Últimas indefectivações

terça-feira, 24 de novembro de 2020

Aquela tarde solheira do Lumiar


"Natural de Vila Real de Santo António, Mário da Rosa chegou ao Benfica em 1938 vindo de Casablanca, para onde os seus pais tinham emigrado. Nunca foi um guarda-redes titular indiscutível, mas merece o seu espaço nestas páginas que procuram que nenhum daqueles que se bateram de águia ao peito caia no poço do olvido

Terça-feira, 20 de Junho de 1945. A revista Stadium, uma publicação verdadeiramente revolucionária para a época sobretudo pelo descaramento com que enchia as primeiras páginas com imagens extraordinárias, ocupando-as de alto a abaixo com as grandes figuras do fim de semana, fosse em que desporto fosse, recusando as grilhetas do futebol, apresentava a fotografia do herói do dérbi entre Sporting e Benfica. A legenda dizia: 'Rosa, keeper do Benfica cuja exibição no domingo passado foi o melhor factor para a vitória do seu clube'.
Rosa: Mário da Rosa Gomes, nascido no dia 25 de Abril de 1917, em Vila Real de Santo António. Não tenho falado muito dele nestas vossas páginas, e a falta é minha. Ao fim de mais de dez anos seguidos a torturar os estimados leitores com episódios soltos da história do Benfica e daqueles que vestiram a camisola rubra de águia ao peito, já era altura de me penitenciar pela ausência de vários deles. Chegou a Lisboa em 1938 para tentar a sua sorte no Benfica e foi ficando. Foram nove épocas de enfiada, e não há muitos que se possam gabar de tanta resiliência.
Não se pode dizer que tenha sido um titular firme. Houve épocas em que foi pouco utilizado. Mesmo muito pouco utilizado.
Nascido lá nesse canto lusitano do sudeste, Espanha quase já, onde existe precisamente um Lusitano, o Lusitano de Vila Real de Santo António, Rosa nunca vestiu a camisola daqueles que muitos, por brincadeira, chamam o Zulitano. Foi cedo para Marrocos, com os pais. Viveu em Casablanca, tentou a sua sorte em clubes sem grande expressão como o Roches Noires e o Union Sportive, foi-se enrijando com os voos temerários em terra batida, rasgou os cotovelos ao ponto de deixar de dar importância às cicatrizes que se acumulavam, apaixonou-se pelo jogo dos ingleses a ponto de desejar mais e mais e mais.

Lisboa!
O seu mais e mais e mais estava em Lisboa. Era o Benfica. Foi lá que se tornou famoso, mesmo que sem ter sido, como deixei registado, um titular daqueles à séria que não havia treinador arrancasse de debaixo dos postes. Mas fez épocas de estalo, isso fez.
Esse jogo frente ao Sporting, a contar para a Taça de Portugal, leva o seu nome registado numa placa de prata, mesmo nestas linhas. A partida teve lugar no dia 17 de Junho. Os jornalistas da Stadium tiveram tempo de sobra para digerir tudo o que se passara. No Stadium do Lumiar, o Benfica impusera-se por 2-1, com golos de Alcobia e Julinho, que chegaram ao 2-0, sendo depois Rosa batido por um pontapé venenoso de Jesus Correia.
Pelo meio, o Mário de Vila Real de Santo António agarrou a oportunidade de ficar para a história, ignorando a violenta ventania que soprava nos céus do Lumiar. 'Bem sabemos que a luta exerce grande atracção no jogador. Mas isso não destrói aquela afirmação de haver uns mais bem preparados para ela do que outros em determinadas situações. Por isso se exige ao praticante disciplina de vida e preparação cuidadosa, não só para ele poder suportar sem prejuízo os grandes esforços, mas ainda para durar o mais possível. E jogos como o que se disputou, no passado domingo, no Lumiar causam desgaste físico evidente. Por isso não é de somenos citar Rosa como aquele que, acima de todos, manteve a frescura e a concentração necessárias para uma exibição sem mácula, servindo de pilar para toda a construção defensiva da equipa do Benfica', escreveu o enorme Tavares da Silva, mestre de mestres.
O jogo foi duro, agressivo. Não estivessem frente a frente os dois grupos portugueses cuja rivalidade se instala por todo este país que é o que o mar não quer, como dizia Ruy Belo, um dos desiludidos da vida-vidinha inventada por Alexandre O'Neill. Rosa foi imperial, a sua tranquilidade espalhou-se pelos companheiros como um contágio. Terá sido a sua melhor exibição com a águia pousada em cima do coração? Muito provavelmente. Não apenas pelos pormenores felinos dos seus gestos, mas também por ser contra quem foi. Já era mais do que tempo de trazer Rosa para este arquivo semanal de grandes momentos e grandes personagens. Tudo fez para merecer que não caia nunca na ingratidão escura do poço do olvido."

Afonso de Melo, in O Benfica

Aceitas ser meu adversário?


"Foram vários os obstáculos que o Benfica teve de ultrapassar para se sagrar o primeiro campeão olímpico nacional de futebol

Cosme Damião tinha uma tarefa difícil em mãos, estando 'próximo do desespero'. Tinha sido encarregado pela Sociedade Promotora de Educação Physica Nacional para encontrar um clube com que o Benfica disputasse um 'match de foot-ball', incluído no programa dos primeiros Jogos Olímpicos Nacionais.
Este evento, realizado entre 25 de Maio e 29 de Junho de 1910, visava a promoção do desporto e a preparação dos atletas para os próximos Jogos Olímpicos, em Estocolmo (Suécia), através da disputa de uma série de provas. Apesar de a causa ser nobre, Cosme Damião lutava contra sérias dificuldades, devido à 'inércia d'uns, a má vontade d'outros, (e) o despeito de terceiros'. Em último caso, realizar-se-ia um desafio entre os 1.ºs e 2.ºs teams do Benfica. Felizmente, não foi necessário.
A 19 de Junho, o Benfica recebeu o Sport União Belenense, no Campo da Feiteira. Num 'costume entre nós desconhecido ainda', os capitães dos dois grupos, Cosme Damião e Francisco Bellas, e o árbitro convidaram um representante da Sociedade Promotora a dar o pontapé de saída.
Estava um intenso calor e, na primeira parte do encontro, a equipa benfiquista jogou de frente para o sol. O clube anfitrião apresentou uma equipa composta com elementos das três categorias, em substituição de alguns jogadores da equipa principal. Félix Bermudes foi escolhido para substituir o guarda-redes, 'adoecido à última hora' e, apesar de não ser essa a sua posição habitual, defendeu bem alguns remates e a primeira parte terminou sem golos.
Após o intervalo, Artur José Pereira inaugurou o marcador a favor do Benfica. Porém, numa jogada mais perigosa, Félix Bermudes, não tendo a serenidade de alguém que está habituado a defender entre os postes, saiu da 'área do goal' e permitiu a entrada da bola. O encontro foi desempatado por Cosme Damião, que marcou o golo da vitória e fixou o resultado em 2-1. Vitória que fez do Benfica campeão olímpico nacional de futebol!
O Troféu dos Primeiros Jogos Olímpicos Nacionais, o troféu de posse definitiva mais antigo do acerco do Clube, pode ser admirado na área 1 - Ontem e Hoje do Museu Benfica - Cosme Damião."

Lídia Jorge, in O Benfica

Fever Pitch - João & Markus... Alemanha!

Tempos atípicos


"Devido à pandemia, reina a incerteza em todas as atividades, incluindo o desporto, no caso com consequências na calendarização, entre outras.
As competições começarem tardiamente em relação ao habitual, um constrangimento agravado por adiamentos de jogos expectáveis, embora imprevisíveis quanto ao tempo e intervenientes, como foi o caso, no passado fim de semana, da partida de hóquei em patins da nossa equipa frente à do Famalicense, motivado pela deteção de casos de COVID-19 no nosso plantel, resultando na interrupção indeterminada dos treinos coletivos e subsequente protelamento do jogo.
Presentemente, com nove jogos disputados, ocupamos a segunda posição da tabela classificativa, a um ponto do líder Oliveirense (dez jogos), e em igualdade pontual com o Sporting (oito jogos) e Porto (dez jogos).
Quanto às restantes modalidades de pavilhão, houve a paragem do basquetebol, mas esta motivada pelos trabalhos da Seleção. Recordamos que a nossa equipa, com um jogo a menos que o líder, ocupa a terceira posição, fruto de cinco vitórias e uma derrota nas seis jornadas disputadas.
No andebol, futsal e voleibol somámos quatro triunfos ao longo do fim de semana, permanecendo invictos nos campeonatos de cada modalidade e, naturalmente, exercendo a liderança das respetivas classificações. Em andebol vencemos o Vitória de Setúbal, por 20-28. No futsal ganhámos, por 5-0, ao Caxinas, e, no voleibol, derrotámos, por 3-1, a AA São Mamede e, por 0-3, o Espinho. Registe-se, nesta última, a curiosidade do nosso treinador Marcel Matz ter liderado a equipa pela centésima vez em competições oficiais no desafio frente à AA São Mamede, naquele que foi o 92.º triunfo benfiquista sob o comando do técnico brasileiro.
Uma última nota para o sorteio realizado hoje de manhã, que coloca Benfica e Chelsea frente a frente nos 16 avos de final da Liga dos Campeões feminina [disputados a duas mãos (8/9 e 15/16 de dezembro), numa eliminatória onde o Benfica começa por receber o adversário no Benfica Campus].
O Chelsea é dos clubes que mais investem, a nível mundial, na sua equipa feminina de futebol, é considerado um dos candidatos a vencer a competição e é o campeão em título de Inglaterra, tendo conquistado três campeonatos nas últimas cinco temporadas. No seu plantel pontificam várias jogadoras da elite do futebol feminino, incluindo a recém-contratada dinamarquesa Pernille Harder, eleita a jogadora europeia do ano, assim como a melhor avançada da Liga dos Campeões na época transata ao serviço do Wolfsburgo."

Taarabt...

Benfica FM #135 - Paredes...

Porque não funcionou Ferreyra & Gonçalo Ramos?


Lateral Esquerdo, in Lateral Esquerdo

Pedro Pinto vai liderar a comunicação do SL Benfica

"O Sport Lisboa e Benfica e a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informam que Pedro Pinto assume a função de CCO – Chief Communications Officer a partir do dia 1 de janeiro de 2021.

Pedro Pinto terá a responsabilidade de liderar transversalmente toda a comunicação do Benfica.
Pedro Pinto tem uma carreira prestigiada e reconhecida de mais de 20 anos de ligação ao jornalismo e ao ensino universitário. A sua contratação reforça a estratégia de ampla transformação comunicacional que o Benfica pretende empreender.
Uma nova etapa e um novo capítulo no seu percurso profissional, que desejamos de tão elevado sucesso como aquele que foi trilhado até aqui."

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Objectivo cumprido


"Pedia-se o apuramento para a ronda seguinte da Taça de Portugal e o objetivo foi concretizado, numa partida em que a nossa equipa defrontou um adversário, o Paredes, muito organizado defensivamente. Apesar da margem mínima obtida (0-1), o triunfo benfiquista não sofreu qualquer contestação, dado o sentido único do jogo e a exclusividade das oportunidades de golo criadas a pertencerem aos comandados de Jorge Jesus.
O nosso treinador destacou a "equipa completamente diferente" lançada para o jogo, realçando que se tratou de uma boa oportunidade para testar jogadores menos utilizados em contexto competitivo.
De facto, houve três estreias absolutas pela equipa A (Daniel dos Anjos, Helton Leite e Tiago Araújo), além do lateral João Ferreira, que alinhou pela primeira vez em competições oficiais. Gonçalo Ramos fez o seu terceiro jogo oficial pela equipa A na sua ainda curta carreira como sénior, enquanto Ferreyra e Morato tiveram a sua primeira oportunidade na presente temporada, Cervi e Chiquinho a segunda e Samaris a terceira.
No polo oposto está Pizzi, um dos mais experientes no onze inicial frente ao Paredes e agora o único utilizado por Jorge Jesus em todas as partidas nesta temporada, que completou 293 jogos pelo Benfica em competições oficiais, o que o coloca na 30.ª posição, a par de Cardozo, no ranking de jogadores com mais "jogos oficiais" de águia ao peito.
Chamamos ainda a atenção para a entrevista concedida por Taarabt ao jornal "Record", em que o nosso jogador confessa que, a determinada altura da sua carreira, quase perdeu a paixão por jogar futebol, o que o fez perceber que teria de mudar a mentalidade com que encarava a profissão de jogador de futebol. Hoje, o marroquino é um exemplo de redenção, um atleta que coloca os interesses do coletivo acima dos individuais e que se empenha diariamente na perseguição dos objetivos do Clube, reconhecendo, retrospetivamente, que a vinda para o Benfica foi o melhor que lhe aconteceu.

P.S.: Depois de Telma Monteiro, foi a vez de Rochele Nunes subir ao pódio no Campeonato da Europa Seniores de judo. A atleta do Benfica conquistou a medalha de bronze, a primeira da sua carreira a nível individual num Europeu, na categoria +78 kg. Parabéns!"

Rescaldo...

Benfica After 90 - Paredes...

Criatividade Bola Parada


"Numa era em que as Organizações Defensivas conseguem colocar dificuldades tremendas à criação, por maior que seja o desnível entre oponentes, a criatividade nas bolas paradas é tantas vezes o que desbloqueia as partidas. O Benfica marcou num lance muito bem pensado e trabalhado, mas trouxe bastante mais trabalho de casa.
E o golo:


"

O 11 ideal do SL Benfica com uma defesa a três


"A atravessar um momento conturbado em termos exibicionais, o SL Benfica conta já com nove golos sofridos em sete jornadas da Primeira Liga, sendo que perdeu as duas últimas partidas.
A fragilidade defensiva dos encarnados, já visível na época passada, agravou-se com a “troca” de Rúben Dias por Otamendi. Perdeu-se um dos melhores centrais jovens a atuar na Europa, tendo vindo para o seu lugar um jogador – perdoem-me a expressão – acabado, sem condições para ser titular numa equipa com a dimensão do Benfica.
Portanto, esta semana decidimos fazer um 11 inicial do Benfica com três defesas centrais, de modo a melhorar, hipoteticamente, a estabilidade defensiva das “águias”.
O sistema escolhido é um 3-1-4-2, com um número seis mais fixo à frente da defesa e com dois médios centro – mais de ligação – à sua frente, formando um triângulo invertido no meio campo. 

Guarda redes
Odysseas Vlachodimos O grego tem sido dos menos culpados pelos golos sofridos – com exceção do terceiro golo do SC Braga -, pelo que continuará a ser a aposta na baliza encarnada.
Vlachodimos tem melhorado o seu jogo fora dos postes, quer em saídas a cruzamentos, como a controlar a profundidade nas costas dos defesas. Contudo, se quiser aumentar o seu nível de jogo, terá de melhorar rapidamente o seu jogo de pés, pois continua a falhar muitos passes.

Central direito
Ferro Um central que prometeu muito – e que muito desiludiu -, mas que acredito que ainda nos voltará a dar muitas alegrias. Na minha opinião, Ferro encaixaria bem neste sistema pelo facto de ser rápido, de ter uma boa leitura de jogo e, acima de tudo, de ter uma excelente capacidade para sair a jogar na primeira fase de construção.
Num sistema com três defesas, as suas fragilidades no 1v1 defensivo também seriam camufladas pelo facto de estar salvaguardado pelo central do meio.

Líbero 
Jan VertonghenUm senhor central. A tranquilidade que passa aos colegas e aos adeptos quando está dentro de campo são notáveis. Vertonghen, apesar de já não ter a velocidade de outros tempos, continua a ser um defesa de top mundial. Mantém sempre a compostura, tem um excelente timing na abordagem aos adversários e, também, um jogo aéreo fortíssimo.
A juntar a tudo isso, tem também uma leitura de jogo e uma capacidade de antecipação acima da média, pelo que daria um excelente líbero.

Central esquerdo
Morato Morato também encaixaria neste sistema devido à sua frieza e à sua capacidade atlética e técnico-tática. O jovem brasileiro tem vindo a notabilizar-se pela sua amplitude de recursos no que ao passe diz respeito, pois tanto tem capacidade em jogar curto como em alongar com critério e qualidade, tornando-se numa incógnita para os adversários.
Com 1,90 metros, ágil, rápido, agressivo e com uma leitura de jogo acima da média, que lhe permite antecipar-se aos adversários na disputa pela bola, Morato seria uma excelente adição ao trio defensivo das “águias”.

Médio defensivo
Gabriel Com o camisola 8, defensivamente, o Benfica tem uma capacidade de recuperação de bola mais eficaz, consistente, aliada a uma intensidade de pressão inigualável no plantel. Ofensivamente, consegue com facilidade ser uma solução de passe na frente dos centrais, onde as suas rotações de costas para o adversário são capazes de eliminar linhas de bloqueio adversárias.
Gabriel permite também um maior envolvimento coletivo em fase atacante, quer através de repentinas mudanças de flanco, capazes de desbloquear qualquer organização defensiva, quer pela procura dos laterais em fase mais avançada do terreno, potenciando toda uma dinâmica que, sem Gabriel, poucas vezes se evidencia.

Médio Ala Direito
Diogo Gonçalves Um jogador veloz e vertiginoso no momento ofensivo – capaz de fazer combinações curtas com os colegas, assim como ir à linha e cruzar -, mas que também apresenta um grande compromisso no momento defensivo, Diogo Gonçalves é o jogador ideal para fazer todo o corredor direito da equipa encarnada.

Médio ala esquerdo
Grimaldo Com um bom envolvimento no momento ofensivo, Grimaldo é, muitas das vezes, mais ala do que lateral, pelo que a posição não lhe é, de todo, estranha. Além disso, o facto de ter um grande nível de resistência permite-lhe dar, ao longo dos 90 minutos, a profundidade que a equipa precisa. 

Médio centro direito
Pizzi Com uma boa perceção de ocupação de espaços com e sem bola, assim como uma boa chegada a zonas de finalização, Pizzi tem sido um dos jogadores mais influentes do Benfica nos últimos anos, somando dezenas de golos e assistências por época. A sua incorporação num meio campo a três beneficiaria o seu jogo, visto que as suas debilidades defensivas estariam mais resguardadas.

Médio centro esquerdo
Taarabt Um jogador muito vertical, com uma capacidade de pressão incrível, tecnicamente muito acima da média e com uma visão de jogo excecional, Taarabt, à falta de um número oito puro, é a melhor opção para desempenhar essas funções. O que escrevi sobre Pizzi também se aplica ao marroquino: incorporado num meio campo a três, onde as suas debilidades defensivas estão mais escondidas, o médio poderá libertar-se (ainda) mais.

Segundo avançado
Waldschmidt Com uma capacidade de jogar entre linhas acima da média, o alemão é um dos jogadores indispensáveis de Jorge Jesus. Além disso, Waldschmidt acrescenta à sua grande capacidade de finalização uma qualidade de passe de top, tal como já demonstrou quer frente ao Belenenses, como frente ao Rangers, ao isolar, em ambos os encontros, Darwin.

Ponta de lança
Darwin Um ponta de lança completo. Rápido, ágil, boa capacidade de segurar jogo e tabelar com colegas, assim como apresenta um bom ataque à profundidade, o uruguaio foi uma grande contratação por parte das “águias”. Apesar de vir com um preço inflacionado, penso que o retorno quer desportivo, como financeiro, irá valer o investimento feito."

Miguel Oliveira e as fontes de contágio das vitórias


"Contrariamente a Miguel Oliveira, que até em pé se aguenta em cima de uma moto com mais de 150 kg, esta vossa desengonçada nem a sentar-se sorrateiramente, para se fingir rebelde, conseguiu evitar o tombo. Não tendo a memória mais precisa do mundo, já não sei apontar a idade que tinha, mas lembro-me que ainda mal chegava à altura do Evereste que a moto do meu pai me pareceu naquele dia. Na verdade, também não sei que moto era aquela, apesar de a recordar como grandalhona, preta e metálica, o que na minha cabeça era apenas sinónimo de Harley, mesmo que o veículo pudesse ser de uma marca branca de motorizadas.
Ora, inspirada não se sabe muito bem pelo quê, apanhei-me sozinha na garagem e decidi iniciar então a pesada escalada até ao Evereste do assento. À chegada ao cume, deu-se o infortúnio: tombei, eu e a amostra de Harley, com ela lamentavelmente a sair em melhor estado do que eu, já que foi o meu pé a ficar entre o esmagado e o preso debaixo do peso do metal.
Depois de muita choradeira, lá se fez o diagnóstico: um pé torcido, muitas dores e uma lição para uma criança.
Desde então, nunca mais quis saber de motos e, perdoem-me os fãs e o próprio Miguel Oliveira, não tenho nenhum apreço especial por ver MotoGP, apesar de saber, evidentemente, que a vitória deste domingo foi um feito digno dos maiores encómios para um piloto português - e foi por isso que logo se apressaram, claro está, o presidente da República, o primeiro-ministro, o secretário de Estado da Juventude e do Desporto, o líder do PSD, etc e tal, a juntar-se à festa.
Serve este longo introito sobre a minha infelicidade juvenil com uma mota e respetivas consequências - enquanto Miguel Oliveira, pelo contrário, crescia feliz entre triciclos elétricos e moto 4 - para chegar a esta meta: se não permitimos às crianças de hoje que retomem a atividade desportiva, como é que vamos ter mais exemplos como o de Miguel Oliveira no futuro?
E quem diz Miguel Oliveira diz também Telma Monteiro, Jorge Fonseca, Cristiano Ronaldo, Diogo Jota, Bruno Fernandes, João Félix e José Mourinho, só para citar alguns dos portugueses que se destacaram no desporto mundial este fim de semana.
É na juventude que estes exemplos crescem, através da prática desportiva diária, para chegar ao nível mais alto das respetivas modalidades. Mas, atualmente, as restrições impostas à atividade desportiva de formação não permitem qualquer crescimento e prejudicam gravemente uma geração de jovens portugueses, até em termos de saúde mental. E isto tudo já se sabendo entretanto que a prática desportiva, por exemplo, no futebol, não é "uma atividade de alto risco", ao contrário dos convívios familiares, apontados pelas autoridades como responsáveis por 68% dos contágios.
E das vitórias - neste caso, de Miguel Oliveira - também já há fontes de contágio identificadas: os políticos portugueses, sempre os primeiros a congratularem-se com orgulho pelas conquistas dos desportistas portugueses, com a mesma hipocrisia com que ignoram a importância da prática desportiva no crescimento dos jovens."

Educar pelo desporto


"A educação legitima-se pela transmissão de saberes e funda-se em valores. Pela sua diversidade, fazer um inventário parece-nos muito difícil. Tomando como referência a classificação do filósofo francês Oliver Reboul (Les valeurs de l’éducation, Paris, 1992), três categorias de valores emergem:
1) aqueles que se consideram como sendo os objetivos da educação, designadamente os valores para os quais ela prepara e que variam segundo as sociedades e as culturas. Neste sentido, uns privilegiam a integração no meio social, outros a autonomia individual, o espírito crítico e o sentido de responsabilidade;
2) os valores indispensáveis na organização de uma educação. Se a obediência, o respeito pelos mais velhos ou o espírito de disciplina foram durante muito tempo privilegiados, atualmente a atenção vai para a iniciativa, a criatividade ou a livre cooperação;
3) privilegia-se nesta terceira categoria os valores que servem de critério de julgamento. Para uns, é preciso privilegiar ainda mais a capacidade de iniciativa, o desenrascanço ou o espírito de equipa, enquanto que para outros é preciso aumentar a capacidade de reprodução de conhecimentos, o respeito pela troca de informações ou atingir um determinado nível de performance.
Os valores associados ao desporto, quando ele é organizado num quadro educativo, são diversos. Eles promovem um sentido, definindo as condições de exercício e de reconhecimento social. O fato de se educar não implica naturalmente valorizar certos valores, mas releva de uma escolha em função das missões atribuídas pela educação desportiva. Se é certo que o desporto se inscreve numa perspetiva educativa, as diferenças, ou as fortes divergências, podem caraterizar os fins da prática desportiva, em função dos estatutos dos intervenientes, dos modos de prática (profissional/amador, associativo/livre, etc.). Mas o “efeito camaleão” não está muito longe e não ajuda a promover a clareza. Todas as tendências podem se reagrupar em torno do campo desportivo sem que se partilhem os mesmos valores. De qualquer forma, ele é considerado como uma atividade benéfica, é utilizado para lutar contra as indelicadezas, participa na formação para a cidadania ou serve para integrar os jovens com maiores dificuldades, que são, em geral, os mais interessados por uma prática desportiva ou pelos seus espetáculos.
Os projetos de educação pelo desporto apresentam uma grande diversidade de formatos de ação, dependem das finalidades procuradas e dos constrangimentos sociais e organizacionais."

domingo, 22 de novembro de 2020

Modalidades: fim-de-semana...

Vitória em Espinho...

Sp. Espinho 0 - 3 Benfica
16-25, 23-25, 22-25

Segundo e terceiro Set, com rectas finais demasiado 'emotivas'!!!

Vitória...

Benfica 5 - 0 Caxinas

Os Caxineiros deram luta, o resultado só se avolumou nos últimos 7 minutos, até lá, estava um perigoso 1-0...!!!

Jorge Jesus e o efeito da pedra filosofal


"Jorge Jesus é um treinador que atrai grandes amores e grandes ódios. Entre todas as suas qualidades e defeitos, uma das grandes virtudes que marcou as passagens de Jesus pelo SL Benfica e pelo Sporting CP foi a sua capacidade para potenciar e valorizar jogadores. Jorge Jesus possui uma metodologia de treino e de jogo que fez evoluir vários jogadores, que seriam posteriormente vendidos por muitos milhões de euros.
Por outro lado, talvez pelo facto de confiar demasiado nas suas capacidades, Jorge Jesus também sempre teve uma certa predilecção por jogadores de qualidade “discutível”, na esperança de os poder transformar em jogadores de referência.
Ao longo dos seus anos no Benfica, viu-se ele ir contratar alguns jogadores ao futebol brasileiro que não deram qualquer retorno, tanto desportivo como financeiro. Os casos mais flagrantes como os de Bruno Cortez, Luís Felipe (que não chegaria a fazer um jogo oficial) e actualmente de Gilberto deixaram os adeptos à beira de um ataque de nervos.
A insistência neste tipo de jogadores tem sido um handicap que tem gerado várias críticas que fazem de Jorge Jesus um treinador pouco consensual, apesar dos créditos firmados. A verdade é que este acredita tanto nas suas capacidades como se tivesse uma pedra filosofal.
Segundo a história, a pedra filosofal era um dos artefactos mais procurados pelos alquimistas na Idade Média, pois esta seria capaz de transformar metais baratos em ouro. Ora, Jorge Jesus acredita que, com os seus métodos, é capaz de transformar um “patinho feio” num jogador de referência.
A aposta em Gilberto surgiu em mais um desses “devaneios” de Jorge Jesus, ainda para mais numa posição onde a equipa encarnada está carenciada desde a venda de Nélson Semedo em 2017.
Jorge Jesus tem de entender que, por muito competente que possa ser, os seus métodos não resultam em todos os jogadores, porque não só alguns não possuem as capacidades necessárias, mas também porque a componente mental é essencial no desenvolvimento de um jogador, bem como na sua adaptação a uma nova realidade."

Nené...