Últimas indefectivações

sábado, 20 de julho de 2019

Um caso isolado

"Vou chamar-lhe Zé António', com o devido pedido de desculpas a todos os Josés Antónios adeptos e sócios do Sport Lisboa e Benfica. Escolho este nome fictício porque sei pouco sobre esta pessoa. O episódio passa-se no primeiro jogo da pré-temporada, em casa, com os belgas do Anderlecht. O SLB vai perdendo por dois a zero no jogo de despedida de Jonas. A apresentação do plantel já tinha sido feita, a ovação ao avançado brasileiro também já tinha sido ouvida em todo o estádio. Até as lágrimas já me tinham chegado à beira dos olhos quando me tive de despedir do Pistolas.
A mim e a milhares de outros adeptos presentes na Catedral. Foi um dia de emoções fortes. É na segunda parte do jogo que este tal de Zé António começa a assobiar e a insultar a equipa e os jogadores que ousaram falhar um passe, um corte ou um remate no primeiro jogo-treino de uma época em que a camisola do nosso clube leva o escudo de campeão. Lamento muito, mas eu não estou para isto.
E saiu-me um frase com um sonoro palavrão para quem foi capaz de tal desplante. Podem encher a boca com a conversa da exigência e que no Benfica tem de ser assim, mas isso comigo não pega. Quem assobia a equipa e os nossos jogadores no jogo de apresentação só pode ser um frustrado. Todos queremos o melhor para o SL Benfica: os melhores jogadores, o estilo de jogo mais bonito, o maior número de golos, as melhores defesas ou uma excelente saúde financeira. E todos sofremos quando as coisas não correm pelo melhor, mas a atitude deste adepto ultrapassa o que é razoável. O que ficamos a saber com este episódio é que o valor pago pela quota mensal, pelo lugar anual ou pelo bilhete daquele jogo específico - não sei qual terá sido o caso deste Zé António - não incluiu cultura desportiva. Nem inteligência emocional."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 19 de julho de 2019

Dicas para o João Félix triunfar

"Esta é a primeira vez que escrevo sobre o João Félix desde que foi confirmado oficialmente como reforço do Atlético Madrid. O puto que aos 18 anos já marcava ao Sporting. O craque que parecia um jogador de PlayStation em Alvalade e no Dragão. Os sortudos dos espanhóis levaram o nosso menino. Aos 19 anos lá vai ele à conquista do mundo. Li alguns comentários no Instagram e, sinceramente não compreendo o sentido daquelas mensagens. 'Força, Félix, és um craque!', 'Sem medos, puto, jogar muito'. Malta, isso ele já sabe. Estão apenas a ser chatos. Há pensamentos bastante mais úteis para lhe transmitir. Aos 19 anos, a viver sozinho em Madrid e a jogar num clube como o Atlético, o conselho que lhe podemos deixar é para se deitar cedo, usar sempre preservativo e pouco mais.
Para bem do João, temos de pensar mais como os pais dele e menos como adeptos. E para bem do Benfica, devíamos aprender a fazer filhos como o Sr. Carlos e a Dona Carla. Eu estou disponível para integrar uma turma de aprendizes. Circulou imensa informação em relação a esta transferência. Eu ainda me vou fazendo de entendido no que diz respeito ao jogo - até porque tenho no currículo uma Liga dos Campeões conquistada com o Tourizense no FM 2012. Em questões financeiras nem sequer me atrevo a intervir. Deixo essas apreciações para quem realmente percebe e confesso que fiquei um pouco alarmado com algumas análises. Tem-se debatido tanto o destino dos 126 milhões de euros que o Atlético vai pagar, que eu até já começo a ficar convencido de que para os cofres do Benfica só devem sobrar aí uns 50€. Eu sugiro que sejam investidos em Cerelac para que os garotos não passem fome nos EUA."

Pedro Soares, in O Benfica

Obrigado, Craque!

"Na passada enviei a crónica antes do anúncio oficial da despedida de Jonas, pelo que acabei por escolher outro tema. Mas é sempre boa altura para falar do craque brasileiro, que já nos deixa saudades.
Chalana era o meu ídolo de infância, e desde então talvez não tenha desenvolvido uma admiração tão grande por um jogador de futebol como por Jonas. Foi - e ainda me custa utilizar o pretérito perfeito - o melhor avançado que alguma vez vi jogar de Manto Sagrado, e seguramente o mais completo jogador do Benfica deste século. Juntou a magia de Aimar à eficácia de Cardozo, a influência de Simão, ao perfume de Gaitán, a fogosidade de Di Maria ao carisma de Luisão. Sagrou-se campeão em quatro dos cinco campeonatos que disputou em Portugal, e ninguém me tira da cabeça que, não fosse a inoportuna lesão na fase final da época 2017 - 2018 (que o retirou do decisivo Benfica - FC Porto), teria alcançado o pleno.
Faltou-lhe a consagração europeia, deixando ainda assim a sua marca no percurso internacional do clube, com os decisivos golos obtidos, por exemplo, frente ao Zenit em 2016, ou diante do Dínamo Zagreb nesta última temporada. Mas foi no campeonato português que mais intensamente brilhou, com para lá de uma centena de golos em somente cinco épocas.
Toda a sua história no Benfica é um verdadeiro conto de fadas, desde a forma como chegou até ao dia em que partiu - deixando a Luz em lágrimas a aplaudi-lo de pé, coisa que não se via desde a despedida de Rui Costa. Não vai ser fácil substituir Jonas. Jogadores deste nível não aparecem todos os dias. Fica a lenda, e um eterna gratidão."

Luís Fialho, in O Benfica

We are Benfica

"A presença do Sport Lisboa e Benfica na International Cup (ICC) é altamente prestigiante para o futebol português. Estamos a falar do torneio de pré-época de maior dimensão a nível global. Na ICC marcam presença 12 clubes de classe mundial, com 18 jogos nos EUA, Europa e Ásia. Desde a sua estreia, em 2013, mais de 4,8 milhões de adeptos já assistiram a jogos desta competição. Mais de 150 milhões de pessoas assistem ao torneio em todo o mundo.
Para o SL Benfica, disputar este torneio nos EUA é uma excelente oportunidade para estarmos junto dos milhares de benfiquistas que vivem e trabalham na Costa Leste e na Califórnia. Seguramente iremos jogar em casa, com o SL Benfica a ter a preocupação de transportar para cada um dos estádios todo o ambiente de festa e apoio que sentimos em qualquer campo onde jogamos em Portugal.
O SL Benfica faz dos EUA um dos países onde quer estar no futuro, não só pela ligação aos seus adeptos e às 11 Casas, mas também pelo enorme potencial que o futebol tem neste grande país. E com um aspecto curioso - sempre que participámos na ICC fomos campeões nacionais. Assim aconteceu em 2015, com Rui Vitória ao leme, defrontámos o PSG (derrota por 3-2), empatámos com a Fiorentina (0-0), perdemos com os NY Red Bulls (2-1) e empatámos com o América (0-0). No final da época, conquistámos o 35.º Campeonato. Na última época, defrontámos três grandes clubes europeus e perdemos apenas um jogo - Borrusia Dortmund (2-2), Juventus (1-1) e Lyon (2-3). No final da temporada, conquistámos o 37.º Campeonato. Acredito que acontecerá o mesmo no final de 2018/20."

Pedro Guerra, in A Bola

Bola

"Ir às aulas, estar com atenção e estudar aproveitando a inteligência toda que se tem. Pelo caminho, criar um bom ambiente na escola, na família e no bairro. E jogar, jogar à bola, muito e bem! São coisas simples que muitas vezes escapam aos jovens quando perdem a perspectiva de si próprias e do seu valor por entre as encruzilhadas da vida, que, mais cedo do que devia, lhes prega rasteiras e os põe à prova como não faz a muitos dos adultos que leem estas linhas.
Nessas alturas, a família é um suporte indispensável, mas, infelizmente, nem todos a têm em condições de dizer 'pronto' quando mais dela precisam. Por isso, muitas adolescências são vividas em sobre-esforço pelos jovens, tentando conhecer o mundo e navegar solitariamente nele sem mapa nem bússola, contando apenas consigo próprios e com uns tantos colegas. Nessas alturas, pertencer a um grupo forte e coeso torna-se num património de valor inestimável. Ter um suporte e uma confirmação social, aprender a cair e ter onde cair, é de uma importância extrema para todos nós, mas acentua-se na adolescência, como quase tudo nas nossas vidas. Uma equipa, pares solidários e lideranças fortes e inspiradoras são uma das principais armas do projecto 'Para ti Se não faltares!'. Uma arma que actua em cima de um poderosíssimo princípio activo chamado futebol. E assim se transformaram angústias em acção, armários em lideranças, esforço em prazer e, claro está, crianças em homens ou mulheres, e ambos em cidadãos.
É isto que se consegue fazer com uma simples bola cheia de ar: encher vidas de sonhos e lançar caminhos individuais para a sua concretização. É tal o poder do futebol, que se torna um privilégio trabalhar na Fundação de um clube como o Benfica porque se conquista a possibilidade de o canalizar para a valorização pessoal e daí para a transformação social do país!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Bestas - fora do futebol

"Na semana passada, os portugueses mais ligados ao desporto, e em especial ao futebol, voltaram a ser sacudidos com nova investida da brutalidade cega. Num jogo que era (e foi) amigável, no específico contexto da preparação da temporada para ambas as equipas, a que os adeptos - já com saudades da competição a sério - comparecem tanto de um lado como do outro, para conferirem as suas certezas com as suas novas expectativas, eis que, de repente, sem qualquer razão para o justificar, alguém toma os mosquitos por cordas e faz despoletar uma violenta batalha generalizada em determinado sector da bancada, com as infelizes consequências que, escassos minutos depois, sobraram sobretudo para outra vítima inocente, desprevenida e muito infeliz.
A festa - designadamente a festa dos adeptos benfiquistas ali presentes em número significativamente superior ao dos antagonistas - não ficou definitivamente estragada, apesar dos perigos incidentais surpreendentemente detonados, porque a polícia e o sistema de segurança do estádio rapidamente souberam pôr cobro ao despropósito dos provocadores e defender os incautos adeptos que, sem mais cautelas, tinham acorrido ao chamamento dos seus clubes e ao fascínio pelo grande futebol. Nada, nunca, absolutamente nada e jamais pode gerar ou justificar uma bandeira daquelas. E se num qualquer jogo de campeonato já é intolerável que situações desta natureza se continuem a verificar tão frequentemente nas bancadas dos estádios portugueses, ainda é mais absolutamente inacreditável que a bestialidade tome as rédeas na boca dos irracionais que se dedicam a tais práticas quando se trata de um jogo sem intenção competitiva, podendo ser disputado com maior acento na performance e no sentido do mais puro futebol.
Daí que eu releve, por um lado, a correctíssima decisão tomada pelo árbitro Vítor Ferreira (AF Braga), ao suspender a partida por longos sete minutos, logo que - aos 39' quando o Benfica já se havia adiantado ao marcador - se apercebeu da gravidade da inesperada situação. E, por outro lado, que saliente a atitude claramente condenatória assumida por Bruno Lage, logo nas suas primeiras declarações após o final do jogo: o nosso treinador voltou a demonstrar que mantém uma ideia clara e justa sobre o que deve ser o espírito desportivo essencial a nortear o comportamento dos atletas, dos dirigentes e do próprio público do futebol.
Assim espero eu que a própria decisão adequada do árbitro tenha correspondido não apenas a um  desígnio pessoal do juiz naquela triste circunstância, mas um ditame do Conselho de Arbitragem e das entidades que tutelam a disciplina no futebol que, de futuro, passem a ser menos complacentes com circunstâncias como as que tristemente se viveram na tarde de Coimbra."

José Nuno Martins, in O Benfica

O pecado!

"Resta ao Benfica esperar que não se confirme a sabedoria popular, segundo a qual «o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita»

Pode Mattia Perin ser um guarda-redes fantástico ou, no mínimo, como disse o internacional português Miguel Veloso, um guarda-redes que é «um autêntico gato». Mas a verdade é que, bem pior do que ter contratado um guarda-redes que já teve lesões graves nos dois joelhos e acaba de ser operado a uma clavícula, é o Benfica ter, afinal, contratado um guarda-redes que toda a gente sabe que foi contratado para ser titular e só pode contar com ele, na melhor da hipóteses, lá para Dezembro, como ficou a saber-se ontem, ao final do fia, depois dos testes médicos feitos, em Lisboa, ao jogador. E porque é que é pior a emenda do que o soneto?
Porque admitindo, como temos de admitir, que o Benfica sabe que está a contratar um guarda-redes que, apesar de toda a novela, vai acabar por estar fisicamente em condições de competir ao mais alto nível quando regressar, em Dezembro, repito, à Luz, a verdade é que o Benfica vai exigir ao jovem guarda-redes Odysseas Vlachodimos que seja titular até Perin estar apto e se resigne, depois, a ser suplente quando Perin estiver, por fim, em condições de ser titular porque foi para isso que foi contratado.

Ou seja: o Benfica contrata para titular um guarda-redes que ainda está longe de poder ser titular e diz a Odysseas que vai, mais tarde ou mais cedo, deixar de ser o titular, mas que por mais algum meses precisa que seja ainda o titular. Parece esta uma situação bem resolvida? Não, claro que não!
É, pois, a contratação de Perin já um romance de cordel - como chamavam às antigas novelas mexicanas - mesmo antes de se saber se virá ou não a ser uma boa história encarnada, e é, a propósito, bastante difícil de não nos lembramos do que sucedeu também no Verão de 2018 então com o Sporting, então com o também italiano Sturaro, então, também, com a Jiventus, com a única diferença de Sturaro ter sido então emprestado ao Sporting.

Recordo que Sturaro também chegou a Lisboa ainda a recuperar de lesão, regressou a Itália com a promessa que voltaria aos leões quando estivesse recuperado e acabou por nunca fazer sequer um treino entre os verdes e brancos.
No caso, agora, do Benfica, a questão é, porém, mais complexa, porque não se trata apenas de saber o que vai acabar por suceder com Perin; trata-se, também, queira-se ou não, de saber o que vai suceder com Odysseas Vlachodimos. Pior do que não poder contar até Dezembro com Perin será, porventura, para o Benfica, não saber que Odysseas Vlachodimos vai passar a ter a partir de agora. Resta ao Benfica esperar que não se confirme a sabedoria popular, segundo a qual o que torto nasce, tarde ou nunca se endireita.

Se considerarmos a primeira época que fez no Benfica como emprestado pelo Atlético de Madrid, Salvio era, actualmente, o mais antigo jogador do Benfica, o jogador com mais jogos (266 e mais de 60 golos), o jogador com mais títulos (14 no total, cinco dos quais como campeão da Primeira Liga) e, seguramente, o jogador com mais classe e experiência internacional.
Correm nos bastidores duas versões sobre a saída do argentino, como quase sempre sucede nestas circunstâncias; a de que foi Salvio a querer ir-se embora do Benfica e a de que foi o Benfica a querer que Salvio se fosse embora. Em bom rigor, será sempre difícil saber qual delas é a verdadeira versão, ou, no mínimo, qual delas está mais próxima da história real. Em qualquer caso, o que a saída de Salvio acentua é o debate sobre a perda de tão importantes referências no plantel, como já foi o caso de Luisão no final do Verão de 2018, ou mais recentemente o de Jonas, podendo ainda o Benfica vir a perder Fejsa. É muito experiência junta perdida em tão pouco tempo.
Uma equipa que luta por títulos precisa no balneário de carisma, espírito e, sobretudo, a tal experiência. Viu-se na parte final do último campeonato, quando discutia o título quase palmo a palmo com o FC Porto como foi importante para a equipa saber que podia, a todo o momento, contar com a experiência de Jonas ou de Salvio. Todos nos lembramos de alguns jogos (com o Portimonense, na Luz, por exemplo) em que os mais jovens quase respiraram de alívio quando puderam ter os mais velhos em campo.
A experiência e a classe dos mais velhos não se nota apenas em campo, quando eles puxam dos galões para serenar espíritos, acalmar tensões e sossegar ansiedades. Nota-se também, e provavelmente mais ainda, no trabalho que não se vê, no dia a dia dos treinos e no dia a dia do balneário, naquilo que se passa de exemplos, comportamentos, compromissos e atitudes.
Não sei se foi Salvio que quis ir embora ou se foi o Benfica que, de algum modo, empurrou Salvio para fora da Luz. Creio que Salvio foi sempre um exemplo de profissionalismo e carácter no Benfica, elogiado por tudo e por todos, e admito que Salvio quisesse continuar na Luz se o treinador contasse com ele (como parece que contava, nem que fosse a lateral-direito...; é forçoso, por outro lado, admitir igualmente que Salvio tenha acabado por se sentir feliz com a mudança para o Boca Juniors porque não apenas regressa ao país natal como vai para uma equipa onde se sentirá francamente desejado.
O que falta saber é se o Benfica está a avaliar bem as possíveis consequências de deixar de contar no balneário da Luz com jogadores com o peso de Salvio ou Jonas, já para não falar da perda (que teria sempre de acontecer) de um peso pesado como foi Luisão.
Não pode o Benfica impedir que Luisão ou Jonas decidam terminar a carreira. Evidentemente que é normal chegarem ao fim determinados ciclos de jogadores como Salvio (com oito anos de clube) ou Jardel (também com oito) ou mesmo Fejsa (com seis anos de Luz). O problema é se se fehcam ao mesmo tempo muitos dos ciclos de jogadores com o peso de balneário que tiveram ou tinham agora jogadores como Luisão, Jonas, Salvio ou Fejsa, que ainda não deixou a Luz mas é tudo como baixa para a nova época.
Nenhuma grande equipa se constrói apenas com talento e nenhum balneário de uma equipa grande sobrevive ao excesso de juventude. É preciso talento, mas também experiência, carácter, compromisso, disciplina e atitude. E isso só se ganha com o tempo."

João Bonzinho, in A Bola

Ganhar com respeito

"Para quem vê jogos na TV, seguindo a sua equipa apenas nesses dias, torna-se difícil perceber o que está por detrás do ecrã. Mesmo quem acompanha treinos tem, por vezes, dificuldade em perceber como se preparou o jogo. Ou seja, não tem exacta noção do trabalho entre momentos competitivos.
As equipas crescem e desenvolvem-se em torno de princípios e valores. Questões que não podemos abdicar, mesmo que em última instância isso possa colocar em risco a vitória. Contudo, a realidade do futebol profissional passa, num crescente número de casos, por ganhar a qualquer custo. A falta de respeito pelo adversário está a torná-lo no inimigo. Algo que infelizmente tem cobertura mediática, porque o importante é vencer, mas que não pode servir de exemplo para os treinadores da formação. É importante formar a ganhar. Os campeões fazem-se com vitórias. Mas nunca um jovem pode crescer sem respeito pelos adversários.
Quem não percebe que só com três boas equipas temos bom jogo, está claramente fora de jogo. Por muito que queiram ganhar a qualquer custo, recorrendo ao condenável, tornando o adversário inimigo, dessa forma justificando os métodos usados, estão a condenar o jogo ao insucesso.
A velocidade e quantidade da informação ajuda a criar, por vezes, problemas adicionais a quem trabalha com jovens, seja no futebol ou noutra modalidade. O eu sobrepõe-se ao nós com demasiada facilidade. O importante para a grande máquina financeira são as figuras, quando estas só existem se existir colectivo. Os valores da equipa têm que ser respeitados por todos, caso contrário não temos equipa, temos um grupo, mais ou menos amigável. O respeito pelo adversário é fundamental para nos respeitarmos a nós próprias, seja como equipa, seja individualmente. Não vale tudo para ganhar, e que não quer dizer que não queiramos ganhar sempre."

José Couceiro, in A Bola

Futebol é do povo e de mais ninguém

"Há uns anos, em Manchester, onde estava para a cobertura de um jogo do United, deparei-me com uma fila imensa, que dava a volta a Old Trafford, onde milhares de adeptos dos red devils aguardavam pacientemente pela oportunidade de se inscreverem na lista de espera para acesso a lugares de época no mítico estádio. Aquela realidade, que traduzia um misto de fidelidade dos supporters e de estabilidade do clube, começa a haver um mínimo garantido de presenças nos estádios muito significativo e o facto do Benfica ter ontem encerrado a venda de red passes, depois de ter fixado um novo recorde em 45 mil unidades entregues aos sócios, não pode passar sem a merecida referência. Nestes dias em que a principal receita dos clubes vem da televisão, o espectáculo ao vivo, conservando a essência popular, é um bem a preservar. Os preços para o futebol não podem ser elitistas, sob pena de vermos replicados noutras latitudes os males da recente Copa América, que só teve nas bancadas quem podia pagar os preços estratosféricos, para a realidade brasileira, dos bilhetes.
Não são tão fundamentalista, como outras pessoas que muito prezo, quanto ao perigo de uma superliga europeia de clubes, algo que, com mais este ou aquele acerto na forma, será inevitável. No entanto, quando confrontado com a possibilidade do futebol ao vivo passar a ser só para os ricos, já me assusto e tempo pelo futuro. Desmond Morris dizia que os estádios deviam ser desconfortáveis, para os adeptos manifestarem, na provação, a sua fidelidade. Não irei tão longe. Mas compreendo. O povo é a alma do futebol."

José Manuel Delgado, in A Bola

Quinta da Bola - Benfica

O homem que levou Maradona à glória luta pela vida

"Carlos Bilardo foi campeão mundial com a Argentina em 1986

O treinador Carlos Bilardo, campeão mundial de futebol com a Argentina em 1986, está hospitalizado em estado grave, depois de uma intervenção cirúrgica ao cérebro, noticiou esta sexta-feira a agência AFP.
Bilardo, de 80 anos, que sofre de um problema neurológico, a síndrome de síndrome de Hakim-Adams, encontra-se há 48 horas na unidade de cuidados intensivos do Instituto de Diagnóstico de Buenos Aires.
"Tenho de lhe agradecer eternamente por nos ter incutido o respeito pela camisola da Argentina, o que significa pertencer à selecção", disse o antigo guarda-redes Sergio Goycochea, preocupado com o seleccionador que o levou ao Mundial 1990.
Médico de profissão, Carlos Bilardo assumiu a selecção argentina em 1982 e esteve no último Mundial conquistado pelo país, na famosa edição da 'mão de Deus' de Maradona, no México, e na final de 1990, em Itália, em que perdeu com a Alemanha."

Digressão exemplar

"O périplo pelos Estados Unidos da América tem sido marcado pelo sucesso em várias vertentes. Enquanto a equipa de futebol tem treinado afincadamente com vista à preparação para a nova temporada, há um intenso programa social, empresarial e institucional que tem sido cumprido à risca.
Também aqui definimos o objectivo de dar um enorme salto qualitativo e projectar toda uma nova era, no que às digressões da equipa de futebol diz respeito, incluindo inúmeras actividades relacionadas com a partilha de experiências com organizações relevantes no desporto e com a promoção da marca Benfica, as quais têm decorrido conforme planeado.
Neste âmbito, mais visível ao grande público foi o encontro entre representantes do Benfica e dos San Francisco Giants, oito vezes campeões da Major League Baseball, que culminou com a recepção, a Rui Costa e Luisão, no estádio dos Giants, por lendas da equipa norte-americana antes da partida frente aos New York Mets.
O empenho nas frentes comercial e empresarial não dispensa, no entanto, o tradicional convívio com os muitos Benfiquistas residentes nos Estados Unidos da América. Este é mesmo o principal objectivo extra futebol.
Hoje, às 19 horas locais, será inaugurada a Casa do Benfica de San José, na Califórnia. Existem onze Casas do Benfica na América do Norte, entre as quais sete serão visitadas (incluindo a inauguração de outra, em New Bedford).
O treino à porta aberta realizado ontem, às 10 horas locais, em Stanford, foi uma excelente oportunidade para os Benfiquistas estarem perto da equipa e demonstrarem o seu fervor clubístico. O colorido nas bancadas e o apoio ao plantel marcaram a sessão de treino, cuja intensidade habitual foi elogiada pelos vários adeptos entrevistados pela BTV.
E, amanhã, o Benfica iniciará a sua terceira participação, em quatro temporadas, no mais importante torneio de pré-época de futebol, a International Champions Cup. O primeiro adversário será o Chivas, o segundo clube mais titulado do México. O jogo – o 39.º do Benfica no país – terá início às 21 horas de Lisboa (13 horas locais) e será mais uma oportunidade para rever os consagrados e avaliar os reforços e os vários jovens formados no Caixa Futebol Campus que integram o plantel.
A reputação e a notoriedade da marca Benfica sairão seguramente mais fortalecidas depois desta digressão num dos mercados prioritários na afirmação internacional do nosso Clube."

Cadomblé do Vata (lesões...)

"Stefano Sturaro era até ontem um excelente tema para início de conversa com um lagarto. Um italiano carregado de credenciais, que deixou o Sporting a palpitar de desejos, até chumbar nos testes médicos e ir recuperar da lesão para o clube de origem, sem cancelamento do acordo de compra. Foi um daqueles filmes com emblema do Sporting CP ao canto, abrilhantado pela direcção artística do homem da pior cerveja alguma vez produzida em Portugal e isto digo eu que no Festival Med de há 3 anos, bebi cerveja artesanal com medronho e nunca mais fui o mesmo.
Acontece que ontem o Benfica fez um "Sousa Cintra". Estivemos 1 mês de olhos arregalados a aguardar a chegada de um guarda redes internacional italiano (é impressão minha ou o único italiano que nunca jogou na selecção foi o Pesaresi?), na última semana descobrimos que estava lesionado até Setembro e após testes médicos ficamos todos a saber que não o vamos ver na relva antes de Janeiro. Em vez de avançarmos para outra opção, decidimos respeitar o contrato assinado com o muito respeitável clube do Calcio Caos e vamos atacar metade da temporada com Vlachodimos a prazo.
Por muito que odeie os campeões da Série B 06/07, tenho de os congratular pela forma hábil como conseguem vender lesionados a longo prazo aos clubes de Lisboa, sem que estes pensem sequer em cancelar os negócios quando os exames médicos dão raia, de forma avançarem para alvos saudáveis. Praticam esta arte com tal excelência, que se até final deste mês assinarem com o Mantorras, antes de 31 de Agosto vendem-no ao Belenenses SAD, ou quem sabe, ao Benfica pela cláusula de 18 milhões."

Mattia Perin

"Odysseas Vlachodimos teve uma boa época no ano passado. Salvo raras excepções, foi segurando a baliza e podemos dizer que se estivesse lá outro qualquer guarda-redes do Campeonato em vez do grego, o Benfica teria sofrido mais golos do que sofreu. No entanto, a realidade do Benfica, neste momento, não se pode limitar ao Campeonato. O Benfica tem que ser mais ambicioso na Europa e depois do futebol praticado nos últimos seis meses, o Benfica partia para este verão a dois-três reforços cirúrgicos de ser uma equipa candidata a estar nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, ou seja, uma das oito melhores equipas da Europa. Uma das posições onde é possível melhorar, é o guarda-redes. Não porque Vlachodimos seja mau, mas porque há uma diferença significativa entre um Ederson ou Oblak e o grego.
O Benfica desde início tem andado à procura de guarda-redes que estão tapados por outros grandes guarda-redes. Primeiro foi o Jasper Cillessen, que recentemente assinou pelo Valência. Depois foi o Keylor Navas que continua tapado no Real Madrid pelo Thibaut Courtois. Quando tudo parecia que íamos ficar até ao final de Agosto à espera que o Real Madrid cedesse no Keylor Navas, eis que Gianluigi Buffon decide regressar à Juventus e cortar por completo os minutos de Mattia Perin, que já estava atrás de Wojciech Szczęsny. Isto não faz do Perin um mau guarda-redes. Faz do Perin um guarda-redes que ainda não conseguiu corresponder às expectativas em Turin. Nos últimos anos o Benfica teve vários craques que clubes grandes dispensaram. Nomes como Jonas, Matic, Javi Garcia ou Rodrigo. O Mattia Perin há um ano era visto como um dos futuros melhores guarda-redes do mundo. E isso não mudou em um ano
 Há ainda uma externalidade positiva que Mattia Perin trazia que para mim não deveria ser desvalorizada. Mattia Perin já foi internacional italiano. Se o Benfica conseguisse fazer de Perin um internacional italiano outra vez e o levasse à seleção no Europeu 2020, isto poderia ter impacto noutras contratações que temos falhado. Há muitos jogadores que acreditam que se forem para um Campeonato fora do Top5 ficam fora do baralho dos seus seleccionadores. Mattia Perin poderia mudar isso.
Ao que parece o ombro do Mattia Perin tem mais problemas do que inicialmente poderia parecer. A recuperação vai ser demorada e o Benfica não está preparado para dar 15M por um guarda-redes que não sabe como irá recuperar. O Benfica estará a tentar alterar o negócio para um empréstimo com cláusula de compra obrigatória caso o jogador faça um número mínimo de jogos, e a verdade é que tudo isto faz sentido. É uma decepção bastante grande, mas é melhor não gastar 15M do que arriscar e poder ter o jogador no estaleiro os próximos cinco anos. Abrem-se logo à partida três caminhos diferentes:
1. Empréstimo com cláusula de compra. Era o ideal para o Benfica, mas não sei se é o ideal para a Juventus. No entanto, a verdade é que só se um clube quiser arriscar 15M é que os italianos têm uma alternativa melhor.
2. Esperar até Janeiro. O que é uma situação parecida com a do ponto 1. mas onde não garantimos que o jogador seja nosso, pois pode parecer outro concorrente, nem sabemos se o preço na altura é o mesmo. Pode também ter limitações a nível de inscrições na UEFA pois se a Juventus assim o quiser, podemos não o utilizar na Europa.
3. Avançar para outro. Neste cenário, o ombro do Mattia Perin está mesmo mal, e o comunicado do Benfica de ontem foi só para salvaguardar o activo da Juventus. Assim sendo, não sobram muitos guarda-redes do calibre de Mattia Perin. Do que se fala no mercado a nível europeu, só vejo mesmo duas alternativas: Keylor Navas, que o Real Madrid está a reter e que com 32 anos não é, para mim, o guarda-redes que deveríamos procurar (pese embora a carreira dos guarda-redes ser mais longa) ou Kevin Trapp, que não tendo um tecto tão alto como Mattia Perin, é mais barato, joga bem com os pés - que com os novos pontapés de baliza vai ser importante para Lage - e é também um guarda-redes muito bom. Se o objectivo é ter um guarda-redes com potencial para top10 do Mundo, não vejo outros que estejam disponíveis.

O que é que este cenários podem significar para os guarda-redes que temos in-house?
1. Odysseas Vlachodimos. O grego terá noção da sua qualidade e tem noção que isto é o Benfica, não é o Panathinaikos. No cenário em que Perin vem em Janeiro, se o grego tiver a mentalidade correcta, vai ver estes meses de avanço como um incentivo a que se supere. Só será titular do Benfica em Janeiro se tiver quatro meses de sonho e é para isso que terá que trabalhar. No cenário em que avançamos para outro guarda-redes, o grego deve ficar na mesma porque ainda iria juntar bons minutos no Benfica, na minha opinião.
2. Mile Svilar. Independentemente de qualquer cenário, Svilar deveria ser emprestado. É muito jovem. Tem apenas 19 anos. Tem um grande potencial. Precisa é de jogar.
3. Ivan Zlobin. É um guarda-redes que está longe de me convencer. Não sei como é que é visto internamente, mas se tiverem confiança nele, é deixá-lo assumir a segunda posição atrás de Vlachodimos, no tal cenário em que Perin só vem em Janeiro. Se vier outro guarda-redes, será o terceiro guarda-redes e para isso serve bem.
4. Quarto Nome. Caso o Benfica avance para um cenário onde Perin só regressa em Novembro/Janeiro e Bruno Lage e a sua equipa técnica não tenha confiança em Zlobin como número dois, acho que o Benfica deveria jogar pelo seguro e ir buscar um guarda-redes por empréstimo que ofereça algumas garantias. Um Helton Leite, por exemplo. Tenho muitas dúvidas que o Benfica faça isto, no entanto.
Nas próximas horas vamos descobrir o que afinal irá acontecer. Ou um novo comunicado cai na imprensa, onde o Benfica e a Juventus chegam a algum tipo de acordo, ou o Benfica vai avançar para outro guarda-redes. Seria demasiado irresponsável não fazer uma destas, pois iria contradizer tudo o que LFV tem dito desde do 37. O Benfica Europeu precisa de um guarda-redes melhor que Vlachodimos (que é bom, mas é possível melhorar). E não é por termos falhado Mattia Perin que essa necessidade vai desaparecer. Há bons nomes no mercado. Logo à partida Kevin Trapp. É só fazer acontecer."

Luisão: homenagem por descobrir

"O Benfica não tem jeito para cerimónias. Seja por força do hábito ou não, a forma como tanto Jonas e Luisão, capitão do ressurgimento pós 2000 e com 15 anos de casa, se despediram denotam na organização uma total falta de brio. Entre uma despedida à pressa com a Luz vazia ou um adeus ás “três pancadas”, com direito a show-off presidencial pelo meio, qual delas honra mais as memórias de duas figuras centrais da nossa história recente?
Merecia mais, muito mais Luisão! Depois de 15 anos e tantos momentos de relevo, o brasileiro merecia todo um estádio em ebulição a despedir-se. Merecia uma melhor gestão da sua imagem, enfraquecida numa temporada 2017-2018 na qual o seu rendimento desportivo não era nem semelhante ao de anos anteriores. O seu estado físico já não permitia uma temporada ao mais alto nível, sendo esse um dos erros da gestão de Rui Vitória, impotente perante um assunto tão sensível no balneário. A pesada herança do seu currículo, as 538 toneladas de jogos traduzidas em seis Ligas, três Taças de Portugal, quatro Supertaças e sete Taças da Liga que o tornaram o jogador mais titulado de sempre do Benfica foram peso a mais para o treinador português, que nunca teve coragem de renovar as apostas iniciais.
Luisão assume-se como O gigante entre gigantes, superando Néné e Mario Coluna. Ingrata, no entanto, foi a forma como foi anunciada a sua retirada. Constituiu uma das falhas da estrutura, que nem o posterior cargo entregue de mão beijada apagou uma despedida cinzenta do Girafa do Benfica.
A memória, que nunca deve ser selectiva, vai de encontro ao conceito kármico e talvez ajude a explicar a retirada tão insonsa. Foram variadas as vezes em que Anderson Luiz da Silva veio a público com declarações que causaram burburinho junto da massa adepta. Experimente isto: na barra do Google, digite “Luisão quer sair” e atente no número de resultados: 57.900! Algarismos mais que suficientes para alguém tão ambicioso como ele, que se tornou uma lenda do Benfica por mérito próprio mas que ao mesmo tempo sempre cultivou um hábito peculiar pelos pedidos públicos de saída. Sinais de uma personalidade forte, sempre ácida mas fulcral em alturas que a equipa e o grupo se encontravam em cacos.
Se, apesar disto, Luisão merecia uma despedida com a Catedral cheia e em festa? Sem sombra de dúvidas. Se havia momento para a total reconcialização era esse. Comandou o Benfica na travessia no deserto, foi o seu principal representante e a sua carreira é uma obra gigantesca de Vieira que puxou dos seus mais honrosos pergaminhos na construção civil para construir este líder de uns incríveis 1.93 centímetros de altura e a largura de uma grande área.
Apesar de toda essa imponência, as suas naturais vontades em experimentar ligas mais fortes acompanhadas por uma frontalidade admirável, tornaram muitas vezes a figura de Luisão persona non grata junto de vários círculos de adeptos. A forma como Luisão se despede numa Luz vazia, num evento à pressa e depois de, três meses antes, ter renovado, demonstram que até na hora do adeus não existiu total tranquilidade nem sintonia entre todos. Uma tristeza que se torna inadmissível no Benfica actual, com uma estrutura tão elogiada por todos os que a conhecem e que continua a não dar importância aos timings, vendo-se atrapalhada para terminar ciclos de forma correcta.
Tanto Luisão como Jonas mereciam despedidas com muita mais pompa e circunstância, mereciam horas e horas de homenagem por tudo o que nos deram em termos desportivos e pela influência social que ainda têm. O tempo acabará por desvanecer os aspectos inúteis e extra-campo, fazendo sobressair as qualidades de dois críptideos da fauna benfiquista, mistificando-os ainda mais e guardando a sua imagem na galeria dos imortais da Luz."

Benfiquismo (MCCXXXVI)

Cabem todos?!

Jonas, mais umas palavras...

USA Tour #4

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Toto Salvio, Lenda...

"Toto Salvio, de 29 anos, transfere-se do Sport Lisboa e Benfica para o Boca Juniors. O extremo argentino está de regresso ao seu país, depois de, ao serviço dos encarnados, ter conquistado 14 troféus.
Chegou ao Benfica em 2010/11, por empréstimo do Atlético de Madrid, e regressou – para ficar – em 2012/13. Desde então, e oito épocas depois, títulos, golos, assistências, dribles inesquecíveis, jogadas arrebatadoras e mais de 250 jogos.
Internacional argentino, Salvio tem o nome gravado na história do Clube também por ser Tetracampeão. Um dos cinco – a que se juntam Jardel, André Almeida, Fejsa e Luisão – que estiveram na conquista dos quatro títulos consecutivos e ainda um dos que mais contribuíram para a obtenção deste feito inédito na história do Benfica. São, ao todo, 14 troféus conquistados em oito anos: 5 Campeonatos Nacionais, 4 Taças da Liga, 2 Taças de Portugal e 3 Supertaças.



A estreia
28 de Agosto de 2010. O Benfica recebia o Vitória de Setúbal em jogo da 3.ª jornada do Campeonato Nacional 2010/11, a primeira época de Salvio no Benfica. Em pleno Estádio da Luz, fez parte do onze titular, tendo sido sacrificado aos 24’ para dar lugar ao... guarda-redes espanhol Roberto (Júlio César, ex-Belenenses, havia sido expulso), num encontro onde os encarnados ganhariam por 3-0.

O(s) primeiro(s) golo(s)
Menos de quatro meses depois [18 de dezembro] marcaria o primeiro golo com o Manto Sagrado. Na recepção ao Rio Ave – em jogo da 14.ª jornada do Campeonato – os encarnados bateram a formação de Vila do Conde por 5-0, com um bis assinado por Salvio (62’ e 74’), que esteve em campo durante os 90 minutos.

Os 250 jogos
23 de Outubro de 2018. Atingia uma marca por poucos alcançada. Em Amesterdão, na Holanda, Salvio faria o 250.º jogo com a camisola do Benfica das águias, diante do Ajax, para a Liga dos Campeões (derrota por 1-0). Uma partida – onde alinhou durante 90 minutos – que faria dele um dos jogadores estrangeiros com mais jogos pelo Benfica. É o quarto, mais precisamente, numa lista liderada por Luisão (538). Até à sua saída faria ainda mais 16 jogos pelos encarnados (266 no total). 
Olhando para as competições europeias, na Liga dos Campeões foram 38 as ocasiões em que o extremo envergou a camisola das águias, somando mais 22 na Liga Europa. No que toca às competições internas: 166 jogos no Campeonato Nacional, 21 na Taça de Portugal, 16 na Taça da Liga e 3 na Supertaça.

Números no Benfica
Época      Jogos    Golos     Assistências
2018/19     28          6                  5
2017/18     34          9                  4
2016/17     42          9                  8
2015/16     12          0                  0
2014/15     38         13                10
2013/14     22          2                  2
2012/13     51         13                 9
2010/11     39         10                 6
TOTAL     266        62               44"

International Champions Cup: should we stay or should we go?

"Após dois testes de pré-época, que tiveram finais diferentes, mas em que a equipa deixou boas indicações, o SL Benfica partiu para os States ou, como se diz em bom português, para os Estados Unidos da América. Com que propósito? Com o de completar a fase preparatória da época com a (terceira) participação na International Champions Cup (ICC), um dos mais prestigiados e, por consequência, prestigiantes torneios de pré-temporada.
Na prova, cujo pontapé de saída foi dado em 2013, sob o nome de Guinness Cup e com a participação de “meros” oito clubes, os encarnados vão realizar três partidas: frente ao CD Guadalajara – conhecido por Chivas – (20 de Julho, 21h05, hora de Lisboa), 14º classificado do mais recente campeonato Clausura; frente à ACF Fiorentina (24/25 de Julho, 1h05, hora de Lisboa), 16º classificado da Serie A 2018/19; e frente ao histórico gigante adormecido AC Milan (28 de julho, 20h05, hora de Lisboa), 5º classificado da última edição da Serie A.
Posto isto, vamos ao que me interessa analisar neste artigo. Apesar de no seio do clube não existirem dúvidas relativamente à participação neste torneio amigável, ainda subsistem, entre os adeptos, algumas reservas quanto a esta participação. Dizem que a primeira vez nunca se esquece e na memória benfiquista ficou cravada – e parece-me que para sempre perpetuada – a primeira vez que o SL Benfica disputou a prova, em solo estadunidense (sim, este vocábulo existe. Sim, soa um bocado estranho). Traumatizados, há benfiquistas que não pretendem reviver o trauma que foi o péssimo início de época 2015/2016, para o qual muito contribuiu o cansaço das viagens transatlânticas e entre cidades norte-americanas. Compreendo a preocupação. No entanto,…
… é redutor ficar preso a um medo que, sob análise, acaba por ter um quê de irracionalidade. Por dois grandes motivos. Primeiro, essa época começou muito mal, mas acabou com a conquista do tricampeonato. Segundo, o mau início de campanha na temporada 15/16 não se deveu apenas à participação (mal preparada, diga-se) na ICC. Não podemos nem devemos nem conseguimos esquecer que se tratou de uma época de profundas mudanças. Mudou o treinador (Jesus – Vitória), mudou o plantel, mudou a estratégia, mudou o paradigma. A instabilidade era demasiada para que o clube colhesse os devidos frutos da digressão pelos Estados Unidos.
Todavia, o receio acorrentou mesmo o SL Benfica à inação e nas duas edições seguintes não houve representante português no torneio. No entanto, mediante convite, o clube da Luz voltou a terras de sua majestade Donald Trump (ele pediu-me para ser assim apelidado) no ano de 2018. Uma boa prestação que, apesar dos receios, não comprometeu o exigente início de época vermelha e branca, que dessas cores acabou pintada, com os festejos do 37. Contas feitas, duas participações na ICC, dois campeonatos.
Como já se percebeu, sou a favor da participação benfiquista na International Champions Cup (e de outras coisas que não interessam ao caso). Contudo, parece-me sensato, nos parágrafos seguintes, elencar os prós e contras… ou melhor, os prós e os contras, uma vez que a primeira designação pode ser marca registada da RTP. Assim, e canalizando a Fátima Campos Ferreira que há em mim, vamos à análise.
Guardando o melhor para o fim, comecemos pelos contras. Como noticiou o diário Record, o SL Benfica vai voar um total de 19 mil quilómetros, segmentados em quatro viagens. Até a águia Vitória ficou atónita. São muitas milhas aéreas e, consequentemente, é muito cansaço acumulado. É natural que, tal como eu, haja quem, do alto da sua portugalidade, diga: “Cansaço? Cansado fico eu que viajo em económica, eles é só mordomias!”. É verdade, mas acalmem-se, não é preciso exaltarem-se. No entanto, o desgaste físico e psicológico é inegável e faz-se sentir em alta competição.
Um contra que pode parecer de somenos importância mas que pode constituir um aspecto desestabilizador do grupo de trabalho é o facto de os jogadores contratados terem que se deslocar para os EUA e integrar a equipa de Bruno Lage longe, muito longe de casa. Volvidos a Portugal, terão de passar por um novo processo de integração e concluir todos os trâmites da transição para Lisboa e para o SL Benfica. Além do mais, integram a equipa a meio de um estágio. Todo este processo pode revelar-se moroso, complexo e difícil.
Por entre a bruma (não é uma referência ao jogador) dos contras puros, surge um contra vira-casacas, um contra que já foi pró. Nas edições anteriores, a viagem compensava por possibilitar confrontos com equipas como a Juventus FC, o Borussia Dortmund, o O. Lyon ou o Paris SG. Ora, como referi, este ano o campeão nacional vai andar pelos ares 19 mil quilómetros para defrontar o 14º classificado do campeonato mexicano e o 5º e 16º classificados da Liga Italiana. Escusado será dizer que nenhuma destas equipas disputará a Liga dos Campeões. Valerá mesmo a pena?
Sim. Não só pelo tamanho da alma benfiquista, que não é nada pequena, mas também pelos prós que enuncio de seguida. Ainda que não entrem em confronto com o SL Benfica, participam na ICC clubes como a campeã italiana Juventus FC, o campeão alemão FC Bayern Munchen, o vice-campeão europeu Tottenham FC, o comprador-mor Club Atlético de Madrid e o comprador ainda maior Real Madrid FC. A presença de clubes de tão grande magnitude prestigia o torneio e, claro, o SL Benfica beneficiará invariavelmente com esse prestígio.
Por outro lado, a valorização e a internacionalização da marca Benfica ganham muito com a participação na ICC. Todas as actividades paralelas – as visitas de Luisão às cidades por onde passará a comitiva encarnada, a parceria com os San Francisco 49ers, equipa californiana de futebol americano (o que me custa escrever esta expressão, aquilo não é futebol) – contribuem de sobremaneira para exportar, fazer crescer e dinamizar a marca Sport Lisboa e Benfica.
Num momento em que no mundo do futebol impera a lógica comercial, tudo isto é importantíssimo. Ainda numa lógica de mercado, veicularam, há alguns meses, notícias que davam conta de um prémio de cerca de três milhões de euros pela participação na ICC. Peanuts, para quem vende por 120 milhões, mas é dinheiro.
Mas como não só de dinheiro vive o futebol (não se riam, vá), importa destacar os adeptos, que vivem separados por um oceano de uma das suas maiores paixões e que, desta forma, podem matar saudades do SL Benfica e, a uma certa extensão, de Portugal.
Então, should we stay or should we go? Devemos ficar ou devemos ir? Pesando os prós e os contras, acredito que devemos ir. Um clube da dimensão do SL Benfica não pode ficar fora destes eventos. Um clube da dimensão do SL Benfica não se pode deixar acorrentar por grilhões de medos e inseguranças. Um clube da dimensão do SL Benfica tem de fazer jus à sua águia e voar. Mesmo que sejam 19 mil quilómetros."

Treino, Dia 18, Stanford

Mattia Perin

"O Sport Lisboa e Benfica informa que na sequência da realização dos exames médicos, hoje efectuados, se conclui que o guarda-redes Mattia Perin tem um processo de recuperação superior ao inicialmente previsto, sendo de cerca de 4 meses.
Nesse sentido, houve acordo entre os clubes e os representantes do jogador para que a recuperação de Mattia Perin seja feita na Juventus e, concluída essa fase, se concretize a transferência do jogador, tal como está acordado por todas as partes."

O louco mundo da bola

"Só nos clubes que vão participar no campeonato da primeira Liga, já deram entrada 127 novos jogadores, enquanto que as saídas, nos mesmos clubes, atinge a interessante cifra de 115. São negócios de milhões.

Ninguém, há pouco mais de meia dezena de anos atrás, ousaria vaticinar aquilo que está a passar-se actualmente no mundo do futebol.
Enquanto nesses tempos as conversas e notícias se resumiam a um muito escasso número de jogadores em movimento no período do defeso agora, quando estamos ainda a um mês e meio do encerramento dos mercados, essa cifra sobe astronomicamente ultrapassando já os milhares, sobretudo nos diversos quadrantes europeus.
Do que se passa nas grandes potências do futebol já todos abrimos a boca de espanto face a algumas movimentações e às verbas que lhes dizem respeito.
E se é verdade que houve já João Félix, Hazard e outros, temos todos a convicção de que muitas “bombas” estão ainda por detonar. Por exemplo, o affaire Neymar está ainda para durar e dar azo a uma guerrilha entre o PSG e o Barcelona, cujo termo é difícil de imaginar.
Por cá, o panorama é simplesmente de espantar. Basta para isso dizer que, até ontem, só nos clubes que vão participar no campeonato da primeira Liga, já deram entrada 127 novos jogadores, enquanto que as saídas, nos mesmos clubes, atinge a interessante cifra de 115, o que, na totalidade, representa o envolvimento de cerca de 250 atletas, e dos vários milhões de euros que correspondem a estes negócios.
Nesta estatística o Gil Vicente leva a palma a todos os demais, com 15 contratações e 18 saídas. Está, assim, justificado o título escolhido para este cacharolete de informações.
O mundo da bola está realmente louco.
A pergunta que se impõe é: como e quando é que este espectáculo pode acabar?"

Braço Armado

"O desenvolvimento e expansão das Casas do Benfica – o braço armado do Clube – tem sido uma das apostas mais vincadas desde que Luís Filipe Vieira assumiu a presidência do Sport Lisboa e Benfica.
E, como não poderia deixar de ser, a presença da equipa de futebol nos Estados Unidos da América será, também, aproveitada para a inauguração de duas Casas (San José e New Bedford) e a visita a mais cinco (Hartford, Danbury, Philadelfia, Newark, Fall River) das onze existentes na América do Norte.
A ideia, revelada por Cosme Damião numa entrevista, remonta aos anos dez do século passado e o entusiasmo com que foi implementada, primeiro criando Filiais e Delegações, depois Casas, foi sofrendo avanços e recuos ao longo dos tempos, com um total hoje que ascende às 289. Nos últimos 16 anos, tornou-se num eixo estratégico do fomento do benfiquismo, através da presença física do Benfica um pouco por todo o País e estrangeiro e, sobretudo, aproveitando as possibilidades que a tecnologia oferece no presente para aproximar os Benfiquistas ao clube.
No passado recente, mais do que o mero crescimento da rede de Casas do Benfica, o Clube tem incentivado a modernização das mesmas. Assim, têm sido implementados diversos projectos cujo objectivo passa por assegurar que os Sócios do Clube disponham presencialmente, mesmo quando se encontram longe do Estádio, dos serviços a si prestados.
O aumento das Casas do Benfica com ligação de rede e sistema de bilhética, incluindo as localizadas fora de Portugal, tem sido uma realidade e será reforçado no futuro próximo. A uniformização da imagem das Casas tem merecido o enfoque da acção do departamento responsável e prosseguirá a bom ritmo. E a formação contínua dos colaboradores e a criação de valor e marca dos serviços de restauração e snack-bar das Casas é outra das várias medidas implementadas.
Finalmente, está a ser preparado o lançamento do conceito Casa do Benfica 2.0, cuja inauguração está prevista, ainda este ano, em Santarém. Preferencialmente localizadas em zonas centrais ou emblemáticas das localidades, as Casas 2.0 terão três áreas de actuação: Store Benfica; Snack-bar; e Benfica ativo (dos 6 aos 100 anos), com uma oferta de actividades que vão do desporto e ocupação de tempos livres ao apoio escolar e educação complementar.
O futuro do Benfica está garantido!

P.S.: Foi ultrapassada a meta dos 45 000 Red Pass vendidos e fechada, conforme revelado oportunamente, a fase de renovação e venda de forma a assegurar que, em cada jogo e tendo em conta a lotação do Estádio, os Sócios tenham a possibilidade de adquirir bilhetes."

O Brinco da Baptista #9 - Brinco 2.0

Os novos número 10 – Ferro


"Ao longo da existência do Lateral Esquerdo tenho passado o quão importante é todos os jogadores serem capazes de participar em todos os momentos no jogo. No programa da Rádio Estádio (aqui) abordamos o “desaparecimento” do 10, e a importância de que tais funções (Construir / Criar) sejam entregues a todos os jogadores.
A evolução do jogo bem patente na escassez do espaço para se jogar, tornou numa necessidade a competência ofensiva dos defesas centrais.
Tantas são as vezes em que o primeiro desequilíbrio (tornar a situação numérica e espacial mais vantajosa) tem de surgir dos pés dos defesas, afinal são estes que por norma recebem com mais espaço, comparativamente a todos os outros colegas, tendo portanto a obrigatoriedade de criar melhores condições de chegar ao golo para a sua equipa.
O cada vez mais tradicional passe para entre os sectores adversários, que elimina (deixa à frente da linha da bola) uma série de jogadores oponentes, é portanto decisivo para que depois do passe chegado ao último terço, haja condições para acelerar (porque contra menos adversários).
Em Portugal há dois defesas verdadeiramente diferenciados no seu comportamento ofensivo. De Mathieu temos falado sucessivamente. O outro é Ferro. O central do Benfica em Coimbra demonstrou toda a sua classe em posse, e como é capaz de transformar lances contra os 11 adversários em situações contra apenas 4 ou 5.
Um compêndio!"

Um trabalho de excelência

"A capacidade de regeneração do futebol português devia ser objecto de estudo. Um ano depois da vitória no Europeu de sub-19, uma nova geração destaca-se na mesma competição. Depois dos 3-0 à Itália na estreia, o empate diante da Espanha (recuperando de desvantagem) deixa os miúdos orientados por Filipe Ramos a precisar de apenas um empate com a Arménia para atingir as meias-finais da prova. Os sucessos consecutivos do futebol português (que se podem medir em presenças em fases finais internacionais e até títulos), em vários escalões e variantes, colocam o nosso país na elite europeia, junto de gigantes como Espanha, França ou Alemanha - tudo nações imensamente maiores e com um número imensamente superior de praticantes. E considerar um grande falhanço ver os sub-20 a não passar da fase de grupos do Mundial é, por estranho que possa parecer, um bom sinal: estamos a ser mal habituados.
Como se explica que um país que acaba de chegar aos 200 mil praticantes consiga ser presença tão habitual no topo do futebol europeu? Como não somos de uma espécie diferente, com mais talento natural que outros, a resposta só pode ser uma: trabalho e conhecimentos técnicos. Apesar do ‘embrulho’ nem sempre ser o melhor, o futebol que temos em Portugal, em particular ao nível das bases dos clubes e Federação, é de excelência."

Regulação no desporto: um longo caminho pela frente

"Continuamos a cometer o erro de desdobrar e criar mais entidades autónomas, e a aprovar mais legislação avulsa.

O "match-fixing", ou a manipulação de resultados desportivos, é uma das maiores ameaças ao desporto contemporâneo, não apenas pela forma como atenta contra as regras do jogo, ao eliminar a variável de imprevisibilidade, mas porque introduz ainda a batota económica e desportiva. É certo que existe desde a criação dos Jogos Olímpicos na Antiguidade mas, devido à complexidade do mundo de hoje, as más práticas que afetam o desporto têm de ser combatidas e de igual forma integradas na contemporaneidade, com o auxílio de novas tecnologias.
São já vários países do mundo, e mais concretamente na Europa, que trabalham no sentido de melhor regular a prática desportiva, ao criar enquadramentos legislativos que protejam os valores basilares do desporto. A ONU, a UE, o Comité Olímpico Internacional, a UEFA, a FIFA, a Interpol, Europol e diferentes ONGs têm também desenvolvido estratégias concertadas para a prevenção e sanção do "match-fixing", assim como educar e qualificar todos os intervenientes desportivos para lidarem com os desafios colocados por este problema.
Muito embora possamos observar estas movimentações, a verdade é que não é suficiente enquanto não houver um trabalho coeso e concertado. São vários os casos de "match-fixing", na Europa, de que temos vindo a tomar conhecimento, como o que respeita a Bundesliga em 2005, com o árbitro Hoyzer, o escândalo na Liga Italiana, em 2006, com várias equipas da 1.ª Liga, o caso do árbitro ucraniano Oleg Oriekov, ou o caso Crashgate na Fórmula 1 em 2008, ou ainda o caso reportado pela Federbet, relativo a "match-fixing" em Inglaterra, em 2013.
Com este historial, e sabendo que outros casos existem certamente, o Conselho Europeu aprovou um instrumento jurídico de referência na luta contra o "match-fixing". Trata-se da Convenção sobre a Manipulação de Competições Desportivas (Convenção de Macolin), que está aberta a assinaturas e que tem como propósito proteger a integridade do desporto e a ética desportiva. Embora seja um bom trabalho que representa um primeiro passo para o combate ao crime no desporto, tendo como objectivos prevenir, detectar e sancionar a manipulação de competições desportivas nacionais e internacionais, e promover a cooperação nacional e internacional entre as autoridades públicas competentes, a verdade é que está aberta a assinaturas desde 2014, mas ainda não recolheu as necessárias para entrar em vigor.
Em Portugal, na sequência da aprovação da Convenção Macolin verificou-se igualmente um esforço legislativo, principalmente no rescaldo do "Apito Dourado", que não teve qualquer consequência para os dirigentes e agentes desportivos envolvidos, uma vez que a lei da corrupção desportiva não era suficiente e inviabilizou as provas recolhidas pela Polícia Judiciária, como escutas telefónicas, uma vez que os crimes em causa não tinham moldura penal suficiente para permitir a utilização de escutas no procedimento criminal.
Por outro lado, de acordo com o princípio da autonomia do desporto, em Portugal as organizações desportivas detêm competências autorregulatórias e disciplinares. Perante esta realidade, não é possível haver um combate coeso e concertado ao crime na prática desportiva, uma vez que cada autoridade ou organização implementa as medidas que entende, de forma isolada e de acordo com os seus interesses.
Embora órgãos como os Comités Olímpico e Paralímpico de Portugal, a Federação Portuguesa de Futebol, a Liga Portuguesa de Futebol Profissional, o Instituto Português do Desporto e da Juventude e a Polícia Judiciária já tenham implementado uma série de iniciativas de educação e formação para a prevenção do "match-fixing", este é um trabalho insuficiente, enquanto não houver protocolos de cooperação entre os vários operadores desportivos destinados a proteger a integridade das competições desportivas.
As recomendações emergentes da Convenção Macolin são claras e não têm sido atendidas no ordenamento jurídico português, que ainda não reconheceu devidamente o problema, nem aprovou as medidas legislativas necessárias à sua erradicação, de uma forma estruturada, científica e harmonizada. Continuamos a cometer o erro de desdobrar e criar mais entidades autónomas, e a aprovar mais legislação avulsa, quando a solução adequada é a de criar uma única autoridade sob égide governamental, que abarque todos os fenómenos antidesportivos, bem como aprovar um Código de Direito do Desporto, concentrando toda a legislação e facilitando as soluções jurídicas, sobretudo a prática desportiva sã e responsável."

Djokovic vs. Federer

"Agradeço ser de uma geração, que me permitiu assistir a esta final entre Djokovic e Federer, e agradeço a Federer e a Djokovic o jogo que proporcionaram. Já, na 6.ª feira, tinha assistido a uma grande semi-final, que foi uma final antecipada entre Nadal e Federer. Não é usual ver tão bom ténis num curto espaço de tempo. Viva o ténis em todo o seu esplendor!
Federer perdeu, mas ficou a sensação que poderia ter vencido. Foi pena! Pois, pode já não voltar a este nível, contudo ele surpreendeu-me pela sua fénix e volta sempre melhor e capaz de fazer coisas incríveis.
Segui o jogo no Domingo passado e até soei de acompanhar este brilhante jogo, pela emoção, virtuosidade dos dois jogadores e o ambiente vivido nas bancadas. Incrível!
Achei esta partida de ténis épica e não dei o tempo por perdido, antes pelo contrário. Neste torneio de Wimbledon tive pena da ausência de Del Potro por lesão, o único que se consegue intrometer na hegemonia deste triunvirato que dura há 15 anos: Nadal, Federer e Djokovic. São verdadeiros monstros sagrados e há que prestar homenagem a tanta qualidade.
Federer teve tudo para fechar a partida, mas Djokovic salvou duas bolas de partida e no final foi ele que venceu.
Federer, para meu espanto, foi melhor, pensei que Djokovic resolveria esta partida rapidamente. 
Federer no dia em que se retire, o ténis nunca mais será a mesma coisa. A melhor coisa que teve esta partida para Federer é que sentiu que pode continuar e continuará no topo.
Há um incremento da longevidade de um ser humano, como a melhoria do seu estado físico. Hoje em dia, há técnicas e procedimentos para manter um atleta ao mais alto nível.
Djokovic é um grande desportista, um grande campeão e um tipo porreiro. Aceita que Federer tenha mais fãs, mas isso não o desmoraliza e até funciona como incentivo para vencer.
A rivalidade entre Federer, Nadal e Djokovic tem sido brutal e vai continuar, temos a seguir o US Open. Contudo a sã convivência entre eles é um exemplo para todo o desporto, podem ser rivais e adversários, mas não são inimigos.
Federer mesmo na derrota é um senhor, a jogar faz coisas que nos deixa boquiabertos, por vezes, torna as coisas difíceis, fáceis e no court parece que está num bailado, com beleza e elegância à mistura.
Termino dizendo: Federer, por favor, continua o ténis precisa de ti.

Nota: Parabéns à selecção de Portugal de hóquei em patins, que se sagrou campeã mundial."

Em Las Vegas o basquetebol é global

"Recebi a proposta para trabalhar na organização de um evento desportivo em Las Vegas (EUA) e, no pouco tempo livre de que dispus, aproveitei para acompanhar ao vivo a NBA Summer League, que se realiza como já é um hábito naquela mesma cidade, para saudar amigos de longa data, que conheci no decurso das minhas inúmeras viagens aos USA e outros países, por compromissos profissionais. Pude comprovar, uma vez mais, que o Basketball Global é, cada vez mais, uma realidade.
Permitam-me a indelicadeza e atraiçoar o espírito de que o que se passa em Las Vegas é… para ficar em Las Vegas, mas até porque a audiência do basquetebol é global, consequência das redes sociais e das políticas de comunicação, pelo que quase tudo o que se viveu naquelas paragens foi do domínio público. Quase tudo, sublinho…
A edição de 2019 da Summer League concentrava os holofotes do Thomas and Mack Cox Pavilion para as estreias dos candidatos a estrelas da NBA Zion Williams e RJ Barrett, eperando a NBA que estes venham a abanar a melhor competição do mundo. Ora o que não se esperava é que m terramoto real ajudasse a se falar ainda mais da NBA Summer League. Com o marketing da NBA a trabalhar de forma exemplar, não fosse aquela organização a grande referência do marketing no mundo da indústria desportiva, pudemos encontrar pessoas do basquetebol de todo o mundo. Diretores desportivos, treinadores, e jogadores de diversas nacionalidades eram facilmente identificados e mesmo os que não estão em atividade, são muitos os presentes como forma de acompanhar o que se passa, sendo convidados pelas suas ex-equipas ou pela própria NBA.
Os italianos e israelitas são visita frequente destes eventos; os turcos surgem cada vez mais e em maior número; os sérvios, croatas e amantes da modalidade de outros países do leste europeu estão, agora, entre os principais clientes; depois, encontram-se representantes de países mais pequenos, como a Áustria, Finlândia, Geórgia, Inglaterra e até Luxemburgo, que já são chamados para trocar opiniões e conversar nos intervalos dos jogos.
Nos últimos anos, Espanha começa a ser, igualmente, uma presença constante, depois de durante anos raramente serem vistos agentes, scouters, directores desportivos ou treinadores nuestros hermanos por terras do Tio Sam. Antigamente, utilizavam, por certo, outros recursos para observação de jogadores, que não o presencial, mas dada a forte concorrência das restantes equipas europeias passaram, também eles, a marcar viagem com antecedência para Las Vegas.
Para compreendermos este frenesim temos de perceber a estrutura do desporto americano e das organizações desportivas da NBA. Os principais cargos das diferentes organizações são ocupados por pessoas ligadas à modalidade, que vão subindo na hierarquia ao longo dos tempos e que no fundo nunca deixam de pertencer ao mundo do basquetebol. Até os comentadores desportivos têm um enorme conhecimento do jogo, visto que os órgãos de comunicação social escolhem para essas posições ex-jogadores e ex-treinadores, que assumem a compreensão do jogo em diversos níveis.
Na Europa, a influência de pessoas do basquetebol tem ganho peso nas estruturas das organizações desportivas, não sendo de estranhar que as presidências da federação da Turquia (Turkoglu) e de Espanha (Garbajosa) sejam ocupadas por antigas estrelas. Nos clubes que participam nas grandes competições europeias a realidade é semelhante. Dá-se inclusivamente o caso de na competição espanhola ACB, as suas normas obrigarem a que todos os seus clubes apresentem um director desportivo e um responsável do marketing e comunicação, o que já tínhamos presenciado aquando da nossa presença no Cajasol Sevilha, equipa que nesse época atingiu a final da Eurocup.
Contudo, em Portugal, o basquetebol ainda não se tornou global. É pouco comum ver um ex-dirigente, um ex-treinador ou ex-jogadores num pavilhão de basquetebol em Portugal quanto mais no estrangeiro. Porque será? No futebol, vemos que os clubes aproveitam dirigentes, treinadores e jogadores em actividade ou não, para os manter no ensino do jogo, promoção do clube, promoção da modalidade, servindo de exemplo para os jovens e de relações públicas junto de patrocinadores e adeptos. Por que razão o basquetebol português abdicou destas pessoas? Será que podemos abdicar delas?
Num passado recente, tivemos grandes referências portuguesas, que em conjunto com jogadores estrangeiros elevaram o basquetebol para um nível competitivo bastante interessante. Jogadores como Reggie Geary (esteve nos San Antonio Spurs, passou pelo Futebol Clube do Porto e esteve, mais tarde, nos Minesota Timberwolves, na Summer League de Boston), Jobey Thomas (passou pela Summer League), Marc Acres (tinha vinte minutos de média de jogo na NBA, com os Boston Celtics, e depois nos Orlando Magic durante diversas épocas, jogando posteriormente no Benfica) e o grande Mário Ellie que foi campeão em Portugal antes de o ser na NBA, pelo Houston Rockets e depois pelos San Antonio Spurs, são bons exemplos. Por Portugal passaram ainda outros jogadores americanos que foram campeões da NCAA e do NIT, que representaram a selecção americana em eventos internacionais e outros que jogaram ao nível da Euroliga.
Os bons exemplos e referências são fundamentais para a imagem do basquetebol e da competição, para a captação e fidelização de adeptos, promoção junto de entidades, organizações, empresas e patrocinadores, e não compreender isto é não perceber os alicerces da indústria desportiva, na qual o basquetebol está forçosamente inserido.
O frenesim provocado pelas contratações dos chamados free agents, para além de manter a NBA nas manchetes dos jornais diários, movimentou cerca de meio bilião de dólares em contratos que, de seguida, terão repercussões no merchandising e outras áreas de negócio, como vendas de bilhetes, mas também na gestão da competição com discussões ao nível dos directores desportivos e executivos, na reunião dos Board of Governors (proprietários das organizações) para perceber como se pode melhorar a competição.
Considero que em Portugal existem pessoas de grande qualidade a diversos níveis, mas para chegarmos a outro patamar precisamos de fazer parte deste Basquetebol Global. Para que isso aconteça, o basquetebol terá de ser gerido forçosamente como parte integrante da indústria desportiva e por quem conheça o jogo de basquetebol a diversos níveis."

Benfiquismo (MCCXXXV)

Mais um tiro...!!!

Vermelhão: mais um treino...

Académica CS 1 - 9 Benfica

Jogo treino, com uma equipa amadora local, da comunidade portuguesa...
Mais a pensar nas Relações Públicas do que na competitividade!