Últimas indefectivações

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Brasil e o povo, futebol e liberdade

"Os senhores da FIFA mantém um silêncio tão ensurdecedor. Depois do ataque de nervos por verem perigosamente atrasadas as obras de construção dos estádios do Mundial, a desagradável surpresa de verem o povo brasileiro na sua pátria de samba e futebol contestarem, por todo o país, a realização do Mundial.
Importa, aqui, fazer um esclarecimento essencial. Nem essas manifestações significam que o povo brasileiro passou a ser contra o futebol - obviamente que não - nem o povo é contra a realização da Copa no seu país. O povo brasileiro está contra - isso sim - um Mundial despesista, um Mundial de gastos indiscriminados e desproporcionados, um Mundial que - segundo acreditam - abriu, de par em par, as portas da corrupção.
Acresce que as primeiras manifestações surpreenderam de tal forma o mundo, que acabaram por ganhar universal projecção mediática. A partir daí, tudo o que é movimento de contestação no Brasil descobriu que o mundo inteiro toma atenção às manifestações que ponham em causa a Copa. Nas ruas das grandes cidades vimos um pouco de tudo e de todos a manifestar-se. Dos professores aos técnicos de saúde, dos estudantes aos índios, dos sindicatos aos reformados. É, agora, a altura de vir para a rua gritar, porque há a garantia de dezenas de câmaras a registar cada reivindicação popular.
A FIFA está em pânico. Já ouvi dizer que estão a ser programadas manifestações para boicotar a entrada de espectadores nos estádios e sabe que isso pode originar uma terrível guerra urbana. Continua a negociar com os chefes e com todo o tipo de líderes, mas nada garante que consiga evitar a proliferação de movimentos populares autónomos. Custos da liberdade. Não tão grandes como os do Mundial."

Vítor Serpa, in A Bola

O passivo de Vieira

" 'Há um clube em Portugal com um passivo superior ao do Benfica', disse Luís Filipe Vieira esta terça-feira à RTP. O presidente do Benfica não disse qual é, 'não me compete denunciar quem quer que seja'. Mas compete aos jornalistas: Vieira estaria a referir-se ao Sporting.
A questão é simples e é complexa. O Benfica consolida todo o seu passivo na SAD, o Sporting não. Por isso, quando se olha para o passivo de 450 milhões de euros da Benfica SAD, está a ver-se o perímetro completo da SAD e clube. Já quando se vê o passivo da Sporting SAD não se está a ver a totalidade do clube. Ora, e está é a novidade, os auditores do Sporting escreveram uma reserva no relatório às contas segundo a qual, além do passivo do clube de cerca de 210 milhões, há mais quase 300 milhões de passivo. Este relatório de auditoria não é ainda público mas os valores circulam junto de várias fontes do sistema financeiro. Era certamente a este valor que Vieira estaria a referir-se: a dívida do Sporting (clube) somará, neste caso, quase 500 milhões. Sendo assim, é superior à do Benfica.
As sociedades anónimas desportivas trouxeram grande transparência ao futebol, nomeadamente nas cotadas em bolsa. O problema está no que fica de fora. O facto de haver passivo fora da SAD não é ilegal mas é menos transparente. No caso do Sporting, a dívida é antiga. Mas assim se percebe o peso da herança de Bruno de Carvalho. E assim se percebe também por que razão a reestruturação do passivo do Sporting com a banca é tão delicado. Se ficar provado que há perdão de dívida indirecto, os outros clubes também quererão.
Os clubes estão demasiado endividados. O Benfica tem de vender jogadores para baixar a dívida, lucrar e passar os capitais próprios a positivos. O Porto tem de vender jogadores pela mesma razão e está a emitir obrigações. Já o Sporting tem realizado um trabalho notável com Bruno de Carvalho, mas o que falta é ainda muito. E assim os dois clubes de Lisboa voltam a medir-se. Só que, em termos de passivo, ninguém quer ser o maior."

Uma aposta coerente

"Contratar um lateral-esquerdo com qualidade a um preço acessível é um tarefa hercúlea, algo bem atestado em equívocos como Cortez, Luisinho, Emerson, Capedevila e Shaffer. A prevísivel saída de Siqueira coloca o hispano-suíço Benito na rota encarnada. Uma aposta coerente, mesmo tratando-se de um jovem que terá que se adaptar à realidade de um clube que quer vencer em todas as frentes. Disponível e forte fisicamente, o bom jogo aéreo - defensivo e ofensivo - garante-lhe uma boa cobertura do espaço interior, revelando-se muito mais eficaz na antecipação do que no desarme. Veloz e desequilibrador, assume, mesmo não sendo virtuoso, acções de condução e desmarcação. Exibe bons atributos nos cruzamentos - bola parada e corrida - e, no passe: curto e médio."

Rui Malheiro, in Record

PS:  Não sei se é verdade, a contracção do Loris Benito pelo Benfica. Não conheço suficientemente o jogador para ter uma opinião. Recordo-me do particular em Setúbal, onde Portugal venceu por 5-2 a Suíça, com muitas facilidades defensivas, e com um Cavaleiro muito inspirado. E até me recordo de 'brincar' com o nome do Benito!!! Mas não tomei atenção no desempenho do jogador. Agora, acho estranho este tipo de apostas... E não compreendo como por exemplo o Raphael Guerreiro, defesa-esquerdo, que foi titularíssimo no Lorient, 9.º classificado, do Campeonato Francês (muito mais competitivo do que o Suíço), com excelentes prestações, principalmente a atacar... foi inclusive titular no último jogo da nossa Selecção de sub-21 na Macedónia, onde defensivamente esteve bem, jogador que até já declarou publicamente o seu Benfiquismo... e mesmo assim, continua fora do radar do Benfica!!!
Também será prematuro pensar que esta contratação (a ser verdade) é para substituir o Siqueira. Pode ser para o lugar do Sìlvio, que mesmo ficando, só estará disponível, lá para o final do ano civil!!!
Sobre o Siqueira, acredito que a novela só vai acabar no final da janela de transferências, porque ninguém vai dar 14 milhões de euros (100%) por um defesa-esquerdo de 28 anos, ninguém... nem os malucos dos Árabes ou Russos!!! E mesmo os 7 milhões por 50% do passe, duvido que alguém ofereça isso... O Siqueira com a idade que tem, sabe que está na altura de fazer o contrato da 'vida', mas o Benfica só tem que se manter calmo, e esperar... Se este Benito, tiver qualidade, e se for uma precaução, para um eventual não-acordo com o Siqueira, então tudo bem...

Jan Iceman Oblak

quarta-feira, 28 de maio de 2014

O riso do Bruno Mentiroso!!!

Quando ontem o Vieira, tentava explicar muito devagarinho, ao Huginho, que havia clubes em Portugal que escondiam o passivo real, nos seus relatórios e contas, com a passividade total por parte da CMVM... Quando o Vieira alertava para o tratamento de excepção que a Banca esverdeada deu a um desses Clubes... O Presidente de um desses Clubes, vendo a entrevista no seu portátil, depois de ter sido denunciado como mentiroso, achou piada e riu-se... como ele próprio admitiu!!!
Temos imagens exclusivas da noite de ontem:

Toto... para sempre!!!



Não o digo levianamente, o Salvio é um jogador que pode fazer a sua carreira no Benfica, à imagem do Luisão e do Maxi... Tem inteligência, coração, talento, e Benfiquismo para isso.

Tempo útil, inútil e fútil

"A final da Champions na Luz foi vibrante, ainda que nem sempre bem jogada. Ganhou a equipa dos artistas treinada por um senhor, perdeu a equipa dos operários treinada por um líder.
Nestas finais ganha-se ou perde-se por pormenores. De génio, de azar ou de erro. O primeiro erro - quiça decisivo - foi Simeoni ter confiado em Diego Costa ou este ter posto as ganas à frente da racionalidade. O segundo erro - salvo in extremis - foi o dislate de Casillas que permitiu o golo do Atlético, impróprio até para um sofrível guarda-redes.
O Atlético também sofre do trauma europeu dos últimos minutos. Já havia sido assim na final contra o Bayern em 1974. Mas desta vez teve na sua origem um despropositado erro por volta dos 82m que o pode ter conduzido à fatalidade de ver escapar a orelhuda por dois minutos. Os colchoneros provaram do veneno que é o oposto do seu modo de jogar. Explico: o seu estilo advém da hipérbole gregária de trabalho, denodo, suor, vontade e inconformismo. Como foi na Luz, com sucesso até ao minuto 93. Minuto que, em regra, é o último, se só houver substituições e não houver paragens de jogo assinaláveis. Pois já perto do fim, Filipe Luís caiu, certamente exausto, mas simulando mais do que isso. Demora a sair e a ser substituído. O jogo pára 1m 52s. Fatais para o Atlético que, talvez sem essa pequena batota do seu defesa, estivesse a comemorar um feito histórico...
No melhor pano cai a nódoa. Uma lição para o teatro que amiúde se vê no futebol. Quando se jogará só com tempo útil? E se põe de parte o tempo inútil e até o fútil? Ganhariam todos: o jogo, os espectadores e a ética."

Bagão Félix, in A Bola

Best of...

Funes...

Será que a novela Jesus vai acabar?!!!


Entrevista típica de fim de época, que tal como o Presidente afirmou, só aconteceu, para 'tentar' terminar com a pseudo-novela Jesus!!!
Pessoalmente, acho que o local escolhido para a entrevista foi muito mal escolhido... Porque vai obrigar a um intenso programa de desinfestação depois da presença do Huguinho no Museu Cosme Damião!!!
Impressionante a quantidade de 'piadinhas' anti-Benfica que o avençado vomitou, tipo: Jesus, igual, a Wenger!!!
Neste longo defeso, espero que as futuras entrevistas do Presidente e do Treinador sejam dadas na Benfica TV.

PS: Deixo aqui a versão reduzida!!!

terça-feira, 27 de maio de 2014

Na hora de fazer a contas com a Dona da Pensão da Vida

"Não foi a primeira vez que o Benfica decidiu uma final europeia em Itália. A outra foi em 1965 e foi infame! Frente o Inter, em Milão, em pleno S. Siro. Ficou para a lenda!

O título não é meu: roubei-o. Ou melhor: pedi-o emprestado. A frase é do Miguel Torga que sabia da vida como ninguém. Vinha a calhar, logo, não hesitei. Roubei-o ou emprestá-o, faça o leitor o juízo que bem lhe apetecer.
Contas, sim, porque chegámos à altura de fazer contas.
Não foi perfeito? Não. A perfeição existe? Respondem-me vocês que eu não sei. Mas, se não foi, foi quase.
Estive em Turim. Estádio bonito, arrumado. Dizem que leva 40 mil pessoas mas não esteve nem perto. Dir-se-ia estranho. Não pelas pessoas que vinham de Lisboa e de Sevilha e não da própria Turim que ignorou olimpicamente a sua final sem Juventus. Estranho porque conheci o Comunale, o Dell'Alpi, que sendo feios como o Demo, tinham algum do gigantismo, que se atribui à Velha Senhora. Pois. Em Turim está-se como em Braga, em Guimarães. Maneirinho... Mas Turim também é tão maneirinha...
A Dona da Pensão da Vida é uma mulher velha como o Mundo. Convém ter as contas certas com ela. Talvez nisto tudo se veja um sinal de modernidade à mistura com decadência, com a verdade dos novos tempos.
Também estive na Luz com 120 mil pessoas. Que digo eu? Com 130 ou 140 mil, vá lá saber-se. Ninguém controlava bilhetes, entrava-se pelos portões com os pés no ar, entalado na multidão excitada e incontível. Era um tempo muito para além deste tempo, já complicado de lembrar quanto mais de afirmar.
Turim foi o Alcácer-Quibor desta época do Benfica. Uma derrota quase vitória. Mais: um empate quase vitória. O ir sendo não sendo.
O que falhou? Aqueles que pelo caminho se perderam em cartões amarelos e vermelhos. Estamos todos ou quase todos de acordo. (Há sempre uma réstia de inveja mesquinha em comentadores e articulistas de meia-tigela). O Benfica-de-todo-inteiro teria ganho. Senão fácil, confortável. Mas não houve Benfica-todo-inteiro. Houve o Benfica possível na noite impossível. Se me garantirem que nem daqui a mais de 52 anos o Benfica ganhará uma taça da Europa, eu acredito. Não creio no Destino (assim mesmo, com maiúsculas, mas aceito que a Dona da Pensão da Vida embirra com as contas como qualquer matrona embirrenta que gere o negócio do marido que já morreu).

E o domingo tornou-se segunda-feira
Três dias depois estive em Wembley, na final da Taça de Inglaterra. Arsenal-Hull City. Estavam quase 90 mil pessoas num gigante admirável. Metade vestia com o amarelo e negro às riscas do Hull. Dizem as estatísticas que Kingston-ipon-Hull tem 250 mil habitantes. Estaria lá um quarto? Ficaram em casa os velhos, as crianças e os entrevados? Não sei. Mas o novo Wembley comparado com o pequenino novo Juventus Stadium (mas passa pela cabeça de alguém baptizar assim um estádio italiano?) é motivo para ironia maior do que a do Camilo no Eusébio Macário. Num lugar e no outro estive com amigos velhos e estreitos, e encontrei gente que há muito não via. Até de Águeda. De um lugar ao outro vi a festa de uns e a tristeza dos outros. Em Turim a tristeza tinha uma cor: o vermelho.
Finais perdidas: na Europa demasiadas finais perdidas. Oito, se não contarmos com a Taça Latina; nove se contarmos com aquela de Santiago Bernabéu, frente ao Real.
Talvez (repito, talvez) não nos caiba ver o Benfica ganhar uma taça europeia. Nós, os da geração que entra nos 50 anos. O Eusébio não voltou a ver, o Coluna também não. Mas a grandeza dos clubes não se reduzir à estatística meramente mecânica de comparar provas a esmo como se valessem todas a mesma coisa. Haverá outros tempos e outras coisas para ganhar. Quem de quatro tira uma, ficam três. Foi uma época única, invejável.
Antes da final de Wembley, um adepto do Arsenal desabafava-me: «Tomáramos nós o lugar do Benfica. Há nove anos que não ganhamos coisa nenhuma». Ganharam. A festa foi vermelha em Londres. É esse o caminho dos vencedores, mesmo quando passam temporadas esquecidos das vitórias. Depois vêm mais sábados e domingos de euforia pelas ruas. É assim a vida: faremos nós todos (mas todos sem excepção!) contas com a dona da sua pensão.
Em Turim o Benfica, verdadeiramente não perdeu: fez apenas um pequeno intervalo no vício de ganhar.
E por isso o domingo se tornou segunda-feira..."

Afonso de Melo, in O Benfica

A nossa Paula Rego

"Jorge Jesus ainda vai ganhar muitos títulos e vai perder outros tantos. É este o destino de um treinador competente. Como sabemos, será incensado nas vitórias, e como o próprio confessou, ao recordar a subida da escadaria do Jamor no ano passado, após a derrota com o V. Guimarães, será, muitas vezes, insultado. Quando se fizer o balanço, estou certo que se fará justiça.
Nas vitórias e nas derrotas, haverá uma dimensão da sua carreira que ficará para os anais da história. Passarão muitos treinadores pelo Benfica, alguns - poucos - com mais sucesso, mas nenhum será capaz de fazer das conferências de imprensa momentos como os que Jesus nos oferece. Não o digo com ironia.
Claro que o modo como Jesus fala se presta a alimentar a inspiração infindável dos humoristas, mas arrisco afirmar que nunca ninguém em Portugal falou de forma tão atabalhoada para dizer sistematicamente coisas tão acertadas. Como o próprio disse, num vídeo mítico, trata-se de 'dizer coisas certas com palavras erradas'.
O pináculo das declarações de Jesus à comunicação social foi atingido recentemente, com a referência a Paula Rego, após a vitória na final da Taça. Para Jesus, o trabalho de um treinador compara-se ao de um artista: um trabalho invisível que torna possível a criação de um todo, ao mesmo tempo, harmonioso e belo (a nota artística). Ao contrário do que pode parecer, Jesus não estava a sublinhar as virtudes da ética do trabalho. O ponto era outro: a competência de uma equipa tem necessariamente uma dose de inspiração individual, mas no essencial só muito trabalho discreto é que cria espaço para que o talento se possa revelar.
Em todo este episódio houve um lado igualmente simbólico - a visita que Jesus fez à inauguração de uma exposição de Paula Rego. Num abraço terno, ficou retratado o lado congregador e universal do Benfica. De um lado, a sofisticação de recorte pueril mas aterrador da pintura de Paula Rego; de outro, a sabedoria popular mais repleta de ensinamentos subtis de Jesus. A grandeza única do Benfica também radica nesta combinação de opostos."

A revolução das apostas

"O projecto-lei das apostas desportivas está prestes a ser levado a Conselho de Ministros, talvez já depois de amanhã, por imposição da troika e, espera-se, para satisfação do desejo esfaimado dos agentes desportivos. Desde a tentativa das corridas de cavalos de Ponte de Lima, há uns 25 anos, que as apostas lutam contra  monopólio da Santa Casa, que tem estrangulado uma importante fonte de receita, ao proibir a publicidade aos sites online, impedindo que estes devolvessem ao desporto e aos media uma parte dos milhões que lucram com a utilização dos nomes de clubes, atletas e competições. Mesmo que a carga fiscal leve alguns dos sites a desistirem de operar em Portugal, diminuindo o interesse de muitos apostadores, a regulação deste mercado e a desejável abertura a outros operadores nacionais aliviariam a crise financeira do desporto. Será desta?"

O jogador da época 2013/14

"Enzo Pérez foi a imagem mais deslumbrante de um campeão intenso, equilibrado, racional, autoritário, que dominou todos os princípios do futebol que praticou. Ninguém como ele foi tão relevante para a equipa, domínio dos seus princípios, estilo e orientação táctica.
1. Nem sempre os jogadores são apreciados pelos melhores e mais correctos motivos. Correr, por exemplo, só é um valor sólido se respeitar duas orientações (quando e para onde), embora muitos sejam elogiados pela tendência, tantas vezes demagógica, de quererem estar em toda a parte, sem perceberem que causam um problema (ou vários) onde deviam levar a solução. Dessa doença não sofre Enzo Pérez. O extremo de mediana classe, que Jorge Jesus fez evoluir para médio-centro de nível mundial, é a prova de que, por mais que nos queiram convencer do contrário, no grande futebol não cabem futebolistas que os treinadores utilizam como ferramentas sem cérebro. Por ser inteligente e ter as ideias no lugar, há muito que eliminou a parte mais venenosa do êxito (a vaidade) e do fracasso (o conflito).
2. O seu jogo de vistas largas leva equilíbrio, segurança, inteligência e soluções tácticas que reforçam a equipa e permitem mantê-la sempre organizada. São muito raros na história os jogadores que, em patamares de exigência máxima, conduzem os seus exércitos à vitória com armas de gregário (empenho, simplicidade e disciplina) e a arte dos grandes intérpretes (técnica, visão e magia); que despojam o futebol de toda a superficialidade quando se ocupam da defesa de um espaço ou da vigilância a um adversário e são eloquentes nos argumentos que apresentam para intimidar à frente; que têm espírito para perseguir quem os ataca e brilhantismo para, logo a seguir ao roubo da bola, inverter a energia e causar danos, alguns irreparáveis, na estrutura do adversário.
3. Sem bola é o mau da fita, que nunca se distrai e recusa desviar-se um milímetro que seja do caminho traçado; quando toma iniciativa tem mais que fazer, não perde tempo com malabarismos e ziguezagues que só atrapalham. Tem personalidade para parar um comboio, visão para organizar o plano e talento para concretizar todas as ideias que transporta. De resto, bola que lhe passe pelos pés sabe várias coisas antecipadamente: que não receberá uma carícia como prenda; por norma ficará ali pouco tempo e terá sempre o destino correto, seja a um toque ou após aventuras individuais deslumbrantes – lindo de ver, dificílimo de travar. Tudo quanto decide e faz rejeita o adorno e revela eficácia sem pompa. Prova de que domina de olhos fechados a diferença entre exibicionismo e a sublime técnica individual.
4. Enzo Pérez foi o jogador da época 2013/14, porque foi a imagem mais deslumbrante de um campeão intenso, equilibrado, racional, autoritário, que dominou todos os princípios do futebol que praticou. Podia ter sido qualquer das torres defensivas (Luisão e Garay) ou o génio mais desequilibrador (Gaitán); mas nenhum como Enzo foi tão relevante para a equipa, domínio dos seus princípios, estilo e orientação táctica. A seu favor pesa ainda a capacidade para ser sempre importante, mesmo quando surge muito desgastado, como sucedeu na final da Taça de Portugal: quando tem a bola, porque dispõe de armas tremendas para a criação; quando não a tem, porque é solidário e comprometido; quando ganha, porque o êxito não o embrutece; quando perde, porque a derrota em nada o diminui. É um craque da cabeça aos pés.

Porque o penálti não se teatraliza
Por mais que execute pontapés dos 11 metros durante a semana, às dezenas todos os dias, nunca o jogador conseguirá teatralizar verdadeiramente a situação que vai encontrar em jogo. No fim de um treino, sem pressão, perante guarda-redes descomprimidos, é muito mais fácil ter sucesso do que em estádios cheios, na decisão de uma competição europeia. Dizia o jornalista brasileiro Armando Nogueira que o penálti é uma execução em que o carrasco pode ser a vítima. Para mal dos pecados encarnados, foi o que sucedeu a Cardozo e Rodrigo em Turim.

Sete conquistas em cinco anos
Jorge Jesus confirmou temporada quase perfeita. Mais importante ainda do que os três títulos de 2013/14 é o balanço de cinco anos à frente da águia: duas Ligas, uma Taça de Portugal e quatro Taças da Liga. Se quisermos encontrar o mesmo número de troféus recuando no tempo, contas feitas, chegamos ao campeonato de 1990/91, isto é, há 23 anos. Jesus é o melhor treinador encarnado desde Eriksson e um dos melhores de sempre. “Acardite” mais ou menos; mastigue 20 ou 40 pastilhas elásticas por jogo; tenha a Alemanha ganho um, três ou 33 Campeonatos do Mundo.

(...)"

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Goleada... sem consequência!!!

Benfica 12 - 0 Valongo

Matematicamente fora da corrida pelo título, contra um adversário que independentemente do resultado tinha (e tem) que ganhar na última jornada, na recepção aos Corruptos, para ser Campeão... e que por isso, esta noite resolveu poupar os titulares, o Benfica acabou por golear, tranquilamente...
Este resultado tem pouco significado, mas não deixa de demonstrar como este Campeonato foi mal perdido... bastava, o Roubo de Valongo não ter acontecido, e o Benfica estava a uma jornada de se tornar Campeão!!! É verdade que alguns empates, não deveriam ter acontecido, mas esse é o tal velho argumento, no qual ser melhor não chega, temos que ser perfeitos!!!
A época ainda não acabou, vamos ter a Final Four da Taça de Portugal, onde quase de certeza vamos defrontar os Corruptos na Final... em condições normais diria que temos tudo para ganhar, mas como estamos de falar de Hóquei em Portugal: depende!!!

Capital mundial

"Lisboa foi a capital mundial do futebol. Recebeu a final da Liga dos Campeões aproveitando para mostrar ao mundo as coisas boas de Portugal. Foi brilhante e devem os responsáveis do Turismo agradecer ao futebol esta oportunidade fantástica.
Os 100 anos da FPF proporcionaram este momento único em termos desportivos mas também de enorme impacto económico. As contas só se fazem no fim, mas este foi mais um momento marcante que deve fazer pensar os que estão sempre contra a realização de eventos desportivos em Portugal com a habitual arrogância pseudo-intelectual e preconceitos contra o futebol que uma vez mais injectou muitos milhões de euros na nossa economia.
Lisboa assistiu a um derby que fica para a eternidade deixando Madrid quase deserta, pois houve invasão ao nosso país, com e sem bilhete. A festa foi bonita e espalhou-se por toda a cidade.
A FPF mostrou que a sua equipa está preparada para todo e qualquer desafio organizativo e António Costa, da Câmara de Lisboa, apostou e ganhou no apoio dado ao evento.
Tive o privilégio de assistir a momentos únicos e inesquecíveis. Platini a falar em português, bem como os presidentes de Atlético e Real abraçados, dizendo que são bons amigos fora do campo mostrando fair play, respeito e desportivismo acima da média e transformando o futebol numa festa espectacular e única.
Esta final fica para a história por diversos motivos. Um é seguramente o recorde de Cristiano Ronaldo que voltou a marcar, somando 17 golos em 11 jogos. Soberbo, é de outro mundo. Pepe, Fábio Coentrão e Cristiano Ronaldo estavam eufóricos e Tiago triste apesar da réplica dada pelo Atlético enquanto teve pernas.
Parabéns a todos pela bonita festa. Parabéns, FPF!"

Hermínio Loureiro, in A Bola

A Champions e os nossos...

"Final da Champions no estádio da Luz aguçara apetite do Benfica e até do FC Porto. Mas era sonho sem pernas para andar. Mesmo para o Benfica que saiu mal da fase de grupos, com 10 pontos - habitualmente suficientes para qualificação - e saber a injustiça no 1-0 na Grécia, quando jogou bem, atacou muito e esbarrou em fantástica exibição do seu ex-guarda-redes Roberto. A verdade é que, para lá de quartos de final na Champions, qualquer sonho lusitano passou a ter foros de quimera desde que, na última mão cheia de anos, tanto se agravou o fosso entre os clubes riquíssimos (e têm-se multiplicado...) e os remediados, quando mais face aos que, nesta crescente bitola, nem remediados chegam.
Portugal/Lisboa/Luz; especial alvoroço de 5 finalistas. Mais do que o luso-brasileiro Pepe (que lhe deu para festejar com a bandeira de Espanha?!), Ronaldo (finca-pé em desforra no estádio onde perdeu a final do Euro-2004) e, claro, Tiago, Coentrão e Di Maria, trio de ex-Benfica. Di Maria tanto se inspirou que foi o gigante desta final. Ali, onde ele e Coentrão, após 2 anos no Benfica jogando quais brinca na areia, tiveram a sorte de encontrar um senhor treinador que os virou do avesso: Jorge Jesus."

Santos Neves, in A Bola

Lisboa: a cidade da décima

"Depois das festas de Madrid, é o arranque definitivo da operação Mundial. Com Cristiano Ronaldo a 'exigir' merecido repouso.

1. (...)

2. (...)

3. (...)

4. Tive o privilégio de assistir, ao vivo, às duas finais da principal prova europeia de clubes que se realizaram em Portugal.Em 1967, menino e com farda impecável do Colégio Militar, vivi a vitória, nunca esquecida, do Celtic. Dois a um. E vitória escocesa contra o Inter de Milão. Foi, de certa forma, o fim de um ciclo europeu construído a partir de 1956 e totalmente dominado inicialmente pelo Real Madrid - com seis conquistas até 66 -, Benfica - duas - e Milão e Inter da mesma cidade. Depois foi o Manchester United e o início do período holandês, em especial do Ajax. A que se sucedeu o ciclo alemão - Bayern de Munique - e de imediato, o ciclo de seis conquistas inglesas, com Liverpool (3), Nottingham Forest (2) e Aston Villa. A partir da época de 1985, surgem novos vencedores, como, entre outros, o Futebol Clube do Porto, a Juventus, o PSV, o Estrela Vermelha, o Marselha, o Borussia de Dortmund ou, mais tarde, o Chelsea. Agora, num Estádio da Luz acolhedor e caloroso, uma disputa renhida entre as duas principais equipas de Madrid. O jogo de sábado mostrou, a quem tinha dúvidas, que valeu a pena construir o novo Estádio e que o futebol é um fenómeno de massas, bem único e bem singular. Um fenómeno global como sentimos em Lisboa. Ali estavam os grandes nomes das finanças do mundo e do futebol global. Os grandes treinadores e os grandes jogadores que nunca esquecemos. E que foram nossas referências. Os grandes empresários da indústria do futebol e, naturalmente, os principais actores políticos conexos com as equipas participantes. Mas permitam-me uma nota bem pessoal. Ter o privilégio de assistir à final de sábado passado bem próximo - e escutando os seus sábios comentários - de antigos campeões europeus como António Simões, José Augusto ou Ângelo ou de um grande senhor da cultura portuguesa e europeia como o Professor Eduardo Lourenço é, em definitivo, como refere Matthew Arnold: «A cultura é a busca da nossa perfeição total mediante a tentativa de conhecer o melhor possível o que foi dito ou pensado no mundo em todas as questões que nos dizem respeito». Em todas as questões, sublinho! Que privilégio!

5. (...)

6. Lisboa foi mesmo o centro da Europa na semana passada. O hino da Liga tão bem cantado pela Marisa foi escutado por centenas de milhões de cidadãos desta nova vizinhança global. E Lisboa ficará, sempre, ligada à conquista da décima pelo Real de Madrid. Como ficou com a singular conquista do Celtic. São estes momentos únicos que também ajudam a escrever a história. Já que ela também é repositório de factos. E nestes, e respeitosamente indo a Fernando Pessoa e à sua Lisboa: o que o turista deve ver, lá passará a estar para os fervorosos adeptos do Real de Madrid o Estádio da Luz. O local onde conquistaram, com dificuldade e mérito a Décima! A décima Taça de melhor da Europa!"

Fernando Seara, in A Bola

Triplete à vista !!!

domingo, 25 de maio de 2014

Vice-Campeões Europeus...

Vice-campeões da Europa de Atletismo de Pista... grande resultado para o Benfica. Com a desistência dos Russos, o caminho para a Prata foi facilitado. Mas os Checos e os Espanhóis prometiam luta... os Italianos, têm uma equipa muito superior, por isso o 1.º lugar esteve sempre longe. Ontem no final do 1.º dia estávamos em 3.º, mas hoje demos a volta... mesmo com várias ausências por lesão. Parabéns a todos os atletas, e parabéns à Ana Oliveira, a principal responsável pela secção de Atletismo do Benfica ter voltado aos grandes palcos... Mas é impossível não destacar as vitórias do Marcos Chuva, do Diogo Ferreira, do Marco Fortes, e da estafeta dos 4x400... desta estafeta fez parte o jovem Ricardo dos Santos, atleta que promete muito, para o futuro próximo...
Não será fácil no futuro próximo conseguir o título (este resultado resulta essencialmente de algumas contratações cirúrgicas, para algumas 'posições' chave!!!), mantendo a actual política de contratações (vários Clubes de outros países, acabam por contratar vários atletas internacionais para estas competições), se o Benfica quiser ser Campeão Europeu só com a prata da casa, não vai ser fácil, mas não é impossível... mas tem temos que ter todos disponíveis, no máximo de forma...!!!
Em Viena a Dulce Félix, venceu novamente, desta vez numa corrida citadina de 5 Km... Parabéns!!!

1.º - Fiamme Gialle (Ita)                         - 124,5
2.º - Benfica (Por)                                      - 111,5
3.º - Playas de Castellon (Esp)                  - 106
4.º - Dukla de Praga (Che)                        - 92
5.º - Shaftesbury Barnet Harriers (Eng)       - 88
6.º - Enka (Tur)                                     - 85
7.º - Maccabi Tel Aviv (Isr)                      - 60
8.º - Entende Francoville (Fra)                  - 48

100m - 3.º - Yazaldes Nascimento - 10,70s
110m Barreiras - 2.º - André Costa - 14,40s
200m - 5.º - Yazaldes Nascimento - 21,75s
400m - 2.º - Ricardo Santos - 46,66s
400m Barreiras - 2.º - Jorge Paula - 51,05s
800m - 3.º - Miguel Moreira - 1:48, 08min
1500m - 4.º - Hélio Gomes - 3:49,31min
3000m - 2.º - Rui Pinto - 8:14,32min
3000m Obstáculos - 4.º - Alberto Paulo - 8: 49,91min
5000m - 4.º - Tiago Costa - 14:13,28min
4x100m - 5.º - Ancuiam Lopes, Arnaldo Abrantes, Diogo Antunes, Yazaldes Nascimento - 40,81s
4x400m - 1.º - Arnaldo Abrantes, António Rodrigues, Jorge Paula, Ricardo Santos - 3:11,23min
Altura - 5.º - Paulo Gonçalves - 2,09m
Comprimento - 1.º - Marcos Chuva - 7,79m
Triplo - 5.º - Marcos Caldeira - 15,61m
Vara - 1.º - Diogo Ferreira - 5,37m
Martelo - 6.º - António Vital da Silva - 63,76m
Dardo - 8.º - Tiago Aperta - 61,99m
Disco - 4.º - Jorge Grave - 56,21m
Peso - 1.º - Marco Fortes - 20,43m