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domingo, 7 de dezembro de 2025

Renato Veiga: sofrer e privar para conquistar


"Há carreiras que parecem escritas a régua e esquadro, com saltos previsíveis e elogios garantidos. Depois há trajetos como o de Renato Veiga: sinuosos, exigentes, duros, muitas vezes solitários. Trajetos que não aparecem nas manchetes, mas que moldam homens antes de moldar jogadores. Renato, hoje em Villarreal e já presença firme na Seleção Nacional, é o retrato ideal do atleta que teve de sofrer, privar, insistir e, sobretudo, não desistir para conquistar e ter o que lhe pertence

Não é uma metáfora ou uma figura de estilo: é uma constatação. No futebol moderno cada vez mais acelerado na forma como consome carreiras, onde muitos esperam sucesso imediato, Renato Veiga é um antídoto raro. A história dele não é a do prodígio que aos 18 anos estava no onze principal de uma grande equipa. É a história do jovem que percorreu academias em três países, que viveu longe de casa, que caiu e levantou, que foi emprestado, devolvido, subvalorizado e que transformou cada fase de dúvida numa camada extra de carácter.
Sobre os vários empréstimos e mudanças, o pai, Nelson Veiga, recusa a narrativa do fracasso: «Para mim, não houve empréstimos falhados. Houve momentos difíceis que foram fundamentais para a maturidade que ele tem hoje. A família sempre esteve habituada a mudanças, por causa da minha carreira. A única saída verdadeiramente dura foi a primeira, sozinho, para Augsburg. As restantes encararam-se com naturalidade e otimismo. Ajudou-o muito ter jogado em clubes com níveis e exigências completamente diferentes. Aprendeu a lidar com a frustração das derrotas e a gerir as vitórias. Tudo isso moldou o caráter dele.»
A maioria dos adeptos só o descobriu quando começou a aparecer nas convocatórias da Seleção Nacional. Já o sigo há muito devido ao seu pai, alguém que conhece o trajeto centímetro a centímetro e, sabe melhor do que ninguém que nada foi fácil. E, ainda assim, como ele próprio me contou, nunca temeu que o filho desistisse: «O Renato sempre expressou uma paixão enorme pelo jogo e pelo treino. Houve momentos em que precisei de lhe pedir para abrandar como naquela fase em que tinha dores de crescimento nos calcanhares e, mesmo sem condições físicas, insistia em treinar. Nunca tive medo que ele baixasse os braços, porque ele vive isto de uma forma absolutamente genuína.»
A história do Renato é tudo menos linear. Saiu e voltou a Portugal, passou por academias, por empréstimos que correram mal, por mudanças constantes e por contextos que não favorecem ninguém: Augsburgo, onde não ficou; Basileia, onde explodiu; Chelsea, que viu potencial num miúdo que ainda não tinha mostrado tudo; Juventus, onde voltou a provar que era solução; e agora Villarreal, que apostou num contrato de sete anos - compromisso raro no futebol atual. Nunca encontrou portas abertas; encontrou fechaduras. Mas descobriu a chave. E essa chave chama-se compromisso.
O mais impressionante em Renato Veiga não é a capacidade de jogar como central, lateral esquerdo ou médio defensivo. Não é a capacidade de sair a jogar ou o raro pé esquerdo. Não é a passada larga, o físico dominador a defender e atacar ou o passe longo que queima linhas. É a forma como reage. Há jogadores que, perante a adversidade, encolhem. Renato agiganta-se. Ganha espaço onde outros o perdem. Cresce onde muitos encolhem. Nelson confirma essa fibra competitiva e reconhece nela muito de si: «O espírito competitivo é o que mais nos aproxima. Eu sempre fui extremamente competitivo e ele está bem servido de genes… a mãe é igual! Onde diferimos é no tipo de jogador: o Renato, apesar do físico, é tecnicamente muito evoluído e elegante, eu era mais físico, agressivo e taticamente forte. Somos muito diferentes dentro de campo.»
No futebol, o talento abre a porta. Mas o comportamento é o que te deixa entrar. E é por isso que ele está onde está. E é, também, por isso que ele não vai ficar onde está por muito tempo, pois, o seu potencial é imenso. O último jogo da Seleção resume-o bem. Portugal vestiu uma camisola histórica, carregada de simbolismo, em homenagem ao eterno Eusébio. O momento em que Renato marcou pela Seleção, foi especial para o país… mas muito mais especial para o pai: «Foi profundamente emocionante. Um orgulho enorme para toda a família.»
Foi um dia especial para todos… mas mais ainda para Renato Veiga, que marcou o seu primeiro golo com a camisola das Quinas, usando o número 13, numa goleada por 9-1 frente à Arménia. Jogou ao lado de Rúben Dias como se estivesse naquela posição há anos. Sereno. Maduro. Confiável. Um central que não parece ter 22 anos, parece ter 28/30. Ou melhor: parece ter vivido o suficiente para saber que nada lhe foi dado. E isso vê-se na postura. No rigor. No foco. Na solidariedade. Na ambição silenciosa. Na forma como joga simples, mas pensa complexo.
Renato Veiga não vem para ser apenas mais um internacional português. O seu perfil psicológico — resiliente, focado, trabalhador e apaixonado — faz dele um ativo de longo prazo para qualquer equipa. Na Seleção, para mim, ele e Ruben Dias formam a dupla de centrais titular de Portugal. O Villarreal percebeu o seu valor e investiu forte num jogador que já é um valor seguro, mas apenas está a começar a revelar o que pode vir a ser. É um futebolista de projeto, de evolução. E, acima de tudo, de fiabilidade.
Num tempo em que muitos querem tudo em seis meses, Renato Veiga é um aviso positivo para os mais jovens: o caminho não tem de ser perfeito nem percorrido a alta velocidade. Faz-se ao contrário: constrói-se, cai-se, levanta-se, ajusta-se, insiste-se. Tem é de ser percorrido com atitude.
Numa era em que muitos desistem ao primeiro contratempo, Renato Veiga é o rosto do contrário. Do resistir em silêncio. Do trabalhar quando ninguém está a ver. Do acreditar nos dias bons mesmo quando só aparecem dias duros.
Renato para mim é um exemplo — já o seu pai o era. Renato Veiga é o tipo de jogador que deixa marca: pela forma de jogar, sim… mas sobretudo pela forma de ser. E é isso que o futebol português precisa: referências de carácter e valores, exemplos de resiliência, histórias que inspirem.
E há algo ainda mais importante: Renato Veiga não falha nos dias grandes. Joga com a tranquilidade de quem já conheceu o lado duro da profissão, e por isso valoriza os momentos bons sem se deslumbrar. A Seleção precisa deste tipo de jogador: estável, comprometido, intenso, emocionalmente inteligente e verdadeiramente apaixonado pelo que faz. Algumas características herdadas… da sua mãe. Nelson Veiga confessou-me
 «Ele é muito parecido com a mãe: verdadeiros, autênticos, apaixonados. Com três semanas de vida, num estádio na Figueira da Foz, apaixonou-se pelo futebol - era o único lugar onde não chorava e onde ficava quieto durante 90 minutos. Desde então tem levado essa paixão ao extremo como ele e a mãe tão bem sabem quando o fazem com amor, é daí que acredito vir esta atitude, intensidade e compromisso que ele não negoceia.»
Mas herdou também a resiliência do pai — o homem que foi dispensado várias vezes na formação e mesmo assim fez carreira profissional. Por isso, o conselho que Nelson deixa a todos os jovens é direto: «Se realmente querem chegar ao mais alto nível, então o trabalho, a dedicação e o compromisso têm de ser constantes e prioritários. Hoje têm acesso a toda a informação: sigam bons exemplos, percebam como chegaram ao topo. Não há dois caminhos iguais. Obstáculos vão existir sempre, mas nenhum pode ser maior do que o objetivo.»
O futuro? Só depende dele. Mas há sinais evidentes. Um jogador que já passou por cinco campeonatos antes dos 23 anos não tem receio de nada. E alguém que é titular no Villarreal, joga na LaLiga e na Champions League, marcou o primeiro golo pela Seleção Nacional num jogo histórico, cheio de significado, também não parece destinado a ser apenas figurante.
Renato Veiga chegou onde muitos não acreditaram que chegaria. Chegou porque sofre onde outros cedem. Chegou porque trabalha onde outros descansam. Chegou porque acredita onde outros duvidam. Chegou porque se privou de muitas coisas para se focar noutras. Chegou porque lutou e acreditou. Chegou porque é feito da matéria de que são feitos os que não desistem. E isso, no desporto e na vida, vale muito mais do que qualquer talento isolado.

Nota final: Um muito obrigado ao Nelson Veiga, simplesmente, por tudo."

As lusas lições de Lima


"A América do Sul é um ecossistema desportivo (e futebolístico em particular) muito especial, pela paixão, pelo estilo de jogo, pelo empenho e pela capacidade de atração de multidões.
Isso revela-se, a cada quatro anos, nas presenças das formações nacionais nas fases finais de Mundiais, mas sobretudo nas competições continentais de clubes. E há uma razão que se sobrepõe a todas as outras: a presença múltipla de cada país, seja na Copa Libertadores, seja na Copa Sul Americana, em face do diminuto número (apenas dez) de países participantes, sob a égide da CONMEBOL, nas duas provas.
Aí radicam fenómenos ainda mais atrativos para os adeptos, habituados, há muito, a uma rivalidade forte e incontornável nos confrontos internacionais.
A confederação sul-americana conferiu, de há alguns anos a esta parte, um toque europeu ao modelo de disputa das finais, tornando-as em jogo único, com a adveniente competividade e imprevisibilidade. E quanto à prova principal, a Copa Libertadores, o Brasil iniciou uma era de domínio que ainda não foi contestada pelos principais concorrentes, designadamente as equipas argentinas, sempre prontas atentar quebrar hegemonias.
Desde 2019 que equipas brasileiras se sagram campeãs sul-americanas, justamente a partir do momento em que as finais se disputam em apenas um jogo, começando essa era dourada sob a mão técnica de Jorge Jesus, e em Lima, com a épica vitória do Flamengo sobre o River Plate, por 2-1. Jesus e Gabigol marcaram a vitória do Mengão, há seis anos, e inauguraram uma supremacia que tem muito de Portugal na história.
Abel Ferreira não poderia ter tido melhor começo internacional com o Palmeiras, ao vencer nos dois anos subsequentes. Artur Jorge, numa espécie de veni, vidi, vici com o Botafogo, levantou o troféu em 2024 e alargou a marca lusa na história recente da Libertadores.
Este ano, Lima voltou a escrever uma página notável, com um clássico brasileiro transferido para a costa do oceano Pacífico, e com uma relação win-win dos portugueses com a taça mais desejada: qualquer que fosse o resultado, haveria alma lusa em festa.
Lima traz-nos diversas lições, que só serão verdadeiramente entendidas quando o Tempo, esse fator incontornável para a criação de bases históricas, o fizer compreender em pleno. Mas uma delas, isso é indesmentível à partida, é a confirmação da qualidade portuguesa na gestão e no treino do futebol Internacional, mesmo num mercado longínquo, em termos geográficos, e difícil, por força da necessidade de adaptação a um ambiente muito especial.
José Boto é, do lado dos novos campeões sul-americanos (os primeiros brasileiros tetra da Libertadores), o exemplo acabado do que escrevi e, ainda mais, do que senti na capital do Peru.
O Diretor Desportivo do Flamengo, na sua temporada de estreia com o rubro-negro, conseguiu o ceptro mais desejado, mantendo uma invejável e pouco habitual descrição na ação, tão eficaz nos bastidores e no panorama organizativo do futebol profissional do Clube de Regatas do Flamengo, como notória do ponto de vista da eficácia e do brilhantismo dos resultados.
Boto é o rosto português da Libertadores-2025, ajudando a montar uma equipa competitiva, coesa, estruturada num balanço ideal entre juventude e experiência, apostando numa base de jogadores autóctones e num jovem treinador que, por si, tem o facto de ter sido um excelente futebolista de horizontes internacionais, mas que, et par contre, significava uma cartada no escuro enquanto treinador de uma equipa de topo do futebol brasileiro e sul-americano.
Essa é, também, uma aposta de José Boto, alguém que, com facilidade, poderia passear despercebido no Terreiro do Paço ou na Avenida dos Aliados, mas, ao longo dos meses desta época desportiva, se afigurou absolutamente essencial para construir, balizar e muscular a estrutura flamenguista, ao ponto de chegar aos troféus mais desejados na Gávea, Libertadores e Brasileirão, na mesma semana.
Mas a final de Lima trouxe, também, a lição de humildade de Abel Ferreira, bi-campeão da Libertadores em 2020 e 2021, agora vencido no jogo decisivo.
O modo como o duriense de maior sucesso na história da Sociedade Esportiva Palmeiras reconheceu a supremacia do adversário durante os noventa minutos do Estádio Monumental foi o toque final de grandeza, o tal valor que se reconhece pela humildade necessária, nos momentos certos.
Abel não se escondeu (em boa verdade, nunca o fez ao longo dos já cinco anos em que se transformou num ídolo da equipa e dos torcedores paulistas). Assumiu a derrota, beijou a medalha de vice, surgiu na sala de conferências de imprensa com o ar tranquilo de quem sabe que, malgrado a derrota, continua a fazer história e a colocar o seu nome e a marca do futebol português nos pisos mais elevados do edifício competitivo sul-americano. Também por isso, a Presidente do Verdão nem queira ouvir falar noutros nomes para assumir a equipa. Leila Pereira, no seu estilo permanentemente focado e empenhado, sustenta Abel como o único capaz de continuar o legado que ele próprio corporiza, ao ser, já, o treinador com maior e melhor registo na história palmeirense.
Lima, para lá do grandes espetáculo conseguido pela CONMEBOL na organização da final da Copa Libertadores, voltou a falar português na vitória, na derrota, nas lições e nas conclusões.

Cartão branco
Há poucas palavras para falar do brilhantismo da Seleção Nacional feminina de futsal. No primeiro Mundial do género, Portugal está a assinar uma carreira irrepreensível, notável e que bem demonstra o trabalho de base que tem sido feito, ao longo de vários anos, nos clubes, nas associações distritais e na federação, para potenciar e qualificar esta geração de futsalistas. Independentemente do que suceda amanhã, na final em português frente ao Brasil, Manila trouxe à colação uma verdade insofismável: quando o talento se une à organização e é projetado com trabalho, o sucesso surge e só se pode esperar o melhor. E ganhar ou ser segunda classificada no primeiro Mundial de futsal feminino será, em qualquer dos casos, motivo para celebrar.

Cartão vermelho
Com o passe vendido pelo Benfica ao Atlético de Madrid por 126 milhões de euros, João Felix ganhou notoriedade mas, também, a inerente responsabilidade. Nunca se conseguiu afirmar, em pleno, nos colchoneros, ficando no ar a ideia de alguma incompatibilidade de feitios com o treinador argentino Diego Pablo Simeone, mas, quase por milagre, foi rodando em emblemas e campeonatos de imensa visibilidade e interesse mediáticos: o Barcelona, na La Liga, o Chelsea, na Premier League, o Milan, na Serie A. E a verdade é que jamais pegou de estaca em qualquer um desses clubes, acabando por ver a carreira resgatada (talvez relancada…) nos petrodólares do Golfo Pérsico. Gorada a possibilidade de regressar ao Benfica, a última coisa que Felix poderia dizer… disse. Disse que os encarnados não fizeram tudo o que podiam para o ter de volta. Talvez agora sim, o jogador de Viseu tenha mesmo a porta da Luz fechada. E trancada."

O outro Abel voltou


"Desde que o Botafogo optou, em 1953, por contratar um moleque com estrabismo, deformação na espinha, desequilíbrio na bacia e diferença de seis centímetros entre as pernas, cujos joelhos batiam um no outro, que o futebol brasileiro passou a respeitar as decisões absurdas porque o moleque em causa se chamava Manoel Francisco dos Santos, vulgo, Garrincha.
Mas as decisões absurdas, regra geral, são mesmo só absurdas. A última decisão absurda do futebol brasileiro foi obra da direção do Internacional: contratar Abel Braga. Aliás, essa foi a penúltima: a última decisão absurda foi a de Abel Braga, supostamente reformado desde 2022 e cujo último título relevante foi o Brasileirão de 2012, ao aceitar.
Depois de Roger Machado, que deixou a equipa em 13.º, o colorado contratou Ramón Díaz, ex-Corinthians, que a atirou para 16.º, antes de, a 180 minutos do fim do Brasileirão, chegar o veterano treinador. Nos primeiros 90’, Abel sofreu uma derrota sem apelo na casa do São Paulo, por 3-0, e passou a 18.º.
Agora, só por capricho da calculadora o centenário clube gaúcho, três vezes campeão brasileiro, duas vezes campeão da Libertadores e uma vez campeão mundial, frente ao Barcelona de Ronaldinho, Xavi, Iniesta, Deco e outros, precisa ganhar ao Bragantino e torcer por dois resultados paralelos para escapar das garras da Série B.
Sim, aquela vitória sobre o Barcelona de Ronaldinho e companhia foi sob o comando de Abel Braga, mas o tri do Brasileirão foi sob a batuta do notável Falcão e nem por isso a alguém ocorreu contratar para o meio-campo o velho Rei de Roma por mais que ele até mantenha a forma.
O absurdo da contratação de Abelão, aliás, ficou provado logo na conferência de imprensa de apresentação, quando o treinador, cuja bonomia é lendária e reconhecida por todos os que com ele lidaram, diga-se de passagem, mostrou o seu descompasso com a atualidade.
Pediu para a equipa não treinar mais de cor de rosa porque é coisa de veado, um comentário que, fosse partilhado lá no começo da carreira dele, no Rio Ave, no Famalicão, no Belenenses ou no Vitória de Setúbal, já soaria ultrapassado e sem graça.
Adiante. O problema talvez seja menos Abel e mais a direção liderada por Alessandro Barcellos que, mesmo gastando cerca de 3,3 milhões de euros por mês em ilustres de altos salários, como o colombiano Rafael Borré, ex-Eintracht Frankfurt, ou o equatoriano Enner Valencia, ex-Fenerbahçe e entretanto mandado para o Pachuca, nunca soube proporcionar, com despedimentos de treinadores em série, um ambiente vencedor no clube.
Mas e pode o Inter, mesmo com Barcellos, Abel e tanta decisão absurda, salvar-se na última jornada? Só se os jogadores colorados se transformarem em Garrinchas."

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NÃO DEU PARA MAIS...


"BENFICA 1 - 1 Sporting

Pré-jogo 1 - estamos a 6 pontos do Porto e a 3 do Sporting. Não vale a pena fazer muitas contas, alegar que ainda falta muito campeonato, que há muitos pontos em disputa, a equação é muito simples de explicar: hoje só a vitória interessa!
Pré-jogo 2 - se a estatística interessasse para alguma coisa, Mourinho, que acumula 7 vitórias em 7 jogos com o Sporting, nem precisava de ir para o banco. Vai, e vai muito bem, de certeza que preparou bem o jogo - é mestre nisso! -, que a equipa dê a resposta necessária.

LA-LA-LA
LA-LA-LA-LA
FORÇA BENFICA,
VENCE POR NÓS!
00 vamos entrar em campo a perder zero-zero. Carrega BENFIIIICAAAAAAA!
03 primeira abébia, do Aursnes, primeira defesa de recurso de Trubin. Está lá para isto, mas se pudermos evitar ofertas será bem melhor, certo?
06 o que é que o pica-miolos do Pote anda ali a provocar o Ríos? Tem tanto de bom jogador como de mete-nojo.
12 segunda abébia, agora do Barrenechea, primeiro golo: zero-um. Nunca gostei destas jogadas de risco à entrada da área, mas isto sou eu que não passo de um mero treinador de bancada. Trubin não podia ter feito melhor?
17 se continuamos a entregar-lhes bolas desta maneira, é impossível criar perigo na área da baliza deles. Não está fácil sair a jogar.
21 Nobre, já sabíamos, é de roubar: que mais precisava fazer o jogador do Sporting sobre o Ríos para lhe dar amarelo?
26 fdx, mais um erro não forçado, mais outra jogada de perigo. Acorda Aursnes!!!
27 SU-DA-KOV!!! E o VAR a esmiuçar, a ver se arranja uma falta do ucraniano na bola dividida? Confirmado: um-um! (grande abertura do Ríos para o Dedic no início do lance)
38 o golo fez-nos bem, passámos a jogar mais subidos, a ganhar mais duelos, mais presença no último terço, mais perigo na área.
43 o Leandro pode não ser um poço de técnica, mas deixa tudo lá dentro, é fundamental para jogos com esta intensidade. Muita atenção ao corte do Otamendi agora, depois do Suárez sentar o António. E aos jogadores deles, encostados lá trás, a irem para o chão parar o nosso sufoco. Tal e qual fizeram na época passada.
45 só dois minutos???
45+2 espreitei o SofaScore: as estatísticas dizem que o empate está certo.
46 voltam os mesmos, quando os alas vão entrar? O risco é perder o meio campo.
56 o que fez o Barreiro para levar amarelo?
65 jogo intenso, disputado centímetro a centímetro, mas com quase zero perigo tirando agora um remate do Aursnes para defesa tranquila do redes. E agora o Sudakov igual. O Sporting está satisfeito com o empate?
74 mais um amarelo por dar. Enfim... E como é que este livre tão bem trabalhado não entrou?
77 as confusões e picardias servem-lhes na perfeição...
79 uiiiiiiiiii, que tiro do Ríos! De pé esquerdo, fortíssimo - tirou tinta ao poste?
90 Já se percebeu que o Prestianni vai pro balneário mais cedo. Curioso para ver o tempo útil desta segunda parte
90+7 entrámos mal, recuperámos e estivemos por cima do jogo desde o golo do empate até ao fim, demos tudo, não deu para mais. Eles vão satisfeitos com o empate, nós podemos acabar esta jornada a 8 pontos do Porto. Futuro muito difícil na Liga."

Um pouco do Ferrari, um arzinho da tasca, mas ninguém saiu a rir do Benfica-Sporting


"O dérbi terminou empatado (1-1), beneficiando o FC Porto. Os leões entraram melhor, mas após a igualdade de Sudakov perderam muita qualidade, não tendo nenhuma das equipas arte para obter o triunfo

Não foram duas partes diferentes, não é bem essa a frase feita do futebolês a correta. Foram mais dois blocos de 20 ou 25 minutos diferentes, seguidos de incapacidade mútua, quase acordo tácito que ditava que ninguém era capaz de muito melhor.
O dérbi deu 1-1. Os primeiros 25' não pareciam encontro de empate, tal a superioridade do Sporting. Algures na segunda parte, quando Ríos foi o melhor Ríos em Portugal, quando o Benfica era agressivo e acumulava remates, não parecia partida de empate. Mas, olhando à globalidade, foi contenda de empate.
A impressão global foi entre o quero e não posso e o posso e não quero. O Sporting não matou quando cheirou sangue, o Benfica não teve embalo para virar. Agradece o FC Porto, que pode ficar com cinco pontos à frente dos leões e oito adiante das águias.
Dentro dos pequenos ciclos de domínio, arrancou a mandar quem tem um padrão de jogo mais reconhecível e reconhecido. Haviam passados meros três minutos e já o Sporting mostrava ao que vinha. Suárez roubou, perto da área do Benfica, a bola a Aursnes, conseguindo trabalhar até chegar perto de Trubin, que defendeu o remate do colombiano.
Estava dado o mote para os primeiros 25'. Os visitantes conseguiram constantes recuperações de bola perto da área das águias, que olhavam para o relvado como um aluno sem talento para a matemática aborda uma equação de segundo grau: sem saber por onde começar, que rumo tomar, quais são os passos necessários para atingir o resultado final. António Silva estava especialmente errático no passe, contrastando com a calma dos defesas leoninos, que arejavam a circulação verde e branca.
Seria, justamente, num roubo em zona subida que chegaria o 1-0. Trubin tocou em Enzo, que estava de costas para o jogo e, portanto, de frente para o perigo. Hjulmand, astuto, entendeu o que o médio ia fazer, antecipando-se. O capitão serviu Pote, que aproveitou as mãos pouco seguras de Trubin para dar vantagem aos bicampeões nacionais.
O golo surgiu aos 13'. Logo a seguir, no recomeço do desafio, Pavlidis, o ponta de lança do Benfica, tocou pela primeira vez na bola. A equipa de José Mourinho não chegava ao ataque e a Luz mostrava o seu descontentamento com a passividade encarnada.
Maxi Araujo demorou 10 segundos para ter a primeira picardia, no caso com Dedic. Mas o uruguaio de sangue quente está feito um lateral que defende com agressividade e ataca com critério. Por duas vezes ficou perto do 2-0, no melhor momento do tiki-tasca à Rui Borges. José Mourinho apelava à calma, mas o Benfica regressaria ao jogo, contra todos os prognósticos, logo a seguir.
O 1-1 foi como uma lotaria que caiu para os da casa. Sem qualquer aproximação com perigo até ali, com Barreiro a correr pelo campo como um homem que não sabe bem a que repartição pública se deve dirigir, vagueando de departamento em departamento sem resolver o seu problema, o golo veio da energia de Dedic, da clarividência de Ríos, da insistência de Sudakov e da falta de coordenação defensiva do Sporting. O ucraniano festejou-o com assinalável alívio.
A Luz, que começava a perder a paciência de cada vez que o rival reciclava o jogo, reiniciando a circulação, ganhou alma. Rugiu, festejou, empurrou os seus. Principiou outro jogo, de mais choque, mais dividido, já não um exercício de superioridade, mas um verdadeiro combate.
O recomeço consolidou o ascendente de quem marcou depois. Não foi o Ferrari que José Mourinho querará apresentar, mas houve umas acelerações vigorosas, um pouco de velocidade de ponta. O Sporting secou ofensivamente, tanto que, após Maxi roçar o 2-0 aos 26', não mais rematou. O Benfica, com mais urgência e agressividade atacante, teve três disparos quase seguidos, com Pavlidis, Aursnes e Sudakov a proporcionarem defesas atentas a Rui Silva.
Para procurar reencontrar o melhor Sporting, Rui Borges tirou Pote e Morita e colocou João Simões e Quenda, dois adolescentes para trazer energia e talento e deixar os visitantes com sete canhotos entre os 11 em campo. José Mourinho, como em todos os encontros de exigência máxima desde que regressou a Portugal, mostrou pouco confiar no banco, só fazendo a primeira substituição aos 81', lançando Prestianni. O jovem argentino duraria pouco em campo, já que viu o vermelho 10 minutos depois.
A certa altura do segundo tempo, chegou a parecer que as águias iam empurrar os leões para trás e forçar a reviravolta. Ríos, o colombiano que fala português com sotaque do Brasil fez, possivelmente, o seu melhor encontro desde que foi contratado, sendo o médio que se imagina há alguns meses, físico, levando a equipa para a frente, abarcando muito campo, chegando perto da baliza. Aos 73', Suárez evitou que o colombiano assistisse Barreiro e, pouco depois, foi o próprio Richard, de fora da área, a atirar perto da baliza de Rui Silva.
Quando o Benfica estava melhor, uma série de picardias, sempre com Maxi Araujo como protagonista, quebraram o ritmo do jogo. Seria o ocaso daquela equipa mais viva, mais à procura do 2-1. A expulsão de Prestianni, no arranque dos sete minutos de descontos, levou Mourinho a aceitar o empate como mal menor. O Sporting, sem argumentos, nada mais criou. E assim, entre o querer e o não poder, firmou-se o acordo tácito de aceitação do ponto para cada um."

Na forte corrente de Ríos ficou mais fácil Sudakov marcar


"Quando o colombiano pegou no leme, os encarnados navegaram para a área leonina. Impôs o ritmo e descobriu Dedic que assistiu o ucraniano no golo encarnado.

5 TRUBIN Logo aos 3', foi com o pé direito que evitou o primeiro golo do jogo num remate de Suárez, que lhe apareceu pela frente. Nove minutos depois foi Pedro Gonçalves que lhe apareceu, o ucraniano ainda tocou na bola mas não a conseguiu desviar para fora da baliza e sofreu assim o golo. Lance difícil para o guarda-redes na saída, a colocar em Barrenechea em zona proibida. A partir daí até houve algum receio por parte dos defesas encarnados, que evitaram atrasar-lhe a bola.

O melhor em campo
Richard Ríos 8
Se o Benfica conseguiu superar a entrada forte do Sporting muito o deveu à ainda mais forte corrente de um Ríos que levou a equipa a navegar até á área leonina. Na altura de maior pressão dos verdes e brancos, tentou pegar no jogo mas, sem que a bola se agarrasse aos pés dos jogadores do Benfica, a tarefa estava a ser inglória. A partir dos 20' começou a dar ar da sua graça, ao ganhar um livre frontal perigoso e sobretudo ao lançar Dedic pela direita no lance do 1-1 aos 27', que Sudakov concluiu. Pegou depois no leme da equipa, impôs o ritmo no meio-campo e só não foi feliz aos 81’ porque a mira desafinou um pouquinho e a bola, teimosa, não fez todo o efeito que era suposto fazer e acabou por sair ao lado.

7 DEDIC Estava a sentir dificuldades tanto a defender quando encarava Maxi, Pote ou Suárez, como a atacar, sem profundidade. Até que aos 27' subiu e na área leonina descobriu Sudakov e assistiu para golo, acabando por deixar marca indelével no encontro. Aos 54' fez o primeiro remate da segunda parte, embora muito por cima. A partir dos 85' não abriu caminhos para Alisson passar.

5 ANTÓNIO SILVAMuitas dificuldades na saída, a provocar alguma insegurança. Nas bolas paradas ofensivas apareceu numa, atrasado, e acabou por revelar sempre algum nervosismo, mesmo nas alturas em que os leões mais afastados estavam da área encarnada.

6 OTAMENDI Na primeira parte, sobretudo até ao golo de Sudakov, foi obrigado a estar sempre em jogo, tal era o caudal ofensivo dos leões. Mas foi aos 45+1' que teve de ir de carrinho atrapalhar Luis Suárez, que preparava o remate para marcar, depois de sentar António Silva. Voz de comando encarnado, presença que não deu muitas hipóteses aos leões sobretudo a partir da altura em que os encarnados estabilizaram, depois do golo do empate.

5 DAHL Geny Catamo, nos primeiros 20 minutos, ainda foi um bocadinho mais acutilante e nessa altura sentiu dificuldades. Depois acabou por assentar, sobretudo quando o moçambicano mais recuou. Na parte final do jogo, Quenda nem cócegas lhe fez quando passou para o seu lado.

3 BARRENECHEA Erro fatal aos 12' que permitiu a Pedro Gonçalves inaugurar o marcador, rececionou mal de Trubin e Morten Hjulmand roubou-lhe a bola para oferecer o golo a Pote. Primeira parte desastrada, sem conseguir opor-se nem a Trincão nem a Suárez, quando este recuava no habitual jogo associativos dos verdes e brancos. O Benfica sofreu um golo e o argentino deixou a sua marca. Negativa...

4 AURSNES Foi em tarefa defensiva que comprometeu logo aos 3', perdendo a bola para Luis Suárez quase marcar (valeu Trubin). Como Barrenechea, uma sombra de si mesmo durante os primeiros 45', perdido em campo e sem conseguir desequilibrar na direita. Foi num remate forte e sem preparação para boa defesa de Rui Silva que pela primeira vez apareceu com direito a nota positiva, corria o minuto 64. Pouco, muito pouco.

6 LEANDRO BARREIRO Percebeu que era Ousmane Diomande que tinha de pressionar na saída de bola do Sporting e obrigou o marfinense ao erro, demasiados. Tanto que foi nessa tarefa que muitas vezes as águias atrapalharam o jogo leonino. Apareceu um par de vezes em zona de finalização, como aos 43', em que Gonçalo Inácio desviou a bola que levava perigo para canto. Aos 81' ajudou Ríos a quase marcar.

7 SUDAKOVPrimeiro remate do Benfica aos 22'. E o segundo deu golo! Aos 27' só teve de empurrar, depois de se desenvencilhar de Geny Catamo na pequena área para empatar o jogo. Obrigou o moçambicano a recuar para ir em auxílio de Fresneda na tarefa defensiva e aos 43' sacou um cruzamento que Barreiro só não emendou para golo porque Gonçalo Inácio, a deslizar sobre a relva, fez a bola sair para canto. De fora da área tentou também a sorte mas aos 65' Rui Silva defendeu-a.

5 PAVLIDIS Foi apenas aos 62' que rematou pela primeira vez à baliza do Sporting: perda de bola de Quenda e o grego a encontrar espaço para rematar de longe mas à figura de Rui Silva. Aos 64' deu para Aursnes colocar o guarda-redes do Sporting à prova. Lutador.

5 PRESTIANNI Entrou aos 81' e foi expulso aos 90+2'. Não foi maldoso sobre Geny Catamo mas viu que o leão corria desalmado para o ataque em transição rápida e em altura determinante e cotou o lance pela raiz. Sacrificou-se em prol da equipa!

IVANOVIC Pouco tempo em campo e quase todo na altura em que a águia recuou quando estava já só com dez.

MANU Como Ivanovic. Entrou aos 88' e ajudou a defender com menos um."

Benfica demorou muito a acordar, mas quando o fez mandou no jogo


"Nenhum saiu feliz com o empate, mas, depois de um início de grande superioridade leonina, o Terceiro Anel empurrou as águias para uma exibição consistente, que obrigou o rival a ‘cautelas e caldos de galinha’. A equipa de Mourinho esteve mais perto da vantagem até à expulsão de Prestianni, depois o Sporting voltou a querer ganhar, mas faltou-lhe tempo...

Estavam jogados 24 minutos e 25 segundos, o Sporting vencia por 0-1 desde os 12, o Benfica padecia de uma apatia absoluta, e o Terceiro Anel fartou-se. Há perder e perder, e perder sem dar luta não faz parte do léxico encarnado. Por isso, face à ausência de agressividade perante as trocas de bola da defesa dos leões, ouviu-se na Luz uma vaia monumental, que serviu de despertador aos jogadores do Benfica. Imediatamente Ríos e Pavlidis pressionaram, com ‘ganas’, Dahl e Barreiro secundaram-nos, e os leões perderam a bola. Esse foi o momento em que o jogo verdadeiramente mudou, não deixando de ser verdade que o golo de Sudakov, aos 27 minutos, ajudou a dar confiança aos de encarnado e a tirá-la aos de verde.
Mas até ao minuto 24’25’’, os bicampeões nacionais passearam-se no relvado da Luz, dominando as operações a seu bel-prazer, e para tal bastou-lhes duas coisas: a primeira foi impedir linhas de passe ao Benfica nas saídas de bola; a segunda foi apostar no erro do adversário, trocando pontualmente, sempre que lhes cheirava a ‘sangue’, a defesa zonal a 30 metros das redes de Trubin, por uma pressão alta que viria a mostrar-se letal para os donos da casa.
E até nem foi ao primeiro erro (quando, aos três minutos Sudakov deu uma bola ‘queimada’ a Aursnes, que foi desarmado por Suárez, dentro da grande área, valendo à equipa de Mourinho uma grande defesa do seu guarda-redes ucraniano) mas ao segundo, aos 12 minutos, quando Trubin passou a bola, de forma displicente, a Barrenechea, que quando se quis virar foi imediatamente cercado por Hjulmand, que recuperou o esférico, endossando-o de imediato a Pedro Gonçalves.
Este, com um ‘penálti em andamento’, colocou muito justamente os leões na frente do marcador. E até ao ‘despertador’ do Terceiro Anel ter tocado, só deu Sporting, ficando no ar a ideia de que estávamos em presença de duas equipas em muito diferentes estádios de maturidade.

TÁTICA E DINÂMICA
Benfica e Sporting apresentaram na Luz os seus figurinos habituais, talvez mais cauteloso Mourinho ao preencher o meio-campo com Aursnes, Barreiro e Sudakov, deixando Prestianni e Schjelderup de fora das contas iniciais. Rui Borges, por seu turno, também tomou alguns cuidados, por exemplo ao começar a defender muito mais atrás, ao invés do que, por exemplo, tinha feito com o Estrela da Amadora. Portanto, como a diferença não esteve na tática, o que importou realmente para a história deste dérbi foi a dinâmica, e nesse particular, quem mais contribuiu para a melhor fase do Benfica – grosso modo dos 25 minutos aos 90+2, quando Prestianni foi expulso, foi Richard Ríos, que assinou a melhor exibição desde que veste de águia ao peito. Foi quase sempre bem secundado por Dedic, enquanto que do outro lado Sudakov só começou a libertar-se de Fresneda quando as movimentações rápidas dos encarnados começaram a abrir brechas na muralha leonina, e o lateral espanhol teve de ajudar a apagar alguns fogos longe de Sudakov.
Quando o intervalo chegou, o resultado era justo, praticamente meia parte para cada um tinha valido um golo a Benfica e outro a Sporting.

MAIS BENFICA
A metade complementar trouxe mais Benfica, ou seja, incidindo especialmente em Diomande, que denotou dificuldades na saída de bola, os encarnados deram a provar aos leões o veneno que estes tinham utilizado, e dessa superioridade, que teve também a ver, além de Ríos e Sudakov, do regresso de Aursnes à sua carburação normal e de Barreiro à chegada à área e à pressão, resultaram alguns momentos que Rui Silva resolveu bem – remates de Pavlidis (62), Aursnes (64) e Sudakov (65), sem que houvesse reação declarada do Sporting, que só viria a beneficiar o primeiro canto na segunda parte aos 90+1.
O Benfica, a perceber que podia chegar aos três pontos, esteve muito perto de marcar aos 74 minutos, quando, após um livre de Sudakov e um cabeceamento de Ríos, Suárez tirou o ‘pão da boca’ a Barreiro que se preparava para gritar golo; e sete minutos depois, através de Ríos que, com um pontapé-canhão de pé esquerdo, falhou por muito pouco o alvo.
O jogo entrou então numa fase quezilenta, que cortou ritmo à partida, e aos 81 minutos Mourinho jogou uma cartada ofensiva – Sudakov por Prestianni – trocando de ponta de lança quatro minutos depois, na mesma altura em que Rui Borges, que à hora de jogo tinha lançado os juniores Quenda (Pedro Gonçalves) e João Simões (Morita), o primeiro para dar mais profundidade à esquerda, o segundo para refrescar o meio-campo, resolveu, sem mudanças táticas, dar mais pulmão à equipa, com Alisson e Ioannidis, aos 85 minutos. Mas o jogo já tinha decaído e não era difícil vaticinar que o Benfica, se não tinha conseguido ganhar na altura certa, dificilmente o faria na reta final, quando Manu foi ainda render Barrenechea (esgotado), acontecendo então, aos 89 minutos, o lance que mudou os minutos finais.
Uma entrada imprudente de Prestianni, por trás, sobre Catamo, foi sancionada por António Nobre com cartão amarelo, que o VAR reverteu em vermelho. Faltavam jogar seis minutos e Mourinho viu-se forçado a passar Ivanovic para a esquerda, ficando Leandro Barreiro a ponta-de-lança, num 4x4x1 pensado para travar a investida final dos leões. Estes, apesar do domínio territorial que recuperaram, não voltaram, contudo, a apoquentar Trubin. Um ponto para cada um deixou o campeonato em aberto – ainda há muitos jogos pela frente – mas pode devolver conforto a um FC Porto saído de uma noite amarga com o Vitória de Guimarães."

Daizer: Sporting...

Esteves: Sporting...

Dekash: Sporting...

Vinte e Um - Como eu vi - Sporting...

Zero: Ataque Rápido - Rescaldo - Sporting...

Simples: Sporting...

Observador: Relatório do Jogo - "Sporting forte no início e um Benfica que soube responder"

Terceiro Anel: Sporting...

BF: Sporting...

BI: Rescaldo - Sporting...

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - Live - Sporting...

Terceiro Anel: Live - Sporting...

5 Minutos: Sporting...

sábado, 6 de dezembro de 2025

Vermelhão: Mais um empate...

Benfica 1 - 1 Sporting


Jogo feio para o adepto, demasiada tática, com ambos os treinadores a preferirem os equilíbrios... O Benfica com uma entrada suicida, com muitas dificuldades na 1.ª fase de construção, com o Sporting a marcar um 'auto-golo' como anunciou o Mourinho...!!!

A meio da 1.ª parte, a equipa finalmente começou a aproximar-se mais da área adversária, com posse de bola, no meio-campo do adversário, e o golo do empate a surgir... A partir daqui, o jogo foi do Benfica!

Não foi um domínio avassalador, mas fomos os únicos com aproximações perigosas à baliza adversária, com o Sporting, em todo o jogo, a ter somente 4 aproximações perigosas, duas delas oferecidas pelo Benfica, outra numa correria dum contra-ataque, e no 2.º tempo, somente criaram a ilusão de perigo num cruzamento/remate!

Após o remate com a canhota do Ríos o jogo praticamente acabou! Muitas paragens, muita confusão... e com a expulsão do Prestianni, tivemos uns últimos 7 minutos anticlimáticos, com o Benfica a defender o empate! Que só beneficiou os Corruptos, até perderam e foram eliminados ontem para a Taça da Liga!!!

Para os Benfiquistas apesar disto, jogámos pouco! È verdade! Mas neste momento, com estes jogadores e este treinador, isto vai ser o Benfica! Não sofrer golos... e depois, logo se vê!!! Agora, após 2 jogos com um Super-Sporting e outro contra um Super-Fariolli, o Benfica ainda não perdeu!!! É verdade que não estamos a jogar bem, mas a diferença para os nossos principais adversários, também não é tão grande, como se pinta! Não fossem os apitos, e a classificação seria outra...!!!


Bom jogo do Ríos, do Barreiro e do Sudakov! Ausenes muito importante nos equilíbrios. Dedic o nosso melhor 'extremo'!!! Dahl muito bem na marcação... Otamendi, hoje, esteve bem, sem ofertas!

Trubin cometeu o erro no golo sofrido, não pode fazer aquele passe, quando está a observar o posicionamento do Sporting. No resto, não teve trabalho!

É incrível como o Estádio da Luz, se torna num 'Inferno' para os nossos próprios jogadores! O barulho sempre que o António ou o Enzo tem a bola nos pés, só serve os interesses dos adversários!!!


O Nobre não cometeu nenhum erro gigante como no passado, mas como o Mourinho afirmou, disciplinarmente permitiu quase tudo à Lagartada: Hjmuland acabar o jogo sem Amarelo é para os apanhados, o cabrão do Maxi acabar o jogo, depois de todas as provocações é incrível...
Mesmo assim, a falta inventada para impedir o contra-ataque do Benfica, no lance com o Suarez, é capaz de ser o lance mais absurdo!!!


Agora, antes do Campeonato, temos a Final na Champions, com Nápoles! O jogo até pode ser parecido, pois os Conte também arrisca pouco, mas a qualidade individual dos Italianos é muito superior!!!



Em frente...

Benfica 4 - 2 Araz

O trabalho foi feito na 1.ª mão, mesmo assim, os dois sofridos no final, podiam ter sido evitados!

Agora, Quartos-de-final da Champions, com o Sporting, em mais um Sorteio estranho!

Vitória apertada...


Benfica 2 - 1 Portimonense
Pastel(2)


Regresso dos Mundialistas, num jogo pouco conseguido, onde o Portimonense merecia mais... Valeu ao Benfica, o faro de golo do Pastel!!!

Na jornada anterior, jogámos com Estrela na Malveira, com um 11 praticamente todo diferente. Opções não faltam...

Uma nota para a adaptação do Juvenal a Defesa-Direito: acho que temos aqui outra aposta com futuro! Depois de jogar em quase todas as posições, parece-me que o Juvenal pode evoluir nesta posição!

Backstage | Nottingham Forest 1-1 SL Benfica B | Premier League International Cup

Grande resposta à ameaça de greve


"POR MIM ERA JÁ NO JOGO DE HOJE

Quem me conhece sabe que sou defensor da contratação de árbitros estrangeiros para determinados jogos da nossa liga. Não é por nada, é só porque os de fora apitarão menos condicionados e as suas decisões serão menos passíveis de serem consideradas suspeitas ou analisadas à luz de decisões passadas.
Penso exatamente o mesmo para o VAR. Neste caso, porque é feito de forma remota, mais fácil ainda seria implementar esta medida.
Para os que são do contra, pergunta-se: se os nossos árbitros vão apitar jogos de ligas estrangeiras, porque não hão-de vir os de fora apitar cá dentro?"

Hoje dia de derby, aquele dia em que os nervos anda o dia todo à flor da pele.


"Neste dia é sempre bom recordar um derby de má memória, pelo resultado desportivo, mas para mim de boa memória enquanto símbolo de união orgânica que catapultou toda uma nação para uma conquista no final da temporada!
Hoje gostava de assistir a essa união do primeiro ao último minuto e mostrarmos mais uma vez a todos e em especial aos viscondes dos perdoes bancários e dos esquemas do Hotel Altis, que não somos apenas maiores que eles, SOMOS GIGANTES!!!
Acreditem, com este sentimento e união a emanar das bancadas, mesmo que joguemos mal, estaremos sempre muito mais perto de bater qualquer rival, o resto acaba sempre por vir por acréscimo, cresce a confiança dos jogadores que se sentem amados, cresce a confiança da equipa e da equipa técnica e só assim é possível suplantar qualquer obstáculo!"

DDT — Donos Disto Tudo


"Nos últimos tempos, três assuntos ficaram a ecoar na minha cabeça. As críticas a José Mourinho por ter criticado os seus jogadores, as palavras de João Félix sobre a alegada falta de vontade séria do Benfica em recebê-lo de volta e o futuro dos nossos jovens campeões do mundo. Três temas que, à primeira vista, parecem desconexos. Talvez distantes, mas não tão diferentes na sua raiz. Vamos por partes, até chegarmos ao ponto onde tudo se encontra.
Começo por José Mourinho. No final do jogo da Taça de Portugal mostrou o que toda a gente tinha visto na primeira parte. A equipa tinha entrado a dormir. Disse-o de forma clara, como sempre fez. E imediatamente se ergueu o coro habitual de indignações. Criticar jogadores já é tratado como crime de lesa-pátria. Parece cair o Carmo e a Trindade quando um treinador diz que um atleta não se esforçou o suficiente.
E as críticas vêm sempre embrulhadas na mesma cantilena. Que um treinador não deve expor jogadores em público, que perde o balneário, que perde o respeito, que aquilo fragiliza a equipa. É a ladainha dos dias modernos. Nem sempre foi assim, e na verdade continua a não ser. Um treinador não perde o respeito quando diz a verdade. Perde-o quando tenta vender à equipa e ao público uma narrativa diferente daquela que todos viram. Perde-o quando troca a exigência pela massagem ao ego. Perde-o quando deixa de chamar as coisas pelo nome, com medo de ferir sensibilidades.
João Félix, que anda há anos a tentar demonstrar ao mundo do futebol que é um jogador de elite, passou por vários clubes e diferentes treinadores. Em todos deixou a mesma dúvida no ar, aquela sensação desconfortável de que o talento está lá, mas a consistência e a qualidade aparecem apenas a espaços. Agora decidiu dizer que o Benfica, e sublinhe-se, o seu Presidente, não demonstrou uma vontade séria em trazê-lo de volta. Uma acusação curiosa, para não dizer outra coisa.
O Benfica, leia-se o presidente, mesmo com a desconfiança de muitos adeptos, demonstrou sempre disponibilidade e esforço para concretizar o regresso de João Félix. Isto é público e notório. Se houve hesitações, não vieram da Luz. João Félix preferiu o dinheiro. É legítimo que assim tenha sido. O que já não é legítimo é tentar reescrever a história, como se o Benfica tivesse sido um espectador indiferente. Não foi.
E fica a pergunta, que vale mais do que mil comunicados. Será que optar única e exclusivamente pelo salário é a melhor decisão para um atleta que ainda procura afirmar-se no topo?
A nossa Seleção Nacional de sub-17 sagrou-se campeã do mundo. Um enorme feito. Uma enorme honra para todos os portugueses. Ainda a festa não tinha terminado e já se ouvia: será que estes miúdos vão ter futuro? Os clubes têm de apostar nestes jovens, estes jogadores são craques, os clubes têm de olhar para a sua formação. Foram algumas das afirmações e perguntas que fomos ouvindo.
Concordando que os clubes devem estar atentos e apostar nos seus jogadores mais jovens, será que é mesmo isso que tem faltado para que mais jovens talentos se consigam afirmar nas principais equipas do nosso campeonato? Será que quem mais decide a carreira destes jovens jogadores são eles próprios, os seus treinadores ou os seus clubes?
E o que têm a ver as críticas de José Mourinho e as declarações de João Félix com o futuro destes jovens craques?
Há um denominador comum. Os empresários. Esses que não gostam que um treinador faça qualquer crítica aos seus jogadores. Aqueles que dizem ao jogador para optar pelo projeto financeiro em vez do melhor projeto desportivo. Aqueles que, na minha opinião, infelizmente, mais terão a dizer sobre a carreira que terão os nossos mais recentes campeões.
Há muito tempo que o futebol deixou de ser apenas um jogo. Tornou-se uma espécie de mercado paralelo onde quem realmente manda raramente aparece nas fotografias. São os empresários, os intermediários, os consultores, os agentes de influência. Aqueles que não tocam numa bola, mas decidem mais do que muitos treinadores.
Os empresários são hoje o equivalente moderno aos barões do petróleo. Não extraem nada do chão, mas extraem milhões da ansiedade dos clubes. Não criam jogadores, mas vendem-nos como quem vende aço ou soja. E transformaram o futebol num negócio onde o tempo vale mais do que o talento e onde um passe bem negociado vale mais do que dez golos marcados.
É por isso que, nos últimos tempos, temos assistido a um fenómeno quase surreal. Treinadores que planeiam épocas e projetos que duram o tempo de um almoço, diretores desportivos que passam mais tempo ao telefone do que a ver jogos e jogadores que mudam de clube com a mesma frequência com que mudam de penteado. Tudo isto porque alguém, numa agência qualquer, decidiu que aquela transferência era o momento certo para maximizar o lucro. O clube, esse, fica para segundo plano. O adepto, para terceiro. A identidade, para último.
Um jovem de 17 anos faz dois jogos bem conseguidos e, antes que o miúdo aprenda a fazer o terceiro passe seguido sem nervos, já tem cinco agentes interessados, três reuniões marcadas e um empresário que jura que está a pensar só no futuro do atleta. O futuro, claro está, mede-se em percentagens, prémios de assinatura e comissões que fazem corar qualquer gestor financeiro.
O problema é que esta teia não é apenas um efeito secundário do futebol moderno. É o próprio motor do sistema. Os empresários controlam carreiras, influenciam balneários, decidem contratações, ditam rescisões, condicionam treinadores e pressionam dirigentes. Há clubes que contratam porque precisam e há clubes que contratam porque alguém lhes disse que precisavam. E essa diferença, no fim, paga-se com pontos perdidos e épocas arruinadas.
Podíamos achar que isto é apenas parte do jogo. Que sempre existiram intermediários. Que sempre houve negócios opacos. Mas o que existe hoje é diferente. É uma estrutura que funciona acima dos clubes e que, em muitos casos, os substitui. E quando percebemos que há empresários que têm mais poder de decisão do que presidentes, mais influência no plantel do que treinadores e mais informação interna do que muitos funcionários, talvez seja altura de parar de fingir que é normal.
A pergunta não é como chegámos aqui. Isso já todos sabemos. A pergunta é como saímos daqui.
O que me assusta não é o empresário competente que defende o seu jogador. Isso faz parte. Assusta-me o empresário que controla vários clubes em simultâneo, que faz negócios consigo próprio, que coloca jogadores onde lhe convém e que depois aparece a dizer que o futebol precisa de transparência. Assusta-me a facilidade com que alguns dirigentes se ajoelham perante telefonemas. Assusta-me a normalização da dependência. E, acima de tudo, assusta-me a passividade com que isto tudo é aceite.
No meio disto, estão os nossos miúdos de 17 anos. Chegaram ao topo do mundo. Serão agora empurrados para um sistema onde o talento é só uma parte da equação. E onde tudo o resto pesa mais do que devia."

O dérbi e o eterno futebol português


"Benfica e Sporting defrontam-se na Luz após semana igual a tantas outras, em que se falou de tudo e mais alguma coisa menos do jogo. Há muito tempo que decidimos abdicar do futuro

O dérbi é eterno, mas demasiado para tudo o que o rodeia. As desconfianças são feitas saber ou ditas para quem queira ouvir, atiradas consoante o sabor do vento, antes sequer do primeiro apito, mas depois de tantos outros, noutros campos, à frente de outras camisolas, de outros escudos. Nem o colorir dos equipamentos afastou a nuvem negra que os acompanhará até ao fim dos tempos. Ainda que persistam em fechar-se na sua concha, ainda que pareçam ocos, vazios, pouco humanos, recetáculos plenos para todos os tipos de vernáculo e escapismo das amarguras da vida. Ou do lado negro que todos temos. Que em alguns é maior que noutros.
A inexperiência que o fragiliza ou os vícios que o endurecem, o tornam intocável, inatingível. O que não marcou ou desastradamente marcou em excesso. Os penáltis que não viu e os que viu, mesmo que tenham ficado em suspenso na intensidade. O canto que gerou golo e não era, o canto não o golo, o golo anulado que afinal era, o VAR que não foi atrás, não viu a falta a meio-campo, o empurrão, a carga nas costas, a rasteira. A mão na bola, a bola na mão. A mão nas costas. O puxão. O agarrão. Em cima da linha. Dentro. Fora. Insuficiente, suficiente. O erro. A decisão certa. A dúvida. A suspeita. O crime. A sentença. A condenação. A jarra.
No dérbi eterno, mas em tantos outros jogos, sobretudo onde estão os grandes, que se queixam até quando os prejudicados são os outros, empurrados para trás. Tantas vezes empurrados para trás, por faltas não assinaladas bem para lá da Taprobana. Ou assinaladas. Que criam um Adamastor a meio-campo. E eles sem o espírito do passado. Capaz de dobrar mil e um Cabos das Tormentas.
Por aí fora. As alianças que se fazem para dar três pontos aos dois, ou para retirá-los a ambos. Ameaças de greve, críticas às ameaças, ameaças às críticas. O afinal ‘há quem no estrangeiro não se importe de vir apitar’. O cheiro a napalm à volta da nova sede da Liga, que ainda seca a pintura à espera de eventos que a preencham. E os presidentes a contar tostões dos direitos televisivos, com ordem de trabalhos invertida: as infraestruturas e a reformulação dos quadros competitivos que fazem parte do produto que ainda não se tem e já se quer vender. Mais gente à volta da mesa do que em muitos estádios por aí fora. Uma cultura desportiva sem raízes, sem o desporto, praticado ou assistido, que nada interessa a quem governa e continua no seu mundo faz de conta, e em cima da qual nada floresce e muito menos ganha fruto. 
Por Deus, a Taça da Liga! Não é urgente. Nem nunca fez grande sentido. Tanto que a mudam tanto e querem voltar a mudar até à próxima mudança. Agora, volta-se a baralhar, com a presença de todos os clubes profissionais, amanhã reduz-se porque não faz sentido, quando a lógica é que nem sequer exista. Claro que é mais um troféu para os grandes disputar. Mais dérbis ou clássicos. No entanto, a competição tem pouco interesse. E atrapalha o calendário. Os clubes sabem isso e sugerem outras coisas, como uma Taça Ibérica. Porque, mais uma vez, o que existe não é necessário.
Todavia, a reformulação que mais sentido faz, a que é mesmo, mesmo necessária, não se enganem, é a do campeonato. Para que haja maior concentração de talento, equipas mais fortes, melhores jogos, mais gente nos estádios, enfim, maior equilíbrio. Portugal não tem dimensão para 18 clubes no topo. Ou para 16. Talvez nem para 14. Estudem-na!
Os adeptos um atrás do outro, e o primeiro atrás do flautista de Hamelin. Unidos por uma causa que não sabem bem qual é, mas em uníssono nos protestos, nos gritos, nas palavras de ordem, uma tribo pronta para a guerra se for preciso. Mesmo com muito pouco para defender.
Uma guerra que já podia ter terminado para que todos, e também os que nela nunca entraram, saiam a ganhar. Mesmo com novos atores, protagonistas de uniforme vestido, hoje de fato e gravata, hoje de mala de negócios com código secreto e motorista privado, e sobretudo discursos que não deviam ser seus. Que foram de outros que chegaram ao fim do seu tempo e que não precisam de sucessores, não tanto quanto a ideia de bem maior necessita de apoiantes e porta-bandeiras. O Norte contra o Sul. O nós contra o mundo. Frases para afixar no balneário e motivar jogadores, mas que não devem depois entrar no relacionamento entre dirigentes.
Villas-Boas não precisa de ter uma costela de Pinto da Costa para ser amado. Não depois dos vários passos que deu em frente, para ter um clube de portas abertas ao mundo. Muito mais moderno. O tempo dar-lhe-á razão e afastará mesmo quem ainda fala contra si. Rui Costa deveria ter cortado com a herança de Vieira. Desde o primeiro dia, a pensar na mesma meta. Mesmo que tenha sido mais fácil encontrar um rumo em poucos meses no Dragão do que em quatro anos no Estádio da Luz. Já Frederico Varandas sempre se sentiu forte para comunicar e agora que ninguém lhe diz para estar sossegado no seu canto nem bom senso tem quando fala da representação dos clubes em posições de poder. Por fim, Salvador ainda não tem equipa para que o seu discurso ganhe peso. Incomode.
A mudança parcial não convergiu numa global, em nome do tal bem maior. A explicação dos árbitros no relvado quase nada passou a explicar. É uma cassete que se reproduz como se anunciasse uma promoção no corredor do leite no supermercado. Ou a chamada de um colega porque o artigo não tem código de barras. A clarificação nos programas de televisão não fez desanuviar o ambiente. Porque é será sempre mais fácil apontar para outro lado. Livrar-se da responsabilidade, atribui-la a outros. Esquecem-se as políticas desportivas falhadas, os erros no banco, colocam-se a negrito todos os ses, aumentando a sua importância. As quases-vitórias passam a valer tanto quanto as demais. O manter-se fechado a um ideal comum afasta o rótulo de ingénuo, de liderança fraca, de ter engrandecido ou criado ainda mais rivais. Atrás, esconde-se a insegurança. A impreparação. A falta de liderança. Mas, deixem lá, que venha o dérbi!"

Zero: Mercado - Quais as necessidades do Benfica

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - FC Porto não liga, Vitória aproveita

Observador: E o Campeão é... - Entre águias e leões, quem pode estar mais confiante?

Observador: Três Toques - Ola Aina e as mensagens com a "namorada de outro jogador"

DAZN: Europa - Semana decisiva na Europa mas só para o Benfica

Benfica e FC Porto, os indignados


"Nem foram precisas três horas para o Benfica se mostrar desconfortável com a nomeação para o dérbi. Mais rápido foi ainda o FC Porto sobre a escolha para Tondela. É a lógica do quem não chora não mama.

Não foi preciso muito tempo após ser conhecida a nomeação do árbitro para o dérbi desta sexta-feira entre Benfica e Sporting para se ficar a saber que a nomeação de António Nobre foi recebida com desconforto pelos encarnados. Entre uma e outra coisa não mais de três horas. Desta vez não em forma de comunicado, mais formal, ou publicação nas redes sociais, mais informal e propícia a indignações de comentadores de ocasião, mas através duma fonte que tratou de anunciar esse incómodo através dos canais mais tradicionais.
Digo desta vez porque num passado recente, já nesta temporada, por sinal a inaugurá-la, já tinha havido desconforto encarnado com nomeação de árbitro para um jogo, curiosamente também em vésperas de dérbi, no caso a Supertaça que o Benfica havia de ganhar ao Sporting por 1-0. Nessa altura, as águias recorreram às redes para publicar mensagem em que enumeravam «quatro factos quanto ao primeiro jogo oficial da época». Lembremos:
Facto 1 — O árbitro nomeado para apitar a Supertaça, Fábio Veríssimo, foi quarto classificado na temporada passada entre os 24 árbitros da Primeira Liga.
Facto 2 — Na época passada, Fábio Veríssimo foi o árbitro que mais apitou o Sporting: seis vezes. Ficaram célebres os erros em Famalicão e na Vila das Aves que beneficiaram o Sporting.
Facto 3 — Apenas por duas vezes apitou o Benfica, que perdeu os dois jogos em questão.
Facto 4 — Fábio Veríssimo foi o árbitro do dérbi Sporting-Benfica da 1.ª volta e ignorou um penálti evidente sobre Álvaro Carreras. Desta vez, a fonte também enumera casos de anteriores jogos das águias e aponta os já esta época apitados por Nobre ao Sporting. O Benfica venceu a Supertaça, com mérito e sem casos, em campo esta sexta-feira no Estádio da Luz a tática e estilo deverão ser diferentes, desde logo porque já não está Bruno Lage no banco mas antes José Mourinho. Mas fora de campo e antes do jogo, a tática é a mesma. O objetivo foi o mesmo, embora a maneira de o comunicar tenha sido mais subtil para não expor tanto a estrutura. Mas está visto que esta temporada faz parte da estratégia encarnada começar os dérbis dois dias antes, quando o árbitro é nomeado.
Também no Dragão a nomeação de Luís Godinho para o Tondela-FC Porto gerou indignação. Mais célere ainda na quarta-feira, os azuis e brancos, também certamente através de uma fonte, fizeram saber que não acolheram de bom grado a escolha. A mesma tática, as mesmas razões, o histórico do árbitro da AF Évora em jogos da equipa portistas não é abonatório. Gostava de ver era um clube um dia sair indignado, ou desconfortável por uma nomeação em que o histórico seja abonatório.
Águias e dragões a jogarem na antecipação, não tenho dúvidas de que se houver casos a favor não vão ficar nada indignados, nem desconfortáveis. Já o leão, calado, também acredito que se mostrará indignado se se entender prejudicado… Invertida ou não, a lógica é sempre a mesma: quem não chora não mama. Por isso mais vale chorar para… mamar. Já ou depois."

Clubes profissionais: casamentos, batizados e depois a vida real


"Os clubes profissionais já foram à festa, tiraram a fotografia de família e prometeram que este ano é que é, «vamos mesmo almoçar todos». Amanhã recomeça a vida normal

Quem nunca vestiu um fato e enrolou uma gravata ao pescoço, enfiou um vestido ou fez um penteado, para ir a um casamento ou a um batizado e fazer boa figura, sem necessidade de aprofundar grandes laços com os outros convivas a não ser aqueles com que já se dá bem na vida de todos os dias, ou pelo menos na dos fins de semana em que amigos se juntam para conversar, comer e divertir-se?
A vida em sociedade exige-nos destas coisas, e se calhar até está bem assim. No dia do casamento do meu amigo eu abraço efusivamente o irmão dele com quem deixei de me dar há anos ou dou um beijinho na irmã que noutros tempos foi minha namorada, mesmo que ela me tenha maltratado ou a tenha maltratado a ela quando éramos miúdos. Porque o que conta é o irmão que se casa, o dia é dele.
Claro que no batizado da filhota daquele casal com o qual não convivemos há anos mas tem um primo afastado, e por isso estamos na lista-padrão de convidados, vamos dizer que a menina é linda e temos mesmo de encontrar-nos no próximo ano para conviver e pôr a conversa em dia. Depois vem a vida...
Com os clubes profissionais parece suceder algo parecido. Ficam espetaculares nas fotografias de grupo, muito bem vestidos por sinal, e transpira para fora da sala de reuniões (porque ninguém a não ser eles lá está para conferir) que a discussão foi elevada. Claro que pode e deve ter sido, é o mínimo que se pede a pessoas de bem com educação. Já quanto às reais intenções de cada um há todas as razões do mundo para duvidar delas.
Sorriem, cumprimentam-se, posam para fotografias e sabem onde estão as câmaras de TV que não vão cansar-se de filmá-los a cada oportunidade. Falar... bom, se calhar é melhor não.
Fica a falar sozinho o dono da festa, pelo qual todos têm respeito institucional no dia do encontro mas que alguns não se cansarão de destratar pelas costas nos dias que aí vêm.
Como se destratarão uns aos outros em todos os dias que se seguirão, mantendo o que fizeram em todos os dias que ficaram para trás.
Vão emitir comunicados e tentar envenenar, nas sombras, os caminhos que sabem que o adversário irá pisar.
Vão ser o que somos todos quando não há casamentos e batizados: egoístas e autocentrados. Depois há os funerais, claro. E aí todos somos muito conscientes do que «realmente importa». Pois..."

BI: Megafone - Voo Picado #3 - As expectativas europeias e a formação, c/ Ricardo Troncão

PortugueseSoccer: Liga Portugal Match Day 13, Derby Preview, World Cup Draw, Joao Felix & Rui Costa Controversy

Central: 1982/83: A Taça que o Benfica Conquistou nas Antas

DAZN: F1 - Antevisão - GP Abu Dhabi