Últimas indefectivações

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Desaire no basket

"No fim-de-semana passado, o tetracampeão Benfica perdeu o título de Basquetebol. A notícia é relevante pois esta é a modalidade que, nos últimos oito anos, a par do atletismo, mais troféus tem conquistado para engrossar o imenso e inigualável espólio do Sport Lisboa e Benfica.
Seis Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal, quatro Taças da Liga, seis Supertaças e cinco Troféus António Pratas completam o pecúlio obtido desde há oito temporadas, fazendo recordar outros dois períodos áureos do Benfica na modalidade: Nos anos 60, de pentacampeonato; e dos anos ao a meados dos 90, com dez Campeonato Nacionais em onze épocas, além de muitos outros títulos e troféus. Num clube com estes pergaminhos numa modalidade, estar aquém do estatuto de campeão é, não há outra forma de o dizer, um falhanço, não obstante o sucesso em três competições [Taça de Portugal, Supertaça e Troféu António Pratas) na temporada que agora findou. Importa, por isso, reflectir sobre a época, identificar as lacunas e perceber os fundamentos do mérito do adversário para que se possa corrigir, o mais depressa possível, que tiver de ser corrigido. Aliás à semelhança do Voleibol, em que não nos satisfazemos com uma Supertaça, uma Taça de Portugal e a presença na final da terceira competição europeia.
Trabalhar muito, ganhar e ambicionar sempre mais é saber servir o Benfica. Quer Carlos Lisboa, quer José Jardim, sabem-no melhor que ninguém, não fossem eles, nas suas modalidades, quem mais ganhou ao serviço do clube. "Honrai agora os ases que nos honraram o passado", escreveu Félix Bermudes. No caso destes treinadores, é a eles próprios, entre muitos outros, que se honram."

João Tomaz, in O Benfica

A angústia do adepto

"O tema é recorrente. A cada defeso, a angústia do adepto cresce à medida que as notícias da saída de jogadores se avolumam nos jornais.
Quase não nos deixam comemorar os títulos em paz. Em poucos dias, a crer na imprensa, praticamente não temos equipa.
Para além de Renato Sanches, pelo menos Ederson, Jardel, Lisandro, Lindelof, Fejsa, Salvio, Talisca, Carcela, Gaitán e Jonas, foram, por estes dias, dados como negociados, ou negociáveis, para outros destinos. Na maioria dos casos tal não passa de especulação. O problema é que por vezes o fumo traz fogo, e alguns deles podem mesmo ter de vir a sair.
Sabe-se como funciona o modelo de negócio em clubes como o nosso, de países periféricos, e sem o poder financeiro de outros mercados. Sabe-se que, para manter contas equilibradas, e não comprometer o futuro, há que vender jogadores. Sabe-se que os mais procurados, os mais valiosos, os mais rentáveis, são, obviamente, os melhores. Sabe-se que os próprios, aliciados por salários principescos, são frequentemente os primeiros a forçar a saída. Sabe-se da pressão de agentes e intermediários. Sabe-se que, sobretudo em anos de Europeu ou Mundial, é difícil planificar o que quer que seja nesta matéria. Porém, existem princípios orientadores que convém não desprezar.
Há jogadores em picos da valorização, mas susceptíveis de ser bem substituídos. Por outro lado, há jogadores cujo valor de mercado, por motivos etários ou outros, é manifestamente inferior ao valor desportivo - leia-se, ao peso na equipa. Poderá ser boa gestão vender os primeiros. Será sempre mau negócio perder os segundos."

Luís Fialho, in O Benfica

E agora?

"Chega o verão, chega o defeso, vêm as longas semanas de especulação. Vá lá que este é ano de Euro em França e as atenções vão estar divididas entre a unha de Cristiano Ronaldo, as tatuagens de Ricardo Quaresma e as opções do Engenheiro para a conquista do título europeu. Claro que o SL Benfica não vai sair incólume desta situação.
Para já estamos a assistir às carpideiras leoninas que ainda não recuperaram do rude (tradicional) golpe de terminar mais uma época sem sentir o cheiro das competições que realmente importam. Mais a Norte, assiste-se à implosão da família que sempre conseguiu os seus objectivos sem olhar a meios. Depois da dança dos treinadores, deverá chegar a dança dos jogadores de milhões a entrar e a sair da famigerada Torre das Antas. Já não faltará muito para que voltem as polémicas ao Glorioso. O título de campeão fez abrandar o ritmo, mas com as saídas do plantel que estão na calha já muitos se devem estar a preparar para augurar um 2016/2017 tenebroso para o Tricampeão.
Não faz mal, já estamos habituados a que assim seja. Vai falar-se muito da pré-época, vai voltar a pôr-se em causa a qualidade de Rui Vitória, vai continuar a questionar-se Luís Filipe Vieira e a sua Direcção, vai escrever-se que o Benfica fica mais fraco com as ausências deste, daquele e do outro, mas no fim - auguro eu - tudo fica na mesma. Um contra todos, a bola é redonda e ganha o Benfica. É a história mais recente do nosso Futebol. O ódio mesquinho e a inveja doentia voltarão a não triunfar. Nos relvados, nos pavilhões. nas pistas. nas estradas, o mais completo de todos os clubes portugueses vai continuar o seu caminho de sucesso. Mas atenção, só com a ajuda de todos nós."

Ricardo Santos, in O Benfica

Os problemas de Rui Jorge

"Portugal poderia apresentar uma Selecção de luxo no Torneio Olímpico de futebol, no Rio de Janeiro, em Agosto, mas o mais provável é que Rui Jorge tenha de recorrer a jogadores que em circunstâncias normais não figurariam numa primeira (ou numa segunda) lista. Isto porque, ao contrário do verificado em 2012, a FIFA não avançou com qualquer norma que obrigue os clubes a cederem os seus profissionais para esta competição, ou seja, deixa que cada clube tome a opção que entender. A posição deste organismo é compreensível: 2016 não é apenas um ano de Campeonato da Europa,joga-se igualmente a Copa América, significando isso que um número elevado de clubes europeus já tem muitos dos seus principais jogadores cedidos a selecções. Se o arranque dos trabalhos vai ser mais complicado devido às férias a que os atletas terão direito, pós Euro e Copa América, agora junte-se a isso a ausência de muitos outros que a partir de 20/21 de Julho estariam a preparar os Jogos Olímpicos (e onde poderiam ficar até... 21 de Agosto). Impraticável.
Por estes dias não faltará o coro que enche a boca a cada quatro anos com o "espírito olímpico", mas nem esses podem ignorar o óbvio: o futebol é a única modalidade colectiva geradora de milhares de milhões que fica sistematicamente prejudicada com o calendário olímpico. Utilizar na mesma frase "espírito olímpico" e "um milhão de euros/mês" não faz qualquer sentido. E no entanto esse é o salário de vários jogadores que alguns seleccionadores gostariam de levar ao Rio de Janeiro. Mas são pagos pelos clubes, não pelas federações... Os clubes que lhes pagam não os poderiam utilizar em Agosto, por exemplo, nas eliminatórias de acesso à Liga dos Campeões. Faria algum sentido?
Exemplos práticos só no caso português: olhando às últimas convocatórias (Sub-21 e olímpicos), Bernardo Silva, Ivan Cavaleiro e Hélder Costa (todos do Monaco) se fossem aos JO falhariam a 3.ª pré eliminatória e o playoff de acesso à Champions; Rúben Neves, Sérgio Oliveira e André Silva (FC Porto) não jogariam o playoff de acesso à Liga dos Campeões; e o Sporting, já agora, iria arrancar para a Liga 2016/17 com pouco mais de metade do plantel. Repito: impraticável."

O castigo a Slimani

"Seis meses e meio depois da ocorrência dos factos, a justiça desportiva penalizou o avançado Slimani, do Sporting, com um jogo de suspensão. Não vou, aqui e agora, deter-me nos méritos da decisão, se o que Slimani fez a Samaris merecia ou não castigo, ou, até, se houve outros casos que poderiam ser punidos. 
Aquilo que gostava de partilhar nestas linhas é a indignação que sinto pela intolerável lentidão da justiça desportiva, incompatível com as necessidades de uma competição profissional. Não é aceitável que Portugal - ao mesmo tempo que se coloca na vanguarda com os testes do video-árbitro - tenha vivido na era das cavernas quanto à forma como a justiça é aplicada. Para bem da verdade desportiva, não podemos aceitar que um ato realizado em meados de Novembro de 2015 seja punido em Junho de 2016, projectando o cumprimento do castigo para a época de 2016/17. É demasiado mau...
É verdade que, do programa eleitoral de Fernando Gomes, candidato único à presidência da FPF, consta, na primeira linha, a necessidade de criar meios para uma justiça desportiva célere. E essa também é a linha de pensamento do futuro presidente do Conselho de Disciplina, José Manuel Meirim. Mas será com factos, apenas, que nos convenceremos de que as coisas estão, finalmente, a tomar o rumo certo. Não que tenha quaisquer dúvidas quanto à vontade de Fernando Gomes ou à capacidade de José Manuel Meirim. Porém, sem meios, por maiores que sejam as boas vontades, nada se fará. E são esses meios que desejo que sejam colocados ao serviço de uma justiça desportiva que não nos envergonhe. Como até agora sucedeu."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Esta situação abjecta faz-me recordar um castigo a Fernando Mendes, num Estrela Amadora-Corruptos, que também foi cumprido na época seguinte, quando o jogador já representava outro Clube...!!!
O nível da justiça desportiva no Tugão, recuou, mais de 25 anos, para uma das piores eras do Futebol português!!!

Desvirtuar olímpico

"Sem surpresa, os clubes portugueses de referência impediram os seus principais futebolistas de integrar a equipa olímpica no Rio-2016. Muitos defendem a obrigatoriedade da participação, mas os clubes não estão forçados pela FIFA a libertar os seus jogadores para os Jogos Olímpicos (JO). Mais, estes são uma competição entre atletas e não entre países. O Comité Olímpico Nacional (CON) tem a sua Missão, não é uma selecção nacional, à semelhança do que acontece nas competições sob égide das federações internacionais.
Com realismo, o seleccionador Fernando Santos lançou a questão da pertinência da inclusão do futebol nos JO, abordando a incompatibilidade do calendário com a preparação das equipas profissionais.
Com o mesmo pragmatismo, os clubes que se pavoneiam com um projecto olímpico deviam assumir, de forma clara e inequívoca, que a participação olímpica no futebol não é, de todo, uma prioridade. Ou seja, o projecto olímpico aposta em atletas de modalidades com excepção do futebol e, regra geral, não são um verdadeiro projecto desportivo, mas contratações cirúrgicas a clubes de menor dimensão.
E como fica a eficiência do investimento do CON que financia mensalmente a preparação de uma equipa olímpica de futebol que se qualificou para os JO, com expectativas de resultados de mérito, quando na verdade, os atletas e a qualidade desportiva que assegurou essa qualificação poderá não ser a mesma que vai competir?
E se na canoagem - ou noutra modalidade em que as quotas são alocadas ao CON e não ao atleta - os atletas enviados aos JO fossem de qualidade desportiva inferior à dos que conseguiram a qualificação, por estes estarem impedidos de participar pelo seu clube? Nesse caso, a federação e o atleta estão obrigados a devolver os montantes recebidos para a preparação. Vai ser assim para todos?"

Mário Santos, in A Bola

PS: Quando dirigentes (ou e-dirigentes) do CON insistem em criticar directa ou indirectamente o projecto olímpico do Benfica (a grande maioria deles Lagartos!!!), ficamos a saber que eles percebem que a existência do projecto, só prova a sua própria incompetência/irrelevância... já que os atletas são obrigados a recorrer aos Clubes, para obterem a estabilidade económica que lhes permite preparar os JO convenientemente.
Clubes que diga-se, não ganham 'nada' com os JO, ao contrário do COI e dos vários CON!
Ao contrário também de muita gente que ocupa lugares no COI ou nas Federações, que deve a existência dos seus 'tachos', a subsídios públicos, supostamente para darem apoio aos atletas. E quando esses atletas recorrem a terceiros (neste caso os Clubes), deixam de ficar dependentes desse grupo de 'tachistas' e dos subsídios que precisam das suas assinaturas!!! Portanto, esta 'azia' até é compreensível...

Em relação ao torneio de futebol masculino, a 'culpa' é na sua totalidade partilhada pela FIFA e pelo COI. Os Clubes só defendem os seus interesses. Bastava existir um acordo entre a FIFA e o COI, para que os calendários fossem adaptados aos 16 dias, de 4 em 4 anos, dos JO...

O COI não aceita partilhar os direitos comerciais e televisivos dos JO com a FIFA (ou com outra qualquer Federação internacional), está no seu direito. Agora não atirem as 'culpas' para cima dos outros, que têm responsabilidades contratuais com os atletas, pagando-lhe ordenados, muitas vezes elevados, durante as suas carreiras desportivas de muitos anos...

Ainda no rescaldo...

Benfiquismo (CXXIII)

Bailarinos ?!!!

Fé no pau...

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Notícias tão exageradas...

"Na tão badalada transição de treinadores, no final de 2014/15, e depois de o Benfica ter sido Bicampeão, temia-se o pior, lembram-se?

Todos os fins de época aparecem notícias sobre a venda de jogadores. E, a nós, invariavelmente, lá nos vão dizendo que só não vendemos mais porque não podemos...
Como diria o Rui Veloso... «parece que o mundo inteiro se uniu para nos tramar».
O mundo - bem visto - do futebol com dinheiro, que quer adquirir os melhores jogadores!
E não o dos que oferecem tuta e meia pelos... «melhores jogadores do mundo» ..., oriundos da «melhor academia do mundo», treinados pelo «melhor treinador do mundo», a jogarem na... «maior potência desportiva mundial», perdão, nacional...
Que injustiça!

O exagero das notícias das contratações
1. Terminada a época, e ainda que haja Europeu, estamos na fase das notícias de entradas e de saídas de jogadores. Pelo que se lê, vê e ouve, todos os anos sem excepção (e não exagerando), são contratados, no mínimo, dois autocarros de novos jogadores para o Benfica
 Por não haver jogos de futebol e a consequente animação do campeonato - o penalty que não marcaram contra o Benfica, o golo do Benfica (não)precedido de fora-de-jogo, os jogadores do Benfica que nunca são expulsos - já sabemos que vem aí uma agitação excessiva do mercado... nas notícias.
Toda a grande especulação em torno das possíveis entradas e saídas, numa (quase sempre) tentativa de adivinhação, gera receios e preocupações.
Mas para evitar que isso aconteça, é o meu dever - ainda que adepto apaixonado - tentar esclarecer e descortinar a nossa próxima época. Porque, de facto, só a do Benfica me importa.

A assustadora mudança de há um ano
2. Depois da anunciada saída de alguns jogadores no final da época, em que conquistamos o tricampeonato, lê-se e ouve-se, diariamente, que outros tantos sairão e que, por isso, o Benfica irá comprometer a próxima temporada.
Na tão badalada transição de treinadores no final de 2014/15, e depois de o Benfica ter sido bicampeão, temia-se o pior, lembram-se?
Confesso que nunca percebi esse receio, uma vez que se tratava apenas de uma mudança de treinador, permanecendo, contudo, grande parte do plantel.
Após a conquista do bicampeonato, em 2014/15, saíram alguns jogadores teoricamente relevantes, sendo disso exemplo Artur, Maxi, Lima e Nélson Oliveira.
Mas - vendo bem - não foram significativas as mudanças no plantel, embora os ecos se tenham encarregado de ampliar os factos.
Coisas da vida... e do mundo do futebol, em particular.

O início do tricampeonato
3. Com o início da época de 2015/16, e para reequilibrar o plantel, colmatando algumas saídas que eram tidas por insubstituíveis por alguns, Raul Jimenez e Mitroglou entram e reforçaram o plantel, para além da revelação de Nelson Semedo.
Grimaldo chegou em Janeiro, no que terá sido a janela de inverno menos utilizada em compras pelo Benfica, mas que ficou ligada, para sempre, à descoberta de Ederson, de Lindelof e de Renato Sanches. Mas, ainda assim, muitos continuaram apreensivos.
Como se o sucesso de uma equipa dependesse, exclusivamente, de um treinador.
Nem que ele - seja lá quem for - se julgue e se anuncie como «o melhor do mundo»!
Por vezes a mudança assusta, mas como diz Camões... «mudam-se os tempos, mudam-se as vontades».
O facto de termos finalmente alguém no banco que sabia - e sabe - o que é ser do Benfica e que tinha - e tem - a noção de que o símbolo é maior que qualquer jogador, treinador ou dirigente, ... foi tranquilizador para os com mais dúvidas.
E com alguma razão...
Até porque, no fundo, todos sabíamos que se fechava um ciclo, mas que se abria outro, sem que isso significasse ou pudesse significar deixar de ganhar.

Este ano...
4. Pois para 2016/17, como seria expectável, nesta voragem das notícias, parece que vamos ficar sem equipa.
E já nem o Europeu atenua a especulação do costume...
Desde Janeiro - quando começaram as notícias (e se a memória me não falha) - já ficamos sem... guarda redes (ou mesmo os dois, não fosse um deles ter encontrado a Montblanc para assinar a renovação... contra os Inácios deste mundo e quem lhes diz para dizer o que dizem), sem o defesa direito dos primeiros jogos, sem 3 dos 4 centrais (desta vez, o que está para sair há 12 anos, ficará), sem os 3 médios habituais, sem o ala esquerda e sem os três pontas de lança...
Irra, que só de escrever dá para deixar um tipo com um ataque de coração...
O que não seria para menos...
Mas, à imagem de outros anos, e como é evidente, isso não vai acontecer...
Até porque no início da época anterior as saídas também aconteceram... e não foi por isso que não fomos... tricampeões!
Sem grandes alaridos, deixando a caravana passar...
Todos sem excepção sabem que o ideal é não vender.
E haveremos de lá chegar.
Até lá... temos de ser realistas e vender o menos possível, mas aceitar que temos que vender.
E um dia, quando não vendermos, agradeceremos a quem, vendendo alguma coisa, hoje, nos permitir, depois, não vender para podermos ambicionar ganhar (e ganhar mesmo) competições europeias. Para acabar com a fanfarronice de uns e com a mania da igualdade de outros.
Por isso, no plantel da próxima época, além de algumas entradas específicas, depois de debatidas e estudadas as reais necessidades, continuar-se-á a apostar seriamente na formação!
Até porque teremos de conjugar sempre a experiência de jogadores feitos com jogadores dessa formação, uma vez que esta é um meio - e não um objectivo - para termos uma equipa mais forte. 
Como, este ano (ao contrário dos anteriores), o foram Ederson, Nelson Semedo, Renato Sanches e Lindelof... sem falar da confirmação da polivalência e da disponibilidade permanente em ajudar a equipa - onde foi preciso - de André Almeida!
Na próxima época, teremos, certamente, jogadores da formação que, tendo oportunidades, serão as novas grandes revelações da equipa principal.
Porque longe vão os tempos em que essas oportunidades não eram dadas... por quem lhas devia dar. Ainda que não exista espaço para todos, a saída de uns será, certamente, a oportunidade (merecida) de outros.
Sempre acompanhada pelo apoio dos colegas mais experientes, para que se mantenha presente e viva, no balneário, a História que Eusébio e Coluna - e tantos outros - fizeram.
Não há, por isso, razões para alarme com este período de transferências! Na próxima época, além de crença nas capacidades de quem serve o Benfica, vamos continuar a acreditar em cada um dos jogadores que irá compor o plantel. Porque, até poderemos ter algumas razões para duvidar, mas continuamos a ter uma (muito) forte para crer.
Porque só pensamos em nós...
Sem que isso signifique abdicar do presente ou hipotecar o futuro.
E, com isso, liderar, além de acreditar, ganhar e convencer.
Vamos a isso, BENFICA???"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

O Maior !!!

A lenda dos Magriços

"Há meio século, a selecção alcançou o seu primeiro Mundial, em Inglaterra (com quem volta hoje a jogar em Londres, na preparação para o Euro). Os portugueses espantaram tudo e todos, com um jogo épico contra a Coreia do Norte e consagrando uma lenda, Eusébio. O Expresso juntou seis Magriços
Em 1966 estiveram todos juntos e deram aos portugueses uma das maiores alegrias colectivas do século passado: o terceiro lugar no Mundial de Futebol de Inglaterra. Agora, meio século depois, alguns dos seis Magriços que responderam positivamente ao convite do Expresso já nem se reconhecem à primeira vista.
É o caso do antigo defesa-esquerdo benfiquista Fernando Cruz, que franze o sobrolho quando olha para o ex-médio sportinguista Fernando Peres. Minutos depois, no restaurante do campo de golfe anexo ao Estádio Nacional, em Lisboa, que foi o ponto de reencontro, é o antigo defesa-central leonino, Alexandre Baptista, quem não consegue identificar o homem de estatura média, e hoje atarracada, que tem pela frente: trata-se de Fernando Cruz. Este é, curiosamente, o único dos antigos futebolistas fora de jogo no teste da balança. De um modo geral, os anos passaram por eles (estão todos na casa dos 70), mas a aparência confirma que se está perante antigos atletas. Fernando Peres, esse então, enxuto de carnes, parece muito longe dos 73 anos que já leva.
Chegam aos poucos. Peres, Cruz e José Carlos, ex-defesa do Sporting, são os primeiros. De seguida junta-se-lhes Alexandre Baptista. António Simões, o antigo extremo-esquerdo do Benfica, entra alguns minutos depois, antes do sexteto ficar completo com o também ex-benfiquista José Augusto, ponta-direita da temível linha avançada do seu clube e da selecção. Com a miniequipa já quase à mesa, e uma vez desfeitas dúvidas sobre os paradeiros dos mais desligados do circuito público — aqui o campeão é Fernando Cruz, várias décadas emigrado nos Estados Unidos e a viver em Cabanas de Viriato, distrito de Viseu —, começou a imperar a boa disposição e uma salutar provocação.
Simões é, em muitos momentos, o mestre de cerimónias. A primeira vítima é José Carlos, a quem um percalço doméstico deixou recentemente a cara maltratada. “Deste uma cabeçada na bola ou no adversário?”, pergunta agilmente o antigo atacante, homem que enchia os estádios de fintas repentinas. A resposta de José Carlos é rápida e seca, a mostrar que o antigo defesa não perdeu o jeito para cortar as jogadas adversárias: “Foi num degrau lá de casa”, onde tropeçou a brincar com um neto, explica, bem-disposto.
MEMÓRIAS: O Expresso desafiou os Magriços para um reencontro. Responderam à chamada seis, para uma fotografia no relvado do Estádio Nacional, no Jamor, no dia 20, onde dois dias depois se realizou a final da Taça de Portugal. Em cima, da esquerda para a direita: José Carlos, António Simões, Fernando Peres e Alexandre Baptista; em baixo, José Augusto e Fernando Cruz
Os anos 60 do século passado foram a década de ouro do futebol português. O Benfica foi bicampeão europeu e marcou presença em mais três finais. Num período de sete anos (de 1961 a 1968), os encarnados estiveram quase sempre entre os dois melhores clubes da Europa. O Sporting, por sua vez, venceu uma Taça das Taças. Com tanta abundância, 1966 foi a cereja no topo do bolo: a participação num Campeonato do Mundo, a primeira da história desportiva nacional, saldou-se num terceiro lugar, o melhor de sempre até hoje na maior competição futebolística do planeta. Mas mais do que a classificação, foi um futebol que encantou o mundo, um desafio (com a Coreia do Norte) que se tornou épico e um jogador (Eusébio, pois claro) que seria consagrado imortal.
Cinquenta anos depois, a poucas semanas de outros futebolistas com a camisola das quinas entrarem em campo no Europeu de França, seis dos Magriços desfiaram algumas das suas memórias desse ano longínquo.

“VOCÊ, GURI, VAI JOGAR COMO QUISER”
Não há Mundiais sem uma fase de apuramento, e esse foi arrancado a ferros, com um jogo decisivo na Checoslováquia em que a seleção lusitana ficou praticamente reduzida a dez elementos logo aos três minutos, por lesão de Fernando Mendes. Nesse tempo não havia substituições (só surgiriam em 1970) e, quando o infortúnio batia à porta, ou a maldade dos adversários fazia mesmo mossa, a equipa atingida ficava irremediavelmente desfalcada. Mendes manteve-se em campo, mas remetido, ele que era um médio, à posição de extremo-esquerdo, fazendo pouco mais do que figura de corpo presente.
Simões conta as palavras que o treinador brasileiro Otto Glória dirigiu ao intervalo (Portugal já ganhava 1-0, golo magistral de Eusébio aos 20 minutos). Depois de ter dito a cada um como pretendia que jogassem, Otto guardou as última indicações para o número 11: “Você, guri, vai jogar como quiser”, disse o treinador. 
‘Guri’ é um termo usado no Brasil para ‘menino’, ‘rapaz’ ou ‘pequeno’. Simões era o ‘pequeno’ da selecção, não só por ser dos mais novos (22 anos, a mesma idade de Peres, apenas ultrapassados por Manuel Duarte, do Leixões, com 21) mas sobretudo por ser o mais baixo. “Eu, que tinha um 1,66 metros, depois entrei no campo como se tivesse 1,86 metros. Foi uma forma de me dizer a mim, e aos outros jogadores, que era preciso darmos todos mais um bocadinho, para substituir o que faltava.” “Otto era de primeira categoria na parte psicológica e mental”, reforça Alexandre Baptista. A galvanização funcionou, e Portugal vergou a poderosa Checoslováquia, então vice-campeã do mundo.
Conquistado o apuramento, o Mundial começou a ser preparado em casa, findas as competições internas. Para Inglaterra foram escolhidos 22 atletas. Fruto da excelente época que tivera, o Sporting foi a equipa que mais jogadores forneceu: oito, o que significa que do seu onze base só três ficaram de fora. Seguiu-se o Benfica, com sete, três do Futebol Clube do Porto e dois do Belenenses, enquanto o Vitória de Setúbal e o Leixões contribuíram, cada um, com um: Jaime Graça e Manuel Duarte, já em trânsito para o Benfica e o Sporting, respectivamente. Nenhum jogava no estrangeiro e quatro — peças nucleares da equipa — eram negros de Moçambique: Vicente, Hilário, Coluna e Eusébio... Com lugar cativo no grupo, a lesão de Fernando Mendes na Checoslováquia impediu-o de ser um dos 22, mas a federação, como explica Simões, “fez questão de o incluir, e muito bem, na comitiva oficial”.
Tal como este ano, também há meio século Benfica e Sporting disputaram o campeonato até à última jornada. O título ficou então em Alvalade. A selecção “teve um estágio apropriado”, conta Alexandre Baptista. Como Benfica e Sporting “foram prematuramente afastados da Taça de Portugal” e “o Benfica andava um bocadinho por baixo, fizeram um estágio em Vale de Lobo, que durou quase um mês”.
O acerto do estágio, que incluiu uma passagem por Ofir aquando de um jogo no Norte, também é sublinhado por Simões. O objectivo era duplo, conta: “Por um lado, havia que recuperar os jogadores do Benfica, muitos deles indiscutíveis na selecção e que tinham feito uma época para esquecer. Por outro, manter o estímulo de sucesso dos do Sporting. A convocatória foi um atestado de confiança nos jogadores do Benfica, apesar de alguns estarem de rastos, e um prémio aos do Sporting, chamados a desafiar os consagrados do Benfica.”
À partida para Inglaterra, afiança Peres, “o espírito de grupo estava extremamente fortalecido. As cores dos nossos clubes ficaram em Portugal”. Cores que eram, naturalmente, Benfica e Sporting (ou vice-versa). “Todos nos conhecíamos muito bem, e não só dentro de campo. O Mundial confirmou a relação de respeito, de estímulo e de compromisso de um grupo que foi para a selecção sem camisola [de clube] vestida”, reforça António Simões. “Era uma rivalidade sadia”, sintetiza José Augusto.
O hotel escolhido para quartel-general dos Magriços — cuja designação se deve a uma lenda contada por Camões em “Os Lusíadas” sobre um cavaleiro português do século XIV, de nome Álvaro Coutinho, apelidado de “O Magriço”, que, juntamente com 11 pares, rumou a Inglaterra para participar num torneio em defesa da honra de 12 donzelas britânicas — é uma espécie de casa de campo, perto de Manchester, de grande pacatez. Na bolsa das apostas, Portugal não suscitava especial interesse. Entre alguns jogadores, as expectativas também não eram altas. “Quando ia no avião, pensava: ‘Se passássemos a fase de grupos, era uma coisa fantástica.’ Fomos para lá sem objectivos definidos”, recorda Alexandre Baptista.
A estrutura de comando da selecção era diferente da actual, que já tem várias décadas (com excepção do Europeu de 1984, em França), em que um só homem (no caso, Fernando Santos) acumula as funções de seleccionador e de treinador. A direcção da equipa, para usar um termo contemporâneo, era bicéfala: Otto Glória era o treinador, mas a função de seleccionador estava atribuída a Manuel da Luz Afonso. Era este, de resto, quem escalava os futebolistas para cada partida. “Jogam estes!”, dizia no balneário, antes de elencar o onze, lembra Alexandre Baptista. “Nunca abdicou do seu direito de ser seleccionador”, afirma o antigo defesa do Sporting. Depois, Otto Glória dava a táctica. Era pacífica essa coexistência entre os dois comandantes da equipa? Baptista, José Carlos e Simões acreditam que sim, pois crêem que Glória (que nesse ano fora o treinador do Sporting campeão) e Afonso (dirigente do Benfica nos anos áureos dessa década de 60) falavam previamente, mas nunca os futebolistas souberam qual dos dois mais mandava.
Dos membros da comitiva guardam memórias afectivas. “Os treinadores brasileiros têm muito jeito e capacidade de comunicar. O ponto forte de Otto Glória (como o é do Scolari) era a capacidade de mobilizar e estimular. A questão do afecto era importante, e nisso o Otto era um especialista”, diz Simões. “Outras pessoas também foram importantes para o espírito de grupo, como o médico Silva Rocha, do Belenenses, e o massagista, o Manuel Marques, sempre impecável connosco, tratando-nos a todos como se tratasse um filho. Era como um deus para nós... o deus das mãos milagrosas”, afirma José Carlos.

O TEMÍVEL BRASIL DE PELÉ
Depois de três jogos particulares, todos vitoriosos — na Escócia (0-1), na Dinamarca (1-3) e em Portugal contra o Uruguai (3-0) —, a bola rolava finalmente em relvados ingleses. A estreia foi com a Hungria, uma das melhores selecções do mundo. “Para mim, foi o jogo mais difícil, pois foi o que lançou a equipa. Ganhámos 3-1, e eu marquei os dois primeiros golos”, orgulha-se José Augusto. “Apanhámos um susto. O futebol húngaro mantinha a qualidade dos grandes tempos e criou-nos dificuldades. Só não marcaram mais porque tivemos um guarda-redes superinspirado e intransponível, o Carvalho.” O guardião do Sporting, curiosamente, nunca mais jogou no Mundial, dando o lugar a José Pereira, do Belenenses, o mais velho dos Magriços, com 34 anos.
O sonho português começou a ganhar forma logo aos três minutos do jogo inaugural, com a Hungria, quando José Augusto (com Torres atrás de si) marcou o primeiro golo
Seguiu-se a Bulgária (teoricamente o adversário menos difícil do grupo) e nova vitória, por 3-0. Até que chegou o Brasil, bicampeão mundial, com os títulos de 1958 e 1962 no currículo e Pelé a reinar. Perante a surpresa de quase todo o mundo, os canarinhos saíram derrotados, por 3-1.
“O Brasil apresentou-se com jogadores consagrados, mas na fase final das suas carreiras, com menor ritmo competitivo, o que facilitou a nossa tarefa. A isso acresceu o facto de o Pelé não ter actuado nas melhores condições físicas”, escreveu José Carlos no livro “Mundial 66 Olhares”, coordenado pelos historiadores César Rodrigues e Francisco Pinheiro.
A lesão de Pelé é vista de forma diferente dos dois lados do Atlântico. Nas terras achadas por Pedro Álvares Cabral, foi uma entrada maldosa do defesa português Morais que arrumou o ‘rei’. Entre Magriços o episódio tem uma leitura paliativa. No livro já referido, a ser lançado na próxima semana, o episódio é dissecado. Na leitura de Alexandre Baptista, Pelé não recuperara “totalmente da lesão contraída no primeiro desafio, contra a Bulgária. Isso só se tornou evidente quando se magoou novamente, numa jogada que em princípio não causaria a lesão”. Já José Augusto recorda: “O Brasil acabou por jogar praticamente com um jogador a menos, pois o Pelé estava lesionado e jogou sem estar apto. E também teve o azar de sofrer uma falta do Morais na perna que se encontrava afectada. Apesar do muito que se disse e escreveu, a carga não foi maldosa, mas apenas um momento que reflectiu a forma aguerrida como o Morais jogava.”
Moléstia de Pelé à parte, os portugueses triunfaram por 3-1, com um golo de Simões (de cabeça...) e dois de Eusébio. Da crónica desse jogo, no jornal “A Bola”, fica um memorável título saído da pena de Carlos Pinhão. Aludindo às palavras de escárnio com que alguns brasileiros quiseram humilhar antes do jogo a seleção das quinas, Pinhão não foi de modas e marcou um “gol de placa”: “A terrível vingança da bola quadrada”.

O JOGO LOUCO COM A COREIA
O que “A Bola” e outros jornais pelo mundo fora (tomados de espanto) disseram do êxito de Portugal ante o Brasil ficou muito aquém do que os esperava dias depois, no rescaldo dos quartos de final, entre Portugal e a desconhecida Coreia do Norte, que acabara de dar um bilhete de volta a casa à poderosa Itália.
O jogo começou com os coreanos frenéticos e Portugal a dormir. “A equipa entrou em campo lenta e, pensava, com o jogo já ganho. Aos 25 minutos já perdíamos por 3-0”, lembra Alexandre Baptista. “O que aconteceu continua a não ser fácil de explicar. Talvez tenha sido algum excesso de confiança, porque havíamos ganho ao bicampeão mundial, o Brasil. Os coreanos eram uns atletas pequeninos e sem grande estrutura física (não tinham cara nem corpo de jogadores) e, provavelmente, não conseguimos combater o nosso subconsciente, de que o jogo estaria ganho”, conta José Augusto. “Eram jogadores de boa capacidade técnica e corriam sobretudo muito.” Mas, se os portugueses dormiram na forma, os asiáticos fizeram o trabalho de casa muito bem feito. “Estiveram dois anos a preparar-se para o Mundial, a competir no campeonato da Alemanha de Leste, sem terem ido a casa”, recorda o antigo extremo-direito. Para José Carlos, “os coreanos eram muito rápidos e, como eram quase todos iguais, nem sabíamos quem é que devíamos marcar e andámos aos papéis”.
No final da primeira parte, já as coisas estavam menos negras (2-3), pois Eusébio desatara a escrever o capítulo maior da sua lenda, com dois golos nos primeiros 45 minutos (faria mais dois até ao final). “No intervalo, o Otto falou de tudo menos de futebol”, lembra José Augusto. “Ouvimos das boas, algumas em linguagem bem vernácula. ‘Vocês, que me deram a maior alegria da minha vida quando ganharam aos meus irmãos brasileiros, estão agora a perder com uma equipa do Walt Disney? Vão lá para dentro, metam o tomate na garganta e comam os coreanos vivos’.”
A empreitada foi de todos, mas há um homem que foi maior do que todos juntos. Com quatro golos em 32 minutos, que deram uma reviravolta no marcador (José Augusto ainda faria o 5-3), Eusébio assinou a maior proeza individual numa só partida da história dos Mundiais.
“O futebol é uma modalidade colectiva, mas se não tivéssemos o Eusébio nunca teríamos recuperado. Foi o melhor jogo que vi um jogador com a estirpe do Eusébio fazer”, exulta Fernando Peres. “Ainda tenho na retina um dos golos: o Eusébio pegou na bola ainda no nosso meio campo, quase junto à linha lateral, e começou a fazer magia, levando tudo à frente, a driblar e a levar pancadaria, até que entrou na área e foi rasteirado com uma cacetada valente. Foi o Eusébio e foi a bola, foi tudo ao ar. Depois levantou-se, a coxear, pegou na bola e marcou o penálti.” “Esse jogo é um momento histórico e uma grande referência do futebol mundial. Tornou-se mítico pela marcha do resultado, pela recuperação notável de Portugal e por aquilo que foi a nossa prestação em redor do Eusébio”, analisa António Simões.
A Inglaterra, a anfitriã, foi o adversário seguinte. Mordomias para quem jogava em casa, foi permitido mudar a meia-final de Liverpool para Londres (em Wembley), o que obrigou Portugal a fazer uma viagem de comboio na véspera.
A tristeza de Eusébio após a derrota com a Inglaterra correu mundo. A estrela da selecção portuguesa e melhor marcador do torneio enxuga as lágrimas na camisola, perante o olhar de Torres (à esq.) e de Hilário (de costas), ambos em primeiro plano
“A alteração do local teve um impacto negativo, desgastando-nos física e mentalmente”, diz José Carlos. Simões lembra outro episódio: “No dia do jogo, com medo do trânsito, chegámos a Wembley demasiado cedo, o que nos obrigou a uma espera muito longa, gerando mais ansiedade.” Também no relvado os ingleses apostaram na surpresa. “A marcação implacável do Stiles ao Eusébio condicionou bastante o nosso jogo”, reconhece José Carlos. “O que ficou de mais triste foi termos perdido com a Inglaterra. Não tivemos cabeça suficiente”, confessa Alexandre Baptista. O jogo terminou com 2-1 para os ingleses, pondo fim ao sonho português. Restaria aos Magriços o jogo de consolação, para atribuição do terceiro e quarto lugares, em que Eusébio & Cª derrotaram a União Soviética (2-1).

A FRUSTRAÇÃO DOS QUE NUNCA JOGARAM
Na meia-final, alguns portugueses deram o estoiro. “O jogo marcou-me pelo cansaço”, diz Simões. Não sendo permitidas substituições, o facto de o seleccionador quase não ter rodado jogadores de partida para partida é uma pedra no sapato de alguns magriços. “Podíamos ter ido mais longe se tivesse havido um pouco mais de coragem”, considera Fernando Peres. “Havia futebolistas ávidos por jogar e que não faziam grande diferença em relação aos titulares: o Custódio Pinto, médio do FC Porto, extraordinário; o Cruz, lateral-esquerdo, fabuloso; o Lourenço [atacante do Sporting], enfim... Já não falo de mim. Houve até jornalistas que perguntaram várias vezes porque é que eu não jogava. O Simões fez um campeonato extraordinário, mas estava completamente fatigado. E o Torres chegou a pedir para não actuar, porque tinha os tornozelos inchadíssimos das pancadas que levara. O seleccionador respondeu-lhe que só não jogava se tivesse uma perna partida.”
Fernando Cruz foi outro dos que nunca pisou os relvados. Se por um lado faz uma vénia à velha máxima do futebol (“a equipa estava a jogar bem e a ganhar, e numa equipa que ganha não se mexe”), por outro tem o coração mais ao pé da boca: “É chato uma pessoa ganhar tudo em Portugal, mais duas taças dos Campeões Europeus, e depois ir ao Mundial e já saber que vai ser suplente. Enfim, fui um turista em Inglaterra”, remata, bem-disposto.
Os Magriços vieram de Londres com o terceiro lugar, mas com o título de “melhor futebol que se praticou em Inglaterra”, sublinha Peres. “Com larga projeção mediática, as televisões transmitiram todos os embates pela primeira vez”, lembra Simões.
Regressados à pátria, receberam as mais altas honrarias do Estado. Foram recebidos inclusive por Oliveira Salazar, que os felicitou pelo “excelente resultado”, recorda Alexandre Baptista. No livro em que também colaborou, Simões descreve como o Mundial serviu o regime às mil maravilhas. “O país, em virtude de uma desajustada ditadura, estava ostracizado, era observado de soslaio pela comunidade internacional. Foi o Eusébio e fomos todos nós que contribuímos para que houvesse, pelo menos por via do futebol e da nossa epopeia, um olhar simpático para este retângulo europeu tão criticado por razões de natureza política e social.”
Quando os jogadores portugueses foram dos melhores da Europa e do Mundo, o futebol ainda não distribuía os rios de dinheiro que hoje correm. Na grande equipa do Benfica da década de 60 ganhava-se, no máximo, 500 contos por ano (valor ilíquido). Destes, só quatro contos eram de salário mensal, igual para todos, pois a fatia de leão eram as chamadas luvas, pagas trimestralmente. Os prémios de jogo arredondavam o pré. O rendimento anual, referenciado a 1966, equivale, a preços atuais, a 178 mil euros, o que fica muito aquém das quantias chorudas que ganham Ronaldo, Messi e Neymar, entre muitos outros. 
Nos anos 60, os anúncios feitos por futebolistas eram pagos em géneros. José Augusto recebeu uma caixa de 12 latas de salsichas
Por explorar estavam as receitas de publicidade. José Augusto conta o seu caso. “Nunca recebi dinheiro dos anúncios e fiz vários. Um deles foi às salsichas Tobom. Como prova de consideração, recebi uma caixa com 12 latas.” Mais sorte teve Simões, já nos anos 70. Ele e o guarda-redes do Sporting Vítor Damas foram o rosto de um produto de barbear. Cada um recebeu 35 contos (menos de 10 mil euros a preços actuais, com referência a 1970). Simões ainda sabe a deixa de cor: “A minha barba é dura e difícil, mas o creme Palmolive amacia-a mesmo.”
Fernando Cruz, Alexandre Baptista, José Augusto, José Carlos, Fernando Peres e António Simões são seis dos futebolistas que representaram Portugal no Mundial de 1966, de 11 a 30 de Julho. Todos eles ficaram ligados ao futebol depois de deixarem os relvados.
Cruz esteve cerca de 30 anos nos EUA, numa fábrica de candeeiros e com uma curta passagem pela construção civil. Matou o bichinho da bola treinando uma filial do Benfica, em Newark, mas como não lhe pagavam abandonou o banco.
Alexandre Baptista é um caso raro no futebol português do século passado, com exceção de alguns jogadores da Académica: conciliou as chuteiras com as sebentas, licenciou-se em Economia e foi diretor comercial de várias empresas. Foi vice-presidente do Sporting numa direção de João Rocha, joga golfe (hoje já menos...) e bridge.
José Augusto foi treinador e chegou a dirigir a seleção principal na minicopa do Brasil, em 1972, e no Europeu de França, em 1984. Interinamente, treinou o Benfica em 1970. José Carlos acabou a carreira de futebolista no Braga. Depois ficou como treinador. Foi um dos destacados impulsionadores do Sindicato dos Jogadores de Futebol (com Simões) e dos Treinadores.
De todos os Magriços, Fernando Peres foi o que teve uma carreira internacional ao mais alto nível: foi campeão no Brasil pelo Vasco da Gama, em 1974. Em Portugal treinou várias equipas da primeira divisão. 
Simões acabou a carreira nos EUA, onde jogou sete épocas, e treinou em vários países. Foi diretor-geral do Benfica na presidência de Manuel Vilarinho. Hoje é o rosto mais assíduo dos Magriços nos ecrãs, como comentador de futebol. É o único que fez uma incursão na política, como deputado do CDS.

OS 22 MAGRIÇOS
N.º 1 Américo Lopes — Santa Maria da Feira, 83 anos; guarda-redes; FC Porto; nunca jogou
N.º 2 Joaquim Carvalho — Barreiro, 79 anos; guarda-redes; Sporting CP; disputou o jogo inicial, contra a Hungria
N.º 3 Artur José Pereira — Torres Vedras, 84 anos; guarda-redes; Belenenses; disputou os últimos cinco jogos
N.º 4 Vicente Lucas — Moçambique, 80 anos; médio; Belenenses; disputou os primeiros quatro jogos
N.º 5 Germano de Figueiredo — Lisboa (1932-2004); defesa-central; SL Benfica; disputou o jogo contra a Bulgária
N.º 6 Fernando Peres — Algés, 73 anos; médio; Sporting CP; nunca jogou
N.º 7 Ernesto Figueiredo — Tomar, 78 anos; avançado; Sporting CP; nunca jogou
N.º 8 João Lourenço — Alcobaça, 74 anos; avançado; Sporting CP; nunca jogou
N.º 9 Hilário da Conceição — Moçambique, 77 anos; defesa-esquerdo; Sporting CP; disputou todos os jogos
N.º 10 Mário Coluna — Moçambique (1935-2014); médio; SL Benfica; capitão de equipa, disputou todos os jogos
N.º 11 António Simões — Seixal, 72 anos; extremo-esquerdo; SL Benfica; disputou todos os jogos e marcou 1 golo
N.º 12 José Augusto de Almeida — Barreiro, 79 anos; extremo-direito; SL Benfica; disputou todos os jogos e marcou 3 golos
N.º 13 Eusébio da Silva Ferreira — Moçambique (1942-2014); avançado; SL Benfica; disputou todos os jogos e marcou 9 golos, tendo sido o melhor marcador do Mundial
N.º 14 Fernando Cruz — Lisboa, 75 anos; defesa-esquerdo; SL Benfica; nunca jogou
N.º 15 Manuel Duarte — Celorico da Beira, 70 anos; avançado; Leixões; nunca jogou
N.º 16 Jaime Graça — Setúbal (1942-2012); médio; Vitória de Setúbal; disputou todos os jogos
N.º 17 João Morais — Cascais (1935-2010); defesa-direito; Sporting CP; disputou três jogos
N.º 18 José Torres — Torres Novas (1938-2010); avançado; SL Benfica; disputou todos os jogos e marcou 3 golos
N.º 19 Custódio Pinto — Montijo (1942-2004); médio; FC Porto; nunca jogou
N.º 20 José Alexandre Baptista — Barreiro, 75 anos; defesa-central; Sporting CP; disputou cinco jogos 
N.º 21 José Carlos da Silva José — Vila Franca de Xira, 74 anos; defesa-central; Sporting CP; disputou os dois últimos jogos
N.º 22 Alberto Festa — Santo Tirso, 76 anos; defesa-direito; FC Porto; disputou três jogos"

O autocarro!

"O autocarro vai arrancar. Aí vem o autocarro. Vira para a direita, vira para a esquerda. Agora uma rotunda, e outra, e outra. Não pára ali, nem acolá. Em marcha liderada por escolta policial. 
Divertidíssimo. O povo não quer outra coisa. Um regalo nunca visto. Longos minutos atrás, ao lado, à frente, por cima e em versão drone. É uma fartura. Não há zapping possível: o canal A transmite, o canal B idem, o canal N idem aspas. Um êxtase de alienação em versão rodoviária.
Ah, ia-me esquecendo de referir. É o autocarro da equipa. Das equipas. Da selecção. Da abstracção. Para o jogo. Ou depois do treino. Ou a sair do hotel. Às pinguinhas. O autocarro é colorido, vermelho, verde, azul, de várias cores, com letras maiúsculas e imponentes. Está bem lavado e afinado.
Lá dentro vai a equipa, consegue ver-se o motorista. O autocarro, bem concebido, não permite ver o seu interior. Desconcertante, este pormenor. Mas as televisões vão cuidando de nos informar que lá dentro vai a equipa e de nos dizer do seu estado de espírito, certamente por rede sem fios.
Chegou ao seu destino. Abrem-se portas e bagageiras. A tristeza invade o telespectador. Que fazer agora, depois de tão excitantes e fartos minutos do autocarro. Não sei com quantos cavalos. A trote e a galope. Um ingrato, este veículo!
Assim chegou o doloroso momento da despedida do autocarro. Não há mais reportagem. Fica uma sensação de buraco na alma. Mas não nos entristeçamos. Amanhã temos dose a dobrar. E ainda hoje, nas televisões, se vai falar muito de autocarros estacionados à frente das balizas. Viva o autocarro! Abaixo os autocarros!"

Bagão Félix, in A Bola

O futebol nos Jogos Olímpicos

"Entrados na segunda década do século XXI seria lícito esperarmos que qualquer uma das grandes competições desportivas internacionais, que geram milhares de milhões de lucro à custa do generoso interesse do povo de todo o mundo, não traíssem essa generosidade e, sobretudo, não ludibriassem esse interesse.
A verdade é que a competição de futebol nos Jogos Olímpicos do Rio é uma trapaça, uma inqualificável mistificação, à qual o Brasil e o Rio de Janeiro não reagem porque lhes permitirá as maiores facilidades num título olímpico que há muitos anos perseguem.
A FIFA e o Comité Olímpico Internacional nunca se deram bem, tiveram, mesmo, períodos de guerra aberta e universal. No tempo presente, vivem a pior das situações: uma falsa e velhaca harmonia, que se traduz por duas realidades convergentes: a FIFA odeia os Jogos; os Jogos odeiam o futebol. É nessa conjugação de interesses particulares e de vontades inconfessáveis que o COI aceita, sem o mais pequeno reparo, que a FIFA não anuncie o calendário do futebol nos Jogos Olímpicos como sendo uma data FIFA e, como tal, obrigatória para a cedência de jogadores, por parte dos seus clubes, às respectivas selecções nacionais.
Em Portugal, como em muitos outros países, em particular europeus, os responsáveis pela selecção olímpica, a começar pelo seu respeitável treinador, vivem a angústia silenciosa de não saberem com quem podem contar. Ou, ditas as coisas de forma mais crua, mas não menos realista, com quem os clubes não querem contar. Será, isso temos de admitir, apesar do respeito que todos os jogadores nos merecem, uma selecção de restos."

Vítor Serpa, in A Bola

Mundo cão

"É sabido que o futebol dos dias de hoje está contaminado pelo imediatismo mercantilista mais agressivo, que torna valores como o amor pela camisola, a lealdade, a gratidão, a dedicação e outros completamente obsoletos. É assim por todo o lado, mas não tem necessariamente de ser sempre assim.
Quando passei pelo dirigismo no Sporting, tive a ideia de organizar, à semelhança do que acontece noutros clubes, um conselho de capitães, onde teriam assento os antigos jogadores que tivessem capitaneado a equipa principal de futebol profissional em mais de cinquenta jogos e que seriam os guardiões da mística verde. Pedi a inestimável ajuda do meu amigo Mário Casquilho para fazer o levantamento e constatámos, desolados, que esse desiderato era inviável, porque a maioria dos elegíveis estava zangada com o clube, alguns por razões bem fúteis.
Vêm estas reflexões amargas a propósito de dois casos, ambos passados no Sporting
 O primeiro é o jovem Seejou King, dinamarquês de ascendência gambiana que fracturou o tornozelo, num jogo da equipa B contra o Gil Vicente, jogo esse que acabou por ser o seu último pelo Sporting, que agora o dispensou. Poderão existir mil razões de natureza técnica e até financeira que aconselhassem a dispensa do King, mas limito-me a perguntar, face ao infortúnio que lhe bateu à porta: tinha de ser assim?
Os media têm feito eco do propósito de o Sporting negociar o Paulo Oliveira para outro clube. Apreciei o esforço que Jorge Jesus fez para dar à defesa do Sporting peso e altura, aposta ganha porque, desde então, o clube passou a sofrer menos golos e os factos falam por si. Por essa razão, o Paulo Oliveira perdeu efectividade. Paulo Oliveira é português e, face à veterania de todos os centrais da nossa Selecção, será com toda a verosimilhança, porventura com o Tobias, o titular indiscutível do lugar. Paulo Oliveira terá perdido efectividade, mas não perdeu valor, nem a dignidade com que sempre representou o Sporting. Pergunto: vamos abrir mão de um jogador como este?
Acho que o Sporting, por ser quem é e como é, deve ponderar se esta lógica predominante deve ou não ser a sua, ou se quer fazer diferente. E nessa ponderação deve-se incluir a questão da cedência dos atletas para a selecção olímpica, não sendo necessário lembrar que o Sporting é o clube português com mais atletas e mais medalhas olímpicas e que o olimpismo sempre fez parte integrante dos valores que defende. 
Como em tudo, não bastam as palavras..."

Benfiquismo (CXXII)

Benfica cabeludo...!!!

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Novas regras:

"(...)
Lei 3 - Os jogadores
- Se um substituto, um jogador que tenha sido expulso, um treinador ou elemento do staff interfere com o jogo, provocando a sua paragem, haverá um livre directo (ou penálti) contra a equipa do infractor. Antes, havia lugar a livre indirecto ou bola ao solo.

Lei 5 - O árbitro
- Os jogadores que se lesionem devido a uma falta que provoque a expulsão do adversário não são obrigados a sair do campo para serem assistidos. O mesmo se aplica se o jogador estiver apto a voltar ao jogo em menos de 20 segundos desde a entrada da equipa médica.

Lei 12 - Faltas e incorrecções
- Acabou a lei do chamado 'castigo triplo', que estipulava expulsão, penálti e suspensão quando um jogador cometia uma falta dentro da área para impedir uma oportunidade clara de golo. Agora, o árbitro tem de avaliar se o defesa tentava jogar a bola de forma limpa - nesse caso, não é expulso. Mas se obstruir, agarrar ou empurrar o adversário; não jogar a bola ou não ter a possibilidade de a conquistar quando faz a entrada; ou se tratar de uma falta merecedora de cartão vermelho em qualquer parte do campo, como conduta violenta, o jogador é sempre expulso.
- Uma acção violenta é punida com cartão vermelho mesmo se não houver contacto.
(...)"


PS: O International Board aprovou várias alterações às regras do Futebol: 95 para ser mais exacto. E entraram em vigor hoje!!!!!!!!!!!! Quem quiser ler todas as leis do jogo, pode clicar aqui. São só 210 páginas!!!!!!!!!!!
Destaco algumas alterações, aquelas que na minha opinião, podem trazer mais polémica/confusão, até porque em algumas delas, o critério subjectivo na analise do árbitro, é muito grande!

André Horta, um dos nossos !!!

André Horta confirmado no Benfica. Agora falta saber se será aposta no plantel principal, ou se será emprestado!
Esta é daquelas contratações cheias de sentimento: é sempre bom, saber que um de nós, um daqueles que partilha as bancadas connosco, tem a oportunidade de vestir o Manto Sagrado...
Mas muito sinceramente, não será fácil ao André ficar no plantel. Por acaso a posição do André até uma das mais carenciadas no nosso plantel: '8'! O lugar ocupado pelo Renato esta época.
O André tecnicamente está acima da média, mas falta-lhe a capacidade física que aquele lugar obriga... mas com o Fejsa nas 'costas', quem sabe!
Espero que a pré-época corra bem, e que o André se supere e que me consiga surpreender! A mim, e ao Rui Vitória!!!

Afinal... Madrid

"O açambarcamento espanhol das taças europeias é uma boa notícia para Espanha, mas não creio que seja a melhor notícia para o futebol europeu. Trata-se, sobretudo, do esplendor monetário que, não sendo monopólio de Castela, Catalunha e Andaluzia, é, todavia, melhor potenciado ali.
A final da Liga dos Campeões, este ano entre os dois clubes de Madrid, foi um excelente espectáculo, com vencedor feliz através da, não raro injusta, regra das penalidades.
Por cá, os media noticiaram esta final, com uma paradoxal mistura de xenofilia vizinha e de um certo tom pseudo chauvinista. Aliás, é todo o ano assim. Enquanto em Espanha as notícias de cá são zero lá, não há telejornal cá que não nos dê doses excessivas de lá.
Não aprecio a tendência de relatadores e comentadores que quase nos obrigam a torcer por uma equipa estrangeira só porque tem Ronaldo, Mourinho ou outro ilustre representante luso. Desta vez, tínhamos de ser do Real. Porquê? Por ter Ronaldo? E, no Atlético, não havia Tiago?
Nesta final, houve um determinante lance (o golo do Real Madrid) que foi ilegal. Mas ninguém se queixou e o fogoso Diego Simeone, conformado, até disse que «quem ganha é sempre melhor». Por cá, o que se diria em circunstâncias idênticas!
Desta vez, correu bem ao nosso Cristiano Ronaldo. Quis ser o último a marcar o penalty decisivo, o que tendo acontecido lhe proporcionou ser ungido em abundância («tive uma visão», afirmou). Nesta ocasião, lembro-me do desempate com a Espanha no Euro-2012 em que, por ser também o último marcador, nem sequer o foi, pois lá não se chegou por falhas de colegas da (nossa) Selecção..."

Bagão Félix, in A Bola

Triste futebol olímpico

"Rúben Vejo, Nélson Semedo, João Cancelo, Rúben Semedo, Rafa Soares, Tobias Figueiredo, Bruno Fernandes, Rúben Neves, Gelson Martins, Ronny Lopes, Gonçalo Paciência, Ricardo Horta, Raphael Guzzo, André Silva, Iuri Medeiros, Rafa Silva, João Mário, Renato Sanches, André Gomes, Bernardo Silva, Raphael Guerreiro...
Deste desfile de nomes aleatoriamente dispostos, juntando-lhes outros talentos de igual valor, seria fácil - como aliás se viu nos anos recentes - formar uma Selecção capaz de conquistar uma medalha nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, cenário hoje muito dificultado. Isto porque o torneio olímpico de futebol é uma prova marginal do calendário FIFA, para a qual os clubes não são obrigados a ceder jogadores. Ora, se a final Olímpica está marcada para o Maracanã no dia 20 de agosto está bom de ver que os clubes que disputam a 16 e 23 o play-off da Champions não terão interesse em libertar os seus jogadores: alguém imagina por exemplo o FC Porto a atacar a Liga dos Campeões sem Rúben Neves ou André Silva na lista?
Aliás, num cenário em que Portugal chegue à final nunca a equipa regressará antes de dia 22 ou 23 de Agosto, ou seja já com a maior parte das Ligas europeias em marcha.
Mais do que decidida por critérios técnicos, a convocatória terá grande dose de diplomacia e de arte da negociação.
Torna-se evidente que ou o futebol olímpico entra nas contas da FIFA ou tem de saltar do programa olímpico, mas também é indisfarçável que no caso concreto de Portugal, mesmo que a medalha fique mais longe - mesmo que a equipa seja afastada logo na fase de grupos - a qualidade do trabalho feito na formação dá razões para se acreditar que muitos sucessos virão a caminho. E pensar que quando Scolari saiu os especialistas falavam de um deserto nos anos vindouros..."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Falar de justiça mas bem devagarinho

"Todos sabemos como é lenta a justiça em Portugal. E o futebol deu-nos dois exemplos bem claros nos últimos dias. A federação chegou ontem a acordo no caso Olympic... 19 anos depois do início do diferendo. É obra. Já o caso Mateus conheceu uma decisão favorável ao Gil Vicente condenado à descida na secretaria em 2006. Passaram 10 anos! Pior, a ordem do tribunal não vai ser acatada por Liga e federação, recorrendo esta novamente às instâncias judiciais, o que deve atirar a resolução do triste episódio lá para as calendas gregas. Todas estas decisões, lentidão e incompetência têm custos enormes. Neste caso para o futebol nacional - a FPF tem já aprovisionada uma verba para fazer face a uma derrota esperada no imbróglio Gil-Belenenses -, mas também para o país. As dificuldades em conseguir decisões céleres na justiça são uma das principais razões para que o investimento estrangeiro em Portugal não abunde. Como arriscar capital a sério em negócios num país em que se as coisas correm mal nunca mais há decisões? Pois.
Benfica e FC Porto apresentaram contas negativas. O Sporting deve estar aí a rebentar. Infelizmente futebol português e prejuízos são palavras muitas vezes lidas na mesma frase. É difícil a vida dos presidentes dos grandes, entre a vontade de conquistar títulos e agradar aos adeptos e tentar o equilíbrio financeiro. São muitas as promessas de contenção, mas depois, na hora da verdade, lá vêm os aumentos de massa salarial, de prémios ou ainda de investimento em contratações. Obviamente, uns e outros vão no próximo exercício minorar os estragos com as vendas. Mas em Portugal continua a gastar-se demasiado num desporto sem mercado para tanto. Daí também a nossa capacidade para lutarmos com alguns da Europa mais rica. Um dia alguém pagará a factura. Até lá, siga."

Alargar a Liga é o que está a dar...

"Gil Vicente depois do Boavista. De novo, recurso a tribunais civis resulta em cheio, anulando pena de despromoção decidida pela Justiça desportiva. Dá que pensar tão radical diferença nas sentenças... E agora? Uma de duas: a Federação recorre, ou não o faz. Ao que parece, não o fará. Descrendo de êxito em tal recurso e assumindo que adiar não é solução. Portanto, tal como aconteceu com o judicial triunfo do Boavista, vira o disco e toca o mesmo, vem aí mais um alargamento na I Liga... De 16 equipas para 18; e agora para...?
De 'caldinho' em 'caldinho', cabe à Liga de Clubes a primeira palavra na decisão. Seguindo soluções do passado, o recente e o longínquo, a reboque do Gil Vicente surgirá espaço para mais um (como encontrá-lo?; não descendo o União?; subindo o Portimonense?; havendo liguilla? Forte discussão aberta...). Portugal com 20 clubes na I Liga: mais do que a Alemanha!
Mas existe alternativa: uma época com 19... ficando uma equipa de fora em cada jornada (regulamento fixaria descida de 3). Bom senso parece dizer que, do mal, o menos...
Paulo Fonseca confirmado como líder técnico do Shaktar. A equipa que eliminou o SC Braga nos quartos de final da Liga Europa e de onde sai o conceituado Mircea Lucescu, rumo ao Zenit (e André Villas Boas não regressa ao FC Porto...). Paulo Fonseca não inicia carreira no estrangeiro graças à conquista da Taça de Portugal (forte interesse ucraniano foi anterior), sim por ter colocado o P. Ferreira na Europa e, nesta, o seu SC Braga ter feito excelente carreira. Outro exemplo de como decisivos holofotes estão nos palcos europeus..."

Santos Neves, in A Bola

Benfiquismo (CXXI)

E que grande golo...!!!

Liverpool 0 - 2 Benfica
2005/06

Jogo 5 da final adiado para Sábado

"O jogo 5 da final do Campeonato de Nacional de Andebol será realizado no próximo sábado e com a presença dos adeptos do ABC e do SL Benfica.
O Clube não deixa de ficar surpreendido com as notícias e tomadas de posição veiculadas na imprensa a propósito do encontro que vai definir o Campeão 2015/16. Na realidade, o Académico Basket Club e o Sport Lisboa e Benfica realizaram, só nesta ponta final da temporada, seis partidas oficiais e de grande impacto competitivo, sempre com uma saudável e eficaz permuta de bilhetes.
O tom de alguma crispação de altos responsáveis do ABC mais se estranha, quando nem sequer está em sintonia com o ambiente de respeito que vigora entre adversários. A título de exemplo, nota para as palavras do treinador Carlos Resende, após o jogo 4, realizado no passado sábado, no Pavilhão 2: “O relacionamento entre as duas equipas é muito bom.” Pelo Benfica, assim é e continuará a ser.
Como entidade que acata as decisões oficiais, o Benfica e os seus profissionais de Andebol estarão presentes, sábado, no pavilhão que a Federação de Andebol de Portugal designar para disputar, até ao último segundo, o título de Campeão com o ABC.
Certezas? São evidentes e sem pontas escondidas: o jogo será intenso, equilibrado, certamente ambas as equipas farão por dignificar a história dos respectivos emblemas na modalidade e tanto ABC como Benfica contarão com o apoio dos seus adeptos."


PS: Muito sinceramente, considero este comunicado 'curto'. A premeditação por parte do ABC é demasiado descarada...
Depois do castigo do Borrágan, o Benfica não devia estar presente, ponto final.
Recordo que o Borrágan, fez uma falta normal (livre de 9 metros no máximo), nunca para livre de 7 metros, nunca para ser excluído por 2 minutos, e muito menos para cartão vermelho... e como é óbvio, nunca poderia ser castigado em 1 jogo, nunca...
Esta novela com os bilhetes só está a servir para o vergonhoso castigo passar entre os pingos da chuva!!!
Este tipo de xico-espertices tão comuns em Portugal, só demonstram a falta de carácter da gentalha ligada ao desporto... A tentativa de criar ambientes de guerra nos estádios e pavilhões, em vez de promover o espectáculo desportivo, é aceite pela maioria como legitima... A impunidade como tudo isto é feito, só fomenta a continuação deste fenómeno degradante...

terça-feira, 31 de maio de 2016

Cérebros e chapéus

"No Sporting, esta época, em Janeiro, no mercado de inverno, mudou-se meia equipa. Entraram Coates, Bruno César, Marvin, Barcos e Schelotto e foi recuperado Rúben Semedo. Há um ano, Marco Silva lamentava-se em voz baixa, falava de reforços e teve como único presente o lesionado Ewerton para colmatar a vaga de Maurício. Mesmo assim venceu para a Taça de Portugal, enquanto este ano o falhanço foi em toda a linha, uma evidência que a ideia luminosa de campeão do segundo lugar mais acentua.

Jesus é bom profissional, isso nunca esteve em causa. Como trabalha, como lida com os jogadores, como os motiva, não sei. Hoje, faz-se tudo às escondidas... Sei é que quando Luís Filipe Vieira, na cerimónia de assinatura de contrato comercial com a Emirates, afirmou que o Benfica teria de recuperar o seu espaço europeu alguma alteração muito importante estaria em marcha: a saída de Jesus. Não o disse, mas foi o que eu pensei. Porquê? Pergunta simples e de resposta rápida, não?... Repare-se no exemplo do Real Madrid. É o maior de todos, não pelo número de Ligas espanholas acumuladas, mas pelas 11 Taças dos Campeões Europeus que já ergueu. Eis a diferença!

O 35.º Campeonato conquistado pelo Benfica foi festejado de forma muito especial pela esmagadora maioria dos adeptos e pelo presidente e pilar principal da organização vencedora. Discreto mas firme, preocupado mas optimista, no seu posto de comando, tomou as medidas que se impunham, em nome do projecto que sustenta o engrandecimento do clube e lhe dá garantias de cintilante futuro. Enfrentou a ira de benfiquistas menos informados ou de frágeis convicções e a incompreensão de humoristas, economistas, analistas, cientistas, comentaristas e afins. Em vários sectores de opinião estabeleceu-se que Luís Filipe Vieira acabara de provocar o colapso da instituição, ao prescindir dos serviços de uma sumidade, a qual, no entanto, com a elevação devida, teve direito ao reconhecimento de méritos pela colaboração prestada durante a longa vigência contratual, apesar de, a partir de determinada altura, por motivos que só não enxerga quem não quiser, se tivesse transformado em travão inibidor da caminhada ambiciosa da águia que era preciso desbloquear, como a temporada ora finda demonstrou. Prova de que Vieira tinha razão e prova também de que quando a vaidade transborda é normal a confusão entre cérebros sem chapéus e chapéus sem cérebros.

O período mais crítico do Campeonato, que correspondeu a preocupante desvantagem pontual, trouxe vagas de maledicência e agitou desgraças imensas. Em contraposição, Vieira alertou a nação benfiquista para o facto de se atravessar uma fase de transição e necessitada de tempo para estabilizar, ao mesmo tempo que anunciou total confiança no novo treinador. O que não se revelou suficiente para acalmar a tempestade, pois nas semanas seguintes não deve ter havido dia em que os canais de propaganda inimiga não adivinharam a inevitabilidade da ruptura...

O Benfica gerou o seu próprio monstro. Cobriu-o de dinheiro por causa da intromissão de alegados emissários, os quais juraram que, a Norte, o FC Porto estaria disposto a pagar o que fosse preciso para o receber, argumento que vingou em 2010, na Luz, com enquadramento televisivo e tudo, e que parece ter voltado a resultar, em Alvalade. Tenho dúvidas sobre a validade do esquema, sobretudo depois de o experiente e hábil presidente portista ter confirmado, sorridente, que é amigo do treinador que se queixa de todos o copiarem e que segue a sua carreira desde os tempos do Amora. Ou seja, para bom entendedor... 

Jesus foi campeão no Benfica em 2010, no ano seguinte ficou a 21 pontos do FC Porto, e em 2012 e 2013, aconteceu o que se conhece... Voltou a ganhar em 2014 e 2015 e como a última recordação é a que mais pesa percebe-se a razão da lamúria, quando resolveu mudar-se para o rival da Segunda Circular, mudança essa que, hoje, enche de gozo a águia e carrega de azia o leão. Para o ano é que é, prometem. Será? Talvez sim, talvez não, depende de vários factores. De toda a maneira julgo justificar-se a seguinte questão: nos anos em que trabalhou no Benfica, dado o forte investimento feito nos diferentes planteis, se tivesse sido ao contrário? Isto é, se Jesus entrasse a ganhar dois Campeonatos, depois perder três e no último ano conquistasse outro, será que a reacção do adepto encarnado seria a mesma? Provavelmente não. Reagiria mais friamente e concluiria que qualquer treinador competente, perante idênticas condições de trabalho, pior não teria feito..."

Fernando Guerra, in A Bola

Espinha dorsal

"Na semana passada, escrevi que, perante propostas como as que têm sido aventadas, o Benfica não deveria tentar segurar jogadores a todo o custo. Seria um erro. O futebol português não tem condições para cobrir ofertas em redor dos 30 milhões e mesmo que estas fossem recusadas, haveria que compensar salarialmente os atletas, pervertendo a coerência que deve existir na folha salarial de um clube.
A questão que se coloca hoje a um clube como o Benfica não é tanto segurar os seus activos, mas saber geri-los de forma a poder continuar a formar equipas vitoriosas.
A diferença do Benfica de hoje face a um passado mitificado não é a entrada e saída de jogadores em catadupa, com pouco amor à camisola. É que, ao contrário do que acontecia, os jogadores do Benfica passaram a ter mercado, quando há uma década ninguém lhes pegava. Esta mudança tem. aliás, um efeito muito positivo: o Benfica passou a ser atractivo para jovens talentos, de outras paragens, que sabem que aqui se podem valorizar.
Agora, como sempre acontece, a chave para o sucesso encontra-se no equilíbrio. O Benfica precisa de encontrar jovens talentos (um substituto para Gaitán, da mesma forma que Gaitán substituiu o, então, insubstituível Di Maria), mas tem também de preservar a espinha dorsal da equipa, de modo a que quem chega encontre elementos de continuidade. Daí que a manutenção no eixo central de Júlio César, Jardel, Fejsa e Jonas deva ser prioridade. Com eles em campo e no balneário, o 36 tornar-se-á mais fácil mesmo que saiam muitos jogadores e entrem outros tantos."