Últimas indefectivações

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Uma vez de cada vez. Dez jogos. Cem taças. Mil jornadas

 "1. A solenizada sessão de apresentação do técnico Jorge Jesus no início da semana constituiu um imprescindível sinal de proactividade e de energia de que o Benfica estava absolutamente necessitado para, sem mais demoras, poder reconstruir e a reafirmar todo o seu poder próprio, primeiro, no contexto desportivo nacional.

2. O acto realizava-se oportunamente no 'day after' do inacreditável descalabro de uma época demasiado triste; para não a considerar, até, como uma extensa temporada repleta de incidências e contornos inesperados, incompreensíveis e obscuros, no fim da qual havíamos acabado por conceder outra aberrante dose (dupla) de precioso 'oxigénio' aos nossos competidores e - e por que não escrevê-lo com todas as letras - nossos inimigos letais, aos quais, mais uma vez por culpas próprias, generosamente acabávamos de salvar da morte certa.

3. Luís Filipe Vieira, também ele certamente perplexo com tudo o que tinha acontecido mas com a determinação que o caracteriza, voltara de novo, só ele, a ter de assumir inequivocamente o que tinha de ser feito. Como os Benfiquistas sempre exigem ao Presidente do Benfica.

4. E assim (mesmo desprezando alguns epifenómenos que, dadas as imprevistas circunstâncias do final de época, talvez já não tivesse sido possível evitar por razões técnicas - refiro-me, por exemplo, à teimosia interpretação monocromática do emblema, numa altura destas...), o Presidente soube tomar nas suas mãos as medidas verdadeiramente essenciais que se impunham, no sentido de encarrilhar a locomotiva e a formidável composição que dirige, para encetarmos de vez a grande Viagem que todos os Benfiquistas querem cumprir a breve prazo.

5. Foi o melhor que Luís Filipe Vieira podia e devia fazer. E, como na ocasião sinalizou o nosso treinador, cortar imediatamente com o passado imediato, só olhando agora muito fixamente para objectivos de um futuro próximo, adquiria o significado complementar de nos permitir imaginar o que há de vir a ser, consistentemente, o futuro de longo prazo para o Benfica.

6. Gostei da assertividade com que, deixando de parte descomedidas jactâncias de outrora, Jesus correspondeu aos reptos lançados pelo Presidente e por Rui Costa: para ter afirmado o que (e como) afirmou, é porque, acerca de recursos e disponibilidades que lhe terão sido garantidas, ele não só já saberia muito mais do que nós sabemos e que tem sido escrito e dito na praça pública durante as últimas semanas, como se sentiria completamente envolvido no projecto que lhe foi proposto e, ainda mais do que isso, se considerar bem seguro da sua capacidade em o liderar e de o cumprir com o seu staff, no plano competitivo.

7. Mas, sobretudo, gostei de ver o nosso treinador - agora em plena posse das suas acrescidas faculdades e sem ter de provar a alguém seja o que for - acentuar que nada se ganha sem a conjugação de todos os Benfiquistas em torno da equipa.

8. Fica aqui dito que, pela nossa parte, os Benfiquistas saberão cumprir esse desígnio. A própria circunstância da pré-campanha e das Eleições gerais do final de Outubro virá provar esse preponderante sentimento comum, que afinal nos caracteriza há mais de 116 anos.

9. Portanto, para já, fica a faltar o resto. Falta recomeçar a jogar e a ganhar. Depressa e muito: uma vez de cada vez; dez jogos; cem taças; mil jornadas, para resgatar a dignidade atlética e a justa imagem universal do Grande Benfica Campeão dos campeões e reduzir a nada impostores e falsas virgens.

10. Mas, por outro lado, agora mais do que nunca, não deixará de nos faltar também saber conciliar com muita perícia as novas exigências dessa renovada atitude competitiva, com a experiência infraestrutural, negocial e de gestão que nos fez chegar aonde estamos. Numa fase previsivelmente tão desafiante do país, da Europa e do mundo, diante de tantas dificuldades sociais e económicas que se desenham, precisamos de ser capazes de continuar a sustentar o mesmo registo imparável do poderoso desenvolvimento do Benfica.

11. Sem derivas, nem sobranceria. Com prudência. Com firmeza e muita competência. Sem nunca perder sentido dos inevitáveis ataques soezes dos nossos inimigos. E sempre a acumular mais títulos do que os nossos adversários. Todos juntos."

José Nuno Martins, in O Benfica

Sr. Shéu | 67 anos de idade, 50 de Benfica

"Há nele aura mística que o eleva a figura do panteão encarnado, nome pronunciado em alturas de saudosismo por aqueles que o viram e que os mais novos, embevecidos a ouvir, perguntam por mais naquela curiosidade mórbida na tentativa da aproximação com realidades que sabem ser impossível repetir.
Shéu representa uma fase inesquecível de glória benfiquista e o compromisso máximo para com os valores mais altos que se levantam, das palavras de Mário Wilson. O ‘Pézinhos de Lã’, carinho pelo qual os mais antigos o reconhecem, jogou 488 jogos de águia ao peito, num percurso de 17 épocas que se iniciou no longínquo ano de 1970. Completou, no passado dia 3 do mês vigente, 67 anos.
Com 16, chegou a Lisboa depois de muitas tribulações. Nada de grave, mas o patriarca da família era avesso às pretensões da bola, a prioridade eram os estudos e só nessa condição é que Shéu Han conseguiu autorização para viajar. Tudo começa quando um imberbe moçambicano de feições asiáticas, vindas do lado do pai, deslumbrava nos relvados de Inhambane, província da Inhasorro que o viu nascer.
As qualidades eram tantas que não passaram despercebidas a um Tenente Coronel, Manuel da Costa de seu nome, que por ali passava. É ele que envia a primeirissima notícia para a Metrópole dando conta do diamante que ali estava e quem a recebe é Fernando Calado.
O resumo das capacidades futebolísticas era tão entusiasmante que José Augusto, recém-adjunto, vai pessoalmente à Beira ver um jogo do Sport Lisboa e Beira – a sigla estava destinada. Precisou de pouco para conferir as imensas qualidades do prodígio. O pai, a muito custo, deixou-o embarcar sob uma única condição: terminar o estudos de Mecânica. Assim foi.
Chegado à Luz, vê-se em cidade que o assusta – «aquele movimento (da Baixa) fazia uma enorme confusão» – e então ficava pelo Lar, onde eram acolhidos os prodígios de longe, e ocupava o seu tempo entre treinos suplementares e leituras, outra das suas paixões.
Mário Coluna e Ângelo, seus primeiros treinadores, ajudaram à construção de um trinco moderno, muito à frente do seu tempo, e foi isso que impressionou Jimmy Hagan e o obrigou a estreá-lo a 15 de Outubro de 1972, num vitória no campo do Barreirense por 3-0. Substituiu Toni perto do final, e a simbologia da troca preconizava a importância suplementar que viria a conseguir mais à frente.
Porém, só em 1975-76 se assume como titular e pêndulo do meio-campo encarnado, com o ‘Velho Capitão’ Mário Wilson a ver nele um dos líderes da regeneração da equipa, passagem de testemunho entre a geração de Eusébio e António Simões e a sua, mais Humberto Coelho, Jordão ou Néné. A estreia europeia acontece nessa temporada, na expressiva goleada ao Fenerbahce (7-0), para a primeira eliminatória da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Foi em contexto internacional onde teve as suas maiores mágoas como futebolista, uma delas como protagonista do golo e outra como capitão (a braçadeira só a herdou em 1986, depois da despedida de Bento). A final da Taça UEFA de 83, frente ao Anderlecht, onde faz o 1-0 na segunda mão, anulado poucos minutos depois pelo contra-ataque encabeçado por Lozano; e em 1987-88, na final da Taça dos Campeões Europeus, no famigerado desempate por penáltis (6-5) frente ao PSV de Ronald Koeman – o tal jogo que Diamantino viu da bancada, por causa da lesão sofrida uma semana antes, e onde os jogadores perderam largos períodos a perder e a calçar as botas, escorregadias estavam da goma dumas meias por estrear…
A despedida viria em 1988-89, na última jornada de um Campeonato já ganho. Frente ao Boavista, na Luz, jogou 45 minutos e homenageado seria ao lado de João Santos, presidente benfiquista. Sairia em lágrimas, naturalmente, mas pouco tempo teve para relaxar: seria imediatamente convidado para as funções de Secretário-Técnico, pelas competências que tinha a mexer em… computadores. Um homem sempre à frente do seu tempo. Manteria o cargo até Maio de 2018, quando sentiu já ter cumprido o seu papel na íntegra. Levava 48 anos de Benfica.
Oportunidades para sair de casa? Naturalmente que existiram, mas Shéu é homem de princípios. Em 1987, respondia assim a essa questão: «Tive algumas oportunidades de sair, e o que determinou que tal não sucedesse foi o facto de um certo treinador com quem não simpatizava nada, ter passado para o clube que iria representar». A identidade da figura enigmática ficará para quem sabe e para quem com ele já privou mais intimamente. Sortudos.
Foram, ao todo e enquanto jogador, nove campeonatos nacionais (1973, ’75, ’76, ’77, ’81, ’83, ’84, ’87, ’89), seis Taças de Portugal (’80, ’81, ’83, ’85, ’86, ’87) e duas Supertaças (1980, ’85). Enquanto Secretário-Técnico, seis campeonatos nacionais (1991, ’94, 2005, ’10, ’14, ’15, ’16), cinco Taças de Portugal (1993, ’96, 2004, ’14, ’17), cinco Supertaças (1989, 2005, ’14, ’16, ’17) e seis Taças da Liga (2009, ’10, ’11, ’14, ’15, ’16). Na curta passagem que teve enquanto técnico, cargo que nunca o seduziu e que só executou para proteger a instituição e a futura equipa técnica, saldou-se pela conquista do desejado terceiro lugar na díficil época de 1998-99, depois do despedimento de Graeme Sounness.
O papel fulcral que cumpriu junto da equipa ao longo de décadas é prontamente demonstrado pelas palavras de puro respeito que lhe entregam as mais variadas figuras do universo benfiquista e do futebol português. Os valores mais altos da Mística viram nele a sua máxima personificação e Shéu foi determinante na missão de dar continuidade até às gerações actuais, ficando célebre a sua relação estreita com o grande líder do século XXI benfiquista, Luisão, numa passagem de testemunho muito feliz."

GreNal – A despedida de Cebolinha no grande derby


"Na grande final do Campeonato Gaúcho, o Grêmio bateu o eterno rival Internacional por dois a zero, num jogo que ficou marcado por, aparentemente, ser a despedida de Cebolinha, o internacional brasileiro que alegadamente chegará a Lisboa para defender as cores do SL Benfica. Jogador de tremenda capacidade de desequilíbrio, saiu em ombros de mais um derby eterno. Num jogo de enorme competitividade, saiu assim Everton Cebolinha do Brasil."

Waldschmidt, um sucessor para João Felix


"Sete golos em cinco jogos no Europeu de Sub21 em 2019, deixaram um impacto tremendo na competição e em todos quanto os que a observaram de perto.
Waldschmidt tem argumentos técnicos, tácticos e físicos para se tornar num triunfo retumbante na Liga Portuguesa.
Habituado a jogar num sistema com 2 avançados, o alemão denota grande qualidade quer no momento da finalização quer quando tem de se mover e definir em zonas de criação. Eficiência elevadíssima no gesto técnico, velocidade de execução elevada, passada que lhe permite receber também bola nas costas, tem todos os traços de um segundo avançado moderno. Moderno porque é muito hábil e competente em espaços curtos, mas também impacta na hora de atirar na baliza, seja depois de receber em profundidade ou ainda de fora. É o nove e meio que tanto procurou o Benfica!
Capaz de servir as rupturas dos colegas, pela forma como gira e observa movimentos no espaço entrelinhas adversário, é também um jogador sempre disponível para as tarefas de pressão tão apreciadas por Jorge Jesus.
Ainda mais que Cavani (porque como ponta de lança, poderá haver melhor aproveitamento e evolução de Vinícius), o alemão tem as características que tanto faltam na equipa encarnada e um nível verdadeiramente diferenciado do comum jogador que pisa os relvados da Liga NOS."

SL Benfica 2019/2020: A análise do plantel ao detalhe

"Depois de uma época fracassada os jogadores entram de férias já a pensar no próximo ano. Como qualquer jovem aluno anseiam receber as suas notas (ou não). Esta temporada quem foram os melhores “alunos”? Quem surpreendeu e quem desiludiu? É isso que vão ficar a saber neste artigo.
Nota: Não estão incluídos jogadores que já deixaram o SL Benfica (RDT, Caio Lucas, Fejsa ou Cadiz). Para mim têm todos nota 1/10 (com excepção de Gedson) pois em nada (ou muito pouco) contribuíram para o “sucesso” da equipa encarnada.
Todos presentes? Vamos lá começar esta deprimente avaliação…. Aqui não há recursos. 

Guarda Redes
#99- Odysseas Vlachodimos
- 45 jogos e 47 golos sofridos
- Nota da época- 8/10
- Vlachomimos foi um dos melhores elementos do plantel encarnado, sobretudo antes da retoma. Valeu muitos pontos!

#1- Svilar
- Um jogo e zero golos sofridos (20 jogos na equipa B)
- Nota da época- 5/10
- Evoluiu muito na equipa B. Na próxima época deverá ser emprestado.

#72- Zlobin
- Sete jogos e sete golos sofridos
- Nota da época- 4/10
- Foi o segundo guardião ao longo da época, mas não cumpriu quando chamado. Svilar ultrapassou-o na hierarquia na recta final da temporada. Não deverá continuar no SL Benfica.

Laterais direitos
#34- André Almeida
- 27 jogos, quatro golos e cinco assistências
- Nota da época 6/10
- Uma época relativamente competente, marcada por alguns momentos de falta de atitude. Continua a ser muito curto para um clube como o SL Benfica.

#84- Tomás Tavares
- 26 jogos, zero golos e zero assistências
- Nota da época- 4/10
- Tomás Tavares foi um dos jogadores mais criticados nesta temporada. O miúdo tem qualidade, mas foi lançado às feras sem qualquer preparação. Precisa de crescer.

Defesas centrais
#6- Rúben Dias
- 49 jogos, três golos e três assistências
- Nota da época- 7/10
- Facilmente o melhor central do plantel. Teve alguns momentos menos bons, mas teve igualmente exibições de gala onde demonstrou estar a caminho do topo.

#97- Ferro
- 40 jogos, um golo e zero assistências
- Nota da época 4/10
- Ferro foi uma das desilusões da temporada. Cometeu muitos erros e pareceu sempre muito frágil perante a pressão do adversário e dos adeptos. Tem de melhorar muito.

#33- Jardel
- 19 jogos, zero golos e zero assistências
- Nota da época- 5/10
- Jardel cumpriu sempre que foi chamado a substituir Ferro. As constantes lesões continuaram a deteriorar a sua forma física e prejudicam a sua carreira. Um central útil

#38- Morato
- Um jogo, zero golos e zero assistências (17 jogos na equipa B e sub23)
- Nota da época- 6/10
- Esteve a bom nível na equipa B e nos escalões de formação. Para o nível de sénior parece estar ainda um pouco “verde”, no entanto tem qualidade.

Laterais esquerdos
#3- Grimaldo
- 41 jogos, um golo e sete assistências
- Nota da época- 7/10
- Grimaldo fez uma época positiva, mas cheia de latos e baixos. Os seus problemas defensivos foram expostos por uma equipa extremamente frágil e com um fraco processo defensivo.

#71- Nuno Tavares
- 15 jogo, um golo e quatro assistências
- Nota da época- 5/10
- Começou a época numa posição que lhe era estranha. J´a lateral esquerdo demonstrou alguma qualidade, mas mostrou ter igualmente algumas limitações técnicas graves. Mias um jogador que foi lançado ás feras sem qualquer preparação.

#22 Samaris
- 25 jogos, zero golos e zero assistências
- Nota da época- 3/10
- Quando um jogador é mais conhecido e adorado pelo que faz fira do que campo do que dentro dele algo está mal. Deixando de lado a “garra” e o “sentir o clube”, Samaris acrescentou sempre muito pouco à equipa.

#28- Weigl
- 21 jogos, um golo e zero assistências
- Nota da época 6/10
- Pra muitos Weigl é o culpado do descalabro da época (inacreditável), para mim Weigl é um dos jogadores com maior qualidade que passou cá nos últimos tempos. A bola nos pés do alemão nunca chora. Há muitos benfiquistas, que pouco ou nada percebem do desporto rei, que ainda não perceberam o jogador que têm nas mãos.

#61- Florentino
- 17 jogos, zero golos e uma assistência
- Nota da época 7/10
- A nota pode parecer elevada, mas sempre que Florentino esteve em campo…esteve muito bem. Isto torna ainda mais estanho o completo deperecimento das opções. Que estranha gestão do plantel… 

Médios Centro/Ofensivos
#49- Taarabt
- 36 jogos, um golo e três assistências
- Nota da época- 8/10
- Um dos melhores jogadores na primeira metade da época. Em muito jogos era o marroquino que remava sozinho contra uma maré de mediocridade. A sua anarquia táctica prejudicou algumas vezes a equipa encarnada, mas o que trazia ao jogo compensava.

#8- Gabriel
- 34 jogos, três golos e duas assistências
- Nota da época- 7/10
- Gabriel, como a maioria do plantel encarnado, fez uma primeira volta bem mais positiva do que a segunda. As lesões condicionaram muito o rendimento do médio brasileiro.

#19- Chiquinho
- 38 jogos, três golos e sete assistências
- Nota da época- 7/10
- Mesmo com todos os problemas de finalização, Chiquinho sempre foi a melhor opção para jogar atrás do avançado. Fez uma época bem positiva e mostrou ter qualidade para estes patamares. Como titular? Isso já não diria.

#86- Tiago Dantas
- Um jogo, zero assistências e zero golos (24 jogos na equipa B e sub23)
- Nota da época- 5/10
- Apesar de ter feito apenas um jogo, Tiago Dantas mais do que merece esta nota. O pequeno médio centro transpira qualidade e inteligência. No entanto, para alguns o que é preciso é raça, seja lá o que isso for, e poder físico. Uma injustiça para este pequeno génio…ponham os olhos no Puig

#92- David Tavares
- Dois jogos, zero golos e zero assistências
- Nota da época- 2/10
- Esta nota deve-se sobretudo á irresponsabilidade que o jogador vai demonstrando dentro de campo 

Extremos
#21- Pizzi
- 51 jogos, 28 golos e 19 assistências
- Nota da época- 8,5/10
- É verdade que o nível exibicional do jogador nem sempre foi o mais alto, mas a nível estatístico a época de Pizzi foi absolutamente estrondosa. Valeu muitos pontos ao SL Benfica. Um jogador decisivo. 

#11- Cervi
- 35 jogos, quatro golos e quatro assistências
- Nota da época- 6/10
- Cervi é um jogador muito esforçado, mas nunca passará muito disto. É um jogador muito útil a qualquer equipa, mas dificilmente terá qualidade para ser titular.

#27- Rafa
- 35 jogos, dez golos e sete assistências
- Nota da época- 6/10
- Rafa desiludiu muito, principalmente na segunda metade da época. O extremo português deveria ser um dos elementos mais importantes da equipa, mas não o foi. Ainda assim teve alguns momentos altos como a exibição em Alvalade.

#17- Zivkovic
- Quatro jogos, zero golos e zero assistências
- Nota da época- 0/10
- O profissionalismo decidiu aparecer só no final da época, vamos ver se se libra das más influências e percebe o talento que tem nos pés

#73- Jota
- 28 jogos, dois golos e três assistências
- Nota da época- 4/10
- Olhando para o número de jogos parece que Jota foi uma parte integrante do plantel, mas estas partidas não se materializam em minutos. É verdade que não demonstrou muito nas oportunidades que teve, mas também é complicado mostrar muito quando se entra sempre depois dos 90 minutos.

Pontas de Lança
#95- Vinícius
- 47 jogos, 24 golos e 13 assistências
- Nota da época- 9/10
- Vinícius chegou como o terceiro avançado na hierarquia, atrás de RDT e Seferovic. No entanto, o ponta de lança brasileiro foi claramente o melhor avançado e, arrisco-me a dizer, jogador dos encarnados. O melhor marcador do campeonato com mesmo minutos desde Eusébio e sem penalties. Que grande época.

#14- Seferovic
- 45 jogos, nove golos e cinco assistências
- Nota da época- 2/10
- Seferovic foi a grande desilusão da época. Depois de ser melhor marcador do campeonato, o avançado suíço não esteve nada perto de repetir o feito. Muitos golos falhados e pouca confiança culminaram numa época muito fraca." 

A receita que funciona

"Depois de um campeonato nivelado por baixo, anémico ainda antes de ser pandémico, com vencedor justo, mas de pouco brilho e uma concorrência abaixo do sofrível, a expectativa neste defeso tardio é obrigatoriamente a de que o nível só possa subir e a qualidade de jogo melhorar.
Sou optimista, prefiro o copo meio cheio e há-de ser isso que me faz renovar em cada ano a fé de que a qualidade do campeonato português pode melhorar, mesmo se nas temporadas mais recentes aconteceu exactamente o inverso. E, mais que de orçamentos, de dinheiro ou da falta dele e da capacidade de reter talento, falo de propostas de jogo empobrecidas e muitas vezes rudimentares ou da preferência por jogadores que são mais de lutar e correr que de jogar. Mais que os outros factores – mesmo o financeiro, que não é um valor absoluto, veja-se o Aves, que estava longe de ter o orçamento mais baixo e foi claramente a menos competitiva das equipas – é à qualidade de jogo, ou mais concretamente à falta dela, que devemos debitar o menor entusiasmo que a prova suscita nos adeptos (em particular nos mais novos, encantados por Inglaterra ou Espanha, onde brilham os heróis dos jogos de consola) e a competitividade externa decrescente, mesmo das melhores equipas do país. Podemos discutir tudo à volta do jogo e continuar a pensar que tem de se mexer mais na arbitragem e no VAR, mudar painéis televisivos, inovar nos calendários e na organização das provas. Por muito que pareça mais necessário alterar o que está na periferia, no centro estará sempre o jogo, ele próprio. E o maior segredo resume-se a uma ideia: jogar melhor.
O optimismo reentra aqui, que parece haver mais equipas apostadas precisamente em jogar melhor. O nível médio das propostas de jogo, aferido a partir das ideias que se conhecem a cada treinador definido para a nova época, augura uma melhoria face aos últimos anos. Ao campeão Sérgio Conceição, de jogo mais seguro que formoso mas sempre competitivo, juntam-se um Jorge Jesus com a autoconfiança de sempre e a prometer arrasar, Carlos Carvalhal com promessas de transferir para Braga o grande futebol exibido em Vila do Conde, Ruben Amorim em época de afirmação depois dos bons sinais dados (falo de ideias, mais que de resultados, como sempre). E João Pedro Sousa mantém-se em Famalicão depois do impacto espectacular em ano de estreia dupla, dele e do clube, como Pepa segue também, depois da recuperação que mudou o destino do Paços de Ferreira. E surge Tiago, agora Tiago Mendes, como aposta surpresa e muito interessante em Guimarães, até para perceber se pesa mais nele a herança do jogador que foi, de classe e pensamento, que parecia desprezar o esforço supérfluo, ou o ensinamento de Simeone em que o sacrifício é visto como via fundamental para o sucesso. E chega Mário Silva, na inteligente linha de continuidade que o Rio Ave tem sabido procurar, percebendo-o num trilho de sucesso, primeiro com os miúdos do Porto e depois no Almería. E há ainda Vasco Seabra, finalmente um treinador de perfil contrastante com o que tem vigorado no Bessa, capaz de provar que garra e atitude são para acrescentar a uma ideia e nunca para a definir. Até porque não faz sentido que Angel Gomes passe pelo mesmo que Bueno, por exemplo, que nunca se enquadrou num modelo de jogo que valorizasse a sua qualidade diferenciada.
Fala-se em Cavani, chega Gaitan, pode vir Cebolinha, regressar Hulk, as melhores equipas tentam acrescentar qualidade indiscutível, mas os melhores sinais para a competitividade virão sempre do momento em que os outros emblemas busquem boas ideias, como atrás descrito, que levem à valorização do talento. Como houve no último ano com Edwards e Pepê em Guimarães, Nehuen, Assunção, Pedro Gonçalves e Fábio Martins em Famalicão, Al Musrati, Mané ou Taremi no Rio Ave, até Kraev e depois Ruben Ribeiro em Barcelos. São precisos mais jogadores desses e é mais fácil acreditar que podem chegar, e em maior número, porque aumentou o número de treinadores que “querem jogar”. Essa é, para já, a grande notícia deste defeso atípico: a de haver mais gente pronta a valorizar um jogar positivo, que terá como consequência resultados desportivos e proveitos financeiros. Foi o que se viu, ainda na última época, no Braga, no Rio Ave, no Famalicão, até no Vitória de Guimarães. Se a lógica é simples e a receita funciona, porque não repeti-la…?"

Cassete Vermelha #52

O futebol

"O futebol é uma grande indústria portuguesa.

1. O futebol é uma grande indústria portuguesa. No anuário relativo a 2018/19, divulgado esta semana pela Liga de Clubes, estão lá os números. Representa, pelo menos, 0,27 do PIB nacional. Contribui com 150 milhões de euros para a autoridade tributária. Gera 2.621 postos de trabalho directos.
A pandemia terá feito baixar o volume de negócios em 136 milhões de euros, mas essa contabilidade, infelizmente, está longe de ser a definitiva. Falta testar como se comporta o mercado de transferências e perceber se o público regressará rápido aos estádios. É como em todos os sectores: veremos.
Um dia será possível, ainda, calcular o impacto indirecto do futebol na economia. O que nunca será calculável é a sua riqueza imaterial. Não há instrumentos que permitam chegar a um número que defina a felicidade das pessoas perante algo aparentemente tão pueril quanto fantástico de um triunfo da selecção num Europeu de futebol. Aquelas imagens de 2016, que a partir de Paris colocaram Portugal em festa, serão inesquecíveis por muito tempo. Até à próxima celebração, seja ela geral, devida à selecção, melhor dizendo, selecções, porque os triunfos das equipas da FPF têm muitas dimensões; ou particular, sendo estas as dos clubes.

2. Por muitas razões, faz sentido estar atento a tudo o que possa contribuir para atentar contra a boa imagem desta indústria. Talvez por isso tenha sido bastante notada a decisão das televisões SIC e TVI de darem por terminados os ciclos dos programas alimentados por adeptos que discutiam como se estivessem nas bancadas sob os efeitos da alienação mais demencial.
Sinceramente, não dou muita importância ao caso. Outras televisões levantarão o estandarte desses programas de baixos custos e boas audiências, absolutas ou relativas. Haverá sempre indivíduos disponíveis para a alarvidade e para a falta de respeito por si mesmos. E as próprias televisões, como se sabe, têm ciclos de toxicidade variáveis e muito próprios. Denunciá-los ou criá-los faz parte de estratégias normais de gestão e receitas.

3. Prefiro destacar, por isso, o pedido de processo de inquérito à SAD do Feirense que a Liga endereçou esta semana ao Conselho de Disciplina da FPF. Em causa está uma eventual incompatibilidade: o líder daquela SAD, Kunle Soname, será também dono de uma casa de apostas em África, a Bet9ja. E tudo o que possa beliscar o bom nome da indústria tem de ser combatido, investigado.
Os interesses devem ser mantidos nos carris próprios. As mesmas pessoas, ou famílias, não podem estar ao mesmo tempo nas apostas, nos negócios e terem participações qualificadas em SAD. É incompatível.
Creio, aliás, que alguém já deveria ter dado igualmente o devido valor às repetidas insinuações públicas do presidente do Aves-clube, António Freitas, a propósito da suspeita conduta dos representantes do capital chinês que levaram ao descalabro da SAD do Aves.
Toda a gente já percebeu que António Freitas desconfia que houve interesse em atirar com o Aves para fora das competições profissionais porque isso indirectamente iria beneficiar, como beneficiou, uma outra SAD detida por capital chinês que estava à beira de sair dessas mesmas competições profissionais, a do Cova da Piedade. É uma questão para o Ministério Público saber se, por insondáveis mistérios de empresas em cascata, tudo isto é, ou não, verdade.

4. A Liga de Clubes faz muito bem, por isso, em pedir, como pede, mais e melhores instrumentos ao Governo para poder certificar os “investidores” que chegam em catadupa ao Ocidente, e a Portugal também, oriundos de zonas do mundo em que o dinheiro parece não custar a ganhar. O problema da lavagem de dinheiro e do ‘match fixing’ é bem real, ameaça as competições desportivas de forma global. E o futebol replica em todos os países a importância que tem entre nós. Há que o vigiar, manter limpo e à altura da importância perante a alegria (imaterial) dos adeptos e o interesse (bem material) da economia, do emprego. É disso que também se fala quando se fala de futebol."

João & Ricardo... Escócia!

O desporto como fábrica de génios

"Em 1999, um semanário francês prestigiado publicou um dossiê sobre “Os Génios do Século XX”. As cabeças iluminadas de um corpo editorial com elevada formação cultural selecionaram os seguintes dezoito nomes: Coco Chanel, Maria Callas, Sigmund Freud, Marie Curie, Yves Saint-Laurent, Le Corbusier, Alexandre Fleming, Robert Oppenheimer, Rockfeller, Stanley Kubrick, Bill Gates, Pablo Picasso, Ford, Albert Einstein, Robert Noyce, Edward Teller, Thomas Edison, Morgan.
Para já temos de definir o que é um génio? Se definirmos um génio como um ser humano inquieto, desarrumador de realidades, então há algo a dizer sobre os génios escolhidos pelos pretensamente cultos jornalistas do semanário parisiense.
Na vida há momentos em que temos de escolher, mas temos de ter consciência que uma escolha implica automaticamente a rejeição de um ou de muitos. Escolho este em detrimento daquele. Por isso, há escolhas que não se devem fazer pois corre-se o risco de se ser sectário, injusto, redutor, elitista e quiçá vingativo.
A lista atrás elaborada pelos, não me custa muito acreditar, inteligentes jornalistas franceses abre um imenso campo de discussão sobre a real valia de uns, a importância sociológica dos feitos de outros e o “pecado” do esquecimento de muitos. Toda a selecção é permeável à crítica. Com o lastro cultural que me justifica então critiquemos.
Se perguntarmos à população portuguesa ou chinesa quem foi Robert Noyce e o que ele fez de importante, com excepção dos engenheiros acredito que 99,9% da gente não sabe responder. No meu entender está muito bem integrado nessa lista pois com a sua descoberta – o microship, ou seja, o circuito integrado de silício, abriu as portas de uma verdadeira revolução na electrónica moderna. Robert Oppenheimer, dirigiu o projecto Manhattan que resultou na criação da bomba atómica. Edward Teller, “pai” da bomba de hidrogénio, também integrou o projecto Manhattan.
Recusando qualquer consideração moralista pode-se considerar, em virtude das resultantes sociais e políticas dos seus inventos, Noyce foi um “génio” do bem e Oppenheimer e Teller “génios” do mal. Temos de levar em atenção que a criatividade científica é sempre subsidiária das criatividades anteriores. Cada cientista coloca uma argola na correia interminável da investigação científica. Muitas vezes, em ciência, não se sabe bem o que é de quem. Vejam-se as dúvidas que pairam sobre a inventividade de Thomas Edison. Passemos à frente.
Stanley Kubrick. Aqui até dói no mais fundo da alma. Uma dor lancinante ataca um cinéfilo doentio como eu. Não, senhores jornalistas franceses; há muito melhor, até no vosso próprio país. Fellini, Pasolini, Woody Allen, Eisenstein, Bergman, Godard, Coppola, Wenders, Lynch, Scorsese, Chaplin. Não posso reduzir a importância de filmes como 2001-Odisseia no Espaço, Shining, Dr. Strange Love, Spartacus (um dos filmes da minha juventude), bem…na realidade estou a ser uma besta. Kubrick é sem dúvida um dos grandes do cinema, com lugar no areópago dos “divinos das fitas”, mas eu gosto muito mais de outros. Gostos não se discutem e, neste plano particular as opções dos senhores jornalistas franceses. Aqui dou a mão e o pé a torcer. Mas, os eminentes profissionais da notícia de França meteram, sem dúvida, a articulação tibiotársica, o astrágalo e os metatarsos todos na poça.
O ridículo da escolha, no meu também sectário entender, surge com a integração de dois costureiros em tão “genial” lista e a ausência de nomes deveras importantes para a cultura contemporânea. Para não me acusarem de luso-centrismo vou esquecer muitas das nossas luminárias que estão incontornavelmente entre os “gigantes” planetários do século XX como Fernando Pessoa, José Saramago, Vergílio Ferreira, António Damásio, Carlos Paredes, Almada Negreiros, Lobo Antunes, Álvaro Siza Vieira, Sobrinho Simões, Maria Helena Vieira da Silva, Natália Correia, Agostinho da Silva, José Hermano Saraiva, Edgar Cardoso, Maria João Pires e Paula Rego.
Os senhores franceses esqueceram-se, e parece intencional esse olvido, de Garcia Márquez, James Joyce, Brecht, Italo Calvino, Kafka, Mircea Eliade, William Faulkner, Graham Greene, Thomas Mann, Marcuse, Sartre, Barthes, Nabokov, Umberto Eco, André Breton, Proust, Bertrand Russell, Popper, Ortega Y Gasset, Camus, Vargas Llosa, Philip Roth, etc. É interessante que na lista não surja nenhum romancista, nenhum poeta, nenhum dramaturgo, nenhum filósofo.
Picasso está sozinho, mas falta-lhe a companhia de Salvador Dali, Kadinsky, Miró, Matisse, Braque e outros grandes na expressão pictórica.
Estão inseridos na lista dois fazedores de dinheiro, Ford (automóveis) e Rockefeller (petróleo). Génios? Talvez, a desenvolver projectos que outros criaram. Mas, na lista, nem um único fazedor de música. Esquecendo-se do famoso sintagma grego “Ginástica para o corpo e música para a alma”, deixaram no tinteiro Stravinsky, Prokofiev, Schoenberg, Villa-Lobos, etc. Na minha selecção pessoal incluiria dois nomes que farão arrepiar os puristas da música clássica: um que meteu em muitos dos meus filmes a dimensão do sonho – Ennio Morricone e os Beatles, os grandes compositores de músicas e poesias da minha geração.
Mas, e aqui tenho de assumir que vou pleitear em causa própria, os prescientes jornalistas franceses esqueceram-se, neste caso com dolo intencional, dos mitos mais importantes da actividade humana do século XX e que continua neste século – o desporto. Eles não sabem, nem sonham, que o desporto, e aqui introduzo a dança pois ambos consubstanciam a Arte do inefável, é a força catalisadora mais pregnante dos últimos séculos, de uma forma que só terá comparação na Grécia de Péricles. 
Logicamente que poderia começar na Europa e terminar na Oceânia e encontrar mitos desportivos que se enquadravam perfeitamente no qualificativo de génios.
No panteão dos génios desportivos, verdadeiros deuses com lugar no Olimpo ao lado de Zeus y sus muchachos, vou só dar alguns exemplos a começar pelos estrangeiros. Logicamente que vou puxar a brasa para os ídolos da minha geração deixando os recentes para quem quiser fazer uma recensão para os melhores do século XXI.
Eis alguns nomes que me fazem cantar hossanas aos céus por ter sido seu coetâneo: Michael Jordan (basquetebol), Pelé (chutos na bola), Maradona (chutos na bola), Mike Spitz (Natação), Sebastian Coe (meio-fundo Atletismo), Randy Barnes (Lançamento do Peso), Jan Zelezny (lançamento do dardo), Carl Lewis (100m e salto em comprimento), Sergey Bubka (salto com vara), Rodolfo Nureyev (ballet), Dinis Santos (dança contemporânea).
Agora os meus heróis caseiros. Eu, que só tenho uma cor no meu coração futebolístico, azul e branco, perdi-me de amores por três atletas “inimigos”: Carlos Lopes, Joaquim Agostinho e Eusébio. Disse amor, sim, porque de amor se trata. Quando a admiração se eleva para um sentimento de partilha em que o crescimento alheio nos faz a nós também crescer o amor acontece como expressão da mais sentida gratidão. Tive o privilégio existencial de acompanhar as carreiras destes génios lusos, os seus momentos de glória e os momentos maus nos quais se evidenciou a sua verdadeira têmpera de campeões. Já o disse várias vezes e repito com prazer: para lá da minha mãe que me estava sempre a dar porrada (vá-se lá saber por que razões estranhas) só estes homens me fizeram chorar. Chorei com Eusébio no mundial de 1966 após derrota com a Inglaterra, chorei com os relatos do Carlos Miranda em A Bola sobre os infortúnios do Joaquim Agostinho, chorei com a cavalgada heróica do Carlos Lopes para a meta nos Jogos Olímpicos de 1984 – a primeira medalha de ouro olímpica do desporto português.
Onde quero chegar ao trazer à luz do dia as mais gratas memórias que o desporto me deu? Que, se em qualquer dos anais da excelência humana faltar os génios desportivos, é um documento imperfeito e incompleto onde falta uma dimensão essencial do ser humano hodierno."

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Cadomblé do Vata (mercado)

"Comentário aos boatos de pré época
1. Edinson Cavani - nem interessa a idade (é só 1 ano mais velho que Lewandovski e tem menos 1 do que Jonas na última vez que foi melhor marcador), seria um reforço brutal, ressalvando que falhar a contratação dele não envergonha ninguém... mas sendo uruguaio, caso assine pelo SL Benfica tem que ser por 5 anos, para só ir para o FC Porto a caminho das 39 primaveras.
2. Gilberto - lateral direito que há 1 mês marcou um golo ao Flamengo jesusiano... Jorge Jesus a pegar no Manual de Contratações do SLB 95/96 "se hoje a mim me marcas / amanhã por mim jogas" (em 95/96 o Glorioso contratou Panduru, Paulão, Hassan, Marcelo e Mauro Airez, batendo o recorde de jogadores que assinaram por um clube depois de contra ele terem facturado)
3. Rúben Semedo - seria LFV a dar tudo pela reeleição... no final de uma temporada que termina com os adeptos a dizerem que o que os jogadores do Benfica precisam, eram uma boas pazadas no lombo, Vieira adicionava o cadastrado central ao plantel.
4. Everton Cebolinha - craque que sozinho consegue fazer todo o lado esquerdo ofensivo e defensivo... venceu a Libertadores, a Recopa Sul Americana, a Copa do Brasil e o Campeonato Gaúcho tendo como lateral do seu flanco Bruno Cortez.
5. Koch e Waldschmidt - para um amante do estilo de futebol alemão, dois actuais seleccionados da Mannschaft no Glorioso seria um sonho... e depois da desilusão que foi a não inclusão no plantel de Friesenbiechler em 14/15, significava uma nova oportunidade de ouvir Jorge Jesus pronunciar nomes germânicos."

João & David... Inglaterra!

A democracia, os benfiquistas e as eleições

"Ponto prévio: Este texto não visa apoiar nenhuma das candidaturas apresentadas até à presente data. 
Faltam cerca de três meses para mais um ato eleitoral no nosso Clube. Enquanto associado não tenho dúvidas, o ato eleitoral é o dia mais importante para qualquer Benfiquista. E porquê? Porque é a oportunidade suprema de todos associados expressarem a sua opinião sobre quem os deve representar à frente dos destinos do clube.
Recuemos então uns anos para que melhor possamos entender a importância deste dia. Desde os primórdios da sua história que o Benfica se tem afirmado como a instituição desportiva mais democrática do país. Mesmo durante os tempos do Salazarismo, onde o país se via oprimido por uma ditadura fascista, o Sport Lisboa e Benfica era um autêntico oásis democrático onde os sócios eram livres de expressar a sua opinião, as eleições eram livres e os candidatos tinham as mais variadas cores politicas.
Foi, portanto, esta força democrática e esta união dos sócios que permitiram ao Benfica tornar-se naquilo de que tanto nos orgulhamos, um clube popular, de pessoas para pessoas. Um clube agregador de todas as classes, géneros e raças. Um clube que edificou o maior estádio do país com a contribuição e esforço de todos os sócios, que eliminou fronteiras por essa Europa fora dominando a década de 60 do futebol do Velho Continente com a contribuição de talentosos jogadores provenientes das ex-colónias. Um clube que se fez grande sem favores de ninguém. Cabe-nos a nós todos manter esse espírito democrático nos tempos eleitorais que se avizinham. Para isso que isso aconteça não devemos ter preconceitos em relação a qualquer ideia/opinião de qualquer candidato. Devemos ter a noção de que o nosso único desejo comum é do ganhar. Nenhum de nós é deste ou daquele candidato, todos somos Benfica e todos devemos ouvir todas as propostas, entendê-las e debatê-las.
Nunca na nossa história tivemos um ato eleitoral tão concorrido. E acreditem que não se trata de ganhar este ou aquele, trata-se de honrar o Benfiquismo com civismo e elevação para que no final o maior vencedor seja o Sport Lisboa e Benfica.
Com a participação e elevação de todos, temos o dever de manter a chama democrática do clube acesa e de o fazer ganhar com a pluralidade de opiniões. Somos nós que não podemos permitir que o Clube se continue a fechar sobre si mesmo como tem acontecido nos últimos tempos. O Benfica estará sempre acima de todos nós, mas será sempre nosso."

O dinheiro no desporto: amadorismo e profissionalismo

"A questão é legítima e qualquer um de nós poderá colocá-la: será que o dinheiro é um problema no desporto? Nas práticas desportivas como o futebol, o basquetebol, o ténis, o golfe, as corridas de automóveis, o ciclismo, entre outras, podemos pensar que sim. Quanto maior for o cálculo económico desta actividade humana, podemos dizer que maior é o risco de fazer desaparecer a cultura desportiva, caracterizada pela incerteza fundamental produzida pela competição entre iguais e pela lógica de identificação que liga uma equipa ou um clube a um determinado território. A dopagem, a corrupção e a violência não são fenómenos novos no desporto. No entanto, eles agravaram-se nas últimas décadas. O olimpismo constrói-se no final do século XIX contra o nascente profissionalismo e contra as derivas pressentidas do desporto-espectáculo. Ora, o dinheiro permite engendrar uma vantagem, não permitindo organizar a competição entre dois atletas iguais: o profissional recebe um rendimento que lhe permite treinar, enquanto o amador trabalha para ganhar a vida ou ocupa-se de outras actividades. A presença do dinheiro choca a moral aristocrática desse tempo, que considera o desporto como uma actividade desinteressada e de alto valor educativo. O olimpismo pretende construir, assim, uma contra-sociedade, que seria, no fundo, a imagem idealizada da sociedade moderna. Na realidade, ele coloca em prática um sistema desportivo onde a igualdade é entre os melhores, traduzindo-se pelo carácter socialmente exclusivo dos clubes e as interdições feitas aos operários de entrar nas associações desportivas. E isso leva à separação do desporto amador e do desporto profissional. Esta filosofia é sustentada ao mesmo tempo que a democratização do desporto ao longo do século XX, pela intervenção, em nome de diversas concepções de interesse geral, dos Estados, dos municípios ou das igrejas. A partir dos anos 1930, e depois a Guerra Fria, a competição política entre os totalitarismos e as democracias, assim como a vontade de colocar em evidência a grandeza nacional graças ao desporto, concorre para o desenvolvimento do desporto-espectáculo e da profissionalização dos seus actores, esbatendo as fronteiras que parecem evidentes entre amadorismo e profissionalismo."

Especialização desportiva precoce

"Passadas que estão as desconfianças que muitos educadores, desde princípios do século passado, colocavam relativamente aos valores pedagógicos e educativos do desporto, o entendimento de que, no âmbito da disciplina de Educação Física, a educação desportiva deve fazer parte do processo de desenvolvimento motor das crianças e dos jovens é uma realidade que se tem vindo a afirmar ao longo dos últimos anos, muito embora, com frequência, surjam desentendimentos. Regra geral, os desentendimentos surgem porque os protagonistas argumentam em diferentes posições e/ou planos de análise que implicam diferentes conceitos, lógicas e discursos pelo que se torna impossível compreender aquilo que o outro está a dizer. Se quando se observa um sistema de dentro para fora ou de fora para dentro vêm-se dois sistemas diferentes, assim também quando se analisa um sistema na sua base de funcionamento, na sua estrutura intermédia ou no seu vértice estratégico têm-se diferentes maneiras de ver a questão. Posto o problema desta maneira o objectivo desta reflexão circunscreve-se à análise do ensino do desporto de dentro do Sistema Educativo e do seu vértice estratégico. Portanto, vamos olhar para o sistema de cima para baixo no sentido de estabelecermos o desenho daquilo que entendemos deve ser a sua superestrutura.
De uma maneira geral, as questões relativas à organização da educação física a partir da base do sistema há muito que são realizadas. Por exemplo, sobre esta problemática a primeira referência surgiu em 1762 com o livro intitulado “Dissertation sur l'Éducation Physique des Enfans, Depuis Leur Naissance Jusqu'à l'Âge de Puberté” da autoria do médico suíço de seu nome Jacques Ballexserd. Desde então, surgiram milhares de trabalhos de investigação que, podemos dizer, culminaram na vasta obra de Jean Piaget. As questões relativas à estrutura intermédia começaram a surgir desde 1958 com o trabalho seminal de March e Simon intitulado “Organizations” e, mais tarde, em 1979, com “The Structuring of Organizations” de Henry Mintzberg que permitiram estudar os sistemas educativos tendo como foco as suas estruturas intermédias, quer dizer, da organização escolar. Todavia, têm sido praticamente inexistentes os trabalhos sobre os sistemas educativos tendo em atenção a sua configuração superestrutural, ou seja, do desenho geral dos princípios, dos valores, dos objectivos, dos recursos, dos destinatários, dos fluxos, dos mecanismos de coordenação e conjugação do trabalho, tendo em vista apurar a eficiência e eficácia do seu funcionamento.
Após a queda do Muro de Berlim, devido ao declínio acelerado do estado-nação, os regimes de muitos países do mundo começaram a olhar para o desporto como um instrumento de afirmação do seu poder político, tanto interno quando externo, através da obtenção de resultados desportivos nas grandes competições internacionais. E, para o efeito, sem qualquer sentido estratégico no que diz respeito à educação desportiva que deve estar na base do desenvolvimento desportivo dos países e no completo desrespeitos pelos mais elementares princípios da psicologia infantil e da correspondente pedagogia, começaram a implementar programas de especialização desportiva dirigidos a crianças a partir dos seis anos de idade que atentam contra a Declaração Universal dos Direitos das Crianças ONU/UNICEF. Ora, esta declaração, no seu princípio II, diz: “A criança gozará de proteção especial e disporá de oportunidade e serviços, a serem estabelecidos em lei ou por outros meios, de modo que possa desenvolver-se física, mental, moral, espiritual e socialmente de forma saudável e normal, assim como em condições de liberdade e dignidade”.
Considerando o caso português, o desporto, enquanto actividade física promotora de valores para a vida, no âmbito do sistema educativo, deve ser entendido no:
- 1º Ciclo do Ensino Básico (1º, 2º 3º e 4º anos de escolaridade); Um processo contínuo de educação motora curricular;
- 2º Ciclo do Ensino Básico (5º e 6º anos de escolaridade); Iniciação desportiva numa sistematização eclética da aprendizagem das várias modalidades, de acordo com as possibilidades de oferta dos estabelecimentos de ensino, através da execução rigorosa de programas para o ensino das diferentes modalidades individuais e colectivas, por ciclos de actividade em função dos espaços desportivos escolares existentes. O objectivo primordial, para além dos aspectos psicomotores, deve ser a aprendizagem dos gestos técnicos fundamentais e sua interligação nas situações de jogo bem como a aquisição do conhecimento das regras e sua arbitragem nas diferentes modalidades desportivas tendo em vista a compreensão prática e teórica do próprio jogo;
- 3º Ciclo do Ensino Básico (7º, 8º e 9º anos de escolaridade); Orientação desportiva possibilitando a escolha vocacional de um conjunto de duas ou três modalidades a desenvolver ao longo do ano lectivo numa progressão técnico-prática ao longo do Ciclo.
- Ensino Secundário (10º, 11º e 12º anos de escolaridade); Aperfeiçoamento desportivo em regime de livre opção para a vida e para a competição formal em função da oferta dos estabelecimentos de ensino. O aperfeiçoamento desportivo, deve ser realizado na Escola Secundária e complementado nos Clubes Desportivos, se estes tiverem instalações apropriadas e técnicos habilitados para o desempenho dessas funções. A especialização desportiva deverá ser a derradeira etapa da formação desportiva e, por esse facto, só deverá, abranger jovens com idade de acordo com as especificações técnicas das modalidades sob um rigoroso controlo pedagógico e médico-desportivo, por solicitação dos responsáveis técnicos e com a aprovação dos respectivos pais.
A especialização desportiva pode acontecer em regime opcional através de projectos especiais a articular numa perspectiva sistémica e protocolar com as organizações do associativismo desportivo onde o estudante está enquadrado e já a desenvolver a sua prática desportiva federada.
O Desporto Escolar deve responder à evolução da disciplina de educação física tendo em atenção o seu programa e o projecto desportivo da escola.
Do ponto de vista sistémico as competências e os conhecimentos a adquirir no âmbito da motricidade infantil nos cursos de formação inicial para professores do 1º ciclo do ensino básico, a fim de se cumprir o direito constitucional à cultura física e ao desporto, devem ser estabelecidos a nível nacional através de um programa plurianual para a disciplina de educação física que abranja o primeiro Ciclo do Ensino Básico a fim de poder ser objecto de monitoragem e controlo da eficiência relativa do funcionamento e da correspondente eficácia dos resultados conseguidos.
Em simultâneo, deve ser desencadeada a institucionalização de uma Carta Desportiva a produzir relatórios em tempo real que permita apurar as necessidades de recursos humanos, formação, instalações e apetrechamento.
A política desportiva de um país considerando que a educação desportiva deve começar no 1º Ciclo do Ensino Básico deve ser equacionada tendo em atenção ciclos longos de planeamento no mínimo de 12 anos correspondentes a três Ciclos Olímpicos. É tempo do desporto em Portugal numa visão estratégica do seu desenvolvimento, ao contrário daquilo que tem vindo a acontecer com fracos resultados, comece a ser equacionado e programado na sua base, isto é, nos locais e das organizações onde ele deve acontecer quer dizer, nas escolas do ensino básico e das famílias. Nunca nenhum país do mundo atingirá um nível desportivo decente com estratégias de especialização precoce que atentam contra os direitos das crianças."

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Vão Arrasar

"A convicção é de Jorge Jesus, que garantiu também um Benfica a jogar três vezes mais.
Para tal, garantidamente que não bastará apenas trabalho do treinador encarnado, mesmo que este mantenha a excelência de sempre. O nível individual do Benfica decresceu significativamente desde o tempo em que Jesus era o treinador, e tendo em conta a forma e as características específicas com que Jesus olha para cada jogador para integrar o seu modelo, percebe-se que estará o Benfica longe de proporcionar ao seu treinador as opções ideais.
A ida ao mercado é garantida, mas quantos poderão ser mesmo adquiridos, em função da “saúde” financeira do clube, e quantos terão de ser aproveitados?
Um possível 11:
Odysseas. Até pela própria estatura, o grego não é o tipo de guarda redes que Jesus aprecia. Contudo, por tantas posições por preencher, e depois de uma temporada globalmente positiva, melhor até que a do título, o grego deverá ser o guarda redes do Benfica em 20/21.
André Almeida. Com Jorge Jesus foi sempre uma opção aos habituais titulares. Contudo, está dentro do processo, conhece bastante bem as ideias do seu treinador e denota competência defensiva importante. Com a exigência própria de Jesus deverá apresentar-se a nível mais alto, e provavelmente só na segunda temporada o Benfica investirá na posição de lateral direito.
Rúben Dias. O central já é uma referência nacional na posição. Jogador de selecção portuguesa tem a competência defensiva necessária, bem expressa nos movimentos, posicionamentos e forma como utiliza o corpo. É um porto seguro na defesa do Benfica e deverá manter a posição, desta feita ao lado de quem possa acrescentar.
Central – Contratação. Garay / Cabrera / Koch? A chegada de um central de nível indiscutível é uma obrigatoriedade. Muito provavelmente chegarão até dois. Um para acompanhar Rúben Dias, outro que possa ser a primeira opção à dupla titular. É esperado nada menos que um jogador de grande dimensão física, técnica e táctica, que possa ser um indiscutível não apenas no Benfica mas também na Liga. Se atrás se colocam os pilares que sustentam toda a obra, a chegada de defesas centrais é uma obrigatoriedade.
Grimaldo. Tal como André Almeida e Odysseas, o espanhol está muito longe de ser o jogador que Jorge Jesus idealiza na posição. Baixa estatura, débil nos duelos defensivos, sejam no ar ou no solo, não tem também presença defensiva na protecção à baliza em situações de cruzamento. Porém, tem uma qualidade inegável e indiscutível no momento ofensivo, e porque será ai que o Benfica impactará grande parte das partidas, dificilmente passará pela posição de Lateral Esquerdo a revolução. Pelo menos no primeiro ano de Jesus, tendo em conta necessidades muito mais urgentes no meio campo ofensivo.
Florentino. Competência defensiva extraordinária, à excepção do jogo aéreo que Jesus tanto valoriza na posição 6, para que equilibre o centro da defesa em situação de cruzamento, ou quando central sai na bola, Tino tem todos os traços pretendidos para a posição. Capacidade de recuperação da bola assombrosa, cadência de passada elevadíssima que lhe permite chegar rapidamente atrás para auxiliar última linha, é um dos que mais promete valorizar-se e tornar-se um jogador de eleição com o novo treinador.
Weigl. Falou-se de Gerson, um jogador mais completo tendo em conta as ideias próprias de Jorge Jesus para a posição 8, mas o brasileiro parece inacessível ao “bolso” encarnado. Tendo em conta a qualidade do alemão, não é expectável que o Benfica use recursos financeiros quando tem no próprio plantel quem possa crescer na posição e tornar-se bastante mais competente. Com um conforto e critério elevadíssimo em posse, a Weigl faltará comer metros em condução provocando desequilíbrios ofensivos pelo corredor central como tanto Jesus gosta (recorde Gerson, Witsel, Enzo e até Adrien Silva), mas tem as características técnicas e físicas para ser moldado e atingir um rendimento de alto quilate.
Ala Direito – Contratação. Cebolinha? Sem um único jogador no actual plantel capaz de trazer velocidade, verticalidade e rupturas tão apreciadas e tão necessárias na posição, ainda para mais quando o lateral também não tem tais traços, o reforço da posição torna-se obrigatório. O mais próximo que há em casa é Tiago Gouveia, mas o jovem ainda passará pela Equipa B antes de poder ser opção para Jesus. Para ala direito o Benfica terá de encontrar no mercado um jogador que seja verdadeiramente diferenciado capaz de criar, finalizar, mas também dar-se às tarefas colectivas da equipa, fechando espaços e participando defensivamente. Um perfil técnico elevado mas também físico.
Ala Esquerdo – Rafa Silva. Muito longe de ser a opção idealizada por Jesus, pela inépcia defensiva e dificuldades a definir de forma associativa em espaços curtos, o ideal seria uma transação que viabilizasse a chegada de um jogador mais próximo do que Jesus pretenderá. Um extremo capaz de servir em cruzamento a área adversária, veloz mas também com poder de finalização e definição no último terço. Ainda assim, permanecendo em Portugal e no Benfica, Rafa é um dos que tem potencial para aumentar bastante o seu rendimento se inserido numa equipa que lhe permita muitas possibilidades para iniciar criação.
Pedrinho. Poderá ser o segundo Avançado do Benfica, desde que bem enquadrado por Jorge Jesus que até já revelou que o ex Corinthians não o encanta partindo da ala. De drible curto eficaz, o dez da selecção olímpica canarinha tem argumentos técnicos para jogar nos espaços mais curtos, e ainda finaliza com eficácia. Denota também traços agressivos e disponibilidade defensiva que é sempre obrigatória em todos os jogadores do Modelo Jesus. Terá de crescer na decisão e na objectividade do seu jogo, mas quantos com potencial não já o fizeram sob a alçada do agora treinador do Benfica? 
Ponta de Lança – Contratação. Cavani? Ainda que Vinícius se tenha sagrado o melhor marcador da Liga, a posição de avançado centro esteve sempre orfã de qualidade. Um ponta de lança que seja simultaneamente o primeiro jogador da equipa quando esta não tem bola, proporcionando condições para a tão amada pressão alta, e que ao mesmo tempo tenha recursos de finalizador dentro da grande área e capacidade para definir os lances em zona de criação, mesmo quando tem de servir os colegas. A chegada do Uruguaio seria um upgrade incrível numa posição onde só marcar golos já não é suficiente no futebol mundial. Comportamento defensivo e capacidade para servir os colegas é o que garante a toada do jogo e mais oportunidades para se chegar aos tais golos.
Posições como a de defesa direito, defesa esquerdo, guarda redes e extremo esquerdo precisarão também de retoques. Contudo, tendo em conta a qualidade vigente deverão ser tidas como menos prioritárias e muito provavelmente serão apenas alvo de reforços em outra janela de transferências. Afinal, é impossível em apenas uma transformar todo um plantel. A menos que sejas o Manchester City.
Na zona de criação muito possivelmente todos os jogadores serão novos no plantel. E se não chegar Cavani e ficar Vinícius, possivelmente reforçar-se-à o Benfica com outro extremo. Jogadores mais capazes e eficientes tecnicamente mas também fisicamente com outras valências que lhes permita não apenas os desequilíbrios ofensivos, mas também mostrar disponibilidade defensiva e capacidade para tornar a pressão encarnada efectiva no que concerne ao roubar a posse ao adversário."

Os 5 derradeiros momentos da época do SL Benfica

"Acabou. Finalmente acabou a época mais longa da história do futebol português, 361 dias após ter começado. Uma época atípica, pelas condições que todos nós conhecemos, e que finalmente chegou a um termo após o FC Porto ter conquistado a Taça de Portugal frente ao SL Benfica, ao vencer os encarnados por 2-1.
Foi uma época de altos e baixos para os rapazes da Luz, sendo que os momentos baixos se superiorizaram aos momentos altos. De facto, a época que agora findou deverá servir de reflexão, assim como também deverá servir para os adeptos e sócios tirarem ilações sobre o trabalho que tem vindo a ser feito nos últimos tempos, onde, em três anos, o Benfica perdeu dois campeonatos e uma Taça de Portugal para um FC Porto intervencionado e falido.
Esta semana, apresentamos, entre os inúmeros altos e baixos, cinco momentos que marcaram a época encarnada.

SL Benfica 5 – 0 Sporting CP – Comecemos, então, pelo princípio. No dia 4 de Agosto de 2019, o Benfica defrontava o Sporting no primeiro jogo oficial da época. Após uma pré-época positiva, onde conquistou a International Champions Cup, os encarnados encaravam a época com expectativas elevadas face ao futebol que a equipa apresentou na época passada e, a espaços, na pré-época.
Após uma época em que o impossível se transformou na Reconquista, os encarnados dissiparam as dúvidas que pairavam antes da Supertaça. Dúvidas essas que se focavam, maioritariamente, na seguinte questão: será que o fosso de qualidade entre “águias” e “leões” se mantinha? Os homens de Bruno Lage responderam paulatinamente dentro das quatro linhas, ao ganhar por 5-0.

Primeira volta do campeonato – O Sport Lisboa e Benfica realizou uma das melhores primeiras voltas da sua história, ao ganhar 16 dos 17 jogos disputados, tendo sido apenas derrotado pelo FC Porto, na terceira jornada. Os encarnados chegavam a dezembro com uma vantagem de sete pontos sobre os rivais do norte, que se encontravam moribundos e com um treinador na porta de saída, pelo que não seria de esperar outra coisa senão o 38º título da história das “águias”.

Fevereiro, o início do fim – O mês de Fevereiro foi, indubitavelmente, o início do fim do sonho do “38”. Um mês muito difícil no calendário encarnado, com as “águias” a terem de se deslocar ao terreno de FC Porto e Gil Vicente FC, assim como a recepção ao SC Braga de Rúben Amorim. Nestes três jogos, os comandados de Bruno Lage apenas somaram três pontos, resultado da vitória sobre o Gil Vicente, em partida a contar para a 22ª jornada. Além disso, foi também no mês de Fevereiro que os encarnados se despediram da Liga Europa, ao serem eliminados pelo FC Shakhtar de Luís Castro, após empatarem a três bolas na Luz, na segunda mão dos dezasseis avos de final. Os comandados de Bruno Lage demonstravam um futebol desgarrado, sem fio de jogo visível, e em que a consistência defensiva era praticamente inexistente. De resto, a única boa notícia em Fevereiro foi a passagem à final da Taça de Portugal, após dois jogos difíceis (e sofríveis) frente ao FC Famalicão.

Despedimento de Bruno Lage – De bestial a besta. O reinado de 17 meses de Bruno Lage no comando da equipa técnica dos encarnados foi do oito ao oitenta, sem que nada fizesse esperar tal hecatombe. Os primeiros doze meses foram marcados por um estilo de jogo atrativo, que trouxe bons resultados e que voltou a trazer a ânsia de ver o Benfica jogar.
O técnico setubalense destacou-se também pela sua boa capacidade de comunicação, sendo que as suas conferências de imprensa eram uma lufada de ar fresco no ambiente muitas vezes tóxico que é o futebol português. Lage reconquistou os adeptos, e depois conquistou o 37º título de Campeão Nacional e a 8ª Supertaça do palmarés encarnado.
No entanto, a partir de Fevereiro as coisas complicaram-se. As lacunas no jogo das “águias” começaram a ser expostas, resultando numa queda de rendimento absolutamente inacreditável, com os homens da Luz a somar apenas três vitórias nos últimos 14 jogos de Bruno Lage à frente do comando técnico encarnado.
A sua saída era inevitável, pelo que era perceptível que Bruno Lage já não tinha condições para desempenhar o cargo. O técnico setubalense não soube quando sair, pelo que acaba por abandonar o clube pela porta pequena, tendo sido demitido (e desmentido) em direto por Luís Filipe Vieira, na conferência de imprensa após o jogo contra o CS Marítimo.

Dobradinha do FC Porto – O maior feito do SL Benfica esta temporada foi a dobradinha do FC Porto. Sem querer tirar qualquer mérito a Sérgio Conceição e à restante equipa técnica, assim como aos seus jogadores, mas o sucesso desportivo dos azuis e brancos aconteceu porque a “estrutura” do Benfica demonstrou, mais uma vez, que é capaz de ressuscitar mortos.
É bom relembrar que em Dezembro/Janeiro, a contestação para os lados do FC Porto era tanta que se chegou a avançar que Sérgio Conceição estava com um pé e meio fora do Dragão. Não é aceitável que um clube intervencionado pela UEFA, com um dos plantéis mais fracos das últimas décadas, consiga ganhar dois campeonatos e uma Taça de Portugal em três anos, dado que enfrenta um Benfica com a maior saúde e estabilidade financeira da sua história.
Não é aceitável que se continue a construir plantéis sem qualquer planeamento lógico. Gastaram-se mais de 37 milhões de euros em dois pontas de lança, 20 milhões num médio defensivo, mas não se gastou qualquer dinheiro nas posições em que, de facto, era preciso gastar dinheiro. Falo de um defesa direito, um médio centro box-to-box ou, por exemplo, um segundo avançado com golo, tal como era João Félix.
Agora corre-se atrás do prejuízo, tal como é possível observar pelas ocorrências dos últimos dias. Foi-se buscar Jorge Jesus e espera-se um forte investimento no plantel. É pena que tal só aconteça em ano de eleições, e depois de se ter dado três títulos aos rivais do norte. Proponho uma alteração nos estatutos: que as eleições para a presidência do Benfica se tornem anuais. Desta forma, pode ser que o Sport Lisboa e Benfica consiga ter sempre plantéis competitivos…"

Defeso atípico

"Terminada a temporada 2019/20 e feita a apresentação do novo treinador, Jorge Jesus, encontramo-nos agora numa fase em que se ultima intensamente a preparação da próxima época. Este será um defeso atípico, o mais curto de sempre, com a pré-época a ter início muito em breve: os exames médicos serão feitos já no dia 8, os testes físicos a 9 e os treinos arrancarão no dia 10.
Tal deve-se ao prolongamento da temporada transacta devido à pandemia, que obrigou à recalendarização das competições, agravado pela circunstância de, no final de 2020/21, se ter de disputar o Campeonato da Europa, o qual foi adiado um ano, delimitando assim, significativamente, o período disponível para o desenrolar das várias provas.
No caso do Benfica, a necessidade de disputar, num jogo apenas, a terceira pré-eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, sendo que haverá ainda o play-off, já disputado a duas mãos, para se conseguir a qualificação, impõe o regresso à competição mais cedo do que a generalidade dos clubes.
As datas previstas para a realização destes jogos são as seguintes: 15 ou 16 de Setembro para a terceira pré-eliminatória; 22 ou 23 de Setembro para a primeira mão do play-off e 29 ou 30 de Setembro para a segunda mão do play-off. Relativamente ao Campeonato Nacional, o início está previsto para 20 de Setembro.
Todo o foco da preparação da nossa equipa está já direccionado para a realização destas partidas, sabendo-se que o primeiro obje tivo da época será marcar presença, pela 11.ª temporada consecutiva, na fase de grupos da Liga dos Campeões. Relembramos que, além do Benfica, só Real Madrid, Barcelona e Bayern Munique disputaram as dez últimas edições da fase de grupos da maior prova do futebol europeu.
É com ambição redobrada que será abordada a próxima temporada. Ao longo das últimas sete épocas, conseguimos vencer mais competições que todos os nossos adversários juntos (15 triunfos em 28), reconhecendo-se que, em 2019/20, vencer somente a Supertaça foi manifestamente escasso. Ganhar será a palavra de ordem, já assumida pelo Presidente Luís Filipe Vieira e pelo treinador Jorge Jesus.
O regresso às competições está marcado pela incerteza, não se sabendo ainda se será permitida a afluência de público aos estádios ou, caso seja, se haverá limitações relativamente ao acesso, nomeadamente no que diz respeito à ocupação dos estádios.
Uma nota ainda para a realização, em Lisboa, da fase final da Liga dos Campeões da corrente temporada. Como se sabe, o Estádio da Luz albergará, pela segunda vez, a final da prova, constituindo-se como mais um sinal do reconhecimento da excelência das nossas instalações.
A News Benfica entrará agora num período de férias, com regresso agendado para o final do mês. Poderá continuar a acompanhar toda a actualidade benfiquista através da BTV, sítio oficial, jornal, redes sociais e BPlay.
Até breve!"

Rui Gomes da Silva...

João & Leonardo... Brasil!