qual um jogador não se pode transferir mais do que uma vez num período de 16 semanas, consagração esta que resulta, não só, do referido regulamenta da FIFA, mas também dos regulamentes federativos nacionais."

quinta-feira, 16 de julho de 2020

Processos ganhos

"Foram divulgadas, ontem, duas decisões de tribunais favoráveis ao SL Benfica, ambas relacionadas com castigos aplicados devido a alegado apoio a grupos organizados de adeptos.
Sobre a interdição, de cinco jogos, do Estádio da Luz, por parte do Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) decidiu revogar essa decisão. Foi considerado que a norma regulamentar não poderia ser aplicada neste caso, concluindo-se que "a FPF não tem competência legal para aplicação de sanções relacionadas com a concessão de apoios a grupos organizados de adeptos que não estejam registados junto do IPDJ, na medida em que tal competência é exclusiva do IPDJ".
Por outras palavras, de acordo com o TAD, "a decisão da FPF está, pois, inquinada por um vício de incompetência absoluta e, como tal, é nula". O TAD acrescenta ainda no seu acórdão que "não foi dado como provado que se tenha registado qualquer consequência negativa da utilização do material coreográfico pelas 'claques'".
A outra decisão coube ao Tribunal da Relação de Lisboa, em que, dada razão ao SL Benfica, considerou-se improcedente o recurso do Ministério Público da decisão que, em primeira instância, já absolvera o Clube do castigo de um jogo à porta fechada e multa imposto pelo IPDJ por alegado apoio ilegal a grupos organizados de adeptos.
Com este despacho, o Tribunal da Relação reitera a legalidade dos procedimentos do SL Benfica, sendo os mesmos conformes aos imperativos e às necessidades de segurança para um espectáculo desportivo, como é o caso de um jogo de futebol, e alinhados com as exigências de uma boa organização deste tipo de eventos.
Ademais, deu-se por provado que qualquer adepto, ainda que não inserido em grupos organizados, pode requerer autorização para entrada no Estádio com o mesmo tipo de material que o fazem os adeptos que se identificam com os Diabos Vermelhos ou os No Name Boys.
Reconhecendo que ambas as decisões foram alvo de notícia por parte da generalidade da comunicação social, o contraste do destaque dado comparativamente às primeiras acusações merece uma reflexão de todos.
Aí o alarido foi enorme, com primeiras páginas e aberturas de telejornais, contribuindo, então, para adensar um clima de suspeição despropositado, conforme as mais recentes decisões o demonstram.
A luta por audiências e leitores não pode justificar tudo!
É evidente que a ampliação desmesurada do anúncio de investigações, e até mesmo acusações, serve certos interesses, atropelando-se valores inalienáveis como, entre outros, a presunção de inocência, e promovendo-se julgamentos na praça pública. E este flagelo torna-se ainda mais evidente quando as decisões dos tribunais são favoráveis aos visados, não havendo semelhante divulgação, no espaço público, das mesmas.
Congratulamo-nos por estas duas decisões. Por muito empenho dos acusadores, que o houve, por muito entusiasmo dos detractores, que foi notório, e por muita insistência de alguma comunicação social, que a deveria envergonhar, ficou provado, mais uma vez, que o SL Benfica age de acordo com a lei."

Comunicado

"Desde a passada segunda-feira que circulam inexatidões, falsidades e especulações sobre o teor da imputação feita no âmbito do processo n.º 461/17.

Temos, pendente de despacho, requerimento no sentido de ser confirmada a informação verbal que nos foi dada de que o processo não se encontra sujeito a segredo de justiça. Seja como for, e uma vez que, com todos os prejuízos inerentes, continuam as especulações e as falsidades, impõe-se-nos como interesse superior e muito urgente esclarecer agora, publicamente, que a imputação feita e comunicada, nos termos e com as consequências legais, é de alegado crime de fraude fiscal.
Nada mais. Uma coisa são a verdade, o objecto do processo e as regras legais, tudo o mais é ruído."

Um Vieirista e um Abutre à conversa

"Numa tasca qualquer no Portugal profundo, dois Benfiquistas debatem a actualidade do clube. Um é claramente apoiante do presidente atual ("Bah, não passa é de um Vieirista..."), o outro desespera por uma alternativa ("Bah, não passa é de um Abutre..."):
Vieirista: "Olha quem é ele...já me vens azucrinar a cabeça outra vez? Aposto que até festejaste o golo do Famalicão!"
Abutre: "Oh amigo...eu já nem festejo nem deprimo. Desta equipa já não espero nada e espero tudo ao mesmo tempo. Só quero que cheguem as eleições em Outubro..."
V: "Pronto. Já cá faltava. O objectivo é só esse, não é? Tirar de lá o melhor presidente da História do Benfica."
A: "Epá...assim até me engasgo com a mini! Meu rico Borges Coutinho. O melhor presidente que vai perder 10 campeonatos em 17 para o Porto? Ou é o melhor presidente a colocar o nome do Benfica nas ruas da amargura, envolvido constantemente em polémicas e casos de tribunais?"
V: "Isso acontece porque o querem tirar de lá à força toda! Quando o Benfica não ganhava campeonatos, os nossos rivais gozavam a dizer que o queriam lá muitos anos. E agora atacam-no de todos os lados? Por alguma coisa será. Ganhaste 5 campeonatos nos últimos 6 anos, já para não falar no campeonato da credibilidade..."
A: "Mas quais credibilidade? A bem do Benfica, só espero que tudo o que se diz seja mentira. E se for, que medalha é essa da "credibilidade"? Ser honesto no Benfica é uma obrigação e não algo que deva ser elogiado."
V: "Pois é...mas vocês esquecem-se que já lá tivemos um ladrão, que deixou o Benfica só com as pedras da calçada. Entretanto, surgiu alguém que avançou para um estádio, um centro de estágio, um canal de televisão, recuperou o clube financeiramente e vai com quase 20 troféus conquistados."
A: "Eu nunca disse que ele não tem os seus méritos! Mas achas que é o único que conseguiria isso? O Porto e o Sporting também têm estádio, centro de estágio, televisão, etc. Mas há uma hegemonia desportiva que tarda em ser alcançada e se calhar fazia bem ao clube mudar em nome da democracia, não?".
V: "Pinto da Costa está lá há quase 40 anos e os portistas não se queixam. Então mas se o que Vieira fez é fácil, onde está a oposição? Vais votar no Rui Gomes da Silva que até há bem pouco tempo estava lá dentro, presume-se que a concordar com o rumo seguido?"
A: "Pois, não sei. Ainda não me decidi. Continuo à espera de um D. Sebastião que me faça acreditar que não é preciso manhosos no futebol Português e que o Benfica tem dimensão suficiente para ter equipas de futebol tão melhores que os outros, que não precise de esquemas nenhuns."
V: "Não te deixes levar pela conversa dos outros! Nada está provado. Mas também não podes ser lírico, Portugal é o país da cunha, do conhecer a pessoa certa. Como dizia o outro "Manda quem pode, obedece quem tem juízo". Precisas sempre de alguém assim...ou então terás o que tiveste nos anos 90. Um Benfica anjinho e manietado."
A: "Pois, não sei. Estou muito desiludido com isto tudo. O que queria mesmo é que não tivéssemos desperdiçado este campeonato e não estivéssemos a oferecer dois títulos em três anos numa bandeja a um Porto intervencionado pela UEFA..."
V: "Estão intervencionados, mas continuam a gastar muito dinheiro. Tem calma, que eles hão-de cair. O Benfica está numa situação financeira muito mais invejável e mais tarde ou mais cedo isso há-de passar factura."
A: "Epá, com tantas abébias que lhes estamos a dar, qualquer dia recuperam e depois arrependemo-nos profundamente destes anos em que os tivemos à nossa mercê."
V: "Tem calma, que o Presi agora vai buscar o Jesus e vai voltar a nota artística!"
A: "Quem te viu e quem te vê em relação ao Jesus! Mas vê bem o desespero: há 5 anos o Vieira deu-lhe um pontapé no traseiro porque era para apostar na formação e agora já o quer de volta. Enfim. Olha...sabes do que tenho saudades? É da antiga Luz! Do Paneira, do Magnusson, do Isaías, daquele 3º anel cheio de bandeiras, da vénia, dos 120.000 a bater com os pés no chão para assustar os outros. Sinto saudades desse Benfica puro e belo."
V: "A nostalgia pinta tudo mais bonito do que era realmente. Não podes desistir do Benfica pá! Continua a ser a mais bela ideia criada, uma frente Popular que nasceu para ser o maior clube Português e o elo de ligação de milhões de pessoas em todo o mundo.
A: "Apesar de Vieirista, agora falaste bem. Mesmo com todas as minis que já levas em cima ahah. É isso: não desistir do Benfica. Se não desistimos no Vietname, não é agora que o vamos fazer. Sabes que amo o Benfica. E se critico é porque quero o melhor para ele. E porque sinto que o actual está muito longe do potencial e da beleza que devia ter.
V: "Percebo. Lá chegaremos. No entretanto, logo à noite vens cá ver o jogo?"
A: "Claro. Se o Seferovic marcar um golo pago uma rodada à malta toda!"
V: "Ah valente!""

Sobre Pizzi, André Almeida, Rafa e Bruno Lage: o desmentido, essa arma que muitas vezes vem desmentir a mentira que se pôs a circular

"Finito. Acabou-se. Para o ano há mais. Resta, aos crentes mais devotos e insanos, o “matematicamente possível” que de matemática nada tem. As dúvidas já seriam poucas, mas as poucas que houvesse foram desfeitas pelo empate do Benfica em Famalicão e mais uma vitória cinzenta de um FC Porto cinzento. O campeonato está entregue, com justiça e sem brilho.
Mas a culpa não é da equipa de Sérgio Conceição. Afinal, um campeão é pelo menos tão bom como o melhor dos seus adversários e não precisa de mais. Se o melhor adversário é paupérrimo, problema dele que assim obriga o rival a limitar-se a ser competitivo e competente. E, com altos e baixos, o Porto foi competente e competitivo, muito mais que o melhor dos seus adversários.
Uma das vantagens de um campeonato competitiva e desportivamente pobre como este é que, por paradoxal que pareça, a contestação ao campeão diminui. Os erros próprios de quem perde são tão evidentes que, por vergonha ou sensatez, ninguém se atreve a atirar as culpas para os árbitros, a Covid, o sistema – quer o sistema entendido como o conjunto de forças obscuras que supostamente controla o futebol português, quer o sistema solar.
Não quer isto dizer que a procura activa de bodes expiatórios e o sacrifício público dos mesmos tenham terminado. Afinal, é preciso explicar aos leigos como é que o clube mais rico, com o melhor plantel e cujo presidente fez questão de não cortar salários durante a pandemia conseguiu perder o campeonato para um clube de finanças debilitadas e com um plantel desequilibrado, a galáxias de distância das melhores equipas do FC Porto.
A imolação de Bruno Lage não chega. Os deuses pedem mais. Mais sangue, mais sacrifícios. E quem melhor do que os jogadores, sobretudo os jogadores com mais peso no balneário, para representarem esse papel, poupando estrategicamente a cúpula do clube? Por essa razão, a notícia que circula há poucos dias segundo a qual Bruno Lage atribuiria o descalabro ao comportamento doloso de Pizzi, Rafa e André Almeida, e que foi desmentida pela comunicação do Benfica com uma prontidão e uma energia bastante suspeitas, chegou ao nariz dos adeptos carregando o odor inconfundível das mais engenhosas manobras de bastidores.
Vamos acreditar que Bruno Lage, qual fantasma do pai de Hamlet, anda por aí de armadura a alertar a família benfiquista – “Foi o trio! Cuidado com o trio” – em vez de permanecer caladinho a negociar os termos da rescisão. Porque é que o clube se sentiu compelido a “desmentir”? Desmentir o quê? Que Bruno Lage acha que alguns jogadores não deram o máximo? Se ele estiver convencido disso é compreensível que, ao desabafar com amigos, aponte o dedo a alguns jogadores. Seria uma atitude facilmente desculpada com o desalento, a frustração e o despeito. Mas nada que merecesse uma resposta tão longa do clube, “em defesa do bom-nome e reputação dos referidos atletas.”
E o desmentido, essa arma de comunicação que muitas vezes vem desmentir a mentira que se pôs a circular, torna-se mais suspeito do que a acusação em si. Tal como alguém que se desculpa sem ser acusado demonstra a própria culpa – excusatio non petita, accusatio manifesta – também aqueles que se excedem nas justificações apontam para si mesmos o dedo acusador. Continuando nos “latinzes”: cui bono? Quem ganha com este diferendo entre o ex-treinador e os jogadores? A quem interessa defender tão energicamente o profissionalismo e o bom-nome dos atletas que, antes desta notícia, não tinham sido postos em causa?
Uma coisa é certa, enquanto o pau vai das costas de Lage para as costas dos jogadores alguém fica de costas folgadas e a assistir de cadeirinha ao espectáculo. As manobras de diversão só não alteram a matemática e essa é clara: o campeonato, perdido ingloriamente, já foi. Mas, enfim, parece que Jesus está de volta e, se o nome não for um acaso, saberá uma ou duas coisas sobre pagar pelos pecados alheios."

Benfica After 90 - Guimarães...

quarta-feira, 15 de julho de 2020

SL Benfica ganha novo processo ao IPDJ

"Tribunal da Relação de Lisboa indeferiu recurso do Ministério Público e deu razão ao Clube, que já tinha sido absolvido na primeira instância.

O Tribunal da Relação de Lisboa deu razão ao Sport Lisboa e Benfica, ao considerar improcedente o recurso do Ministério Público (MP) da decisão que em primeira instância já absolvera o Clube do castigo (um jogo à porta fechada e multa de 56 250 euros) imposto pelo IPDJ em 2018 por alegado apoio ilegal a Grupos Organizados de Adeptos (GOA).
Com este despacho, o Tribunal da Relação reitera a legalidade dos procedimentos do SL Benfica, sendo os mesmos conformes aos imperativos e às necessidades de segurança para um espectáculo desportivo, como é o caso de um jogo de futebol, e alinhados com as exigências de uma boa organização deste tipo de eventos.
O acórdão da decisão da Relação (que pode consultar AQUI) reconhece que os adeptos inseridos em GOA não deixam de ser adeptos e têm o direito a aceder a qualquer local do Estádio desde que tenham título de ingresso válido para o requerido lugar. Caso tal não ocorra não poderão fazer-se acompanhar das bandeiras e tarjas que entram nos sectores a elas reservados, como decorre do regulamento de segurança do Benfica.
Tal material coreográfico entra apenas em sectores específicos do Estádio da Luz e que ali estão discriminados e que coincidem, sim, com os locais onde os adeptos conotados com os NName Boys e com os Diabos Vermelhos assistem aos jogos. Tal acesso e permanência, como se percebe e constata, não deve ser confundido com apoio. Como aliás ficou provado, qualquer adepto, ainda que não inserido em GOA, pode requerer autorização para entrada no Estádio com o mesmo tipo de material que o fazem os adeptos dos NName Boys ou dos Diabos Vermelhos, sendo certo que o referido material terá de ficar confinado nas zonas determinadas no regulamento de segurança."

Ensina, Chiquinho


"Inteligência Versus Acaso
Qualidade Técnica e Destreza Versus Declínio de todas as Capacidades.
A fluidez / fluência do jogo que permite mais e melhor chegada a zonas de finalização consegue-se sempre à base da eficiência do gesto.
O que é Errado, e Chiquinho Ensina."

As codificações sociológicas das prática desportivas

"As observações (de 1915 a 1918) de Bronislaw Malinowski (1884-1942), etnólogo polaco, nas Ilhas Trobiand juntam-se às análises antropológicas realizadas por Marcel Mauss (1872-1950), sobrinho de Émile Durkheim (1858-1917). Elas revelam que as trocas nas sociedades tradicionais se organizam segundo um contrato geral e são, permanentemente, submetidos a uma tripla obrigação: “dar-receber-devolver”. É o dom e contra-dom de que fala Marcel Mauss. As partes envolvidas no contrato são pessoas morais: clãs, tribos, famílias, que se enfrentam e se opõem em grupo ou por intermédio dos seus chefes, ou pelos dois ao mesmo tempo. O que eles trocam são delicadezas, festins, ritos, danças, etc. Estas prestações e contraprestações, aparentemente voluntárias pelas oferendas, são, no fundo, obrigatórias.
Os sociólogos não estiveram envolvidos nas operações de codificações das práticas desportivas. Eles limitam-se a registar essas práticas nas sociedades, mas as operações de recenseamento não são apenas simples constatações de realidades pré-existentes, prontas a ser “contadas” como tal. A descrição da realidade social é sempre prescritiva, sobretudo quando ela parte do Estado ou das entidades delegadas, com a responsabilidade de gerir essas práticas. Podemos então perguntar qual é a autonomia das práticas desportivas? Evocando o trabalho de codificação, poderemos pensar que aceitamos uma definição do tipo construtivista, isto é, a de que o desporto se reduz a uma construção, multiforme e indefinida, de uma actividade que se apoia no uso agonístico-lúdico. O desporto seria, então, uma realidade exterior das interpretações dos dirigentes, dos treinadores e dos praticantes. Apoiados em Malinowski e Mauss, recusamos esta ideia. O desporto é uma invenção cultural. As práticas desportivas mobilizam o corpo dos indivíduos que, em função do contexto histórico e social, e do trabalho de codificação realizado pelas entidades envolvidas, acumulam significados mais abertos e mais diversos."

Vitória da eficácia

"Ontem, vencemos o Vitória de Guimarães por 2-0, com o resultado a espelhar a superioridade da nossa equipa na maior parte da partida. Ao contrário de alguns jogos anteriores, fomos eficazes e aproveitámos duas das oportunidades de golo criadas, além de não termos concedido qualquer golo ao adversário, o que já não acontecia desde o embate frente ao Tondela.
Tratou-se de um bom triunfo ante uma equipa que luta pela entrada nas competições europeias e que, meritoriamente, tem sido elogiada pela generalidade dos analistas.
Chiquinho e Seferovic foram os autores dos nossos golos. O primeiro há muito que procurava voltar a fazer o gosto ao pé e já o merecia, enquanto o segundo, cujos 42 golos em competições oficiais ao serviço do Benfica igualam, embora em mais jogos, a soma conseguida por Filipovic, beneficiou de uma excelente assistência de Rafa. Dois jogadores vindos do banco a protagonizarem o lance que consolidou o triunfo.
Uma menção especial a Florentino que, mesmo entrando na equipa um pouco a frio, por volta da meia hora de jogo, e estando afastado das opções técnicas desde Fevereiro, fez uma exibição muito sólida e consistente.
Quando Veríssimo assumiu a equipa, o objectivo passava por vencer os últimos cinco jogos da Liga e a Taça de Portugal. Ao fim dos primeiros três jogos, alcançámos duas vitórias (Boavista e Vitória de Guimarães) e um empate (em Famalicão, onde FC Porto e Sporting haviam perdido), com três exibições positivas.
Com este triunfo, o segundo lugar passou a ser o pior desfecho possível nesta edição da Liga, garantindo-se a participação na Liga dos Campeões na próxima temporada.
Faltam agora duas jornadas e mantém-se a ambição e a exigência de somarmos mais três pontos em cada jogo, para só depois nos focarmos na final da Taça de Portugal, a qual queremos muito ganhar. 
#PeloBenfica"

Uma vez que o MP investiga tanta coisa sobre o Benfica, que descubra porque não jogava Florentino desde 9 de Novembro

"Vlachodimos
Um dia talvez possamos ouvir da boca deste observador privilegiado dos nossos jogos uma explicação para nos termos tornado uma espécie de orador motivacional em versão equipa de futebol. Não há equipa que não volte a acreditar em si quando joga contra nós. É verdade que ontem essa situação se limitou aos primeiros 45 minutos, mas enfim, resta-nos saber que Vlachodimos lá está, munido de luvas e pessimismo antropológico, preparado para evitar embaraços maiores.

André Almeida
alguns anos que não era batido pelo Ola John. Deveria aproveitar os próximos dias para uma profunda reflexão sobre o sucedido.

Rúben Dias
Muito bem a esclarecer os adeptos na flash interview, explicando que o segredo da sua boa exibição cá atrás se deve ao desempenho colectivo, e que é “preciso a equipa querer ganhar”. Atentem na importância desta declaração. Estamos a cinco pontos do mais que provável campeão nacional, que em breve se tornarão oito. Acabámos de assegurar uma vitória que nos poupa à humilhação suprema de ter que ver com quem é que o Sporting joga até final do campeonato. Tivemos o campeonato entregue numa bandeja pelo nosso adversário. Se a competição se resumisse à segunda volta, estaríamos em oitavo lugar. Perante tudo isto, um dos nossos capitães esclarece que a receita desta vitória com as favas quase todas contadas foi, pasmem-se, a equipa querer ganhar. Por oposição a quê? Digam-me, por favor: isto está mesmo a acontecer ou tenho que ligar para a NOS a reclamar? Pode ser um problema da box. Também não podemos culpar a estrutura e a direcção por tudo. Estas operadores fartam-se de meter água.

Jardel
A época está quase a terminar e há muito que não recomendo um vinho, o que não significa que não os ande a beber. Desta vez falo-vos do Casal Sta. Maria Pinot Noir 2017, uma benção de uva fermentada que em muito beneficia do terroir de Colares, ali entre a serra e o mar, essa visão profética que nos acompanhou neste final de época. Acompanha muito bem massas frescas e peças de carne, bem como um segundo lugar no campeonato. Não é o pairing que desejávamos, mas sim o que merecemos.

Nuno Tavares
Raramente lhe parece faltar intensidade, mas nem sempre a inspiração ajuda. Ontem jogou como se estivesse numa Rage Room, mas em vez de objectos partidos e martelos para furar paredes, Nuno Tavares chutou sucessivamente para onde estava virado. É verdade que numa dessas ocasiões criou o lance para o nosso primeiro golo, mas o resto foi algo sofrível: umas vezes acertou nos colegas como se fossem matraquilhos humanos, noutras ocasiões entregou a bola em condições privilegiadas a adversários directos, e ainda lhe sobrou um tempinho para ser comido pelo magnífico Marcus Edwards. Foi estranho.

Weigl
Às vezes também me apetece abandonar o visionamento de alguns jogos à meia hora de jogo depois de distribuir uns pontapés em adversários. Até a bater Weigl parece mais civilizado do que a maioria. Só lhe falta cumprimentar o adversário e explicar os motivos por que o fez. Acrescente-se que a misericórdia extrema do árbitro Hugo Miguel conseguiu o mais improvável: transformar uma festa iminente no hotel do rival em mais umas horas de choro por causa das arbitragens. Foi o pretexto ideal para a turba reivindicar o mais que certo título nacional conquistado “contra tudo e contra todos”, apesar de todos sabermos a verdade: este título foi conquistado com o alto patrocínio do Benfica. Esqueçam a guarda de honra. Isso não seria uma ilustração adequada do que significa entregar este título. Como dizem os Diabos, só nos falta ir para os Aliados festejar com eles. 

Gabriel
Vai sofrer tanto bullying do Jesus… não corras que não é preciso.

Pizzi
Não sei se é local adequado, mas peço aos jornalistas do Correio da Manhã que publiquem as suas histórias sobre balneários que destroem treinadores 30 minutos antes de cada jogo do Benfica, para o Pizzi poder usar a raiva de forma construtiva e presentear-nos com melhores exibições do que a de ontem. Quando for assim ganhamos todos.

Chiquinho
Conforme já aqui expliquei, Chiquinho continua a fazer calmamente um caminho que culminará com o golo da vitória na final da Taça. O golo de ontem foi bom, mas foi só uma espécie de treino. Vai melhorar até Agosto.

Vinicius
O seu corpo continua em Portugal, mas a alma parece já estar em Bom Jesus da Selvas, Maranhão, a grelhar picanha enquanto explica aos familiares que a culpa não foi só dele.

Cervi
Momento digno da saga Chucky no lance do primeiro golo. Quando todos o davam por morto, Cervi encontrou energia para colocar a bola no Nuno Tavares, que fez o resto.

Florentino
Frescura física e mental, intensidade em todos os momentos, abnegação com e sem bola, capacidade de antecipação, inteligência no desarme, pressão alta sempre à procura da bola, e qualidade na circulação da mesma. Florentino está a uma licenciatura na Clássica de ser a melhor defesa que este Benfica pode ter. Já agora: uma vez que o Ministério Público investiga tanta coisa sobre o nosso clube, peço-lhes que tentem descobrir porque é que este miúdo não jogava na Liga desde 9 de Novembro. Não olhem a meios e não tenho medo de confrontar os poderes instituídos. Já somos arguidos de qualquer das formas.

Zivkovic
O seu jogo continua a denotar uma certa impaciência face aos poucos minutos passados em campo, uma pressa de mostrar qualquer coisa que convença a estrutura de que Zivkovic é, na verdade, o novo Taarabt. Resta saber se o Jorge vê o mesmo que nós.

Seferovic
Tenho curiosidade em saber como é que o Jorge pretende transformar o Seferovic no MVP do próximo campeonato. Isso ou qual o próximo clube do suíço.

Rafa
Barba aparada e uma assistência para golo. Sinto que não se pode pedir muito ao Rafa nesta fase.

Jota
A presença do Jota no relvado assemelha-se à vida sexual de um casal de meia idade: 5 minutos algo sôfregos e pouco memoráveis que ainda assim nenhum dos cônjuges rejeitará na semana seguinte."

Cadomblé do Vata (38!!!)

"O plantel principal de pontapé no esférico Benfiquista deve um sincero e enorme pedido de desculpa aos jovens lagartinhos que hoje vão estar na primeira fila a assistir à coroação do novo campeão nacional. O departamento de futebol do Glorioso merecia que a passagem de testemunho se fizesse num FC Porto - SL Benfica. Tudo fizeram para estar em campo hoje à noite, a levar com os festejos portistas nas trombas, a ver jorrar hectolitros de champanhe rosqueiro nas cabeças pintadas de azul e branco, a entregar com pompa e circunstância a nossa taça ao rival e a aguardar 3 horas junto ao túnel, até que os alcoolizados vencedores da Liga começassem a recolher aos balneários entre a guarda de honra encarnada.
As opiniões na Nação Benfiquista dividem-se quanto à solução para o problema que assola a modalidade rainha do nosso Clube. Há os que dizem que temos de eleger um novo Presidente, outros apontam a necessidade de formar um plantel novo, uma corrente defende estar nas mãos de Jorge Jesus a panaceia para o insucesso e desde ontem tudo se parece resumir à titularidade de Florentino. Se me permitem deixar a minha sugestão, julgo que o que o Glorioso fundamentalmente precisa é de um médico legista de bisturi afiado na mão à procura de respostas, que evitem a morte prematura da próxima temporada.
A segunda metade desta infindável temporada tem que ser extensiva e urgentemente autopsiada. Cingindo-me apenas às 32 jornadas já disputadas na prova principal do calendário português, lamento mas ninguém me vai conseguir convencer que se passa de 18 vitórias em 19 jogos, para 4 sucessos em 13 partidas, apenas devido a questões técnicas, tácticas ou de escolha de 11 titular. Mesmo colocando em causa as qualidades futebolísticas dos nossos “craques”, é bom que se note que disputamos a Liga Portuguesa, onde nem um nacionalismo rampante nos permite nivelar a qualidade acima de baixa. O pior a treinar diariamente no Seixal, é dos melhores a jogar semanalmente em Portugal.
O féretro que jaz na Catedral tem a cabeça toda metralhada, mas tamanha evidência pode ser apenas manobra de diversão, para ocultar um homicídio bem mais perverso que um carregador esvaziado na marmita da vítima. É preciso escarafunchar bem fundo, para encontrar a real causa do falecimento do Benfica Campeão 19/20. Precisamos de um “Verão de 2013”, porque não há produção de Rennie suficiente no Mundo, para combater 3 anos seguidos a cantar "Benfica dá-me o 38"."

O socorrista com Tino

"A primeira regra dos primeiros socorros será evitar que a situação escale ou se prolongue, e Nélson Veríssimo, homem que foi chegado à frente para substituir Bruno Lage, estancou – pelo menos – o sangramento de resultados negativos – não evitando, ainda assim, um empate contra o Famalicão que colocou o FC Porto com uma mão no título. O problema é que essa promoção para o braço-direito de Lage surge como a aceitação do facto de que a Liga estaria irremediavelmente perdida, facto que poderá gerar algum desapego essencial para o regresso de alguma tranquilidade, mas também uma descrença que provoca falta de desejo e de ambição. E quem viu o Benfica-Vitória, desta terça-feira, pôde aperceber-se de que todas essas características do momento encarnado estão lá. Muitíssimo tempo sem bola, falta de reacção à perda, número de duelos ganhos baixíssimo (até à entrada de Florentino) e displicência notória em figuras como Pizzi e Rafa (que entrou já no segundo tempo). 
Por outro lado também a tal aceitação de que o título está irremediavelmente entregue pode ter ajudado a que o Benfica recuperasse uma característica que andou presente não só na 1.ª volta desta edição da Liga, como aqui e ali com Jorge Jesus e Rui Vitória. A capacidade de marcar estando por baixo no jogo foi comprovada por Chiquinho e por Seferovic que em diferentes, mas ao mesmo tempo iguais, momentos deixaram os vimaranenses sem hipóteses de reacção. Diferentes porque Chiquinho facturou na primeira metade – depois do Vitória ter acertado nos ferros (de uma assentada Edwards apanhou no travessão e no poste) e de Vlachodimos ter sido chamado duas vezes a intervir e a salvar a equipa – mas iguais porque a semelhança de ser o Vitória a equipa que mais procurava o golo resultou, por duas vezes, no oposto do que Ivo Vieira pretenderia.
E aqui, numa altura em que o descontentamento com a prestação do técnico se vem acentuando em Guimarães, há que referir que a falta de acerto no último terço tem sido o ponto baixo de um colectivo que muito prometeu e que, aqui e além, fez jus à expectativa. Mas se recuarmos uma volta e recordarmos a recepção a este mesmo Benfica, veremos um Vitória que faz tudo bem até chegar perto das zonas de definição. E lá são já clássicas as finalizações a 200 à hora, ou com o coração junto aos atacadores, que um dia a ciência há-de conseguir explicar com bloqueios nos corpos de identidade, e nos corpos mentais e emocionais dos atletas. Até lá, fiquemo-nos com as explicações de que não chega controlar o Benfica em 451, oscilando com uma linha de 5 sempre que a bola chegava à ala (Mikel juntava aos centrais) ou até de 6 (quando Edwards e Ola John fechavam os flancos) e não chega porque o Benfica marcou o primeiro golo numa situação dessas, e porque mesmo que o Vitória preenchesse muito do tempo a dividir protagonismo, a falta de killer instinct não só enviesará as análises como os marcadores. E o Benfica, nesta terça-feira, encontrou parte da sua eficácia como ponto mais importante do jogo, sendo que o segundo é a constante descrença e desacerto de um Vitória que jogou ao tiro ao boneco com Ody e com os ferros, e que no lance em que fez abanar o cordame o marcador do golo estava… em posição irregular. Sintomático. E se falámos dos dois momentos do jogo, é também de referir que a entrada de Florentino )por Weigl aos… 33 minutos) resultou numa ocupação de espaços e num raio de acção que há muito não se via no futebol das águias.
Benfica-Vitória SC, 2-0 (Chiquinho 37′ e Seferovic 87′)"

Rescaldo...

Benfica Podcast #372 - It is, what It is

Recordações: Ana Sobral...

BnR TV - Rony Lopes...

Vermelhão: Vitória...!!!

Benfica 2 - 0 Guimarães


Curiosamente no jogo mais 'dividido' dos últimos tempos, acabámos por obter uma das vitórias mais 'fáceis'!!! Ao contrário dos últimos jogos, o adversário 'equilibrou' nas ocasiões de perigo, o Ody teve 'trabalho' (duas defesas enormes... e os ferros!!!), mas o jogo pareceu controlado... quando já na 2.ª parte, estávamos a 'segurar' o 1-0!!! Já com o Boavista tínhamos entrado mal, marcámos contra a corrente do jogo, e depois gerimos bem a vitória... Hoje, o Guimarães entrou melhor, teve as melhores oportunidades, mas fomos nós a marcar antes do intervalo...

Comunicado

"A Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informa, nos termos e para os efeitos previstos no artigo 248.º-A do Código dos Valores Mobiliários, que a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD e a Benfica Estádio – Construção e Gestão de Estádios, S.A., assim como o Presidente Luís Filipe Vieira e o Administrador Domingos Soares de Oliveira, ambos por serem representantes legais daquelas sociedades, foram constituídos arguidos pela alegada prática de um crime de fraude fiscal qualificada, por se entender que aquelas sociedades obtiveram nos anos 2016 e 2017 uma vantagem patrimonial indevida à qual está associada uma possível contingência fiscal calculada pela Autoridade Tributária no valor total aproximado de €600.000."

SL Benfica