Últimas indefectivações

quinta-feira, 21 de maio de 2020

5 reforços interessantes para o SL Benfica

"Mesmo com a incerteza que esta época ainda provoca, o mercado de transferências (se nada se alterar) está aí à porta. O SL Benfica tem várias posições carenciadas no plantel, como tal decidi elaborar esta lista de reforços. Nem todos os jogadores apresentados são “oficiosamente” pretendidos pelos encarnados. São apenas jogadores que poderiam preencher estas lacunas e estão ao alcance financeiro do SL Benfica (não temos ainda noção como será a situação financeira pós covid-19). 
Procurei que todos os jogadores apresentados tivessem qualidade para ser titulares e que preenchessem lacunas no 11 encarnado, portanto não há nenhum guarda-redes nesta lista.
A lista não está em nenhuma ordem particular.

Robin Koch
- Defesa Central
- SC Freiburg
- Alemão
- 23 anos
- Pé Direito
- 1,90m
Valor de mercado: 14,5M €
Robin Koch é já um namoro antigo do SL Benfica. A posição de defesa central é uma das mais necessitadas do plantel e Koch seria o homem ideal. A capacidade de construção (84% passes acertados) e a sua excelente leitura de jogo são algumas das suas melhores características. O alemão parece pensar o jogo à frente de todos os outros.
Defensivamente é um jogador forte na tomada de decisão (65% de eficácia de desarme) e raramente é encontrado fora de posição. Podia desempenhar, na perfeição, a função normalmente atribuída a Ferro. O negócio não será fácil face à forte concorrência vinda do estrangeiro, mas o SC Freiburg já definiu o preço exigido pelo internacional alemão: 10 milhões de euros.

Moahmmed Salisu
- Defesa Central
- Real Vallodolid CF
- Ganês
- 21 anos
- Pé esquerdo
- 1,91m
- Valor de Mercado: 11M€
Continuamos na posição de defesa central. Mohammed Salisu foi uma das grandes revelações desta temporada na La Liga. Salisu é um jogador muito forte fisicamente e quase intransponível (0,3 dribles sofridos por jogo). Mesmo ainda cometendo alguns erros, a sua capacidade defensiva está muito acima da média. A tranquilidade que dá ao setor defensivo é algo muito raro de observar num jogador tão jovem.
Ofensivamente o seu jogo é bastante promissor e tem demonstrado melhorias significativas ao longo da época (sobretudo no passe longo). O central ganês tem já vários tubarões bem atentos ao seu rendimento – nomeadamente o Manchester United FC. Salisu tem, alegadamente, uma cláusula de rescisão de 12 milhões de euros. Seria o substituto perfeito caso Rúben Dias decida sair de Portugal. 

Joakim Mæhle
- Defesa direito
- KRC Genk
- Dinamarquês
- 22 anos
- Pé Direito
- 1,85m
- Valor de Mercado: 8M€
A lateral direita da defesa é outro dos pontos fracos do plantel encarnado. Joakim Mæhle tem sido uma das muitas agradáveis surpresas na equipa do KRC Genk. O jovem lateral dinamarquês tem impressionado com as suas boas exibições, fazendo-se valer da sua velocidade e resistência sobretudo no momento ofensivo.
Defensivamente é igualmente competente, muito por culpa da sua elevada estatura e boa noção de posicionamento (tanto espacial como posicionamento dos apoios). O jovem dinamarquês traz sempre muita energia ao jogo. Mæhle conta já com alguma experiência de Liga dos Campeões, o que pode vir a ser muito importante. O Southampton FC e a Atalanta BC estão já de olho no internacional sub21 pela Dinamarca.

Adam Hlozek
- Segundo Avançado/Extremo
- AC Sparta Prague
- Checo
- 17 anos
- Pé Direito
- 1,87m
- Valor de Mercado 6,7M€
Adam Hlozek é uma autêntica pérola “perdida” no campeonato checo. Hlozek brilha sobretudo atrás do ponta de lança. O jovem é muito forte fisicamente e faz da sua capacidade associativa uma das suas melhores qualidades. É excelente a ligar o jogo.
Em frente à baliza Hlozek é letal. A sua capacidade de remate é invejável e o seu posicionamento ofensivo não fica nada atrás. Fisicamente é um jogador imponente, muito forte no jogo aéreo, mas é (surpreendentemente) móvel e técnico. Um jogador que poderia ser perfeito para desempenhar a função de segundo avançado no modelo de Bruno Lage. Até agora os tubarões europeus parecem estar desatentos, mas irão certamente aparecer muitos pretendentes para adquirir o passe do checo. 

Sebástian Córdova
- Médio Ofensivo/Extremo
- Club de Fútbol América
- Mexicano
- 22 anos
- Pé Esquerdo (Ambidestro)
- 1,73m
- Valor de Mercado: 2,4M€
Sebástian Córdova é outro candidato para ocupar o lugar de segundo avançado/médio ofensivo. O jovem mexicano tem impressionado e já chegou, na minha opinião, ao patamar dos melhores jogadores da Liga MX (México). Córdova é um jogador com uma qualidade técnica muito acima da média. No 1×1 é fortíssimo. O seu controlo de bola excelente, tornando quase impossível a tarefa de lhe retirar o esférico.
Córdova destaca-se muito pela qualidade que tem com ambos os pés (é praticamente ambidestro), tanto no passe como no remate. É mais um jogador de ligação do que propriamente o goleador, mas pode desempenhar a função de João Félix na perfeição."

Corrupção no desporto: Nada mais prático que uma boa teoria

"Não podemos, nunca, distanciarmo-nos do reconhecimento do desporto enquanto competição justa e igualitária, norteado por um conjunto de práticas inolvidavelmente éticas. 

O Problema
Ingenuamente poderá parecer que os “pequenos” ilícitos que gravitam nas diversas modalidades desportivas não terão relevância suficiente para gerar preocupações num quadro europeu, ou mesmo global.
Mas, em boa verdade, organizações líderes das modalidades desportivas têm manifestado preocupação com o envolvimento de actividades criminosas e, em particular, pelo crime da manipulação dos resultados na competição, com a agravante de todas estas situações apresentarem uma natureza transnacional. A corrupção e o branqueamento de capitais assumem também uma grande relevância neste contexto.
Todas estas preocupações e a procura de soluções para lhes fazer face têm sido evidenciadas nos textos de convenções fundamentais, como a Convenção para a Protecção dos Direitos Humanos e das Liberdades Fundamentais, a Convenção Antidopagem, a Convenção de Direito Penal sobre corrupção, e a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, entre outras.

A Teoria
Aos 18 de Setembro de 2014 foi assinada a Convenção do Conselho da Europa sobre a Manipulação de Competições Desportivas em Macolin – Suíça, razão pela qual é igualmente conhecida por “Convenção Macolin”.
A Convenção Macolin é um instrumento jurídico inovador e vinculativo sobre a cooperação internacional no combate à manipulação de competições desportivas. Até à data o único documento do direito internacional neste âmbito. Aborda uma panóplia de ilícitos, nomeadamente apostas ilegais, conflito de interesses e manipulação de resultados.
Diversos países, inclusivamente Portugal, participaram na ratificação deste documento jurídico, que vigora desde o dia 1 de Setembro de 2019.

A Prática
Menos ingenuamente, é perceptível que todos os países e todas as práticas desportivas estão fragilizadas perante este fenómeno, neste sentido a resposta deverá ser acompanhada de forma global.
E essa resposta, que vemos reflectida nos principais objectivos da referida Convenção, assume a preocupação de “impedir, detectar e sancionar a manipulação desportiva nacional ou transnacional…” e de “promover a cooperação internacional, entre as organizações públicas envolvidas, contra a manipulação das competições desportivas…”
Não podemos, nunca, distanciarmo-nos do reconhecimento do desporto enquanto competição justa e igualitária, norteado por um conjunto de práticas inolvidavelmente éticas. Comportamentos que contrariem este fio de conduta deverão ser banidos.
Para que este combate seja eficaz, cada modalidade deverá proceder a diversas medidas, como por exemplo a adopção de códigos de conduta, a dinamização de acções de formação e sensibilização e campanhas de fiscalização de controlo, entre outros procedimentos.
Cada federação deverá analisar as fragilidades inerentes a cada modalidade. É lógico perceber que um desporto individual (e.g. Ténis) está mais sujeita aos resultados combinados que uma modalidade colectiva.
Em território nacional, mais concretamente, pela voz do Comité Olímpico de Portugal foi lançado um programa de integridade, que, a par da directiva europeia, procura combater o fenómeno da corrupção desportiva nas suas diversas componentes.
Neste âmbito a colaboração de instituições com preocupações no âmbito da fraude e da corrupção, como o OBEGEF – Observatório de economia e Gestão de Fraude – poderá ser pertinente e útil no reforço e divulgação de aviso e alertas e na procura de soluções potencialmente mais adequadas.
É urgente uma abordagem mais científica e mais quantificável sobre estes fenómenos."

E se houvesse um registo de episódios mais escabrosos? E um dicionário com todos os impropérios? (..) pede mais abertura no futebol

"Está mais do que provado. Uma das formas mais eficazes de mostrar clareza de processos é abrir o jogo.
Na arbitragem, eternamente sob brasas, isso só se faz com mais e melhor comunicação para o exterior.
"Ninguém desconfia do que conhece, mas todos suspeitam do que não conhecem". Esta é uma verdade eterna, intrínseca à nossa natureza. À natureza humana.
Vem isto a propósito da imagem negativa dos árbitros. Esse carimbo não nasceu hoje mas no dia em que se decidiu que o futebol precisava de regras e de alguém que zelasse por elas.
Até ao seu aparecimento, a bola rolava com liberdade. Sem restrições. Não havia cartões nem protestos. Quando um jogador gritava "falta", todos os outros paravam (mesmo os que tinham nervos a mais ou oxigénio a menos).
Era um pouco como acontece hoje, quando meia dúzia de vizinhos se juntam para jogar à bola ou quando os miúdos aproveitam o intervalo para improvisar uma peladinha.
Mas o crescimento do jogo foi rápido e, a determinada altura, o mero "falta, pára tudo" deixou de ser eficaz. Não se ouvia. Não se respeitava.
Está fácil de perceber porque é que os primeiros árbitros foram apelidados de desmancha-prazeres. Eles caíram de paraquedas e "estragaram" a pureza selvagem do jogo. Arruinaram a essência das jogatanas duras, para homens de barba rija, onde a perna só acabava no pescoço.
Daí a malandros, ladrões e corruptos foi um saltinho.
O respeito inicial (sol de pouca dura) deu lugar à contestação e, depois, ao empurrão e à agressão. 
Nota pessoal: o Governo devia aprovar um decreto-lei que obrigasse à criação de um registo com a descrição dos episódios mais escabrosos que os árbitros passaram em campo. E devia aprovar outro que impusesse a redacção de um dicionário onde estivessem compilados todos os impropérios de que são alvo.
Seria um espólio de valor (gramaticalmente) incalculável. Acreditem.
Entretanto, o espectáculo agigantou-se, industrializou-se, despertou interesses maiores. Os meios de escrutínio cresceram tanto que hoje é mais fácil um adepto encontrar uma agulha num palheiro do que um árbitro um penálti numa área.
Perante este cenário e sem perspectivas de melhoria à vista - o povo ainda acha que a beleza do futebol está na polémica que o rodeia e não no brilho que produz em campo - a única forma de minimizar danos é mostrar a quem está cá fora que não há nada a esconder. Porque, de facto, não há. 
A arbitragem é uma classe imprescindível porque sem árbitros não há jogos.
Tudo o que a compõe, rodeia e faz mover obedece a critérios, regulamentos e códigos deontológicos bem definidos.
Se tanta gente põe em causa nomeações, avaliações e decisões, porque não desmontar tudo isso, mostrando-lhes que por trás de cada opção há uma razão? Porque não desmistificar o erro, explicar a regra, reconhecer a falha, valorizar o acerto?
Estes são tempos diferentes. São os tempos dos tweets do Trump, das selfies do "Marcelo" e das stories do Papa. A coisa está de tal modo avançada que até o Vaticano criou o E-Terço. Sim, leram bem: o E-Terço!
A opção mais sensata de quem é sensato é apanhar o comboio e seguir o mesmo caminho.
Saber comunicar para fora é uma arma poderosa quando bem utilizada, porque desfaz equívocos, dilui suspeitas e esclarece dúvidas.
Não apagará as críticas à competência nem domesticará os acéfalos com um só neurónio, mas aumentará a tolerância de muitos e diminuirá os ataques à idoneidade de quem está lá dentro.
A ideia, obviamente, não é pôr os árbitros nas flash interview, em conferências de imprensa ou a dar entrevistas diariamente. É encontrar formas inteligentes, planeadas e consistentes de mostrar o que pode e deve ser mostrado para quem está deste lado.
Os adeptos, a imprensa e até os agentes desportivos gostam de ouvir, perceber e ver o que desconhecem com os próprios olhos. Isso conforta-os, acalma-os, devolve-lhes crença e confiança.
Se é disso que precisamos para dar um passo em frente... estamos à espera de quê?"

O futebol como um filme de Dreyer

"Para mim, o Signal Iduna Park sempre se chamou Westfalenstadion, desde os tempos do Paulo Sousa e do Lars Ricken, mas para mim o futebol também sempre teve adeptos, não ter adeptos era sinal de castigo, mas como a covid-19 nos castigou a todos sem excepção, dos bem aos mal-comportados, se calhar está na hora de começar a falar do Westfalenstadion como Signal Iduna Park, até porque o Westfalenstadion costumava ser um dos mais barulhentos estádios da Europa e no sábado foi um sítio de silêncios, ou se não silêncios pelo menos de sons aleatórios que estamos habituados a ver e não a ouvir.
Como o som seco do pé a bater numa bola, o insulto que escapa e que antes só liamos nos lábios, como o grito do treinador a corrigir um posicionamento defeituoso. São estes os novos tempos. 
Normalmente, nada disso se ouve porque para lá do rectângulo há milhares e milhares de alminhas a cantar e saltar e sem elas o futebol é um conjunto de silêncios pintalgados por sons desconexos, vazios. E ver o Borussia Dortmund - Schalke 04, um dos mais assanhados dérbis da Alemanha, sem aquela parede de som em tons de amarelo que dantes vinha do topo sul do Westfalenstadion foi desconcertante, no pior dos sentidos possíveis. Sem conseguir abstrair-me daqueles barulhos randómicos, fortuitos, que fazem parte do jogo mas não são o jogo, desliguei-me do dérbi, vagueei à procura de no meu cérebro reunir os pedaços em que se tornou a experiência pós-moderna de ver um jogo de futebol. O futebol está de regresso, dois meses depois, e eu, que nem sou de andar de punho fechado a bater no peito a dizer que sem adeptos isto não vale a pena, estava disposta a desistir. 
Acontece que é sempre possível dar a volta a este novo normal. A conselho do meu amigo Diogo Santos, que além de melómano também escreve desempoeiradamente, como eu gosto (e podem comprová-lo aqui e aqui), liguei a coluna e dei uma banda sonora ao jogo. Foi rock, talvez pudesse ser outra coisa, o certo é que cumpriu o propósito, encheu aquilo que era incongruente, deu volume a um estádio cheio de vácuo. E assim voltei a concentrar-me no futebol.
Cada um dá o sentido que pode àquilo que, aparentemente, parece não ter sentido algum.
Há um filme que gosto muito, quase tanto ou mais que dos meus jogos de futebol preferidos. Chama-se "A Paixão de Joana d'Arc" e ainda é do tempo em que o cinema só se fazia de gestos e olhares. Ao longo de todos estes anos, muita gente tentou musicá-lo, Richard Einhorn, Will Gregory e Adrian Utley, a pianista japonesa Mie Yanashita. Nunca vi qualquer uma dessas versões, só a totalmente muda, no breu do cinema, embora reze a lenda que, em 1928, Carl Theodor Dreyer terá imaginado aquelas quase duas horas de martírio da heroína francesa como uma experiência sonora e que só não o fez por falta de dinheiro. Talvez a música tornasse ainda mais agónica aquela viagem, revolucionasse ainda mais as nossas entranhas.
Não sei se o filme de Dreyer precisa de som. Até este fim de semana acreditava que não, que estava tudo nos close-ups e nos olhos de Maria Falconetti, mas talvez a Bundesliga me tenha alertado que todas as experiências podem ser melhoradas, mesmo que na cara de Erling Braut Haaland, nórdico como Dreyer, marcador do primeiro golo do pós-pandemia, haja um nada quase tão grande quanto o silêncio dos estádios.
Ele fez o primeiro de quatro golos com que o Borussia derrotou o Schalke 04 no dérbi do aço e do carvão e festejou ao longe, com uma estranha dança e os colegas à distância. Em outros jogos rapidamente se esqueceram as recomendações, houve abraços e até beijos e, por muito que isso nos preocupe, o jogador é humano e essas são as únicas partes que não precisam de música, porque nos lembram da verdadeira normalidade, aquela de que queremos gozar o mais rapidamente possível. Naqueles abraços há tanta alegria quanto há sofrimento nos olhos de Falconetti e não existe guitarra ou orquestra que hiperbolize ainda mais tal coisa.
Mas, para já, é esta a realidade. Continuarei a dar uma banda sonora ao futebol, para tornar mais suportável o seu silêncio. Nas tão prosaicas quanto pragmáticas palavras de Lewis Hamilton, que também se vê na iminência de tentar um sétimo título mundial na Fórmula 1 sem ninguém nas bancadas a ver, olhem, "é melhor do que nada"."

A Bola da Noite...

Benfiquismo (MDXXXI)

Postura...

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Golo: Lima

#HomeTeam Jonas

O domingo das lágrimas azuis

"Talvez o mais duro dos títulos benfiquistas: o de 1955. A quatro minutos do fim, nas Salésias, o Belenenses era campeão. Depois, Martins (Sporting) fez o enorme. Lado a lado no primeiro lugar na tabela, com 39 pontos, a vantagem foi para o Benfica, que ganhou ao Atlético por 3-0

'Último capítulo de um romance de vibração que nos prendeu a todos até a derradeira página', podia ler-se na capa do Diário de Lisboa.
E continuava: 'Na realidade, o fecho do torneio, com aspectos de verdadeira girândola final, disputou-se em condições inéditas, com o ambicionado título a gravitar entre três das mais poderosas equipas. Pode dizer-se que nunca, como se verificou hoje, o desfecho da grande prova esteve dependente de dois encontros jogados no último momento. E avalie-se o frisson de que deviam estar possuídos os componentes das quatro equipas que tinham nas mãos o desempenho dos papéis principais'.
Dia: 24 de Abril de 1955.
Facto mais destacado da jornada: se o Belenenses vencesse o Sporting nas Salésias, seria campeão nacional.
O Sporting tinha ainda a hipótese ínfima de ser campeão: precisava de vencer em Belém e esperar pela derrota do Benfica em casa, frente ao Atlético.
O Benfica precisava de bater os de Alcântara e esperar que o Belenenses não ganhasse: tinha vantagem no confronto directo no caso de ficarem ambos empatados.
Aos 31 minutos, Águas fez 1-0 na Luz.
O Benfica ia cumprindo o seu trabalho. De ouvidos postos nas Salésias, os espectadores sintonizavam os radiozinhos de pilha. As notícias não eram boas. O jogo era de equilíbrio, mas o Belenenses superiorizava-se aos leões.
Logo aos 3 minutos, o argentino Perez, a passe de Dimas, já tinha batido Carlos Gomes. Preparava-se a grande festa azul. Repetir-se-ia a romaria de 1946?
O ataque encarnado caía sobre a defesa de Alcântara com a teimosia de um martelo pneumático. Germano era um gigante com a camisola branca, barreira inicial de protecção à baliza de Ernesto.
Arsénio, Coluna, Águas e Zezinho estavam irrequietos, excitados como uma alcateia de lobos famintos. Não seria por eles que o Benfica iria perder o campeonato.
As notícias que vinham lá da beira-Tejo era agradáveis. Albano empatara, de penálti, os encarnados estavam na frente desta corrida vertiginosa.

O delírio do público
Logo no início do segundo tempo, Calado recebeu uma bola na directa e forçou a confronto directo com Vítor Lopes. O cruzamento saiu alto, Ernesto atirou-se com precipitação, a bola foi bater o joelho de Germano e entrou na baliza deserta.
Que injustiça para Germano, esse defesa elegantíssimo que precedeu em estilo todos os Beckenbauers que haveriam de surgir na década seguinte.
Já ninguém tinha dúvidas quanto ao vencedor do encontro da Lua. No minuto seguinte, Águas com um pontapé firme, fez o 3-0.
A partir, cada vez mais, era tempo de aguçar os ouvidos. Nas Salésias, o jogo ferve. Está por cima o Belenenses, Di Pace fura por aqui e por ali com as suas fintas primorosas, Matateu é sempre um perigo constante.
De cabeça, faz o 2-1. Dimas novamente decisivo.
E Matateu, claro, sempre Matateu. É ele que, aos 22 minutos do segundo tempo, marca novo golo que é de pronto anulado pelo árbitro. Domingos Miranda, do Porto. Protestos agressivos do povo. Os remates do moçambicano são frequentes e perigosos. Mas carecem de pontaria.
Talvez isso tenha feito os leões acreditarem...
Faltam quatro minutos para o final dos jogos. Mokuna, o Fura-Redes, avançado vindo do Congo Belga, tem um dos seus pontapés tonitruantes. José Pereira defende como pode. Martins aproveita e faz 2-2 na recarga.
Na Luz, o golo do Sporitng foi recebido com foguetes. Uma onde entusiasmo tomou conta dos adeptos e estendeu-se aos jogadores. Houve alguns espectadores que invadiram o campo, procurando abraçar os seus atletas, a confusão instalou-se por momentos, o jogo foi interrompido, a polícia teve de intervir.
Os últimos minutos são simples pró-forma. O Benfica já é campeão quando o árbitro apita para o final. O relvado foi tomado de assalto. Os jogadores encarnados e o seu treinador, Otto Glória, são levados em ombros. As aclamações enrouquecem gargantas. Atiravam-se serpentinas, gritava-se 'Viva o campeão!', toda a gente se abraçava numa alegria incontida.
O cronista estava lá e registou, no meio do salsifré: 'Finalmente acabou esta arrasante campeonato - e em glória! A vitória do Benfica, que fez delirar, muito humanamente, a multidão incontável dos seus entusiásticos adeptos, assenta bem no brioso grupo dos encarnados, com o aliciante de o último passo para a sua conquista ter sido dado no belo anfiteatro da Luz, como padrão eloquente do esforço generoso do grande clube português'.
Nas Salésias, sobravam lágrimas.... Azuis."

Afonso de Melo, in O Benfica

Cara ou coroa?



"O Benfica viu gorada a sua aspiração europeia por lhe ter calhado a face errada da moeda

Na temporada 1969/70, o Benfica, após ter eliminado o KB Copenhaga na 1.ª eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus, defrontou o Celtic. Na 1.ª mão, os 'encarnados' deslocaram-se à Escócia e foram surpreendidos, sendo derrotados por 3-0. Ainda assim, os adeptos confiavam que os benfiquistas dariam a volta ao resultado em casa.
Contudo, o trevo de quatro folhas do símbolo dos escoceses parecia estar a captar toda a sorte para o seu lado. Dias antes do jogo da 2.ª mão, ficaram confirmadas as ausências de Humberto Coelho e Torres pode lesão. E no dia da partida, a 26 de Novembro de 1969, Eusébio estava com '30 graus de febre', a implorar para jogar. O treinador do Benfica, Otto Glória, fez-lhe a vontade. O 'Pantera Negra' abriu o marcador, mas saiu ao intervalo, quando os benfiquistas venciam por 2-0. No segundo tempo, Diamantino aumentou a vantagem, igualando o resultado na eliminatória. O encontro foi para prolongamento, sem que alguma das equipas alterasse o placard.
Desta forma, foi necessário recorrer-se à moeda ao ar para se apurar o vencedor. na cabine do árbitro holandês, Laurens Van Ravens, a moeda foi lançada uma primeira vez, para se saber quem teria direito a escolher o verso da moeda para a decisão do clube vencedor, e a sorte sorriu ao Celtic. O capitão dos escoceses, McNeill, optou pelo mesmo lado, o que deu alguma esperança a Coluna, 'que ficou convencido de que o Benfica seria apurado pois não acreditava que voltasse a cair do mesmo lado da moeda'. A verdade é que, na escolha entre verde e encarnado, a sorte teimava em optar pelo verde, saindo a mesmo face da moeda.
A eliminação gerou enorme insatisfação tanto na comitiva do Benfica como na imprensa nacional. Eusébio vociferou: 'moeda ao ar... que hei-de de dizer? Mais uma vez, fomos eliminados num prolongamento. Mas... não foi pelo jogo. Foi por uma «estúpida» moeda'. Fernando Cabrita criticou este método: 'no Benfica, esta época, foi na «Taça de Honra» no ano passado, foi na «Ribeiro dos Reis». Acabem com «isto» da morda ao ar'. Mário Zambujal corroborou com a ideia de se pôr termo a esta prática, principalmente numa competição com 'grandes interesses financeiros', afirmando 'que o Benfica perdeu por ter escolhido a face errada. Que o Celtic ganhou por ter apostado na outra. Talvez poucas vezes tenha acontecido, mesmo em Monte-Carlo ou Las Vegas, jogar-se assim, numa fracção de segundo, uma tal fortuna'. As críticas a este método surtiram efeito e, a 5 de Maio de 1970, a UEFA aboliu esse sistema das suas competições. Assim, Benfica e Spartak Trnava, que tinha sido eliminado no mesmo dia que os 'encarnados', foram os últimos clubes a perderem na moeda ao ar. Saiba mais sobre esta competição europeia na área 12 - Honrar o País no Museu Benfica - Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Aimar & Saviola...

Recordações: Paneira...

Reabertura das Casas do Benfica

"A extraordinária evolução do Sport Lisboa e Benfica nas últimas duas décadas é indissociável da implementação e dinâmica do projecto das Casas do Benfica e de todos os que trabalham diariamente em prol das Casas.
As nossas Casas são hoje um activo imprescindível do Clube, essenciais na expansão e fixação do benfiquismo e relevantes para as receitas de quotização, merchandising e bilhética. Mas a sua esfera de acção extravasa o universo benfiquista, assumindo, paralelamente, um papel determinante nas comunidades locais, agora, devido à pandemia, ainda mais visível.
As consequências do combate ao coronavírus também se fizeram sentir nas nossas Casas. A esmagadora maioria das 298 Casas (261 em Portugal) em actividade viu-se obrigada a fechar portas, seguindo as regras impostas pelo Estado. Houve, no entanto, onze delas que se mantiveram em funcionamento, apesar das restrições a que foram sujeitas.
Porém, com ou sem portas abertas ao público, foram muitas as que não se limitaram a aguardar por melhores dias, assumindo a responsabilidade de contribuírem para a mitigação de problemas sociais surgidos ou agravados nas suas comunidades durante o período de confinamento.
Aqui ficam alguns exemplos que tivemos conhecimento: Algueirão – Mem Martins e Sport Newark e Benfica serviram refeições; Arouca, Bruxelas, Canas de Senhorim, Fundão, Golegã, Porto, São Brás de Alportel, Sport Newark e Benfica e Sport Algoz e Benfica doaram alimentos; Belmonte e Murtosa doaram dinheiro; Marco de Canaveses, Paredes e Vila Real de Santo António recolheram material informático; Lamego, Mortágua, Moura, Ovar e Sport Vila Real e Benfica ofereceram equipamentos de protecção; Portalegre colocou a sua sede à disposição no combate e distribuiu arroz doce; Porto ofereceu roupas e Marco de Canaveses disponibilizou água.
Muitas mais acções foram acontecendo um pouco por todo o país. É um orgulho constatarmos que estes dedicados benfiquistas espalhados pelo mundo honram o nome do nosso Clube através de acções como as acima descritas para combatermos um mal que afecta todos nós.
E, como não poderia deixar de ser, a “casa-mãe” não poderia ficar indiferente a estas acções de solidariedade e às dificuldades inerentes ao momento em que vivemos. O vice-presidente Domingos Almeida Lima, responsável pelo pelouro das Casas, anunciou um conjunto de medidas que visam apoiar este elemento fundamental de desenvolvimento do Sport Lisboa e Benfica.
Assim, o Clube disponibilizará material sanitário, viseiras, vidros de protecção e sinalética, entre outros. Foram também suspensos os pagamentos relativamente ao merchandising vendido nas Casas. Foi assegurado o licenciamento informático que permite às Casas ligarem-se ao Clube e houve ainda algum auxílio no financiamento da adaptação aos novos requisitos de funcionamento.
Agora, gradualmente, 39 delas anunciam a sua reabertura numa retoma que, estamos certos, demonstrará que o projecto das Casas do Benfica está bem vivo e recomenda-se. Os mais de 40 mil atletas de cerca de 46 modalidades continuarão a beneficiar da acção das Casas, assim como as centenas de pessoas que encontraram nestas o seu posto de trabalho.
Obrigado a todos os que se dedicam diariamente às Casas, é também graças a vós que o Sport Lisboa Benfica se vai tornando cada vez mais forte!
#PeloBenfica"

Benfica Podcast #364 - Sergiu Anton

Época de Hóquei em Patins 2019/20

"A época de Hóquei em Patins terminou e é altura de fazer uma introspecção à temporada que passou.
Esta seria a época de afirmação do novo treinador do Benfica, Alejandro Domínguez. O plantel em relação à temporada anterior teve apenas uma saída, de Miguel Rocha para o Barcelos, e teve duas entradas, o defesa espanhol de 29 anos Edu Lamas do Liceo e o regresso do avançado português de 23 anos Gonçalo Pinto que tinha estado emprestado ao Valongo. Ambos revelaram-se grandes mais-valias. O Gonçalo Pinto assinou 15 golos e foi o nosso 5º melhor marcador, o que para um jogador que supostamente iria ser o 11º elemento do plantel é muito bom. O Edu Lamas foi o melhor defesa do Campeonato juntando ainda mais 11 golos.
Internamente a época foi positiva. Estávamos em primeiro com 19 jogos, 16 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, num Campeonato super equilibrado. A grande desilusão foi o empate contra o HC Braga fora de casa, que em abono da verdade também venceu o Porto e empatou com o Barcelos - ou seja numa era uma equipa qualquer. Perdemos em Barcelos num jogo que não nos saiu muito bem e no Porto com alguma falta de sorte. Mas ganhámos à Oliveirense e ao Sporting em casa. por 8-3 e 6-3. O nosso calendário era mais difícil que o do Sporting, mas creio que o Campeonato se iria decidir no jogo no João Rocha. Se empatássemos ou ganhássemos esse jogo teríamos boas chances de sermos Campeões. Na Taça de Portugal jogámos apenas duas eliminatórias contra uma equipa da 3º Divisão, o Lavra de Matosinhos, e da 2º Divisão, o Alenquer. Estávamos nos oitavos-de-final.
Lá fora, jogámos a Liga Europeia num grupo com o Barcelona e tivemos dois jogos onde foi possível ver quem são as duas melhores equipas a praticar Hóquei em Patins no mundo. Empatámos em Barcelona 5-5 e perdemos 4-2 na Luz - foi o único jogo que o Barcelona não ganhou em casa nesta temporada. Os outros três jogos ganhámos. Iríamos cruzar com o FC Porto nos quartos-de-final da Liga Europeia, o Sporting estava praticamente eliminado, o que significa que possivelmente poderíamos ter ido à Final da Liga Europeia, se batessemos o FC Porto.
A nível de individualidades, esta época foi um grande salto qualitativo em relação ao ano passado. Lucas Ordoñez foi o nosso melhor marcador na Liga Europeia (7 golos, 4º melhor da prova) e do Campeonato (20 golos, 6º melhor da prova). O Benfica teve o 2º melhor ataque (atrás do Porto) e a 2º melhor defesa (atrás do Sporting) do Campeonato. Diogo Rafael voltou a ser um dos jogadores mais influentes dos dois lados do campo. Pedro Henriques, Carlos Nicolía e Jordi Adroher melhoraram bastante em relação ao ano passado. Valter Neves não mostrou sinais da idade e teve uma das melhores temporadas com a camisola do Benfica. Gonçalo Pinto conquistou o seu espaço. Vieirinha continuou a mostrar sinais de evolução. Mesmo Marco Barros, quando Pedro Henriques não jogava, esteve a bom nível. O único jogador abaixo das expectativas foi Albert Casanovas.
Na próxima temporada, vai haver poucas mudanças. Pedro Henriques vai continuar a ser o dono da baliza e Marco Barros já renovou. Diogo Rafael também já renovou. Lucas Ordoñez, Carlos Nicolia, Edu Lamas e Gonçalo Pinto têm contrato. Vieirinha deverá renovar. Albert Casanovas já saiu, consta que tem um problema físico crónico nas costas. Jordi Adroher também deverá sair, apesar de ainda ter contrato. Para os seus lugares deverão entrar o argentino Danilo Rampulla de 21 anos, que emprestámos ao HC Braga esta temporada, onde marcou 17 golos, e o internacional português de 25 anos Xavi Cardoso que também esteve emprestado à Sanjoanense. A partir daqui já não restam muitas dúvidas.
Vamos ficar sem um avançado de área e ganhar mais um jogador a jogar por fora. Casanovas deu tudo pelo clube, mas nestes dois anos acrescentou pouco ao Hóquei do Benfica. Este ano foi até, de longe, o menos utilizado. Jordi Adroher baixou bastante o rendimento em relação aos primeiros três anos. Danilo e Xavi são sangue fresco para ficar no clube por muitos anos. Danilo pode mesmo estar no Benfica mais do que uma década. A equipa foi claramente vítima do covid-19. Haverá um corte no orçamento significativo. Mas a nível de talento parece-me que vamos estar mais fortes. Agora depende como é que o Alejandro Dominguez vai trabalhar o avançado de área. Neste momento o único jogador que parece capaz de fazer essa posição é Gonçalo Pinto.
O FC Porto vai estar melhor na próxima temporada. O Sporting parece ter algumas incerteza no plantel. O Campeonato vai continuar a ter um nível alto, mas desta vez com uma Oliveirense provavelmente mais fragilizada. Vamos ver como é que os plantéis vão fechar. Mas uma coisa é certa: o Benfica vai estar na luta."

A Mão de Vata (Vazio)

"O campeonato vai regressar em Junho à porta fechada. Depois de ter visto alguns minutos de jogos da Bundesliga nestes preparos, já consegui identificar algumas vantagens e desvantagens de jogar com as bancadas da Catedral vazias:
Vantagens:
1. O SL Benfica vai poupar milhões de euros em multas por mau comportamento dos adeptos.
2. O Tiago Martins não vai poder dizer que tem hematomas no peito provocados por moedas que encontrou no relvado.
3. O Ferro e o Grimaldo já vão conseguir ouvir as indicações que dão um ao outro... espero eu.
4. Ausência total de olheiros internacionais a emitir relatórios que levam os nossos craques para outras paragens.
5. Podemos aproveitar as últimas jornadas para limpar os castigos de jogos à porta fechada que temos pendentes.
Desvantagens:
1. Não vão ecoar no Mundo os trovões de gritos de golo do Povo Glorioso.
2. As nossas crianças vão ficar expostas a todas as caralhadas que o Rúben Dias utiliza para orientar o sector defensivo.
3. Milhões de telespectadores vão ouvir horrorizados, o próximo estalo do menisco do Gabriel.
4. O Diabo de Gaia e o Papa do Benfica serão durante 10 jornadas, dois cidadãos comuns da sociedade portuguesa.
5. O Eliseu não vai poder entrar com a mota no relvado nos festejos do título."

Fundação...


"A Fundação Benfica tornou-se parceiro principal do projeto Student Keep!
Se tens equipamentos informáticos que possas doar ou necessitas de computador para o ensino à distância, informa-te em http://studentkeep.org."

Tudo normal...!!!


Vergonhoso...

"Porto Canal a sacar perto de 25K de apoio do estado.
Tudo normal para:
- Um canal detido pela FC Porto Média SA;
- Um canal que é utilizado como veículo de propaganda, manipulação e ódio pela comunicação do FC Porto;
- Um canal condenado em tribunal pelo crime de divulgação de conteúdo privado (emails);
- Um canal, outrora com qualidade e propósito, que infelizmente, foi capturado para fins que representam um clube e não a sua região.
É por tudo isto que andam em constantes encenações e alegadas guerras que não existem, servindo apenas o propósito de camuflar o poder de sempre.
Afinal de contas, o que sustenta canais de TV, centros de estágio e permite um poder que ultrapassa todas as regras e leis?"

Concorrência desleal...

"Não ficamos admirados. Porto e fair play nunca conjugaram bem.
Um clube perto da falência, que vive num clima de impunidade e vale tudo. Isto explica o desespero e todo o tipo de manobras para desviar atenções."

Faltam 15 dias

"De segunda a domingo, durante toda a semana, as nossas noites vão ser preenchidas pelos jogos que nos fizeram falta no decorrer dos dois meses em que todos ficámos confinados em casa.

Quando Carlos Pereira, presidente do Club Sport Marítimo, partiu para a “guerra” da escolha dos estádios estava certamente convencido de que sairia vencedor, mesmo sabendo que iria debater-se com muitas resistências, por razões compreensíveis e já conhecidas.
Agora que essa etapa está concluída, outros problemas irão certamente surgir até que, definitivo, todos estejam de acordo com tudo.
O transporte das equipas continentais e insular, o modo como os árbitros se deslocarão até à capital madeirense, quem irá suportar todos os custos, são questões que um debate sério e consciente irá rapidamente ultrapassar como aliás se deseja.
E falta, claro, outra decisão importante, que tem a ver com a escolha dos estádios onde se realizarão os noventa jogos em falta.
Sabendo-se que não sido possível alcançar unanimidade, o que se espera é que os decisores actuem com justiça sem beneficiar os mais fortes nem prejudicar os mais fracos.
E depois virão, finalmente, os jogos, em todos os dias e para todos os gostos.
De segunda a domingo, durante toda a semana, as nossas noites vão ser preenchidas pelos jogos que nos fizeram falta no decorrer dos dois meses em que todos ficámos confinados em casa.
As equipas participantes já iniciaram entretanto os treinos de conjunto cumprida uma fase preliminar de preparação individual.
Para muitos, trata-se de um curto período, tendo em conta que o reatamento do campeonato da primeira Liga se fará daqui por quinze dias.
Vale a pena recordar que dos primeiros oito jogo disputados na Bundesliga saíram lesionados seis jogadores, todos eles por razões de ordem física.
Ou seja, depois de um longo período de confinamento o tempo de adaptação deveria ter ido mais além.
É talvez por essa razão que na Itália o Presidente do Sindicato dos Jogadores exige que a Série A não seja retomada antes de pelo menos quatro semanas de preparação dos jogadores de todas as dezoito equipas participantes."

Gonçalves & Horn...

A Bola da Noite...

Benfiquismo (MDXXX)

Treino...!!!

Golo: Rafa

Obrigado, Capitão... A gente vê-se nas bancadas!!!

Tetra do Paulo Lopes !!!

terça-feira, 19 de maio de 2020

Troféu...

Laços de futuro

"À comemoração da efeméride do Tetra, seguiu-se a da Reconquista, com a BTV a continuar a dar voz a protagonistas desses feitos. Ontem foi a vez de João Félix, um dos principais artífices do título conquistado na temporada passada, muitíssimo elogiado por Luisão e Jonas, também na BTV, há poucos dias.
O extraordinário jogador, que mereceu a atenção de todos os clubes com maior capacidade de investimento no defeso passado, esteve acompanhado do seu irmão, Hugo Félix, atleta da nossa formação e um dos que vão demostrando terem maior potencial de um dia poderem vir a tornar-se jogadores profissionais de futebol, sempre com a ambição de chegarem à equipa A do Benfica.
Por estes dias, além de João Félix, também Nélson Semedo, Gonçalo Guedes e Renato Sanches deram o seu testemunho acerca da importância crucial que o Benfica teve nas suas carreiras, da responsabilidade, felicidade e orgulho de representarem o clube do seu coração, manifestando igualmente o desejo de, um dia, ainda na plenitude das suas capacidades, regressarem ao clube que tanto lhes deu e do qual são adeptos.
O benfiquismo assumido por estes atletas, não obstante se tratar de profissionais, é incutido a todos os jovens que desenvolvem as suas capacidades futebolísticas no Seixal. Os valores do Benfica são transmitidos a todos, ficando reservado para os que chegam à equipa A o estágio final de aprendizagem, através dos jogadores mais experientes, do que significa ser, na prática, um representante, em campo, de milhões de benfiquistas, e a quem é exigido, simplesmente, ganhar, ganhar, ganhar!
Este destaque dado aos nossos antigos jogadores na BTV não é obra do acaso. Pelo contrário, é estratégico e estende-se aos restantes meios de comunicação do Clube. Como todos tivemos oportunidade de observar, o BPlay tem oferecido conteúdos exclusivos e inovadores, permitindo um acompanhamento próximo do regresso aos treinos da nossa equipa. Também o site e as redes sociais do clube têm dinamizado esta vertente comunicacional, com o jornal a consolidar semanalmente muitos destes conteúdos.
O Benfica considera absolutamente fundamental que o protagonismo seja dado a quem efectivamente o deve ter, os jogadores e os treinadores. São eles quem são admirados por todos nós e têm a oportunidade de, em campo, defender as nossas cores e emblema. Queremos estimular cada vez mais o benfiquismo e a paixão pelo desporto, sabendo nós muito bem quem faz sonhar as crianças e as inspira e motiva a perseguirem os seus sonhos.
Entretanto, esta semana, recomeçaram os treinos de conjunto da nossa equipa, seguindo a preceito as normas acordadas entre Federação, Liga e Direcção-Geral da Saúde, com vista à retoma das competições em 4 de Junho. No último fim de semana observámos o regresso da Bundesliga, oferecendo-nos a possibilidade de retirarmos ensinamentos valiosos para os próximos passos no futebol português.
Todos juntos, a pouco e pouco, conseguiremos ultrapassar as dificuldades. E, no nosso caso em particular, estamos muito focados nas onze finais que teremos pela frente.
#PeloBenfica"

O eterno mito do retorno

"Há muito que a sociologia da emigração alimenta a hipótese de que o regresso ao país é mais uma construção mitificada do que uma realidade concreta. No mundo do futebol não é muito distinto. Os jogadores saem, para garantir o futuro financeiro e, já agora, para encontrar quadros competitivos mais interessantes, mas vão sempre deixando cair a ideia de que gostariam de voltar um dia para jogar pelo clube do coração.
Só que a ideia do jogador adepto, destinado a retomar a casa, alimenta sonhos nos seguidores de cada clube, mas nunca se concretiza. Talvez, na verdade, não seja bem assim: há excepcionalmente jogadores que regressam, mas, quando de facto o fazem, e já tarde e serve mais para frustar expectativas do que para devolver a glória em campo.
Durante as últimas semanas não faltaram declarações sentidas de jogadores, demonstrando amor aos clubes de origem. Porventura intensificadas pelo confinamento, certamente ainda mais difícil para quem é emigrante. Na semana passada, numa animada conversa na BTV, três filhos do Seixal não escaparam à tendência. Entre memórias das conquistas de água ao peito, Gonçalo Guedes, Nelson Semedo e Renato Sanches deixaram a promessa: regressar ainda com capacidade de conquistar títulos. Renato afirmou mesmo 'não querer regressar muito velho'. Nélson assegurou que 'gostava de voltar ainda capaz de dar tudo e ajudar' e Guedes confessou que 'podemos jogar noutro clube qualquer, dar o máximo. Mas jogar no clube do coração é diferente. Sentimos amor à camisola e isso faz a diferença'.
Possivelmente, reside aqui a chave para cumprir a promessa de conquistas europeias com base no Seixal. Como resulta óbvio, reter talento é uma impossibilidade, mas talvez haja margem para fazer regressar talento.
Não digo que isso aconteça aos 25 ou 26 anos, mas com a dose certa de ambição e esforço financeiro, o Benfica terá condições para fazer regressar alguns dos jogadores formados no Seixal ainda antes do ocaso das suas carreiras. Não é difícil pensar em algumas soluções criativas que concederiam os incentivos certos para promover alguns regressos (ninguém ficaria chocado se o tecto salarial fosse ultrapassado e se existissem prémios adicionais para contratar jogadores com muitos de Benfica).
Uma equipa madura e com identidade será a melhor forma de continuar a acolher jovens jogadores vindos da formação mas dará também garantias de maior competitividade. Para que tal fosse possível, era necessário afastar de vez o princípio errado de que não se pode contratar jogadores maduros e voltar a dar prioridade ao retorno competitivo. Pode ser que, assim, se cumpra um dia o desejo de todos: vermos aquele que poderia ter sido o melhor lateral-esquerdo da nossa história, Bernardo Silva, finalmente a jogar pela equipa principal."

Comunicado: Red Pass

"No contexto das consequências da pandemia da COVID-19 e após a decisão do Governo, acompanhada pelos órgãos que superintendem o futebol nacional, ficou determinado que a Liga NOS será finalizada com a realização de jogos à porta fechada.
Dada a impossibilidade de os Sócios detentores de Red Pass assistirem aos cinco jogos que faltam no Estádio do Sport Lisboa e Benfica, o Clube tomou a decisão de atribuir uma compensação de valor proporcional a esse número de jogos que não estarão abertos ao público. Esse valor será de imediato adicionado à carteira virtual de cada detentor do lugar de época.
O valor pode ser utilizado para pagamento de produtos Benfica, nomeadamente: produtos oficiais, quotas de Sócio e bilhetes (incluindo Red Pass), em qualquer ponto de venda do Benfica, tais como as Lojas oficiais, Casas do Benfica, Site Oficial em slbenfica.pt, Linha Benfica através do 707 200 100 ou a Venda Online Assistida (VOA) através do 800 20 1904.
Os detentores de Camarotes e Executive Seats também serão compensados através da disponibilização de contrapartidas de valor proporcional aos cinco jogos que faltam disputar no Estádio da Luz, podendo esses valores ser usados no decorrer das próximas duas épocas desportivas (até 30 de Junho de 2022).
O Sport Lisboa e Benfica, face à interrupção das competições e incerteza quanto ao futuro imediato, entende ser esta a forma mais justa e equilibrada para compensar todos os Sócios e parceiros Corporativos. Esperando que na próxima época voltemos a estar juntos e com os Estádios de portas abertas."

Quarentena Permanente para Comentadores de Futebol

"Com o regresso do futebol aos estádios regressam também os comentadores às televisões. Os segundos precisam dos primeiros, mas os primeiros não precisam dos segundos. E nós também não. Cada um dos 90 minutos do jogo traduzir-se-á em dezenas de horas de comentários, em todos os canais de TV, na rádio, nos jornais. Portugal tem mais jornais diários de futebol do que o Brasil (a pátria de chuteiras), mais programas televisivos de futebol do que a Itália (onde se praticava o harpastum, um dos precursores do futebol) e mais comentadores de futebol do que o Reino Unido (que tem o campeonato nacional mais rentável financeiramente).
Mas o vínculo dos portugueses é principalmente com os clubes, não como o futebol. Se há duas décadas o futebol representava 36% de todos os atletas federados, actualmente essa percentagem é de 28%. Temos cada vez mais portugueses a praticar outras disciplinas desportivas, além do futebol. E mesmo o número de praticantes inscritos na FPF (cerca de 193 mil) é comparativamente inferior, per capita, a outros países que têm o futebol como desporto nacional, como Espanha ou França.
Eu não sou psicólogo, mas parece-me que há aqui matéria de estudo para Lacan. Vínculos acríticos e paixões cabais são geralmente sintomas de uma busca por sentido e reconhecimento. Criam-se elos simbióticos com elementos externos para preencher identidades desabitadas de autoestima. É como se um golo do Rafa Silva nos fizesse esquecer a falta de amor dos pais e se sentíssemos um frango do Oyisseas como uma rejeição que nos inflama o corpo de cólera.
Sem grandes feitos profissionais ou regozijos culturais, há uma geração de portugueses que só vive nos dias de jogo. São pessoas que não praticam futebol nem veem as partidas de outros países, mesmo quando têm claramente mais qualidade do que as do seu. O elo é, no fundo, com o clube e o clube só pode ser o Benfica, o Sporting ou o Porto. O tamanho dessas agremiações é perfeito. Se fossem planetárias, atraindo seguidores estrangeiros com quem não partilhamos simetrias culturais, a nossa identificação seria diluída. A dependência é mais fácil de se estabelecer quando existe um certo caseirismo, uma ideia de exclusividade. O clube é só meu e de outros iguais a mim.
Por outro lado, não são pequenos clubes municipais. A renúncia da nossa autonomia emocional é mais fácil de atingir com terceiros que têm características maiores do que nós, despertando o orgulho e o sentimento de conquista. É o que os psicólogos chamam de auto expansão.
E é nestas insatisfações que as televisões bicam oportunidades. A síndrome clubista pelos "três grandes" é afiada como um machado que corta clubes mais pequenos e outras modalidades desportivas. Nos média, tudo gravita em torno desses três clubes, criando-se relações emaranhadas, com interesses comerciais a sobreporem-se ao desporto.
Para comentar os jogos de futebol, as televisões não contratam especialistas na modalidade. Quem tem a minha idade, lembra-se de ver os jornalistas Rui Tovar (1948-2014), Artur Agostinho (1920-2011), Ribeiro Cristóvão ou Gabriel Alves a fazerem comentários mais criativos e eficientes do que os dribles dos atletas da bola. 
Mas os comentadores de hoje, subtraindo os jornalistas da casa e os ex-jogadores, são quase todos artistas de circo. São cuspidores de fogo e de polémicas para soltar o olhar arregalado do público, são animais amestrados pelos clubes que os engordam em troca de lealdade, são mágicos anões que usam truques para agigantar a sua popularidade.
Entre os comentadores há, ou houve, ex-vereadores municipais, ex-presidentes de câmara, ex-ministros, vários deputados e actuais presidentes de partidos políticos. Discutem jogos de futebol como mendicância política. André Ventura é fruto deste pecado original. Rejeitado pelos eleitores de Loures, ressuscitou como político a comentar os jogos do Benfica numa televisão. Com a conivência do clube e do canal.
Quando se escrever a história da extrema-direita em Portugal, haverá um capítulo sobre programas de futebol na televisão."

Este futebol sem alma é como o silêncio e uma parede vazia

"Sábado, 14h30, dérbi do Ruhr.
Há algo de involuntariamente simbólico nisto de o regresso do futebol ter ocorrido no campeonato e no estádio com melhores assistências do futebol mundial.
À hora marcada, a Bundesliga voltou, justamente com a sua maior rivalidade em campo.
Em vez de vibrarmos com os mais de 80 mil adeptos que fazem do Westfalenstadion um caldeirão efervescente de emoções, contemplámos o vazio
Die Gelbe Wand como que sublinhava da forma mais imponente possível como tudo é diferente. Mesmo sabendo que as portas estariam fechadas, impressiona olhar aquela monumental bancada agora despida de gente.
«Depois da pandemia, nada vai ser como dantes», disseram-nos. Ora, no relvado, Haaland continua a revelar-se um prodígio goleador, houve uma exibição notável do português Raphael Guerreiro e o Dortmund goleou o Schalke, que da pior forma fez jus ao seu 04.
Houve comprimentos com os cotovelos em vez de abraços. Mas a isso habituamo-nos. Difícil é o silêncio. Aquele maldito silêncio que nos permite ouvir o som da chuteira a tocar na bola.
Há algo de involuntariamente simbólico nesta separação forçada entre gente que canta nas bancadas «You’ll Never Walk Alone» e a sua equipa. Aquela bendita equipa que no final cumpriu a tradição, agradecendo para uma bancada repleta de ausentes.
Westfalen é mais do que betão e ferro forjados no coração industrial da Alemanha. É um estádio tão especial que viveu durante décadas sobre uma bomba de 250 quilos lançada pela Royal Air Force durante a II Guerra Mundial e que só viria a ser descoberta e detonada em 2015, em vésperas precisamente de um Dortmund-Schalke.
Apesar do lamento, é inquestionável esta necessidade de jogar sem adeptos, por uma questão de saúde pública.
A reflexão é sobre a absoluta importância daqueles que nada ganham em termos financeiros a troco de uma impagável recompensa emocional. Aqueles que vão ao estádio e que são tidos por vezes quase como descartáveis num futebol cada vez mais mercantilista, virado para as grandes audiências globais.
Esses, que estão no estádio, não são figurantes. São, sim, a essência do futebol, a par dos protagonistas. E o espectáculo tornado indústria precisa desesperadamente de todos para voltar a ser o que foi.
Não critico, só constato: este novo futebol sem adeptos é cerveja morta, é descafeinado em vez de café.
Talvez por efeito da novidade, neste fim-de-semana, oferecendo um espectáculo incomparavelmente mais pobre, a Bundesliga teve o dobro das habituais assistências televisivas na Alemanha. Aliás, essa necessidade legítima de salvar financeiramente o negócio é a força motriz deste retorno do futebol. 
Convivamos com o mal menor. Sejamos pragmáticos. O óptimo é inimigo do bom. É melhor este futebol sem alma do que futebol nenhum.
Ainda assim, isto não é bem um regresso.
O futebol só estará de volta quando não houver silêncio e uma parede vazia."

Silêncio ensurdecedor

"A partir do último fim-de-semana, ficámos todos a saber que iremos ter durante vários meses espectáculos sem público pela Europa fora, ajudando a criar em todos nós uma estranha sensação de vazio que, se as condições não se alterarem, não vai ser fácil preencher.

“Deus criou o mundo e desistiu de continuar a sua obra ao sétimo dia porque era domingo e havia um desafio de futebol”, uma frase metafórica do jornalista Francisco Sousa Neves que, quando proferida, teve como única intenção elevar ao cume um fenómeno que tomou conta de toda a humanidade em todos os quadrantes desde que inventado em finais do séc. XIX.
E não é apenas pelo ambiente que gera à sua volta que existe paixão universal por esse jogo fantástico, mas por toda a magia que o envolve e que se repete de cada vez que a bola começa a rolar nos tapetes mais diversos, sejam eles relvado ou de simples terra batida.
A partir do último fim-de-semana ficámos todos a saber que iremos ter durante vários meses espectáculos sem público pela Europa fora, ajudando a criar em todos nós uma estranha sensação de vazio que, se as condições não se alterarem, não vai ser fácil preencher.
Na Alemanha jogaram-se os primeiros 17 jogos, em dois escalões, que constituíram também um bom motivo de análise, no sentido de se concluir se o método é ou não recomendável, sabendo-se que é, antes de tudo, possível por força de necessidades conhecidas.
E vimos vários jogos sem novidades de monta: o Bayern de Munique venceu, o Borússia de Dortmund também ganhou tendo, por isso, ficado tudo na mesma. Ou seja, após a 26ª jornada da Bundesliga o duo da frente mantém imutável a diferença que os separa de quatro pontos, com vantagem dos campeões da Baviera.
Pondo de lado resultados e classificações ficaram especialmente na retina o silêncio e o eco produzidos em todos os estádios germânicos, sendo esse, sem dúvida, o ponto mais sensível de todas as análises.
A sensação que fica é a de estarmos diante de um fenómeno novo, com menos vida, nalguns casos quase a provocar sonolência.
Para já o futebol arrancou na Alemanha.
Os outros parceiros europeus também estão a preparar-se para o tiro de partida, oxalá sem outras novas interrupções."

O Covid-19 vai mudar o futebol para sempre

"É preciso reinventar o futebol. A solução já não é contratar uma estrela e ter sorte. Os clubes precisam de definir fluxos de trabalho, de reestruturar-se e automatizar processos através da tecnologia

“As pessoas perceberam que o Futebol não é indispensável”, Fernando Gomes, presidente da FPF.
De um dia para o outro, fecharam-se os estádios e os centros de treinos. Toda a actividade parou. Os jogadores foram para casa, os adeptos também. Tal como o mundo e os nossos hábitos, a organização dos clubes do futebol vai ter que mudar.
A maior parte dos clubes só vive para o jogo do fim de semana. Contratam-se estrelas sem que exista capacidade financeira para pagar salários, com o intuito de agradar à massa adepta e tentar ter resultados a curto prazo, a maior parte das vezes abrindo buracos financeiros dificilmente recuperáveis.
Dentro dos clubes, a área técnica, scouting, departamento médico, nutrição, performance, residências, logística, gestão de jogadores e de agentes… normalmente trabalham separadas geográfica e logisticamente. A informação é espalhada pelos diferentes departamentos, com sistemas tecnológicos diferentes, o que acarreta uma imensa ineficiência dos processos e das decisões.
Com o Covid-19 fomos todos obrigados a mudar. Como disse o presidente da FPF, a pandemia também nos ensinou que” o futebol não é indispensável”. É preciso reinventar o futebol. A solução já não é contratar uma determinada estrela e ter sorte. Os clubes devem ter uma definição sistematizada dos fluxos de trabalho e, acima de tudo, uma reestruturação e automação de processos através da tecnologia, para garantir um crescimento sustentável, através de uma estratégia de investimento em recursos humanos e tecnológicos de médio e longo prazo.
A evolução tecnológica é cada vez mais utilizada pelos treinadores para os seus próprios trabalhos, mas é ainda muito descurada por todos os outros departamentos.
Hoje, a maior parte dos clubes de primeira e segunda divisão utilizam coletes GPS para medir o comportamento físico do atleta. Mas a empresa/clube deveria cruzar os dados da performance física com os dados académicos, económicos ou alimentares. Ter esta informação centralizada é a possibilidade infinita de cruzamentos de dados que irá servir para analisar tendências, tanto físicas como logísticas, e inclusive conseguir prever o futuro utilizando o Machine Learning.
Nesta actividade do Futebol a resistência à mudança é grande. É difícil convencer um treinador que prepara treinos em papel há 25 anos que utilize um sistema tecnológico. Além disso, a elevada rotatividade não só dos funcionários do topo, como dos treinadores, também não ajuda.
O que acontece actualmente é que o know how, os dados e as análises, ficam na posse dos treinadores/dirigentes que, inevitavelmente, abandonam o clube, obrigando-o a recomeçar do zero sistematicamente.
Actualmente já temos projectos em Portugal interessantes e que lutam contra essa dinâmica, como o Famalicão, que investiu na formação garantindo a definição de uma lógica entre todos os escalões de formação. Nos últimos 15 anos, também o Benfica definiu uma estratégia de reestruturação. Seguramente que os adeptos estavam muito impacientes na altura mas, quando as coisas são bem feitas, os resultados falam por si- nos últimos seis anos, cinco títulos de campeão nacional.
Também temos casos como o Vitória SC ou o Estoril Praia que vão percebendo a importância desta visão. Infelizmente, ainda são poucos.
A Federação e a Liga muito têm feito para o bem do futebol português. Desde o certificado de entidades formadoras, ao processo de inscrições online da Liga, etc. Mas para garantir que o futebol cresce de maneira sustentável é necessário que a evolução na área desportiva seja acompanhada de uma evolução na área operacional e administrativa.
A pandemia do Covid-19 deve ser aproveitada como uma oportunidade de aceleração da digitalização do sector do futebol. Não há alternativa. Quem continuar a gerir um clube com base no fim-de-semana seguinte, irá ficar para trás."

Benfica FM #113 - 2000/01

Reconquista: Félix Brothers !!!

Semanada...

"1. Os Reforços de Bruno Lage. Leo Kokubo (GR), João Ferreira (DD), Morato (DC), Rafael Brito (MC), Paulo Bernardo (MC), Tiago Dantas (MOC), Tiago Araújo (EE) e Gonçalo Ramos (SA) foram chamados para treinar com a equipa principal. A imprensa, sedenta por notícias, fez disto uma grande coisa. Na verdade, parece-me que é apenas uma maneira do clube se salvaguardar caso de repente haja uma sucessão de lesões em determinada posição. É pouco provável que qualquer destes rapazes se venha a estrear pelo Benfica. Só se formos campeões com umas jornadas de avanço. De qualquer maneira, desta lista dá para perceber quem é que o clube mais acredita. Porque se a maioria dos nomes são consensuais, há outros que não são tanto. O caso mais flagrante é o de Tiago Araújo, que eu gosto como jogador, mas que era um jogador dos S23 e passou à frente de todos os extremos da equipa B. Outro ponto a retirar daqui é que está desfeita a dúvida - se é que ainda havia - de quem é o central que o clube vai apostar na próxima época. Vai ser Morato. Kalaica perdeu, mais uma vez, a corrida. Ainda vai dar jogador, mas não no Benfica.
2. Catió Baldé. Um dos nomes que Tiago Araújo ultrapassou foi Úmaro Embaló. Úmaro tem de facto um potencial maior do que Tiago Araújo. Na minha opinião, só não está aqui porque teve uma temporada complicada com lesões. Logo, acaba por fazer sentido. Mas prontamente tivemos mais um show mediatico do seu empresário. Catió Baldé começa a ser insuportável. É verdade que ele traz rapazes da Guiné Bissau e permite-lhes ter uma oportunidade na vida que dificilmente teriam. Mas também é verdade que depois explora esses rapazes e os leva a tomar más decisões para as suas carreiras. O exemplo mais claro e óbvio é o de Bruma. O próprio Úmaro não foi para a Alemanha há uns anos porque os alemães não quiseram pagar a Baldé uma comissão. É o exemplo perfeito daquilo que um empresário não deve ser. Infelizmente é cada vez mais o tipo de empresários que há.
3. O Erro de Pinto da Costa. O representante do dono do Porto Canal dirigiu-se a São Bento e aos jornalistas acabou por falar mais sobre o FC Porto do que sobre o Porto Canal. Houve duas coisas interessantes que Pinto da Costa disse (a) Se a indústria do futebol não puder voltar (“onde os atletas têm uma alimentação equilibrada e saúde controlada”), nenhuma outra indústria pode. Isto é verdade. Mas também desmente grande parte dos comentadores do FCP que dizem que o Campeonato só vai regressar porque o Benfica está em segundo. (b) Se o Campeonato for cancelado, deve-se fazer como se fez na 2º Liga. Aqui Pinto da Costa quis dizer que o FCP deveria ser campeão. Isso foi um erro. Porque apesar do Nacional e do Farense terem subido de Divisão, nenhum destes clubes foi considerado, pelo menos até agora, como Campeão da 2º Liga. Há uma diferença bastante grande entre subir de Divisão e ser considerado Campeão.
4. Quão provável é de facto a Liga terminar? Ao longo das últimas semanas, as equipas da primeira têm tido alguns casos positivos de covid-19. Os jogadores vão ser testados com regularidade antes e depois dos jogos. Mas os jogos vão envolver centenas de pessoas. A hipótese do virus entrar numa equipa não é remota. Faltam ainda 10 jornadas. Acho que era importante começar-se a discutir-se o que aconteceria caso a Liga não terminasse. Porque a hipótese, mesmo com todos os cuidados, não é impossível e se acontecer, já todos sabemos qual vai ser o forrobodó se não houver uma decisão antes. A decisão parece-me que já está tomada. Não haverá Campeão e servirá a classificação da altura para os apuramentos europeus. Foi a mesma decisão da Federação no Futsal e no Futebol Feminino.
5. Playoff no Hóquei em Patins. A FPP aprovou a mudança na estrutura do Campeonato. A partir da próxima época estão de volta os playoffs. É uma notícia muito boa. Os playoffs dão uma espetacularidade a qualquer modalidade e se à modalidade que corta a respiração num playoff é o Hóquei. O playoff em si retira qualquer peso aos jogos pequenos e mete-o todo nos jogos grandes. Ainda é cedo para prever quem vai ser beneficiado com isso. Mas no final, em vez de ganhar a equipa mais constante, ganhará a melhor equipa. Regra geral, a melhor equipa é também a mais constante. O maior impacto diria que vai ser na bilhética, o que é sempre bom.
6. Segundo reforço do Futsal. Depois de Nilson, o Benfica parece ter fechado o seu segundo reforço. Trata-se do pivot que também faz de ala iraniano de 31 anos, Hossein Tayyebi. Tayyebi jogou os últimos quatro anos no Kairat. Tem passagens pela Rússia também, além do início da carreira ter começado no Irão. Foi a peça principal do Irão que ficou com a medalha de bronze no Mundial de 2016. Na altura eliminaram o Brasil no 16-avos de final e bateram Portugal na decisão do 3º lugar. Nos últimos quatro anos foi sempre umas das peças principais do Kairat, que terminou duas vez no pódio na UEFA Futsal Champions League. É um jogador tecnicamente muito evoluído. Vai ser concerteza um reforço interessante. A dúvida será mais quem é que ele irá substituir. No Kairat jogava sobretudo a pivot. Logo para ele vir, ou Fernandinho ou Fits estarão de saída. Fernandinho tem sido um dos melhores do Benfica nos últimos anos. Com 38 anos as pernas podem começar a pesar a qualquer altura...
7. Mais saídas nas Modalidades. Desde do meu último post, o clube anunciou as saídas Albert Casanovas (Hóquei) Chaguinha (Futsal), Gary McGhee (Basquetebol), Pedro Seabra (Andebol) e pela imprensa portuguesa fala-se também da saída de Jordi Adroher (Hóquei). Adroher e Chaguinha são saídas naturais. São dois jogadores que o rendimento baixou bastante em relação aos últimos anos. McGhee e Casanovas foram apostas falhadas. Pedro Seabra é a que me deixa mais triste. Foi o meu jogador favorito do Andebol do Benfica nos últimos três anos e no período desta página. Acho até que é o meu jogador favorito de sempre no Andebol do Benfica. Sai pela porta pequena e numa decisão que me parece mais ligada a finanças do que outra coisa (a sua saída abre massa salarial para contratar jogadores para o novo treinador). Que tudo corra bem aos cinco.
8. Helton Leite. Tudo indica que está fechado o segundo reforço do plantel para 2020-21. Helton Leite vai ser o nosso segundo guarda-redes. O brasileiro de 29 anos já é, para mim, um dos três melhores guarda-redes do Campeonato (só atrás de Vlachodimos e Marchesin). É um upgrade muito significativo a Ivan Zlobin, que tal como Mile Svilar, deverá ser emprestado no próximo ano. Helton Leite é muito completo, tem grandes reflexos. Tem tudo para ser o segundo guarda-redes do Benfica durante 3 a 4 anos."

Golo: Samaris

Festa...

Mais um...

10

Golo defensivo !!!

Revira-Rafa !!!

Dérbi...

Benfiquismo (MDXXIX)

Voando...