Últimas indefectivações

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O Processo Jesus

"Jesus continua a querer os holofotes e muitas são as forças ocultas que continuam a querer perturbar o Benfica, mesmo após o expressivo 4-0 sobre o Estoril. Subitamente, começou a circular que Jesus não teria recebido o salário de Junho, facto que estaria a provocar um sério desconforto no treinador. O Benfica respondeu à altura e anunciou que, não só não pagará esse salário, como exigiu o pagamento da cláusula indemnizatória relativa à rescisão unilateral do contrato com o Benfica - no valor de 7,5 M€, cláusula que, aliás, foi o próprio Jesus que quis incluir no contrato com o SLB. 
Muitos Benfiquistas podem-se, legitimamente, perguntar: haverá justificação para esta intenção do Benfica em avançar com um processo judicial, que se concretizará mal terminem as férias judiciais? Penso que sim. Não se trata apenas de ser Jesus e de todo o processo atribulado que levou à mudança do treinador para o clube rival. É uma questão referente a um princípio quase tão antigo como a civilização: 'pacta sunt servanda', os pactos são para cumprir!
Como pode Jesus e o seu advogado alegar e fundamentar que, juridicamente, o trabalho como treinador do Sporting apenas começou no dia 1 de Julho? Mais: como se pode sustentar que Jesus ainda era treinador do Benfica no mês de Junho, quando no dia 5 desse mês o presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, anunciou a todo o país, que chegou a acordo com o técnico? Como pode querer receber o salário de Junho quando, nesse mês, foi comunicada à CMVM, pelo Sporting, a sua contratação e chegou mesmo a estar em Alcochete várias horas, naquilo a que terá chamado de 'visita de cortesia'?
Por amor de Deus, um pouco de dignidade e respeito para com quem lhe deu tudo para chegar onde chegou."

André Ventura, in O Benfica

Cedo para tirar conclusões

"Na semana passada dei conta da minha recusa em alinhar num discurso alarmista, em que tudo seria posto em causa sem sabermos, ainda, com que linhas nos haveremos de coser. Mais que evocar lugares comuns, referi algumas das incógnitas que, dadas as condicionantes inerentes a um começo de temporada, não nos permitem chegar a conclusões, sejam elas quais forem. Claro está, fui criticado. Disseram-me vários amigos, daqueles que sentem uma derrota como se tratasse do caos pois acham que o Benfica deveria ganhar por decreto porque é o Benfica e os seus jogadores usam camisolas vermelhas com uma águia ao peito, que sou "demasiado optimista". Parte deles, eufóricos com o excelente resultado alcançado na primeira jornada, vieram agora dar-me razão, a qual, em bom rigor, não a tenho nem a reclamo. Assim como repudio o catastrofismo, não embarco em euforias. Os bons sinais deixados pela nossa equipa não passam, nesta altura, disso mesmo: bons sinais. O Benfica não se fez de um jogo, nem sequer de uma temporada. Perceber esta realidade, diria mesmo, este axioma, permite perspectivar o futuro com a serenidade que, estou convicto, a nossa "estrutura" nos merece. A melhoria qualitativa verificada na última década em inúmeras áreas do nosso clube assim nos exige.

P.S.: Daequan Cook tem o melhor currículo na história do Basquetebol em Portugal. As expectativas são elevadas, mas desengane-se quem considera que o Pentacampeonato está ganho. Conquistar títulos em pré-temporadas é para outros. Por isso uns inventam que ganham desde 1893 e outros autoproclamam-se a maior potência desportiva portuguesa, mas as taças vão para o Museu Benfica - Cosme Damião..."

João Tomaz, in O Benfica

Viola no saco

"No domingo passado, com pouco mais de uma hora de jogo, Rui Vitória tirou Pizzi e Ola John e pôs a jogar Victor Andrade e Talisca. O SL Benfica estava empatado a zero, em casa, com uma equipa do Estoril que criava perigo e não dava uma bola como perdida; Nas bancadas da Catedral, 53 mil puxavam pelo Bicampeão Nacional.
Em sua casa, a ver pela BTV, um contestatário como tantos outros atacava tudo e todos: ou era o treinador que não tinha qualidade, a Direcção que não contratou como devia, explanava teorias sobre a pré-época que deu cabo da preparação física, pedia já a demissão do mister, exigia eleições imediatamente mesmo sem ter alternativa a apresentar e ordenava - o fim do aumento dos impostos. Meia hora depois, o crítico, dono de toda a verdade, já tinha saltado quatro vezes do maple da sala. No primeiro golo, gritou num estado de loucura tal que só parou quando percebeu que tinha sido marcado pelo Mitro-golo - aquela contratação que ele não aprovara. Nos dois golos de Jonas vibrou à moda da última época e já pedia "dá-me o 35, dá-me o 35". No último golo do SL Benfica, o contestatário gritava "nota artística, nota artística" pelo corredor fora. Sentou-se, esgotado, e percebeu que Nélson Semedo tinha sido o marcador. O antigo jogador da equipa B, chamado por Rui Vitória a titular, acabava de se estrear na Luz com uma exibição quase perfeita e um golo com nota artística. Até já tinha lágrimas nos olhos.
Este fim de semana, o contestatário vai estar no estádio de Aveiro a apoiar a equipa frente ao Arouca. Caiu-lhe a ficha. Percebeu que o mais importante é o Benfica. Gosta de ver o Glorioso no topo da tabela e assim quer continuar. Só ainda não resolveu o problema dos impostos, mas ficamos todos à espera de uma solução."

Ricardo Santos, in O Benfica

À medida de Pinto da Costa

"Benfica e Sporting de candeias às avessas e o FC Porto (conjunturalmente perto dos leões na eleição de Pedro Proença) nas suas sete quintas, eis o estado na nação futebolística neste princípio de temporada. Nas últimas três décadas, Pinto da Costa teve sempre o feeling certo para tirar partido das guerras a sul, capitalizando-as em favor dos dragões. Muitos são os exemplos de alianças pontuais com águias ou leões, que, invariavelmente beneficiaram o FC Porto. Desta feita, depois do acordo tácito com o Sporting que permitiu derrotar Luís Duque e colocar na liderança da Liga Pedro Proença, Pinto da Costa, por mais que diga que isso não lhe interessa nada, só pode observar, de cadeirinha e com um sorriso rasgado no rosto, a troca de mísseis entre a Luz e Alvalade e vice-versa. 
E enquanto os eternos rivais se fragilizam, o FC Porto - como sempre - toma partido por um deles, ajustando o discurso e isolando o outro.
São estes os parâmetros em que está lançado, fora das quatro linhas o campeonato nacional. Da estratégia do FC Porto continuará a fazer parte um ataque cerrado a Vítor Pereira, que no próximo ano irá a votos na FPF; e outro, quiçá mais difícil mas não menos empenhado, à liderança federativa de Fernando Gomes. Apadrinhar listas que tirem do poder os atuais presidente dos árbitros e presidente da FPF é o passo que se segue, sendo que o primeiro é um alvo mais vulnerável; o segundo, vice-presidente da UEFA e com um trabalho de monta já realizado, será mais difícil de abater. O certo é que o FC Porto está a tentar criar, sábia e pacientemente, condições para recuperar influência."

José Manuel Delgado, in A Bola

Rita Martins - O adeus de uma estrela

"Aos 36 anos, Rita Martins terminou a carreira de jogadora de futsal. Não por questões físicas, mas para iniciar um ciclo como dirigente do Benfica, na estrutura desportiva da modalidade e na área de marketing institucional do clube. Uma decisão "muito difícil" de tomar, mas que Rita Martins considera ser "a mais apropriada", porque a melhor jogadora do século, um título que a Federação Portuguesa de Futebol lhe atribuiu, queria acabar "no auge", onde se mantém, tal como considera, há 11 anos. Para trás fica um percurso com dez títulos a nível nacional, 37 internacionalizações (um recorde) e mais de 500 golos marcados. E é precisamente esse o legado de Rita Martins, que começou a praticar a modalidade aos 14 anos, no Unidos do Caxiense. Foram muitos os bons momentos, mas Rita Martins destaca quatro em particular: a Taça Ibérica conquistada pela Benfica (2007), o último campeonato ganho pelos encarnados (2010), a Taça de Portugal alcançada pelo clube (2014) e na Seleção o 2.º lugar no Mundial de 2012. E é ao falar de Portugal que Rita deixa um lamento, o único, pelo facto de não ter conseguido ganhar qualquer troféu. "Foi esse o senão ", considera, a Record
Sobre o futuro, Rita Martins acrescenta que este também é um passo dado em prol do futsal. "Acredito que, pela minha experiência, aquilo que pretendo passar aos atletas pode ser muito importante", afirma a ex-jogadora do Benfica, que vai trabalhar numa área para a qual se especializou: precisamente o marketing desportivo."

Alexandre  moita, in Record

Conflitualidade? Não a desejo, mas não a temo!

"A universalidade do Benfica não pode ser ultrapassada pela parolice bacoca de quem usa e abusa de uma esperteza saloia.

Olho por olho...
Em 9 e em 18 de Agosto de 2013 - começava, então, a caminhada para o bicampeonato - publiquei dois textos nos quais defendia que seria necessário assumir uma postura de conflitualidade, sem qualquer receio, sem qualquer temor reverencial, sem qualquer ato de subserviência para que nos respeitassem, para que nos voltassem a temer, para que voltássemos a ganhar de forma consistente.
Embora não o desejando, como princípio, defendi-o, porque esse era o caminho que julgava dever ser seguido (mesmo perante a incompreensão de alguns, os do costume... mas também os que não gostam de sair da zona de conforto onde se movem, porque, assim, podem... ir aos jogos mais descansados)!
Não sou dirigente do Benfica para me dar bem com os outros, nem para ver jogos em lugares mais confortáveis. Serei VP do Benfica para combater por aquilo em que acredito, por aquilo que me ensinaram ser o Benfica, porque julgo mesmo que o Benfica pode vir a ser o que sonhei. E porque sei ser esse o sonho e a postura de Luís Filipe Vieira (o grande defensor público da divulgação do maior escândalo do futebol português, chamado Apito Dourado).
Sabe, quem me conhece, que não busco o confronto a qualquer preço. Mas não me confundam com quem prefere... «a paz mais injusta à mais justa das guerras».
Especialmente quando os nossos inimigos - não confundir com adversários, porque esses jogam connosco e contra nós com as mesmas regras, sem batota, sem corromper quem decide ou sem recorrer a suplementos vitamínicos que deturpam a verdade desportiva - nos provocam, em cada declaração, em cada afirmação, em cada entrevista, em cada graçola...
Vem isto a propósito desta onda de conflitualidade verbal, destes ataques sucessivos - de todos os lados - na tentativa desesperada de evitarem o tricampeonato do Sport Lisboa e Benfica.
Essa é a grande preocupação de muitos. Dos que estão do outro lado - seja ele mesmo do outro lado ou de lá de cima - mas, também, dos que tendo obrigação de ser imparciais, se deleitam em dizer mal do Benfica. 
Porque sabem que se disserem, neste Portugal de brandos costumes, ninguém os criticará.
Sabendo que, pelo contrário, correm sérios riscos se disserem mal de outras cores (havendo, até, os que, sendo nossos, acham que ganham algum reconhecimento por dizerem mal de nós).
Tenho, por isso, a certeza absoluta que o medo e qualquer tentativa de conciliação (como sinónimo de submissão) apenas nos enfraquecerão.
Como sei que os outros só entendem uma linguagem: a do «olho por olho, dente por dente»!
Foi essa a postura durante os últimos dois anos. Não tenho dúvidas que tem de ser essa a postura para esta época. Contra os que mudando (este ano), julgam tudo lhes ser permitido. Contra os que não mudando (há muitos anos), continuam a julgar que vivem ainda nos tempos da impunidade!

Os adeptos merecem tudo
Defendo essa ideia de honra permanente em relação a qualquer ataque ao Benfica. Não posso, por isso, deixar de ser solidário, activamente, com a posição assumida (ou anunciada) pelo Benfica de procurar nos tribunais o ressarcimento de posicionamentos de quem se julga o centro do mundo (e rir-me a bom rir dos que ainda sorriem da posição do Benfica).
Bem anda o Benfica ao agir como anunciou, como será devida uma palavra de elogio a quem, no Benfica, também sem medo, tem dado a cara pela posição mais normal num Estado de Direito: anunciar que procuraremos, através da via judicial, o pagamento de uma cláusula penal, aceite de livre vontade, por ambas as partes.
Porque esse posicionamento, essa luta pela permanente dignidade do Benfica, que acompanha a sua grandeza e a sua universalidade, são o mínimo que podemos exigir a nós mesmos.
É o mínimo que podemos fazer por todos aqueles que percorrem semanalmente centenas e centenas de quilómetros e fazem um grande esforço financeiro para estarem sempre presentes ao lado da equipa, materialização visível desta paixão e da mística que construímos em cada momento.
É necessário que haja determinação na defesa do que, sendo de todos - verdade e honestidade - alguns teimam em pôr de lado, porque só assim conseguem ganhar.

Milhões de uns egos de outros
Na última época, uns, com um investimento de muitos milhões no plantel, perderam tudo o que tinham a perder, quando estavam obrigados a ganhar!
Esta temporada voltam a endividar-se para tentar recuperar a hegemonia do futebol português, esquecendo-se que, para que essa hegemonia voltasse, teriam que voltar, também, os métodos do Apito Dourado
Paralelamente, outros, que, há cerca de três meses, não sabiam se tinham orçamento para o investimento necessário para competir na Liga dos Campeões, hoje... têm dinheiro para tudo.
Ainda bem que assim é, até porque o ego em questão, apesar de muito bom, não ganhou nada em nenhum clube por onde passou,... excepto num (tipo istmo)!
Sabendo disso mesmo - cada um deles melhor do que nós, porque, como diz o povo... «cada um sabe de si e Deus sabe de todos» - tudo farão para, em conjunto, nos ganharem.
Não quererão saber quem fica a frente entre eles, desde que um deles fique à nossa frente.
Ou melhor: desde que ficassem.
Porque esse é o nosso combate: sem tréguas, mas com o apoio de todos, o que faz com que joguemos sempre em casa.
Eles estarão mais unidos do que nunca. Uns, porque o caminho da perpetuação no poder, com o recurso ao que vemos, ouvimos e lemos, não vai poder voltar a recorrer aos mesmos truques.
Outros, porque a ânsia de protagonismo disfarça as dificuldades e catapultará os egos que ainda por lá vão coexistindo (até ao primeiro desentendimento ou até alguém dizer que o rei vai nu).

Conflitualidade pura e gratuita
Por tudo isso, honra lhes seja feita, eles já disseram ao que vinham: conflitualidade pura e gratuita. Assente em forte contestação da arbitragem, mesmo - pasme-se - antes de ter havido jogos, com base em acesas guerras psicológicas e em desesperados jogos de bastidores.
Para eles, nos trinta e três jogos que faltam, o Benfica não irá ganhar merecidamente nenhum.
Pelo contrário, quando perderem pontos - os dois - só a arbitragem explicará a calamidade...
Para nós, haverá sempre, de ambos os lados, a certeza que houve ajuda... divina. Para eles e a eles tudo deverá ser permitido.
O Benfica - com uma organização profissional e competentíssima, um plantel equilibrado e um treinador de grande nível (que saudades que eu já tinha de ver um treinador do Benfica de caráter, a explicar educadamente as coisas, a tratar os jornalistas por você, etc., etc., etc.) - nunca jogará bem, nem merecerá ganhar.
Citando alguém sobre uma realidade não tão diferente do futebol quanto isso, «eles poderão perder, nós é que nunca poderemos ganhar». Ou melhor não poderíamos. Mas vamos ganhar!
Ao colo dos 53 285 adeptos que, na 1.ª jornada, estiveram presentes no Estádio da Luz, do mais de um milhão que nos vão ver ganhar na Catedral, e das centenas de milhar que - mesmo com muitas dificuldades e pagando, geralmente, quase o dobro do que pagam os adeptos dos outros - nos vão ver ganhar por todo o Portugal.

Se queres paz...
Que isto não seja entendido - repito - como defesa ou apologia de uma conflitualidade gratuita.
Mas, apenas, a resposta à afirmação de quem entende que a nossa grandeza - que não deve ser confundida com sobranceria - tem de ser o ponto de partida para não permitirmos que a nossa universalidade possa ser ultrapassada pela parolice bacoca de quem usa e abusa de uma esperteza saloia básica, que a nossa nobreza de carácter e o respeito pelas regras possa ser atropelado pelos que querem ganhar a todo o custo, mesmo que apenas o consigam corrompendo ou... fazendo uso da traquinice rasteira de quem não fez nada mais na vida.
Todos do mesmo lado!
Vamos a isto, Benfica?

SE EU FOSSE...
...presidente de um Clube.
Que julgava maior do que era, na realidade, estaria bastante preocupado (nervoso?) pelo facto do treinador que havia contratado me ter tirado todo o protagonismo e me ter transferido para um lugar de mero figurante na estrutura do clube, passando a centralizar todo o apoio interno e a ser o principal alvo de crítica de quem está fora...
E ver-me-ia desesperado ao ponto de ter que atacar um director de comunicação de um outro clube (bem sei que MAIOR QUE PORTUGAL) para tentar não desaparecer de cena.
Eu bem saberia que todos os livros me aconselhariam a apenas me pegar com pessoas que fossem tão presidentes como eu, mas, à falta de melhor, não poderia deixar passar esta possibilidade...
Até porque, a próxima sabe-se lá se bem mais perto do que poderia imaginar, se continuar a seguir as pisadas do ano passado, poderá ser para criticar a equipa.
Esperando bem que não seja já no regresso de Moscovo.

... dirigente de outro Clube.
Do terceiro clube desta troika feita de dois grandes clubes e um outro (MAIOR QUE PORTUGAL) estaria contente por ver quem, em bicos de pés ou passando a mão, repetidamente, pelo cabelo, vai fazendo o jogo de contestação ao Benfica que era pressuposto eles fazerem.
E ficava contente por isso: por ter alguém, que mesmo não seguindo instruções, desempenhava, fielmente, as funções que lhe tinham imaginado.
Nem em sonhos se conseguiria tão fiel desempenho... dir-se-ia lá para os lados da Torre..."

Rui Gomes da Silva, in A Bola

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Evita

"Quando ouvi falar no caso da agora mediarizada médica do Chelsea, julgava de uma portuguesa de gema. Afinal, Eva Carneiro, de seu nome tão português, é inglesa. Nasceu no rochedo de Gibraltar, filha de pai espanhol e de mãe inglesa. É especializada em medicina desportiva e está (ou estava?) à frente do departamento do clube londrino.
Razões técnico-tácticas (como diriam alguns treinadores) originaram um contencioso entre Mourinho de Setúbal e Evita de Gibraltar, como foi abundantemente noticiado.
A razão próxima do desentendimento entre o Special One e a Doctor One terá resultado de o primeiro ter funcionado como árbitro assistente e lhe ter assinalado um claro off-side quando ela, pressurosa, entrou no rectângulo, já com o Chelsea amputado de um dos seus membros, por sinal, o guarda-redes. O tempo normal do jogo já se havia escoado e decorriam os escassos minutos do injury time quando um blue cai aparentemente magoado, «Hazzard!», gritou Mourinho. «Eden...», suspirou Eva. E, assim, o belga Eden Hazzard se transformou num Azar depois do Éden. Como se jogava contra o clube galês Swansea, mais belo teria sido tudo acabar num Lago dos Cisnes.
Mas não. Afastada a Dr. Eva, logo de seguida o Chelsea baqueou estrondosamente perante o Manchester City. Por momentos, lembrei-me de uma frase de Mark Twain: «Para Adão, o paraíso era onde estava Eva».
E assim a Evita de king´s Road entrou no top-10 dos bodes-expiatórios (scapegoats) do nosso compatriota José Mourinho, segundo o diário britânico Telegraph. Ou talvez devesse, mais aproximadamente dizer-se carneiro-expiatório."

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Mercado da Luz MV15

Faltava a analise ao mercado no Voleibol vermelho. Hoje, foi anunciada a última contratação: Mart Van Werkhoven, internacional Holandês, Central, de 2,08m. Pelos vídeos (1)(2)(3)(4), e pelas recordações que tenho dos recentes confrontos com da nossa Selecção com a Holanda, acho que temos jogador... O outro Central contratado, Rogério (2,07m), também chega com excelentes referências, acho mesmo que temos aqui a dupla titular, o Zelão (jogador que gosto muito...), será provavelmente o 3.º!!! Com a saída do Honoré, pensei sinceramente que íamos ficar mais fracos, seria muito complicado ir ao mercado, e contratar alguém de nível idêntico, mas agora, no papel, até parece que estamos mais fortes na zona Central, pois o Rogério e o Mart, parecem uma dupla mais forte do que o Honeré e o Kibinho!!!
A grande dúvida para a próxima época, estará na nova dupla de Distribuidores: Danilo Gelinski e Paulo Renan. Com Vinhedo de regresso ao Brasil, e com o Perini em Itália, não será fácil manter a consistência nesta posição... Gelinski vem com excelentes referências (1)(2), espero que assuma o comando da equipa. O Paulo Renan é um regresso, e da primeira passagem não deslumbrou, agora mais experiente pode ter evoluído, vamos esperar para ver...
A outra entrada, veio do nosso principal adversário, a Fonte do Bastardo, o Búlgaro, Ivan Kolev, Zona 4 (1). Os Benfiquistas mais atentos lembram-se dele, nos jogos decisivos do último Campeonato, pois entrou quase sempre para o Serviço, e deu quase sempre pontos ao Benfica!!! Mas para não ser injusto, é preciso recordar que o Kolev o ano passado, começou a época muito bem, mas depois teve uma lesão, e quando regressou já nos Play-off estava sem ritmo... e assim, não conseguiu ser eficiente no Serviço a sua grande arma. Também recordo que o Benfica, na Final da Eurochallenge, não conseguiu igualar a agressividade do Serviço dos Sérvios. Vem substituir do Flávio Cruz... vamos ver como será a adaptação à equipa. Sendo que o João Oliveira também pode 'agarrar' o lugar...!!!
Com a saída do João Magalhães, perdemos o nosso 2.º libero. Parece que a decisão é não contratar nenhum jogador para esta posição. Em caso de indisponibilidade do Ivo Casas, ou será promovido alguém da Formação, ou será adaptado um dos outros jogadores (Roberto?!)... Creio que é uma decisão acertada, e não podemos esquecer que o Mercado estará aberto praticamente até ao final da época...

Uma nota final sobre um 'pormenor': tenho lido nas declarações dos novos jogadores, referências às Competições Europeias. É verdade, que 'perdemos' o Perini, devido ao 'sucesso' Europeu do ano passado, e podemos até voltar a 'perder' outros jogadores nas mesmas circunstâncias, mas sem ir à Europa, se calhar seria mais complicado convencer estes jogadores de qualidade, a virem para o Benfica.

Saíram: Honoré, Kibinho, Flávio Cruz, Magalhães, Vinhedo e Perini.
Entraram: Rogério, Van Werkhoven, Kolev, Gelinski e Renan.

Oposto: Gaspar, Ché;
Zona 4: Roberto, Lopes, Oliveira, Kolev;
Centrais: Zelão, Rogério, Van Werkhoven;
Distribuidores: Gelinski, Renan;
Libero: Casas.

Tudo à volta de (quase) futebol

"Ainda não acabaram os exageros do defeso e, já no dealbar do campeonato, surgem, esplendorosamente, os prolixos exageros.
A maior exageração é a das televisões ditas de informação. De manhã à noite, matraqueiam os espectadores (aqui talvez não ficasse pior essa pérola do AO: espeta... dores) com antevisões, previsões, insinuações, explicações, sugestões, constatações em redor de (quase) futebol. A diversidade, que deveria advir da concorrência, esfuma-se no monolitismo. No fim-de-semana, simultaneamente, os quatro canais foram só (quase) futebol: SICN, RTPI, TVI 24, CMTV, além dos - aí sim desportivos - canais da Sport TV e Bola TV.
Nos generalistas, não havia futebol mas sempre há a pimba-alienação, a mais pirosa e néscia forma de regressão estética e artística. Também nestes, qualquer notícia da bola aparece intercalada entre o importante e o excitante. No domingo, um destes canais noticiou - prioritariamente! - uma banal lesão de Moutinho no Mónaco!
Que tristeza! Eu - que sempre gostei de futebol - já não suporto tanta conversa, tanta filosofia barata, tantos lugares-comuns, tantas conferências antes e depois, tanto bulício artificial, tanta especulação sobre nada, tantas imagens repetidas, tantos euromilhões num mercado de pessoas, tanta peleja sobre minudências, tanto palavreado sobre intermediários, tantos juízos sobre todos, tantas provocaçõezinhas de escola primária, tantos absolutismos de retórica, tantos mind games (como gostam de dizer} desbragados, tantas incoerências em tão pouco tempo... Horas a fio, que tudo subjugam. Em dose cavalar, com o devido respeito pelo animal."

Bagão Félix, in A Bola

Teste em várias frentes

"O Mundial vai ser um teste em várias frentes. Em primeiro lugar para Telma Monteiro, que procura a sua primeira medalha de ouro e a quinta final em Mundiais, podendo aferir em Astana a sua condição perante a concorrência, quando falta um ano para a realização dos Jogos Olímpicos, onde detém legítimas expectativas em subir ao pódio. Por outro lado, Portugal também vai poder aquilatar se os oito judocas que estão nos lugares virtuais de qualificação vão continuar a ter possibilidades de não perderem a corrida até ao Rio'2016, pois o número supera, em muito, a representação final de quatro judocas lusos em Atenas'2004, cinco em Pequim'2008 e quatro em Londres'2012. Por último, o Mundial também vai ser um teste à eficácia da nova equipa técnica, depois da entrada de Nuno Delgado e João Neto, coordenador e seleccionador nacional respectivamente."

Alexandre Pais, in Record

“Às vezes um jogador precisa de um abraço, outras de uma marretada nas costas”

"Não sabe se é mais do que um treinador, mas gosta de pensar que é. Conheça o homem que Luís Filipe Vieira escolheu para substituir Jorge Jesus. “Sou vaidoso q.b., um bom garfo e acho sempre que temos alguma coisa a provar”
-Disse numa entrevista que soube que ia para o Benfica quando recebeu um telefonema de Luís Filipe Vieira. Onde estava na altura?
-Estava com a minha mulher e com as minhas filhas. Primeiro, pensei: “O que é que se passa aqui?” Mas foi como mera curiosidade, e depois eu e o presidente continuámos a falar. E só a partir daí é que percebi o que estava em causa naquele telefonema.

-O que sentiu?
-Nada. Foi do género: “Espera lá, que está aqui um convite do Benfica... Se calhar, é a sério.” Às vezes, imaginamos estas coisas.

-Acreditou naquilo que lhe estava a acontecer?
-Acreditei, porque conheço o Luís Filipe Vieira, e quando ele falou comigo percebi logo que era uma coisa muito séria.

-Qual foi a primeira pessoa a quem contou? Depois da sua mulher, obviamente.
-Ficámos ali os dois a pensar, porque não queríamos divulgar o que quer que fosse. Só depois é que comecei a falar com os meus dois adjuntos, quando as coisas já estavam fechadas com o Benfica. É que eu sou muito assim, mantenho o segredo. E, se a minha mulher não estivesse ali ao lado na altura do telefonema, nem ela teria sabido.

-Fala de futebol com a família?
-Não é muito meu hábito. Temos de proteger quem está connosco. O futebol é um mundo à parte, e quem está de fora não percebe que o treinador e o jogador sentem e fazem coisas diferentes dos outros, com algumas regras que diferem. Por isso, gosto muito de me reservar.

-Em sua casa há muitas coisas relacionadas com futebol?
-Não... Tenho três filhas, e Deus queira que nenhuma delas vá para o futebol feminino.

-Está-me a querer dizer que o futebol não lhe entra em casa?
-É assim... Uma das minhas filhas anda muito preocupada com quem entra e sai do Benfica. Ela não sabe bem quem é quem, mas pergunta: “Então mas este sai daqui ou quê?” Mas tento que a minha vida pessoal fique bem separada da profissional.

-Toda a gente sabe que é benfiquista, mas passava-lhe pela cabeça um dia treinar o Benfica?
-Sempre quis subir na vida, na carreira, mas nunca vi as coisas dessa forma. As coisas foram conquistadas ano a ano, mas nunca vivi de muitas ilusões. Sou muito pragmático. Cada obstáculo que aparecesse, teria de ultrapassá-lo, estabelecendo novos objectivos. Mas é óbvio que cheguei a uma altura em que pensei estar pronto para dar o salto para um clube de outras dimensões, e o Benfica é a cereja no topo do bolo. Já cá tinha estado [como treinador de juniores].

-Nasceu e viveu onde?
-Nasci em Alverca e vivi em Alverca durante muitos anos e só mais tarde é que me mudei para a Póvoa de Santa Iria e depois para Paços de Ferreira e Guimarães. A minha infância, juventude e o meu primeiro casamento — aconteceu tudo em Alverca. Fiz lá a escola, joguei lá muitos anos, é a minha terra. Tenho lá as minhas raízes, a minha família, os meus amigos. Tive uma infância boa, fui bom aluno até ao 12.º ano, sem nunca ter chumbado e com boas notas. Só que no 12.º ano, tinha eu 17 anos — estava a treinar nos juniores e a jogar nos seniores do Alverca —, decidi armar-me em futebolista: “Se não fizer este ano, e tal, também não faz mal, porque tenho 17 anos.” O que aconteceu? Chumbei. É o que dá armar-me em jogador de futebol [risos], armar-me em bom.

-E os seus pais?
-Não reagiram mal, até porque eu nunca dei trabalho, ao contrário do meu irmão, mais velho, que era bem pior do que eu. Ele hoje é uma jóia de pessoa, talvez bem melhor do que eu, mas quando era miúdo... era reguila... Temos seis anos de diferença, mas ouço cada história de bradar aos céus. O meu pai, de vez em quando, chegava-lhe a roupa ao pelo. A mim, não. Quer dizer... Uma vez, sim, aconteceu uma vez.
-Porquê?
-Porque eu e o meu irmão andávamos à zaragata na rua e à hora de jantar estávamos a jogar futebol na rua. Lembro-me perfeitamente: o meu pai estava a chegar do trabalho, perto das oito da noite, hora sagrada para o jantar, e eu e o meu irmão estávamos ali sentados à entrada. Disse a minha mãe: “Eles hoje só andaram a fazer asneiras.” O meu pai deu uma chapada a cada um e ficou resolvido o assunto.

-O que fazia o seu pai?
-Era soldador, e a minha mãe era escriturária. O meu gosto pelo futebol vem do meu pai, que tinha sido guarda-redes do Alverca nos tempos antigos, e eu, desde miúdo, habituei-me a acompanhá-lo em tudo o que era bola. Lembro-me de, ao fim de semana, ir com ele ao Alverca. Começávamos de manhãzinha, voltávamos à hora de almoço a casa, e às três da tarde regressávamos. Víamos os escalões todos. Conhecia as equipas todas, juniores, seniores; e aos 9, 10 anos, quis jogar futebol e fiquei para sempre ligado a isto.

-Jogava como médio?
-Sim.

-E o seu irmão também jogava?
-Jogava pelas alas, mas, também... Quer dizer, o jeitinho dele não era muito. Lembro-me de ele chegar a casa um dia e dizer que podia ter sido um grande jogador mas que o pai lhe tinha cortado as pernas... Pois, está bem [risos]. “Ai a culpa é do pai? Está bem, está.”

-E o Rui?
-Eu tinha jeito, mas o jogador Rui Vitória nunca jogaria com o treinador Rui Vitória. Porquê? Porque hoje exijo coisas aos meus jogadores que eu, quando era futebolista, não cumpria. Estava a tirar o meu curso de Educação Física e havia muito aquele conceito de “primeiro os estudos, depois o futebol”. Cheguei a jogar na segunda divisão, o que não é mau. Tinha boa capacidade de leitura e gostava de organizar o jogo e até rematava bem, mas faltava-me convicção.

-Era calão, não corria...
-Pois. Correr, trabalhar... Eu era mais do estilo: “Passem-me a bola que eu resolvo.”

-Tinha ídolos?
-Rui Costa, Zidane, Platini, João Alves, basicamente todos os que eram médios centro.

-Ia ver jogos à Luz?
-Sim, com o meu pai, quando a vida deixava, porque naquela altura não dava para grandes aventuras. Mas lembro-me de um 5-0 ao Sporting, na Luz, em que ao intervalo o Benfica já estava com 5-0! Era o tempo do Jordão, do Laranjeira, do Botelho... Eu vivia aquilo com ansiedade como adepto. Os 40 minutos à Benfica, não era? Ou seriam os 15 minutos?

-Perdeu os seus pais cedo, em 2002...
-[silêncio] Foi num sábado à tarde. Estava a beber um café com uns amigos na Póvoa [de Santa Iria] e recebi um telefonema. Disseram-me que tinha acontecido uma coisa grave, e eu pus-me a caminho de Alverca, e foi só então que percebi o drama — os meus pais tinham morrido num acidente de carro. Eram três e pouco da tarde. Morreram os meus pais e os pais do meu melhor amigo [Paulo Xavier], que é padrinho da minha filha e que tem um filho do qual sou padrinho. Também jogou futebol, no Benfica. Ninguém nos prepara para isto. E ganha-se uma espécie de carapaça, nada nos pode atingir. Lembro-me de que enfrentei aquilo de peito aberto. Já era casado, tinha uma filha pequenina e tive coragem. Hoje, vejo que tive de ser forte e arranjei defesas. Fui eu que levei os meus pais para a cova, acompanhei-os até ao fim, no caixão. A partir daí, todos os problemas que enfrento são relativizados. Quando tenho de tomar decisões, lá tocam o Tico e o Teco na cabeça, que me dizem: “Olha lá, já tiveste de sofrer tanto, estás com medo do quê?” Aquilo mudou a forma como eu pensava. Tinha 32 anos.

-Quando seguiu para Educação Física, queria ser professor ou treinador?
-Eu queria ser treinador e queria que isso acontecesse cedo na minha vida. Mas tirei o meu curso, com 24 ou 25 anos, enquanto jogava, e recordo-me de o meu treinador perguntar-me coisas do género: “Então isto é assim ou assado?” Aos 32 anos, deixei de jogar e comecei a treinar.

-Foi uma mudança súbita?
-Os meus pais morreram no dia 21 de Setembro, e no dia seguinte já não joguei pelo Alcochetense. No domingo seguinte tive dois convites para treinar: um do Alcochetense e outro do Vilafranquense. Numa semana, a minha vida mudou completamente. Na segunda-feira à noite faço o último treino como jogador, no Alcochetense, na terceira divisão, e na terça-feira de manhã faço o meu primeiro treino como técnico, no Vilafranquense, na segunda. Imagino o que terá passado pela cabeça dos tipos do Vilafranquense quando me viram a treiná-los — eu que, há dias, era médio num clube de uma divisão inferior. E já tinha sido capitão de equipa do Vilafranquense [risos].

-E os presidentes dos clubes não levantaram problemas?
-Levantaram... No domingo à noite recebi dois telefonemas: um para treinar em Alcochete, outro para treinar em Vila Franca. Quem me contactou primeiro foi o Vilafranquense, às nove da noite; 30 minutos depois liga-me o Alcochetense. Eu decidi-me pelo Vilafranquense porque me ligou primeiro, porque fora jogador lá durante anos e porque... estava na segunda divisão. Tive de marcar a minha posição, fiz finca-pé. 

-E como foi a primeira experiência a treinar?
-Foi um estágio para o que ia apanhar na vida [risos]. Em dois anos, somámos nove meses de salários em atraso, quatro ou cinco na primeira época, quatro ou cinco na segunda. A malta ganhava pouquíssimo, eu levava mil euros (tinha a sorte de também ser professor), mas havia quem não pudesse ir treinar porque não tinha dinheiro para o gasóleo ou porque tinha contas para pagar. Eu, como jogador, nunca tivera um salário em atraso, nem no Vilafranquense. Isto obrigou-me a puxar pela cabeça constantemente, porque tinha de estar do lado da direcção um dia e do lado dos jogadores no outro. Tudo com muitas pinças. Mas nós corríamos e trabalhávamos muito e marcámos 140 golos, acho, no primeiro ano; no segundo, houve uma redução orçamental drástica — está visto que estou fadado para isto, para projectos difíceis [no Vitória de Guimarães, Rui Vitória teve de lidar com salários em atraso]. Acabado esse ano apareceram-me duas ou três oportunidades para treinar na segunda divisão, na região de Lisboa. E, então, o Benfica convidou-me para ir para os juniores, mas eu não queria ser rotulado como treinador de jovens. Repensei. “Às tantas, isto é importante para a tua carreira, para perceberes os jovens e conheceres a realidade de um clube grande.” Cumpri dois anos, e no primeiro deles estivemos a 15 minutos de sermos campeões, num jogo contra o Sporting de Paulo Bento, em que houve umas decisões de arbitragem de que, enfim, não vale a pena falar agora. No ano seguinte, as coisas não correram tão bem, e eu decidi — e o Benfica também — que era altura de partir. Sem clube em vista.

-Não foi arriscado?
-Foi, sim, mas felizmente, na semana seguinte, recebi um convite do Fátima. Foi uma coisa de dias, e levei o Arnaldo [Teixeira, o adjunto] comigo pela primeira vez. Achei que ele tinha o perfil ideal para ser o meu braço-direito, porque já o conhecia da escola onde dava aulas. Cheguei ao Fátima, que fora segundo classificado na II B com o Paulo Torres, e pensei: “Eh, pá, estes agora querem que eu seja primeiro...” 
-Houve redução orçamental?
-[risos] Houve, claro. É a minha sina. Mas fomos campeões e subimos de divisão, à II Liga. É um percurso de quatro anos que fica marcado por aquela eliminatória com o FC Porto, na Taça da Liga, que passámos. E perdemos com o Sporting por causa dos golos marcados fora. Tenho cá para mim que, se tivéssemos passado, a Taça da Liga tinha acabado naquele ano [risos], sem Benfica, FC Porto e Sporting. Foi nessa altura que me armei um bocadinho em treinador, e explico porquê: pedimos umas credenciais para espiar o FC Porto num jogo internacional; um ficou com o processo ofensivo, outro com o defensivo, e eu com o plano geral, armado em catedrático da coisa... Mas acabámos por eliminar o FC Porto com base nos apontamentos que tirámos.

-O seu telefone tocou depois disso?
-Aquilo criou curiosidade às pessoas, e dei algumas entrevistas, porque teve impacto. Eliminando o FC Porto e batendo o pé ao Sporting, tornei-me conhecido.

-No Fátima, o presidente era o padre António Pereira...
-Isso é giríssimo, não é?

-Confessou-se com ele? 
-Não, não, nunca. Sou católico, mas não pratico. Mas lembro-me de que ele tinha este discurso: “O que é preciso é que ninguém se aleije, que haja saúde.” Estávamos ali nós, naquela de ir para o jogo, com o discurso agressivo, e vinha o padre e dizia aquilo [risos].

-E é supersticioso?
-Sou e não sou. Tenho rituais de conforto.

-Tais como?
-Eu sei lá [silêncio]. Olhe, entrar com o pé direito, usar a mesma roupa da semana passada, em que ganhei. Mas recordo-me daquela eliminatória com o FC Porto para a Taça da Liga em que disse para o meu adjunto: “Arnaldo, quando formos para os penáltis, viro-me de costas para o campo. Já sei que, se ganharmos, isto vai ser notícia.” E correu bem. A partir daí, passei a pôr-me de costas para o relvado nos penáltis. São pancadas que nós temos.

-De Fátima foi para o Paços, onde chegou à final da Taça da Liga, e do Paços seguiu para Guimarães. E, no primeiro treino, os adeptos invadem-lhe o campo...
-Vou dizer-lhe isto do fundo do coração. Quando vi a invasão, pensei: “Era mesmo disto que eu precisava. Estou num clube grande.” Depois do treino, tinha o telemóvel cheio de mensagens e chamadas, com as pessoas preocupadas com aquilo, pensavam que eu tinha levado uma trepa. Mas foi estranho, porque eu ia atrás dos jogadores, no túnel, para o treino, e ouço alguns deles: “Ó mister, já estão ali a bater no Faouzi [futebolista].” Estava eu a querer entrar no campo e eles a voltarem para trás, porque andava tudo engalfinhado, adeptos com futebolistas. A partir daí, os treinos foram sempre à porta fechada. Eu ouvia muitas histórias de antigos treinadores que foram apertados em Guimarães e pensava: “Isto vai tocar-me um dia.” No primeiro ano, lá está, dá-se o colapso financeiro e aparecem os salários atrasados.

-Ainda assim, ganhou a Taça de Portugal ao Benfica de Jorge Jesus...
-Foi um percurso difícil, mas fomos criando uma secção chamada “Secção Taça de Portugal”. Utilizávamos as mesmas metodologias e a mesma música sempre que jogávamos as eliminatórias da Taça de Portugal, que fomos passando. Eu sinto que conseguimos ganhar aquilo no dia em que eliminámos o Sporting de Braga, na meia-final, estávamos nós completamente a cair para o lado, esgotados. E chegámos ao Jamor com cinco meses de salários em atraso — os jogadores, aliás, tinham seis meses de salários em atraso.

-O Benfica tinha perdido o campeonato e a Liga Europa...
-Nas semanas que antecederam a final havia as duas correntes do costume: se o Benfica ganhasse o campeonato e a Liga Europa, ia relaxar no Jamor, e isso seria bom para nós; se o Benfica perdesse tudo, iria querer vingar-se no Jamor, e isso seria mau para nós. Eu preferia que o Benfica fosse derrotado, porque não acredito muito na história das vinganças; acho que uma equipa grande fica sempre mais frágil se perder grandes competições, ainda por cima consecutivas. O que eu transmiti aos meus jogadores foi isto: “Ou matamos ou morremos.” Tinha de aproveitar a fragilidade emocional e física do Benfica. “Vamos entrar com tudo.” Fiz um powerpoint com seis cenários, e num deles abordámos a derrota. Fui o mais transparente possível, porque sofrer um golo do Benfica é normal. E isso aconteceu, num ressalto do Gaitán. E pensámos: “Eh, pá, o Benfica podia ter feito um golinho de jeito, mas, assim, com a bola a bater no pé do Gaitán... Parece que nos querem mandar mais para baixo.” [risos] Ao intervalo, senti os jogadores perdidos. Disse-lhes: “Isto está dentro dos planos. Vocês sofreram um golo e não se desuniram. Continuem da mesma forma, que o Benfica pode fraquejar fisicamente.” Fomos felizes.

-Um treinador tem de acreditar sempre no que diz ou está a ser um actor perante os jogadores?
-Às vezes, temos de fingir.

-Escreveu um livro baseado na “Arte da Guerra”. Leu-o quando?
-Fui lendo durante a minha vida. Recebi um convite de uma editora e fiz um transfer do Sun Tzu para o futebol.

-Já se sabe que toca bateria, mas quem é que o ensinou?
-Comecei a brincar sozinho. Era miúdo, na casa dos meus pais, e as portas faziam um barulho engraçado quando eu batia nelas. E lá vinha a minha mãe: “Para com isso!” Mas eu sempre tive esse ritmo [bate com os dedos no tampo da mesa]. Aos 10, 11 anos, fui aprender bateria com o baterista dos Ferro & Fogo, o Seixas, que tinha uma grande barba e trabalhava em oficinas. Durante uns meses, fiquei ali ao lado dele; depois, deixei-me daquilo, mas sempre que via uma bateria em qualquer lado, mesmo nos estágios, havia uma coisinha dentro de mim, só que eu nunca me chegava à frente, porque era envergonhado. Recentemente, comprei uma bateria eléctrica e pus-me a praticar em casa. Em Guimarães, estava sozinho [sem a mulher] e punha os auscultadores. Dava umas pauladas e não chateava ninguém.

-Mas tem bandas preferidas?
-Não.

-E já tocou para os seus jogadores?
-Já, claro. Nas festas de Natal do Vitória de Guimarães, eu tocava bateria, o Neno cantava, e um dos vice-presidentes tocava viola. Ensaiávamos duas ou três músicas e pronto. Os jogadores, na primeira vez que me viram, andaram para lá a dizer: “Então, o que é isto? O homem não está bom da cabeça!”

-É um bom garfo?
-Sou, sim [mexe na barriga]. Ui, como de tudo, menos, talvez, peixe frito. Gosto de cabidela, por exemplo, e lá em cima, em Guimarães, comia muito. Gosto mais de carne do que de peixe, mas costumo dizer que sou um pouco como os peixes: se me derem muito, como muito; se me derem pouco, como pouco. A minha mãe sempre me ensinou que não se deixa nada no prato!

-Cerveja ou vinho?
-Vinho.

-É vaidoso?
-Quanto baste. Não gosto que olhem para mim e pensem que estou desmazelado.

-E vive 24 horas para o futebol?
-Essa história de viver 24 horas para o futebol... Eu trabalho muito para o futebol, mas sei que serei melhor treinador se souber o que se passa no mundo, fora do futebol. Os clubes estão diferentes, os jogadores estão diferentes, este é um desporto globalizado. A hora e meia de treino talvez seja o menos importante. Temos de saber lidar com os jogadores, administração, o projecto do clube, o planeamento da época, etc.

-O que é mais importante? O lado técnico-táctico da coisa ou o lado psicológico e emocional?
-Antes de mais, um jogador é um ser humano. Se conseguir entrar dentro do ser humano, consigo chegar ao jogador; se quiser começar pelo jogador, talvez não consiga chegar ao ser humano e poderei ter problemas. Os futebolistas são bem pagos, OK, mas têm pais que têm problemas, filhos que têm problemas, mulheres, namoradas... Tudo isto tem importância no rendimento deles. Não tenho de andar a coscuvilhar, mas tenho de conhecer o homem; às vezes, damos um abraço; outras, uma marretada nas costas [risos].

-Tem alguma coisa a provar aos adeptos do Benfica, depois de seis anos de Jesus?
-Nunca gostei de ouvir jogadores e treinadores que dizem não terem nada a provar. Isso, para mim, é sinal de comodismo. Eu tenho sempre de provar alguma coisa, há sempre alguma coisa que podemos mostrar. O passado é história.

-A imagem do treinador importa?
-Sim. Temos quatro áreas de intervenção. Uma é a nação benfiquista; outra são os accionistas e a administração; a terceira são os recursos humanos aqui dentro; e, por fim, há a área envolvente, saber em que tipo de clube estou, o que me pedem e o que posso dar. Tenho de estar por dentro de tudo, do lado financeiro, comunicacional, etc.

-Sente-se mais do que um treinador?
-Não sei se sou, mas gosto de pensar que sim."

Entrevista a Rui Vitória, por Pedro Candeias, in Expresso

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Mercado da Luz MB15

Ainda não existe confirmação oficial, mas parece que não vamos contratar mais ninguém, antes do início da época. Antes da contratação do Cook, era previsível a contratação de um Atirador e de um Poste, mas agora parece que a estratégia mudou...
Os orçamentos são para ser cumpridos, a aquisição do Daequan Cook (6 anos de NBA) deverá ter 'engolido' parte significativa do orçamento... Existem duas hipóteses, ou a secção julga que o actual plantel é suficiente, ou como o dinheiro disponível é curto, a contratar um Poste logo em Setembro/Outubro, teria que ser um jogador de nível salarial baixo, logo de rendimento baixo... e se calhar seria a 3.ª opção, atrás do Gentry e do Fonseca. E assim, optou-se por contratar um Poste de qualidade (mais caro), somente perto do final da janela de transferências (Janeiro), ainda a tempo de entrar nas rotinas da equipa, mas com menos meses de ordenado a pagar...!!! Se for esta a lógica, até compreendo.
Sendo que os Troféus que vão ser disputados no início da época, ficam assim em 'risco'!!! O ano passado vencemos as 5 competições internas, mas assim será mais difícil derrotar os regressados Corruptos Aziados, que se têm reforçado com bons (e altos) jogadores... E seria importante, até por motivos emocionais, manter a onda de triunfos do Benfica, mesmo nos Troféus menos 'significativos', começando pelo António Pratas...
Além disto, a ausência do Poste, vai-se sentir muito, na novíssima Fiba Cup, onde não tivemos sorte no sorteio (Antwerp Giants (Bel), Cibona Zagreb (Cro), Sopron (Hun))!!!

Não existindo confirmação oficial, que o plantel está fechado, aqui ficam os jogadores, que actualmente fazem parte do plantel:
Bases: Carreira, Gameiro, Barroso, Fernandes.
Base-extremo: Cook, Oliveira, Ferreirinho.
Extremo: Andrade, Soares.
Extremo-poste: Lonkovic, Wilson.
Poste: Gentry, Fonseca.
Saíram o Doliboa, o Thomas, o Slay, o Lima e ainda o emprestado Castela. Entram o Nuno Oliveira e o Marko Lonkovic (ambos do Barcelos), e os Americanos Daequan Cook, e o Jeremiah Wilson. Temos ainda os 'regressos' dos lesionados Diogo Carreira e Carlos Ferreirinho que praticamente não jogaram o ano passado.

No papel, estamos mais fortes no jogo exterior, temos muito mais opções, o problema é que nenhum dos jogadores tem as percentagens do Jobey Thomas... e falta ver quem vai assumir o jogo nos momentos decisivos.
Agora, apesar das entradas do Lonkovic e do Wilson, não temos um Poste dominador. O Gentry tem 38 anos, continua a ser muito bom para o nível nacional, mas é afectado por lesões com alguma regularidade... O Cláudio foi pouco utilizado na época anterior, mas a imagem que eu tenho dele, é que é um jogador de 'engate'. Contra a grande maioria dos adversários, este plantel chega e sobra, mas nos jogos mais complicados duvido que o nosso jogo interior se 'aguente'!!!

O Carlos Andrade é outro jogador fundamental nesta equipa. Essencialmente pela maneira como defende, e pela maneira como acaba por contagiar o resto da equipa na defesa. O Carlos também tem sido martirizado por lesões... será muito importante a saúde física do Carlos, no sucesso do Benfica nos momentos decisivos.

A contratação do Daequan Cook, foi uma enorme surpresa. Um jogador com perfil de NBA, onde jogou 6 anos, em equipas de Play-off, e onde conseguiu 'roubar' o destaque às grandes estrelas, em alguns jogos... Vamos ver com que atitude chega ao Benfica... O ambiente nos Pavilhões portugueses é um pouco diferente!!!
Os vídeos do Jeremiah Wilson também me tinham deixado esperanças. Um jogador com experiências das Ligas Grega, Turca e Israelita, sempre com boas estatísticas, com disponibilidade física, e aparentemente também sabe lançar dos 3 pontos...

Em jeito de conclusão, conseguimos renovar o plantel, baixar a média de idades, e aparentemente manter a qualidade, e aumentar as opções no jogo exterior, a minha única dúvida é mesmo o 'encaixe' do nosso plantel no jogo interior, contra aquela que será muito provavelmente o nosso principal adversário, em todos os troféus nacionais, que vamos disputar.

Vinte minutos

"«Nem tudo está mal quando se perde, nem tudo está bem quando se ganha». As palavras de Rui Vitória no rescaldo do jogo encerram uma das verdades mais esquecidas do futebol: uma equipa pode perder um jogo e deixar boa impressão, da mesma forma que é possível ganhar de forma fortuita.
É de elementar justiça que Rui Vitória tenha aproveitado a vitória folgada e a exibição morna para arrefecer os ânimos, em lugar de enveredar pela bazófia que é timbre de outros treinadores. Só lhe fica bem. Vale a pena, por isso, olhar para o que ainda correu mal no Benfica e para o que de bom aconteceu.
Uma vez mais, a equipa pareceu pobre de ideias de jogo ofensivo. O meio-campo surgiu vazio, com Fejsa a fechar muito perto dos centrais e a deixar Pizzi a grande distância. A organização atacante ressentiu-se e não se vislumbraram movimentações colectivas - Mitroglou, pesado, parecia um corpo estranho, incapaz de ligar o seu jogo ao de Jonas e, a defender, a equipa esteve muitas vezes mal posicionada, com Nélson Semedo a mostrar insuficiências.
Claro está, tudo ficou esquecido com os 20 minutos finais à Benfica. E aí emergiu o suplemento de classe de Gaitán, Jonas e Júlio César, a irreverência consequente de Victor Andrade e de Nélson Semedo e, acima de tudo, uma equipa que, solta das amarras (psicológicas?) que pareciam tolher os seus movimentos, se desinibiu. Pela primeira vez esta época, viu-se um caudal ofensivo vertical, capaz de aproximar o Benfica da baliza adversária. Agora, com um calendário favorável o desafio é consolidar esta libertação emocional."

Um exemplo inconveniente

"Afinal é possível. É possível passar das palavras aos actos. Apostar nos jogadores portugueses e ter sucesso. É, além disso, uma medida responsável desportiva e financeiramente e que assegura o futuro do futebol português. No momento em que escrevo, o Belenenses só tem jogadores portugueses inscritos. Não é só na defesa, no meio-campo ou na linha avançada, não é só a espinha dorsal da equipa, não é só o onze titular, são todos os jogadores do plantel. É obra.
Só podemos e devemos aplaudir. Todos em uníssono. Congratulamo-nos por ser o Belenenses, um clube histórico, de tradições, transversal, de Pepe, Matateu, Vicente, José Pereira, Cândido de Oliveira, pelo excelente campeonato que fez a época passada e pelo percurso que está a fazer na Liga Europa. Pela aposta nos jovens jogadores. Um exemplo.
E que fique claro, não existe nenhum preconceito da minha parte relativamente aos estrangeiros. Pelo contrário. Estou consciente da globalização, sou um cidadão do Mundo. O que critico é o excesso, a falta de qualidade e os negócios que estão associados a essas transferências.
Quando se discute a crise económica, a perda de parceiros estratégicos, as novas regras financeiras e orçamentais, os direitos televisivos, a política salarial, os novos modelos de competição e financiamento e as regras de 'boa governação', esta é, sem dúvida, uma boa notícia. Uma prática a seguir.
Em vez de assistirmos de braços cruzados à debandada dos nossos jogadores e invocarmos desculpas, como aquela de ordem financeira segundo a qual os jogadores estrangeiros são 'mais baratos' do que os portugueses, sejam capazes, como sempre defendi dirigentes e treinadores, de assumir a responsabilidade no sentido da alteração da realidade actual. Regule-se.
É, pois, hora de aproveitar a embalagem, em vez de a 2.ª Liga se andar a lamentar e a querer hipotecar o futuro do futebol português ao capital chinês, sujeitando-se a regras inaceitáveis com prejuízos e perdas irreparáveis. É hora de implementar medidas desportivas e financeiras que consolidem uma política desportiva de defesa e promoção dos jovens jogadores. O oportunismo de alguns, não pode pôr em causa o que é de todos. É nossa obrigação agir."

Passava das dez da noite e Salazar já tinha saído...

"Pode dizer-se que a primeira Supertaça se disputou no dia da inauguração do Estádio Nacional, no dia 10 de Junho de 1944, entre o Sporting campeão nacional e o Benfica vencedor da Taça de Portugal. Chamou-se Taça Império.

Lisboa, 10 de Junho de 1944. «Lisboa descobriu hoje, nesta apoteose que foi a inauguração da cidade dos desportos, um sentido único. Pela auto-estrada que corta Monsanto - 'Estádio'. Pela via marginal, desencantando em cada viragem do carro um panorama azul do Tejo - 'Estádio'.
A cidade despovoou-se. Ao meio-dia já não se via uma janela, um estabelecimento abertos. A grande circulação fazia-se rápida, intensa, cautelosa, vazando sangue humano sobre o gigantesco monumento. Dir-se-ia mesmo que, entre os restos de duas aldeias pastoris, Linda-a-Velha e Linda-a-Pastora, no eixo do velho Jamor que desapareceu, subitamente, envergonhado, se abrira, instantaneamente, uma cratera humana».
A cratera humana era o Estádio Nacional que nesse dia se inaugurava. É um momento único, histórico.
As pernas dos jornalistas enfunam como velas de galeão do Raposão e do Dr. Topsius, da Imperial Alemanha, da «Relíquia».
Duvidam? Leiam mais um pouco.
«E depois, de súbito, numa admirável arquitectura cenográfica, a parábola do campo, com os 23 sectores, 25 quilómetros de bancadas - do Cais do Sodré a Cascais em extensão - e a sua tribuna de honra, de um voo helénico, com as suas colunas rasgando o azul, tendo à frente as cadeiras de espaldar vermelho, onde não tarda que se sentem o Chefe de Estado e do Governo. À frente dessa proa rendilhada, condizendo com o rubro dos estofos, um linda cercadura de sardinheiras - numa nota de cor ardente e voluptuosa. O horizonte rasga-se sobre a Praça da Maratona, que tem como último plano o anilado batido de sol, do Tejo em dia de festa. A toda a volta das arquibancadas, nos montes, vêem-se as falanges da Mocidade Portuguesa, numa teoria de bandeiras que, no momento exacto, ocupará as escadas radiais do Estádio numa massa imponente de fardas e de estandartes».
Pois é, muito Estado Novo, benza-a-Deus, mas fruto da época, a prosa que aqui recupero, com vossa licença.
Às 16h30 chegou o Dr. Salazar e respectivos membros de Governo. Às 16h55 o General Carmona. Tudo como manda o protocolo.
Seguem-se exibições de ginástica, de atletismo, desfiles de desportistas de clubes de todo o país, representando todas as modalidades.
Tudo impecável! De truz! De estadão!
E, finalmente, às 16h30, em ponto, o desafio entre Sporting e Benfica, respectivamente vencedores do campeonato nacional e da Taça de Portugal.
Era aqui que eu queria chegar.
Dois guarda-redes acima de todos
Esta foi, pode dizer-se com conforto, a primeira das Supertaças. Havia, aliás, o plano de tornar anual este encontro entre vencedores de campeonato e Taça, mas a ideia não foi avante.
Repetir-se-ia, excepcionalmente, vinte anos mais tarde, em 1964, mas falarei disso para a semana, fiquemo-nos, para já, pelo novinho em folha Estádio Nacional.
Nessa tarde em que cerca de oito mil atletas pisaram o relvado e a pista de atletismo do Jamor, os jogadores de Benfica e Sporting tiveram direito a representar o papel principal.
E coube a Fernando Peyroteo a honra de marcar o primeiro golo da história do recinto.
Mas, apresentem-se os artistas:
Árbitro: Vieira da Costa, do Porto. Auxiliares: Carlos Canuto e Álvaro Santos.
SPORTING: - Azevedo, Carlos Cardoso e Manuel Marques; Canário, Barrosa e Eliseu; Mourão, João da Cruz, Peyroteo, Marques e Albano.
BENFICA - Martins; César e Carvalho; Jacinto, Albino e Francisco Ferreira; Espírito Santo, Arsénio, Julinho, Teixeira e Rogério «Pipi».
Quem lê a crónica de Ribeiro dos Reis sobre o desenrolar dos acontecimentos, não lhe encontra motivos para enormes entusiasmos. Os elogios são escassos. Sobretudo no que respeita à qualidade técnica da peleja, já que quanto ao esforço dispendido não há rebuço.
Reclamava o distinto técnico e jornalista da distância a que o público ficava do relvado, deixando os jogadores alheios aos gritos de incentivo.
De início, Azevedo foi chamado a intervir perante a codícia dos avançados encarnados. Por pouco tempo, todavia. A lentidão tinha tomado conta da tarde que caía e amolentara jogadores de ambos os conjuntos.
Veio a segunda parte já que a primeira não deixara saudades.
O Estádio era rico, sumptuoso, desenhado pelo arquitecto Jacobetty Rosa à boa maneira das obras fundamentais do regime, copiando o estilo megalómano dos Nacionais Socialistas alemães.
«Salazar promete! Salazar cumpre!», lia-se em cartazes e panfletos espalhados pelo meio da multidão.
Malhas que o império tece...
Aos 15 minutos da segunda parte, golo de Peyroteo!
Cabe ao Benfica lutar pela honra e pela posse da Taça Império, atribuída pela Federação Portuguesa de Futebol ao vencedor. E que bela taça era!
Custou, mas foi. A partir dos 60 minutos, são os encarnados quem mandam definitivamente nos acontecimentos. Atacam com energia o seu adversário que recua e se sujeita a sofrer o empate.
O 1-1 é da autoria de Espírito Santo, saltando para além da linha defensiva leonina e ludibriando a tentativa de o deixarem em «off-side».
Haverá prolongamento.
Escreve Ribeiro dos Reis: «Aos dois minutos do primeiro quarto de hora, Peyroteo aumentou a marca do seu grupo para 2-1. Trocados os campos, coube a vez a Eliseu de fazer 3-1, aproveitando inteligentemente um incompreensível movimento de recuo da defesa do Benfica. Foi um 'goal' consentido por falta de atenção sobre aquele jogador do Sporting que por estar magoado passara para extremo esquerdo.
O Benfica tentou ainda recuperar terreno e, a cinco minutos do fim, o seu avançado Júilio aproveitou uma descida para atenuar a derrota para 2-3.
As duas grandes figuras do encontro foram os guarda-redes Azevedo e Martins. Pode dizer-se até que só eles estiveram verdadeiramente à altura do grandes acontecimento, mostrando classe aparte. Azevedo, sobretudo, teve defesas magníficas, devendo-lhe o Sporting muito da vitória, bem como aos dois defesas, ambos muito seguros, especialmente Marques, que marcou muito bem o avançado-centro adversário».
Passavam já fez horas da noite. Caíra a escuridão sobre o Vale do Jamor.
Salazar já tinha saído..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Um almoço, uma fotografia

"No Bacalhau houve de tudo: comemoração, homenagem, melindre, comida em abundância e troféus.

Campeão de Lisboa de futebol em 1.ªs, 2.ªs e 3.ªs categorias: o Sport Lisboa e Benfica não poderia terminar melhor a época 1909/10.
Para comemorar o título e, claro, homenagear os vencedores, a Direcção do Clube ofereceu um almoço. O local escolhido foi o restaurante Bacalhau '(...) para lá de Benfica (...)', na actual Venda Nova. Assim, a 31 de Julho de 1910, tinha lugar o primeiro almoço organizado pelo Clube para festejar uma conquista. À mesa, um total de 44 pessoas, entre atletas, dirigentes, membros da imprensa e delegados de outros clubes.
A revista Tiro e Sport dedicou uma página inteira ao acontecimento. Aí, pode-se ler que o almoço não foi '(...) um simples manejo gastronómico. Foi elle o tributo da direcção do Club em homenagem aos que defenderam a sua bandeira. Foi a reunião d'esses rapazes que, fugindo da inépcia domingueira, conquistaram um tropheu honrando o meio desportivo portuguez'.  Não se comemorava apenas a conquista do Benfica, mas também a vitória do futebol português sobre o inglês, 'A victoria conquistada por portuguezes áquelles que nos trouxeram a melhor lição...', dado que o Campeonato de Lisboa, instituído em 1906/07, era, à época, a mais relevante prova a nível nacional e o Benfica foi o primeiro clube formado por jogadores portugueses a conquistá-lo.
O almoço '(...) decorreu sempre muito animado (...)'. Apenas um percalço melindrou a Comissão promotora do evento. O almoço tinha sido encomendado '(...) para 80 pessoas, mas faltaram, por motivos diversos, 36 (...), não deixando por isso de se ter pago a mesma importância (...)'. Consta até que, 'Como o dono do restaurante não se dispôs a fazer qualquer desconto na despesa, alguns dos presentes bateram-se com dois almoços!...'.
Terminado o banquete, '(...) todos os presentes se formaram n'um só grupo e foram photographados por João d'Assumção Corrêa'. A fotografia encontram-se reproduzida, em grande escala, na área 1. Ontem e Hoje do Museu Benfica - Cosme Damião. Esse é também o primeiro registo fotográfico de um exibição pública de troféus do Clube que se conhece. Ao centro, sobre uma mesa coberta com a bandeira do Sport Lisboa e Benfica, entre Félix Bermudes (à esquerda) e Cosme Damião (à direita), vêm-se os seis troféus até então conquistados pelo Clube."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Lixívia 1

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica..............3 (0) = 3
Corruptos..........3 (0) = 3
Sporting............3 (0) = 3

No regresso da Liga, o regresso da Lixívia... com uma novidade importante: o Braga não já conta para estas contas!!! Comecei nestas andanças quando o Braga deu luta ao Benfica, até à última jornada, e época após época, foi ficando... já é tempo, de ficar de fora!!! Apesar de ter gostado de algumas das contratações do Braga, nos poucos minutos que acompanhei do jogo...

A época oficial já tinha começado com a Supertaça no Algarve, com o 'melhor' árbitro português (actualmente) a errar em grande!!! Sendo o penalty não assinalado sobre o Gaitán o maior e mais descarado erro, de clara responsabilidade do árbitro principal, ao contrário de outros erros, com responsabilidade partilhada com os auxiliares. Sendo que o critério disciplinar também foi uma 'festa', com muitos amarelos perdoados... ao Sílvio, mas também ao Adrien e ao Carrillo...

No 1.º jogo da Liga, novo festival Xistra!!! A nomeação do Xistra já me deixou desconfiado: na última jornada da época transacta, no Sporting-Braga no Alvalixo, Xistra entre muitas outras coisas, descobriu um suposto penalty sobre o Carrillo que só ele viu... um autêntico mistério!!! Como prémio, acaba por ser nomeado para a 1.ª jornada da actual época, novamente para o Sporting!!!
O primeiro grande erro é do fiscal-de-linha, golo do Tondela em fora-de-jogo e com a Mão!!! A falta para mim existe, ao contrário daquilo que os Lagartos defendem... a Mão é discutível, porque é sempre complicado provar o acto deliberado, mas em Portugal normalmente marca-se... agora, no fora-de-jogo, o único álibi que o Fiscal pode apresentar, é que não 'percebeu' quem fez o desvio, se foi um jogador do Tondela, ou um defesa do Sporting...
Em relação ao já famoso lançamento do João Pereira, o (outro) Fiscal também tem responsabilidade: nos lançamentos laterais não existe fora-de-jogo, o Fiscal tem a obrigação de estar a olhar para o lançador... e se ele não se lembra, o árbitro principal devia o ter avisado...
Mas mesmo em relação ao penalty a critica não foi unânime: alguns defendem que houve pé alto do Gelson, entrando com a bota por cima... depois, o Murillo algo ingénuo acaba por provocar o contacto, sendo que me parece, que a queda foi ligeiramente 'antecipada'!!! Mas admito que a 'coreografia' do lance, induz o árbitro a marcar penalty...

Nos jogos do Benfica e dos Corruptos, tivemos duas novidades: Tiago Martins e Fábio Veríssimo. Desconfio que nos próximos anos, vamos ter que aturar estas duas aves raras!!! A quantidade padrinhos, que os têm promovido vertiginosamente até à 1.ª categoria, assusta qualquer um...!!!

No final da época anterior, no Seixal, num jogo da equipa B, Fábio Veríssimo teve um jogo memorável: acho que só os apanha-bolas não levaram amarelo (ou vermelho!!!), de resto as duas equipas, os bancos, os cães, os pássaros, e todos os outros que lhe passaram pela frente, levaram cartão...!!!
Pois bem, estava curioso para perceber qual seria o critério no Dragay: não me surpreendi... Seguindo a velha tradição, impunidade total para os caceteiros Corruptos: ao intervalo já Danilo, Imbula e Mini mereciam amarelo, nenhum levou... aliás só o coitado do Bouba Saré que nem tocou no adversário foi amarelado!!! Tudo na mesma...
Das bancadas ainda se ouviu alguns pedidos de penalty, mas foram tão desesperados, que nem merecem comentário...
Seguindo também outra velha tradição, destaco ainda o 1.º golo atribuído ao Avôbakar: então o rapaz falha o remate, a bola não vai em direcção à baliza, e o defesa do Vitória, acaba por marcar auto-golo... e todos atribuem o golo ao substituto do Jackson?!!! Assim se percebe a 'exigência' do Jonas em marcar o penalty na Luz, já percebeu se quiser ser o melhor marcador, tem que marcar tudo!!!

Na Luz, admito que após ver o jogo na televisão mudei de opinião. No Estádio fiquei convencido na dualidade de critérios, principalmente nas faltas a  meio-campo... Na TV percebi que também ficaram algumas faltas por marcar contra o Benfica. O árbitro tentou deixar jogar (com um critério muito largo), mas errou bastantes vezes, para os dois lados... e algumas das ocasiões, permitiu contra-ataques muito perigosos!!!
Nos lances na área, acho que decidiu sempre bem, sendo que na Mão do Matheus, as imagens não são esclarecedoras: é verdade que ele parece tentar proteger-se, mas o remate é feito de muito longe...; no lance do Luisão, tendo em conta o tal critério largo, nunca seria penalty... só se quiserem que o critério dentro da área, deve ser mais rígido do que as faltas a meio-campo, invertendo a 'norma' normalmente usada... sendo que ainda existe a dúvida se o contacto é feito dentro ou fora, da área (já agora, no cabeceamento perigoso do Jonas na 1.ª parte, será que o Mano empurrou o Jonas?! Parece-me que sim. Foi o suficiente para penalty?! Parece-me que não. Alguém analisa o lance como um caso?! Claro, que não...); também não considero o corte com a Mão do Anderson Luís faltoso.

As crónicas ao jogo, foram quase unânimes, tanto na gloriosesfera, como nos pasquins... e como é normal nestas circunstâncias, com uma tendência para o exagero. Parece que o Benfica nada tinha feito durante 73 minutos, e que tinha sido dominado pelo Estoril...
Vamos lá ver, o Benfica entrou nervoso, ansioso, se calhar, tentando fazer as coisas rápido demais. Veja-se as duas melhores oportunidades do Estoril:
1.ª-Antes do intervalo, Luisão marca um livre de forma percipitada, e dá contra-ataque ao Estoril...;
2.ª-No arranque da 2.ª parte, Jonas precipitadamente tenta um toque de calcanhar, quando a equipa está posicionado para o ataque, perdemos a bola, e Júlio César salvou...!!! 
Como se pode ver as oportunidades do Estoril, tiveram origem em erros individuais, que acabaram por permitir contra-ataques... não foram situações, consequência do causal ofensivo canarinho. A estratégia do Estoril, passava por bloquear o ataque do Benfica, e aproveitar o contra-ataque, algo que executou bem, durante a maior parte do tempo... O Benfica parecia preso, mas mesmo assim criou perigo, em várias ocasiões, mas ao contrário do Estoril, não obrigou o guarda-redes a grandes defesas, já que os remates do Benfica, foram ao lado, foram interceptados, ou então embateram na barra. Eu sei que no Benfica temos a tendência do 8 ou do 80, mas é preciso ser frio nas nossas analises... Como afirmei na crónica ao jogo, temos muito onde melhorar, mas não estamos tão mal como nos querem pintar...

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado

Épocas anteriores:

É irreversível. Mas seria inevitável?

"Provavelmente, haverá surpresa apenas na velocidade vertiginosa a que se degradaram as relações de Jorge Jesus com o universo Benfica.

Quando decidiu trocar a Luz por Alvalade, Jorge Jesus sabia que iria passar a ser um dos mal-amados de estimação do Benfica. A lei de uma rivalidade com 109 anos assim o impunha, e os adeptos encarnados nunca lhe perdoariam a deceção de o verem de leão ao peito. Jesus, ao longo de seis anos intensos na Luz, criou uma ligação emocional ao clube que muitos julgaram ser suficiente para não fazer a desfeita de se passar para a concorrência. Porém, quem assim pensou, enganou-se e Jorge Jesus, menos de seis meses depois de se declarar «apaixonado» pelo Benfica (mais uma vez se provou que o amor é eterno enquanto durar...) decidiu dar um novo rumo à sua vida profissional. Esta circunstância seria suficiente para criar um fosso afectivo profundo, quiçá intransponível, entre o agora treinador do Sporting e os adeptos benfiquistas.
Todavia, a forma que Jesus escolheu para fazer a sua afirmação verde-e-branca, acelerou exponencialmente a degradação dos elos remanescentes com o outro lado da Segunda Circular. Para além da questão dos SMS - ou o Benfica mostra provas ou perde esta guerra em toda a linha, com danos inclusivamente no balneário, que fica sob a suspeição da devassa - Jesus, ao seu estilo, é certo, nada que não o tenhamos visto fazer com Manuel Machado, por exemplo, disparou violentamente contra Rui Vitória, a propósito de, alegadamente, nada ter mudado no Benfica, excepto o pormenor de na Luz já não morar o cérebro.
Como na maior parte das coisas relacionadas com o futebol, a opinião pública dará razão, nesta demanda, ao vencedor, àquele que tiver mais sucesso dentro das quatro linhas. Se Jesus falhar no Sporting e Rui Vitória vingar no Benfica, o primeiro será um arruaceiro e o segundo um senhor; se acontecer o contrário, Jesus passará a arguto líder e de Vitória se dirá que não tinha vida para aquilo.
Quer isto dizer que Jesus levou a discussão para o patamar mais elevado - o do confronto directo - e, mesmo que não queira, Rui Vitória já está envolvido numa guerra que não desejou.
Depois de mim o dilúvio, parece ser o mote da estratégia de Jorge Jesus para o Benfica. Para já, as incursões no balneário encarnado revelaram que o treinador do Sporting conhece, como ninguém, onde atacar. Mas será que, na Luz, alguém estará surpreendido?


Toda a gente viu o contrário. O que quer Jesus?
«A equipa de arbitragem [no jogo Tondela-Sporting] esteve muito bem e decidiu sempre bem.»
Jorge Jesus, Treinador do Sporting
A equipa de arbitragem liderada por Carlos Xistra cometeu dois erros graves, que acabaram por dar dois golos, um para o Tondela, outro para o Sporting; e em relação a isso a doutrina é perfeitamente pacífica. Jesus também o sabe. Por isso só pode causar estranheza a forma como se referiu ao mérito de Xistra e companhia em Aveiro. Gato escondido com estratégia de fora?

(,,,)
Duque
Pedro Proença
Mesmo que não tenha estado na base do problema, é ele que deve resolvê-lo. Estou a falar da peregrina ideia de transformar os fotojornalistas presentes nos estádios onde se joga a liga portuguesa em placards publicitários ambulantes. Uma estupidez, ao arrepio do que consigna o estatuto de carreira...
(...)

Barcelona tomou um banho de humildade
A arrogância do Barcelona sofreu duro golpe com a goleada em Bilbau na primeira mão da Supertaça de Espanha. Ninguém duvida da força do futebol 'balugrana', mas a forma panfletária como celebram os triunfos e exaltam os seus heróis, como se o resto do mundo não existisse, merece, de quando em vez um 0-4!
(...)"

José Manuel Delgado, in A Bola