Últimas indefectivações
quinta-feira, 21 de julho de 2022
Encurtamentos à frente dos centrais – Uma condição para pressionar alto
"Uma das intenções que parecem claras no Benfica de Roger Schmidt é a de pressionar bem alto a saída de bola do adversário, numa dinâmica de zona pressionante muito agressiva em bloco muito alto. Os adversários que optarem pela saída curta podem sentir o desconforto normal face a este padrão de pressão mas outros com qualidade superior podem eventualmente bater esse primeiro momento e conseguir ligar mais à frente com os elementos posicionados atrás da segunda linha de pressão (médios) iniciando a fase de criação. Para impedir então que a equipa se parta (avançados e médios, primeira e segunda linha de pressão, muito alta e a linha defensiva a ficar – limitada pelo fora de jogo do meio-campo – aclarando o espaço entre linha média e linha defensiva) é necessário que os elementos da linha defensiva, em particular os centrais, sintam o conforto em realizar encurtamentos verticais à frente da linha para impedir adversários de receber e enquadrar contra a última linha nesse espaço.
No vídeo (...) fica um exemplo claro em que vemos, alternadamente, Morato e depois Otamendi a realizarem esse encurtamento. Uma opção lógica mas que carece obviamente dos seus riscos já que é um conceito defensivo que foge um pouco ao conceito mais clássico e conservador das linhas em marcação mais zonal, mais cautelosas sobre deixarem elementos sair da linha para este tipo de movimentos (há sempre o risco de uma bola entrar nas costas do defesa que sai a encurtar, com movimentos de rotura concertados por forma a atrair os centrais para fora da linha e explorar esses mesmos espaços – fundamental a dinâmica das coberturas para vigiar esses movimentos.)."
5 momentos mais marcantes na nova Catedral
"O Estádio da Luz está neste momento a ser remodelado, tal como o presidente Rui Costa tinha prometido na campanha eleitoral.
Em outubro do ano passado, mês em que a nova Catedral atingiu a maioridade, o presidente do SL Benfica confessou que queria renová-la, de modo a que os adeptos encarnados se sentissem melhor naquela que consideram ser a sua “casa”.
“Quero mudar os ecrãs, iluminação e cadeiras. Tenho respeito por quem nos ofereceu este estádio e é mais emblemático por dentro do que por fora. Queria colocar este estádio tão imponente por fora como é por dentro.
Este estádio já tem perto de 20 anos e são precisas alterações naturais. Vamos encontrar um meio para alcançar esse objetivo”. Foram estas as promessas de Rui Costa e a verdade é que algumas delas já são bem visíveis. Já foram mudadas algumas cadeiras e o desenho presente na bancada da BTV deu origem ao aparecimento do de uma águia.
Com estas mudanças chegou a altura de recordar alguns dos melhores momentos vividos no novo “Inferno da Luz”, ainda que seja difícil escolher apenas alguns.
1. Inauguração do Estádio da Luz
Haverá momento mais marcante do que o da própria inauguração do estádio? A 25 de outubro de 2003 a Catedral abria as portas para receber o primeiro de muitos espetáculos lá presenciados.
A cerimónia começou à tarde e prolongou-se até à noite, onde se assistiu a um espetáculo de luz, som e cor, que não ficou apenas pelo estádio, mas que se espalhou pelos céus da capital.
Estavam presentes 65 400 benfiquistas nas bancadas. Houve emoção, cânticos, risos e tudo a que aquele momento tinha direito.
Facto curioso: enquanto decorria o espetáculo pirotécnico no céu, no relvado acendiam-se 1,000,160 luzes que diziam respeito ao número de minutos que a Catedral demorou a ser construída. Seguiu-se o jogo frente ao Nacional de Montevideu, onde as águias venceram por 2-1, com dois golos de Nuno Gomes.
2. SL Benfica 10 x 0 CD Nacional
A mítica e célebre goleada vivida no Estádio da Luz. Foram 10 golos e houve golos para todos os gostos. Um autêntico massacre vivido dentro das quatro linhas, com um futebol de fazer inveja aos grandes colossos. Era 10 de fevereiro de 2019, quando os benfiquistas se dirigiram à Luz para assistir a mais um jogo.
A questão é que esses adeptos não esperavam assistir a um “bailinho da Madeira”, liderado por Grimaldo, Seferovic, João Félix, Pizzi, Ferro, Rúben Dias, Jonas e Rafa. Quase que foi um golo por cada jogador das águias. Recordar este jogo leva-me sempre a pensar “como é que se festejam tantos golos?”.
3. Homenagem a Eusébio
Se falamos de Miklós Fehér também temos de falar daquela que foi a maior lenda do SL Benfica, Eusébio da Silva Ferreira.
Faleceu a cinco de janeiro de 2014 e tal como tinha desejado, deu uma última volta ao “seu estádio”, ao som do hino do clube do seu coração, entoado pelos adeptos presentes. Se quem viu na televisão se arrepiou, quem viveu aquele momento no estádio arrepiou-se muito mais.
Dias depois, chegava o clássico frente ao FC Porto. Os jogadores jogaram com o nome de Eusébio nas costas e, mais uma vez, entraram em campo com garra, querer e ambição. Rodrigo e Garay marcaram os golos da partida que homenageou o Pantera Negra.
É caso para dizer que se antes o FC Porto não resistia a Eusébio, contra 11 Eusébios muito menos.
4. Homenagem a Miklós Fehér
Nem só de momentos felizes se vive. Neste caso, o momento não era sinónimo de felicidade, bem pelo contrário, mas para mim tem de estar presente neste top, enquanto um dos momentos mais marcantes vividos na Catedral.
A 25 de janeiro de 2004, o avançado húngaro das águias perdeu a vida em campo, deixando um clima de enorme dor e tristeza presente em todos os adeptos do SL Benfica e do próprio futebol nacional.
A três de fevereiro Miklós teve a devida homenagem no Estádio da Luz. As três equipas, SL Benfica, Académica de Coimbra e até mesmo a de arbitragem, entraram em campo com uma camisola branca com o número 29, utilizado pelo húngaro até ao dia da sua partida, e uma fotografia de Fehér na frente.
Cumprido o minuto de silêncio, com cartolinas pretas presentes nas bancadas, os jogadores das águias continuaram com o nome do jogador nas camisolas, e quando o primeiro golo surgiu uniram-se para o dedicarem a Miklós. O ambiente vivido no estádio foi digno de arrepios.
5. SL Benfica 3 x 1 FC Porto
O jogo pode muito bem resumir-se através de um nome: André Gomes. Nas meias-finais da Taça de Portugal 2013/14, os encarnados recebiam o eterno rival, FC Porto, em casa, dando início à partida já em desvantagem.
Os dragões tinham vencido na primeira mão por 1-0, com um golo de Jackson Martínez. No entanto, a 16 de abril de 2014, o SL Benfica até começou por vencer o jogo, com um golo de Salvio aos 17 minutos; aos 52 Varela empatou a partida e aos 59 minutos Enzo Pérez colocou a eliminatória empatada.
Faltavam 10 minutos para terminar o tempo regulamentar, quando o menino nascido em Vila Nova de Gaia, André Gomes decidiu impor a supremacia encarnada aos 80 minutos de jogo, levando as águias até à final.
E que bela maneira de selar uma partida. É caso para dizer “que golaço”. André Gomes dominou a bola com o peito, picou-a por cima do adversário e rematou para o fundo das redes de Fabiano, levando os adeptos à loucura. Viu-se um SL Benfica sem medo e com uma garra digna dos grandes clubes europeus."
quarta-feira, 20 de julho de 2022
Grimaldo, Trincão e os levezinhos do Porto
"Vejo Grimaldo jogar e não entendo como tantos o desvalorizam. Acumula épocas inteiras em rendimento elevado, atestadas em presenças consecutivas acima dos 40 jogos por ano e, para os que ligam mais às estatísticas, com número de assistências, mas também de golos (fruto da qualidade na bola parada), invulgarmente raros num lateral. Então para quem aprecia mais que números, a variedade de soluções que oferece em momento ofensivo, desequilibrando por fora ou construindo por dentro, consagram-no como um dos principais organizadores do jogo encarnado nos últimos anos, ao ponto de me questionar como nunca foi sequer equacionado como médio interior. Explicação óbvia: não o valorizam mais porque não é robusto, mesmo se outros mais atléticos na aparência dificilmente garantem tanta fiabilidade. Ideia feita: defende mal, como se alguém com tanta qualidade ofensiva devesse ser julgado pelos momentos em que é o coletivo que deve proteger sem bola quem tanto lhe acrescenta com ela, em particular numa equipa grande. Impressão minha: Roger Schmidt já percebeu que ou lhe dão alguém de topo ou o lugar é dele e não do reforço Ristic. Opinião convicta: o Benfica bem pode procurar que não arranja melhor, muito menos pelos sete milhões de que se fala para a venda.
Vejo Trincão de regresso ao futebol português e aplaudo a escolha leonina. Privado do seu melhor jogador da época passada, o delicioso Pablo Sarabia, os leões rebuscaram de novo o futebol português, interna e externamente, para disponibilizar opções de qualidade naqueles dois lugares decisivos para o sistema de Rúben Amorim: os dos homens que gravitam na órbita do ponta de lança. Mantém-se Pote, a prometer voltar aos melhores dias pelo que se viu diante do Villarreal, aguarda-se a explosão definitiva de Marcus Edwards, mas, para além das alternativas Nuno Santos e Tabata, acrescentam-se dois nomes muito bem apanhados, Rochinha e Trincão, num claro acréscimo de qualidade onde ela é mais necessária, na zona de criação rumo à definição. Rochinha terá de esgravatar para encontrar o seu espaço, à partida como destro alternativo a Pote. Já Trincão pode rivalizar com Marcus, mas também ser compatível com ele, e espero que seja, pois pelo menos desde o Brasil de 70 que sabemos que se há craques a sério o único desafio justo é conseguir juntá-los. Talvez por isso Amorim ensaie agora uma estrutura alternativa, para finalmente abdicar de uma unidade defensiva e poder ter uma peça extra no processo de ataque.
Ao contrário, saem do Porto Vitinha e Fábio Vieira e nem adianta dizer que partem precocemente, já que a partir de certo nível o dinheiro fala e 75 milhões em receita (dos dois somados e no imediato) é sempre um grande negócio, sobretudo para quem só tem de descontar os custos da formação. Agora que o FC Porto perde duas unidades já muito importantes não há como iludir, que não é fácil encontrar sequer parecido. Vitinha tornou-se indiscutível, acrescentou critério com bola, pegou na batuta e definiu ritmos. Fábio Vieira foi ganhando espaço agarrado a uma criatividade rara, esbracejando para encontrar vaga em terrenos que eram ou de Otávio ou da profícua dupla Taremi-Evanilson, e a verdade é que logrou brilhar. Vitinha, o maestro, cresceu com a equipa mas sobretudo a equipa cresceu com ele. Fábio, o solista, brilhou sempre que lhe permitiram o destaque da titularidade. Curioso como tantos, há menos de um ano apenas, mal percebiam a qualidade que ali estava. O Wolverhampton não percebeu, por exemplo, e recuou em dar 20 milhões por um homem que agora valeu o dobro. Outros jogadores, bem mais celebrados, nunca chegarão nem perto de PSG ou Arsenal. É onde já estão os levezinhos do Dragão, mais uns a provar que o talento não se mede com balança e fita métrica.
rendimento elevado, atestadas em presenças consecutivas acima dos 40 jogos por ano e, para os que ligam mais às estatísticas, com número de assistências, mas também de golos (fruto da qualidade na bola parada), invulgarmente raros num lateral. Então para quem."
A paixão pelas montanhas da Águia de Toledo
"Bahamontes foi o primeiro espanhol a vencer a Volta a França e ainda é considerado o maior trepador de sempre
Alejandro comeu fome.------- Como escreveu sobre ele José Carlos Carabias: «Bahamontes representa un viaje al centro de la vida, al pasado de un país, a la guerra, el hambre y el deporte que se practicaba por rabia y honor». O desporto de Alejandro Martín Bahamontes foi o ciclismo. Chamavam-lhe a Águia de Toledo. Quando era muito miúdo, todos o tratavam por Martín em Santo Domingo-Caudilla, onde nasceu no dia 9 de Julho de 1928.
Depois, a mãe, Victoria, no dia do seu batismo, mudou de ideias em relação ao nome. O Alejandro caiu e ficou Federico, por causa do tio, o patriarca da família. O pai, Julián Martín, fora herói da Guerra de Cuba, demasiado velho para ser recrutado para a Guerra Civil Espanhola que não tardou a rebentar. Alejandro, agora Federico, não gostava de armas nem de guerra. Engajado pelas forças nacionalistas de Toledo, onde estudava num colégio de freiras, conseguiu escapulir-se.
Tornou-se um desertor. Mas manteve-se vivo. Foge para Madrid com a família. É a vez de Julián ser alistado à força pelo Exército Republicano como Cabo de Intendência. Federico vive escondido entre mulheres: a mãe, as tias e as irmãs habitam uma cave reles na calle General Molla. Quando a guerra acaba, regressam a Toledo com tudo o que têm albardado a uma mula. Serão camponeses numa herdade de nome Loches.
Nos campos de Castilla-la-Mancha os garotos que atacam as oliveiras à força de varas fazendo tombar as azeitonas em lençóis largos de serapilheira são conhecidos como mochuelos. O trabalho é duro e de sol a sol. Fede faz de tudo: quando termina a apanha da azeitona, carrega com sacos de cereais às costas na Quinta de Mirabel; no Cerro de Los Palos é aprendiz de carpinteiro pela manhã e guardador de vacas pela tarde; no pouco tempo que tem livre, junta pedras e areia para reconstruir a casa dos pais junto ao Convento de San Pablo; comprou a sua primeira bicicleta por 30 duros.
«A maior das minhas mestras foi a fome!». Em Menasalbas, em 1947, participou numa prova de ciclismo: ficou em segundo. Um ano depois correu a Toledo-Puente del Guadarrama-Cabañas de la Sagra-Toledo. Era Julho e Castela fervia de calor e os horizontes bailavam em frente dos olhos dos homens como nos livros de Cervantes. Ganhou.
«Levántate y mira la montaña
De donde viene el viento, el sol y el agua
Tú que manejas el curso de los ríos
Tú que sembraste el vuelo de tu alma», cantou trinta e alguns anos mais tarde Victor Jara, o poeta preso, torturado e assassinado pelos lacaios de Pinochet que atiraram o seu cadáver estropiado para uma sarjeta de uma favela de Santiago. Bahamontes mirava a montanha. A montanha era o lugar onde a Águia de Toledo sentia que precisava de pousar.
Na sua primeira Volta à França, em 1954, conseguiu vestir a camisola do Prémio da Montanha mesmo apesar de ter desfeito os raios da roda traseira da bicicleta no Col de la Romeyère. Parou na beira da estrada a comer um gelado enquanto esperava por ajuda. Deixou que o olhar se prologasse a todo o comprimento dos vales e voltasse a subir ao topo. Sentia-se em casa.
Federico tornou-se um bom amigo do seu adversário italiano, Fausto Coppi. Certa vez convidou-o para ir caçar com galgos num terreno perto de Talavera de la Reyna. Fausto aproveitou o momento para lhe dizer: «Fede, pensas demais nas etapas de montanha, desgastas-te muito com elas. Concentra-te na corrida em geral. A montanha virá por acréscimo». Estávamos em 1959. Nesse ano, Federico Martín Bahamontes passava a ser o primeiro corredor espanhol a vencer o Tour.
Bahamontes é, ainda hoje, provavelmente o maior trepador da história da Volta à França. Ganhou essa modalidade oficial nas provas de 1954, 1958, 1959, 1962, 1963 e 1964, o ano em que pôs um ponto final na carreira depois de voado sobre o Tourmalet. Em 2013, quando se comemorou o Centenário do Tour, foi-lhe atribuída a distinção por votação de todos os jornalistas do L’Équipe. Abriu um loja de bicicletas em Toledo e continuou a receber cartas e cartas enviadas pelos seus aficionados de toda a Europa.
Às vezes chegavam com apenas uma indicação: «F. Bahamontes. España». Outras limitavam-se a vir com o desenho de uma águia pedalando uma bicicleta. Não havia funcionário da Sociedad Estatal Correos y Telégrafos que não soubesse ou não saiba quem é o grande Bahamontes. Aos 94 anos, continuamente impelido a ir ao encontro das montanhas cujas estradas dominava como nenhum outro nem antes nem depois dele, Bahamontes continua a pensar se terá sido a convicção da mãe de lhe mudar o nome de Alejandro para Federico que lhe abriu as portadas do sucesso. Mas, afinal, que importância tem um nome? A menos que ele seja Bahamontes."
Ser atleta e ser mãe
"A maternidade significa várias coisas e, no mundo da alta competição, maioritariamente masculino ao nível das decisões, podemos talvez dizer que a maternidade “é uma chatice
Quem gosta de atletismo sabe quem ela é. Allyson Felix ganhou tudo o que havia para ganhar, nas pistas, e ainda deu uma chapada pública à Nike. Ou melhor: reconverteu a política salarial e contratual da empresa, face à maternidade e pós-parto.
Ela despediu-se na segunda-feira das competições, depois de ganhar mais uma medalha de bronze. Eu, que sou lamechas, verti umas lágrimas.
Allyson Felix arrecadou 27 medalhas olímpicas e de campeonatos mundiais de atletismo. Para que fique claro, 20 destas medalhas são de ouro. Correu 100, 200 e 400 metros rasos. Não há qualquer outro atleta – seja de que género for – que tenha conquistado tantas medalhas olímpicas. Allyson tem dez. A especialidade dela? Correr os 200 metros rasos e fazê-lo em 21 segundos e 81 décimas. A proeza concretizou-a em 2007, na cidade japonesa de Osaka, no Campeonato do Mundo. Em 2012, não contente, bateu-se a ela própria: fez a mesma prova em 21 segundos e 69 décimas.
É uma velocista incrível, que deixa a carreira aos 36 anos de idade. Talvez sinta o sabor amargo de ter conquistado o bronze, em vez da prata ou do ouro, na prova de segunda-feira. As vencedoras têm menos dez anos de idade. E a idade, no desporto, conta muito.
O que também conta é a maternidade. E conta para as atletas mulheres de uma maneira feia, discriminatória, injusta. Allyson não foi excepção. Patrocinada pela Nike, anunciou a sua gravidez e, digamos, o caldo entornou-se. O confronto tornou-se público, e várias atletas denunciaram os preconceitos e práticas discriminatórias da marca. Podemos dizer que ganharam a guerra, porque a Nike vergou, e anunciou que manteria contratos e patrocínios sem qualquer redução, às atletas mulheres que pretendem ser mães. A Allyson tinham proposto uma redução de 70% no contrato. Não foi uma guerra fácil, mas venceu-se.
A maternidade significa várias coisas e, no mundo da alta competição, maioritariamente masculino ao nível das decisões, podemos talvez dizer que a maternidade “é uma chatice”. Não são os nove meses de gravidez, é também o pós-parto, a recuperação. É preciso muita autoconfiança, muito trabalho. Se a Nike, em 2019, tinha dúvidas, Allyson mostrou-lhes que é possível ser tudo: mãe e atleta. Teve uma filha prematura e, 13 meses depois, estava de volta. Entretanto, vai ter a sua marca de sapatilhas, o que, aqui entre nós, me parece uma chapadinha de luva branca com pinta."
40 milhões!
"40 milhões de euros. Quarenta milhões de euros. Vamos repetir: 40 milhões de euros. Quarenta milhões de euros.
Ninguém investiga a ligação Jorge Mendes-Calor da Noite? Ana Gomes, onde andas? Comunicação Social Portuguesa, onde andas? Ah, já sabemos:
-Schmidt irritado com João Mário porque se casou no dia da apresentação.
-Benfica irritado com Schmidt porque chegou tarde.
-Direcção está dividida por causa da contratação do Enzo porque alguns não gostam que se gaste tanto dinheiro num jogador que só poderia vir daqui a meio ano (foderam-se que já ca está...embrulhem!).
-Javi Garcia vai ganhar um dinheirão e nem curso de treinador tem.
-Rui Costa irritado com Schmidt por ter falado bem de Horta.
-Etc
-Etc
-Etc
-Etc
Tem que sair mais um camião de areia para os analfabetos dos adeptos do Calor da Noite para continuarem a pensar que a Comunicaçon Social é toda dos lampions!
Força, J Marques!"
terça-feira, 19 de julho de 2022
«"Bienvenidos, hermanos!»
"Em 1912, o campeão de Lisboa recebeu o seu homónimo de Madrid, fazendo jus à famosa hospitalidade portuguesa
O Benfica organizou a visita da Sociedad Gimnástica Española a Lisboa, em Junho de 1912, com todo o cuidado. Era a primeira vez que era totalmente responsável pela vinda de um clube estrangeiro à capital portuguesa e que defrontava esta coletividade desportiva, fundada em 1887 e que teve um papel importante na história do desporto de Espanha.
O conjunto espanhol era 'o campeão de Madrid', à semelhança do seu anfitrião, que se sagrara campeão de Lisboa recentemente. Por este motivo, havia uma grande expectativa em torno da chegada dos 'players hespanhoes', que vieram acompanhados por dirigentes do Clube e que seriam 'aguardados na estação do Rocio pelos restantes directores, jogadores e sócios do S.L.B. e d'outros clubs'.
O primeiro jogo realizou-se a 29 de Junho, no Campo das Laranjeiras, 'gentilmente cedido pelo Club Internacional de Foot-ball'. Foi 'uma luta renhida', que se refletiu no resultado final de um empate a uma bola. A 'impressão que os jogadores hespanhoes fizeram no público foi muito boa', tendo sido considerados 'os melhores que teem vindo a Lisboa'.
No desafio do dia seguinte, a 'concorrência de espectadores era enorme, apesar de haver duas touradas no mesmo dia'. O futebol ganhava cada vez mais popularidade na sociedade portuguesa e os 'espectadores de sport vão tendo o seu público especial, cada vez mais numeroso'. Desta vez, os encarnados foram claramente superiores e venceram o adversário por 6-1, demonstrando que 'os «foot-ballers» portugueses são dos melhores da Europa'.
Este convívio também teve um caráter recreativo, pois de manhã tinham dado 'um passeio Tejo acima que deixou encantados os hespanhoes' e, à 'noite, no Centro Hespanhol foram recebidos festivamente, organizando-se um sarau e baile em sua honra'.
Saiba mais sobre os primeiros tempos do Clube na área 1 - Ontem e Hoje do Museu Benfica - Cosme Damião."
Lídia Jorge, in O Benfica
Este gajo é um zero à esqu... é um génio!
"Se o leitor me permite aqui vai: ahahahahahahaha! Então o conceituado mister Roger Schmidt levou 38 (!) jogadores para o estágio em Inglaterra? Mas ele veio para treinar o plantel A do Benfica ou para formar uma equipa de bombeiros para o combate aos incêndios no verão? Gostaria de ter uma linha defensiva coesa e serena, não uma linha defensiva para andar constantemente a apagar fogos. Cinco guarda-redes na comitiva? Será um para o campeonato, um para a Taça de Portugal, uma para Taça da Liga, um para a Liga dos Campeões e outra para a Supertaça Europeia do próximo ano? Mas alguma vez se viu isto em lado algum? De facto, esta gestão disparatada não deixa dúvidas quanto à falta de capacidade deste técnico alem... ah? O quê? Como? Terei ouvido bem? Não se importa de repetir? Hummm... Jurgem Klopp, um dos melhores treinadores do mundo, convocou 37 jogadores para o estádio do Liverpool na Tailândia? Pois, claro! Não, não fico nada surpreendido. Pessoalmente, sempre defendi este tipo de estratégia. É perfeitamente compreensível que se faça esta gestão na pré-época, afinal é aqui que todos os atletas têm oportunidade para mostrar o que valem, os recém-promovidos a seniores podem integrar-se e o treinador consegue fazer uma avaliação dos recursos que tem à disposição atempadamente, antes do arranque oficial da época. Caso o leitor não saiba, isto tem um nome: gestão de excelência. Bem sei que há muito papagaio a comentar, criticar e julgar tudo o que mexe como se fossem os donos da razão absoluta, mas a verdade é uma: esta geração de treinadores alemães sabe muito disso."
Pedro Soares, in O Benfica
Bancadolândia
"Desfazedores da realidade
Com o mercado de transferências a fervilhar, nos espaços de opinião fácil de argumentações dançam ao sabor do vento de conveniências e de interesses perante os quais é impossível ficar absolutamente indiferente. É como olhar para um polivalente e interpretá-lo como um faz-tudo ou, só porque dá jeito (para o desmerecer, claro), considerá-lo um tapa-buracos. Quando no teatro mediático o ingresso de Enzo Fernández no Benfica foi especulado por muitos como distante e, mais tarde, a sua incorporação no plantel neste verão conjeturada como improvável, a competência do jovem centrocampista argentino mereceu um escada de elogios até à lua. Assim que as coordenadas do destino ditaram o encaminhamento do mesmo Enzo para o Estádio da Luz neste mês de Julho para cumprir formalidades e reforçar o naipe de soluções ao dispor do treinador Roger Schmidt, os encómios encolheram-se e os armadores de dúvidas apressaram-se a verter 'ses', 'mas' ou quejandos nos retratos da realidade. Narrativas da mesma família, mas com contornos diferentes, foram desenvolvidas no contexto João Vitor, no antes e no depois da contratação do defesa-central, facto que torna ainda mais evidente a natureza e o móbil da vulgar conspiração. Destas nuvens se extraem indicadores de que no campo do recrutamento e da reunião de argumentos para a época 2022/23 o Benfica trabalha com firmeza para triunfar na nova era. É o que conta.
Testes, andamentos e absorção
A cada treino (integral ou parcial) da equipa de futebol profissional que se acompanha à distância, crescem sem cerimónia o desejo e a vontade de ver mais e mais. Intensidade, velocidade, procura da baliza, futebol envolvente e agressivo, pressão... Estes e outros aspectos (coletivos e individuais) encantem e 'pedem' aferições, porque o 'calor desportivo' de Agosto já se pressente. Neste ponto específico, os jogos a disputar frente aos franceses do Nice e os ingleses do Fulham no Torneio do Algarve (15 e 17 de Julho) têm potencial para promover um grau de competitividade interessante, que permita avaliar o andamento conjunto e a assimilação de uma nova filosofia, a menos de três semanas da estreia oficial na 3.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões."
João Sanches, in O Benfica
Em construção
"É melhor gerar a abundância do que a escassez. Nesse sentido, Roger Schmidt, tendo à sua disposição um lote alargado de atletas, pode tomar as suas decisões fundamentadas no trabalho de cada um deles no dia adia, e assim ir filtrando o plantel que pretende. Para quem vem de fora, talvez seja uma vantagem.
Haverá certamente casos que já estão definidos na cabeça do técnico alemão, faltando que o timing dos mercados permita encontrar saídas que agradem simultaneamente a jogadores e clube. O mercado de transferências só encerra no final do próximo mês (absurdo que persiste), pelo que as melhores soluções podem não ser imediatas. Além de que teremos de jogar a qualificação da Champions, toda ela dentro dessa janela temporal. E apurarmo-nos ou não para a fase de grupos será tudo menos indiferente.
Quanto a entradas, pela estratégia seguida até aqui (reforços cirúrgicos e foco na componente desportiva) não me parece que o Benfica venha a contratar muito mais. Talvez dê apenas um ou outro retoque no plantel, de acordo com aquilo que os trabalhos de pré-temporada forem evidenciando. Como treinador de bancada, e sabendo que Schmidt usa frequentemente duplo pivot defensivo, gostaria de ver entrar um médio robusto capaz de dar músculo a essa posição. Cada adepto terá as suas ideias. As que contam são as do treinador, dentro da estratégia definida pelo clube.
Nos próximos dias, os testes algarvios diante de Nice e Fulham vão ajudar a perceber melhor o perfil deste Benfica 2022-23. Dentro de vinte dias esperar-nos o primeiro compromisso.
A hora é de definições. E também de muita esperança."
Luís Fialho, in O Benfica
Benfica: imenso e solidário
"O futebol é uma indústria imensa e importante que ultrapassa amiúde os seus próprios limites. A universalidade do grande jogo das paixões é geográfica, social, étnica e por aí fora. Não há espaço, vivência ou qualidade humana onde falte a bola mágica, desde a mais tenra idade aos últimos dias. O futebol é pertença, identidade, conquista e partilha. É desporto e espetáculo, prática e afeição, saúde física e mental, lazer e competição. Enquanto presença constante e universal na vida humana é natural que salte bem para lá das quatro linhas e toque muitas das dimensões da nossa vida em sociedade. Por isso, cada vez mais se reconhece ao futebol a capacidade de ser instrumental para o desenvolvimento humano em domínios tão dispares como a acção humanitária, o combate ao abandono escolar, a educação para a cidadania, a integração de pessoas com deficiência, o envelhecimento ativo, a educação ambiental, a reflorestação, o apoio a refugiados, a cooperação norte-sul, o combate à pobreza e exclusão ao racismo, xenofobia, homofobia e tantos, tantos outros...
Os clubes de futebol são por isso cada vez mais importantes atores da sociedade civil e parceiros sociais incontornáveis nos países desenvolvidos. Em Portugal o Benfica foi, uma vez mais, pioneiro e criou uma fundação para que a sua dimensão colossal pudesse ser posta ao serviço da sustentabilidade e da responsabilidade social. São já 13 anos de trabalho e envolvimento de atletas, colaboradores e adeptos, por isso impressionam os resultados e o tamanho da obra social do Benfica que merece, por direito próprio e inquestionavelmente, esse prémio da Fundação do Futebol/Liga.
Obrigado, benfiquistas!"
Jorge Miranda, in O Benfica
André Almeida | Uma águia na pré-reforma
"O Que É Que Achas Que A Direção Das Águias Devia Fazer Em Relação Ao Jogador?
O Sport Lisboa e Benfica, bem como outros clubes, têm, naturalmente, um plantel mais alargado e vão, no decorrer do mercado de transferências, emagrecendo o número de jogadores que os representarão na temporada.
Pois bem, não é segredo nenhum que o SL Benfica tem muitos (mesmo muitos) jogadores excedentários, contudo, hoje falaremos de um que poderá ser visto como polémico.
Longe da sua melhor forma física, André Almeida já há muito que não tem qualidade, se é que alguma vez a teve, para envergar a camisola do SL Benfica. É simplesmente vergonhoso que se continue a pagar cerca de 1,2 milhões anuais a um atleta que claramente não tem andamento.
De encarnado, “Almeidinhos” apresenta um palmarés invejável. São cinco campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal, quatro taças da liga e uma Supertaça num currículo 100% benfiquista.
Disputou um total de 305 jogos, até ao momento, e marcou 11 golos, fazendo ainda 41 assistências. Chegou até a ser internacional português e convocado para o Campeonato do Mundo do Brasil 2014. A minha questão é: Como?
Nunca reconheci o talento necessário a André Almeida para envergar o “Manto Sagrado”, quanto muito servia para ser uma segunda opção, mas daquelas em que se reza a todos os santinhos para que não seja preciso. Um lateral completamente banal e previsível, que não é particularmente importante e decisivo nem no plano ofensivo nem defensivo.
André Almeida é apenas mais um. Sempre o foi, mas lá se foi aguentando e ganhou relevância dentro do seio da equipa, o que lhe valeu uma carreira de sonho como um dos capitães do Sport Lisboa e Benfica.
Acredito e reconheço que André Almeida possa ter um papel importante dentro da equipa e que seja um dos líderes do balneário, até porque é um dos capitães, mas se é apenas para isso, arranjem lá um lugar na estrutura ao homem e abram vaga para quem ainda tem andamento para isto do futebol.
Com “apenas” 31 anos, André Almeida é um jogador acabado e que simplesmente não tem ritmo para continuar a competir, pelo menos no SL Benfica. As ausências de propostas de outros clubes também indicam que a sua carreira estará em vias de terminar.
André Almeida tem contrato com o SL Benfica até junho de 2023, e acredito que ainda fique no plantel esta temporada, não acredito é que tenha minutos reais de jogo. Roger Schmidt lá deve arranjar um lugar para o lateral nos treinos e poderá dar-lhe uns minutos num jogo qualquer da Taça da Liga, mas não muito mais que isso.
Creio que a melhor solução para o SL Benfica seria arranjar um lugar para André Almeida na estrutura do clube, porque não lhe nego a importância que tem, só não concordo é estar a pagar um salário milionário a um jogador que não o é realmente.
No caso de pretender continuar a jogar, tem sempre a opção de rescindir e seguir a sua carreira noutro lugar. Ah, e nesse caso que leve o Pizzi. Obrigado."
Subscrever:
Mensagens (Atom)











