Últimas indefectivações

terça-feira, 26 de setembro de 2017

No Lobito, Águas de Verão...

"Após a fantástica vitória na Taça Latina, em 1950, o Benfica parte para uma digressão enorme em África, passando por Moçambique, África do Sul, Angola e Congo Belga. Trouxe de lá o seu futuro capitão.

Falemos de um Verão, agora que este está a chegar ao fim. 1950. O Benfica acabara de ganhar a Taça Latina. Primeira grande vitória internacional do futebol português. E ainda há um ou outro pacóvio mazombo capaz, por imbecilidade ou desporto, de diminuir a importância desse feito... Enfim! 'De lombo da estupidez, fez-nos Deus esses chouriços', como diria o divino Eça.
O Benfica foi primeiro o Moçambique.
Um êxito inesquecível! Tornou-se prática cortejos de automóveis seguirem o autocarro da equipa fosse ele para onde fosse.
Depois, África do Sul.
Mais de 300 automóveis formam a caravana que acompanha a comitiva benfiquista até Joanesburgo.
Um jogo apenas, com um resultado desastroso (1-5) perante a Selecção do Sul Transvaal, e nova viagem, agora para Angola, via Léopoldville, cidade para onde estava marcado o final da longuíssima digressão.
Em Luanda repete-se o quadro de Lourenço Marques. Manifestações de alegria espontânea crescem em toda a parte como cogumelos. Uma vitória sobre a Selecção de Luanda (1-0), a abrir, e assim continuou, no Lobito, em Benguela, em Moçâmedes (agora Namibe), em Sá da Bandeira (agora Lubango), em Nova Lisboa (agora Huambo) - onde os dirigentes encarnados se queixaram de uma recepção indigna por parte dos responsáveis locais -, e Silva Porto (agora Cuíto).
Por toda Angola andou a equipa do Benfica ao longo da segunda metade do mês de Agosto. Vitórias gordas - 10-1 à Selecção de Moçâmedes, 7-0 à Selecção de Sá da Bandeira, 10-3 à Selecção de Silva Porto, 5-1 à Selecção de Benguela; outra mais à tangente, 3-2 de novo à Selecção de Luanda, num jogo que por pouco não descampou em pancadaria; um empate,1-1 com a Selecção de Nova Lisboa; e uma derrota, com a Selecção do Lobito (1-3).

Aquele rapaz inconfundível...
A Selecção do Lobito contava com alguns jogadores que já tinham actuado na Metrópole, como por exemplo Lourenço, do FC Porto, marcador do primeiro golo.
Mas contava, sobretudo, com um jovem avançado-centro felino e ágil, à beira de fazer 20 anos, e que defendia as cores do Lusitano do Lobito.
Chamava-se José Pinto de Carvalho Santos Águas!
Com ponto de exclamação.
Marca os dois últimos golos ao Benfica, e logo aí os dirigentes do clube não têm dúvidas.
Em Lisboa corre a notícia: 'Um jovem, cedido pelo Lusitano do Lobito, acompanha a nossa representação como elementos de prometedor futuro para as nossas fileiras'. E que futuro! Pouco mais de um mês depois já era titular do Benfica no campeonato nacional.
É tempo de regressar a casa. Mas, pelo caminho, o Benfica ainda joga em Léopoldville (actual Kinchasa) contra uma selecção de belgas e franceses e vence por 4-0 num estádio a abarrotar. Ponto final numa digressão enorme (de 25 de Julho a 5 de Setembro) que acaba por ter custos terríveis na época que está à beira de começar. Mas a pérola mais valiosa já não fugia: era José Águas. Levantaria a mãos ambas duas Taças dos Campeões Europeus. Nenhum outro capitão português o imitou."

Afonso de Melo, in O Benfica

Sem fiscalização, não há receita

"Parca vigia e carroceiro 'chico-esperto' transformam o desafio mais concorrido da época no maior fiasco de receita.

Foi no dia 30 de Maio, Domingo, que 'o Campeonato de Lisboa (1919/20) entrou na sua última fase, na sua fase mais importante, a do apuramento final'. O Benfica é o Belenenses, os clubes finalistas, prometiam uma luta renhida e 'uma multidão enorme acudiu (...) para presenciar o match'.
Para o desafio, a contar para a 1.ª mão da final, o palco escolhido foi o campo da Palhavã. De acordo com O Sport Lisboa, 'como terreno de jogo, o campo de Palhavã é o melhor que possuímos'. E, estando a circulação de eléctricos interrompida devido a greve, esse seria o local mais acessível ao público. De facto acessível foi... até de mais!
'A assistência era enorme' e 'o campo do jogo oferecia um aspecto grandioso. (...) Por toda a linha de vedação não havia um lugar vago. Até as cabeceiras, que em geral não são ocupadas, se encontravam repletas de espectadores'. Mas, se o volumoso número de espectadores fazia prever uma receita igualmente volumosa, talvez 'a maior desta época', tal não se viria a confirmar. 'No que respeita à fiscalização', o recinto desportivo revelou inúmeras lacunas e o público aproveitou. 'Entrou muita gente sem bilhete. Houve portas abertas durante alguns minutos, por onde entrou imensa gente, em virtude de não haver guarda que a isso obstasse'.
A falta de vigilância em torno do campo revelou-se igualmente fortuita para o incremento de negócio paralelos. Segundo consta, houve um carroceiro que bastante terá lucrado com a ausência de vigia. Com a carroça encostada ao 'muro que deita para a linha do eléctrico', auferiu 'vinte centavos por cada individuo a quem facilitava  saltar para dentro do campo'.
Apesar dos embustes e do imenso calor que se fez sentir, 'o jogo esteve sempre animado'. No final do desafio, após vencerem por 2-1, 'os players do Benfica foram delirantemente ovacionados, sendo alguns levados em triunfo'.
No dia 10 de Junho, num campo menos penetrável - o campo do Campo Grande, o clube 'encarnado' venceu a 2.ª mão da final e conquistou o título de campeão de Lisboa.
Foram inúmeros os episódios pitorescos vividos entre o Benfica e outros clubes de Lisboa. Conheça alguns deles na exposição Lisboa e Benfica - 20 Clubes, 20 Histórias, na Rua Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Números...

Tudo É Economia de 25 Set 2017 - RTP Play - RTP

Alvorada... de Guerra aberta!!!

Tribuna de Honra...



PS: Gostaria de ver e 'postar' mais vezes a Tribuna de Honra, mas sou fisiologicamente incapaz de ouvir a voz do habitual representante dos Corruptos neste programa e a sua habitual ignorância sobre tudo (o anti-benfiquismo primário até não me incomoda muito, até porque já estou vacinado para essa doença)!!!
Aproveitando a sua ausência, aqui fica...!!!

Benfiquismo (DCVIII)

Patinar para as medalhas!!!

Chama Imensa... apitos & afins

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Lixívia 7

Tabela Anti-Lixívia
Corruptos...... 21 (0) = 21
Benfica ......... 16 (0) = 16
Sporting ..... 19 (+3) = 16


Mais uma semana, mais um claro benefício ao Sporting!!! Os paladinos da 'verdade desportiva' continuam de vento em popa!!!
A coacção vai resultando!!! Esta semana, foram novamente divulgados dados privados dos árbitros, por parte do grupinho do costume dos Lagartos!!!

Para o Benfica beneficiar de uma falta (ou canto...) junto da área do adversário é preciso quase 'matar' os nossos jogadores (por exemplo, nesta jornada, com 0-0 no marcador, faltas claras sobre o André Almeida e Pizzi...), para os nossos adversários é um fartote!!!
O Canto que deu origem ao golo (auto-golo) dos Lagartos é um absurdo: a falta é claríssima... e mesmo se não fosse falta, seria pontapé de baliza...!!!
O fora-de-jogo mal assinalado ao ataque do Moreirense, com dois jogadores, em posição legal, completamente isolados (estavam ambos atrás da linha de meio-campo), com o VAR é indesculpável!!! O VAR depois de assinalado o fora-de-jogo não pode fazer nada... mas a decisão do Fiscal é inacreditável...!!!
Além destes lances, no resto da partida, o campo esteve sempre inclinado... faltas marcadas ao contrário (algumas perigosas), cartões perdoados... E ainda mais duas tendências:
- Nos vários Livres que os Lagartos beneficiam por jogo, perto da área, a 'moda' agora é colocar a barreira a 11 metros!!! É uma nova regra!!!
- Sempre que os Lagartos chegam aos 90 minutos, sem estarem a ganhar, temos direito a prolongamento...!!! Tanto no Feirense como esta semana, o jogo foi até aos 98 minutos...!!! O Benfica no Bessa, além dos 4 minutos, teve direito a 2 segundos...!!!
Neste 'prolongamento' os Lagartos voltaram a reclamar penalty: o fora-de-jogo é milimétrico, mas existe, o Doumbia está milimetricamente em posição irregular, se o VAR marcasse penalty, estaríamos a cair num erro muito perigoso...!!!

No Dragay o jogo foi fácil, e com Luís Ferreira seria sempre fácil... mas nem foi preciso 'ajudas'! Não houve Casos graves... só mais uma entrada assassina do Filipe que passou em claro... tudo normal!!!
'Caso' só talvez as ligações de empresários entre Clubes e Jogadores, como acontece actualmente entre Portimonense e Corruptos: basta recordar a transferência do Danilo do Marítimo para os Corrupto, através do Portimonense!!!!

Na Luz, o Xistra de facto não teve 'Casos' para resolver, mas nas faltas e faltinhas, voltou a estar horrível... sempre em prejuízo do Benfica...
Disciplinarmente, não podia ser mais parcial... Inacreditável, como os constantes agarrões dos defesas do Paços nunca foram suficientes para mostrar Amarelos!!! O Amarelo ao Seferovic é de bradar aos céus...!!!
A agressão do André Leão sobre o Zivkovic na parte final do jogo, é claramente para Vermelho Directo... não se percebe, como a 'critica' especializada acha que foi uma falta 'normal' Amarelo!!!

Uma nota sobre o jogo da Taça da Liga com o Braga a meio da semana:
- Bruno Esteves teve uma actuação absolutamente horrível... Os erros foram às carrradas, e nem estou a falar do fora-de-jogo mal tirado ao Gabriel que daria o 2-0 ao Benfica... Agora, no último minuto do jogo, existiu um Canto a favor do Benfica (e o Samaris até podia ter marcado...), a partida terminou logo a seguir: na confusão que se seguiu, foi visível a camisola rasgada do Jardel.
Curiosamente, ninguém mostrou-se preocupado em procurar o momento em que a camisola foi rasgada... muito menos a RTP que transmitiu o jogo!!!
Pois bem, se reverem o jogo, podem confirmar que no tal último Canto, o Jardel tentou cabecear a bola, e o defesa do Braga, rasgou-lhe descaradamente a camisola...
Mas ninguém, se importou com o 'Caso'!!!

Anexos:
Benfica
1.ª-Braga(c), V(3-1), Xistra (Verissímo), Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
2.ª-Chaves(f), V(0-1), Sousa (Tiago Martins), Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
3.ª-Belenenses(c), V(5-0), Rui Costa (Vasco Santos), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), E(1-1), Hugo Miguel (Veríssimo), Prejudicados, Impossível contabilizar
5.ª-Portimonense(c), V(2-1), Gonçalo Martins (Veríssimo), Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
6.ª-Boavista(f), D(2-1), Soares Dias (Esteves), Beneficiado, Prejudicados, Impossível contabilizar
7.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-0), Xistra (Hugo Miguel), Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Aves(f), V(0-2), Tiago Martins (Pinheiro), Nada a assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(1-0), Paixão (Hugo Miguel), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(f), V(0-5), Hugo Miguel (Sousa), Nada a assinalar
4.ª-Estoril(c), V(2-1), Godinho (Tiago Martins), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Feirense(f), V(2-3), Soares Dias (Tiago Martins), Nada a assinalar
6.ª-Tondela(c), V(2-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Nada a assinalar
7.ª-Moreirense(f), E(1-1), Godinho (Pinheiro), Beneficiados, (2-0), (+1 ponto)

Corruptos
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Hugo Miguel (Luís Ferreira), Nada a assinalar
2.ª-Tondela(f), V(0-1), Veríssimo (Malheiro), Beneficiados, Impossível contabilizar
3.ª-Moreirense(c), V(3-0), Manuel Oliveira (Tiago Martins), Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Braga(f), V(0-1), Xistra (Esteves), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Chaves(c), V(3-0), Rui Oliveira (Hugo Miguel), Nada a assinalar
6.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Sousa (Godinho), Nada a assinalar
7.ª-Portimonense(c), V(5-2), Luís Ferreira (Sousa), Nada a assinalar

Jornadas anteriores:
Épocas anteriores:
2016-2017
2015-2016

Fejsa, carregador de piano ou solista?

"Quando quem equilibra a equipa e a devolve a uma lógica ganhadora não é uma das 'estrelas da companhia' mas sim um 'operário'...

uma semana, quando fiz a crónica do Boavista, 2 - Benfica, 1, referi que, à sexta jornada, seria prematuro falar em crise dos encarnados, embora os sinais fossem suficientes para que o alarme soasse no reino da Luz. Seguiu-se um empate cinzentão com o SC Braga, para a Taça da Liga, e o jogo com o Paços de Ferreira, para a I Liga, passou a assumir foros de uma dificilmente antecipável importância.
A verdade é que o Benfica venceu e convenceu os castores e, beneficiando do empate do Sporting em Moreira de Cónegos e do clássico entre leões e dragões marcado para próxima jornada, renovou o ânimo e olha com maior desafogo para o futuro. Mas, o que mudou no Benfica de um momento para o outro? A resposta, quiçá simplista à primeira vista mas de grande profundidade, é dada através de um apelido sérvio: Fejsa.
O número seis da Luz, de 29 anos, campeão nas últimas dez temporadas, ao serviço de Partizan de Belgrado (2007/10), Olympiakos (2010/13) e Benfica (2013/17), aparece, nesta face da temporada, como o homem providencial do Benfica, o ponto de equilíbrio de toda a manobra encarnada, o único elemento da equipa que não parece ter substituto à altura. E esta Fejsodependência é o principal problema de Rui Vitória. Os restantes males - uma defesa sem acutilância ofensiva na direita nem profundidade defensiva no eixo, ou um processo atacante que falha na presença na área perante as movimentações simultâneas de Jonas e Seferovic - são supríveis, recorrendo ao plantel. Porém, ninguém oferece ao Benfica, na posição seis, aquilo que é dado por Ljubomir Fejsa e essa é uma questão estrutural de enorme relevância, maior ainda se for colocada na equação a fragilidade física que tem marcado a vida desportiva de Fejsa de alguns anos a esta parte. Teria sido mais avisado se o Benfica tivesse, em tempo útil, acautelado esta contingência. Mas ainda irá a tempo, no contexto da época, se começar a tomar medidas cautelares de olhos postos no mercado de Janeiro.
Do ponto de vista da análise, o tema Fejsa é absolutamente fascinante, porque nos remete para a importância dos equilíbrios colectivos que são conseguidos através de performances individuais, a cargo de jogadores que nem são estrelas na companhia. Ljubomir Fejsa não é um solista. Ou será?

Ás
Luís Castro
Confesso que senti alguma angústia pelo início de temporada do Desportivo de Chaves. Como estava a ser possível que a competência de Luís Castro não se traduzisse em resultados? Mas, ainda em tempo mais do que útil, os transmontanos deram a volta e passaram a afinar pelo diapasão do seu treinador. Vão longe...

Ás
Rui Vitória
Difícil a escolha que teve de fazer na baliza. a opção que tomou foi a mais inteligente, ao apostar na experiência de Júlio César, defendendo a juventude de Bruno Varela e criando condições de estabilidade no todo da equipa. No futebol nunca há certezas absolutas, mas Rui Vitória parece, nesta matéria, ter acertado no timing.

Duque
Bruno de Carvalho
Fernando Gomes fez um aviso sério à navegação sobre os perigos da promoção do ódio no contexto do futebol português. O presidente do Sporting decidiu gozar com a situação, colocando um post no Facebook que não prestigia pessoalmente nem engrandece o clube que lidera. Um dia destes, não bastará dizer... Basta!

Fernando Gomes fez a sua parte. Grandes? Não!
«É necessário que os clubes deixem de permitir que os seus símbolos e a sua história sejam capturados para a apologia do ódio»
Fernando Gomes, Presidente da FPF
O Presidente da FPF esteve à altura das circunstâncias, ao dar um murro na mesa em tempo de irresponsabilidade no futebol português. Já os principais clubes limitaram-se dar razão a Fernando Gomes, aproveitando a ocasião para destilarem ódio, em festival de acusações mútuas. Aguardam-se as audições parlamentares anunciadas, confirmando-se a indigência da tutela.
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Das duas uma, ou o Delgado acha que o Benfica não é um dos 'grandes', ou então vai ter que explicar na próxima coluna de opinião, onde é que está o ódio destilado pelo Benfica, no comunicado resposta à declaração do Fernando Gomes...!!!

O estranho caso de André Gomes

"André Gomes é caso peculiar. É, aos 24 anos, campeão europeu por Portugal. Tem no currículo um título de campeão nacional (pelo Benfica, em 2013/14), uma Taça de Portugal (também pelos da Luz, no mesmo ano, decisivo com grande golo na meia-final frente ao FC Porto), uma Taça da Liga, uma Taça do Rei e uma Supertaça de Espanha. Joga, desde 2016/17, no Barcelona, para muitos o melhor clube do Mundo. É, sem dúvida, um dos grandes jogadores portugueses desta geração, como se prova facilmente pelo facto de nunca Fernando Santos prescindir dele na Selecção.
Apesar de tudo, André Gomes continua a ser olhado de lado por boa parte dos adeptos portugueses. Que dele falem mal em Espanha - onde criticar jogadores portugueses é quase um hobby - não se estranha, que seja desvalorizado no seu próprio país já é outra conversa. Na entrevista que A Bola hoje publica, o jovem médio português fala de forma aberta sobre quase tudo. Da formação no FC Porto, da passagem pelo Benfica - de onde saiu, percebe-se sem mágoa -, dos bons momentos no Valência e do ano difícil que viveu em Camp Nou. Sobre tudo o que se diz dele, tem frase que resume tudo: «Jogar no Barcelona não é para todos». E não é mesmo. André Gomes pode não ter o estatuto de Cristiano Ronaldo, mas devia ser motivo de orgulho para os portugueses. Ele e todos os que colocam as cores da Bandeira Portuguesa nos balneários dos melhores clubes do Mundo. Mas por cá quase tudo funciona ao contrário e em vez de se desejar o sucesso das nossas grandes figuras fica-se a torcer pelo seu insucesso - muitas vezes só porque vestiram a camisola de um clube com quem não se simpatiza. É sentimento muito luso este, que faz com que nem Cristiano Ronaldo seja consensual. Ele há com cada coisa..."

Ricardo Quaresma, in A Bola

Tens razão Rui, não é assim tão elementar

"Nas últimas semanas as razões apontadas para os maus resultados do Benfica foram muitas, e versaram sobre quase tudo. Razões mais profundas ou mais ligeiras, sobre factos ou pressupostos, e muitos ângulos foram abordados. Mais do que criticá-las ou validá-las, uma vez que falta-nos sempre a informação que só quem está dentro a possui, vale a pena considerar dois pontos fundamentais do actual momento do Benfica e das razões que foram enumeradas:
1. Provavelmente, muitas das razões estarão incompletas, mais do que certas ou erradas;
2. O erro maior passa por analisá-las de modo isolado e não holístico.
Ou seja, pense comigo!
Treinar uma equipa implica dominar as competências do jogo, do treino, da competição, das relações humanas e interpessoais, da comunicação e motivação, bem como possuir um bom autoconhecimento.
A juntar a isto, é importante perceber que este domínio acontece em contextos que se alteram com regularidade, seja naquilo que depende do treinador ou da equipa, ou ainda naquilo que não depende deles.
Lembre-se também que as equipas possuem processos e dinâmicas próprios e que muitas vezes, o que parece não é. As equipas não são as acções ou números estatísticos que produzem, mas a sua relação com os mesmos.
Finalmente, encontramos nas equipas desportivas algo que não acontece, por exemplo, nas equipas organizacionais. Não basta estar preparado para competir, ter quadros bem formados ou estratégias bem preparadas. No desporto, a competição acontece em tempo real, frente a frente, em que pontos fortes se anulam e pontos fracos podem ganhar preponderância.
Posto isto, caro Rui Vitória (ou outro treinador qualquer), acredito que a grande maioria das pessoas não junte as peças todas do puzzle demasiado grande que é liderar uma equipa, ainda mais porque nos falta informação interna. Isto não quer dizer que tudo o que está a ser feito esteja correto, mas a maioria compara simplesmente o Ederson ao Júlio César ou ao Varela e não equaciona o facto de a velocidade do hoje guarda-redes do Manchester City permitir ainda que a defesa jogue mais subida. Analisar de forma redutora que Nelson Semedo é melhor que qualquer outro defesa direito que esteja no Benfica não deveria ser apenas de falar de atacar ou defender melhor, mas também do que mexe, quase como se de uma concertina se tratasse, em que se estica ou encolhe os outros jogadores, consoante cada um deles.
Poderíamos estar aqui a analisar peça a peça, mas creio que a liderança de uma equipa é bem do que isso. E que, apesar da qualidade em alguns sectores ser menor este ano, outros e maiores desafios se colocam a um treinador ao juntar também as questões culturais de qualquer organização. A maioria de nós, a bater quase nos 99%, não sabe se algum jogador de qualquer equipa tem ou não problemas em casa. Ou quem tem mais sinergias naturais com um ou outro colega. Ou o que acontece num treino. Ou o porquê de alguns renderem mais nos treinos, e nos jogos quase nada.
Há sempre um «mas». Há coisas que são visíveis. Vemos um treinador mais ansioso este ano. Mesmo no primeiro ano de Rui Vitória, após aquela viagem ao México, que não se via um líder tão nervoso em vários momentos. Não agressivo ou mais assertivo, como o caso em que deu literalmente um murro na mesa. Este ano e especialmente nestes últimos jogos, o treinador do Benfica está menos controlado, tal como a equipa do Benfica, que deixou escapar três vezes uma vantagem (CSKA, Boavista e Sp. Braga).
Os traços comuns de Rui Vitória estão lá. Diria mesmo que é uma liderança mais situacional. Como referi no artigo anterior sobre Sérgio Conceição, esses traços ou identidade serão mais eficientes e compatíveis em determinados contextos. Rui Vitória já passou por isto quando teve de recuperar vários pontos. Superou o desafio. Só que hoje o contexto é diferente. Não são apenas os jogadores. É a exigência. A paciência. E mais algumas coisas internas que desconhecemos."

Benfiquismo (DCVII)

Mais uma...

Muito complicado...

Benfica 82 - 91 Lukoil
24-26, 20-27, 18-16, 20-22

Os 'búlgaros' são melhores! É simples... 5 Americanos, e alguns búlgaros muito bons!!!
O Lukoil contratou vários jogadores novos, foi buscar um treinador de 'liga grande'... se o ano passado já tivemos muitas dificuldades com eles, este ano é quase impossível!!! Só fazendo um daqueles jogos onde os Triplos caiem de todo o lado podemos ter algumas esperanças para o jogo da 2.ª mão...
Mesmo assim temos que 'penetrar' mais, 'tirámos' poucas faltas... Defensivamente não temos ninguém para 'parar' o Clanton, o 'melhor' é não deixar a bola lá chegar!!!

Estes jogos Europeus acabaram por ser uma excelente preparação para os primeiros compromissos nacionais... dando minutos competitivos ao Morais (na selecção) e ao Barber (lesão) que não jogaram nos primeiros jogos!

Com a provável eliminação, vamos parar à FIBA Europe Cup, onde o ano passado chegámos à 2.ª fase de grupos... e este ano podemos fazer melhor!!!

Razão e inteligência

"Acredito que a audição parlamentar a concretizar brevemente permitirá desenvolver algumas inquietações que o artigo aborda

1. O Doutor Fernando Gomes foi designado esta semana para a Comissão Executiva da FIFA. Foi uma designação justa e merecida. Mostra o seu reconhecimento pelo futebol mundial e evidencia que a experiência adquirida no futebol português e no futebol e no futebol europeu - como vice-presidente da UEFA - determina que a sua voz seja escutada por uma das principais organizações não governamentais do actual sistema mundial. Voz e diria eu conselhos. E estou convicto, bem convicto, que o Doutor Fernando Gomes, com a sua personalidade e sua perseverança, a sua vivência e o seu conhecimento, não deixará de contribuir para o acrescido bem do futebol contemporâneo. Se fosse político seria, na designação de alguns, um paraquedista. Como é um homem culto e livre é uma designação que todos saúdam, mesmo que alguns o façam com a hipocrisia que caracteriza certas vozes deste tempo, algumas delas dando a cara e outras usando, por cobardia ou estratégia, perfis falsos. Mas na passada sexta-feira todos lemos um interessante artigo do Doutor Fernando Gomes acerca do complexo e conturbado momento actual do futebol português. O título é tão sugestivo quando actual: «É tempo de responder aos sinais de alarme»! Acredito que alguns que saudaram o artigo - e tantos foram! - já hoje se esqueceram dele e das razões profundas que o motivaram e determinaram. Já os textos judaicos nos ensinam que «a arte de agradar muitas vezes encobre a arte de enganar»! Acredito também que a audição parlamentar a concretizar brevemente permitirá desenvolver algumas das inquietações que o artigo aborda e interpela. Mas permitam-me que assuma que só a intervenção da justiça, desportiva e pública, nos seus elementos de investigação ou nos seus meios efectivamente sancionatórios, permitirá ultrapassar os concretos elementos dos abordados «sinais de alarme». Só uma igualdade de situações condicionará atitudes e determinará, em razão de mútuos receios, silêncios esperados e outros necessariamente inesperados. Como nos legou Denis Diderot «uma única demonstração impressiona-me mais do que cinquenta factos»! É o que que fica, o que fica mesmo, é a pedrada do Doutor Fernando Gomes. No mais permitam-me que, a este respeito, mesmo que de forma indirecta, chame a atenção para uma interessante reflexão que o ilustre Doutor José Eugénio Dias Ferreira produziu, com a sagacidade a que nos habituou, esta semana na Sporting TV. Vale a pena escutar e ver!

2. O Benfica, em rigor a Benfica SAD, apresentou esta semana, os resultados das suas contas e eles evidenciam ma relevante facturação - 285 milhões de euros - e o maior resultado líquido da sua história, 44,5 milhões de euros. É, na verdade, uma tetra conquista em termos económico e financeiros. O que implica, diria que determina, que o êxito desportivo seja muito importante para este trajecto que o leva, e muito bem, o Doutor Domingos Soares de Oliveira, - que vivamente cumprimento - a proclamar que «sabemos o que estamos a fazer»! Sabemos todos desde a Grécia antiga que «o êxito depende do esforço». Mas neste negócio do futebol também depende dos golos e das vitórias. Sabendo todos que a vitória é o objectivo central da equipa liderada por Rui Vitória!

3. (...)

4. (...)"

Fernando Seara, in A Bola

domingo, 24 de setembro de 2017

Abrir alas à redenção

"Vitória do Benfica assentou nos equilíbrios de Fejsa e na velocidade imposta nos corredores

Consistência e dinâmica
1. O Benfica jogou muito melhor em relação às últimas exibições. Desde logo porque a entrada de Fejsa torna a equipa mais ligada e equilibrada em todos os sentidos: pela consistência defensiva e pela forma como o ataque fica mais seguro e solto, menos tenso em relação à perda de bola. Por outro lado, os encarnados mostraram grande dinâmica e mobilidade nos desenhos de ataque, fruto, em grande parte, da velocidade de Cervi e Zivkovic (jogo fantástico de ambos!), o primeiro contando ainda por cima com a preciosa ajuda de Grimaldo para formatarem um corredor esquerdo de grande qualidade. A primeira parte teve sentido único (o Paços nem passou do meio-campo) e os primeiros 25/30 minutos do Benfica foram de grande nível, com pressão enorme, sem deixar o adversário respirar, e com a criação de muitas oportunidades de golo. A partir daí, e até ao intervalo, o Benfica baixou um pouco a intensidade, algo perfeitamente normal, embora nunca deixando de jogar bem, de estar claramente por cima do jogo. O resultado pecava por escasso ao intervalo, sobretudo pela falta de eficácia das águias na hora de materializar as ocasiões.

Ainda falta confiança
2. A segunda parte já foi diferente. Mesmo perante um Paços que procurou equilibrar e reagir mas nunca o conseguiu (apesar dos méritos do Benfica, a equipa de Vasco Seabra praticamente não existiu no Estádio da Luz), o Benfica deixou de ser uma equipa constante para jogar mais aos repelões, alternando entre períodos bons e menos bons (mas nunca jogando mal, note-se). É algo que tem a ver com a falta de confiança que a equipa ainda sente e que só uma sequência de vitórias pode curar de vez. Ainda assim, o Benfica continuou a criar oportunidades e poderia ter goleado.

Júlio César e os adeptos
3. Fez bem Rui Vitória em apostar em Júlio César (ontem praticamente um espectador). Bruno Varela é um jovem com valor e não deve sentir-se fragilizado, Júlio César é mais experiente e nesta fase passa mais confiança à equipa.
Uma nota final para a importância do apoio dos adeptos do Benfica, sobretudo da claque que não parou de incentivar um minuto. Isso foi determinante para empurrar o Benfica para a vitória."

Álvaro Magalhães, in A Bola

Dos Dâmasos

"Quem leu o Eça em Os Maias conhece-o bem: tentando parecer o que não era mandou fazer, exibicionista grotesco, cartões de visita
tendo ao ângulo, numa dobra simulada, o seu retratozinho em fotografia, um capacete com plumas por cima do nome - Dâmaso Cândido de Salcede, por baixo as suas honras: Comendador de Cristo, ao fundo a sua adresse - Rua de São Domingos, à Lapa, mas esta indicação estava riscada, e ao lado, a tinta azul, outra mais apartosa - Grand Hôtel, Boullevard des Capucines, Chambre n.103.
Filho dum agiota, escondera o Silva do nome, inventando outro mais pomposo - o de Salcede. A abarrotar de prosápia deliciava-se a exibir o reposteiro com o brasão de Salcede.
onde havia um leão, uma torre, um braço armado, e por baixo, a letra de ouro, a sua formidável divisa: Sou forte!
Enfatuado, achava Lisboa um chinfrim, arrastava-se em adoração a Paris
- Aquilo é que é terra! Isto aqui é um chiqueiro!
A sua outra admiração extática era Carlos da Maia. Transformou-o naquilo que queria que fosse o seu espelho.
o tipo supremo do chic, do seu querido chic
Imitava-o dos trajes aos trajeitos, sonhando-lhe conquistas e glórias, sem noção dos ridículos que arrastava. Esse lado Dâmaso viu-o num vídeo que apareceu antes de um jogo do Sporting - e deu-me apenas vontade de rir. Há, porém, outro mais perverso, aquele que levou Ega ao desabafo:
- O Dâmaso, coitado, coitadinho, coitadíssimo. Mas imensamente ditoso, até tem engordado com a perfídia.
E é esse lado: videirinho e traiçoeiro, falsário e venenoso, que vai criando o pior do Dâmaso nos vários Dâmasos que o futebol vai tendo - que me perturba.
(E não, não sei se Fernando Gomes conseguirá acabar com eles apenas com cartas abertas cheias de boas intenções e bons princípios. Mas, pelo menos, uma coisa já fez: deixou de estar calado...)"

António Simões, in A Bola

Uma voz que impõe respeito

"Fernando Gomes só fala quando tem algo importante a dizer. Se meteu na cabeça que está na hora de mudar o futebol, irá até ao fim.

Fernando Gomes não é, apenas, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol. É, também, vice-presidente da UEFA e, desde há uns dias, o primeiro português a ser nomeado para a comissão executiva da FIFA. É hoje, sem dúvida, o nosso dirigente com maior prestígio a nível internacional. Claro que podia ser isto tudo e representar pouco para o adepto comum, para quem os cargos (mesmo os mais relevantes) significam pouco. Mas o caso do presidente da FPF é diferente. Em oito anos (dois na Liga e seis na Federação), Fernando Gomes conquistou a simpatia de quase todos os portugueses. Mais importante que a simpatia, ganhou-lhe o respeito. E só alguém tão respeitado pode escrever o que escreveu anteontem o presidente da FPF.
É evidente que os resultados da Selecção Nacional ajudaram. Mas há em Fernando Gomes uma característica que faz dele uma voz com tanto peso junto das instituições (desportivas e políticas) e do cidadão normal: fala pouco. Não diz banalidades, não aparece para se colocar em bicos de pé, só fala quando tem algo importante para dizer. Ou para fazer. E por isso, quando fala todos ouvem. As palavras do presidente da FPF devem, por isso constituir um importante sinal de esperança para os que há muito exigem uma mudança no futebol português. Porque outra das características de Fernando Gomes é que não se compromete com causas que não pretenda levar até ao fim. Se meteu na cabeça que é altura de dizer basta ao futebol que temos, é muito provável que vá até ao fim. Dia a quem doer. E, percebe-se na mensagem, os próximos tempos podem ser dolorosos para muita gente.
Os primeiros (e principais) destinatários dos recados de Fernando Gomes foram os dirigentes dos clubes. Não só os presidentes, claro, mas em especial eles - porque se forem, de facto, bons presidentes nada por lá se passa sem o seu conhecimento e autorização. O puxão de orelhas começou por centrar-se na forma como a política egocêntrica com que olham para interesses que deviam ser comuns vai minando a competitividade do futebol português na Europa, que como se sabe terá reflexos dramáticos já na próxima época. É uma preocupação legítima e, sejamos francos, não devia ter de ser o presidente da FPF a alertar para tão evidente necessidade de discutir de forma séria o que se passa e encontrar soluções para os problemas. A outra parte da mensagem focou-se naquilo em que os clubes (em especial os três grandes) transformaram o nosso futebol, que se joga hoje muito mais fora das quatro linhas do que dentro delas. E se há presidentes que falam mais do que outros, todos contribuíram para este clima de terrorismo comunicacional que nos arrasta todos para o fundo. É triste, além de preocupante, ter de ser o presidente da federação a alerta-nos para os riscos que corremos se deixarmos que as coisas continuem como estão.
Fernando Gomes fez também questão de dirigir-se aos árbitros. E o que disse foi claro: o clima de pressão a que estão sujeitos é inadmissível e terão todo o seu apoio caso decidam assumir eles próprios (já que ninguém parece interessado em assumi-las por eles) medidas que lhe coloquem fim. Mensagem poderosíssima, que deixa os árbitros, normalmente desamparados, com um aliado de enorme na sua luta. Não se admirem, pois, que a greve, ameaça sempre olhada com desdém pelos poderosos do futebol, se torne em breve uma realidade. Porque a arbitragem (que tem os seus problemas) ainda há muitos anos a aguentar-se como bode expiatório para problemas alheios, graças a gente que não tem problemas em incitar o ódio pelo vizinho se isso impedir um ligeiro arrufo em casa.
Por último, Fernando Gomes dirigiu-se ao Estado, ao Governo e à Assembleia da República. E aqui - para quem quis perceber - o presidente da FPF avançou com a única solução para os problemas que hoje assolam o futebol português: é preciso que quem tem poder para mudar as coisas ganhe coragem, se deixe de palavras de circunstância e passe à acção. Já chega de esperar que os clubes mudem aquilo que não podem mudar, por não quererem ou por não serem capazes. É preciso alguém que os obrigue a mudar. Já. Porque amanhã por ser tarde."

Ricardo Quaresma, in A Bola

O reconforto de não estarmos sós

"A coragem demonstrada por Fernando Gomes é, ao mesmo tempo, um atestado de falta dela de outros que sempre se mantiveram em silêncio

Até que enfim aparece alguém com responsabilidades maiores no futebol, com coragem para enfrentar aquele que é, indiscutivelmente, o maior e mais grave problema do futebol português: a guerra civil da descredibilização e da desmoralização de estruturas, de organismos, de entidades, de pessoas que, de alguma forma, estão ligados ao nosso mundo da bola. E até que enfim surge alguém, do mais alto nível de competência e de estatuto para apontar o dedo directamente à cara dos principais dirigentes dos clubes.
Não sendo os únicos, são, de facto, esses, os principais culpados e aqueles que se sentem confortáveis numa impunidade digna de uma República das Bananas em que procuram transformar o futebol para melhor o poderem manipular, para o poderem trair sem outros custos que não sejam o de uma desgraçada imagem de senhores feudais do século XXI.
O artigo que Fernando Gomes divulgou através dos três jornais desportivos e do jornal Público tem muitas e importantes virtudes. A primeira, é de ser escrito por alguém que tem credibilidade para o fazer; a segunda, é de não se limitar a um conjunto de lugares comuns tão habituais em responsáveis nas mais diversas áreas da sociedade portuguesa e que nunca querem afrontar poderes; a terceira, é de fazer uma defesa leal e solidária do mundo da arbitragem, aquele que tem sido mais fustigado e que tem sofrido as maiores humilhações por quem não tem moral nem para estar calado; a quarta, é a de ter colocado o problema no exacto ponto em que deve ser colocado: no actual estado de desenvolvimento do futebol no Europa, a guerra entre os maiores clubes nacionais corre o risco de arrasar toda e qualquer hipótese do futebol português alguma vez se aproximar dos mais desenvolvidos, que estão num patamar superior, mais do que na qualidade competitiva, qualidade de cultura que, no fundo, acaba por reflectir a qualidade democrática de cada país; por último, a quinta virtude é a de ser um texto directo, sem ser hostil; o objectivo, sem ser seco de conteúdo; decisivo porque deixa aviso imediato e firme: ou os dirigentes dos principais clubes, leia-se, Benfica, Sporting e FC Porto, se fazem regressar à dignidade própria de um estado de direito e acabam, por vez, com a assombração do mundo do futebol, arrastando imensas marés de eunucos e de ignorantes, ou terão de responder pela responsabilidade histórica de acabar, de uma vez, com o espectáculo, com o negócio e com os seus próprios clubes que fingem defender no objectivo supremo de se defenderem a si próprios, dos seus traumas, das suas insuficiências, das suas mal disfarçadas inseguranças.
Entre os destinatários do texto de Fernando Gomes ficou também claro que a Liga de Clubes e o Estado (leia-se o universo do poder político, seja ele executivo, seja legislativo) aparecem bem focados na fotografia dos que têm afirmado a sua ineficiência e, até, a sua inutilidade pela ausência de acção.
Pedro Proença, o presidente da Liga, está pois entre os primeiros desafiados e, mesmo que apanhe o comboio em andamento, não o pode deixar partir, sob o risco de ficar totalmente desacreditado. Quanto ao governo, sobretudo aqueles que têm responsabilidades na pasta do desporto e que andaram irresponsavelmente entretidos com o folclore da proposta legislativa para que não houvesse jogos de futebol em dias de eleições, se continuarem em silêncio depois do que Fernando Gomes escreveu e propôs, deverão ter, no mínimo, a dignidade de se demitirem dos cargos e das funções que, de facto, nunca exerceram com verdadeiro sentido de Estado.
Por fim: apenas assinalar o reconforto de não nos sentirmos sós."

Vítor Serpa, in A Bola

PS: Três notas:
- Portugal, aquele país, onde alguém que ocupa um cargo público, toma uma posição pública, atrasada no tempo... defendendo o óbvio, aquilo que o bom senso de uma pessoa normal obriga a defender, e é imediatamente considerado um herói !!! Apelidar de corajoso quem no fundo só está a fazer a sua obrigação, mesmo que 'atrasada', é ridículo...
- Mais ridículo, no meio disto tudo, é não conseguir 'chamar os nomes pelos bois' !!! Nem por parte do Presidente da FPF, nem dos próprio colunista, que volta a 'meter todos no mesmo saco'!!!
- Hiper-ridículo é o autor desta crónica exigir a demissão do Secretário de Estado do Desporto, por de facto nunca exercer com verdadeiro sentido de Estado as suas funções, quando o autor desta crónica, à muitos anos, não tem demonstrado capacidade para exercer com coragem, dignidade e independência as funções que ocupa no Jornal que dirige!!!

Sporting SAD - Contas 2016-2017 (Tomo II)

"Lê-se no ponto 1.25, denominado Segmentos Operacionais, o seguinte: 'A Sporting SAD decidiu não apresentar informação por segmentos operacionais pelo facto de não identificar mais do que um segmento na sua actividade, de acordo com os requisitos da IFRS 8, pelo que a informação financeira disponibilizada coincide com o reporte por segmentos operacionais'.
Pois... mas decidiu mal! A Sporting SAD, através da sua administração, está a violar a IFRS 8.
Na (...) vamos reproduzir a demonstração dos fluxos de caixa da Sporting SAD, das épocas de 2015/2016 e 2016/17:
Esta demonstração dos fluxos de caixa corresponde, numa linguagem normal, às entradas e saídas de dinheiro. Imaginem que do bolso direito das vossas calças saía o dinheiro para pagamentos, e no bolso esquerdo das vossas calças entrava o dinheiro recebido.
A mesma demonstração divide-se em três partes distintas.
Actividades Operacionais - entradas e saídas correspondentes aos movimentos normais da sociedade;
Actividades de Investimento - entradas e saídas consideradas como investimento, onde incluíram as operações com jogadores;
Actividades de Financiamento - entradas e saídas de dinheiro referentes a financiamentos;
O valor do fluxo monetário gerado pelas actividades operacionais sem impostos foi negativo (de 4,945 M€), ou seja, quatro milhões, novecentos e quarenta e cinco mil euros negativos.
Ora, os resultados operacionais na perspectiva contabilística, ou seja, sem ser na perspectiva de dinheiro entrado, dinheiro saído, reflectidos na demonstração de resultados por natureza, foram de (16,925 M€), dezasseis milhões, novecentos e vinte e cinco mil euros negativos. Então, o que é que quer dizer isto?
Que, se o fluxo monetário da diferença entre receitas e despesas é menor, devendo ser maior, a Sporting SAD não pagou a diferença, ou seja, 11,980 M€ - onze milhões novecentos e oitenta mil - que ficou a dever a mais, não pagando. Só registou a factura, não o pagamento!
Quanto às actividades de investimento na perspectiva dos recebimentos e pagamentos efectivos em dinheiro, a sociedade apresenta um saldo positivo de 26,564 M€, ou seja, vinte e seis milhões, quinhentos e sessenta e quatro mil euros positivos.
Ora, os resultados de investimento na perspectiva contabilística, ou seja, sem ser na perspectiva de dinheiro entrado, dinheiro saído, reflectidos na demonstração de resultados por natureza, foram de 59,549 M€, ou seja, cinquenta e nove milhões, quinhentos e quarenta e nove mil euros positivos. Então, o que é que quer dizer isto?
Que, se o fluxo monetário da diferença entre receitas de investimento e pagamentos de investimento é menor, devendo ser maior, significa que a Sporting SAD não recebeu a diferença, ou seja, 32, 985 M€, trinta e dois milhões, novecentos e oitenta e cinco mil euros positivos não recebeu. Estão a dever-lhe.
Em síntese, deve mais e tem mais a receber?
Mas porquê uma diferença tão grande nas operações de investimento? Sabem porquê?
Porque a Sporting SAD contabilizou como proveito contabilístico os hipotéticos e futuros ganhos por objectivos dos contratos de venda, produzindo assim um maior resultado líquido.
Ora, este de contabilização viola a NCRF 21 Provisões, passivos contingentes e activos contingentes, que tem por base a Norma Internacional de Contabilidade IAS 37 - Provisões, Passivos Contingentes e Activos Contingentes, adoptada pelo texto original do Regulamento (CE) n.º 1126/2008 da Comissão, de 3 de Novembro,
Mas há mais!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Sporting SAD - contas 2016-2017

"Lê-se no relatório do Conselho de Administração da Sporting SAD:
- Bas Dost pelo montante de 11.580 milhares de euros e considerado um dos melhores avançados europeus, tendo mesmo terminado em segundo lugar na disputa pela bota de ouro europeia;
- Bruno Fernandes pelo montante de 9.690 milhares de euros e considerando recentemente uma das melhores contratações da última janela de transferências (Julho e Agosto de 2017), tendo inclusive uma cláusula de rescisão de 100 milhões de euros. A comissão associada a este negócio permitiu a celeridade e as condições de aquisição ao clube;
- Seydou Doumbia pelo montante de 7.200 milhares de euros, considerado um dos melhores avançados africanos da actualidade e que foi neste defeso pretendido por diversos clubes europeus. O prémio de assinatura envolvido permitiu uma redução do vencimento ao longo do contrato;
(...)
Só aqui, estamos a falar de 28 milhões e tal!
Mas se o Sporting crítica tão veementemente a detenção de percentagens de passes por outras entidades, a quem pertencem os 30% do passe de Seydou Doumbia? E o prémio de assinatura? Foi declarado para efeitos de IRS? De Segurança Social?
Vejamos (...) o quadro que vem no mesmo relatório sobre a análise económica e financeira.
Os Resultados Operacionais são uma perfeita desgraça! 97 milhões de euros negativos?
Mas afinal o que na óptica da mesma entidade cobriu esse brutal défice de resultados operacionais? O que vos reproduzimos na Fig 3 (vendas de jogadores...)
Até para a semana."

Pragal Colaço, in O Benfica