Últimas indefectivações

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

As intermitências da bola


"Como tem sido mais comum que o imaginável, o Benfica entrou a perder com o Santa Clara, mas cinco minutos de luz na 2.ª parte bastaram para dar a volta (2-1), num jogo em que a qualidade da equipa de Veríssimo foi inconstante

Como um candeeiro com um chato fio com mau contacto, o Benfica às vezes tem luz. Outras vezes não. Este sábado, frente ao Santa Clara, chegou a segunda vitória seguida na liga (2-1), um triunfo que até aproxima os encarnados do 2.º lugar do Sporting, mas o Benfica andou assim, intermitente, umas vezes com luz, outras vezes no escuro, amarrado.
Acontece que nos poucos minutos em que os fios que ligam os encarnados estiveram conectados, apareceram dois golos que deram a volta a um resultado que ao intervalo pejava todos de surpresa: o Santa Clara ganhava, tinha quatro remates enquadrados, enquanto o Benfica, apesar de uma bola ao poste de Vertonghen, nem por um momento havia colocado um pontapé entre os postes.
Darwin ligou o interruptor duas vezes, bisou pela sétima vez no campeonato, e isso chegou. Mas não chegará sempre.
A repetir o onze que lhe deu uma vitória tranquila em Tondela, Veríssimo apostava numa estabilidade que tem faltado aos encarnados. Mas se o Benfica até começou bem, a levar muita gente para o ataque – Darwin desmarcou-se bem aos 17’ e ficou perto e dois minutos depois Vertonghen rematou ao ferro -, o golo do Santa Clara funcionou como uma espécie de apagão. Aos 20’, os açorianos fizeram aquilo que estava a faltar ao Benfica: calma nas transições, eficácia nos passes. Numa jogada rápida, Rui Costa apareceu sozinho, fugiu bem à defesa, permitindo a defesa de Vlachodimos no remate. Mohebi estava lá para a recarga.
E daí até ao intervalo o que se viu foi um Benfica desligado, sem opções. Sem fios eléctricos que se unissem na procura da luz. O Santa Clara fechou bem atrás e a equipa da casa mastigou o jogo, previsível, lento. Não tardaram a aparecer as bolas despejadas na área, com Darwin perdido entre os centrais – e assim, pela terceira vez seguida em casa, o Benfica foi a perder para o intervalo.
Ganhar o jogo exigiria mudanças, alterações essas que Veríssimo ainda demorou a fazer. Mas quando aconteceram, o Benfica finalmente iluminou-se. Aos 57’ saíram Everton e Paulo Bernardo, dois dos mais apagados da 1.ª parte, com o treinador encarnado a lançar Taarabt e Yaremchuk, colocando Darwin mais à esquerda.
O efeito foi praticamente imediato. Aos 60’, uma infelicidade de Villanueva abriu as portas à reviravolta: o venezuelano escorregou e na queda tocou no pé de Rafa, que estava até de costas para a baliza, à entrada da área. Na grande penalidade, Darwin fez o empate.
Era a fase de maior fulgor do Benfica e dois minutos depois a velocidade de Rafa na linha combinou com Yaremchuk, com o ucraniano a cruzar e a encontrar Darwin sozinho ao segundo poste. Com a baliza à mercê, o uruguaio encostou para o 2-1 – os fios finalmente pareciam estar ligados para os encarnados.
Mas logo a seguir ao golo, e apesar de ser sua a posse, o Benfica voltou a um lusco-fusco molengão, baixando o ritmo, demasiado cedo quando do outro lado estava uma equipa que tinha mostrado na 1.ª parte muita competência em lances de transição rápida. O jogo passou então a jogar-se fora do último terço de ambas as equipas, com o Benfica a arriscar nos últimos minutos, permitindo demasiada bola ao Santa Clara, que, ainda assim, não conseguiu criar oportunidades no 2.º tempo.
Fica a vitória e os três pontos, importantes numa jornada em que ambos os rivais da frente se empataram. Mas o jogo do Benfica foi uma permanente intermitência. Quando houve luz, os encarnados conseguiram resolver. Mas fica a sensação que um dia o candeeiro pode não ligar de todo."

Darwin nas asas de Taarabt e Rafa


"O Benfica regressou às vitórias em pleno estádio da Luz e certamente tirou um peso de cima por ter conseguido duas vitórias seguidas quando está para chegar um embate importante com um Ajax que promete causar problemas.
Num jogo onde o Benfica até não entrou mal e chegou até a desenhar algumas jogadas dignas de registo, o Benfica voltou a sofrer um golo que deixou a equipa do Santa Clara em vantagem e que fez com que o coletivo do Benfica animicamente acusasse a contrariedade e deixasse de criar ou até construir.
Se até a este jogo Nelson Veríssimo tinha sido alvo de críticas no sentido em que mexe mal na equipa e que normalmente as substituições até pioram o jogo coletivo, a verdade é que ontem mexeu e bem no 11 com a entrada de Adel Taarabt e Roman Yaremchuk nos primeiros minutos da segunda parte.
Rafa tem perdido destaque no modelo de jogo de Veríssimo por ter de jogar mais por fora e como um verdadeiro extremo algo que Rafa acaba por não ser. Ontem o Benfica precisava da sua velocidade e capacidade para desequilibrar tanto em espaços curtos como nas costas da defesa e a maneira que o mister arranjou disso acontecer foi meter Taarabt em campo.
Taarabt é um jogador de risco. Para o bem e para o mal. Consegue ver o que ninguém vê e tem lances de génio. Seja em passes fantásticos, seja em condução/progressão com bola. Mas parece que não consegue perceber quando é altura de arriscar e quando é momento de jogar seguro. O marroquino joga em constante vertigem que ou corre bem e descompensa o adversário, ou corre mal e expõe a sua própria equipa.
No entanto, o Benfica precisava de alguém com ideias para entrar no bloco do Santa Clara e Adel entrou e em poucos minutos participou em várias jogadas que levaram o Benfica a dar a volta ao resultado. Rafa foi quem mais ganhou com a entrada do médio criativo ao ser solicitado como tanto gosta, com espaço e na profundidade. Vimos na segunda parte do jogo um Rafa que ainda não tinha aparecido com Nelson Veríssimo.
O próprio Gonçalo Ramos também poderia continuar a sua senda de golos a passe de Taarabt.
Posteriormente, o marroquino voltou a perder algumas bolas quando já era momento de ter posse e não de arriscar e causou algumas dificuldades ao Benfica. Não é defeito, é feitio mas ontem… resolveu!"

BnR: Santa Clara...

Bigodes: Santa Clara...

Fura-redes: Santa Clara...

Objectivo cumprido


"Sábado de feição na Luz, no Estádio e pavilhões, com vitórias em futebol, basquetebol, hóquei em patins, futsal e voleibol (feminino). Hoje há mais Benfica para apoiar!

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"O objetivo era ganhar, conseguimos", resumiu Nélson Veríssimo. Num jogo em que a nossa equipa entrou muito bem, dinâmica, pressionante e capaz de criar três boas oportunidades de golo, foi o Santa Clara quem se adiantou no marcador, na primeira vez que se acercou da nossa baliza, por volta dos 20 minutos. Na opinião de Veríssimo, esse revés fez com que a nossa equipa ficasse "um pouco intranquila" até ao intervalo. O descanso foi, segundo o nosso treinador, importante no decurso da partida: "Mostrámos aos jogadores o que tínhamos de melhorar. Na segunda parte fizemos um belo jogo, sempre na perspetiva de ir buscar o resultado. Fizemos dois golos em pouco tempo, podíamos ter dilatado a vantagem, tivemos oportunidades para isso."
Com esta vitória reduzimos a diferença pontual para os nossos adversários diretos. "O pensamento tem de ser jogo a jogo visando chegar ao primeiro lugar, mas antes há que chegar ao segundo. Era importante encurtar distâncias", salientou Veríssimo.

2
Darwin esteve em grande destaque, ao bisar no jogo. Soma 18 golos na prova e é líder destacado dos melhores marcadores. Instado a comentar as incidências do jogo e o seu desempenho, o jovem uruguaio optou por, em primeira instância, valorizar o coletivo: "Estou muito contente pela vitória e pela entrega da equipa. Agora é continuar a trabalhar e pensar no próximo jogo", disse.
Nota para o facto de Darwin ter marcado pelo quarto jogo consecutivo e de ter conseguido um bis pela sétima vez na presente temporada, aos quais junta dois hat-trick.

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O dia foi preenchido com várias vitórias, mas também um desaire inesperado, apesar de ter sido na casa de um forte opositor.
Começando pelo que nos trouxe alegria, além do já mencionado triunfo ante o Santa Clara, vencemos, nos masculinos, a Ovarense em basquetebol (86-64), a Oliveirense em hóquei em patins (7-2, com um poker de Diogo Rafael) e o Lusitânia para a Taça de Portugal de futsal (4-2, com um bis do estreante internacional brasileiro, Rocha). Entre as equipas femininas, celebrámos vitórias em andebol (26-24 ao Maiastars), futsal (2-5 no Vermoim) e voleibol (3-0 ao Aves).
Em sentido contrário, tivemos a eliminação da Taça de Portugal de futebol na vertente feminina. As campeãs nacionais em título e líderes da classificação foram a Braga focadas na passagem da eliminatória, mas a ineficácia penalizou-as ante um adversário que jogou muito recuado e apostou sobretudo no contra-ataque. O forte ímpeto ofensivo em busca da reviravolta no marcador foi bem explorado pelo nosso adversário, numa manhã em que nada correu bem à nossa valorosa equipa.

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A intensa atividade desportiva deste fim de semana continua hoje e com alguns jogos de elevada dificuldade.
É o caso do SL Benfica–FC Porto em andebol, agendado para as 18h30, na Luz. O técnico Chema Rodríguez considera que se trata de uma "partida complicada" e apelou à presença dos benfiquistas no pavilhão: "Espero que, uma vez mais, venham apoiar-nos. O que posso garantir é que vamos ser uma equipa que vai lutar e trabalhar muito para que se sintam orgulhosos."
Antes, relativamente às modalidades de pavilhão, há o Benfica–Esmoriz, em voleibol (14h30), o Benfica–Porto Vólei, em voleibol feminino (18h00, no pavilhão do Clube Nacional de Ginástica), o Benfica–Olivais em basquetebol feminino (16h30) e o CACO–Benfica, em hóquei em patins feminino (15h00).
E o futebol de formação também tem agenda cheia, com o Covilhã–Benfica B (14h00) e o SL Benfica–FC Porto nos Sub-19 (16h00). Esta manhã fomos derrotados em Portimão, nos Sub-23."

Sumário!


"Beneficiados pela arbitragem ✔
Agressões de apanha bolas e elementos da organização ✔
Roubo de carteiras e telemóveis a dirigentes ✔
Publicação do crime com orgulho ✔
Balas em campo ✔
Polícia do FC Porto submissa e conivente ✔

Meus senhores, eis o Futebol Clube do Porto!"

A Arte do ADN à FC Porto


"Um filme com 40 anos patrocinado pela Liga Portugal, Federação Portuguesa de Futebol, Conselho de Disciplina e Justiça portuguesa."

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Um filme com 40 anos. ❤️…


Carnage! - com sotaque!

Infiltrados benfiquistas?!

Cumprimentos?!

Vermelhão: O mais importante: vencer!

Benfica 2 - 1 Santa Clara


Foi complicado, mas somámos mais 3 pontos!!! Sinceramente não me recordo da última remontada... Com os níveis de confiança em baixo, este tipo de reviravoltas são fundamentais, para os jogadores mas também para os adeptos recuperarem a confiança na equipa...

Começamos bem, a pressionar, com intensidade, mas desperdiçamos várias oportunidades... Na primeira vez que o Santa Clara atacou com perigo, marcou, e o Benfica ressentiu-se! Até ao intervalo, foi mesmo os Açorianos a criarem mais duas oportunidades...
No 2.º tempo voltámos a entrar com intensidade, e em 2 minutos tudo mudou: um penalty claro sobre o Rafa e logo depois novo golo do Darwin... Tudo isto, pouco minutos depois da entrada do Yaremchuk e do Taarabt (fundamental nos dois golos!) em campo!!!
Podíamos ter marcado o terceiro, mas com algum nervosismo, acabámos por gerir a vantagem mínima até ao final, sem grande perigo a rondar a baliza do Ody...

Pela primeira vez, o Veríssimo repetiu o onze inicial, e isso é importante... Mas, a pressão do Santa Clara, acabou por demonstrar os problemas nas transições defensivas do Benfica, a falta de velocidade na zona central da defesa, é um problema grave...

O Malheiro tentou 'deixar' jogar, mas 'exagerou'!!! As faltas assinaladas ao Benfica, na pressão alta, e a não marcação da falta sobre o Paulo Bernardo, pelo Morita, pouco antes do golo do Santa Clara, é demonstrativo, do duplo critério!!! Mas mesmo assim, marcou um penalty a favor do Benfica, e até mostrou Amarelos aos nossos adversários ainda na 1.ª parte, algo raríssimo no Tugão!

Agora, é recuperar o Gilberto e o João Mário, e preparar o jogo do Bessa, que será complicado, como a Taça da Liga provou, mas desta vez, temos o Darwin, que continua a marcar... Se formos ao Bessa a pensar no Ajax, não ganharemos!!!

Bem jogado!

Benfica 7 - 2 Oliveirense

Talvez, o melhor jogo da temporada! Bem a defender, e eficazes no ataque, com muita intensidade... e ainda com um jogador a ser agredido, e como consequência, levou Azul!!! Não tinha nada que meter a cara no cotovelo do adversário!!! E ainda, um penalty 'mistério' marcado contra o Benfica...!!!

Em frente na Taça...

Benfica 4 - 2 Lusitânia

Ressaca complicada do Europeu, com algumas ausências, e muita areia na engrenagem, após um meio de paragem!
Destaque total, para os dois golos, para a nova contratação: Rocha, veio para o lugar do Fits, e confirmou que é mesmo reforço!

Regresso às vitórias na Liga...

Benfica 86 - 64 Ovarense
26-15, 11-17, 31-14, 18-18

Hoje a 'branca' foi o 2.º período, mas reagimos, e vencemos com alguma tranquilidade...
Destaque para o regresso do Gameiro, que antes da lesão, estava no melhor momento da época.

Eliminação da Taça...

Braga 4 - 0 Benfica


Derrota pesada, num jogo onde sofremos um golo de entrada (frango da Vilão... mais um!), o que mudou a dinâmica do jogo, ficando o Braga a jogar com linhas muito baixas e a apostar tudo no contra-ataque! Com o Benfica a demonstrar mais uma vez, a falta de uma ponta-de-lança... Nos últimos minutos, com as substituições, arriscamos tudo, e acabámos por sofrer mais dois golos...
Pelo meio, muita porrada! Inacreditável a quantidade de porrada que as jogadoras do Benfica levaram, quase sempre sem punição... muitas vezes nem falta era marcada! A Sandra Bastos não pode apitar jogos do Benfica... A diferença para a árbitra francesa do jogo em Alcochete para hoje foi abissal!!!

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Voltar a vencer


"Vencer o Santa Clara é o desafio que se coloca hoje, mas há mais, num fim de semana de restabelecimento da utilização plena da lotação dos pavilhões. Fica ainda o convite para visitar a página oficial do Benfica Campus no Instagram, dedicada ao futebol de formação benfiquista.

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A nossa equipa regressa hoje à Luz (18h00) com o intuito de vencer e dar assim continuidade ao triunfo e boa exibição conseguidos em Tondela na jornada passada. O adversário é o Santa Clara, que nas últimas cinco jornadas não perdeu, vencendo em três, e já bateu FC Porto (Taça da Liga) e Sporting (Campeonato) na presente temporada.
Nélson Veríssimo reconhece o valor do adversário e assume que o objetivo para este final de tarde é "fazer um bom jogo e ganhar". "Muito respeito pela qualidade do Santa Clara, mas temos de olhar para o nosso jogo e dar continuidade ao que fizemos com o Tondela", frisou.

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Na fórmula para a vitória, há uma variável sempre imprescindível: os Benfiquistas. "Contamos com o apoio de todos os nossos Sócios e adeptos para contribuírem para os nossos objetivos", relembrou Veríssimo.

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A tão aguardada notícia da utilização máxima da lotação dos pavilhões finalmente chegou, num fim de semana repleto de jogos das nossas equipas na Luz. Hoje há partidas com a Ovarense em basquetebol (16h00), Oliveirense em hóquei em patins (20h00) e Lusitânia em futsal (21h30). O acesso é gratuito para os Sócios do Sport Lisboa e Benfica. Mas a primeira sessão da tarde tem início às 14h30, com a nossa equipa feminina de voleibol, embalada pelo excelente triunfo, por 3-0, ante o AJM/FC Porto anteontem, a defrontar a sua congénere do Aves para a Taça de Portugal.


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Já podemos acompanhar o dia a dia do Futebol de Formação no Benfica Campus. A página exclusivamente dedicada ao Benfica Campus é uma oportunidade de testemunhar diariamente o futebol do futuro, acompanhar a evolução e o crescimento dos jovens jogadores e um acesso privilegiado aos segredos do trabalho de referência desenvolvido pela estrutura de formação do Clube. Não deixe de seguir!"

5 hipóteses para comandar o SL Benfica


"Querias ver algum destes nomes na Luz?

Os últimos 16 campeões da Primeira Liga portuguesa foram portugueses. Os treinadores, leia-se. O último estrangeiro que conseguiu ostentar faixas foi Co Adriaanse, em 2006.
Desde aí, todo e qualquer estrangeiro com ambições de título falhou clamorosamente – o mais destacado Julen Lopetegui, impotente perante o mecanizado SL Benfica da primeira passagem de Jorge Jesus.
Este cenário-regra do novo milénio é um contraste perante o que aconteceu no século passado, onde o futebol português se desenvolveu principalmente, até aos anos 90, devido a influência de noções estrangeiras e revoluções ideológicas, a última palpável a de Eriksson quando chegou, em 1982.
Provocou ondas de choque pelos métodos inovadores que vieram cortar por completo com o arcaísmo ainda praticante nesse futebol – apesar de Pedroto já então se revelar um nível à frente dos demais.
Foi natural esta predisposição portuguesa em confiar mais no conhecimento vindo de fora. Nos inícios do desporto, as mais temíveis equipas no território eram formadas por ingleses – e essa noção de inferioridade entranhou-se na consciência coletiva.
Noção suportada pelas pesadas derrotas que a seleção nacional sofria de quando em vez: como os 9-0 em Chamartín na Qualificação para o Mundial de 1934, ou a maior derrota de sempre, admoestada pelos mesmos ingleses, um 10-0 no Jamor de comer e chorar por mais.
Essas hecatombes proporcionaram desde muito cedo a urgência em entregar o destino das equipas a técnicos originados noutros contextos competitivos, sendo o treinador português olhado como menos informado – uma completa oposição aos tempos atuais.
O SL Benfica sempre teve tendência para escolher o treinador estrangeiro – preferencialmente húngaro (nacionalidade de nove dos primeiros dez campeões da Liga!) ou inglês.
Do primeiro leque foram seis (Janos Biri, Hertzka, Guttmann, Czeizler, Baróti e Csernai) que acumularam ao todo 734 jogos ao leme das águias; os segundos, quatro (Artur John, Ted Smith, Hagan e Mortimore), que somaram entre eles 477 aparições.
Aliás, até à chegada de Jorge Jesus, em 2009, Mário Wilson e Toni eram os dois únicos treinadores nacionais campeões na Luz – ou seja, apenas três de 31 campeonatos conquistados tinham sido assinados por portugueses.
Desde então já assinaram Jesus, Rui Vitória e Bruno Lage, com a tendência a acentuar-se quanto mais a preferência se mantiver.
Contudo, imaginemos que Rui Costa valoriza a tradição – apenas 34 das 86 edições da Primeira Liga foram ganhas por portugueses, e 18 delas foram já neste século XXI – e pensa em alguém de fora para assumir a equipa em 2022-23.
Que opções tem ele à disposição? Quem é a mais acertada? Tentamos ajudar ao propormos cinco nomes com capacidade suficiente para escrever o seu nome na estatística nacional.

1. Jesse Marsch
Tropeçou ao subir o degrau de Salzburgo para Leipzig, mas o legado deixado na Austria não permite qualquer desvalorização do seu génio.
Um dos antecessores de Jaissle, prima pela mesma visão futebolística e os números sustentam essa filosofia – o seu Salzburgo marcou 290 golos em 94 jogos sob suas ordens, o que significa média de 3,08 por partida.
Uma barbaridade alicerçada pela conquista de dois títulos de campeão nacional e duas Pokals no mesmo número de anos.
Dominou o contexto interno pondo em prática as noções vertiginosas do gegenpressing – a pressão orientada, a necessidade de marcar dentro de dez segundos após recuperação da bola e daí a obsessão pela verticalidade, a exploração histérica do espaço e da profundidade em detrimento da combinação curta.
Em Portugal, apaixonaria certamente os mais sedentos de vertigem e nota artística.
Neste momento, Marsch continua à procura do desafio certo. Depois de ter sido associado a Mónaco – que preferiu Philippe Clement – ou Everton, as últimas notícias sobre si vêm de Leeds, onde se diz ser um dos nomes prontos caso Bielsa abandone o barco.

2. Diego Martínez
O trabalhão feito no Granada – levou a equipa da Segunda Liga aos Quartos da Liga Europa – assentou sobretudo em ideais menos vistosos que o da escola Red Bull, ainda que os princípios sejam semelhantes.
Alinhando em 4-2-3-1, Diego incutiu a defesa alta – com Domingos Duarte a comandar – que permitia uma pressão a toda a linha, incitando á recuperação rápida e eficaz do esférico.
Com ele, porém, não havia pressa e a intenção era criar superioridades a todo o campo, em especial procuradas nas alas pela associação entre interior, extremo e lateral, projetado pelo início de construção a três.
A incorporação de muita gente em zonas de finalização confirmava as intenções de compactação do bloco em todos momentos, permitindo à equipa ser equilibrada e disputar o jogo com todos, dentro e fora de portas. Diego saiu do clube no último Verão e encontra-se ainda livre.

3. Paulo Fonseca
Apesar de ter levado o Paços de Ferreira a uma impensável qualificação para a Liga dos Campeões, não estava ainda preparado para um “grande” português. O tempo mostrou que não era por falta de competências futebolísticas, talvez pelo estilo de liderança.
Deu um passo atrás, repensou estratégias e as passagens por SC Braga (onde conquistou uma Taça de Portugal) Shakhtar (sete títulos) e AS Roma (meias-finais da Liga Europa) provaram que as boas indicações iniciais não eram sorte de principiante – Paulo Fonseca sabe como trabalhar uma equipa, principalmente do ponto de vista ofensivo.
Ensina como poucos a gestão da posse de bola e a descoberta de caminhos para o golo, sempre de forma criativa. Chegaria à Luz pronto a apagar da memória coletiva a passagem menos positiva pelo Dragão e isso, por si só, seria determinante fator de motivação.

4. Matthias Jaissle
Aos 33 anos, é o primeiro a comandar uma equipa austríaca na fase a eliminar da Champions League.
O último prodígio a sair da linha de montagem da escola Red Bull, formatado pelos ideiais de Ralf Rangninck: o 4-2-2-2, o gegenpressing, a verticalidade, a urgência na chegada á baliza adversária numa atitude obsessiva perante o golo.
Com Domenico Tedesco a consolidar-se no clube mãe, Jaissle é obrigado a esperar – e, por isso, está à mercê de potenciais interessados num dos mais promissores treinadores do futebol europeu.
Sevilha, Wolfsburgo e Lille viram-se aflitos para manietar o hiperactivo Salzburgo, que do 4-2-2-2 se desdobra numa multitude de sistemas que se adaptam a cada adversário.
Os dois ‘10’s baixam para formar duas linhas de quatro, um dos ‘8’s sai na pressão e a equipa organiza em 4-3-1-2, um dos avançados baixa em apoio desalojando o central adversário – que verá Adeyemi a explorar-lhe as costas e a ir supersónico para o golo.

5. Graham Potter
A maleabilidade tática que apresenta no surpreendentemente positivo Brighton – onde é uma das sensações da Liga fora dos Big 6, ao lado de Lage – adquiriu-a de forma proporcional à coragem e audácia que demonstra no comando da sua própria carreira profissional.
Em 2011 aceita o convite do Ostersunds, que tinha caído á 4ª divisão sueca e é com eles que interpreta o mais realista ‘save’ de FM dos últimos tempos, com três promoções quase consecutivas e a chegada à elite nacional, à Allvenskan, em 2016. Primeiro ano entre os melhores? 8º posto na tabela e conquista da Taça nacional.
Ano seguinte? Ultrapassa Galatasaray, PAOK ou Herta de Berlim para chegar á fase a eliminar da Liga Europa, onde caiu aos pés do Arsenal não sem antes vencer no Emirates a segunda mão. Além da competência técnico-tática, sobressaiu na gestão de recursos humanos e foi assente nessas suas qualidades que também baseou o sucesso na Escandinávia: em Ostersund, a 550 quilómetros de Estocolmo, o evento desportivo com mais espectadores era normalmente o snowcross.
O futebol, jogado na Jamtkraft Arena, puxava apenas umas poucas centenas. A queda da equipa não incendiava qualquer paixão nos habitantes locais – até chegar Graham e os métodos pouco convencionais, que se caracterizaram pelo uso da Arte para potenciar o lado humano dos jogadores e a união entre plantel e população.
Concursos de dança, concertos ao vivo, workshops de teatro – os jogadores eram constantemente expostos a situações fora da sua zona de conforto para maximizar a coragem e subverter quaisquer complexos na perfomance em público. Retumbante."

Marco Pina disse tudo


"O que se passou hoje no Dragão não pode passar impune. É IMPERATIVO existirem medidas exemplares para se colocar termo a esta pouca vergonha que vem acontecendo naquele antro, jogo após jogo, ano após ano.
Se os agentes desportivos que regem o futebol português ignorarem o que hoje se passou e colocarem um pano sobre este escândalo mundial, protegendo o FC Porto, então o futebol português bem que pode acabar, pois não faz qualquer falta ao mundo e ao desporto em geral."