Últimas indefectivações

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

As recomendações dos árbitros

"Todos percebem o que é claro e está à vista. Ninguém percebe o oposto

Regra geral, no arranque dos campeonatos os árbitros recebem novas indicações. Essas recomendações, que ocorrem em todos os países, são pertinentes e bem intencionadas. Umas vezes, a ideia é corrigir algum tido de situações sinalizadas como incorrectas. Outras, é acompanhar boas práticas internacionais. Por vezes, o objectivo é apenas afinar critérios. É e foi assim desde sempre.
Suponhamos, por exemplo, que se tinha detectado que os árbitros lidavam com protestos de forma muito suave. Na época seguinte, a recomendação expectável seria para que tivessem mais pulso, outra firmeza disciplinar. O exemplo entende-se a todas as outras situações tipificadas como mal geridas: simulações, perdas de tempo, uso dos cotovelos, excesso de amarelos, entradas violentas, etc.
Compreensível e natural. Mas o reverso da medalha deste tipo de acções é que muitas vezes cria nos árbitros uma espécie de mudança de chip sazonal. Na prática, ano após ano muda a abordagem num ou noutro aspecto de jogo.
Essa alteração táctica leva, por vezes, a mudanças que o futebol não percebe: por exemplo, se os árbitros exibiram muitos amarelos vão agora esforçar-se para baixar esse registo mas nos mesmos incidentes que antes penalizaram. Ninguém percebe. Se alguns lances forem considerados mal analisados (entradas, agarrões, tacles, empurrões, etc.) passarão a ser apreciados de forma distinta em relação a anos anteriores, mas os incidentes são os mesmos. A lei não mudou. Ninguém percebe. E embora tenham sido dadas indicações oportunas para clubes e imprensa, o povo não sabe.
É inevitável que essa colisão resulte em várias incongruências. A primeira é que há adeptos com memória selectiva, que vão sempre comparar lances idênticos com análises diferentes. A segunda é que sempre que essas recomendações sugerirem maior amplitude disciplinar, os adeptos só vão aplaudir até ao momento em que o jogador adversários não vir o segundo amarelo ou vermelho directo. A terceira é que no caso de se recomendar maior tolerância disciplinar, o próprio árbitro ficará refém dessa estratégia, acabando forçosamente por afunilar o critério. Isso porque na recta final do jogo, os jogadores (com menos oxigénio no cérebro e mais fadiga nas pernas) tendem a cometer mais erros. E é aí que saem cartões que não saíram antes por motivos semelhantes. O apelo que aqui deixo é a sensatez. É importante que os árbitros encontrem a calibragem perfeita para aplicarem as indicações que recebem sem desvirtuarem a sua forma habitual de actuar. Esse equilíbrio é possível se estiverem cientes de que o futebol deve ser aquilo que se espera que seja. Simples. Perceptível. Claro.
Por vezes, a melhor estratégia é descomplicar: aviso para aqui, falta para ali, amarelo para acolá. Ponto.
Todos percebem o que é claro e está à vista. Ninguém percebe o oposto."

Duarte Gomes, in A Bola

Foi para isto mesmo

"No lançamento do jogo, Rui Vitória dedicou algum tempo a falar de Seferovic. Disse mesmo que foi para mostrar isto (leia-se entendimento com Jonas e golos) que o Benfica foi buscar o ponta-de-lança. Ora, como bom suíço que se preza, Seferovic não deixou os créditos por mãos alheias e ao cair do pano, pelo buraco da agulha, teve uma finalização sublime e deu os 3 pontos ao Benfica.
Foi sofrido mas merecido. Depois de uma 1ª parte intensa em que o Chaves conseguiu dar (muito) troco, o Benfica assumiu por inteiro a despesa do jogo e os transmontanos, à falta de fundo de maneio mais generoso, mas sem querer viver só de esmolas, tiveram de ser austeros e poupados. Não foi suficiente. A fortuna do suíço dá todo o crédito ao Benfica. A verdade é que os grandes sofreram muito esta jornada. Foram também iguais no resultado mas alcançaram o essencial. E ninguém pode contestar o mérito das suas vitórias.
O Sporting joga o acesso à Champions com o Steaua. Os leões são favoritos mas é importante que respeitem não apenas a história do maior clube da Roménia mas também a ambição que o adversário tem. A pressão de ganhar não é uma sensação invulgar. O cenário de um jogo fechado, também não. Não basta, por isso, ser mediano. Tem de ser um Sporting de Champions."

Imaginem que era com o Benfica

"1. Imaginem que o Benfica vencia um jogo em casa com um penálti discutível, assinalado aos 86 minutos por um árbitro que, nas duas partidas anteriores do clube por ele arbitradas, já havia marcado quatro penáltis, três deles favoráveis. Imaginem ainda que, terminada a partida, Rui Vitória, com candura, afirmava que o árbitro em questão estava "melhor de ano para a ano".
Não é preciso grande imaginação para antecipar o que sucederia. Declarações inflamadas de directores de comunicação, posts no Facebook de presidentes, adeptos inflamados nas redes sociais e apelos à regeneração do futebol português. Se este cenário se tivesse concretizado, não faltaria quem garantisse que pouco contava o que as equipas jogavam, as vitórias do Benfica deviam-se ao controlo das arbitragens.
Para que conste, tendo em conta o domínio do jogo, o Sporting mereceu vencer o jogo contra o Setúbal (se bem que, no futebol, não se ganhe aos pontos); a jogada decisiva pode bem ser penálti (da mesma forma que há muitos penáltis semelhantes que não são assinalados e chega a ser comovente ouvir os mesmos que declaram, sem hesitações, que a falta sobre Bas Dost não deixa dúvidas e relembrar o que disseram sobre a jogada a papel químico, na temporada passada, sobre Lindelöf em Alvalade). Quanto a Bruno Paixão, a aproximar-se do ocaso da carreira, mesmo tendo melhorado, continua a ser um árbitro sofrível.
Um olhar optimista vislumbra, contudo, virtudes no que aconteceu ao Sporting. Tendo a temporada começado sob o mesmo manto de desconfiança com que terminou o campeonato passado, este episódio em Alvalade pode ter um efeito profilático. Demonstrar que todos os clubes têm razões de queixa e, também, motivos para agradecerem às arbitragens e que, ao contrário do que se quer fazer crer, o futebol português tem feito muitos progressos na regulação, na disciplina, na promoção do jogo e até na qualidade das arbitragens. Falta, contudo, que o ambiente em torno do futebol se torne mais respirável.
Para começo de conversa, era necessário que os directores de comunicação perdessem protagonismo e não passassem o tempo a desafiar as suspensões que sobre eles incidem; que a direcção da Liga cuidasse activamente de defender o futebol português e que o tempo perdido na comunicação social em análises infindáveis e subjectivas ao desempenho dos árbitros fosse substituído por discussão sobre o jogo jogado. Será pedir muito?

2. O Benfica fez mais do que o suficiente para vencer o jogo contra um Chaves de futebol positivo, com a marca de um treinador de grande, Luís Castro. A mesma vontade de vencer, um sem número de oportunidades de golo e até – tal como contra o Braga – uma dinâmica ofensiva mais interessante do que na temporada transacta (muito fruto da participação do avançado ‘3 em 1’ que é Seferovic). Até ver, o Benfica está a jogar mais futebol do que na época passada."

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Os campeões das pequenas coisas

É bem verdade que um campeão, em Portugal, precisa de ser o mais regular dos mais fortes. Como é verdade que dificilmente se pode explicar um campeão por um lance, um pormenor, um momento, muito embora para a posteridade tenha ficado aquele título do FC Porto à custa do improvável golo de Kelvin. Mas é importante reconhecer que um campeão também pode ser construído por pequenas coisas, como essa de ser capaz de acreditar que pode vencer até ao último momento do jogo.
Ontem, o Benfica deu um pequeno, mas não se sabe se importante passo, no caminho difícil e ainda longínquo dessa sua ambicionada conquista do penta. Um jogo muito complicado, que nem sequer correu ao sabor dos ventos da fortuna. Um adversário competente, muito competitivo, muito a saber o que tinha de fazer em campo, coisa que não é propriamente uma novidade nas equipas de Luís Castro. E, mesmo assim, o Benfica foi mentalmente forte para marcar e merecer marcar o golo da vitória já além daqueles noventa minutos que muitos comentadores televisivos, não se sabe bem porquê, costumam classificar de regulamentares.
Da explicação da história do jogo rezará, obviamente, a crónica na visão do cronista, mas é imperativo assinalar a boa saúde física e mental deste Benfica com assinatura de Rui Vitória. Acossado por críticas, dúvidas e pelos maiores elogios aos seus adversários mais directos, o Benfica, tal como já parecia prever o seu treinador, começou mal a pré-época, mas começou bem a época. Um título na Supertaça e duas vitórias firmes no campeonato em jogos de alto coeficiente de dificuldade."

Vítor Serpa, in A Bola

"Em mangas de camisa"

"Mau futebol, má conduta e arbitragem desastrosa, e malvestida, arruínam o primeiro jogo da época.

A 29 de Outubro de 1933 'abriu, finalmente, a época da bola'. 'Com uma concorrência regular e muito entusiasmo do público', o primeiro desafio do Campeonato de Lisboa teve início às 15 horas, no Campo de Santo Amaro. O Benfica e o União de Lisboa foram os protagonistas.
'As «equipes» entraram no rectângulo sob uma calorosa ovação, dando assim o público largas ao seu entusiasmo por ter acabado o «defeso» da bola'. Todo este êxtase, porém, depressa esmoreceu. Mau futebol, má arbitragem e não menos má conduta da assistência transformaram uma agradável tarde de 'football num espectáculo pouco recomendável'.
O primeiro tempo decorreu sob calma e correcção, mas na segunda parte 'o ambiente aqueceu' e 'o jôgo tomou uma feição deselegante, enveredando-se pelas violências'. Do espectáculo, constaram apedrejamentos recíprocos entre o público benfiquista e um jogador do União. 'Resultado: o ficou cheio de pedras, um espectador saiu com a cabeça a escorrer sangue e a Guarda teve de entrar em acção.'
Mas não foi só a 'pobreza de actuação das duas «equipes»' e a falta de civismo dos adeptos que arruinaram a tarde. A 'falta de «pulso» do árbitro também ajudou. Segundo a Stadium, 'O sr. Américo Lopes foi o único culpado de tudo quanto se passou em Santo Amaro. (...) Tecnicamente, a sua arbitragem constituiu um desastre. (...) Equivocou-se demasiadamente, assinalando faltas que jamais existiram, e deixando passar em claro outras'. 'O seu apito, de som fraquíssimo', também não esteve à altura. 'Não foram poucas as vezes em que os jogadores não lhe obedeceram, por o apito não se fazer ouvir como devia.' E, como se não bastasse, também a sua indumentária ficou aquém. Apresentou-se, parecendo ir para um «pic-nic»'. E a mesma revista acrescenta: 'O sr. Lopes há  de convir que não é traje próprio para se apresentar perante o público. Até por uma questão de higiene. Até porque é olhado com mais respeito'.
A 5 minutos do apito final, o Benfica fez o 2-1 e, com 'uma vitória arrancada a ferros', venceu a primeira jornada do Campeonato.
São inúmeras as situações peculiares que ligam o Benfica a outros clubes de Lisboa. Conheça algumas delas na exposição Lisboa e Benfica - 20 Clubes, 20 Histórias, na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Alvorada... "Manteiga" no rescaldo

As Regras dos Jogos... Transferências

(...) acredita que há algo de Tarantino na época de Jardel e que Pizzi merece um qualquer tacho institucional no futuro

"Bruno Varela
Excelente defesa aos 48’ a cimentar o seu estatuto de único gajo em condições de safar isto. Não lhe deram muito mais para fazer. Bruno Varela vai percebendo aos poucos que a titularidade de um guarda-redes num clube grande tem tudo para se tornar uma opção bastante sedentária, especialmente quando esse clube tiver uma defesa 100% funcional.

André Almeida
De cada vez que André Almeida saca um cruzamento, parece ser a primeira vez que o faz. Já para o adepto, é sempre como se fosse a centésima nova vez. O desfecho é sempre uma incógnita: nunca sabemos se a bola vai para o pinheiro, para o pinhal ou para a outra linha lateral. Enfim. Seja a defender ou a atacar, André Almeida tem sempre aquele misto de entusiasmo e deixa-me lá ver como é que se faz isto, um tipo de atitude que é amorosa numa criança de 4 anos e num futebolista profissional se torna assustadora. A malta reconhece o voluntarismo de André Almeida, mas vê-lo semanalmente a titular sabendo que não há pelo menos um Nélson Semedo a recuperar de lesão é uma actividade muito desgastante em termos emocionais.

Luisão
Foi batido uma vez de forma comprometedora, por Ricardo Carvalho, perdão, por Nuno André Coelho aos 75’. Tirando isso resolveu quase tudo o que lhe apareceu à frente e só não marcou porque a bola passou muito longe da baliza em todas as tentativas.

Jardel
Ok, já percebemos. Os dois primeiros jogos de Jardel a titular foram aquela cena do Kill Bill em que a Uma Thurman acorda numa cama de hospital, ainda debilitada e sem força para se levantar, e começa a preparar a sua fuga. O desgaste físico é brutal. Uma Thurman mal se consegue mexer, mas ainda não perdeu totalmente a lucidez. Bastou acordar do coma para voltar a si. Há no entanto uma diferença importante que devemos referir: ao contrário do que acontece no filme, Jardel não chegou a ser molestado sexualmente. No entanto, podemos dizer que as suas primeiras exibições esta época foram de uma violência inesperada e desnecessária. Felizmente para nós, o verdadeiro Jardel parece estar de volta. É certo que ainda o faz em grande esforço, mas aos poucos lá se conseguiu sentar ao volante do Pussy Wagon. Seja bem aparecido.

Eliseu
A 20 de Julho, duas mil pessoas em Portugal aguardavam por um transplante renal. O tempo de espera chega a atingir os cinco anos. Felizmente para ele, os rins de Eliseu só faleceram no mundo metafórico do comentário futebolístico de gosto duvidoso. De resto, nada como um emprestado do Sporting com cabelo oxigenado e uma atitude insuportável para tirar um gajo do sério.

Fejsa
Duelo com William

Pizzi
Como sempre, passou 90 minutos à procura de linhas de passe que mantivessem o Benfica no rumo do título. Hoje fez horas extraordinárias e foi preciso esperarmos até aos 92 minutos para ver um dos seus proverbiais meios golos que nenhum placar, VAR ou história do jogo fará a devida justiça em reconhecer. Se somarmos os meios golos de Pizzi ao serviço do Benfica, o homem já tem quase tantos golos marcados como Jonas. Continua assim, miúdo. Mais dez anos disto e tens um daqueles tachos de director de relações internacionais à tua espera. Sim, podem ser institucionais. Sei lá, logo se vê Pizzi. Já me arrependi de ter falado nisso.

Salvio
Os quatro primeiros lances de perigo foram seus. Apesar de nenhum ter resultado em golo, é um registo notável se considerarmos que nenhum dos quatro primeiros lances estúpidos foi da sua autoria. Salvio tem sido uma ameaça constante, para os adversários e para os adeptos. Nunca sabemos quem é que lhe vai rogar pragas, nós ou os outros. Hoje, por acaso, chateou muito mais os adversários e é de louvar. Deve ser um daqueles sistemas de rotação estilo liga inglesa.

Cervi
Agredido por Matheus.
Importantíssimo no ataque.

Jonas
Procurou estoicamente golos, desmarcações de colegas e o sentido da vida, mas à medida que o tempo passava foi esbarrando no autocarro do Chaves. É certo que se trata de um autocarro espaçoso com mudanças automáticas, cadeiras totalmente reclináveis, ar condicionado, USB, bluetooth, minibar e uns ecrãs para jogar FIFA, mas não deixa de ser um autocarro. O seu remate - excessivamente certeiro - ao poste na segunda parte foi o ingrediente de que o jogo precisava para o adepto se convencer de que hoje não havia mesmo maneira de marcar, o que só tornou tudo mais agradável no final. Obrigado, Jonas.

Seferovic
Foi estranho (isso ou mérito do Chaves). Seferovic passou boa parte do jogo a desenhar umas diagonais ininteligíveis para fugir aos excelentes defesas do Chaves. Por esse motivo, perdeu demasiado tempo com ideias irrelevantes como passes para o lado, triangulações com colegas, e cruzamentos para ninguém. Nada mais ilógico, se pensarmos na carreira de tiro em que o seu pé esquerdo transformou a pequena área dos adversários. Uma diagonal mais longa no início da segunda parte levou-o a abandonar o relvado. Foram dar com ele desorientado na A-52 a chegar a Ourense. Imaginem, um suíço que nem de Telheiras para o Estádio da Luz sabe ir. Felizmente, ambos os países têm boas auto-estradas e o jogador regressou ao Municipal de Chaves, mais concretamente à grande-área adversária do Grupo Desportivo da mesma cidade, a tempo de marcar um golo de calcanhar com uma classe só vista em Bergkamp no Mundial de 98 ou numa época qualquer do Arsenal.

Rafa
Eu até falava dos vários lances inconsequentes em que participou, mas não depois de uma assistência para golo que decidiu o resultado.

Raul Jiménez
Não está habituado a não salvar a equipa nos minutos finais. Espera-lhe uma noite de sentimentos contraditórios.

Filipe Augusto
Sim, o que é que tem?"

Benfiquismo (DLXI)

Marchar, Marchar...

Cadomblé do Vata

"1. O Seferovic veio a custo zero ahahahaha... esperem, o Jonas tambem AHAHAHAHAHAH.
2. Se continuar a marcar com esta frequência, antes do Natal temos de começar a tratar o suíço por Dr. Seferovic... os golos dele curam dores de cabeça Benfiquistas e cãibras adversárias.
3. Estás um jogo inteiro a rematar ao poste, a ver o central adversário tirar em cima da linha ou o guardião rival defender tudo. Marcas aos 90 minutos e dizem-te que tiveste sorte... é como atirares-te para a frente de um comboio depois de seres apanhado a comer sopa com um garfo e dizerem-te "olha, vá lá, teve sorte... podia ter morrido de sífilis".
4. Este Chaves devia ser objecto de estudo: durante 60 minutos oi o "Barcelona do Marão"... felizmente para o SLB, nos restantes 30 minutos foi o "Desportivo de Alcoitão".
5. Bruno Varela já me dá confiança entre os poste, mas ainda está inseguro quando deixa a solidão da linha de golo... talvez precise menos de treino de guarda redes e mais de consultas para tratar a agorafobia."

Vermelhão: Custou mas foi !!!

Chaves 0 - 1 Benfica



Estava a ver o jogo, e sem dizer nada, ia pensado: jogo 'apertado', a jogar contra Luís Castro, isto será 'resolvido' pelo Jiménez, a poucos minutos do fim!!!
Enganei-me... foi o Haris!!!!

Aquando do 'sorteio' da Liga, todos ficámos a saber, que o início do Campeonato, seria muito complicado para o Benfica!!! Creio que só os Benfiquistas do Norte, ficaram 'satisfeitos' com o Benfica de 15 em 15 dias, a deslocar-se a norte do Mondego, até Janeiro...!!! A única vantagem de jogar tão 'cedo' com o Chaves, poderia ser o facto, dos transmontanos terem 'mudado' muitos jogadores, e o Luís Castro ainda estar a introduzir o seu 'estilo' na equipa, mas se compararmos o jogo do Chaves, de quinta-feira em Guimarães, e o jogo de hoje, parece que os Flavienses 'apreenderam' tudo, em poucos dias!!! Uma mudança de atitude e de competência táctica, radical em poucos dias...!!!
A 1.ª parte não foi grande 'coisa', o Benfica criou as melhores oportunidades, mas não foram muitas... e o Chaves teve muita 'bola'! Típico em equipas treinadas pelo Luís Castro... o Rio Ave o ano passado na Luz, foi das equipas com mais posse de bola...
No 2.º tempo tudo mudou... foi um autêntico massacre, muitos oportunidades, bolas nos postes, desperdício... e se no início o Chaves ainda tentou 'jogar', a partir dos 60 minutos, começou o anti-jogo nojento, com paragens atrás de paragens, simulações, enfim o habitual festival...!!!

Este foi um daqueles jogos, onde uma analise 'resultadista' caso o Seferovic não tivesse marcado aquele golo, iria condenar o Benfica a uma exibição 'horrível' e iria exultar os transmontanos à Glória... Mas aquele golo, tudo muda!!! E justamente...
O Benfica ainda tem muito para crescer, as nossas lacunas estão identificadas... Mas fizemos mais do que o suficiente para ganhar tranquilamente...! E mesmo, no nosso sector mais debilitado (a defesa), acabámos por ser inteligentes: 'demos' espaço essencialmente nas laterais, 'fechando' as zonas interiores... Neste momento o 'cobertor' é curto, é impossível 'tapar' tudo... Permitindo assim, uma noite relativamente tranquila ao Varela... com uma grande defesa!!!
O MVP como é óbvio será o Seferovic, mas foi um jogo muito complicado para os nossos avançados, a 'impunidade' disciplinar imposta pelo árbitro, permitiu muitas faltas e jogo duro, dando 'esperança' aos nossos adversários, não permitindo, na minha opinião, uma exibição que se destacasse... O Salvio esteve bem na 1.ª parte, mas falhou golos, o Cervi melhorou no início da 2.ª... O Pizzi teve menos bola, mas foi decisivo no golo... Os Centrais, acabaram por 'safar' os Laterais várias vezes... O Fejsa, no dia de aniversário, esteve como de costume: intratável...!!!

A arbitragem do Jorge Sousa, foi o costume: critério disciplinar inacreditável, se o André Almeida mereceu o Amarelo, então praticamente nenhum jogador do Chaves chegaria ao fim do jogo... Também achei curioso, os fora-de-jogo mal tirados ao ataque do Benfica... nem com o VAR o critério muda (dar o beneficio da dúvida ao ataque do Benfica)!
Como não podia deixar de ser, a Realização da PorkosTV voltou a ser manhosa... nada de novo!!! Sendo que o ponto alto, é um penalty sobre o Jonas: até 'desculpo' o Sousa, já que foi uma falta 'sem bola', aliás a 'bola' estava bastante longe, mas a rasteira é clara, só tenho dúvida se é dentro ou fora da área... Sendo dentro da área, este é um daqueles lances típicos do VAR... Tendo o VAR, acesso a todos os ângulos, estou à espera de uma explicação para não ter sido marcado a falta...!
E ainda houve outro lance com o Jonas, muito parecido com o penalty assinaldo a favor dos Lagartos...
PS: O Guimarães perdeu hoje na Amoreira, e viu dois jogadores expulsos!!! Curiosamente, na próxima jornada, vai jogar contra os Lagartos!!! O Setúbal, logo na 1.ª jornada, teve um jogador expulso, e na jornada seguinte, defrontou os Lagartos... Deve ser coincidência!!!

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Ver o desporto como uma lição de vida

"Bolt e Farah mostraram-nos como na natureza nada se cria e tudo se transforma. E haverá alguém que acuda ao desporto português?

O último sábado foi um dia fantástico para quem busca lições de vida no desporto. Dois atletas extraordinários, que dominaram o panorama internacional durante muitos anos e alcançaram números de perfomance e de títulos estratosféricos, acabaram as carreiras a ser confrontados com sua própria falibilidade, numa lição preciosa de que há que tirar conclusões.
Usain Bolt, o homem mais rápido da história, despediu-se das pistas ultrapassado na competição - foi terceiro nos 100 metros dos Mundiais -  e na condição física - lesionou-se na final dos 4x100 - revelando que, apesar de ter passado tantos e tantos anos com a capa do Super-Homem vestida, acabou vergado ao poder da kryptonite do tempo.
O mesmo, mutantis mutandis, aconteceu a Mo Farah, o inglês nascido na Somália que foi rei e senhor do fundo nos últimos sete anos e que não conseguiu o ouro desejado na derradeira corrida de pista da sua carreira.
Na derrota de Usain Bolt e Mo Farah, campeões para a eternidade, concluiu-se pela perenidade do sucesso no desporto e abrem-se portas à inexorável lei da vida em que nada se cria e tudo se transforma. Mas estes Mundiais de atletismo (soberba transmissão do Eurosport, a ombrear em qualidade com aquela que foi vista no Tour de France) também nos permitiram um contacto directo com a dura realidade do atletismo português, que vai vendendo os anéis para salvar os dedos, através do génio de Nélson Évora (33 anos) e da conjuntura que permitiu o ouro a Inês Henriques (37 anos). Enquanto não houver um trabalho de base consequente, sério e empenhado, com os apoios necessários dos Governos, não passaremos desta cepa torta em que a falta de competitividade (já não falo de medalhas...) é confrangedora.
Ontem, neste jornal, Vítor Serpa traçou um quadro negro do desporto português para além do futebol. Gostaria muito de poder contradizê-lo, mas apenas consigo louvar-lhe a lucidez com que fez o diagnóstico e a coragem para colocá-lo preto no branco.
A realidade mostra-nos um Governo que nada faz de relevante para inverter a situação (na linha dos que o precederam...) e e um conformismo das Federações, que convivem bem com a mediocridade em que nuns casos já estamos e noutros para onde caminhamos.

ÁS
Inês Henriques
Campeã do mundo com vista para Buckingham Palace, a atleta de Rio Maior, teve o mérito da persistência e a fortuna de estar no sítio certo à hora certa, mostrando ser a mais preparada do planeta para acolher os 50 Km marcha no circuito oficial da IAAF. Cereja no topo do bolo: fez o único recorde mundial de Londres-2017.
(...)

DUQUE
Abel Ferreira
Está no início de uma prometedora carreira de treinador de top e deve ser mais criterioso nas guerras que assume. Há polémicas que nada lhe adiantam e apenas podem ter o condão de lhe desfocarem os objectivos, criando-lhe uma imagem de alguém que fala mais do que diz. Este deve ser um tempo de reflexão.

Leonardo Jardim 'obrigado' a inventar soluções
«Se Mbappé não começou o jogo (em Dijón, para a Ligue 1) foi por decisão do clube. Correu-nos bem e aproveitei para ver outros jogadores»
Leonardo Jardim, treinador do Mónaco
Sim, é verdade que os cofres do Mónaco estão a abarrotar. Mas não é menos verdade que o campeão em título está a ser confrontado com a necessidade de reinventar-se, com a Champions à porta. Mbappé, tudo indica, vai mudar-se para Paris (180 milhões!!!) e é Leonardo Jardim quem tem de inventar soluções. Ontem, em Dijon, correu-lhe bem. Mas é vida ingrata...

Neymar não desiludiu
A estreia de Neymar Júnior com a camisola do PSG foi o principal destaque de um dia de futebol que também teve (além do que por cá se passou) um superclássico em Espanha, uma vitória da Lazio frente à Juventus na final da Supertaça italiana e um Manchester United de veia goleadora a brilhar na Premier League. Mas Neymar, um golo a uma assistência no triunfo fora de portas sobre o Guingampo, foi a estrela mais cintilante e justificou, senão o preço pago pelo seu passe, pelo menos a aposta do emblema parisiense e do dinheiro que o sustenta.

Marlins: Mil e duzentos milhões de dólares
Derek Jeter, 43 anos, ex-jogador dos New York Yankees, onde jogou durante duas décadas, sendo um dos ícones do basebol norte-americano, lidera um grupo de investidores que acabou de comprar os Miami Marlins por 1200 milhões de dólares. A indústria do desporto nos Stades continua de vento em pompa..."

José Manuel Delgado, in A Bola

VAR, Vigago e Chaves

"O Benfica ganhou as duas finais com o VAR. E são 12 troféus em 16 possíveis. É obra! Com e sem VAR!

1. Na sexta feira passada o Sporting ganhou, com um golo nem solitário, a um Vitória de Setúbal bem organizado por José Couceiro e pressiona, desde já, FC Porto e Benfica que jogam hoje e amanhã. Ambos jogam fora, em Tondela e em Chaves, e sabem que esta Liga vai ser bem renhida. Importa não desperdiçar pontos neste mês de Agosto. Importa que todos arranquem bem fortes, acreditando que, dentro dos relvados e fora deles, vai valer tudo nesta Liga em que só o campeão terá acesso directo à Liga dos Campeões. E já na próxima terça deita o Sporting começa a disputar um importante lugar na fase de grupos na Liga milionária frente ao Steua de Bucareste. Não vai ser uma eliminatória fácil e importa que todo o universo sportinguista assuma, na linha de Marco Cícero, que «quantos maiores são as dificuldades a vencer, maior será a satisfação». Como se constatou, aliás, na alegria sentida e vivida em Alvalade quando Bruno Paixão apitou pela última vez na quente noite da passada sexta feira.

2. O videoárbitro aí está. Desde a final da Taça de Portugal que temos, entre nós, com reconhecimento oficial, o denominado VAR. E nas duas finais em que foi utilizado - também na Supertaça - o Benfica conquistou mais dois troféus, que se traduzem em doze conquistas em dezasseis títulos possíveis. É obra! Com e sem VAR! Já vimos, na primeira jornada, o VAR em pleno funcionamento ao assumir no Dragão um golo favorável ao FC Porto. O VAR vai ajudar em certas situações complexas de jogo. Mas o VAR também vai suscitar polémicas, bem necessárias - digo-o - para a paixão do futebol. Importa não eliminar determinadas polémicas. Importa que os jogos continuem para lá dos já quase que habituais noventa e três minutos. Importa que as diferenças gerações e as necessárias classes e cores que alimentam esta crescente globalização do futebol não sintam diminuir as controvérsias, subordinadas à luz de uma excessiva computarização do futebol jogado. Até para que algum futebol falado continue, nas suas diferentes matizes, a suscitar outras polémicas, alguns azedumes pessoais e certas e legítimas intromissões judiciais e disciplinares. Sabendo nós que «tudo o que não é paixão tem um fundo de aborrecimento»! Mas, e para além da paixão, importa que todas as regras do VAR sejam conhecidas. Acredito que por ora ainda só estarão definidas em língua inglesa. A língua mãe afinal da FIFA e da UEFA. Mas importaria que o manual do VAR fosse divulgado. O VAR não pode ser como que a pioneira e dolorosa resolução do BES - com os milhares de lesados - nem pode ser o milagroso SIRESP que falha nas situações de urgência. O VAR tem de ser equilibrado e equitativo. Importa conhecer as suas regras condições, meios e formas de utilização. E, ainda, os procedimentos e mecanismos efectivos de articulação entre o árbitro principal e o videoárbitro. Sabendo, como se constata nesta jornada, que há árbitros que apitam um jogo e no dia seguinte são videoárbitros em outro encontro da mesma Liga. Trabalho duplo. Com lógico reforço de poder! Acredito que esta Liga, a Liga da implementação do VAR em Portugal, também vai ser a Liga do aperfeiçoamento deste inovador sistema. E o relevante esforço federativo - que se saúda e se aplaude vivamente - bem merece que o VAR corra bem. Com disfuncionalidades é certo. Com algumas redundâncias e inequívoco. Com determinados erros e indiscutível. Mas com a consciência que é um pequeno-grande passo para um tempo de maior credibilidade no futebol verdadeiramente jogado nos relvados de Portugal. E a divulgação pública pelo Conselho de Arbitragem da FPF da forma como decidiu o VAR em alguns lances controversos da primeira jornada é um sinal bem positivo. Como a identificação de alguns aspectos fudnamentais do funcionamento do VAR. O VAR aí está. Acredito que para ficar. Com as suas regras e métodos a serem conhecidos por todos. Por todos aqueles que gostam de saber com o que contam! Já que como escreveu Friedrich Nietzsche, «os métodos são as verdadeiras riquezas»!

3. (...)

4. O Benfica joga amanhã em Chaves. Com o estádio esgotado. Há um restaurante, o Carvalho, que comemora as bodas de prata e que é de louvar e de recomendar. Fazendo-nos sentir, sempre, em casa. «Esta casa é sua casa»! Mas também ali bem perto, em plena estrada nacional (EN2), em Vidago, um outro, o Resineiro, merece uma visita. Pela história de vida e pela história de uma Família que merece ser oralmente conhecida. Pela gastronomia tradicional que, com esmero, proporciona ao visitante. E por nos (vos) levar a conhecer, pela escrita doce de Floripo Virgílio Salvador, as Memórias de Vidago. E, depois, só depois, uma visita ao maravilhoso, bem reabilitado e requintado Palace Hotel. É um verdadeiro retorno a um tempo de infância, a umas Termas famosas, a Trás-os-Montes, aos seus lugares de referência, às suas gentes hospitaleiras, às suas emblemáticas famílias, aos emigrantes que, amanhã, vão encher, com uma nova bancada, um Estádio que bem merece sempre futebol de primeira. Pela paixão dos seus dedicados dirigentes e pela devoção dos seus empenhados adeptos. E ali, são verdadeiras as palavras de Miguel de Unamuno: «Quem não sente a ânsia de ser mais não chegará a ser nada»!"

Fernando Seara, in A Bola

Alvorada... com Elio Azevedo

Benfiquismo (DLX)

Altaneira...

Roubo - parte II

Benfica B 2 - 2 Nacional


Isto está a ser um pouco repetitivo!!! Duas jornadas, dois Roubos!!! Inacreditável...
Toda a arbitragem foi má... a quantidade de faltas ofensivas marcadas ao Benfica, sempre que nos aproximávamos da área do Nacional, não foi inocente... e depois: Ferro sofre uma falta violenta, nada é marcado, fica na relva, a jogada persegue, e acaba por ser o Ferro (deitado com dores...) a colocar em jogo os avançados do Nacional... que fizeram o 1-2! O Ferro é substituído... e pouco depois, não satisfeito com o que tinha acontecido, o árbitro, inventa um penalty contra o Benfica!!! Com o Zoblin a defender à primeira e depois com alguma sorte nos ressaltos, o Nacional não marca... Pouco depois, conseguimos chegar ao empate...

Depois de todas estas incidências, não é fácil falar de futebol, e analisar a evolução dos miúdos... Neste momento a nossa equipa B, é inferior à do ano passado... Temos muitos lesionados (o Félix faz a diferença...), contratámos vários jogadores, e neste momento só o Alan e o Alex Pinto estão integrados na equipa... Existe muito potencial para evoluir... Mas a continuarem este tipo de arbitragens, não vai ser fácil garantir a manutenção!!!

Uma nota para o Nacional, com alguns jogadores com experiência de 1.ª Divisão, mas mesmo assim jogaram muito pouco, deram a bola ao Benfica, e tentaram a velocidade no 'contra'... com o Costinha ainda arriscam-se a 'descer', até porque não vão ter arbitragens destas todas as semanas...

PS: No último dia dos Mundiais de Atletismo, o destaque vai todo para a Inês Henriques que se sagrou Campeã do Mundo, com Recorde do Mundo, na estreia dos 50 Km Marcha, nos grandes Campeonatos... Não sendo atleta do Benfica, merece o reconhecimento, são muito poucos os portugueses que se sagraram Campeões do Mundo de Atletismo!
O nosso Pedro Isidro, não teve um dia fácil, terminou em 32.ª lugar, nos 50 Km Marcha, com uma marca bastante abaixo daquilo que eles já fez...

O zumbido vitorioso do moscardo...

"Em 1941, Francisco Inácio bateu Faísca e revoltou-se contra a aborrecida burocracia dos favoritos da Volta a Portugal.

Dizem que trazia atrás de si um zumbido da fúria com que ia dando aos pedais.
Francisco Inácio.
Não parece nome de ciclista, mas é.
Nelson Rodrigues também dizia que Coutinho, esse mesmo, parceiro de Pelé no Santos, não tinha nome de jogador de futebol. Querem ver?
«Lembro-me que ao ouvir falar em Coutinho, pela primeira vez, tomei um susto. Comentei, então, de mim para mim: ‘Coutinho não é nome de jogador de futebol!’. De facto, o nome influi muito para o êxito ou para o infortúnio. Napoleão, se tivesse outro nome, já seria muito menos napoleónico. Outro exemplo: por que é que Domingos da Guia foi o que foi? Porque esse ‘da Guia’ dava-lhe um halo de fidalgo espanhol, italiano, sei lá. Ainda hoje, o sujeito treme quando ouve falar em ‘da Guia’. Mas o Coutinho tem contra si o nome. O sujeito que se chama apenas Coutinho dá logo a ideia de pai de família, de Aldeia Campista, Vila Isabel, Engenho Novo, com oito filhos nas costas e a simpatia pungente de um barnabé».
Francisco Inácio tinha contra si o nome. Era mais como se fosse funcionário público de sair às cinco e meia da tarde com o jornal debaixo do braço para ler no autocarro.
Mais ainda: no ano de 1941, que é o ano sobre o qual quero falar, Francisco Inácio tinha contra si o Faísca.
José Albuquerque. Ora diacho! Mais um sem nome de ciclista. Mas tinha a alcunha: Faísca! Com ponto de exclamação. Um Faísca pode muito bem somar duas vitórias na Volta a Portugal que ninguém se espanta. E pode até ter sido atropelado, como foi, isso já no Sporting, depois de ter corrido pelo Campo d’Ourique.
Faísca foi o vencedor em 1940.
Ganhara também em 1938.
Em 1941, era o grande favorito.
Íamos para a última etapa e Francisco Inácio zumbia na frente. Mais de dois mil quilómetros de esforço bruto, sanguíneo. Pouco importa o nome ao fim de mais de dois mil quilómetros e, de um momento para o outro, só faltavam setenta e cinco.
Ponte de Lima: o Faísca prepara a fuga. Assim, de mansinho, fósforo riscando a lixa, de repente chama brusca.
Joaquim Manique tem um furo.
Manique é nome de ciclista. Com intendência e o resto.
João Lourenço era rodeado em Santa Marta de Tortozendo pelo Rancho das Lavradeiras. Vencera a etapa, mas o metódico Inácio continuava na frente da classificação na véspera do fim.
Descia em vertigens de velocidade. Correndo os riscos das ladeiras, dos precipícios. Corajoso, também, sem o modo funcionário de viver de que falava O’Neill, ele que, para mim, tinha nome de funcionário público com ordem da mulher para só fumar à janela, longe da sogra.
Ninguém vira nele um vencedor.
Às vezes, os vencedores passam-nos injustamente despercebidos mesmo que ainda não tenham sido vencedores e só venham a sê-lo um pouco mais para diante. Vencedor é um nome, também. Francisco Inácio devia poder exibi-lo no Bilhete de Identidade.
Faltava apenas a etapa.
Decisiva. Plena.
Francisco Inácio, José Martins, Aniceto Bruno, José Albuquerque, João Lourenço, Aristides, Trindade, Rebelo, Baltazar e Francisco Duarte. era assim que se dispunham na classificação.
O Faísca falhara a fuga.
Perdia-se pelo meio dos outros.
Como Trindade, Alfredo Trindade, o grande Trindade, agora já no Belenenses.
Os anos tinham atropelado Trindade tal como o automóvel desgovernado atropelara Faísca no ano anterior.
Azarado Faísca: dois furos na 18ª etapa, junto a Mirandela, tinham-no feito tombar cinco minutos.
É como quem tomba de um terceiro andar.
Viana do Castelo-Porto: os setenta e cinco quilómetros da vida de Francisco Inácio.
Dezassete etapas de amarelo até aos braços erguidos do Estádio do Lima.
João Lourenço surge fantástico, brilhante. É o primeiro. Fora o primeiro no da Póvoa do Varzim e o primeiro em Viana do Castelo. Conquistou dez etapas dessa Volta de 1941.
Entra no Lima sob a ovação popular, espontânea.
Um grupo coeso na sua peugada. José Albuquerque, o Faísca, sabe que o seu sonho da terceira Volta se quedará pelo quarto lugar. A tarde é de Francisco Inácio.
É um homem de desassombros, diziam dele.
Podia não ter nome de ciclista nem de jogador de futebol, mas levava apelido vitorioso de estradista revoltado contra a burocracia dos favoritos.
Nas bancadas, os espectadores ouviam-no zumbir como um moscardo de Rimsky Korsakov."

domingo, 13 de agosto de 2017

Bruno Varela

"Foi com particular satisfação que vi chegar ao topo da pirâmide mais um jovem jogador português 'nascido e criado' na escola de formação do Sport Lisboa e Benfica. Desde 2006, quando chegou do Ponte de Frielas, alto e magrinho, sempre mostrou e assumiu o que queria ser 'quando fosse grande'. É certo que necessita de provas de fogo e de competir, competir e competir! No entanto, é já visível a olho nu que o Benfica tem um guarda-redes a sério. Um 'arquero', como aqui se diz, com quem pode contar no presente e no futuro. Um activo que irá dar uma 'mais-valia' significativa. Ao ver este 'puto' na baliza, confiante e autoritário, não posso deixar de relembrar, entre muitos outros que tivemos, um episódio que mostra o seu carácter e a sua vontade de ser 'figura'.
Corria o ano de 2012 e o Bruno estava na equipa B do Benfica. Chegou um dia ao treino com um corte de cabelo tipo 'pele vermelha'. Com 'cristas' e tudo! Perguntei-lhe o que era aquilo. Se achava que a imagem que apresentava se coadunava com a de um profissional do Benfica. Se pensava algum dia jogar na equipa principal do Glorioso. Porque, disse-lhe eu, com aquele corte, ninguém o iria levar a sério! Com um ar surpreso e pensativo, não me respondeu!
- "Amanhã quero-te cá com um corte de cabelo à homem e que não faça rir as pessoas e principalmente os teus colegas."
- "Sim, senhor Carraça", respondeu ele.
E assim foi! No dia seguinte, lá chegou com o cabelo rapado e com um sorriso nos lábios.
- "Assim está bem?"
Como resposta, fiz-lhe uma festa na face e dei-lhe uma forte e amiga palmada nas costas! E verifico, ainda hoje, que mantém o mesmo corte de cabelo. Agora como titular da baliza do tetracampeão nacional."

A sério é outra música

"Todos os anos, a mesma história. Alguns clubes vibram com a pré-época. Ganham tudo antes de a bola começar a rolar. Para outros, mesmo que venham de temporadas vencedoras, augura-se o pior após perderem alguns encontros particulares. As vozes do apocalipse apressam-se a dizer que, para essas equipas, nada vai restar além de uma época de insucesso e depressão.
Depois a bola começa a rolar. Em encontros a doer. E todos os prognósticos radicais acabam por estilhaçar com a fragilidade de um cálice de cristal. O Real Madrid não venceu um único jogo na pré-época. Pelo meio até foi goleado pelo Manchester City por 4-1. E o United esfregou as mãos. Até o jogo começar. Casemiro, Kroos, Modric e Isco fizeram dos médios do United o que quiseram no primeiro tempo. Craques como Pogba pareciam jogadores banais. Fellaini não parecia porque já o é. E se Bale faz o terceiro ainda na primeira parte, os merengues podiam ter ido logo para o intervalo com a Supertaça europeia no bolso. Tiveram de esperar pelo fim do jogo, sofreram ligeiramente após o golo de Lukaku, mas venceram porque foram melhores. Porque, ao dia de hoje, são melhores. A equipa que conquistou as últimas duas Champions e que marcou em todos os jogos da liga espanhola na última época. E vinha de uma má pré-temporada. Quase tão má como a do Bayern. Mas os bávaros, apesar de terem recorrido aos penáltis, também bateram o Dortmund na supertaça alemã.
Os jogos e os campeões de pré-época são como música de elevador. Dão para passar o tempo até chegarmos ao andar que queremos. Já entrámos nele. Começou agora. O futebol a sério. A hora dos campeões. O que fica para trás não fere os ouvidos mas também não enche a alma."

Benfiquismo (DLIX)

Artista...!!!