Últimas indefectivações

domingo, 18 de março de 2018

Factos, diferenças e rumos

"Saudades tenho do futuro e também daqueles que sempre lutaram contra a prepotência e a perseguição às liberdades. Sendo justos, não podemos esquecer tempos durante os quais também alguns jornais e jornalistas desportivos eram desvalorizados (por uma pseudo elite servil, sem carácter e reumática intelectualmente) porque conseguiam driblar a censura, cruzar para espaços livres e obter entendimentos que equivaliam a golos de letra.
A leitura das suas páginas aportava o sentido de grande jogo em relvado muito inclinado e perigoso. 
A esses exemplos de cidadania a minha constante homenagem.
Hoje, os detractores do desporto, particularmente do futebol (sempre desconsiderado talvez por inveja de quem o não conseguia jogar e apreciar) invadem espaços que abominavam com um entusiasmo e motivação estranha, sempre interesseira e mesmo grosseira.
Quase parece um ataque concertado, vindo de dentro mas muito disfarçado.
Lançam-se calúnias cirúrgicas, inventam-se boatos que voam muito rápidos e com consequências ferozes, e novamente o futebol aparece como campo não de jogo mágico mas de batalha cobarde e de ódios.
Extremam-se posições em função dos resultados desportivos, envolvem-se inúmeros factores e personagens de todas as maneiras, com e sem argumentos, só porque sim e contra os outros.
Criam-se gabinetes de” crise” e o país, por momentos que duram muito, fica aprisionado esquecendo as promessas por cumprir dos eleitos.
O que unia e fortalecia entendimento, caminha para separar… a não ser que o jogo nunca se deixe aprisionar pelo negócio sem regras.
Limitemo-nos para já aos números (que valem o que valem).
Tendo como base três únicos aspectos - hábitos desportivos, índice de corrupção e realidades do futebol – várias questões se podem colocar numa pequena reflexão paralela, considerando o nosso país em relação à Suécia, Noruega, Finlândia e Dinamarca.
Devemos ter sempre como metas a evolução e nunca o retrocesso.

Factos:
1- Ranking da União Europeia (UE) em relação à percentagem de habitantes que nunca praticam desporto (Fonte FPF):
1.º Suécia (9%)
2.º Dinamarca (14%)
3.º Finlândia (15%)
Média da UE – 28 países (42%)
26.º Portugal (64%)
2- Índice de percepção da corrupção à escala mundial (escala de 0 – mais corrupto; a 100 pontos – sem corrupção):
1.º Nova Zelândia (89 pontos)
2.º Dinamarca (89 pontos)
3.ºs Finlândia e Noruega 85 pontos)
Média da UE – (66 pontos)
29.º Portugal (60 pontos)
3- Realidades do futebol:
Selecção da Dinamarca:
- Jogos Olímpicos: ouro em 1948, bronze em 1924 e 1952
- Campeonato da Europa: 1.º lugar em 1992
- Campeonato do Mundo: 4.º lugar em em 1998
- Taça das Confederações: 1.º lugar em 1995
Selecção da Suécia:
- Jogos Olímpicos: prata em 1912 e 1960, bronze em 1948
- Campeonato da Europa: 4.º lugar em 1992
- Campeonato do Mundo: Vice-campeão em 1958, 3.º lugar em 1950 e 1994; 4.º lugar em 1938. 
Selecção da Noruega:
- Jogos Olímpicos: bronze em 1936
Selecção da Finlândia:
- Sem títulos
Selecção de Portugal:
- Campeonato Mundial – 3.º lugar (1966) e 4.º Lugar (2006)
- Campeonato Europeu - 1984 (semifinalista), 1996 (quartos de final), 2000 (semifinalista), 2004(finalista), 2008 (quartos de final), 2012 (semifinalista) e 2016 (vencedor).
- Em relação aos títulos internacionais obtidos quer por várias selecções (seniores e jovens) quer por clubes, Portugal possui um currículo muito mais vasto e reconhecido.
Principalmente pela quantidade de talentos (jogadores e treinadores) mas também pelos contínuos investimentos (eventualmente elevados em relação às nossas capacidades financeiras).
Neste momento, Portugal ocupa o 3.º lugar, logo a seguir à Alemanha e ao Brasil e à frente da Argentina, Bélgica, Espanha, Polónia, Suíça, França e Chile.
Vários portugueses desempenham funções de destaque quer na FIFA quer na UEFA.
Ranking mundial de futebol feminino:
5.ª Suécia
11.ª Noruega
15.ª Dinamarca
24.ª Finlândia
38.ª Portugal

Ranking Selecções masculinas FIFA:
3.º Portugal
12.º Dinamarca
19.º Suécia
57.º Noruega
68.º Finlândia

Ranking Educação
1.º Finlândia (estatal e gratuita)
3.º Suécia 14.º Dinamarca
32.º Portugal

Diferenças
Os países que escolhemos revelam uma generalizada prática de hábitos desportivos (mais praticantes), uma excelência no sector da Educação onde são apontados como os melhores, uma qualidade de vida onde a percepção da corrupção é reduzida. São países onde a justiça é uma segurança e referência para os cidadãos, que certamente investem menos no futebol profissional, por uma questão de prioridades.
Os políticos não são considerados como “casta especial” mas sim cidadãos como os outros com as mesmas exigências. Portugal tem características fantásticas, cidadãos solidários, muito talento em várias áreas e muitos concidadãos a liderarem organizações internacionais e grandes empresas globais, embora internamente com uma crise de dirigentes com visão.
Mesmo sem analisar os “pequenos” defeitos que se perpetuam, continuamos sem conseguir definir rumos para futuros sustentáveis e redução das injustiças que proliferam. Faltam exemplos mobilizadores de verticalidade com coerência em prol do serviço público.
Há sempre quem se sirva sem olhar a meios, impunidades a pagar a cargo dos cidadãos que nada tiveram com isso, uma política educativa em constantes mutações e contradições, uma agenda desportiva provavelmente secreta e “pequenina” e uma preocupante questão de justiça e de assistência social.
Rumos
Custa-me acreditar que em qualquer parlamento/corte dos países indicados, um primeiro ministro, num debate sobre uma conjuntura de ataque e violação da justiça, se dirigisse ao líder do maior partido da oposição com frases do tipo: “Nós temos esta informação de um clube que por caso nos une” e “mesmo tratando-se de um clube «querido» a ambos, não iria especular sobre uma matéria em investigação judicial”… futebolização da vida nacional? Dá que pensar…
E uma clara e firme estratégia nacional para combater a corrupção?
A corrupção não é ”apenas” mais um escândalo mediático ou uma questão de justiça, é mesmo uma prioridade civilizacional ao nível da importância da prevenção dos fogos trágicos: afecta todos. 
Também é difícil ouvir um ex-Secretário de Estado (do Desenvolvimento Regional que já o tinha sido do Desporto) a “sugerir” de forma indirecta a demissão do Secretário Geral do seu partido, quando no passado, em “guerra com o futebol” afirmou que a Selecção Nacional não era de Portugal mas somente da FPF.
Os erros são antigos e nunca corrigidos.
Como num anúncio televisivo em que CR7 dialoga com um robô de forma feminina, dá vontade de concluir: “Ó pá, isto foi feito só para alguns clubes”."

Benfiquismo (DCCLXXX)

1954

Cadomblé do Vata

"1. Rafa mostrou hoje que tem passado muito tempo no simulador 360S, a treinar finalização... em Santa Maria da Feira acertou no poste direito, no poste esquerdo, no guarda redes, nos defesas e na baliza... basicamente, num raio de 360° acertou em tudo.
2. Contra o Feirense, Jonas não marcou e Rafa facturou... com fenómenos estranhos destes a acontecer por aí, ainda há quem se admire dos lagartos acreditarem na conquista do título.
3. Pelo 3° ano consecutivo, chegamos a Março e Jiménez recomeçou a marcar... o mexicano é uma espécie de Moura Encantada que fica toda excitada, quando as amendoeiras começam a dar flor.
4. Esta é para os responsáveis do Feirense... no Estádio Marcolino de Castro joga-se à meia-luz para dar um ar romântico ou para não se ver o estado deplorável da relva?
5. Não há razão para o treinador do Feirense ficar preocupado com o tempo de suspensão a ser aplicado ao central expulso por varrer André Almeida... ele vai estar disponível para os próximos jogos dos Fogaceiros, porque pode cumprir castigo nos jogos do Canelas-Gaia."

Um (...) está maravilhado com os lindíssimos triângulos obtusângulos que Grimaldo andou a desenhar em Santa Maria da Feira

"Bruno Varela
Três jogos consecutivos sem sofrer golos que dizem mais sobre a consistência dos seus colegas do que sobre ele. Façamos as contas: nos últimos três jogos, o nosso guarda-redes fez um total de duas defesas e meia. Tratando-se se Bruno Varela, isso equivale a cinco intervenções no jogo, ou seja, uma média de meia defesa por cada lance em que intervém. E sabem que mais? Por enquanto chega e sobra.

André Almeida
Falta-lhe o charme britânico de um Cédric, mas André Almeida lá vai levando a água ao moinho enquanto melhor lateral direito da liga portuguesa.

Rúben Dias
Move-se no terreno de jogo como se fosse a única pessoa em campo a transportar uma arma de fogo e todos soubessem disso. Os colegas movem-se livremente porque têm as costas largas. Os adversários não têm outra opção senão entregar-lhe os três pontos e salvar as suas vidas.

Jardel
Se esta dupla continua assim vai fazer estragos na Rússia. O homem que aprenda o hino rapidamente para evitar comentários xenófobos.

Grimaldo
Meia hora a roubar a bola a uns indivíduos vestidos de azul e outra a entregá-la aos colegas Zivkovic e Cervi, com quem continua a desenhar lindíssimos triângulos obtusângulos. Se não sabem qual é, experimentem rever o jogo acompanhados de régua e esquadro, tal como eu fiz antes de ir ao Google pesquisar por tipos de triângulo. Saiu para dar lugar à vitória do Benfica, numa daquelas substituições que Rui Vitória irá explicar a Nuno Luz num documentário qualquer a estrear este verão.

Fejsa
É o único gabinete de crise que me interessa. Esqueçam a Vieira de Almeida ou a Abreu. Para chegar ao penta, só precisamos de Fejsa, Pizzi, Samaris & Associados.

Pizzi
Limpou os amarelos em boa hora, podendo assim exibir em Santa Maria da Feira uma visão de jogo que há muito não víamos no nosso génio de Bragança

Rafa
Revela a eficiência do meu filho de 3 anos, que decidiu recentemente começar a urinar sozinho e tem feito tudo bem excepto acertar na sanita. Quando de facto consegue acertar, é uma grande festa e todos - pais, familiares, adeptos - reconhecemos o enorme potencial do miúdo, que um dia nos dará alegrias bem maiores. Antes disso, porém, é esperado que faça cocó nas calças mais algumas vezes. Cá estaremos, filho.

Zivkovic
Tem cara de quem não sabe dançar mas era capaz de limpar o Dança com as Estrelas a dançar a rumba com o Grimaldo. Essencial ao bailinho que tem caracterizado os nossos melhores momentos ofensivos.

Cervi
Depois de décadas a ouvir falar do lateral moderno, eis que chega Franco Cervi, o lateral pós-moderno, um indivíduo que se limita a actuar de forma deliberada e tacticamente perfeita numa zona do cosmos a que nós decidimos chamar flanco esquerdo, e que o faz em terrenos mais recuados ou mais avançados conforme a ocasião, não devendo por isso ser agrilhoado com leituras objectivas assentes em retinhas, heat maps ou outros gatafunhos bem intencionados. Mais do que lateral ou extremo, Franco Cervi é um jogador do caraças. Franco Cervi poderia aparecer no onze do ano como guarda-redes e isso não o incomodaria. Essas interpretações menores ficam para quem tiver tempo a perder.

Jonas
O gélido areal da pequena área no estádio Marcolino de Castro não inspiraram o brasileiro, que desperdiçou hoje uma excelente oportunidade de regressar às selecções brasileiras, neste caso de futebol de praia.

Jiménez
Pensando cada dia, cada hora
Pensando en ti
Caminando, mi sesta llena de moras
Son para ti
Temprano por la tarde y por la noche
Sueño de ti
Devendra Banhart, “Santa Maria da Feira” 

Samaris
A dada altura pareceu-me que o vi sair da bancada directamente do núcleo duro dos adeptos organizados do Benfica para o aquecimento. Faz sentido. Esta malta da pesada conhece-se toda. 

Eliseu
Não entrou em campo mas esteve no banco pela primeira vez desde 29 de dezembro e que bom foi vê-lo por lá. Muito bem Rui Vitória a reconhecer a importância de recuperar física e mentalmente o nosso mestre de cerimónias a dois meses da festa do penta. A paródia regressa nesse dia."

Vermelhão: Atitude...

Feirense 0 - 2 Benfica


Esta vitória deveu-se essencialmente à atitude: desde do primeiro minuto os jogadores sabiam qual era a missão, sabiam das dificuldades, e sabiam que só jogando no máximo durante 90 minutos, com concentração absoluta, poderíamos conquistar os 3 pontos...
Não foi o jogo mais espectacular da época - nem podia -, mas foi um dos mais consistentes, onde o Varela não fez um defesa digna desse nome...!!! E nós, marcámos dois golos, mandámos 3 aos ferros, e ainda permitimos várias grandes defesas ao guardião contrário...!!! Desta vez o Rafa, até teve a companhia do Jonas, nas oportunidades desperdiçadas!!!
A questão do relvado era previsível: para memória futuro, recordo que nas últimas horas não choveu muito, aliás no dia de hoje a chuva foi praticamente toda no Sul do País... Houve, claramente, premeditação por parte do Feirense, em ter o pior relvado possível... e realmente, só não foi pior, porque a meteorologia não 'ajudou'!!!
A agressividade excessiva dos jogadores do Feirense, também não me surpreendeu: nos últimos jogos tem sido quase sempre assim... Neste momento, estou mesmo convencido, que existe 'prémio' se alguém lesionar um jogador do Benfica!!!! No início desconfiei, mas neste momento, já acredito...
Sendo assim, tenho que dar os Parabéns ao Manuel Mota! Critico muitas vezes os árbitros, mas desta vez tenho que o elogiar... A arbitragem não foi perfeita, longe disso, os minutos de desconto da 1.ª parte foram absurdos; errou em vários lances; foi iludido várias vezes pelos 'mergulhos' dos jogadores da casa (por exemplo: Amarelo ao Grimaldo), mas acabou por expulsar, justamente, dois jogadores do Feirense...
Uma curiosidade, o Rui Vitória, está quase a fazer 3 anos como treinador do Benfica, hoje, foi a 2.ª vez que Rui Vitória, no Campeonato, beneficiou (num momento, em que o resultado ainda estava em aberto) de expulsões do adversário do Benfica!!! A 1.ª vez que isto aconteceu a Rui Vitória, foi no Benfica - Portimonense desta época...!!!
Rafa: mais um grande jogo, com vários golos falhados...!!! Parece inevitável!!! Jiménez, decisivo: entrou, marcou... O 433 tem resultado, mas contra adversários, deste tipo, acho que precisamos do 442 desde do 1.º minuto... O Jiménez tem feito tudo para o treinador perceber isto!!!
Mas hoje o MVP foi mesmo o colectivo... a equipa está unida e comprometida com o objectivo!
Uma nota, novamente, para os Petardeiros: metam os Petardos no vosso cu... é a minha sugestão!!!
O Benfica tem que agir rapidamente... Não podemos continuar a pagar multas astronómicas, devido a estes pseudo-Benfiquistas!!! E preparem-se, a campanha: Luz à porta-fechada, vai ganhar força...!!!

Agora, vamos para uma paragem das Selecções, onde o meu maior medo, são as lesões... ainda por cima, quando estes jogos internacionais, são todos particulares!!! Mas, depois de um jogo destes, com vários jogadores do Benfica a saírem 'tocados', esta paragem acaba por ser útil...

sábado, 17 de março de 2018

Amanhã... grande Final !!!

Benfica 5 - 4 Voltergá


Só falta mais um...!!!
Foi preciso acreditar: a perder por 1-3 ao intervalo, a perder por 2-4 a 6 minutos do fim!!! Foi preciso acreditar, para fazer a remontada, nos últimos minutos...!!!
Muitos parabéns a todas as jogadores, amanhã contra o Sp. Gijón merecemos o 'caneco'!!!




PS1: Parabéns à nossa Telma, pela conquista do Ouro no Grand Slam de Ekaterimburgo. A primeira grande vitória após a lesão que sofreu durante os Jogos Olímpicos de 2016 onde conquistou o Bronze!

PS2: O Fernando Pimenta estreou-se hoje oficialmente com a camisola do Glorioso, com a vitória esperada...!!!

Final, amanhã...

Terceira Basket 71 - 116 Benfica
16-27, 14-29, 24-29, 17-31

A diferença de potencial seria sempre grande, com as ausências no adversário, o jogo transformou-se num 'treino'!!!
Este tipo de 'fases finais' beneficia sempre o Benfica, porque não é fácil jogar tantos jogos, em poucos dias... a profundidade do plantel é muito importante. Amanhã, o Illiabum terá a 'vantagem' de ter tido um dia descanso (na Sexta), mas mesmo assim, somos favoritos...
Mas recordo que o jogo da Liga, na Luz, à relativamente pouco tempo, não foi fácil...!!!

Vitória em Aveiro

São Bernardo 25 - 28 Benfica
(11-17)

Estamos na Final Four da Taça de Portugal de Andebol, que se irá realizar no Peso da Régua.

O jogo acabou por ser um bocado mais 'apertado' do que se esperava...!!!

Vitória em Famalicão

Famalicense 2 - 7 Benfica

Estamos nos Quartos-de-final da Taça de Portugal, depois de mais uma vitória fácil...

Vitória em Oliveira de Azeméis

Azeméis 2 - 5 Benfica

Vitória tranquila... nas vésperas de mais uma eliminatória da Taça de Portugal...

O grande campeonato da antevisão

"Perguntaram ao treinador do Benfica a sua opinião sobre João Félix, um jovem futebolista dos quadros do Benfica que tem vindo a impressionar favoravelmente todos os que o têm visto jogar na equipa B e na equipa de juniores da Luz. Da Luz ou do Seixal, como preferirem. Rui Vitória, que é por definição um homem ponderado, satisfez a curiosidade da imprensa dizendo que "em Portugal faz-se uma jogatanazinha gira e já se é craque", o que não deixa de ser verdade em muitas ocasiões. No que a João Félix, ou a qualquer outro jovem promissor, diz respeito compreende-se e aceita-se a cautela pedagógica do treinador do Benfica ao recusar, sensatamente, alçar um miúdo ao topo do Mundo quando, na realidade, em termos de futebol sénior nada se viu a este teenager viseense. Ainda não houve oportunidade para isso. Quando houver, oh, oh…
O que se revelou francamente invulgar nesta situação provocada pela pergunta de um jornalista a Rui Vitória não foi, portanto, a circunspeção da sua resposta. Que o treinador do Benfica é um diplomata popular ao gosto da casa toda a gente sabe. A novidade é que Rui Vitória, que segue cumprindo o seu terceiro ano na Luz, nunca como neste episódio se pareceu tanto com Jorge Jesus no campo da retórica. "Uma jogatanazinha gira"? "… e já se é craque"? Nada indica, é certo, que o treinador do Benfica vaticine a João Félix uma profícua carreira como lateral-esquerdo. E nem há razão para suspeitar que o tal Félix vai ser um dia para Rui Vitória aquilo que Bernardo Silva já é e sempre será para Jorge Jesus. Em poucas palavras, uma pedra no sapato. Mas isto de menosprezar "jogatanazinha giras" por atacado é um perigo, acreditem. Houvesse a certeza entre os os benfiquistas de que hoje, em Santa Maria da Feira, o Cervi ou o Rafa ou o Zivkovic – ou de preferência os três – iriam fazer uma "jogatanazinha gira" e já podiam considerar o assunto resolvido para sossego das hostes.
Com a presença anunciada do palestrante Fernando Madureira – sim, o especialista em estruturas de betão e o mesmíssimo que ‘palestrou’ de megafone em punho na direcção do guarda-redes do Paços de Ferreira no domingo passado – teve ontem lugar no Auditório do Parque Biológico da Maia um alegado simpósio sobre o não menos alegado jogo de futebol subordinado ao capitoso tema da actualidade ‘Violência versus Valores, Qual o Futuro?’. Ora bem, a coisa saldou-se assim: Violência, 10 – Futebol, 0. E qual vai ser o futuro? Promissor, sem dúvida. Aguarda-se um futuro inacreditavelmente promissor.
Sentindo-se seguríssimo no seu posto no Dragão com os seus 2 pontos de avanço sobre o Benfica e antevendo o jogo com o Boavista, Sérgio Conceição anteviu inocentemente que Marco Silva poderá vir a ser o próximo treinador do Benfica. É legítimo, sim senhor. E o Marcano? Qual será o próximo clube do Marcano, míster? Estamos em pleno campeonato da antevisão, obviamente."

Benfiquismo (DCCLXXIX)

Antiga Secretaria...

Uma Semana do Melhor... da Rita!

Jogo Limpo... Guerra & Pinheiro

Batalha tremenda

"FC Porto estranhou ter de jogar em Paços de Ferreira contra uma equipa que também queria ganhar.

O Benfica venceu o Aves, num jogo sofrido, onde não atingiu o brilho de outras recentes exibições. Os golos apareceram nos últimos 20 minutos mas, ainda assim, mereceu ganhar e cumpriu o essencial. Esta semana aumenta muito a dificuldade, pelo desespero de pontos do oponente, pelo relvado estragado, pelas circunstâncias que rodeiam o futebol, pelo momento, pelas condições climatéricas, e não só. As dificuldades desta época têm servido para unir o grupo e aumentar a sua vontade de as vencer. Assim terá que ser amanhã. O regresso de Pizzi, a subida de rendimento de Rafa, o apuro de golo de Jonas, a vontade de um grupo coeso, são boas notícias para as nossas cores. Queremos, e esperamos, o melhor Benfica. Em Santa Maria da Feira vamos ter uma batalha tremenda, como atestam as dificuldades passadas pelos rivais.
No passado fim de semana, o líder caiu em Paços de Ferreira, num jogo onde se queixou porque o árbitro só marcou um penalty (algo polémico), e só deu sete minutos de compensação. Diga-se que não faltou antijo, que não faltou ardil para queimar tempo, mas, diga-se também, que em muito menor expressão que aquele que o Benfica teve na mesma deslocação no mês passado. Eu vi o Benfica ganhar 3-1 na Mata Real e escrevi aqui contra o excesso de antijogo. Parece que o FC Porto estranhou ter jogado contra uma equipa que também queria ganhar, pode ser do hábito, mas diga-se ainda, que foi um FC Porto muito abaixo do aceitável para um candidato ao título. É óptimo para o futebol haver duas equipas de onze jogadores a querer ganhar e uma equipa, com três elementos, a fazer cumprir as regras com isenção.
Rúben Dias foi justamente convocado para a Selecção Nacional. Fernando Santos fez aquilo que tinha que fazer um excelente seleccionador, justiça a um dos melhores centrais portugueses e talvez aquele que terá mais futuro dada a idade dos habituais titulares.
O FC Porto merece elogio pela prestação na Youth League. Não custa nada, porque é merecido.
Este fim de semana é obrigatório o apoio à nossa equipa de hóquei feminino, que na final four da Liga Europeia, disputada no nosso pavilhão, tenta conquistar o mais prestigiado troféu internacional para o Benfica."

Sílvio Cervan, in A Bola

Vitória...

Benfica 99 - 95 Corruptos
23-19, 26-28, 24-25, 26-23

Num jogo quase sempre mal jogado, acabámos por vencer, cometendo menos erros nos últimos segundos!!!
Já se sabia que com as novas contratações, a equipa não ia estar a 100%, falta entrosamento, mesmo assim exige-se mais defensivamente. O Pitts acabou por ser a 'grande' surpresa, sendo um dos melhores...

A diferença do plantel dos últimos anos, tem sido tão grande, que até as 'polémicas' desapareceram do Basket... mas hoje, mesmo sem um dos Americanos os Corruptos deram luta, e os apitadeiros 'sentiram' que podia haver 'sangue'... e só não houve, porque a qualidade individual dos jogadores do Benfica, mesmo assim, é muito superior...!!!

Estamos nas Meias-finais da Taça de Portugal, amanhã vamos defrontar o Terceira Basket, temos pouco descanso, mas o plantel permite uma rotação elevada...
Temos tudo para trazer o 'caneco' para casa, mas é necessário melhorar: sem o Robinson, perdemos o 'bombardeiro' o Morais ou o Silva têm que assumir mais o jogo, senão corremos o risco de chegar à recta final das partidas, com resultados perigosos!!!

Benfica processa Cofina e Correio da Manhã

"A Sport Lisboa e Benfica SAD reitera que nunca teve, nem tem acesso a qualquer informação relativa a processos judiciais que estejam protegidos pelo segredo de justiça, sendo qualquer notícia em contrário uma calúnia à qual não poderá deixar de reagir.
Nesse sentido irá de imediato accionar judicialmente o Conselho de Administração do Grupo Cofina, os responsáveis editoriais do Correio da Manhã e incertos por ofensa ao bom-nome e reputação do Sport Lisboa e Benfica e mais uma grosseira violação do segredo de justiça, na notícia hoje publicada sob o título “Juíza aponta corrupção no interesse do Benfica SAD”.
A Sport Lisboa e Benfica SAD considera ter direito, na salvaguarda do seu bom-nome e do interesse público, a saber que iniciativas processuais e investigatórias foram adoptadas, designadamente, se a Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público já promoveram abertura de inquérito criminal e que medidas terão em curso para impedir esta reiterada violação do segredo de justiça pelo referido grupo empresarial, órgão de comunicação social e responsáveis editoriais.
Não queremos acreditar que exista um grupo de comunicação social que beneficie de uma especial protecção, não obstante ser sempre o primeiro a divulgar e a citar peças processuais, a anunciar diligências e mesmo supostas intenções de quem tem responsabilidades sobre os inquéritos, com inevitáveis perturbações dos processos e violações de direitos fundamentais.
Estas reiteradas violações do segredo de justiça são especialmente graves e chocantes, por terem lugar no âmbito de um processo precisamente sobre alegadas violações de segredo de justiça."

sexta-feira, 16 de março de 2018

Rumo ao penta!

"Eis o ansiado desaire portista que nos recolocou numa posição independente para a conquista do tão almejado penta. Compete-nos agora lutarmos até à exaustão pela conquista dos três pontos em cada jornada e, se o conseguirmos - o que não será nada fácil - estou convicto de que nos sagraremos campeões na penúltima ronda.
Mas, neste momento, ganhar na Feira, numa campo habitualmente difícil frente a um adversário certamente empenhado, deverá ser o nosso foco. Acredito piamente que os nossos jogadores têm esta ideia bem interiorizada, pois foram eles os principais artífices do tetra, um feito alcançado com qualidade, espírito de equipa e mentalidade competitiva.
Se a qualidade, que poderá variar consoante as épocas mas que, num clube como o Benfica - este Benfica recuperado - será sempre elevada, o espírito de grupo e a mentalidade competitiva dependem, sobretudo, de factores internos (condições de treino e estabilidade do clube, capacidade de gestão da equipa técnica, liderança no balneário e personalidade dos atletas).
Porém, os factores externos não são desprezíveis, e estes, no contexto actual, caracterizado por insinuações torpes e acusações infundadas detractores do nosso mérito, têm sido imensamente benéficos para os nossos intentos.
Atente-se às declarações recentes de Artur Moraes, em que referiu a 'campanha muito forte para desvalorizar as vitórias do Benfica (...) a qualquer preço'. O Artur, como o Luisão, o Fejsa, o Jonas, o Pizzi e todos os que suaram a nossa camisola, não merecem o tratamento que lhes tem sido dado. Porque, como bem disse o presidente, os ataques não são ao fulano, ao sicrano ou ao beltrano, são ao Benfica, e o Benfica somos todos nós!"

João Tomaz, in O Benfica

Matar a marca Benfica

"A sociedade Benfica SAD, tem como um dos seus objectos de actividade a exploração da marca Benfica pela equipa de futebol profissional e nos eventos desportivos.
No seu activo intangível, a Benfica SAD tem aproximadamente o valor de 50 milhões líquidos, correspondente ao direito de utilização da marca.
Esta rubrica tem como suporte de contabilização o contrato celebrado com o Clube para a utilização da marca Benfica por parte da Benfica SAD até 30 de Junho de 2051.
Significa isto que a marca Benfica esta no clube Sport Lisboa e Benfica. Por essa razão é habitual ter-se nos relatórios e contas que existe um risco operacional quanto à manutenção da relação privilegiada com o Clube.
Na verdade, o desenvolvimento da actividade principal da Benfica SAD pressupõe a existência e manutenção da relação privilegiada com o Clube, designadamente ao assegurar à Benfica SAD a utilização da marca Benfica pela equipa de futebol profissional. Qualquer alteração desta situação poderá afectar significativamente o desenvolvimento da actividade normal da Benfica SAD, o que não se estima que venha a acontecer.
Mas poderá esta ataque todo vir provar que afinal tal pode acontecer? E esta estimação não é bem assim?
É evidente e indiscutível que a marca Benfica possui um impacto significativo no meio social nacional e internacional. Esse impacto tem consequências ao nível social, económico e financeiro que não são de menosprezar, bem pelo contrário.
Podemos definir (...) os efeitos da marca geral.

Motivar os colaboradores
Desde logo se torna mais que evidente, que a apreciação de uma marca desenvolve e motiva a criação de uma motivação de cultura e empenho, de satisfação e procura da excelência. Pelo contrário, qualquer ataque que seja dirigido à marca tem exactamente o efeito inverso.
Esse efeito negativo manifesta-se em primeira evidência na diminuição da qualidade da marca, pois a desmotivação dos colaboradores leva ao relaxamento e desleixo no trabalho que desenvolvem sob a mesma.
Não podemos esquecer que toda a atitude negativa, mesmo que não seja dirigida à marca, tem um impacto indirecto.
O segundo problema que nos surge respeita ao impacto sobre a decisão de compra.
Estando hoje as receitas das empresas que se dedicam ao desporto, e em especial ao futebol, dependente de quatro tipos de receitas - (i) assistência (ii) publicidade (iii) audiovisuais e (iv) comerciais - torna-se notório que as mesmas são susceptíveis de diminuir com a edtorioração da marca.
Toda esta maledicência e ataque a uma marca afasta a procura do produto, sabendo-se, como se sabe hoje em dia, que a procura é global e inserida em fenómenos globalizados. Atacar a marca é atacar a saúde financeira e social de uma instituição.
A diminuição de receitas gera obrigatoriamente a necessidade de financiamento, pela singela razão de que os custos têm tendencialmente uma característica fixa.
Não se conseguem reduzir custos com pessoal, pois isso implica contrariar as leis jurídicas que actualmente existem e ao mesmo tempo proceder a indemnizações volumosas que, obviamente, circulam no sentido do aumento das necessidades de financiamento.
Aqui chegados, podemos elencar a problema fulcral que não é mais do que uma conclusão - a diminuição da quantidade e qualidade do produto e logo o 'corte' das parceiras de negócios.
Veja-se exemplificativamente o abandono de patrocínio a Oscar Pistorius devido ao seu crime e o abandono de patrocínio a Lance Amstrong e também, face ao fatídico acidente de Michael Shumacher, o abandono total dos patrocínios. Na realidade, a distância entre o pódio e o fundo é uma linha muito ténue.
É por essa razão que podemos fazer uma distinção entre três conceitos que surgem eles próprios autonomizáveis, (...).
Afinal, a marca é essencialmente uma ideia formada nos consumidores que acaba por ser destrutível quando os inimigos em perfeita amizade se aliam para a abater.
A marca Benfica atenta a sua natureza, ainda possui uma mais valia que corresponde ao que se designa por Brand Equity.
Esse valor acrescentado não é mais do que a fidelidade e a religião que constitui a adesão de cada um e de todos em conjunto a uma instituição como o Benfica.
Todos individualmente e todos em conjunto sabem perfeitamente que o constante ataque e a apelidação de fenómenos de corrupção à instituição, acoplada a uma perseguição cega e odiosa ao seu líder, destroem o Benfica, mas não o vão matar.

Abram os olhos. Benfiquistas!


Até para a semana."

Pragal Colaço, in O Benfica

Obrigado, avô

"Comecei a ir ao futebol com o meu avô, em Setúbal. Ao fim de semana, começávamos de manhã a ver os escalões de formação e só terminávamos quando era a vez dos seniores. Íamos para o peão do estádio e foi por lá, em pé (junto de quem não tinha orçamento para a bancada central), que levei as primeiras lições de táctica, garra e da palavreado obsceno. Fazia parte e não me tornei pior adulto por causa disto. No outro todo do estádio havia um placard do Totobola alimentado manualmente por um funcionário do Vitória FC. E era através dele que eu acompanhava a marca do marcador no jogo que mais me interessava, o do SL Benfica. Vi grandes equipas do Glorioso passarem e sofrerem no Bonfim e absorvia todas as informações que o meu avô me dava. Aquele vitoriano tinha um respeito pelo Benfica que me deixava sem palavras.
Contava-me como tinha sido o Eusébio, como conhecera o Simões no Brasil ou como fora a festa em 1966 com o brilharete dos Magriços. Em 14 de Maio de 1994, sentámo-nos em frente à televisão. Ia começar o jogo. O SL Benfica vivia momentos complicados, mas a sala de casa do meu avô transformou-se numa extensão da bancada dos adeptos visitantes em Alvalade. Era o derby mais esperado, contra um Sporting CP que, dizia-se e ainda se diz, tinha uma das melhores equipas da sua história. O jogo não começou bem, como vocês se lembram, mas o Menino de Ouro terminou a partida com nota 10 do jornal A Bola, três golos na ficha e uma marca na nossa memória colectiva. A cada jogada, a cada golo, o meu avô festejava comigo: 'Isto assim já me faz lembrar o Benfica do meu tempo'.
O meu avô morreu na semana passada, mas ninguém me tira aquela noite dos 6 a 3 que passei com ele."

Ricardo Santos, in O Benfica

Tite precisa de ir ao médico

"O seleccionador brasileiro anunciou a convocatória para os últimos testes antes do Mundial e deixou Jonas de fora. Não, estimado leitor, não é uma piada. Tite prescindiu mesmo de Jonas, o melhor marcador das ligas europeias - o que reduz a já remota esperança do Pistolas em estar presente na Copa. Como adepto da selecção portuguesa fico mais sossegado - um dos candidatos estará menos forte. Enquanto amante de futebol triste - o espectáculo perderá magia. Na qualidade de ser humano sinto-me preocupado - a sanidade mental de Tite encontra-se em estado grave. Poder usufruir dos serviços de Jonas e renunciá-los é um sintoma psicótico alarmante. Por outro lado, é um louvável exemplo para o país inteiro. Num momento em que as drogas assumem um papel assustador no Brasil, Tite deu um passo em frente na tentativa de persuadir a população a adoptar um comportamento semelhante ao dele: dispensar o craque.
Em 2014, na Académica, Sérgio Conceição foi acusado por Leonardo Jardim de abusar do antijogo após um nulo em Alvalade, ao que respondeu: 'Cada treinador tem a sua estratégia e a minha resultou porque levo daqui pontos'. Em 2016, no V. Guimarães, apresentou-se na Luz com um futebol apoiado: apoiado em constantes lesões e apoiado em preguiçosos pontapés de baliza. Em 2018, Conceição transformou a visão do futebol por completo e sugeriu mesmo a 'reclamação do dinheiro enquanto assinante da SportTV' em casos de antijogo. Eu não podia estar mais de acordo. Acompanhei, pela TV, os jogos do Olhanense em 2013 e do V. Guimarães em 2014 e do V. Guimarães em 2016. O meu pacote era em HD, pelo que as minhas contas dão um total de 839,70€. Para onde envio o meu NIB?"

Pedro Soares, in A Bola

Nas nossas mãos

"Nesta última jornada o Benfica passou a depender apenas de si próprio para alcançar o tão desejado 'Penta'. A glória passou a estar nas nossas mãos. Ganhemos as oito finais que faltam, e estaremos no Marquês de Pombal e festejar um dos mais importantes campeonatos da nossa história recente. Próxima paragem: Santa Maria da Feira.
Está também nas nossas mãos manter a união e a resistência do Benfica face aos incessantes ataques que lhe têm sido movidos na praça pública, pelos rivais, e pelos seus representantes, assumidos ou camuflados, na comunicação social. É nos tribunais, somente a eles, que cabe julgar as matérias em questão. É essa a única sede que verdadeiramente interessa, e só a ela devemos atender. E é minha profunda convicção que, aí, nenhuma ilicitude será comprovada, morrendo no nada um caso que nasceu do nada. Não nos deixemos iludir: a comunicação social quer audiências, e os nossos rivais querem destruir-nos, para assim poderem ganhar títulos e esconder as crises que atravessam. Uns e outros pretendem alimentar e empolar estes casos até aos limites, transformando pevides em melões. Não hesitam em colocar lama na ventoinha, para manchar o nosso nome, sem que possamos defender. Talvez eles saibam que nada do que dizem poderá ser demonstrado em tribunal, e então aproveitam a onda do momento para fazer ruído, para nos amedrontar e para nos dividir. Como disse o nosso presidente, neste momento não é ele, nem nenhum dirigente ou profissional que está em causa: é o Benfica, o nosso querido Benfica.
Se não formos nós a defendê-lo, não esperemos que mais alguém o faça."

Luís Fialho, in O Benfica

Os Pais

"Os dois irmãos não estavam presentes na sala, estava a tia, que é quem faz de mãe, pai e anjo da guarda do Pedro e do Gino desde que a explosão fez desaparecer, numa ápice e para sempre, os agravos do pai e os afagos da mãe que enchiam uma infância feliz.
O Pedro estava nas aulas, o Gino nos tratamentos, e o assunto era de adultos, para quê perturbá-los? Na escola estavam professores, associações de país, padres, autarcas, jovens universitários e alunos. O objectivo era comum e nobre: as associações de pais das escolas dos meninos lançavam uma campanha de compras para todo o recheio que irá encher a casa nova que está a ser construída pela Fundação Benfica.
Não podámos faltar, mesmo sabendo que a Fundação uniu esforços com a Prozis e a Espaço Abstracto para assegurar toda a construção, o que representa um importante investimento. Tínhamos mesmo de associar-nos para além de tudo isto, e foi o que fizemos, oferecendo um euro por cada euro que seja pago e garantindo assim metade do valor desta campanha que começou como um sonho, quase inatingível, dos promotores e que agora está claramente ao alcance.
Sensibiliza-nos tudo o que se faça em torno destes meninos, cuja causa abraçámos, mas o que nos tocou verdadeiramente foi ver a paixão com que pais e professores se entregaram à tarefa de procurar uma loja que aceitasse uma lista de compras integral, dos móveis do quarto à TV da sala e palamenta da cozinha. Depois, carinhosamente, foram às compras com os meninos e a tia escolhendo modelos, cores, tudo a gosto do sonho da nova casa.
Hoje, quem sabe nesta mesma noite, o Pedro e o Gino pensaram com os seus botões e sonharam., cada um, com o quarto novo que ai vem e com as coisas boas que a vida também tem e que trará para eles. E confortaram-se sabendo que os professores de quem tanto gostam e os pais dos seus colegas estão lá também para eles, protegendo e acarinhando, na falta dos seus. Dando conforto no presente e confiança no futuro. Reconstruíndo a enorme capacidade de sonhar destes meninos."

Jorge Miranda, in O Benfica

O João e o Fernando

"A atribuição a João Pereira do título de Triatleta Europeu do Ano é um grande momento para o desporto nacional. O João é um atleta de eleição, um dos melhores do mundo, e deve a ele próprio o sucesso que tem tido na sua brilhante carreira. Desde que ingressou no Sport Lisboa e Benfica, os seus resultados falam por si. João Pereira vive o triatlo 24 horas por dia. Trabalha como ninguém e é um verdadeiro exemplo de dedicação à modalidade. Tive o privilégio de estar com ele em dois programas da BTV e percebi que o Triatleta Europeu de 2017 é um homem inconformado. Ele quer sempre mais. No fundo, ele tem a Mística do Benfica! Numa das cerimónias de atribuição de prémios da Confederação do Desporto de Portugal reencontrei-o. Como é habitual, o João estava nomeado para um prémio. No final da cerimónia, fui cumprimentá-lo.
O João estava com o Fernando Pimenta, o melhor canoísta português. Naquele momento, não hesitei e disparei: 'João, além das conquistas para o nosso Clube e para Portugal, tem outra missão importante - convencer o Fernando a ingressar no SL Benfica!' Enquanto o João sorria e dizia que já lhe tinha dito isso várias vezes, Fernando Pimenta, com a simpatia que o caracteriza, respondeu-me: 'Nunca se sabe!' Desde essa noite fiquei com a sensação de que um dia o Fernando seria atlera do maior clube português! Quando na semana passada, o vi sentado ao lado do nosso vice-presidente Fernando Tavares, a ser apresentado como atleta do Benfica Olímpico, confesso que vibrei imenso. São atletas como João Pereira e Fernando Pimenta que engrandecem a dignificam o SL Benfica."

Pedro Guerra, in A Bola

Perplexidade. Repulsa. Indignação.

"O Presidente Luís Filipe Vieira, falando em nome da direcção do Clube e da Benfica Futebol SAD, disse inequivocamente, no sábado passado, o que os Benfiquistas esperavam ouvir há muito tempo: sentidas palavras da perplexidade, de repulsa e da indignação.
A avalancha de intoxicação da opinião pública, instrumental e exclusivamente baseada na amoral profanação da privacidade e na mais aberrante campanha pública de execração das garantias individuais fixadas na Lei fundamental do nosso país e na própria Carta Universal dos Direitos do Homem, havia se mantido impunemente à solta durante meses e meses, chegando a merecer a inacreditável consonância de um juiz da mesma cor e com a mesmíssima perversa alma dos criminosos. Que real juízo podíamos nós, Benfiquistas, ir fazendo de uma Justiça assim tão parcial e desconcertante?
Comentadores achistas (daqueles que, de miseráveis pedigrees, acham, acham, sempre sem critério, nem pudor, nas glosas de ocasião) persistiram em espojar-se em chãos da desvergonha para ganharem obscenas medalhas de eficiência clubística, misturados no mesmo orfeão diabólico de inexperientes repórteres feitos à pressa e de jornalista sem currículo nem honra, a bolçar a baba podre de supostas previsões, projecções, cenários o falsas narrativas de putativos crimes - como se tudo fossem realidades provadas... Ao longo de meses, uns e outros, muito convencidos das exclusivas perspectivas unilaterais dos indignos servidores oficiais que lhes haviam passado as dicas, até sentenças defecaram pelas bocas, permitindo-se julgar e condenar impunemente, a torto e a direito, sem contradita ou ponderação!
Televisões, rádios, jornais e e-papers (talvez com raras excepções de alguma contenção editorial nas estações de TV e rádio do serviço público da RTP...) esparramavam-se no clima da generalizada euforia alarve criada pelos serviçais azuis e verdes, muitas vezes multiplicados no esgoto das redes sociais. Tudo parecia ser progressiva e metodicamente insuflado pelas arrochadas investigativas judiciárias de sentido único, contra tudo o que mexesse no Benfica, enquanto o senso comum ia vendo escoarem-se, a pouco e pouco, as questões primordiais da profanação da privacidade e da exibição dos materiais roubados que continuava a desenvolver-se á la gardère.
A emotiva intervenção do Presidente Luís Filipe Vieira no passado fim de semana não abre, apenas, uma nova atitude, proactiva, do Benfica, perante a ignóbil campanha da desvergonha; supõe também que venham a esclarecer-se muitas interrogações do senso comum.
A quem aproveitaram todos os casos e, sobretudo, todos os descasos da Justiça, perante o roubo primordial de que foi alvo o Benfica? Quem beneficiaria, afinal, do regime de estendal? Os polícias? Os procuradores? Os Juízes? Certas empresas de comunicação e (pelo menos) alguns dos seus funcionários? Outros clubes? O futebol português? E, mais ainda, quem pagava e quanto e como se pagaria a uns, outros e ainda a outros, para ter criado e desenvolvido toda aquela baderna mediática de infernos inventados em que, exclusivamente, só parecia que se queria atingir a queimar o Benfica vivo fortíssimo?
A decisão anunciada por Luís Filipe Vieira na expectativa de um relacionamento saudável com todas as sedes da Justiça há de revelar-se crucial para o esclarecimento das respostas a essas e outras, muitas perguntas do senso comum.
Em todo o caso, que não nos restem dúvidas: apesar de a nossa equipa principal de futebol manter intactos os índices de produtividade e de afirmação no contexto competitivo fundamental da I Liga, deixem-me dizer que - pelo menos até ao lavar dos cestos do actual campeonato - ainda continuaremos a ser o bode expiatório da instável dança entre os justiceiros - os verdadeiros e os bastardos. Só que, a partir de agora, a nossa nova harmonia definirá melhor a cadência desse baile."

José Nuno Martins, in A Bola

A (de)pressão atinge todos!

"A recente entrevista dada por André Gomes e uma revista espanhola teve impacto em todo o mundo desportivo, com destaque no meio futebolístico. A forma clara como falou dos seus problemas demonstra uma clarividência pouco comum, mas acima de tudo a coragem a que se referiu o seu treinador. Não é fácil assumir estes momentos, bem pelo contrário. Também recentemente, o alemão Mertesacker, central internacional, de 33 anos, que joga no Arsenal, contou como o futebol lhe está a provocar ansiedade e a afectar a própria saúde. Não há jogo em que não vomite, antes ou depois do mesmo. Estes são apenas dois exemplos, de dois jogadores que tiveram coragem de assumir o que se passa com muitos mais.
Na verdade, quem é constantemente julgado, na maior parte das vezes por avaliadores com menor capacidade que os avaliados, está quase sempre em stress competitivo e em ansiedade na sua vida profissional, e tem todas as condições para no plano psicológico ter problemas, por vezes desvalorizados, com influência decisiva no rendimento diário. Os profissionais de futebol (jogadores, técnicos e árbitros) são claramente dos mais expostos a estes problemas.
A Federação Internacional de Futebolistas Profissionais (FIFPRO) revelou dados interessantes, transcritos pela revista Jogadores neste seu último número: 43% dos jogadores no activo sofrem de ansiedade ou depressão, este número baixa para 35% quando os jogadores se retiram do jogo. Na realidade, a pressão existente no futebol tem atingido níveis insuportáveis, quer pelo mediatismo quer pela forma como são dirigidos as equipas e as competições. As estruturas dirigentes têm que recorrer a especialistas que possam ajudar a encontrar defesas para suportar este ambiente de pressão.  E todos têm que estar incluídos, dos adeptos aos presidentes, passando elos profissionais que estão mais expostos, os já referidos jogadores, técnicos e árbitros."

José Couceiro, in A Bola

Carta aberta a André Gomes

Parabéns, André!
Pela coragem com que assumiste as tuas angústias (e já agora pela escolha do meio para o fazer). 
Obrigado por nos lembrares que os jogadores também têm direito a receios, imunes ao saldo da conta bancária.
Tu próprio reconhecerás que pior está a vida de quem não faz o que gosta, de quem nem sabe se vai ter dinheiro para colocar comida na mesa, ou de quem está longe de ter a saúde de um atleta de alta competição.
Mas isso não quer dizer que sejas indiferente ao teu trabalho, e felizmente mostraste que não és. Que não queres saber apenas se o dinheiro bate na conta ao final do mês, que não estás acomodado a tudo aquilo que já conquistaste aos 24 anos.
É o desejo de corresponder às expectativas que te faz sentir incompleto, é essa vontade de retribuir que não afasta a frustração. Mas nota que muitas vezes a vergonha não é mais do que um sinal de humildade.
E se a crítica deve ser justa, a autocrítica também não pode estar condicionada logo à partida. E afastada a clubite, aqui ou em Espanha, poucos são aqueles que arriscam diminuir os teus méritos. Por isso não o faças tu.
Não é com mera benevolência que se explica a maturidade com que apareceste no Benfica, a firmeza com que te tornaste uma figura no Valência e depois acabaste recrutado pelo Barcelona, clube pelo qual já fizeste 73 jogos, divididos entre dois treinadores. Estás no palco ideal para desfrutar, num balneário onde dificilmente te apontam o dedo por (pretensa) falta de intensidade.
Por isso parabéns, uma vez mais.
Pelo que conquistaste até aqui, e pela entrevista, que me deixou a divagar também nas inseguranças naturais de jovens como Renato Sanches, João Mário ou André Silva.
O bloqueio é mental, André, mas logo perceberás que aquilo que te pesa não é a consciência, são as pernas. E isso faz toda a diferença para enfrentar os medos.
Força.»"

Alvorada... do Valdemar

Benfiquismo (DCCLXXVIII)

Duo...

Aquecimento... Vamos à Feira!

Um 'Jonas' a comunicar

"Os bastidores do futebol, os jogos de poder, as relações com Federação e Liga, os negócios, o mercado e o entendimento de muitas coisas que se passam na ‘Fábrica do Seixal’ podiam ser um mundo estranho para José Eduardo Moniz quando, em 2012, aceitou o convite de Luís Filipe Vieira para ser um dos vice-presidentes do Benfica. Quase seis anos depois, talvez Moniz não seja ainda um expert nalgumas matérias puramente futebolísticas, mas a entrevista de ontem na BTV confirmou que mantém intocável uma rara qualidade para comunicar e fazer passar a mensagem certa.
Um dos pontos mais importantes da conversa foi o momento em que Moniz acabou por dar uma notícia: Paulo Gonçalves, afinal, colocou o seu lugar à disposição. Os colectivos da SAD e da direcção, como também foi dito, não aceitaram. Terá sido por pretender relevar o carácter do advogado, indiciado por crime de corrupção activa, que o antigo homem-forte da TVI decidiu tornar público o caso. E, se foi o caso, fez bem.
Na semana passada já Nuno Gaioso, também vice-presidente e administrador, tinha dado uma interessante entrevista. Ontem foi a vez de Moniz. Pelo meio, de improviso, Vieira tinha deixado a firme indicação de que o Benfica está agora pronto para fazer aquilo que uma organização com a sua grandeza já devia ter feito há muito tempo: cerrar fileiras. O resto será com a justiça."

Nuno Farinha, in Record

quinta-feira, 15 de março de 2018

Alvorada... do José Nuno

Cronometragem

"O futebol parece estar – finalmente! – aberto a fazer alterações nas suas regras, de que a adopção do vídeo-árbitro terá sido a mais significativa, pese embora a dificuldade em se afirmar.
Também as alterações na cronometragem são já admitidas como indispensáveis.
Com a paragem do cronómetro – e a contagem do tempo real do jogo –, deixávamos de assistir ao ridículo de algumas compensações, escassos 3 ou 4 minutos em jogos em que a bola esteve em movimento pouco mais de uma hora (ou nem isso).
Todavia, entendemos que pecam por defeito as duas soluções que vemos mais defendidas, quer a que limita o rigor ao tempo de compensação (variável, critério do árbitro), quer a que o fixa nos últimos 10 minutos.
É pacífico que durante a 1.ª parte há menos anti-jogo, pelo que será de manter a actual compensação pelo árbitro; mas defendemos que toda a 2.ª parte tenha cronometragem exacta, feita de forma independente do árbitro (como nas modalidades de pavilhão), sendo normal que o tempo extra não exceda 15 minutos.
Assim, em regra, o tempo real de cada jogo (incluindo o intervalo) não ultrapassará as duas horas, perfeitamente compatível com a programação televisiva.
E, certamente, seria dado um golpe fatal no anti-jogo que campeia por esses campos fora, com o esférico atirado para a bancada, as lesões simuladas, as substituições arrastadas, as decisões contestadas e a marcação das faltas demorada até ao extremo – tudo a redundar no exagero de provocar a exibição de cartões, a justificar novos e ainda maiores atrasos; e o espectáculo sairia reforçado, sem necessidade de refrear o natural entusiasmo na festa dos golos, sob a qual incidem rígidas e desajustadas medidas punitivas.
Acresce ainda que, com a cronometragem exacta e o relógio à vista de todos, os primeiros beneficiados serão os próprios jogadores que, dentro do campo, não têm noção do avanço dos minutos; as intervenções do VAR não sofriam pressão de urgência, como agora acontece; e, para a cronometragem rigorosa, os meios necessários serão os mesmos para 5, 10 ou 45 minutos."

A revolução desnecessária

"Contra a tendência e filosofia do futebol, procura-se incutir em Portugal um modelo que nem os seus criadores convenceu.

Dei por mim, há uns dias, a dar com uma partilha de um colega jornalista no Twitter acerca do Légia de Varsóvia. Não. Isto não é um artigo sobre o futebol polaco, ou o campeonato polaco, por muito que a competição seja uma das menos valorizadas da Europa e mereça mais amor. O post era acerca do facto do Légia se ter tornado no primeiro clube do Mundo a agrupar as suas camadas jovens por idade biológica e não idade cronológica como sempre foi habitual e regra no futebol. A discussão é cada vez mais forte, mas foi o Légia a equipa que deu o primeiro passo. Nem todo o ser humano se desenvolve da mesma forma e com a mesma velocidade e, no caso do futebol, nem todos os jogadores beneficiam desportiva e fisicamente de competir contra atletas exclusivamente das suas idades.
Esta linha de pensamento começou a ser cada vez mais presente no novo milénio e foi algo que permitiu que países como a Alemanha, a Espanha, a Bélgica e a França dessem um salto significativo na qualidade das suas academias jovens e se reconstruissem futebolisticamente ao ponto de se terem tornado quatro das principais potências do futebol Mundial. Com um ajuste muito simples e que países como a Inglaterra passaram a emular de há uns anos a esta parte: desligar o chip da idade cronológica e oferecer estímulos diferentes a jogadores em fases de maturação diferentes. De uma forma prática, estas federações reorganizaram-se e começaram a disputar torneios sub qualquer coisa com jogadores do escalão sub anterior. Os Sub-16 jogavam nos Sub-17, os Sub-17 nos Sub-18, os Sub-18 nos Sub-19 e por aí fora. Ou seja, jogadores mais novos passaram a jogar contra atletas mais velhos, mais cedo. Maturando mais rapidamente, crescendo desportiva, pessoal e fisicamente.
Nada disto deve ser dogmático e daí a ideia do Légia em agrupar atletas pela sua idade biológica. O Légia tornou-se a primeira equipa a fazê-lo como filosofia, mesmo que alguns clubes já o fizessem internamente em casos pontuais. Num artigo publicado pela Vice em 2016, o antigo responsável pela formação do Southampton FC explicava porque razão o clube colocou Alex Oxlade-Chamberlain a treinar fora do seu escalão, não com jogadores mais velhos, mas com jogadores mais novos. “Chamberlain atingiu um ponto em que não estava propriamente em risco de ser dispensado, mas havia uma decisão a tomar pois era demasiado pequeno e frágil para jogar contra atletas do seu escalão etário. Decidimos que ao invés de o colocar a jogar num escalão acima, ele iria treinar com atletas mais novos um ano”, explicou James Bunce. O técnico assegurou que a decisão fez maravilhas à confiança de Oxlade-Chamberlain que assim passou a jogar contra atletas com uma fisionomia semelhante e podia finalmente desenvolver-se tecnicamente sem ser “smashed off the ball”.
Oxlade-Chamberlain é um exemplo em muitos de jogadores que demoraram o seu tempo a crescer porque a própria natureza o decidiu. Um exemplo de que nem sempre é justo jogar contra atletas de idade cronológica semelhante, não porque maturaram cedo demais, mas porque demoraram a maturar. Quando Chamberlain cresceu e ganhou corpo, estreou-se pela equipa do Southampton. Tinha 16 anos. O resto é história. É hoje internacional inglês e joga numa das melhores equipas do país. 
Vem tudo isto a propósito de mais uma revolução desnecessária no futebol português e que acima de tudo parece contrariar a lógica e a tendência das metodologias de treino atuais. Quer, a FPF, incutir um modelo semelhante ao inglês de um campeonato sub-23, competição que já recebeu sinal positivo de clubes como o Sporting, o SC Braga ou o Rio Ave. É certo que tal competição não implica a desistência das equipas B, mas será um contrassenso se esses mesmos clubes terminarem com as suas equipas B, que competem em escalões profissionais, para obrigar os seus jovens jogadores a disputar uma competição restritiva.
Desde que as equipas B regressaram ao futebol português em 2012/13, Portugal foi vice campeão europeu sub-21 em 2015, vice-campeão europeu sub-19 em 2014 e 2017 e, claro, campeão da Europa sénior em 2016. Em poucos anos Portugal venceu ou esteve nas decisões das grandes competições de selecções como nunca conseguira estar em tão curtos espaços temporais. Pelas equipas B passaram internacionais seniores recentes como Paciência, Bruma, Gelson Martins, João Cancelo, André Silva, Renato Sanches, Ricardo Pereira, Gonçalo Guedes, Bernardo Silva, Nélson Semedo ou André Gomes. Outros estarão na calha, com vários internacionais jovens por Portugal a contarem já preciosos minutos em ambiente profissional porque essas mesmas equipas B disputam competições profissionais como a segunda liga. Nem todos os jogadores beneficiam de jogar um escalão acima, é certo, mas a experiência diz que são muitos aqueles que disso tiram partido. Desistir das equipas B para disputar um campeonato etário é, por isso, um retrocesso no bom que tem sido feito no futebol português nos últimos anos.
Depois... há a questão do modelo. Que a segunda liga precisa de uma reformulação profunda, poucos devem duvidar. Comercialmente não é de todo apelativa e em termos organizacionais, com várias jornadas a meio da semana com horários a meio da tarde, roça o aberrante. Num país com dificuldade em ter assistências em estádio ao fim de semana, pouco ou nenhum sentido faz jogar-se a meio da semana e a meio da tarde. Promovido pela FPF como um modelo vencedor, emulando a Premier League 2, ou Premier League Sub-23, a verdade, é que tal modelo continua a ser debatido como profundamente defeituoso por Inglaterra. Com um impacto mediático e desportivo nulo, a Premier League 2 foi apenas um modelo de recurso encontrado pelo organismo britânico face à recusa dos clubes da Football League em aceder à colocação de equipas B, ou Sub-23, nos campeonatos profissionais. No máximo, a Premier League conseguiu encaixar equipas Sub-23 no Football League Trophy, competição que era disputada apenas pelas equipas da League One e Two (não confundir com a League Cup), medida que destruiu por completo a competição e afastou os adeptos dos estádios nos encontros da mesma ao ponto da discussão actual estar muito próxima da sugestão de extinção da competição.
Aquele é visto como um modelo a seguir pelos dirigentes portugueses, não é mais do que um campeonato de reservas das reservas em Inglaterra. Os melhores jogadores sub-23 são emprestados para equipas da Football League e na PL2 competem jogadores que procuram recuperar de lesões, bem como os miúdos que não encontram espaço em ambiente profissional. Serve o Manchester United de exemplo. Último classificado da 1ª divisão da PL2, tem neste momento emprestados em equipas profissionais os melhores jogadores jovens do clube. Fosuh-Mensah está no Palace, Tuanzebe e Sam Johnstone no Aston Villa, Andreas Pereira em Valência, James Wilson no Sheffield United, Dean Henderson no Shrewsbury Town, Regan Poole no Northampton Town, Demetri Mitchell no Hearts, Charlie Scott no Hamilton Academical e Matt Willock no St. Johnstone. Para um clube que tira verdadeiramente proveito da competição, como o fez o Everton na temporada passada, muitos mais são aqueles que dela pouco proveito tiram.
O modelo inglês tem muito que deve ser apreciado, mas a nova revolução que parece querer incutir-se no futebol português parece ser uma revolução desnecessária. O que não funciona em Inglaterra, dificilmente funcionará em Portugal. Olhar para a capacidade de organização, competitividade e comerciabilidade? Façam o favor. Dificilmente uma competição secundária é tão rica e bem estruturada quanto a Inglesa. Mas não a nível de competições jovens nacionais e internas. Não, aí, ainda andam às apalpadelas. O futebol português e principalmente as divisões secundárias precisam de uma arrumação, mas este dificilmente será o caminho."

Benfiquismo (DCCLXXVII)

Até debaixo do chapéu...!!!

Lanças... mais perto!

Benfica FM - Ep. 22