"1. Nas televisões, a náusea do antes do jogo, com reportagens sobre nada e autocarros;
2. Foi um clássico intenso, ainda que sem ser um grande jogo;
3. Venceu o Sporting, que se apresentou em melhor forma;
4. Foi um SCP motivadíssimo, com vontade de ganhar e fome de troféus;
5. Foi um SLB cansado de fusos horários e carente de referências, ou porque saíram, ou porque não puderam jogar;
6. De um lado, um treinador tão emocional quanto competente, tão provocativo quanto abrasivo;
7. Do outro lado, um treinador tão educado quanto perdido, tão conformado quanto cauteloso;
8. Jesus já era um vencedor administrativamente antecipado, tendo em conta as suas próprias afirmações. Depois de mim, o dilúvio. Antes de mim, o caos;
9. O considerado melhor árbitro com dois erros de monta e com a contumaz habilidade de compensar um erro (no golo leonino por culpa do assistente) com um seu exclusivo juízo de todo incompreensível (no não assinalado penalty sobre Gaitán);
10. Nos media, os já habituais excesso e euforia sobre o virtuosismo leonino e a hiperbolização dos defeitos dos bicampeões nacionais;
11. Um Benfica tardio na definição do plantel e nas contratações cirúrgicas e um Sporting com trabalho feito;
12. Um Benfica à procura de um sistema e um Sporting com um sistema à Jesus;
13. Um Benfica de inoportuno experimentalismo e um Sporting de aparente estruturalismo;
14. Um Benfica preocupante e um Sporting para preocupar."
"O problema do Benfica na Supertaça não foi tanto o resultado, mas os sinais dados pela exibição - as estatísticas, aliás, não enganam (38 ataques para o Sporting e apenas 18 para o Benfica). A equipa revelou que estava numa terra de ninguém: já não se exibiu com as ideias de Jorge Jesus e não foi capaz de apresentar um sistema alternativo ou, pelo menos, complementar. O Benfica já não é o de Jesus, mas está bem longe de ser o que Rui Vitória idealizou.
E aqui reside a questão central. Vitória já verbalizou o que pretende para a equipa, mas não se têm vislumbrado esses princípios de jogo na forma como o Benfica se tem apresentado em campo. Não se tem visto uma equipa capaz de controlar o jogo com bola (a principal lacuna da era Jesus), nem uma equipa com uma organização ofensiva mais pausada, ajudando com isso as transições defensivas. O Benfica perdeu o que de bom tinha com Jesus e, até ver, não ganhou o que Rui Vitória anunciou.
Há, contudo, uma frase a ecoar por cima de tudo isto. Na apresentação do novo treinador. Luís Filipe Vieira garantiu: "Rui Vitória vai ter as mesmas condições que outros tiveram". Ora isto implica ter jogadores de qualidade e jogadores que façam sentido para o novo sistema de jogo. Até ver, ainda não é claro qual é o sistema, mas continuam a faltar, pelo menos, dois jogadores para entrar no onze titular (um ala e um lateral-esquerdo). Mas, como espero ver no domingo, bastará acrescentar a dinâmica e a intensidade que estiveram ausentes no Algarve para tudo começar a mudar."
"Jesus quis chatear e Vitória deixou-se chatear: em vez de jogar «à Benfica», com devia, continuou a jogar «à Guimarães», como mostrou. Encolheu-se e perdeu, vem nos livros.
Jorge Jesus precisava deste troféu, por ser mais um título que lhe engorda o currículo e por ter percebido que era muito importante que os jogadores leoninos o erguessem, como ergueram, no sentido de alimentar o seu infinito ego através de uma teia bem urdida e que, em síntese, sabendo que os ventos sopravam de feição, o elevou a uma categoria profissional jamais reclamada, espécie de treinador possuidor de estranhos e fantásticos poderes que lhe permitem, em simultâneo, treinar o actual clube (Sporting) e controlar o anterior (Benfica)... à distância.
Parece uma caricatura, mas não é. Se há casos em que o saber, a rotina e a experiência de um treinador influenciam o enredo e o resultado de um jogo, este foi um deles. Jesus sabia que a conjuntura lhe era favorável e esgrimiu-a com mestria, como fez no passado, umas vezes bem, outras mal. Pode não apreciar-se o estilo, mas desta vez não só funcionou em pleno como provocou um efeito devastador no vizinho da Segunda Circular. É um estilo que incomoda os adversários (lembram-se daquele gesto dirigido a Manuel Machado?), que não é ingénuo, nem sequer bem intencionado, mas que também não é injurioso, nem belisca a honorabilidade de quem quer que seja. É assim, sempre foi assim e só me espanta a aparente surpresa com que do outro lado se (não) reagiu ao folclore que animou o pré-jogo, com Jesus a deitar os foguetes, a recolher as canas e a proporcionar à família leonina uma festa como há muito não saboreava.
O Sporting triunfou sem ponta de discussão e creio que ninguém ficaria escandalizado se o desfecho fosse mais desnivelado. A partir do jogo de apresentação, diante da Roma, só não viu quem não quis ver que estava ali a equipa-tipo com uma interpretação competitiva que, apesar de não ser uma fotocópia da filosofia de jogo desenvolvida no Benfica, revela, nos traços essenciais, aspectos comuns e suficientes para ajudarem a desenhar o perfil do novo leão. Em concreto, na final da Supertaça, Jesus desempenhou o seu papel com brilhantismo, sem culpa pelo bloqueio na estrutura de anjinhos que lhe coube agora defrontar (sublinhando que não meto os jogadores neste saco), a qual viu, ouviu e... virou a cara para o lado.
Afirmou Jesus que o Benfica teve medo e Vitória confirmou. Jesus sabe que este Benfica está mais fraco do que aquele que venceu o bicampeonato sob o seu comando e explorou esse fator com habilidade e cinismo, até. Interferiu no pensamento do treinador oponente por causa da história da paternidade das ideias. Jesus quis chatear e Vitória deixou-se chatear: em vez de jogar «à Benfica», como devia, continuou a jogar «à Guimarães», como mostrou. Encolheu-se e perdeu, é dos livros.
Observações finais:
1 - No Guimarães o caminho fazia-se caminhando, mas no Benfica faz-se ganhando. Rui Vitória deve adaptar imediatamente o discurso à nova realidade.
2 - O adjunto Arnaldo Teixeira deve obedecer ao recato que a sua posição aconselha e abster-se, com aqueles artefactos na cabeça como se tivesse acabado de chegar de Marte, de excessos que perturbem a autoridade do chefe. Além de o seu irrequietismo dar uma imagem de desassossego no banco de suplentes. No estádio pode não se notar, mas às câmaras não escapa nada. Raul José também utiliza essas aplicações, mas tem o cuidado de ser discreto.
3 - Chega! O incidente com Jonas deve ter feito ver a Jesus que, mesmo retendo agradáveis recordações dos seis anos que viveu no Benfica, é altura de erguer um biombo e, definitivamente, preocupar-se exclusivamente com os jogadores do Sporting. Deve ser ele a tomar a decisão, antes que mau resultado lhe bata à porta e alguém lho sugira ao ouvido...
4 - Rui Costa falou, acautelou as palavras e preocupou-se em destacar a grandeza da instituição. Declarou que o Benfica não está habituado a perder finais, acontece... Mas da mesma maneira que Jesus não se esqueceu de falar no golo mal anulado à sua equipa, será que o administrador benfiquista não podia ter expressado o seu desagrado por erro grosseiro do árbitro que ignorou uma grande penalidade sobre Gaitán? Os adeptos gostariam que o tivesse feito: anjinhos, mas não tanto!..."
Fernando Guerra, in A Bola PS: O Fernando Guerra, tem as suas obsessões, goste-se ou não... discordo de muita coisa, a crónica de hoje, não é excepção (acho que existiram outras variáveis que ditaram a derrota na Supertaça...além daquela que ele destaca), mas concordo totalmente com o último ponto...!!!
"Muitos clubes com problemas económicos decidiram apostar na formação nacional e a própria Federação, atenta o sucesso dos escalões jovens, apoia-os com várias medidas. O Sindicato, em parceria com a Liga, aceitou, excepcionalmente a redução de salários em troca da aposta nos jovens. Apesar disso, muitos outros clubes em situação difícil vêem nos investidores estrangeiros uma resposta mais fácil. Será assim?
Distinguido as boas das más práticas, não posso deixar de alertar para perigos dessa opção. Por um lado, a aquisição de clubes ou de capital de SAD por entidades e pessoas desconhecidas e sem qualquer escrutínio e, por outro, a aposta excessiva desses clubes em jovens estrangeiros. Por esta via, estão a entrar no futebol português pessoas pouco recomendáveis organizadas e que em nada desenvolvem o futebol. Verificamos também que depois dos jogadores africanos e sul-americanos as portas estão escancaradas aos chineses. Nada nos move contra os chineses, que são bem-vindos. O que nos preocupa é este caminho perigoso, sem escrutínio, que põe em causa o futuro dos nossos jovens. É grave quando isto acontece em clubes não profissionais, amadores, na cara de associações distritais, cuja missão é exactamente a de dar condições aos jovens da sua comunidade. Mais grave ainda, sem respeito pelos sucessos dos Sub-20 e sub-21, que convocam o talento nacional.
Quem acompanha a realidade do futebol sabe que os resultados combinados, o tráfico de jogadores, as 'comissões' ou os esquemas para contornar as exigências de entrada num país estrangeiro são problemas actuais. Preocupa-me que muitos dos que estão ligados a estas situações sejam pessoas do futebol e que se desculpem invocando desconhecimento. Nada fazer e depois culpar só os investidores não é aceitável. E também não é aceitável lavar as mãos dizendo que compete à polícia a luta contra a criminalidade. Há muito que pode e deve ser feito pelos agentes do futebol, razão pela qual, na defesa de todos, devam o Governo e a Federação, com apoio da Liga, Sindicato e Associações, criar regulamentação de acesso aos investidores. Tem de ser, porque alguns clubes e dirigentes andam cada vez mais de olhos em bico."
"Houve um tempo em que os ingleses, só por o serem, serviam como adversários valiosos para qualquer equipa do Mundo. Mesmo que não passassem de uma tripulação de navio de passagem por Lisboa e a caminho de Casablanca e da Madeira...
Era uma vez um navio. Chamava-se SS Ardeola. SS quer dizer «Screw Steamer», propulsão a vapor, para se diferenciar dos entretanto desaparecido barcos de propulsão a pás. Enfim, inglesices.
O Ardeola era um navio elegante, de passageiros, com três mastros, construído em Dundee em 1912 e propriedade da Yeoward Line. Durou pouca a sua vida de transportador de ansiedades e de vaidades dos 80 figurões que se passeavam no deu deck de primeira classe. Rapidamente, o espírito prático falou mais alto. E o Ardeola transformou-se num cargueiro especializado no comércio de fruta na rota de Liverpool-Lisboa-Casablanca-Madeira-Canárias.
Ardeola é nome de pássaro, aparentado com a garça. Ao que consta, este Ardeola do qual hoje vos falo era já o terceiro com a mesma designação depois do desaparecimento dos dois outros homónimos anteriores, um deles, o primeiro afundado ao largo de Leixões. Mera informação sem importância de maior. Registado em Liverpool, onde reina outra passaroco misterioso, o «liverbird», que se traduzirá à letra por pássaro-do-fígado, esse que brilha nas camisolas do grande Liverpool, já tantas vezes adversário do Benfica, não ficaria o Ardeola isento de influência futebolística com direito a um episódio a merecer crónica dedicada aos que vão tendo a bondade de me ler.
Porque no dia 28 de Novembro de 1920, o SS Ardeola, de Liverpool, estava em Lisboa e a sua tripulação iria medir forças com os jogadores do Sport Lisboa e Benfica numa peleja de mais puro «association».
Estávamos na ressaca da I Grande Guerra.
A actividade do Futebol internacional morrera praticamente.
O Benfica, por exemplo e bem a propósito, depois de disputar oito jogos internacionais em 1916, viu-se reduzido a um em 1917 (frente aos ingleses do AMS Flavia), a mais um em 1918 (frente ao Sevilha) e a uns mais compostos nove em 1919. 1920 voltou a ser ano de vacas magras, um só confronto contra jogadores além fronteiras, precisamente aquele que aqui nos traz.
Em Novembro, um cabaz de Natal
E assim, no dia 28 de Novembro, o Benfica defronta uma equipa composta pela tripulação do SS Ardeola, de Liverpool.
Não estranhem: nesse tempo os ingleses tinham um prestígio tão imenso no que ao Futebol dizia respeito que jogar contra onze súbitos de sua majestade (Jorge VI na circunstância) era um orgulho para qualquer mortal, mesmo que os tais onze súbitos tivessem um conhecimento tão profundo do jogo como qualquer um de nós tem das malfadas «kidney pies», prato de resistência dos bons e velhos «pubs».
Enquanto em Portugal o primeiro jogo de Futebol teve como alicerces o famoso grupo britânico que, em Carcavelos dedicava as suas horas de trabalho ao lançamento do cabo submarino, dentro em breve responsável por nos colocar em condições de fazer chamadas interurbanas para o lado de lá do Atlântico, na América do Sul eram os marinheiros ingleses que arribavam aos portos de Santos, Rio de Janeiro, Kontevideu e Buenos Aires a espalharem pelo continente a paixão pelo pontapé na bola. E de tal ordem, imagine-se, que Buenos Aires albergou mesmo uma Liga de Futebol da Marinha Mercante composta por nada menos de 19 equipas.
Nenhuma delas era a do nosso Ardeola de Liverpool, como está bem de ver. A nave não se lançava a tão largo, ficava-se pelas costas da Europa e da África do Norte.
Quanto ao outro Liverpool, o Liverpool FC, preparava a construção de uma equipa tremenda que venceu o campeonato inglês em 1922 e 1923, conhecida pelas alcunha de «The Untouchables».
Mas deixemos isso. Voltemos ao mar. E aos marinheiros que desembarcavam em Lisboa e prometiam momentos de Futebol maravilhoso, inglês e brilahnte.
Um desastre!
Longe do balanço dos convezes, deu-lhes um estranho enjoo.
Ninguém conhecia os seus nomes e não era preciso. Sendo ingleses, deviam ser mestres em futebol. Não eram. Eram apenas marinheiros.
O Benfica e o público lisboeta já tinham sido levados ao engano três anos antes com a presença dos tripulantes do AMS Flavia, da Cunard Line, a empresa anglo-americana de correio marítimo. Tão desarrumados em campo, tão pouco capazes de tratar decentemente uma bola, viram-se goleados por 0-7.
Agora seria ainda mais calafriante.
O AMS Flavia foi torpedado no ano seguinte, em 1918, e dele não houve mais notícias. Agora, o SS Ardeola trazia Liverpool no nome e prometia algo de mais suculento.
Ora batatas! Vítor Gonçalves, José Simões, Ribeiro dos Reis, Belford e Jesus Crespo afundaram a equipa inglesa com onze golos. Onze! Sim: 11 a 1, foi o resultado. Lá está, um enjoo.
Foi de tal ordem a diferença que nem na «História do Sport Lisboa e Benfica» de Mário Fernando Oliveira e Carlos Rebelo da Silva o episódio tem direito a mais do que um simples parágrafo: «(...) um desafio realizado em 28 de Novembro de 1920, contra o Ardeola, equipa inglesa de Liverpool que estava de passagem em Lisboa. O Benfica destroçou os visitantes por completo, batendo-os por 11-1. A diferença dá bem ideia do desequilíbrio de valores. Foi um jogo sem história».
E só.
Terá servido de emenda. Os adversários passaram a ser escolhidos com mais critério e os ingleses deixaram de ser endeusados só por serem ingleses e ter sido um deles a inventar o Futebol.
Quanto ao SS Ardeola, teve uma vida de aventuras, levando a bordo muitos dos derrotados dessa tarde portuguesa. Viajou pelas costas da Adissínia aquando da invasão italiana, foi capturado pelas forças francesas de Vichy na II Guerra Mundial e entregue aos alemães, terminando na posse da marinha de Itália com o nome de Aderno. No dia 23 de Julho de 1943, foi torpedeado pelo submarino Torbay, da Royal Navy, em frente a Civitavecchia.
Tinham decorrido quase 23 anos sobre o desastre de Lisboa."
"Como tantas outras obras no Benfica, sem os Sócios não teria sido possível criar a Biblioteca da Secção Cultural.
Em 1955, o Benfica começa o ano já no Estádio da Luz, sonho tornado realidade graças às contribuições dos Sócios. Os jogadores de Futebol têm uma nova casa mobilada com donativos, o Lar do Jogador. A Comissão Central do Novo Parque de Jogos continua a incentivar a massa associativa a participar nas iniciativas de angariação, '(...) para que o Parque de Jogos venha a ser a realidade que ansiamos!'. E essa massa associativa é cada vez maior, respondendo com entusiasmo à campanha dos 30.000 Sócios.
No final do ano, a recém-criada Secção Cultural aposta na tão desejada Biblioteca. No primeiro número do suplemento, Cultura e Desporto, é lançada '(...) uma sugestão... Aproveitando a proximidade das festas de fim de ano, celebremo-las, oferecendo cada um de nós um ou mais livros!... Seria o presente de Natal de todos os Sócios à Biblioteca e ao Benfica'. O pedido é simples: livros de todos os géneros e temáticas, de forma a 'oferecer leitura útil e instrutiva ou recreativa'. Em apenas três meses, ultrapassa-se os 500 volumes, oferta de Sócios e adeptos, editores e livreiros, a quem a Secção Cultural agradece '(...) em nome de quantos, em breve, no nosso Clube poderão ter à sua disposição livros de recreio e divulgação cultural'.
Mas o caminho a percorrer não foi fácil. Sem uma sala disponível, foram colocadas estantes na Secretaria, onde se disponibilizaram as 'primeiras centenas de livros' em regime de leitura domiciliária. Para comportar o crescente número de volumes, colocaram-se também estantes suspensas nos átrios das secções desportivas. Finalmente, na década de 60, obras de adaptação da sala de jogos de cartas permitiram criar uma sala de leitura, muito apreciada pelos Sócios. 'Havia uma grande calma à nossa volta. Que bom, depois de um dia de trabalho de arrelias, de nervossísmo, poder assim mergulhar-se num «banho», não digo de esquecimento, mas de elevação'.
Sucessora das antigas bibliotecas da Rua Capelo, da Delegação das Amoreiras e da primeira biblioteca da Rua Jardim do Regedor, contemporânea da biblioteca do Lar do Jogador, a Biblioteca da Secção Cultural foi uma presença reconfortante até ao encerramento da Secretaria.
Hoje, evocamo-la no Museu Benfica - Cosme Damião. Nas molduras, livros icónicos que espelham a diversidade da colecção. No móvel vitrina, uma pequena parcela da sensação de entrar na antiga sala de leitura. Um espaço que nos desperta memórias e emoções, como só os livros sabem fazer."
Conflito: treinador leonino saiu do banco a gesticular na direcção do banco dos encarnados, Hugo Oliveira foi o primeiro a reagir à confusão no centro do relvado no fim do jogo.
Foram os capitães das duas equipas e alguns dirigentes que acabaram com a polémica no relvado antes da entrega do troféu. Sílvio e Eliseu foram os mais revoltados. Treinadores não se cumprimentaram.
Mal o árbitro Jorge Sousa deu por terminado o encontro, Jorge Jesus, treinador do Sporting, saiu direto na direção do banco do Benfica de mãos no ar e com os dedos a indicar a vitória, celebrando em jeito de dança, dando assim início à confusão que apenas terminou quando Jonas deixou o antigo técnico a falar sozinho já junto aos autocarros das duas equipas, depois de lhe dar duas palmadas nas costas afirmando: «Tem respeito!»
No relvado, foi Hugo Oliveira, treinador de guarda-redes do Benfica e antigo elemento da equipa técnica de Jesus, o primeiro a insurgir-se, antes do treinador cumprimentar o único responsável da antiga equipa, Lourenço Coelho, diretor geral dos encarnados. O tom de gozo prolongou-se nos minutos seguintes e Jonas, o único jogador encarnado que passou perto do antigo treinador levou duas palmadas na cabeça e o avançado afastou-lhe o braço à palmada. O brasileiro não gostou da atitude e das palavras trocadas, deixando Jesus de mão estendida e os ânimos exaltaram-se. A confusão no centro do relvado estava instalada. Sílvio teve de ser separado por Shéu Han, secretário técnico do Benfica, Eliseu enfureceu-se com João Mário, vindo os capitães Luisão e Rui Patrício separar colegas. Dirigentes de ambas as equipas evitaram males maiores, e Bryan Ruiz ouviu das boas de Jesus por estar a falar com Taarabt.
Com o ambiente mais calmo, Jesus ainda chamou Jonas, os dois falaram, mas o brasileiro acabou a virar costas ao antigo treinador. Este voltou a gozar com os jogadores encarnados antes de irem para a entrega das medalhas de vencidos. Rui Vitória, antes deste episódio, passou por Jorge Jesus, mas não se cumprimentaram, dando clara ideia de que as palavras do treinador do Sporting na antevisão da Supertaça não caíram bem no lado contrário.
Os jogadores do Benfica ainda aguardaram pela entrega do troféu, mas assim que o capitão Adrien ergueu o mesmo abandonaram o relvado sem qualquer troca de palavras com Jesus, excepção terá sido Salvio que ainda viu o anterior técnico a gesticular com ele, mas sem retorno. O ambiente tenso entre o grupo de trabalho do Benfica e Jorge Jesus acabou por deixar marcas."
PS: Quando o único órgão de comunicação social, que relatou as várias provocações do Animal, é o pasquim O Nojo, é sinal que isto está mesmo pelas ruas da amargura!!!
Hoje, ouvi ad mausean das TV's, e li no Rascord (entre outros...), que afinal o «Jonas reagiu mal» ao 'cumprimento'!!! Como não podia deixar de ser, isto fica para a história como o 'caso Jonas', tal como o esquema do ex-vice-presidente Lagarto, agora preso, ficou como o 'caso Cardinal'!!!
As provocações começaram antes, continuaram durante, e ganharam ainda mais visibilidade no final do jogo. A forma como tudo isto está a ser desvalorizado é inacreditável...
A tudo isto, ainda temos que acrescentar os telefonemas no início da pré-época, que aparentemente voltaram a acontecer esta semana!!! Não conheço nenhum treinador que passe o tempo todo, a telefonar para os jogadores adversários, perguntando como estão a decorrer os treinos!!!
Não consegui acompanhar o jogo, só vi pedaços, portanto não me vou alongar com analises técnicas.
Creio que ficou visível, as actuais fragilidades do plantel do Benfica, não só no 11 inicial, mas também olhando para as opções no banco...
É um facto que o Benfica precisa de reforços, mas também é um facto que temos que melhorar muito todos os processos de jogo: tanto a defender... e principalmente no ataque. Deu pena o esforço do Jonas sozinho na frente... E se o Gaitán sair, então tudo ficará muito complicado.
Não surpreende esta adaptação rápida dos Lagartos ao estilo de jogo do Judas, até porque algumas das contratações vieram rodadas... No Benfica, aconteceu o mesmo, recordo-me bem do Torneio de Amesterdão de 2009. Os problemas vêm depois...
A falta de referência ofensiva, 'encolhe' o Benfica, e facilita a pressão alta do adversário, espero que a entrada do Mitroglou (e/ou do falado Jiménez) altere a forma do Benfica atacar... Já no jogo com a Fiorentina, não tinha gostado de ver a dupla Fejsa/Samaris. Neste momento, creio que o rendimento do Samaris, sozinho, a trinco, com um '8' de qualidade, será a melhor opção...
O Rui Vitória continua a sair-se bem nas declarações, mas falta o mais importante: por a equipa a jogar bem, e ganhar!!!
Sempre defendi a competência técnica do Judas. Na última época, com um plantel com menos profundidade fomos Bicampeões... Com a saída do Judas, a estratégia nunca podia ser o desinvestimento no plantel. Independentemente do escolhido para treinador do Benfica, só com um plantel mais forte em relação à última época, é que podemos almejar o Tri, por várias razões, tanto internas (novo treinador, novos processos...), como externas (investimento enorme dos inimigos)!!! Arrisco, afirmar, que faltam 3 semanas para o Campeonato ficar decidido, para o nosso lado!!! Este atraso na definição do plantel, até pode fazer sentido na teoria (digressão Americana para 'experimentar'; esperar pelo fim da janela de transferências para conseguir melhor negócios), mas na prática, já nos custou a Supertaça, e espero que não sejamos penalizados nas primeiras jornadas do Campeonato...
Agora o comportamento do Palhaço, antes do jogo, durante o jogo... e depois do jogo, foi digno do emblema que actualmente representa: porco, muito porco. A desculpa esfarrapada que arranjou na conferência de imprensa, para justificar a atitude perante o Jonas, é tão credível, como a lenga-lenga do Sporting ser um clube com uma história vencedora!!! O Machado tinha 1000% de razão...!!!
Depois da forma como a pré-temporada foi analisada, acredito que o rescaldo desta Champions Lagarta (conhecida pela Taça do Paulo Fonseca nos Corruptos, ou a Taça do Koeman no Benfica, por exemplo...!!!), ainda vai aumentar a 'onda' Lagarta!!! Mas acho estranho que um Benfica que foi goleado por uns modestos Mexicanos, acaba por perder, somente por 1-0, com um golo de ressalto, contra a super-equipa do cérebro... Um Benfica ainda em construção, sem vários jogadores que normalmente irão ser titulares durante a época... Tendo ainda ficado um penalty por marcar sobre o Gaitán (um golo mal anulado para cada lado...), e um Adrien, versão inimputável!!! Mas também tenho a certeza, que vão encontrar explicações para isto tudo...
PS1: Este fim-de-semana na BTV, tivemos o privilégio de assistir à 1.ª jornada da Liga Francesa e da Liga Inglesa. Em Londres até tivemos alguns resultados engraçados, no Emirates, o vencedor da pré-época, que até deu 6-0 ao Lyon, que ainda a semana passada, venceu o Chelsea na Supertaça, na 1.ª jornada do Campeonato: perdeu 0-2 em casa...!!!
PS2: Já li na net, algumas comparações com os últimos derby's, onde se tenta provar que este jogo foi igual a outros, mas ao 'contrário'!!! Eu sou obrigado a recordar o último Sporting-Benfica, no Alvalixo, com o golinho do Jardel, onde o Benfica raramente passou do meio-campo...!!! Onde estava o Benfica demolidor do Judas?! Se calhar, como já sabia que na época seguinte, ia trocar de camisola, sentiu 'receio' em atacar!!!
"1. Já começou a futebol a sério mas, de verdade, só interessa a Supertaça que hoje domina, a partir do Estádio do Algarve, as atenções gerais. Até agora foi, de verdade, pré-época. Que não dá nem títulos nem troféus. Hoje sim há Taça a erguer. Supertaça a exibir. Pouco interessa que já tenha havido Taça da Liga e que desde sexta-feira tenhamos os primeiros jogos oficiais da segunda Liga. Apenas o feito do Belenenses na Liga Europa - que importa vivamente saudar nas pessoas de Rui Pedro Soares e de Ricardo Sá Pinto - mereceu um justo e louvável espaço de atenção. Como o sorteio da Liga dos Campeões que obriga o Sporting a um difícil confronto com o CSKA de Moscovo. O que interessa, de verdade, é este jogo da Supertaça. Bem promovido - uma vez mais - pela Federação Portuguesa de Futebol. O que não pode deixar de merecer, antes do jogo, um merecido aplauso e um justo reconhecimento. Mas esta Supertaça leva-nos, na realidade, à teoria dos dois eus. O eu da experiência e o eu da memória. E recordei estes dois eus a partir da conferência de imprensa de antevisão a este jogo dada pelo agora treinador do Sporting Jorge Jesus à RTP. E não corrigida na conferência de imprensa de ontem já em pleno Estádio do Algarve. O que se pressente em Jorge Jesus é uma certa ansiedade. Que o leva a momentos de obstinação e de alguma deselegância face ao Benfica e ao seu treinador. E, logo, e por conexão, aos muitos milhares de adeptos do Benfica. E recordei ainda mais as diferenças entre Rui Vitória e Jorge Jesus ao olhar para um dos livros escolhidos para ler nestas férias estivais: Pensar, depressa e devagar, de Daniel Kahneman, que recebeu o Prémio Nobel da Economia em 2002 pela sua obra, em parceria, sobre os processos de tomada de decisões. Tal como Copérnico removeu a Terra do centro do universo...
2. Acredito que os responsáveis do Benfica distribuíram, mesmo com as traduções necessárias em alguns casos, partes daquela entrevista dada pelo Jorge Jesus. E, em contraponto, a serenidade manifestada por Rui Vitória. Mas Jorge Jesus combina, em si mesmo, conforme o assume, o eu da memória com o eu da experiência. O problema é que, citando o referenciado Nobel: «O eu da memória está por vezes errado, mas é ele que classifica e rege aquilo que aprendemos a viver e é ele quem toma as decisões. Aquilo que aprendemos com o passado é a maximizar as qualidades das nossas recordações futuras, não necessariamente a nossa experiência futura.» E é, aqui, que se centra o discurso de Jorge Jesus. Sabe que o passado lhe dá prazer. Já que o que ele tem no seu cérebro é uma longa experiência de prazer. No Benfica. E apenas no Benfica. O que antecipa, porventura, é um episódio intenso de dor. Por mim desejo uma dor longa. E prazeres curtos. Bem curtos. Também desta forma persistirão os dois eus. Que é no caso de Jorge Jesus, e citando alguém, um elemento essencial na sua narrativa de vida. Naquilo que se identifica a vida como história. Sabendo nós que Copérnico removeu a Terra do centro do universo...
3. Os dois eus também se viveram, lá bem no fundo, nas eleições para a Liga de clubes. Neste arranque de Agosto ocorreu, claramente, uma alteração substancial no denominado negócio televisivo do futebol. A Benfica TV, para além dos jogos no Estádio da Luz, tem os direitos televisivos de três ligas europeias. Da Liga inglesa que já detinha da época anterior. E agora das ligas francesa e italiana. O que implica que a Sport TV apenas detém os outros jogos da Liga portuguesa e as ligas espanhola e alemã. Esta disputa nas televisões não esteve afastada das eleições na nossa Liga. Também houve, ali naquelas eleições, dois eus. O eu que num momento apoiava, sem reticências, Luís Duque e o apoiava, até, para a liderança da Federação. E o mesmo eu que, de repente, com a aliança das vozes do costume e as traições dos habituais, transferiu um conjunto de votos para Pedro Proença. Sabemos todos que há sempre escolhas. Umas livres. Outras impostas em estado de necessidade. E por forças maiores. Mas também existem inversões. O que importa é que no nosso futebol se entendam as escolhas feitas, se percebam os concretos enquadramentos e não se ignorem os valores dominantes. Que implicam o compromisso sério de todos aqueles que geram valor para a indústria do futebol. E o Benfica, quer se queira quer não, gera valor. Mais valor. Muito valor. Como todos nós sabemos!
4. Hoje termina em Lisboa mais uma edição da Volta a Portugal. O vencedor é, de certa forma, o vencedor anunciado. Quase que antecipado já que renova o triunfo do ano passado. E a Volta foi, desta forma, controlada pela equipa do camisola amarela! A competição foi assim bem estrita. Foi uma competição reduzida a alguns espanhóis - em rigor galegos! - e a alguns portugueses. Basta olharmos para a classificação final para percebermos que a competição valeu pela adesão popular e pela ligação aos Municípios que são, aliás, a par da RTP, o suporte financeiro da Volta. O que vale, de verdade, é que a Volta esteve na estrada. Nas estradas e nas paisagens únicas deste nosso Portugal.
5. A nove de Agosto de 1945, os norte-americanos, três dias após o ataque a Hiroxima, lançaram uma nova bomba atómica sobre Nagasáqui. Há alguns anos tive o privilégio de visitar o Museu da Bomba Atómica em Nagasáqui. Jamais esquecerei as cerca de três horas dessa visita. O que vi, senti e pressenti combinam, também, o eu da memória com o eu da experiência. Aqui a experiência singular de pisar o buraco bem negro onde a bomba caiu. E com estrondo rebentou. Matando num ápice mais de setenta e quatro mil pessoas. Recordo que mal saí do Museu, e como as pernas tremiam, tive que me sentar no primeiro banco que encontrei. E as lágrimas caíam na minha face. Bem sei, recordando Machado de Assis, que «as lágrimas não são argumento». Mas o que sei é que recordo cada dia nove de Agosto. E tudo dolorosamente ocorreu há setenta anos! Tal como o final da segunda Guerra Mundial!"
"Primeiro brasileiro a atuar na reformulada liga inglesa calou o estádio do Arsenal em 91 e foi comparado a Pelé e Eusébio. Hoje, vive no anonimato: "Esqueceram de mim".
O contacto e o convite para uma entrevista foram, para Isaías Marques Soares, uma oportunidade ímpar de passar a limpo sua vitoriosa carreira de jogador de futebol. Poucos são os que param para escutá-lo - os que o reconhecem, então, são praticamente uma espécie em extinção. O anonimato sufoca o ex-atacante, que hoje, aos 51 anos de idade, mora em São Pedro da Aldeia, município pequeno da Região dos Lagos do Rio, mas que já calou um Estádio Highbury com quase 40 mil torcedores do Arsenal no início dos anos 90 - foi o autor de dois dos três gols na vitória do Benfica naquela ocasião. Pouco depois, fez ainda mais história ao se tornar o primeiro brasileiro a actuar na Premier League, cuja atual temporada começa neste sábado.
Aposentado dos gramados desde 2001 - quando defendeu a Cabofriense -, o capixaba de Linhares evitou qualquer tipo de delongas na cerimônia de apresentação. Estava com pressa. Não de terminar a entrevista, mas para aproveitar cada segundo que teria para detalhar minuciosamente algumas das melhores histórias dos 16 anos de carreira profissional. Com pouco menos de cinco minutos de bate-papo, danou a falar desenfreadamente, como se estivesse, ali, decidido a abrir um baú repleto de contos desconhecidos. Com o orgulho evidente e estampado no rosto, falou sobre seu início na base do Fluminense na década de 80, a trajetória no futebol europeu - por onde actuou de 1987 a 1999 - e sobre uma palavra que o faz deixar nitidamente emocionado: Benfica. O ex-atacante actuou pelos Encarnados de 1990 a 1995, tempo mais do que suficiente para deixar seu nome gravado como um dos maiores centroavantes da história recente do clube português.
Pelo Benfica, foram 178 jogos e 71 gols marcados, dois títulos do Campeonato Português (1990/91 e 1993/94), uma Taça de Portugal e a idolatria eterna do torcedor benfiquista. Porém, mesmo com os canecos, as lembranças das vezes que balançou as redes no Estádio da Luz, na maioria das vezes, abarrotado com 120 mil pessoas - capacidade antiga do estádio -, uma marca curiosa foi repetitivamente citada por ele.
- Me ligou uma revista um tempo desses para falar comigo sobre a Premier League. Eles achavam que o primeiro jogador a disputar a Premier League foi o Juninho Paulista, mas eles esqueceram de mim. Fui o primeiro a actuar. Não sei se eles não me consideraram por causa do meu passaporte português, né? - indagou.
O ex-atacante foi o primeiro brasileiro a actuar na Premier League da Inglaterra. Embora o ex-jogador Mirandinha tenha sido o pioneiro na Terra da Rainha - quando chegou ao Newcastle, em 1987 -, Isaías foi o primeiro a disputar a reformulada, bilionária e badalada edição do Campeonato Inglês - que teve o seu início em 1992. Em uma passagem apagada, jogou no modesto Coventry City de 95 a 97, onde marcou apenas dois gols - um deles contra o Chelsea. Juninho Paulista também jogou naquele ano pelo Middlesbrough, mas entrou em campo apenas na 12ª rodada. Isaias estreou logo na segunda.
Quase como se fosse uma herança para os seus dois filhos - Lucas e Isaías -, o Profeta, como foi apelidado carinhosamente pela torcida do Benfica, lembra, com uma memória invejável, do dia em que calou o Estádio Highbury, quando fez dois gols na vitória do Benfica por 3 a 1 sobre o Arsenal e que colocou o time português na fase de Grupos da Copa dos Campeões - actual Liga dos Campeões. Além do mais, não esquece quando o treinador do Bayern de Munique, Pepe Guardiola, ainda como jogador, o parou durante uma partida entre Benfica e Barcelona pela Copa dos Campeões de 1991/1992 para pedir um simples abraço e, também, quando deixou o lendário treinador inglês, Bobby Robson, furioso por enfrentá-lo no clássico contra o Porto. Isaías ainda ergue como um verdadeiro troféu a sua foto ao lado de Eusébio - um dos maiores ídolos da história do Benfica e da selecção portuguesa -, e as capas de jornais, onde ostenta elogios de Beckenbauer e comparações até mesmo com o rei do futebol: Pelé.
Após pendurar as chuteiras no inicio dos anos 2000, Isaías decidiu fugir dos holofotes. Até se aventurou em uma nova modalidade: o beach soccer, onde disputou Mundialitos pela selecção portuguesa. Entretanto, nada duradouro. Voltou para a Região dos Lagos e encontrou em São Pedro da Aldeia a calmaria que não costumava ter em solo português. Aliou-se a duas novas paixões: a pesca e o futebol amador - aliás, por pelo menos três vezes durante a entrevista, disse:
- Vou até estrear no campeonato de cinquentão (risos). Vou lá jogar.
«Ele (Isaías) marcava mesmo, tinha muita força, muita habilidade. O cara foi o destaque no Boavista, no Benfica... sempre foi destaque. É um cara do bem, grande profissional que tem muita história para contar. Nós ali atrás falávamos isso mesmo: "A gente segura aqui, e você decide aí"»
Ricardo Gomes, actual treinador do Botafogo
Declaradamente realizado com a carreira, Isaías considera as amizades como o melhor fruto que o futebol lhe rendeu. Aposentado, planeja retornar à Portugal nos próximos meses. Com propostas para trabalhar no Benfica, o ex-atacante ainda quer correr atrás do único sonho que lhe resta: ver o filho Lucas, de 19 anos, actuar profissionalmente em Portugal e reviver todo o seu sucesso no Velho Continente.
Confira, na íntegra, a entrevista com o ex-atacante Isaías:
Português ou Brasileiro?
- Eu sou brasileiro, né. Eu sou nascido e criado no Brasil. Minha cidade é Linhares (Espírito Santo). Só que minha história no futebol foi construída em Portugal. Aqui no Brasil tive uma passagem no Fluminense em 83. Depois Friburguense, Cabofriense e depois Portugal em 87. Voltei em 2000 e terminei a carreia na Cabofriense em 2001. Minha história foi toda na Europa, nomeadamente em Portugal.
Formação no Fluminense.
- Cheguei no Fluminense e me disseram que eu ia começar a treinar já no profissional, porque o clube estava montando a equipe para o Carioca de 83. Aí falaram que tinha um jogo na semana e era o meu teste. Aí chegamos na cidade, muita festa, foguetório na cidade. No jogo, entrei no segundo tempo como ponta direita, dei dois passes e só sei que ganhamos de 3 a 1. Acabou o jogo, o supervisor me chamou e disse que tinha gostado. Aí continuei no profissional, viajei com eles, mas como o juniores estavam precisando, eu desci para o júnior. Aí fiquei um ano no júnior. Nesse ano, o Flu acabou ganhando tudo. Na época eu estava com 19 anos, no meu último ano de juniores. Aí quando estourei a idade, o Flu não demonstrou interesse, até porque tinha um elenco campeão Carioca, do Brasileiro.
Chegada em Portugal.
- Fui para Portugal em 87 fazer teste no Belenense. Cheguei em novembro, fiz um mês de treinamentos. Fiz um coletivo e o treinador era um belga (Henri Depireux), e ele disse que o Isaías era muito lento e não servia para o Belenense e, na época, eles queriam o Tita, que jogou no Fla, no Vasco. Falei "Tudo bem". Disse para o meu empresário "Vou voltar para o Brasil e no outro ano vou voltar aqui e vou mostrar que eu tinha condições de jogar aqui". E falei para o vice-presidente do Belenense " Meu nome tem dois i, dois a e dois s". Depois, voltei e os jogadores do Belenense perguntaram como foi possível o treinador e o presidente não me contratarem.
Benfica maior que Flamengo e Corinthians?
- Sempre tive muito carinho em Portugal. Torcedores do Sporting, do Porto, que me encontravam na rua, vinham falar comigo, que eu era um grande jogador, um grande profissional. Até diziam que eu não era brasileiro, com a raça que eu tinha dentro de campo, com a disposição, a entrega que eu tinha nos jogos. Então, eles gostavam disso e, até falavam "Pena que você não está no meu clube". Mas o Benfica, não vou dizer que é um Fla e um Corinthians, porque o Benfica tem muito mais sócios do que os dois. O Benfica está no Guinnes não é à toa, porque tem quase 250 mil sócios. Não são só torcedores, são sócios. Lá se a criança nasce, e o pai for benfiquista e o padrinho também for, o primeiro presente do garoto não é a bola, não. É a carteirinha de sócio. O Benfica em Portugal é muito grande, é uma nação.
Jogo contra o Arsenal pela Copa dos Campeões da temporada 91/92 no Estádio Highburry.
- O Arsenal era uma constelação de jogadores. E no primeiro jogo em casa, nós empatamos em 1 a 1. Até eu que fiz o gol. Então, empatamos em casa, o que nós vamos fazer lá em Londres? Nós só vamos cumprir tabela. Assim era a cabeça de alguns directores. Mas nós, jogadores, acreditávamos que seria possível. Então viajamos para Londres à vontade, no hotel ficamos à vontade. Mas nós, jogadores, estávamos cientes que tínhamos que tentar segurar o resultado o mais longo tempo possível. No primeiro tempo foi um massacre. A bola batia na trave, o nosso goleiro defendia, e eles fizeram 1 a 0. Aí tivemos que ir para cima. Por incrível que pareça, mais da metade do estádio era benfiquista. Empatei o jogo e fomos para a prorrogação. Começamos a jogar mais tranquilos. Aí conseguimos fazer o segundo, e eu fiz o terceiro. Foi muito importante. Então, depois do jogo foi uma felicidade total. No embargue para ir embora, os policiais não queria deixar eu embarcar, não. Disseram "Você eliminou o Arsenal" (Risos).
Estilo de jogo.
- Eu tinha consciência do que eu precisava fazer para melhorar. Tecnicamente eu não era 100%, mas era aí seus 70, 65%. Tinha consciência que com esses 70, 65%, conseguir através do meu preparo físico colocar essa percentagem a mais, eu ia ficar quase 100%. No primeiro ano de Benfica, eu morava perto do clube, do estádio. Era o primeiro a chegar. Tinha um director do clube que chegava cedo e, às vezes, ele me via correndo lá e se assustava. Ele me falava "Tu não é brasileiro, porque brasileiro tem fama de preguiçoso e tu é diferente". As coisas aconteciam porque eu fazia o extra.
Fúria de Bobby Robson, ex-treinador do Porto no início dos anos 90.
- Teve um jogo contra o Porto, que o auxiliar bateu no meu quarto e eu já sabia que eu ia ficar no banco. Aí disse para ele "Eu já sei que vou ficar de fora e vou ter que entrar para resolver. Vou entrar e vou resolver". Dito e feito.E o treinador do Porto era o finado Bobby Robson, que sempre quis me levar para lá. Nesse jogo, o Porto foi e fez um a zero e acabou o primeiro tempo. Um jogador do Porto, o Emerson, me disse que, durante a semana, o Bobby fazia tudo normal, mas quando tocavam no meu nome ele endoidava, chutava tudo o que aparecia na frente. Quando ele recebeu a informação que eu estava no banco, o Emerson disse que o velho quase teve um orgasmo. Aí, quando o treinador me chamou para entrar em campo, o estádio parecia que ia cair. Acabou que entrei e, aos 42 do segundo tempo, empatei o jogo.
Isaías, ex-atacante do Benfica.
Primeiro brasileiro a actuar na Premier League.
- Me ligou uma revista um tempo desses para falar comigo sobre a Premier League. Eles acham que o primeiro jogador a disputar a Premier League foi o Juninho Paulista, mas eles esqueceram de mim. Fui o primeiro a actuar. Não sei se eles não me consideravam por causa do meu passaporte comunitário, né?
Passagem pelo Coventry City e o carrasco escocês.
- Apareceu a oportunidade de eu ir para a Inglaterra. Joguei o primeiro ano, foi bom. Porque você sair do Benfica, um clube que joga a Liga dos Campeões, na época a antiga Copa da Uefa, para um clube que joga para não cair de divisão, ainda mais a Liga Inglesa, é muito complicado. O nível do campeonato é completamente diferente. Naquela época era ainda mais diferente. Naquele tempo, haviam restrições de treinadores de outros países europeus, sul-americanos. Então, era bola no lateral, o lateral quebra no centroavante e, no meio campo, você praticamente não via a bola. Então, foi difícil. Aí, no segundo ano, o treinador passou a ser director técnico, e um jogador passou a ser auxiliar, que era escocês. E esse cidadão (se referindo a Gordon Strachan, atual treinador da selecção escocesa) não simpatizava muito comigo. Aí chegou no início da temporada, eles me chamaram para rescindir o contrato, mas eu tinha um dinheiro para receber após o final do contrato e eles não queria me pagar. Então resolvi ficar por lá. Fique lá um ano praticamente vegetando.
João Pinto, ex-companheiro de Isaías nos tempos de Benfica.
Melhores parceiros no Benfica.
- O João Pinto (ex-jogador do Benfica, Sporting e selecção portuguesa), que eu já tinha jogado junto com ele no Boavista. No ano que ele foi lançado, nós chegamos a actuar alguns jogos, mas aí fui para o Benfica e, no outro ano, ele foi também. Para mim, foi um dos maiores jogadores portugueses que eu tive o prazer de jogar ao lado. Teve também o Rui Costa, que fez uma história espectacular. Posso até esquecer um ou outro, mas esses dois foram os que eu tive o prazer de jogar. No Benfica só tinham jogadores de nível de selecção, então, não tinha um que não fosse bom.
Vislumbre?
- Às vezes, você sempre tem aquele minuto de relaxe, que você tem que ver o que é bom, o que não é bom. Não digo nem o Caniggia, jogar ao lado de zagueiros da selecção brasileira, com o Ricardo Gomes, com o Mozer. Eles falavam "Zazá, resolve lá na frente e deixa aqui atrás com a gente". Eu falava "Os caras estão me colocando lá em cima, estão acreditando que eu tenho potencial para resolver". Isso sim, me perguntava "Opa, será que é verdade?".
Isaías, ex-atacante do Benfica.
Abraço de Guardiola (jogo entre Benfica e Barcelona na temporada 1991/1992, pela fase de Grupo da antiga Copa dos Campeões).
- Uma vez que nós caímos em uma chave com o Dínamo de Kiev, Barcelona e Sparta Praga, o Guardiola, que na época jogava no Barcelona, quando ele entrou em campo, ele veio e me abraçou "Isaías, Isaías, grande jogador, me dá um abraço?". Um cara que era um grande jogador e hoje está sendo um grande treinador. Essas coisas você diz "Caramba". Valeu a pena ter feito aquele sacrifício? Valeu. Tanto é que, hoje, se fala do Valdo, se fala do Ricardo, se fala do Mozer, mas se fala muito mais do Isaías a nível de Portugal, a nível de Benfica. Porque as histórias estão lá escritas. Vira e mexe os jornalistas estão me ligando para fazer alguma entrevista, para comentar de algum jogo entre Benfica x Porto, Porto x Benfica. Sempre para me dar alguma opinião. Porque nesses jogos eu sempre conseguia fazer jogos bons, fazer gols e dar passes.
Gols na neve.
- Teve um jogo em Moscovo também, fiz dois gols na neve. Chegamos lá era gelo para tudo o que é lado. Tudo esquisito. 15h ainda estava esquisito. Aí tivemos que jogar, a bola estava cheia de gelo. Empatamos em 2 a 2 e fiz os dois gols (o jogo em questão foi Dínamo de Moscou 2 x 2 Benfica, pela Copa da Uefa de 92/93).
Beach Soccer.
- Tinha firmado com o pessoal de Portugal que ia disputar o Mundialito porque era só o Brasil que ganhava, só o Brasil que ganhava, com o Júnior, Claudio Adão, aquela turma.
Benfica.
- Tudo o que eu sei, a nível de esporte, o que eu consegui divulgar através do esporte, foi através do Benfica. Eu tive uma passagem boa no Boavista, no Rio Ave, no Campomaiorense, mas o Benfica é o Benfica. Então, você ter feito parte de uma geração, ter conseguido conquistar dois títulos português, uma Taça de Portugal. Um cara que chegou no Benfica sem espaço, teve que buscar o seu espaço, se dedicar 200%. É maravilhoso. Eu falo do Benfica, porque eu tive a oportunidade de viver grandes momentos da minha vida dentro desse clube. Poderia ter sido outro, mas foi o Benfica. Cara, é muito gratificante.
Isaías, ex-atacante do Benfica.
Sonho.
- A única coisa que eu queria é que um filho meu tivesse a oportunidade de jogar também e eu estar lá em cima vendo ele jogar. Porque quando eu tive no Campomaiorense, nós chegamos a ir a um final da Copa de Portugal. E o treinador foi presenteado com o gol do filho. Caramba, um dia poderia ser comigo. Com meu filho mais velho não. Ele já vai se formar, está com 24 anos. Mas gostaria muito. Vou tentar até a última instância (ver o filho Lucas, de 19 anos, jogar profissionalmente).
Refúgio na Região dos Lagos
- Eu poderia ter ido lá para a minha cidade, Linhares, para Vitória (ES). Tenho muitos amigos lá. Mas eu gosto daqui demais, não sei porque razão, mas eu gosto daqui. No Rio, eu gosto muito quando eu vou para o Aeroporto (Risos), quando eu tinha que vir para cá. Não consegui me adaptar ao Rio de Janeiro, porque morei em Lisboa, uma cidade grande, agitada demais, muito trânsito, aí não dá. Então, aqui você tem um pouquinho de paz.
Vida e Futuro.
- Nada (o que faz da vida). Absolutamente nada. Mas estou pensando em voltar para Portugal, porque o Benfica já me convidou umas três vezes para eu trabalhar na TV Benfica. Porque, agora, eles tem um programa que interage com os sócios de todo o mundo através da TV. Posso ir para Portugal para fazer palestra. Posso ir para Portugal para fazer jogos. Por exemplo, tem uma cidade que está fazendo aniversário, aí você vai fazer, entendeu? Tem também uma situação do Benfica que o Eusébio era os relações públicas do Benfica e viajava para todo o mundo para visitar as casas do Benfica. Cheguei a visitar também umas duas vezes. Graças a Deus tenho esse carisma nas casas do Benfica.
Apelidos da torcida do Benfica.
- Era o Profeta, por causa do nome Isaías. Aí já cheguei barbudo, aí pegou. Mas tinha Profeta, Pé Canhão, Peito de Galo. Era bom, muito bom. Falavam também que eu chutava 10 vezes para fazer um gol. Mas imagina se todas as 10 entrassem?
Pescaria.
- Meu hobby é isso aí, pescaria, adoro. Ir lá para ilha e ficar lá dois dias pescando. Gosto muito. Acho que foi isso aí que me encantou por Cabo Frio. Quando eu vinha de férias do Benfica, eu ia embora pescar. Toda semana a gente vai. A gente não tem ido ultimamente por causa do vento. Pescar por hobby. Aquele peixinho na "pelada". Continuo jogando, né. Vou até estrear no campeonato de cinquentão. Vou lá jogar. São as duas coisas que, futebol já vem desde pequeno, e a pescaria surgiu depois. Não tem nada para fazer, vou pescar. Aí você pega o gosto. Mas tem que saber pescar."
"Você conhece o ex-atacante Isaías Marques Soares? Caso não tenha sido um torcedor assíduo do Benfica na década de 90, talvez você nunca tenha ouvido falar nesse nome. Numa época bem menos glamourosa e tampouco mediática do futebol europeu em relação aos dias autuais, Isaías marcou época na terrinha e, até hoje, é considerado um dos maiores centroavantes da história do clube português. Com a camisa dos Encarnados, actuou de 1990 a 1995, entrou em campo por 178 vezes, anotou 71 gols e conquistou dois troféus do Campeonato Português. Entre os outros clubes que ainda defendeu no velho continente, Isaías se aventurou no inglês Coventry City durantes as temporadas 1995/1996 e 1996/ 1997, que, na época, disputava a Premier League. Aliás, logo após a sua aposentadoria, Isaías defendeu a selecção portuguesa de futebol de areia em meado dos anos 2000.
Hoje, aos 51 anos e aposentado desde 2003, Isaías é morador do pacato município de São Pedro da Aldeia, localizado na Região dos Lagos, no interior do Rio de Janeiro. Entre outros afazeres, gosta muito de pescar.
Nos vídeos abaixo, confira alguns dos principais lances de Isaías com a camisa do Benfica e uma partida emblemática do jogador na vitória dos encarnados por 3 a 1 sobre o Arsenal pela antiga Copa dos Campeões - actual Liga dos Campeões - na temporada 1991/1992, no Estádio Highbury. Também confira a actuação do ex-atacante com a camisa do Coventry City no duelo contra o Chelsea, válido pela Premier League da temporada 1995/1996:
"EMPATIA não é simpatia. Simpatia, enfim, toda a gente sabe o que é. Ainda esta semana, por exemplo, foi extraordinariamente simpático o presidente da Federação Portuguesa de Futebol quando, no lançamento da decisão desta Supertaça, afirmou ser o dérbi de Lisboa 'o jogo dos jogos'. Ser-se simpático é isto mesmo. Na sua condição de organizador e anfitrião do acontecimento, Fernando Gomes tratou os dois contendores com a mesma amabilidade institucional e com a devida consideração histórica.
É bastante provável, no entanto, que no Porto esta simpatia do presidente da Federação, um trânsfuga do pior, seja considerada uma enorme falta de respeito para com o brasão não domiciliado na Segunda Circular dos lisboetas. Não se pode agradar a toda a gente por mais simpático que se seja. E ainda bem.
EMPATIA é outra coisa. Manifesta-se de modo silencioso porque envolve solidariedades afectivas e a capacidade de nos pormos no lugar do outro. Empatia, portanto, era o que estava a tardar nestes primeiros passos da relação entre o treinador do Benfica e os adeptos do Benfica. Nada mais natural, aliás. Rui Vitória acabou de chegar e estas lindas afinidades não nascem de um dia para o outro. Constroem-se. Por notória falta de tempo e também por falta de resultados fabulosos na pré-temporada, para mais nas vésperas de um "jogo dos jogos", começava a ser uma contrariedade a ausência de empatia entre adeptos e o novo treinador.
FELIZMENTE que o problema já está resolvido. Devemo-lo a Jorge Jesus, que prestou mais um inestimável serviço ao Benfica - a somar ao bonito número de títulos conseguidos em meia dúzia de anos - quando disse que a única novidade da equipa de Rui Vitória é que 'o cérebro não está lá'. Parem as rotativas! Era mesmo uma coisa destas, insultuosa e descabelada, que o Benfica precisava para se congregar afectuosamente em torno do seu novo treinador. É que nem de encomenda qualquer outro 'produto' do mais avançado 'marketing' resultaria tão bem.
E é assim, subitamente unido, que o Benfica avança amanhã para a decisão da Supertaça. No mais ideal dos estados de alma que, não garantindo de modo algum a vitória, garante para já um outro espectáculo de imenso impacto social: a descoberta pelos benfiquistas de que o seu ex-treinador, afinal, tem um ego maior do que o Taj Mahal, coisa de que nunca na vida tinham desconfiado."
"O investimento que o Benfica está prestes a fazer em Raúl Jiménez deixa claro que Luís Filipe Vieira não esqueceu - nem podia esquecer - a promessa feita a Rui Vitória. Jesus beneficiou durante anos de plantéis de sonho, formados por jogadores do pelotão de elite do futebol mundial. Como Di Maria, Ramires David Luiz, Javi García, Witsel, Enzo Pérez, Garay ou Matic. Bons de mais.
O novo treinador ainda encontrou qualidade, mas... não tanta. Mitroglou (27 anos) e Jiménez (24) vêm, por isso, devolver o poder de fogo que se perdeu com a saída de Lima. Luís Filipe Vieira tem, no entanto, bastante mais com que se preocupar, nomeadamente com um lateral que continua a faltar, com um extremo à altura de Salvio (que só voltará em 2016) e com uma solução para a muito provável saída de Gaitán. Ou seja, há trabalhos que provavelmente vão durar até ao final de Agosto. A boa notícia, para os adeptos do Benfica, é que o aparecimento em cena de Mitroglou e de Jiménez é um sinal de que o presidente das águias está de regresso aos primeiros mercados.
O Sporting não foi feliz com o sorteio para o playoff da Champions: um adversário forte (e que já está em plena competição) e uma viagem longa para discutir o acesso à fase de grupos. É verdade que também se trata de uma boa oportunidade para acertar contas com a história diante de um CSKA de Moscovo que, em 2005, ergueu a Taça UEFA em Alvalade. Mas é bom que estejamos conscientes do nível da equipa russa.
NOITE de gala no Dragão. O FC Porto apresenta-se frente ao Nápoles e Casillas será, seguramente, o reforço mais ovacionado pelos 50 mil adeptos que vão estar nas bancadas. Hoje é que vamos assistir, verdadeiramente, ao primeiro dia do resto da vida de Iker."
Não consegui acompanhar o jogo todo, mas pelos comentários gerais, e pelos momentos que vi, este resultado é extremamente injusto... jogámos muito mais, merecíamos a vitória.
Provavelmente, a equipa B mais jovem de sempre (do Benfica e de outra qualquer equipa...), num ervado impróprio para se jogar futebol, e mesmo assim deu para ver um Benfica organizado, a sair com bola no pé... Só a exibição extra-terrestre do guarda-redes adversário impediu a nossa vitória... Boas indicações para a época, que começou esta noite.
Depois de uma boa pré-época, apesar da juventude, parece que temos mesmo 'equipa'!!! Além do aspecto colectivo, reconheço potencial individual a 9 destes jogadores para subirem à equipa principal (Nunes, Lystcov, Dawidowicz, Sanches, Carvalho, Andrade, Gonçalves, Sarkic, Berto), e se calhar, alguns vão ter essa oportunidade durante a época que está a começar!!!
"Embora eu não atribua quase nenhuma importância à prova que se disputa domingo, no Estádio Algarve, quero, como sempre, que o Benfica a vença. É um troféu oficial. E como tal será para fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para vencer.
Verdadeiramente importante é estar na Supertaça. Pois isso significa que se venceu uma das duas provas mais importantes da última época. Quero mesmo é estar na próxima Supertaça. A minha verdadeira preocupação centra-se no plantel de que vamos dispor para disputar o título nacional. Esse é o verdadeiro objectivo. Não são os resultados da pré-época que preocupam. Já algumas exibições deixaram os adeptos apreensivos. Por agora, sem razão.
Temos esperança de que se vá melhorar muito, e por isso o caminho deve ser de confiança. A pré-época da última época não foi melhor, e a época foi fantástica. Samaris, Júlio César e Jonas também chegaram depois da época começada e mudaram o curso da história da época 2014/2015.
Quero muito ganhar este domingo ao Sporting, e ainda mais no domingo que se segue ao Estoril.
Mitroglou vem preencher um vazio no imaginário dos adeptos. Esperemos que também seja de tamanha utilidade para Rui Vitória. Era claro que se precisava de reforçar o ataque. Saíram Lima e Derley, Rui Fonte foi emprestado para jogar com assiduidade, e na frente o Benfica precisava de mais poder de fogo.
Como sabem, no carrossel de entradas e saídas só dia 31 poderemos avaliar em definitivo o que dispõe cada plantel. Até lá tudo o que se diga ou escreva é precoce.
Domingo no Algarve já é a sério e serve de aperitivo para a longa época. Vamos tentar vencer este primeiro título sem dramas nem euforias.
"A Águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Chega a viver 70 anos.
Mas, para chegar a essa idade aos 40 anos, ela tem que tomar uma decisão muito séria e difícil. Nesta idade, ela está numa espécie de fim de linha.
As unhas, antes compridas e flexíveis, agora não conseguem mais agarrar suas presas, fonte de seu alimento. O bico elegante, alongado e pontiagudo, curva-se agora excessivamente contra o peito. As asas estão envelhecidas e pesadas pela grossura das penas. Voar passou a ser tão difícil e penoso!
A águia, nesse momento, só tem duas alternativas: morrer... ou enfrentar um doloroso processo de renovação, que irá durar 150 dias.
Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher em um ninho próximo a um paredão onde ela não necessite voar.
Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico no paredão, até conseguir arrancá-lo, à custa de imensa dor. Depois de arrancá-lo, espera nascer um novo bico, que será usado para arrancar suas velhas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, ela passa a arrancar suas velhas penas.
Somente após 5 meses, é que sai então para o famoso vôo da renovação e para viver mais 30 anos.
Em nossa vida muitas vezes, temos de nos resguardar por algum tempo e começar um processo de renovação.
Para que continuemos a voar um vôo de vitória, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causam dor.
Somente livres do peso do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz...
Terminou o período dedicado às experiências, onde existe margem para errar, e os resultados não são mais que um mero detalhe. Jogadores e técnicos cumpriram o plano de trabalhos delineado, a equipa preparou-se, e testou o que havia para testar. Agora é a sério.
A Supertaça abre portas à temporada oficial. Trata-se de um troféu importante, que pode também servir de mola impulsionadora para uma época vitoriosa. Em ocasiões recentes, verificámos o quanto pesa uma Supertaça na moral de quem a disputa, e as consequências que tem para as competições posteriores. Ainda há um ano, o triunfo sobre o Rio Ave, em Aveiro, deitou para trás das costas o cepticismo que já se estava a criar, e inaugurou um ciclo de vitórias que terminaria no Marquês. Uns anos antes, recordo-me, pelo contrário, de uma derrota com o FC Porto marcar negativamente toda a temporada que se lhe seguiu.
E esta é uma Supertaça muito especial. Trata-se de um Benfica-Sporting, e como se a força simbólica do 'dérbi eterno' - com tudo o que ele, só por si, significa - não bastasse, os encarnados terão pela frente o seu ex-treinador, num reencontro que não pode deixar de apimentar ainda mais a ocasião, e que deve servir-nos de motivação suplementar. Podemos, desde já, começar a demonstrar que a estrutura que suporta o nosso futebol não depende de nenhum funcionário, e que os títulos não se transportam numa qualquer mala de viagem. Perante todas as circunstâncias que a rodeiam, talvez esta seja a Supertaça mais importante de sempre. O estádio vai estar cheio. O apoio será total. Venha de lá a vitória!"
"Na semana passada, partilhei a evolução do meu número de Sócio para demonstrar que o crescimento da nossa massa associativa foi muito significativo nas últimas décadas e que é normal, com o processo de renumeração, verificar-se uma diminuição acentuada da quantidade de Sócios.
Este fenómeno, comum a qualquer clube, deve-se a falecimentos ou à incapacidade do pagamento de quotas (agudizada nos últimos anos), mas sobretudo aos 'sócios de ocasião'.
Por 'sócios de ocasião' entendo todos aqueles resultantes de campanhas de mobilização clubistas (p.e. em 1994, após a crise de tesouraria e o título nacional, houve um enorme aumento de sócios) e/ou comerciais (o "Kit Sócio" apela ao sentimento clubista e introduziu a possibilidade de oferta do mesmo e descontos em produtos e serviços de parceiros do Clube), mas que, passado algum tempo, se desinteressam. São também grande parte dos atletas de todas as modalidades e escalões, sabendo-se que existe uma rotatividade significativa na composição desses plantéis, com centenas de entradas e saídas anualmente. Também muitos dos ex-funcionários. E ainda o pai ou mãe que se associa ao Clube para que os seus filhos possam ser Sócios isentos do pagamento de quotas até aos 14 anos e usufruírem de descontos relevantes nas mensalidades da modalidade por eles praticada.
Perante este enquadramento, não me surpreenderá se assistirmos a uma grande redução do número de Sócios, nem me preocuparei muito com isso.
Mais importante será compararmos o total de associados após as renumerações efectuadas ao longo da nossa história. Pouco acima dos 41500 em 1974, quase 66000 em 1986, cerca de 78000 em 1993, à volta de 135000 em 2005..."
"Jorge Jesus mudou de lado na Segunda Circular. Mas continua igual ao que sempre foi. Por isso, não vale a pena aos benfiquistas indignarem-se pelas declarações do treinador do Sporting, muito menos aos adeptos dos leões aplaudirem agora o que antes verberavam. A verdade segundo Jesus é simples: na Luz, nada mudou, apenas o cérebro já lá não mora; e em Alvalade foi preciso dar uma volta de 180 graus, o que não abona ao trabalho entretanto por lá realizado...
Mas Jorge Jesus é assim mesmo, para o bem e para o mal e é por essas e por outras que estamos perante uma personagem complexa e muito interessante.
Quem quiser ter um pouco de memória, decerto se lembrará como Jorge Jesus chamou a si os louros da primeira época de Domingos Paciência em Braga. Tratando-se da mesma pessoa, seria de estranhar que, depois de seis anos de bom trabalho no Benfica, não viesse reivindicar os direitos de autor pela equipa orientada por Rui Vitória.
A Supertaça Cândido de Oliveira, vista pela óptica do Planeta Jesus, já tem vencedor: Jorge Jesus. Se ganhar o Sporting foi pelo que já fez; se ganhar o Benfica, foi pelo que deixou feito. O que é certo é que o Sporting está a contratar em série, caindo por base a tese inicial de que iria investir sobretudo no treinador. Os leões já vão em oito novos jogadores, abandonaram a Teoria de Alcochete que os norteava e dotaram-se de argumentos fortes para se assumirem como candidatos ao título. E se o fazem é, certamente, porque podem, uma vez que nada do que está a ser levado a cabo é barato. Há dois meses, Bruno de Carvalho não sabia com que orçamento podia contar. Hoje, transformou-se num big spender. Algo mudou no reino do leão. O tempo dirá porquê."
"Ei-los que estão de volta.
Ainda não acabaram as férias e já esqueceram as noites de farra no Marquês, deitaram para trás das costas o facto de o seu Clube ser Bicampeão Nacional no Futebol e renegaram o ano mais triunfante de sempre do SL Benfica em todas as modalidades. Lá estão eles, em directo e online desde os sofás, toalhas e espreguiçadeiras de praia, a exigir o rolar de cabeças, a atacar as decisões de quem decide o caminho do Clube. Todos os anos é a mesma coisa.
De calções e chinelos no pé, são também eles os mestres da táctica, os suprasumos do mercado de verão, os melhores olheiros do planeta. Ficam acordados noite dentro para ver os jogos-treino, disputados a feijões, e poder dizer mal assim que o árbitro apita para o fim. Desdenham das novas contratações, arrasam os novos valores que subiram dos Juniores e da equipa B, atiçam o povo contra o novo treinador. O normal, portanto. Foi assim na pré-época passada quando o SL Benfica foi despachado sem apelo nem agravo na Emirates Cup.
Dizem-se Benfiquistas, mas são-no pouco. Estão ao nível do uruguaio Mini Pereira, que se vendeu por prato de lentilhas e dentro em breve estará a terminar carreira no mais completo anonimato. Têm aquele síndrome de pequenez típica dos sportinguistas, só olham para o quintal do vizinho para ver se a vaca está mais gorda ou se a relva está mais bem cuidada. Invejam a contratação de Franguillas, sonham com os milhões fictícios de um qualquer banco amigo e estão à espera de Domingo à noite para dizerem: 'Eu bem vos avisei'.
Estão enganados. E vão ter que meter a viola no saco.