Últimas indefectivações

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Fim do estágio...

Birmingham City 0 - 1 Benfica B

Despedida de Inglaterra com nova vitória...

PalhaSADas

"Chegaram como sendo a panaceia mas cedo mostraram os piores ângulos do negócio. As Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) pareciam poder ampliar riqueza e vitórias mas, salvo raras excepções, foram é criando problemas. E muitos deles até pareciam anunciados de véspera, por manifesta falta de garantias, incluindo as de natureza bancária...
De promessas de sucesso empresarial e desportivo se fizeram então as ilusões de incautos dirigentes cansados de gastar do deles. E bastou, por exemplo, um qualquer iraniano falido de dinheiro e de talento para que um histórico como o Beira-Mar, sedeado numa das principais capitais de distrito, descesse aos infernos crivado de dívidas!
Esta não foi, aliás, a única má experiência com as SAD. Clubes como Atlético (chineses no meio...), Santa Clara (em discussão judicial...), Belenenses (investidores e dirigentes às turras...), Estoril (o dono da Traffic à rasca com a justiça...), Leixões (a apelar a novos parceiros...) ou Olhanense (italianos sem soldi...) só não rebentaram (ainda) com as respectivas estruturas por mera casualidade. E ninguém está seguro de que o filme termine bem. Mais recentemente, em Freamunde, alguém dava ainda conta de que capitalistas argentinos iriam passar a pagar a factura. E, no Aves, a maioria das acções pertence agora à Galaxy. A ver, portanto, como se sairão.
Voltemos ao Beira-Mar, cuja SAD também chegou a ser dominada por um extertor italiano que deixou tudo menos saudades. Enquanto dirigentes amadores mas cidadãos responsáveis geriram a loja, ela funcionou, entre tropeções e mecenato; quando entregaram a pasta a empresários de segunda, deu tudo mal. Por isso pasmei ao ler que os sócios do Feirense aprovaram a cedência de 70 por cento da futura SAD a investidores nigerianos, os quais, como se sabe, são excelentes neste tipo de actividade!...
Pois é: cada um traça o seu destino, quase sempre empurrado pelas retóricas. Mas há apostas que não enganam."

Paulo Montes, in A Bola

Este futebol não está para consensos

"A AG da FPF agiu com bom senso ao chumbar o sorteio dos árbitros. Amanhã se saberá quem vai ser o presidente da Liga. Duque ou Proença?

A primeira de duas importantes votações no âmbito do futebol português saldou-se com um triunfo, claro e expressivo, do bom senso. Os sócios da FPF disseram que recusavam medidas de legalidade duvidosa, tomadas no calor da discussão, sem o alcance necessário quanto ao cerne da questão. O sorteio, mesmo condicionado, dos árbitros, seria uma medida terceiro-mundista sem adequação à realidade nacional. De qualquer forma, a discussão suscitada em torno deste tema, não terá sido em vão. É desejável que o Conselho de Arbitragem da FPF explique melhor o porquê das nomeações e torne absolutamente clara a situação dos árbitros face ao índice de dificuldade atribuído a cada jogo. É verdade que, nos tempos do Apito Dourado (e antes, na era dos chitos) as trevas dominavam e não há comparação possível com a transparência actual. Mas, mesmo assim, o Conselho de Arbitragem deve aprofundar a divulgação de critérios e as notas de cada árbitro. Paredes de vidro, porque quem não deve, não teme.
A outra votação terá lugar amanhã e em causa está a presidência da Liga de Clubes. Cada emblema da I Divisão tem dois votos e cada um dos da II Divisão tem um voto. É aí, no aliciamento directo que as coisas vão decidir-se. Luís Duque parte com a vantagem de, reconhecidamente, ter realizado um óptimo trabalho na Liga, devolvendo a instituição, em nove meses, a credibilidade perdida. Apareceram patrocínios para os dois escalões profissionais e para a Taça da Liga, enterrou-se o machado de guerra com os árbitros e criou-se um clima de diálogo no Conselho de Presidentes. Nada fazia, pois, prever que houvesse vontade de criar uma candidatura alternativa. Mas houve e Pedro Proença vai amanhã a votos. É um nome que, à partida, não faz muito sentido por não ter qualquer ligação passada aos clubes (e trata-se da Liga de Clubes!), quando havia, até na órbita de FC Porto e Sporting, personalidades como Angelino Ferreira e José Couceiro, com perfil adequado para as funções, reservando-se as ambições de Proença para o campo onde é perito, a arbitragem. Mas, mais uma vez, o consenso entre clubes não foi desejado e amanhã se saberá quem assume a presidência da Liga e, por inerência, a vice-presidência da FPF. E será, provavelmente por aí que se encontra explicação para a candidatura de Pedro Proença...

Portugal sobreviveu à roleta russa
«É um grupo em que Portugal parte como favorito, mas é preciso ter muita atenção porque não é um grupo tão fácil como se vai dizer»
Fernando Santos, seleccionador nacional
Um bom sorteio. Desde que encare as dificuldades com seriedade, Portugal tem tudo para estar no Mundial da Rússia. Boas notícias para Fernando Santos, que tem a responsabilidade de, a médio prazo, enquadrar as gerações dos atuais sub-20 e sub-21 na equipa principal e também para Fernando Gomes, que pode agora projetar, sem cinto apertado, o futuro da FPF.

ÁS
Marco Chagas
Quem acompanhou o Tour na RTP 2 só pode agradecer a extraordinária realização francesa e a competência dos comentários nacionais: João Pedro Mendonça e Marco Chagas pedalaram em grande e com eles percebeu-se a Grande Boucle. A intervenção de ontem de Marçal Grilo foi a cereja no topo do bolo!

ÁS
Chris Froome
Depois de ter aguentado, muito à justa, o tremendo ataque final de Nairo Quintana na etapa do Alpe D'Huez, o chefe-de-fila da Sky suspirou de alívio quando cortou a meta em Paris. A segunda vitória no Tour já ninguém lhe tirava. Para o ano há mais e os suspeitos do costume vão tentar impedir o tri do queniano branco.

REI
João Sousa
O melhor tenista português de sempre esteve em grande na Croácia e apesar de ter perdido na final para o austríaco Dominic Thiem, uma das maiores promessas da modalidade, mostrou que vive com naturalidade nos primeiros 50 do ranking ATP e que, com um pouco mais de continuidade pode chegar-se mais à frente...

O 'circo' continua montado à volta de CR7
Cristiano Ronaldo 'mostrou as garras' a Rafa Benitez e isso foi suficiente para disparar as notícias sobre a iminente saída de CR7 de Madrid. Não creio que isso venha a suceder na presente época. Ronaldo está a dez golos de se tornar no melhor marcador merengue de sempre e não pode virar as costas à história.
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola

'Abater' Duque...

"Coligação liderada por Sporting e FC Porto viu o seu primeiro passo receber claríssimo chumbo na AG da FPF. Elementar bom senso: veemente «não» a árbitros nomeados por sorteio, o que cobriria de ridículo o futebol português por essa Europa fora (em nenhum país existe tamanho absurdo...).
No seu estilo de metralhar todos que o contrariam, Bruno de Carvalho chamou incompetentes e hipócritas à enorme maioria dos delegados à AG (53 vs 17, a diferença de votos...) e, claro, Luís Duque foi alvo mor das suas rajadas. Fez-se esquecido de que este seu ódio de estimação teve apenas o voto correspondente ao 'peso' de presidente da Liga que, estatutariamente, não domina federativa AG. Tal como se fez esquecido de que a presidência da AG solicitara pareceres a dois especialistas em Direito Desportivo, ambos apontaram ilegalidades face à Lei de Bases e aos estatutos da FPF, e, mesmo assim, a proposta pró sorteio foi a votos porque Luís Duque recusou retirá-la. Pinto da Costa, sagaz face a derrota tão nítida, ficou em silêncio.
Vem aí o segundo passo da súbita coligação Sporting-FC Porto. O mesmo alvo: Luís Duque. Agora, retirar-lhe presidência da Liga à qual se recandidatou após ser encomiasticamente elogiado em reunião dos clubes pelo seu trabalho no SOS de 9 meses para resgatar a Liga de bancarrota e tremendo descrédito. Única excepção nesse intenso elogio: o Sporting. Mas eis que, num ápice, Pinto da Costa se juntou a Bruno de Carvalho na recusa de Luís Duque e desejo de novo líder da Liga de clubes: o recentíssimo ex-árbitro Pedro Proença.
Aí está a próxima 'batalha'. A menos que os quase unânimes rasgados elogios dos clubes a Luís Duque tenham alinhado na hipocrisia de que Bruno de Carvalho fala, Sporting e FC Porto estarão a caminho de segunda derrota."

Santos Neves, in A Bola

Pontos cardiais

"Percebemos que o Sporting perdeu claramente, o FC Porto perdeu parcialmente e que o Benfica ganhou indiscutivelmente.

1. (...)
2. No sábado o sorteio dos árbitros foi largamente chumbado na Assembleia Geral extraordinária da Federação. Os números são eloquentes. E importa dizer, assim, que nem todos os clubes profissionais que integram a referida Assembleia Geral votaram a favor do sorteio. Que tinha sido aprovado na Assembleia Geral da Liga. Não é caso nem para falar de derrota nem, como alguns, de «tormenta». É caso para assumir, tão só, que o órgão deliberativo máximo do nosso futebol entendeu manter, na linha da globalidade das outras federações mundiais, a nomeação como método comum de designação dos árbitros nas nossas principais competições. Percebemos que o Sporting perdeu claramente. Que o Futebol Clube do Porto perdeu parcialmente. E que o Benfica ganhou indiscutivelmente. Não é nenhum sinal nem para a época desportiva nem para as eleições para a Liga que amanhã se disputam. É a derrota, sim, de todos aqueles que, principalmente às escondidas, queriam fragilizar a estrutura de arbitragem da Federação e, em particular, do seu Presidente Vítor Pereira. Como aqui escrevemos muitos dos que votaram na Liga a favor do sorteio não o fizeram por convicção. Fizeram-no por meros interesses de conjunturais. Muitos não queriam, de verdade, qualquer mudança no sistema. Queriam, tão só, advertir a liderança da arbitragem. E pressentindo eu que alguns treinadores de clubes que defendem o sorteio assumem, no seu íntimo, que a nomeação dever ser o método preferencial de designação das equipas de arbitragem. E escrevi, para alguns distraídos ou que se fingem desconhecedores, equipas de arbitragem!
3. Ontem terminou a Volta a França e na próxima quarta feira arranca, em Viseu, a Volta a Portugal. Não esqueço que a Volta a França só parou duas vezes. Em 1915 e em 1940 em razão das duas Grandes Guerras Mundiais. É que, como se escreveu, «uma paragem do Tour é uma paragem do coração». Este ano a nossa Volta termina, de novo, em Lisboa. Passando pela Senhora da Graça e Oliveira de Azeméis. E não esquecendo, naturalmente, a Serra da Estrela. Momento único. Paisagem inesquecível. Momentos singulares. O povo abraça os ciclistas. Empurra-os. Estimula-os. Molha-os. E eles olham para o céu que quase os toca e que os motiva à superação. O ciclismo é, hoje em dia, um dos poucos desportos de 'todos'. Leva às bermas das estradas jovens e menos jovens, homens e mulheres. A Volta a Portugal vai prender as atenções de milhares de desportistas. A par de contratações de jogadores ou dos resultados dos primeiros jogos oficiais no âmbito da Liga Europa. E o interessante é que acaba a Volta na tarde do dia 9 e nessa mesma noite Benfica e Sporting disputam, num lotado Estádio do Algarve, o primeiro troféu oficial da época.
4. Setenta anos depois do final da Segunda Guerra Mundial e, logo do Holocausto, - e sabendo todos que os Jogos Olímpicos de Berlim em 1936 foram um dos marcos desportivos de Hitler - arrancam, amanhã, também no Estádio Olímpico de Berlim, os denominados Jogos da Comunidade Judaica Mundial. A história do desporto deve registar, mesmo que em pequenas linhas, estes momentos. Onde a palavra tolerância se combina com lembrança. A recordação com humanidade. A grandeza com compreensão. Bem o senti quando, há alguns anos, visitei Jerusalém e pouco tempo depois Auschwitz. Visita que me marcou para a vida. E me ajudou a definir os meus pontos cardiais!"

Fernando Seara, in A Bola

Melhores...

New York Red Bull 2 - 1 Benfica

Ederson; Semedo, Luisão (Teixeira, 81'), Lisandro, Sílvio (Marçal, 81'); Samaris, Pizzi (Talisca, 66'), Carcela (Gaitán, 66'), John (Guedes, 45'), Taarabt (Djuricic, 45'), Jonathan (Jonas, 66').

O melhor treino da pré-época, resultado extremamente injusto, o Ederson que fez a sua estreia, não fez uma única defesa complicada, enquanto os 'dois' guarda-redes adversários foram os 'melhores em campo'!!!
Muitas alterações, com o Carcela, o Sílvio, o Lisandro e o Semedo a entrarem muito bem em jogo... O Taatabt também teve bons pormenores, mas também mostrou alguns vícios... O Jonathan voltou a ser o mais rematador, algo que até não é difícil, já que ele não passa a bola a ninguém!!! No 2.º tempo boa entrada do Djuricic; o Guedes algo complicativo, melhorou quando passou para a direita...

Marcámos cedo, o jogo estava totalmente controlado, podíamos e devíamos ter marcado mais... até que o Luisão errou (e esta noite errou várias vezes!!!). Não me recordo de um erro destes do Luisão. A verdade é que os jogadores do Benfica sentiram algumas dificuldades no controle de bola, não sei se foi por causa do relvado, ou da própria bola, mas isso foi visível todo o jogo, o próprio Ederson no primeiro lance da partida ia fazendo borrada...!!! Voltámos a entrar melhor no 2.º tempo, e num daqueles remates de uma vida, sofremos o 2.º, praticamente na 2.ª bola, que foi em direcção da nossa baliza!!! Até final, mais uma série de oportunidades falhadas. Destaque para o desperdício do Marçal (entrou bem), e os dois livres salvos por um defesa em cima da linha de golo...!!!

O Red Bull é mais fraco do que os nossos anteriores adversários, mas está a meio da época, completamente rotinados, e rodados. Mesmo assim hoje, foi visível aquilo que o Vitória pretende da equipa. Ofensivamente, com muitos jogadores novos, numa pré-época onde alguns lutam por ficarem no plantel, tivemos algum individualismo em excesso... principalmente o Jonathan (gosto dos avançados que rematam à baliza, mas às vezes é melhor passar...). A defender, tivemos bem quando pressionamos a todo o campo, nos primeiros 30 minutos, quando a dupla Samaris/Pizzi começou a gerir esforço, começamos a defender com as linhas mais baixas, e fechámos bem o caminho para a nossa baliza...
Aliás as substituições no meio-campo tardaram, foi visível no final da primeira parte, que o Samaris estava cansado. É provavelmente o jogador com mais minutos. Não sei se o Fejsa estava em condições, mas devia ter entrado... Pois com o Samaris em gestão de esforço, acabámos por ser menos agressivos no meio-campo, e demos alguma bola ao adversário desnecessariamente...

Nos primeiros jogos li algumas teorias sobre a estrutura da equipa, mas parece-me claro que a ideia é mesmo continuar a jogar no 442 tradicional (não vejo nenhum losango...), tal como fizemos nas últimas épocas, a diferença foi a 'tentativa' de usar o Talisca nas alas nas outras partidas...!!!

A memória é curta, mas o ano passado além da goleada no Emirates, perdemos todos os jogos com adversários de '1.ª Divisão', na pré-época. Suspeito que amanhã, o tema favorito das TV's e jornais, é o facto do Benfica ainda não ter ganho um jogo esta época... Pessoalmente, a forma como a equipa está a jogar, ainda me deixa algumas dúvidas, é preciso esperar para ver, mas hoje apesar do resultado, acabou por ser um bom jogo, a evolução positiva foi evidente... Portanto, não devemos entrar na onda!!!

É já na madrugada de Terça para Quarta (3 da manhã) o próximo jogo, na Cidade do México, com calor e altitude. Suspeito que o Júlio, o Jardel, o Almeida, o Eliseu, o Nico, o Jonas, e o Talisca (hoje começaram todos no banco) sejam titulares... Mas creio que hoje ficou provado, que o Sílvio na esquerda, e o Semedo na direita são actualmente as nossas melhores opções para as laterais (apesar do Semedo hoje defensivamente, não ter sido testado...). E também ficámos a saber que com um jogador tipo Carcela em campo, também sabemos jogar nas alas...

O negócio do Lima parece que ficou concluído hoje. Esta noite, o Taarabt e o Djuricic até mostraram bons pormenores, mas creio que é evidente que para o Tugão (na grande maioria dos jogos), temos que jogar com dois jogadores de área. Portanto Jonas e Jonathan é curto. É preciso outro avançado de área...
Assim como um lateral direito, pelo menos um extremo, e o '8'... são estes os meus pedidos.

Pedido final: alguém compre o Ola John, por favor... Acho mesmo que o Benfica, nem deve ser muito exigente com o preço!!!

domingo, 26 de julho de 2015

Campeões...

Decorreu este fim-de-semana em Leiria o Campeonato Nacional Individual de Atletismo de Pista ao Ar Livre. Como seria de esperar foram muitos os Benfiquistas que se sagraram Campeões Nacionais, apesar de algumas ausências. As marcas não foram nada de especial, mas neste momento os títulos são mais importantes:
Masculinos
- Yazaldes Nascimento - 100m - 10,32s
- Rasul Dabó - 110m barreiras - 14,26s
- Ricardo dos Santos - 200m - 21,04s
- Ricardo dos Santos - 400m - 47,05s
- Diogo Mestre - 400m barreiras - 52,11s
- Miguel Borges - 3000m obstáculos - 9.06,06min
- Rui Pinto - 5000m - 14.17,80min
- Marcos Chuva - Comprimento - 7,37m
- Nelson Évora - Triplo Salto - 16,39m
- Rúben Miranda  -Vara - 5,35m
- Paulo Conceição - Altura - 2,16m 
- Tiago Aperta - Dardo - 66,65m
- Jorge Grave - Disco - 58,2m
- Tsanko Arnaudov - Peso - 19,79m
- Samuel Remédios - Decatlo - 6924p (100m-11,02s / Comp.-7,30m / Peso-11,69m / Altura-1,92m / 400m-52,56s / 110m b-14,66s /Disco-38,72m / Vara-4,15m / Dardo-41,73m / 1500m-5.09,42min)
Femininos
- Eva Vital - 100m barreiras - 13,82s
- Rivinilda Mentai - 200m - 23,89s

Um novo rumo?

"1. Não é segredo que o futebol vive, e nalguns casos intensamente, num modelo capitalista. É aquilo que muitos referem como a indústria do futebol. Portugal não foge a esta realidade.
2. Depois de experiências passadas, não muito bem-sucedidas, avolumam-se notícias que dão conta de que investidores chineses, russos, brasileiros e ainda 'fundos de jogadores', apostam em clubes portugueses. As notícias referem, por exemplo, o Pinhalnovense, o Torreense, o Atlético, a União de Leiria e o Desportivo das Aves.
3. Este é um fenómeno novo quanto aos destinatários do investimento. Além dos fluxos financeiros tidos por normais ao nível das grandes e médias sociedades desportivas, o foco vira-se para participantes no CNS.
4. Que razões estão por detrás deste interesse? Do lado de quem recebe os financiamentos, com a correspectiva perda de poder nos destinos da entidade, representa uma forma de manter o clube viável, desde logo ao nível competitivo, ultrapassando dificuldades económicas urgentes.
5. Do lado dos investidores, que não são mecenas, alguns assumidos publicamente: tornar o clube montra de jogadores para aguçar 'apetites'. É indisfarçável que os 'fundos', agora proibidos pela FIFA, passaram a adoptar outras formas de funcionamento, entre as quais a 'aquisição de clubes'.
6. Este panorama parece ser desejado por ambas as partes, pelo menos no início da parceria. Mas existem perigos. Relações deterioram-se em alguns casos. As organizações não podem deixar de estar atentas a este rumo e a eventuais desvios dos princípios que devem orientar as competições desportivas.
7. Voltaremos em Setembro. Votos de um bom Agosto."

José Manuel Meirim, in A Bola

Rodam como Fred Astaire

"Anelka, Ibrahimovic, Crespo, Verón, Zidane e Di Maria movimentaram nada menos de 674 milhões de euros em 39 mudanças de clube.

Impressionante: Nicolas Anelka, Zlatan Ibrahimovic, Hernán Crespo, Juan Sebastían Verón, Zinedine Zidane e Angel Di María fizeram, em conjunto, nada menos de 39 mudanças de clube. Passaram por equipas tão diferentes como PSG, Arsenal, Real Madrid, Liverpool, Manchester City, Fenerbahçe, Bolton, Chelsea, Shanghai Shenhua, Juventus, West Bromwich, Mumbai City, Malmoe, Ajax, Inter, Barcelona, Milan, River Plate, Parma, Estudiantes, Boca Juniors, Sampdoria, Lazio, Manchester United, Rosário Central e Benfica. Movimentaram nada menos de 674 milhões de euros: 184 milhões para Di María (se se confirmar a ida para o PSG por 65 milhões), 169 para Ibrahimovic, de 119 milhões para Crespo, 116 milhões para Verón e 86 milhões para Zidane. O que interessa no fundo (nos fundos), é rodar. Rodar muito. Como Fred Astaire. Quanto mais se rodar, mais dinheiro gira, mais dinheiro se encaixa. Jogador de amor à camisola, de um só clube, é que é jogador caro. Se tivesse 20 anos, Eusébio haveria de saltar do Sporting de Lourenço Marques para o Benfica, depois para o Real Madrid, de seguida para o Chelsea, mais tarde para Milan ou Juventus, uma perninha no PSG, outra no Mónaco, curta passagem pelo Valencia, depois seguiria para os LA Galaxy, para o Hangzhou Greentown, para o NorthEast United, regressaria ao Milan ou Juventus ainda antes dos 30 anos e só depois iria para Galatasaray, Fenerbahçe ou Besiktas (taxado apenas a 15%), terminando, então sim, no União Tomar (ao lado de António Simões). Eusébio, se tivesse 20 anos, rodaria, rodaria, rodaria, como Fred Astaire agarradinho a Ginger Rogers, deixando meio mundo de olhos em bico. Felizmente, Eusébio foi jogador (quase) de um clube só. Como Fernando Gomes. Ou Manuel Fernandes. Felizmente, nos anos 60, 70, 80 e até 90, o que interessava, no fundo (nos fundos), não era rodar como Astaire. Era jogar. E ganhar. E brilhar.
Impressionante: Ricardo Quaresma diz que não sabe por que jogou no Dubai. Deve ter sido por necessidade de rodar, rodar, rodar. Rodou tanto que, quando deu por ela, estava a rodar onde só os velhos rodam. Claro que sabe por que foi para o Al-Ahly: pensava que, aos 30 anos, restava-lhe ganhar dinheiro e suar pouco. Felizmente, percebeu no FC Porto que poderia ter mais do que uma velhice recheada de euros, dólares e petrodólares. Pertinho de completar 32 anos, já não vai a tempo de chegar perto, nem sequer de se aproximar, daquilo que lhe prognosticavam os olheiros do início do século XXI: ser o melhor jogador português pós-Figo. Ricardo Quaresma teve muito de Fred Astaire, mas precisava de ter um pouco mais de Cassius Clay: querer mesmo ser o melhor. E isso, infelizmente para quem gosta de futebol, RQ não quis.

Lançamento de urina, o novo desporto francês
Não sou fã de ciclismo, a não ser naquelas etapas em que as estradas empinam e parecem tocar o céu. Mas uma coisa é não ser fã e olhar, desconfiado, para o rendimento dos principais ciclistas, outra é ser adepto do novo desporto que acompanha a Volta à França: cuspir na cara de Chris Froome e lançar-lhe urina para cima. Insinuam que o britânico corre dopado e, pumba, aí vai xíxí. Convidam-no para disputar o Tour, Froome ganha e lançam suspeitas líquidas na sua direcção. Não sei se ele corre dopado (talvez sim), mas sei que um francês não vence a prova desde 1985. Douleur de coude?
(...)"

Rogério Azevedo, in A Bola

PS: Engraçado como a passagem do Fernando Gomes pelos Lagartos foi esquecida...!!!

sábado, 25 de julho de 2015

Em Burton Upon Trent !!!

Salford City 1 - 3 Benfica B

Começamos a perder, mas demos a volta no 2.º tempo...

O dilema de Rui Costa

"Um belo dia, na década de 80, um ciclista português pouco conhecido por cá devido ao seu estatuto de emigrante começava a dar nas vistas na cena internacional. Terminou o Giro em 7.° lugar e, reza a história, convenceu o patrão da sua equipa, a Malvor, a investir para cumprir o seu sonho de competir no Tour. Chamava-se Acácio da Silva e logo nas primeiras curvas da Grand Boucle percebeu que a classificação geral jamais iria ser a sua praia. Reciclou os objectivos, e nos anos seguintes venceu três etapas e chegou a andar de amarelo. Feito que repetiu envergando a camisola rosa no Giro. O corredor natural de Montalegre tornou-se, assim, a primeira referência internacional do ciclismo português pós-Joaquim Agostinho.
Já depois de José Azevedo e Orlando Rodrigues chegou a vez de Rui Costa pegar no testemunho. E fê-lo da maneira mais impressionante, enriquecendo o palmarés e apaixonando o país. Inteligente, talentoso e até explosivo, o agora chefe de fila da Lampre ocupava o 4.° lugar do ranking UCI na última lista publicada antes do Tour. Todavia, após o colapso que resultou do somatório de azares nas estradas gaulesas, pode estar para breve o momento de Rui Costa ignorar o clamor das redes sociais - o recato que dura desde a desistência tem sido retemperador - e encontrar o rumo certo para uma carreira que, aos 28 anos, ainda lhe vai reservar muitos momentos de glória. O anseio dos fãs de empurrar o ídolo a todo o custo, mesmo que a direção seja o abismo, não é o melhor conselheiro. Daí que uma incursão mal preparada na Vuelta, abdicando das provas mais curtas antes do Mundial, fizesse pouco sentido.
Mesmo que terminasse agora a sua carreira, sem qualquer top 10 nas grandes voltas, Rui Costa já seria o melhor ciclista português de sempre. Encarar, para vencer, um Tour que até os telespectadores cansa de tão longo e exigente, pode nunca ser a meta ideal. Brilhar ao longo de toda a época, conquistar clássicas, provas de uma semana e até etapas nos principais palcos, tem mais a ver consigo e tornará ainda maior a sua lenda. Em 2016, porém, e por tudo o que se passou este ano, será difícil ao Rui resistir à tentação de colocar ainda mais fichas a arder no inferno do Tour."

Uma semana do melhor 4

Uma semana do melhor 3

Uma semana do melhor 2

Uma semana do melhor 1

Nulo... e penalty's

Benfica 0 (4) - (5) 0 Fiorentina

Jogo com poucas oportunidades e muita pressão alta, das duas equipas. Fisicamente tivemos melhores que no jogo com o PSG... Ofensivamente tivemos mais disciplinados, mas continuámos a afunilar o jogo (sem extremos, e com os laterais pouco ofensivos), defensivamente demos alguns espaços - nas transições rápidas e na defesa baixa (boa pressão alta). Tivemos pela primeira vez com o Rui Vitória, a dupla Fejsa/Samaris (pessoalmente acho que o Samaris neste momento deve continuar a jogar a 6 !!!). O Jonathan fez os primeiros minutos, mostrou bons pormenores (objectividade na área), mas também mostrou lacunas (decisão, segurar a bola...).
O jogo foi equilibrado, as melhores oportunidades foram quase de seguida: bola na barra do Júlio César; Jonas finta um, mas remata mal com a canhota...
A Fiorentina fez o seu 4.º jogo, jogou com 3 centrais, deu muita porrada... mas acabou por ser um bom teste, agora com adversários deste nível é difícil avaliar as 'intenções' ofensivas da equipa...
A partida foi novamente dura, muita dura, principalmente na primeira parte, e o arbitro foi complacente com os Italianos: tanto o Gonzalo, como o Marcos Alonso deviam ter levado vermelho directo, e o Basanta por acumulação... E como é 'normal', acabou por ser o Luisao expulso!!!!
Defendemos melhor em inferioridade numérica...

Os próximos adversários são equipas com menor potencial, mas estão muito mais rodadas, o grau de dificuldade vai continuar elevado... Tendo em conta o calendário, e as declarações antes da partida, esperava um Benfica com mais alterações... Vamos ver como é que a equipa vai reagir...

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Lima

Foi uma daquelas contratações de última hora (ou último segundo...), chegou com muita desconfiança, mas nas épocas que representou o Benfica teve números impressionantes: 144 jogos; 70 golos; 2 Ligas; 1 Taça de Portugal; 2 Taça da Liga; 1 Supertaça... e ainda as duas finais da Liga Europa (golaço à Juve...).
Como todos os pontas-de-lança no Benfica, houve sempre quem se queixasse dos golos desperdiçados...!!! Mas além dos seus golos, tanto o Cardozo, como o Rodrigo ou o Jonas têm muito que agradecer ao Lima... pois o brasileiro, foi sempre um trabalhador incansável, mesmo nas partidas que não lhe corriam mal, lutava sempre...

Não vai ser fácil substituir o Lima, a relação golos/trabalho é rara, mas 7 milhões de euros, por um jogador de 32 anos, é irrecusável...
Vamos ver como é que a direcção vai resolver o 'problema' agora criado, pessoalmente acho que devemos ir ao mercado, pois o Jonas e o Jonathan são curtos, para uma época tão longa... e jogadores como o Talisca e o Taarabt, podem jogar a 2.ª avançado, mas nós precisamos de um avançado puro...

Logo fico acordado até tarde


"Na próxima madrugada temos mais um teste de interesse contra a Fiorentina. Vai dando para matar saudades, estes treinos em competição. Mais difícil é explicar à família porque diabo um jogo treino àquelas horas é decisivo e condiciona a agenda. Mas de facto a vontade de os ver é grande.
No primeiro jogo contra o PSG, fica uma primeira parte aceitável para uma fase tão inicial de preparação. Embora André Almeida tenha sido cirúrgico e de apurado sentido de humor quando referiu «temos que perder uns quilinhos a mais». Mesmo sabendo o risco que há nas análises individuais, em fase tão prematura, arrisco a dizer que gostei muito de Samaris e parece-me vir a ser jogador importante nesta nova época. Gaitán espalha sempre magia e Ola John até mexeu com a partida, quando entrou numa equipa já retalhada e alterada com a rotação feita.
Esta é a fase em que só interessa aquilo que Rui Vitória pensa. No fundo é no treinador que se concentram as ideias do que tem, e do que precisa. Nós, os adeptos, provamos o bolo feito. Quem o cozinha é que escolhe os ingredientes. Rui Vitória tem que ver o que há na matéria prima ao seu dispor, para saber o que precisa.
Sentir um treinador em linha com a SAD do clube, unidos e cúmplices nos objectivos comuns, deve por agora ser um excelente indicador para os adeptos benfiquistas. As entradas e saídas na concorrência processam-se a um ritmo que é desadequado fazer análises intercalares que ficam desactualizadas a cada oito dias.
Esperar pelo FC Porto e Sporting na sua máxima força e fazer uma equipa para os tentar vencer, é o caminho mais seguro. Foi esse que nos deu êxitos nas últimas épocas,é esse que teremos que seguir. Os campeonatos não se ganham com o que se escreve agora, mas com o que se faz quando começam. E logo fico acordado até tarde..."


Sílvio Cervan, in A Bola

Pré-época a sério

"Mais uma vez - história que já conhecemos bem - começam os rumores sobre a pré-época do Benfica. Mais uma vez temos de recordar aos adeptos, do nosso e dos outros clubes, uma verdade conhecida por qualquer treinador em início de carreira: as pré-épocas servem não para apresentar resultados finais mas para experimentar soluções dinâmicas e alternativas, que permitam ao técnico conceber estratégias bem assentes para a época que se avizinha.
Ao contrário de outros clubes portugueses, mais preocupados em apresentar vitórias rápidas para frenar o descontentamento dos sócios ou para potenciar candidaturas à presidência dos respetivos órgãos dirigentes, o Benfica quer jogar com as melhores e mais ricas equipas do Mundo, arriscar soluções táticas pouco experimentadas e fazer rodar uma grande parte dos jogadores. Os talentos, como tantas vezes dizia Sir Alex Ferguson, estão por vezes nas pernas e no coração dos jogadores que menos imaginamos. Não optamos, por isso, por combinar jogos com equipas de 2.ª, 3.ª ou 5.ª divisão, apenas para mostrar aos sócios que já estamos em clima de vitória e euforia. Nem sequer precisamos de lutas de galos na imprensa. O Benfica, Bicampeão Nacional, está sereno e sólido na construção da equipa para a época 2015/16. Os resultados, esses, já os vimos o ano passado. Na nossa casa, a pré-época é a sério, não uma qualquer fantochada para serenar ânimos ou justificar contratações milionárias. E, ao mesmo tempo, procuramos arrecadar receita e dar espetáculo, como, por exemplo, está a fazer o Real Madrid, com 19 milhões de euros contratualizados por quatro amigáveis.
Este artigo é dedicado à memória do piloto de Fórmula 1 Jules Bianchi, falecido na passada sexta-feira, devido ao acidente ocorrido no Grande Prémio do Japão de 2014."

André Ventura, in O Benfica

Baralhar e voltar a dar

"Com o sucesso do 6.º Mundial da Sueca das Casas do Benfica disputado no início deste mês, dei por mim a usar o popular jogo de cartas como metáfora do próximo Campeonato. O Sporting acredita que, tendo o presumível ás de trunfo, transformará as suas damas e valetes em manilhas e ases, talvez ignorando que, por si só, e apesar de esta ser uma carta dominante sobre todas as outras, vale apenas 11 dos 120 pontos do baralho. E com duas agravantes: Por um lado, são mais os duques e os ternos na sua mão que os tais valetes e damas; Por outro, é desconhecido, à partida, qual será o naipe que prevalecerá sobre os outros. O FC Porto, com a postura típica de um jogador de poker, sentar-se-á à mesa aparentemente autoconfiante, gozando de algum público sempre prestável nas horas difíceis, que tratará de bajular as suas cartas e denegrir as dos seus adversários. Antes do início da partida, contará com as sentenças precoces de observadores que mal conseguem disfarçar a sua preferência ou, nalguns casos, o seu dono. Como sempre, tudo fará por escolher a mesa, o baralho, o trunfo e as cartas que serão distribuídas a cada jogador. Se ninguém estiver atento, fará algumas renúncias. Fá-las-á mesmo que não haja quem se distraia, é a sua natureza. Fará ainda todos os sinais que lhe for possível e ser-lhe-á impossível evitar espreitar o jogo dos adversários.
E nós lá estaremos sentados, indiferentes ao ruído à nossa volta e cientes que uma boa mão, com um ou dois ases, uma ou outra manilha e alguns trunfos, mesmo que não chegue para dar uma 'chita' ou 'dois', será, desde que a estratégia seja consistente, suficiente para vencer a terceira partida consecutiva."

João Tomaz, in O Benfica

A bom ritmo

"Não dou mais importância aos jogos de preparação do que a que eles realmente têm. Constituem uma ferramenta de trabalho útil para jogadores e técnicos, mas, competitivamente, o seu interesse é reduzido, ou mesmo nulo.
Antigamente havia curiosidade de conhecer os novos jogadores e a nova equipa. Mas desde que o mercado futebolístico se transformou numa interminável feira, ao longo da qual, até ao dia 31 de Agosto, ninguém sabe quem fica, quem sai, ou quem entra, esta fase perdeu o pouco encanto que lhe restava.
Por isso, uma derrota em torneios particulares, por mais prestigiantes que sejam, não incomoda nada. Dispenso títulos de pré-época, e ainda recordo anos em que tudo parecia maravilhoso em Julho, para se tornar angustiante em Maio. Ultimamente tem sucedido o contrário, e não me importaria de continuar neste registo.
Não deixei, porém, de ver o jogo do último fim-de-semana. E até gostei da primeira parte, onde a base da equipa bi-campeã apareceu solta e alegre, prometendo bom futebol e vitórias. No segundo período, as substituições quebraram o ritmo, e o jogo tornou-se tristonho. Nada que preocupe.
Se para o lado direito da defesa, Sílvio e André Almeida parecem opções válidas, ainda não vi quem possa fazer de Sálvio (até Janeiro), ou de Gaitán (se a venda deste se vier a confirmar). Mais um ponta-de-lança, capaz de discutir a titularidade, também não seria demasiado, pois a equipa afigura-se consistente, não necessitando de grandes revoluções.
Dia 9 de Agosto as coisas serão a sério. Até lá, há que trabalhar tranquilamente, com entusiasmo e confiança."

Luís Fialho, in O Benfica

Árbitros só nomeados e Liga sem disciplina

"AG da FPF - Pareceres inequívocos quanto a ilegalidades Os 84 delegados com assento na assembleia geral (AG) da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) receberam ontem os pareceres jurídicos sobre os regulamentos de arbitragem e de disciplina da Liga, que vão a ratificação amanhã, e puderam verificar que ambos apontam para s ilegalidade das alterações propostas.
Tanto Alexandre Mestre como José Manuel Meirim, os dois juristas consultados pela AG da FPF, concluem que o sorteio dos árbitros conflitua, em simultâneo, com a Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto e o Regime Jurídico das Federações Desportivas (RJFD. A legislação em vigor preve unicamente a nomeação. "(...) Não restou outra alternativa à FPF, enquanto federação desportiva dotada do estatuto de utilidade pública desportiva (...) senão a de consagrar a nomeação, enquanto modo de designação dos árbitros", escreve Alexandre Mestre. No seu parecer, José Manuel Meirim conclui: "Se a AG da FPF viesse a ratificar o Regulamento de Arbitragem da LPFP (...) não só estaria a deliberar, ela própria, contra a lei e os seus estatutos, como colocaria a FPF em perigo quanto à titularidade do estatuto de utilidade pública desportiva."
Em relação à proposta de alteração do Regulamento de Disciplina, Mestre e Meirim são igualmente claros. É ilegal. A Liga pretende que a Comissão de Instrução e Inquéritos seja substituída pela Comissão Disciplinar mas, já desde 2014, quando o RJFD foi revisto, segundo Alexandre Mestre, "a legitimidade para promover o processo disciplinar foi, em termos expressos, claros e inequívocos conferida, em exclusivo, ao Conselho de Disciplina (Secção Profissional) da FPF; os poderes legais de impulso ou instauração processual deixaram de poder ser exercidos por qualquer outra entidade que não o CD (Secção Profissional)." Portanto: "Não pode, assim, haver uma entidade, qualquer que ela seja a Comissão de Instrução de Inquéritos da LPFP, Comissão Disciplinar da LPFP ou outra - que exerça a titularidade do poder disciplinar em paralelo, em simultâneo com o CD (Secção Profissional) da FPF."
José Manuel Meirim sublinha que as alterações pretendidas pela Liga acabam por violar "ostensivamente" os próprios estatutos da LPFP.
Advertência. Aos pareceres que fez seguir para os delegados, José Luís Arnaut, presidente da AG, juntou uma carta a esclarecer que a Liga foi recomendada a "expurgar" as ilegalidades que as propostas continham, mas serão os documentos originais que irão a votação da assembleia."

As eleições para a Liga

"É já na próxima terça-feira que os clubes vão a votos para eleger o próximo presidente da Liga. Aos dois candidatos, Luís Duque e Pedro Proença, não adiantará muito colher a aprovação da opinião pública porque o ato eleitoral tem um colégio de votantes restrito e é para esses que devem falar. Ou, sequer, nem isso. Em pleno defeso, e estando constituídos dois blocos precisos em torno de cada um dos candidatos, as contas eleitorais far-se-ão, sobretudo, pelo aliciamento dos desalinhados, algo fácil de fazer nesta altura em que o mercado de verão está no auge...
Luís Duque recandidata-se sem surpresa. O bom trabalho que realizou na Liga ao longo dos últimos nove meses valeu-lhe louvor generalizado dos clubes (Sporting à parte, por razões que não têm a ver com o que Duque fez durante esse espaço de tempo...) e a admiração só pode residir no facto de não concorrer sozinho. Mas a vontade dos clubes é soberana, FC Porto e Sporting entenderam-se (como era mesmo aquela metáfora de mau gosto de Bruno de Carvalho?) e são a locomotiva da candidatura de Pedro Proença. Proença foi o melhor árbitro português que vi actuar e o segundo mais talentoso (António Garrido, que nasceu para o apito, perdia-se por vezes em habilidades); mas não tem, nunca teve, qualquer ligação aos clubes, o que se entende e se louva. Daí que seja incompreensível que surja candidato à liderança de uma associação patronal com a qual não teve, jamais, a mais remota afinidade. Aguardemos, pois, pela magna decisão dos votos secretos, que decidirão entre Duque e Proença.

PS - Espero que a interferência da APAF nas eleições da Liga seja averiguada até ao fim. E que os árbitros se revoltem contra a tentativa de manipulação em curso..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Os autos do Gil Vicente

"Finanças e Segurança Social já deviam ter dito qualquer coisa sobre a igualdade de tratamento a todos os contribuintes.
As reivindicações do Gil Vicente, que reclama um lugar no campeonato por ter as contas em ordem (ao contrário de outros), só têm um ponto fraco: é mais produtivo combater os procedimentos da Liga durante a época, nas assembleias gerais. Discuti-los só quando se desceu de divisão, ou seja, quando o acidente foi connosco e não com o vizinho, é demasiado tarde. A displicência da Liga na fiscalização das finanças dos clubes não começou esta época, nem na anterior, e esse também nunca foi daqueles temas acalorados, que ficam na ordem de trabalhos reuniões a fio até se conseguir consenso. Os clubes têm a vigilância que quiseram ter. Gostam da Liga assim, com as pálpebras semicerradas. Onde a razão do Gil Vicente nem se discute é nas interrogações dirigidas ao Estado. Se a Liga responde aos associados, as Finanças e a Segurança Social respondem aos cidadãos. Não é concebível que as repartições colaborem numa mascarada, ou que passem declarações cuja veracidade dura uma semana, entre outros estratagemas mais ou menos óbvios para toda a gente. O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras teve, há pouco tempo, um acesso de hiperatividade por causa de uma série de histórias tolas e de gravidade relativa. Por que não hão de as Finanças e a Segurança Social agir da mesma maneira com um assunto que toca o absolutamente fundamental: a garantia de igualdade de tratamento a todos os contribuintes?"

quinta-feira, 23 de julho de 2015

'Los árbitros ahora ya no quieren escutar mis consejos matrimoniales'

"Por tudo o que Mourinho disse, o próximo campeonato português não vai ser só futebol. Vai meter também política social. Carrega Benfica dos pobrezinhos, a carregar desde 1904!

O novo presidente de Iker Casillas - a quem em Espanha já chamam «el Florentino portugués» - concedeu uma longa entrevista ao diário espanhol El País mas houve partes da conversa que ficaram de fora do registo transcrito como, aliás, acontece em quase todas as entrevistas.
Por ser do interesse público, partilhamos com os estimados leitores a versão integral da supracitada entrevista presidencial que nos chegou pelo correio enviada sabe-se lá por quem com as melhores intenções. 
Foi assim:
- Confias en Julen para devolver al Oporto la gloria perdida, don Jorge? - começou por perguntar o jornalista.
- No primer ano nó ganhou nada pero estoy satisfecho.
- Como puedes estar satisfecho si no ganaste nada, don Jorge? Ni parece cosa tuya...
- O que quieres que yo diga? Los árbitros se unieram contra nosotros. Ahora ya no quieren escutar mis consejos matrimoniales...
- Que lástima, don Jorge!
- Puedes creer! Imagina-te que en la Liga un estudo sobre el arbitrage demonstró que el Benfica fue favorecido en 7 puntos.
- Un estudo? Y quien hizo esse estudo en la Liga?
- El doctor Fernando Madureira que, Dias queíra, será el brazo derecho del doctor Pedro Proença en la futura dirección de la Liga.
- El doctor Proença és el antíguo árbitro, don Jorge?
- Esse mismo.
- Pues no sabía que era médico.
- Es el mayor cirúrgico del mundo y alrededores.
- Puedo por lo tanto concluir que vas com Lopeteguí y com ele doctor Proença hasta al fin del mundo, don Jorge?
- Hasta al fin del mundo y alrededores!
- Mucho cuidado com los alrededores, don Jorge, para no perder outra vez puntos en casa com el Boavista...
E a conversa abruptamente acabou aqui.

O Benfica começou a temporada a perder em Toronto com uma segunda equipa do Paris Saint-Germain e eu gostei.
Não que goste de ver o Benfica perder. Mas gostei de uns bons bocados de toda a primeira parte em que os campeões nacionais se aplicaram com mais do que a vivacidade possível depois de uma longa viagem terminada a menos de 24 horas do início do jogo.
Gostei também do regresso de Talisca ao seu futebol e aos golos e da conclusão da jogada do segundo golo do Benfica com Gaitán a servir Jonas na perfeição e Jonas a marcar.
Estes encontros da pré-temporada servem para o treinador tirar conclusões, para os novos jogadores mostrarem o que valem, para os comentadores se atirarem a veredictos e para os adeptos se enervarem. Ou antes pelo contrário, para não se enervarem.
É o meu caso.
Também conheço benfiquistas - tão benfiquistas como os demais - para quem os jogos da pré-temporada servem um propósito estratégico da maior importância. Que é o de perder, o de perder todos os jogos e de preferência por largas cabazadas enquanto a competição não começar a sério e a valer pontos.
E é por amor ao clube que fazem votos para que todas as desgraças se abatam sobre a equipa nestes joguinhos de verão.
E dão exemplos, até bem recentes:
- Mas alguma vez o Benfica tinha ido buscar o Júlio César e o Jonas já com a época a correr se a última pré-temporada tivesse sido uma sucessão de resultados fulgurantes?
São capazes de ter razão. Mesmo assim preferia ver o Benfica ganhar à Fiorentina na madrugada do próximo domingo. Sempre dá outro ânimo.

MUITO discreta foi a estreia do ex-Maxi Pereira de castanho. Beneficiou de quatro lançamentos de linha lateral (aos 11, 15, 21 e 40 minutos) e nenhum deles resultou em golo.

O mundial de futebol de praia foi ganho pela equipa portuguesa e no fim do jogo com o adorável Taiti os nossos campeões - parabéns a todos! - cantaram felicíssimos:
- O campeão voltou, o campeão voltou!
Já na semana passada, uma reportagem de uma qualquer estação televisiva mostrou-nos a final de um campeonato distrital de futsal entre equipas de padres e na subsequente festa, os padres vencedores cantaram felicíssimos:
- O campeão voltou, o campeão voltou!
Lá está, uma vez mais, o Benfica a dar música ao país.

O ex-árbitro Marco Ferreira lançou um apelo às autoridades para que venham pôr mão nas malandrices do futebol de que se considera vítima.
- Onde está a PJ? - perguntou num desabafo público prontamente difundido em múltiplos canais.
- Onde está a polícia? Por onde anda o Ministério Público? - perguntou também o ex-árbitro.
E ninguém lhe respondeu. Está mal. Até porque é fácil, pública e notória a resposta a estes legítimos clamores.
A polícia, a PJ e o Ministério Público estão ocupados nas investigações da chamada Operação Fénix que também tem ramificações no mundo da bola e já proporcionou umas manchetes curiosas na nossa imprensa.
A Fénix é uma ave mitológica dos gregos antigos que quando morre entra em auto-combustão e renasce das próprias cinzas. O que terá levado as autoridades a chamar Fénix a esta investigação é, só por si, alarmante.
Será que anda por aí alguma coisa maligna a renascer? Ou em auto-combustão?

FALANDO para uma vasta plateia internacional, José Mourinho prestou mais um bom serviço ao país revelando, de forma directa aos estrangeiros o retrato fiel de um Portugal sucumbido pela austeridade.
Provavelmente, os mais do que justos considerandos de Mourinho sobre a situação desesperada de muitos milhares de famílias portuguesas foram apenas a introdução que encontrou mais à mão para poder lançar umas farpas à insuspeita prodigalidade das tesourarias do Porto e do Sporting e, muito principalmente, às contratações de Casillas e de Jorge Jesus, figuras com quem o treinador português do Chelsea embirra profundamente.
É lá com eles. Mas quase apostaria que José Mourinho vai torcer pelo Benfica por toda esta temporada que já está aí à porta.
Eu também vou. Por ser do Benfica, obviamente, mas também porque ficam historicamente bem ao Benfica os condicionamentos que o impedem de gastar milhões mas que não o impedem de se reafirmar como aquele clube genuinamente popular fundado por um grupo de órfãos e, tantos anos passados, ainda e sempre tão gloriosamente perto do povo de onde nasceu e tão longe dos favores do grande capital que assegura as notas mas não garante os títulos.
De outra forma como seria o Benfica o campeão dos campeões de Portugal?
Por tudo isto que Mourinho disse, e seja qual for o contexto pessoal em que o disse, o próximo campeonato não vai ser só futebol, vai meter também política social à séria.
Carrega Benfica dos pobrezinhos, a carregar desde 1904!

SÃO bonitas as camisolas brancas do Benfica. Para além de serem bonitas são estatutariamente corretas. 

TERMINE-SE como se começou. Com mais num excerto da versão integral da entrevista do Florentino português ao El País.
E que bem arranha o castelhano o presidente do Porto.
- Donde aprendió a hablar tan bien nuestra lingua, 'don' Jorge? - perguntou o entrevistador do El País roído de curiosidade.
- Por Diós, em Santiago de Compostela!
- Muy bien! Fuíste en peregrinacion, 'don' Jorge?
- Por supuesto! - Fuíste a pie, 'don' Jorge?
- No, no, fui de coche.
- De coche?
- Si fuera a pie nunca más lá llegava...
Não se compreende, com toda a franqueza, como é que o El País deixou de fora estes bocadillos.

Leonor Pinhão, in A Bola

Somar e subtrair

"Luís Filipe Vieira joga na mesma equipa que o tempo. Com os dois últimos campeonatos no bolso, o presidente do Benfica sabe que tem margem para apostar num treinador sem 'calo' de grande como Rui Vitória. Se lhe correr bem, então os méritos são todos da "estrutura" (ou da organização, como prefere chamar-lhe), liderada por ele próprio; se correr mal, Vieira manterá intacto o estátuto que fez por merecer nos 12 anos à frente do clube.
Como deixa bem sublinhado na entrevista que Record hoje publica, está confiante: a equipa é praticamente a mesma da época passada. Dos titulares, saiu Maxi Pereira. Mas a essas contas há que fazer mais algumas de subtrair. Os jogadores estão todos um ano mais velhos, o que pode ter um certo peso quando se fala de trintões como Júlio César, Eliseu, Jonas e Lima, todos eles titularíssimos indiscutíveis com Jorge Jesus. Além disso, em 2014/15, o Benfica cedo ficou limitado à luta pelo campeonato - e um plantel que já era curto para pensar também na Champions sê-lo-á novamente. A favor de Rui Vitória estão, também, contas de somar. Há jogadores que, nesta temporada serão necessariamente melhores do que há um ano. Samaris, Pizzi e Talisca, para apontar três potenciais titulares, arrancam para a segunda época de águia ao peito mais conhecedores do que lhes é exigido dentro de campo. Da mesma forma que se viu uma enorme transformação de vários futebolistas na segunda temporada (lembram-se de Matic?), é de esperar que haja mais valias em jogadores que deixaram dúvidas no passado.
Contas feitas, o plantel do Benfica está sensivelmente na mesma casa de partida em que estava na época passada. Se fizer o mesmo ou melhor, será uma época de enorme sucesso... para Luís Filipe Vieira."

45 milhões (pelo menos)

"45 milhões. Muito dinheiro. E muitas vezes 45 é dinheiro até fartar. O Sporting vem aplicando a jogadores novos e putativas promessas o rótulo tipo 'região demarcada', por via de uma cláusula de rescisão de 45 M.
O clube tem, aparentemente, duas políticas: um tecto para os salários e um chão para alienação dos direitos sobre os atletas. Critérios 'congruentes'.
Gostaria de perceber esta 'chapa 45', mas não chego lá, certamente por incapacidade própria. João Pereira, 31 anos, estava no desemprego e, com oportunidade, o Sporting contratou-o. Não satisfeito, apôs-lhe o tal valor para quem o quiser contratar mais tarde (!). Outros craques, Naldo e Ciani - este terá chegado a custar zero (um eufemismo para custos não explícitos) - foram etiquetados pelo mesmo valor. Segundo li, os insuperáveis, mas dispensáveis Iúri Medeiros, Tobias Figueiredo, Ricardo Esgaio, Wilson Eduardo, Rúben Semedo, Diogo Salomão e os ilustres desconhecidos Ponde, Kikas, Riquicho, Chaby, Mica Pinto e Edelino Ié estão seguros, também, por 45 M.  O pobre Gaitán, 27 anos, ao lado deles vale menos 10 milhões, tal qual o esforçado Jackson Martinez. Notável!
Mas, há mais. Gelson e Betinho arrasam com 60 M, tal qual os imprescindíveis Cissé e Enoh, bem acima de William Carvalho (54 M). Esta inflação clasular, que tem tanto de ilusório como de estúpido, não é monopólio dos leões. Mas, que diabo, alguém acha razoável estes valores que só desqualificam este instrumento de resgate?
Caso o SCP alienasse pelas cláusulas esta brilhante pletora de jogadores, limpava o passivo e sobrava-lhe dinheiro para comprar estrelas... para equipa A e B!"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Talisca é um problema

"O primeiro Benfica de Rui Vitória teve a assinatura de Jorge Jesus (JJ). Não esteve lá Maxi Pereira, como não estaria com JJ e entrou Sílvio; não apareceu Salvio e foi titular Talisca. O 4x4x2 foi o de sempre. Com o antigo treinador é previsível que o substituto de Maxi, a abrir, fosse André Almeida, mas dificilmente a vaga de Salvio não teria sido preenchida por Talisca. O resto foi parecido - mais fraco, como seria de esperar nesta altura do campeonato -, apesar de algumas vozes internas se terem esforçado em demonstrar que a segurança no passe se sobrepôs ao risco, e que a equipa se expõe menos a adversários mais fortes. Veremos.
Optar por fazer jogar Talisca nas alas é uma espécie de pecado original deste Benfica, herança deixada por JJ. Não se deve cometer, mas o treinador cai sempre em tentação. E Rui Vitória nem sequer pestanejou. O brasileiro alavancou a primeira fase da época passada com nove golos, deu a única vitória ao Benfica, na Liga dos Campeões, e invariavelmente foi como segundo avançado que rendeu mais e melhor. Na zona central do meio-campo, nunca mostrou disponibilidade suficiente para jogar com a intensidade que lhe era pedida - daí que nunca tenha sido uma verdadeira alternativa a Pizzi -, e nas alas faltou-lhe tempo para defender: quis sempre atacar em diagonal, à procura do centro, onde frente ao PSG apareceu a marcar um golo e a mandar uma bomba ao poste. O que fazer com Talisca?
O lugar-comum manda dizer que os grandes jogadores têm sempre lugar, seja qual for a posição, mas não é bem assim. Talisca não é suficientemente versátil ou falta fazer o trabalho que JJ não conseguiu levar até ao fim? E é esse o desafio que se coloca a Rui Vitória.
A partir do momento em que teve Jonas, JJ foi deixando cair Talisca, que passou a aparecer episodicamente na equipa e perdeu capacidade goleadora. O Benfica ficou sem uma solução, ganhou um problema. Face às características de jogador que gosta de estar no coração do jogo e de dispor de maiores oportunidades de marcar, Rui Vitória tem espaço para apresentar obra de autor, reforçando a condição de Talisca enquanto médio-centro, um Pizzi mais alto, melhor rematador, que precisa de ser mais solidário a defender."

Quem é Paul Dunne?

"Sempre fui mais das letras que das matemáticas e a culpa é, em parte, das matemáticas. Recordo-me de ainda na faculdade, e depois de três anos sem equações e afins, ser confrontado com algo tão simples como «perante este problema utiliza-se esta fórmula» e de franzir o sobrolho, levantar o dedo, e timidamente perguntar: «Porquê»?
Esta tentativa inconsciente de filosofar sobre a matemática não recolhia particular simpatia entre professores, da mesma forma que não parece lógica a qualquer pessoa numerada - ia escrever letrada, mas, convenhamos, podia parecer incoerente.
Note-se, em minha defesa, que tendo referido a ilógica da minha abordagem à matemática, estou não só a penitenciar-me dela como a assumir que tal é deliberado. O que, filosoficamente, me retira qualquer carga de ignorância, colocando-me porventura no campo da irracionalidade.
Ora, está é a mesma irracionalidade com que por vezes acompanho grandes eventos desportivos. Exemplos tenho dois, só esta semana. Vamos a eles: não sendo um seguidor de golfe, dei por mim não a querer saber quem tinha vencido o The Open, mas em que lugar tinha ficado Paul Dunne; não sendo um seguidor de surf, não quis saber quem era o melhor em Jeffrey's Bay, na África do Sul, mas sim quem é Julian Wilson.
O primeiro é um irlandês que entrou como amador no open britânico e chegou ao último dia em primeiro lugar, que há um mês procurava emprego como condutor de carrinhas e que agora já é elogiado por ter «o melhor jogo curto»; o segundo um australiano destemido, que ao ver o ataque de um tubarão branco a Mick Fanning disparou na direcção do rival para o ajudar.
Os dois são exemplos vivos de que por vezes há estórias muito melhores que qualquer resultado."

Nuno Perestrelo, in A Bola

Uma luta sem tréguas

"O investimento realizado por FC Porto e Sporting deixa claro como o poder crescente do Benfica no futebol nacional incomodava as estruturas diretivas rivais. Numa época em que na Luz se anunciou uma inversão na política desportiva, com uma aposta nos jovens da formação ainda por confirmar e diminuição de investimento em contratações, dragões e leões podiam ter aproveitado para fazer o mesmo, reduzindo também eles os custos. Pelo contrário. A norte continua a gastar-se como se não houvesse amanhã e a Alvalade volta uma política de investimento forte. Objectivo? Ser campeão.
Mas esta guerra não se explica apenas desportivamente. Há mais em jogo em 2015/16. Os direitos televisivos, as eleições na Liga e o consequente controlo que representam e até os patrocinadores das camisolas são razão de disputa. Ganhar o próximo campeonato e fazer figura na Europa poderá ser determinante para o futuro próximo, em que investidores e receitas não abundam e mesmo UEFA e FIFA se preparam para mudanças. Curioso verificar como Luís Filipe Vieira, Pinto da Costa e Bruno de Carvalho conseguem estar em guerra num tema e do mesmo lado da barricada no outro, conforme dá jeito na persecução de determinado objectivo. E o célebre 'o que hoje é verdade, amanhã é mentira' de Pimenta Machado em versão revista e melhorada.
No meio de tudo isto há ainda o joker Fernando Gomes, na FPF à espera de voos maiores, ele que é um dos dirigentes mais ambiciosos do futebol português e que com Tiago Craveiro forma uma dupla capaz de se bater com quem for preciso para atingir as metas definidas. Questões como o sorteio dos árbitros vão ser constantes. A guerra é sem quartel e nunca se sabe quem poderá estar ali ao lado na trincheira."

Entretanto em Inglaterra...


Oxford United 0 - 4 Benfica B
Andrade(2), Gonçalves, Elbio

Primeiro amigável no estágio por terras Inglesas, com um resultado normal, contra uma equipa das divisões secundárias...

Campeões sem espinhos

"Portugal: finalmente um título mundial sénior da FIFA, no 101º ano da FPF. Começo, pois, por felicitar os atletas, técnicos e dirigentes pelo Campeonato do Mundo de Futebol de Praia. Não esquecendo a excelente organização e o entusiástico público.
Dirão alguns, depreciativamente, que foi um título sobre a areia, não sobre a relva ou mesmo sobre a madeira do futsal. No futebol, costumamos criticar um qualquer jogador por ser um 'brinca-na-areia'. Na areia, enaltecemos um praticante por nela tentar jogar como se fosse num relvado, O certo é que é um ceptro mundial oficial, tão invulgar, quanto saborosamente curricular. Vencemos numa inédita e curiosa final: contra Taiti da Polinésia Francesa, cujos jogadores estão sempre virados para a praia, num território de 180 mil habitantes.
Pelo caminho ficaram o antes crónico campeão, Brasil e o bicampeão ora destronado, a Rússia. Se quanto ao primeiro é óbvia a explicação dos anteriores sucessos, quanto aos russos dou comigo a pensar onde treinam, talvez na neve fofa. Por falar em areia, a de Espinho é boa e não movediça. Não se construíram castelos na areia, nem se mandou areia para os olhos de alguém, situações que se sucedem no futebol de onze. E os novos campeões nunca meteram a cabeça na areia, antes a levantaram com golos e taça. Não é que eu goste de areia. Recordo-me quando escolhíamos o 'campo', tinha de ser areia molhada e rija, e quão brutal era o esforço para jogar em areia solta. Era muita areia para a minha camioneta.
Pena a cronometragem não ser feita por ampulhetas ou relógios de areia. Sou há muito seu coleccionador, Não irá haver uma prova dedicada a este troféu?"

Bagão Félix, in A Bola

Campeão até nos matraquilhos!

"Ser campeão do Mundo, seja de que modalidade for, é extraordinário e um grande orgulho; nos matraquilhos, pesca, tiro ou em outras modalidades com mais impacto. E Portugal é campeão do Mundo em Futebol de Praia. Por isso, não consigo entender como é que existe gente que desvaloriza o que se passou em Espinho, que fala baixinho e torce o nariz para dizer que as jogatanas que faz com os amigos na praia são tão ou mais excitantes. Falamos de uma modalidade que integra o calendário FIFA e na qual Portugal conquistou o primeiro título de selecções seniores nas provas da responsabilidade desse organismo. Não é brincadeira. Como não foi brincadeira o tempo e profissionalismo que Selecção e Federação colocaram nesta prova, organizada e ganha por nós, portugueses, que raramente ganhamos alguma coisa grande. 
Lembram-se de termos sido medalha de prata na canoagem nos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012? E campeões da Europa no ténis de mesa o ano passado? Para mim o importante é que Portugal dê luta, ganhe, ou ande lá perto, em tudo o que se mete, independentemente da dimensão do que joga. Serve esta opinião, também, para olharmos com mais atenção para o futebol feminino. Os EUA foram campeões e as miúdas tornaram-se rapidamente estrelas nacionais. É assim, quando se aposta forte e se ganha. Se o Futebol de Praia tem condições para crescer? Enquanto jogo não sei, mas oferece o que de melhor tem o futebol a sério: golos espectaculares e reúne num rectângulo de areia, competição, verão, festa, música, logo... é fácil prever mais público.
Cristiano Ronaldo, melhor jogador do Mundo de futebol; Ricardinho, melhor do Mundo em Futsal; Madjer, aclamado melhor do Mundo no Futebol de Praia - queremos outros e em mais jogos e modalidades, por favor!"

Nelson Feiteirona, in A Bola

Benfica a treinar-se onde Eusébio disse adeus

"'King' despediu-se ao serviço dos New Jersey Americans. Equipa de New Brunswick.
New Brunswick - Eusébio tinha 36 anos quando pendurou oficialmente as botas. O seu último clube foi os New Jersey Americans, da segunda divisão dos Estados Unidos (American Soccer League, extinta em 1983), na temporada de 1977/78. O clube, que só existiu durante quatro épocas, entre 1976 e 1979 (depois disso o franchise foi transferido para Miami, mas os Miami Americans acabariam por ir logo à falência), tinha a sede em New Brunswick, precisamente onde a equipa do Benfica está instalada, e jogou as duas últimas temporadas no Rugters Stadium, nos arredores, em Piscataway, onde a equipa do Benfica se treinou nos últimos dias. A verdade é que os jogadores encarnados nem sonham que foi ali, naquele local, que o Pantera Negra, brilhou pela última vez e se despediu do futebol - ainda faria cinco jogos pelos Buffallo Stallions, também dos Estados Unidos, mas mais em jeito de exibição, pois o adeus ao mais alto nível já tinha sido anunciado.
A contratação de Eusébio, que jogou no clube na mesma época que António Simões (também já jogaram os portugueses Telmo Pires e José Neto), foi considerado o momento mais mediático da curta história dos New Jersey Americans. O king assinou um contrato de 20 mil dólares, a meio da temporada, e era suposto ter ficado mais uma época, até 1979, mas o corpo já não aguentou, apesar de em 1977/78 ter marcado cinco golos nos nove jogos efectuados.
O Rugters Stadium, onde Eusébio lançou os últimos raios de sol no futebol que tanto amou e que tanto o amou, ao ponto de tornar-se imortal, foi demolido em 1993, dando lugar, exactamente no mesmo local, ao agora conhecido como High Point Solutions Stadium (na inauguração, em 1994, e durante algum tempo continuou a ser conhecida por Rugters Stadium), recinto com capacidade para 52 mil espectadores, depois das obras de expansão entre 2008 e 2009, e que pertence à Universidade Rugters, de New Jersey. No High Point Solutions Stadium joga-se agora futebol americano, soccer nem tanto, mas ali, como em tantos outros relvados espalhados por esse mundo, Eusébio foi rei um dia."

Gonçalo Guimarães, in A Bola

terça-feira, 21 de julho de 2015

Alianças fingidas

"Jorge Pinto da Costa (o Nuno terá sido omitido por complexo histórico...) fez uma breve viagem ao passado para destacar alguns dos pontos mais relevantes dos seus longos anos na presidência do clube do dragão em entrevista ao diário espanhol El País, que teve como tema principal a recente contratação de Casillas, a estrela mais humilde que já conheceu. Destacou Artur Jorge e a vitória na Taça dos Campeões Europeus de 1987, falou de Mourinho, recusou a ideia de vender caro, socorreu-se de Pepe, Deco, Ricardo Carvalho e James Rodríguez e teve uma tirada bem ao seu gosto: «caros são os que se compram barato e não jogam».
Deslizava interessante a conversa até surgir a pergunta de que precisava para a resposta decorada. Que explicação para o facto de o Porto não ter conquistado nem um título sequer. Fraco desempenho de Lopetegui? Nada disso. Os culpados são os árbitros que beneficiaram o Benfica em sete pontos. É um estudo da Liga que o demonstra, sublinhou, para que toda a Espanha fique a saber o que por cá se passa. De aí que tenha retirado o apoio à recandidatura de Luís Duque e transferido para uma figura concorrente que está a ser cozinhada em lume brando, para evitar que se queime. Medida oportunista, sem projecto estruturado e sentido de futuro a sustentá-la. No essencial, trata-se de mais uma tentativa de regresso ao passado...
Não faz um mês ainda que escrevi neste espaço sobre o cerco que se preparava ao Benfica, através de alianças fingidas, com o objectivo de combater o adversário mais forte. Primeiro fez-se da despromoção de Marco Ferreira uma tragédia nacional para abalar a honorabilidade do presidente do Conselho de Arbitragem. Ora, se a intenção era atacar Vítor Pereira poderia ter-se começado pelo princípio e solicitar-lhe esclarecimentos sobre a indicação do referido árbitro para internacional em vez de promover este aranzel de nulo significado. Depois, surgiu Pinto da Costa a privilegiar a arbitragem como questão central, no tom e na forma que o caracterizam, o que foi interpretado como reentrada triunfal em cena do presidente portista após meses de estranha discrição e que sujeitaram Lopetegui a excessiva exposição e consequente desgaste.
Visto pelos seus seguidores como estratega de inigualáveis dotes, Pinto da Costa sabe que a sua grande dor de cabeça se chama Benfica e a possibilidade de o ver campeão pelo terceiro ano seguido corresponderá, em definitivo não só à mudança de ciclo do futebol português como à sua própria capitulação. Há um ano gastou em plantel novo até perder de vista, o que poderá tê-lo obrigado a ampliar as fronteiras orçamentais. Esforço para travar a ascensão da águia, que resultou em nada, porém. Este ano, mantém a mesma tendência gastadora de que a mediática aquisição de Casillas constitui o caso mais recente. É claro que profissional de tamanho currículo reclama vencimentos a condizer e se o Porto o recebeu é porque tem como pagar-lhe. É o lado irracional que a magia da bola carrega, sendo certo que quem acha bem, ou encolhe os ombros como se tudo deva ser consentido por um campeonato, deixa de ter moral para se queixar das taxas moderadoras nos hospitais, das tarifas nos transportes públicos ou da subida nos preços dos combustíveis.
Sei que tudo é relativo e o que Casillas ganhava no Real Madrid com certeza que se enquadrava na folha salarial do clube, mas o mercado português é incomparavelmente menor, não pode dar-se a esses atrevimentos. Razão para o reparo pertinente de José Mourinho, ele que é o número um e também o mais bem pago do Mundo. Mas não trabalha em Portugal, nem Ronaldo joga em Portugal. Da mesma maneira que os nossos melhores praticantes representam emblemas estrangeiros. Por isso, vendo o seu reinado aproximar-se do fim, PC, além de afrontar o admissível, capta aliados de ocasião que o ajudem na empreitada que, sozinho, não é capaz de concretizar: travar o Benfica."

Fernando Guerra, in A Bola

Aquecer logo pela matina...

Treino matinal em Rutgers Field, New Jersey.#CarregaBenfica #ICC2015

Posted by Sport Lisboa e Benfica on Terça-feira, 21 de Julho de 2015

A alteração dos paradigmas

"A bola já está a rolar, os primeiros jogos da pré-temporada ficaram para trás, mas ainda ninguém percebeu, ao certo, o que aí vem para a nova época futebolística. Benfica, FC Porto e Sporting - como não poderia deixar de ser - assumem-se como candidatos ao título e, com esse objectivo em mente, procuram acertar o passo. Mas se, olhando para o relvado é difícil, desde já, tirar grandes ilações, merece realce a forma como os rivais alteraram os respectivos paradigmas no que à formação das equipas diz respeito.
O Benfica, ao invés do que era normal desde que Vieira tomou as rédeas do clube, ainda não fez uma aquisição de vulto. Não estou a dizer que não entraram já jogadores capazes de ajudar, mas todos esperavam que, por esta altura, já alguma "truta" tivesse sido capturada. Será que ainda chegará? Estou convicto que sim, nomeadamente um avançado capaz de "rodar" (com rendimento similar) com Jonas e Lima, dois trintões. De resto, também não é de excluir a entrada de um lateral-direito e até de um extremo, caso Gaitán saia. A este propósito, aliás, importa dizer que a grande aquisição das águias até pode ser a continuidade do argentino. Ele faz a diferença.
No FC Porto, o que torna singular este defeso é a disponibilidade para avançar com operações envolvendo verbas anormais para o futebol português. Falo do valor pago, por exemplo, por Imbula; dos ordenados de Casillas ou Maxi Pereira e, seguramente, dos prémios de assinatura atribuídos a vários elementos. É verdade que o clube vendeu bem, que precisa de colmatar saídas importantes e que não equaciona voltar a ter uma época de seca... mas uma aposta assim, por cá, nunca se viu.
No Sporting, com a chegada de Jesus, o paradigma também se alterou (e muito). Tudo aponta no sentido claro da aposta em Gelson Martins, mas esse deverá ser o único aproveitamento real do trabalho mais recente efectuado na Academia. De resto, a opção passa por estrangeiros e vários até com idade já alta. 
Em suma, os caminhos são distintos e claramente diferentes do que tem sido normal. Contudo, a ideia geral é chegar ao final da época no topo da Liga. A questão é que só um vai rir. E o que será dos outros?"

Mourinho com discurso à Benfica

"Mourinho está no Canadá, em estágio com o Chelsea, e foi do outro lado do Atlântico que criticou o despesismo de FC Porto e Sporting num país (Portugal) «com muitos problemas sociais, políticos, económicos» e onde «as pessoas estão a sofrer muito».
Os mais desatentos poderão pensar que José Mourinho estava a falar directamente para os portugueses e a condenar os clubes que não teriam entendido a realidade social e económica de Portugal e, por isso, se afastavam da própria realidade da vida do povo. Mas não era essa a ideia fundamental de Mourinho. No fundo, os clubes portugueses serviram-lhe apenas de instrumento para atacar os clubes ingleses que já terão percebido que o fair play financeiro é uma treta e, por isso, procuram atacar o poder desportivo do Chelsea lançando mais dinheiro nas equipas, reforçando-as para estarem mais preparadas para ganhar. «O futebol é assim. Numa época fala-se do fair play na outra fala-se nas formas de o contornar» - dizia Mourinho referindo-se, naturalmente, ao que se passa no futebol inglês e não no distante futebol luso. Não deixa de ser curioso ouvir Mourinho dizer: «Disse aos meus jogadores que nós somos os mesmos e os outros não. Não posso impedir que outros assaltem um banco e gastem milhões.»
Ora vontade não teria faltado a Luís Filipe Vieira para dizer precisamente o mesmo. Mais brando nos costumes e no discurso, o presidente do Benfica limitou-se a dizer que não estava impressionado com as contratações dos outros e que os reforços do Benfica estavam dentro do clube."

Vítor Serpa, in A Bola

Entretanto na Sérvia...!!!