Últimas indefectivações

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O pêndulo

"Época 2016-17: derrotas no Funchal à 12.ª jornada, e em Setúbal à 19.ª. O que têm estes dois resultados em comum para além de terem sido os únicos desaires do Benfica nessa temporada? É que, em 60 jogos do campeonato português, foram também essas as únicas derrotas encarnadas com Ljubomir Fejsa no relvado. Nas restantes partidas disputadas pelo internacional sérvio desde que em Agosto de 2013 chegou à Luz, a equipa somou nove empates e 58 (!) vitórias. Mais dados estatísticos: quatro vezes campeão; e onze títulos nacionais em dez anos de carreira profissional (numa temporada foi campeão na Grécia e em Portugal), o que creio ser caso único no futebol mundial. Na verdade, ele quase não sabe o que é perder.
Os números não enganam. Fejsa é craque, e é uma referência do Benfica triunfante que nos tem encantado nestes últimos anos.
Não se trata de um desequilibrador. É antes alguém que assegura os equilíbrios na parte mais recuada do terreno, fazendo-o com segurança, com autoridade e com classe. Está sempre no sítio certo. Ganha sempre no sítio certo. Ganha duelos individuais. Recupera bolas como poucos e entrega-as com critério. Com Fejsa em campo, até os colegas rendem mais. Pena que os problemas que frequentemente lhe afectam o joelho não lhe permitam jogar sempre. Mas fica também a sensação de que, não fossem eles, Fejsa já não estaria no campeonato português. Fisicamente a 100% teria lugar garantido em qualquer equipa do mundo. Aos 29 anos, ainda podemos esperar muito do médio sérvio. Desde logo que, com a nossa camisola, ainda some mais alguns títulos à sua já recheada carreira."

Luís Fialho, in O Benfica

CARnaxide

"A construção da Cidade Desportiva das Modalidades do Sport Lisboa e Benfica em Oeiras é uma notícia fantástica! Será um marco na vida do maior clube português e na história de um dos concelhos mais desenvolvidos de Portugal. Construir uma infra-estrutura com esta dimensão exige quatro valores - competência, motivação, determinação e execução. Quanto à competência, teremos de valorizar o rigor, a excelência, o talento empreendedor e a aprendizagem contínua.
Em relação à motivação, há que dinamizar as pessoas envolvidas, motivar e inspirar o êxito, promovendo o trabalho em equipa e a diversidade. Quanto à determinação, não tenho dúvidas que saberemos actuar decisivamente e com resiliência, tendo a capacidade para remover os obstáculos que surgirão. A parte mais complexa será a de execução, que exigirá a apresentação de resultados, a simplificação e redução da complexidade, estimulando sempre a melhoria continua, a gestão rigorosa do desempenho e a natural atribuição de responsabilidades. Promover o CAR do SL Benfica  é o compromisso do presidente Paulo Vistas. A Câmara Municipal de Oeiras será, seguramente, um parceiro credível. Tal como tem acontecido ao longos dos 11 anos de existência do Caixa Futebol Campus com a Câmara Municipal do Seixal, em Oeiras estaremos em casa. Quem conhece a obra da actual vereação e, sobretudo, os projectos em curso, só pode estar confiante. Paulo Vistas já provou ser um autarca muito determinado e de palavra. Não duvido que o futuro das nossas modalidades está assegurado. Saibamos todos remar para o mesmo lado. Seja na Luz, seja no Seixal, seja em Oeiras, o importante é a confiança e a visão de futuro."

Pedro Guerra, in O Benfica

O presente depende do futuro

"Há momentos da vida de alguma instituições em que o significado do futuro prevalece sobre a importância do tempo presente. Mas nem sempre é assim. A este respeito, por exemplo, o entendimento do presidente de uma corporação de bombeiros na martirizada zona do Pinhal português pode infelizmente ter muitas semelhanças com a perspectiva do responsável de uma chafarica cujo negócio pessoal e da família, assente exclusivamente em vender promessas aos iludidos clientes, há uma data de anos. Nestes casos, a opção é sempre e só a mesma e depende das circunstâncias e até dos protagonistas das decisões...
Para concretizar um pouco mais: a própria concepção de futuro que um ancião de oitenta e tal anos, coagido e apertado de todos os lados pelos fiscais das finanças e do fisco e sempre às voltas com escabrosos processos judiciais, será parecida com a de um Sundar Pichai, o actual CEO da Google, que nasceu na Índia e estudou e trabalha na América, sendo quarenta anos mais novo? E Paulo Amorim, também por exemplo: com qual dos dois campos se identificará mais a jovem presidente da maior empresa portuguesa, que é o Grupo Amorim?
Pensei nisto, faz hoje uma semana. Na passada sexta-feira, completavam-se onze anos sobre a abertura do Caixa Futebol Campus. Ora, nesse mesmo dia, o Presidente Luís Filipe Vieira, acompanhado pelos vice-presidente Domingos Almeida Lima e Fernando Tavares, anunciava in situ, na serra de Carnaxide, o lançamento do novo Centro de Alto Rendimento do Benfica para as Modalidades, isto é, cá em Casa, o presente depende do futuro."

José Nuno Martins, in O Benfica

O fim da linha?

"Terá Rui Vitória compreendido bem o que significa a noite de Basileia num clube tão grande como é o Benfica?

Compreendo até que possa soar estranho, mas deve o Benfica admitir que o pior da humilhante noite de Basileia nem foi obviamente a derrota. Jogar fora de casa na Liga dos Campeões é difícil para qualquer equipa e, portanto, seria de esperar que fosse difícil para o Benfica esta viagem ao campo do campeão suíço, sobretudo se pensarmos que o Benfica já há muito que não anda propriamente de boa saúde competitiva e mesmo tendo em conta que este Basileia faz parte da terceira divisão europeia e nem é o Basileia que, apesar de tudo, conseguiu ser aqui há quatro ou cinco anos.
Nesse sentido, claro que podiam os campeões portugueses voltar a ter, agora em Basileia, uma noite infeliz, porque pode ter. Perder, pois, custaria sempre, porque perder pela segunda vez nesta Liga dos Campeões complicaria ainda mais as contas encarnadas na prova, e porque voltar a perder seria perder ainda mais do menor ânimo que a equipa tem mostrado no campeonato.
Em todo o caso, qualquer derrota seria sempre mais aceitável, evidentemente, se os adeptos vissem a equipa jogar outro futebol. E essa é que é a questão chave: o futebol, que a equipa joga e o futebol que a equipa não parece capaz de jogar!

O pior, em Basileia, parece não ter sido, pois, a derrota. O pior foi o tão pouco que a equipa jogou. E a baixa intensidade com que joga. E a fragilidade táctica. E a falta de andamento. O parecer que joga num ritmo de treino e de um treino muito pouco exigente. O pior foram os erros tão evidentes e tão chocantes.
O pior foi ver o confrangedor da opção por Júlio César na baliza, porque a experiência do Júlio César já não compensa a falta de agilidade. Como pode um guarda-redes a este nível evitar permanentemente qualquer contacto físico com os adversários (por certo com receio de voltar a lesionar-se...) e tornar-se assim um alvo tão frágil como o foi na triste noite de Basileia? Deu Júlio Cèsar algum frango? Não, na verdade não. Mas abordou quase sempre assim tão mal os lances) Sim, na verdade sim. Mal, muito mal. Tão mal que nunca foi Júlio César capaz de desafiar corajosamente o duelo com os pés dos adversários, como, no mínimo, se exige a qualquer guarda-redes na Liga dos Campeões. Revejam as imagens e logo perceberão o que quero dizer.
O pior foi também ver a opção por Jardel em vez do promissor, jovem, fresco e mais rápido Rúben Dias, porque já tinha ficado claro que Rúben Dias está, nesta altura, muito mais apto do que Jardel a dar à equipa o que ela precisa. E o que dizer da decisão de deixar de fora Seferovic logo no jogo em que Seferovic, por todas as razões e mais uma, mais poderia dar emocionalmente ao Benfica?
E pior ainda foi ver-se, depois, o treinador trocar então Jonas por Seferovic quando a equipa já perdia por 0-3 e contava apenas com dez homens em campo.
À procura, Rui Vitória, de quê? Não pensou no risco de desastre absoluto? Não foi capaz de prever que assim sujeitaria a equipa a perder por cinco, como perdeu, ou por seis ou sete, como quase chegou ao ponto de perder?
O pior, na verdade, foi, enfim, ter-se visto a equipa completamente perdida em campo. Sem rei, sem roque, sem norte, sem alma, sem a cabeça limpa, como se viu sobretudo na expulsão de André Almeida mas também na chapada (que o árbitro, felizmente para o Benfica, não viu) que Jonas, naquele mesmo momento, deu no número 11 Steffen.
O pior, realmente, para o Benfica não foi perder.

O pior foi ter ficado a sensação que a equipa não tem nesta altura capacidade para fazer muito melhor, mesmo frente a um adversário de baixo estatuto como é o Basileia, que, diz a estatística, parece que não ganhava na Liga dos Campeões há 11 jogos, ou seja, há quase, três anos (desde Novembro de 2014) e há quase dez mil minutos de jogo!!!



Tem, aliás, a estatística servido algumas vezes ao treinador do Benfica para justificar mesmo o que não parece lá muito bem justificar dessa maneira - como Rui Vitória fez, por exemplo, ao tentar justificar a pretensa influência de Filipe Augusto no jogo da equipa. Pois desta vez diz a estatística que nos 90 e poucos minutos da humilhação de quarta-feira não fez o Benfica qualquer remate enquadrado com a baliza do Basileia. Neste caso, sim, o que diz a estatística explica muito do que se passou. E nem é preciso recorrer a mais estatística. E muito menos puxar dos galões da posse de bola porque isso só aumenta a vergonha e ainda torna a emenda bem pior do que o sonete!
Muito pior do que perder foi ver o Benfica ser goleada pelo modesto Basileia quase da mesma maneira como foi goleado pelos outro modestos suíços do Young Boys, num 1-5 só disfarçado pela pré-temporada mas que não deixou de levar então o jovem Cervi a desabafar no final um «isto não pode voltar a acontecer».


A derrota desta semana na Suíça não é apenas e segunda pior derrota de sempre do Benfica na Europa, a seguir aos 0-7 de Vigo, há quase 20 anos, sofridos apesar de tudo frente a um Celta que era incomparavelmente muito mais equipa e jogava muito mais futebol do que este Basileia. Agora, o desaire de Basileia não é, pois, o segundo pior de sempre. É, que me lembre, o mais humilhante de todos. Humilhante, creio é mesmo a palavra certa!
Se compreender isso, poderá Rui Vitória ter ainda alguma esperança de conseguir inverter esta história e eventualmente reconduzir o Benfica à linha que, apesar de todas as circunstâncias especiais (e foram muitas, a meu ver, as circunstâncias especiais, que não vêm agora ao caso...), o levou nos dois últimos anos tetra.
Mas se Rui Vitória não o compreender, então pode ser o fim da linha.
Os sinais, para já, dizem que não compreender. Porque se tivesse compreendido teria deixado uma palavra (e, porventura, um pedido de desculpas) aos adeptos e, sobretudo, aos adeptos emigrantes (que incompreensivelmente não deixou) pela vergonhosa e triste que a equipa os levou a passar, e teria dado ordem para, à chegada a Lisboa, seguir tudo para o Seixal para estágio, treino e restante trabalho, até à viagem para o Funchal, onde, já este domingo, há um jogo que o Benfica deve, obrigatoriamente, exigir a si próprio um só resultado: ganhar!
Rui Vitória não fez nem uma coisa (mensagem aos adeptos) nem outra (fechar a equipa no Seixal). Terá compreendido bem o que significa a noite de Basileia num clube tão grande como o Benfica?
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

PS: Este é um daqueles típicos artigos de ataque pessoal só porque sim!!! Desde dos bitaites tácticos (ex: o Seferovic que nos últimos jogos andava a 'pedir' banco; passou a insubstituível...); à ideia peregrina de 'prender' os jogadores no Seixal; ao estranho 'esquecimento' do momento da equipa junto dos adeptos no relvado; e principalmente da forma premeditada, como este e todos os outros jornaleiros, nos últimos dias 'esqueceram-se' da relativamente recente derrota do Benfica em Atenas, também com uma goleada: mas nessa altura o treinador era outro, o actual génio do portunhol!!!
E até a forma, como num texto tão grande, o colunista convenientemente não referiu nem uma vez as 'culpas' na construção do plantel...!!! Não fazia jeito a 'culpa' ser partilhada com terceiros, o importante era 'isolar' o treinador!!!

Causas remotas, soluções futuras...

"Luís Filipe Vieira gizou um projecto desportivo para o futebol do Benfica baseado no enquadramento de jovens talentos, provenientes quer do Seixal, quer do prospecção, feito por jogadores com créditos firmados. Esta fórmula só funciona bem se nem se forçar demasiado a nota à procura de talento transbordante onde ele é apenas residual, nem se descurar a qualidade dos demais players.
O que está acontecer no presente é que, por um lado, depois de safras excepcionais, de onde brotaram, entre outros, Ederson, Cancelo, Bernardo, Guedes, Renato, A. Gomes ou Nélson Semedo, no horizonte encarnado não se vislumbram, para já, talentos de calibre equiparável (o que não encerra nenhum pecado, porque só quem não percebe nada de futebol pode pensar que uma academia de um clube é igual a uma fábrica de alicates). Por outro, aos elementos enquadradores está a faltar a capacidade de outros tempos, nomeadamente a Júlio César e Luisão, quiça os casos mais gritantes.
Mas o que aconteceu em Basileia foi demasiado grave para ser explicado apontado erros individuais, a essa constatação deve remeter a solução do problema, para outros patamares: o do treinador, a quem deverá ser imputada a responsabilidade pela falência táctica e estratégia de uma equipa que só parece ser trabalhada para jogar de uma maneira; e o da SAD, que acautelou o equilíbrio entre a cantera e os outros.
Olhando para o curtíssimo prazo, Marítimo (fora) e Manchester United (casa), são os desafios que podem definir a profundidade da crise encarnada. Mas a questão mais global do futebol do Benfica irá permanecer na ordem do dia..."

José Manuel Delgado, in A Bola

O cartão de crédito de Vieira

"Luís Filipe Vieira conquistou um crédito quase ilimitado junto dos benfiquistas nos últimos anos, fruto dos seis títulos conquistados nos últimos dez anos e da obra feita. Manuel Vilarinho começou a obra de reconstruir o clube depois da calamidade Vale e Azevedo e Vieira prosseguiu o caminho até conquistar a glória interna. Gastou muito; o Benfica começou a ganhar dentro de campo até que chegou a hora de começar a pagar a factura financeira e reduzir a dívida.
O caminho encontrado foi o de começar a olhar com maior propriedade para a formação e, nessa altura, em 2015, já com um bicampeonato no bornal, decidiu que Jesus não era um homem indicado para este projecto e decidiu-se por Rui Vitória. As duas primeiras temporadas correram de feição e Vieira começou a capitalizar financeiramente o sucesso desportivo, vendendo os principais activos da equipa, até que chegou ao início desta temporada. Estava à vista de muitos - excepção feita os arautos da versão oficial - que o plantel tinha deficiências. Vieira usou os créditos que tem junto dos adeptos e não recorrei a novos créditos exteriores para ir buscar reforços - aqui deve ler-se na verdadeira acepção da palavra e não o ir buscar jogadores só porque sim. Para esta estratégia resultar, contou com um treinador benévolo no relacionamento com a sua estrutura, que não reclama, pelo menos em termos públicos, por melhores jogadores.
O pior nesta altura para os encarnados é terem a percepção de que a exibição e a goleada sofridas em Basileia não foi conjuntural mas estrutural e vem na sequência de uma série de erros na construção do plantel que, no curto prazo, só se resolve com dinheiro. Resta saber se Vieira vai continuar a gastar os créditos do seu cartão ou se vai manter-se inamovível no caminho. Não é fácil, porque também estará consciente que, tal como os financeiros, os créditos de simpatia também se esgotam."

Hugo Forte, in A Bola

Jogamos para quem?

"Quando se transforma um jogo de futebol num espectáculo desportivo passamos a ter mais um objectivo -satisfazer o público. Passamos a jogar também para os espectadores. Aumentamos as responsabilidades de todos os intervenientes. Não perdemos nenhum dos outros objectivos, com destaque para jogar bem e vencer o adversário, este o primeiro objectivo desde que se começa a jogar na escola primária.
O gosto pelo jogo é, pois, fundamental para que se jogue bem. O espírito competitivo deve ser incentivado na mesma proporção que o respeito pelos adversários. No futebol profissional jogamos por nós e para o público. Os espectadores são fundamentais para o sucesso de uma equipa e da competição. Formar jogadores mais completos ajuda a formar melhores espectadores futuros. Como tal, o processo de formação, num clube profissional, deve assumir frontalmente que este tem como objectivo fundamental a preparação qualitativa e quantitativa de jogadores que possam dar o seu contributo ao futebol profissional. Poucos chegarão a este patamar, contudo o entendimento do jogo será absorvido por todos. Não é um objectivo único, porque a prática do futebol e um processo de formação escolar nunca deixarão de estarem presentes. A transmissão de valores, desportivos e humanos, próprios dos jogos colectivos, complementam todo o processo.
A Federação está a dar passos seguros em matéria de certificação dos clubes formadores, compete-nos a todos perceber que também temos que jogar para o público e com público. Não para o público televisivo. Este está a ser um calcanhar de Aquiles do futebol profissional em Portugal. Importa analisar o problema de fundo, porque um jogo de uma competição profissional é para os adeptos. Sem público não ganha o jogo, nem a competição, nem a televisão. Temos de fazer tudo para levar público aos estádios. Tudo!"

José Couceiro, in A Bola

Um passo de gigante

"Depois da inauguração do Centro de Treino e Formação do Seixal há mais de uma década, o Benfica vai deixar a sua marca no domínio da criação de condições de excelência para a alta competição: a prioridade chama-se agora o Centro de Alto Rendimento em Carnaxide, onde o atletismo e o râguebi terão um espaço nobre, um modelo de fazer inveja a qualquer outra instalação desportiva em Portugal nestas duas modalidades. A intenção é dotar o clube de instalações modernas, onde possa coexistir a formação e a competição, um pouco à semelhante do que se passa no Seixal. O custo é de 17 milhões de euros.
Nos dias de hoje não há tempo a perder em criar modelos. Isso custa muito dinheiro e a política do Benfica parece ser outra. Manter equipas competitivas, mas olhar cada vez mais para a formação. No complexo da Luz ainda há espaço para a formação e competição das modalidades de pavilhão, mas existem outros desportos com tradição no clube que requerem atenção. Sem casa própria desde há muitos anos, o atletismo e o râguebi podem enfrentar daqui a alguns anos sérios desafios de forma a honrar os pergaminhos do clube.
Por outro lado, o Centro de Alto Rendimento em Carnaxide traduz-se num sinal de viragem. Há uma posta muita forte na ciência do treino, investigação, o que permite modelar quem, efectivamente, tem condições para chegar longe na elite. Estamos a falar em representações nacionais a europeus, mundiais e Jogos Olímpicos, o que significa que a curto prazo tantos os treinadores como os atletas terão as melhores condições. Depois serão as capacidades psicológicas a ditar a diferença na competição."

De Vieira a Bas Dost

"A popularidade de Luís Filipe Vieira será hoje posta à prova. Não há assembleia gerais para analisar o rendimento das equipas de futebol, mas a fase que o Benfica atravessa fará com que esse acabe por se transformar no tema da noite. É inevitável. E que fase é esta que os encarnados atravessam? Se falarmos das últimas 4 semanas, é uma fase má. Se falarmos dos últimos 2 meses, é uma fase boa, que até já inclui um título conquistado (Supertaça). Se falarmos de 2017, então passa a ser uma fase extraordinária, com 3 títulos ganhos (Liga, Taça de Portugal e Supertaça) e com vendas de 150 milhões de euros.
Dos últimos 16 troféus disputados em Portugal, o Benfica ganhou 12. O Sporting venceu 2, o Sp. Braga 1 e o Moreirense o outro. Esta é uma realidade. A outra é a de que o tetracampeão definiu o penta como próximo objectivo e que, até ver, as coisas estão a correr mal. Por quê? Talvez porque se tenham feito más opções no mercado. Se foi isso, só há um caminho a seguir: aguentar até Janeiro e corrigir aí o que houver para corrigir.
Em Alvalade, Bas Dost ficou em ponto de mira por ter passado a bola a um colega em vez de ter rematado à baliza do Barcelona. Vejam lá melhor o lance. Bas Dost iria rematar com três adversários em cima e, por isso, preferiu oferecer a Bruno Fernandes a possibilidade de disparar sem ninguém por perto. Tomou a melhor decisão."

Uma questão de grandeza

"A música dos históricos rivais do Benfica, no que diz respeito ao rendimento e aos resultados (não) alcançados pelas respectivas equipas principais do futebol profissional, tem sido a desafinação objectiva que se conhece. Se o Sporting está, não tarda, há 16 anos sem vencer um campeonato, o FC Porto jejua vai para cinco.
No domingo, dia 1 de Outubro, há clássico em Alvalade, mas leões e dragões, pelo que vão debitando de forma sistemática nos seus canais, mantêm a evidência de que apenas têm olhos para o Tetra que assumidamente quer ser Penta. O Benfica ganhou 12 dos últimos 16 troféus disputados a nível nacional, é um facto. Pouco simpático para os maiores adversários, deve admitir-se, mas é um facto. 
O Clube impôs o seu vigor, vincando e reforçando a sua grandeza a cada sucesso e, não menos relevante, nas adversidades demonstrou ser capaz de assumir e aprender com os erros para vencer e tornar a vencer.
Correr e batalhar pela revalidação do título nacional, em busca do histórico Pentacampeonato, é um propósito explícito do Benfica desde o primeiro segundo da preparação para a temporada 2017/18. A luta prossegue no domingo, na Madeira, diante do Marítimo, em jogo da 8.ª jornada da Liga NOS."

Alvorada... do Júlio

Benfiquismo (DCXI)

Sentimento...

Aquecimento... rescaldo

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Olhanense

Na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal (a nossa estreia), vamos a Olhão...
Agora, no Campeonato de Portugal (IIi Divisão), depois de vários problemas financeiros após a passagem pela I Liga.

Não foi mau, mas podia ser melhor: como todos os jogos com os 'grandes' são considerados jogos de alto risco pelas autoridades, o 'perigo' de jogar num campo sem condições é quase mínimo, assim o maior 'perigo' destes sorteios (além da possibilidade de enfrentar um 'grande'...) são as distâncias...! Preferia um jogo perto de Lisboa, mas...

O relvado em Olhão costuma estar em condições horríveis... vamos ver!!!

O jogo vai ser disputado depois da paragem das Selecções, com o Benfica - Manchester United logo a seguir, imagino que a partida seja antecipada, provavelmente para Sexta-feira (ou ainda mais cedo), 'abdicando' o Benfica dos Internacionais (Eliseu, Dias, Fejsa(?), Samaris, Zivkovic, Salvio, Jiménez, Seferovic, Joãozinho e Digui).

Em condições normais, o Campeonato é o grande objectivo... nos últimos anos, todos os Benfiquistas gostaram de vencer as Taças, mas nestas primeiras eliminatórias nunca houve 'pressão', porque as coisas estavam bem encaminhadas no Campeonato... Recordo-me por exemplo da vitória à rasca sobre o 1.ª Dezembro, na época anterior...!!! Este ano, o cenário é bastante diferente...
A margem de erro não existe, e com as contas do Campeonato complicadas, a vitória nas Taças tem outro impacto... Mesmo que uma eventual conquista de uma Taça nunca substitua o 37, vencer uma Taça, em vez de não vencer nada, é significativo...

Vontade tira discernimento

"Nem só com músculo e coração se ganha. Não deve ignorar-se a razão e a concentração.

Golo madrugador
1. Mesmo perante uma derrota por números tão expressivos, não pode apontar-se o dedo aos jogadores do Benfica em termos do músculo e coração que meteram no jogo, mas faltou algo fundamental, a estabilidade emocional. Provavelmente pelo momento que a equipa atravessa (mesmo vindo de uma vitória frente ao Paços de Ferreira), a vontade de ganhar e de dar uma resposta cabal retirou discernimento europeu aos encarnados, daí resultando sucessão de erros que não são normais. O primeiro golo do Basileia nasce de uma lançamento de linha lateral favorável ao Benfica, no último terço ofensivo, com a formação suíça a iniciar uma transição rápida, a contrastar com a lentidão do Benfica na recuperação defensiva. Essa desvantagem no marcador, muito cedo, obrigou Rui Vitória a alterar o plano de jogo inicial, alteração essa que passou essencialmente por subir o bloco colectivo, tentando pressionar o Basileia na sua primeira fase de construção, o que por sua vez deixou maior espaço nas costas da linha defensiva das águias.

Papel químico
2. Seria em mais uma bola parada a favor do Benfica (um canto) que o Basileia voltaria a marcar, novamente num ataque rápido e outra vez com a equipa portuguesa a não conseguir ganhar a primeira e a segunda bola e a sentir dificuldades para acompanhar a velocidade dos homens da casa. Dois golos quase a papel químico em termos de organização, face à lenta recuperação do Benfica.

Corredor esquerdo
3. Com Grimaldo e Cervi a funcionarem de forma positiva em termos ofensivos, explorando muito bem o espaço dado pelo Basileia no seu sistema de 3x5x2, o facto é que foram os mesmos intervenientes a sentir dificuldades em termos defensivos, sendo este o corredor preferencial para o Basileia chegar e importunar a baliza de Júlio César.

Descontrolo emocional
4. Com a entrada no segundo tempo e, pouco depois, o terceiro golo do Basileia, notou-se algum descontrolo emocional nos jogadores do Benfica, no que é exemplo a expulsão de André Almeida ao minuto 63. Com vantagem de três golos no marcador e em superioridade no número de jogadores, a equipa suíça preocupou-se em jogar mais no erro do Benfica, sem correr riscos, chegando dessa forma ao 4-0 e 5-0. Os últimos 15 minutos foram um inferno para os jogadores do Benfica, ansiosos pelo apito final."

Armando Evangelista, in A Bola

A arena de combate do futebol português

"Há pouco mais de uma semana, disputou-se em Dublin, capital da República da Irlanda, o jogo de futebol mais importante do ano naquelas paragens.

Mais de 80 mil pessoas assistiram no estádio à partida entre a equipa de Dublin e a de Mayo, enquanto centenas de milhares de outras a acompanharam pela televisão nas casas, pubs e restaurantes da cidade. Convém abrir aqui um parêntesis para explicar que desporto é esse a que os irlandeses chamam futebol. Na verdade, trata-se de uma mistura entre futebol, básquete e râguebi outrora muito promovida pelos nacionalistas irlandeses, que viram no desporto uma forma de afirmar a sua identidade.
Cada equipa tem 15 jogadores e, apesar das semelhanças com o râguebi, tudo se passa de forma limpa e correta. Olhando para o nosso futebol, embora seja aparentemente um desporto mais pacífico, o ambiente é claramente menos recomendável. Basta olhar para os tempos mais recentes: o Sporting faz “queixinhas” sobre jogos em que não é tido nem achado, que envolvem o clube rival, tentando prejudicá-lo; o director de comunicação do FC Porto ameaça e faz revelações sobre a vida interna do Benfica; L. F. Vieira faz comentários perfeitamente dispensáveis sobre Bruno de Carvalho, chamando-lhe “mitómano” e comparando-o a Vale e Azevedo. Insólito? Bizarro? Patético? É tudo isso e mais ainda: é a demonstração de que, fora das quatro linhas, o futebol português se tornou uma espécie de arena de combate em que vale mesmo tudo para desestabilizar o adversário.
Com a agravante de que qualquer boca, insulto ou acusação é amplificado/a até à exaustão nos intermináveis e indigentes fóruns de comentário desportivo. Os irlandeses têm fama de bêbedos e briguentos, mas depois da final do campeonato nacional pôde ver-se os adeptos dos clubes rivais conviverem em boa paz. Alguém consegue imaginar isso depois do Sporting-Porto do próximo domingo? Embora nos consideremos um “povo de brandos costumes”, por cá as coisas descambam facilmente para a violência, com episódios de pancadaria e até com vítimas mortais. Já era altura de os dirigentes deixarem de contribuir para esse ambiente de ódio cego e estúpido."


PS: Pois é, e este moralismo de algibeira também não ajuda!!! Então, os exemplos que o cronista conseguiu encontrar, envolvem os Corruptos e o Benfica?!!! E o Sporting?!!! E o principal responsável por ter baixado o nível das discussões futebolísticas abaixo de qualquer taberna?!!! O tal mitómano!!! Ou o Tareco do Mitómano, mais conhecido por Pug Saraiva?!!! Não houve uma única declaração que pudesse ter sido usada como exemplo nesta crónica, envolvendo os dois?!!!
E já agora, em relação ao Vieira, a acusação que vez ao mitómano, foi feita em determinado contexto, e por acaso, até é absolutamente verdadeira... após o próprio mitómano o ter admitido em público!!! Portanto como é que se continua a comprar o incomparável?!!!
E se o cronista for Benfiquista, sou obrigado a perguntar, se para se poder escrever num pasquim qualquer é obrigatório demonstrar activamente que é um 'não-Benfiquista'!!!

Corria atrás das camionetas do lixo

"Houve um dia em que os tanques soviéticos entraram na Checoslováquia. Esse dia foi terrível para um homem chamado Emil Zatopek.
Há checos admiráveis. Por exemplo: Jaroslav Hasék.
Autor de uma das obras primas da literatura do mundo: O Valente Soldado Shcveik. Absolutamente obrigatório!
Dizia Hasék: «Não há lugar onde seja mais fácil roubar do que em Praga. E, estivesse ele onde estivesse, ia ao mais fundo dos bolsos das pessoas e desaparecia sem ser visto».
Os soviéticos foram ao mais fundo dos bolsos de Emil Zatopek, a Locomotiva de Praga.
Em 1946, tinha a II Grande Guerra chegado ao fim, as forças aliadas estacionadas em Berlim resolveram organizar uns campeonatos de atletismo. A Checoslováquia tinha um único representante: marchou, orgulhosamente, na cerimónia de abertura, segurando a bandeira do seu país. Em redor do estádio, o público casquinava risadas imbecis: aporrinhava a sua figura esquelética, escanzelada. 
Apepinavam Emil Zatopek!
Na prova de 5000 metros dessa espécie de olimpíada de trazer por casa, o escanzelado de Praga foi correndo, correndo, simplesmente correndo. Era aquilo que ele sabia fazer. Dava voltas à pista de cinza ultrapassando adversários e voltando a ultrapassá-los.
Havia 80 mil pessoas a vê-lo nessa tarde de Berlim.
Nunca mais o esqueceram.
Praga é uma cidade que parece recortada em cartolina colorida.
Os topos das igrejas erguem-se por cima das casas como se dedos infantis tivessem gasto o seu tempo nos rococós pontiagudos, aqui e ali desacertados na imperfeição própria de um trabalho de meninos. 
Dezenas, centenas de igrejas. Recortes em escada a partir do rio, a crescer por cada uma das margens do Vlatva. São Nicolau, Nossa Senhora de Týn, São Francisco Serafim, São Venceslau, São Salvador, São Clemente.
E Emil! Emil Zatopek!
Depois de os tanques soviéticos terem esmagado as ruas de Praga, houve uma súbita oposição passiva.
As pessoas faziam-se tolas como o Valente Soldado Shveik.
Se um soldado soviético perguntasse alguma coisa, por mais simples que fosse, a resposta deveria ser tão intrincada como os infinitos labirintos de Kafka, tão grotesca como Gregor Samsa, de repente transformado num enorme escaravelho.
Até as tabuletas de indicações foram mudadas de lugar.
Não havia soldado soviético que se orientasse naquela praga de Praga.
Na Praça de São Venceslau, uma manifestação tomou forma.
Zatopek ia a passar, no seu passo firme. Chamam-no! Aclamam-no!
Era um homem simples, Zatopek.
Exigem-lhe que fale, a ele que não sabe o que dizer naquela situação; obrigam-no a exprimir-se, a ele que só quer correr dali para fora como fizera em Helsínquia, em 1952, vencendo os 5000, os 10000 metros, a Maratona.
Nunca ninguém como Emil Zatopek!
Ele solta a palavra que o há de prender: daí a pouco serão os Jogos Olímpicos do México, 1968, exige aos soviéticos que respeitem a trégua sagrada de Olímpia, condena a invasão, embaraça-se no pensamento e no discurso que lhe tolhe o pensamento.
Nesse tempo, Emil Zatopek era um arquivista cinzento de um ministério mazombo. Foi exonerado, erradicado do exército, proibido de residir em Praga.
Roubaram-lhe tudo. Até a dignidade.
Exila-se no noroeste do país, junto à fronteira alemã: Jachymov. Trabalha nas minas de urânio, empurra vagonetas, suja a farda de ganga coçada.
Ah! Que nome extraordinário: Emil Zatopek!
Seis anos mais tarde, os novos governantes de Praga, roubam-no outra vez: exigem-lhe que regresse à capital, servirá de exemplo para aqueles que se opuseram ao barulho sinistro das lagartas dos tanques soviéticos esmagando o empedrado matemático da Ponte Carlos.
«Há mais igrejas em Praga do que dias num ano», escreveu Ingvalt Unsted.
Zatopek poderia ter esfregado a pano as fachadas das igrejas de Praga.
Havia algo que ninguém, nem todos os ladrões de Praga, podiam roubar a Emil Zatopek - a popularidade. Foi varredor de ruas e gritavam o seu nome enquanto varria ruas. As pessoas debruçavam-se nas janelas para ver Zatopek esvaziar baldes de porcarias urbanas na sua dignidade de homem que aceitava as porcarias humanas. Erguia um caixote e estralejavam as palmas. Os seus companheiros de trabalho recusam-se a partilhar horários com ele, sentem-se diminuídos, assumem a vergonha de uma tirania que não é deles.
Jan Echenoz escreveu como ninguém sobre Emil Zatopek: «Um homem doce…».
E ele corria, na sua passada inconfundível e vitoriosa, na peugada das camionetas do lixo que percorriam as ruas de Praga com as suas mais de quatrocentas igrejas…"

O “imperativo” da felicidade - um exercício de liberdade ou enclausuramento?

"De uma forma geral, a felicidade tem sido considerada como uma das principais âncoras para alcançarmos o que desejamos - a investigação tem demonstrado como a experienciação deste "estado de alma", facilita o nosso "drive" para atingirmos certos resultados ou a nossa vontade em termos relações sociais com ao adequado laço afectivo.
Por esta razão, este tema tem vindo a ganhar cada vez mais espaço em todas as áreas de performance, sendo fácil encontrar inúmeros relatos da sua aplicação no contexto desportivo, empresarial ou na vida em geral das pessoas. 
Globalmente, associamo-la a níveis elevados de bem estar e saúde mental.
Conscientes deste impacto, investigadores de diferentes universidades têm-se dedicado nas últimas décadas a tentar compreender porque é que existem pessoas mais felizes que outras e como poderemos tentar alcançar maiores níveis de felicidade.
Em paralelo, e acompanhando este movimento da ciência, multiplicaram-se milhares de livros de auto-ajuda sobre o tema (só na Amazon, aparecem mais de 20.000 exemplares diferentes!), eclodiram um sem número de "líderes espirituais" (infelizmente, na sua grande maioria, mais focados em fins próprios comerciais do que em ajudar verdadeiramente o outro...) predispostos a ajudar os demais a alcançar a emoção mais desejada e, inclusivamente, assistimos a uma tendência gigantesca em associar a felicidade às experiências que vivenciamos no dia-a-dia, motivando as pessoas a uma busca continua e incessante de... felicidade.
Mas, será que esta "vaga de felicidade" estará a aproximar-nos, efectivamente, desse objectivo? 
Lamentavelmente, esse não parece ser esse o caso. De facto, andamos antes a "treinar", o que poderíamos chamar de acções de "sensation seeking" e "risk taking", muitas vezes associadas a comportamentos de adição (que se traduzem, numa "espécie" de sensação momentânea de "felicidade"... falsa - porque externa e não internamente motivada).
Atendendo a que a investigação nos aponta para duas importantes dimensões, que confluem na nossa percepção de felicidade, que são a satisfação global que temos com a nossa vida e a percepção de felicidade subjectiva (em cada acção do nosso quotidiano), de repente, tudo à nossa volta nos "empurra" para a necessidade de procurarmos introduzir cada vez mais experiencias de felicidade na nossa agenda.
Resultado: uma gigantesca dispersão para tentar introduzir uma multiplicidade de estímulos, buscando sempre a "próxima" experiência de "bem estar" e, invariavelmente, e porque estamos a falar apenas, em mais uma forma de treinar comportamentos aditivos... a necessidade de ELEVAR cada vez mais o nível de risco nas actividades que escolhemos (e, aqui, podíamos estar a falar de coisas tão distintas como saltar de paraquedas ou, por exemplo, "flirtar" com um(a) estranho(a) enquanto o(a) nosso(a) parceiro está sentado na sala ao lado...).
Os fenómenos de adição são já de tal forma visíveis que os estudos nos indicam que os "viciados na felicidade", transformam-se invariavelmente em pessoas demasiadamente egocêntricas, cegas na sua busca de Felicidade, com muito menos capacidade de introspecção, danificando por completo aquelas que são as suas relações significativas - onde, de resto, assenta uma larga fatia da possibilidade de podermos, de facto, experienciar felicidade.
Muitas vezes, esta rede de suporte social da pessoa em questão, ainda têm que "levar" com o "teatro dos iluminados"... ou seja, assistirem de muito perto a um exercício de superiorização e soberba, onde "eles é que sabem, estão num nível superior de desenvolvimento e, por isso, vão ensinar quem está à sua volta a encontrar também a felicidade"... muitos acham até, que encontraram a "sua vocação" quando, na realidade, e assistido de perto, mais não é do que uma extrema necessidade de validação, assente na "vampirização" dos afectos e reconhecimento do outro (ficaríamos aqui a escrever 3 dias sobre tema).
De facto, em 20 anos de carreira, nunca vi alguém, genuinamente mais "evoluído" em termos do seu desenvolvimento pessoal, preocupado em fazer "uma campanha de marketing" acerca disso... na realidade, são até as pessoas que, muitas vezes quase em "silêncio", nos acompanham ao longo de uma vida, contudo, são quase sempre, os nossos "pilares".
São pessoas que, ao invés de rejeitarem as emoções negativas, antes as aceitam e integram na sua vivência, sem medo ou vergonha de, pontualmente, assumirem que estão tristes, angustiados, deprimidos... enfim, infelizes!.
É que, paradoxalmente, a investigação também nos indica que, só consegue ser genuinamente feliz, quem for igualmente capaz de experienciar a profunda tristeza - por outras palavras, é importantíssima uma boa capacidade de regulação e adaptação emocional.
E agora, em que ficamos?
Na realidade, até a investigação nos indica, actualmente, que quanto mais perseguimos a felicidade, menos a conseguimos experenciar e, curiosamente, também aqui a questão prende-se com algo que é muito trabalhado na área da performance:
Preocupamo-nos demasiado com o resultado (ser feliz) e pouco com o processo.
Por outras palavras, o que estou, de facto, a fazer de forma sistematizada (com todas as etapas de treino de resistência à frustração, inevitavelmente necessárias) para me aproximar desse propósito? 
Em suma, procurar coleccionar experiências de felicidade atrás de experiências de felicidade, com 30 amigos diferentes (já agora, emocionalmente, não conseguimos manter relações com a necessária qualidade emocional com mais do que uma mão cheia de pessoas...), traduz-se inevitavelmente, num efectivo treino de uma espécie de "rush" emocional, em nada diferente de nos sentarmos à frente da televisão a "devorar" um quilo de chocolate.
É que, a felicidade é subjectiva e é um processo descoberta interna (às vezes lenta) que tem que, necessariamente, possibilitar a nossa vivência como seres inteiros que somos - logo, integrando as "ditas" emoções negativas que, quase sempre, são o berço da nossa felicidade.
Porquê, então, fugir delas?"

Valentino Rossi: génio corajoso

"Valentino Rossi nasceu para ser corredor de motos. Este fim-de-semana, apesar de ser quinto no GP Aragón, foi 3.º na classificação para a corrida. Notável! A lógica e a idade não contam para ele. Foi corajoso e valente em ter corrido mesmo diminuído fisicamente com uma perna partida. Não tem nada a provar (38 anos, 9 títulos, 115 vitórias e 360 grandes prémios disputados), é um corredor imprescindível como cartaz no MotoGP.
Uma corrida com a presença de Rossi não tem nada a ver sem ele. Não desiste de ser pela décima vez campeão.
Há muitos anos deixei de ter um clube de futebol preferido. Quando mais novo, era do Benfica pelo Eusébio, um jogador assombroso que deu tudo pelo Benfica, chegando a jogar magoado e com analgésicos porque a sua presença em campo era importante, no plano monetário e desportivo. Nesse tempo confundia-se o Benfica com o Eusébio. Sigo o futebol português com algum distanciamento, sem clubite e sem paixão exacerbada.
Em Espanha sou pelo Real Madrid enquanto lá jogar o Cristiano Ronaldo. Sigo o Mourinho para onde ele for. Já fui pelo Chelsea, depois pelo Inter de Milão, a seguir pelo Real Madrid, mas já o era em Espanha pela presença do Ronaldo. No futebol italiano seguia o Roberto Baggio onde ele jogasse: Milão, Juventus, Inter de Milão e Brescia. O jogador mais completo que vi jogar no futebol italiano, uma espécie de 9 e meio que jogava atrás do ponta-de-lança
Em Inglaterra sou pelo Manchester United, via Mourinho. Tenho por hábito seguir pessoas e não clubes. No ténis sou um fã de Federer e a espaços de Del Potro por influência do meu filho. No ciclismo Nibali admiro muito, gosto de Froome mas tem sempre uma equipa que o ajuda muito.
Nas motos sou um incondicional de Valentino Rossi, mesmo gostando de Miguel Oliveira que é português. Rossi é um génio e uma alegria na minha vida e nos fins-de-semana que corre. No GP San Marino não correu e eu não vi a corrida. Voltou com a sua recuperação espectacular e surpreendente, lá estive a ver a extraordinária corrida, mesmo com a perna fracturada, ficando em 5.º lugar.
É um consolo vê-lo correr. No dia que se retire será um dia de luto para mim. Sinto-me um felizardo de estar vivo e ter tido o prazer de ver correr Valentino Rossi, chegando a vê-lo ao vivo no Estoril em que dava quase uma volta ao 2.º classificado.
Por ele cheguei a ter moto quando era mais novo, ter o prazer de andar de moto e sinto-me totalmente identificado com ele. Tenho-o no rol dos meus amigos virtuais.
A sua recuperação passados 22 dias demonstra que a medicina tem evoluído muito. Mas, também, prova que Rossi com 38 anos o seu corpo está aí para as curvas e permite-lhe acalentar a esperança de vencer o seu 10.º título Mundial. Há dois anos roubaram-lhe um título mais que certo pela habitual união espanhola contra o italiano. Mas o mais importante é a ambição e ganas de correr.
Resta este ano a Rossi utilizar as corridas como preparação para a próxima época 2018/2019, em que espero que não seja a última.

Nota: FC Porto em grande! Benfica um desastre! Sporting assim-assim!"

Alvorada... do José Nuno