Últimas indefectivações

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Precisão era obrigatória

"Luís Filipe Vieira mudou o paradigma e mostrou nesta janela de transferências que a aposta no Seixal é para ser levada a sério. Para ajudar a reduzir o passivo, e também para dinamizar - financeiramente até - a cantera. Se é para contratar um jogador de 22/23 anos, por que não olhar para dentro? Se é para vender quem custou 7/8 milhões, porque não vender quem cresceu em casa e não implicou custos? Percebe-se a ideia, mas os riscos são elevados para uma equipa que se propõe lutar pelo tricampeonato. O Benfica foi ao mercado, ao contrário do que possa parecer. Mas quem tem pouco dinheiro deve ir às compras de forma precisa. Carcela, mas sobretudo Taarabt, tardam em justificar dentro das quatro linhas a aposta neles feita; e Ould-Chikh, estrela no Twente, é um jovem (mais um) que precisa de ser integrado com tempo. E depois há Mitroglou e Jiménez. dois reforços atacantes, estes sim, que têm levado a uma aposta do treinador. O balanço desta aposta fica para o final da época. Ou se calhar já para Janeiro."

Vanda Cipriano, in Record

Teste(s) de fogo para Rui Vitória

"Há sinais que não devem ser ignorados e, por isso, aquilo que o Benfica de Rui Vitória mostrou na pré-temporada e nos quatro jogos oficiais já disputados (Sporting, Estoril, Arouca e Moreirense) talvez justificasse uma intervenção no mercado que acabou por não acontecer. É preciso perceber, portanto, por que razão Luís Filipe Vieira aceitou a ideia de que o plantel actual dispõe de condições para atacar o tricampeonato, proeza que as águias não alcançam há 38 anos.
O Benfica não tem hoje - nem de perto nem de longe - uma equipa ao nível das que teve nos últimos anos, mas pode dar-se o caso, mesmo assim, de Vieira achar que Rui Vitória ainda ficou com o suficiente para poder discutir o título. É uma hipótese que deve ser levada em conta.
Consideremos um cenário diferente: a SAD admitiu a necessidade de reforçar a equipa já depois da digressão, mas faltou capacidade financeira para isso - até porque, pela primeira vez em muitos anos, o Benfica não efectuou nenhuma venda avultada no verão. Seja qual for o caso, é indiscutível que o bicampeão nacional começa a ser olhado com a alguma desconfiança. Por não aparecerem os reforços que entusiasmam, mas principalmente porque o futebol apresentado tem andado longe dos mínimos exigidos a um verdadeiro candidato. E nunca há uma segunda oportunidade para deixar uma boa primeira impressão. 
Rui Vitória chega a Setembro mais pressionado do que imaginava. Continua a ser cedo para conclusões, mas o treinador está obrigado a subir o nível de jogo da equipa. E há deslocações ao Dragão e a Madrid."

Que famosa é a nossa liga!

"Não falo de Casillas, que veio aumentar muito a visibilidade do futebol português, mas sobretudo de jogadores que têm nomes que nos remetem para outra dimensão, e alguns deles bem curiosos. Olhando para as inscrições no último dia de mercado, anteontem, o Arouca contratou Estaline, o Benfica fez regressar Jim Morrison ao futebol jovem e o Olhanense garantiu Martin Lutherking no plantel. Mas há mais, e agora sim, com ligação forte ao pontapé na bola. O Moreirense tem um Boteng, o V. Guimarães um Cafú, no Marítimo jogam Patrick Vieira, Romário e Lynneker, no Tondela há um Kaká e nos Paços um Pelé.
Despois há nomes da família que são uma responsabilidade acrescida para quem os usa, como será sempre o caso do filho do Bebeto, que joga no Estoril, e do filho de Rivaldo, que agora assinou pelo Boavista. E há nomes ainda que podem conduzir ao preconceito e atrapalhar carreiras, como pode muito bem ter acontecido com o avançado português Tozé Marreco, que saiu novamente para o estrangeiro, para os belgas do Mouscron, sem que os 25 golos que marcou a época passada no Tondela tivessem sido suficientes para convencer um clube maior na nossa liga principal.
Finalmente, alguns nomes, de tão estranhos, ajudam a que não nos esqueçamos e olhemos sempre para o seu dono. Sturgeon, do Belenenses, é um bom exemplo. E belo exemplo é também o próprio Belenenses, que tem um plantel quase exclusivamente português e jogará a fase de grupos da Liga Europa. Num trabalho do jornal espanhol AS, ontem, o Belenenses é apresentado como um dos três clubes em todo o Mundo que só tem jogadores nacionais nos plantéis principais - os outros dois são o Chivas (México) e o Nacional (Equador). Não é verdade, o Belenenses agora também tem o cabo-verdiano Kuca, mas é excepção que não se estranha."

Nélson Feiteirona, in A Bola

Lengalenga

"Há um clube que se queixa dos árbitros, que, tal como vários clubes, se queixam do presidente dos árbitros, que se queixa de haver clubes que querem manipular a arbitragem para controlar os árbitros. De entre os clubes que se queixam do presidente dos árbitros - que se queixa dos clubes que dele se queixam - clubes há que se queixam de que um outro clube manipula a arbitragem, o que, supostamente, aqueles de que o presidente dos árbitros se queixa também quereriam fazer.
O clube de que os clubes que se queixam do presidente dos árbitros se queixam de manipular a arbitragem queixa-se de que os clubes que dele se queixam queixam-se de barriga cheia, porque, queixa-se o clube de quem os outros clubes se queixam, as queixinhas levam os árbitros a queixar-se de falta de condições para arbitrar, pelo que tomam decisões que deixam de queixo caído os que se queixam de tudo, os que não se queixam de nada, e até os que se queixam de tanto queixume e de todos os queixinhas.
Irónico é que um dos clubes que mais vezes se queixa de ter razões para se queixar, não se queixe tão alto como costuma queixar-se no dia em que indiscutivelmente tem razões para se queixar. E, ainda mais irónico, que disso mesmo se queixem muitos dos que que apoiam esse clube, e por consequência as suas queixas.
Temos então que há clubes que se queixam do presidente dos árbitros e dos árbitros, que os árbitros se queixam do seu presidente, que o presidente se queixa dos clubes que se queixam dele, e que os adeptos dos clubes que se queixam do presidente dos árbitros, se queixam de que os seus clubes não se queixam o suficiente quer dos árbitros quer do seu presidente. E no meio disto tudo, queixam-se os que estão fartos de tantas queixas, que ou as queixas não fazem sentido, ou que há quem não se deixe comover por queixas, mesmo que carregadinhas de razão."

Nuno Perestrelo, A Bola

São factos, simplesmente

"Rui Vitória vai participar com o Benfica na Champions e Jorge Jesus com o Sporting na Liga Europa. Ou seja, no âmbito da UEFA, Jesus destruiu o que Marco Silva construiu.

Dos três que se sentem com pernas para alcançarem o título de 2016, o Benfica foi o que menos se reforçou, ou aquele que encarou a época com a devida moderação, não contando, porém, com o investimento financeiro feito por Porto e Sporting, como se de repente, por golpe de magia, a crise que varre todas as actividades tivesse feito tréguas com o futebol indígena.
Pouco interessa. A verdade, porém, é que Rui Vitória recebeu uma aproximação do Benfica campeão em 2015, substancialmente enfraquecida, e foi por aperceber-se de tal que Jesus exibiu a jactância que o caracteriza para transformar o jogo da Supertaça em objectivo muito especial, que lhe deu gozo ganhar, naturalmente, e que abalou a capacidade anímica da águia por questões entretanto esmiuçadas, que foram imensas, de que destaco uma, por me parecer fulcral e óbvia: 'este Benfica', tal como está, pode chegar ao tri, mas com muita dificuldade se não lhe for injectada mais qualidade.
Escrevo antes de se conhecer o resultado das diligências que estão a ser desenvolvidas nesse sentido, sendo certo que a saída de Maxi provocou um rombo mal reparado, no outro lado Eliseu representa um embaraço que o anterior treinador lá deixou, Luisão, a estrela polar da organização defensiva e de todo grupo, faz 35 anos em Fevereiro do próximo ano, Salvio continua sem data marcada para voltar a competir, Pizzi é inconstante como o vento, Ola John joga a duas velocidades e Talisca não ata, nem desata, incluindo-me na lista dos que lhe adivinharam infinitos atributos, na sequência das vistosas exibições e dos muitos golos no princípio de temporada transacta. O que fez Jesus, então, para atingir o sucesso? Nada de extraordinário: com aquele quarteto de luxo (Salvio, Jonas, Lima e Gaitán), enquadrado e oleado, apenas precisou de não inventar para ser aprovado com distinção nas competições internas, porque na Champions foi último no grupo, nem sequer na Liga Europa entrou.
futebolistas no plantel encarnado que até aqui, em face de menor exposição, cumpriam sem se comprometerem, mas que, sem o talento protector dos que resolviam as equações mais complexas, passaram a chapinhar na vulgaridade. De aí, a evidente diferença entre Gaitán e o resto, de aí o suspiro de alívio não só de Vitória mas também da nação benfiquista pela notícia da sua continuidade por mais algum tempo e... mais algum dinheiro.
Vieira sabe quanto gastou no consulado de Jesus, quanto lhe custou cada título e deve ter concluído que foram caros. É claro que o adepto não liga a essas coisas. Quer é vencer seja de que maneira for, sem se dar conta de que há direcções eleitas e administrações nomeadas precisamente para fazerem contas e manterem o fiel da balança, equilibrado, uma preocupação frequentes vezes violentada em nome de resultados imediatos, promoções pessoais, negócios mal explicados ou interesses nebulosos, com as devastadoras consequências que se conhecem: insolvências, incumprimentos contratuais, aumento do desemprego e por aí fora...
O presidente benfiquista, sem se desviar do rumo que traçou nem prejudicar a prossecução da grandiosa empreitada que se propôs concretizar, preconiza uma via mais sensata nos gastos, através de melhor aproveitamento dos recursos próprios, e reclama a ampliação dos objectivos desportivos, o que significa recolocar o emblema da águia no lugar que ocupou no universo europeu; legítima pretensão, embora inatingível com Jesus como deu para verificar nos seis anos que lá esteve. É por isso que Rui Vitória vai participar com o Benfica na Liga dos Campeões e Jorge Jesus com o Sporting na Liga Europa. É por isso que Rui Vitória, despromovido a pior treinador do mundo, conta com os seus jogadores, os quais provaram não haver limites para o sofrimento nem para a força de acreditar. É por isso que Jorge Jesus, o «cérebro», como se autoclassificou, com um rico plantel, apesar dos erros de arbitragem, não foi capaz de se impor a um CSKA de pouca classe. Ou seja, no âmbito da UEFA, Jesus destruiu o que Marco Silva construiu com o apuramento para o play-off. É por isso que mais vale ficar calado, para trabalhar, do que espalhar altivez, para impressionar...!"

Fernando Guerra, in A Bola

Mercado fechado

Finalmente, o Mercado fechou!!!
As reacções 'vermelhas' ao fecho do mercado, foram engraçadas... O nível de histeria que se assistiu online, devido ao facto do Benfica não ter contratado ninguém no último dia, chegou a níveis absurdos... Caso tivéssemos contratado alguém, só para satisfazer as 'massas', tenho a certeza que as criticas, seriam em sentido inverso: 'lá vem mais um perna-de-pau, que vai andar a saltar de empréstimo em empréstimo'!!!

Nas crónicas aos jogos alertei para as insuficiências do plantel, mas como não estou por dentro das negociações, valores, jogadores disponíveis, etc... não faço julgamentos. Até porque a informação que saiu cá para fora, normalmente é manipulada, por todas as partes.
Eu, gostava de ter tido, um '8', um defesa-esquerdo, e um extremo, por esta ordem de prioridades... mas, não foi possível.

Assim, as principais 'contratações' foram o Gaitán e o Jonas!!! Recordo, que ambos os jogadores tiveram capas de pasquim, garantindo, as suas vendas...
Além da competência do treinador (capacidade de transmitir à equipa os mecanismos necessários para melhorar a qualidade do jogo), creio que o sucesso desportivo do Benfica esta época, vai depender muito, da adaptação/atitude/evolução de alguns jogadores:
- Começando pelo Carcela, que nos últimos dias tem sido alvo de rumores nada abonatórios. Com o Salvio de fora por tempo indeterminado, o Carcela em condições normais será o nosso extremo-direito...
- A evolução do Nelsinho será fundamental, principalmente nas acções defensivas.
- A capacidade de 'concentração' do Eliseu!!! Fomos Campeões o ano passado com o Eliseu, as limitações físicas são óbvias, mas nos jogos 'grandes' contra adversários de nomeada, o Eliseu normalmente joga bem, o problema é quando parece deslumbrar-se, e comete erros infantis, com equipas teoricamente mais fáceis...
- Com o regresso do Jardel, qual será a opção do Rui Vitória?! Com dificuldades evidentes no processo defensivo da equipa, os nossos Centrais ficam mais expostos. O Luisão não está mais novo, nem está mais rápido. Não será politicamente fácil, optar por uma dupla Jardel/Lisandro, vamos ver se existe coragem...
Com a precipitada decisão de emprestar o César (o Lindelof não me parece apto para entrar na equipa neste momento...), a saúde física dos nossos Centrais, também será fundamental...
- A questão médio-organizador. Desde da saída do Enzo que temos um problema. O Pizzi disfarçou, mas não me parece ser a solução. Os bons finais de partida, com o Estoril e o Moreirense, foram com o Talisca em campo. O problema é que defensivamente o Talisca, não dá garantias, para os 90 minutos. E a dupla Samaris/Fejsa não convenceu ninguém...
Se o treinador conseguir retirar o melhor rendimento destes jogadores (Carcela, Nelsinho, Eliseu, Jardel, Lisandro e Talisca), seremos seguramente Tricampeões!!!

GR: Júlio César, Ederson, Paulo Lopes
DC: Luisão, Jardel, Lisandro, Lindelof
DD: Nelsinho, Almeida
DE: Eliseu, Sílvio
MD: Samaris, Fejsa, Cristante
MO: Pizzi, Talisca, Teixeira
ED: Salvio, Carcela, Andrade, Bilal
EE: Gaitán, Guedes, Santos
AV: Jonas, Djuricic, Taarabt
PL: Jiménez, Mitroglou

Sendo que destes 29 jogadores: o Salvio lesionado, e os jovens Nuno Santos, João Teixeira, Bilal, Lindelof (se calhar deviam ter sido emprestados) vão ter a vida muito difícil, para ganharem minutos... Além da situação 'estranha' do Djuricic (esteve muito bem nos únicos 45 minutos da pré-época). E ainda temos o Taarabt... Portanto, contando inclusive com o Vítor Andrade, e o Guedes, temos um plantel com 'cerca' de 22 jogadores 'úteis'!!! O que é um numero normal...
Já não acredito numa contratação tipo Jonas esta temporada, até porque os jogadores disponíveis não são apetecíveis!!!

Entraram: Ederson, Carcela, Bilal, Taarabt, Jiménez, Mitroglou
Regressos: Djuricic
Promovidos da B: Lindelof, Nelsinho, Teixeira, Andrade, Guedes, Santos
Saíram emprestados: César, Derley, Jonathan, Mukhtar, Amorim, Ola John, Oliveira
Saíram em definitivo: Artur, Lima, Mini, Sulejmani, Benito

Destaque para as contratações de quatro jovens para a equipa B: Marvin Lória, ponta-de-lança Costa-Riquenho; Emir Azemovic, Central Sérvio; Alexis Scholl, defesa-esquerdo Belga; e Francisco Vera, ponta-de-lança Paraguaio. Plantel da B:

GR: M. Santos, Graça, A. Ferreira
DC: Nunes, Lystcov, Lima, Dias, R. Carvalho, Azemovic
DD: Alfaiate
DE: Rebocho, Yuri, Scholl
MD: Dawidowicz, P. Rodrigues, Gilson
MO: Sanches, Elbio, J. Varela, J. Carvalho
ED: Dino, Clésio
EE: Gonçalves, B. Rodrigues, F. Ferreira
AV: Berto
PL: Sarkic, Vera, Lória, San Martin

Não me admirava se alguns dos jovens do plantel principal fizessem alguns jogos na B: Ederson, Lindelof, Teixeira, Bilal, Santos... Destaque para a presença de 7 Juniores neste plantel!!! 

Recordo aqui a extensa lista de jogadores do Benfica emprestados:
GR: B. Varela
DC: Steven, César, F. Cardoso, Sidnei, M. Valente
DD: Luís Filipe
DE: Gianni, Marçal
MD: Pelé, Amorim
MO: Mukhtar, Guzzo, Kevin, Fariña, Diego Lopes
ED: Hélder Costa, Bebé, Candeias, Dálcio
EE: Rojas, Murillo
AV: Lolo, Yannick, Romário, Harramiz
PL: Frisenbichler, Derley, Jonathan, Rui Fonte, Flávio Silva

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência!


Notam as semelhanças?

Bendita pausa

"Uma vitória merecida, uma exibição pobre e a persistência de sinais preocupantes. Esta pode bem ser uma descrição do Benfica-Moreirense. À imagem dos jogos anteriores, o Benfica entrou em campo amorfo, sem intensidade, mas, desta feita, a equipa foi capaz de dar a volta ao resultado porque mostrou garra e Rui Vitória arriscou e fez substituições em tempo útil. Será este um bom rumo?
Sim e não. Claro que a capacidade de inverter resultados desfavoráveis e a atitude revelada são indicadores muito positivos. Da mesma forma que ter um treinador com sentido de risco, que não atrasa as substituições até aos minutos finais, é um bom sinal. Há, contudo, um grande 'mas' em tudo isto.
Uma equipa que ambiciona conquistar títulos pode recorrer de quando em quando a uma solução de risco, empurrando o adversário para dentro da área, através de jogo directo para os avançados, mas esta opção não pode ser usada por sistema. Se este é o plano B que anda a ser treinado, é preocupante; se é utilizado nos jogos sem que antes seja testado, é ainda mais preocupante. Assim como assim, já lá vão duas partidas em que, em desvantagem, o Benfica coloca três avançados e ainda põe o ala esquerdo a fazer todo o corredor. Desta feita resultou, a probabilidade de voltar a resultar é baixa.
Bendita, por isso, esta pausa para as selecções. O Benfica vai ter duas semanas bem necessárias para desenvolver as suas ideias de jogo ofensivo, para equilibrar as transições defensivas e para estabilizar emocionalmente a equipa. São tarefas hercúleas, mas ou os problemas se resolvem agora ou pode ser tarde."

O último brilho da Pérola Negra

"Espírito Santo disse adeus ao Futebol no dia 8 de Dezembro de 1949. No Campo Grande o povo juntou-se em sua homenagem numa festa modesta porque ele, modesto, assim o quis. A Académica concedeu-lhe a capa preta; Peyroteo, seu amigo, não faltou.

Parece que agora há uma raça de Espírtos Santos maus.
Estejam descansados: este de aqui vos falo é um Espírito Santo bom. Mesmo muito BOM, assim mesmo com maiúsculas.
Guilherme Espírito Santo.
Sejamos rigorosos: Guilherme Santana Graça Espírito Santo. Querem lá ver nome mais abençoado?
«Era um fantástico cavalheiro dentro do campo», diria dele Ribeiro dos Reis.
Nasceu em Lisboa no dia 30 de Outubro de 1919, mas eu vou gastar estas linhas que põem semanalmente à minha disposição com tão supimpa simpatia, para falar sobretudo do dia 8 de Dezembro de 1949, dia da Imaculada Conceição, Padroeira de Portugal. Querem lá ver dia mais abençoado?
E era o dia da despedida.
Espírito Santo abandonava os relvados (mas não as pistas de atletismo, logo ele que foi recordista do salto em altura, do salto em comprimento e do triplo-salto) e tinha, no Campo Grande, a sua merecida festa de homenagem.
Volto a Ribeiro dos Reis: «O negrito que um dia apareceu modestamente na sede do Benfica, tornou-se um atleta de excepcionais qualidades, bem merece a festa que teve. Talvez até uma festa demasiado singela para um desportista que atingiu no nosso País um lugar de eleição. Mas, Espírito Santo, que apareceu modestamente, modestamente quis sair».
Os seus pais eram angolanos e voltaram a Angola nos primórdios da sua infância. Dizem que o pequeno Guilherme se fascinara pelos maços de tabaco Benfica que traziam imagens dos jogadores da época, e por isso tratou de jogar no Benfica de Luanda antes de regressar a Lisboa. Ele próprio contou um dia: «Sou do Benfica desde os três anos. Havia uns maços de tabaco com figura dos atletas e eu fascinei-me pelo Vìtor Silva». Quem diria? Malhas que a inocência teve...
Depois esteve no Sport Lisboa e Benfica de 1936 a 1950. Uma vida.
Chamaram-lhe «A Pérola Negra».
Antes de voltar ao abençoado 8 de Dezembro de 1949, faço uma paragem no dia 8 de Maio do mesmíssimo ano.
O Benfica recebe o Marítimo para a Taça de Portugal e ganha facilmente por um daqueles resultados que ficaram congelados na pré-história do Futebol: 9-3.
Guilherme Espírito Santo marca quatro desses nove.
O último desses quatro será o seu último com a camisola do Benfica.
No dia 13 de Novembro, em Elvas, fará o seu último jogo. Derrota por 0-1. Nem sempre o Destino respeita quem lhe faz frente.
O povo aplaude o rapaz de virtudes
No Campo Grande a festa reparte-se.
Primeiro uma disputa entre o Sport Lisboa e Saudade e uma equipa de antigos jogadores do Sporting.
Do lado 'encarnado', gente como Martins, Pinho, Valadas, Gustavo, Albino e Vítor Silva, que fora o ídolo de Espírito Santo e que, como acontece nas grandes lendas, viria a substituir no primeiro «team» do Benfica.
Do lado verde e branco, alinhavam entre outros Cardoso, Dyson, Jurado, Faustino, Paciência e Peyroteo, seu bom amigo. E até um árbitro, calcule-se! Borques Leal.
Ninguém levava a peito. Até porque o árbitro foi Travassos...
A imprensa entretinha-se a efabular sobre as diferenças do Futebol de um e de outro tempo, chão que deu uvas como sabemos, comparando as qualidades dos veteranos com as dos da época, gastando mais papel com o «prato principal», o desafio que opunha as equipas principais do Benfica e da Académica.
E se o Benfica dos velhotes perdera por 0-1, o Benfica da malta mais nova tratou de dar 7-1 aos estudantes, jogando Espírito Santo durante toda a primeira parte no lugar que agora era de Julinho, mas sem marcar o golito que cairia nessa tarde como a ginja no bico do melro.
Foi bonita a festa!
Em sinal de respeito e camaradagem, os academistas cobriram os ombros do homenageado com a capa preta coimbrã.
E como ele merecia tamanha honra. Guilherme Espírito Santo foi uma das figuras mais resplandecentes do desporto em Portugal. De todos os tempos! O seu recorde nacional do salto em altura demorou vinte anos a ser batido. Além da agilidade extraordinária que exibia no Atletismo e no Futebol, foi um excelente jogador de Ténis, modalidade que praticou até à provecta idade de 85 anos.
Fernando Peyroteo, seu émulo, não se coibiu de o considerar, no livro em que registou as suas memórias, um jogador muito superior a si próprio em termos técnicos. Avançado fino, de velocidade incrível, rapidamente se destacou pela quantidade de golos marcados e afirmou definitivamente uma ideia de multirracialidade no Benfica, algo que marcaria profundamente a história do Clube nos anos que se seguiram de imposição internacional.
De novo no Campo Grande, o povo aplaude um rapaz que era tido como um espelho de virtudes. Alguém que marcara uma época no Futebol português. Há ramos de flores e prendas variadas.
Veio a público que fora Espírito Santo a solicitar à Académica e a Peyroteo ajuda na sua despedida.
Quanto ao Benfica, dedicou-lhe um abraço íntimo: «Espírito Santo, jogador de Futebol e atleta valoroso, disciplinado e correcto, teve hoje no campo do seu Clube - Benfica - a homenagem que merece pelas suas invulgares qualidades. Festa de certo medo modesta, até porque ele próprio assim o quis, revestiu-se do significado que sempre têm as iniciativas a que o Benfica se liga. O tempo ajudou o popular jogador. E a colaboração dos adeptos do seu Clube foi mais simpática e expressiva que ele poderia desejar».
Fazia sol nesse 8 de Dezembro de 1949.
A Pérola Negra ainda brilhava..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Sexto aniversário...

O tempo passa depressa, O Indefectível foi criado há 6 anos!!! Obrigado pela paciência... Pelo Benfica, sempre!

Pingue-pongue futebolístico na Taça Associação

"Um desafio de nervos que terminou com um magnífico gesto de desportivismo entre Benfica e o Casa Pia.

Num agradável dia de Outono, a 6 de Novembro de 1921, disputou-se a final da Taça Associação, um torneio instituído pela Associação de Futebol de Lisboa (AFL) que inaugurava a época de futebol. Os prognósticos abundavam e o desafio era aguardado com bastante ansiedade.
Muito antes da hora, já o Campo Grande estava circundado por um grande número de espectadores, ansiosos por arranjarem um lugar onde pudessem ver bem o desafio. Eram cerca de seis mil pessoas e não havia um único lugar vago!
O encontro foi renhido, pautado por grande rapidez e energia, tanto por parte do Benfica como do Casa Pia. Quando o Benfica abriu o marcador, iniciou-se um verdadeiro pingue-pongue de golos entre as duas equipas: assim que uma marcava, a equipa adversária fazia golo em seguida. Este duelo de contra-ataques entusiasmou bastante a assistência, habituada a uma certa carência de golos em jogos entre grandes equipas. Depois do Benfica empatar ao marcar o terceiro golo já mesmo perto do final do tempo, um senhor na assistência, cheio de entusiasmo, rasgou o chapéu e disse: 'Isto hoje só acaba quando já não vir a bola'.
O tempo regulamentar terminou com o empate e, depois de um pequeno descanso, houve 30 minutos de jogo. Apesar dos jogadores estarem esgotados, o domínio pertenceu ao Benfica, que conseguiu o quarto golo, fixando o marcador em 4-3.
No final, o público eufórico invadiu o campo para felicitar os Benfiquistas, levando em triunfo o capitão Vítor Gonçalves até ao camarote da AFL, onde se fez a entrega da Taça.
Cândido de Oliveira, capitão do Casa Pia, num nobre gesto de fair play, abraçou Vítor Gonçalves e ambos soltaram vivas ao Benfica e ao Casa Pia, correspondidos pela assistência: 'Viva o Benfica! Viva o Casa Pia!'.
Este magnífico troféu encontra-se exposto na área 8. Outras conquistas do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Lixívia 3

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica.............6 (-3) = 9
Corruptos..........7 (0) = 7
Sporting............7 (0) = 7

Mais uma semana de choradinho Lagarto, e mais uma semana onde o Benfica foi de longe o Clube mais prejudicado pela arbitragem, e só não teve influência no resultado, porque uma improvável canhota do Jonas, emendou a incompetência militante dos apitadeiros...
Mais uma semana, onde ficámos a saber que um árbitro prejudica intencionalmente a Lagartada, quando marca dois penalty's a favor deles, e ainda invalida um ataque perigoso (jogador isolado), por fora-de-jogo inexistente... escândalo!!!

Na Luz mantenho o que escrevi na crónica, apesar de tudo, o árbitro, Jorge Ferreira, tentou não facilitar o anti-jogo do Moreirense. Foram várias as jogadas onde os jogadores do Moreirese ficaram na relva a pedir assistência, e o árbitro mandou seguir a partida (e os jogadores miraculosamente lá se levantavam!!!).. É verdade que em duas ocasiões na 2.ª parte, mandou a maca entrar, quando aparentemente não era necessário... Mas, temos que admitir, que ele tentou... Ao contrário da quase totalidade dos outros árbitros, que são passivos, e em alguns casos, até promovem eles próprios as estratégias de anti-jogo. A cultura generalizada nos Clubes em Portugal é abjecta, não existe respeito nenhum, por quem paga o bilhete... e os árbitros têm muita culpa, porque se não forem nas 'cantigas' das simulações, o número de jogadores que ficam a rebolar no chão, diminui imediatamente.
Infelizmente no resto do jogo, o árbitro teve uma arbitragem incompetente. Recordo, que no 'famoso' Moreirense-Benfica da época anterior, o árbitro foi o mesmo, e nessa altura ficou com 'fama' de ser Benfiquista, porque marcou o tal canto (que era penalty!!!) que não existiu, e o Benfica empatou... sendo que logo a seguir expulsou um porco Dragay, por palavras... E já na época anterior, tinha ficado ligado a um golo mal anulado em Belém, por indicação do Fiscal, no Belenenses-Benfica!!! Portanto, com este historial, o normal, quando tem a oportunidade de voltar a apitar o Benfica, é provar que nada lhe liga ao Benfica!!!
Disciplinarmente, perdoou vários cartões amarelos, principalmente ao Vítor Gomes... Tecnicamente, tentou deixar jogar viril, não marcou várias faltas a meio-campo, para os dois lados, mas os principais erros aconteceram nas áreas: não marcou um penalty sobre o Mitroglou aos 51 minutos: foi notório o agarrão na camisola, mesmo assim o Fiscal-de-linha, estava melhor colocado, devia ter avisado...; no 3.º golo do Benfica, novo penalty, desta vez sobre o Jiménez (agarrão descarado do Danielson)... mas o Jonas acabou por marcar golo. Tenho a certeza, que não marcaria penalty, caso não tivesse sido golo.
O lance mais absurdo, foi mesmo o 2.º golo do Moreirense. O próprio árbitro ficou quase com a certeza que tinha existido fora-de-jogo: após o golo, ficou cerca de 30 segundos, à conversa (via intercomunicador) com o Fiscal, foi visível no Estádio... Eu, que estava no outro topo, tive quase a certeza que era fora-de-jogo!!! Não existe desculpa, o lance é simples de ser assinalado. Existem lances de fora-de-jogo muito complicados de ajuizar, este não é um deles!!! Validar um golo destes, a 5 minutos do fim, só prova o clima de intimidação das equipas de arbitragem nos jogos do Benfica: o medo de errar a favor do Benfica, é tão grande, que acabam por tomar decisões destas... No dia que o Benfica ganhar um jogo, com um decisão errada do árbitro, será totalmente trucidado nos mérdias... O Circo está montado, toda esta conversa sobre a arbitragem, por parte dos Calimeros esverdeados, serve exclusivamente para isso...
Repare-se nos disparates Lagartos nos programas televisivos de ontem à noite: juravam a pés juntos que o Lisandro fez penalty sobre um adversário no tal golo em fora-de-jogo do Moreirense...; e um deles, ainda conseguiu ir buscar um suposto livre mal marcado sobre o Luisão, onde por acaso as imagens provam, que a falta existiu mesmo (empurrão nas costas), e que os jogadores do Moreirense não ficariam isolados, mesmo assim, com as imagens à frente dos olhos, não mudaram a cassete!!!
É por isso, que com todos os seus defeitos, devia haver um Pedro Guerra, em todos os debates futebolísticos televisivos, porque com gente desonesta, só mesmo à chapada!!!


Ainda estou à espera de melhores imagens (talvez zoom's), para ter uma melhor opinião do que se passou em Coimbra, mas com as imagens que vi (no jogo), é incompreensível todo este coro de gente indignada. E não estou a falar de jogadores, treinadores ou dirigentes Lagartos, ou mesmo dos adeptos confessos, estou a falar das virgens dos jornaleiros (profissionais supostamente independentes), que resolveram subscrever todas as queixas Lagartos do jogo contra a Académica!!!
Vamos lá caso a caso:
- no penalty contra o Sporting, já vi todos os ângulos, e não consigo ver quem toca na bola. Aparentemente, 'todos' vêem um toque do Adrien, e não tenho a certeza. Admito, no limite, até poderá ter sido falta do jogador da Académica, mas o Adrien também pode ter tocado, no pé do Estudante, e este tocar na bola... Mesmo assim, para não ficarem 'triste' dou de barato este suposto erro contra o Sporting, para efeitos da classificação!!!
- no suposto penalty sobre o Silimani, no 1.º tempo, não existe qualquer falta: existe um corte na bola, e no carrinho, existe um contacto normal... e ao contrário do que foi dito, a bola não ficou jogável. Basta rever o lance, à velocidade normal, para perceber que o Silimani nunca chegaria à bola, porque depois do ressalto de bola, o esférico ganhou velocidade...
- no penalty falhado pelo Adrien, continuo a afirmar que nestas situações, não existe falta, pois não existiu um acto deliberado. O movimento do Fernando Alexandre, é perfeitamente normal, quando alguém roda o corpo, para desviar-se de uma bola, o movimento dos braços, é exactamente aquele. Também admito, que em Portugal, costuma-se marcar este tipo de faltas, erradamente na minha opinião.
- no último penalty, o Fernando Alexandre foi burro, realmente tocou no Silimani, e depois o Argelino, teatralizou, como de costume, obrigando o Bruno Esteves a marcar penalty!!!
Além dos penalty's, recordo um fora-de-jogo, muitíssimo mal tirado à Académica, numa jogada, onde o avançado ficaria totalmente isolado...
Como se pode ver, foi um jogo com decisões difíceis, que os Lagartos transformaram num Circo mediático, completamente absurdo. Se todo o discurso Lagarto, é para provar uma qualquer teoria da conspiração, que todos os querem prejudicar, é difícil de compreender como é que uma equipa de arbitragem, termina o jogo, com dois penalty's a favor do Sporting, e ainda o fora-de-jogo (meio-golo) mal tirado à Académica, pelo mesmo fiscal-de-linha, que nada assinalou nos primeiros dois golos do Sporting, e afinal, o propósito, era 'roubar' o Sporting!!!
O nível de alucinogénos é tão grande, que nas reacções à expulsão do Judas, insinuaram que no Benfica, ele nunca foi expulso!!! Só na última época, foi expulso no Bessa e em Moreira de Cónegos...!!! A facilidade, como esta gentalha reescreve a História, é assustadora!!!


Não assisti ao jogo do Dragay, ouvi parte do relato, quando estava a caminho da Catedral. Foi engraçado ouvir os relatadores, a queixarem-se do critério disciplinar do árbitro... principalmente do amarelo ao Mini... Mais tarde vi a falta, e tenho a certeza, que os mesmos relatadores e comentadores, se o Mini tivesse no Benfica, e fizesse uma falta igual, reclamariam Vermelho directo!!!
Além da habitual impunidade disciplinar Corrupta, os únicos erros de registo, foram foras-de-jogo, para os dois lados... Todos, bastante complicados, o único que podia ter alguma consequência, é o tal já nos descontos, com o resultado feito, e que podia ter dado o 3-0 aos Corruptos!!!


Uma nota extra, sobre um assunto um pouco 'diferente', Rui Vitória:
Nas minhas crónicas dos jogos, tenho criticado a forma do Benfica jogar. Com o plantel que temos (mesmo desequilibrado), podíamos e deveríamos estar a jogar melhor. E não me estou a esquecer da forma como a pré-época, acabou por decorrer...
Agora, uma coisa é achar que temos que melhorar, outra coisa, é o ataque baixo... e revisionista!!!
Os últimos 6 anos do Benfica, foram bons, é verdade. Mas não foram sempre bons. Afinal perdemos três campeonatos. E mesmo nas épocas vitoriosas, houve momentos onde jogámos mal... Aliás, as épocas do Judas no Benfica, têm alguns padrões interessantes. Por exemplo, na maior parte delas, só começávamos a jogar um Futebol atraente a partir de Novembro... que normalmente durava até Fevereiro, com o regresso das Competições Europeias!!! A excepção foi mesmo a primeira época, onde começamos logo muito bem... E em relação aos finais de época, só nas últimas duas épocas melhorámos: primeiro, porque em 2013/14 fizemos uma rotação grande na Liga Europa, só com a Juve nas Meias-finais jogámos com os titulares; e na última época, a eliminação precoce da Europa, permitiu uma 'folga' física, e mesmo assim os jogos fora da Luz, foram quase todos um sufoco!!!
Também me parece evidente, que o plantel do Benfica, tem perdido qualidade (o Mercado está a dar as últimas neste preciso momento...!!!), na última época, isso foi evidente, as opções foram menores. Os problemas no meio-campo do Benfica, existem desde da saída do Enzo, e ainda não foram rectificados...
Dito isto, o Benfica não tem jogado de forma convincente, isso é óbvio. O Júlio César com o Estoril e com o Arouca teve demasiado trabalho (já com o Moreirense, foi um espectador!!!), e isso não pode continuar a acontecer... Ofensivamente, estamos demasiados estáticos, criamos poucos desequilíbrios, mas mesmo assim, somos muito provavelmente a equipa de todo o Campeonato, que cria mais jogadas de perigo!!! Mais que os Lagartos, e muito mais do que os Corruptos (que devem ser a equipa, que menos remata à baliza!!! Por larga margem!!!). E no jogo que perdemos, fomos altamente prejudicados pela arbitragem, com influência directa e indirecta no resultado.
Ainda no Sábado, ouvindo o relato, dos Corruptos, fiquei a saber que o 2.º golo dos Corruptos (livre directo), foi o 2.º remate à baliza do Estoril, isto aos 62 minutos de jogo!!! Imaginem se o treinador fosse o Rui Vitória, que estava na sua 2.ª época no Benfica, e que já teria gasto em compras algumas centenas de milhão de Euros, e aos 62 minutos, o Benfica fazia o 2.º remate à baliza?!!!
Eu sei que com o mal dos outros, nós estamos bem, mas os exageros, também não ajudam... E havendo capacidade de auto-critica, não será complicado analisar por exemplo as movimentações do Guedes na 2.ª parte do jogo com o Moreirense; ou ainda analisar as duas jogadas que acabaram com falhanços escandalosos do Jonas: com tabelas (1.º tempo) e/ou arrancadas (2.º tempo), para perceber que os mecanismos estão lá... agora é preciso repeti-los!!!
E como o Samaris afirmou no fim, com trabalho e treino, o Benfica tem tudo para triunfar...


Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada

Épocas anteriores:

O que pensará o presidente da Liga?

"Será que Pedro Proença acompanha a tese de Bruno Carvalho segundo qual quem rouba dentro do campo deve ser preso?

Continua elevada a temperatura entre o Sporting e os árbitros. Depois de Moscovo, Bruno de Carvalho atacou fortemente a arbitragem dos jogos com o CSKA, Jorge Jesus também não se fez rogado e a expulsão, ontem, do treinador dos leões - e a solidariedade presidencial subsequente - não ajudou a qualquer détente. Felizmente, o campeonato para agora, entra em cena a Seleção Nacional, e isso pode criar uma trégua necessária. Porque o perigo de a contestação sair do âmbito leonino e alastrar a outras frentes é real e pode colocar um problema sério. No que respeita ao Sporting, Bruno de Carvalho colocou a fasquia da contestação aos árbitros muito alta. Ao centrar o discurso leonino nos homens do apito, o presidente do grémio de Alvalade conseguiu retirar o foco de insuficiências próprias da sua equipa, visíveis a olho nu em Moscovo, e isso, do ponto de vista estratégico, pode não ser negativo. Porém, ao chocar frontalmente com a arbitragem, Bruno de Carvalho entreabriu a caixa de Pandora e as consequências desse facto podem vir a ser relevantes.
Na campanha que entendeu patrocinar, reclamando prisão para quem rouba dentro do campo, será normal que Bruno de Carvalho pretenda ter o conforto da Liga de Clubes, que é um organismo autónomo da FPF para defender os interesses dos clubes com futebol profissional. Depois de tudo o que já foi dito pelos responsáveis do Sporting, ao longo das últimas semanas, em relação à arbitragem, seria normal que o presidente da Liga já tivesse vindo a terreiro, pronunciando-se sobre a matéria em apreço, dizendo de sua justiça, fosse no sentido de apelar à calma e à concórdia, ou fosse no sentido de apoiar o seu filiado Sporting. Acontece que Pedro Proença nunca se poderá sentir muito à vontade nesta matéria. A sua ligação à arbitragem é demasiado profunda (só estranho é que pensasse que podia estar no Comité de Arbitragem da UEFA e acumular essa função com a presidência da Liga...) e não estou a vê-lo a assinar por baixo aquilo que Bruno de Carvalho advogou na passada semana, sugerindo a prisão para quem rouba dentro do campo.
Os próximos dias mostrarão se Pedro Proença vai manter a invisibilidade em relação às queixas do Sporting ou se, ao invés, vai agir como presidente da Liga e assumir uma posição sobre o caso.

A inédita seca de Messi e Ronaldo
«É normal que o Cristiano Ronaldo queira marcar, mas ele sabe que não pode fazê-lo em todos os jogos. Vai marcar no próximo...»
James Rodriguez,  Jogador do Real Madrid
James Rodriguez, autor de dois golos fabulosos ao Bétis, mostrou-se pouco a vontade para abordar os 180 minutos que Cristiano Ronaldo leva na Liga espanhola sem atinar com a baliza. Esta situação anormal é potenciada pelo facto de o mesmo estar a suceder a Messi, que tem andado de candeias às avessas com o golo. Cristiano e Messi são sempre notícia. Desta feita por omissão...

ÀS
Nélson Évora
Merece a nossa admiração, não só pelos feitos desportivos, mas sobretudo pela resiliência que lhe permitiu sobreviver a demasiados unfotúnios. Em Nélson Évora, é a força interior que mais me espanta e mais se revela, essa capacidade de reinvenção que o levou, na última semana, de novo ao pódio de uma prova mundial.

(...)
Para a eternidade
Acabaram os Mundiais de atletismo em Pequim (do nosso contentamento pela perfomance de Nélson Évora) e a lenda Usain Bolt, o homem mais Rápido da história, aumentou. O mundo parou cada vez que o jamaicano esteve em pista e a notícia do seu triplo sucesso foi global e célere. Como ele. Por vezes, quando se esta a viver a Historia e esta passa à frente dos nossos olhos, temos dificuldade em apreender o alcance dos factos. No que toca a Bolt, trata-se de um homem do futuro, um meteoro que cruza os céus, rumo ao infinito e mais além.

Atentos no México a Raúl Jiménez
A imprensa mexicana de ontem assinalou com pompa e circunstância o primeiro golo de Raúl Jiménez pelo Benfica.
Trata-se do ponta-de-lança da Selecção do México, está à procura de um novo fôlego na Europa depois de um ano a marcar passo em Madrid e é natural que suscite curiosidade"

José Manuel Delgado, in A Bola

domingo, 30 de agosto de 2015

7.ª Supertaça: em jogo inacreditável...

Benfica 6 - 3 Fundão

Até poucos segundos do fim, estava a ser um dos resultados mais mentirosos da história do Desporto Mundial, sem exageros!!! No final dos 40 minutos, havia 71 remates para o Benfica e 9 para o Fundão, e o marcador marcava 3-3!!! O já habitual guarda-redes possuído, os postes, alguma aselhice, ansiedade, tudo misturado, fez com que o Benfica a 7m40 do fim do jogo, estivesse a perder por 0-3... mas o jogo só acaba, quando acaba. E se alguém alegar que naquele último minuto - quando o Fundão falhou o 2-4 escandalosamente, e o Brandi teve uma 'ajuda' no 3-3 -, que o Benfica teve sorte... então não devem estar bons da cabeça...!!!

É verdade que o jogo começou morno, mas o Benfica esteve sempre por cima do jogo, mas o massacre aumentou, e muito, de intensidade, depois do 0-2 (sem que o Juanjo fizesse uma defesa digna desse nome)!!! Se antes, já tínhamos sido superiores, depois do 0-2 - ainda no 1.º tempo -, foi um massacre impressionante até ao fim do tempo regulamentar!!! Autêntico jogo de bruxedo...!!!
Houve alguns momentos de precipitação, com tudo a correr mal, é normal, mas a equipa manteve-se unida... e acreditou!!! Apesar da natureza épica da remontada, recordo-me de um jogo no Fundão no Play-off, com uma história praticamente igual, e que terminou com um 6-3 para o Benfica... além de um jogo em Belém em 2008, também muito parecido

Este jogo, inaugurou uma nova variável no plantel do Benfica: devido ao numero de estrangeiros no plantel, 1 tem que ficar de fora, nas competições internas: o escolhido hoje, foi o Hemni (o Mário Freitas continua indisponível). O Patias, 'facilitou' o trabalho ao Joel, para o próximo jogo, ao fazer-se expulsar já depois do final da partida!!!
Uma nota ainda para arbitragem: horrível!!! Além da permissividade com o jogo agressivo contra o Benfica, os erros foram tantos, que perdi a conta... Só em reposições laterais ao contrário, foram dezenas!!!

Supertaça de Portugal MasculinaResumo: SL Benfica 6-3 AD Fundão

Posted by Zona técnica - Futsal on Domingo, 30 de agosto de 2015
É sempre bom começar a época com mais um título: 7.ª Supertaça. É bom recordar que neste momento, somos o detentor de todos os títulos e troféus do Futsal nacional: Campeonato, Taça de Portugal, Supertaça.

Póvoa amarga...

Varzim 2 - 1 Benfica B


Não foi um jogo bem jogado - por ambas as equipas -, mas o Benfica fez o suficiente para empatar... O erro do Rebocho no 2.º golo do Varzim foi fatal... E se no golo do Renato tivemos alguma sorte, no assalto final, acabámos por ter muito azar...

Olhares acerca do futebol

"Uma viagem analítica pelo mundo dos direitos televisivos, com olhar atento para o que se passa no estrangeiro e, também, em Portugal.

1. Vivemos os últimos momentos do grande período da intermediação nas principais ligas europeias. É certo que em algumas ligas, cada vez mais poderosas sob o ponto de vista financeiro, a data limite não será o dia 31 de agosto. Mas serão sim os primeiros dias de Setembro. Agora que todos os clubes sabem as competições em que participam é tempo para uma reflexão global acerca desta indústria. Para uns olhares acerca do futebol. Que tem muitas especificidades. Desde logo sabemos que as regras do jogo económico têm no futebol um significado próprio. Distinto de muitos outros sectores e actividades. Há clubes, em rigor sociedades desportivas, que têm uma situação económico-financeira tão débil que em outras indústrias já teriam sido consideradas falidas. Mas não o são, mesmo com as singularidades jurídicas que a nossa legislação concebeu para a recuperação de empresas. Há outros clubes, em rigor sociedades desportivas, que compram e vendem jogadores a preços que parecem impossíveis e ninguém questiona a forma da respectiva avaliação. E os adeptos, e até os accionistas, mesmo que minoritários daquelas sociedades desportivas, parecem não sensíveis aos números apresentados e, igualmente, insensíveis à qualidade do produto que consomem.
2. Este tempo de intermediação, principalmente em razão das largas centenas de milhões de euros que já circularam no espaço europeu, tem na liga inglesa o seu centro. O seu centro de poder financeiro. Sem esquecermos alguns clubes como o PSG ou a Juventus, o Milão ou o Bayern de Munique. Daí que o exemplo inglês seja referência para outras ligas. A Inglaterra, e o seu futebol, é o exemplo perfeito da combinação entre o liberalismo económico e um profundo colectivismo. Há cerca de vinte anos o futebol inglês, abalado pela crise de violência, começou uma verdadeira revolução que o leva, no momento, a ser uma referência mundial e um espaço de atractividade de muitos milhões de adeptos desta modalidade que, pela simplicidade das suas regras, se tornou uma marca global. E com os ídolos de referência e de excelência. E o sistema igualitário de voto dos vinte clubes da principal Liga inglesa, a par do direito da federação inglesa, permitem uma estabilidade societária que ajuda a multiplicar as receitas, como as televisivas e comerciais, e a não exagerar nas despesas. A Liga inglesa já é, a par da FIFA e da UEFA, uma verdadeira multinacional.
3. Convém igualmente olhar para o que está a acontecer nas ligas francesa e espanhola. Em ambas tensões entre a Liga e a Federação. E em França um conflito com clubes da primeira liga a entrarem em ruptura com o sistema orgânico vigente e, criando o seu próprio sindicato, olham para o êxito da liga inglesa e procuram uma solução semelhante. O que implica uma significante alteração das relações de poder - e de força! - no conjunto do futebol francês. Em Espanha a tensão entre a Liga e a Federação é indiscutível. E a questão dos exclusivos televisivos é, tão só, um dos temas para essa tensão. Que atinge, já, as relações pessoais entre o Presidente da Federação e o Presidente da Liga. Talvez estas razões, bem relevantes, sejam a justificação para os programas eleitorais das principais forças políticas concorrentes às próximas eleições legislativas portuguesas serem quase que omissos na abordagem destas questões. Que bem sabemos queimam!
4. E queimam ainda mais em Portugal. Em razão de uma singularidade portuguesa. Entre nós temos uma televisão de clubes - a BTV - que detém os exclusivos dos jogos do clube (e também do Farense) e, ainda, e nesta época, os exclusivos das ligas inglesa, francesa e italiana. Temos, depois, um canal desportivo, igualmente pago, a Sport TV, que detém os direitos de transmissão de todos os outros clubes participantes nas competições profissionais e, também, de outras ligas importantes como a espanhola, alemã ou holandesa. E temos, singularmente, uma empresa liderada por Joaquim Oliveira que é detentora dos direitos exclusivos televisivos da quase generalidade das sociedades desportivas e é parceira societária da Sport TV. E esta singularidade portuguesa exige cautela e ousadia, capacidade de articulação e força negocial. E, também, um olhar permanente para as estratégias dos principais operadores, seja a NOS seja a MEO - agora Altice, ex-PT - e, também, para a possível alteração accionista em algum canal privado português. Sem nos esquecermos das novas realidades ligadas a jornais como a nossa A BOLA TV ou a CMTV. E, nesta matéria, a «distribuição» de eventos desportivos que a FPF está a fazer por diferentes canais é um sinal interessante acerca da sua posição face ao mercado existente. Onde a RTP com a Liga dos Campeões e as nossas principais selecções tem, claramente, e nas próximas épocas, uma posição bem destacada.
5. Para além destes aspectos convém não ignorarmos o peso da intermediação desportiva em Portugal. E este peso resulta de um dos principais actores mundiais neste sector de actividade ser português, Jorge Mendes. Sendo, necessariamente, um quase que abono permanente para algumas sociedades desportivas portuguesas. Ele é, neste âmbito, o porto de chegada e o porto de saída. Chegada de jogadores, sua valorização e partida pintada ouro em certos casos. Como no arranque da liderança comercial portuguesa e em que os Descobrimentos são um momento relevante, Jorge Mendes é quase que uma casa dos vinte e quatro. Onde tudo se decidia!
6. O que falta em Portugal é, também, a análise sistemática e sistémica dos dados. Há estatísticas, e muitas, acerca dos jogos. Mas não há uma ponderação profunda acerca dos dados económicos, das entradas de fluxos financeiros, do valor da intermediação, da origem das sociedades destinatárias das verbas da intermediação, do volume de impostos - sem ser o IVA - que o conjunto do futebol português paga ao Estado. Faltam estes estudos que não podem ser, como muitos, simples ou meros exercícios intelectuais. De forma que, na ante câmara da entrada em vigor das apostas online, se possa dizer «que o futebol português é assim»! E, dessa forma, percebem-se os mitos e sabem-se as verdades que marcam, há tanto tempo, o futebol português. Talvez seja o tempo. A questão é da vontade. E como, há alguns séculos, dizia Maquiavel «onde há uma vontade forte não pode haver grandes dificuldades»! Antes que estas se multipliquem!"

Fernando Seara, in A Bola

Coração...

Benfica 3 - 2 Moreirense


Suspeito que a continuar assim, o coração dos Benfiquistas, não vai aguentar muito mais tempo..!!!
Não é fácil escrever sobre este jogo: voltamos a cometer erros parvos, menos no que os outros jogos, é verdade, o Júlio César desta vez foi quase um espectador (isto com um Moreirense acessível... mas que acabou por ter uma eficácia de quase 100% !!!). No ataque, voltámos a demonstrar ansiedade, falta de soluções, jogadores sem saber o que fazer com a bola... mesmo assim falhámos golos 'impossíveis' de falhar, massacrámos (2.ª parte), mais uma vez podíamos ter goleado... mas acabámos o jogo, em sofrimento.
A equipa continua a dar tudo, creio que ninguém pode acusar os jogadores de falta de atitude, mas nota-se uma tremenda falta de confiança. Alguns queixam-se do excesso de cruzamentos, pessoalmente só os maus cruzamentos (e hoje foram muitos), são escusados, hoje marcámos dois golos em dois bons cruzamentos, se fosse sempre assim... O problema, é que no momento do remate, a bola parece queimar...
Além disso, continuamos a perder bolas, em zonas proibidas, e aí o Pizzi (e o Samaris em algumas ocasiões) tem culpa no cartório... Quando os laterais estão em posição ofensiva, nos passes feitos na zona central, não se pode perder a bola, simples... Ainda por cima, quando estamos a falar de passes fáceis...
Tenho reclamado a necessidade de contratar um '8', e este jogo, ajudou a explicar o meu ponto de vista: o Talisca na Luz, neste jogos, chega, mas precisamos de alguém com competência nas coberturas e na pressão, e que tenha a capacidade de passe do Talisca, mas com melhor decisão...
Esta paragem para as Selecções, vem no momento certo, para ser perfeito, só mesmo os jogadores ficarem todos no Seixal!!!
Júlio sofreu dois golos, e não fez uma defesa digna desse nome...; o Luisão, nunca foi rápido, mas na forma como o Benfica está a jogar, fica muito mais exposto, com o regresso do Jardel, será um erro o Lisandro ir para o banco; o Lisandro cometeu um erro parvo no 1.º golo do Moreirense... é verdade, que o deveria existir alguém naquela zona, mas o corte, naquelas circunstâncias, tem que ser feito pela linha lateral... no resto da partida esteve muito bem; o Nelsinho fez talvez o seu pior jogo, muitos passes falhados, e aparentemente com medo de subir...; o Eliseu esteve regular, sem grandes notas de destaque... mas a verdade, é que o Benfica melhorou muito, quando o Nico passou a ser o nosso defesa-esquerdo... precisamos de um lateral, rápido, que saiba cruzar...; o Samaris fez um grande jogo, terá sido o melhor jogador durante os 90 minutos...; o Pizzi voltou a desiludir, esteve melhor que no jogo com o Estoril, mas falta-lhe capacidade de fazer passes de ruptura... com o Talisca, mesmo com os bloqueios mentais do Baiano, a circulação de bola entre os flancos aumentou imediatamente...
O Vítor Andrade provou que ainda não pode ser titular no Benfica... pouco participativo, e mais uma vez foi demasiado individualista... às vezes, existem jogadores, que produzem muito quando saltam do banco, mas rendem pouco quando são titulares, neste momento da carreira do Vítor parece que é um desses casos; o Nico curiosamente começou mal... com muitas más decisões, melhorou muito no 2.º tempo... e quando baixou para defesa-esquerdo foi decisivo com 2 assistências; o Jonas falhou golos impossíveis... a forma como festejou o golo da vitória, pedindo desculpas, é elucidativo... o jogo só foi emocionante, porque o Jonas não 'quis' acertar na baliza, mas no final marcou o golo decisivo...; o Mitrogolou está mais enquadrado nas movimentações da equipa, mas tem algumas limitações... meter bolas pelo ar para o Mitro não resulta, agora quando recebe a bola de costas, no chão, é perigoso... basta recordar a forma como assistiu o Samaris para o 2.º golo; Raúl Jimenez estreou-se na melhor maneira na Catedral, primeiro toque na bola: golo!!! Tem mais mobilidade do que o Mitro, poderá ser titular dentro de pouco tempo...; boa 2.ª parte do Guedes, bem nas diagonais, e praticamente não perdeu bolas...
No Estádio, mesmo estando na outra baliza, fiquei logo com a ideia que o 2.º golo do Moreirense estava fora-de-jogo. Pareceu-me ter ficado um penalty por marcar sobre o Mitro. Mesmo assim, e apesar da tentativa descarada de fazer anti-jogo por parte dos jogadores do Moreirense, tenho que elogiar a forma como o árbitro tentou, não cair na tentação de parar o jogo, sempre que um jogador ia para o relva, principalmente na 2.ª parte... Em algumas ocasiões, foi 'obrigado' a mandar entrar a maca (duas dessas vezes, foi 'enganado'!!!), mas pelo menos tentou 'lutar' contra o anti-jogo, algo tão raro em Portugal, que só por isso merece um elogio!!!
Segunda-feira fecha o mercado. É verdade que neste momento, o ideal seria a equipa começar a jogar um futebol, organizado, confiante, e ganhador!!!
Será errado pensar que algumas contratações de última hora, podem 'salvar' a época, mas também é errado, pensar que vier quem vier, nada se alterará.
Precisamos, na minha opinião de 3 jogadores: defesa-esquerdo; extremo; e médio organizador de jogo.
As informações que me chegaram, é que a intenção da Direcção, é mesmo essa. Mas não está fácil. Suspeito que a noite de Segunda será emocionante!!!

sábado, 29 de agosto de 2015

6 quilos, 10 quilos, 14 quilos

"O Benfica ainda só conseguiu ganhar um dos oito jogos que disputou e, perante isto, a boa notícia na Luz é que Taarabt já perdeu seis quilos. À falta de outro género de sucessos, se houve coisa que resultou desde a abertura dos trabalhos no Seixal foi o programa de perda de peso de Taarabt. Agora, com seis quilos menos de Taarabt talvez pudesse Rui Vitória, com o que sobrou do marroquino, inventar uma espécie de transportador de jogo com pé de canhão como o Benfica não tem desde o tempo do grande, do enorme Isaías.
Um funcionário (ou ex-funcionário do Benfica, tanto faz) foi alvo de uma perseguição na A1 vendo-se obrigado pela polícia a encostar o automóvel onde viajavam calados dez quilos de cocaína. O volume apreendido desfaz qualquer ideia benigna de que o embrulho em trânsito se destinava ao consumo do condutor. Tudo indica que se trata de um caso de tráfico desmantelado pelas autoridades e um caso em que o nome do Benfica aparece envolvido. Justo e devido no entanto, é saudar a nossa polícia sempre que faz o seu trabalho sem olhar à cor ou às cores dos grandes meliantes, dos pequenos chantagistas ou dos ladrões mais vulgares e atrevidos. Este episódio ocorreu há um mês e na notícia que foi dada no princípio desta semana pelo "JN", excepção feita à referência ao nome do Benfica e ao parágrafo francamente preconceituoso e indiscriminado para "os cidadãos de nacionalidade colombiana", não há muito mais que possa ferir susceptibilidades. O Benfica não será certamente um narco-clube como se constata olhando para a sua tão remediada realidade. Fosse o Benfica um coio funcional de traficantes de alto gabarito e não andaria todos os anos a vender meia equipa aos milionários da Europa e de Singapura. Antes nadaria em dinheiro. Provavelmente à vista de toda a gente.
O Sporting também perdeu 14 'quilos' e em menos de meia hora. Vai direitinho para a Liga Europa, onde a vida é mais fácil, ainda que pior remunerada. Na competição principal o sorteio ditou o reencontro de Mourinho com o Porto e o encontro do Astana com o Benfica. Esse mesmo, o Astana! Por muito mal que lhe corram os trabalhos com o Atlético Madrid e com o Galatasaray, só muito dificilmente conseguirá o Benfica não se qualificar para a Liga Europa. Ainda que o Astana possa não ter pior equipa do que o Arouca."

Não te deixaremos cair, Nelson Évora

"Esta quinta-feira, ao ver Nelson Évora voar para o bronze nos Mundiais de atletismo, depois de anos de calvário, lembrei-me da extraordinária Vanessa Fernandes. Já ninguém se lembra de Vanessa. Chegou a melhor do mundo no triatlo em 2007, conquistou a prata nos Jogos Olímpicos de 2008 e depois caiu no abismo da depressão. Mas eu lembro-me bem daquela prova olímpica, em 2008, também ali em Pequim, onde Nelson foi campeão olímpico e onde agora voltou a ser feliz. Há seis anos, Vanessa viu fugir a tricampeã mundial Emma Snowsill para o ouro e parecia perder gás na luta por uma medalha olímpica. Quem, como eu, seguia a corrida, temeu o pior. Foi então que se ouviu a voz do pai, Venceslau Fernandes, que venceu a Volta a Portugal aos 39 anos e só parou de pedalar aos 45: "Aguenta, Vanessa, aguenta! É até cair! É até cair!".
Foi, ao mesmo tempo, assustador e emocionante. Há uma parte de nós que não pode deixar de se chocar por ver um pai querer levar uma filha ao limite. Mas há outra que se emociona com a superação de uma atleta perante as adversidades, capaz de ir buscar forças onde estas pareciam não existir. Não sei se Vanessa ouviu os incentivos berrados pelo pai, mas ela lá aguentou. Tanto que conquistou uma medalha de prata que lhe soube a ouro, admitiu no final. Mais tarde, quebrou. Nunca mais foi a mesma, desapareceu das competições, caiu no esquecimento. Quando esboçou um regresso e lhe perguntaram do que sentiu mais falta enquanto esteve afastada, respondeu: "Da dor". Nenhum poeta o escreveria melhor.
Esta dor não é fingimento. Experimentem perguntar ao Nelson Évora o que sentiu quando, já depois de ter acabado um treino, decidiu voltar para trás para dar mais um salto e, crac, sentiu a tíbia partir-se. Perguntem-lhe o que sentiu quando soube que não podia defender o título olímpico, quando foi operado seis vezes em quatro anos, quando lhe disseram que corria o risco de lhe amputarem a perna direita. Perguntem-lhe o que é querer saltar e não poder, darem-no como morto para o atletismo, perder patrocínios, questionar-se se valia a pena sofrer tanto. Logo ele, que tinha sido campeão olímpico e mundial, que não tinha mais nada a provar a ninguém. Podia ter desistido, ninguém o recriminaria. Agora, perguntem-lhe o que sentiu esta quinta-feira quando, ao último salto, ali naquele Ninho de Pássaro onde conquistou o ouro olímpico, conseguiu o bronze nos Mundiais e arrancou o dorsal do peito, apontando para o seu nome, como quem diz que a Fénix renasceu.
Agora acreditamos nele, mas houve uma altura em que só ele acreditava. Há dois anos, disse-me que voltaria mais forte do que nunca e que ainda ambicionava chegar aos 18 metros, barreira mítica que só cinco atletas na história do triplo salto conseguiram ultrapassar. E eu interrogava-me se seria determinado ou ingénuo, porque um homem não poderia ser mais forte depois de ter fracturado a tíbia e passar mais tempo em cirurgias e em fisioterapia do que nas pistas. Nelson ainda não é o mais forte do mundo, mas não duvidem de que os adversários já estão de olho nele para os Jogos Olímpicos do próximo ano, no Rio de Janeiro.
Esta quinta-feira, como quando Rosa Mota (maratona, 1988) e Fernanda Ribeiro (10.000m, 1996) correram para o ouro, como na prata de Vanessa em Pequim (triatlo, 2008) e de Obikwelu em Atenas (100m, 2006), como no bronze de Rui Silva (1500m, 2004) e em tantas outras conquistas do atletismo e do desporto nacional, voltei a estar colado à televisão (e, agora, também à internet). Portugal não parou para ver o Nelson saltar como faz quando a seleção de futebol joga num grande campeonato, mas devia tê-lo feito. Porque ele é um exemplo do melhor que o país tem e do melhor que podemos ser se acreditarmos em nós. Tudo nele é sangue, suor e lágrimas, esforço, determinação e devoção. Quem tanto sacrificou para ali estar, merece toda a atenção e todos os aplausos. E merecia que o "Correio da Manhã", o "i" e o "Sol" não se tivessem esquecido dele nas primeiras páginas desta sexta-feira.
Infelizmente, há uma elite pseudointelectualoide que despreza o desporto, porque o desporto é coisa das massas. Nunca terão lido Albert Camus, o filósofo que foi guarda-redes de futebol até aos 17 anos e que não prosseguiu uma carreira promissora devido a uma tuberculose. "Depois de ter visto muitas coisas em muitos anos, tudo quanto sei com maior certeza sobre a moral e as obrigações dos homens devo-o ao futebol e ao que aprendi no Racing Universitário de Argel", escreveu nos anos 50.
Depois da prova, Nelson Évora deu um salto ao Facebook para deixar uma curta mensagem aos fãs. "Vocês sabem o que este bronze representa". Haverá quem pense que é pouco para quem já foi o melhor do mundo. Não é. É um feito incrível para quem sofreu o que ele sofreu. Merece bem estes versos que Manuel Alegre dedicou a Carlos Lopes, depois de o português ter vencido a maratona olímpica em 1984: "Mais do que ser primeiro/ herói é quem / sabe dar-se inteiro / e dentro de si mesmo, ir mais além"."

Nelson Marques, in Expresso

Que achar de Bruno? É bestial ou besta?

"Bruno excede-se nas ameaças, nas acusações, nas subjectividades. Em matéria de verbo não condescende nem transige. Mas terá razão?

No futebol, e não apenas na classe dos treinadores, os protagonistas são divididos, sem preocupações ou remorsos, em duas categorias: há os bestiais e há as bestas. Trata-se duma visão obviamente básica, na maioria dos casos sem outra razão que não seja a ausência de razão e o sobejo duma intuição alucinada. Esta realidade torna-se mais evidente quando alguém foge da normalidade vigente ou da previsibilidade e entra numa marginalidade de discursos e comportamentos. E o caso do presidente do Sporting, Bruno de Carvalho.
Para alguns sportinguistas Bruno é o messias que anuncia a boa nova dum clube que não se resigna às injustiças do mundo e às aberrações das satânicas gentes que dominam o futebol. Porém, para quase todos os outros Bruno é apenas um Maquiavel renascido, um Belzebu regressado, um bruto e um desmiolado com incontida sede de protagonismo.
Devo dizer que, depois das últimas cintilantes actuações do presidente do Sporting, cresceu o número de opositores, na razão directa do aumento da fé fecunda dos seus fiéis seguidores.
Bruno excede-se nas ameaças, nas acusações, nas subjectividade. Bruno excede-se, sobretudo, na forma de dizer e de escrever a um povo imaginário, como se fosse um líder revolucionário na plena coragem da subversão. Por isso fala em trampa com a humildade intelectual de quem quer que todos o entendam e, por isso, baixa o nível da proclamação. Poderia dizer que o mundo do futebol é fétido, que o reino está tão podre como o da antiga Dinamarca. Mas Bruno, em matéria de verbo, não concede nem transige. Os moralistas ficam vermelhos de vergonha, os conservadores ficam amarelos de indignação, os opositores ficam verdes de raiva e os adversários ficam azuis de inclemência.
É manifesto que Bruno não é um homem ponderado.
Mas o problema maior é o de saber se, apesar de Bruno ser o que é ou o que finge ser, tem razão. Do ponto de vista formal, quando fala dos malefícios da arbitragem, é verdade que o Sporting tem sido prejudicado. Particularmente na Europa, onde tem sido tão regularmente prejudicado que nos pode levar à conclusão de que se trata mais dum castigo premeditado que dum acaso de mera circunstância. E, se assim for - o que é muito provável que seja -, remete-nos para uma primeira e indiscutível realidade: quem não tem força nem notoriedade melhor será que tenha uma estratégia de luta. Dar o peito às balas, quando a armadura é a pele do corpo, não é coragem, é suicídio.
Sinceramente, não me choca a brutalidade (não confundir com frontalidade) discursiva de Bruno de Carvalho, apesar de o presidente do Sporting fazer os possíveis e os impossíveis por chocar tudo e todos. Apenas lamento que tanta e tão fulgurante energia seja desperdiçada sem qualquer préstimo ou resultado notável.
Temo, no entanto, que o Sporting continue a ser um alvo demasiado exposto e demasiado vulnerável e a única coisa que não entendo é que Bruno de Carvalho não se preocupe com isso, sabendo, como terá de saber, que não é ele próprio, enquanto mero cidadão, que estará em causa, mas a instituição que diz defender com espada em riste, mas deixando-a à mercê dos canhões inimigos.
Eu sei que há quem pense que a gritaria é apenas um modo de diversão para evitar a discussão de factos negativos. Há mesmo quem diga que é uma maneira inteligente de fazer a defesa dum treinador que estaria, agora, em posição de ser atacado. Seja como for é perigoso. As pessoas podem vir, apenas, a achá-lo louco."

Vítor Serpa, in A Bola