Últimas indefectivações
quinta-feira, 30 de janeiro de 2020
Todos à Luz
"É já amanhã, sexta-feira, às 19h00, que receberemos o Belenenses SAD em mais uma partida a contar para a Liga NOS. O objetivo, comum a qualquer jogo que o Benfica dispute na competição, é somar mais três pontos e, no mínimo, manter a distância pontual para o segundo classificado.
O nosso adversário ocupa a 15.ª posição, em igualdade pontual com o Moreirense, mas já se sabe que não há jogos fáceis, à partida, no Campeonato. Basta relembrar que a vitória na Luz mais complicada na presente temporada deu-se ante o último classificado, o Aves.
Será, portanto, fundamental que a nossa equipa apresente os seus habituais níveis de concentração, empenho e competência para levar de vencida mais um adversário. O percurso quase incólume nas 18 jornadas realizadas, em que a nossa equipa alcançou 17 triunfos, foi possível porque, além da qualidade individual e colectiva apresentadas, cada jogo foi encarado como se tratasse de uma final. Mais do que olharmos para a classificação, devemos estar conscientes de que ainda nos faltam 14 vitórias para o tão ambicionado 38.
Essencial será igualmente o Estádio cheio e vibrante no apoio aos nossos jogadores, aliás, como é costume. Sabemos que o dia e o horário do jogo poderão não ser os mais convidativos, mas já é sobejamente conhecido o papel inalienável dos benfiquistas enquanto 12.º jogadores. Um por todos, todos #PeloBenfica!
Compete-nos ainda deixar uma palavra a Fejsa, um grande campeão e figura de proa no sucesso recente do Clube, cujo empréstimo ao Alavés, até final da temporada, foi anunciado ontem.
Fez 169 jogos em competições oficiais pelo Benfica desde que chegou ao nosso país, contratado ao Olimpiacos. O seu contributo inexcedível para tantos títulos conquistados pelo Clube ao longo do período em que nos representou merece todo o nosso apreço e admiração.
Nas seis temporadas e meia de águia ao peito, foi campeão nacional cinco vezes (só 41 jogadores o foram pelo Benfica pelo menos cinco vezes e é um dos únicos cinco futebolistas, em toda a história do Clube, que se sagraram Tetracampeões – André Almeida, Fejsa, Jardel, Luisão e Salvio), além de ter contribuído para a conquista de duas Taças de Portugal, três Taças da Liga e duas Supertaças. Naturalmente que fará também parte dos títulos que venhamos a conquistar esta temporada.
A Fejsa devemos respeito, agradecimento e reconhecimento, desejamos muita sorte e dizemos até já. O Benfica será sempre a sua casa!"
Cadomblé do Vata (apitos)
"Tendo a perfeita consciência de que o que aqui escrevo é lido com particular atenção por todas as altas instâncias do pontapé no couro nacional, sinto-me na obrigação de dar o meu contributo para a melhoria da indústria. Como tal, compilei uma longa série de 5 medidas a adoptar, com o intuito de melhorar o trabalho dos árbitros e diminuir sobremaneira a contestação aos mesmos, no campo, nas bancadas e nos estúdios de canais televisivos.
1. Até ao início da temporada 20/21, todos os estádios da 1ª Liga têm que ter condições para a utilização de VAR sem condicionantes na colocação de câmaras. Não podemos ter uma tecnologia inovadora e milionária, a funcionar a 30% em alguns estádios. É como limitar o raio de acção de um árbitro míope ao círculo central.
2. Os espectadores no estádio têm que saber o que se passa quando um lance está a ser analisado. Se não há ecrã gigante para passar informação, deve ser o speaker de serviço a trabalhar sob supervisão do 4º árbitro. O homem do microfone não pode estar lá só para anunciar com pompa e entusiasmo o 11 inicial do visitado e com notável enfado o do visitante.
3. Em análises a possíveis foras de jogo que redundem em diferenças entre linhas de 10 ou menos centímetros, tem de prevalecer o julgamento do árbitro auxiliar. 5 centímetros para defender a margem de erro do software de linhas e 2,5 centímetros para defender a margem de erro da colocação das linhas e 2,5 centímetros para defender o adepto que de outra forma fica sem alvo para atingir com insultos.
4. É ridículo que a FPF tenha uma canal de televisão onde não há um programa sobre arbitragem (pelo menos que eu tenha visto). FPF, APAF, canal televisivo detentor dos direitos de transmissão da Liga e um canal de transmissão em sinal aberto têm que gizar uma parceria para transmissão de um programa semanal sobre arbitragem, onde não se vão discutir erros, mas explicar regras, protocolos e mostrar "bloopers" de juízes caso seja transmitido depois do horário nobre.
5. Sabem aquela reunião que a APAF promove com os 18 plantéis na pré época para explicar regras e dissipar dúvidas? Era uma por mês se faz favor para discutir os jogos desse período. A comunidade arbitral não pode ter medo de admitir os erros, os atletas precisam entender porque nem sempre têm razão nos protestos e 17 treinadores gostavam de saber porque o Sérgio Conceição nunca é suspenso quando é expulso.
Nota: não vejo benefício na presença dos árbitros nas conferências de imprensa. Para manter o inalienável direito à liberdade de imprensa, os juízes seriam expostos a perguntas à procura de polémica, das quais não se livrariam com rotundos “não respondo” porque nas salas de imprensa não encontrariam a reverência de que os treinadores gozam e os jogadores adorariam ter, caso os clubes lhes permitissem falar em tais espaços."
Tinder
"1. «365 dias, 356 perturbações». A notícia refere-se ao metro de Lisboa em 2019, mas podia ser sobre o Sporting.
2. Bruno Fernandes: parece que é desta. A família real britânica perdeu um príncipe, a Premier League ganhou um rei. Despeço-me com uma vénia.
3. Rudy Pevenage, antigo corredor e antigo director desportivo no ciclismo: «Vencer uma competição sem recorrer ao doping era muito difícil». Então qual a diferença para as dias de hoje?
4. O Tinder, famosa aplicação amorosa, criou um botão de pânico para quando os encontros correm mal. Chegou o momento de o Sporting carregar, não está a correr nada bem com Varandas.
5. João Félix, para já, está mais próximo de ser o novo Renato Sanches do que o novo Ronaldo. Oxalá seja só uma fase e 2020 ainda seja um Félix Ano Novo.
6. Culpar a falta de união no FC Porto é uma originalidade no habitual mau perder de Sérgio Conceição, mas é um facto que algo vai mal no reino no dragão quando a figura mais intocável do clube parece ser Fernando Madureira.
7. As duas notícias mais insólitas que li nos últimos tempos: «Praia da Califórnia invadida por peixes-pénis»; «Bruno de Carvalho oferece-se para liderar SAD do Sporting e trabalhar com Varandas».
8. Acho patético que o juiz que pediu escusa seja obrigado a julgar o caso dos emails, mas pergunto: um fervoroso portista ou fervoroso sportinguista daria mais garantias de imparcialidade?
9. Neste momento é quase tão difícil tirar pontos ao Benfica como interditar o Estádio da Luz. passe o exagero.
10. Michel Platini está de volta ao futebol para ser conselheiro do presidente da FIFPro. Nada contra. É um daqueles casos em que pode jogar Monopoly desde que não fique como banqueiro.
11. O Man. United contratou um jornalista para ajudar a melhorar a imagem de Ed Woodward. Temo que para Varandas nem uma redacção inteira chegasse.
12. A vida lembrou-nos mais uma vez, com frieza, que até os imortais morrem. E às vezes cedo. RIP Kobe Bryant."
Gonçalo Guimarães, in A Bola
Jota 2024
Finalmente! Renovação de Jota, até 2024...
Agora, o Jota na minha opinião, neste momento devia ser emprestado...! Não duvido do talento nem do potencial, mas precisa de ganhar mais clarividência e algum músculo...
Vitória em Braga,,,
ABC 15 - 26 Benfica
(8-12)
Vitória clara, no regresso das competições internas... garantindo a qualificação para os Oitavos-de-final da Taça de Portugal.
Inacreditável...
Benfica 77 - 91 Medi Bayreuth
23-20, 27-14, 9-27, 18-30
Não se pode estar a ganhar por 16 ao intervalo, e perder por 14... Ainda por cima, quando na Alemanha, aconteceu praticamente a mesma coisa!!! A ausência do Betinho não é desculpa!
Com este resultado estamos fora da corrida...
Derrota em Varsóvia...
Verva Varsóvia 3 - 0 Benfica
25-21, 25-13, 25-22
O efeito surpresa 'passou', os nossos adversários já não pensam que são favas contadas, e isso torna estes jogos mais complicados... Mesmo assim, hoje, tivemos uma boa vantagem no 1.º Set que não conseguimos manter... e no 3.º Set discutimos até ao fim...
Temos mais dois jogos, para fazer mais uma surpresa, mas não será fácil...
A primeira do andebol e a taça do inv(f)erno
"Aguardem-se, com natural expectativa, os próximos capítulos desta ópera bufa, com ou sem macacadas
1. De vez em quando, é justo e oportuno começar estas linhas por um desporto colectivo que não seja o hegemónico futebol. Desta vez, faço-o em relação ao andebol e ao hóquei em patins. No primeiro caso, por razões internacionais; no segundo, em função de expectativas nacionais.
A nível da selecção nacional de andebol, alcançámos a melhor classificação num Europeu, o sexto lugar. Bem se pode dizer que até poderíamos ter ido mais longe, mas o feito é assinalável e evidencia que Portugal já não pertence aos coitadinhos mundiais deste desporto. Vencemos a consagrada França, batemos a reputada Suécia no seu reduto, quase chegámos às meias-finais e fomos derrotados apenas nos momentos finais com a campeoníssima Alemanha para a atribuição do 5.º e 6.º lugares. Bom será que a próxima etapa de afirmação - a qualificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio - seja ultrapassada com êxito.
Já quanto ao hóquei, em que detemos o título de campeões mundiais, o que aqui gostaria de sublinhar é a vibrante competitividade do nosso campeonato nacional, certamente superior à que se passa em Espanha. Cinco equipas lutam taco a taco pelo título nacional: os habituais Benfica e Porto, o Sporting que, em boa hora, voltou à modalidade, a sempre candidata Oliveirense e, este ano, o Òquei de Barcelos que reaparece em força depois de um período em que foi uma das equipas dominadoras. Acresce que também já não é tão expeciomal como era antes a perda de pontos destas equipas contra outras consideradas menos fortes.
Estas modalidades têm em comum uma característica que me intriga. Refiro-me à elevada dose de subjectividade e discricionariedade referente à marcação de faltas e expulsões temporárias, que, alguma vezes, condicionam, senão mesmo determinam o resultado dos jogos. Imaginemos o que seria se, no futebol, houvesse também este arbítrio polémico entre ser falta e não ser falta. Se já agora e mesmo com VAR é o que vemos, calculo o que seria, por exemplo, andebolizando o desporto-rei...
2. Na 13.ª edição da Taça da Liga acoplada a vários nomes de patrocínio e outros de desvalorização por quem não a ganha, o FC Porto consegue chegar à sua quarta final e perde pela quarta vez. Em todas elas (contra Benfica, SC Braga duas vezes e Sporting) teve apenas um golo marcado. Bem sei que, segundo a cartilha oficial, esta taça continua a ser desinteressante, creio que até vencerem a primeira, o que está a ser bem difícil.
O SC Braga mereceu a conquista do troféu, agora apelidado algo exageradamente de campeão do Inverno. Nas meias-finais dominou completamente o Sporting, onde foi visível a diferença de plantéis, isto apesar de os leões estarem à frente dos bracarenses no campeonato nacional (por enquanto). A final teve uma excelente primeira parte e, havendo um vencedor antes dos penátis, foi justa a conquista pelos arsenalistas. Notáveis resultados depois da entrada do treinador Rúben Amorim. Mais um jovem que dá mostras da sua serenidade e lucidez antes, durante e depois dos jogos, não subindo os decibéis, não reclamando por tudo e por nada, sabendo analisar com justeza os encontros realizados e as equipas adversárias, e percebendo o carácter efémero dos resultados em futebol.
Aliás, registe-se a curiosidade, para além das 7 taças do Benfica, só mesmo Rúben Amorim ter conquistado outras 7 (5 no SLB e 1 no SC Braga, como jogador e, agora, a 7.ª já como técnico).
Numa semana desastrosa, o FC Porto experimentou quase literalmente o que significa ver Braga por um canudo. Duas vezes derrotado em 8 dias, veio dar razão ao significado daquela velha expressão popular, qual seja a de «não alcançar o que se deseja, querer algo e não o conseguir, ver frustradas as expectativas, ficar logrado». Se, como disse atrás, o SC Braga é o campeão do Inverno, o Porto foi o vice-campeão do Inferno.
As declarações de Sérgio Conceição foram de natural tristeza, de inconformada frustração e de corajosa denúncia do que o atormenta no plano interno do seu clube. Previsíveis, a partir do momento em que a compulsiva e incondicional rodinha (não dentada) de jogadores, técnicos, médico, director e não sei se de apanha-bolas, não teve lugar na má relva do belo estádio da cidade de Braga. As poucas, mas significativas palavras do treinador portista, substituíram a rodinha portuguesa pela rodinha brasileira, que é uma peça pirotécnica de formato redondo, que gira quando se acende o rastilho. Aguardam-se, com natural expectativa, os próximos capítulos desta ópera bufa, com ou sem macacadas.
3. No campeonato nacional, mais um obstáculo ultrapassado pelo Benfica, vencendo categoricamente em Paços de Ferreira. Prossegue a senda vitoriosa em jogos fora de casa, alcançando a notável marca de 18 vitórias consecutivas (já acima de um campeonato completo). Nesta temporada, em 18 encontros, o Benfica venceu 17 e apenas sofreu 6 golos, ou seja um golo por cada 3 jogos.
O Benfica jogou com a maturidade que vem revelando e ganhou com a naturalidade da supremacia incontestada. A equipa respira confiança, agora que tem praticamente todos os jogadores disponíveis. Só para citar alguns atletas, Weig entrou na equipa com a suavidade de quem parece estar há mais tempo cá, com a disciplina táctica, o rigor de passe e o sentido colectivo característicos dos bons jogadores alemães. Rafa voltou como se não tivesse saído da equipa, com velocidade e classe e, definitivamente, ultrapassando a sua anterior menor capacidade de finalização. Vinícius continua como seu jogo vertical, letal e fisicamente poderoso. Cervi é um mouro de trabalho num vaivém constante entre a frente e a retaguarda.
Continua a saga milimétrica da verificação dos foras-de-jogo. Míseros 4 centímetros, num campo com mais de 10500 centímetros de comprimento. Pretensamente com a precisão de simultaneidade entre o milésimo de segundo em que a bola sai do jogador assistente e a colocação da linha imaginária na posição do jogador que a vai receber. DIsseram-nos que, desta vez, os 4 centímetros de invasão da linha deveram-se à omopiata de Vinícius. Qualquer dia, e num jogo bem teso, vai haver um offside de 1 centímetro por causa do falo de um jogador. Que se cuide Vinícius. Já faltou mais para se chegar a esse ridículo!...
4. Há mentiras que, de tão repetidas, quase se transformam em verdades absolutas. No futebol isso acontece, quando sistematicamente, são veiculadas por opinadores de clubes adversários. Um exemplo, ainda que agora, menos invocados: Rúben Dias, de quem muitos despeitados falam de um modo de jogador muito duro e com muitas faltas. Vejamos, porém, o que nos dizem as estatísticas dos 17 jogos (todos, portanto) em que o defesa-central benfiquista actuou na primeira volta do campeonato: a) faltas cometidas - 9 (uma média de 0,53 faltas por jogo!); b) jogos em que não fez qualquer falta - 10 (ou seja, em 59% dos jogos com folha limpa!).
Estes números são tão meridianos, que falam por si. Rúben Dias está um senhor jogador. Forte, personalizado, líder, tecnicamente seguro, posicionalmente rigoroso, bom jogo aéreo e com um jogo vertical inteligente e oportuno e oportuno (vide o passe para o golo de Rafa no passado domingo). E, com o tempo e a evolução que tem feito sustentadamente, soube moderar o ímpeto dos primeiros tempos e é hoje um atleta cuja agressividade não se confunde com violência ou tendência prevaricadora. Os dados desta época assim o provam à saciedade.
Contraluz
- Aniversários: Amanhã A Bola faz 3/4 de um século. Há 75 anos nascia um jornal que me tem feito companhia desde os meus tempos de escola primária. Boa coincidência é a da minha neta Joana, uma benfiquista de todos os costados fazer no mesmo dia 17 anos. A ela darei amanhã um beijinho de um avô sempre ao seu lado, e à A Bola, na pessoa do seu Director Vítor Serpa, endereço os parabéns de um leitor fidelíssimo e grato.
- Humor: Há dias, nas agora frequentes trocas de piadas entre amigos de todas as cores clubistas, recebi uma que achei de um humor fino e suave. Dizia: Última hora: Bruno Fernandes no Sporting. Reencaminhei-a para um dos meus irmãos, que é Félix como eu, e João de nome próprio, também benfiquista e que vive na cidade do Porto. De imediato, respondeu-me: Última hora: João Félix no Porto. Confesso que me assustei mais com esta brincadeira do que com aquela do Sporting...
- Tristeza: A morte chegou breve ao grande basquetebolista americano Kobe Bryant. Com 41 anos, desaparece um dos mais talentosos ícones da NBA. Com ele morreu também uma das suas quatro filhas. Quis o destino que horas antes, tenha homenageado nas redes sociais LeBron James, que acabara de se tornar o terceiro maior pontuador de todos os tempos da liga americana de basquete, assim ultrapassando o malogrado amigo. O mundo do desporto perdeu uma das suas grandes referências."
Bagão Félix, in A Bola
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
Pés de barro...!!!
"A temática de que Rui Pinto “não pode ser hacker, tem de ser whistleblower” desmistificada de uma vez por todas.
O advento do facto noticioso “Luanda Leaks” é, essencialmente, a “fuga para Vigo” desta década.
O seu fim essencial é atenuar especialmente a responsabilidade penal de Rui Pinto, como permite o artigo 72.º do Código Penal, fazendo coincidir uma eventual condenação com o tempo que já cumpriu e ainda vai cumprir de prisão preventiva. Num espaço prisional de eleição.
Daí, sermos embrulhados, diariamente, com os “motivos honrosos” da sua conduta, com o seu quixotesco modo de vida, com a sua coragem em combater os grandes interesses financeiros.
E para que tal suceda, não há memória - na democracia portuguesa - de uma tão grande tentativa de condicionamento do funcionamento livre, imparcial e equidistante da justiça, como aquilo que se tem visto na fase preliminar do julgamento de Rui Pinto e Aníbal Pinto.
Ambos são acusados por tentativa de extorsão (exigir dinheiro para não revelarem informações obtidas ilicitamente); Rui Pinto foi ainda acusado por mais de 90 crimes relacionados com o acesso indevido, não autorizado, a contas de correio electrónico e, em alguns casos, a sistemas informáticos de organizações como a Procuradoria Geral da República, escritórios de advogados conceituados, fundos de investimento e clubes de futebol.
Qual o seu verdadeiro propósito? Isso cabe ao Tribunal apurar após um julgamento leal…
Mas, gostaríamos de relembrar que ambos os “Pintos” têm um historial noticioso nestas matérias, as de acesso indevido a documentos e obtenção de lucro com isso.
Rui Pinto acedeu ilegalmente ao sistema informático de um banco nas ilhas Caymann e subtraiu cerca de 263.000 euros. À data, em 2013, devolveu parte do dinheiro como forma de se eximir de mais severa condenação. Foi assistido por Aníbal Pinto.
Mais tarde, em Março de 2016, foi noticiado pelo jornal electrónico "A Marca" que estes dois protagonistas, actuando em conjunto, contactavam clubes de futebol para exigirem pagamentos como forma de não divulgarem a informação obtida ilicitamente nos seus servidores. Quem não consentia, via a sua informação divulgada na plataforma football leaks.
Ou seja, se os pagamentos não fossem feitos, documentos relevantes como contratos de jogadores ou treinadores, com valores imensos, eram expostos na dita plataforma informativa.
Este é um modo de actuação similar aquele que despoletou a investigação, detenção e prisão preventiva de Rui Pinto e que teve como principais alvos o Sporting e a Doyen.
E é, precisamente, o que sucedeu ao Benfica nos termos que adiante descreveremos.
Por agora voltemos à relação de Rui Pinto com a justiça que sempre foi desrespeitosa até à sua detenção.
Em 14 de Setembro de 2018 foi noticiado, pelo Observador, que a página de Facebook da football leaks tinha inserido o seguinte comentário: “PJ à minha procura?, catch me if you can”.
A tranquilidade de Rui Pinto tinha sido interrompida por uma fuga de informação (“karma”) publicada numa revista do Grupo Cofina, a Sábado, que em 13 de Setembro de 2018 revelava a identidade do, até então, desconhecido “hacker” dos emails do Benfica.
E logo aí se percebeu que existia um especial interesse, envolvimento, diria até cobertura, do “Expresso” e da “SIC”, relativamente à personagem de Rui Pinto. Escusado será dizer que vinham sendo estes meios os principais difusores, entre os media institucionais, de conteúdos electrónicos que haviam sido subtraídos ao Benfica. Estes e o Porto Canal, noutro segmento, vinham preenchendo conteúdos informativos com a publicitação de correspondência electrónica dos servidores do Benfica.
Pois é, convém não esquecer que o Benfica não é parte neste processo, mas foi ao Benfica que um “hacker” roubou a correspondência electrónica de 10 anos, esse mesmo material chegou ao gabinete de comunicação do Porto e, simultaneamente, foi criado um blogue de “gestão partilhada”, o famoso “mercado de Benfica”, que esteve activo até à detenção de Rui Pinto e à identificação de uns rapazes do “brunismo”.
E o que foi o dito blogue para a imprensa nacional? Uma espécie de Lusa sectorial, a cada dia 18, pelas 18 horas, com o despejo de informações do Benfica mas sem relevância desportiva, o que terá amargurado todos aqueles que viam neste escrutínio a hipótese de lavagem do “apito dourado”. Não conseguiram! Não se apaga a imagem de um clube corrupto confesso, ainda por cima censurado e condenado – pela ERC e Tribunal da Comarca do Porto - pela existência de várias manipulações e truncagem de emails do Benfica.
E qual a fonte de tudo isto? Pois é: cremos que sabemos mas não podemos dizer.
No último trimestre de 2018, em sentido convergente avançava a investigação dos processos movidos pela Doyen e Sporting e pelo Benfica e que têm na base os mesmos métodos, os mesmos objectivos – extorquir dinheiro, chantagear os lesados com a ameaça de publicitação daquilo que, por natureza, deve ser reservado.
É também por esta altura que se começa a construir a versão do “exílio na Hungria”, para fugir da prisão da PJ e da ira dos benfiquistas! Sim, esses, os tais que a partir de muita divulgação de informação manipulada e descontextualizada eram monitorizados, controlados, julgados. Eram mesmo esses que tinham o poder de fazer mal a Rui Pinto.
E é então que aparece o seu pai – uma espécie de seguro de vida para o inquérito – que teve o discernimento de colocar o telemóvel no micro-ondas, para evitar a localização celular, mas não lhe ocorreu que viajar a partir do Porto para Budapeste com um bilhete comprado nesse lugar e, digamos, um tanto invulgar.
E depois de identificado e localizado o “hacker” começa Ana Gomes, qual tufão, a soprar umas tempestades de areia para cima da opinião pública portuguesa. A partir de onde? Do “deserto” da SIC.
O que é certo é que Rui Pinto sempre se subtraiu à detecção das suas actividades ilícitas e resistiu à constituição como arguido e evitou, ao máximo, a comparência perante as autoridades. Fez tudo o que pôde até à detenção em Budapeste, em 17 de Janeiro de 2019.
E mesmo após a detenção alegou risco de vida para tentar evitar a extradição e ficar impune perante os crimes que vinha cometendo.
Antecipadamente, já estava patrocinado por advogados especialistas na temática do confronto entre a liberdade de informação, neste caso bem travestida, e a protecção da reserva das comunicações. Têm o itinerário montado até ao recurso final para o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, com ligações à imprensa estrangeira e às administrações tributárias francesa e espanhola. Um deles, o advogado português, tem defendido Ana Gomes das generalizações moralistas, que só se contêm na cortina de ferro.
E é neste palco mediático-judiciário, de acesso exclusivo, que actua Rui Pinto.
No tempo que antecedeu a sua detenção houve oportunidade para aceder a sistemas informáticos do DCIAP, da PLMJ, sociedade de advogados que apoiava o Benfica, ao Tribunal Central de Instrução Criminal.
O que motivou isto? Tentar obter dados para sustentar uma “subtese”: O Benfica controla o funcionamento da Justiça. E ele, o rei das toupeiras, é a grande vítima!
Ou seja, perante a incompreensão das sucessivas decisões que determinaram condenações do Porto pelos atos ilícitos praticados com a correspondência roubada ao Benfica, Rui Pinto passa a monitorizar investigações que decorrem no DCIAP, em Lisboa, à procura de algo que lhe permita afirmar internacionalmente que está a ser perseguido pela Justiça portuguesa, “a mando” do Benfica.
Mas a tentativa de descredibilizar a Justiça que o pode condenar é interceptada por outros factos.
Não são as autoridades portuguesas as únicas a encontrarem motivos para investigarem Rui Pinto. O jornal O Público noticiou em 12 de Abril de 2019 que as autoridades russas pediam a colaboração de Portugal com o objectivo de poderem actuar contra ilícitos praticados por si, presume-se, contra pessoas ou empresas daquele País.
E por aqui talvez se perceba o motivo da residência de Rui Pinto na Hungria. Estava mais perto, por exemplo, do Cazaquistão, mais facilmente se podia mascarar de “Artem Lobuzov” e pedir uma doação de 1.000.000 euros à Doyen.
Um elemento une as vítimas de Rui Pinto: dinheiro.
Assim, aparece Cristiano Ronaldo, jogador internacional português, a quem foram subtraídos documentos tornados públicos sobre a alegada violação de Kathryn Mayorga, segundo notícia o Correio da Manhã, em Julho de 2019.
E também o Mirror noticiou em 9 de Fevereiro de 2017 que a mesma taxa de 1.000.000 aplicada à Doyen tinha sido liquidada a Beckam por um tal “John” que o seu advogado francês, William Bourdon, confirmou ser Rui Pinto, em Janeiro de 2019.
Recentemente, sabemos que o grupo empresarial de Isabel dos Santos também terá atraído a atenção de Rui Pinto ou “John”.
Muito provavelmente, o Grupo Espírito Santo e o mega processo que se seguiu ao seu desmembramento também estarão na sua carteira.
E outros se seguirão, ou seguiram como grupos financeiros turcos, russos e cazaques, como se Rui Pinto estivesse destinado a mapear fluxos financeiros, ou informações capazes de os fazerem funcionar em modo de pagamento. Em seu benefício, claro.
É no meio deste turbilhão que começa a aparecer, convenientemente, a imposição moral de tornar Rui Pinto um denunciante oficial. Não pode ser hacker, tem de ser whistleblower!
Como se a extorsão na forma tentada e seis crimes de acesso ilegítimo, cada um punível com pena de prisão até 5 anos, sendo que dois destes praticados contra a Procuradoria Geral da República e uma sociedade de Advogados, não fossem susceptíveis de causar alarme social.
É que Rui Pinto pode ser tudo menos uma pessoa desinteressada. A notícia da colaboração de Rui Pinto com autoridades fiscais de França e Espanha para aumentarem a tributação, mais uma vez, de jogadores ligados a Jorge Mendes não teve seguimento em Portugal.
Segundo o Jornal Expresso, numa das edições de Abril de 2019, a Autoridade Tributária teria proposto uma colaboração a Rui Pinto para investigar operações societárias de Jorge Mendes em off shores. Mas a proposta não foi aceite. Seriam precisas garantias de imunidade, como as que Ana Gomes pretende que sejam concedidas desde já a Rui Pinto.
Ora, chegamos à palavra chave… Imunidade.
É o que a “escola” tem para oferecer a quem a frequenta.
E é esse historial de impunidade que dá alento a esta campanha de pretensa investigação jornalística internacional que estará a ser orquestrada a partir de material roubado por Rui Pinto e, selectivamente, entregue ao Expresso para ser divulgada no dia seguinte à decisão da sua pronúncia pelos referidos crimes.
Como se Portugal não fosse capaz, ou não tivesse a obrigação de investigar e levar a julgamento todos e cada um dos criminosos que vão aparecendo. Como se estivesse dependente de Rui Pinto para exercer a acção penal!!!
O que se passou a discutir, desde então, é a licitude das provas, a parcialidade da justiça, o enquadramento legal do whistleblower. Mas o impacto das actividades que estão subjacentes à acusação de Rui Pinto, criminalidade informática sofisticada, transnacional, intrusão no funcionamento de organizações, chantagem para obtenção de vantagens económicas, tudo isso passou a ser secundário! O que interessa é ter a conduta aberta para despejar uma torrente de ideias abjectas, qual esgoto que verte para a praia!
Portugal pode ser muita coisa, mas não tem de se tornar num País de néscios, cobardes e corruptos, à mercê de campanhas informativas emanadas de Paris ou da agenda mediática teleguiada por grupos de comunicação.
Sabem o que aconteceria se fosse alterada a legislação dos denunciantes, como pretende Ana Gomes e o grupo de “cartilheiros” que se faz ouvir por estes dias?
Rui Pinto seria ilibado neste e noutros processos porque teria a seu favor “a lei penal mais favorável”.
Acordem!!!"
O VAR e o confessionário
"É sempre de louvar quando um árbitro (ou videoárbitro, no caso) dá a cara pelo seu próprio erro. Mas não deixa de ficar a questão: porque é que às vezes as explicações chegam, e noutros casos prevalece o silêncio?
Era mais ou menos evidente que a introdução do VAR na Liga Portuguesa ia trazer consigo uma série de polémicas - talvez fosse inevitável. Num país/meio às vezes demasiado sedento em encontrar problemas onde eles nem sempre existem, uma novidade tão significativa dificilmente sobreviveria a uma boa especulação.
Tenho para mim que o sistema foi amplamente positivo: evitou erros importantes, talvez tenha mascarado aqui e ali alguma limitação de um árbitro ou outro, mas, acima de tudo, minimizou a margem de erro. Margem de erro, que, num desporto de altíssima competição, e com as limitações humanas de um árbitro, é e será sempre compreensível. Eu próprio fui árbitro vários anos de outra modalidade (natação, já agora), e compreendo as dificuldades da missão.
No entanto, era também expectável que o VAR trouxesse consigo a ideia de que, a partir de agora, era tudo infalível. Não é, e isso é compreensível, porque o erro humano faz parte da natureza das coisas (é cliché, mas não deixa de ser uma verdade incontestável). Não condeno nem ataco isso. O que me parece incompreensível é a diferente reacção ao erro, quando ele acontece. Porque pode criar um sentimento de perplexidade - explica-se a uns, pede-se desculpa a outros, e ignora-se outros tantos? Passo a explicar.
Este fim-de-semana, no jogo entre Famalicão e Santa Clara, existe um erro objectivo: o único golo da equipa dos Açores surge de penalty, num lance em que existe fora-de-jogo. O videoárbitro Cláudio Pereira assumiu o erro: reconheceu que, na análise do lance, confundiu os jogadores. É evidente que não é bom, mas acho positivo o próprio “chegar-se à frente” e dar a cara pela situação.
Mas a partir daí, é inevitável perguntar: mas qual é o princípio? Quando é que um árbitro deve vir falar sobre um erro? Pensa-se caso a caso e logo se vê? Decide-se consoante os clubes envolvidos ou o ruído que fizerem? É o próprio árbitro que decide individualmente? Existiram seguramente outros casos igualmente complexos, e nem sempre foi possível ouvir uma explicação tão franca como a de Cláudio Pereira. Chegou até a ser partilhado publicamente o registo áudio da comunicação entre um árbitro principal e o videoárbitro, algo que, se a memória não me falha, nunca mais voltou a acontecer. Porquê?
Por uma questão de coerência, acho que devia existir uma linha mais definida. E também porque esta postura quase casuística levará certamente os clubes a encetar um discurso na linha de “então ao clube X explicaram e esclareceram, e nós ficamos agora sem saber também o que se passou no nosso caso?”. Repito, parece-me totalmente positivo que este tipo de explicação chegue ao público. Mas não consigo compreender o critério: às vezes sim, às vezes não.
Seria muito interessante, até do ponto de vista de uma maior compreensão, que as comunicações entre árbitro e videoárbitro fossem sempre ouvidas - quanto mais não seja pelos telespectadores, mais tarde. Mas atenção, eu próprio reconheço que isto é uma ideia quase utópica. Lá está, pela necessidade de uma boa especulação… Infelizmente. Mas concordem comigo: seria fantástico, não seria?
PS - compreender o erro é importante, mas não significa que se possa aceitar tudo. Recordo que, há cerca de dois anos, um jogador bastante experiente de um clube da Primeira Liga desabafou comigo: «às vezes é muito frustrante, porque se eu falhar um golo sou criticado pelos adeptos e pela imprensa e tenho que aguentar, e os árbitros queixam-se imediatamente de qualquer crítica, não sabem lidar e não sabem assumir.» Ou seja, é importante compreender o erro, mas também é necessário reconhecer que o erro - ainda que admissível - é sempre um ponto negativo que não deve ser ignorado sem qualquer tipo de consequência."
Cadomblé do Vata (Fejsa)
"O meu puto mais novo está a 2 meses de fazer 2 anos, mas tem energia suficiente para meter a trabalhar o motor de um dos tanques que o avô dele conduziu em Santa Margarida. A fim de evitar grande parte dos desastres passíveis de acontecer apenas com a sua presença, em casa temos o cuidado de lhe limitar o raio de acção à sala, permitindo-lhe a entrada noutras divisões apenas acompanhado pelo encarregado de educação ou outro maior de idade. Claro que como qualquer criança espectacular e irrequieta, partilha com a água a capacidade inata de descobrir todas as frestas existentes a caminho de outro sítio qualquer, sendo a da porta da cozinha a sua favorita. Logo que vê luz do outro lado do vão, dá corda às pequenas sapatilhas e a toda a brida deita mão à vassoura, não com o intuito de cuidar do piso, mas para varrer tudo o que estiver à vista no balcão. Quando estou de humor mais cinzentão, limito-me a agarrar no objecto de limpeza, proferindo com voz solene um severo “deixa a vassoura Afonso”. Em dias de alegria e boa disposição, pego na vara vermelha e e em tom doce peço encarecidamente “Filhão, larga o Fejsa”.
Bem sei que todas as brincadeiras têm um dia o seu fim. A canalha cresce, cansa-se dos pais e deixam de ver piada a 90% da nossa interacção com eles. Esta contudo, sempre pensei que pudesse fazer parte da nossa relação pai/filho até à sua ida para um Regimento de Cavalaria qualquer, porque mesmo daqui a 10 ou 11 anos, “Fejsa” ainda seria aquele sérvio de 41 ou 42 anos, com mais medalhas no peito do que um General soviético, que de 5 nas costas continuava a ser a Vassourinha do meio campo Encarnado. O destino assim não quis e quando o meu herdeiro caçula estiver a atravessar a adolescência, o nome do balcânico apenas será um daqueles Fantásticos que lhe alimenta a Paixão Gloriosa, porque o pai dele fez questão de incluir a História do Sport Lisboa e Benfica como disciplina de estudo intensivo, no seu percurso de formação académica e pessoal.
A verdade é que o rumor já marcava a actualidade encarnada e branca, mas como qualquer adepto que olha para o fenómeno do Benfiquismo com uma enorme dose de romantismo cego, não estava preparado para a confirmação. Aquele que nos últimos anos foi o minucioso porteiro do nosso último reduto vai-nos deixar, partindo rumo ao País Basco e a uma realidade desportiva, que apesar da idade, um atleta da sua estirpe competitiva não merecia. A frase “Ljubomir Fejsa pegou nas suas 11 medalhas de campeão e foi directo à luta pela permanência na La Liga” pode parecer desoladora para quem se habituou a vê-lo operar impecáveis serviços de higienização defensiva na relva da Luz, mas deixa de parte a maior provação que o futuro a curto prazo do balcânico lhe reserva: vai partilhar objectivos colectivos com Roberto Jiménez. Muita paciência e sorte é o que lhe desejo. Isso ou que se lesione rapidamente e regresse à Luz para recuperar com uma 12ª medalha de campeão a cobrir-lhe o coração."
Cadomblé do Vata (bitaites...)
"1. Frederico Varandas prometeu vender Bruno Fernandes por 70 milhões mas acabou por aceitar uma proposta de 55 milhões mais objectivos... os Sportinguistas estão tão resignados com o clube que nem reclamaram, apenas ficaram felizes por verem um deles escapar daquele inferno.
2. Poucas horas depois de se saber que o ainda capitão lagarto estava a caminho do Man. United, a casa do director executivo dos Red Devils foi atacado com tochas por adeptos... ainda dizem que os ingleses não sabem ser hospitaleiros.
3. À passagem da 18ª jornada o FCP tem 6 penaltys a favor contra 4 do SLB; 1 expulsão de um jogador seu sem ser a pedido (Telles aos 95 min. em Portimão) contra 2 do Benfica; 3 expulsões de jogadores adversários contra 2 do Glorioso (contando Rochinha aos 96 minutos em Guimarães)... este Benfiquistão parece-se cada vez mais com a República Popular do Choro.
4. Segundo a imprensa dita especializada, Ljubomir Fejsa está a caminho do Alavés... 36 anos após o último título conquistado pelo Athletic Bilbao, o País Basco vai voltar a ter um Campeão de Espanha.
5. Yoni já se treina no Seixal... e agora vai discutir o lugar de extremo suplente com o Yota."
Sinais de descrença
"O FC Porto voltou aos triunfos, mas ainda não foi ontem que afastou as nuvens carregadas que chegaram ao Dragão vindas de Braga. Apesar de ter terminado com uma vitória justa, a exibição da equipa azul e branca esteve muito longe de ser entusiasmante para os adeptos que foram ao estádio. É um facto que o jogo se disputou a uma terça-feira, a más horas e com mau tempo, mas a presença de menos de 20 mil pessoas nas bancadas é um sinal de descrença que não pode ser subestimado. Aliás, mesmo levando em conta que ainda não houve clássicos em casa do FC Porto, é um dado muito relevante que os dragões estejam, nesta altura, com uma média de espectadores por jogo que é 20 por cento inferior à registada em toda a época passada.
Depois do que sucedeu após a final da Allianz Cup, nunca seria um jogo em casa com o Gil Vicente a desfazer as dúvidas que foram levantadas por Sérgio Conceição. Para o FC Porto, só há uma saída para este momento: vencer o clássico diante do Benfica de daqui a duas jornadas e, com isso, voltar a acreditar que o título é possível. Mas, até lá, será preciso jogar em Setúbal frente a um adversário que tem mostrado evidentes melhorias nas últimas jornadas. E, desconfio, será preciso jogar bem melhor do que ontem para vencer."
Kobe, ainda bem que te admirei a tempo
"Kobe Bryant tinha abraçado a nova fase da vida como se se tratasse de mais uma temporada na NBA e, como em todas as suas épocas, dele só esperávamos o melhor. Connosco fica o legado e a certeza de que o Black Mamba vai continuar a inspirar gerações.
Quando um ídolo parte, vemo-nos inesperadamente frente a frente com a nossa própria mortalidade. Elevamos pessoas, na sua essência iguais a qualquer outra, a um patamar sobre-humano, e nunca esperamos delas demonstrações de vulnerabilidade como os comuns dos mortais. Por outras palavras, achamos que os nossos ídolos estão livres de algo inevitável como a morte — ou, pelo menos, de uma morte precoce.
Por este motivo, a morte de Kobe Bryant continua a ser um acontecimento que parece desfasado da realidade, mesmo três dias depois. Um dos melhores jogadores de basquetebol de todos os tempos, alguém que dentro do campo era capaz de feitos e acrobacias ao alcance de poucos, com uma capacidade de superação e força psicológica inigualável, Kobe era para centenas de milhões de fãs a referência transcendente e intocável pelo infortúnio.
Passei os primeiros anos da adolescência a sentir-me incomodado com os feitos de Kobe. Nascido no fim dos anos 90, entrei no novo século a ver vezes sem conta uma cópia do filme Space Jam (1996, Joe Pytka), gravado em VHS. Uma “lavagem cerebral” tal que precisei de comprar outra cassete e que me deixou convencido de duas coisas: não havia modalidade mais extraordinária do que o basquetebol e Michael Jordan (MJ) era rei e senhor do desporto da bola laranja. Crenças que, até à data, se mantêm inalteradas.
Como tal, à medida que cresci e comecei a dedicar mais tempo à NBA, não olhei muito agradado para um basquetebolista que era comparado a MJ. Torci contra Kobe no primeiro jogo que os meus pais me deixaram ver em directo em dias de aulas, o Jogo 7 das Finais de 2010, em que os seus Los Angeles Lakers defrontaram os Boston Celtics. O Black Mamba acabou por vencer o jogo e conquistar o segundo anel consecutivo, quinto e último da carreira.
Aos poucos fui percebendo que o desprazer provocado por Kobe se devia à sua verdadeira grandeza. Não passava de um miúdo de 13 anos a sentir que alguém tentava roubar o lugar do meu ídolo. Ganhei maturidade e pude aproveitar realmente Kobe Bryant. Com muita pena minha, durante pouco tempo.
Em 2013, Bryant rompeu o tendão de Aquiles no antepenúltimo jogo da fase regular, numa altura em que os Lakers lutavam por um lugar nos playoffs. Aos 34 anos, o corpo traiu uma primeira vez Kobe, que não recolheu aos balneários sem antes mostrar mais uma prova do seu carácter: levantou-se, caminhou sozinho até à linha de lance livre e converteu as duas tentativas – já sem a estrela em campo, os Lakers viriam a ganhar o jogo por 2.
A Mamba Mentality, essa mentalidade que ao longo dos anos mostrou ser tão grandiosa como até algo doentia, permitiu que Kobe recuperasse, mas as temporadas seguintes continuaram a não ser meigas, com lesão atrás de lesão. A idade tinha apanhado Kobe e o próprio jogador percebeu isso. Um mês depois do começo da época 2015-16, Kobe publicou uma declaração de amor ao basquetebol, em que anunciava o fim da carreira no final da época. Já um fã convertido de Kobe, soltei uma lágrima com o poema. O texto viria a servir de base para uma curta-metragem de animação que permitiu a Kobe Bryant ser a primeira pessoa a juntar um Óscar aos troféus de MVP da NBA e MVP das Finais da NBA.
Antes de sair de cena, Kobe Bryant ainda conseguiu dar ao mundo do basquetebol uma última demonstração da sua grandeza. No último jogo da carreira, aos 37 anos, Kobe tomou conta da partida como se estivesse de novo no auge das suas capacidades: com o olhar assassino tão característico ao longo da carreira, jogou como se ainda tivesse alguma coisa a provar ao mundo, depois de 20 anos de carreira, como se fosse o primeiro jogo de um jovem que entrou na NBA vindo directamente do ensino secundário. Marcou 60 pontos – o máximo para alguém com 37 anos – e venceu o jogo sozinho, como havia feito tantas vezes ao longo de duas décadas.
Se a minha paixão pelo basquetebol se deve ao seu mentor, o meu carinho pelo desporto deve-se, em grande parte, a Kobe Bryant. Foi o mais próximo a que pude assistir do meu ídolo, sempre mostrou a mesma força de vontade, a mesma audácia, um querer que é possível encontrar em apenas uma mão cheia de atletas.
Kobe inspirou uma geração inteira de jogadores que agora dominam a liga, mas a sua Mamba Mentality vai muito além do basquetebol. A carreira e os feitos de Kobe Bryant serviram para mostrar a todos os seus seguidores que nada é impossível, desde que trabalhassem sempre mais do que todos os outros.
Já penduradas as sapatilhas, Kobe fez questão de continuar a partilhar toda a sabedoria, um propósito que encontrou na recta final da carreira. Durante as pausas da NBA, passou a trabalhar sempre com os jovens jogadores que o procuraram. Pelo meio, ainda conseguiu ganhar o tal Óscar. Fundou a Mamba Sports Academy para poder ajudar uma nova geração a perceber como chegar ao topo das suas capacidades. A morte de Gianna “Mambacita” Bryant, a filha que parecia destinada a continuar o enorme legado do pai, agrava ainda mais a tragédia.
Kobe Bryant tinha abraçado a nova fase da vida como se se tratasse de mais uma temporada na NBA e, como em todas as suas épocas, dele só esperávamos o melhor. Connosco fica o legado e a certeza de que o Black Mamba vai continuar a inspirar gerações.
“Heroes come and go, but legends are forever.”
Obrigado, Kobe."
Dear, Kobe
"Querido Kobe,
Antes de saber o que era um turnover, eu já gostava de ti. Aquele jogador que usava a camisola 24 nas cores amarela e roxa conquistou uma menina que ainda não sabia o que era a NBA. Foste o Michael Jordan da minha geração, e inspiraste milhões de crianças a pegar na bola laranja ou numa bola de papel e tentar ser como tu eras.
Antes de saber o que era um fade, eu já gostava muito de ti, mas nunca apoiei a tua equipa. Parece uma contradição, gostar tanto de ti e não te apoiar quando subias ao teu palco. Ainda por cima escolhi um rival de divisão, os Golden State Warriors, que estavam a começar a encantar o mundo com uma nova forma de jogar. Sei que não ficaste chateado, porque não podemos ser todos do mesmo e era mais uma contra ti.
Nunca tive grande jeito no desporto e só os meus heróis me conseguiam fazer levantar e tentar ser melhor. A tua lesão no calcanhar deixou-te nas cordas, mas mesmo assim conseguiste voltar à luta, e eu achava que depois disso ias ser eterno, porque só os grandes conseguem passar os obstáculos como tu o fizeste. Se deu certo, porque não tentar?
Levo um pouco da tua mentalidade para tudo o que faço. Por vezes fica complicado continuar a batalhar para algo que está a correr mal, mas é preciso contar “3, 2, 1…” e esperar que um buzzer beater nos dê novamente a esperança de vencer o encontro da vida como fizeste tantas vezes. Até ao último segundo.
Deixaste-nos, e contigo foi um dos meus maiores sonhos: poder entrevistar-te e dizer o quanto me deste sem saber que tinhas dado. Sinceramente, ainda não consegui chegar à conclusão de que tenho de falar de ti como passado, como alguém que partiu. Sempre me disseram que as lendas, como tu, nunca morrem. Com a tua influência, eu sei que todos os jogos vamos sentir a tua presença.
A mentalidade do LeBron James, a forma de lançar do Devin Booker e muitos outros atletas vão continuar a fazer nos lembrar de Mamba, e todos eles vão continuar um legado eterno no basquetebol. Só alguém como tu podia deixar um legado tão bonito e uma saudade deste tamanho em tantas pessoas, nem deves ter noção do número.
Eu não acompanhei toda a tua carreira, não soube o que eras com a camisola oito. No entanto, a minha idade não me deixa ficar para trás na conversa sobre a admiração que tenho por ti, porque tu foste o culpado de ficar amante deste jogo, de saber as regras e ficar madrugadas sem dormir para tormento da manhã seguinte.
Aquele jogo com os Jazz vai ficar eternamente na minha memória, aquilo eras tu, aquilo era o senhor que me faz acreditar nos meus sonhos. 20 anos depois do teu draft, acho que toda a gente parou, e deixaram de existir equipas. No dia do teu desaparecimento, as rivalidades voltaram a ser postas de lado e só interessava homenagear um dos melhores de sempre.
Acho que esta carta já está a ficar longa, mas nunca conseguia dizer em tão poucas linhas o quão boa foi a tua influência. Erros todos cometemos, e até nos teus baixos conseguiste manter os teus princípios. Continua a brilhar desse lado, e espero que nunca sejas esquecido. Da minha parte podes estar descansado.
Da tua eterna fã,"
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